➢ Expansão do cristianismo: entra como
Idade Média elo que vai unir os reinos que se
formam na Europa Ocidental.
❖ Período intermediário que se inicia em ▪ Instituição mais poderosa do
476 (Queda do Império Romano do período medieval;
Ocidente) e termina em 1453 com a ▪ Chega tanto a sociedade romana
tomada de Constantinopla pelos turcos quanto aos povos bárbaros;
otomanos; ▪ Muitos reinos vão se converter
❖ Período de consolidação e apogeu do ao cristianismo;
Império Bizantino, descendente do ▪ Aproximação entre Igreja e
antigo Império Romano do Oriente; Estado, fator responsável pela
❖ Periodização clássica da Idade Média: tomada de poder e ascensão
➢ 476 até o século X: Alta Idade Média: econômica, política, social e
formação e consolidação do modelo espiritual da Igreja cristã.
feudal na Europa Ocidental. ➢ Localismo: isolamento;
▪ Formação de núcleos sociais com ➢ Comitatus: nome dado aos laços de
perfis distintos; fidelidade que uniam guerreiros e
• Sociedade feudal na Europa chefes militares;
Ocidental; ➢ Beneficium: recompensa concedida
• Sociedade bizantina; pelo chefe militar aos seus guerreiros
• Sociedade islâmica (Península (em forma de terras e outras riquezas);
Arábica). ➢ Economia agropastoril: base do
❖ Características do sistema feudal: modelo feudal. O isolamento era
➢ Por meio do processo de ruralização, grande e as atividades comercias,
que vem a partir das invasões mercantis e artesanais passam por um
bárbaras, que vai haver a formação das processo de marginalização e as
vilas romanas (as elites que saem da moedas vão quase desaparecer. Dessa
zona urbana e vão para campo vão forma, esses grandes domínios feudais
conseguir se sustentar por que detém vão se constituir como domínios
a posse de terra, usufruindo do autossuficientes;
trabalho servil); ➢ Direito Consuetudinário: direito a
➢ Lei do Colonato: a população pobre partir da tradição, passado pela
que foi para a zona rural em busca de oralidade;
proteção acaba sendo presa às vilas ➢ Sociedade estratificada.
romanas; ▪ A igreja legitima esse tipo de
➢ As vilas romanas vão dando espaço a sociedade, tornando a mobilidade
formação de grandes domínios social dentro do feudo
feudais, conhecido como feudo – uma praticamente impossível.
grande unidade autossuficiente que se ➢ Servidão;
isolou no processo de êxodo rural ➢ As raízes estão na herança da cultura
dentro do cenário das invasões dos romana conectada aos elementos
povos bárbaros; germânicos.
▪ Elementos romanos: vilas romanas, sociedade, ela que dá unidade a essas
colonato, cristianismo e localismo; sociedades na Europa Ocidental
▪ Elementos germânicos: comitatus, (tendo em vista que a política é
beneficium, economia agropastoril descentralizada);
e direito consuetudinário. ➢ Instituição cristã era a mais poderosa
❖ Economia: no período medieval, com poder
➢ Base agrária; espiritual, político e econômico. Houve
➢ Agricultura de subsistência e a aproximação entre essas instituições
autossuficiente; e os grandes estados fortes da Europa
➢ Trocas amonetárias; Ocidental, especialmente do Reino
➢ Inexistência de produção de Franco;
excedente; ➢ Essa aliança dá a igreja a única coisa
➢ Estrutura latifundiária – feudo. que ela não tinha: soldados para
❖ Política: conduzir o processo de expansão da
➢ Poder descentralizado (cada feudo cristandade;
possui nobres que determinam as ➢ Também forja um laço político e
relações sociais dentro do feudo); econômico muito forte: a instituição
➢ Independência dos feudos; cristã durante a Idade Média
➢ Relações de suserania e vassalagem. contabilizava o controle sobre mais ou
▪ Vassalo é aquele que recebe uma menos 1/3 das terras passiveis de
recompensa de outra pessoa. Uma produção agrícola;
mesma pessoa pode ser tanto ➢ As três ordens:
vassalo como suserano, depende ▪ Aqueles que rezam: clero;
do tipo de relação que está sendo • Alta hierarquia que vai se
estabelecida; aproximando cada vez mais do
▪ O que legitima essas relações são a poder e construindo um
tradição e a honra. abismo em relação aos fiéis que
❖ Feudo: queriam a preservação do
➢ Manso senhorial: terras de uso modelo de cristandade
exclusivo dos senhores, nelas se original;
localizava a moradia senhorial. Tudo • Essa alta hierarquia acaba
que ali se produzia pertencia ao deturpando boa parte dos
senhor; dogmas da cristandade e
➢ Manso servil: terras divididas em abrindo frente para a ascensão
parcelas (espécie de lotes), cujo uso política e econômica, o que vai
era partilhado entre os servos; formar um ambiente corrupto
➢ Manso comunal: terras constituídas de (o que se torna comum na
bosques, pastagens, matas. Serviam sociedade medieval);
muitas vezes para caçadas e retirada • Detém o controle sobre os
de lenha. antigos saberes produzidos na
❖ Sociedade: Antiguidade, e é a igreja que
➢ Mediada pela religião. A instituição controla esse saber, mesmo
cristã que molda a vivência em por que as próprias escolas
estão sobre o controle dos • Servos: presos da terra,
clérigos (feitas de clérigos para trabalham na agricultura.
clérigos). Nem mesmo dentro ➢ Não existe relações de amor romântico
da alta hierarquia cristã todas (característica da sociedade burguesa
as obras eram permitidas. do século XIX), eram relações para
▪ Aqueles que protegem: nobreza; forjar alianças para a manutenção do
• Detém o controle sobre a terra, poder e da riqueza;
o que, em uma sociedade ➢ O ato sexual não era por prazer, o
agrária, é sinônimo de poder e único objetivo era a procriação.
riqueza (quem a detém, ➢ A mulher é vista como um involucro
controla a sociedade); para o pecado (retomando a Eva), a
• Composta pelos grupos de elite mulher sempre fica em plano
que vem do cenário romano e secundário
que se misturaram a elite ❖ Divisão do clero:
invasora dos povos bárbaros; ➢ A instituição cristã inicialmente, no seu
• Exploração do trabalho servil processo de expansão, vivia das
para se manter nessa posição doações dos fiéis (que poderiam ser
de privilégios e controle da em forma de terras);
sociedade. ➢ Ao longo desse processo de ascensão
▪ Aqueles que trabalham: servos, da instituição cristã, a partir do
vilões. momento que eles forjam uma aliança
• A servidão é base no modelo com o Reino Franco e outros reinos
feudal, ela que sustenta o europeus, vão começar a cobrar pelos
processo produtivo ligado a seus serviços prestados (casamentos,
agricultura dentro do feudo batizados, qualquer tipo de serviço);
voltado para a subsistência; ➢ Muitas das terras sob o domínio da
• Esse modelo já vinha ganhando igreja eram frutos de doações;
forma desde a crise do Império ➢ Essa instituição se consolida como
Romano com a Lei do Colonato; herdeira do Império Romano, mesmo
• Vilões: já tinham pequenas por que a própria cidade de Roma
propriedades e nesse cenário passou a ser a sede do papado e
de invasões bárbaras, vão se passou a direcionar todo o processo de
colocar sobre a proteção hierarquização dentro dessa
desses grandes senhores. A instituição;
partir desse momento, os ➢ Clero secular: toda a hierarquia abaixo
grandes proprietários vão do Papa. São os clérigos que lidam com
incorporando esses pequenos as comunidades cristãs: padres,
pedaços de terra a suas bispos, arcebispos.
propriedades. Não estão ▪ Interagem direta ou
presos a terra e muitos dos indiretamente com as
tributos eles não precisam comunidades cristãs.
pagar; ➢ Clero regular: está fincado no
isolamento, na regulamentação.
Vivem em mosteiros e abadias, abertos a população onde hereges
dedicando sua vida à Deus. eram queimados).
▪ Cumpriam voto de obediência, de ➢ Não é um momento de total
castidade e de pobreza; obscuridade de produção cultural,
▪ Acabou dando origem a uma muito pelo contrário, há muitas
quantidade significativa de produções, principalmente ligadas a
ordens: franciscanos, beneditinos, interpretação dos textos greco-
entre outros. romanos;
➢ A igreja tinha o poder de expulsar ➢ O foco da produção cultural é a
pessoas do convívio em sociedade. teologia, a perspectiva religiosa.
Essas pessoas não poderiam ser ▪ Santo Agostino.
alimentadas nem receber abrigo; • Ideia da predestinação: a gente
➢ Perseguição de hereges: judeus, não tem o poder de mudar o
usurários (comerciantes que realizam que acontece na nossa vida,
empréstimos a juros, o ganho pois somos dependentes da
excessivo não é visto como uma graça divina (Deus que
benção de Deus, era pecado), determina nossos caminhos);
prostitutas, portadores de hanseníase; • Dependência do homem em
➢ As únicas manifestações culturais relação a Deus;
aceitáveis em sociedade são aquelas • Estamos na Terra para
ligadas a própria igreja. Aquelas expurgar nossos pecados, pois
ligadas a características que se nós somos frutos do pecado
afastavam dos dogmas da instituição original;
cristã, provavelmente seriam • Fé e razão não se encontram.
excluídos, ou até mesmo visto como ▪ São Tomás de Aquino: Cidade de
uma bruxa/bruxo; Deus, Confissões.
➢ É o caso de parteiras e curandeiras • Responsável por um processo
(que fazia rituais de cura e remédios de de interpretação das obras do
ervas, ligadas a própria natureza), que Platão pelo olhar da fé cristã;
eram práticas vistas como pagãs e de • A partir da interpretação dos
aproximação com o diabo, que não textos de Platão que ele vai
eram aceitadas pela igreja cristã; apresentar uma perspectiva
➢ 1232: Tribunal da Santa Inquisição ou teológica, que vai ser base
Tribunal do Santo Ofício. dentro de uma vertente
▪ Instrumento que passa a ser filosófica conhecida como
utilizado para julgar e condenar os patrística;
ditos hereges; • Tenta equilibrar a ideia de fé e
▪ A maior atuação se deu na razão. Para ele, são dois
Península Ibérica; elementos que se
▪ As punições variavam desde o complementam na busca pelo
confisco de bens até os chamados conhecimento;
Altos de Fé (grandes espetáculos • Livre-arbítrio: eu dependo da
graça divina? Dependo, mas
não só dela. Eu também ❖ Processo de centralização do poder na
dependo do meu esforço figura do rei juntamente com uma
individual para conseguir as aliança com a igreja;
graças de Deus; ❖ Processo expansionista: aumento
• Um dos grandes nomes da territorial gigantesco;
escolástica: equilíbrio entre ❖ Os francos viviam às margens do rio
razão e fé. Reno, no limite entre o território
❖ Obrigações e tributos dos servos: romano e o território dos povos
➢ Corveia: trabalho compulsório nas bárbaros;
terras do senhor em alguns dias da ❖ Romanos e francos terão que se unir
semana; para combater um inimigo em comum:
➢ Talha: parte da produção do servo que os hunos (que ao invadirem a Europa
deveria ser entregue ao nobre; Ocidental fizeram pressão para os povos
➢ Banalidade: tributo cobrado pelo uso nas regiões de fronteiras se
de instalações, equipamentos e locomoverem);
instrumentos da propriedade, como ❖ A partir dessa relação estabelecida
moinho, celeiro, forno e ponte; entre o exército romano e os lideres
➢ Capitação: imposto pago por cada francos que se inicia o processo de
membro da família (por cabeça); centralização do poder
➢ Tostão de São Pedro: quando um novo ❖ Meroveu: junto com as tropas romanas
membro da igreja era chegado aos vão liderar um movimento de expulsão,
feudos se pagava parte dos ganhos de combate aos hunos
para “ajudar” ao inquilino; ❖ Clóvis: 1° rei franco, neto de Meroveu,
➢ Dízimo: 10% da produção do servo era deu início à Dinastia Merovíngia (nome
pago a igreja, sendo utilizado para a dado em homenagem ao patriarca da
manutenção da capela local; família de Clóvis, o Meroveu).
➢ Formariage: quando o nobre resolvia ➢ Muito hábil no processo de
se casar, todo servo era obrigado a centralização do poder;
pagar uma taxa para ajudar no ➢ Deu início a um processo de expansão
casamento, era também válida para territorial, conseguindo dominar boa
quando um parente do nobre ia se parte da região da Gália;
casar; ➢ Precisava garantir a unidade a esse
➢ Mão Morta: era o pagamento de uma novo reino e, por conta disso,
taxa para permanecer no feudo da precisava da simpatia dos romanos.
família servil, em caso de falecimento Para tal, Clóvis se converteu ao
do pai ou da família; cristianismo;
➢ Albergagem: obrigação de fornecer ➢ A aliança forjada entre o Estado franco
alojamento e alimentos ao senhor e e a Igreja cristã foi essencial no
sua comitiva durante as viagens por processo de centralização;
seus domínios ➢ Clóvis conquista a simpatia dos povos
romanos. Sua conversão ao
Reino Franco cristianismo não causou revolta aos
francos pois era costume da época a
população seguir as crenças do seu merovíngio. Com a deposição do
governante; rei, Pepino assume como rei;
➢ A igreja saiu muito beneficiada: com a ▪ Deu início a Dinastia Carolíngia
conversão do Clóvis, toda a população (nome dado em homenagem à
franca também se converte (mais fiéis) Carlos Martel); vai dá vazão a
e ainda conseguiu ficar sob a proteção formação do Império Carolíngio;
de um estado forte e centralizado. ▪ Em troca da ajuda do papado,
❖ 511: morte de Clóvis: fragmentação do Pepino teve que ir até a Península
poder real. Itálica para expulsar os lombardos
➢ O território franco é dividido entre daquele território e assim
seus 4 filhos; proteger o património do papado;
➢ Haverá lutas sucessórias para a ▪ Com a vitória sobre os lombardos,
ocupação do trono: tantos os Pepino concedeu territórios da
herdeiros de Clóvis quanto dos Península Itálica à igreja,
herdeiros dos sucessores de Clóvis vão territórios conhecidos como
entrar em disputa frenética para Estados Pontifícios.
ocupar a posição de rei. ❖ 768: Carlos Magno, assume depois da
❖ 511 a 740: período que o rei vai morte do pai, Pepino, o Breve.
perdendo destaque. Nesse processo de ➢ Consolidação do Império Carolíngio;
disputa por privilégios, o rei vai se ➢ Vai ampliar a aliança entre a igreja e o
afastando do processo administrativo, estado forte;
posição que passa a ser ocupada por um ➢ O processo de expansão territorial que
funcionário escolhido pela nobreza vinha acontecendo desde o Clóvis vai
(Majordomus). expandir-se ainda mais. Carlos Magno
➢ Passa a administrar decisivamente o deu vazão a um processo de conquista
Reino Franco: passa a liderar o de inúmeros territórios;
exército, a fazer a arrecadação de ➢ Terminou de conquistar o território da
impostos, a cuidar da tributação, Gália, combateu e dominou os
fiscalização dos funcionários lombardos, entre outros povos;
palacianos; ➢ Muitos setores da sociedade
➢ Carlos Martel: foi essencial na vitória acreditavam que era possível, a partir
contra os povos islamizados que já da liderança de Carlos Magno,
haviam dominado a Península Ibérica: conseguir a formação de um grande
a vitória dos francos impediu um império formado por toda a
avanço ainda maior desses povos cristandade;
islamizados sobre a Europa; ➢ 800: coroação de Carlos Magno na
➢ Pepino, o Breve: assume a posição de igreja de São Pedro, em Roma, pelo
Majordomus em 740 com a morte do papa Leão III;
seu pai, Carlos Martel. ➢ Todos os territórios conquistados pelo
▪ Buscou forjar uma aliança com o Carlos Magno tinham que se converter
papado para assim conseguir a obrigatoriamente ao cristianismo (o
deposição do último rei que auxilia no processo de expansão
do cristianismo)
➢ Renascença Carolíngia: período de ❖ Com a morte de Luís, o Piedoso, em 841,
grande incentivo à produção cultural. há novamente uma fragmentação do
Carlos Magno criou escolas de ensino poder real.
formal (comandadas por pessoas que ➢ Seus 3 filhos disputam a preferência
tinham conhecimento da cultura para o trono;
greco-romana), incentivou a ➢ Chegam mesmo a iniciar uma guerra
interpretação e a preservação dos pelo trono carolíngio;
escritos greco-romanos ➢ O conflito não leva a lugar nenhum e
principalmente pelo trabalho dos eles são obrigados a assinar um
monges copistas; tratado de paz que dividiria o reino
➢ Durante o reinado do Carlos Magno, entre eles;
houve uma mudança relação ao ➢ Tratado de Verdun (843):
processo administrativo: criou uma ▪ França Ocidental: Carlos, o Calvo;
divisão do território do Império ▪ França Oriental: Luís, o
Carolíngio em: Germânico;
▪ Condados (comandados pelos ▪ Lotaríngia: Lotário (morreu logo
condes), territórios mais ao depois da divisão e esse território
interior, não tão vulneráveis ao acabou sendo submetido a uma
processo de ocupação/invasão de divisão entre os outros dois
outros povos; irmãos);
▪ Marcas (comandados pelos ➢ Origem da formação da França e da
marqueses), regiões próximas as Germânia.
áreas de fronteira, são áreas de
defesa que eram mais vulneráveis
e precisavam de uma proteção
maior.
➢ Condes e marqueses conseguiam
grandes extensões de terras e parte da
tributação;
➢ Existia um funcionário cujas as
atribuições eram fiscalizar se as
obrigações que são exigidas aos
condes e marqueses eram cumpridas;
➢ Esse tipo de administração a longo
prazo não era favorável ao
estabelecimento de um Estado forte e
centralizado.
❖ 814: Luís, o Piedoso: ainda conseguiu
manter esse reino forte, estabilizado e
com o modelo de certa maneira
preservado;