UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY
BIOMEDICINA
Patrícia Alves Pereira - 6Tháis
ImbertMariana Oliva Cardial -
6501464
AV2 ANÁLISE BIOQUÍMICA DOS LÍQUIDOS CORPORAIS:
Casos Clínicos
Nova Iguaçu, Rio
de Janeiro
2021
UNIVERSIDADE DO GRANDE RIO PROFESSOR JOSÉ DE SOUZA HERDY
BIOMEDICINA
Mariana Oliva Cardial - 6501464
AV2 Análise Bioquímica dos Líquidos Corporais:
Casos Clínicos
Trabalho da Disciplina Análise Bioquímica dos
Líquidos Corporais apresentado como requisito para
obtenção da nota da AV2, desta disciplina no Curso de
Biomedicina da Universidade do Grande Rio Professor
José de Souza Herdy.
Profª Orientadora: Renata Manfrinato
Nova Iguaçu, Rio
de Janeiro
2021
Sumário
1. Casos Clínicos.......................................................................................................................04
1.1.Caso Clínico 1................................................................................................................04
1.2.Caso Clínico 2................................................................................................................04
1.3.Caso Clínico 3.....................................................................................................04
1.4.Caso Clínico 4.....................................................................................................06
1.5.Caso Clínico 5................................................................................................................05
2. Referências Bibliográficas.....................................................................................................06
6
1 – CASOS CLÍNICOS
1.1 Caso Clínico 1
Um menino de 5 anos foi encaminhado para a emergência de um hospital particular, por
sua mãe. Sua mãe relatou que o menino já estava apresentando um quadro de vômitos
em jato matinais, sem náuseas, seguida de intensa sudorese e palidez nos últimos 3
meses. Há poucos dias passou a apresentar um quadro de cefaleia frontal muito forte. A
mãe também alegou que já tinha passado por várias consultas médicas, sendo sugerido
um quadro clínico gástrico ou parasitário. Mas através de exames, como hemograma e
exames de fezes e a realização de endoscopia, tais suspeitas foram descartadas. Além
desse quadro clínico inicial, a mãe relatou um movimento cambaleante do menino ao
andar, assim como prostração, sem disposição para andar, relacionando com fraqueza.
Não apresentou quadro de febre, hábito intestinal normal, sem convulsão ou perda de
consciência. Vacinação normal.
Pelo exame físico mostrou-se ser uma criança em regular estado geral, hidratada,
mucosas coradas, sem edemas, normotensa, frequência respiratória e cardíaca normal,
peso e altura de acordo com a idade. Abdomen flácido, indolor à palpação. Ao exame
neurológico, mostrou algumas alterações, como dentre elas a marcha ataxia. Não
apresentou rigidez da nuca. Pelo exame físico foi desconfiado um quadro ao nível
neurológico, sendo, portanto, solicitado tomografia computadorizada do cérebro (TC).
Pela TC pode-se observar lesão expansiva, captante de contraste, com calcificações
puntiformes no seu interior, situada na linha média da fossa posterior. Evidenciou-se
deslocamento anterior do IV ventrículo e grande dilatação do III e dos ventrículos
laterais. O diagnóstico mais provável foi de neoplasia de fossa posterior com quadro de
hipertensão intracraniana. Dessa forma, a criança foi encaminhada para a internação
imediatamente. Logo após a sua internação, ocorreu a coleta do líquido
cefalorraquidiano como exame complementar para o fechamento do diagnóstico.
a) Por que a coleta do líquor, nessa situação, é de extrema importância para a
confirmação desse caso clínico?
É necessário o exame de LCR pois, nas bordas da massa tumoral principal, as
células tumorais possuem uma predisposição para formação de cadeias lineares
6
de células que se infiltram através do córtex cerebral para agregarem-se abaixo
da pia-máter, atravessando-a e implantando-se no espaço subaracnóideo. A
disseminação através do liquido cefalorraquidiano é uma complicação
comumente encontrada, se apresentando como massas nodulares por todo o
SNC, incluindo as metástases para a cauda eqüina. Devido a esse fator, é
possível analisar as células tumorais pelo LCR e avaliar a disseminação do
tumor.
b) Que tipo de punção seria mais adequada para a confirmação desse quadro?
Justifique a resposta.
Em casos clínicos, para o diagnóstico de meduloblastoma, é utilizado a punção
lombar. Entretanto, a mais apropriada seria a punção cisternal devido as menores
taxas de reações secundárias e perigos, além da obtenção do LCR em sua forma
mais pura para avaliação citológica.
Todavia, devido a presença do quadro de hipertensão intracraniana, a punção
occipital torna-se a melhor opção devido a lenta aspiração do LCR e medição da
pressão intracraniana.
c) Através da análise do líquor em seus aspectos físicos, bioquímicos, citológicos e
microbiológicos, quais alterações poderiam ser observadas para a confirmação
desse quadro clínico?
As alterações possíveis são a presença de células pequenas e de citoplasma
escasso, apresentando núcleos hipercromáticos arredondados, rosetas
neuroblásticas, células ganglionares, mitoses atípicas e explosivas, necrose em
pseudo-paliçada, proliferação vascular, calcificação, hemorragia e apoptose.
d) Algum exame complementar poderia ajudar para a confirmação de tal quadro
clínico? Justifique a sua resposta.
Ressonância magnética com contraste para visualização do canal raquiano
para saber se o tumor está ou não disseminado ao diagnóstico.
1.2 Caso Clínico 2
6
Um homem de 57 anos, advogado, casado, deu entrada na emergência de um hospital,
referindo-se de forte dor abdominal, febre em torno de 38°C, evacuações diarreicas
aquosas há cerca de 24 horas. Na anamnese confirmou ser alcóolatra. No exame clínico
apresentou PA normal, porém com um quadro de insuficiência respiratória que
acometeu na frequência cardíaca. Mostrou estar desidratado com o nível de consciência
alterado, assim como aparentemente ictérico e ascite de grande volume. Foi solicitado
diversos exames, como hemograma, bilirrubina total, indireta, direta, AST, ALT,
albumina séricas para a confirmação do quadro de cirrose. Assim como uma
ultrassonografia abdominal. Pelo hemograma pode-se confirmar um quadro de
leucocitose grave, bilirrubina total, assim como a direta altas, AST um pouco elevado,
mas com ALT muito elevado, hipoalbuminemia. A preocupação foi principalmente em
relação à alta leucocitose, sugerindo um quadro de peritonite bacteriana espontânea em
cirrótico descompensado enteroinfecção (gastroenterocolite). Para a confirmação do
quadro, o paciente foi encaminhado para uma paracentese.
a) Explique a relação do quadro de ascite com os resultados dos exames.
A ascite é ocasionada pelo aumento do líquido ascítico dentro do abdômen,
sendo mais comumente por hipertensão portal resultante de cirrose. Os aumentos
presentes no hemograma podem ser justificados pelo fator do paciente ser alcoólatra.
b) Explique a importância de ser realizar a paracentese para a confirmação do quadro
clínico.
c) Explique de forma a análise do líquido ascítico pode confirmar o quadro clínico acima,
ressaltando os parâmetros analisados e possíveis alterações durante a sua análise.
d) Quais exames complementares poderiam confirmar o quadro clínico acima?
6
1.3 Caso Clínico 3
R.C.S.M, 65 anos, procurou um médico há 1 mês atrás em um consultório, com queixa
principal de “falta de ar, tosse e dor torácica” que já estava persistindo a cerca de 3
semanas, assim como apresentado alguns episódios de febre vespertina, inapetência e
emagrecimento. Mas sua preocupação maior é que a tosse durante esse período mostrou
piora juntamente com o aparecimento de dor torácica. O médico portanto, encaminhou
para a realização de radiografia simples de tórax. Pela radiografia pode-se contatar a
presença de um derrame pleural e elevação e alteração da conformidade do diafragma.
O tratamento foi iniciado com antibióticos (amoxicilina/clavulanato).
Exame físico: Observou-se emagrecimento, hipocorada, presença de murmúrio
vesicular abolido em 2/3 inferiores de hemitórax direito com crepitações difusas.
Exames laboratoriais:
Leucocitose, ureia 22 mg/dl; creatinina 0,5 mg/dl; glicemia em jejum 250 mg/dL;
Após o pedido de tomografia do tórax observou-se: derrame pleural volumoso
localizado no hemitórax direito; presença de gás com nível hidroaéreo de permeio a área
de consolidação; pequeno derrame pleural a esquerda; faixas atelectásicas em lobo
médio; mediastino centrado; sem evidência de linfonodomegalias.
Após esse período de tratamento, com tais medicamentos, houve uma piora no quadro
clínico, e com isso o aumento da frequência da febre e intensa dispneia. Por isso,
retornou a um médico pneumologista, e esse, observou por exame de imagem um
aumento do volume do derrame pleural. Dessa forma, a paciente, foi encaminhada para
internação para coleta de escarro e solicitação de toracocentese para análise do líquido
pleural. O exame de escarro teve como resultado BAAR negativo, e a análise do
líquido pleural confirmou a piora do quadro clínico confirmando um quadro de
empiema.
6
a) Explique os possíveis quadros clínicos apresentados pela paciente a partir dos exames
laboratoriais, e quais exames complementares auxiliariam na confirmação dessas
suspeitas clínicas.
b) Explique a presença do derrame pleural com o quadro clínico confirmado.
c) Explique a partir da análise do líquido pleural como se confirma um quadro clínico
infeccioso.
d) Explique como a análise do líquido pleural pode descartar o quadro de tuberculose, uma
vez já negativada inicialmente pelo teste de escarro, e confirmar um quadro de
empiema.
1.4 Caso Clínico 4
Uma menina branca de 11 anos tem mostrado nos últimos 15 dias um quadro de
polidipsia e polifagia. Porém, foi levada pelos seus pais ao pronto-socorro por estar
apresentando cerca de 12 horas um quadro de náuseas, vômitos, fraquezas, dor
abdominal e confusão mental. Pelo exame físico revelou estar emagrecendo de forma
muito acentuada, assim como um quadro de desidratação com taquipneia, taquicardia e
sem resposta aos comandos verbais. O exame hemograma mostrou normal, porém a
glicemia por capilaridade revelou-se 400 mg/dl. Dessa forma, houve suspeita de um
quadro de diabetes mellitus. Assim, a paciente foi encaminhada para diversos exames
laboratoriais para a confirmação do quadro de DM1, que costuma ser autoimune nessa
idade.
a) O que a princípio levou a confirmação de Diabetes Mellitus?
A confirmação de Diabetes Mellitus veio, principalmente, pela idade e os
sintomas físicos apresentados pela paciente: náuseas, vômitos, fraquezas, dor
6
abdominal, confusão mental, emagrecimento de forma muito acentuada, desidratação
com taquipneia, taquicardia e sem resposta aos comandos verbais. Além disso, o exame
de glicemia por capilaridade encontrava-se muito acima dos valores máximos
referenciais, indicando, junto com outros fatores, um quadro de Diabetes Mellitus.
b) Explique a relação da sintomatologia com o quadro clínico suspeito de DM1.
Todos os sintomas apresentados pela paciente são sintomas característicos de
Diabetes Mellitus. Ademais, tratando-se de uma criança de 11 anos com emagrecimento
acentuado, a principal suspeita é a de DM1, doença autoimune que acomete os pacientes
durante a infância e pré-adolescência, impedindo o anabolismo corporal por deficiência
de insulina e levando ao emagrecimento acentuado.
c) Explique quais são os exames indicados para a confirmação desse quadro clínico,
ressaltando as possíveis alterações que podem ser observadas.
Os exames indicados para confirmação são:
Glicemia em jejum: valores acima do referencial de 126mg/dL exigem repetição do
exame para diagnóstico do exame, medem a quantidade circulante de glicose no sangue
durante o jejum.
Hemoglobina glicada: Exame considerado padrão-ouro, onde valores referenciais acima
de 7% indicam diabetes. Utilizado para medir a quantidade de glicose circulante no
sangue nos últimos 3 meses.
Teste de glicemia capilar: Utilizado para avaliar o nível de glicose circulante no sangue
no momento em que está sendo realizado.
Teste de tolerância a glicose: Utilizado para avaliar o funcionamento do organismo
frente a variações de valores glicêmicos.
Insulina basal, HOMA-IR e HOMA-BETA: Testes utilizados para medição de insulina
no sangue e funcionamento das células beta-pancreáticas no sangue. Em diabéticos tipo
1, ambos apresentam valores muito abaixo do referencial.
d) Explique que possíveis alterações podem ser reveladas pelos exames laboratoriais de
confirmação de DM1 autoimune.
6
Serão possíveis avaliar alterações nos exames de Insulina Basal, HOMA-IR e
HOMA-BETA, onde estes apresentarão baixos valores, indicando baixa produção ou
praticamente inexistente de insulina e má funcionamento das células beta-pancreáticas.
Nos exames de glicemia capilar, teste de tolerância a glicose, glicemia em jejum e
hemoglobina glicada, são esperados altos valores devido ao acúmulo de glicose na
corrente sanguínea.
1.5 Caso Clínico 5
U.S, do sexo masculino, 48 anos, branco, com sobrepeso, procura o serviço de
emergência por ter acordado pela manhã com intensa dor no joelho direito, a ponto de
não conseguir flexioná-lo ou apoiar o membro inferior no chão. No exame físico-clínico
observou-se temperatura axilar de 37,5oC, frequência cardíaca de 101 bpm e pressão
arterial de 160/100 mmHg. Não confirmou quadro de hipertensão, mas sim de
dislipidemias sem tratamento. Não mostrou particularidades no aparelho cardiovascular,
no respiratório e no exame físico do abdome. A partir do exame
osteoarticular, constatou-se hipersensibilidade ao toque e à mobilização do joelho
direito, associada a edema, hiperemia e elevação da temperatura local. Para investigação
complementar, realizou-se raio X do joelho direito, o qual pode-se evidenciar edema de
partes moles, sem alterações na articulação. No hemograma, verificam-se 13.000
leucócitos, creatinina de 1,3 mg/dL e ácido úrico de 7,9 mg/dL. Portanto, dentro do
quadro clínico apresentado, foi solicitado a realização da punção articular do joelho
direito para análise do líquido sinovial para a confirmação do quadro clínico suspeito. A
partir do material, turvo, não viscoso e não purulento do líquido sinovial pode-se
confirmar o quadro de Gota.
a) De que forma a análise do líquido sinovial pode contribuir para a confirmação do
quadro clínico acima?
A análise do líquido sinovial nesses casos servem para identificar cristais e
sinais de infecção articulares.
b) Relacione o quadro de Gota com as alterações observadas os exames laboratoriais.
A gota é uma doença inflamatória causada pelo aumento de ácido úrico no
sangue, também chamado de hiperuricemia), ocorrendo deposição de cristais nos
6
tecidos, principalmente nas articulações, levando a dores nos joelhos, tornozelos e
dedões. Uma das características mais frequentes são artrites recorrentes e a associação
ao sobrepeso, uma vez que homens com sobrepeso e aumento de ácido úrico possuem
maiores chances de desenvolverem a gota. As dores também são mais frequentes pela
madrugada/manhã, o que justifica o paciente ter sentido tanta dor nesse período do dia.
c) Explique quais possíveis alterações podem ter sido observadas para a confirmação de
Gota pela análise de líquido sinovial.
Depósitos de cristais de ácido úrico, decorrentes do aumento de ácido úrico,
além da inflamação perceptível pela cor turva do líquido sinovial.
d) Que exames complementares poderiam ter sido sugeridos pelo médico para a
confirmação do quadro clínico acima?
Poderia ser realizado a dosagem de ácido úrico na urina.
2 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS