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Itinerario Da Imprensa de Belo Horizonte 1895-1954

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ITINERARIO DA IMPRENSA

DE BELO HORIZONTE
1895-1954
PRESIDENTE D A REPÚBUCA GOVERNADOR
Fernando Henrique Cardoso Eduardo Azeredo

MINISTRO DA E D U C A Ç Ã O SECRETÁRIO DE ESTADO D O P L A N E J A M E N T O E


Paulo Renato d e S o u z a C O O R D E N A Ç Ã O GERAL
Walfrido Mares Guia
REITOR D A UNIVERSIDADE FEDERAL DE M I N A S
GERAIS PRESIDENTE D A F U N D A Ç Ã O J O Ã O PINHEIRO
T o m a z A r o l d o d a M o t a Santos Roberto Borges Martins

DIRETORA D A BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DIRETORA D O C E N T R O DE E S T U D O S


M a r i a Helena d e Sá Barreto H I S T Ó R I C O S E CULTURAIS
E l e o n o r a S a n t a Rosa
DIRETORA D A EDITORA U F M G
Sônia Queiroz

DIRETORA D A FACULDADE DE FILOSOFIA E


CÊMOAS HUMANAS
M a g d a M a r i a Bello d e A l m e i d a N e v e s

CHEFE D O DEPARTAMENTO DE
C O M U N I C A Ç Ã O SOCIAL
Vanessa P a d r ã o d e Vasconcelos Paiva

Apoio: FAPEM1G
Joaquim Nabuco Linhares

ITINERARIO DA
IMPRENSA DE
BELO HORIZONTE
1895 - 1954

Maria Ceres Pimenta S. Castro


ESTUDO CRÍTICO E NOTA BIOGRÁFICA

COLEÇÃO
CENTENÁRIO

Sistema Estadual de Planejamento


Fundação João Pinheiro
Centro de Estudos Históricos e Culturais

EDITORA UFMG
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
COORDENAÇÃO EDÍTORIAL E PRODUÇÃO PREPARAÇÃO E DtGÍTAÇÃO DOS INDtCES
Eleonora Santa Rosa Silvana A S. dos Santos (Supervisão)
Maria Ceres Pimenta S. Castro Maria de Fátima Rossi do Nascimento
Paulo Bernardo Vaz Denise Maria Ribeiro Moreira
José Cassimiro da Silva
PLANEJAMENTO GRÁFKO E CAPA
Paulo Bernardo Vaz PREPARAÇÃO DO TEXTO E PESQUISA ADtOONAL
Danilo Queiroz de Souza
LOGOMARCA DA COLEÇÃO
Juliana Maria de Siqueira
Sebastião Nunes
Leandro Ferreira Simões
PRODUÇÃO EXECUTIVA Mirían Cristina Freire Santos
Roseli Raquel Aguiar F. dos Santos Pablo Pires Fernandes
REPRODUÇÃO FOTOGRÁFICA Viviane Dias Loyola
Daniel Coury PRODUÇÃO GRÁFICA
César de Almeida Correia
DIGTTAÇÃO DO CATÁLOGO
Silvana A. S. dos Santos (Supervisão) PRIMEIRA REVISÃO
Édina Nunes de Carvalho Ana Maria de Moraes
José Cassimiro da Silva Cristiano Silva de Barros
REVISÃO FWAL
Cláudia Teles de Menezes Teixeira

Linhares, Joaquim N a b u c o
L735i Itinerário d a imprensa de Belo Horizonte: 1 8 9 5 - 1 9 5 4 / J o a q u i m N a b u c o
Linhares; estudo crítico e nota biográfica d e M a r i a Ceres Pimenta S. Castro.
Belo Horizonte: Fundoçõo João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais,
1995.
6 1 2 p . (Coleção Centenário)

1 . Periódicos - Bibliografia - Catálogos.!.Castro, M a r i a Ceres Pimenta S., crit.


II.TÍtulo.

CDD:016
CPU:050Í058)
Elaborada pela Divisão d e Planejamento e Divulgação d a Biblioteca Universitária/DPD.
ISBN: 8 5 - 7 0 4 1 - 1 0 6 - 5

Editora U F M G - Av. Antônio Carlos, 6 6 2 7 Fundação João Pinheiro - C E H C


Campus Pampulha - 3 1 2 7 0 - 9 0 1 - Belo Horizonte A l . d a s Acácias, 7 0 - São Luís - 3 1 2 7 5 - 1 5 0
Fax: 4 4 3 - 6 8 0 3 - Telefone: 4 4 8 - 1 4 3 8 Belo Horizonte - Telefone: 4 4 8 - 9 4 2 3
Os fazendeiros do ar... eles semeiam
roças de pura ausinda, e o estranho gado
que peio noite adentro ahda ampekm
é um lembrar do futuro, ¡6 passado.

CAILOS MUMMOHD DE ANDRADE

AGRADECIMENTOS

À Família Linhares,

na pessoa de Hélio Dagoberto Jardim Linhares.

Ao Professor José Mendonça.


ma viagem e inúmeros caminhos. É o que nos possibilita e
aponta a edição, pela Universidade Federal de Minas Gerais, em
parceria com a FundaçãoJoão lenheiro, ¿/oItinerário da Imprensa
de Belo Horizonte: 1895-1954, que reúne o catálogo de jornais da
cidade, elaborado pelo colecionadorJoaquim Linhares e um estudo
critico produzido por pesquisadores do Departamento de Comunica-
ção Social.

A obra nos leva ao fascinante universo das publicações produzidas


na capital mineira nos 60 primeiros anos de sua existência Mais
que história do periodismo local, o trabalho conta da experiência
dos citadinos com o universo da palavra publicada Fala, pois, da-
quela sociedade e suas redes de convivência. Estrutura nossa me-
mória contribuindo para a reconstrução da história de Belo Hori-
zonte e Minas Cerais

F. nessa viagem reabre outros percursos. A obra coloca à disposição


dos pesquisadores dos diferentes ramos das ciências sociais,
material rico e instigante ainda pouco explorado. Um estimulo pre-
cioso à pesquisa de temas relacionados à evolução política, econô-
mica e cultural de nosso Estado.

Ao mesmo tempo, reforça caminhos para que a Universidade esteja,


junto com outras instituições, na dianteira de um trabalho de reu-
nião de acervos que ampliem para um número cada vez maior de
usuários a pesquisa e o acesso a documentos de seu interesse

O Departamento de Comunicação Social da IJFMG ofereceu-nos o


bilhete para a viagem Através do trabalho de seus pesquisadores,
auxiliados por estudantes/estagiários, e comfinanciamento do CNPq
e FAPFMIG, sistematizou as informações do Catálogo de Joaquim
Linhares e produziu um roteiro para sua apreciação

Dos caminhos, ressalte-se aquele que vem sendo aberto pela Biblio-
teca Universitária da UFMG. Ao recolher acervos especiais, organizá-
los e colocá-los à disposição da comunidade, ela não só preserva
materiaisfundamentais à construção de nossa memória como per-
mite o acesso racional aos documentos.

A iniciativa da Universidade, por sua vez, ressalta a importância


do trabalho de parceria entre instituições. A colaboração da Fun-
dação João Pinheiro, através do Centro de Estudos Históricos e
Culturais, tornou possível a obtenção de recursos para a publica-
ção da obra, em co-edição com a Editora da UFMG, inserindo-a na
"Coleção Centenário".

Itinerário da Imprensa de Belo Horizonte: 1895-1954 alimen-


ta, pois, expectativas de que mais professores e pesquisadores sin-
tam-se interessados em outros acervos sob a guarda da Biblioteca
Universitária, apresentando projetos para sua organização e alter-
nativas de captação de recursos para a realização deste trabalho
vital É uma obra de referência onde ganham a Universidade - que
expande sua área de atuação - e a sociedade, que passa a contar
com mais elementos para seu autoconhecimento e afirmação de
sua identidade cultural. Itinerários ínescapáveispara pessoas e ins-
tituições que se pretendem contemporâneas do nosso tempo.

TOMAZ AROLDO DA MOTA SANTOS


flartor àa Unrtrxfaóe federo/ de Mkm Caros
com grande satisfação que a Fundação João Pinheiro, por
intermédio do Centro de Estudos Históricos e Culturais, em parce-
ria com a Universidade Federal de Minas Gerais, publica o primeiro
volume de seu mais recente empreendimento editorial— a Coleção
Centenário.

Dando seqüência a seu programa de edição de obras voltadas ao


resgate da nossa história e da nossa cultura, iniciado com a Cole-
ção Mineiriana, de ampla repercussão, e tendo em vista a proximi-
dade das comemorações do centenário de Belo Horizonte, a Funda-
ção João Pinheiro instituiu essa nova Coleção com o intuito de
contribuir, deforma permanente e significativa, para essas festivi-
dades, refletindo sobre o processo de criação e evolução da Capital,
através do relato de suas muitas histórias.

Para além dos projetos efémeros e pontuais que costumam marcar


esse tipo de comemoração, pretende-se com essa Coleção lançar
produtos duradouros que irão abranger desde a reedição de obras
clássicas dos diversos campos de estudo sobre Belo Horizonte, gran-
de parte delas desconhecidas do público em geral, até a publicação
de textos e ensaios contemporâneos de relevância para a compre-
ensão do processo de estruturação e desenvolvimento de segmentos
fundamentais da vida da cidade. Trata-se de um programa editorial
alentado que prevê diversos volumes a serem lançados a partir do
primeiro semestre de 1996 e que serão viabilizados em parceria com
instituições públicas e privadas.

Nesse sentido, foi recebido com o melhor apreço o convite da Uni-


versidade Federal de Minas Gerais para que a nossa instituição
participasse como co-editora da publicação do catálogo Itinerá-
rio da Imprensa de Belo Horizonte; 1895-1954, de Joaquim
Nabuco linhares.

Obra de referência da imprensa belo-horizontina em seus primeiros


tempos, este catálogo comporta a descrição de 839 títulos de periódicos
(Jornais, revistas, panfletos etc.) que circularam aqui de 1895 a 1954,
colecionados e catalogados por Joaquim linhares, e que demonstram a
diversidade e a vitalidade da atividade prnalística existente nesse perío-
do, mesmo que de natureza amadora e artesanal.

A presente publicação tem como objetivo não só divulgar para toda a


população a importância e a preciosidade dessa coleção formada por
linhares, atualmente sob a guarda da Biblioteca IJntversiiána da UFMG,
como também sensibilizar notos parcetros para a obtenção dos recursos
financeiros necessários à sua conservação (boje, em estado precário),
manutenção e melhor disponibilidade para o público, sem o compro-
metimento de sua integridade.

Ao ensejo da comemoração dos cem anos do primeiro jornal que


circulou na nova Capital — o Bello Horizonte —, lançado em 7
de setembro de 1895, a Fundação João Pinheiro, através do seu
Centro de Estudos Históricos e Culturais, pretende estar
contribuindo para o resgate da história dos jornais e da impren-
sa local, área da maior importância para o desenvolvimento e a
transformação da cidade, e tem a esperança de que o exercício
permanente dessa rememoração do passado represente, cada vez
mais, a necessidade de se recolherem os fragmentos da memória
de seus cidadãos, muitas vezes anônimos, cujo trabalho solitário
e incansável construiu a história dessa cidade quase secular que
precisa, urgentemente, encontrar um caminho mais humano e
solidário em direção ao futuro.
ROBERTO BORGES MARTINS
SUMÁRIO
EFÊMEROS E PERMANENTES: O S ARDIS DA MEMÓRIA
D A I M P R E N S A D E BELO H O R I Z O N T E 13
Maria Ceres Pimenta S. Castro
Joaquim Nabuco Linhares, o colecionador 17
Pedaços de memória 21
A imprensa se moderniza... 27
As matrizes da imprensa 32
A publicação 40

C A T Á L O G O DE P E R I Ó D I C O S : 1 8 9 5 • 1 9 5 4 43
Joaquim Nabuco Unhares
Palavras explicativas 45
Resenhas dos periódicos 51

ÍNDICES
Alfabético 531
Assuntos 540
Cronológico 542
Onomástico 556

GLOSSÁRIO 558

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 585


EFÉMEROS E PERMANENTES:
OS ARDIS DA MEMÓRIA DA IMPRENSA DEBELO HORIZONTE
MARIA CERES PIMENTA SPÍNOLA CASTRO
Bjwo aloco 15

m 1976, a Universidade Federal de Minas Gerais adquiriu,


da família de Joaquim Nabuco Linhares, a preço simbólico, um
acervo de inusitada importância para a memória da cidade e
de sua imprensa. Trata-se da hoje denominada Coleção linhares,
um conjunto de exemplares de todas as publicações periódi-
cas - jornais, revistas, boletins, panfletos - que circularam em
Belo Horizonte durante o período de 1895 a 1954.
Essa coleção foi formada por Joaquim Nabuco Linhares que,
cuidadosamente, recolheu todo o material de imprensa que
lhe chegava às mãos, ou de que tinha alguma notícia,
guardando mesmo coleções inteiras de alguns jornais que
surgiram e desapareceram ao longo daquele período. Ao
mesmo tempo em que colecionava tais publicações, Joaquim
Linhares redigiu, a partir delas, um catálogo em que faz a
descrição de cada uma, com informações sobre a sua natu-
reza, formato, propriedade, periodicidade, redação e dura-
ção, da maneira mais detalhada possível. São 839 títulos
resenhados.
É este o trabalho que hoje vem à luz, em co-edição da
UFMG e da Fundação João Pinheiro, realizando o que, já em
1962, reivindicava Eduardo Frieiro:
O governo - municipal ou estadual - está na obrigação
de mandar imprimir a monografia de Linhares, que há
muito aguarda quem possa fazê-lo. Será um serviço pres-
tado à nossa descurada cultura histórica.
(FRIEIRO,1962:83)
Quando a família Linhares manifestou o desejo de transferir
à Universidade o acervo da Coleção Linhares, o Conselho
Universitário da UFMG formou uma Comissão Especial para
16 iMtímoi mm oimo mm: mm

exame e parecer relativos ao material. Essa Comissão, inte-


grada pelos professores José Mendonça, Wilton Cardoso e
Isis Paim, então diretora da Biblioteca Universitária, reco-
mendou a aquisição da coleção, ressaltando a qualidade de
seu acervo e as boas condições de sua conservação. Desde
então, a Coleção Unhares, integrada ao acervo de Cole-
ções Especiais da Biblioteca Universitária, se tornou uma
importante fonte de pesquisas sobre a história de Belo Ho-
rizonte e da sua imprensa.
Entretanto, o texto em que Joaquim Nabuco Linhares
resenhou os títulos que colecionara permanecia inédito.
Em artigo publicado em 1980, o professor José Mendonça
reclamava:
Parece chegada a hora - que já muito tardou - de a
Universidade completar o plano concebido ao praticar
o primeiro gesto: fazer editar, atualizando da maneira
cabível, a História da Imprensa em Belo Horizonte
1895-1954' e microfilmar a Coleção Linhares para a
necessária preservação dela e a mais fácil consulta por
parte dos pesquisadores. Assim, atenderá a apelos
dirigidos aopoderpúblico, em oportunidades diferentes,
quanto ã monografia, pelo professor Aires da Mata
Machado Filho, na Academia Mineira de Letras; pelo
jornalista Moacyr de Assis Andrade, no Rotary Club de
Belo Horizonte, e pelo escritor Eduardo Frieiro.
(MENDONÇA, 1980:47)
A reclamação procedia, seja pela importância do texto, seja
pelo fato de que já se iniciara o trabalho. Tão logo foi feita
a transferência do material para a UFMG, o professor José
Mendonça realizara uma paciente e acurada revisão dos
originais da monografia de Joaquim Nabuco Linhares, com
vistas à sua publicação. Entretanto, não conseguiu, por
motivos vários, realizar seu intento, o que somente agora,
passados quase vinte anos, tornou-se possível.
moo afaço 17

Joaquim N a b u c o Linhares: O Colecionador


Para Walter Benjamin, a coleção é uma tentativa grandiosa
de superar a irracionalidade da mera existência das coisas,
através de sua inserção num sistema histórico expressamente
construído. A coleção é, assim, uma forma de rememoração
prática e o colecionador, como o anjo da história, arranca o
objeto de seu contexto, preservando-o enquanto particular
e reordenando-o em novas relações. (ROUANET, 1987:71-
72)
De personalidade metódica e muito organizado, Joaquim
Nabuco Linhares tinha o hábito de colecionar. Sua primeira
coleção foi de caixas de fósforos. Chegou a ter milhares
delas, de todo o Brasil. Mais tarde, formou uma coleção de
selos, organizada com exemplares valiosas de todo o mundo.
Mas sua grande paixão eram os jornais. Nascido em Ouro
Preto, em 1880, viu surgir lá seu interesse pela imprensa
quando, ainda mocinho, "cometeu" alguns artigos para um
jornal. Desde então, entregou-se com afinco à tarefa de
coletar, guardar e catalogar exemplares de jornais e de
revistas que surgiram em Belo Horizonte, durante os anos
em que residiu na cidade. Uma reportagem do Diário da
Tarde, em 1951, assim descreve a Coleção Linhares:
As horas passam despercebidas junto ao arquivo do
escritor Joaquim Nabuco Linhares. Páginas amarelecidas
pelo tempo, jornais surgindo com a impetuosidade de
um idealismo vigoroso e morrendo com as desilusões
da empresa, órgãos feitos às pressas para amparo a
campanhas políticas malogradas, revistas trazendo
sonetinhos e crônicas sentimentais de adolescentes que
hoje estão ocupando cargos destacados na vida pública
ou são profissionais tarimbados na nossa imprensa.
Sob o olhar amoroso do colecionador, as publicações per-
dem seu valor de troca e se libertam do ônus de serem
meramente utilitárias. Tornam-se uma forma de rememorar
18 nmámúiiãmuKWWMm im-m

o passado, construindo, pela "citação" de temas e persona-


gens, imagens múltiplas da vida belo-horizontina. Através
delas e da reordenação de novas relações construídas na
sua monografia, Linhares, um apaixonado pela história de
seu objeto, busca salvá-lo do esquecimento e incita o traba-
lho da memória e da reminiscência. Assim que tomava co-
nhecimento de uma nova publicação em Belo Horizonte,
Linhares corria à sede e procurava obter pelo menos um
primeiro número. Solicitava aos amigos informações sobre
os jornais e revistas e, pacientemente, com sua letra de
amanuense ia registrando os ciados que constam de sua
monografia. Seu arquivo sempre foi requisitado por
estudiosos da capital - o historiador Abílio Barreto era um
deles - que ali buscavam informações sobre a história da
cidade e de seus habitantes.
Como assinalou FRIEIRO ( 1 9 6 2 : 6 4 ) , há obscuridades na
história da instauração da imprensa em Minas, como é
comum havê-las em toda investigação de origens. Pois, se
há estudos relevantes sobre o tema - como é o caso do
trabalho de José Pedro Xavier da Veiga e de outros que lhe
sucederam - permanece ainda nebulosa a história dos
primeiros periódicos publicados em Minas Gerais, o que se
deve, principalmente, à escassez de exemplares seus, nas
principais bibliotecas do país, como do próprio Estado
interessado.
Entretanto, se é essa a situação da imprensa em Minas Gerais,
o mesmo não se pode dizer de Belo Horizonte, já que o
trabalho que ora se publica é de uma relevância sem par,
seja para o conhecimento da história da imprensa e do
jornalismo praticados em Belo Horizonte, seja para a
recuperação da memória do cotidiano da cidade nos seus
primeiros 60 anos de existência.
Filho do Cel. José Coelho Linhares, oficial-maior da Secretaria
do Interior e da Instrução Pública em Ouro Preto, então
moo africo 19

capital do Estado, e de D. Luiza Augusta Linhares, Joaquim


Nabuco Linhares, que gostava de ser chamado de "Quincas",
fez seus primeiros estudos no Ginásio Mineiro de Barbacena
e no de Ouro Preto. Ainda como estudante ingressou no
quadro do funcionalismo público estadual. Era estudante da
Faculdade de Direito em Ouro Preto, mas abandonou seus
estudos, já no terceiro ano, pois transferiu-se para Belo
Horizonte, quando da mudança da capital. Foi, durante
longos anos, diretor do Departamento de Justiça da Secretaria
do Interior, cargo no qual se aposentou. Em decorrência de
sua vivência no Departamento de Justiça interessou-se pela
história da magistratura, tendo pesquisado o tema e escrito
uma obra em três volumes intitulada História da Magistratura
em Minas Gerais, que permanece inédita. Esse trabalho
aborda a magistratura mineira, desde a implantação das três
primeiras comarcas ( 1 7 1 1 ) até 1938. Inclui na sua
documentação, estudada nos 50 anos em que se dedicou
ao assunto, desde atas de fundação das comarcas até
biografias dos magistrados que as dirigiram.
Foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico
de Minas Gerais, onde ocupou, por muitos anos, o cargo de
secretário. Em 1927, no governo Antônio Carlos, foi chamado
a participar da organização do Conselho Penitenciário de
Minas Gerais, onde, uma vez cumprida a tarefa, passou a
ocupar o cargo de secretário, por indicação do primeiro
presidente do órgão, Francisco Mendes Pimentel. É autor
de vários ensaios como pesquisador do Arquivo Público
Mineiro. Entre suas obras, destaca-se A Mudança da Capital
de Minas Gerais, editada pela Imprensa Oficial em 1905.
Ainda que não militasse no jornalismo, este foi um de seus
interesses mais significativos, pois sobre ele - além do grande
número de publicações colecionadas - publicou um artigo
na Revista do Arquivo Publico, em 1903, denominado "A
Imprensa em Bello Horizonte", onde resenha 49 jornais e
20 mtimoàimmotmo moKii mm

revistas até então publicados na Capital. Além disso, também


publicou no Diário da Tarde, no período de 28 de março a
17 de julho de 1951, uma coluna denominada "A imprensa
em Belo Horizonte", na qual resume as características de
465 títulos de publicações que vieram à luz na cidade até a
década de 30.
Em relação à história da imprensa, é possível constatar que
o trabalho realizado por Joaquim Nabuco Linhares nos
oferece o panorama mais abrangente possível, permitindo
diferentes abordagens da questão em termos de suas
caraterísticas e periodização. Pelo que se pôde apurar, o
texto foi produzido ao longo de quatro períodos. O primeiro,
que vai até 1903 e se refere às resenhas dos jornais e
revistas que aparecem no artigo da Revista do Arquivo
Público de 1903; o segundo, que vai daí até 1947, quando
o autor preparou-se para publicar seu trabalho, tendo
inclusive redigido suas "Palavras Explicativas"; o terceiro
refere-se à preparação das resenhas para publicação da
coluna, no Diário da Tarde, em 1951 Finalmente, há redação
da quarta parte, relativa aos títulos aparecidos após os anos
30. O estilo do texto revela as afinidades políticas do autor,
suas idiossincrasias e suas preferências ideológicas. Defensor
intransigente da "boa sociedade" liberal, Linhares não poupa
críticas àqueles que, no seu entendimento, ofendem a moral
e os bons costumes. A linguagem utilizada tem o sabor do
tempo e percebe-se a erudição própria de sua geração
pelo uso de citações latinas, boa parte delas retiradas dos
"artigos de fundo" dos próprios jornais resenhados.
Em 1901, na Fazenda Velha de Curral dei Rey, hoje Museu
Abílio Barreto, casou-se com D. Antonieta Jardim. São seus
filhos: Geraldo Jardim Linhares, ex-presidente da Câmara
de Vereadores de Belo Horizonte, já falecido; Hélio
Dagoberto Jardim Linhares, aposentado como diretor do
Departamento de Justiça da Secretaria do Interior; Marcelo
FSWOtílW 21

Jardim Linhares, também falecido, conhecido criminalista


nesta capital; e Mauro Jardim Linhares, ex funcionário da
Secretaria do Interior, falecido.
Em reconhecimento ao seu trabalho como funcionário público
e como estudioso da história da cidade e do Estado, o
Governo do Estado conferiu-lhe em 21 de abril de 1956 a
Grande Medalha da Inconfidência. Em 21 de janeiro de
1959, por decreto do prefeito Celso Mello de Azevedo, a
antiga rua Tiriri, no bairro Anchieta, recebeu a denominação
de noa Joaquim Linhares, em reconhecimento ao seu trabalho
como ilustre historiador epolígrafo, cujos trabalhos voltaram-
se notadamente para o passado histórico de Belo Horizonte.
(Dec. municipal de 21 de janeiro de 1959)
Joaquim Nabuco Linhares faleceu em Belo Horizonte em
10 de junho de 1956.

Pedaços d e m e m ó r i a
Setembro de 1895. No antigo arraial de Curral dei Rei, que
em 1890 recebera o nome de Belo Horizonte, verifica-se
uma febril atividade de construção. Afinal, em 1894, fora
instalada a Comissão Construtora da Cidade de Minas, a
nova capital do Estado de Minas Gerais. O ambiente
acanhado e ronceiro da vila sofrera consideráveis alterações.
Aos poucos desaparecia a feição do antigo arraial e surgia,
como por encanto, um
contraste de velharias e novidades, ao pé de uma cafua
de barro, coberta de capim ou de zinco, eleva-se um
edifício elegante e sólido; ao lado de um edifício velho
do Curral d'El Rei, surge um primoroso palacete da nova
capital (...). (DIAS, 1897:105)
Mas, o panorama que se transforma não diz respeito ape-
nas ao surgimento das novas edificações, ao desenvolvi-
mento do comércio e ao aumento da população, pois tími-
da e modestamente, surge o Bello Horizonte, da penumbra
22

da não-existência à ciara luz da publicidade. Trata-se do


primeiro jornal que se publicava na cidade e o único exis-
tente naquele momento na Comarca do Rio das Velhas. De
propriedade do padre Francisco Martins Dias, - o mesmo
que fizera as observações sobre as transformações no
pequeno vilarejo de 5.000 habitantes - o Bello Horizonte
era impresso numa tipografia artesanal, por meio de uma
pequena máquina Liberty, movida a pedal, no antigo largo
da Matriz da Boa Viagem, hoje rua Sergipe, esquina da rua
Timbiras. Com o Bello Horizonte, um "órgão religioso,
Literário e noticioso", tem início, em 7 de setembro de 1895,
data de publicação de seu primeiro número, a imprensa
belo-horizontina, cujo itinerário dos seus 60 primeiros anos
foi traçado por Joaquim Nabuco Unhares e que aqui se
publica.
Ora, é sabida a importância da imprensa na vida das
coletividades modernas. Muitas vezes, entretanto, apenas
os grandes jornais e revistas merecem a atenção dos
colecionadores ou dos arquivos oficiais, desprezando-se a
miríade de iniciativas editoriais que tem caracterizado a
atividade da imprensa, especialmente nos seus anos iniciais.
Não é o que se verifica aqui.
A monografia de Linhares sobre a imprensa belo-horizontina
abrange, de maneira quase exaustiva, o conjunto de títulos
de publicações periódicas que veio à luz em Belo Horizonte
no período de 1895 a 1954. No seu estilo próprio, Linhares
condensa, em dupla medida, a figura do cronista, tal como
foi captada por Walter Benjamim, no texto em que discute
o conceito de História. De um Lado, recolhe todo tipo de
publicação periódica que surge no espaço da cidade, sem
desprezar qualquer uma, seja pela sua efemeridade, seja
por qualquer outra característica que lhe fosse atribuída.
Por outro lado, sem se contentar apenas com a coleção,
Linhares examina cada p u b l i c a ç ã o , busca todas as
WOOOtílKO 23

informações existentes sobre ela e elabora uma pequena


resenha que, às vezes em pormenores, caracteriza a
publicação, distinguindo-a do conjunto existente. Ao longo
de sua monografia, através do conjunto de títulos resenhados,
vai-se descortinando a própria vida cotidiana da cidade, os
diferentes grupos que vão se integrando no espaço urbano,
sobressaindo um calidoscópio de interesses, conflitos,
problemas e aspirações. De fato, um conjunto extremamente
heterogêneo, cujo exame individualizado de cada verbete
pode levar o leitor pouco atento a considerar que a iniciativa
deteve-se em fatos menores e pouco relevantes.
Porém, à medida que se avança na leitura dos verbetes, o
conjunto vai passo a passo construindo uma constelação
que configura o painel de uma cidade em formação e ilumina
os caminhos de constituição da imprensa belo-horizontina,
da literatura enraizada na vida social e, especialmente, das
formas assumidas pelo jornalismo ao longo do período em
questão. São pedaços de memória que colocam em cena
personagens conhecidos, muitas vezes deslocados dos
lugares em que nos acostumamos a encontrá-los - o político
em seus escritos estudantis, o industrial como ilustrador de
um jornalzinho colegial, o poeta como chefe-de-redação.
Mas, uma memória que dá lugar também àquelas vozes
que buscaram construir seus próprios espaços e que hoje,
perdidas ou anônimas na nossa lembrança, emergem com
vigor e retomam seu lugar na constelação histórica que se
enuncia. Assim, ao se tornar ele próprio um cronista da
imprensa belo-horizontina, Linhares ergue um monumento
ao "cronista que narra os acontecimentos, sem distinguir
entre os grandes e pequenos", pois leva em conta a verda-
de de que nada do que um dia aconteceu pode ser perdido
para a história. (BENJAMIN, 1985:223)
É interessante perceber os sentidos da intensa atividade
editorial que se verifica na cidade, pois, na virada da
24 iimUwoiíAfmáOfBãõfmm: mm

segunda década do século, a "cidade já conheceu cerca de


430 publicações. Afinal, ainda que capital de um Estado
importante e altamente populoso, Belo Horizonte é, ainda
nas primeiras décadas do século, uma cidade de pequeno
porte: tem cerca de 12.000 habitantes em 1897; por volta
de 17.000 em 1905; um pouco mais de 50.000 em 1920. É
uma população de arribação, pois se boa parte de seus
moradores vem da transferência dos serviços públicos,
muitos dos novos habitantes que aqui estão chegaram de
diferentes pontos do Estado, do país ou mesmo da imigração,
como é o caso dos italianos.
São bastante conhecidas as referências - negativas e positivas
- do processo de enraizamento da população belo-
horizontina. Ridicularizada pelos ouro-pretanos como a
"cidade dos p a p u d o s " , sonhada p e l o s positivistas
republicanos como a "cidade racionalista", buscada pelos
imigrantes como a "cidade do trabalho", perseguida pelos
arrivistas como a "cidade dos especuladores", Belo Horizonte
condensa múltiplas imagens, em que desejos e interesses,
realidades e fantasias se misturam em amálgamas ainda
indistintos e indiferenciados. Nessas condições, torna-se
necessário encontrar meios que viabilizem a produção da
identidade dos diferentes grupos, formas de produzir sua
visibilidade no meio urbano, em termos das peculiaridades
que os caracterizam, seus interesses e aspirações. O meio
impresso se torna então a forma de comunicação acionada.
Ele significa tanto uma maneira de agregar as pessoas
dispersas no conjunto urbano, como também uma forma de
apresentação de um grupo ou categoria social ao contexto
mais amplo da cidade. É interessante verificar que os jornais
funcionam como "mensageiros de relações", para usar uma
expressão de DAVIS (1991:159). Eles não seriam apenas
fonte de idéias e de imagens, mas uma maneira peculiar de
criar laços sociais, agregar interesses, disseminar visões de
mwoaftKü 25

mundo, possibilitar reconhecimento, construir diferenças e


configurar identidades. Daí a multiplicidade de formas, temas,
tipos, destinação e objetivos que aparecem nas publicações
resenhadas. Há jornais de natureza política; aparecem os
chamados "noticiosos'', precursores da imprensa moderna
dos nossos dias; surgem os literários e culturais, os
humorísticos, os associativos, os esportivos, os de operários,
de italianos, de árabes, de alemães; folhas católicas,
protestantes, maçónicas, espíritas; os boletins e revistas
estudantis e universitários; jornais de blocos carnavalescos,
p a n f l e t o s de r e c l a m e s publicitários, enfim, uma
multiplicidade de formas e de temáticas, a construir imagens
distintas da cidade e de seu cotidiano. São "folhas ao vento",
dispersas, efêmeras, modestas, artesanais, que guardam pouca
ou quase nenhuma semelhança com o que hoje conhecemos
como "imprensa". Uma boa parte delas prescinde de
investimento financeiro e, certamente, grande parte não
busca remuneração econômica para a iniciativa.
Mas há também aqueles que pretendem a permanência, a
duração e muitas vezes se vêem frustrados na sua pretensão
de oferecer à cidade a imprensa moderna e atuante que
imaginam construir. Para estes, Belo Horizonte, concebida
como a expressão da modernidade que se anunciava com
o advento da República e que configurava no seu traçado
geométrico e meticuloso a racionalidade como matriz da
ordem social, se via amesquinhada na sua atividade editorial.
Belo Horizonte era, para Moacyr Andrade, em 1925, "a
cidade que Guttemberg esqueceu", pois a transitoriedade
das publicações que aqui surgiam indicavam que a imprensa
não se enraizava na cidade e que todas acabavam por se
extinguir precocemente. Era o "mal de umbigo" que atacava
os jornais recém-nascidos, ou no dizer do próprio Linhares,
a impossibilidade de que as publicações ultrapassassem a
fatídica barreira do terceiro número e conseguissem assim
26 ff mim OÍ mm of mo mami. mm

exorcizar "a caveira de burro" que havia sido enterrada no


terreno da imprensa. No seu livro de memórias, A menina
do sobrado, Cyro dos Anjos diz que
a imprensa carioca não deixava prosperar a local, já
anemiada pela concorrência dasfolhas do governo. Pela
manhã - abrindo-se o compulsório 'Minas Gerais', que
a par de atos e decretos, oferecia o noticiário comum,
ou do 'Diário de Minas', porta-voz do PRM, mais lido
nas entrelinhas que no texto - sabia-se o que sucedia no
Pais e no mundo, e se podia imprimir sem detrimento
da ordem e das instituições. E à noite, pela Central, as
gazetas do Rio traziam às conversas do Bar do Ponto os
condimentos que as insossas publicações oficiais não
ofereciam: sal, pimenta e vinagre dos comentaristas,
arranca-rabos do Congresso, caricaturas, piadas,
anedotas. Acossado, assim, de dois lados, o periodismo
independente não conseguia firmar-se naquela Capital
de população rala, reduzida massa leitora, comércio
pobre, indústria quase nenhuma. Ano após ano, jornais
nasciam e, com poucos meses, morriam de inanição.
Nem só por falta de dinheiro: também de assunto e de
público.
De fato, uma atividade "mofina, instável", resultado da
indigência material e do acanhamento do meio, que não
consegue se impor, permanecer, durar. Mas, paradoxalmente,
uma atividade febril, que contabiliza 69 títulos, apenas no
período de 1920 a 1925. Certamente, não são publicações
que disputam leitores, que concorrem no mercado
publicitário ou que buscam o beneplácito do poder público.
Tais características podem ser observadas apenas em
períodos muito posteriores, pois à exceção de uns poucos
jornais e revistas que pretendem se inscrever de forma
mais duradoura, a maior parte das iniciativas editoriais dos
trinta primeiros anos da cidade parece funcionar, como já
Biwaéim 27

dissemos, como mecanismo de agregação de interesses


vitais, de articulação de indivíduos e grupos no plano
existencial, promovendo a visibilidade de tais grupos que,
em busca de sua própria identidade no terreno urbano,
reconheciam a necessidade de se distinguir de outros
interesses, visões de mundo e aspirações que circulavam
na cena pública. Provavelmente, tais elementos ainda não
teriam sido capturados nas teias dos mecanismos institucionais
de produção de visibilidade social, o que vai ocorrer apenas
nos períodos mais tardios da vida belo-horizontina. Assim,
ainda que lamentadas pelos que a queriam de uma outra
maneira, a dispersão e transitoriedade da atividade editorial
- a "imprensa" das primeiras décadas da cidade - parecem
demonstrar que outras importantes funções são cumpridas
nessa esfera. Isso, necessariamente, remete à reflexão sobre
essa questão para perspectivas que ultrapassem a constatação
das carências do meio, do provincianismo das publicações
e do seu atraso em relação aos demais centros urbanos
então existentes.

A i m p r e n s a $e m o d e r n i z a . . .
A compreensão de que a imprensa vai expressar condições
distintas em diferentes tempos da vida da cidade, assumindo
configurações que lhe permitem realizar funções diversas
daquelas que se espera desse setor, não impede, entretanto,
que se possa construir uma periodização adequada de seu
desenvolvimento. Baseando-se na sua própria vivência, e
respaldado nas informações existentes na Coleção Linhares
e na monografia ora publicada, Eduardo Frieiro, em 1962,
observa que a história da nossa imprensa pode ser tratada
em duas fases:
uma que vai dafundação do primeiro periódico, em 1895,
ao aparecimento do Correio Mineiro, em 2926, e outra, a
28 nmtímummxmoimmf: mm

que parte da criação do primeiro grande jornal da


cidade, O Diário da Manhã, em 1927, até a presente
data.
Hoje é possível verificar que o desenvolvimento da comu-
nicação radiofônica, o advento da televisão em 1955 e as
transformações da década de 60 configuraram uma terceira
fase no desenvolvimento da imprensa escrita de Belo Hori-
zonte, a qual mostra sua face mais madura a partir dos anos
70. Constata-se, então, que o trabalho de Joaquim Nabuco
Linhares abrange duas das etapas da história de nossa im-
prensa: o período "heróico" de fundação da atividade
periodística e a fase de criação e consolidação do que hoje
conhecemos como "grande imprensa".
A primeira fase, sem prejuízo da d i s c u s s ã o feita
anteriormente, onde observamos as funções distintas
exercidas pela atividade periodística naqueles tempos, é
assim caracterizada por MENDONÇA (1980:49):
o que era a imprensa de Belo Horizonte ao findar o
primeiro quarto do século? Era muito pouco, quase
nada. periódicos deficientíssimos do ponto de vista
material, ainda que bem escritos, de ação pouco
profunda na opinião, apenas percebidos pelo arruído
de algum escândalo, ou então folhas de natureza
partidária, cuja existência se limitava pelas campanhas
políticas para as quais haviam surgido, todos porém
invariavelmente efêmeros.
Há, entretanto, títulos que permanecem - com intermiten-
tes e às vezes inexplicáveis sumiços provisórios - durante
muitos anos. São poucas e raras tais situações, configuran-
do-se apenas como exceções no panorama do período. É o
caso de uma revista católica, Lourdes, que se mantém como
publicação mensal durante 26 anos. Há até mesmo uma
folha carnavalesca, Matakins, cuja edição anual da terça-
feira de Carnaval circula durante doze anos. Há, ainda, o
WM atiro 29

Diário de Minas, que circula desde 1898 até os anos iniciais


da década de 30, embora com sucessivas ausências de
circulação. Mesmo esse diário, que tanto marcou o imaginário
relativo à imprensa belo-horizontina, foi sempre um jornal
de poucos leitores, mas de efetiva e forte influência nos
meios políticos, dado o seu alinhamento permanente com
o PRM, mais particularmente com as facções "perremistas''
que se encontrassem no governo. Em suas memórias, Afonso
Arinos de Melo Franco refere-se ao Diário de Minas daqueles
tempos como uma espécie de mensagem espírita, já que
composto e impresso sem linotipos nem rotativa; ninguém o
lia, e tinha, contudo, inegável influência política. (MELO
FRANCO, 1961: 206-207)
Ainda que o Correio Mineiro (1926-1936) seja apontado
por diversos estudiosos como o marco que separa as duas
fases do desenvolvimento da imprensa belo-horizontina,
para Joaquim Nabuco Linhares,
não padece mínima dúvida de quefoi o Estado de Minas
[1919-1922} que aqui lançou as bases do jornal
moderno, plantando destarte, o marco divisório de duas
eras de nossa imprensa - a antiga e a moderna. Com o
seu desaparecimento estivemos privados, por quatro
longos anos, de qualquer outro grande órgão de
publicidade, até que apareceu o Correio Mineiro, que
mais não fez do que ampliar o iniciado pelo Estado de
Minas, claro que com métodos mais modernos e de
acordo com o tempo que, em seu evoluir, tudo melhora.
À parte a polêmica sobre o corte distintivo da primeira e da
segunda fases da história da nossa imprensa - assunto sobre
o qual a Coleção Linhares e especialmente o texto aqui
publicado pode lançar luz definitivamente - o certo é que
nos anos finais da década de 20, era visível a modernização
da imprensa. Segundo ANTUNES (1995:10), os passos
iniciados pelo Correio Mineiro vão orientar o percurso de
30 nwiffl oá mm «mo mome- mm

outros experiências editoriais. A 16 de julho de 1927 ia a


público o primeiro número do jornal Diário da Manhã. O
Correio Mineiro havia inaugurado um jornalismo em novos
moldes, pois sob a direção de Vitor Silveira, pretendia
atender o "grande público", interessado com o
fato da rua, mexeriqueiro, não receando o escândalo e
até o procurando: jornal de {niblicidade e cavação, para
arrancar o dinheiro de quem o podia largar, e ao mesmo
tempo caçar o níquel do leitor comum. Agradou e teve
bastante êxito. (FRIEIRO, 1962.82)
O Diário da Manhã aliava esse tipo de jornalismo "moderno"
- textos curtos, destaque para temas esportivos, policiais e
do cotidiano da cidade, linguagem mais "objetiva", direta e
coloquial - a um parque gráfico muito moderno para a
imprensa privada da época, o que o tornou uma referência
obrigatória nos estudos sobre a imprensa belo-horizontina.
Além disso, a experiência desse diário adquiriu uma projeção
intelectual de significativa importância no imaginário dos
jornalistas do período. Foi curta, entretanto, a existência do
Diário da Manhã, que deixou de circular menos de um ano
após a sua criação. Das suas oficinas sai, a 7 de julho de
1928, o primeiro número do O Estado de Minas, ainda hoje
em circulação. Tendo, na sua criação, Juscelino Barbosa,
Pedro Aleixo e Álvaro Pimentel como diretores, passou,
em maio de 1929, à propriedade dos Diários Associados.
Segundo Linhares, com o número 391, de 16 de junho de
1929, excluiu-se "do título o artigo O, que tanto o enfeava,
passando a ser somente Estado de Minas," denominação
que até hoje conserva. Fm 1931, aparece o Diário da Tarde,
o quarto com esse nome, já como integrante da cadeia
Associada e ainda hoje em circulação. Em 1935, é criado o
O Diário, de propriedade da Cúria Metropolitana, que
durante os trinta anos de sua existência marcou de forma
indelével a imprensa belo-horizontina.
(MDOalfKO 31

Na memorialística da época, é aguda a percepção de que


se inaugurava, na virada dos anos 20/30, uma nova fase na
imprensa da capital. Nesse sentido, são exemplares os textos
relatando a movimentação que tomou conta da cidade com
a chegada, pela Central do Brasil, da impressora "Marinoni",
em 1927, para a fundação do Diário da Manhã.
A agitação era, sobretudo, dos que militavam na im-
prensa da capital à época, segundo eles marcada pela
precariedade dos equipamentos gráficos e pelo
pauperismo nos recursos disponíveis para tocar qualquer
empreendimento fornalístico (...) Mas nem só os homens
de imprensa acorreram à estação ferroviária. Junto com
a impressora chegavam novos equipamentos gráficos
que davam à carga um volume e peso gigantescos,
raramente desembarcados na cidade. A chegada da
"imprensa moderna" a Belo Horizonte era assim, antes
mesmo que resultasse num novo jornal, também um
fato que despertava a curiosidade dos habitantes.
(ANTUNES, 1995.12)
Para esse mesmo autor, o vigor das narrativas sobre a
imprensa daquele período parece indicar que
não se trata somente de lembranças, mas de elementos
de um discurso, de uma certa maneira com a qual as
pessoas viram, processaram e construíram, responderam
mental e emocionalmente ao que ocorria no espaço da
imprensa ali e naquele momento, ou seja, na Belo
Horizonte da terceira e quarta décadas desse século.
Não é, pois, um olhar que se profeta sobre o passado
para adorná-lo, ou uma simples imagem da realidade,
algo que apareça como "forma'' ideal que indique um
"conteúdo" social. São, na verdade, formas de registro
de atitudes, idéias e imagens acerca da realidade do
periodismo local que foram parte e evidência de uma
32 ¡imÁBODi mm xmo mmm : m-m

experiência, de um vivido produzido através da prática


social daqueles individuos.
É possível constatar que a partir dos anos 30 vai-se
delineando então o quadro de urna imprensa moderna: jornais
mais permanentes, de melhor qualidade gráfica, com o uso
de equipamentos próprios, tecnologicamente mais avançados
e, especialmente, mais autônomos frente às mudanças
conjunturais nos pólos de poder. Além disso, são evidentes
as transformações na forma jornalística, em termos da
linguagem, das rubricas técnicas e do projeto gráfico, bem
como na distinção cada vez mais clara entre a direção do
jornal - propriedade e administração comercial/financeira -
e a redação.
Obviamente, é um quadro que se anuncia, em que as
alterações são incipientes, não se estendendo a todas as
publicações e a todas as iniciativas editoriais, e que são
observadas na comparação com os elementos da fase
anterior. Significa dizer que é um processo de modernização
constatado na relação com as condições de funcionamento
da imprensa até então, e que os traços aí observados não
se generalizam de forma igual para todas as publicações
existentes ou surgidas após os anos 30. E mais: ainda que
tal processo se configure, não significa que a multiplicidade
de iniciativas editoriais, que caracteriza a fase anterior, se
esgote de chofre. A tendência à existência de uma imprensa
mais "profissional" convive ainda durante um bom tempo
com iniciativas editoriais mais "amadoras", pois ainda
efêmeras, artesanais e de pequeno alcance.

As matrizes da imprensa
Efêmeros ou permanentes, artesanais ou industriais,
provincianos ou modernos, os jornais (e revistas) que surgem
nas duas primeiras fases, se nutrem, embora de forma
variegada e múltipla, principalmente de elementos
&rw africo 33

originários de três grandes áreas da experiência social: a


política, a literatura e o associativismo.
Obviamente, a articulação com a política ultrapassa os anos
30 e permanece ainda hoje como uma matriz importante da
atividade periodística. O interessante é observar como essa
articulação se altera ao longo do tempo, como em cada
período se verificam maneiras próprias de realização da
convergência/divergência de interesses políticos e atividade
jornalística. Na política, no primeiro período, impera o Partido
Republicano Mineiro (PRM). O grande nutriente da imprensa
é, então, o "perremismo" e as aglutinações de interesses
divergentes que emergem no interior da política partidária.
Nessa matriz se produz um grande conjunto de jornais, em
que se reflete o interesse transitório de alguma autoridade,
a inserção em campanhas partidárias ou mesmo a defesa
de determinadas posições no campo político.
O primeiro jornal "político" foi o bissemanário A Capital,
um empreendimento jornalístico do Coronel Francisco
Bressane de Araújo.
Pequenino e retaco, muito míope, sempre a piscar (cha-
mado por isso o Coronel Pisca-Pisca), Francisco
Bressane foi durante muitos anos o secretário
diligentíssimo do Partido Republicano Mineiro, desde a
sua fundação, no governo Silviano Brandão. (FRIFJRO,
1962:80)
Proprietário e redator de A Capital, o Coronel Pisca-Pisca
foi depois prefeito de Belo Horizonte, diretor da Imprensa
Oficial, e deputado estadual e federal em várias legislaturas.
Defensora e propagandista ferrenha da Tarasca, A Capital
teria no Diário de Minas, criado em novembro de 1898, por
Francisco Mendes Pimentel, seu adversário mais respeitável.
A oposição ao Presidente do Estado, Dr. Silviano Brandão,
entretanto, durou pouco, pois já em 5 de novembro de
1899, sob nova direção, o Diário de Minas passava a
34 fímimMímmxmommi ms-m

defender o governo, representando o pensamento oficial


do PRM. A oposição fica então por conta do jornal do
Povo, criado por Azevedo Júnior a 5 de dezembro de 1899,
que resiste apenas até 30 de novembro do ano seguinte.
Enquanto isso, o Diário de Minas mantinha-se à tona, e,
com uma retórica sempre governista, circulou - com seguidas
interrupções, troca de direção e de orientação editorial -
até maio de 1932. Extinto o Jornal do Povo, aparece em
1904 A Epocba, que faz oposição continuada e feroz ao
governo de Francisco Sales. A campanha contra o governo
se fortalece com o aparecimento, em 1906, de um novo
jornal, o O Estado de Minas, motivando os governistas a
irem a campo com Vida Mineira (1904-1906). Segundo
Linhares, a polêmica entre estes dois últimos jornais foi
acirrada, "de parte a parte violenta e conduzida em termos
os mais injuriosos pelos contendores". Assim, as campa-
nhas se sucediam e com elas surgiam e desapareciam jor-
nais em Belo Horizonte: o "civilismo" nos deu o Correio do
Dia (1909-1910); o Partido Republicano Conservador, che-
fiado por Pinheiro Machado criou o Diário da Tarde (1914);
a oposição ao mesmo Pinheiro Machado nos brindou com o
matutino A Capital (1913-1914), quarto jornal surgido em
Belo Horizonte com esse nome; a campanha de Artur
Bernardes à Presidência da República apossou-se do
Floresta-jornal (1920); a Reação Republicana que sustentava
as candidaturas de Nilo Peçanha à Presidência da República
e de Francisco Sales à Presidência do Estado nos deu o
Diário de Noticias (1922), para citarmos apenas os mais
incisivos.

As relações da imprensa com a política, quando a linha


editorial do jornal era de cunho oposicionista, eram violentas,
muitas vezes ocorrendo o empastela mento das oficinas,
apreensão de edições e prisões dos "editores". Dentre os
fatos registrados por Linhares destaca-se o acontecido com
wooaéJKO 35

o jornal Avante! (1924), que no seu número 4 de 29 de


junho, "estampou um sensacional artigo a que deu o título -
'36.000.000 cabeças governadas por duas: uma inválida,
outra ébria'". A polícia invadiu as oficinas do jornal, incine-
rou toda a edição seguinte do jornal (que reproduzia o
artigo) e destruiu todas as chapas de impressão. Em conse-
qüência, o jornal deixou de circular até 3 de agosto seguin-
te. Quando voltou a circular, continuou fazendo oposição a
Arthur Bernardes e a Raul Soares, respectivamente, Presi-
dente da República e Presidente do Estado. Em 6 de janei-
ro, seu diretor - Sr. Amadeu H. Teixeira de Siqueira - foi
preso e mandado para a Casa de Detenção do Rio de Janei-
ro, onde permaneceu por um bom tempo. Depois de liber-
tado, voltou a Belo Horizonte e retomou a publicação de
Avante!, a 5 de abril de 1925.
Mas, com a modernização da imprensa que se verifica nos
anos 30, a relação estreita com as práticas político-partidárias,
sobretudo na sua dimensão eleitoral, passa a ser vista como
um dos sérios obstáculos ao desenvolvimento da atividade
periodística. P. o que assinala, por exemplo, Pedro Aleixo,
na rememoração da luta por uma imprensa moderna,
"independente e noticiosa":
É preciso que se rememorem os contingências daquela
época para que bem se compreenda o que representou,
em arrojo e temeridade, o lançamento de um jornal
que não vinha lastreado pela proteção do oficialismo.
Até então, osjornais surgiam ao influxo das campanhas
politicas e, salvo iniciativas temerárias de alguns
jornalistas bem intencionados, viviam enquanto eram
alimentadospelofogo abrasador das paixões partidárias.
Encerradas as lutas eleitorais, dentro em pouco
deixavam os pretos de bater e passavam a constituir o
acervo desvalorizado de empresas em liquidação.
(ALEIXO, 1935)
36 nrnÁmoiimmxmoimm mm

Percebe-se, assim, que na nova fase da imprensa, certamente


a política ainda tem lugar de destaque, mas sua relação
com as iniciativas editoriais que passam a surgir começa a
se modificar. Estudos sobre as transformações na imprensa
européia, no século passado, mostram que ela evolui de
uma fase política, panfletária e literária em que os editores
sustentavam sozinhos o risco econômico, para uma fase em
que o jornal assume o caráter de um empreendimento que
produz espaço para anúncios como uma mercadoria que
se toma vendável através da parte reservada à redação.
(HABERMAS, 1984:217) Aqui, ainda que em condições
distintas e cronologicamente muito distantes, é possível
encontrar algumas analogias com essa análise. O surgimento
(ou desaparecimento) de jornais (e revistas), mesmo
mantendo estreitas relações com a política, não deriva mais
diretamente dos interesses políticos tal como acontecia
anteriormente. A lógica que os governa é outra, pois o
jornal evolui para a condição de um empreendimento
econômico, exigindo que o seu gerenciamento se faça a
partir de parâmetros de administração financeira e comercial.
Nessa lógica, pelo menos na definição de sua linha editorial,
a política se torna apenas mais um dos elementos de sua
pauta de cobertura, ainda que um dos mais importantes.
Nas palavras do Estado de Minas, em editorial de 1929:
Para defender com altivez os interesses gerais, o jornal
não pode ser partidário, nem mesmo político no sentido
usual dessa palavra entre nós, pois que político é
sinônimo de personalismo, e não de idéias. Não teremos
ligações nem dependência com os governos mas
encararemos sem prevenções injustas os homens
incumbidos da administração. Procuraremos julgar os
fatos e as pessoas de um ponto de vista elevado, sereno,
principalmente justo.
37

Assim, temos, de um lado, a ascensão de um jornalismo em


que se privilegiam matérias noticiosas sobre o cotidiano da
cidade, novos padrões gráficos e de acabamento e os
interesses comerciais da empresa. De outro lado, e de forma
semelhante ao que acontece em outras partes do país,
acompanhando um processo que no Rio e em São Paulo
ocorrera no início do século (Cf. SODRÉ, 1966), observa-se
os estertores de uma imprensa abertamente político-parti-
dária, calcada na ação organizada de grupos e indivíduos.
(AMTUNES, 1995:67)
A literatura vai se constituir na segunda nutriz importante
da imprensa. Aliás, essa não é uma característica exclusiva
da imprensa belo-horizontina. A simbiose entre o literato e
o jornal é apontada por João do Rio, no início do século e o
jornal era visto por Olavo Bilac como "o único meio do
escritor se fazer ler". F. continua o poeta:
O meio de ação nosfalharia absolutamente se não fosse
o jornal - porque o livro ainda não é coisa que se compre
no Brasil como uma necessidade. O jornal é um
problema complexo. Nós adquirimos a possibilidade de
poder falar a um certo número de pessoas que nos
desconheceriam se não fosse a folha diária. (JOÃO, DO
RIO, 1994.18)
Na primeira fase verifica-se que a literatura é produtora de
jornais e de revistas, através do grande número de "jornais
literários" que vêm a público na cidade. O primeiro deles,
registrado por Joaquim Linhares é Aurora, de 1896, que
circulou até 1897. Surgem revistas que congregam no seu
"corpo editorial'' as figuras mais expressivas da literatura
que se fazia na cidade, como é o caso de Horus, de 1902,
de poetas simbolistas, admiradores de Verlaine e Cruz e
Souza, ou Caramuru ( 1 9 0 2 - 1 9 0 3 ) dirigida por uma
comissão de sócios do Grêmio Literário Santa Rita Durão.
38 límimmimmKmommoi: mm

A modernização da imprensa na década de 30 vai ter con-


seqüências relevantes no plano da vida intelectual. Ainda
que permaneçam as iniciativas editoriais específicas do
campo literário, como é o caso da importante revista Edificio
( 1 9 4 0 , reduto dos "modernistas" da época, a literatura passa
a ser tema relevante nas páginas dos jornais. Segundo
CORREIA DIAS (1979),
surge uma crítica de rodapé ou de colunas periódicas,
João Alpbonsus já o iniciara em 29 pelo Estado de Minas.
(...) Surgem na imprensa os cronistas da cidade- Jair
Silva, Djalma de Andrade, Moacyr de Andrade(...) Em
O Diário, iria aparecer um vigoroso pensamento liberal-
católico, tendo em seu centro a figura marcante de
Edgar da Mata Machado (...).
Importantes obras ficcionais daquele período surgem na
imprensa da cidade, como é o caso de Totônio Pacheco, de
João Alphonsus, que é publicado em forma de crônica no
Diário de Minas, ou ainda o romance de Cyro do Anjos,
Amanuense Belmiro, que antes de ser livro torna-se
conhecido dos leitores através do texto de A Tribuna (1933).
Percebe-se, assim, que também a relação da imprensa com
a literatura vai-se modificando com o passar do tempo e,
especialmente, com as transformações ocorridas no campo
literário. De produtora de jornais - os "literários" da primeira
fase - a literatura passa a ser incorporada no jornal de
pretensão eclética, através das crônicas e folhetins que são
aí publicados. A redação dos jornais se torna "ponto de
encontro" obrigatório dos literatos da cidade, pois o jornal
daquele tempo era uma sorte de academia literária não
apenas para os que nele trabalhavam profissionalmente.
(MENDONÇA,1980:50 Jornalismo e literatura se confundi-
am nos textos dos jomáis e ainda não se questionava sobre
a especificidade de cada um desses campos, o que vai
ocorrer em Belo Horizonte apenas nos anos 50. Mantêm-se
woooéw 39

ainda publicações exclusivamente literárias, em iniciativas


editoriais importantes, mas efêmeras. Constata-se, então,
que na imprensa belo-horizontina da terceira e quarta
décadas do século, a "invenção" literária e o exercício
jornalístico encontravam nas páginas dos jornais seu
desaguadouro comum.
Também o associativismo, nos seus mais diferentes matizes,
foi um dos nutrientes expressivos da atividade editorial em
Belo Horizonte. O primeiro jornal dessa natureza é O
operário, criado pela Liga Operária, de orientação socialista,
em 1900. Associações de trabalhadores, organizações das
"classes conservadoras", sociedades de "amigos de bairros"
vão criar periódicos para divulgação e defesa de seus
interesses. Assim, surge o Commercio de Minas (1901), da
Associação Commercial; O labor (1905), da Confederação
Auxiliar dos Operários; a Revista da Associação Beneficente
Typogrâfica (1906-1920); a Revista Escolar (1906-1908), da
A s s o c i a ç ã o Amante da Instrução e T r a b a l h o ; o
ConfederaK\907), órgão do Centro Confederativo dos
Operários do Estado de Minas Gerais. São esses alguns dos
precursores citados por Joaquim Nabuco Linhares que, para
além de sua característica de "imprensa especializada",
evidenciam o quanto a atividade editorial era disseminada
na cidade, ainda que sob a forma incipiente e artesanal que
a dominava. É indicativo desse fato o número expressivo
de jornais italianos que apareceram em Belo Horizonte.
São publicadas doze folhas diferentes, destinadas à colônia
italiana que desde a construção da cidade tem presença
ativa entre nós. O primeiro deles foi o Un Fiore, que circulou
de 1901 a 1902, sendo inicialmente escrito em italiano e,
posteriormente, em português. Em 1902 aparecem o //
martelo e o La voce dei cuore, em 1905 surge Veco dei
popolo, Fiera mosca em 1916; Araldo italiano em 1923,
para citarmos apenas os primeiros.
40 amaino oi mm % mo tmwf- mm

É interessante observar como o associativismo, que na


primeira fase busca na imprensa escrita um meio de agregar
interesses e de defender perspectivas próprias, na segunda
fase vai se esgotando, enquanto uma matriz de produção
de jornais, e se torna apenas mais um tema para a cobertura
jornalística. Somente em tempos mais recentes é que o
associativismo volta à cena pela via de publicações
especializadas ou de "house organs", na tendência
contemporânea de segmentação do campo jornalístico.

A publicação
O texto de Joaquim Nabuco Linhares, aqui publicado, é
uma resenha dos 839 títulos de jornais, revistas e boletins
que vieram à luz, em Belo Horizonte, no período de 1895
a 1954. A maior parte dessas publicações foi colecionada
pelo autor e faz parte do acervo da Coleção Linhares,
que se encontra sob a guarda da Biblioteca Universitária da
UFMG. Entretanto, algumas das publicações abordadas no
catálogo não foram obtidas por Joaquim Nabuco Linhares,
que elabora a resenha de tais títulos a partir de informações
coletadas em outras publicações ou de dados obtidos através
de informantes. O conjunto de verbetes que constitui o
"Catálogo de periódicos de Belo Horizonte — 1895 - 1954"
é introduzido por um texto escrito pelo próprio autor, em
1947, denominado "Palavras explicativas". São também de
autoria de Joaquim Nabuco Linhares os índices alfabético e
cronológico que aqui se publicam. Os índices tipológicos e
onomásticos apresentados foram elaborados pelo Setor de
C o l e ç õ e s E s p e c i a i s da Biblioteca Universitária. As
dificuldades para a elaboração de tais índices foram grandes.
De um lado, os problemas de definição de categorias que
enquadrassem as publicações resenhadas resultavam da
diversidade e da heterogeneidade do próprio material, já
que a moderna tipologia de textos impressos nem sempre
mim cm'fico 41

é adequada à classificação de publicações existentes nos


primeiros anos do período abordado Adotou-se, então, uma
tipologia que possibilitasse uma maior abrangência de fornias
editoriais, bem como o critério dc múltipla entrada, em que
unia publicação é classificada cm mais de um dos tipos
propostos. Por outro lado, muitas vezes as indicações
nominais dos produtores dos jornais são feitas, no catálogo,
de forma abreviada ou através de alcunhas e pseudônimos,
o que se tornou uma dificuldade para a identificação de
nomes e sobrenomes Quando a identificação sc mostrou
impossível adotou-se a denominação dada pelo autor. Na
parte denominada "Palavras Explicativas", Joaquim Nabuco
Linhares infonna que sua monografia abrange 885 órgãos
de imprensa. l-ntrctanto, há no catálogo 839 títulos
resenhados. Ainda que não tenha sido possível elucidar as
razões do engano — uma hipótese plausível é de que o
autor tenha relacionado o número de títulos colecionados,
mas não incluídos no catálogo, já que na Coleção Linhares
há mais títulos do que aqueles resenhados — decidiu-se
manter o número indicado pelo autor, alertando o leitor
para a discrepância.
ü texto original sofreu a atualização ortográfica cabível,
mantendo-se inalterado o estilo do autor, Pani facilitar a
compreensão, foi criado um pequeno glossário, bem como
adicionada a bibliografia utilizada no estudo crítico.
CATÁLOGO DE PERIÓDICOS
1895- 1954
JOAQUIM NABUCO LINHARES

À IMPRENSA LOCAL

Homenagem do Autor

Homenagem aos jornalistas já afastados do nosso


meio e aos que nele ainda mourejam, elevando
cada vez mais o nível da nossa Imprensa.
À memória do grande e inesquecível jornalista
Azevedo Júnior.
À memória dos jornalistas que aqui lutaram por
seu ideal.
PALAVRAS ímiíAims

Jà lá se vão bastantes anos que atiramos aos azares da


sorte a primeira edição deste despretensioso trabalho.
Protegido por bons fados, teve generoso acolhimento e foi
alvo de críticas que muito nos penhoraram.
Na o c a s i ã o , d e s c r e v e m o s 49 p u b l i c a ç õ e s , número
excessivamente aumentado agora, atingindo a considerável
referência a 885 órgãos, o que ainda está aquém da real
estimativa das publicações aqui editadas. Haverá por certo
muita gente detentora de revistas e jornais nào citados no
texto que poderá fornecer elementos para a sensível
melhoria deste ensaio. Será questão de préstimo e boa
vontade.
Foi em setembro de 1895 que veio à luz a primeira
publicação local, o Bello Horizonte. Com o decurso do
tempo outras foram surgindo, trazendo múltiplos e variados
programas, até atingirmos a atual fase de realização plena
da nossa Imprensa. Abstemo-nos de enumerá-las em seus
íntimos e subjetivos aspectos por ser este trabalho mais
uma resenha de dados históricos e estatísticos que
propriamente obra de crítica e análise. Nos competentes
lugares fazemos, no entanto, ligeiros comentários sobre a
vida, projeção e orientação de cada uma, para ter o leitor
uma pálida e superficial idéia do que tem sido a nossa
Imprensa em sua marcha evolutiva.
Se temos contado com periódicos de inegável valor, a honrar
qualquer meio, a maioria tem sido de folhas vulgares,
enxameando a nossa Imprensa e só contribuindo para avultar
numericamente o seu cadastro. Como nem todos se arriscam
46 ilIHtÚm Oi lãMHSi DCBftO HOilIOHlf: 1895-1954

a peneirar no campo das revistas, estas sào em regra geral


boas, algumas em consagrador destaque.
Merece especial referência um registro das publicações
humorísticas, muitas das quais ignoram a demarcação dos
limites entre humorismo e licenciosidade, como se os
vocábulos envolvessem conceitos sinônimos.
Chega, às vezes, a ser desolador o que se publica e estampa
em alguns de tais periódicos, tão ostensiva a sua matéria
que não desafia, como no fino e são humorismo, a
perspicácia ou a argúcia do leitor para se fazer entender,
mas se envolve de despudorado enredo, ao alcance fácil
de inteligências menos privilegiadas.
Taí onda perigosa de dissolução social carece de repressão
para que a criança não nasça contaminada por vírus tão
nocivo.
A nossa Imprensa se firmou definitivamente, tanto pelo
valor como pela constância e regularidade das publicações,
a partir de 1926, com o surgimento do Correio Mineiro. Se
antes tivemos outros grandes órgãos de publicidade, todos
tiveram vida efêmera, muito distanciados entre si no tempo.
Épocas brilhantes e destacadas assinalaram outras fases,
como esta que atravessamos e a de que é exemplo marcante
a do início do nosso jornalismo em sua alta expressão, de
1899, com o advento do Diário de Minas, até 1912. Brilhante
e das mais movimentadas, por sua fecunda produtividade
no campo político e literário, só passível de crítica quando,
em abusos de liberdade, encontrava na aberrante linguagem
da violência a arma para as discussões nos terrenos pessoais.
Não alimenta este trabalho outras pretensões, nem aspira
outra coisa senão o sincero e desapaixonado julgamento de
quem se der ao desfastio de sobre ele lançar suas vistas.
Pretendíamos apresentá-lo o mais completo possível, mas
para isso seria preciso contarmos com coleções completas
de todas as publicações. Como não as possuímos, fizemos
wjmmwm 47

o que estava a nosso alcance, com a prata de casa que,


aliás, não é pouca.
Omissões, enganos e mesmo erros serão fatalmente
descobertos, mas a tarefa de emendá-los ou corrigi-los caberá
e s p e c i a l m e n t e aos e n c a r r e g a d o s e interessados no
restabelecimento da verdade. Esses defeitos decorrem
naturalmente das dificuldades que tivemos de enfrentar.
Nem de leve, sequer, se poderá aquilatar das vicissitudes
antepostas a nossos projetos, e nem mesmo é bom
rememorá-las, porque, se encerra verdade o refrão "recordar
é viver", não será erro afirmar-se que também recordar é
sofrer.
A despeito de possuirmos a quase totalidade de publicações
aqui editadas, representando valioso e inestimável acervo
de milhares de exemplares, alguas raros e únicos, fomos
pelas circunstâncias forçados a solicitar auxílio de
proprietários ou diretores de publicações extintas no tocante
a dados ou esclarecimentos que nem sempre oferecem as
edições, como v.g., tiragem, local de impressão e outros
elementos úteis. Até certo ponto fomos felizes e a tantos
que nos proporcionaram essa colaboração consignamos nossa
perene gratidão. Enormes, porém, foram as decepções
causadas pela incompreensão e má vontade, ou mesmo
pela incompreensível recusa de muitos a fornecer-nos o
pouco que lhes cabia em relação ao muito que nos poderia
ser proveitoso. Se a atitude dos que assim se omitiram não
deixou de prejudicar, às vezes, a narrativa, como facilmente
se deduzirá, tal prejuízo sobre eles próprios se refletirá,
por não terem seus órgãos mencionados como os daqueles
que, em gesto significativo e de alta compreensão, nos
distinguiram com sua amável cordialidade.
Atormentados por essas contrariedades, ímpetos quase nos
levaram ao abandono da tarefa em meio, contidos, entretanto,
48 nmtínoõi umm KBUQ HQMONH: ms-mi

pelo dignificante estímulo de quantos nos encorajaram


durante toda a jornada.
Ante o visto, concluir-se-á que o trabalho nào poderia
corresponder aos propósitos de perfeição e indefectibilidade,
nem atingir foros de obra definitiva. Permita-se-nos afirmar,
contudo, o esforço, a boa vontade em acertar e a escrupulosa
fidelidade que empregamos no resguardo da seriedade do
assunto, sem fantasias ou engenhos que acaso desvirtuassem
o exato sentido da apreciação e da crítica.
Mais tempo talvez gastamos em preliminares deste trabalho
sobre a Imprensa do que propriamente em sua redação,
onde não há preocupações ou ansiedades senão as de
noticiar. Não se trata de obra literária alimentada por
elegância de forma ou pureza de estilo. O que de real
existe e impregna todo o ensaio é a estatística às vezes
árida e, a amenizá-la, um pouco de história, história leve e
elementar.
O serviço material de manusear e compulsar milhares de
exemplares de jornais e revistas, estudando-lhes a feição, a
diretriz, ou a orientação c rumos, para tirar as conclusões
sobre sua projeção no ambiente social, político ou literário,
foi obra de prolongado esforço e evangélica paciência.
Falhas e incorreções que se notarem merecem indulgência,
não só por isso mesmo, senão também porque nem todas
correm por nossa conta, podendo ser levadas a débito de
informações menos fiéis prestadas por terceiros.
Grande quantidade de publicações poderia enriquecer o
texto se nele incluídas. Se tivemos dificuldades na obtenção
de elementos a respeito, muito embora ainda vivos os
jornalistas que as lançaram, daqui para a frente esse cabedal
conhecido, mas até agora perdido, poderá ser aproveitado,
constituindo um apêndice à história da nossa Imprensa e
saindo do terreno do esquecimento.
mmsmanm 49

Dentre essas publicações contam-se o ABC, Universitário,


Atualidade Mineira, Brasil Econômico, O Bandeirante, Cine
Jornal ( 4 ) , Compra-se
U
e Vende-se, O Estado Novo, O
Excêntrico Mineiro, Faísca, A Farra, Gazeta Acadêmica, A
Inúbia ( 2 ) , Jornal Acadêmico, Jornal Livre,
a
Lamparina,
Mariano Infantil, Mensageiro da Boa Imprensa, Minas
Econômica, Afinas Ilustrada (2*), Momento, Momento
Mercantil, A Mutuca, Praça Sete, Primavera, Rádio Jornal,
Rajada, Reformador, Taba, Uirapuru, A Voz de Minas, A
Flâmula, O Tempo, A Ripa, Boletim do Hospital André Luiz,
Meluza Malhan, Boletim de N. S. da Pompeia, Elo.
Dessas publicações algumas conhecemos só pelo título,
através de referências de outros jornais. De outras, possuímos
alguns exemplares, mas de numeração tão elevada que
por ela não se pode calcular a data da circulação de seus
primeiros números.
Com as noticias que se seguem, desejamos estabelecer um
confronto entre o desenvolvimento do presente trabalho e
outros congêneres. No folheto intitulado Juiz de Fora no
Século XX, coletânea de artigos comemorativas da entrada
do novo século, o saudoso escritor e jornalista Heitor
Guimarães fez o histórico de 30 anos da Imprensa local,
em 33 páginas de 11,5 x 7. Há jornais cuja vida foi descrita
em duas linhas, só merecendo maiores referências OPbarol,
como o decano dos órgãos.
Tratando do jornalismo em nossa velha Sabara, de 1832 a
1894, 62 anos portanto, o consagrado historiador mineiro
Arthur Campos descreveu 19 jornais em apenas seis páginas
da Revista do Arquivo Público Mineiro
O grande Xavier da Veiga, em estudos sobre a "Imprensa
em Minas'' alinhou 855 jornais e revistas publicadas em 86
localidades diversas, no período de 74 anos (1823 - 1897),
gastando para isso 46 páginas.
50 IttHMttO BÁ IMPPW& OiêílG MftllONU: ¡89S-I9S4

Não nos envaidecemos dc haver descrito nestas 550 páginas


cerca de 900 publicações de uma só localidade, durante 52
anos exatos (1895 a 1947).
Se nesse confronto as vantagens estão de nosso lado, elas
não desmerecem o incontestável sentido e o justo mérito
das obras comparadas, que engrandecem o nome de tào
ilustres historiadores. Desejamos apenas mencionar, com
isso, que, do material acumulado, retiramos, com o relevo
dc todas as múltiplas e variadas facetas, dos detalhes a que
não desceram os ilustrados escritores mencionados, o melhor
proveito que poderia oferecer, nada mais nos animando
senão procurar oferecer uma contribuição ao estudo das
letras em nosso meio, onde ao jornalismo se reserva um
plano de singular destaque.
Está finda nossa tarefa, que poderá ser atualizada com
menores esforços. O campo a descoberto está onde as
fontes são mais vivas e mais próximas. Chegando à meta
visada, só nos cumpre entregar à crítica este amontoado de
notas, almejando que seja cia construtiva, sincera, imparcial
e com as esperanças de que o carinho, o amor e mais
ainda, nossa obstinada paixão pelo movimento jornalístico
venham despertar iguais sentimentos em sucessores neste
empreendimento, que só nos pareceu árduo, às vezes, ante
o d e s c a s o e o desalento dos h o m e n s , jamais pela
exuberância e atração do tema histórico.
A humilde contribuição ao estudo da cultura mineira neste atra-
ente setor do jornalismo abrange o pcrí<xio de 52 anos comple-
tos, de 7 dc setembro de 1895 a 31 de dezembro de 1947.
Os alicerces, pelo visto, parecem prontos.

Belo Horizonte, 07 de setembro de 1947.

JOAQUIM NABUCO LINHARES


Sócio fundador e honorario do Instituto Histórico e Geográfico de
Minas Gerais
RESENHAS DOS PERIÓDICOS
52 UMSÁW Bi IMPÜfNSi Bf BflO HOSUOHff: 1895-1954

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BELLO HORIZONTE
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mBmmmiômm 53

BELLO HORIZONTE 001 te, sob a competente direção do grande e


A data do aparecimento do primeiro jornal saudoso jornalista José Maria Teixeira de Aze-
de Belo Horizonte deve ser gravada em le- vedo Júnior, que lhe deu feição rigorosa-
tras de ouro nos anais de sua história. mente independente.
Essa data é a de 7 de setembro de 1895, Apesar da nova direção, o Padre Martins Dias
s á b a d o , em que foi lançado à luz da não se afastou do jornal, tanto que fez uma
publicidade, no velho arraial das gloriosas declaração nesse sentido, na qual disse que
bandeiras de Borba Gato, o primeiro número Azevedo Júnior tomaria a responsabilidade
de Bello Horizonte, fundado e dirigido, da parte redatorial, ficando ele responsável
durante quase toda a sua existência, pelo somente pelos artigos de colaboração assi-
Padre Francisco Martins Dias, vigário da nada. Praticamente, porém, o declarante não
Freguesia da Boa Viagem, a única aqui exercitou a função que para si reservara, pois
existente naquela época. Azevedo Júnior, com sua formidável capaci-
Com tão notável acontecimento, nova era de dade de trabalho, enchia, sozinho, toda a fo-
progresso e civilização se abria para a pe- lha como sempre fez em todas as que dirigiu.
quena localidade, que dois anos depois se Disso resultava não sobrar espaço para qual-
engalanava com o título e foros de metrópo- quer colaboração.
le. Damos, a seguir, os primeiros períodos e o
O Padre Martins Dias exerceu o múnus pa- final d a artigo com que o Bello Horizonte se
roquial até março de 1901. apresentou ao público em sua segunda fase;
Este jomal teve duas fases, ambas de propri- Será uma temeridade de nossa parte a
edade de seu fundador, mas a segunda sob publicação cotidiana do Bello Horizonte?
outra direção. Na primeira, que sc prolon- Não encontraremos no aliás tão generoso
gou até 30 de setembro de 1898, publicava- povo da capital mineira o apoio de que
se semanalmente, aos domingos, como ór- carecemos? Tais são as perguntas que a
gão religioso, literário e noticioso. No ano nós mesmos nos fazemos, no momento
seguinte, iniciou a segunda, com o número em que iniciamos esta fase de labor
157, passando então a publicar-se diariamen- jornalístico, e só o tempo nos poderá
54 nmsÁmooà inmm OÍBHO HOUIIÕHH: ws-m4

responder de um modo satisfatório. mais brilhantes de nosso jornalismo. Nesse


Vimos servir aos interesses do povo, e período manteve duas seções humorísticas
dizendo isto achamos que o programa de caráter permanente, Bodocaaas, em prosa,
do nosso diário está perfeitamente e Gaifonas, em verso, redigidas por vários
definido. Não temos absolutamente o colaboradores, cada qual com seu
menor vínculo político, e a nossa pseudônimo. Artur Lobo, o saudoso poeta,
liberdade de ação é ampla o quanto é escritor e jornalista mineiro, teve nelas grande
possível ser... O lábaro que aqui e ativa participação.
basteamos tem esta legenda. Pro pátria, O Bello Horizonte tinha tipografia própria,
pro populo. instalada, primitivamente, no Largo da Matriz
E a legenda foi cumprida com absoluta da Boa Viagem, em uma casa do antigo
fidelidade. arraial. Posteriormente, passou para o prédio
O Bello Horizonte foi o segundo jornal local da Rua da Bahia, 1500, que foi demolido
de publicação diária, cabendo a primazia ao para dar lugar ao novo, em que funciona o
Minas Gerais. Colégio Imaculada.
Infelizmente, todos os esforços empregados Adotou dois formatos, de 32 x 21 até o
para sua continuação foram improfícuos, pelo número 33, e de 34,5 x 23 do número 34
que foi obrigado a suspender suas atividades até o fim, sempre com quatro páginas e
a 31 de março de 1899, sexta-feira, com o quatro colunas. Um cabeçalho para cada
número 305. Durou, portanto, três anos e período de publicação, mas o mesmo tipo
seis meses e 24 dias, publicado do título em toda ela. Tiragem de 600 a 700
semanalmente pelo espaço de três anos e exemplares quando semanal e 1.000, quando
24 dias e diariamente pelo de seis meses diário.
justos. Deu 156 números na primeira fase e O dia 7 de setembro de 1945 assinalou a
149, na segunda. Nesta, foi sempre matutino, passagem do cinqüentenário da fundação de
não se publicando às segundas-feiras. nossa Imprensa e, no entanto, os jornais locais
Durante toda a sua vida muito se salientou, não consagraram nem sequer uma linha a
mormente na segunda fase, que foi uma das relembrar tão notável efeméride.
mmmmiôBicos 55

Semelhante atitude de descaso e indiferença Sua publicação teve início a 28 de janeiro


jamais será perdoada aos nossos grandes de 1896, quando fora anunciada para 15 de
órgàos de publicidade que se esqueceram novembro do ano anterior. Motivos de ordem
da razão de sua própria existência. A grande material determinaram esse adiamento. Pu-
e faustosa data bem que merecia, como blicava-se bissemanalmente, às quintas-feiras

nenhuma outra, e s p e c i a l e condigna e domingos.

comemoração. A 4 de agosto de 1898 encerrou sua brilhante


Na mesma ocasião alguns jornais noticiaram, carreira, com o número 129, do ano III. No

c o m d e s t a q u e , a passagem de outro primeiro ano deu 51 números; no segundo,


também 51 e no terceiro, 27. Com o número
cinqüentenário, aliás com toda a justiça, mas
39, reformou todo o material.
sem nenhuma projeção histórica como o da
Manteve sempre a mesma feição: formato
fundação de nossa Imprensa, tão
de 49,5 x 32, seis colunas e quatro páginas.
lamentavelmente esquecido.
Tiragem de 1.000 exemplares e redação e
Coisas da vida!...
oficinas, inicialmente, em um dos melhores
prédios do arraial, situado à entrada da Rua
A C A P I T A L (1») 002
Sabará, muito próximo à Praça da Matriz, e
Esta folha, a segunda aqui publicada, teve depois à Rua Marechal Deodoro, antiga do
como proprietário e diretor o Coronel Fran- Saco, esquina da do Rosário, em prédio tam-
cisco Bressane de Azevedo, falecido a 7 de bém dos primitivos da localidade.
novembro de 1927. A máquina de impressão de A Capital era de
Quem tratou de sua fundação, e a primitiva tipo manual, tendo servido anteriormente ao
idéia foi por meio de associação, foram os célebre jornal de propaganda republicana O
jornalistas Azevedo Júnior e Cândido de Ara- Movimento, de João Pinheiro, publicado em
újo. Ouro Preto por algum tempo, a partir de
Importantíssimos e relevantes serviços pres- 1889-
tou este jornal à nova Capital, no período de Teve esta folha três diretores eventuais. De
sua constmçào. junho a setembro de 1897, assumiu sua dire-
56 nmsàwoi ÍMPXWÁ «Bito mmoNU; w$-m4

ção o jornalista Azevedo Júnior, por estar A Capital, no terreno político, estava filiada
tomando parte nos trabalhos legislativos o ao PRM (Partido Republicano Mineiro).
Coronel Brcssane, deputado estadual. De 20
de janeiro do ano seguinte até 21 de abril, AURORA 003
ocupou o cargo o eminente brasileiro Dr. A 15 de novembro do mesmo ano em que
Alfredo Pinto Vieira de Melo, sob cuja saiu A Capital, 1896, surgiu também Auro-
orientação saíram os números 103 a 1 1 6 . ra, jornal literário, fundado por diversos
Retirando-se o Dr. Alfredo Pinto, foi moços de talento, à frente dos quais se achava
substituído pelo ilustre jornalista Engenheiro o malogrado Dr. João Elói da Costa Camelo.
Luís Silva, que se manteve no posto até o Com Aurora, despontou a aurora da
regresso do diretor proprietário, sob cuja Imprensa Literária em Belo Horizonte. A 1°
responsabilidade já saiu o número 125, de de agosto de 1897 publicou o 18° e último
30 de junho, um dos últimos. número.
A Capital, jornal de tão gratas recordações Editava-se a l u
e 15 de cada mês, com o
para aqueles que acompanharam sua labori- formato de 20,5 x 14, quatro páginas e três
osa vida, ao despedir-se de seus leitores as- colunas.
sim falou: Impressa na tipografia do Bello Horizonte,
Com o presente número desaparece a com a tiragem de 300 exemplares.
nossa modesta folha da arena jorna-
lística, não sabemos ainda se temporá- T l RA D E N T E S 004
ria ou se definitivamente. O que sabe- A 21 de abril de 1897, dia consagrado à
mos e podemos afirmar ao público é que memória do protomártir de nossa Indepen-
A Capital só reaparecerá como jornal dência, era lançado à publicidade um jornal
diário. com seu glorioso nome.
Infelizmente, A Capital acabou mesmo, de Teve curta duração, como tem acontecido a
uma vez para sempre. Foi grande e sensível quase todas as nossas publicações: apenas
a perda. três números saíram.
mmwmmiôom 57

Publicação quinzenal, pequeno formato e E por essa brincadeira, julgada ofensiva e


direção do Sr. J . C. Barros. comprometedora, lá se foi o Bohemio.
Impresso na tipografia de A Capital.
FÓRUM 006
BOHEMKL 005 Revista mensal de jurisprudência e legisla-
O Bohetnio, jornal humorístico, deu seu pri- ção, de propriedade e direção dos Drs.
meiro número a 4 de julho do mesmo ano Teófilo Ribeiro e Ismael Franzen.
em que o precedente, 1897. Fundada em Ouro Preto, ali publicou o pri-
Pertencia a vários jornalistas, que tinham à meiro número a 15 de março de 1896.
frente Azevedo Júnior. Apesar de feita e publicada na antiga Capital,
Publicação semanal, editada nas oficinas de os números de agosto de 1897 a março do
A Capital. ano seguinte, época da distribuição do pri-
Formato de 30,5 x 21, quatro páginas e qua- meiro fascículo aqui editado, foram datados
tro colunas. de Belo Horizonte.
Com o número 8, de 22 de agosto, foi com- Possuía oficinas próprias, com prelo movido
pelido a suspender a publicação, por ter es- a vapor.
tampado, nesse mesmo número, uma circu- Tiragem de 800 exemplares.
lar política atribuída ao Secretário do Interi- Com o fascículo de dezembro de 1901, sus-
or, Dr. Henrique Dinis, recomendando, ofi- pendeu a publicação, que foi restabelecida
cialmente, em nome do Governo, candidatos muitos anos depois, a 1° de fevereiro de
à suprema magistratura do Estado, para o 1917, sob a direção dos Drs. Pedro Gonçal-
quatriênio 1898-1902. ves Chaves, Teófilo Pereira Júnior e Ismael
Apesar de tratar-se de um jornal humorísti- Franzen, um de seus fundadores.
co, a dita publicação estourou como uma Até quando circulou, ignoramos.
bomba nos arraiais políticos, pelo tom de
seriedade com que foi redigida e por vir JAVARY 007
desacompanhada de qualquer comentário que Publicado em Ouro Preto, de 9 de fevereiro
lhe desse aparência de pilhéria. 1896 a 8 de outubro de 1897, para aqui se
58 nmtíiio 0á taram ofsfio UQMOHU: ws-mi

transferiu, ciando o primeiro número a 20 de Impresso na tipografia do Bello Horizonte,


abril de 1898 e o segundo e último a 17 do com a tiragem de 150 exemplares.
mês seguinte. Todas as edições saíram com a mesma feição
Foi o primeiro dos três jornais vindos da an- material.
tiga Capital.
Era literário e de direção do Sr. Paulo de ACADEMIA 009

Oliveira, artista gráfico. A 13 de maio de 1897, saía em Ouro Preto o

Impresso na tipografia do Fórum, com a pe- primeiro número de Academia, que lá se


publicou até 16 de outubro seguinte.
quena tiragem de 150 exemplares.
Era órgão dos estudantes de Direito de Mi-
O título Javary dado a este jornal foi uma
nas. Transferida para aqui a Faculdade de
homenagem prestada ao vaso de guerra de
Direito, passou o jornal a ser publicado na
igual nome, componente da esquadra chefi-
nova Capital, justamente um ano depois, isto
ada pelo grande Almirante Custódio José de
é, a 13 de maio de 1898, com o número 9-
Melo e que se revoltou contra o governo do
Daí a dois meses, a 14 de julho, publicava o
Marechal Floriano, a 6 de setembro de 1893,
número 13, que foi o último.
na baía do Rio de Janeiro.
Publicação quinzenal, com a seguinte
comissão redatora-, redator-chefe, Sr. Artur da
TELA 008 Silva Bernardes; redator-secretário, Sr.
Periódico dedicado aos interesses do povo, Antônio Nogueira e depois Sr. Benjamim
de publicação quinzenal e dirigido pelos Srs. Lima; redator-tesoureiro, Sr. Fernando Viana;
Tito de Sousa Novais, Cornélio Rosemburg, redatores, Srs. Miguel de Lana e Silva, João
Francisco de Paula Sousa e Leopoldo Cassão. Baeta Neves e Henrique Magalhães Pinto.
Publicou somente sete números; o primeiro Formato de 29 x 21,5, quatro páginas de
a 21 de abril de 1898 e o último a 20 de numeração contínua e quatro colunas.
agosto seguinte. O cabeçalho teve os mesmos dizeres em
Tinha o formato de 24 x 18,5, quatro páginas todos os números. Só variou no tipo do título-,
e três colunas. nos números 9 e 10, de um feitio e nos
mmmmmôoicos 59

outros, de outro, estes, aliás, mais elegantes A primeira nomeação para aquele cargo re-
e mais vistosos. caiu, a 29 de agosto, no festejado autor de
Os dois primeiros números impressos na ti- "Catástrofe" e "História íntima", J o s é de
pografia do Bello Horizonte e os demais, na Andrade Braga, que brilhantemente o exer-
Tipografia Beltrão, com a tiragem de 200 ceu até 25 de outubro de 1898, data em que
exemplares. foi suprimido pelo Decreto n° 1.207, de acor-
Academia foi um jornal de franca aceitação do com o disposto no artigo 28 da Lei n Q

nos meios estudantis, por trazer variada ma- 246, de 20 de setembro do mesmo ano.
téria, principalmente sobre assuntos de Di- O Decreto n° 809, de 22 de fevereiro de
reito. 1895, aprovou o Regimento Interno do
estabelecimento, e o de n 850, de 29 de
Q

MINAS P E R A I S Ç10_ agosto seguinte, aditou algumas disposições


O Minas Gerais, órgão oficial dos Poderes do Regulamento aprovado pelo Decreto n u

do Estado e primeiro jornal diário publicado 595, de 8 de o u t u b r o de 1892, em


em Belo Horizonte, deve sua existência à observância ao disposto no artigo l da citada
u

Lei n° 8, de 6 de novembro de 1891, que Lei n 128, que criou o lugar de ajudante do
Q

criou a Imprensa Oficial. diretor-redator. Mudada a Capital, continuou


O artigo 4° da referida Lei criou, entre outros a Imprensa Oficial por algum tempo na velha
lugares, o de diretor da Imprensa e redator metrópole, da qual se despediu o Minas
do Minas Gerais. Gerais a 30 de junho de 1898. Efetuada a

Iniciou a publicação no dia 21 de abril de transferência daquela repartição para sua

1892, sob a competente direção do ilustre nova sede, aqui reapareceu o órgão oficia],

poeta e literato Dr. Jorge Pinto. a 12 de junho seguinte, com o número 116

A Lei n 128, de 12 de julho de 1895, entre


fl
do ano VII.

disposições várias, criou o lugar de ajudante Desde a nomeação do Dr. Edmundo Veiga,
do diretor-redator e suprimiu um dos dois em 14 de março de 1898, para o cargo de
lugares de auxiliar de redação, criados pela diretor da Secretaria do Interior, substituiu-o,
Lei n 40, de 21 de julho de 1892.
D
como era regulamentar, o ajudante José de
60 ÍIMSlMúà ÍMPRM& OÍBttO HOSI10HK: 1895-1954

Andrade Braga, até ser nomeado, a 24 de exclusivamente de órgão oficial. Essa emen-
setembro seguinte, o Sr. João Nepomuceno da não logrou aprovação do plenário, sendo
Kubitschek, que pouco antes deixara o ele- rejeitada na sessão de 10. A idéia dessa trans-
vado posto de Vice-Presidente do Estado. formação foi do Diretor do Minas Gerais, Dr.
José Braga foi, portanto, o primeiro redator Carlos Toledo, que a consignou em relatório
do Minas Gerais em Belo Horizonte. apresentado ao Governo.
F a l e c e n d o a 3 de junho de 1899 o Sr. Durante a administração do Dr. Leon
Kubitschek, foi encarregado da direção da
Roussoulières, passou o estabelecimento por
Imprensa o oficial-de-gabinete do Presidente
notáveis reformas, que o elevaram ao nível
do Estado, Sr. Coronel Francisco Bressane
dos de maior nomeada do País. Entre esses
de Azevedo que, a 9 de setembro, foi
melhoramentos destaca-se, por sua impor-
efetivado no cargo, exercido até 7 de igual
tância, a aquisição de uma grande e aperfei-
mês de 1902, quando foi nomeado Prefeito
çoada máquina Marinoni, do mais moderno
da Capital.
tipo, inaugurada a 14 de julho de 1914.
A Lei n° 328, de 16 de agosto de 1902, dis-
A partir dessa administração, o Minas Gerais
pensou a publicação do Minas Gerais às se-
tem, periodicamente, editado belos suple-
gundas-feiras quando não houver feriado na
mentos sobre História, Literatura, comemora-
semana.
ções, Educação, etc, primorosamente ilus-
O então Deputado Bernardino de Sena
trados, nada deixando a desejar, tanto o texto
Figueiredo, em sessão da Câmara dos Depu-
como a parte gráfica.
tados realizada a 8 de agosto de 1903, por
Por outras e sensíveis modificações, tomadas
ocasião da segunda discussão do projeto n g

33, substitutivo por ele apresentado aos pro- no sentido de elevar seu nível, tem passado

jetos 14 e 15, apresentou ao artigo 15 uma a Imprensa Oficial e, conseqüentemente, o


emenda, cujo parágrafo único estava assim Minas Gerais. Limitamo-nos a mencionar ape-
redigido: Para essefim (a fundação da Revis- nas os atos principais de sua fundação e pri-
ta Agrícola) poderá (o Governo) modificar o mitiva organização, que são justamente os
Minas Gerais, de modo a dar-lhe feição mais interessantes.
ISSBmOÕSPfKlÔBICÕS 61

A feição material do Minas Gerais tem pas- Casasanta e Orlando Magalhães Carvalho,
sado por múltiplas transformações, que não este na qualidade de secretário.
podemos relatar por exaustiva e fora de nos-
so alcance, pela falta da respectiva coleção. DIARIO D E M I N A S ( l )
g
012
O início da publicação do Diario de Minas
R E V I S T A DA F A C U L D A D E U V R E D E estava marcado para os últimos dias de ju-
DIREITO 011 nho de 1898, mas só a 15 de novembro se-

O primeiro fascículo desta revista foi publi- guinte é que saiu o número-programa.
A propósito do lançamento dessa edição es-
cado em Ouro Preto, no segundo semestre
creveu o jornal:
de 1894. O respectivo editorial é datado de
O número avulso que boje distribuímos
21 de junho.
ao público legente é uma inovação por
A comissão redatora era eleita anualmente.
nós introduzida na imprensa jornalística
A do primeiro ano compôs-se das Drs. João
do Brasil, conquanto de bá muito usada
Pinheiro da Silva, Sabino Barroso Júnior e
no estrangeiro, e na França especial-
Antônio Augusto de Lima.
mente.
Para aqui transferida, deu seu primeiro nú-
Houve, nesse informe, manifesto engano e
mero em outubro de 1898, tendo como re-
completo desconhecimento de ocorrência igual
datores os Drs. Teófilo Ribeiro, Edmundo Lins
muito antes verificada, mesmo dentro de nossas
e Estêvão Lobo.
fronteiras. Realmente, o fato não constituiu
Cada edição constava de 180 a 200 páginas. nenhuma novidade, pois A Pátria Mineira,
Foi impressa em diferentes oficinas, dentre jornal de São João Del-Rei, em 14 de abril de
as quais as da Imprensa Oficial, Fórum e 1889 (10 anos recuados), antecipou sua
Leuzinger & Cia., do Rio. publicação ordinária, iniciada a 16 de junho,
Suspensa a publicação, em época que não com um número-programa — NU novi sub sole!
podemos determinar, reapareceu em outu- Lançado o número programa, a publicação
bro de 1949, sob a direção dos Professores comum do Diario de Minas teve início a 1 Q

Alberto Deodato, J . Pinto Antunes, Mário de janeiro de 1899.


62 ttMtiltlõ Bi íAPKHU X BUO HOSIIOXH: 1895-1954

Foi sempre jornal político, compreendendo A 14 de maio de 1902, suspendeu a publi-


sua existência várias fases. A primeira, que cação até 19, dia em que saiu com todo o
se prolongou até 5 de novembro, fazia franca material reformado e sob a direção política
e aberta oposição ao Governo do Estado e do Dr. João Luís Alves. Em 29 de novembro
foi dirigida pelo grande jornalista Dr. seguinte nova suspensão de publicação, com
Francisco Mendes Pimentel, que teve a seu o número 267, ano IV. Por muitos anos
lado, c o m o leal companheiro de lutas, esteve nessa situação, até que, a 3 de agosto
Azevedo Júnior, o cintilante burilador da
de 1909, reapareceu em terceira fase.
crônica diária — "Boêmios".
Sua volta à atividade teve por fito exclusivo
A segunda fase, iniciada a 8 do referido mês,
a intensificação da propaganda da candidatura
foi diametralmente oposta à primeira. Esteve
do indicado oficialmente à Presidência da
sob a direção dos Drs. Francisco Antônio de
República para o quatriênio 1910-14.
Sales, Adalberto Dias Ferraz da Luz e Sabino
Nessa tormentosa fase foi dirigido pelo sau-
Barroso Júnior, defendendo o mesmo Go-
doso e eminente homem de letras Dr.
verno combatido na fase anterior e o PRM,
Augusto de Lima, que teve como auxiliares
do qual se tornou órgão oficial.
Na redação esteve, primitivamente, a partir diretos os Srs. Ferreira de Carvalho, José

de fevereiro de 1900, o belo espírito de Artur Osvaldo de Araújo e Mendes de Oliveira.


Lobo, substituído em janeiro de 1901 por Com a nova fase, nova numeração do ano
Lindolfo Azevedo, o brilhante jornalista que de publicidade foi adotada.
escrevia "Ecos", crônicas diárias altamente Cessada a dura refrega da campanha eleito-
apreciadas. Como secretário, serviu Assis das ral, continuou normalmente sua faina. Ou-
Chagas. tros diretores vieram, como os Srs. J o s é
Ferreira de Carvalho, Arduino Bolívar,
Até 21 de fevereiro de 1900 circulava pela
Noraldino Lima e José Osvaldo de Araújo.
manhã, menos às segundas-feiras, passando,
O número mais elevado que conhecemos
de 22 em diante, a sair à tarde e não circulan-
do aos domingos. Foi, portanto, o órgão que dessa fase é o 3.090, de 12 de setembro de

inaugurou a imprensa vespertina na Capital. 1919.


amwDOsntiôms 63

A 15 de outubro de 1926 assumiu sua dire- Do Diário de Minas só o título foi imutável,
ç ã o o brilhante espírito de Magalhães pois a orientação sofreu múltiplas e antagô-
Drummond. A edição de 17 de julho de 1927 nicas transformações, de acordo com as va-
publicou um comentário à sua revelia, o que riações da política.
provocou enérgica declaração sua, com o As quatro fases descritas devem ser consi-
título "Palavras Peremptórias", desaprovando deradas como meras etapas, porquanto, po-
a malsinada publicação. Conseqüentemente,
liticamente, não teve mais de duas: a inicial,
retirou-se do posto que tanto dignificara. Sua
oposicionista, e as outras, abrangendo o resto
atitude teve ampla repercussão na cidade,
de sua longa vida, governistas.
sendo-lhe então prestada pelos académicos
O Diário de Minas, até o número 36, foi im-
e preparatória nos significativa homenagem,
presso na Tipografia Beltrão, por não esta-
com grande manifestação de apreço pelo
rem ainda montadas suas máquinas e ofici-
gesto de independência que acabara de pra-
nas.
ticar.
No início de sua vida há um fato digno de
Magalhães Drummond foi substituído pelo
registro: a publicação, em folhetins, de
Dr. Leandro Castilho de Moura Costa.
"Rosais", romance para ele escrito especial-
Não sabemos até quando se prolongou essa
mente por Artur Lobo que, até I de janeiro
o

fase.
de 1901, deu ao jornal todo o esforço de seu
Em maio de 1932 reapareceu em quarta fase,
trabalho e de sua comprovada competência.
sob a direção do Dr. Noronha Guarani, pro-
Diversos foram os formatos usados: na pri-
priedade do Sr. Mário Rolla e redação do
jornalista Mário Dias. Trouxe essa edição o meira fase, 57,5 x 42; na segunda, 46,5 x

número 1-2, de 1-2 de maio de ano XXXIII. 31,5; na terceira, 50 x 33 e 54,5 x 39,5 e na
Daí para a frente nada apuramos sobre esta quarta, 45 x 29,5.
tradicional folha, que em todas as fases de Ordinariamente com quatro páginas e seis
sua profícua existência muito elevou e hon- colunas, à exceção de determinada época
rou a cultura mineira e as tradições de nossa da terceira fase em que estampava sete co-
Imprensa. lunas.
(A nmtíw DÁ mmu ofBfio HOMOHIÍ: ws-mt

Azevedo Júnior, ao deixar o Diário de Minas Werneck do que Mark Twain, o adorável
que passava a novos donos, despediu-se de humorista.
seus leitores com a publicação destes adorá- Pouquíssimos sentirão a minha ausên-
veis "Boêmios", que são uma página de ver- cia. Um Cronista não faz falta, mormen-
dades e fina ironia: te quando ele não entoa na gaita do
Está finda a palestra, meu amigo. elogio cantata ao medalhão que passa
Fecho boje a janela e deixo-te em paz. por talento e ao barrigudo que se impinge
Não creio que nos encontraremos mais. patriota...
tu, meu paciente leitor, eu, teu cronista Frases, recordando pela delicadeza e
au jour le jour. mestria os arabescos das velhas catedrais,
Regresso à Tebaida do silêncio e como o que ainda boje pompeiam a
poeta, de que falou Coppée, caminhan- magnificência artística, de certo jamais
do dentro do meu sonho para que tenha escrevi aqui: prosa singela, roceira, ten-
ao menos a ilusão de que ainda há neste do apenas o mérito da coerência e da
mundo algo de bom e de suave... sinceridade.
Fui, muita vez, o clamor do povo, o po- É claro que desagradei aos dominadores
bre onagro ajoujado de impostos por es- desta República, que se me apresenta na
tes almocreves, que são próceres pela compostura de uma bacante ou de uma
mesma razão por que Calígula fez côn- destas burguesitas que aparenta serieda-
sul a Incitatus. de, mas que vão para as capitosas
Em outra, fui o riso, a troça, a alacridade garçonnières...
doidivanas, tudo isso que, cantando o O haver incorrido nas antipatias dessa
hino da alegria, tonifica a alma, a mísera gente— é talvez o meu quinhão de vitó-
alma brasileira lacerada por tantas ria; é sinal evidente de que disse verda-
angústias. des.
Nos dias que correm, saber rir já ê um Jorge Pinto, quando foiforçado a deixar
bem, se as quadras são mais para se ver o Minas, aconselhou aos moços, num
smwwpifíôõim 65

brado de desespero e de desalento, a lei- O imposto territorial, porém, mais im-


tura de Schopenbauer. plicante do que eu, afirma o contrário e
Acho que o ilustre vassourense tem ra- até serve-se da imagem de Francisco de
zão: o pessimismo do sombrio alemão é Castro quando, com o seu aticismo, nos
um consolo neste presente, em que até descreveu o general Glycério puxando
os afortunados da riqueza engrossam da farrusca no fogo da derrota.
como qualquer pobre diabo à cata de Podia, se não fosse desastrado, dizer que
um emprego.
o Congresso com Raposo à frente é um
O róseo otimismo é a pepsina que ajuda areópago a despejar mais luz que a que
a digestão de uns senhores que deglutem o competente Dr. Franco Uma, rival de
o cibo orçamentário, barganhando opi-
Edson, nos dá por lamina e por muito
niões ou fazendo como o Sicambro: quei-
dinheiro, que, de resto, graças à sabença
mando o que adoraram, e adorando o
de Murtinho, anda baratíssimo.
que queimaram.
Podia dizer outras cousas, mas não sei,
Entrei para aqui de cabeça alta e alma
falta-me a embocadura para isso, epre-
limpa: saio, como entrei.
firo regressar aos penates, caminhando
Falei a moços, estou bem convencido
dentro do meu sonho, quando mais não
disso, pois não há meio de os próceres se
seja para esquecer desilusões.
capacitarem de que a república, que eles
Deixo nesta casa a tradição de um
nos dão, difere pouco do absolutismo da
utopista, mas há outros mais utopistas que
Turquia.
eu, principalmente os que cantarolam
O D i á r i o passa a outras mãos, sem dúvi-
ditirambos às potestades, pensando
da muito hábeis, porque o dom da habi-
lidade não é qualquer que o tem. abafar o regougo de T)e profundis" que

Eu, por exemplo, sou um desastrado: o povo está entoando.


podia dizer que o eminente Sr. Presiden- Os meus adversários almoçam hoje me-
te do Estado é um general que nunca lhor... Só lhes desejo que não cometam a
teve Sedan. imprudência de uma indigestão, pois
IftNttíilõ ÕÁ tifflHSà XBftõ UOIttOHH: 1895-1954

devem considerar que já têm comido Eis aí o que nos foi dado compilar sobre o
muito. Diário de Minas. Mais nào pudemos fazer,
Após o almoço, irão votar na bela da cha- por nào termos a respectiva coleção a nosso
pinha do governo, a chapa que vai alcance. Ligeiro esboço e jamais história.
concorrer para o Coronel Mariano, o O Diário de Minas iniciou suas atividades
grande industrial que toda esta cidade em um prédio situado à Rua da Bahia que,
conhece, seja um dos mais vantajosos demolido depois, foi substituído pelo que
luminares do Conselho que ainda maior tem atualmente o número 868. Daí passou
renome dará à administração do Dr para a Avenida João Pinheiro, 176, esquina
Bernardo Monteiro, cujo vetusto da Rua dos Guajajaras, antiga Casa Artur Haas,
republicanismo não cesso de admirar. local agora (1947) ocupado por uma bomba
Eu, arrumada a trouxa, volto para casa de gasolina.
e quero crer que o Sr. Presidente do Es-
tado dignar-se-á de me permitir que con- A URTtOA 013
tinue a viver aqui nesta sua feitoria. Jornal crítico e humorístico de estudantes da
Podes, tu que foste meu leitor, e tu bur- Faculdade de Direito. Foi mesmo uma ver-
guês, apertar a mão que te estendo nes- dadeira urtiga que pôs a pele de muita gente
tas linhas de despedida. a arder.
A vida me é tarda e compreendo que Deu apenas dois números, o primeiro, a 29
nessa quadra os nervos tornam-se de maio de 1899, que trouxe o número
inamoldáveis aos salamaleques e às cur- 907.661 e o segundo, a 13 do mês seguinte,
vaturas palacianas. com a numeração imediatamente superior.
Sê feliz, bom burguês, e... vá votar, para Tinha por divisa a mesma do Arlequim
que não o façam por ti os fiéis defuntos. Dominico — Ridendo castigai mores, que atri-
Adeusf buiu à papisa Joana XXII.
O cabeçalho, como é natural, sofreu várias Estava, no seu modo de contar, no século
alterações. XXXVI, como atesta o cabeçalho.
67

Formato de 27,5 x 19, quatro páginas e igual logo que se divulgou a deliberação de Aze-
número de colunas. vedo Júnior, toda a população aguardou,
Impressão nas oficinas do Diario de Minas e ansiosa, a realização da promessa.
tiragem de 200 exemplares. O Jornal do Povo era essencialmente políti-
Assim terminou seu artigo de apresentação: co, militando à frente daqueles que combati-
A Urtiga é, pois, um protesto contra a am o governo então no poder.
tristeza geral, uma nota hitare e revolu- Azevedo Júnior, que foi o mais eficiente co-
cionária na pasmaceira habitual desta laborador de Mendes Pimentel no Diário de
pacata cidade. Minas, teve-o como seu no Jornal do Povo,
E... temos dito.
ilustrando suas páginas com memoráveis ar-
Que diferença de tempos! tigos de alta e autorizada repercussão em
todo o Estado.
J O R N A L P O POVO (!•) 014
Motivos vários determinaram a cessação do
Azevedo Júnior, um dos mais dedicados e
jornal, que cerrou suas portas a 30 de no-
operosos auxiliares do Diário de Minas, des-
vembro de 1900, com o número 302 e com
de que este grande órgão passou à nova
menos de um ano de existência.
propriedade e à outra orientação, tratou
O povo, que aplaudia e prestigiava a ação
incontinenti, de fundar um jornal exclusiva-
benéfica do paladino de suas aspirações, re-
mente seu, para poder, livre e sem peias,
exercer à vontade a profissão que sempre cebeu com tristeza e mágoa a dura realidade

honrou e nobilitou. E em menos de um mês, do fato. E em nosso cenário não mais volveu
a 3 de dezembro de 1899, satisfazia seu justo Azevedo Júnior a militar. Desiludido, foi-se
anseio, apresentando ao público o primeiro daqui para Juiz de Fora, onde, a 2 de julho
número do Jornal do Povo, editado com seis de 1901, assumiu a direção de O Pharol,
páginas. que ressurgia sob a chefia do impoluto

Tal foi a acolhida, que se fez mister segunda político mineiro Cesário Alvim, falecido a 3
edição, fato até então aqui desconhecido. Não de dezembro de 1903, em plena atividade
constituiu isso nenhuma surpresa, porque, de suas funções jornalísticas.
68 tWftíito Bi IMPtMi Bf Bflô HOMOnU: 1895-1954

Anos depois, de parceria com Mário Brandão, criando-lhe toda a sorte de embaraços. Afinal,
fundou A Comedia, revista semanal ilustrada, um seu devotado e prestimoso amigo, Sr.
crítica e humorística, que muito sucesso al- Carlos Maciel, proprietário da Confeitaria
cançou na ocasião. Teve, porém, vida Acadêmica, situada à Rua da Bahia, hoje, 924,
efêmera, pois saíram apenas nove números, cedeu-lhe cômodos de seu estabelecimento
de 4 de junho a 31 de julho de 1904. comercial e neles foram instaladas a redação e
Pro pátria, pro populo, a divisa do Jornal do oficinas do Jornal do Povo, provisoriamente.
Povo, jamais deixou de ser fielmente cum- A Confeitaria Acadêmica era o quartel gene-
prida. ral das novidades e tricas políticas daquele
Esta folha foi a quarta publicada diariamente tempo e onde mais se falava mal do Gover-
nesta Capital, tendo como gerente, até 1° de no e da vida alheia.
fevereiro de 1900, outro jornalista de escol, A 9 de janeiro de 1900, passou o jornal para
Artur Joviano, que posteriormente fundou e a Avenida Liberdade (João Pinheiro), hoje
dirigiu a excelente Folha Pequena. 202-10, prédio então conhecido por Palacete
O Jornal do Povo do primeiro ao último nú- Tricoli, nome do seu dono, um ricaço italia-
mero manteve inalterada a feição material. no. Anunciando essa mudança, o Jornal do
Formato de 41 x 26,5, quatro páginas e cinco Povo estampou, no número 30, de 6, uma
colunas, com a tiragem de 2.000 exemplares. nota em que verberava acremente o proce-
Impresso nas máquinas que pertenceram ao dimento daqueles que pretenderam impedir
Estado de Minas, de Ouro Preto, cedidas por sua instalação e também agradecia a quem o
seu proprietário, Dr. Antônio Olinto dos San- salvara de tão aflitiva situação. Finalmente, a
tos Pires. 10 de abril seguinte mudou-se para a Rua
Azevedo Júnior fez tudo o que foi possível do Espírito Santo, 945, atual, aí encerrando,
para arranjar um cômodo destinado à instala- meses depois, sua gloriosa vida.
ção do jornal. Nada conseguiu, porque todos Façamos, agora, uma resenha da matéria
tinham medo de satisfazer seu grande e justo publicada pelo jornal.
anseio, temendo as iras do Governo, que Estampava ótimas seções permanentes como
sempre se intrometia na vida do jornalista, "Boêmios", "Biscates", "Araras e Papagaios"
69

"Ontem e Hoje". "Boêmios" e "Biscates" eram "Ontem e Hoje" era a análise crítica e com-
de autoria de Azevedo Júnior. Em "Boêmi- parativa da efeméride do dia, com fatos e
os", brilhante crônica diária, Azevedo Júnior acontecimentos similares da época. Trazia a
comentava todos os acontecimentos em assinatura Y. "Araras e Papagaios", interes-
evidência, em seu admirável estilo, adequa- sante seção que tudo observava e comenta-
do a cada caso em foco. Há "Boêmios'' que va, era assinada por Periquito, Maitaca e
sào legítimas páginas literárias. Usava seu Cardial, conforme o assunto tratado. As duas
autor, o pseudônimo de Pif. seções também eram de autoria de Azevedo
"Boêmios" e "Biscates" ilustraram também a Júnior, que fazia todo o jornal, do artigo de
primeira fase do Diário de Minas. "Biscates" fundo à mais pequena notícia.
representavam a sátira fina e mordaz, em Até o número 100, de 31 de março, Bento
termos, porém, que não feriam a suscetí- Ernesto Júnior deu ao Jornal do Povo o bri-
bilidade de ninguém. Mesmo para aqueles lho de seu talento, publicando as apreciados
que foram seus contemporâneos, como nós, "Bilhetes Literários".
já há "Biscates" que se tornaram verdadeiras Aurélio Pires, o mestre do vernáculo, o mi-
enigmas, pela sutileza da concepção ou pela moso e perfeito estííista, escrevia "Foíhas
momentânea repercussão do assunto tratado. Esparsas", com o sugestivo pseudônimo de
Em sua maioria, produções dessa natureza Peregrino. "Folhas Esparsas" faziam as delí-
não ultrapassam sua época. cias do espírito dos leitores.
No corpo dessa seção seu autor publicou, Heitor Guimarães, com toda a sua mestria
até o número 111, de 15 de abril, "Quilos jornalística, redigia "Por Alto", com o pseu-
de Prosa", com o pseudônimo de H. Pato, dônimo de Vaugirard.
irônica imitação de idêntica seção do Diário Mendes Pimentel, que ordinariamente só usa-
de Minas, "Metros em Prosa", de autoria do va as iniciais M. P., estampava memoráveis
Sr. Álvaro Novais, que usava o pseudônimo artigos políticos que empolgavam a opinião
de H. Pito. "Metros" e "Quilos" eram redigidos pública de todo o Estado, pela transcrição
em prosa rimada. dos mesmos em vários jornais do interior.
70 IMtiiátlO Bi IMMliSi BfSfW HQMÔNlf: 1895-1954

Muitos outros colaboradores políticos ilustra- Nada mais improcedente, nada mais chocante.
ram as colunas do Jornal do Povo, como as Pessimista jamais. Nem sequer um visionário
grandes figuras de Francisco Sá e João Batis- e sim um propositadamente incompreendido
ta Martins. por certa grei de seu tempo. Incompreensões
A parte literária propriamente dita não foi por deliberadas e escusas conveniências, que
objeto de principal preocupação da direção. não toleravam seu gesto de bater-se pelo
Só esporadicamente apareciam composições bem coletivo e pelo triunfo da igualdade de
de Afonso Pena Júnior, Salvador Pinto Júnior, direitos, sempre e em todas as eras sonegados
Teodoro Ribeiro Júnior, Bento Ernesto Júnior, aos pequenos.
Ernesto Cerqueira, Juvenato Horta, Álvaro E ele, indiferente a todos os conceitos que
Viana e outras intelectuais. giravam em torno de sua conduta, continua-
No artigo editorial pontificava Azevedo Júnior, va, impávido e sereno, na pureza de seus
refletindo seu temperamento e sua fibra de sentimentos e no encantamento de seus ide-
lutador incansável e destemido. Pureza e sin- ais, a pugnar com firmeza pela moralização
ceridade eram o seu lema, pois todos os atos de nossos costumes políticos e administrati-
de sua vida foram assim pautados. vos.
Paladino intransigente das boas causas, nun- Seria pleonasmo dizer que nada alcançou.
ca deixou de estar ao lado delas e dos Não há quem resista ao baluarte da politica-
desprotegidos da sorte, vítimas de quaisquer gem, essa praga daninha que sempre me-
atentados a seus direitos. Defendia o pobre, o drou no Brasil, entorpecendo a marcha de
perseguido, com todo o ardor e desinteresse. seu progresso.
Pela franqueza e desassombro com que es- Azevedo Júnior, que sempre viveu em hon-
crevia, em linguagem clara, positiva e sem rada pobreza, poderia galgar os mais altos e
rebuços, encarando o mundo e suas necessi- elevados postos de qualquer setor da vida,
dades de maneira bem diversa da dos ou- se se alistasse na leva dos turiferarios do
tros, isto é, pelo prisma da realidade e não Poder, mas sua feição moral repelia qualquer
das conveniências, foi injustamente acoima- atitude dessa natureza. Jamais dobraria a
do de pessimista. cerviz altiva visando a interesses subalternos.
KSBWÍDÕSPfillÓDKOÍ 71

E assim foi a vida do grande lidador. O ENSAIO 015


Glória, pois, ao excelso jornalista que, após Fundado e dirigido pelos moços Júlio
44 anos de vida, vivida plena de amargores Bueno Brandão Filho, Abel Drummond,
e desenganos, mas sempre ereto e sobran- Donato Andrade e Ataliba Brandão, era
ceiro, deixou de existir a 30 de abril de 1909, imparcial, literário e noticioso, e de publi-
como verdadeiro apóstolo e mártir de suas c a ç ã o mensal. Saíram seis números, o
crenças e ideais. primeiro, a 20 de janeiro de 1900, e o
O Jornal do Povo é o símbolo da Imprensa último, em dia que não c o n s e g u i m o s
local. Sua existência, percorrida em brilhante averiguar, mas depois de 17 de julho, data
trajetória, curta no tempo mas extensa em do número 5.
cometimentos e na sinceridade de suas lutas e
Impressão da Imprensa Oficial, com a tira-
campanhas, deve ser evocada, apesar dos anos
gem de 200 exemplares, formato de 21,5 x
perpassados, como padrão, por todos os que
15, quatro páginas e três colunas.
militam nas lides jornalísticas de Belo Horizonte.
Todos os números obedeceram, rigorosa-
Não há nada como o tempo, que é o melhor
mente, ao mesmo feitio material, que apre-
c o n s e l h e i r o , abrandando as p a i x õ e s e
sentava agradável aspecto.
retornando os homens ao domínio da Razão.
O Ensaio foi um jornalzinho bem-feito e bem
Sim, porque, muitos dos que hoje glorificam
escrito.
o grande morto apodaram-no em vida, quan-
do lutava pelo triunfo da Verdade e da Justi-
ça. Foi preciso que o valoroso jornalista mor- A L M A N A C K DA C I D A D E P E M I N A S 016

resse para ser julgado com serenidade. A 22 A inclusão do Almanack da Cidade de Minas
de abril de 1923 foi inaugurada, na Praça da neste trabalho não deve causar reparo. Justi-
Liberdade, a herma de Azevedo Júnior. Na fica-se plenamente, porque os almanaques
solenidade falou o então Deputado Dr. Fidélis da natureza deste, nada mais são do que anu-
Reis que, em eloqüentes palavras e frases ários, e estes sempre figuraram em todos os
lapidares, pôs em destacado relevo a vida e trabalhos sobre imprensa. Quanto ao nome
obra do emérito jornalista. empregado, mera questão de época. Nin-
72 llMtÁgiÔOá iimMà DfBftÕ HÕMÕM: 1895-1954

guém adota, no presente, a denominação de tituições particulares e religiosas e outras in-


almanaque para publicações especializadas dicações úteis; a 4*, dedicada à literatura e
como esta e sim a de anuário. variedades e a 5 , de anúncios especiais de
a

A única publicação desse gênero, que ainda notabilidades comerciais, industriais e pro-
conserva o nome primitivo, é o centenário fissionais. Na parte literária, nada de inédito:
"Almanaque Laemert", por força da tradição. tudo transcrição de trabalhos de autores brasi-
As publicações que hoje por aí pululam, com leiros e estrangeiros. Nessa parte foram inter-
o nome de almanaques, são apenas folhetos calados logogrifos, charadas e anedotas.
de propaganda de laboratórios farmacêuticos O Almanack da Cidade de Minas é um valio-
que não se confundem com os de tipo anuá- so subsídio para a história de nossas ativida-
rio. des nos primeiros tempos da Capital.
Justificado, assim, o nosso ponto de vista,
descrevamos o almanaque em apreço. T R I B U N A CATHOUCA 017
Só foi distribuído um volume, em janeiro de Para substituir o extinto D. Viçoso, órgão ofi-
1900. Teve por organizador o Sr. Joaquim cial da Diocese de Mariana e que nessa ci-
Ramos de Lima, então Secretário da Prefei- dade se publicava, o Padre Francisco Martins
tura, que o fez imprimir nas oficinas da Im- Dias fundou a Tribuna Catbolica, cujo apa-
prensa Oficial. recimento se deu a 19 de março de 1900.
Formato de 16 x 9, 230 páginas, além de 28 Publicava-se semanalmente, aos domingos.
destinadas a anúncios. Seu diretor quis torná-la diária, mas não con-
Na capa, desenhada por Pinheiro, vê-se es- seguiu levar avante tão louvável propósito,
tampado o brasão da cidade, além dos dize- não obstante a publicação de um veemente
res próprios da publicação. "apelo patriótico ao clero e ao povo mineiro"
O Almanack dividia-se em cinco partes: a expondo o programa e as diretrizes da nova
l , com calendários e informações; a 2', con-
1
fase projetada e solicitando a adesão de to-
tendo a descrição da administração do Estado dos. Esse apelo ocupava três colunas do jor-
e da cidade; a 3 , com a relação dos comer-
a
nal e, apesar de aprovado pela autoridade
ciantes, industriais e profissionais e das ins- diocesana, não foi ouvido nem correspondido.
mmmmôõm 73

A publicação diária estava subordinada à con- A Tribuna Catholica tinha oficinas próprias,
dição de angariar 1.000 assinaturas pagas, a que funcionaram primeiro à Rua da Bahia,
10$000 (dez mil réis) anuais. Frisou que seria atualmente 1200 e, em seguida, à Rua
o jornal mais barato do Brasil e o primeiro Sergipe, esquina da de Timbiras, em prédio
diário católico do Estado. depois demolido e que deu lugar ao atual
Realmente, nada mais barato do que uma número 129. Foram essas oficinas as mesmas
folha diária a 10$000 por ano, mesmo para que serviram ao Bello Horizonte.
aquela época. Nem assim apareceram os Formato de 40 x 27, quatro páginas e cinco
1.000 subscritores desejados. colunas. Cabeçalho sempre o mesmo e tira-
Ao despedir-se das íídes jornalísticas, quei- gem de 1.600 exemplares.
xou-se o diretor da Tribuna Catholica do fra- A Tribuna Catholica foi um bom jornal, ten-
casso daquela tentativa, que tanto trabalho do cumprido fielmente a missão que lhe pe-
lhe dera e tantas despesas não recompensa- sava sobre os ombros, de defesa e elevação
das acarretara. Diário Catholico seria o nome dos princípios católicos.
da sonhada folha.
De novembro de 1901 a 2 de fevereiro de LOTUS 018
1902, esteve com a publicação suspensa. Excelente periódico, fundado por uma plêi-
Com o n° 85, de 23 de maio desse último ade de talentosos moços, em sua maioria es-
ano, encerrou o ciclo de suas atividades. Das tudantes de Direito.
palavras com que se despediu, destacamos Genuinamente literário, era dirigido por uma
estas, que bem traduzem a mágoa de seu comissão composta de três membros, eleita
diretor: mensalmente pela sociedade de Lotus, que
Somos, pois, forçados a suspender a pu- para sua publicação se fundara. A do pri-
blicação de Tribuna Catholica, por falta meiro número compôs-se dos Srs. Edgar da
absoluta de recursos, e o fazemos com Mata Machado, Francisco de Sales Correia
verdadeiro pesar, pois a imprensa tem Mourão e Cícero Arpino Caldeira Brant e a
para nós um imã que nos atrai, nos se- do último, dos Srs. Ernesto Cerqueira,
duz, nos encanta e nos arrasta. Benjamim de Lima e Marcos Rios.
74 tUMÁtWõi imiHSà KBftÕ HOÍÜOHIf 1895-1954

Jornal muito bem escrito, estampando pro- aditou ao título o artigo. Justificando a mu-
duções originais não só de seus fundadores dança de nome, disse que dessa forma pro-
como de competentes colaboradores, pro- cedia para evitar confusões com o Minas Ge-
metia fazer carreira e no entanto não passou rais. Já era ter pretensões!
de cinco números, o primeiro de 5 de abril Publicava-se ora semanal, ora quinzenalmen-
de 1900 e o último de 8 de julho seguinte. te.
Impressos os números 1 e 2 nas oficinas da Propriedade e direção de Viana & Irmãos,
Tribuna Catholica e os restantes nas oficinas Srs. José e Armando Viana.
da Imprensa Oficial, com a tiragem de 500 Variou tanto de cabeçalho como de formato.
exemplares. Conhecemos três cabeçalhos e os formatos
O número 2 trouxe um suplemento, impres- de 17,5 x 13, com três colunas, e 25x18,5,
so na última das citadas oficinas. com as mesmas três colunas e depois quatro.
O número 4 foi distribuído a 2 de junho, dia Todos, no entanto, com quatro páginas.
do assentamento da pedra fundamental da
Capela, hoje, Matriz de Lourdes. Na cavidade A VIOLE» (I ) a
020
dessa pedra foi lançado um exemplar deste Jornal literário fundado por diversos sócios
jornal, bem como de outros em curso na data. do "Club das Violetas", importante associa-
Formato de 32 x 22, quatro páginas e quatro ção recreativa que existiu nesta Capital. Com-
colunas. pletando o título, trazia estas palavras:
Rigorosa feição material em todas as edições. flor... de papel impresso, cultivado por
Lotus foi dos melhores jornais do gênero aqui um grupo de jardineiros do Ideal, para
publicados. as senhoritas que enchem os salões do
Club de espirito e graça.
O D I S C Í P U L O (1»> 019 De Raul Pompeia adotou o lema — Viver é
Encetou a publicação com o nome de Minas, vibrar.
a 17 de abril de 1900, passando a denominar- Perfumou os salões do clube apenas duas
se Discipulo a 23 de setembro de 1901, com vezes, a 14 de julho e 9 de setembro de
o número 22, do ano II. Posteriormente, 1900.
mammnnôBiíos 75

Impresso o primeiro número nas oficinas do ponsabilidade do presidente da Liga e de


Diário de Minas e o segundo, nas da Im- uma comissão executiva.
prensa Oficial, com a tiragem de 100 exem- As idéias deste jornal, francamente socialis-
plares. Impressão em tinta da cor da flor tas, só tiveram agasalho entre o proletariado
que lhe emprestou o nome. estrangeiro, na época aqui muito numeroso.
Formato de 27,5 x 21, quatro páginas e ou- Após a publicação do primeiro número, hou-
tras tantas colunas. ve verdadeira debandada dos poucos operá-
A Violeta trazia boa colaboração, assinada por rios patrícios, que se retiraram da Liga, por
diversos moços cultores das letras. não concordarem com o credo, estranho ao
nosso ambiente social e político, que se pro-
O OPERARIO (l ) f l
021 curava implantar no seio da entidade. Pela
A 15 de julho de 1900, reuniram-se, no Tea- imprensa, fizeram muitos deles declarações
tro Sou ca se a ux, mais de 700 operários, com nesse sentido.
o propósito de fundarem uma associação para O motivo da brusca retirada de sócios não
defesa dos interesses da classe. Presidiu à deixou de abalar o prestígio moral da Liga.
reunião o Sr. Donato Donati, um inteligente Por isso, e mais ainda por deficiência de
e irrequieto súdito italiano, que foi sempre o recursos, O Operário deixou de circular com
vanguardeiro de todos os movimentos em o número 5, ao que nos parece de 7 de
prol do proletariado. Depois de discutido o outubro do mesmo ano.
assunto, deliberou-se a fundação da Liga O primeiro número ordinário veio a lume a
Operária e de um jornal, órgão da mesma. 29 de julho.
Uma semana depois, a 22, distribuía-se o Publicava-se no primeiro domingo e no ter-
número-prospecto de O Operario, dirigido ceiro de cada mês.
pelos Srs. Donato Donati, Francisco Diogo Formato de 24 x 18, quatro páginas e três
de Vasconcelos, Marcos Rios e outros. Curi- colunas. Impressão da Tipografia Beltrão e
oso é que o segundo e o terceiro não eram tiragem de 1.000 exemplares.
operários, e sim acadêmicos de Direito. Os O elemento nacional da Liga Operária era
outros números foram publicados sob a res- quase nulo, preponderando o italiano, em
76 WHltítlO Pi lAHftfSá OfBflõ HOÜIOHK: ¡895-1954

percentagem esmagadora, para bem dizer Paraopeba, hoje, Augusto de Lima, 142, atu-
absoluta. al.
Tiragem de 120 exemplares.
O PINGO 022 Adotou três cabeçalhos distintos, um para o
Propriedade e direção dos Srs. Edgard número 1, outro para o número 2 e outro
Schimitd, Otávio Pena e Olavo Drummond. para os restantes.
Apenas quatro números saíram; o primeiro, Formato de 13 x 7,5, para o número 1 e 18
a 3 de agosto de 1900 e o último, a l g
de x 12, para os seguintes.
janeiro do ano seguinte. O número inicial não trouxe o artigo O do
Impresso o primeiro número na tipografia
título.
de Joviano & Cia. e os outros, na dos Srs.
Viana & Cia.
A FORMIGA 024
Formato de 17 x 12,5, quatro páginas e duas
Não ultrapassou o número 6, pouco mais da
colunas.
média de edições dos pequenos jornais.
Publicação quinzenal e tiragem de 150 exem-
O primeiro saiu a I de novembro de 1900
o

plares.
e o último, a 1° de fevereiro seguinte.
Cabeçalho de vários formatos.
Pequeno formato, 12,5 x 9, quatro páginas e
duas colunas. Cabeçalho sem modificação.
O ZEPHYRO 023
Impresso na tipografia do Fórum, com a ti-
O Zephyro publicava-se quinzenalmente, ten-
ragem de 100 exemplares.
do como proprietários e redatores os Srs.
Direção do Sr. Amaro Horta Drummond.
Tancredo Martins, Agenor de Sena e Elói Cor-
tes.
O PERIQUITO 025
Apenas cinco números foram publicados, de
10 de outubro de 1900 a 28 de fevereiro de Data de 8 de novembro de 1900 sua publi-

1901, sendo o primeiro impresso na Tipo- cação, que era quinzenal.


grafia Viana & Irmão e os demais, na Tipo- Com o número 9, de 4 de abril do ano se-
grafia G o m e s , e s t a b e l e c i d a à Avenida guinte, deixou de existir.
ssmitíoosmtôotcos 77

Propriedade e direção do Sr. Raimundo N. Direção do Sr. Felisberto Soares de Gouveia


Felicíssimo. Horta Júnior.
Impresso na tipografia do Fórum e tiragem Impressa na tipografia de Viana & Irmão,
de 200 exemplares. com a tiragem de 100 exemplares.
Formato de 15,5 x 10,5, quatro páginas e Formato de 16 x 12, quatro páginas e duas
duas colunas. colunas.
Não sofreu a mínima alteração em seu feitio
material. A ESTRÉA 028
Pequenina, mas de muito bom aspecto material.
UN FIORE 026 Estreou e com o mesmo número morreu, a 9
Publicou oito números, sendo os quatro pri- de dezembro de 1900.
meiros em italiano e os outros em português. O mais interessante foi ter anunciado publi-
Propriedade do Sr. Carlo Massoti e direção cação diária.
do Sr. Julio Buoncompagni. Pertencia ao Sr. José Viana, também seu re-
Primeiro número a 18 de novembro de 1900 dator.
e o último a 6 de janeiro seguinte. Impressa na Tipografia Viana & Irmão, tendo
Edição dos domingas, com a tiragem de 100 tirado 100 exemplares.
exemplares. Formato de 11 x 7, quatro páginas e duas
Impresso em prelo de madeira, construído colunas.
por seu proprietário.
Vn Fiore foi o primeiro jornal de Belo Hori- A FLOR 029
zonte a empregar idioma estranho ao nosso. Jornal de propaganda do Beliche Mineiro,
Formato de 11 x 8,5, quatro páginas e duas estabelecimento de sementes de flores, de
colunas. propriedade do Sr. Francisco Antônio
Deslandes.
A RASÃO 027 Nem sempre trazia número e data. A publi-
A Rasâo não passou do número inicial, de cação não estava subordinada a prazo certo:
24 de novembro de 1900. saía de quando em vez.
78 mjmltfú Bà IMPtWi BfBêiO H0HI10HU: 1895-1954

O primeiro número foi distribuído em de- A VIRGULA 031


zembro de 1 9 0 0 , e até quando viveu não Em dias de janeiro de 1901, nasceu e mor-
sabemos. O último número de nossa coleção reu este jornal. De sua existência só temos
é de fevereiro de 1910. conhecimento pela referência que de sua
O formato não obedecia a um padrão, pois vida e morte fez O Fyrüampo.
várias foram suas dimensões. Para os úl-
t i m o s n ú m e r o s , n o e n t a n t o , foi esta- 0 PYWtAMPO 032

bilizado um tipo, 41 x 27, quatro páginas Publicação iniciada a 15 de janeiro de 1901


e quatro colunas, mas com cabeçalhos e terminada a 15 de julho seguinte, com o
distintos. número 10.
Direção do Sr. Felipe Brandão e impressão
A impressão se fez em diversas oficinas,
das oficinas da Imprensa Oficial, com a tira-
como Joviano & Cia., desta Capital; Tipogra-
gem de 200 exemplares.
fia Brasil, de Juiz de Fora, e outras não citadas
Formato de 15 x 9,5, quatro páginas e duas
nas respectivas edições.
colunas.
A tiragem era elevada e de distribuição gra-
A edição inicial não foi numerada nem de-
tuita.
clarou o ano de publicidade.
Os demais números todos uniformes.
O MOSQUITO 030
Jornal de pequeno formato, 13 x 8 e publi-
A REFORMA 033
cação quinzenal.
Órgão maçónico, até hoje, no gênero, o úni-
Propriedade e direção do Sr. Pedro Bernardo
co publicado nesta Capital e quiçá no Esta-
Guimarães, que fazia todo o trabalho de com-
do.
posição, paginação e impressão.
Propriedade e direção do ex-Padre Guilher-
Primeiro número, a I de janeiro de 1901 e
o

me Dias, conhecido professor e educador.


o último, a 15 de junho seguinte. Fundado na heróica e invicta cidade do Por-
Quatro páginas, duas colunas e tiragem de to, Portugal, em 1877, ali se manteve até
pouco mais de 100 exemplares. 1898.
KSMilsmmiôõicm 79

Transferindo-se para o Brasil, publicou o pri- A publicação ordinária, anunciada para 21


meiro número em Rio Novo, a 6 de janeiro de abril, só se efetivou a 3 de maio.
de 1899. Nessa cidade permaneceu até 27 Sua existência compreende duas fases, ambas
de igual mês, de 1901. com a mesma finalidade: representar a As-
Seu diretor, mudando para Belo Horizonte o sociação Comercial, recém-fundada, como seu
acreditado colégio que dirigia, continuou aqui órgão oficial.

a publicação de A Reforma, cujo primeiro A primeira fase teve por diretor o ilustre
número (o quinto do ano terceiro de publi- jornalista, Comendador João Augusto da Silva
cação em nosso País) trouxe a data de 7 de e dedicava-se ao comércio, indústria e arte,

março seguinte. Dois meses depois, a 5 de educação e ensino, ciências e letras. Prolon-
gou-se até 31 de março de 1902 com publi-
maio, suspendeu a publicação, transferindo-
cação bissemanal, às quintas-feiras e domin-
se para Santo Antônio do Machado, onde re-
gos.
apareceu a 4 de julho.
A segunda começou a 6 de maio seguinte
Tinha oficinas próprias, montadas à Avenida
com o número 94, e não a i * , como prome-
Amazonas, com prelo manual.
tera, sob a direção e gerência do acatado
Grande formato, 46 x 31,5, quatro páginas e
jornalista, o saudoso Artur Joviano. Nesta fase
seis colunas.
eliminou do título o artigo O, adotado na
A Reforma foi acérrima defensora de suas
primeira.
crenças e de seu programa.
Publicação diária, menos às segundas-feiras.
Publicava-se semanalmente, tendo mantido
A tiragem da primeira fase orçava em 2.000
o mesmo feitio em todos os números.
exemplares, acrescidos de mais 500 na
segunda.
COMMERCIO P E MINAS 034
Três foram os formatos apresentados: na pri-
A 31 de março de 1901, saiu o número 1 meira fase, 47 x 31,5 e na segunda, de 41 x
deste jornal que, apesar dessa numeração, 26,5 e 49 x 33,5, este do número 425 até o
foi considerado como número-programa pela fim. Com tal aumento de formato, foi outros-
direção. sim aumentado o número de colunas de cin-
80 limiàtlO Di IMPiMSi QfSílõ HQUIOHH: 1895-1954

co para seis. Sempre com quatro páginas. Já ninguém mais se lembrava de A Propa-
No número 540, de 31 de outubro de 1903, ganda e eis senão quando ressurge ela, qua-
a direção anunciou a suspensão temporária se cinco anos depois, a 22 de julho de 1906,
da publicação do jornal, para dar-lhe nova com o número 3, completamente reformada.
organização, introduzir vários melhoramentos Publicou 17 números, o último datado de I o

e aumentar o corpo de redatores, sob a dire- de janeiro de 1907, que saiu com o número
ção de um de nossos melhores jornalistas. 16, duplicata de numeração da anterior edi-
Vã esperança. Ao invés do cumprimento des- ção.
sa bela promessa, o que vimos foi seu desa- Os primeiros exemplares da edição de 23
parecimento da arena jornalística, que tanto de setembro de 1906 saíram com o número
honrou e tanto ilustrou. E desta maneira per- 10, quando se tratava do número 11. Houve,
demos um grande órgão de publicidade. no entanto, oportuna retificação.
Redação e oficinas à Avenida Liberdade, hoje, Publicação semanal, aos domingos, mas muito
J o ã o Pinheiro, números 164-170, atuais, e irregular.
depois à Rua da Bahia, 1005, antigo prédio, Os dois primeiros números tiveram o forma-
hoje substituído pelo de número 1004. to de 27 x 19, quatro páginas e quatro colu-
nas, e os demais 38 x 27, também com qua-
A PROPAGANDA 035 tro páginas mas com cinco colunas.
Jornal de propaganda comercial da Livraria Um cabeçalho para os números 1 e 2 e outro,
Joviano & Cia., estabelecida à Rua da Bahia do número 3 até o último. O segundo cabe-
1005, em prédio posteriormente demolido çalho era gravado, trabalho das oficinas do
para dar lugar ao atual, que tem o número Jornal do Brasil.
1004. A Propaganda, a par da matéria de sua fina-
O primeiro número foi publicado a l fl
de lidade, publicava literatura, curiosidades,
junho de 1901 e o segundo, a 30 de setembro humorismo, etc.
seguinte, com o qual suspendeu a publica- Tiragem de 5 0 0 0 exemplares e distribuição
ção. gratuita.
mdmBOSPsnóBfcõs 81

MINAS ARTÍSTICA 036 Passemos novamente à revista.


Minas Artística foi a precursora de nossas Apenas três números vieram a público, o
revistas, sob duplo aspecto: de feição e de primeiro, já referido, impresso na Tipografia
origem local. De feição, por ter sido a pri- Beltrão e os outros dois, datados de 1° de
meira revista literária aqui publicada, e de julho de 1901 e 1° de março de 1902, na
origem local, porque foi também a primeira tipografia de O Porvir, de Curvelo.
genuinamente belo-horizontina, pois as duas Em seu frontispício lia-se esta inscrição:
que a precederam, tiveram seu início na ve- Eremo spirituali, Minas Artística,
lha Ouro Preto. quidquid datum ingenio nostro fuerit
Era dirigida pelos Srs. Horácio Guimarães, incboari, id pro Visu, pro Arte nobis
Edgar da Mata Machado, Alfredo de Sarandy, quaerentibus perficiendum.
Álvaro Viana e Carias Raposo. Minas Artística, por sua feição simbolista, foi
Saiu a I de junho de 1901, ilustrada com o
a muito combatida em nossos círculos literári-
retrato do grande poeta simbolista Alphonsus os, principalmente pelas colunas de O Norte
de Guimaraens, trabalho gráfico do Sr. Jaime e de O Prego.
Noronha. Formatos de 19 x 12 e l 6 x 10, com 12 a 24
À sua publicação precedeu, em 19 de março, páginas.
a distribuição de uma poliantéia consagrada A nosso ver, o nome Minas Literária estaria
à memória de Cruz e Sousa, o pranteado mais de acordo com a finalidade desta pu-
autor de "Broquéis e Evocações", com o for- blicação do que o que lhe foi dado.
mato de 19 x 11, quatro páginas e coluna
aberta. Trouxe o retrato do homenageado, o 0 NORTE 037
soneto de sua autoria, "Sonhador", e colabo- Fundado por um grupo de filhos do Norte
ração de Horácio Guimarães, Carlos Raposo, de Minas, era especialmente consagrado à
Edgar da Mata Machado, Alfredo de Sarandy, defesa dos interesses daquela região.
Alvaro Viana, Ernesto Cerqueira e Assis das Seu corpo redatorial compunha-se dos Srs.
Chagas. Impressa na Tipografia Joviano & Alfredo Sá, redator-chefe; Mata Machado Fi-
Cia. lho, redator-secretário, e Gustavo Farnese,
82 IWtíãlõ Bi immi DfBlíÕ HOmOHU: ¡895-1954

J o ã o Barroso, Adeodato Pires e Elizardo Propriedade de Botelho & Noronha, Cândi-


Eulálio, redatores. do José da Silva Botelho e Jaime Noronha.
Publicação iniciada a 9 de junho de 1901 e Publicou somente cinco números, de 7 de
terminada a 31 de outubro seguinte, com o setembro a 8 de dezembro de 1901.
número 5. Formato de 24 x 16, oito páginas de gravuras
Formato de 38 x 26, quatro páginas e igual e outras tantas de texto, estas com duas co-
número de colunas. lunas.
O primeiro número foi impresso nas ofici- Publicação quinzenal e impressão da Tipo-
nas do Fórum e os outros, nas da Imprensa grafia Gomes, situada à Avenida Paraopeba,
Oficial, com a tiragem de 500 exemplares. 142, atual, com a tiragem de 100 exemplares.
O Norte foi uma publicação muito bem ori- Quase no fim de sua existência, passou a
entada, publicando ótima colaboração literá- ser ilustrado pelo outro sócio, Sr. Cândido
ria, além de outras seções interessantes. Botelho, que exercia então o cargo de se-
cretario do Ginásio Mineiro.
OSAL 038 O Sal foi um jornal que podia ter tudo, me-
O Sal inaugurou a nossa Imprensa ilustrada, nos arte e sal, objetivos únicos que ditaram
mas infelizmente de modo desastrado. sua criação. Seu humorismo era insosso, fal-
Adotava o processo litográfico, executado tando-lhe justamente o principal condimen-
pelo Sr. Jaime Noronha, processo não mais to, o... sal.
usado, por arcaico. Quanto à arte, uma lástima. Gravuras de um
Por seu todo, vê-se que seus diretores tive- ridículo sem nome, grotescas e sem expres-
ram a preocupação de dar-nos uma revista à são, verdadeiros calungas. Coisas muito me-
feição ou semelhança das antigas, do grande lhores temos visto, assinadas por garotos, em
artista Angelo Agostini, Revista Ilustrada e páginas infantis publicadas pelos diários lo-
D. Quixote, que tanto furor fizeram no Brasil, cais e jornais escolares.
deleitando duas gerações. Não conseguiram, No texto, nada de apresentável, a não ser
porém, seu intento, por tudo lhes faltar para quando transcrevia algum trabalho de conhe-
tão ousado cometimento. cido literato. Noticiando o recebimento do
msmsõúímfúm 83

número 2 de O Sal, fez O Norte, entre outras infausto e prematuro passamento, uma
apreciações, as seguintes: poliantéia dedicada à memória de Arthur
...Por mais que a nossa indulgência Lobo, o saudoso autor de "Evangelhos" e de
queira, no silêncio ou no elogio, ampa- "Rosais". Dessa publicação tiraram-se 500
rar as várias manifestações da arte que, exemplares.
como esta surgem em Belo Horizonte, Formato de 32 x 24, 17 páginas, além da
não podemos calar a má impressão e capa, na qual se encontram os dizeres Arthur
desalentador efeito que elas nos dei- Lobo, em diagonal, repetidos na folha-de-
xam .... Vem agoraO Sal que,precisando rosto.
ter algum gosto e alguma propriedade, é À página 3, onde se lê "Homenagem a Arthur
um violento purgante, um intolerável Lobo", vem estampado o retrato do homena-
Sal... amargo. geado e transcrito o sorteio de sua autoria
Traz entre outros um retrato que acon- "Epopéia Universal".
selhamos à sua redação guardar bem Apreciável colaboração, em prosa e verso,
guardado — tem a tvdiosa e econômica dos seguintes intelectuais: Augusto de Lima,
propriedade de servir para todo mundo. Mendes de Oliveira, Bento Ernesto Júnior,
Quando fizer anos o Botelho, o Jaime, Pelayo Serrano, Fidé Yori, Arthur Mendes,
seus filhos, qualquer graúdo enfim, é Aurélio Pires, João Camelo, Prado Lopes e
impingir o tal retrato e mudar o nome. A. Marcos Lobo.
E assim por diante, no mesmo diapasão. Fecha a homenagem o apelo da comissão
O que mais admira em tudo isto não é O que, pelas colunas do Diário de Minas, le-
Norte ter escrito, mas sim O Sal ter transcrito vantara a idéia de se erigir, no Parque Muni-
tão amáveis conceitos a seu respeito. cipal, um monumento à memória do saudoso
poeta.
A R T H U R LOBO 039
Por iniciativa de vários literatos, foi impressa O FRANGO 040
nas oficinas da Imprensa Oficial e distribuída Em novembro de 1901, nasceu este frango
a 25 de outubro de 1901, 30° dia de seu e logo no primeiro número foi depenado.
84 imtíilOBi IMttMi HOtílOHU: 1895-1954

Teve como redatores... os filhos da Can- Tiragem de 1.000 exemplares, número que
dinha. poderá ser alterado por determinação do
Formato de 16 x 10,5, quatro páginas e duas Governo.
colunas. O primeiro fascículo publicado e correspon-
Não podemos assegurar, mas pelo aspecto dente ao primeiro trimestre de 1896 só foi
tudo nos faz crer ter sido impresso nas ofici- distribuído a 11 de maio. O primeiro aqui
nas da Tribuna Catbolica. vindo à luz da publicidade foi o referente
aos primeiro e segundo trimestres de 1901,
R E V I S T A DO A R Q U I V O P Ú B L I C O distribuído em janeiro de 1902.
MINEIRO 041 Tem como diretor nato o diretor da respecti-
Deve esta revista sua existência ao Art. 8 o va repartição, conforme determina o já cita-
da Lei n° 126, de 11 de julho de 1895, que do Art. 8 .
Q

criou o Arquivo Público Mineiro, cuja sede Foi seu primeiro diretor o eminente historia-
era em Ouro Preto. dor Comendador José Pedro Xavier da Veiga,
O projeto de que se originou essa lei foi autor das "Efemérides Mineiras" e falecido a
a p r e s e n t a d o à Câmara pelo Deputado 8 de agosto de 1900.
Levindo Ferreira Lopes, em sessão de 4 de O Art. 2° do Decreto 1.479, de 21 de outubro
junho de 1894. Destina-se à publicação de de 1901, de acordo com o disposto no Art.
trabalhos históricos, biográficos, topográficos, 11 da Lei 318, de 16 do mês anterior, anexou
estatísticos, etc. o Arquivo Público Mineiro à Secretaria do
Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial, Interior, constituído em nova diretoria, a cuja
de conformidade com o citado Art. 8°. frente continuou o eminente poeta e literato
Publicação trimensat, podendo, no entanto, Dr. Antônio Augusto de Lima, diretor da an-
ser publicada mais vezes, desde que seja tiga repartição, para a qual fora nomeado a
conveniente, nos termos do Art. 45 do regu- 31 de janeiro de 1901.
lamento da repartição, promulgado pelo De- O Arquivo Público, transferido de Ouro Pre-
creto n° 860, de 19 de setembro de 1895. to em conseqüência dos dispositivos legais
85

acima citados, começou a funcionar nesta Formato de 24 x 16, quatro páginas e três
Capital em janeiro de 1902. colunas.
Por deliberação do Governo, de 18 de no- Redação à Avenida Maneio, n I. ü

vembro de 1914, foi suspensa a publicação O Prego foi um jornal que fez sucesso, pelo
da Revista, que só reapareceu em 1921, mas seu tom álacre e pela correção de sua lin-
publicada com muita intermitência até 1937, guagem.
desde quando está outra vez fora de circula-
ção. Condenável semelhante suspensão, que A C A P I T A L (2*) 043
muitos transtornos têm trazido aos estudio- Folha destinada à propaganda de A Capital,
sos, privados que se acham dessa seleta fonte estabelecimento comercial de propriedade
de consultas, tão necessária e indispensável do Sr. Raul Mendes, à Rua da Bahia, 1087,
ao bom êxito de suas lucubrações históricas. local hoje ocupado por novo prédio, que
Em sua especialidade, a primeira publicada tem o número 1076.
no Estado. Temos outra hoje, a do Instituto Publicou um único número, a 3 de junho de
Histórico. 1902, com o formato de 24 x 16, quatro
páginas e três colunas.
O PREQO 042 Impresso na Tipografia Beltrão, com a tira-
Periódico crítico e humorístico, dirigido por gem de 1.000 exemplares, distribuídos gra-
um grupo de estudantes de Direito. tuitamente.
Trazia por divisa: Ridiculum acri — Fortius
et melius magnas plerumque secat res HEUANTHO 044
Horácio. Satyras. Não passou do primeiro número, datado de
Saíram quatro números, o primeiro a 21 de 15 de junho de 1902.
maio de 1902. A 18 de outubro do mesmo Propriedade da sociedade publicadora do
ano, deu o prego. Heliantho. Comissão diretora: Srs. Navantino
Impresso na Tipografia Beltrão, com a tira- Santos, Auto Sá, Júlio Brandão Filho e o ma-
gem de 300 exemplares. logrado moço João Elói da Costa Camelo.
86 IHHUitlQ Di lâttMi DfSfW HOMONtt: 1895-1954

Suas divisas: Corrige hoc et boc, sodes Publicou somente dois números, em julho e
(Quintiliano); Mens agitai molem (Virgílio, agosto de 1902, este só distribuído no fim
Eneida). do ano.
Impresso na Tipografia Joviano & Cia., à Rua Formato de 19 x 13,5, 40 páginas sem nu-
da Bahia, 1005, com a tiragem de 500 exem- meração e coluna aberta.
plares. Cuidada impressão, em ótimo papel, de
Tinha o formato de 27 x 19, quatro páginas Joviano & Cia., com a tiragem de 500 exem-
e outras tantas colunas. plares.
Pelo número publicado, Heliantbo prometia Capa artística e muito original, desenhada e
vencer no mundo das letras. gravada em São Paulo.
Dirigida pelo Sr. Álvaro Viana, tinha como
IL MARTELLO 045
colaboradores Jacques DAvray (Dr. Freitas
Segundo periódico escrito em italiano aqui
Vale), Alphonsus de Guimaraens, A. Batista
vindo à luz. Propriedade e direção do Sr.
Pereira, Guerra Duval, Padre José Severiano
Júlio Buoncompagni.
de Resende, Augusto Viana de Castelo, Edgar
Apenas um número, a 27 de julho de 1902.
da Mata Machado, Arcângelo de Guimarães
Formato de 15 x 10, quatro páginas e duas
e Horácio Guimarães.
colunas.
Não compreendemos a razão de ser do nome
Impresso na Tipografia Viana & Cia. e tira-
escolhido para o título, pois, como se sabe,
gem de 100 exemplares.
Horus era um deus egípcio, representado
Redação à Rua do Prego, n° 5, o inverso de
ora por um gavião, ora por um homem com
O Prego, que tinha a sua à Avenida Martelo,
cabeça de gavião.
n* 1.

CARAMURU 047
HORUS 046
Revista de arte e literatura, de poetas Revista literária, de publicação mensal. Ór-
simbolistas, admiradores de Verlaine e de gão do Grêmio Literário Santa Rita Durão,
Cruz e Souza. era dirigida por uma comissão de sócios.
umasDOSpsáxos 87

Foi auspiciosamente lançada a público no valho, Pedro Carlos da Silva, Navantino San-
dia 18 de agosto de 1902, ilustrada com o tos, José de Magalhães Drummond, Josias
retrato do grande poeta satírico Padre-Mestre de Azevedo, Eduardo Cerqueira, João Camelo,
Correia de Almeida, "padre que apenas diz D o n a t o Andrade, Amédée Péret, J o ã o
missa — vate que não faz eneida". Stockler, Alfredo Albuquerque, Pedro Chaves,
Antes de iniciar suas atividades ordinárias, Franklin Abranches e Álvaro Pena.
publicou uma poliantéia comemorativa do O Grêmio nasceu sob bons auspícios. Para
primeiro aniversário do Grêmio, datada de 5 atestá-lo, basta relancear a vista sobre os no-
de junho de 1901, cujo aparecimento fora mes dos sócios que o integravam, para logo
anunciado para 13 de maio. nos certificarmos de que todos se salienta-
Adotou a divisa: Da veniam, scriptis quorum ram na vida, cada qual no ramo de atividade
non gloria nobis, causa, sed utilitas fuit de seu gosto e predileção. Alguns já se foram,
(Ovídio). e entre eles o nosso querido e saudoso ami-
Em janeiro de 1903, distribuiu o quarto e go Álvaro Pena, morto na flor de radiosa
último número, datado de novembro anterior. mocidade, quando a vida lhe sorria com to-
Formato de 19 x 11, 16 páginas e coluna dos os encantos de que era digno e merece-
aberta. dor.

A poliantéia e os números í e 2 foram im- Caramuru foi uma revista diferente das an-
pressos na Tipografia Beltrão e o número 3, teriores, que se filiaram à escola simbolista.
na Tipografia Batista, de Cataguases. Não Modesta e sem pretensões, mas firme e con-
conhecemos o número 4. fiante, venceu, porque deixou um rastro
Tiragem média de 200 exemplares. inapagável de sua proveitosa existência.
Capas dos números 1 e 2, perfeitamente
iguais e a do número 3, com pequenas LA VOCE P E L C U O R E 048
variantes. Jornal de publicação quinzenal, de proprie-
Faziam parte do Grêmio, entre outros, cujos dade e direção do Sr. Júlio Buoncompagni
nomes não constam das revistas, os Srs. que antes dirigiu // Martello e, como este,
Jacques Maciel, Auto de Sá, Olímpio de Car- escrito em italiano.
88 lUMtiMQ QÁ tmmi 0(8(10 HOSUOHK: 1895-1954

Deu somente três números, o primeiro a 24 O número 1 foi publicado a 24 de setembro


de agosto de 1902 e o último a 21 do mês de 1902, com o formato de 26 x 17,5, quatro
seguinte. páginas e três colunas. Impresso nas oficinas
Impresso na tipografia de Viana & Cia., cons- da Imprensa Oficial, com a tiragem de 500
tando sua tiragem de 200 exemplares. exemplares.
O número 3, único de nossa coleção, tem o A partir do número 2, passou a ser editado
formato de 14,5 x 10, quatro páginas e duas em São João Del-Rei, na Tipografia Comer-
colunas. cial.
P. comum ver-se este jornal citado com o O 25° e último número saiu a 25 de dezem-
nome de Voce dei Amore O erro deve ser bro de 1903 Publicação mensal até o núme-
corrigido quanto antes. ro 5, e do número 6, de 15 de fevereiro,
para a frente, quinzenal, a 15 e 30 de cada
A COISA 049 mês.
A 7 de setembro de 1902 foi largamente
distribuído no Circo Albano, então funcio- ÁLBUM P E MINAS 051
nando nesta Capital, o número único deste Jornal de propaganda de Álbum do Estado
jornalzinho de crítica e humorismo, que trouxe de Minas, grandiosa obra artística, científica,
a data de 6 e o número 1.001. literária e informativa, de plano muito bem
Vimos, mas não temos nenhum exemplar que delineado e no qual seu autor, o benemérito
media mais ou menos 12 centímetros de alto. artista Francisco Soucaseaux, se propunha fa-
zer nosso Estado conhecido no Brasil e no
O VIAJANTE 050 estrangeiro.
Órgão dedicado à classe de que tirou o nome O primeiro número foi publicado a 11 de
e de propaganda da casa J . Cipriano & Cia., agosto de 1903 e o quinto e último, a 12 de
do Rio de Janeiro. julho de 1906. Convém notar que entre os
Propriedade e direção do Sr. Alberto Silva, números 2 e 3 foi publicado um, sem nume-
representante comercial daquela firma. ração, pelo que o total das edições se eleva
89

a seis. Estranhavelmente, o número 5 está restantes o foram por seu irmão Augusto
datado do Rio de Janeiro. Soucaseaux.
O número 1 trouxe o nome — O Álbum do Francisco Soucaseaux faleceu a 24 de se-
Estado de Minas, abreviado para Álbum de tembro de 1904, em sua terra natal, Vila de
Minas nos outros. Formatos os mais varia- Barcelos, Portugal.
dos, desde 47 x 33,5, quatro páginas e seis O lutuoso acontecimento determinou a vin-
colunas (número 1), até 22 x 14,5, quatro
da de seu irmão Augusto Soucaseaux, para
páginas e duas colunas (edição sem núme-
dar prosseguimento à grandiosa obra que o
ro).
pranteado artista idealizara e que constituiu
Foram impressos nas seguintes oficinas: nú-
a constante preocupação de seus últimos anos
mero 1, Beltrão & Cia.; número 2 e edição
de vida. Sob a direção do substituto, veio à
sem número, Imprensa Oficial e número 3,
luz o primeiro fascículo de tão esperada pu-
Leon de Renes & Cia., do Rio de Janeiro.
blicação, em abril de 1906.
Não conseguimos identificar precisamente o
Fracasso completo. Em nada correspondeu à
local de impressão dos números 4 e 5, mas
expectativa, tanto que seu autor desistiu da
tudo indica terem saído da última dessas
empresa. Nem de longe havia símile entre o
oficinas.
que foi apresentado e o plano grandioso pre-
Estes dois números se desviaram lamenta-
viamente traçado.
velmente de seu principal objetivo, que era
Só o gênio criador de Francisco Soucaseaux
o de propaganda da obra, ocupando-se so-
seria capaz de nos dar obra digna e de me-
mente em acusações a distinto artista encar-
regado da parte estética e decorativa do recimento. O sucessor, que mais visava a

Álbum e que abandonou o encargo, por proventos materiais do que mesmo à gran-
divergências com o organizador. diosidade do cometimento, não soube seguir
A tiragem oscilou de 2.000 a 3-000 exem- as pegadas do Mestre, por faltar-lhe o alto
plares, de distribuição gratuita. gosto artístico e a invulgar capacidade técnica
Só o primeiro número do Álbum de Minas e profissional que sobravam no velho
foi organizado por Francisco Soucaseaux. Os Soucaseaux.
90 iimabwúà latim* ufsfiú mmoHih ws-mi

Um fato que muito contribuiu para abalar o O Freio, atalaia avançada da regeneração de
ânimo do incansável promotor de tão gran- costumes. É nobre, é muito nobre a sua
diosa obra foi a rejeição, a 12 de setembro missão...!
de 1ÇX)3, pelo Senado, e já em segunda dis- Depois disso, nada mais é preciso acrescentar.
cussão, do projeto n° 23, da Câmara, conce- Formato de 26 x 17, quatro páginas, três
dendo-Ihe o auxílio de 30 contos de réis colunas e impressão de Beltrão & Cia.
para a publicação do Álbum de Minas. A 2 Trazia por lema: Alteri calcaria adhibere,
de setembro de 1904, foi também rejeitada alteri faevos (Cie).
pela Câmara a emenda apresentada à Lia-se no cabeçalho:
Comissão de Orçamento mandando auxiliar, Redatores, Neto e Mota — Redação, Rua
com a mesma importância e para o mesmo dos Guajajaras — Tipografia do Arauto,
fim, o grande artista e benfeitor de Belo em Cataguases — Toda e qualquer
Horizonte. correspondência deve ser dirigida ao Sr.
G. Leite, à Rua da Babia.
O FREIO 052 Só quem conheceu, como nós, o meio ambi-
Desvirtuando criminosamente os nobres pos- ente daquele tempo, pode julgar da maldade
tulados da Imprensa, foi distribuído, à sorrelfa, que tais indicações encerravam.
debaixo das portas, na madrugada de 28 de Conhecida a oficina impressora, fácil foi a
agosto de 1903, um jornal com o título supra. tarefa da polícia em identificar o responsável
Jornal, não; um repelente pasquim. pelas pasquinadas, que desapareceu da ci-
Seu aparecimento causou a mais viva repulsa dade, tão logo desconfiou das providências
da população, pelas soezes diatribes e desa- contra ele tomadas.
bridos termos usados contra tudo e contra
todos, especialmente contra a pessoa de ve- EVOLUÇÃO 053
nerando e respeitável magistrado, então pro- Esta folha, editada em papel superior, era
fessor de uma de nossas escolas superiores. dirigida pela seguinte comissão redatora: Srs.
No editorial, teve O Freio a suprema audácia Salvador Pinto Júnior, Josias de Azevedo,
e a inaudita coragem de escrever: ... surge Pedro Carlos da Silva e Prado Lopes.
91

Primeiro número, a 5 de setembro de 1903 Leve alteração no cabeçalho, com a inclusão,


e o segundo e último, a 21 do mesmo a partir do número 6, do seguinte: Diretor
mês. responsável — Olímpio Neto Caldeira.
Formato de 26,5 x 18,5, seis páginas no pri- Oficinas próprias, à Avenida Amazonas, 291,
meiro número e quatro no segundo; e três hoje, 114, e em seguida à Rua dos Caetés,
colunas em ambos. 435, hoje, 406.
Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial, A 3 de agosto de 1904, com o número 34,
com a tiragem de 300 exemplares. suspendeu a publicação, transferindo-se para
O número 2 foi integralmente consagrado a Curvelo, onde reapareceu a 6 de outubro
Santos Dumont que, no dia da circulação do seguinte.
jornal, aqui aportava. Ornava a edição o re- O Operário, além da matéria classista, trazia
trato do grande aviador patrício. amplo noticiário em proporção ao formato e
Apesar de vida mais do que curta, os núme- boa colaboração literária e histórica.
ros publicados foram bem uma demonstra- Durante algum tempo, publicou "Entre Boê-
ção do valor de seus dirigentes, que apre- mios", apreciadas crônicas do Sr. Pedro
sentaram uma publicação digna do meio, com Bernardo Guimarães, que usava o pseudôni-
excelente colaboração. mo de Jacques Louis.
Olímpio Neto Caldeira, o esforçado proprie-
O O P E R Á R I O (2«) 054 tário e redator deste jornal, faleceu nesta Ca-
A 15 de novembro de 1903, foi distribuído o pital, a 3 de fevereiro de 1905.
primeiro número do O Operário, segundo
do nome aqui fundado. A primeira página REVISTA MINEIRA ( I ) a
055
foi toda impressa em letras douradas. Revista política, científica, literária e in-
Foi um dos jornais de publicação mais regu- dustrial, de propriedade do Comendador
lar que temos tido. Edições dos domingos, Antônio Silva e redação dos Drs. Augusto
com quatro páginas, três colunas e formato de Lima e Batista Martins e Sr. Alfredo de
de 25 x 18. Sarandy.
92 mmtím oá mm txsfío mnwt: ¡895-1954

Como tantas outras, teve vida efêmera, pu- nas das três edições. Essa colaboração foi
blicando só três números, a 22 de novembro solicitada pela direção e por ela sugerido o
de 1903, l g
de janeiro e fevereiro de 1904. tema.
Rigorosa feição material e impressão da Ti- Revista Mineira foi, inegavelmente, das me-
pografia Beltrão. lhores publicações aqui editadas.
Formato de 20 x 13,5 e coluna aberta- As
páginas eram de numeração contínua, atin- FOLHA PEQUENA 056
gindo a 96 nos três números. A novidade implantada pelo Diário de Minas
Notamos a colaboração dos seguintes inte- em nossa Imprensa foi imitada por Folha
lectuais: Pereira da Silva, Alphonsus de
Pequena, que deu um número-prospecto a
Guimaraens, Bastos Tigre, Afrânio de Melo
1° de janeiro de 1904. O primeiro de publi-
Franco, Oscar Lopes, Brant Horta, Nelson de
cação ordinária saiu a 12.
Sena, Stockler Coimbra, Assonipo de Sarandy
Folha diária sem ligações partidárias, teve
Raposo, João Camelo, Belmiro Braga, Artur
como proprietário e diretor o belo espírito
Guimarães, Bernardo Guimarães Filho,
do boníssimo Artur Joviano, jornalista de pri-
Augusto Franco, Eduardo Cerqueira, Teodoro
meira plana, cuja profissão exerceu com no-
Ribeiro Júnior, Cícero Lopes, Justiniano de
breza e elevação.
Melo e Azevedo Júnior, além dos redatores.
Como se vê, um selecionado corpo de cola- Como auxiliares de redação, Artur Joviano
boradores. contou com a preciosa colaboração de Abílio
Machado, Noronha Guarany, José Neves e
A colaboração de Azevedo Júnior foi sobre
Abílio Barreto.
a profissão do jornalista. É pena não poder
ser aqui transcrita tão interessante página. Curta, mas proveitosa a duração de Folha
Donato Donati, o operário socialista que tan- Pequena.
to agitou nossas massas proletárias, guiado No número 503, de 1 de outubro de 1905,
Q

por seu credo político, também colaborou a direção cientificou os leitores da suspensão
com um longo estudo intitulado "II Socialis- temporária do jornal, a fim de mudar as ofi-
mo Contemporâneo", que ocupou 20 pági- cinas e reformar o material, prometendo vol-
93

tar de formato aumentado. Infelizmente a passou depois à propriedade e direção do


promessa não foi cumprida. Dr. Francisco Mendes Pimentel.
No primeiro ano deu 291 números e no Encetou a publicação a 15 de janeiro de 1904.
segundo, 212. O último fascículo publicado nesta Capital
Jornal matutino, salvo no período decorrido foi o de número 390, de 1935, vol. LXV, ano
de 11 de agosto a 30 de novembro de 1904, XXXIII.
em que se tornou vespertino, isto abrangen- Em seguida passou a ser editach no Rio de
do os números 1 6 9 a 257. Janeiro. Desde 1932 pertence à Empresa Re-
Pequeno formato, 31 x 22,5, quatro páginas vista Forense Ltda.
e quatro colunas. Rigorosíssima feição mate-
rial em todas as edições.
O BOQAR1 058
Utilizou-se das mesmas oficinas, que servi-
Domingo, 3 de abril de 1904, saiu o primeiro
ram ao Commercio de Minas, instaladas à Rua
número de O Bogari, de propriedade e dire-
da Bahia, 1005, hoje 1004.
ção do Sr. Mário Linhares. Deu apenas 15
Tiragem de 1.500 exemplares.
números, sendo o último a 21 de agosto se-
Folha Pequena, pequena no tamanho mas
guinte.
grande em suas realizações, foi um dos me-
Publicação semanal, aos domingos, com a
lhores jornais publicados em Belo Horizonte.
Se já existisse a marcha de Lamartine Babo, tiragem de 100 exemplares.

poderia ela dizer, sem falsa modéstia e sem Tipografia própria, à Rua Antônio de
mentir — tamanho não é documento. Albuquerque, 189, antigo, e 167, atual.
Era composto, paginado e impresso pelo pró-
prio diretor.
REVISTA FORENSE 057
Revista de doutrina, legislação e jurisprudên- Pequeno formato, 10 x 6, quatro páginas e

cia, uma das mais repuradas do País entre coluna aberta.


suas congêneres. O título do número 1 foi impresso em

Fundada pelo Dr. Estêvão Leite de Maga- caracteres góticos e o dos outros em tipo

lhães Pinto, que a dirigiu por longos anos, comum, mas sempre o mesmo.
94 umsÁsiQõi íâmnu «BUO MMIOML 1395-1954

A partir do número 8, a data, que se achava Formato de 31 x 21, quatro páginas e quatro
abaixo do título, passou para a parte superi- colunas.
or. Esta, a única alteração sofrida no cabeça- A Gazeta, na qual também trabalhou Mendes
lho. de Oliveira, foi um jornal de destaque e muito
O número 13, de 3 de agosto, estampou um apreciado.
excelente retrato do Dr. Rodrigues Alves, en-
tão Presidente da República, que naquele R E V I S T A AGRÍCOLA C O M M E R C I A L E
dia chegava a esta Capital, em visita oficial INDUSTRIAL MINEIRA 060
ao Estado de Minas. Publicação mensal, editada pela Diretoria
Geral de Agricultura, Viação e Indústria do
A GAZETA ( l lg
059
Estado.
órgão republicano, de gerência e redação
O primeiro fascículo é de 15 de abril de
inicial do Sr. Otávio Barreto. Posteriormente,
1904. Até dezembro, saía a 15 de cada mês
a 5 de junho, com o número 16, assumiu a
e de janeiro de 1905 em diante, a 30.
chefia da folha o eminente patrício Dr. An-
O volume constava de nove fascículos, com
tônio Augusto de Lima.
numeração contínua de páginas.
Jornal político, de publicação bissemanal, às
Suspendeu a publicação com o fascículo VIII,
quintas-feiras e domingos.
vol. 2 , de 30 de agosto de 1905, restabele-
o

O primeiro número surgiu a 14 de abril de


cendo-a a l de agosto do ano seguinte, com
ü

1904 e a 15 de janeiro de 1905 deixou de


existir, com o número 6l. o fascículo IX, do qual não passou.

Impresso nas oficinas que anteriormente ser- Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial,
viram ao Diário de Minas, montadas à Rua com alta tiragem. Manteve inalterada a feição
Curitiba, hoje, número 331. Redação à Rua material.
dos Tupinambás, 808, antigo, e depois nas Esta revista foi criada pelo Decreto n 1.675,
ü

próprias oficinas. de 20 de fevereiro de 1904, de acordo com


Cabeçalho com leve alteração; o tipo do tí- a autorização contida no Art. 15 da Lei n ü

tulo, porém, foi sempre o mesmo. 363, de 12 de setembro do ano anterior.


95

Dirigida pelos Engenheiros Álvaro da Silveira, redatora: Srs. Mendes de Oliveira, Josias de
Artur Guimarães, Carlos Prates e Josafá Belo, Azevedo e Araújo César. Em princípios de
todos já falecidos. julho, retirou-se o Sr. Mendes de Oliveira,
Gozava de franquia postal, concedida por sendo então eleita nova comissão que assim
lei. ficou constituída: Srs. João Camelo, Josias de
Depois de longos anos, reapareceu em ja- Azevedo e Benedito de Araújo César. Na ge-
neiro de 1911, sob os auspícios da Sociedade rência ficaram os Srs. Adeodato Pires, Martins
Mineira de Agricultura, com o fascículo I do de Andrade e Alírio Carneiro. O Sr. Araújo
vol. Ill, mas com o titulo modificado pela César, em setembro, desligou-se do jornal.
transposição de palavras do mesmo, que as-
Posteriormente, novas direções vieram, tais
sim ficou: Revista Agrícola Industrial e
como as dos Sr. João Camelo, Álvaro Viana e
Commercial Mineira.
Martins de Andrade, e depois os mesmos,
Publicação mensal e impressão das oficinas
menos o Sr. Martins de Andrade e mais o Sr.
da Imprensa Oficial. Nesta fase, as mesmas
Júlio Lemos.
características da primeira, com a qual só
Os três últimos números, 68 a 70, ficaram
tinha de comum o título e a finalidade.
sob a exclusiva direção do Dr. Fernando
Nenhum outro fascículo conhecemos além
Soares Brandão.
do I do vol. rv, de maio. Assim, ignoramos a
De 19 de março a 19 de julho de 1905,
data de seu desaparecimento.
Finalmente, outra vez em cena, de julho a esteve suspensa a publicação. Novamente

dezembro de 1925. Desse período, nada con- suspensa a 19 de novembro seguinte e


seguimos. reencetada a 10 de maio de 1906.
Com o número 70, de 12 de agosto desse

A EPOCHA ( 1 1 061 último ano, desapareceu para sempre.

Verdadeira época fez esta folha em nosso Até o número 4, de publicação quinzenal e

meio. do número 5 até o fim, semanal, exceto no


Sua publicação teve início a 13 de maio de período de 2 a 19 de novembro de 1905,
1904, sob a direção da seguinte comissão em que saía às quintas-feiras e domingos.
96 nWftítiO Bà UimHtt BfBflÕ HOMIOM: ¡895-1954

A Epocha foi fértil em formatos. Vejamos: do A par disso, muito bem escrito, pois contava
número 1 ao 58, 39,5 x 37,5; do número 59 entre seus dirigentes uma plêiade de
ao 67, 36 x 23; números 68 e 69, 44 x 29, e talentosos jovens de sólida cultura.
número 70, 39 x 27. Da primeira à última página, tudo o que es-

Sempre com quatro páginas e quatro colu- crevia interessava e prendia a atenção do
leitor, s e m p r e ávido de s e n s a ç õ e s e
nas, menos nos números 68 e 69, que trou-
escândalos. Nada se perdia de seu texto,
xeram cinco colunas.
onde não havia lugar para futilidades e
Um cabeçalho até o número 67, outro, dos
banalidades.
números 68 e 69 e outro, do 70.
Do princípio ao fim manteve a seção "Fagu-
O estilo do tipo do título só variou no último
lhas", sátiras mordazes e candentes, em pro-
número.
sa e verso, inicialmente assinadas por Timour,
Impressa do número 1 ao 58 na Tipografia
depois por Ventura e finalmente por Ventura
Beltrão & Cia., do número 59 ao 69 nas ofi-
& Cia.
cinas de O Estado de Minas e o número 70
As "Fagulhas" não eram fagulhas e sim bra-
nas oficinas da Imprensa Oficial.
sas vivas e por isso mesmo por todos temidas
Tiragem de 500 a 1.000 exemplares, con-
por sua causticidade. Os de hoje não as
forme a ocasião.
compreenderão; só quem a seu tempo viveu
A Epocba foi um dos jornais mais lidos e
é que sabe a natureza do veneno que desti-
procurados em todas as camadas, devido ao
lavam. Às vezes, uma simples frase encerrava
seu amplo noticiário, sempre cheio de uma grave ofensa. Eram de autoria quase
novidades políticas e mundanas. Noticiava exclusiva do Dr. Josias de Azevedo, cogno-
ao sabor do público, pondo os pontos nos ií, minado de Correia-mirim, por sua veia satí-
o que não agradava a muita gente boa. Não rica. O Dr. Josias, ainda muito moço, faleceu
tinha peias no escrever. Assuntos palpitantes em princípios de 1915.
e graves eram tratados e expostos à luz Álvaro Viana, com o p s e u d ô n i m o de
meridiana com todas as minúcias e na dura Spiridiam, redigiu por algum tempo "As Far-
realidade dos fatos, sem exceção. pas", crônicas.
97

A parte literária era freqüente e variada. O COUBM 063


Em política, radicalmente adversa ao gover- Jornal microscópico, o menor que temos visto:
no do Presidente Francisco Sales, alvo de 6 x 4,5.
constantes editoriais e sueltos de críticas e Tinha seu ninho na tipografia de O Bogari,
ataques a seus atos políticos e administrativos. cujo redator era o dele também.
Assim foi que pudemos retratar A Epocha. Nasceu de uma flor, e como um pássaro mor-
reu, tudo isso no decurso do dia 12 de julho
de 1904.
A FOLHA 062
Sob a direção dos Srs. Rui Campista e João
VIDA M I N E I R A 064
Huniade de Melo Franco, saiu, a 20 de junho
Augusto Franco, o saudoso jornalista e escri-
de 1904, o primeiro número deste pequeno
tor, no dia 9 de agosto de 1904 lançou à
jornal.
publicidade o primeiro número de Vida Mi-
Em meados de 1905, interrompeu a publica-
neira, jornal político e literário que, com o
ção, restabelecida com o número 24, de 15
número 2, de 14, interrompeu a publicação
de abril do ano seguinte, tendo como direto-
restabelecida quase dois anos depois, a 8 de
res os Srs. Rui Campista e José Severiano
abril de 1906. Com o número 18, de 2 de
Machado Coelho.
junho seguinte, encerrou definitivamente sua
Até o número 6 foi impressa nas oficinas de
carreira.
A Gazeta; do número 7 ao 23, na Tipografia
Semanal no primeiro período de publicação
Beltrão & Cia.; e os números 24 e 25, últimos
e bíssemanal, no segundo.
que conhecemos, na Tipografia Moderna.
Formato de 30 x 20,5, quatro páginas e três
Tiragem de 100 exemplares.
colunas até o número 4 e 39 x 27, quatro
Teve tantas feições materiais e formatos páginas e quatro colunas do número 5 ao
quantas foram as oficinas impressoras. Os fim.
formatos, porém, pouco variaram. O inicial Três cabeçalhas distintos, um até o número
foi de 9 x 5. Quatro páginas e coluna aberta. 4, outro do número 5 ao 8 e outro do núme-
Anunciou publicação quinzenal. ro 9 ao 18. Todos com os mesmos dizeres,
98 lUHMÍUO DA lAPiMá QfõflO HQMOHH: 1895-1954

menos do número 14 ao último, em que não como intransigentes adversários A Epocha e


mais constava o nome do diretor, Augusto O Estado de Minas.
Franco, que se retirou da direção do jornal, Com este jornal, Vida Mineira manteve acir-
continuando, porém, como seu colaborador. rada polêmica, de pane a pane violenta e
A tiragem foi de 500 exemplares no primeiro conduzida em termos os mais injuriosos pe-
período e de 2.000, no segundo. Impressa los contendores. A fertilidade de insultos era

nas oficinas da Imprensa Oficial. pasmosa, inacreditável.


A geração atual, desconhecedora de tais pro-
Foram redatores-secretários de Vida Minei-
cessos jornalísticos, se compulsar as coleções
ra. Abílio Machado, que só figurou no nú-
de certos jornais daquele tempo, quedará
mero 6, e Mário de Lima, do número 7 ao
estarrecida ante a torrente de qualificativos
13. Do número 14 até o fim, Mário de Lima
injuriosos que fervilhavam em suas páginas.
esteve na direção.
Um quadro triste e desolador.
Corpo de colaboradores o mais seleto possí-
Tais polêmicas, como sempre acontece, não
vel: Padre-Mestre Correia de Almeida, Batista interessavam ao público, mas o divertia.
Martins, Alfredo Valadão, Álvaro da Silveira, Felizmente tudo passa, os homens e as coi-
Josafá Belo, Gustavo Pena, Nelson de Sena, sas, os usos e os costumes.
Buarque de Macedo, João Massena, Mendes Augusto Franco, o malogrado diretor de Vida
de Oliveira, J o s é Eduardo da Fonseca, Mineira, foi um lutador de têmpera. Nada o
Noronha Guarany, Abílio Machado, Stockler entibiava; pelo contrário, sempre disposto à
Coimbra, Mário de Lima, Mário Pereira, João luta. Acometido de insidiosa moléstia, mor-
Rodrigues da Cunha, etc. reu muito moço, na Alemanha, deixando,
Seria pleonasmo dizer que Vida Mineira foi porém, um nome digno de respeito e acata-
um jornal bem dirigido e bem redigido. Bas- mento. Era um apaixonado de Tobias Barreto
tava o nome de seu ilustrado diretor para e por isso mesmo da cultura filosófica alemã.
recomendá-lo e credenciá-lo. Foi essa a agitada vida de Vida Mineira

Jornal político por excelência, apoiava sem Esta folha ressurgiu para determinado fim:
enfrentar, rebater e combater O Estado de Minas.
reservas o governo dominante, que tinha
99

A IDEA 065 Redação à Rua dos Goitacazes, 99.


A Patria no número 1 e A Idéa nos restantes. Não obstante a curta vida deste semanário,
Primeiro número, a 17 de agosto de 1904 e seu diretor-gerente se empenhou em vio-
o oitavo e último, a 10 de janeiro do ano lenta discussão com um dos redatores de A
seguinte. Epocba, discussão de lado a lado mantida no
Órgão literário e noticioso, tendo como re- mesmo diapasão das que já temos relatado.
dator-chefe o Sr. Heraldo Barreto. Verdadeira lástima.
Publicava-se aos domingos. Formato de 18,5 Essa deplorável e constristadora face da
x 11,5, no primeiro número e 16 x 10,5, nos existência de certos jornais tinha, no en-
outros; quatro páginas e duas colunas, exceto
tanto, seu reverso. A virulência de lingua-
o número 1, que continha três colunas.
gem de uns era, felizmente, compensada
Três tipos de letras do título: do número 2
pelo lado são de outros, no qual muita coisa
ao 6, do 7 e do 8. Cabeçalho com variantes.
de valor se aproveitava, em eloqüentes
Impressa nas oficinas de A Gazeta, com a
manifestações do pensamento, expressa-
tiragem de 100 exemplares.
das em verdadeiros prélios da inteligência
Segundo jornal que trocou de nome.
sobre vários ramos do conhecimento hu-
mano, como literatura, história, crítica, arte,
A LUZ 066
etc.
Foram publicados seis números deste
Já era um consolo para o leitor avesso às
semanário: o primeiro, a 2 de setembro de
competições da política de campanário e à
1904 e o último, a 29 do mês seguinte.
Direção do Sr João Stockler Coimbra e ge- lavagem de roupa suja.

rência do Sr. Armando Roussoulières.


Conservou inalterável a feição material, que 0 LUAR 067

era esta: formato de 30 x 20,5, quatro pági- Jamais vimos este minúsculo jornal. Sabemos
nas e três colunas. que existiu através de uma notícia a seu res-
Impresso nas oficinas da Imprensa Oficial, peito inserta no número 3 de A Idéa, de 11
com a tiragem de 300 exemplares. de setembro de 1904.
100 iWt£ltifíO õi IMPPMá OfBílÔ HQMOHtt: 1895-1954

A BRAZA 068 Impresso nas oficinas que anterior e suces-


Órgão literário, do qual era redator-chefe sivamente serviram ao Diário de Minas e A
o Sr. Felipe Brandão. Conhecemos unica- Gazeta.
mente os números 1 e 2, de 4 de outubro Não sofreu a mínima alteração material: ca-
e 13 de novembro de 1904, respectiva- beçalho único, formato de 30 x 20,5, quatro
mente. páginas e quatro colunas.
Temos razões para crer que outros números Tiragem de 500 exemplares.
não foram publicados. Redação e oficinas à Rua Curitiba, 619.
Rigorosamente iguais em seu feitio: 20,5 x O Verbo era literário e imparcial em política.
14, quatro páginas e três colunas. Moço, forte e cheio de vida, o consagrado
Editada pela Tipografia Joviano & Cia., com autor de "Prélios Pagãos", diretor deste jor-
a tiragem de 200 exemplares. nal, não escapou ao implacável e inexorável
destino: a 29 de outubro de 1918 tombou
O VERBO 069 fulminado pela espanhola, que naquele trá-
Este bem-feito hebdomadário trazia o nome gico fim de ano assolou o mundo inteiro,
consagrado de Mendes de Oliveira em seu fazendo milhões de vítimas e enlutando mi-
frontispício. Nem com essa credencial pôde lhões de lares.
enfrentar os embates da sorte, pois teve vida
efêmera, como tem acontecido a quase todas O RECLAMO 070
as nossas publicações. Jornal noticioso, literário e comercial, publi-
O número inicial foi entregue ao público a cado pelo Dr. Eduardo Lopes, proprietário
12 de fevereiro de 1905 e o quinto e último do Bazar América, e s t a b e l e c i d o à Rua
a 16 de abril seguinte. Publicação dominical. Alagoas, 549, atual, e filial à Rua dos Caetés,
Da redação do O Verbo faziam parte mais os 408, hoje, 317.
Srs. Fernando Carvalho Soares Brandão, João Publicação quinzenal, com a tiragem de 2.000
Stockler Coimbra, Mário de Lima e Tibúrcio exemplares. Impresso na Tipografia Beltrão
de Oliveira. & Cia. e distribuído gratuitamente.
mtmmmiôoicos 101

A 4 de março de 1905, saiu o primeiro nú- Impresso em tinta azul, na Tipografia Beltrão
mero e a 27 de junho seguinte, o sexto e & Cia., com a tiragem de 1.000 exemplares.
último. Publicação mensal e distribuição gratuita.
Cabeçalho uniforme e formato de 31 x 22 Guardou em todos os números a mesma fei-
até o número 5 e 37,5 x 23 no número 6. ção material.
Todas as edições com quatro páginas e quatro 0 sistema da anúncios era o mesmo adotado
colunas. por O Reclamo.
Os anúncios eram intercalados no texto do
noticiário, como sói acontecer em todas as L'ECO D E L POPOLO 072
publicações de propaganda. Quarto jornal escrito em italiano, mas positi-
vamente o único deles em condições de fi-
O COLOMBO 071 gurar no rol de nossa Imprensa. Os anteriores
Como o precedente, era também de não passaram de meras manifestações de cu-
propaganda da Casa Colombo, loja de riosidade de adolescentes.
fazendas e armarinho dos Srs. Gonçalves, 1 'Eco dei Popolo teve como diretor o Enge-
Freire & Cia., estabelecida à Rua da Bahia, nheiro Giuseppe Scutari, um dos próceres
932, atual. socialistas em evidência na ocasião.
Trazia à esquerda do título o clichê de um Publicou só quatro números, entre 28 de maio
barco a vapor. A alegoria, como se vê, pe- e 20 de junho de 1905.
cava pelo anacronismo. Não se pode associar Publicação semanal, aos sábados, com o for-
o nome de Colombo à existência de um barco mato de 42 x 27,5, quatro páginas e quatro
a vapor. Centenas de anos os separam. colunas.
Formato de 31 x 22, quatro páginas e quatro Rigoroso feitio material em todas as edições.
colunas. Impresso na Tipografia Beltrão & Cia., com
Iniciou a publicação a 9 de abril de 1905, a tiragem de 500 exemplares.
dando o terceiro e último número a 18 de R e d a ç ã o e administração à Rua dos
junho seguinte. Tupinambás, 680.
102 nmtítiõ QÁ tmmi «mo HÕMOM: W9$-W4

Ignoramos até que ponto contou este jomal O primeiro número, datado de Belo Hori-
com o apoio político dos adeptos de suas zonte, ou seja, como dissemos, o quinto de
crenças, bem como os motivos determinantes publicação foi impresso na tipografia do Sr.
de seu desaparecimento. Antônio Costa, de Ouro Preto, e os demais
na Tipografia Beltrão & Cia., daqui.
THEATWO M O D E R N O 073 Teve aquele o formato de 23 x 14, quatro
Jornal da Companhia Dramática Francisco páginas e duas colunas, e os posteriores o
Santos e por isso mesmo sem lugar certo de de 26,5 x 21, quatro páginas e três colunas.
publicação. Possuímos até o número 23, de 16 de ju-
Sua fundação obedeceu tão-somente à me- lho.
dida de ordem econômica. Nele se estampa-
Naturalmente saíram outros mais, porquanto
va o programa do espetáculo do dia, isento
só a 26 a Companhia se despediu do público
de qualquer ônus fiscal, o que não acontecia
da Capital.
com o programa avulso, sujeito ao imposto
Tiragem de 1.000 exemplares.
de 30 réis por exemplar distribuído, nos
termos do Decreto n° 5.465, de 25 de
O LABOR 074
fevereiro de 1905.
O operariado tem tido sempre um jornal para
Inegavelmente, foi um processo bem engen-
defesa dos interesses da classe. Já assinala-
drado e um justo protesto contra a satisfação
mos a existência de dois, ambos com o título
de tão original imposto, revogado pouco de-
de O Operário. Agora cabe a vez a O Labor,
pois por sua inexequibilidade.
órgão da Confederação Auxiliadora dos Ope-
O primeiro número distribuído aqui foi o
rários, fundada a 12 de março de 1905-
quinto de publicação e trouxe a data de 7 de
O primeiro número de O Labor veio a pú-
junho de 1905.
blico no dia 18 de junho de 1905, sob a
Dirigia-o o Sr. Ucarião Diógenes, ponto da
direção do presidente da Confederação , Sr.
Companhia.
José Modestino Leão. Só 12 foram publicados,
Publicava-se às terças, quintas, sábados e
o último a 31 de março de 1906.
domingos, isto é, nos dias de espetáculo.
103

Tiragem de 350 exemplares, número a nosso Não passou do número inicial, distribuído a
ver diminuto, por se tratar de representante 22 de junho de 1905.
de classe tão numerosa. Impresso na Tipografia Ondina, à Avenida
Até o número 8, de 9 de novembro, foi im- do Comércio, 564, com a tiragem de 500
presso na Tipografia Beltrão & Cia. e do nú- exemplares.
mero 9 em diante, na Tipografia Moderna, à Formato de 15,5 x 10,5, quatro páginas e
Rua dos Guajajaras, 329.
duas colunas.
Usou três cabeçalhos: um até o número 5;
Redação à Rua dos Tupinambás, 699.
outro do 6 ao 8 e outro ainda do 9 ao 12. Do
número 1 ao 8, com o formato de 22 x 14,5
O F I I H O T E PO RECLAMO 076
e três colunas, e do 9 ao último, com o de
Tinha o mesmo fim do ... pai: fazer propa-
27 x 18,5 e quatro colunas. Todas as edições
ganda do Bazar América.
com quatro páginas.
Só um número, a 13 de julho de 1905,
O Labor foi um bom jornal, muito tendo feito
com o formato de 20,5 x 13,5, quatro pá-
em prol da classe que representava. Conhe-
ginas e duas colunas. Impresso na Tipo-
cemos seu diretor e podemos atestar seu
grafia Beltrão & Cia., com a tiragem de
devotamente à causa esposada e o esforço
1.000 exemplares.
despendido para a manutenção do periódi-
co.
O THEATRO ALEGRE 077
Fundado com a mesma intenção e para idên-
O CLARIM 075
tico fim do Theatro Moderno, retro citado.
O jornal-reclame constituiu verdadeira epi-
demia na época que estamos descrevendo. Órgão da Empresa Vieira Braga & Cia., que

Este é o oitavo e não será o último. mantinha a "Companhia de Variedades, de


Órgão da Casa Resende, situada à Rua dos Mágica, Mímica, Baile, Ópera, Cançonetas e
Tupinambás, esquina da do Rio de Janeiro, Excentricidades".
local hoje (1947) ocupado pelo prédio n° O primeiro número saiu a 8 de agosto de
322, Café Frei Veloso. 1905.
104 IMtftíftõ Oi IMPtMSi DfSftO HOtilÕNlf: 1895-1954

Não modificou jamais seu aspecto material: A única alteração do cabeçalho foi a mudan-
formato de 20 x 14, quatro páginas e duas ça de tipos do título, a partir do número 3.
colunas ou coluna aberta. Impresso na Tipografia Beltrão & Cia. e tira-
Impressão de Beltrão & Cia. e tiragem de gem de 500 exemplares.
1.000 exemplares. Redação à Rua São Paulo, 583, e depois à
Temos apenas até o número 14, de 2 de Avenida Afonso Pena, 575.
setembro, mas muitos outros saíram, porque Vasto noticiário, crônicas, literatura, varieda-
só a 10 de outubro se despediu a Companhia des e seção de correspondentes.
de nossa sociedade. O artigo de apresentação, intitulado "Ao Co-
mércio e ao Povo", é de um pessimismo
JORNAL D E MINAS 078 sem limites. Sem fé, sem confiança, sem es-
Primeiro deste nome aqui publicado. Órgão perança, descrente dos homens e das insti-
dos interesses do comércio e do povo e pro- tuições. Não o transcrevemos na íntegra por
priedade de uma associação anônima. não estar isso incluído no plano deste trabalho.
Direção do Sr. Júlio Eugeniano Vieira, então Vamos, no entanto, reproduzir os tópicos ini-
2 escriturário da Delegacia Fiscal-
o ciais, que dão fiel amostra do resto. São estes
Publicação semanal, aos domingos, até o os primeiros períodos:
número 3, e às quintas-feiras, depois. Se a Monarquia escravizava o negro, a
Surgiu a 13 de agosto de 1905- O número República escraviza o branco.
mais elevado que conhecemos é o 6, de 21 Ris-nos de volta à escuridão histórica do
de setembro. bárbaro feudalismo da Meia Idade.
Formato de 46 x 27,5, quatro páginas e três Nesta malfadada terra dos Brasis, onde
colunas na primeira página e na terceira, e em cada município de cada listado se
quatro na segunda e na quarta. A página de alevanta, como o fantasma da morte, a
frente, assim como a terceira reservadas ex- figura sinistra de um castelo feudal, pa-
clusivamente para anúncios e as outras para rece que a imprensa morreu com todas
as demais matérias. as idéias edificantes.
105

Neste país onde a paz e o progresso mor- Teve os mais variados aspectos e formatos.
reram com a morte da lei e da justiça, Descrevê-los seria descrever um por um, ta-
da propriedade, da honra e do caráter, refa enfadonha e de nenhuma utilidade prática.
o jornalismo nada significa.
Neste torrão semibárbaro, onde em B E L L O H O R I Z O N T E (2*) 080

nome dos governos se mata Segundo jornal deste título. O primeiro foi o
impunemente e o assassinato se trans- iniciador da Imprensa local.
forma em benemerência, que será do Órgão literário e noticioso, de publicação

homem de letras que ficaria na contin- semanal, aos domingos.


Durou exatamente dois meses, de 28 de no-
gência de manter em uma das mãos a
vembro de 1905 a 28 de janeiro de 1906,
pena e na outra a carabina para a defesa
dando 10 números.
das idéias e de sua própria vida?!...
Impresso nas oficinas de A Gazeta, constan-
Ainda bem que não tarda o irrom-
do sua tiragem de 500 exemplares.
pimento da aurora de um dia esplêndi-
Direção do Sr. Augusto de Lima Filho, até o
do para esta nacionalidade que há muito
n° 8. Depois, redatores diversos. Fizeram
atravessa a noite caliginosa das misérias
também parte do jornal os Srs. Teixeira de
sociais, nunca sofridas por esta gente
Sales, Abílio Barreto e Tibúrcio de Oliveira,
desditosa.
como noticiaram os números 2, 3, e 10, res-
E neste estilo até o fim.
pectivamente.
Formato de 20,5 x 16, quatro páginas e três
A MODA 079
colunas.
Reclame da Alfaiataria Wilke & Cia., esta-
Redação à Rua dos Tupinambás, 805.
belecida à Avenida Afonso Pena, 791.
BeÜo Horizonte era bem-feito e muito noticioso.
Primeiro número a 26 de outubro de 1905.
Conhecemos até o número 20, que é de agos- 0 BIOQRAPHO 081
to de 1909. Jornal anúncio de Borges & Cia., proprietári-
Impressão da Tipografia Beltrão & Cia. os de um biógrafo, o precursor do cinema.
106 mmimo OÍ IMPSÍHU XBHO tm/mii: ms-m4

O aparelho era especialmente de vistas fixas, O primeiro número foi dado à luz a I o
de
mas projetava também algumas cenas anima- janeiro de 1906, sob a direção do Dr. Álvaro
das, tipo lanterna mágica. Interessante é que Viana.
os anúncios diziam: cinematógrafo falante! De Publicação bissemanal, às quartas-feiras e
fato, não deixava de ser falante, mas desta domingos.
forma: projetada a vista ou qualquer chapa, A 12 de julho, com o número 54, deixou de
um indivíduo oculto nos bastidores descrevia
existir.
em voz alta a efígie, edifício, monumento ou
Grande formato (44,5 x 29), quatro páginas
panorama exibido. Tal o cinema falado da
e cinco colunas.
época, que martirizava o espectador com a
Oficinas próprias, à Rua Curitiba, 331, atual.
projeção de 50 chapas em cada sessão.
A partir do número 33, passou a ser impresso
O Biographo era publicado no local onde se
na máquina que anterior e sucessivamente
encontrasse o aparelho em exibição.
servira ao Jornal ao Povo, Commercio de Mi-
O primeiro número aqui publicado foi o sexto
de publicação e saiu a 23 de dezembro de nas e Folha Pequena.

1905. Esse número, único que conhecemos, Tiragem de 3.000 exemplares. Jamais alterou
foi impresso na Tipografia Joviano & Cia., a feição material.
com a tiragem de 1.000 exemplares. Jornal estritamente político, muito agitou esse
Formato de 13 x 9,5 e duas colunas na pri- meio. Sua linguagem era de uma violência
meira página. As páginas centrais, unidas, sem par, desde o editorial até o noticiário.
estampavam o programa do dia. Adversário intransigente do governo de en-
Funcionava o aparelho no antigo Teatro tão, não poupava nem a seus auxiliares. Eram
Soucaseaux. incessantes os ataques. A paixão dominava
a razão. Tanto a polícia civil como a militar

O ESTADO P E MINAS 082 sofriam as mais rudes e constantes acusações

Fundado pela letra b " do Art. 5° do estatuto


u e censuras, por fatos de somenos importân-
da Liga das Classes Produtoras, da qual era cia acontecidos na via pública entre popula-
órgão e representante. res e em que elas, por dever de ofício, ti-
107

nJiam obrigação de intervir a bem da ordem de 1929. Não fora essa referência e ficaríamos
e da tranqüilidade públicas. ignorando os nomes de seus dirigentes, por-
Com Vida Mineira manteve-se a violenta po- que em nenhuma das edições se encontra a
lêmica já referida quando tratamos desse jor- menor referência a respeito.
nal. A propósito, foi estampado, no número Jornal de linguagem serena e discreta, só o
44, um artigo intitulado "Pingos nos ii", que vimos desviar-se dessa norma quando de uma
é uma página triste e dolorosa daquele tem-
resposta dada ao Correio da Manhã, em de-
po, em que a Imprensa, desviada de sua alta
fesa de eminente político mineiro.
missão, transpunha os limites da liberdade
Publicou apenas 11 números, sendo o último
para invadir sem cerimônia os da licenciosi-
a 19 de março. Todos obedeceram rigorosa-
dade.
mente ao mesmo feitio material.
Formato de 40,5 x 27,5, quatro páginas e
ACTUALIDADE 083
quatro colunas.
Actualidade era jornal político, moderado.
Publicação semanal e impressão da Tipogra-
Ao se definir, disse a certa altura:
fia Beltrão & Cia., com a tiragem de 1.000
Folha republicana intransigente, a
exemplares.
Actualidade não será, entretanto, órgão
Só sabemos da existência de um jornal com
de agremiações partidárias, o que não
este nome. Nada podemos adiantar, conse-
quer dizer que deixará de tomar parte
qüentemente, sobre se a notícia que abaixo
nas lutas políticas.
transcrevemos, publicada no Correio Minei-
Saiu no mesmo dia em que o precedente, l ü

ro de 20 de fevereiro de 1927, se refere ao


de janeiro de 1906.
quadro que acabamos de relatar:
Era de propriedade de uma associação e
dirigida pelos Srs. Desembargador Tito A Actualidade.

Fulgêncio, Francisco Bressane e J o ã o Luís Recebemos ontem o número 1, da quar-


Alves. Isso no-lo diz Abílio Machado, em ta fase, de "A Actualidade", semanário
um breve relato que fez da Imprensa local e da tarde, que circulará aos sábados, sob
publicado no Minas Gerais de 27 de junho a direção do Sr.J. Fausto Dias.
108 IfíNÍÜW Bi imiHSi BfBftO HõMÕNtf: 1895-1954

Levanta-se, assim, a dúvida a ser esclarecida O início de sua existência conta-se de 20 de


por quem dispuser de elementos bastantes janeiro de 1906.
e se prestar a uma prestimosa colaboração Publicação muito irregular, apesar de anun-
para a melhoria deste trabalho. O que nos ciada semanal. Além da irregularidade, de-
confunde é o artigo que precede o título, ram-se várias interrupções.
não adotado na folha que descrevemos. No número 12, de 21 de abril, fez público
que se tornaria diário, o que jamais se verifi-
A HOMEOPATHIA 084 cou.
A I de janeiro de 1906, circulou o primeiro
o
Impresso até o número 11, na Tipografia
número deste jornal de propaganda. Era "ór- Beltrão & Cia. e, em seguida, até o fim, nas
gão lídimo do Laboratório Homeopáthico oficinas da Imprensa Oficial. Tiragem de 500
Mineiro", estabelecido à Praça Doze de Ou- exemplares.
tubro, 496, e de propriedade do farmacêuti- Vários formatos. Inicialmente com 30 x 21
co A. Duarte, que faleceu tempos depois, já e, em seguida, de 38,5 x 27 — 30 x 21 —
diplomado em Direito. 27,5 x 19,5 e outra vez 38,5 x 27.
Formato de 27 x 18, quatro páginas e quatro Cabeçalho sempre com os mesmos dizeres,
colunas. mas com quatro variedades de caracteres ti-
Impresso na Tipografia Beltrão & Cia., com pográficos do título. Três colunas nas edi-
a tiragem de 10.000 exemplares e distri- ções de menor formato e quatro, nas de
buição gratuita. maior. Ordinariamente com quatro páginas.
Por lamentável descuido, trouxe a data de 1° À numeração não se dispensava o devido
de janeiro de 1905, quando de fato saiu a 1 Q cuidado. Assim, vemos o jornal de 19 de
de janeiro de 1906. agosto de 1923 com o número 1.001 e o de
13 de fevereiro de 1924 com o número 912.
A VANGUARDA 085 Supomos ter sido este o último.
Jornal republicano de propriedade e direção Nada de colaboração. Escrito integralmente
do venerando educador Dr. Agostinho pelo diretor, em seu originalíssimo e peculiar
Penido. estilo de períodos curtos e elípticos, profu-
109

sãmente crivados de interjeições, exclama- O ano e número estão assim indicados: Ano
ções e reticências. Sempre em defesa e lou- presente — Número único no gênero.
vor a todos os governas. O primeiro número e o terceiro, com quatro
páginas e três colunas e formato de 26 x
O PROGRESSISTA 086 16,5.
Órgão oficial do Clube dos Progressistas, im- O de 1913 continha seis páginas e três colu-
portante associação carnavalesca que duran- nas, com a dimensão de 33 x 20,5-
te alguns anos floresceu nesta Capital, só se O primeiro número foi impresso na Tipo-
publicava por ocasião do Carnaval. grafia Moderna, à Rua dos Guajajaras, 329; o
O primeiro número foi distribuído a 27 de terceiro, na mesma tipografia, já à Rua dos
fevereiro de 1906, terça-feira gorda, tendo Caetés, 556, e o de 1913, nas oficinas da
como redator-chefe, Rabecão. O segundo, não Imprensa Oficial.
conhecemos, mas foi distribuído em 1907.
O primeiro e o terceiro, este de 1908, têm a REVISTA D E MINAS ( I ) a
087
mesma disposição material, somente com a Comércio, indústria e lavoura — este o seu
diferença dos caracteres tipográficos do ca- programa.
beçalho. Propriedade do Sr. Raul Mendes.
O último, que não trouxe numeração, circu- Três números apenas: a 15 de março, abril e
lou a 2 de fevereiro de 1913, domingo, com maio de 1906.
o cabeçalho completamente diverso dos an- Formato de 20 x 13,5, com 32 páginas no
teriores. primeiro número e 42, nos outros.
Em vez de órgão do Clube aos Progressistas, Capas rigorosamente iguais.
dizia órgão da Polia, da Graça e Defensor da Meia dúzia de páginas de texto e o resto só
Esbórnia. anúncios.
Seu diretor já era Chico Veludinho e não mais Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial,
Rabecão. Empresa Pan & Degas e gerência com a tiragem de 2.000 exemplares e distri-
de Manuel Escranchilino. buição gratuita.
110 mmtiw OÂ tânwÀ KBHO mmom : M5-M4

Redação à Rua da Bahia, 1072, hoje, 1076. ta aos moldes deste trabalho, modesto
repositório de dados históricos e estatísticos.
ANNUARIO D E MINAS P E R A I S 088 Todos os volumes de igual formato e edita-
Uma das melhores publicações do gênero dos nas oficinas da Imprensa Oficial.
até hoje editadas no Brasil. Foram publica- A publicação de um soneto acróstico no
dos seis volumes, sendo o sexto em dois primeiro volume provocou azeda discus-
tomos. são pela Imprensa, na qual se empenha-
Fundado e dirigido pelo conhecido historia- ram, de um lado, o diretor do Annuario e,
dor Dr. Nelson de Sena. de outro, descendentes de grande poeta e
O Annuarío, em suas copiosas edições, tra- romancista mineiro, apontado como autor
tava de estatística, história, corografia, finan- da mordaz sátira; um eminente político,
ças, variedades, literatura, cronologia minei- irmão do alvejado, na época já falecido, e
ra, bibliografia, indicações úteis, etc. conhecido literato que, nada tendo com a
O primeiro volume, referente ao ano de 1906, perlenga, nela foi metido como Pilatos no
veio a público a 28 de março. Credo.
Foi publicado nos anos de 1906, 1907, 1909,
1911, 1913 e 1918, o deste ano distribuído O BOHEMIO 089
em março de 1919 Este veio precedido de artigo, o que não se
Não é possível fazer-se um relato completo deu com o outro.
da matéria neles inserta, tal a quantidade e a Jornal literário e noticioso, tendo como reda-
variedade. Além dos grandes serviços que tor-chefe o Sr. Heraldo Barreto. Deu quatro
prestou com aquilo referente à época e, por- números, o primeiro datado de 2 de abril de
tanto, de caráter transitório, ainda os presta 1906 e o último, de 24 do mês seguinte.
até hoje na parte de caráter permanente, que Jamais variou de feição: sempre com o for-
é quase tudo o que encerra. O vasto sumário mato de 13,5 x 9, quatro páginas e duas
relatado em cada edição, bem mostra o valor colunas. Impresso na Tipografia Moderna,
da obra, cuja descrição completa não se adap- com a tiragem de 100 exemplares.
«matóos KIIÓBICQS

R E V I S T A DA A S S O C I A Ç Ã O Braga, Machado Sobrinho, Franklin Maga-


BENEFICENTE TYPOORAPHICA 09_0_ lhães, Ramos Arantes e Pedro Verçosa. A
Trazia por lema: labora et spera e Pro notrts apresentação de tão seleto corpo de colabo-
laboremos. radores é a melhor recomendação que se
Publicava-se a 29 de abril de cada ano, dia pode fazer do valor desta Revista.
do aniversário da Associação, fundada em Desde que estamos tratando dela, achamos
1900. azada a oportunidade para, em breves tra-
O primeiro número saiu em 1906. Além des- ços, contar a origem da fundação da socie-
se, conhecemos os de 1907, 1908, 1911 e dade que ela tão dignamente representou.
1920. Ignoramos se nos anos intermediários A Associação Beneficente Tipográfica deve
foi publicada. sua existência ao seguinte episódio, triste e
Adotou vários formatos. doloroso, é certo, mas do qual nasceu uma
Muito bem impressa nas oficinas da Impren- grande e humanitária iniciativa.
sa Oficial, trazia páginas de arte, muitas delas No Jornal do Povo, número 104, de 5 de
atestando a paciência, o gosto e a perícia abril de 1900, em ''Boêmios", aquelas
gráfica de seus executores. admiráveis e inesquecíveis crônicas que
Ótima colaboração, como se verá da lista diariamente faziam o encanto do leitor,
seguinte, composta integralmente de nomes Azevedo Júnior, impressionado com a notícia
que dispensam elogios: Álvaro da Silveira, que tivera do estado de penúria física e
Estevão Lobo, Azevedo Júnior, Aurélio Pires, material em que se encontrava um gráfico
Andrade Figueira, Nelson de Sena, Amédée na antiga Capital e que aqui já militara, deu
Péret, Canuto de Figueiredo, Vasco Azevedo, o brado de alerta, despertando a classe e
João Luís Alves, Hélio Lobo, Cícero Ferreira, concitando-a a cuidar de seu futuro, fundando
Tito Fulgêncio, Evaristo de Morais, Alcides uma sociedade de proteção e amparo a seus
Batista, Amaro da Silveira, Elisa Scheid, membros.
Albertino Drummond, Mário de Lima, João Ouvidas e acolhidas com ânimo resoluto suas
Camelo, Gudesteu Pires, Paulo Brandão, Pi- amigas e conselheiras palavras, todos os ti-
nheiro Chagas, Carlindo Lelis, Mendes de pógrafos, como se fossem um só homem, se
Oliveira, Abílio Barreto, Brant Horta, Belmiro movimentaram, pressurosos, no mesmo dia,
112

primeiro acudindo o companheiro infeliz que moderados. De um já falamos, A Actualidade.


se debatia em tão angustiosa crise, em se- Tratemos de outro, a Tribuna do Norte, peri-
guida lançando as bases da fundação da so- ódico de linguagem franca, mas dentro das
ciedade, que mais tarde seria o que estamos normas do mútuo respeito.
presenciando, com seu programa de distri- Era órgão do Centro Norte Mineiro, fundado
buir a mancheias o bálsamo e o conforto a a 11 de maio de 1906.
seus associados. Ótimo jornal, muito bem escrito e leal de-
Evitou-se, destarte, a reprodução dos lamen- fensor da região de que se fez representante.
táveis quadros a que antes assistíamos, do Não cuidou só de seu principal objetivo. Tra-
sofrimento dos beneméritos trabalhadores do tava de todos os assuntos de interesse geral,
livro e do jornal. além de estampar variadas seções, inclusive
Bendita, pois, seja a memória do grande jor- literatura, com boas produções. Acusava e
nalista, o fundador espiritual da benemérita defendia, mas dentro da ética profissional, o
Associação Beneficente Tipográfica. que lhe valeu revestir-se de autoridade para
falar e ser ouvido.
O REBATE <l ) g
091
Publicou o primeiro número a 4 de junho de
Órgão da mocidade, de direção de Perry e
1906. Não passou de 35, de 30 de igual mês
Veriano.
do ano seguinte.
Primeiro número a l c
de maio de 1906 e o
Do número 1 ao 15 foi dirigido por esta
segundo e último a 9. Formato de 17,5 x
comissão: Srs. João Camelo, Augusto Veloso,
11,5, quatro páginas e duas colunas. Impresso
Dermeval Lessa, Mário Pereira e Adeodato
nas oficinas do Estado de Minas, com a
tiragem de 120 exemplares. Pires. A partir do número 16, com a retirada

Perfeitamente iguais os dois números. do Sr. Mário Pereira, ficou assim constituída
a referida comissão: diretor, Augusto Veloso,

TRIBUNA PO NORTE 092 e redatores, João Camelo, Adeodato Pires e


Serenou a onda dos jornais extremados, se Dermeval Lessa. Os dois últimos haviam-se
bem que mais além veremos sua ressurrei- retirado pouco antes, mas retornaram às li-
ção. Estamos agora no período dos calmos e des.
WBWSOÜímiÔBKQS 113

No fim do ano suspendeu a publicação, que Redator, Sr. Olegário Dias Coelho e redação
foi restabelecida a 1° de janeiro de 1907, à Rua Antônio de Albuquerque, 313, antigo.
com o número 21. Reapareceu com esta O primeiro número tem a data de 8 de junho
direção: diretor, Augusto Veloso, e redatores, de 1906 e o décimo e último, a de 12 de
Daniel Serapião, João Camelo e J . Campos agosto seguinte. Publicação semanal, aos do-

do Amaral. Logo depois retirou-se J o ã o mingos, com a tiragem de 120 exemplares.


Os números 1 e 2 com um cabeçalho e os
Camelo e, em seguida, Daniel Serapião,
restantes com outro.
ficando somente o outro redator, J . Campos
do Amaral, que no último número teve como A tipografia de O Cravo pertenceu anterior-
mente a O Bogarí.
companheiro Oscar Veloso.
Formato de 41 x 28 até o número 34 e o 35
O ASTRO (I ) a
094
de 39 x 22,5, todos com quatro páginas e
Depois deste, tivemos mais três jornais com
quatro colunas.
o mesmo título.
Impressa, do número 1 ao 7, na Tipografia
Este publicou apenas quatro números, o pri-
Beltrão, do 8 ao 34, nas oficinas da Imprensa
meiro a 19 de junho de 1906 e o último a 12
Oficial e o 35, na Tipografia Pais & Cia., que
de setembro seguinte. Impresso na Tipogra-
se tornou sua editora-proprietária e também
fia Moderna, com a tiragem de 120 exem-
coveira, pois enterrou a folha logo no pri-
plares, a redação à Rua dos Tupis, 45.
meiro número de sua responsabilidade.
Direção do Sr. Osvaldo Barreto.
Tiragem de 2.500 exemplares. Cada oficina
Do primeiro número ao terceiro com 14 x 9
impressora adotou um cabeçalho. O primei- e o quarto com 17 x 11. Quatro páginas e
ro, da Tipografia Beltrão, foi utilizado pela duas colunas.
Imprensa Oficial até o número 16.

REVISTA ESCOLAR 095


O CRAVO 093 Primeira revista dedicada à instrução aqui
A mesma feição de O Bogarí, à exceção do editada.
último número, que se apresentou com duas A Revista Escolar era órgão da Associação
colunas. Amante da Instrução e Trabalho, tendo como
114 iiMMíOQi mmmà os seio MMQHW. ms-m4

redatores os membros da diretoria dessa en- A publicação foi iniciada a 5 de setembro de


tidade. 1 9 0 6 e por pouco tempo se prolongou. Um
Saíram três números, o primeiro em agosto trimestre apenas, pois, a 5 de dezembro saía
de 1 9 0 6 , o segundo em janeiro de 1 9 0 7 e o o último número.
terceiro em março de 1 9 0 8 . Como se obser- É esta a sina dos nossos jornais. Os fracassos
va, foi anual e não trimensal, como anuncia- se contam pelas tentativas.
va na capa. Não sofreu a menor modificação em seu fei-
Os dois primeiros números impressos na Ti- tio material. Formato de 31 x 2 1 , 5 , quatro
pografia S. Rafael, da Escola Paroquial da páginas e três colunas. Impressão das ofici-
Glória, à Rua das Laranjeiras, 5, Rio, e o ter- nas da Imprensa Oficial, com a tiragem de
ceiro na Tipografia Beltrão & Cia., desta Ca- 1 . 0 0 0 exemplares.
pital. O Diário Mineiro era muito bem dirigido,
Formato de 16 x 1 0 , número variável de contando com boa colaboração.
páginas e coluna aberta. Capa igual nos nú- Essencialmente político e militando nas hostes
meros 1 e 2 e outra para o terceiro. governistas, não tinha procura igual à dos
Boa publicação, repleta de assuntos dignos oposicionistas. O povo, a massa enfim, por
de leitura. índole e por instinto, pende sempre para a
oposição e daí a razão de prestigiar os jor-
DIÁRIO MINEIRO 096 nais feitos a seu paladar, tornando-se indife-
Folha política, literária e noticiosa. Em rente àqueles que apoiam os governos.
política, integralmente ao lado do PRM, como
assinalou no artigo de fundo. O DIABO 097
Diretor, Sr. Otávio Barreto, e redator-secre- Publicação iniciada em Barbacena, a 5 de
tário, Sr. Mendes de Oliveira. Para o primeiro agosto de 1 9 0 6 , em forma de revista. Com o
desses cargos foi convidado Vasco Azevedo, número 3 , jâ com formato de jornal, estreou
que declinou do convite, por motivos parti- nesta capital, a 7 do mês seguinte.
culares. Isso mesmo consta do primeiro nú- Redator-chefe, Sr. Costa Júnior, e redator-se-
mero. cretário, Sr. Hugo Andrade.
mmmmmiôoicos 115

Com o número 4, o segundo local, suspen- cabeçalhos, um para o número inicial e outro
deu a publicação, a 23 do mesmo mês. Rea- para os restantes.
pareceu em Barbacena, a 4 de novembro. Editada por Beltrão & Cia. e redação à Rua
Não conseguimos saber o local de impres- Santa Rita Durão, 906.
são. A tiragem acusada no cabeçalho era de Publicava notícias sobre história, estatística,
10.000 exemplares! política, artes, letras, indústria, etc.
Formato de 49 x 31,5, quatro páginas e seis
DIÁRIO D E NOTICIAS ( l ) f l
099
colunas. O mesmo cabeçalho e a mesma fei-
Sob a direção do Sr. Vasco Azevedo, o Diário
ção em ambos as números.
de Noticias encetou sua publicação a 21 de
Disse ao apresentar-se:
fevereiro de 1907.
Modificamos o nossojornal afim de pres-
Jornalista experimentado em prélios anteri-
tarmos melhores serviços ao povo, dando
ores, seu diretor imprimiu à folha um cunho
edições semanais, e modificamos
tal, que o colocou na primeira plana de seus
também um pouco o nosso programa,
pares até hoje publicados.
preferindo a crítica severa ao
Não sabemos até quando circulou, mas foi
humorismo
além de agosto de 1909, pois com o número
677, de 9, reencetou a publicação, suspensa
A PROVÍNCIA 098
em data por nós desconhecida.
A Província teve vida curta, mas bastante
Publicação matutina até o número 241, de 6
proveitosa para seus leitores.
de dezembro de 1907, e em seguida ves-
Dirigida pelo Dr. Nelson de Sena, conhecido pertina, não se publicando às segundas-feiras,
historiador patrício e grande autoridade em como anteriormente não se publicava aos
assuntos mineiros. domingos.
Saiu o primeiro número a l u
de janeiro de Vários formatos adotou. Do número 1 ao 358,
1907 e o 12" e último, a 15 de junho seguinte. 31,5 x 23,5 e quatro colunas, do número
Publicação quinzenal e tiragem de 1.000 359 a outro que não precisamos, 41 x 26 e
exemplares. Formato de 41 x 27,5, quatro cinco colunas e, finalmente, 47 x 32 e seis
páginas e outras tantas colunas. Dois colunas. Sempre com quatro páginas.
116 WNítíilô Bi iMMHU BfBftO HOmQHH: 1895-1954

Impresso nas oficinas antes usadas pelo Es- Só isso pudemos coligir sobre este jornal,
tado de Minas, situadas à Rua Curitiba, 311, por estar bastante desfalcada nossa coleção.
moderno. Daí passou para a Avenida João
Pinheiro, 205. O LÁBARO 100
Um cabeçalho até o número 33; outro do 34 O primeiro número saiu com o título de
ao 358 e do número 359 ao fim, outro. Affonso Celso e o segundo e último com a
Vasco Azevedo morreu a 11 de dezembro designação acima gravada.
de 1907. Com sua prematura e sentida morte, O número 1, de 14 de março de 1907, foi
não sabemos como ficou a direção da folha editado em comemoração da passagem do
até maio de 1908. A 2 de junho, com o nú- primeiro aniversário da fundação do Grêmio
mero 359, iniciou nova fase, sob a direção Conde de Afonso Celso.
do Sr. Augusto Veloso e redação dos Srs. A Comissão de redação compôs-se dos Srs.
Campos do Amaral e Mendes de Oliveira. Gudesteu de Sá Pires, João de Melo Franco
Outra fase se registra mais tarde, esta a final, e Átila Schultz Ribeiro.
sem que saibamos de quem a orientação. Impresso na Tipografia Joviano, com a tira-
Nessa altura deu-se a retirada de Mendes de gem de 200 exemplares e formato de 25 x
Oliveira, que passou a ser um dos redatores 17, quatro páginas e três colunas.
do Diário de Minas, em nova fase, aberta O Lábaro saiu a 7 de setembro seguinte, com
exclusivamente para a célebre campanha 39 x 22,5, quatro páginas e quatro colunas,
eleitoral de 1909-10. e impressão de Beltrão & Cia.
Na primeira fase era político, mas sem feição Nova comissão de redação, composta dos
partidária. Política geral. Na segunda, decla- Srs. Frederico Zacarias Álvares da Silva,
rou-se também livre de peias partidárias e Agenor de Sena, Olinto Martins da Silva,
na terceira abertamente político, apoiando o Gudesteu de Sá Pires e I ta giba de Oliveira.
Governo do Estado e a candidatura oficial Ambos os números com excelente
que levou à suprema magistratura da Nação colaboração dos sócios do Grêmio e de
o reconhecido pelo Congresso, mas não elei- estranhos.
to pela soberania popular. Terceiro jornal de duplo nome.
mamoosmiôeicos 117

O ALFINETE 101 previu seu desaparecimento, se não fosse


Primeiro número a 24 de março de 1907, amparado pelos assinantes, aos quais fez um
com duas colunas, quatro páginas de 15 x apelo nesse sentido. E não se enganou a
11,5. Só conhecemos este número e o 3, direção da folha, tanto assim que, a 19 de
que saiu a 2 de maio, trazendo novo setembro seguinte, com o número 44, foi
cabeçalho, formato de 15,5 x 11 e o mesmo compelida a suspender sua publicação, em
número de páginas e colunas do anterior caráter provisório, mas que se tornou efeti-
O primeiro número impresso, ao que pare- vo, a bem dizer.
ce, nas oficinas do Diário de Noticias e o Publicação quinzenal, formato de 40,5 x 27,5,
terceiro, na Tipografia Beltrão, como nele quatro páginas, quatro colunas e tiragem de
se declara. Naquele, figura como redator 3 0 0 0 exemplares.
Cássio Danilo e neste o Sr. Renato Lima, que Três anos mais tarde, a 13 de março de 1911,
usava aquele pseudônimo. reapareceu com o número 45, mas de que
Publicação quinzenal e redação à Rua dos forma? Para dar apenas essa amostra e desa-
Tupinambás, 793 parecer de uma vez para sempre. Nessa fase,
Muito interessante e bem-feito este jornal- que morreu no nascedouro, era de proprie-
zinho. dade de J . B. Palermo & Cia.
Até o número 9, impresso na Tipografia
O PROPAGADOR MINEIRO 102 Beltrão & Cia. e depois nas oficinas da Im-
Órgão de propaganda comercial, industrial prensa Oficial, menos o último, que o foi
e das riquezas minerais do Estado. nas oficinas do Diário da Tarde.
Propriedade dos Srs. Raimundo Alves Pinto Cabeçalho e título uniformes até o número
e Raul Mendes. Redatores os mesmos, até o 44. O 45 saiu completamente diferente dos
número 25 e daí até o número 28, o Tenente outros na parte gráfica.
Cristiano Alves Pinto, que a partir do número O Propagador Mineiro foi um jornal que ines-
29 teve como companheiro o Sr. Agenor de timáveis serviços prestou à economia mineira,
Sena. fazendo conhecidas as riquezas do Estado além
Data de 21 de abril de 1907 o início de sua de suas fronteiras. Inseria, também, vasto
vida. No número 31, de 10 de abril de 1908, noticiário, crônicas, literatura, curiosidades, etc.
118

A CAPITAL (3 ) a
103 Publicação quinzenal e redação à Rua Antônio
É este o terceiro jornal com o título supra. de Albuquerque, 189, antigo.
Mas dois serão ainda descritos. Foi lançado a público no dia 16 de maio de
Primeiro número a 25 de abril de 1907 e o 1907. É escusado dizer que pouco tempo
nono e último a 12 de julho seguinte. teve de vida. Apenas quatro números saíram,
Publicação semanal, as quintas-feiras, e edi- sendo o último a 10 de julho. Há mesmo
ção das oficinas da Imprensa Oficial, com a caveira de burro na Imprensa de B e l o
tiragem de 500 exemplares. Horizonte.
Redação à Rua dos Tupinambãs, 805. O primeiro número foi composto nas ofici-
Formato de 3 1 , 5 x 20,5, quatro páginas e nas do Diario de Noticias e impresso na Ti-
três colunas. Feição rigorosamente igual em pografia Moderna. Os outros saíram da Ti-
todos os números. pografia Mineira, de Rodrigues & Cia.
Foram seus redatores os Srs. Fernando Gon- Os dizeres do cabeçalho sem alteração. Va-
çalves Pena e Augusto de Lima Filho. riaram, porém, os caracteres tipográficos do
Como colaboradores, estampava os nomes título: um para o número 1, outro para o
de três grandes astros de nossa literatura — número 2 e outro para os números 3 e 4.
Guimarães Passos, Olavo Bilac e Augusto Formato de 15 x 11,5 para os dois primeiros
de Lima. Colaboradores honorários, porque números e 18,5 x 13 para os dois últimos.
deles nada vimos nas colunas do jornal. Tiragem de 200 exemplares,
Colaboraram em A Capital Mendes de literatura e variedades.
Oliveira, Mário de Lima e Hermes Fontes.
Bom jornal e bem escrito, mas, como quase O CONFEDERAL 105
todos, de vida efêmera. Órgão do Centro Confederativo dos Operá-
A Capital foi substituída por A Gazeta ( 2 ) .
a
rios do Estado de Minas.
Redator, Dr. Alcides Batista Ferreira, o malo-
A F I A M M U LA 104 grado moço cujo trágico fim é conhecido.
Jornal pequeno, mas muito bem-feito. Diretora, a comissão principal do Centro.
Diretor, Sr. Mário Linhares, e redatores, os Srs. Seu programa foi assim traçado no artigo de
José Linhares Júnior e Olegário Dias Coelho. apresentação intitulado — "Na Liça":
mamooçmfóüKos 119

Aparece hoje O Confederai como O GALENO 106


órgão do Centro Confederativo dos Mais um jornal de propaganda. Órgão co-
Operários do Fstado de Minas, tendo mercial, literário, noticioso e recreativo, de
por divisa: união, desinteresse e propriedade da Farmácia Neves, estabelecida
trabalho, e como realização da 3a
à Rua São Paulo, 372, hoje, 371. Não passou
conclusão do Congresso Operário de um número, distribuído a 16 de junho de
reunido em Sabara de 2 a 6 do mês 1907.
próximo passado, que diz Para pre- Formato de 31,5 x 22,5, quatro páginas e
parar o operariado para a luta três c o l u n a s . Impresso na Tipografia
profícua pelos seus direitos, o Centro Moderna, de Santos & Costa, à Rua dos
Confederativo fundará uma imprensa Caetés, 556, com a tiragem de 3.000 exem-
livre e independente, de doutrina e plares.
propaganda, a qual terá regula-
mentação especial, feita pela comissão A LETTRA 10J
central... Somente três números foram dados à publi-
A 2 de maio de 1907, foi distribuído o nú- cidade, o primeiro a 23 de julho de 1907 e o
mero-prospecto, iniciando a publicação or- último a 21 de setembro seguinte.
dinária a l do mês seguinte. Com o número
fl Impressa na Tipografia Mineira, de Rodrigues
4, de 7 de agosto, cessava a publicação. & Cia,. Publicação measal e tiragem de 500
Formato de 40,5 x 27,5 e quatro colunas exemplares.
para os números-prospecto 1 e 2 e 31,5 x Os números 1 e 2 sob a direção do Sr.
20,5 e três colunas para os números 3 e 4. Sizenando de Barros e redação dos Srs.
Todos com quatro páginas. Impresso nas Orozimbo Nonato da Silva, Waldemar de Oli-
oficinas da Imprensa Oficial. veira Costa, Miguel Batista Vieira e José Co-
Apesar dos poucos números publicados, este elho Linhares Júnior. Com a retirada dos ou-
jornal muito fez cm prol da classe. tros diretores, o número 3 ficou sob a dire-
Redação à Rua Bernardo Guimarães, 910, ção do Sr. Waldemar de Oliveira Costa e re-
antigo. dação do Sr. Miguel Batista Vieira.
120 IfMtíNO Oi IMMHtt DfBttO HÕ1IIÔM: 1895-1954

Uniforme a parte material em todos os nú- No primeiro número declarou que vinha em
meros. O mesmo cabeçalho e formato de 22 substituição a A Capital (3 ).
B

x 15,5, quatro páginas e três colunas. Era jornal político, apoiando o governo do
Redação à Rua Santa Rita Durão, 884. Presidente João Pinheiro.
Redigida por quem foi, A Lettra não podia Muito noticioso e de texto variado.
deixar de ser, como aconteceu, um aprecia-
do jornal. A REACÇÃO 109
Revista mensal, fundada por iniciativa dos
A GAZETA (2 ) a
108 alunos do 2° ano de Direito, com a seguinte
Segundo dos quatro jornais que tiveram esse comissão redatora: A. Duarte, Tibagi Navarro,
nome. Tito Lívio, Afonso Santos e Alcides Sousa.
A 1° de agosto de 1907, dava seu primeiro Foi a 11 de agosto de 1907, dia do aniversá-
número. Com o número 18, de 8 de julho de rio da fundação dos cursos jurídicos no Bra-
1908, cessava a publicação. Até dezembro sil, que saiu o primeiro número.
de 1907 deu 12 números. Em 1908 começou Apesar de ter anunciado publicação mensal,
nova numeração, que foi até 18. Assim, 30 o segundo número só apareceu quase um

números foram publicados. ano depois, em 5 de julho de 1908. O res-

Redatores, Srs. Fernando Pena e Sena Vale, pectivo editorial teve o título "Ressurgindo

até 21 de março de 1908. Nesta data retirou- e Vencendo". Ressurgiu, sim; mas não
venceu, porque nesse número ficou.
se o primeiro, passando a constar do cabe-
Formato de 18 x 11, doze páginas no pri-
çalho redatores diversos.
meiro número e dezessete no segundo e duas
Publicação semanal e impressão das oficinas
colunas.
da Imprensa Oficial, com a tiragem de 2.000
exemplares. Não alterou seu feitio, aliás de Impressa na Tipografia Beltrão, com a tira-
aspecto muito agradável. Formato de 38,5 x gem de 300 exemplares.
27, quatro páginas e quatro colunas. Capa igual em ambas as edições. A primeira
Redação à Avenida Paraopeba, 235, e depois destas não trouxe cabeçalho interno.
à Rua Alagoas, 844. Boa e variada colaboração.
rnsmooíPif/iôoicos 121

M A R I O DO POVO 110 também era a redação. Formato de 39 x 28,


A 7 de setembro de 3907, foi distribuído, quatro páginas e cinco colunas.
gratuitamente, o número-prospecto deste jor-
nal, que dele não passou. O PRELUDIO 112
Propriedade e direção do jornalista e poeta O Preludio, quinzenário noticioso e literário,
Rodrigo Teófilo Gomes Ribeiro. de propriedade de uma associação de estu-
No corpo de redação figuravam os nomes dantes, apareceu a 3 de outubro de 1907 e
de Mendes de Oliveira, Carlindo Lélis e Carlos desapareceu um mês depois, a 2 de novem-
Veloso. bro, com o número 3-
Grande formato, 45 x 30,5, quatro páginas e Formato de 20 x 15, quatro páginas e três
cinco colunas. Impresso nas oficinas da Im- colunas. Ótima aparência e muito bem im-
prensa Oficial, com a tiragem de 1.000 exem- presso pela Tipografia Mineira.
plares. Direção do Sr. Jorge Silveira e redação à Rua
Dado o grandioso programa divulgado, ple- do Espírito Santo, 454, e depois à Rua dos
no êxito alcançaria o jornal, se não fosse sua Timbiras, 1391.
morte antes de nascer, porque morreu ao Em 25 de dezembro do mesmo ano de seu
anunciar sua futura vida. aparecimento, ressurgiu em Varginha, terra
Teve a colaboração de Augusto de Lima, natal de seu diretor, com o número 4.
Mendes de Oliveira, Álvaro da Silveira,
Carlindo Lélis, Lúcio dos Santos, Nelson de A RUA 113
Sena, João Camelo e Nazareth Menezes. Jornal independente. Jamais saiu bíssema-
nalmente, como se lia no cabeçalho.
A NOTICIA ( l )
f l
111 Primeiro número a 12 de novembro de 1907
Jornal independente, de propriedade de uma e o oitavo e último a 8 de janeiro seguinte.
associação anônima. Direção dos Srs. Silva Guimarães e José Afon-
Redator-chefe, Sr. Costa Júnior. so Mendonça de Azevedo. Este se desligou
Publicou unicamente um número, a 15 de da redação em meados de dezembro.
setembro de 1907, impresso na Tipografia Formato de 40 x 27, quatro páginas e quatro
Mineira, à Avenida Afonso Pena, 1052, onde colunas no primeiro número e cinco nos outros.
122 nmtíno DÁ mmm of BHÔ mmonn ms-m4

Oficinas próprias e redação à Rua São Paulo, as edições. Publicação quinzenal, rigorosa-
665. mente observada.
O cabeçalho teve sempre a mesma disposi- Impresso nas oficinas da Imprensa Oficial e
ção; só foi mudado o tipo do título, a partir redação à Rua dos Aimorés, 1486.
do número 3. Como se vê, na parte material, perfeitamente
No artigo de apresentação disse: igual ao antenor.
Aqui é A Rua onde se ri e se reclama,
onde tudo se fala e tudo se discute. O JARDIM 116

Vasto noticiário e excelente parte literária. Pequenino jornal, impresso pela Tipografia
Joviano & Cia. Formato de 11,5 x 9, quatro
páginas e duas colunas. Não passou do pri-
O SOL 114
meiro número, datado de 2 1 de novembro
A 15 de novembro de 1907, foi publicado o
de 1907. Diretor, Sr. A. Roque.
primeiro número deste pequeno jornal. Não
sabemos se continuou.
O BINÓCULO 117
Redator-chefe, Sr. Milton Barcelos.
Semanário de grande alcance no belo
Formato de 18,5 x 12, quatro páginas e duas
horizonte da vida mineira— Literatura,
colunas. Anunciou publicação quinzenal.
arte, ciência, comércio, lavoura e
Impresso nas oficinas da Imprensa Oficial,
indústria.
sendo a redação à Rua dos Tupis, 187.
Estes seus principais fins, estampados no ca-
beçalho.
O P R O G R E S S O (13 115
Surgiu a 12 de abril de 1908.
Iniciou a publicação na mesma data do pre- Em "O Nosso Fito", seu artigo de apresenta-
cedente, 15 de novembro de 1907. Dirigido ção, traçou o programa a seguir, dele exclu-
pelo Sr. Temístocles Barcelos. indo a politica. O prurido, porém, que essa
Só possuímos até o número 5, de 15 de ja- megera desperta no sentimento de todo bra-
neiro de 1908, que julgamos ter sido o último. sileiro, não se fez esperar em assaltar os
Formato de 18,5 x 12, quatro páginas e duas diretores de O Binóculo, tanto que no número
colunas. A mesma feição material em todas 8, de 3 1 de maio, já se incluía em suas normas
tfSBWDOffft/ÔMÕS 123

de publicidade mais esse objetivo, como de- Francisco Rocha, Justino Carneiro e José Ne-
clarou o artigo "Novo Rumo". ves.
Direção do competente jornalista, o vene- O Binóculo publicava-se semanalmente, aos
rando Sr. Antonio Lima, hoje residente no domingos, tendo saído com rigorosa pontua-
Rio de Janeiro. lidade.

Formato de 22,5 x 14, sempre com 14 pági- O número 8, já citado, disse que:
nas e duas colunas. Entrou a fazer parte integrante de O

Oficinas próprias, à Rua Pouso Alegre, 36, e Binóculo o Dr. Joaquim Batista de Melo
Filho, que, como novo diretor e redator,
redação à Rua do Espírito Santo, 278 e de-
vai encarregar-se de orientar uma nova
pois à Rua da Bahia, 916.
feição desta revista, desde junho em
Contorno da capa desenhado por Raul e,
diante.
portanto, igual em todos os números. O
Ao que parece, isso não se confirmou, por-
centro, porém, variava, trazendo gravuras hu-
que jamais vimos edição alguma posterior à
morísticas.
que contém tal declaração. Assim, para nós,
O cabeçalho interno era de original concep-
foi esse o último número publicado.
ção. Representava um palhaço assestando um
Notamos a colaboração dos seguintes inte-
binóculo, ao qual serviam de objetivas as
lectuais: Augusto de Lima, Machado Sobri-
duas letras " O " do título. Igualmente
nho, Belmiro Braga, Heitor Guimarães, Ben-
desenhado por Raul, o grande caricaturista to Ernesto Júnior, Carlindo Lélis, Paulo
brasileiro. Brandão, Azevedo Júnior e Artur Ragazzi.
Não encontramos nesta revista a rnínirna no- Manteve, com freqüência, as seguintes se-
tícia sobre seu corpo de redatores e de téc- ções: "Por um óculo", assinada por Honório;
nicos. Foi ele, porém, o seguinte, conforme "Corda Bamba", de autoria de Malagueta e
lemos em A Gazeta de 21 de março, ao no- "Sombras", de Luigi a primeira produção e
ticiar o próximo aparecimento de O Binóculo. de Quincas as demais. "Por um óculo" e
redatores, Mendes de Oliveira, Cícero Lopes "Corda Bamba" eram crônicas em que se co-
e Abílio Machado; chefe do atelier fotográfi- mentavam fatos do tempo e "Sombras"
co, Aldo Borgati; desenhistas, Abreu e Silva, ligeiros perfis de conhecidas pessoas, com a
124 iimtíno OÍ mim «BUO fiomiom. W5-M4

silhueta do perfilado. Estampava várias intitulado "Um Episódio", em que conta o


ilustrações e gravuras humorísticas. fato, ocorrido em Ouro Preto, do preso
Alguns jornais da época, noticiando o próxi- Jeremias, que ia ser enforcado e que afinal
mo aparecimento desta revista, prognostica- teve a pena comutada para galés perpétuas,
ram-lhe um sucesso jamais alcançado em por interferência do então Deputado Inácio
nossa Imprensa e uma perfeição sem prece- Martins, o grande mineiro depois agraciado
dentes. Nada disso se confirmou, nos moldes com o título de Visconde de Assis Martins.
anunciados, porque O Binóculo, além de não Também colaboraram Amédée Péret, João
atingir a perfeição preconizada, não teve Camelo, Assis Cândido, Áurea Pires, Mário
melhor projeção do que outras publicações Linhares, Mário de Lima, Artur Ragazzi, Men-
aqui nascidas sem antecipados e retumban- des Mota, Nicanor Noronha, Olegário Dias
tes louvores. Os exageros laudatorios são Coelho, B. Martins, Osvaldo Araújo, Augusto
sempre prejudiciais.
de Lima, Teixeira de Sales, Gastão Itabirano,
Não obstante, não podemos deixar de pro-
Afonso Celso Júnior e Coelho Neto.
clamar, com inteira justiça, seu inegável va-
Um belo jornal, que muito prometia.
lor.

HIQH-UFE 119
VIA LÁCTEA 118
Jornal de propaganda da alfaiataria do mes-
A 13 de maio de 1908, foi publicado o pri-
mo nome, de propriedade do Sr. Augusto
meiro e único número desta folha, órgão li-
Lovalho e situada à Rua da Bahia, 1025.
terário do Grêmio Olavo Bilac.
A 14 de julho de 1908 foi publicado o pri-
A comissão de redação compôs-se dos Srs.
José Osvaldo de Araújo, Gastão Itabirano e meiro número e supomos tenha sido o único.

Teixeira de Sales. Formato de 26,5 x 19, quatro páginas e qua-

Formato de 38 x 28, quatro páginas e cinco tro colunas.

colunas. Impressa na tipografia da Casa Pais Impressão de Pais & Cia., à Rua da Bahia,

& Cia. 9 1 6 , e tiragem de 1 0 . 0 0 0 exemplares. Estes

Bom número, com a colaboração de Diogo algarismos vão por conta da redação. Sua
de Vasconcelos, que escreveu belo artigo distribuição era gratuita.
mmoosMióüiM 125

O ESPIRITA MINEIRO 120_ Mesmas características da primeira fase, mas


Órgào da Federação Espirita Mineira, que com capa de outro aspecto e número de
depois passou a denominar-se, como até ago- páginas aumentado para doze.
ra, União Espirita Mineira. Só circularam cinco números, sendo que o
O Espirita Mineiro está circulando no mo- último em julho.
mento em quinta, fase, todas elas bem dis- Ignoramos o local da impressão do primeiro
tanciadas entre si e bastante curtas. Basta número. Os números 2 e 3 foram impressos
dizer que, em 44 anos de existência, ainda na Tipografía União, à Rua Curitiba, 626, e
não atingiu a duas centenas de edições. os números 4 e 5 na Tipografia Rocha, à
Descrevamos, assim, sua longa trajetória mesma rua, n° 6 l 8 .
através dos tempos. Depois dessa, veio a terceira fase, começada
A primeira fase foi iniciada a l ü
de agosto com o número 6, de novembro de 1936, em
de I9O8 e se prolongou até 1912. Começou formato de jornal novamente. Continuou com
como jornal e em setembro do ano seguinte a indicação do ano V, mas em 1937 modifi-
tomou o feitio de revista, assim se mantendo cou-a para ano III, por ter tomado então como
até desaparecer. ponto de partida para a contagem do tempo,
Como jornal tinha o formato de 32,5 x 22, o início da segunda fase, 1935, desprezando
quatro páginas e outras tantas colunas, e como o período da primeira, 1908-1912, que, se
revista o de 22 x 14, oito páginas e duas fosse adicionado, acusaria ano VII.
colunas. Capa de revista e cabeçalho do jornal Apresentou-se esse número com 28,5 x 19,
sem modificações. quatro páginas e quatro colunas. Logo de-
Oficinas próprias, as mesmas que anterior- pois passou a ter o formato de 37,5 x 23,5,
mente serviram a O Binóculo. e o de 41,5 x 28 a partir do número 22.
Ressurgiu em segunda fase 23 anos depois, Desta fase só conhecemos até o número 48,
em março de 1935, ainda como revista, assi- de abril de 1940. Pouco mais viveu. Não
nalando ano I, número 1. No número 2, en- conseguimos saber onde se imprimia.
tretanto, já constava ano V, por se terem com- Desde sua fundação, até junho de 1937, es-
putado os quatro anos de publicação anteri- teve O Espirita Mineiro sob a direção do
or (1908-1912). ilustre e saudoso jornalista Antônio Lima. A
126 IfINfSÁBIO Oi IMMi OéBflõ H0MQH1Í: I895-M4

partir do número 15, de 15 de julho seguinte, ano XLIV, de publicação mensal, rigorosa-
foi substituído pelo Professor Cícero Pereira. mente seguida.
Ignoramos a data do último número desta Voltou com o formato de 38 x 26,5 no pri-
fase. Em outubro de 1944, lançou uma edi- meiro número e 43 x 28,5 nos seguintes.
ção ocasional e especial, sem numeração, Em ambos os formatos, com quatro páginas
para comemorar a semana espírita em ho- e cinco colunas. Impresso na Gráfica Belo
menagem a Alan Kardec. Horizonte, à Rua dos Tupinambás, 617.
A quarta fase teve começo a l de maio de
tt
Diretor, Dr. Camilo Rodrigues Chaves e re-
1948, com o número 1 do ano XLl, por ter datores, Srs. Ademar Dias Duarte e Jorge Aze-
contado o tempo de sua existência desde a vedo. Este foi, depois, substituído pelo Sr.
data de fundação, não obstante as constantes Ismael Ramos das Neves, que após passou a
soluções de continuidade verificadas. secretário, cargo então ocupado pelo Sr. Jai-
O número 10, de 31 de dezembro de 1949, me de Ávila Machado.
é o de numeração mais elevada que conhe- O Espirita Mineiro é um lídimo representante
cemos. do Espiritismo e esforçado defensor de seus

Formato de 42 x 29, quatro páginas e cinco ideais, sendo por isso muito difundida sua

colunas. circulação.

Diretor, Dr. Camilo Rodrigues Chaves; reda-


tor, Dr. Noraldino de Melo Castro e secretá- A JUSTIÇA 121
rio, Sr. Martins Peralva. Foi lançada à luz da publicidade a 6 de se-
À esquerda do título e num retângulo lê-se: tembro de 1908.
Preparai as veredas do Senhor. João. O tipo Até o número 8, de 31 de outubro, órgão
de letras do título foi mudado a partir do literário e noticioso, de propriedade do Sr. F.
número 10. Impresso na Editora Minas Ge- Costa. Com esse número suspendeu a publi-
rais SA., à Rua dos Tamoios, 1023, e em cação, só restabelecida em 19 de janeiro se-
outras oficinas. guinte, como órgão independente e sem citar
Não sabemos quando terminou esta fase. o nome de seu proprietário. Meses depois, a
Finalmente, em março de 1952 reapareceu, 21 de outubro de 1909, deu por finda sua
portanto em quinta fase, com o número 1 do carreira, com o lançamento do número 35-
üummmiôoicos 127

Redação de Barreto de Oliveira e J . Guivanni O A S T R O (2*) 123


até o número 5, e somente do primeiro do Fste astro atravessou o firmamento da Im-
número 6 até o final. prensa como um relâmpago, pois não pas-
Vários foram os formatos. O número 1 com sou do primeiro número, publicado a 5 de
16 x 11 e duas colunas; 2 a 8 com 20 x 15,5 fevereiro de 1909. Segundo do nome.
e três colunas, e 9 a 35 com 30 x 21 e Formato de 16 x 12,5, quatro páginas e três

quatro colunas. Um cabeçalho para cada colunas.

formato e quatro páginas em todos. R e d a ç ã o à Rua Curitiba, esquina de

Publicação semanal e impressão da Tipogra- Guaicurus, e direção do Sr. Leandro Barbosa.


Lia-se no cabeçalho "semanário independente''.
fia Mineira, à Avenida Afonso Pena, 1052,
até o número 8, e em seguida em oficinas
O D. V I Ç O S O 124
próprias, como noticiou o número 9-
O D. Viçoso, nome que nos recorda o santo
Tiragem de 700 exemplares.
varão príncipe da Igreja marianense, era ór-
Redação à Rua da Bahia, 1045, e depois à
gão dos alunos do Colégio D. Viçoso, acre-
Rua Estrada de Ferro, como era conhecida a
ditado estabelecimento de ensino secundário
Rua Ramal, hoje, Mauá.
que existiu nesta Capital.
A Justiça foi uma publicação bem-feita e de
Conhecemos só quatro números: o primeiro
amplo noticiário.
de 10 de fevereiro de 1909, o segundo de
18, o terceiro de I dc março e o sétimo de
o

T R I B U N A DO P O V O 122
3 de julho, todos bem colaborados pelos
Deste jornal, de que não possuímos nenhum alunos.
exemplar, só podemos dar as lacônicas notas
Formato de 26 x 18,5 para os três primeiros
que se seguem.
números e de 30 x 23,5 para o último. Qua-
Órgão independente, de redação do Sr. tro páginas e três colunas e o mesmo cabe-
J o ã o de Lima. O primeiro número foi çalho em todos.
distribuído em 19 de janeiro de 1909, com Ao que parece, foi impresso nas oficinas do
o formato de 26,5 x 18, quatro páginas e Diário de Noticias. Tiragem de 200 exem-
quatro colunas. plares.
128 limtím Oi IMMHSi OfíêtÔ H0M0H1Í: 1895-1954

Redação à Rua da Bahia, 1542. Segundo número— Saiu a 26 de janeiro de


Em 1 6 de maio de 1911. um jornal local 1911, em pleno carnaval. Pouca diferença
noticiou o aparecimento do primeiro número do anterior.
do Dom Viçoso, órgão dos alunos do colégio Agora
de igual nome. A nosso ver, não se tratava órgão esfusiante do espírito, da graça e
do aparecimento de novo jornal, e sim de do humorismo — Número único... no
reaparecimento do antigo, com o nome mo- gênero — Ano da galhofa e da folia —
dificado. Momo é o chefe. Secretário é o Pierrot.
Dessa fase não conhecemos nenhum exemplar. Formato de 32,5 x 20,5. Mesmo local de
impressão.
MATAK1NS 125 Terceiro número — Carnaval de 1912. Dis-
Publicação carnavalesca, de propriedade do tribuído a 18 de fevereiro. Órgão oficial da
Clube Matakins, importante sociedade que galhofa e da folia — Ano da graça Matakim
floresceu aqui, durante muitos anos. — Número único no gênero.
Só destacadamente podem ser tratados os Formato igual ao anterior. Não conseguimos
cinco números editados, tal a diferença exis- identificar o local da impressão.
tente entre eles. Até aqui saía em formato de jornal e com o
Primeiro número — Durante o tríduo de nome de O Mataquim. As duas edições em
Momo, de 1909, que decorreu de 21 a 23 seguida descritas saíram com o nome de
de fevereiro, foi profusamente distribuído Matakins e em formato de revista.
pelos carros alegóricos o primeiro número Quarto número — Datado de 2 de fevereiro
deste jornal, órgão esfusiante do espirito, da de 1919.
graça e da folia. Formato de 28 x 20, 18 páginas e três colunas.
No cabeçalho estampava: Número único... Impressão de Oliveira, Mesquita & Cia., à Rua do
no gênero — Ano da galhofa — Redator- Espírito Santo, 529, e Avenida Afonso Pena, 1050.
chefe, Momo, Secretário, Pierrot. Quinto e último número — É de 15 de fevereiro
Formato de 31 x 20,5, quatro páginas e três de 1920, sendo perfeitamente igual ao quarto,
colunas. Impresso nas oficinas da Imprensa salvo cjuanio ao número de páginas, que ascendeu
Oficial. a 26, sem numeração, como as daquele.
«smusoosmôBicõs 129

I m p r e s s o nas o f i c i n a s de O l i v e i r a & Primeiro número a 4 de março de 1909 e o


Costa, sucessores da firma impressora do segundo a 24, únicos de que temos notícia.
número 4. O mesmo cabeçalho e a mesma feição ma-
terial: formato de 30,5 x 22,5, quatro páginas
A E P O C H A (2«) 126 e quatro colunas.
Para não fugir à regra geral, este jornal foi Impresso nas oficinas da Imprensa Oficial,
de curta duração. Surgiu no dia 24 de com a tiragem de 200 exemplares.
fevereiro de 1909 e desapareceu com o Redação à Rua Tomé de Sousa, 878.
número 3, de 16 do mês seguinte.
Órgão consagrado à defesa do povo, teve A VIOLETA (2*) 128
como redator o Sr. F. Ribeiro de Carvalho. Iniciou a publicação a 28 de março de 1909,
Formato de 30 x 23, quatro páginas e quatro com o título de Violeta. Passou a ser A Viole-
colunas. Não alterou o cabeçalho. ta com o número 10, de 15 de junho. O
Impresso na Tipografia Mineira, à Avenida acréscimo do artigo foi-lhe funesto, pois com
Afonso Pena, 1052, com a tiragem de 500 o número seguinte, saído a 24, deixou de
exemplares. existir.
Redação à Rua da Bahia. Mimoso jornal, dedicado às senhorinhas mi-
No artigo de frente disse: neiras.
Aparecemos hoje no periodismo minei- Publicação semanal, bastante regular.
ro alheios a quaisquer compromissos Direção dos Srs. Osvaldo de Araújo, Gastão
partidários, sem ligações a idéias ou con- Itabirano e Antônio de Oliveira.
ceitos que um órgão de igual nome aqui Até o número 9 teve o formato de 19 x 11,5
há tempos emitiu. e duas colunas, e nos dois últimos o de 26,5
É o segundo jornal deste nome. x 17 e três colunas. Quatro páginas em todos.
Edições da Tipografia Mineira, à Avenida
A NOTÍCIA (2«) 127 Afonso Pena, 1052, com a tiragem de 300
Semanário literário e noticioso, de redação exemplares.
do Sr. O. Brant e colaboração de diversos. Os números de menor formato foram im-
Segundo do título. pressos a cor, trazendo um elegante
130 niHftim ÚÍ mm «Bito m/m/f: ms-m4

cabeçalho, modificado nos números Titânica e hercúlea luta sustentou este jornal.
seguintes. Na qualidade de órgão do Partido Civilista,
Redação à Praça 12 de Outubro, 492 (atual teve de terçar armas com todos os adversári-
Praça Sete). os e a todos rebater, aparando-lhe os golpes,
A Violeta teve ótima colaboração de moços muitas vezes violentos e injustos, como soem
que depois se destacaram em nosso meio ser os desferidos nas pugnas travadas em
literário. épocas incendidas de paixões, como foi aque-
A outra A Violeta foi a do Club das Violetas, la.
descrita sob número 20. Felizmente, porém, passou a rajada e dos
dias tormentosos de fins de 1909 e princípios
C O R R E I O DO P I A ( I )
a
129 de 1910 só resta a lembrança.
O agitado período de propaganda das can- O primeiro número do Correio do Dia apa-
didaturas à curul presidencial, para o receu a 14 de julho de 1909, tendo como
quatriênio de 1910-14, fez com que redator-chefe o Dr. Alberto Álvares.
brotassem, de todos os recantos do Brasil, Durou pouco mais de um ano, pois a 12 de
centenas de jornais, advogando cada qual a agosto de 1910 publicava o último número,
e l e v a ç ã o de seu candidato à suprema que foi o 319.
magistratura do País. Desse contagioso mal Grande formato, 50 x 33,5, quatro páginas e
não escapou esta capital. seis colunas. Oficinas próprias, instaladas à
O Diário de Minas, há longos anos inerte, Rua do Espírito Santo, 1047, atual Cinema S.
com a publicação suspensa, ressurge e se Luís. Tiragem de 5.000 exemplares.
faz o intérprete dos partidários daquele que Do primeiro número ao último sem a míni-
foi reconhecido pelo Congresso e de fato ma alteração material.
tomou posse do cargo. O Correio do Dia teve ótima e vibrante cola-
Como arauto das aspirações contrárias, apa- boração de seus correligionários, que se ba-
rece o Correio do Dia, combatendo em toda tiam valentemente em prol da vitória de seu
a Unha a favor do candidato do povo, o ge- eminente candidato, a Águia de Haia.
nial e imortal brasileiro Conselheiro Rui Bar- Jornais desta natureza, de campanha política
bosa. ocasional, são ordinariamente fundados com
131

o período de existência predeterminado, 1909- Depois deste publicou mais dois,


mesmo porque, passada a refrega, nada mais espaçadamente, sendo o segundo a 15 de
lhe interessa. Basta a terminação do pleito maio.
para determinar-lhes a morte. Não esperam Transferindo-se para esta Capital, reencetou
mais, porque nada mais têm a esperar. a publicação com o número 710, de 11 de
Foi o que aconteceu ao Correu) do Dia e a setembro.
muitos outros por estes Brasis afora. Trazia a legenda — Liberdade, Igualdade e
União.
A EXPOSIÇÃO 130
Fm português só estampava alguns anúnci-
Por ocasião da F.xposição Agropecuária rea- os.
lizada nesta capital, em setembro de 1909,
Propriedade e direção do jornalista Miguel
foi distribuído, no recinto da mesma, no dia
Murad, com oficinas próprias à Rua São Pau-
10, o primeiro e único número do jornal
lo, 673-
intitulado A Exposição, exclusivamente de
Publicação semanal, aos sábados; formato de
anúncios, menos a metade da pnmeira pági-
29 x 22, oito páginas, três colunas e tiragem
na, ocupada com o artigo de apresentação.
de 800 exemplares.
Formato de 38 x 27, quatro páginas e im-
Ignoramos tudo o mais a respeito deste jor-
pressão das oficinas da Imprensa Oficial.
nal, a não ser que, em fins de 1910, ainda
Propriedade de Aldo & Correia.
circulava.
É óbvia a razão por que nada podemos dizer
A S SAWAB 131
sobre a matéria nele contida. Procuramos e
A Razão é a tradução do título.
não encontramos quem traduzisse alguma
Até o presente, assim o cremos, o primeiro
e único jornal escrito em árabe no Estado. coisa que interessasse a este trabalho.

Iniciou a publicação no Rio de Janeiro, a I a

de janeiro de 1900. Semanal ao princípio, OODONTOOOQONO 132

passando a bissemanal em 1906 e a diário a Curioso e estranho título. E o que significa?


partir de I de abril de 1908. O último nú-
o Nós o ignorávamos e o leitor certamente o
mero diário foi o 707, de 12 de fevereiro de ignora também. Vamos, porém, satisfazer sua
132 imtíno Bà lânoKà BÍBHO HOMOHW. ms-mi

justa curiosidade, transcrevendo do segundo escopo proporcionar à brilhante mocidade


número do jornal esta breve explicação acadêmica e aos demais leitores alguns mo-
...o nome Odontogogono foi pelos egíp- mentos de leitura literário-científica.
cios aplicado a um aparelho de extração
de dentes, constituído por uma A C I D A D E (1*) 133
talhadeira e um pequeno martelo. Esse
Semanário independente, científico, literário
aparelho, cujo valor histórico é
e noticioso.
incontestável, porque teve aplicação 400
O primeiro número foi dado à publicidade a
anos antes de Cristo, é encontrado nas
16 de dezembro de 1909. Conhecemos até
múmias do Egito, guardadas na Europa.
a edição de 7 de setembro de 1910, número
Está, assim, satisfeita a curiosidade de todos.
23.
O Odontogogono era órgão do Centro
Odontológico Osvaldo Cruz, tendo como re- Redator-chefe, Sr. Antenor Oliveira e, de-

dator o Dr. Levi Cerqueira e como diretor o pois, o Sr. Manuel Pontes.

Sr. Assis Moreira Júnior. Formato de 27 x 19, quatro páginas e cinco


Publicação quinzenal, iniciada a 15 de no- estreitas colunas até o número 4, e quatro
vembro de 1909. A 15 de maio de 1910, nos demais. Cabeçalho sem modificação. Ti-
com o número 7, desapareceu do cenário. ragem de 300 exemplares, impressos em pa-
Adotou dois formatos. Os números 1 e 2 pel rosa, a partir do número 5.
com 26,5 x 17 e três colunas e do número 3 Redação e oficinas à Rua dos Guajajaras, 110,
ao fim, 38 x 27 e quatro colunas. Todos com hoje, 97.
quatro páginas. Tiragem de 500 exemplares. A Cidade foi um jornal muito noticioso.
Os números de menor formato impressos na
Tipografia Mineira, à Avenida Afonso Pena, O A S T R O (3 ) a
134
1052, e os de maior, nas oficinas da Imprensa Em 27 de janeiro de 1910, surgiu este jornal,
Oficial. Cada formato, cada cabeçalho. o terceiro do nome, mas não o último, pois
Redação à Rua dos Aimorés, 1274. temos ainda mais um a descrever.
O Odontogogono, completamente afastado Pouco depois, a 21 de março, com o número
das competições políticas, tinha por principal 6, interrompeu a p u b l i c a ç ã o , que foi
mmsoosmióoicQS 133

restabelecida a 24 de outubro, com nova nu- Cabeçalho rigorosamente igual em todas as


meração. edições.
No primeiro período teve como diretor o Sr. Redação à Rua da Bahia, 463.
Osvaldo Gomes e redator o Sr. Osvaldo
Barreto e no segundo como redatores os Srs. D I Á R I O P A T A R D E (!•) 136

Manuel Ribeiro Pontes e Osvaldo Gomes de Primeiro dos três assim intitulados.
Sousa. A 19 de abril de 1910, ao lançar o primeiro
Órgão republicano. Partidário, em política, número, disse o Diário da Tarde-.

do candidato oficial à Presidência da Re- Fazer o jornal leve, em que se reflitam


todos os aspectos da vida urbana, um
pública, indicado na convenção de maio de
jornal que se bata pelas mais urgentes
1909.
necessidades locais, um diário que seja,
Formato de 27 x 22 e quatro colunas nos
enfim, o termômetro exato da nossa cul-
primeiros números e três nos outros. Quatro
tura, do nosso progresso, industrial e co-
páginas em todos.
mercial— tal o escopo do Diário da Tar-
Impresso nas oficinas da Imprensa Oficial.
de. No terreno político não precisamos
Redação à Rua do Espírito Santo, 1314.
nos definir—fomos sempre partidários
da ordem. Por conseguinte, apoiaremos
A REPUBLICA 135
a atual situação enquanto ela se manti-
Proclamada a 18 de fevereiro de 1910. Só ver, como até agora se tem mantido, den-
temos até o número 3, de 12 de março, que tro da órbita da Justiça e do Direito
acreditamos ter sido o último. Até o número 54, de 30 de junho, teve como
Como o anterior, também defensor da candi- redatores os Srs. Horácio Guimarães e Ramos
datura oficial. Redatores, Srs. Tomé de Freitas César. Do dia seguinte em diante, entraram
e Manuel da Mata Machado. como diretores os Srs. Raul de Faria e Augusto
Formato de 38,5 x 27, quatro páginas e qua- Veloso, continuando, porém, aqueles reda-
tro colunas. Impresso nas oficinas da Impren- tores e entrando mais o Sr. Teodomiro
sa Oficial, como todos da época que adotaram Pacheco. Posteriormente, em período cujo
a candidatura já referida. início não precisamos, aparecia como redator
134 llIffltilQ U lâmHU Bf BUO HOHIOHII: 1895-1954

apenas o Sr. Ramos César e, finalmente, no e outra vez à Rua dos Timbiras. Essas ofici-
cabeçalho não constava mais nome algum nas foram as mesmas que serviram ao Cor-
de diretores ou redatores. reio do Dia.
O último número de nossa coleção é o 275,
de 10 de junho de 1 9 1 1 . Depois desse, pou- GAZETA P E NOTICIAS 137
cos saíram.
Nada de semelhança com sua velha homôni-
Dois formatos adotou: de 40 x 26,5 no prin- ma, do Rio de Janeiro.
cípio e no fim e 48,5 x 34 no período inter- Apesar de pequenina, trazia no cabeçalho
mediário. No formato maior cinco colunas e este pomposo título: órgão critico, político,
no menor as mesmas cinco no início da pu-
literário e noticioso.
blicação e quatro no final.
Só conhecemos o primeiro número, saído a
Não obstante possuir oficinas próprias, as
6 de maio de 1 9 1 0 , com o formato de 13,5 x
edições da fase começada a I de julho fo-
o

9 , 5 , quatro páginas e duas colunas.


ram impressas, a partir de certa data, nas
Redator, Sr. A. Oliveira e diretor, Sr. A. Luís.
oficinas da Imprensa Oficial.
Impressa nas oficinas de A Cidade.
Duas fases distintas teve este jornal. A pri-
meira era muito apreciada pela leveza do
A SEMANA ( I ) a
138
estilo, farto noticiário e variado texto. A se-
Primeira das quatro até o presente publicadas.
gunda, tendo-se tomado francamente política,
não atraiu a mesma preferência do público. Apareceu a 2 9 de maio de 1 9 1 0 . O número

Jornal político só interessa quando de cam- 8, de 21 de julho, é o mais elevado de nossa


panhas que empolguem a opinião geral, o coleção. Ao que parece, foi o último.
que não acontecia na época em que circulava Redator-chefe, Sr. Maurício Pothier Monteiro;
o Diário da Tarde. Quando este apareceu, já redator-secretário, Sr. Aníbal M. Machado;
havia cessado a luta para a eleição de Presi- redator-gerente, Sr. E. Clark Júnior e, depois,
dente da República, realizada a I de março.
o
Sr. João Nogueira de Almeida.
Redação e oficinas à Avenida João Pinheiro, Formato de 3 1 , 5 x 23, quatro páginas e qua-
2 0 5 , h o j e 2 0 2 - 2 1 0 ; d e p o i s à Rua dos tro colunas. Rigorosa feição material nos nú-
Timbiras, 1557, depois ainda à Rua da Bahia meros constantes de nosso fichário.
immoos módicos 135

Edições da Tipografia Mineira, à Avenida oficinas da Imprensa Oficial, com a tiragem


Afonso Pena, 1052. de 2.000 exemplares.
Jornal bem-redigido e de variada leitura. Dirigida do princípio ao fim pelo Sr.
Fernando Soares Brandão. Exerceu o lugar
BOLETIM MENSAL DE ESTATÍSTICA de redator-secretário, por limitado tempo, o
PEMOQRAPHO-SANITARIA 139 Sr. J . Lopes Sobrinho.
Publicação oficia! da Diretoria de Higiene e ''Nosso Rumo" foi o título do artigo-progra-
cuja finalidade está implicitamente declarada ma, do qual transcrevemos este trecho:
no título. Estaremos ao lado do povo e de todas as
Saiu o primeiro número em junho de 1910. necessidades que visem o engrandeci-
Conhecemos apenas até o número 4, de abril mento de Minas e o bem-estar da Repú-
de 1913, ano IV. blica, o que tanto vale afirmar que apoi-
Formato de 32 x 21, quatro páginas e coluna amos a presente situação política que
aberta. Impresso nas oficinas da Imprensa dirige o nosso Estado.
Oficial. Mesmo não sendo essencialmente política,
esta folha apoiava incondicionalmente o Go-
FOLHA P O PIA (I ) A
140 verno, como suas colunas atestam.
A 3 de setembro de 1910, saía o primeiro Redação à Rua dos Timbiras, 1545.
número e não sabemos até quando se publi- Folha do Dia era de publicação... bissemanal!
cou. O último de nossa coleção é o 58, de
19 de novembro de 1 9 1 1 . E só até ele NOVO HORIZONTE 141
falaremos. Novo Horizonte foi uma revista digna de
Formato de 38 x 25, quatro páginas e três aplausos, por representar extremo esforço
colunas nos primeiros números e quatro nos de seus fundadores.
restantes. O cabeçalho foi mais ou menos o Fundada pelo gênio artístico de Manuel Pena,
mesmo, mas no fim da publicação apresen- secundado por Azeredo Neto, não logrou
tou outro tipo do titulo. vencer, porque o meio não ajudou nem esti-
Impressa inicialmente na Tipografia Mineira, mulou. Infelizmente é essa a regra geral de
à Avenida Afonso Pena, 1052, e depois nas nosso periodismo, que não admite exceções.
136 llMiÁHODà IMPRIMA õf BUO HOPlIO/flf. 1895-1954

Sobejas vezes temos isso afirmado no curso tratos de eminentes políticos de época. O
destas notas. Para mais corroborar nossas cabeçalho da capa era reproduzido na parte
asserções, aqui vai o que disse o próprio interna e representava vasto horizonte, ten-
Novo Horizonte, no Expediente do primeiro do ao fundo o perfil de uma serra.
número: Direção e oficinas à Avenida Paraná, 166.
Certos de que o Novo Horizonte será pu- Supomos que essas oficinas se destinavam
blicado ao menos um ano, visto como a exclusivamente ao serviço de gravuras, por-
maior dificuldade na confecção do mes- quanto a impressão se fazia nas oficinas da
mo é vencida por aqueles que, se achan- Imprensa Oficial, como consta do número 2.
do à sua frente, também se encarregam Novo Horizonte honrou sobremodo nosso
de toda parte material, solicitamos do meio. Produto exclusivo de ingentes esfor-
povo o seu auxilio para esta publicação ços de seus fundadores, marcou uma nova
Como vimos, os fundadores da nova revista era em nossa Imprensa ilustrada, principal-
iniciavam sua publicação já temerosos e sem mente porque todo trabalho de gravura era
esperança de êxito. E tinham razão, porque executado pelo saudoso Professor Manuel
esta terra não presta para iniciativas desta Pena, que se revelou exímio artista.
ordem. O texto de muita atração, pela variedade e

Contentavam-se eles ao menos com um ano pela escolha. Um pouco de tudo nele se

de existência. Pois nem essa mínima preten- encontrava: literatura, humorismo, crônicas,

são alcançaram... Assim, não vale a pena re- seção charadística, enfim, matéria para todos

pisar mais em tão ingrato assunto. os paladares.

Novo Horizonte deu o primeiro número a 7 Entregue, como estava, a dois competentes
de setembro de 1910 e se publicou mensal- profissionais do jornalismo, não podia esta
mente até janeiro seguinte, ciando portanto revista ter projeção diversa da que teve.
cinco números. Azeredo Neto faleceu nesta Capital, a 12 de
Formato de 22 x 14, 16 páginas sem nume- julho de 1946. Dedicado às lides da imprensa
ração e duas colunas. desde a adolescência, em Sabará, tornou-se
O mesmo tipo de capa em todos os núme- depois o jornalista de todos nós conhecido,
ros, só variando o centr' -iHo com re- sendo sempre abnegado e sincero batalhador
KmwffiKSióúim 137

em prol das causas elevadas e humanas. Seu Diretor, Sr. Raimundo Porto até o número 4.
feitio só se inclinava para o bem e para a Não conhecemos o número 5, mas o número
concórdia. As crônicas que brotavam de sua 6 está assinalado com a direção do Sr. Augusto
pena ressumbravam somente doçura e paz. de Lima Júnior.
Jamais se exaltou, somente para profligar o Não obtivemos informação segura da data
descaso pelas coisas de nosso passado ou a em que deixou de circular. Em fevereiro de
mutilação de nossas relíquias históricas. Mes- 1912, porém, ainda se publicava, como se
mo assim, sua exaltação era nobre, envol- lê no Estado de Minas, de 18, noticiando o
vendo conceitos superiores, conduzidos num aparecimento do número 10.
terreno de perfeita elevação moral. Publicação: duas vezes por mês, em dias
Foram, assim, bem justas e merecidas as indeterminados. Isso o prometido, mas não
homenagens tributadas à sua memória cumprido.
p e l o s n o s s o s ó r g ã o s de publicidade, Formato de 24 x 17; 20 a 30 páginas sem
naquela triste data, que cobriu de crepe numeração e duas colunas.
não só a Imprensa local como também a Impressão da Tipografia Beltrão & Cia.
de outros pontos do País, em que sua Capa e cabeçalho interno sem alteração.
personalidade era conhecida através de Gerência do Sr. J . A. Barros e colaboração
suas festejadas colaborações. fotográfica e artística do Sr. O. Belém.
Redação e administração à Rua da Bahia,
A VIDA MINHRA 142 1025, depois 1022, e mais tarde à Avenida
Literatura, comércio, indústria e agricultura, Amazonas, 365.
todos esses ramos de atividade humana es- Expondo seu programa, disse, entre outras
tavam representados em bela alegoria na coisas, o seguinte:
capa, trabalho do hábil e c o m p e t e n t e A nossa revista será o veiculo que há de
arquiteto, o saudoso Luís Olivieri. levar ao mundo literário, comercial e
A Vida Mineira iniciou sua vida no mesmo agrícola o produto dos nossos esforços e
dia em que a anterior revista, isto é, a 7 de da nossa dedicação... A Vida Mineira é
setembro de 1910. uma pequena enciclopédia e é por isso
138 limsitiO Oi IMfflHSi «BUOtiOmOHtt:1895-1954

que, ao lado de uma página de lite- Usou três cabeçalhos: do número 1, do nú-
ratura, agricultura ou comércio, tratará mero 2 ao 13 e do número 14 ao 18. Mais
de um acontecimento político, sem, original e interessante o segundo, que re-
contudo, ferir a sensibilidade de quem presentava um indivíduo dentro da letra
quer que seja. inicial do título, empunhando um chicote
Profusamente ilustrada com retratos de polí- e vergastando, impiedosamente, dois
ticos, era colaborada por brilhantes penas, cidadãos e n c a s a c a d o s , que fugiam em
como esta lista informa: Da Costa e Silva, D. desabalada carreira, d e i x a n d o cair as
Vera de Lima, Raimundo Porto, Antônio Sales, lustrosas cartolas. Este c a b e ç a l h o era
Carlos Góes, Lincoln Prates, Alphonsus de gravado.
Guimaraens, com quatro belas poesias iné- Quasif... teve como redatores os Srs. Gastão
ditas; Francisco Campos, Gastão Itabirano, Itabirano, Da Costa e Silva, Bernardo Gui-
Aldo D e l f i n o , Batista Brasil, Franklin marães Filho e Silva Guimarães. Pouco antes
Magalhães, Augusto de Lima Júnior, Dario de cessar a publicação, retiraram-se da
Leite de Barros, etc. redação os Srs. Da Costa e Silva e Silva
O que aí fica, mostra claramente o valor da Guimarães.
revista. Jornal de aspecto elegante e impresso em
ótimo papel.
QUASII... 143 Quasif... não foi quase e sim integralmente
Semanário noticioso e humorístico, cujo apa- o jornal humorístico que melhor encarnou
recimento se verificou a 11 de setembro de e s s e g ê n e r o de p u b l i c a ç ã o em nossa
1910. Foram publicados 18 números, sendo Imprensa até o presente, se bem que, muitas
o último a 15 de janeiro do ano seguinte. vezes, de modo irreverente ao glosar certos
Formato de 27,5 x 1 9 , quatro páginas e três fatos e acontecimentos.
colunas. Impresso na Tipografia Brasil, à Rua
da Bahia, 340, com a tiragem de 800 a 1.000 ROMA 144
exemplares. Quinto jornal escrito em italiano.
rnsamooimiôBiM 139

Saiu o primeiro número a 20 de setembro Por mais que fizéssemos, não conseguimos
de 1910, dia do aniversário da unificação da saber a data do primeiro número desta pu-
Itália. blicação.
Foi fundado em virtude de deliberação to- O número 3 é de outubro e o 4, de dezem-
mada em uma reunião realizada pela colónia bro de 1910, ambos em formato de jornal, o
italiana, a 11, na sede da Società Italiana de primeiro com 32 x 22 e o segundo com 37 x
Beneficenza. De dirigi-lo foi encarregado o 25, quatro páginas e três colunas. Cabeça-

Dr. Alfonso Salimei. lhos completamente iguais, menos as letras


do título.
Publicação semanal anunciada, mas sem ne-
nhuma regularidade. Impressos na Tipografia Comercial, à Rua
dos Tupinambás, 650.
Grande formato, 45,5 x 32, quatro páginas e
O número 1, ano II, de outubro de 1911, e
outras tantas colunas. Cabeçalho uniforme.
os números 1 e 2, ano III, de janeiro e abril
Impresso na Tipografia Comercial, à Rua dos
de 1920, adotaram o feitio de revista. Foram
Tupinambás, 650, com a tiragem de 200
impressos o primeiro na tipografia já citada,
exemplares.
nessa data à Avenida Afonso Pena, 768; o
Redação à Rua do Espírito Santo, 278, e ad-
segundo na Tipografia Oliveira & Costa e o
ministração à Rua da Bahia, 1044.
terceiro nas oficinas da Imprensa Oficial.
Sabemos que pouca duração teve, mas não
Direção do Sr. Campos do Amaral.
podemos precisar a época de seu desapare-
cimento.
O C O M M E R C I O (1*1 146
Pela origem de sua criação, é claro que só
Primeiro do título.
interessava à colônia italiana.
Propriedade de uma sociedade anônima e
direção do Dr. Vicente Racioppi.
UNIÃO P O P U L A R 145
Em 19 de outubro de 1910, publicou o pri-
Boletim oficial do Centro da União Popular meiro número. Não conhecemos edição al-
e Comissão Permanente dos Congressos Ca- guma posterior à do número 8, de 5 de de-
tólicos do Estado. zembro.
140 imaimo oà tâmmà KBHQ mm ff: ws-im

Publicação semanal, às segundas-feiras e, O Commercio foi um jornal bem-feito, varia-


depois, aos domingos. do e bem escrito.
Feição material e cabeçalho sem qualquer
alteração. Formato de 37,5 x 25,5, quatro CORREIO DAS LOCAES 147

páginas e três c o l u n a s . Impressão da Direção do Sr. Heraldo Barreto, que anteri-


Tipografia Comercial, à Rua dos Tupinambas, ormente fundou e dirigiu A Justiça.
650. Publicação iniciada a 6 de dezembro de 1910

Redação à Rua Curitiba, 559, e em seguida à e não sabemos quando terminada.


Formato de 33 x 21,5, quatro páginas e qua-
Avenida Afonso Pena, 575.
tro colunas. Cabeçalho igual nos números que
"Nosso Rumo" foi o título do artigo de apre-
possuímos, salvo o do número 4, que diferiu
sentação. Dele destacamos estes tópicos:
dos outros.
Cumprindo a velha praxe jornalística,
Edições semanais, com a tiragem de 500
apresentamos ao público a nossa
exemplares.
credencial. Nenhuma promessa impra-
Desta forma se manifestou em certo ponto
ticável, nem espalhafatosa apresentação.
do editorial do primeiro número:
O nosso jornal bater-se-á pela realiza-
Correio das Locaes não promete nada,
ção das aspirações do povo, pela defesa
não receando não poder cumprir o pro-
robusta de seus interesses, pela prática
metido, senão pela certeza que tem de
da sã democracia, pelo respeito à ordem.
não lhe acreditarem os leitores,
Cuidará das necessidades materiais da
desiludidos que andam por esses
nossa urbs e, defendendo os interesses do
canalhas, jornalistas mercantes.
povo em geral, tratará em especial dos Já nos temos referido abundantes vezes à
que se prendem diretamente ao comér- violência de linguagem empregada por certos
cio. Sem preocupações de partidarismo jornais do passado. Este, por exemplo, em o
de espécie alguma, O Commercio agirá número 5, estampou um artigo vasado em
só de acordo com as inspirações de seu termos os mais injuriosas possíveis e com a
patriotismo. incrível epígrafe — "Ministro Gatuno!..."
mímoospfftiôoicos 141

O alvo dessa condenável publicação foi um REVISTA MIUTAR 149


grande mineiro carregado de serviços à Pá- Publicação quinzenal da Biblioteca Militar da
tria e que muito brilho deu a todas os postos Brigada Policial, que veio suceder a O
que exerceu, inclusive e especialmente o Monitor,
de Ministro, que pouco antes deixara. O primeiro número é datado de l de feve-
ü

Como se vê, a liberdade de Imprensa a ser- reiro de 1911- Nossa coleção acusa somente
viço da difamação. Triste recordação de uma até o número 18, de 15 de outubro. Além
época! disso, tudo desconhecemos.
Teve c o m o diretor o Tenente-Coronel
0 MONITOR 148 Cristiano Alves Pinto, c o m a n d a n t e da
Órgão dedicado aos interesses da antiga Bri- corporação, redator, Capitão Joviano de Melo,
gada Policial. e redator-gerente, Tenente Getúlio da Fon-
Três números apenas foram publicados, o seca. A partir do número 7, de 1 de maio,
Q

inicial a 8 de janeiro de 1911 e o final a 22. desligou-se da redação o Capitão Joviano de


Não passou, assim, de uma quinzena. Melo, entrando como auxiliar o Alferes Otá-
Foi seu diretor o Capitão Joviano de Melo. vio Campos do Amaral. logo depois, retirou-
A mesma disposição material em todas as se também o Tenente Getúlio da Fonseca.
edições. Formato de 40 x 27, quatro páginas Formato de 25 x 17,5, 12 páginas, em média,
e quatro colunas. de numeração contínua e duas colunas.
O primeiro número trouxe um suplemento, Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial,
todo ocupado com o retrato do então Presi- sendo publicada com rigorosa pontualidade,
dente do Estado, Sr. Júlio Bueno Brandão. a I e 15 de cada mês.
o

Impresso na Tipografia Mineira, à Avenida Capa e cabeçalho interno perfeitamente iguais


Afonso Pena, 1052. em todas as edições.
Bom jornal, com abundante noticiário. Foi Como órgão de classe, foi esta revista
substituído pela Revista Militar, em seguida uma das boas publicações editadas nesta
descrita. capital.
142 imttiiiQ Ba IMMMÍ ofsfio HOSIIÕHU- ms-mi

J O R N A L DO C O M M E R C I O 150 Jornal do Commercio não teve tempo para


Mais uma teniativa frustrada, mais uma ilu- firmar-se, mas os poucos números apresen-
são desfeita. Sim, porque este vespertino só tados foram todos muito bem lançados, índi-
fez circular três números, a 2 , 7 e 1 6 de ce seguro de uma boa carreira, cortada no
fevereiro de 1 9 1 1 . início.
Direção do Sr. Costa Júnior, que muitos ou-
tros jornais dirigiu anteriormente. I L L U S T R A Ç Ã O M I N E I R A (!•) 151
Grande formato, 4 7 , 5 x 3 2 , 5 , quatro páginas Jamais vimos essa publicação. Só conhece-
e cinco colunas. O mesmo cabeçalho nos mos a capa e isso mesmo em fac-símile, atra-
três números. vés do Álbum de Minas, organizado pelo Sr.
Serviço de impressão da Tipografia Comer- Raimundo Alves Pinto.
cial, à Avenida Afonso Pena, 6 7 8 . A seu respeito aqui vai o que lemos no Mi-
Entre outras coisas, assim falou no primeiro nas Gerais de 7 de março de 1 9 1 1 :
editorial: Recebemos o primeiro número da
O cunho característico de nossa folha, Illustração Mineira, magnífica revista
hoje saída à luz da publicidade, é a in- de literatura, arte, crítica, comércio,
dependência. Ê preciso, porém, conside- esporte e variedades, que acaba de
rar essa palavra na sua verdadeira aparecer nesta capital, sob a direção
acepção Destas colunas falaremos sem- do nosso colega Raimundo Porto.
pre com isenção d'ânimo, imparcial- Nesse número, além de várias vistas de
mente, em defesa dos interesses públicos, Juiz de Fora, traz excelente artigos e
maximè, sob o ponto de vista econômico. versos.
No último número avisou a suspensão da O referido fac-simile é do número 2 , publi-
publicação, devido aos trabalhos de monta- cado a 4 de abril. Por ele se verifica que a
gem de suas oficinas, com a promessa de revista era quinzenal e sua redação e admi-
reencetá-la diária, a 1° de março. Não cum- nistração instaladas à Avenida Afonso Pena,
priu o prometido. 768.
immoõsmiôBKõs 143

Sabemos que o número 4 foi distribuído em Prates também colaboraram, mas no terreno
setembro, como noticiou a Revista Militar, no da poesia. A comissão de redação compôs-
número 18, de 15 de outubro. se exatamente desses colaboradores, menos
E nada mais. o Sr. Orozimbo Nonato.
Em julho desse mesmo ano de 1911, jornais
R E V I S T A ACADÊMICA 152 noticiaram a publicação de outro número,
Revista de publicação muito espaçada e ir- naturalmente o segundo.
regular, apesar de ter noticiado publicação — Ano de 1913 Publicada em maio e dirigida
mensal. Era órgão do Centro Acadêmico da pelos Srs. Sandoval Soares de Azevedo,
Faculdade de Direito. Nicolau Tolentino de Morais Navarro, Luís
Dada a diferença das edições, não é possível Franzen de Lima e Cisalpino de Sousa e Sil-
descrevê-las em conjunto, o que nos leva a va.
tratá-las separadamente. Só a primeira foi Formato reduzido para 18 x 11, 93 páginas
numerada, pelo que trataremos as outras em e coluna aberta ou duas, conforme a neces-
relação ao ano de publicação. sidade da paginação.
— Primeiro número. Saiu a 13 de maio de Ilustrada com retratos de professores e alu-
1911, com o formato de 19,5 x 12,5, 16 nos e contendo farta colaboração.
páginas sem numeração e coluna aberta. Im- Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial.
presso na Tipografia Moderna, à Rua dos — Ano de 1918. Em novembro foi distribuí-
Caetés, 556. do mais um número, como noticiou a Im-
O editorial de apresentação, intitulado prensa.
"Peristilum", é da lavra do então segundanista Teve esta direção: Srs. José Correia Machado,
Francisco Luís da Silva Campos, que tão altos Rodrigo Melo Franco de Andrade, Franklin
postos ocupou em nosso cenário político e de Sales, Manuel de Oliveira e Milton Cam-
cultural. pos.
Colaboração dos Srs. Orozimbo Nonato da — Ano de 1919. Em 3 de outubro, o Novo
Silva, Waldemar Loureiro e Edgard de Oli- Horizonte disse estar circulando outra edi-
veira Lima. Os Srs. Teixeira de Sales e Lincoln ção.
144 llMiiMQ Bí miH$à BfâfiO HÔilIÕMf: ¡895-1954

— Ano de 1921. É de junho, trazendo na BI-CEHTENÀRIO P E OURO P R E T O 153


capa o retrato do Professor Saraiva. Poliantéia comemorativa do bicentenário da
Formato de 21,5 x 14,5, 32 páginas sem nu- fundação de Vila Rica, a antiga metrópole
meração e duas colunas. mineira, ocorrido a 8 de julho de 1911.
Corpo de direção: diretor, Sr. Cícero de Cas- Devemos a organização de tão patriótica e

tro Filho; gerente, Sr. Aguinaldo Costa; se- oportuna publicação a dois ilustres e saudo-
sos patrícios, o eminente Engenheiro Álvaro
cretário, Sr. Mário Casasanta; redatores, Srs.
da Silveira e o poeta Mendes de Oliveira.
Francisco Barbosa, Milton Campos, Fausto
Não foi uma edição de luxo nem volumosa,
Alvim e Abgar Renault.
muito ao contrário foi até bem modesta e
Graficamente, a melhor de todas. Editada,
simples em seu aspecto material, não com-
ao que parece, por Beltrão & Cia.
portando mais de seis páginas de 39 x 27,
— Ano de 1927. Publicada a 11 de agosto,
duas colunas na primeira e três nas outras.
para comemorar o primeiro centenário da
Cada página, menos a última, estampou uma
fundação dos cursos jurídicos no Brasil. vista panorâmica da antiga capital.
Grande formato, 26,5 x 19, 60 páginas e Impressa em tinta azul, nas oficinas da Im-
duas c o l u n a s . Não consta o local da prensa Oficial.
impressão.
Nela colaboraram Afonso Arinos, Augusto de
Comissão redatora: Srs. Gonçalo Rolemberg
Brito, Álvaro da Silveira, Mendes de Oliveira,
Leite, Pedro Machado de Sousa, Dario Délio
Olavo Bilac, Abílio Machado, Francisco de
Cardoso e Jair Negrão de Lima.
Paula Sousa, J . C. Gomes Ribeiro, Mário de
Excelente colaboração, não só de alunos Lima, Henrique Gorceix, o sábio fundador
como de eminentes mestres do Direito. da Escola de Minas; Bernardo Aroeira, Lopes
De 1927 para cá não tivemos qualquer notí- Neves, Cipriano de Carvalho, Carmo Gama
cia desta revista. É bem possível e até certo e Manuel Bernardez.
que no espaço entre um e outro dos núme- A preciosa colaboração de Afonso Arinos
ros focalizados outro ou outros tenham sido trouxe o título "Atalaia Bandeirante", simbo-
publicados, mas nada conseguimos apurar. lizando a legendária Capela de S. João, que
Rswwwmiódicos 145

do alto do morro do mesmo nome domina, Em novembro desligou-se da direção o Dr.


através dos séculos, a vetusta e ancestral Ernesto Cerqueira, o que antes já fizera o Sr.
cidade. Belíssima página de recordações, em Ramos César. Em 26 de fevereiro de 1913,
que seu ilustre autor, como romântico por sua vez, retirou-se o Dr. Raul de Faria,
peregrino, passa em revista, com vigor e substituído pelos Srs. Dr. Pedro Carlos da Sil-
precisão e o colorido próprio da paisagem, va e Lindolfo Gomes.
os sítios tradicionais da velha Ouro Preto, Dois formatos foram usados, de 46,5 x 34 e
testemunhas mudas dos notáveis fatos 59 x 43,5, o maior até hoje adotado pelas
históricos desenrolados naquele vasto cenário, folhas locais. Essa mudança operou-se com
berço da civilização mineira. o número 125, de 17 de dezembro de 1911.
Só quem conhece aquelas agrestes e encan- Quatro páginas, sem numeração no formato
tadoras paragens pode julgar da fidelidade menor e numeradas no maior. Naquele, cin-
da narrativa. Essa enternecedora e evocativa co colunas e neste, sete.
página deve ser revivida, porque só a vimos Vários cabeçalhos, mas o mesmo tipo do tí-
reproduzida na A Tarde, de fevereiro de tulo.
1913. A começar do número 461, de 27 de feve-
As demais colaborações estão todas à altura reiro de 1913, passou a ser vespertino, não
do mérito de seus ilustres autores. se publicando aos domingos, como antes não
saía às segundas-feiras. Apesar da mudança
O E S T A D O <1 )
B
154 de horário de publicação, naquele dia circu-
Diário matutino de grande formato. Come- lou também pela manhã, pelo que aparece-
çou a circular no dia 23 de julho de 1 9 1 1 . ram duas edições, uma matutina e outra ves-
Segundo cremos, não passou de novembro pertina.
de 1914. O número mais elevado de nossa Redação e oficinas à Rua dos Timbiras, 1557.
coleção é o 917, de 8 de setembro daquele u
O Nosso Rumo", tal o título do artigo com
ano. que se apresentou. Nele disse:
Inicialmente dirigido pelos Srs. Dr. Raul de Ao iniciarmos a publicação deste diário,
Faria, Dr. Ernesto Cerqueira e Ramos César. não nos animam outros intuitos que não
146 nmúm oà IMMMÍ BÍSHO HOUIÕNK: ws-m4

sejam — colaborarmos com sincero confusões, certas se descritas englobada-


esforço para o engrandecimento da Re- mente.
pública e de Minas Gerais. Primeira fase— Começou a 15 de novembro
Escusado é dizer que não nos alheamos de 1911 e se estendeu até o número 117,
da política. Comentaremos os atos e os de 25 de abril de 1912. Teve sempre como
fatos de vida coletiva, apontando erros e diretor-redator o ilustre jornalista Dr. José
verberando abusos, e, do mesmo modo, Viana Romanelli.
não regatearemos aplausos e encómios "À Guisa de Programa" foi o título do edito-
aos poderes constituídos, quando em nos- rial de apresentação, do qual reproduzimos
sas consciências os reputarmos na sua as palavras finais, que são a síntese de seu
nobre tarefa de tornar feliz o povo, não programa:
lhes pouparemos censuras, desde que se Enfim, para sintetizar a esfera de ação
afastem das boas normas. futura desta folha, podemos dizer que o
Não obstante seu tamanho, não era farta a nosso programa político-social é, mutatis
matéria da redação, que não ocupava mais levemente mutandis, o programa políti-
de página e meia e, às vezes, menos. O co-social de Rui Barbosa, o glorioso após-
resto era de matéria paga. tolo da Paz e do Direito, a personalidade
O Estado teve larga circulação, tanto local máxima da Pátria, a figura por excelên-
como no resto do Estado, por se tratar de um cia dignificadora desta terra que ele pro-
jornal que bem alcançou seu objetivo. curou sempre nobilitar a golpes de gê-
nio. Concluindo, teremos em mente os
E S T A D O P E M I N A S (1») 155 conselhos geniais de V. Hugo. Quereis
Deste título o primeiro. Hoje temos outro, o grandes idéias e grandes cometimentos?
terceiro, em franca atividade. Anteriormente Crede/ Tendefé, fé relig iosa, fé patriótica,
tivemos O Estado de Minas, descrito sob n° fé literária — Crede na humanidade, no
82. gênio, no futuro, em vós mesmos — A fé
Quatro fases distintas teve este diário. Vamos é salutar ao espírito—Não hasta pensar.
enumerá-las cada uma de per si, para evitar É necessário crer— Da fé e da convicção
mmoõipwóotcos 147

brotam os feitos nobres e as idéias número daqueles que, mal compreen-


sublimes. dendo a missão da Imprensa, fazem do
Segunda fase — Finda a primeira fase, pou- jornal um pelourinho de atividade per-
cos dias esteve suspensa a publicação, pois manente. Entre os que bajulam com a
a l de maio era iniciada a segunda, com o
u
consciência escravizada ao interesse e os
número 118. Esta se prolongou até 30 de que invectivam com a razão obscurecida
dezembro do mesmo ano de 1912, com o pelo ódio, correm os contrafortes
número 321. tranqüilas do raciocínio e da Justiça, que
Propriedade de uma empresa, da qual fazi- são os pontos culminantes do sistema
am parte os Srs. Mendes de Oliveira, moral. É aí que procuraremos ficar, sem
Claudiano Martins e Álvaro Brandão. A dire-
embargo dos maus ventos, que forcejam
ção da folha coube ao primeiro, Sr. Mendes
por arrastar para a planície chata as
de Oliveira.
mais nobres aspirações.
No artigo "Fase Nova" escreveu estas linhas;
No último número disse que suspendia a
Inteiramente afastados dos acampamen-
publicação por poucos dias, por motivo de
tos partidários, onde em regra entram em
várias reformas. Só voltou, porém, em nova
conflito preferências de natureza pesso-
fase e com outra direção.
al, em vez de idéias altas e princípios ge-
Terceira Fase — Cessada a publicação da
rais, o Estado de Minas assume perante
segunda fase a 30 de dezembro de 1912, só
a opinião, o compromisso de ocupar a
quase cinco meses depois ressurgiu, a 23 de
linha neutra da imparcialidade, na ma-
neira de analisar os fatos e de observar maio de 1913, com o número 322.

as coisas. Não formaremos, portanto, ao Assumiu a direção o Sr. Felipe Silviano


lado dos que, abdicando da própria von- Brandão, que já vinha da segunda fase, des-
tade, do próprio pensamento, que é a de 5 de outubro. Também fizeram parte da
maior dignidade humana, se deixam redação os Srs. Edgard de Oliveira Lima, re-
desfibrar e corromper no bojo mole da dator-secretário; Gudesteu de Sá Pires,
subserviência. Não seremos também do Vicente Racioppi, Germano Rocha e Júlio
148 IWMÁltlO Bi ¡MPtWí õfSflO HOÍIIÕM: 1895-1954

Ramos. Para aqui trasladamos algumas pala- Quarta fase — Não houve solução de conti-
vras do artigo de apresentação: nuidade entre as duas fases finais. A 24 de
Continuando sem desfalecimentos a bri- outubro continuava o Estado de Minas a cir-
lhante rota traçada já, quer quando re- cular normalmente, sob a direção de seu fun-
cebia a orientação benéfica do seu ilus- dador, Dr. José Viana Romanelli.
tre fundador Dr. Viana Romanelli, quer Como as anteriores, esta fase foi também

sob a direção do vigoroso jornalista Men- efêmera, extinguindo-se a 29 de janeiro de


1915, com o número 777.
des de Oliveira, o Estado de Minas não
Infelizmente, desse período possuímos pou-
terá nenhum matiz político e nem refle-
cos exemplares, pelo que estamos privados
tirá opiniões contrárias aos alevantados
da apresentação de detalhes.
interesses da coletividade. Órgão genui-
Nesta derradeira etapa, teve o Estado de Mi-
namente imparcial e francamente ad-
nas a mesma orientação da primitiva. Filiou-
verso às nefastas ligações de partidarismo
se ao Partido Republicano Liberal.
extremado, que tanto infelicitam as ad-
O Estado de Minas usou quatro formatos, um
ministrações, impedindo a ação patrió-
em cada fase, mas pouco diferentes entre si:
tica e arruinando-lhes os mais nobilitan- de 49 x 35 e 45,5 x 32,5. Na primeira fase
tes programas de governo, não obedecerá trazia seis colunas e cinco nas outras. Um
a nenhum interesse individual, pug- cabeçalho serviu às duas primeiras fases; as
nando, ao contrário, pela grandeza de outras, cada uma teve o seu.
Minas Gerais, pela segurança de seu Redação e oficinas em todo o período de
povo, tentando orientá-lo na defesa de publicação à Avenida João Pinheiro, 211.
suas causas, no triunfo de seus empreen- Não padece a mínima dúvida de que a vida
dimentos. do Estado de Minas foi das mais destacadas
Pouca duração teve esta fase, que se esten- da nossa Imprensa. As fases extremas,
deu somente até 23 de outubro do mesmo dirigidas pelo denodado jornalista Dr. Viana

ano de 1913. Passemos, agora, à quarta e Romanelli, muito se distinguiram pela vigo-
rosa dialética e combatividade de seu ilustre
última.
mmassosmôBicos 149

diretor, que sustentou agitadas lutas políticas oteca Pública Luís de Bessa existe, dos
de grande responsabilidade, delas se saindo mesmos autores, um a Ima na ck de 1908.
sempre galhardamente. Primeiro volume impresso na Empresa
A direção do Sr. Felipe Brandão não foi de Minerva, à Rua da Bahia, 310, e o segundo
política extremada, mas nem por isso deixou na Tipografia Comercial.
de ser também política. Formato de 18 x 11.

Mendes de Oliveira dirigiu sua fase equi- Excelente publicação, contendo copiosas in-
distante dos partidos, fazendo um jornal formações sobre a cidade, em todos os múl-

neutro e independente. Foi uma fase de raro tiplos e variados aspectos de sua vida coleti-
va. O segundo volume foi grandemente ilus-
brilho.
trado.
Em suma, o Estado de Minas elevou e hon-
rou as tradições da Imprensa de Minas.
A TARDE 157
A Tarde foi, talvez, o jornal que maior popu-
A L M A N A C K GUIA D E BELLO
laridade gozou em Belo Horizonte. Escrito
HORIZONTE 156
em linguagem franca e tudo noticiando sem
Incluímos esta publicação neste trabalho pela
temor, com processos de reportagens bas-
mesma razão por que o fizemos em relação
tante avançados para a época, sua tiragem
ao Atmanack da Cidade de Minas. Não há,
era rapidamente consumida.
pois, necessidade de nova explicação.
Contou quatro fases. A primeira, iniciada a
O título acima inscrito refere-se ao 2° volu-
I de março de 1912, teve como fundadores
o

me. O primeiro saiu com o nome de Guia e diretores os Srs. Adeodato Pires e Ramos
de Bello Horizonte. César, que pouco tempo permaneceram na
Foram publicados dois volumes, em janeiro direção, pois que em meados de abril se
de 1912 e em janeiro de 1913, tendo o da- retiraram. Não sabemos quem os substituiu
quele ano como organizadores os Srs. Felipe no curto período de sua ausência. Dissemos
Veras e Antônio Moreti e o deste apenas o no curto período porque a 1 Q
de maio
Sr. Veras. Na coleção de obras raras da Bibli- retornavam a seus antigos postos. Pouco
150 imitam Dá IMPSMà DfBítÔ HOSIIOHU: 1895-1954

tempo também neles se mantiveram, pois a Programas raro se cumprem... Fiquem


partir do dia 5, novo diretor aparecia, o Sr. eles para os jornais partidários.
Costa Júnior. Mesmo assim, continuaram A nossa diretriz acompanhará as areias
aqueles como redatores até o dia 10, quando movediças dos fatos, as curvas sinuosas
se retiraram definitivamente. da evolução.
Desta fase só conhecemos até o número 84, Esforçando-se por dar aos leitores um
de 11 de junho. Pouco depois, suspendia a jornal noticioso e leve, falaremos dos er-
publicação. ros dos homens e das suas necessidades.
A vastidão do nosso programa se reduz
Até 30 de abril, propriedade de uma empresa
ao laconismo desta frase: Dizer a verda-
e, depois, do Sr. Carlos Vasconcelos.
de, doa a quem doer.
Dois formatos: do número 1 ao 50 — 40,5 x
Segunda fase — A 13 de agosto do mesmo
29 e quatro colunas; do número 51 até o
ano de 1912, ressurgia A Tarde em segunda
final, 49 x 34 e cinco colunas. Cada formato
fase, ainda orientada pelo Sr. Costa Júnior e
teve o seu cabeçalho e o seu tipo de letra
com o formato aumentado para 58 x 43,5 e
próprios, para o título. Redação e oficinas à
sete colunas. Iniciou nova numeração de ano
Rua do Espírito Santo, 568, no primeiro mês
e do jornal.
de sua existência, e depois à Rua da Bahia,
O Sr. Costa Júnior foi, em dezembro, substi-
esquina de Tupinambás; finalmente, à
tuído pelo Sr. Leopoldino de Oliveira, que
Avenida João Pinheiro, 238.
em janeiro de 1913 cede o lugar ao ilusue
Transcrevemos, abaixo, alguns tópicos do
jornalista Dr. Joaquim Francisco de Paula. O
artigo com que se apresentou: Sr. Leopoldino passou a exercer o lugar de
Preestabelecer a orientação de uma fo- secretário.
lha é desconhecer a caprichosa versatili-
Após curta interrupção, reapareceu a 28 de
dade humana, é limitar a sua missão a agosto, trazendo no cabeçalho os mesmos
uma cruzada por algumas idéias ou in- nomes e mais o do Sr. Rufino Mota, mas
teresses fragmentados, é traçar um cír- todas três como redatores, sem funções pri-
culo vicioso, éfugir à luta. vativas. Logo depois, a 9 de setembro, era
K&mOOíPÍHÔOKÕÍ 151

encerrada esta fase, com o número 302. O P R I M E I R O P E MAIO 158


Sr. Abreu e Silva foi secretário de 23 de maio No dia de seu título, em 1912, foi distribuído
a 5 de setembro de 1912. o número único deste jornal, comemorativo
Redação e oficinas à Rua dos Carijós, 653- da festa do Trabalho.
Terceira fase — Surgiu em terceira fase a 21 Grande formato, 55 x 39,5 e sete colunas.
de novembro de 1914, sob direção que ig- Impresso nas oficinas do Diário de Minas e
noramos. Só conhecemos os números 3, 13 publicado por iniciativa e sob os auspícios
e 19, este com o formato de 49 x 34 e seis da Liga Operária Mineira. Farta colaboração,

colunas c aqueles com o de 40,5 x 28 e toda alusiva à efeméride comemorada.

cinco colunas. Redação e oficinas outra vez


A ASSISTÊNCIA 159
à Avenida João Pinheiro, 238.
Revista da Assistência Judiciária Mendes
Quarta fase — Esta a última, que teve co-
Pimentel, da Faculdade Livre de Direito. Pu-
meço a 1° de janeiro de 1916. Parece que
blicou dois números, em maio e junho de
não passou de meados de fevereiro de
1912, impressos na Tipografia Beltrão & Cia.,
1917.
com capas perfeitamente iguais e formato
Como diretor voltou o Dr. Joaquim Fran-
de 21,5 x 13,5, duas colunas ou coluna aberta.
cisco de Paula, tendo como redator o Dr.
A comissão de redação compôs-se dos Srs.
Menton de Alencar e depois o Sr. Sandoval
C. Meireles Filho, J . Osvaldo de Araújo e
Campos.
João Tavares Correia Beraldo.
Formato de 58 x 40,5 e seis colunas e no Redação e administração à Rua Piauí, 761.
fim, 49 x 34 e cinco colunas. Redação no Boa colaboração, sobre assuntos de Direito.
mesmo local da terceira fase.
Do número 51 da primeira fase até o últi- DIÁRIO P O C O N G R E S S O 160
mo da última, c o n s e r v o u os m e s m o s Como apenso, o Minas Gerais de 23 de ju-
caracteres tipográficos do título. A Tarde nho de 1912 iniciou a publicação do Diário
era de publicação diária, menos aos do- do Congresso, destinado exclusivamente a
mingos. estampar os trabalhos do Poder Legislativo.
152 uiwítiõ OÍ imtm ofsfio HOMQHH: ms-im

Este útil empreendimento do Dr. Leon pertencer apenas ao Sr. Lana. A partir do
Roussoulières, diretor da Imprensa Oficial, número 2, entrou para a redação o Sr.
recebido aliás com grande simpatia, não foi Oduvaldo Brant, que durante longo tempo
mantido por muito tempo, porque a 13 de trabalhou em O Estado.
dezembro de 1914 cessava esse apêndice "Em Campo", eis o título do artigo-programa.
do órgão oficial sua publicação, com o Não o b s t a n t e p e q u e n o , d e i x a m o s de
número 27, do ano terceiro. transcrevê-lo na íntegra, dando somente es-
Quantidade variável de páginas, de acordo tes trechos, bastantes para definir sua orien-
com a natureza da publicação. Formato de tação:
38,5 x 27 e quatro colunas.
Apenas para não fugirmos à praxe, já
Por ter paginação especial e numeração pró-
de há muito estabelecida, vamos dizer
pria, não hesitamos em incluí-lo aqui como
ao povo, em poucas palavras, qual vai
jornal distinto do Minas Gerais.
ser a nossa ação no jornalismo mineiro.
Ressurgiu a 18 de julho de 1928, mas não
Preliminarmente afirmamos que não
sabemos quanto tempo durou.
evoca esta folha nenhuma facção políti-
ca, ou cousa que o valha, para comen-
A NOITE 161
tar os fatos com a imparcialidade que
Este jornal despertou invulgar interesse em
convém a um órgão de opinião.
nossa população.
Queremos tudo pelo direito e o defende-
Devido às múltiplas transformações e modi-
remos com todas as forças de nossa fé e
ficações por que passou, vamos tratá-lo por
com todo o estímulo de nossas puras
partes, como já fizemos em relação a outros.
Quatro foram suas fases. intenções.

Primeira fase — Iniciada a 28 de junho de Com o número 65, de 11 de setembro, en-


1 9 1 2 , tendo como diretor o Sr. Adeodato Pi- cerrou a fase inicial. Em toda ela manteve
res e como gerente o Sr. José Dias Lana. rigorosamente o mesmo cabeçalho e o
Propriedade deste e do Sr. Carlos formato de M x 24,5, quatro páginas sem
Vasconcelos, passando em fins de julho a numeração e quatro colunas.
afSftmoospwôBíCõs 153

Redação e oficinas à Avenida Comércio, hoje Deste período de publicação nada podemos
Santos Dumont, 426. adiantar por possuirmos apenas os números
Segunda fase — Seguindo a numeração da 99 e 102, aquele de l e este de 6 de julho.
u

primeira, reapareceu poucos dias depois, a Foi iniciada nova numeração, tanto do ano
l6, com o número 66. de publicidade como das edições. Outro ca-
"Um Programa" foi o título do editorial. Por beçalho, formato de 40,5 x 28 e cinco colu-
ele se verifica o feitio francamente político nas.
e de oposição aos governos federal e esta- Redação e oficinas à Rua dos Caetés, 364.
dual, principalmente àquele. Quarta fase — Desta fase o jornal de nume-
De propriedade individual que era, passou ração mais baixa que consta de nosso fichá-
o jornal ao domínio de uma empresa. rio é o 14, de 5 de novembro do mesmo ano
Adeodato Pires, redator da primeira fase, con- de 1915- Considerando que se publicava di-
tinuou também nesta, conjuntamente com ariamente, menos aos domingos, presume-
estes novos elementos: Drs. Gudesteu de Sá se que o primeiro número tenha saído a 21
Pires, Carlos Sá e Justino Carneiro. A 4 e 7 de outubro, se é que foi regular a publicação.
de outubro, respectivamente, retiraram-se os Como na terceira fase, começou nova nu-
Srs. Adeodato Pires e Gudesteu de Sá Pires. meração do ano e da folha. Não sabemos se
Conhecemos até o número 88, de 11 de ou- foi além do número 176, de 26 de maio de
tubro. 1916, o último de nossa coleção.
Parte material idêntica à da primeira fase, Até 8 de janeiro desse ano, esteve sob a
mas com o formato ligeiramente alterado para direção dos Srs. José Bouças e Adeodato
36,5 x 26. Pires, e daí por diante dos Srs. Vicente
Redação e oficinas no mesmo local de início. Badenes e Gustavo Erse.
Terceira fase — Não precisamos, positiva- No princípio, o tipo do título era igual ao da
mente, a data do ressurgimento desta folha. fase anterior, adotando depois outro modelo
Parece-nos, entretanto, que foi em meados e novo cabeçalho. Formato, o mesmo da ter-
de março de 1915- ceira fase.
154 llMtíilÕ OÂ IMPSWà ÕÍBflO HÕMOHIf: 1895-1954

Redação à Rua dos Caetés, 365, e depois à Infelizmente, tal caveira ainda não foi arran-
Avenida Afonso Pena, 515. Oficinas à Rua cada; parece, até, que cada vez mais se
dos Caetés, no número assinalado. aprofunda pelo solo adentro. É o que temos
visto. As melhores intenções fracassam
REVISTA P E MINAS (2') 162^ fragorosamente. Ninguém que tente exumar
Revista literária, humorística e de interesses gerais. a caveira fatídica. Ela é que tem inumado
O primeiro número foi publicado a 7 de agosto belas iniciativas.

de 1912, o segundo a 31 e o terceiro a 20 de Revista de Minas foi uma ótima publicação e


outubro, únicos de que temos conhecimento. muito bem colaborada. Trazia bom serviço

Publicação quinzenal e impressão da Tipo- fotográfico e interessantes gravuras humo-

grafia Beltrão & Cia Itabirano. Número variá- rísticas.

vel de páginas, com formato de 23 x 15 e


A-V1PA_MUIUA 163
duas colunas.
Órgão de propaganda da Sociedade Coope-
Dirigida pelos Srs. José Osvaldo de Araújo, Gastão
rativa Beneficente e de Crédito Popular "A
Itabirano, Teixeira de Sales e Da Costa e Sirva.
Vida Mútua".
Um modelo de capa para cada número, mas
Número único a 15 de agosto de 1912. Dire-
com o mesmo cabeçalho.
tor, Dr. A. Teixeira Duarte e secretário, Dr. J .
Para mais uma vez corroborar o que temos
Júlio Soares.
dito a respeito em diferentes partes deste
Impresso na Tipografia Empresa Minerva, à
trabalho, não há como transcrever o que
Rua da Bahia, 310, com distribuição gratuita
disse esta revista no número 1 e sob o título e formato de 22 x 14, 16 páginas e duas
"Duas Palavras em Muitas...": colunas. Variada colaboração sobre diferentes
A Revista de Minas tem também o seu assuntos.
programa. Aparece como uma tentativa,
na esperança de arrancar a caveira de V I S UNITA 164
burro que pesa sobre o destino das pu- Boletim de Vis Unita, sociedade de auxílio
blicações deste gênero. mútuos, fundada pelos empregados federais
Rímwo&miôotcos 155

e da qual era presidente o Dr. Francisco tros, gravado em letras estilizadas, aliás, bem
Brant, na ocasião administrador das Correios. artístico.
Só deu um número, a 31 de agosto de 1912, Labor omnia vincit — a legenda usada.
impresso na Tipografia Beltrão & Cia., em Animus teve boa e escolhida colaboração.
tinta azul, com o formato de 28 x 19, oito Redação à Rua da Bahia, 1055.
páginas e duas colunas.
Distribuição gratuita. CORREIO P A NOITE 166
A 19 de setembro de 1912, aparecia o pri-

AN1MUS 165. meiro número deste jornal, do qual foi diretor


o Sr. J . Americano B. de Moura. A 30, inter-
Anímus entrou na liça dos combates da Im-
rompeu a publicação com o número 10, res-
prensa a 7 de setembro de 1912 e menos de
tabelecendo-a a 21 de dezembro seguinte.
três meses depois desanimava, com o nú-
Nessa data entrou como redator o Sr. Heraldo
mero 7, de 2 de novembro. F foi pena seu
Barreto, que pouco tempo se conservou no
desaparecimento, por se ter dele muito a
cargo.
esperar, à vista do valor dos números
Não conhecemos outro número além do 40,
apresentados.
de 14 de fevereiro de 1913.
Periódico literário, noticioso e humorístico,
Publicação diária, menos aos domingos.
dirigido pelos Srs. Narciso Lara de Araújo e
Formato de 34 x 25 e quatro colunas até o
Miranda Neto.
número 10; depois 38 x 28 e cinco colunas
Publicação quinzenal e impressão das ofici-
e, finalmente, 32 x 24 e quatro colunas. Até
nas da Imprensa Oficial. Formato de 36,5 x o citado número 10 um cabeçalho e daí para
27, quatro páginas e quatro colunas. a frente vários, mas todos com o título de
O primeiro número, ilustrado com o retrato um só tipo.
do saudoso literato e filólogo Dr. Carlos Góes, Redação à Rua do Espírito Santo, 1229, e
teve um cabeçalho e os restantes outro. O oficinas à mesma rua, 1041. Posteriormente,
título daquele número era composto de ficaram estas duas seções unidas, ainda à
caracteres tipográficos comuns e o dos ou- mesma rua, 1262.
156 limtífíO Bi iÃPKHSi Bi BUO HOMIOM: 1895-1954

A T R I B U N A (1*1 167. Formato de 40,5 x 28,5, quatro páginas, cin-


Diário vespertino, de propriedade do Sr. co colunas e o mesmo cabeçalho nas edições
J. Dias Lana e direção do Sr. Adeodato que possuímos.
Pires. O Sr. Vicente Racioppi exerceu o A velha usança do artigo de fundo foi aqui
lugar de secretário no primeiro mês de abolida. Não trouxe programa nem coisa se-
publicação. melhante. Entrou sem dizer a que vinha, a

Órgão político independente. não ser o que constava no cabeçalho: Diário

F.m meados de janeiro de 1913, passou à independente, noticioso e político.


Redação e oficinas à Rua do Espírito Santo, 370.
propriedade de uma empresa, declarando no
cabeçalho — Nova fase. Ignoramos se conti-
A MUTUARIA 169
nuou com a mesma direção-
As célebres mútuas, que avassalaram o País
Publicou 92 números, sendo o primeiro a 22
em todos os quadrantes, muito contribuíram
de outubro de 1912 e o último a 23 de abril
para o aumento excessivo de jornais, pois
de 1913, um semestre justo. Não circulava
cada um contava com seu órgão de propa-
aos domingos.
ganda. Já descrevemos dois e vamos agora
Formato de 37 x 26, quatro páginas sem nu-
tratar deste, de propriedade da Mutuária
meração e quatro colunas. Cabeçalho com
Amparo das Famílias.
alterações pouco sensíveis, mas sempre com
A Mutuaria teve como diretor o Dr. Noguei-
o mesmo tipo de título.
ra de Sá e como redator o Sr. Marçal Benig-
Redação e oficinas à Avenida do Comércio, no, até certa data.
426. O primeiro número saiu a 15 de janeiro de
1 9 1 3 e o sétimo, último de nossa coleção, a
0 TEMPO 168 15 de abril seguinte.
Sob a direção do Sr. Porfírio Camelo, surgiu Publicação quinzenal e colaboração de diversos.
o primeiro número deste jornal a 24 de ou- Formato de 40,5 x 26, quatro páginas sem
tubro de 1912. Ignoramos quando deixou de numeração, quatro colunas, tiragem de 5.000
circular. exemplares e cabeçalho inalterado.
BfSBWSDOSPfMÓDICOS 157

Fxlitor, Sr. José Maria do Espírito Santo, com A Illustração Mineira foi uma bela
oficinas à Avenida Afonso Pena, 768. p u b l i c a ç ã o , de e x c e l e n t e feitura. Não
podemos dizer que honrou nossas oficinas
O M O M O 170 gráficas, porque foi feita no Rio de Janeiro,
Terça-feira, 4 de fevereiro de 1 9 1 3 , no delírio na Casa Pimenta de Melo & Cia., à Rua Sachet,
da festa excepcionalmente brasileira, o Carnaval, 34.
era o deus Momo honrado com seu homônimo... Propriedade da D'Ávila & Cia., Sociedade
dc papel, O Momo, órgão de todos e de composta dos Srs. Celso D'ÁvÍla, Amaro
ninguém, que tinha como diretor, Dr Barbudo
Drummond e Francisco Alevato.
sem nome e como gerente — Coronel Ignoto.
Só publicou um número, datado de 1° de
Propriedade da empresa dos Pinga, Miséria & Cia
março de 1 9 1 3 - Formato de 3 1 , 5 x 2 2 , 5 , 16
O ano e o número eram assim assinalados:
páginas e três colunas.
Número 1 sem continuação — Ano da
O corpo de colaboradores, citado na capa,
Desgraça.
era representado por altos expoentes da li-
No expediente declarou:
teratura e da política.
O Momo publica todos os dias, devendo
Saiu ilustrada com finas gravuras, todas de
sair só boje — A direção responsabiliza
edifícios públicos e paisagens da Capital.
o Presidente do Estado e o Prefeito pelos
Notamos a colaboração de Costa Rego, Aldo
artigos aqui publicados
Delfino, D'Ávila Cordeiro, Venceslau de Mo-
Impresso em papel de cor, ao que parece
nas oficinas da Imprensa Oficial. Formato rais, Ramos César, Osório Dutra, Mário

de 3 3 , 5 x 2 0 , 5 , quatro páginas sem numeração Bhering e Carlos Góes.


e três colunas.
A CAPITAL (4 ) a
172

A ILLUSTRAÇÃO MINEIRA 171 Quarto e, até agora, penúltimo jornal com

Com exclusão do artigo, já tivemos uma re- este título.


vista com este nome. Está registrada sob o Publicação iniciada a 5 de maio de 1 9 1 3 ,
número 1 5 1 . sem o clássico e proverbial artigo de fundo.
158 timtíftiQ BÍ imtm KÍUQ HQMOHK: ws-m4

Nos primeiros tempos apresentou-se como Itabirano exerceu o lugar de redator na ges-
jornal político, simpático ao Governo esta- tão do Dr. Celso D'Ávila.
dual e infenso, não ao Govemo Federal di- Vários formatos: 36,5 x 26,5 — 48 x 33 —
retamente, mas ao General Pinheiro Machado, 46,5 x 32,5 — 49 x 32,5 e 54 x 38 e quatro
na ocasião o chefe supremo e absoluto da colunas no primeiro, cinco no segundo e seis
política nacional. A atitude desta folha em nos restantes. Sete foram os cabeçalhos e
relação ao grande senador gaúcho pode ser três as variedades dos tipos empregados no
definida só com estas palavras, escritas no título.
primeiro número:"... o funesto e ensangüen- Redação e oficinas à Rua da Bahia, 1012, e
tado caudilho Pinheiro Machado, príncipe da em seguida à Avenida Paraopeba, 244.
Carniça, urubu-rei da República". Depois A Capital foi um jornal que bem cumpriu
mudou de orientação, tomando-se imparci- sua missão. Vasto noticiário, bom serviço te-
al.
legráfico, correspondências, etc.
Diário matutino, exceto no período decorri- Com A Tarde teve algumas escaramuças, que
do de 13 de fevereiro a 16 de abril de 1914, não chegaram, porém, a degenerar em po-
no qual se transformou em vespertino. De lêmica, como as que foram mantidas entre
25 de maio desse ano em diante, saía também outros jornais e relatadas nos respectivos lu-
às segundas-feiras, o que jamais aconteceu a gares.
qualquer outra publicação local, porque,
mesmo sem ser isso defeso, não era usual o A MARRETA 173
trabalho aos domingos. Tendo como redator-chefe o Dr. Aleixo
O número 156, de 27 de junho de 1914, é o Paraguassú, A Marreta começou a marretar
mais elevado que consigna nosso fichário. a 7 de junho de 1913- O segundo número
Teve vários diretores. Inicialmente, o Dr. Cel- saiu a 6 de julho e o terceiro e último a 22
so D'Ávila, depois o Sr. Amaro Drummond e de agosto.
depois ainda o Sr. Joaquim de Azevedo. No Publicação mensal e impressão da Tipografia
fim da publicação não constava do cabeça- A Central, de Araújo, Irmão & Cia., situada à
lho o nome do responsável. O Sr. Gastão Rua do Espírito Santo, 328. Formato de 18,5
KXmDOSPltiÓDICOS 159

x 12, número variável de páginas e duas OAEROPLANO 174


colunas. Órgão científico, literário e de propaganda
Capas diferentes, um motivo para cada nú- comercial. Propriedade da Farmácia e Dro-
mero. A do primeiro trouxe na base um es- garia Neves, estabelecida à Rua dos Caetés,
cudo seguro pela mão direita de uma velha, 673.
que na esquerda sustentava a célebre marreta, Só voou duas vezes, em junho e setembro
cuja ponta do cabo era um lápis de desenho. de 1913-
Dentro desse escudo o lacônico e incisivo Formato de 30,5 x 22, quatro páginas sem
programa, nestes termos concebido: numeração e três colunas. Ambos os núme-
A Marreta é uma revista humorística, ros com o mesmo cabeçalho e a mesma fei-
crítica, literária e política, que não de- ção gráfica.
preciará o mérito nem exaltará as nuli- Impresso na Tipografia Progresso, do Sr.
dades. Prefere o aniquilamento com in- Carlos Masoti, à Rua do Espírito Santo, 225.
dependência à abastança pela subservi-
ência. VITA 175
Um cabeçalho para a capa e outro para a Vita foi uma revista de valor, por ter sido
folha -de-rosto. O desta representa um ele- feita com arte e elegância. Copiosamente
gante cavalheiro de fraque e cartola, munido ilustrada com finas gravuras, que mais real-
porém de enormíssimo e peludo rabo, çavam pela ótima qualidade do papel em-
atravessado sobre uma bigorna, e uma velha pregado na impressão, sempre executada nas
com cara de poucos amigos a marretá-lo, oficinas da Imprensa Oficial.
impiedosamente. Trazia por divisa "Ecce verbis et civitatis VTÍA ".
A Marreta teve boa acolhida do público, por O primeiro número foi distribuído em julho
sua graça e espírito. Estampava diversas gra- de 1913 Apesar da grande aceitação que
vuras, muitas delas alusivas aos textos hu- logrou obter de nosso meio social, não passou
morísticos. do número 17, datado de 7 de setembro de
Escritório e redação à Rua Guarani, esquina 1914. Foi mais uma para o rol das vítimas da
de Tupinambás. fatalidade que pesa sobre nossa Imprensa.
160 irmtíntõ õÁ IMMNSÁ ÕÍSÍÍÕ HOSÍIOMF: ms-m4

Revista de arte e letras, consagrada à propa- Vita em sua primeira página ostentava uma
ganda moral e material de Minas. seção permanente intitulada "Homens ao
Do número 3 em diante passou de mensal a Leme", na qual descrevia a personalidade
quinzenal. de patrícios ilustres e de representação nos
Redação dos Srs. Columbano Duarte e Ra- diferentes setores da atividade humana das
mos César e direção artística do Sr. Luís de ciências, da política, das letras, das artes, da
Soto, até o número 4; do número 5 ao 9, magistratura, do Direito, etc. O homenageado
diretor, Dr. Frnesto Cerqueira. A contar do tinha sua efígie aí estampada.
número 10, voltaram os primitivos redatores, Revistas iguais temos tido, mas não superio-
Srs. Columbano Duarte e Ramos César, que res. Vita foi uma publicação que honrou so-
se conservaram até o fim. bremodo nossos meios gráficos e culturais.
A mudança de direção provinha de mudança F, um prazer manuseá-la. Quantas evocações
de propriedade. Foram proprietários, primei- desperta! De tudo se encontra em suas pági-
ro, os Srs. Luís de Soto e José A. da Fonseca; nas: arte, literatura, sociais, humorismo, etc.
depois, só este último e, finalmente, os Srs. Até hoje é ela lembrada com saudades.
Celso Bueno Brandão e José Maximiano de Seleto o corpo de colaboradores. Entre ou-
Carvalho. tros, apontaremos Aurélio Pires, Abílio Ma-
c h a d o , Hermes Fontes, Alphonsus de
A parte artística estava entregue aos competen-
Guimaraens, Carlos Góes, Mendes de Oli-
tes artistas Luís de Soto, como diretor; J. Georgi,
veira, Osvaldo de Araújo, Mário Matos,
Salvador Soliva e Henrique den Dopper.
Arduíno Bolivar, Gustavo Pena, José Eduardo
Formato de 20,5 x 13,5, média de 30 páginas
da Fonseca, José Rangel, Belmiro Braga, Da
sem numeração e duas colunas.
Costa e Silva, Álvaro Viana, Aldo Delfino,
Cada edição trazia uma capa diferente, mui-
Batista Brasil, Olímpio de Carvalho, Lincoln
tas delas desenhadas por algum dos artistas
Prates, Bento Ernesto, E. Detalonde, Ariosto
acima citados.
Palombo, etc.
Três tipos de cabeçalho interno, um do nú-
mero 1; outro dos números 2 e 11 a 17, e Redação: Rua da Bahia, 463; Avenida João
outro dos números 3 a 10. Pinheiro, 102 e Rua da Bahia, 981.
KfflwmmiôBttQs 161

LOURDES 176 Redação, primeiro, à Rua dos Aimorés, 1592,


Revista mensal ilustrada, órgão da Associa- e posteriormente à Rua da Bahia, 1536.
ção de N. S. de íjourdes e do Círculo Católico íjourdes foi uma revista muito apreciada não
Mineiro, isso o que a princípio constava do só pelos católicos como também pelos aman-
cabeçalho. Depois, só se lia — revista men- tes de boa e sadia leitura.
sal católica ilustrada.
Fundada e dirigida pelos Missionários Filhos O C O M M E R C I O {2*^ 177
do Imaculado Coração de Maria, da Igreja de Segunda folha com este nome. Saiu a 10 de
Lourdes. agosto de 1913, mas não sabemos quando
A publicação teve início a 31 de julho de desapareceu.
1913, prolongando-se por dilatado tempo, Publicação diária, menos às segundas-feiras,
até dezembro de 1939 — 2 6 anos. Foi esse como de praxe.
o único e formal desmentido à má sorte que Redatores-proprietários os Drs. Fábio Prevost
tem imperado sobre quase todas as nossas Neri e Manuel Gomes Pereira.
publicações. Não há regra sem exceção. Formato de 41,5 x 2 6 , 5 , quatro páginas e
Até cena altura, manteve boa parte literária, cinco colunas. C a b e ç a l h o com leves
na qual colaboravam alguns de nossos escri- alterações.
tores. O Sr. Benedito Lopes foi redator, no Redação e oficinas à Rua do Espírito Santo, 576.
período inicial. Finalizou desta forma seu artigo de apresen-
Formato de 17 x 11, número variável de tação, intitulado "Ao Povo":
páginas e duas colunas ou coluna aberta A A cada um o que é seu. O Commercio
numeração de páginas era contínua, por ano sintetiza o seu programa neste belo
ou grupo de anos. Não havia uniformidade. brocardo-civilizador e por ele se baterá
Inicialmente, impressa nas oficinas da Im- sem temor e sem tréguas.
prensa Oficial e depois em outras.
Capas e cabeçalhos os mais variados. As edi- CHWSTO REDEMPTOR 178
ções eram numeradas por ano; depois ado- A 17 de agosto de 1913, domingo, distribuiu-
tou-se numeração contínua. se nesta capital uma poliantéia organizada
162 niHtÚltO DÁ lâPUHSi 0(8HO HOmOHU: ms-1954

pelo Sr. J . Borges Fleming, em homenagem Primeiro número a 20 de setembro de 1913,


a Cristo Redentor, cuja imagem, naquele dia, com o formato de 28 x 17,5, quatro páginas
foi colocada no salão do júri da comarca. e três colunas.
A primeira página foi integralmente ocupada Gerente, Sr. J . G. Machado.
com a fotogravura do belo crucifixo cuja Redação à Rua da Bahia, 280.
entronização se efetuava. Nada mais conseguimos.
C o l a b o r a r a m nessa p o l i a n t é i a o s Srs.
Aurélio Pires, Mário de Lima, Carlos Góes, O PATROCÍNIO 180

Edgard de Oliveira Lima, Lindolfo Gomes, Mais um produto das famigeradas mútuas.
Horácio Guimarães, Amédée Péret, Este advogava os interesses da Mutuária Cristã

Azeredo Neto, Abílio B a r r e t o , Fausto Brasileira, sociedade beneficente de pecúli-

Ferraz, J o s é Eduardo da Fonseca, J o ã o os, com sede à Rua dos Carijós, 659
O primeiro número foi publicado a 1 ° de
Borges Fleming, Emílio Loureiro e José do
novembro de 1913, o segundo a 16 e o ter-
Patrocínio (transcrição).
ceiro a 1 ° de dezembro, únicos que conhe-
A comissão promotora da homenagem com-
cemos.
pôs-se dos Srs. Coronel Antônio da Rocha
Formato de 31,5 x 22, quatro páginas sem
Melo, João Borges Fleming e Manuel de Ma-
numeração e três colunas.
galhães Penido.
Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial,
A NOTICIA ( 3 ) a
181
com o formato de 40 x 26,5, quatro páginas
Sob a direção dos Sr. Adeodato Pires, surgiu,
sem numeração e quatro colunas. a 24 de novembro de 1 9 1 3 , o terceiro jornal
Na segunda página estampou um grupo fo- deste título, órgão exclusivamente popular
tográfico da referida comissão. e sem ligações partidárias.
Passado algum tempo, suspendeu a publica-
O RAIO X 179 ção, cujo restabelecimento se operou em
Órgão literário, científico, humorístico e no- meados de junho de 1 9 1 4 . Propriedade da
ticioso. empresa Vasconcelos & Pires.
KSWiâSOOSWiÔBICÕS 163

Diário vespertino, não se publicando aos Publicação semanal, aos domingos, com o
domingos. Ignoramos até quando circulou. formato de 30 x 21,5, quatro páginas e qua-
Da redação também faziam parte os Srs. tro colunas.
Vicente Racioppi e Gastão Itabirano. Escrito à Rua Sabará, 70.
Nos primeiros números com o formato de
40 x 27, quatro páginas e cinco colunas, e FOLHA ACADÊMICA 184
em seguida com o de 50 x 32,5, quatro
Jornal dos interesses da classe e órgão do
páginas e seis colunas. Um cabeçalho para
Centro Acadêmico da Faculdade de Direito.
cada formato.
Diretores, Srs. Cisalpino de Sousa e Silva e
Redação e oficinas à Avenida Amazonas, 442.
N. T. de Morais Navarro; redator, Sr. Eugênio
Por falta de elementos para melhor descri-
Detalonde.
ção, aqui ficamos.
Surgiu a 28 de abril de 1914 e até quando se
publicou não sabemos
Y Ã Y À , M E DEIXA... 182
Publicação quinzenal. Formato de 33 x 23,
Jornal humorístico e de trepações.
oito páginas sem numeração e quatro colu-
Foi distribuído no Carnaval de 1914, dias 22
nas.
a 24 de fevereiro. À esquerda do título es-
Impressa na Tipografia Beltrão & Cia., à Rua
tampava a figura de rotunda preta baiana.
do Espírito Santo.
Impressão das oficinas da Imprensa Oficial,
O mesmo cabeçalho nos números de nosso
com o formato de 32,5 x 22, seis páginas
conhecimento.
sem numeração e quatro colunas.
Cada número trazia na primeira página o re-

0 BEUA FLOR 183


trato de um vulto de destaque do nosso meio
cultural, tendo essa galeria a denominação
Conhecemos somente o primeiro número,
que é de 19 de abril de 1914. "Os Mestres".

Propriedade de uma empresa, como está no Redação à Rua dos Carijós, 718.
título e dedicado ao belo sexo. Não declinou Jornal muito bem-feito e de variada colabo-
o nome do redator. ração.
164 nmtíilQ õà IMPXêMÃ 0(8(10 UOMQHK: 1895-1954

O número 6, de 11 de agosto de 1914, saiu A 30 de abril de 1914, saiu o primeiro nú-


em formato de revista e com o nome de mero. Os números que conhecemos são per-
Revista Acadêmica. Não significou isso alte- feitamente iguais: formato de 33 x 24, quatro
ração do formato nem mudança do título em páginas e quatro colunas.
caráter permanente. O fato assim se explica: Impresso na Tipografia Gibraltar, à Rua da
a direção incluiu em seus planos publicar, Bahia, 916.
nas grandes datas nacionais, um número es- Em 13 de maio de 1915, reencetou a publi-
pecial do jornal, mas com aquelas variantes. cação, suspensa em data que não
Daí a publicação do número em apreço, na conseguimos apurar.
data do aniversário da fundação dos cursos Direção dos Srs. Da Costa e Silva e Silva
jurídicos no Brasil. Guimarães.
Foi uma bela edição de luxo, ornada com os Zás-Trazf foi um dos melhores jornais hu-
retratos do Conselheiro Afonso Pena, fundador morísticos aqui editados. Ele e o Quasü...
da nossa Faculdade de Direito; Mendes Pimentel, formam a dupla por excelência da nossa Im-
diretor da mesma; Edmundo Lins, então Presidente prensa humorística.
do Tribunal da Relação; Estêvão Pinto, Afonso
Pena Júnior e Heitor de Sousa, professores da PEQUENO JORNAL 186
Faculdade, e Aurélio Pires. Diário vespertino, de interesse geral.
Trouxe o formato de 20 x 1 3 , 5 , 28 páginas Encetou a publicação a 2 de maio de 1914,
não-numeradas e duas colunas. dizendo, entre outras coisas do artigo de fren-
Farta e seleta colaboração. te, o seguinte:
Ignoramos se outros números saíram nas Jornal de feição moderna, para leitura
mesmas condições deste. rápida, no curto itinerário do bonde, ou
entre o café e a prosa, será o instantâneo
ZAS-TRAZI 185 da vida local, nos seus múltiplos aspec-
Periódico humorístico e crítico. Lia-se no tos, registrando a nota interessante do dia,
frontispício: Cet animai est três méchant: com a maior dose possível de humor e
quand on Vattaque il se défend. ironia.
ftfSummmiôõfCQs 165

Não consta do cabeçalho ou de qualquer outra A RENASCENÇA 188


parte do jornal o nome do redator ou redato- Semanário independente, cujo primeiro nú-
res. Um deles seria o Sr. Osvaldo Araújo, mero foi publicado a 3 de maio de 1914. Só
que não chegou a sê-lo por se ter desligado conhecemos esse número e o 10, de 19 de
da redação, antes mesmo da publicação do julho. Ambos com o mesmo cabeçalho e a
primeiro número, que noticiou a ocorrência. mesma feição material — formato de 38,5 x
Não sabemos o tempo que durou. 27, quatro páginas e quatro colunas.
Formato de 33 x 22,5, quatro páginas e qua- A direção estava a cargo dos Srs. Tomás Car-
tro colunas. Oficinas próprias, sem indicação neiro, diretor, Rodolfo Cavalcanti, redator, e
do local. Cabeçalho igual em todas as edi- redator-secretário, Sr. Alzir do Nascimento
ções que temos à vista, poucas, aliás. Torres.
Bem-redigido, com bom noticiário. Impressão da Tipografia Beltrão & Cia., em
muito bom papel.
TRIBUNA D O E S T E 187 Texto variado e escolhido, sobre todos os
Órgão dos interesses da zona do Oeste de assuntos.
Minas, de direção dos Srs. Sandoval Campos,
Lincoln Nogueira e F. de Areia Leão. D I Á R I O P A T A R D E (2*) 189
A publicação começou a 2 de maio de 1914, Segundo dos quatro jornais portadores deste
mas não sabemos até quando se prolongou. título.
Publicava-se aos sábados, com o formato de Poucos meses teve de duração, apenas três.
47 x 30,5, quatro páginas e cinco colunas. Seguiu a regra geral, para não quebrar a tra-
Cabeçalho igual nas poucas edições que te- dição de que nesta terra o jornal não vinga
mos arquivadas. mesmo.
Redação à Rua São Paulo, 585, e oficinas no Publicou-se de 8 de maio a 5 de agosto de
número 379 da mesma rua. 1914, editando 76 números. Propriedade do
Tribuna d'Oeste, além da parte especial a Sr. J . Dias Lana e redação do vibrante jorna-
que se consagrara, estampava vasto noticiário lista e republicano histórico, Engenheiro
local, sociais, etc. Antero de Magalhães.
166 imaim BÁ IMPIMÍ KBÜO HQMQHH: im-m4

Jornal de boa aparência material e muito bem O PIMPOLHO 190


impresso, media 50 x 33, trazendo quatro Periódico caricato, crítico e ilustrado, de pro-
páginas sem numeração e cinco colunas. O priedade de uma sociedade anônima.
cabeçalho não sofreu a mínima alteração. Publicação quinzenal.
Redação e oficinas à Avenida João Pinheiro, Primeiro número a 5 de junho de 1914. O
238. número 10, o mais elevado de nossa coleção,
Folha política de grande projeção, filiou-se é de outubro.
ao Partido Republicano Conservador, chefia- Formato de 20,5 x 14, 16 páginas sem
do por Pinheiro Machado, sem, no entanto, numeração e duas colunas. Capas
ser órgão oficial do mesmo aqui, conforme diferentes, ocupadas com assuntos
explicou numa nota publicada em resposta humorísticos. O mesmo c a b e ç a l h o em
a O Paiz, que, ao noticiar seu próximo apa- todas as edições.
recimento, o apresentara naquele caráter. Dis- O título, composto de letras estilizadas e
se que sustentava e aplaudia sem hesitações entrelaçadas, confunde e baralha a vista, tor-
e sem desfalecimentos a orientação do PRC, nando-se quase ilegível ao primeiro olhar.
mas sem ter com ele laços de dependência Só depois de bem fixado pode ser lido com
material que o prendessem à sua direção. clareza e entendido.
Foram seus colaboradores efetivos os Srs. O Pimpolho era impresso em bom papel,
Drs. Francisco de Oliveira Catão, Joaquim estampando retratos de pessoas da nossa so-
Francisco de Paula, Joaquim Quirino Ferreira, ciedade, além de gravuras humorísticas. Bem
acadêmico Djalma Andrade e outros. escrito e espirituoso.
Além da parte política, pouco mais publicava Nem por vias indiretas conseguimos saber
de interesse geral, pois só a primeira página qual o diretor desta revista, que se "fechou
era utilizada pela direção. As restantes se em copas" neste particular.
destinavam exclusivamente à matéria paga. R e d a ç ã o e oficinas à Avenida Afonso
Foi esta, em breves traços, a vida do Diário Pena, 3 7 1 , e depois à Avenida do
da Tarde. Comércio, 351.
167

O DEBATE ( l ) g
191 Formatos de 32 x 2 3 , número de páginas
Não afirmamos, mas temos razões para crer variando de 24 a 40 e quatro colunas até o
que 0 Debate não passou de número de es- número 6, e 25 x 17, média de 50 páginas e
tréia, verificada a 17 de junho de 1914. duas colunas, do número 7 ao 21.
Diretores-redatores, Srs. Ariosto Palombo e Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial,
Oscar de Oliveira Lima. com a tiragem de 10.000 exemplares, con-
Formato de 38,5 x 27, quatro páginas e cinco soante sua afirmativa.
colunas. Parece-nos ter sido impresso nas Capas de diferentes tipos, sendo as dos cinco
oficinas do Diário de Minas. primeiros números mais ou menos iguais.
Redação à Rua Guarani, 70. No formato maior não mudou de cabeçalho;
no menor estampou dois, um utilizado no
REVISTA COMMERCIAL 192 início e no fim da publicação e outro no
Órgão de propaganda das riquezas do Brasil período intermediário.
e dedicado ao comércio, indústria, ciências, Revista Commercial, no gênero, foi uma das
artes e agricultura. mais destacadas publicações que temos pos-
Publicação mensal, mas sem regularidade. suído. Grande aceitação teve não só no Esta-
0 primeiro número foi dado à luz da publi- do como fora dele. Manteve boa seção lite-
cidade a 30 de junho de 1914 e o 2 1 u
e rária e de charadas. Muitas fotogravuras de
último em fevereiro de 1917. assuntos subordinados ao texto ilustravam
Os números 1 e 2 saíram sob a direção do suas páginas.
Dr. João Carvalhais de Paiva e o número 3,
sob a do Dr. José Álvares de Abreu e Silva. A OAZETA (3 ) a
193
Em certo período, entre os números 5 e 11, Terceiro e penúltimo jornal assim intitulado.
foi dirigida pelo Sr. Ariosto Palombo. Terça-feira, 15 de setembro de 1914, era
Propriedade da Agência Mineira nos números distribuído seu primeiro número. Durou até
1 e 2; de Soares & Peres nos números 3 e 4; meados de fevereiro do ano seguinte.
de Soares, Peres & Cia. nos números 5 a 11, e Propriedade de Lopes & Lopes, Antônio
do 12 ao fim, do Sr. Egídio Soares Filho. Lopes de Vasconcelos e Alfeno Ferreira
166 HMtiMQ Di IMWi fff 8(10 U0ÊI20HK: 1895-1954

Lopes. Faziam parte da Redação os Srs. título no último número, ou seja o 6, de 15


Horácio Guimarães, Adeodato Pires e J . de outubro de 1914. O primeiro número foi
Fabrino. publicado em setembro, em dia por nós não
Diário matutino, com o formato de 50 x 34, sabido, como já dissemos.
quatro páginas e cinco colunas. Cabeçalho Formato de 28 x 18, quatro páginas e três
sem alteração. colunas, com a tiragem de 50.000 exempla-
Administração e oficinas à Avenida Afonso res. Essa piada corre por conta da redação.
Pena, 586.
Para não destoar do inveterado costume, BOA V I A G E M 195
manteve com O Estado forte polêmica. Nosso catálogo inscreve somente o número
A Gazeta teve boa aceitação por parte do 1 deste jornal, datado de 6 de outubro de
público. 1914.
Semanário imparcial, noticioso, literário e
O DEMOCRATA 194 defensor dos interesses do povo.
Órgão de propaganda dos clubes da Empre- Formato de 18 x 13, quatro páginas e duas
sa Democrata, de propriedade de Ascendino colunas.
& Cia. Não sabemos a data exata do primeiro Gerente, Sr. Horácio Tertuliano.
número. Nem seu proprietário nos soube in- Redação e oficinas à Rua Paraíba, 624.
formar. Por aí verá o leitor as dificuldades
que enfrentamos para rabiscar estes toscos IMPRENSA D E MINAS 196
apontamentos. Às vezes, meia dúzia de li- Sob a direção do ilustre jornalista Dr. Fausto
nhas aqui traçadas representam um esforço Ferraz, surgiu este matutino a 28 de outubro
que não compensa, dada a natureza e pouca de 1914.
importância do jornal, mas, como todas devem A 4 de janeiro seguinte, o Dr. Fausto Ferraz,
ser descritos, não temos outro remédio se- por escrúpulos, passou temporariamente a
não conformar-nos. São os ossos do ofício. direção do jornal ao seu companheiro de
A numeração do jornal era em algarismos redação, Dr. Cavalcanti de Albuquerque, por
romanos. Do cabeçalho só mudou o tipo do se ter apresentado candidato a uma cadeira
imWDOSPMÔOIM 169

de deputado federal pelo 5 Distrito Eleito-


Q
Redação à Rua Pouso Alegre, 917.
ral. No número 1 anunciou publicação quinze-
Diário do comércio, da indústria e da agri- na] e no número 3, semanal.
cultura, e propriedade da Empresa de Publi- A 14 de fevereiro de 1915, lançou o primeiro
cidade e Artes Gráficas. Não era publicado número como revista, com a mesma direção.
aos domingos. Logo depois retirou-se o Sr. Alcides Rosa,
Formato de 45 x 28,5, quatro páginas e cinco que foi substituído pelo Sr. Renato Travassos.
colunas. Um cabeçalho para os primeiros O número 5, de 4 de março, é o último de
números e outro para as demais, mas todos nossa coleção.
com o mesmo tipo do titulo,
Formato de 20 x 13, número de páginas va-
ótimo jornal. O nome de seu ilustre diretor
riável, sem numeração, e duas colunas. Ca-
já era uma recomendação.
beçalho uniforme.
Boa publicação, que continha muitas ilustra-
A FLORESTA 197
ções e seções literária e noticiosa.
Começou a publicação como jornal e acabou
como revista. Como jornal deu o primeiro
CRUZ VERMELHA 198
número a 15 de novembro de 1914, tendo
Órgão de propaganda da seção da Cruz Ver-
como redatores os Srs. Rafael Machado e
melha, anexa à União Espírita Mineira.
Alcides Rosa.
Número único, de distribuição gratuita, pu-
órgão dos interesses do bairro que lhe deu
blicado a 25 de novembro de 1914. O título
o nome. Foi o primeiro jornal suburbano aqui
ostentava de cada lado uma cruz de Malta,
editado.
tudo impresso em vermelho.
Os números 1 e 2 com o formato de 31 x
Do cabeçalho constava — Deixai vir a mim
22,5, quatro páginas e quatro colunas. O nú-
mero 3, de 20 de dezembro, último que co- as criancinhas e Fora da Caridade não há

nhecemos, aumentou o formato para 38 x salvação.


27 e mais uma coluna. Um cabeçalho para Formato de 42 x 28,5, quatro páginas e cinco
cada formato. colunas.
170 mnakio BÍ imm OÍBÜO mt/om. ¡095-1954

CORTA-JACA 199 Redação e oficinas à Rua Cláudio Manuel,


Jornal humorístico, de publicação dominical. 602.
Trazia no cabeçalho: Chorar é próprio de Jornal muito bem redigido e de segura ori-
bezerros desmamados — Ponhamos a más- entação. Teve, infelizmente, vida efêmera,
cara do riso e.. deixemos correr a inana, as o que não constitui surpresa para quem tem
frases de cada lado do título. acompanhado o desenvolvimento deste
Primeiro número a 29 de novembro de 1914. trabalho.
Só sabemos da existência desse número e
do segundo, de 6 de dezembro. O M O M E N T O (!•) 201
Formato de 30 x 21,5, quatro páginas sem Diário vespertino de grande formato, que se
numeração, quatro colunas e o mesmo cabe- publicou de I de janeiro de 1915 a 17 de
o

çalho. julho seguinte, quando saiu o número 1 6 8 .


Propriedade de uma empresa, com escritório Eia rigorosamente diário. Para ele não havia
à Avenida Oiapoque, 68. domingos, feriados ou dias santificados. Circu-
De nossos jornais humorísticos, é de justiça lava sem obedecer a quaisquer preconceitos
colocar-se este em plano mais elevado do religiosos ou históricos.
que muitos outros, que de humorísticos só Formato de 50 x 33,5, quatro páginas e seis
têm o rótulo. colunas, e o mesmo cabeçalho em todas as
edições.
POVO M I N E I R O 200 Era esta a sua direção, diretores, Drs. Gustavo
Órgão popular, de redação e propriedade Farnese e Ernesto Cerqueira; redator-secre-
do Dr. J o s é Falei, antigo a d v o g a d o e tário, Sr. Porfírio Camelo; redator, Sr. João
magistrado, falecido em abril de 1946. Chaves; auxiliares de redação, Srs. Osvaldo
Publicou-se de 29 de novembro de 1914 a Furst e Oduvaldo Brant.
17 de janeiro de 1915, dando seis números. Redação e oficinas à Avenida João Pinheiro,
Publicação semanal, com a tiragem de 1.000 328.
exemplares. Formato de 28,5 x 20, quatro O Momento pode ser inscrito entre os jornais
páginas e quatro colunas. que melhor souberam elevar o nível de nos-
8S&W0OSPfMÔÕlCÕS 171

sa Imprensa. Foi uma publicação na qual tudo Lincoln Prates, Mário de Lima, Mendes de
se encontrava. Oliveira, Mário de Azevedo, Noraldino Lima,
Não fez o estirado artigo de fundo. Expôs, Nicolau Navarro, Osvaldo de Araújo, Silva
em breves linhas, seu programa. Inicialmen- Guimarães c outros.
te, disse: Propriedade dos Srs. Alfredo Jorge da Silva,
Informar e comentar, com verdade e jus- Eusébio Cavalieri Soares e José Augusto de
tiça, servindo aos interesses da Repúbli- Oliveira, até o número 6 e do 7 em diante,
ca e de Minas — tal o programa com apenas do primeiro.
que O Momento surge entre os órgãos Formato de 20 x 13,5, 40 a 50 páginas sem
de publicidade desta capital. numeração e duas colunas. Não mudou de
cabeçalho tanto da capa como da parte in-
VIDA P E MINAS 202 terna. Todas as capas de muito bom gosto,
Não confundir esta revista com A Vida de com retratos, vistas, fantasias, etc.
Minas, que daqui a pouco será descrita. A primeira página era destinada à seção "No-
Vida de Minas nasceu a l de janeiro de 1915
g mes em Foco", na qual se realçavam os prin-
e morreu a 15 de junho seguinte. Nem um cipais traças da vida e obra de destacadas
semestre viveu! Apenas 12 números circula- figuras da política, das letras, da ciência, etc.
ram. Impressa nas oficinas da Imprensa Oficial,
Publicação quinzenal, rigorosamente obede- em ótimo papel.
cida. Vida de Minas foi um primor de arte e de
Diretor, Sr. Cisalpino de Sousa e Silva, que texto. As melhores e mais oportunas colabo-
contava com o seguinte corpo de colabora- rações: literatura, humorismo, crônicas, enfim,
dores: Arduíno Bolívar, Abílio Machado, Au- tudo tão bom como nas revistas de nossos
rélio Pires, Arcângelo Guimarães, Assis Viana, dias.
Abílio Barreto, Carlos Goes, Camilo Filho,
Da Costa e Silva, Daniel de Carvalho, Ernesto A RONDA 203
Cerqueira, Eugênio Detalonde, Fernando Aze- Começou a rondar no dia 25 de janeiro de
vedo, Gastão Itabirano, Lúcio dos Santos, 1915. Curta, porém, foi a sua ronda, que
172 nmtíifõ oi mm& õfsfto HOHIOHU- ms-m4

terminou logo depois, sem que precisemos Citamos apenas os de nosso conhecimento.
a data. Talvez outros tenham saído em anos
Publicação bissemanal, às quartas-feiras e sá- intermediários, mas nada podemos adiantar
bados. Órgão independente, de propriedade a respeito.
de uma empresa. Temos que descrever as edições separada-
Formato de M x 26, quatro páginas sem numera- mente, uma por uma, porque sua natureza
ção e quatro colunas. Cabeçalho inalterado. assim o exige.
Qual o diretor e local de impressão não con- 1915— Distribuído de 14 a 15 de fevereiro,
seguimos saber. com o formato de 29 x 19, seis páginas e
Redação à Rua dos Tupinambás, 1130. duas colunas.
No cabeçalho:
A É P O C A (3») 204, Assinatura-, um conto e um canudo por
Terceiro e penúltimo jornal assim intitulado. ano — Redação, debaixo da pinguela do
Este, porém, veio sem o "h", o que está de Saco, 2° andar térreo — Cair n 'água é a
acordo com a atual ortografia. Antecipou os função dos barbados — Ano não existe
acontecimentos. — Sem número— Órgão oficial sem far-
Saiu a 13 de fevereiro de 1915 e deixou de da, dos maludos e pintos pelados.
existir a 12 de agosto seguinte. 1916 — Circulou de 5 a 7 de março. Cabe-
Redator proprietário, Sr. Levi Cerqueira. çalho idêntico ao de 1915, com esta pequena
Publicação bissemanal, com oficinas própri- variante: Redação, debaixo da pinguela do
as, à Rua Itapecerica, 233. córrego do Leitão, 2 andar.
o
Formato de 27,5
Formato de 34 x 23, quatro páginas, sem x l6,5, quatro páginas e três colunas.
numeração e quatro colunas. 1919 — Datado de 2-4 de março, com o
Jornal noticioso e bem escrito. formato de 26,5 x 20,5, quatro páginas e
quatro colunas.
T E N E N T E S PO DIABO 205 Cabeçalho :
Jornal carnavalesco, publicado nos anos de Assinaturas, um conto., do vigário por
1915, 1916, 1919, 1922, 1923 e 1924. ano — Redação, debaixo da ponte, 2o
mamimmttotcos 173

andar, quarto do meio — Órgão oficial Formato de 38,5 x 27, quatro páginas e qua-
sem farda, dos maludos e pintos pelados tro colunas.
— Quem não chora, não mama — Ano O jornal carnavalesco foi e será sempre o
V— Número não existe mesmo em todos os tempos. Assim, nada de
Impresso na Tipografia Vitoria, à Rua dos novo a falar sobre este.
Tupinambás, 527.
1922— Cabeçalho: DOMINGO 206_
Edição, 5.000 números — Assinaturas, Domingo teve duas fases. A primeira, que
um conto e um canudo — Redação, de- adotou dois formatos, de jornal e revista, foi
baixo da ponte — Órgão oficial dos iniciada a 1 1 de abril de 1915- Em formato
maludos carnavalescos — Quem não de jornal publicou 25 números, o último
chora não mama — Evoéí Evoé. Evoéf
1
datado de 26 de setembro do mesmo ano. A
— Ano 69 — N° não há — Fevereiro de 10 do mês seguinte, transformou-se em
1922. revista, com os números 26-27, em um só
Formato de 31 x 24,5, quatro páginas e qua- volume. Além desse, só conhecemos o
tro colunas. número 32, de 14 de novembro.
Impresso nas oficinas da Imprensa Oficial. Jornal com o formato de 31,5 x 21,5, oito
7923 — Formato de 34 x 24,5, quatro pági- páginas e quatro colunas, e revista com o de
nas e quatro colunas. 20 x 13,5. A de número 26-27 com 70 páginas
Cabeçalho idêntico ao anterior, com o acrés- e a de número 32 com 8, todas elas sem
cimo do segumie: Redator, Lord Garrafa — numeração.
Camilo Ribeiro. Ano 69 substituído por ano Tanto o jornal como a revista conservaram
não há. Distribuído de 11 a 13 de fevereiro. os respectivos cabeçalhos em todas as edi-
1924 — Redator, Camilo Ribeiro — Crítica e ções.
humorismo — Quem não chora não mama Diretor, Sr. Ramos Arantes e Redator, Sr. Eu-
— Evoéf Evoéf Evoéf Redação no inferno — gênio Detalonde.
Assinatura, 10.000$000. Colaboração selecionada, de elementos de
Distribuído de 2 a 4 de março. destaque nas letras.
174 imaim OÍ imwà x BUO HOMÕHIÍ: MS-IM

No formato de jornal trazia, à esquerda do Impresso na oficinas de A Nota.


cabeçalho, esta quadra do poeta boêmio B. Domingo era crítico, humorístico, lit