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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO
CORREGEDORIA DA POLÍCIA MILITAR
CEP- POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR E DISCIPLINA
PROCEDIMENTO DISCIPLINAR
ELABORADA E REVISADA PELOS OFICIAIS DA CORREGEDORIA PM:
MAJ PM DÉCIO DOS SANTOS GOMES
CAP PM CARLOS ALBERTO R. SANCHES JUNIOR
CAP PM DIRCEU SRMUKZNC
CAP PM ALEXANDRE ANDRADE DOS SANTOS
CAP PM LILIANE PINHEIRO K. RIVOIRO
1º TEN PM SILVANA FREITAS DA SILVA EMER
2º TEN PM ALEXANDRE M. DE OLIVEIRA NEVES
São Paulo
JUL18
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SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 4
2. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ........................................................ 6
3. SUJEITO PASSÍVEL DE SANÇÃO ........................................................................... 8
4. COMPETÊNCIA DISCIPLINAR............................................................................... 9
5. TRANSGRESSÕES DISCIPLINARES.................................................................. 10
6. TIPOS DE SANÇÕES..............................................................................................11
7. RITO DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR.............................................................14
7.1. Noções preliminares............................................................................................14
7.2. Comunicação disciplinar.....................................................................................15
7.3. Termo acusatório ........................................................................................... ...17
7.4. Pluralidade de envolvidos................................................................................ 18
7.5. Citação ............................................................................................................ ..19
7.6. Requerimentos de defesa ............................................................................... 20
7.7. Intimação do acusado e de deu defensor.......................................................21
7.8. Carta precatória .............................................................................................. ..22
7.9. Audiência de instrução e julgamento...............................................................22
7.10. Delegação da instrução....................................................................................23
7.11. Prova testemunhal......................................................................................... ..23
7.12. Interrogatório......................................................................................................25
7.13. Autodefesa..........................................................................................................26
7.14. Defensor Ad hoc.................................................................................................26
7.15. Nova tipificação à conduta........................................................................... ..26
7.16. Aditamento do termo acusatório................................................................. ..27
7.17. Alegações finais orais e memoriais ............................................................ ..28
7.18. Julgamento........................................................................................................28
7.19. Nulidades ...................................................................................................... ..30
7.20. Suspensão do procedimento disciplinar .................................................... ..30
7.21. Publicação do ato decisório ......................................................................... ..31
7.22. Transgressão de inativo ............................................................................... ..31
7.23. Inatividade superveniente................................................................................33
7.24. Aplicação subsidiária .................................................................................... ..35
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7.25. Aprovação de ato ......................................................................................... ...35
7.26. Agregação....................................................................... ............................... ...37
7.27. Cumprimento de corretivo ........................................................................... ...37
8. CLASSIFICAÇÃO DE COMPORTAMENTO.................................................. ...40
9. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA....................................................................42
10. CONTAGEM DE PRAZO.....................................................................................43
11. REVISÃO DE ATO DISCIPLINAR.......................................................................45
12. CONVERSÃO EM SERVIÇO EXTRAORDINÁRIO.............................................46
13. NUMERAÇÃO DE PD PELO SJD.......................................................................47
14. REINCIDÊNCIA..................................................................................................48
15. CANCELAMENTO DE PUNIÇÃO......................................................................51
16. MATERIAL DE APOIO NA INTRANET PM ....................................................... ..53
17. BIBLIOGRAFIA................................................................................................. ...54
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1 INTRODUÇÃO
A presente apostila tem como proposta o duplo objetivo de servir de material
de apoio ao aluno do Curso de Polícia Judiciária Militar e Disciplina, coordenado pela
Corregedoria PM, e, também, ser a principal fonte de consulta dos Oficiais e Praças
que integram as diversas OPM nas suas respectivas SPJMD, CPJMD e PPJMD, no
sentido de atuarem com segurança em procedimentos disciplinares regidos nos
termos dos artigos 27 a 29 do RDPM e pelas orientações contidas na Portaria do
Cmt G Nº CorregPM-001/360/13, proporcionando assim, por meio do conhecimento
obtido, empenho satisfatório na labuta diária, de modo a evitar erros desnecessários
e cumprir suas missões com eficiência e eficácia.
O Procedimento Disciplinar é em regra um dos tipos de feitos apropriados
para a apuração de condutas praticadas por policias militares e tem previsão nos
artigos 27 a 29 do Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de São
Paulo – RDPM (Lei Complementar nº 893, de 09 de março de 2001), cabendo
salientar que, por meio do artigo 88 do citado regramento, o Comandante Geral, com
a finalidade de dar uma interpretação, orientação e fiel aplicação aos referidos
dispositivos, baixou a Portaria do Cmt G N.º CorregPM-001/360/13, que publicou
o Novo Rito do Procedimento Disciplinar (Boletim Geral PM 211, de 06NOV13, com
as alterações do Bol G PM n.º 111, de 16JUN14, Bol G PM n.º 236, de 19DEZ17 e
Bol G PM n.º 118, de 27JUN18), regido pelos princípios da oralidade, simplicidade,
informalidade, economia processual e celeridade, podendo a autoridade disciplinar
na fase de conclusão, chegar a aplicação de uma sanção de natureza não
exclusória, variando entre uma advertência, repreensão, permanência disciplinar,
detenção e proibição de uso de uniforme, conforme artigo 14 do RDPM.
A disseminação do conhecimento é o objetivo proposto, especialmente,
acerca de algo que funciona rotineiramente na Corporação e, assim sendo,
torna-se viável e necessária a divulgação e a atualização de todo o efetivo de
Oficiais, que, de certa forma, estará efetivamente envolvido nesta seara, seja
atuando como encarregado, instruindo o feito e concluindo ao final, ou até mesmo
delegando a instrução, ainda assim, a análise de todo o capeado e a conclusão
final restará a seu encargo como autoridade disciplinar.
Além disso, ao atuar na Seção de Polícia Judiciária Militar e Disciplina,
mesmo não estando na condição de autoridade competente para instruir e concluir o
feito, ainda terá como atribuição a análise de todos os demais procedimentos
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disciplinares que lhe passarem para análise prévia, de modo que preste aos
seus comandantes a assessoria necessária e adequada do ponto de vista técnico
e do posicionamento institucional pertinente ao assunto.
Por fim, o conhecimento sempre deve ser alvo de atualização e divulgação,
devendo o Oficial buscar o caminho do aperfeiçoamento e fortalecimento da
convicção, objetivando aplicar as melhores técnicas administrativas, no intuito de
consolidar as decisões, dentro dos Princípios Constitucionais e Administrativos já
elencados neste arrazoado, com a finalidade de praticar, dentro do devido processo
legal, aquilo que é esperado pelo público interno e externo, ou seja, a justiça.
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2. PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Não poderíamos deixar de expor no início deste trabalho os princípios da
Constituição Federal de 1988, uma vez que todos os atos praticados pela
Administração Pública devem estar revestidos de legalidade para atingirem os seus
objetivos.
Com a proposta de melhor atender aos anseios da sociedade, a Carta
Magna assegurou em seu texto os parâmetros a serem seguidos pelos
administradores públicos, com o intuito de garantir que os serviços sejam
prestados com excelência, tendo disposto a seguinte redação:
Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios
obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência.
Caberá durante o curso traçar o entendimento sobre os princípios
defendidos pela Constituição Estadual Paulista e a sua aplicabilidade ao caso
concreto, por meio de breves comentários acerca de seus significados perante
doutrinadores, visto que os conceitos, se aplicados de forma dinâmica, de
certo, refletirão na eficácia da prestação dos serviços prestados pela Instituição
Policial Militar.
Para tanto, segue abaixo o dispositivo legal no qual estão consagrados os
princípios norteadores da Administração Pública, para uma melhor compreensão,
vejamos:
Artigo 111 – A administração pública direta, indireta ou
fundacional, de qualquer dos Poderes do Estado, obedecerá aos
princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade,
razoabilidade, finalidade, motivação, interesse público e eficiência.
Os princípios básicos da administração pública estão consubstanciados em
doze regras de observância permanente e obrigatória para o bom administrador e
para a interpretação do Direito Administrativo, sendo eles, segundo Meirelles
(2010, p. 88), a legalidade, moralidade, impessoalidade ou finalidade, publicidade,
eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório,
segurança jurídica, motivação e supremacia do interessa público.
Nota-se que o Administrador Público não age de forma aleatória, pois se
assim o fizer poderá estar se afastando dos objetivos a serem alcançados, bem
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como, incorrer em erro, o que poderá incidir em responsabilidades nas esferas
administrativa, civil e penal.
No decorre do curso, ao serem explanados casos práticos e algumas
posturas aleatórias, notaremos que aqueles que observaram os princípios em
apreço, provavelmente, lograram êxito em sua contenda, já os demais atos,
consequentemente, por sofrerem reflexos negativos decorrentes de suas
inconsistências, servirão como objeto de estudo para demonstrar como não
deveremos atuar.
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3. SUJEITO PASSÍVEL DE SANÇÃO
O Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de São Paulo indica
em seu texto legal, especificamente nos números 1 e 2 do artigo 2º, aqueles que
estão sujeitos a sofrer sanções em decorrência das atitudes que afrontarem os
valores e deveres insculpidos nos artigos 7º e 8º e que, consequentemente, se
enquadrem em uma das hipóteses dos artigos 12 e 13, do citado regramento, então
vejamos:
Artigo 2º - Estão sujeitos ao Regulamento Disciplinar da Polícia
Militar os militares do Estado do serviço ativo, da reserva
remunerada, os reformados e os agregados, nos termos da
legislação vigente.
(Quanto aos inativos, observar também o §4º do artigo 8º).
Parágrafo único - O disposto neste artigo não se aplica:
1 - aos militares do Estado, ocupantes de cargos públicos ou eletivos;
(Incluem-se os militares colocados à disposição de outros órgãos).
2 - aos Magistrados da Justiça Militar.
Como podemos notar no texto acima, dependendo da condição e do tipo de
atividade exercida haverá uma distinção sobre em quem incidirá ou não uma
responsabilidade disciplinar.
Verifica-se que a lei não abrangeu responsabilidade ao policial militar
reformado não remunerado, logo, este não estará sujeito ao Regulamento
Disciplinar.
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4. COMPETÊNCIA DISCIPLINAR
A competência disciplinar está disciplinada no artigo 31 da Lei
Complementar 893/01 (RDPM), cabendo neste momento compor a transcrição do
texto legal, objetivando dimensionarmos quais são efetivamente as autoridades.
Artigo 31 – A competência disciplinar é inerente ao cargo, função ou
posto, sendo autoridades competentes para aplicar sanção
disciplinar:
I – o Governador do Estado: a todos os militares do Estado sujeitos
a este Regulamento;
II - o Secretário da Segurança Pública e o Comandante Geral: a
todos os militares do Estado sujeitos a este Regulamento, exceto ao
Chefe da Casa Militar;
III - o Subcomandante da Polícia Militar: a todos os integrantes
de seu comando e das unidades subordinadas e às praças inativas;
IV - os oficiais da ativa da Polícia Militar do posto de coronel a
capitão: aos militares do Estado que estiverem sob seu comando
ou integrantes das OPM subordinadas.
§ 1º - Ao Secretário da Segurança Pública e ao Comandante
Geral da Polícia Militar compete conhecer das sanções
disciplinares aplicadas aos inativos, em grau de recurso,
respectivamente, se oficial ou praça.
§ 2º - Aos oficiais, quando no exercício interino das funções de
posto igual ou superior ao de capitão, ficará atribuída a competência
prevista no inciso IV deste artigo.
Cabe salientar que no texto acima é dada ênfase as autoridades
disciplinares com competência disciplinar para aplicar a sanção, já o artigo 62 do
mesmo dispositivo legal (RDPM) comporta orientações específicas quanto à decisão
a ser emitida em face dos recursos disciplinares, decorrendo deste último artigo da
lei, a existência da proibição aos ocupantes do posto de major e capitão em
analisar recursos. A distinção da competência para os atos mencionados causa
certa confusão e, portanto, merece uma melhor atenção.
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5. TRANSGRESSÕES DISCIPLINARES
O RDPM trás em seu bojo os parâmetros que definirão se uma conduta
deverá ou não ser alvo de apuração, objetivando que a autoridade disciplinar, diante
de uma análise seja conduzida ou não a instaurar o devido processo legal, que no
presente caso é o Procedimento Disciplinar.
A gama de possibilidades de transgressões disciplinares encontra previsão
no artigo 12 de forma genérica, enquanto no artigo 13 há um rol taxativo contendo
132 condutas transgressionais.
As transgressões disciplinares são qualificadas de acordo com sua
gravidade em Leves (L), Médias (M) e Graves (G).
Em relação às condutas disciplinares, resta certo que, ao serem
efetivamente apuradas e concluídas pela aplicação de determinada sanção, delas
podem decorrer além da necessidade de cumprimento da sanção, os demais
efeitos, tais como lançamento no Assentamento Individual, na Nota de Corretivo ou
no registro de informações de punições para os oficiais.
Uma vez publicada a sanção, tal providência poderá trazer consequências,
tais como a mudança de comportamento, que conforme artigo 54 do RDPM
classifica-se em: Excelente, Ótimo, Bom, Regular e Mau.
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6. TIPOS DE SANÇÕES
O artigo 14 do RDPM consagra todos os tipos de transgressões disciplinares
em que poderão incorrer os Policiais Militares que transgredirem algum regramento
que demande a aplicação de uma reprimenda legal.
Para fins de Procedimento Disciplinar, nos termos da Portaria do Cmt G
CorregPM-001/360/13 e dos artigos 27 a 29 da Lei Complementar 893/01
(RDPM), apenas importará as constantes dos incisos I a IV e VIII, sendo que as
demais, ou seja, incisos V, VI e VII, demandará de uma decisão relativa e exclusiva
de Processo Regular, para tanto, será transcrito na integra o artigo 14 do RDPM
para uma melhor visualização:
Artigo 14 - As sanções disciplinares aplicáveis aos militares do
Estado, independentemente do posto, graduação ou função que
ocupem, são:
I - advertência;
II - repreensão;
III - permanência disciplinar;
IV - detenção;
V - reforma administrativa disciplinar;
VI - demissão;
VII - expulsão;
VIII - proibição do uso do uniforme.
Parágrafo único - Todo fato que constituir transgressão deverá ser
levado ao conhecimento da autoridade competente para as
providências disciplinares.
Quanto à ADVERTÊNCIA (Artigo 15 do RDPM), aplicada exclusivamente
às faltas de natureza LEVE, cabe esclarecer que houve publicação por meio do Bol
G 222/02, de 19NOV02, que promoveu a alteração da instrução do § 2º do artigo 36
do RDPM, que passou a ter a seguinte redação: "A falta que tenha resultado em
aplicação de advertência não deve ser considerada para efeito de reincidência
específica, visto não ser objeto de publicação e registro em Assentamento
Individual.”
No artigo 39 temos que a publicação é a divulgação do ato administrativo
referente à aplicação da sanção disciplinar ou à sua justificação, e dá início a seus
efeitos, tendo em seu parágrafo único mencionado que: “A Advertência não deverá
constar de publicação em boletim, figurando, entretanto, no registro de informações
de punições para os oficiais, ou na nota de corretivo das praças”.
Mesmo que a Advertência tenha certa relevância, para que seja computada,
deverá ser fruto do devido processo legal, portanto, demandará a instauração de
Procedimento Disciplinar e de seu resultado para que seja consolidada na esfera
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administrativa, embora ao final sirva em relação ao Oficial como registro de
informação de punições e para a praça, o efetivo lançamento na Nota de Corretivo
não servirá para alterar o comportamento, conforme entendimento amealhado no
artigo 39 c.c. o § 4º do artigo 54, tudo do RDPM.
Quanto à REPREENSÃO (Artigo 16 do RDPM), tal sanção aplica-se às
faltas de natureza LEVE e MÉDIA, e ao contrário da Advertência, deverá ser
publicada para gerar os seus demais efeitos, inclusive servindo para fins de
alteração de comportamento.
Embora o artigo 42 do RDPM, que trata sobre os limites da aplicação da
sanção, discorra, junto ao seu inciso II, que as faltas médias são puníveis com
permanência disciplinar de até 8 (oito) dias e, na reincidência específica, com
permanência disciplinar de até 15 (quinze) dias, poderá a autoridade disciplinar, nos
termos do artigo 16 do RDPM, aplicar a medida disciplinar de Repreensão.
Quanto à PERMANÊNCIA DISCIPLINAR (Artigo 17 do RDPM), temos que a
sua aplicação recairá às faltas de natureza MÉDIA E GRAVE, sendo que o policial
militar terá que permanecer na OPM, sem estar circunscrito a determinado local,
bem como, comparecerá a todos os atos de instrução e serviço, interno e externo,
podendo concorrer a conversão em escala extraordinária, com o pedido efetuado
em 3 dias da publicação da sanção, podendo ser autorizada por aquele que
aplicou a sanção, sendo então elidido o pedido de reconsideração de ato.
Quanto à DETENÇÃO (Artigo 20 do RDPM), esta somente poderá ser
aplicada pelo Secretário de Segurança Pública, Comandante Geral e demais oficiais
ocupantes de funções próprias do posto de Coronel, exclusivamente nos casos em
que houver reincidência em transgressão de natureza grave, não sendo necessário
que seja específica. Neste caso, o policial militar ficará retido no âmbito da OPM, não
participará de qualquer serviço, instrução ou atividade e perderá todas as vantagens
e direitos decorrentes do exercício do posto ou graduação, cujo tempo não será
computado para efeito algum, ocorrendo assim, a exclusão do valor dos dias de
sanção na folha de pagamento e o desconto no tempo de serviço para fins de
aposentadoria.
Quanto à PROIBIÇÃO DO USO DE UNIFORME (Artigo 25 do RDPM), a sua
aplicabilidade demandará da existência de resultado proveniente de procedimento
disciplinar, cuja decisão implique neste tipo de sanção, com a aplicação de
penalidade que terá caráter temporário e somente servirá para os inativos que com
suas condutas atentarem contra o decoro ou a dignidade policial-militar. A dosimetria
comporta, como parâmetro, até o limite de 1 (um) ano, tendo como autoridades
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competentes, dentro da Instituição Policial Militar Paulista, o Cmt G (caso o envolvido
seja Oficial inativo) e o Subcmt PM (se o envolvido for praça inativo), respectivamente
nos termos dos incisos I e II do artigo 31 do RDPM.
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7. RITO DO PROCEDIMENTO DISCIPLINAR
O rito do procedimento disciplinar trouxe como novidade os critérios da
oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, de forma
a agilizar a conclusão e facilitar a atuação daquele que se debruça no sentido de
buscar um resultado plausível, voltado a verdade real dos fatos visando a
reeducação do militar do estado, preservando ainda os princípios estampados
nas Constituições Estadual e Federal e aqueles pertinentes a Administração
Pública.
7.1. Noções preliminares
O Procedimento Disciplinar (PD) é o devido processo legal destinado a
apuração de transgressões disciplinares cuja complexidade não exija sua apuração
por meio de sindicância e a gravidade não recomende a instauração de processo
regular.
Está previsto no Capítulo VII, da Lei Complementar Nº 893, de 09MAR01,
Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de São Paulo (RDPM),
especificamente nos artigos 27 a 29, com a seguinte redação:
Artigo 27 - A comunicação disciplinar dirigida à autoridade policial-
militar competente destina-se a relatar uma transgressão disciplinar
cometida por subordinado hierárquico.
Artigo 28 - A comunicação disciplinar deve ser clara, concisa e
precisa, contendo os dados capazes de identificar as pessoas ou
coisas envolvidas, o local, a data e a hora do fato, além de
caracterizar as circunstâncias que o envolveram, bem como as
alegações do faltoso, quando presente e ao ser interpelado pelo
signatário das razões da transgressão, sem tecer comentários ou
opiniões pessoais.
§ 1º - A comunicação disciplinar deverá ser apresentada no prazo
de 5 (cinco) dias, contados da constatação ou conhecimento do fato,
ressalvadas as disposições relativas ao recolhimento disciplinar,
que deverá ser feita imediatamente.
§ 2º - A comunicação disciplinar deve ser a expressão da verdade,
cabendo à autoridade competente encaminhá-la ao acusado para
que, por escrito, manifeste-se preliminarmente sobre os fatos, no
prazo de 3 (três) dias.
§ 3º - Conhecendo a manifestação preliminar e considerando
praticada a transgressão, a autoridade competente elaborará termo
acusatório motivado, com as razões de fato e de direito, para que o
militar do Estado possa exercitar, por escrito, o seu direito a ampla
defesa e ao contraditório, no prazo de 5 (cinco) dias.
§ 4º - Estando a autoridade convencida do cometimento da
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transgressão, providenciará o enquadramento disciplinar, mediante
nota de culpa ou, se determinar outra solução, deverá fundamentá-
la por despacho nos autos.
§ 5º - Poderá ser dispensada a manifestação preliminar quando a
autoridade competente tiver elementos de convicção suficientes
para a elaboração do termo acusatório, devendo esta
circunstância constar do respectivo termo.
Artigo 29 - A solução do procedimento disciplinar é da inteira
responsabilidade da autoridade competente, que deverá aplicar
sanção ou justificar o fato, de acordo com este Regulamento.
§ 1º - A solução será dada no prazo de 30 (trinta) dias, contados a
partir do recebimento da defesa do acusado, prorrogável no
máximo por mais 15 (quinze) dias, mediante declaração de motivos
no próprio enquadramento.
§ 2º - No caso de afastamento regulamentar do transgressor, os
prazos supracitados serão interrompidos, reiniciada a contagem a
partir da sua reapresentação.
§ 3º - Em qualquer circunstância, o signatário da comunicação
deverá ser notificado da respectiva solução, no prazo máximo de 90
(noventa) dias da data da comunicação.
§ 4º - No caso de não cumprimento do prazo do parágrafo anterior,
poderá o signatário da comunicação solicitar, obedecida a via
hierárquica, providências a respeito da solução.
Além dos artigos mencionados, o artigo 88 do mesmo regramento
estabeleceu que o Cmt G baixará instruções complementares, necessárias à
interpretação, orientação e fiel aplicação e, com base em tal dispositivo, restou
consubstanciado o atual rito do PD, ora regulamentado pela Portaria do Cmt G Nº
CorregPM-001/360/13, publicada no Bol G PM Nº 211, de 06NOV13, em vigor desde
06DEZ131, com as alterações do Bol G PM 111, de 16JUN14, Bol G PM n.º 236, de
19DEZ17 e Bol G PM n.º 118, de 27JUN18).
Tal Portaria será abordada detalhadamente no transcorrer do curso, no
entanto, cabe salientar e repisar que sua principal novidade foi estabelecer como
critérios orientadores a oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual
e celeridade, estabelecendo, para tanto, a realização de uma Audiência de Instrução
e Julgamento (AIJ).
7.2. Comunicação disciplinar
A comunicação disciplinar destina-se a relatar uma transgressão disciplinar
cometida por um subordinado hierárquico, conforme preconizado no artigo 27 do
RDPM, sendo dirigida à autoridade policial-militar com competência disciplinar sobre
o faltoso, obedecendo-se a cadeia hierárquica.
Quando a própria autoridade policial-militar com competência disciplinar
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presenciar o cometimento da transgressão poderá ela mesma formalizar a
acusação por despacho fundamentado, inclusive, consignando, se for o caso, a
dispensa da manifestação preliminar (art. 28, § 5º, RDPM). No entanto, quando a
transgressão for praticada contra si, a autoridade disciplinar deverá elaborar a
comunicação disciplinar, pois, uma vez sendo parte envolvida, a apuração deverá
ser procedida por autoridade superior.
Ao se elaborar a comunicação disciplinar será imprescindível a observância
de determinados aspectos, ou seja, a comunicação deverá ser clara, concisa,
precisa e conter os dados capazes de identificar pessoas ou coisas envolvidas, o
local, a data e a hora do fato, além de caracterizar as circunstâncias que o
envolveram, bem como as alegações do faltoso, quando presente, sem comentários
ou opiniões pessoais (art. 27, RDPM).
A comunicação deverá ser apresentada no prazo de 5 (cinco) dias, contados
da constatação ou conhecimento do fato, ressalvadas as disposições relativas ao
recolhimento disciplinar, que deverá ser feita imediatamente (art. 28, § 1º, RDPM).
Ressalte-se que a inobservância de tal prazo não comprometerá a apuração da
transgressão, pois a ação disciplinar da Administração, em regra, prescreve em 5
(cinco) anos, contados da data do cometimento da transgressão disciplinar (art. 85,
RDPM), no entanto, sujeitará o signatário a ter sua conduta apreciada
disciplinarmente, tal como dispôs o RDPM acerca da prescrição: “Artigo 85 - A ação
disciplinar da Administração prescreverá em 5 (cinco) anos, contados da data do
cometimento da transgressão disciplinar”.
A comunicação disciplinar deve ser a expressão da verdade, nos termos do
§ 2º do artigo 28 do RDPM, gozando assim, de presunção relativa de veracidade, no
entanto, caberá à parte contrária a possibilidade de comprovar fato diverso do
contido na comunicação disciplinar. A Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13,
em seu art. 2º, prescreve as opções da autoridade disciplinar ao receber uma
comunicação disciplinar, vejamos:
Artigo 2º - Ao receber a comunicação disciplinar, a autoridade
competente, nos termos do artigo 31 do RDPM, analisará os fatos,
no prazo de 5 (cinco) dias e, caso vislumbre que ela não preenche os
requisitos suficientes para a formulação de Termo Acusatório,
poderá:
I - restituir a comunicação disciplinar ao seu signatário, para que ele
complemente ou esclareça melhor os fatos, no prazo de 3 (três)
dias, em consonância com o artigo 28 do RDPM;
II - encaminhá-la ao policial militar comunicado, para que se
manifeste preliminarmente sobre os fatos, no prazo de 3 (três) dias;
III - arquivar a comunicação disciplinar, caso conclua que não
houve cometimento de transgressão disciplinar, devendo motivar
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sua decisão e colher a ciência do policial militar comunicado.
§ 1º - Poderá ser dispensada a manifestação preliminar quando a
autoridade competente tiver elementos de convicção suficientes
para a elaboração do Termo Acusatório, devendo esta
circunstância constar do respectivo termo.
Logo, ao receber a comunicação disciplinar a autoridade policial-militar
competente, terá o prazo de 5 (cinco) dias2 para analisar os fatos, após o que, caso
não tenha elementos de convicção suficientes para a elaboração do Termo
Acusatório, poderá:
•restituir ao seu signatário, para complementação ou esclarecimentos, no
prazo de 3 dias;
•encaminhar ao comunicado, para que ele se manifeste preliminarmente
sobre os fatos, no prazo de 3 dias;
•arquivar, com motivação e ciência do comunicado.
Destaque-se que a manifestação preliminar do militar do Estado permitirá a
autoridade competente ter uma melhor compreensão dos fatos acerca de eventual
inexistência da transgressão ou mesmo de uma melhor definição da conduta
transgressional do faltoso, visando a elaboração do Termo Acusatório.
Caso a autoridade competente vislumbre uma causa de justificação após a
análise da comunicação disciplinar ou da manifestação preliminar, ela poderá, por
meio de despacho motivado, determinar o arquivamento, com posterior ciência ao
comunicado (art. 2º, inc. III, da citada Portaria), bem como ao signatário da
comunicação disciplinar (art. 29, § 3º, RDPM).
Por outro lado, caso a autoridade considere a existência da transgressão,
após análise dos esclarecimentos do signatário ou da manifestação preliminar do
comunicado, deverá elaborar o Termo Acusatório com as razões de fato e de direito
(art. 28, § 3º, RDPM).
Por fim, diga-se que, quando houver elementos suficientes para elaboração
do Termo Acusatório, a autoridade poderá fazê-lo diretamente, sem a necessidade
da manifestação preliminar, bastando constar no corpo do termo a sua dispensa.
7.3. Termo acusatório
A autoridade competente terá 3 (três) dias para instaurar o Procedimento
Disciplinar com a sua autuação e a elaboração do Termo Acusatório, conforme o
artigo 3º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
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Artigo 3º - Vislumbrado o cometimento de transgressão disciplinar,
a autoridade competente, em 3 (três) dias, instaurará o
Procedimento Disciplinar, com a sua autuação e a elaboração do
Termo Acusatório, motivado com as razões de fato e de direito,
constando, se for o caso, o rol de testemunhas da acusação, até o
máximo de 3 (três), para que o acusado possa exercitar,
pessoalmente ou por defensor constituído e regularmente inscrito
na Ordem dos Advogados do Brasil, o seu direito a ampla defesa e
ao contraditório, em audiência de instrução e julgamento
designada num prazo de 10 (dez) dias.(grifo nosso)
A elaboração do Termo Acusatório deve ser motivada com as razões de fato
e de direito, constando, se for o caso, o rol de testemunhas da acusação, até o
máximo de 3 (três). O Termo Acusatório é de fundamental importância, pois é o
momento em que a autoridade competente descreverá a conduta do policial militar
entendida como transgressão disciplinar, tipificando-a no artigo 12 ou 13 do
Regulamento Disciplinar. Neste momento, a autoridade competente deve apreciar
com cautela todo o suporte fático para descrever, de maneira adequada, a conduta
transgressional, a fim de que o acusado possa exercer plenamente o seu direito de
defesa.
Toda instrução do Procedimento Disciplinar estará atrelada ao conteúdo do
Termo Acusatório, razão pela qual sua elaboração deve ser realizada com atenção,
cuidado e clareza, zelando pela sua adequada tipificação normativa.
Importante lembrar que o acusado defende-se dos fatos e da conduta
descrita, podendo haver alteração superveniente do tipo normativo sem que haja
prejuízo à defesa, no entanto, a descrição da conduta deve ser adequada para que o
acusado tenha pleno conhecimento do que estará se defendendo.
Todo o suporte fático que ensejou a convicção da conduta transgressional
do policial militar deve constar como anexo do Termo Acusatório. Toda vez que a
prova da transgressão decorrer de depoimentos pessoais, deverá ser relacionado o
rol de testemunhas de acusação. Caso as provas sejam apenas documentais, o
Termo Acusatório será elaborado sem testemunhas de acusação, por exemplo, a
comunicação disciplinar. Quando as provas estiverem configuradas em documentos
e testemunhos, caberá comporta-las no Termo Acusatório.
7.4. Pluralidade de envolvidos
Normatização aplicável:
Art. 3º, § 1º, da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
19
§ 1º - Se na transgressão disciplinar houver o envolvimento de
policiais militares de mais de uma OPM, o Procedimento Disciplinar
poderá ser único e instaurado pela autoridade de cargo superior,
comum aos respectivos Comandantes dos transgressores.
Entretanto, quando houver a instauração de mais de um
Procedimento Disciplinar e a decisão couber a autoridades
disciplinares diversas, será obrigatória à aprovação de ato pela
autoridade de maior hierarquia, comum aos transgressores, nos
termos do parágrafo único do artigo 47 do RDPM.
Artigo 47 - Quando duas autoridades de níveis hierárquicos
diferentes, ambas com ação disciplinar sobre o transgressor,
conhecerem da transgressão disciplinar, competirá à de maior
hierarquia apurá-la ou determinar que a menos graduada o faça.
Parágrafo único - Quando a apuração ficar sob a incumbência da
autoridade menos graduada, a punição resultante será aplicada após
a aprovação da autoridade superior, se esta assim determinar.
Pressupõe policiais militares de OPM distintas;
A instauração de um PD único não é obrigatória;
Caso seja instaurado e os policiais militares sejam movimentados: remessa a
autoridade superior comum para deliberação do prosseguimento da instrução
ou desmembramento do PD;
A aprovação de ato deve ser da autoridade disciplinar comum aos acusados
(ex.: policiais militares acusados do 9º BPM/M e 18º BPM/M – a aprovação de
ato é de responsabilidade do Cmt Pol Área M-3);
Observar se é vantajosa a instauração única, considerando, por exemplo,
afastamentos regulamentares dos acusados.
7.5. Citação
Normatização aplicável:
Art. 3º e §§ da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 3º - Vislumbrado o cometimento de transgressão disciplinar, a
autoridade competente, em 3 (três) dias, instaurará o Procedimento
Disciplinar, com a sua autuação e a elaboração do Termo Acusatório,
motivado com as razões de fato e de direito, constando, se for o caso,
o rol de testemunhas da acusação, até o máximo de 3 (três), para que
o acusado possa exercitar, pessoalmente ou por defensor constituído
e regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil, o seu
direito a ampla defesa e ao contraditório, em audiência de instrução e
julgamento designada num prazo de 10 (dez) dias.
[...]
§ 5º - a citação do policial militar transgressor deverá ser
20
acompanhada de cópia do termo acusatório, bem como deverá conter
expressamente os prazos e as disposições contidas nos § 2º ao 4º,
desse artigo1, além da advertência de que se não for solicitada a
produção de prova testemunhal, as razões de defesa deverão ser
apresentadas impreterivelmente na audiência de instrução e
julgamento, por subentender-se a preclusão do direito.
§ 6º - Excepcionalmente, por requerimento do presidente do
Procedimento Disciplinar, devidamente motivado, o Comandante da
Unidade Policial-Militar do nível de Batalhão Policial-Militar ou superior
poderá autorizar a designação e realização da audiência de instrução
e julgamento em prazo superior ao definido nesse artigo, sempre
observado o disposto no artigo 29 da Lei Complementar 893, de 9 de
março de 2001, que instituiu o Regulamento Disciplinar da Polícia
Militar.
Citação: finalidade de assegurar ao acusado a ciência do teor da conduta
imputada, para que possa realizar sua defesa por si ou constituindo advogado;
Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ): deve ser designada no décimo dia
a contar da citação;
Extensão do prazo: possível, porém com autorização do Cmt da OPM;
Elementos da citação: data, hora e local da AIJ (observando-se o prazo de dez
10 dias), bem como as advertências quanto à produção de provas, intimações,
requerimentos, conforme §§ do art. 3º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-
001/360/13;
Formulário: a citação só pode ser realizada mediante geração de formulário
próprio pelo SIJD e, neste deverá ser consignado todos os dados necessários;
Policial militar inativo: mesmas regras. No entanto, se não for localizado ou se
ocultar ou opuser obstáculo para não ser citado, o presidente do PD deverá
certificar tal circunstância nos autos e proceder a citação por edital,
consistente na publicação, por única vez, de um extrato da citação em
diário oficial, consignando todas as informações de uma citação pessoal, em
especial a designação da AIJ.
7.6. Requerimentos de defesa
Normatização aplicável:
Art. 3º, §§ 2º, 3º e 4º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
1
Os §§ 2º ao 4º do art. 3º tratam sobre requerimentos da defesa para apresentação de testemunhas e demais
provas, necessidade de intimação, situações de não comparecimento de testemunhas, matéria que será abordada
nos tópicos correspondentes, devendo tais observações serem objeto de informações contidas na citação.
21
§ 2º - Poderá o acusado, independentemente de intimação, trazer à
audiência de instrução e julgamento as testemunhas de defesa, até o
limite de 3 (três), exceto quando se tratar de agente público, quando
será realizada a notificação para sua apresentação pela autoridade
policial militar, situação em que deverá o acusado ou seu defensor
solicitar essa medida, ao menos 4 (quatro) dias antes da audiência de
instrução e julgamento.
§ 3º - Caberá ao acusado ou seu defensor, no mesmo prazo mínimo
de 4 (quatro) dias mencionado no parágrafo anterior, requerer à
administração a intimação de testemunha de defesa, quando não for
apresentá-la espontaneamente, bem como requerer a juntada de
documento oriundo da Polícia Militar, que o acusado não tenha
acesso, para cotejo com as demais provas, na audiência de instrução
e julgamento.
§ 4º - O não comparecimento injustificado das testemunhas arroladas
pelo acusado, nos moldes do § 2º, não importará redesignação da
audiência de instrução e julgamento, salvo se a autoridade policial-
militar, de ofício ou a requerimento do acusado ou de seu defensor,
entender imprescindível ao devido processo legal. Nesse caso, a
audiência será redesignada para um prazo máximo de 5 (cinco) dias.
Requerimentos da defesa: prazo de até 4 dias antes da AIJ; a defesa pode no
dia da AIJ apresentar os documentos e trazer as testemunhas (limitadas a 3)
que entender necessárias; a defesa pode solicitar à Administração que
proceda a intimação das testemunhas, bem como, a apresentação dos
documentos que entender necessários e que não estejam sob o seu poder ou
não possua meios de obtê-los (ex: cópia da escala); caso não requeira as suas
provas (documentais e testemunhais) e/ou nem as apresente no momento da
AIJ, o seu direito estará precluído (visto que está regulamentado o momento
processual para tais requerimentos);
Ausência injustificada de testemunhas: não importará em redesignação da AIJ,
salvo se a autoridade/encarregado entender imprescindível à apuração (neste
caso, a AIJ deverá ser designada para até 5 dias.
7.7. Intimação do acusado e de seu defensor
Normatização aplicável:
Art. 3º, § 7º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
§ 7º - Após a citação e o simultâneo agendamento da audiência de
instrução e julgamento, a intimação do acusado e de seu defensor
constituído, na eventualidade de outros atos instrutórios, deverá ser
feita por meio de registro no próprio termo de audiência ou publicação
em Diário Oficial.
22
Lembre-se: citação ocorre uma vez e é o ato de chamamento ao processo do
acusado;
Intimação: demais atos instrutórios (intimação da defesa para a realização de
uma testemunha que não compareceu em AIJ) – deverá ocorrer no próprio
termo de audiência ou por Diário Oficial.
7.8. Carta precatória
Normatização aplicável:
§ 2º do Art. 5º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
§ 2º - A expedição de carta precatória deverá preceder de
intimação da defesa para que formule as perguntas de seu
interesse, bem como deverá notificar-se a data, hora e local onde
ocorrerá o depoimento, salvaguardando o direito de
comparecimento do acusado e seu defensor, sendo que na
ausência de ambos deverá ser designado um defensor “ad hoc”,
conforme disposto no parágrafo anterior.
Em caso de carta precatória, atentar a seguinte sequência:
Intimação da defesa para apresentação de quesitos;
Envio à autoridade deprecada com os quesitos da Administração e da
defesa;
Autoridade deprecada comunica a autoridade deprecante de quando
ocorrerá a oitiva;
Intimação da defesa para o comparecimento à oitiva em carta precatória;
Caso o acusado e defensor não compareçam: nomeação de defensor “ad
hoc”.
7.9. Audiência de instrução e julgamento
Normatização aplicável:
Art. 4º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 4º - Presente o acusado ou seu defensor constituído,
admitida sua defesa, independentemente de instrumento de
mandato, a autoridade policial-militar iniciará a audiência de
instrução e julgamento com a leitura do Termo Acusatório, receberá
e fará juntada de documentos apresentados ou solicitados pelo
acusado ou seu defensor, passando à oitiva das testemunhas
23
eventualmente arroladas no Termo Acusatório, seguidas pelas
testemunhas trazidas ou requeridas pela defesa.
Deve ocorrer no décimo dia após a citação;
Prorrogação deste prazo mediante autorização do Cmt da OPM;
Realizada na presença do acusado e/ou defensor constituído;
Sequência a ser adotada:
Leitura do Termo Acusatório;
Recebimento e juntada de documentos;
Oitiva das testemunhas da Administração;
Oitiva das testemunhas da defesa;
Interrogatório;
Alegações orais (ou abertura de prazo para apresentação de
memoriais);
Decisão da autoridade disciplinar (ou relatório opinativo, em caso
de delegação).
7.10. Delegação da instrução
Normatização aplicável:
§ 1º do Art. 4º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
§ 1º - diante da impossibilidade da autoridade competente presidir a
audiência de instrução e julgamento, a instrução do Procedimento
Disciplinar poderá ser delegada, por despacho motivado, a Oficial,
Praça Especial, Subtenente ou Sargento, observadas as regras da
hierarquia.
Delegação (da instrução): no mínimo Sgt PM, observadas as regras de
hierarquia.
7.11. Prova testemunhal
Normatização aplicável:
Art. 4º, §§ 2º a 8º e art. 13, ambos da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
§ 2º - A testemunha, alertada sobre as implicações de faltar com a
verdade ou de omiti-la, deverá declarar seu nome, sua idade, seu
24
estado e sua residência, sua profissão, lugar onde exerce sua
atividade, se é parente, e em que grau, de alguma das partes, ou quais
suas relações com qualquer delas, e relatar o que souber, explicando
sempre as razões de sua ciência ou as circunstâncias pelas quais
possa avaliar-se de sua credibilidade.
§ 3º - O depoimento será prestado oralmente, não sendo permitido à
testemunha trazê-lo por escrito, não lhe sendo vedado, entretanto,
breve consulta a apontamentos.
§ 4º - No Procedimento Disciplinar aplicam-se subsidiariamente às
testemunhas, no que couber, o previsto nos artigos 202 a 225 do
Decreto-lei 3.689, de 3 de outubro de 1941 (Código de Processo Penal)
e nos artigos 347 a 367 do Decreto-lei 1.002, de 21 de outubro de 1969
(Código de Processo Penal Militar).
§ 5º - As perguntas serão formuladas pela autoridade policial-militar
competente e pelo acusado ou seu defensor constituído, diretamente
às testemunhas, não se admitindo aquelas que puderem induzir a
resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição
de outra já respondida ou manifestação de apreciações pessoais, salvo
quando inseparáveis da narrativa do fato.
§ 6º - Antes de iniciado o depoimento, o acusado ou seu defensor
poderá contraditar a testemunha ou arguir circunstâncias ou defeitos
que a tornem suspeita de parcialidade ou indigna de fé. Nesse caso, a
autoridade policial-militar fará consignar a contradita ou arguição e a
resposta da testemunha, mas só excluirá a testemunha ou não lhe
deferirá compromisso nos casos daquelas que, em razão de função,
ministério, ofício ou profissão, devam guardar segredo, salvo se,
desobrigadas pela parte interessada, quiserem dar o seu testemunho,
aos doentes e deficientes mentais e aos menores de 14 (quatorze)
anos, e ao ascendente ou descendente, ao afim em linha reta, ao
cônjuge, ainda que separado judicialmente, e ao irmão.
§ 7º - Os depoimentos das testemunhas serão reduzidos
resumidamente no termo da audiência pela autoridade policial-militar,
consignando-se somente fatos objetivos relacionados à acusação ou
de relevância à defesa, podendo o acusado ou defensor constituído
requerer a consignação de suas ressalvas.
§ 8º - A acareação será admitida entre acusados, entre acusado e
testemunha, entre testemunhas, entre acusado ou testemunha e a
pessoa ofendida, e entre as pessoas ofendidas, sempre que
divergirem, em suas declarações, sobre fatos ou circunstâncias
relevantes. Os acareados serão reperguntados, para que expliquem os
pontos de divergências, reduzindo-se as suas respostas no termo de
audiência.
Artigo 13 - Será válido no Procedimento Disciplinar o uso de meios
eletrônicos, assim compreendidos como qualquer forma de captura
de dados de som e imagem e armazenamento de arquivos
digitais, para o registro do Procedimento Disciplinar, não sendo
dispensado, entretanto, o termo de audiência.
Prestado de forma oral, sendo permitida consulta a apontamentos (não poderá
se trazido por escrito);
Reduzidos a termo pela autoridade policial militar, consignando-se ressalvas
apresentadas pelo acusado ou defensor;
O registro do PD pode ocorrer por meios eletrônicos (imagem e som), porém
25
deve ser procedido o Termo de Audiência;
Testemunhas em regra, compromissadas em dizer a verdade (verificar
exceções em razão de função, ministério, ofício ou profissão - ex: sacerdotes,
médico, psicólogo - ou pelo parentesco - ascendente, descendente, cônjuge
ou irmão);
Testemunhas apenas contraditadas: consigna-se a contradita, mas defere o
compromisso em dizer a verdade;
Perguntas realizadas diretamente à testemunha pelo encarregado e pelo
acusado (observar o caráter objetivo, sem induções de resposta, por
exemplo);
Acareação entre as partes – sobre fatos relevantes divergentes. Se entendida
a possibilidade da necessidade de realização da acareação, não dispensar a
testemunha após a sua oitiva, devendo aguardar o encerramento das demais
oitivas.
7.12. Interrogatório
Normatização aplicável:
Art. 5º, §§ 3º a 5º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 5º - Encerrada a oitiva das testemunhas, proceder-se-á o
interrogatório do acusado que, depois de devidamente qualificado e
cientificado do inteiro teor da acusação, será informado pela autoridade
policial-militar, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de
permanecer calado e de não responder perguntas que lhe forem
formuladas, sendo que o seu silêncio, não importará em confissão e
nem poderá ser interpretado em prejuízo da defesa.
[...]
§ 3º - As respostas do acusado devem ser apresentadas de modo
respeitoso, preservando-se os valores e deveres éticos, que se impõem
para que o exercício da profissão policial-militar e, se o interrogado não
puder ou não quiser assinar, tal fato será consignado na ata da
audiência de instrução e julgamento.
§ 4º - Havendo mais de um acusado, serão interrogados
separadamente.
§ 5º - O defensor constituído pelo militar do Estado acusado, o dativo
ou o ad hoc, durante o interrogatório, apenas por questão de ordem,
não interferirá nas perguntas feitas pelo presidente/encarregado da
instrução, bem como nas respostas do acusado, sendo-lhe facultado,
contudo, o direito de defesa de efetuar perguntas por último. (NR)
Ciência ao acusado do seu direito de permanecer calado (caso não responda,
as perguntas deverão ser consignadas);
26
Respostas devem ser fornecidas de modo respeitoso;
O defensor do acusado poderá efetuar perguntas por último ao acusado, não
podendo, antes, interferir nas perguntas e nas respostas;
Interrogatórios em separado quando houver mais de um acusado.
7.13. Autodefesa
Normatização aplicável:
Primeira parte do § 1º do Art. 5º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
§ 1º - A falta de defesa técnica por advogado não ofende os
direitos constitucionais do acusado que, neste caso se defenderá
pessoalmente. A ausência injustificada de ambos em ato instrutório,
entretanto, implicará na nomeação de um defensor “ad hoc”, que
poderá ser Oficial, Praça Especial, Subtenente ou Sargento,
observadas as regras de hierarquia. (grifo nosso)
Pode ser realizada pelo próprio acusado2 ou defensor constituído.
7.14. Defensor Ad hoc
Normatização aplicável:
Segunda parte do § 1º do Art. 5º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
§ 1º - A falta de defesa técnica por advogado não ofende os
direitos constitucionais do acusado que, neste caso se defenderá
pessoalmente. A ausência injustificada de ambos em ato instrutório,
entretanto, implicará na nomeação de um defensor “ad hoc”, que
poderá ser Oficial, Praça Especial, Subtenente ou Sargento,
observadas as regras de hierarquia. (grifo nosso)
Caso o acusado e defensor não compareçam: nomeação de defensor “ad hoc”.
7.15. Nova tipificação à conduta
Normatização aplicável:
Art. 6º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
2
Súmula Vinculante n.º 5 do STF: A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não
27
Artigo 6º - Após o interrogatório e à vista das provas produzidas na
audiência de instrução e julgamento, a autoridade policial-militar
competente poderá dar ao fato nova tipificação legal, ainda que o
acusado fique sujeito à pena mais grave.
É possível alterar a tipificação anterior constante do Termo Acusatório;
É possível que a nova tipificação seja mais grave (ex: inicialmente acusado por
uma falta média e posteriormente enquadrado como falta grave);
Não há prejuízo à defesa, pois o acusado defende-se dos fatos apresentados e
não das tipificações atribuídas3.
7.16. Aditamento do termo acusatório
Normatização aplicável:
Art. 6º, parágrafo único da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Parágrafo único - Se a nova tipificação se fundar em fatos novos, a
autoridade policial-militar competente, na própria audiência, exceto
quando a instrução ocorrer nos moldes do § 1º do artigo 4º acima,
aditará o termo acusatório, podendo arrolar até outras 3 (três)
testemunhas de acusação, e designará nova audiência de
instrução e julgamento, para a qual todos sairão intimados,
podendo o acusado ou seu defensor apresentar outras 3 (três)
testemunhas de defesa, procedendo-se então na forma do disposto
nos artigos 4º e 5º desta Portaria.
Situação que ocorre quando há fatos novos;
Realizado pela autoridade disciplinar competente;
Possibilidade de arrolamento de até 3 (três) testemunhas da Administração e
outras 3 (três) da defesa;
Acarretará em nova AIJ, posto que o acusado ainda não se defendeu dos
novos fatos (observando o prazo de 10 dias).
ofende a Constituição.
3
Jurisprudência: Princípio da Acusação Explicita. Defende-se dos fatos e não da capitulação legal. Perfeita
compreensão do motivo da acusação.
É oportuno lembrar que o acusado deve se defender da imputação, ou seja, dos fatos praticados e devidamente
narrados na peça inaugural acusatória e não de sua capitulação inicial, enquadramentos ou de artigos de lei
referidos pela acusação, como já decidiu o Supremo Tribunal Federal (RTJ 64/57, 95/131, 107/187, 167/233 e
RT 519/363 e 730/627). In casu, plenamente respeitado o princípio da acusação explícita, garantindo-se a
ampla defesa daquele que é acusado da perpetração de uma conduta (ação ou omissão) danosa... E, como se
nota dos autos, o demandante não encontrou obstáculo algum para exercitar, de forma hábil, a sua
defesa. Entendeu perfeitamente a increpação imputada, sabendo desde o início do processado, exatamente do
que deveria se defender, contrapondo-se ao fato que lhe foi atribuído na inicial acusatória. Forneceu, no curso
do processo, a sua versão dos fatos, dando as cores que entendia como verdadeiras, o que arreda, de
pronto, a eiva propalada. Portanto, não houve qualquer incompreensão (A.O nº 5451/2014- Juiz Lauro Ribeiro
Escobar)
28
Em síntese:
Nova tipificação Aditamento do T.A.
Fatos novos Não Sim
Nova instrução Não Sim
Tipificação mais grave Possível Possível
7.17. Alegações finais orais e memoriais
Normatização aplicável:
Art. 7º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 7º - Não havendo aditamento do Termo Acusatório e encerrado o
interrogatório, será dada a palavra ao acusado ou seu defensor
constituído para alegações finais orais por 10 (dez) minutos,
prorrogáveis por mais 5 (cinco), proferindo a autoridade policial-militar,
a seguir, a decisão do Procedimento Disciplinar, exceto quando
sobrevier a hipótese prevista no § 1º do artigo 4º desta Portaria.
§ 1º - Havendo mais de um acusado, o tempo previsto para a defesa de
cada um será individual.
§ 2º - Excepcionalmente, considerada a complexidade do caso e/ou o
número de acusados, por decisão motivada na ata da audiência, a
autoridade policial-militar poderá conceder às partes o prazo de 5
(cinco) dias, simultaneamente, para a apresentação de memoriais.
Nesse caso, a autoridade policial-militar competente terá o prazo de 05
(cinco) dias, a contar da juntada do último dos memoriais de defesa,
para proferir a decisão do Procedimento Disciplinar.
Regra: alegações finais orais (10 minutos prorrogáveis por mais 5 minutos).
Em caso de complexidade do caso ou número de acusado, possibilidade de
apresentação de memoriais em 5 (cinco) dias.
7.18. Julgamento
Normatização aplicável:
Arts. 8º a 10 da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 8º - No julgamento, a autoridade policial-militar justificará a
conduta do acusado quando reconhecida qualquer das causas
previstas no artigo 34 ou aplicará a sanção disciplinar nos limites de
sua competência, observando o disposto nos artigos 33 a 48, todos do
29
RDPM.
Parágrafo único - A autoridade policial-militar não aplicará a sanção
disciplinar quando julgar cabível a instauração de Processo Regular e
remeterá os autos à autoridade superior para deliberação.
Artigo 9º - De todo o ocorrido na audiência de instrução e julgamento
será lavrado único termo, assinado pela autoridade policial-militar,
pelas testemunhas, pelo acusado e por seu defensor constituído,
contendo brevíssimo resumo dos depoimentos e das razões de defesa,
a menção de eventuais incidentes e a decisão da autoridade
instauradora do Procedimento Disciplinar, devidamente motivada.
§ 1º - Quando a instrução do Procedimento Disciplinar tiver sido
delegada, nos termos consignados no § 1º do artigo 4º dessa Portaria,
a autoridade policial militar designada deverá consignar no referido
termo de audiência, além do previsto no caput, sua conclusão acerca
da procedência ou não da transgressão imputada no Termo Acusatório,
a qual, contudo, será meramente opinativa.
§ 2º - Se as razões de defesa forem apresentadas por meio de
memoriais, na hipótese prevista no § 2º do artigo 7º dessa Portaria e a
instrução do Procedimento Disciplinar se enquadrar no disposto no
parágrafo anterior, a síntese da apuração e a conclusão deverão ser
registrados em Relatório.
§ 3º - A nulidade de ato somente será declarada se houver efetiva
demonstração de prejuízo à defesa ou à Administração, devendo
qualquer incidente ser resolvido de plano, com registro nos autos.
Artigo 10 - A decisão da autoridade instauradora do Procedimento
Disciplinar, independente do mérito do julgamento, deverá ser
submetida à aprovação de ato pelo Comandante de Unidade, conforme
previsto no artigo 43 do RDPM.
Art. 43 do RDPM:
Artigo 43 – O início do cumprimento da sanção disciplinar
dependerá de aprovação do ato pelo Comandante da Unidade ou
pela autoridade funcional imediatamente superior, quando a sanção
for por ele aplicada, e prévia publicação em boletim, salvo a
necessidade de recolhimento disciplinar previsto neste
Regulamento.
Síntese da defesa x julgamento:
Própria autoridade preside Delegação da instrução
Alegações Decide na AIJ e encaminha para Apresenta relatório
finais orais aprovação de ato do Cmt da OPM opinativo na AIJ e
(independente do que decidiu – encaminha à autoridade
existência, inexistência ou justificação para decisão.
da transgressão disciplinar).
Memoriais Encerra a AIJ. (Profere a decisão Encerra a AIJ. Apresenta
escritos após a apresentação e a encaminha relatório opinativo após o
para aprovação de ato do Cmt da recebimento e encaminha à
30
OPM, independente do que decidiu). autoridade para decisão.
7.19. Nulidades
Normatização aplicável:
Art. 9º, § 3º da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Art. 9º:
§ 3º - A nulidade de ato somente será declarada se houver efetiva
demonstração de prejuízo à defesa ou à Administração, devendo
qualquer incidente ser resolvido de plano, com registro nos autos.
Necessidade de efetivo prejuízo 4 à defesa ou à Administração para a sua
declaração (ex: as testemunhas foram ouvidas sem a presença do acusado,
defensor constituído ou defensor “ad hoc”).
7.20. Suspensão do procedimento disciplinar
Normatização aplicável:
Art. 11 da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 11 - No caso de afastamento regulamentar do acusado, os
prazos do Procedimento Disciplinar são suspensos, reiniciada a
contagem a partir da sua reapresentação.
Situação que ocorre quando o acusado entra em férias, licença-prêmio, LTS,
etc;
Não há suspensão quando o encarregado afasta-se regularmente;
Efeitos da suspensão: retoma-se a contagem com os dias restantes do prazo.
4
Jurisprudência: Em sede de processo administrativo também vigora o salutar princípio pas de nullité sans grief,
ou seja, não há nulidade a se reconhecer sem que haja prova de efetivo prejuízo suportado, circunstância essa não
demonstrada nos autos. Esse postulado básico tem por finalidade rejeitar o excesso de formalismo, desde que a
eventual preterição de determinada providência ou formalidade legal não tenha causado prejuízo para qualquer das
partes, notadamente para o acusado. A própria legislação processual penal é clara neste sentido: “nenhum ato
judicial será declarado nulo se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa” (arts. 499 do
CPPM e 563 do CPP). E ainda: “não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na
apuração da verdade substancial o na decisão da causa” (arts. 502 do CPPM e 566 do CPP).(A.O nº 5451/2014-
Juiz Lauro Ribeiro Escobar)
31
7.21. Publicação do ato decisório
Normatização aplicável:
Art. 12 da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 12 - Somente após a emissão de decisão da qual não caiba mais
recurso próprio, ou seja, com efeito suspensivo, ou quando ocorrer a
decadência dos prazos recursais, tudo conforme previsto nos artigos 57
e 58 do RDPM, circunstância esta que deve ser cientificada nos autos,
é que o ato punitivo ou eventualmente de justificação será publicado
em Boletim para conhecimento e, a partir daí, gerar seus efeitos
(cumprimento do corretivo e demais reflexos secundários).
Só deve ocorrer após decisão em que não caiba mais recurso próprio (pedido
de reconsideração de ato ou recurso hierárquico) ou não houver mais prazos
para que sejam interpostos;
Constar nos autos.
7.22. Transgressão de inativo
Normatização aplicável:
Art. 15 da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 15 - Em relação a comunicação disciplinar ou outro tipo de
documento que noticie a prática de transgressão por policial militar
inativo, o Comandante da Unidade responsável pela área da ocorrência
deverá formalizar os atos, apurando o ocorrido e juntando a
manifestação preliminar do inativo faltoso, quando couber.
§ 1º - se entender que não restou caracterizada a transgressão
disciplinar; que os casos fáticos não se subsumiram às hipóteses
previstas no Bol G PM nº 205, de 05NOV09, ou ser hipótese de
arquivamento sumário previsto no Bol G PM nº 181, de 23SET11,
deverá remeter a documentação diretamente à última Unidade do
militar do Estado inativo, ou àquela que detenha sua Pasta Individual,
para arquivo.
§ 2º - se entender que restou configurado o cometimento de
transgressão disciplinar, deverá encaminhar, mediante expediente
motivado, a documentação, via Corregedoria PM, ao Comandante-
Geral, se Oficial, ou ao Subcomandante PM, se praça.
Portaria Correg PM 22/370/09, publicada no item 1 do Bol G PM 205, de 05NOV09:
1. Considerando o disposto nos §§ 3º e 4º do Art. 2º do Rito do
Procedimento Disciplinar (Anexo III da Portaria do Cmt G
CORREGPM-4/305/01, publicada no Bol G PM 116/01), devem ser
observadas as seguintes interpretações e determinações com relação
à caracterização de transgressão disciplinar por policiais militares
inativos:
1.1. a conduta irregular de militar do Estado inativo constitui
32
transgressão disciplinar nos casos em que, quando do seu
cometimento:
1.1.1. fique comprovada a efetiva afronta aos princípios
constitucionais da hierarquia ou da disciplina da Instituição Policial
Militar;
1.1.2. cause prejuízo ao patrimônio sob a Administração Militar, ou
ainda à ordem administrativa militar;
1.1.3. a conduta seja praticada contra policial militar de serviço ou
agindo em razão da função;
1.1.4. a conduta, pela sua grave repercussão, venha incidir nas
circunstâncias previstas no § 2º do Art. 12 do RDPM;
1.2. as circunstâncias acima discriminadas devem ser balizadas,
ainda, ante o disposto no Art. 33 da Lei Complementar 893/01
(Regulamento Disciplinar da Polícia Militar do Estado de São Paulo);
1.3. se, após a apuração preliminar dos fatos, preconizada no § 4º do
Art. 2º do Anexo III da Portaria do Cmt G CORREGPM-4/305/01, o
Comandante da Unidade responsável pela área da ocorrência
entender que restou configurado o cometimento de transgressão
disciplinar nos termos acima delineados, deverá encaminhar a
documentação, via Corregedoria PM, ao Comandante-Geral, se
Oficial, ou ao Subcomandante PM, se Praça;
1.4. entretanto, se entender que não restou caracterizada a prática de
transgressão disciplinar, deverá remeter a documentação diretamente
à última Unidade do militar do Estado inativo, ou àquela que detenha
sua Pasta Individual, para arquivo.
2. Publicar em Boletim Geral PM, para conhecimento e imediata
execução.
(NOTA CORREGPM-22/370/09).
Portaria Correg PM 24/370/11, publicada no item 1 do Bol G PM 181, de 23SET11:
1. Considerando que, a despeito da clareza da norma instituída por
meio do item 1 do Boletim Geral PM 205, de 5 de novembro de 2009,
que estabelece interpretações e determinações com relação à
caracterização de transgressão disciplinar de policiais militares
inativos, nem sempre tem sido fácil subsumir àquelas hipóteses
normativas os casos fáticos que se apresentam para avaliação acerca
da violação, ou não, da disciplina policial-militar.
2. Considerando que nem sempre a conduta do inativo, conquanto
ilícita, mereça tratamento disciplinar, pois, há casos em que, a
despeito da reprovação social da conduta, não há violação aos
valores e deveres policiais militares, cuja responsabilização disciplinar
desviar-se-ia da finalidade maior do ato.
3. Considerando a atual política institucional de valorização do nosso
bem maior, o policial militar, que recomenda a não instauração
desnecessária de procedimentos disciplinares contra inativos que não
tenham, de fato, maculado os princípios e valores da Instituição.
4. E, considerando que compete ao Comandante de unidade
responsável pela área dos fatos, após a apuração preliminar de
notícia de transgressão disciplinar praticada por policial militar inativo,
encaminhar a documentação pertinente, via Corregedoria PM, ao
Comandante-Geral, se oficial o envolvido, ou ao Subcomandante PM,
se praça, quando entenda estar caracterizada a prática de
transgressão disciplinar, ou ainda, remeter a documentação
diretamente à última unidade do inativo, para arquivo, caso entenda
que não restou caracterizada a prática de transgressão, determino:
4.1. que sejam sumariamente arquivados na última unidade do
interessado os documentos que:
4.1.1. noticiem a prática de crimes comuns da lei de armas, da lei de
33
trânsito, contra a propriedade, contra a pessoa, contra os costumes
etc. por policiais militares inativos, em lugar não sujeito à
Administração militar, por razões que não guardem relação de causa e
efeito com a atividade policial-militar e que não maculem o nome da
Instituição;
4.1.2. noticiem furto, extravio ou disparo de arma de fogo de
propriedade de policial militar inativo por terceira pessoa, por tê-la
guardado inadequadamente;
5. O simples fato do policial militar inativo ser identificado como tal,
não macula o nome da Corporação.
6. Publique-se em Boletim Geral PM, para conhecimento e imediata
execução.
(NOTA CORREGPM-24/370/11).
Policial militar inativo está sujeito ao RDPM;
Com a notícia de suposta transgressão disciplinar, o Cmt da área dos fatos
apura preliminarmente e:
se constatada a ocorrência das hipóteses dos Bol G PM acima, determina
o arquivamento dos expedientes na última OPM do policial militar inativo;
se constatado indícios de transgressão disciplinar, consoante o
regulamentado, encaminha os expedientes, após colhida a manifestação
preliminar, ao Cmt G ou Subcmt PM (oficiais e praças, respectivamente),
para a deliberação a respeito;
Observe: não são todas as ocorrências com policiais militares inativos que
obrigatoriamente demandarão a instauração de Procedimento Disciplinar;
Lembre-se: não há instauração de processo regular (Conselho de Disciplina ou
Processo Administrativo Disciplinar) à praça inativa, porém, é possível a
instauração de Conselho de Justificação ao oficial que já se encontra em
situação de inatividade;
Não se aplica a Súmula 56 do STF para os inativos da PMESP, visto que a
legislação vigente não deixa dúvida nesse sentido, senão vejamos o que
prescreve o art. 2º do RDPM: “Estão sujeitos ao Regulamento Disciplinar da
Polícia Militar os militares do Estado do serviço ativo, da reserva remunerada,
os reformados e os agregados, nos termos da legislação vigente”.
7.23. Situações de inatividade superveniente
Normatização aplicável
Art. 15-A da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 15-A - Se o policial militar praticar transgressão disciplinar na
34
ativa e ingressar supervenientemente na situação de inatividade, a
autoridade disciplinar competente adotará as seguintes medidas:
I - se a inatividade ocorrer antes da citação do Procedimento
Disciplinar, o suporte fático, contendo a manifestação preliminar do
faltoso, será encaminhado, via Corregedoria PM, às autoridades
disciplinares elencadas nos incisos II e III do artigo 31 do Regulamento
Disciplinar, conforme a condição do faltoso;
II - se a inatividade ocorrer após a citação, mas antes da decisão da
autoridade disciplinar competente ou da aprovação de ato, nos termos
do artigo 43 do Regulamento Disciplinar, o Procedimento Disciplinar
terá seu curso normal e após devidamente instruído, deverá ser
encaminhado às autoridades disciplinares elencadas nos incisos II e III
do artigo 31 do Regulamento Disciplinar, conforme a condição do
acusado, para decisão do Procedimento Disciplinar ou aprovação de
ato, de acordo com o interesse da disciplina e ação educativa sobre o
militar do Estado;
III - se a inatividade ocorrer após a aplicação e aprovação da sanção
disciplinar pelas autoridades disciplinares competentes, havendo
interposição de recurso, este deverá ser decidido pelas autoridades
que aplicaram ou aprovaram o ato, na respectiva sucessão
hierárquica-funcional, nos termos dos artigos 57 e 58 do RDPM;
IV - se a inatividade ocorrer após a aplicação e aprovação da sanção
disciplinar pelas autoridades disciplinares competentes e transcorrido o
lapso temporal para a interposição de recurso próprio, estando
pendente somente a execução da sanção disciplinar, o cumprimento
do corretivo será determinado pela autoridade que aprovou o ato
punitivo ou pela última autoridade julgadora de eventual recurso
interposto, observando o contido no artigo 12 desta Portaria, devendo
os autos ser encaminhados, fundamentadamente, às autoridades
disciplinares elencadas nos incisos II e III do artigo 31 do Regulamento
Disciplinar, conforme a condição do sancionado, apenas quando for
identificado relevante motivo impeditivo para o seu cumprimento.
Situações em que o policial militar praticou a sua conduta ainda pertencente ao
serviço ativo e inativou-se posteriormente;
Quadro-resumo:
Momento processual Providências
Inativou-se sem a citação no Remessa ao Cmt G ou Subcmt PM para a
PD deliberação
Inativou-se após a citação, Prosseguir na instrução e ao final remessa,
porém antes da decisão ou com relatório opinativo, ao Cmt G ou Subcmt
aprovação de ato no PD PM.
Inativou-se após o PD ter sido Aguardar o decurso do prazo recursal e
decidido e o ato aprovado determinar o cumprimento do corretivo.
Caso ingresse com recurso, submetê-lo às
autoridades respectivas (PRA – quem aprovou
35
o ato; RH – autoridade superior a que decidiu o
PRA). Esgotado os recursos próprios,
determinar o cumprimento do corretivo.
Inativou-se, não havendo mais A última autoridade (que aprovou o ato ou
recursos próprios a serem solucionou o recurso) determina o cumprimento
interpostos ou os prazos para do corretivo. Será alçado ao Cmt G ou Subcmt
tal já terem transcorridos PM quando a autoridade entender que há
motivo que impeça ou inviabilize o
cumprimento.
7.24. Aplicação subsidiária
Normatização aplicável:
Art. 16 da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 16 - Aplica-se subsidiariamente, no que couber, a parte geral das
I-16-PM.
Por tal dispositivo, na ausência de previsão sobre determinada situação na
Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13, as I-16-PM serão a norma a ser
aplicada visando suprir tal lacuna.
7.25. Aprovação de ato
Normatização aplicável:
Art. 43 do RDPM e Art. 10 da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
Artigo 43 - O início do cumprimento da sanção disciplinar dependerá
de aprovação do ato pelo Comandante da Unidade ou pela autoridade
funcional imediatamente superior, quando a sanção for por ele
aplicada, e prévia publicação em boletim, salvo a necessidade de
recolhimento disciplinar previsto neste Regulamento.
Artigo 10 - A decisão da autoridade instauradora do Procedimento
Disciplinar, independente do mérito do julgamento, deverá ser
submetida à aprovação de ato pelo Comandante de Unidade,
conforme previsto no artigo 43 do RDPM.
Observar os artigos 31, 62 e 86;
36
O início do cumprimento da sanção não deverá ser aprovado previamente, no
entanto depende ele da aprovação da reprimenda e de sua publicação, o que
significa a aprovação total do ato;
Os atos praticados pelo Comandante Geral e pelo Subcomandante PM não
precisam ser aprovados, tendo em vista o disposto nos incisos II e III do artigo
31;
O ato sancionatório não poderá ser aprovado pela mesma pessoa que o
aplicou, mesmo tendo sido praticado no exercício de função distinta;
Todo oficial que exercer funções privativas de Coronel ou Tenente Coronel
(Chefes de Departamento, de Seção do EM/PM, de Estado Maior de Unidade
Operacional etc.) tem competência para prática dos atos próprios de
Comandante de Unidade;
Vejamos alguns exemplos de necessidade ou não da aprovação de ato:
O Cmt Cia decidiu pela inexistência de transgressão e o Cmt
Btl discordou e aplicou a sanção. Neste caso, os autos devem ser remetidos
ao CPA/CPI para aprovação de ato, pois para a imposição de qualquer sanção
disciplinar haverá a necessidade da prática de dois atos (um aplicando a sanção e
outro aprovando o ato), nos termos do artigo 43 do RDPM;
O Cmt Cia justificou a falta e o Cmt Btl discordou e aplicou a
sanção. Neste caso, os autos devem ser remetidos ao CPA/CPI para aprovação
de ato, conforme explicação do exemplo anterior;
O Cmt Cia aplica a sanção e o Cmt Btl decide pela inexistência
da transgressão. Neste caso, não há necessidade de remessa a autoridade
imediatamente superior para nova aprovação de ato;
O Cmt Cia aplica a sanção e o Cmt Btl decide justificar a falta.
Neste caso, não há necessidade de remessa a autoridade imediatamente
superior para nova aprovação de ato;
O Cmt Cia aplica a sanção e o Cmt Btl a agrava ou a atenua.
Neste caso, não há necessidade de remessa a autoridade imediatamente
superior para nova aprovação de ato, uma vez que tanto a agravação como a
atenuação da sanção disciplinar consiste na ampliação ou redução do número de
dias da sanção aplicada, portanto, já haveria a manifestação de duas autoridades
disciplinares pela aplicação da sanção, consistindo a divergência somente com
relação a dosimetria.
37
7.26. Agregação
Normatização aplicável:
Art. 11 da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-1/360/13 e Art. 1º, inciso IV, das I-36-PM:
Artigo 11 - No caso de afastamento regulamentar do acusado, os
prazos do Procedimento Disciplinar são suspensos, reiniciada a
contagem a partir da sua reapresentação.
Abordaremos neste tópico como proceder no caso de agregação de
policial militar por incapacidade física.
Como vimos, no caso de afastamento regulamentar do acusado, os
prazos do Procedimento Disciplinar são suspensos, sendo reiniciada a contagem a
partir de sua reapresentação, nos termos do art. 11 da Portaria do Cmt G Nº
CorregPM-001/360/13.
O art. 1º, inciso IV, das I-36-PM estabelece como afastamento
regulamentar a Licença para Tratamento de Saúde, sendo que no art. 26 da referida
Instrução, o Policial Militar que, em razão de LTS, ficar impossibilitado
temporariamente de prestar serviços, por prazo ininterrupto superior a 06 (seis)
meses, será agregado; assim, se a agregação temporária do interessado estiver
vinculada ao tratamento de saúde (incapacidade física), a instauração do PD
restará obstada até eventual reversão ao serviço ativo, na condição de apto ou de
reforma definitiva. Dessa forma, a remessa para adoção de providências
disciplinares, pelo Cmt G, se Oficial ou pelo Subcmt PM, se praça, somente
deverá ser feita após ser declarada a inatividade definitiva do policial militar.
7.27. Cumprimento de corretivo
Normatização aplicável:
Art. 52 do RDPM e Art. 12 da Portaria do Cmt G Nº CorregPM-001/360/13:
RDPM
Artigo 52 - O início do cumprimento da sanção disciplinar deverá
ocorrer no prazo máximo de 5 (cinco) dias após a ciência, pelo
punido, da sua publicação.
§ 1º - A contagem do tempo de cumprimento da sanção começa no
momento em que o militar do Estado iniciá-lo, computando-se cada
dia como período de 24 (vinte e quatro) horas.
§ 2º - Não será computado, como cumprimento de sanção disciplinar,
38
o tempo em que o militar do Estado passar em gozo de afastamentos
regulamentares, interrompendo-se a contagem a partir do momento
de seu afastamento até o seu retorno.
§ 3º - O afastamento do militar do Estado do local de cumprimento da
sanção e o seu retorno a esse local, após o afastamento regularmente
previsto no § 2º, deverão ser objeto de publicação.
Portaria do Cmt G Nº CorregPM-1/360/13
Artigo 12 - Somente após a emissão de decisão da qual não caiba
mais recurso próprio, ou seja, com efeito suspensivo, ou quando
ocorrer a decadência dos prazos recursais, tudo conforme previsto
nos artigos 57 e 58 do RDPM, circunstância esta que deve ser
cientificada nos autos, é que o ato punitivo ou eventualmente de
justificação será publicado em Boletim para conhecimento e, a partir
daí, gerar seus efeitos (cumprimento do corretivo e demais reflexos
secundários).
Em resumo, os prazos para início do cumprimento do corretivo serão:
de 5 dias, após ciência da publicação da sanção – nos casos de decadência
dos prazos recursais;
de 3 dias, após ciência da publicação - nos casos de interposição de recurso
hierárquico;
a contagem do tempo de cumprimento da sanção começa no momento em
que o militar o inicia, computando-se cada dia como período de 24 (vinte
e quatro) horas.
Para o cumprimento de corretivo no caso de inativos, estando pendente
somente a execução da sanção disciplinar, deverá ser diligenciado nos endereços
constantes no SIRH, nos registros na OPM ou dos autos, a fim de entregar a
Ordem de Serviço para ciência pessoal da data, hora e local em que o inativo
deverá se apresentar para o início do cumprimento do corretivo, devendo ser
submetido a exame para atestar sua integridade física, na UIS, antes e depois
do seu cumprimento. Caso o inativo recusar-se ou impuser obstáculo para o
recebimento da ordem de serviço para o cumprimento da sanção disciplinar
restritiva de liberdade, o mesmo deverá ser expressamente advertido das
consequências de sua atitude e, persistindo a recusa, a autoridade deverá arrolar
duas testemunhas instrumentárias para comprovar que a ordem foi transmitida,
apondo no referido documento, suas assinaturas e identificações e, de tudo,
lavrar certidão para encartar nos autos. Posteriormente, deverá a autoridade
publicar em Diário Oficial os dados relativos ao cumprimento do corretivo, porém
com a advertência de que a não apresentação para o cumprimento da sanção
disciplinar, de maneira injustificada, ensejará a instauração de Inquérito Policial
Militar.
39
Como regra, o inativo cumprirá a sanção disciplinar na OPM, em cuja área
o mesmo resida.
40
8. CLASSIFICAÇÃO DE COMPORTAMENTO
Normatização aplicável:
Art. 54 do RDPM:
Artigo 54 - Para fins disciplinares e para outros efeitos, o
comportamento policial-militar classifica-se em:
I - excelente - quando, no período de 10 (dez) anos, não lhe tenha
sido aplicada qualquer sanção disciplinar;
II - ótimo - quando, no período de 5 (cinco) anos, lhe tenham sido
aplicadas até 2 repreensões;
III - bom - quando, no período de 2 (dois) anos, lhe tenham sido
aplicadas até 2 (duas) permanências disciplinares;
IV - regular - quando, no período de 1 (um) ano, lhe tenham sido
aplicadas até 2 (duas) permanências disciplinares ou 1 (uma)
detenção;
V - mau - quando, no período de 1 (um) ano, lhe tenham sido
aplicadas mais de 2 (duas) permanências disciplinares ou mais de 1
(uma) detenção.
§ 1º - A contagem de tempo para melhora do comportamento se fará
automaticamente, de acordo com os prazos estabelecidos neste
artigo.
§ 2º - Bastará uma única sanção disciplinar acima dos limites
estabelecidos neste artigo para alterar a categoria do comportamento.
§ 3º - Para a classificação do comportamento fica estabelecido que
duas repreensões equivalerão a uma permanência disciplinar.
§ 4º - Para efeito de classificação, reclassificação ou melhoria do
comportamento, ter-se-ão como base as datas em que as sanções
foram publicadas.
Visto que a sanção de advertência não é objeto de publicação em boletim e
registro em Assentamento Individual (artigo 15 e § 4º do artigo 54), não deve
ela ser utilizada para aferição de comportamento;
Para classificação do comportamento militar de que trata o presente artigo,
tomar-se-á como base a data da publicação do ato punitivo em boletim,
consoante o artigo 39;
Para aferição do comportamento, deve-se iniciar a verificação da situação do
militar do Estado pelo melhor comportamento, ou seja, pelo comportamento
excelente;
Caso não se enquadre no comportamento excelente, deve-se seguir a
verificação pelas classificações seguintes, até atingir o primeiro
comportamento que se enquadre ao caso analisado, no qual será
classificado;
Para essa verificação, observar-se-á a escala de rigor das sanções previstas
no artigo 14 e no § 2º do artigo 54. Isso significa que ao aferir o
41
comportamento ótimo, por exemplo, uma detenção extrapolaria o limite
previsto no inciso II do artigo 54, remetendo a situação do militar do Estado a
comportamento imediatamente inferior;
Em outra hipótese, a existência de pelo menos uma detenção no período de 2
(dois) anos também refutaria a classificação do militar do Estado no
comportamento bom;
As reclassificações, efetuadas de acordo com os novos critérios estabelecidos
pelas regras de classificação de comportamento do Regulamento Disciplinar
terão como parâmetro a data ser consideradas a data em que a sanção foi
publicada, de acordo com o § 4º do artigo 54, portanto, não se computando as
advertências.
Em resumo, para efeito de classificação de comportamento, deverá ser
usada, como base, a data de publicação da sanção. Para aferição do
comportamento deve-se iniciar a verificação da situação do militar do Estado pelo
melhor comportamento, ou seja, pelo comportamento excelente. Caso não se
enquadre no comportamento excelente, deve-se seguir a verificação pelas
classificações seguintes, até atingir o primeiro comportamento que se enquadre
ao caso analisado, no qual será classificado.
42
9. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA
Normatização aplicável:
Art. 11, § 2º c.c. o artigo 3º, tudo do RDPM:
Artigo 3º - Hierarquia policial-militar é a ordenação progressiva da
autoridade, em graus diferentes, da qual decorre a obediência, dentro
da estrutura da Polícia Militar, culminando no Governador do Estado,
Chefe Supremo da Polícia Militar.
§ 1º - A ordenação da autoridade se faz por postos e graduações, de
acordo com o escalonamento hierárquico, a antiguidade e a
precedência funcional.
§ 2º - Posto é o grau hierárquico dos oficiais, conferido por ato do
Governador do Estado e confirmado em Carta Patente ou Folha de
Apostila.
§ 3º - Graduação é o grau hierárquico das praças, conferida pelo
Comandante Geral da Polícia Militar.
[...]
Artigo 11 - A ofensa aos valores e aos deveres vulnera a disciplina
policial-militar, constituindo infração administrativa, penal ou civil,
isolada ou cumulativamente.
§ 1º - O militar do Estado é responsável pelas decisões ou atos que
praticar, inclusive nas missões expressamente determinadas, bem
como pela não observância ou falta de exação no cumprimento de
seus deveres.
§ 2º - O superior hierárquico responderá solidariamente, na esfera
administrativa disciplinar, incorrendo nas mesmas sanções da
transgressão praticada por seu subordinado quando:
1 - presenciar o cometimento da transgressão deixando de atuar para
fazê-la cessar imediatamente;
2 - concorrer diretamente, por ação ou omissão, para o cometimento
da transgressão, mesmo não estando presente no local do ato.
§ 3º - A violação da disciplina policial-militar será tão mais grave
quanto mais elevado for o grau hierárquico de quem a cometer.
O superior hierárquico incorrerá em sanções decorrentes das transgressões
praticadas por seus subordinados em duas situações:
o quando presenciar o cometimento da transgressão e deixar de atuar
para fazê-la cessar imediatamente;
o quando concorrer diretamente, por ação ou omissão, para o
cometimento da transgressão, mesmo não estando presente no local
do ato;
Não há necessidade para a responsabilidade solidária de que haja vinculação
funcional, bastando à existência de superioridade hierárquica.
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10. CONTAGEM DE PRAZO
Normatização aplicável:
§ 1º do artigo 29 do RDPM e BOL G PM 211, de 09NOV16:
Artigo 29 - A solução do procedimento disciplinar é da inteira
responsabilidade da autoridade competente, que deverá aplicar
sanção ou justificar o fato, de acordo com este Regulamento.
§ 1º - A solução será dada no prazo de 30 (trinta) dias, contados a
partir do recebimento da defesa do acusado, prorrogável no máximo
por mais 15 (quinze) dias, mediante declaração de motivos no próprio
enquadramento.
Os prazos no procedimento disciplinar devem ser contados da seguinte forma:
a) a contagem dos prazos processuais do PD é feita em dias corridos
(BOL G PM 211, de 09NOV16);
b) os prazos correrão da intimação pessoal ou da publicação em Diário
Oficial;
c) não se computará no prazo, o dia do começo, incluindo-se, porém, o
do vencimento;
d) quando a intimação ou publicação ocorrer em dia em que não houver
expediente ou este for encerrado antes da hora normal, considerar-se-á como data
da intimação, o primeiro dia útil posterior, iniciando-se a contagem do prazo no dia
seguinte;
e) considera-se prorrogado o prazo até o primeiro dia útil seguinte, se o
vencimento cair em dia em que não houver expediente ou este for encerrado antes
da hora normal;
f) o prazo para a solução do Procedimento Disciplinar é de 30 (trinta)
dias, contados a partir do recebimento da defesa do acusado, prorrogável no
máximo por mais 15 (quinze) dias, nos termos do § 1º do artigo 29 do RDPM, motivo
pelo qual no rito atual o marco inicial da contagem de prazo para a solução é
determinada pela primeira manifestação da defesa na Audiência de Instrução e
Julgamento ou no caso do acusado ou seu defensor, no prazo de 4 (quatro) dias
antes da Audiência de Instrução, requerer à administração a intimação de
testemunha de defesa, quando não for apresentá-la espontaneamente, bem como
requerer a juntada de documento oriundo da Polícia Militar, que o acusado não
tenha acesso, para cotejo com as demais provas, na audiência de instrução e
julgamento;
g) a prorrogação do prazo para a solução do procedimento disciplinar
44
independe de autorização ou aprovação, devendo, entretanto, os motivos geradores
estarem expostos nos autos;
h) decorrido o prazo, extingue-se, independentemente de declaração, o
direito de praticar o ato, ressalvado o direito do acusado de provar que não o
realizou por justa causa;
i) a perda de prazo pela Administração para a prática de determinado ato
não opera a preclusão, entretanto, gera responsabilidade para a autoridade que, por
desídia, lhe deu causa.
45
11. REVISÃO DE ATO DISCIPLINAR
Normatização aplicável:
Arts. 62 a 66 do RDPM:
Artigo 62 - As autoridades competentes para aplicar sanção disciplinar,
exceto as ocupantes do posto de major e capitão, quando tiverem
conhecimento, por via recursal ou de ofício, da possível existência de
irregularidade ou ilegalidade na aplicação da sanção imposta por elas
ou pelas autoridades subordinadas, podem praticar um dos seguintes
atos:
I - retificação;
II - atenuação;
III - agravação;
IV - anulação.
§ 1º - A anulação de sanção administrativa disciplinar somente poderá
ser feita no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da data da publicação do
ato que se pretende invalidar.
§ 2º - Os atos previstos neste artigo deverão ser motivados e
publicados.
Artigo 63 - A retificação consiste na correção de irregularidade formal
sanável, contida na sanção disciplinar aplicada pela própria autoridade
ou por autoridade subordinada.
Artigo 64 - Atenuação é a redução da sanção proposta ou aplicada,
para outra menos rigorosa ou, ainda, a redução do número de dias da
sanção, nos limites do artigo 42, se assim o exigir o interesse da
disciplina e a ação educativa sobre o militar do Estado.
Artigo 65 - Agravação é a ampliação do número dos dias propostos
para uma sanção disciplinar ou a aplicação de sanção mais rigorosa,
nos limites do artigo 42, se assim o exigir o interesse da disciplina e a
ação educativa sobre o militar do Estado.
Parágrafo único - Não caberá agravamento da sanção em razão da
interposição de recurso disciplinar.
Artigo 66 - Anulação é a declaração de invalidade da sanção disciplinar
aplicada pela própria autoridade ou por autoridade subordinada,
quando, na apreciação do recurso, verificar a ocorrência de ilegalidade,
devendo retroagir à data do ato.
Oficiais no posto de Major PM e Capitão PM não podem solucionar recursos
disciplinares e, se nesta situação, deverão remeter os autos ao escalão
superior (Por exemplo: O Cmt de Btl Metropolitano Interino (Maj PM) não pode
julgar um pedido de reconsideração de ato e deverá encaminhá-lo ao Cmt do
CPA);
Oficiais no posto de Major PM e Capitão PM, no exercício das funções de Cmt
Interino da Unidade, podem aprovar o ato (art. 43 do RDPM).
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12. CONVERSÃO EM SERVIÇO EXTRAORDINÁRIO
Normatização aplicável:
Arts. 18 e 19 do RDPM:
Artigo 18 - A pedido do transgressor, o cumprimento da sanção de
permanência disciplinar poderá, a juízo devidamente motivado, da
autoridade que aplicou a punição, ser convertido em prestação de
serviço extraordinário, desde que não implique prejuízo para a
manutenção da hierarquia e da disciplina.
§ 1º - Na hipótese da conversão, a classificação do comportamento do
militar do Estado será feita com base na sanção de permanência
disciplinar.
§ 2º - Considerar-se-á 1 (um) dia de prestação de serviço
extraordinário equivalente ao cumprimento de 1 (um) dia de
permanência.
§ 3º - O prazo para o encaminhamento do pedido de conversão será
de 3 (três) dias, contados da data da publicação da sanção de
permanência.
§ 4º - O pedido de conversão elide o pedido de reconsideração de ato.
Artigo 19 - A prestação do serviço extraordinário, nos termos do
"caput" do artigo anterior, consiste na realização de atividades,
internas ou externas, por período nunca inferior a 6 (seis) ou superior
a 8 (oito) horas, nos dias em que o militar do Estado estaria de folga.
§ 1º - O limite máximo de conversão da permanência disciplinar em
serviço extraordinário é de 5 (cinco) dias.
§ 2º - O militar do Estado, punido com período superior a 5 (cinco)
dias de permanência disciplinar, somente poderá pleitear a conversão
até o limite previsto no parágrafo anterior, a qual, se concedida, será
sempre cumprida na fase final do período de punição.
§ 3º - A prestação do serviço extraordinário não poderá ser executada
imediatamente após o término de um serviço ordinário.
Autoridade competente: aquela que aplicou a sanção;
Pode ser realizado de forma parcial;
A sanção pode ser convertida após a solução de recurso disciplinar (a nota de
culpa só é publicada depois de esgotados os recursos próprios, observando o
art. 12 da Portaria do PD);
Não é um direito do policial militar e pode ser negado pela autoridade
competente, se entendido haver prejuízo à hierarquia e à disciplina;
Entre o término do serviço ordinário e o início do serviço extraordinário deve
existir um intervalo mínimo de 8 (oito) horas, para fins de recuperação física e
mental.
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13. NUMERAÇÃO DO PD NO SIJD
Normatização aplicável:
Nota CorregPM – 001/015/13, publicada no Item 1 do Bol G PM 11/14 (extrato):
[...]
5. Determino:
5.1. a contar de 01JAN14, obrigatoriamente, todos os Procedimentos
Disciplinares deverão ser instaurados por meio do Sistema Integrado
de Justiça e Disciplina – SIJD (https://www.sijd.policiamilitar.sp.gov.br),
onde receberão o número e, ao término da apuração, com a decisão
administrativa consolidada, ou seja, esgotados os prazos dos recursos
próprios, a solução deverá ser registrada no mesmo sistema.
5.2. a complementação e finalização do registro deverão ser realizadas
no prazo máximo de 5 (cinco) dias contados da publicidade do ato.
6. Revogo a determinação constante do item 2 do Bol G PM 3/04.
(NOTA CORREGPM-1/015/13)
O acesso ao SIJD depende de prévio credenciamento e senha pessoal.
Verifique junto à SJD.
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14. REINCIDÊNCIA
Normatização aplicável:
Art. 20, § 2º do RDPM (reincidência em falta grave)
Inciso III e § 2º do artigo 36 e inciso III do artigo 42 do RDPM (reincidência
específica):
Artigo 20 - A detenção consiste na retenção do militar do Estado no
âmbito de sua OPM, sem participar de qualquer serviço, instrução ou
atividade.
§ 1º - Nos dias em que o militar do Estado permanecer detido perderá
todas as vantagens e direitos decorrentes do exercício do posto ou
graduação, tempo esse não computado para efeito algum, nos termos
da legislação vigente.
§ 2º - A detenção somente poderá ser aplicada quando da
reincidência no cometimento de transgressão disciplinar de natureza
grave.
A reincidência, prevista neste dispositivo, não é a específica, uma vez que, nos
casos em que se exigiu a especificidade, isto expressamente foi ressaltado
pelo legislador (inciso III e § 2º do artigo 36 e inciso III do artigo 42);
Quando aplicada esta sanção, os órgãos diretamente afetados pela aplicação da
sanção terão de adotar, principalmente, as seguintes providências
administrativas, dentre outras:
o 1 - exclusão do valor dos dias de sanção na folha de pagamento;
o 2 - desconto no tempo de serviço, com os necessários reflexos deste
período debitado de seu tempo de serviço para a aposentadoria e
outros benefícios.
Artigo 36 - São circunstâncias agravantes:
I - mau comportamento;
II - prática simultânea ou conexão de duas ou mais transgressões;
III - reincidência específica;
IV - conluio de duas ou mais pessoas;
V - ter sido a falta praticada durante a execução do serviço;
VI - ter sido a falta praticada em presença de subordinado, de tropa ou
de civil;
VII - ter sido a falta praticada com abuso de autoridade hierárquica ou
funcional.
§ 1º - Não se aplica a circunstância agravante prevista no inciso V
quando, pela sua natureza, a transgressão seja inerente à execução do
serviço.
§ 2º - Considera-se reincidência específica o enquadramento da falta
praticada num mesmo item dos previstos no parágrafo único do artigo
13 ou no item 2 do § 1º do artigo 12.
[...]
Artigo 42 - A sanção disciplinar será proporcional à gravidade e
natureza da infração, observados os seguintes limites:
I - as faltas leves são puníveis com advertência ou repreensão e, na
reincidência específica, com permanência disciplinar de até 5 (cinco)
dias;
II - as faltas médias são puníveis com permanência disciplinar de até 8
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(oito) dias e, na reincidência específica, com permanência disciplinar de
até 15 (quinze) dias;
III - as faltas graves são puníveis com permanência de até 10 (dez)
dias ou detenção de até 8 (oito) dias e, na reincidência específica, com
permanência de até 20 (vinte) dias ou detenção de até 15 (quinze) dias,
desde que não caiba demissão ou expulsão.
A falta que tenha resultado em aplicação de advertência não deve ser
considerada para efeito de reincidência específica, visto não ser objeto de
publicação e registro em Assentamento Individual;
Para a apreciação da reincidência específica não devem ser utilizadas
sanções disciplinares publicadas na vigência dos regulamentos Disciplinares
anteriores (Portaria do CmtG Nº CorregPM-003/305/02 – publicada no Bol G
PM nº 222/02);
Para efeito de aferição da reincidência disciplinar será considerado o prazo
máximo de 5 (cinco) anos contados entre a data da publicação da sanção
anteriormente imposta e a data do cometimento da nova transgressão
(Portaria do CmtG Nº CorregPM-002/360/17, publicada no Bol G Nº 97, de
24MAI17);
A reincidência de falta disciplinar de natureza grave não enseja
obrigatoriamente a aplicação da sanção de detenção;
A reincidência específica é uma circunstância agravante prevista no inciso III
do artigo 36 do RDPM. O seu reconhecimento implica nos limites da sanção
disciplinar, conforme disciplinado no artigo 42 do RDPM;
Para a constatação da reincidência específica deverão ser observados os
seguintes aspectos conjuntamente:
o a) enquadramento da falta praticada num mesmo item dos previstos
no parágrafo único do artigo 13 ou no item 2 do parágrafo 1º do artigo
12, destacando que, neste último caso, além da mesma tipificação
deverá haver similitude das condutas transgressionais praticadas (§ 2º
do artigo 36 do RDPM);
o b) prazo máximo de 5 (cinco) anos entre a data do cometimento da
transgressão em análise e a data da publicação da sanção anterior
(Portaria do CmtG nº CorregPM-002/360/17, publicada no Bol G Nº 97,
de 24MAI17).
A reincidência específica de falta leve implica na aplicação de permanência
disciplinar, sendo vedada a cominação de sanção de advertência ou de
repreensão;
De acordo com a interpretação do contido no parágrafo único do artigo 16, é
possível a aplicação de repreensão nas faltas médias, desde que não haja
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reincidência específica. A reincidência específica de falta média implica na
aplicação de permanência disciplinar em quantidade de dias superior à
aplicada na sanção anterior;
A reincidência específica de falta grave implica na aplicação de permanência
disciplinar ou detenção, de forma mais severa, quer em relação ao tipo de
sanção, quer em relação à quantidade de dias.
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15. CANCELAMENTO DE PUNIÇÃO
Normatização aplicável:
Artigo 68, inciso II, c.c artigo 70, § 1º, tudo do RDPM:
Alteração do Bol G PM 14, de 22JAN15:
Artigo 68 - São recompensas policiais militares:
I - elogio;
II - cancelamento de sanções.
Parágrafo único - O elogio individual, ato administrativo que coloca em
relevo as qualidades morais e profissionais do militar, poderá ser
formulado independentemente da classificação de seu
comportamento e será registrado nos assentamentos.
[...]
Artigo 70 - O cancelamento de sanções disciplinares consiste na
retirada dos registros realizados nos assentamentos individuais do
militar do Estado, relativos às penas disciplinares que lhe foram
aplicadas.
§ 1º - O cancelamento de sanções é ato do Comandante Geral,
praticado a pedido do interessado, e o seu deferimento deverá
atender aos bons serviços por ele prestados, comprovados em seus
assentamentos, e depois de decorridos 10 (dez) anos de efetivo
serviço, sem qualquer outra sanção, a contar da data da última pena
imposta.
§2º - O cancelamento de sanções não terá efeito retroativo e não
motivará o direito de revisão de outros atos administrativos
decorrentes das sanções canceladas.
[...]
BOL G PM 14/15
Artigo 1º - Fica delegada a competência para o cancelamento de
sanção disciplinar, previsto no artigo 68, inciso II, c.c artigo 70, § 1º,
tudo da Lei Complementar nº 893, de 09MAR01 – RDPM, na seguinte
conformidade:
I – ao Subcomandante da Polícia Militar: quanto aos militares do
Estado que estiverem sob seu comando e das Unidades
subordinadas, sem prejuízo do contido no inciso II deste artigo;
II – aos oficiais da ativa da Polícia Militar do posto de Coronel: quanto
aos militares do Estado que estiverem sob seu comando e integrantes
das OPM subordinada.
O cancelamento de sanção disciplinar é previsto no artigo 68, inciso II, c.c
artigo 70, § 1º, tudo do RDPM, sendo competentes para tal os oficiais da ativa
do posto de Coronel, conforme alteração do Bol G PM 14/15;
As punições canceladas deverão ser retiradas do Assentamento Individual, da
Nota de Corretivo e do Registro de Informações de Punições de Oficiais, e
não poderão ser utilizadas para nenhum fim;
A expressão “bons serviços por ele prestados” significa ausência de punições
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e a existência de elogios, conforme indica o artigo 67, acrescidos dos cursos,
láureas, medalhas, condecorações, participação em comissões entre outros
atos meritórios.
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16. DISPONIBILIZAÇÃO DE MATERIAL DE APOIO NA INTRANET PM
Tendo em vista a necessidade de constante aperfeiçoamento, bem como a
necessária difusão do conhecimento, reitere-se que na página eletrônica da CorregPM
(intranet), encontra-se disponibilizado, vasto material de apoio, a saber:
- regulamentos e normas atualizados;
- modelos de documentos, termos de audiência, planilhas e outros;
- instruções continuadas do comando (ICC) sobre o rito do PD;
- questionário contendo as principais dúvidas sobre procedimentos e
recursos disciplinares, com índice remissivo em ordem alfabética;
- apresentações em power point sobre o RDPM, rito do PD, recursos
disciplinares, inativos e não conformidades para pronto emprego em eventuais
instruções;
- catálogo de jurisprudências em ordem alfabética;
- vídeo-aulas de curta duração sobre os principais temas abordados;
- rol das 22 (vinte e duas) não conformidades mais recorrentes detectadas
pela Corregedoria PM, seguidas das respectivas soluções.
17. BIBLIOGRAFIA
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de
outubro de 1988.
. Decreto-lei nº 667, de 02 de julho de 1969. Reorganiza as Polícias
Militares e os Corpos de Bombeiros Militares dos Estados, dos Territórios e do
Distrito Federal e dá outras providências.
. Decreto-lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969. Código penal militar.
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 36. ed. São Paulo:
Malheiros, 2010.
SÃO PAULO. Constituição do estado de São Paulo; promulgada em 5 de outubro de
1989.
. Decreto-lei nº 260, de 29 de maio de 1970. Dispõe sobre a inatividade
dos componentes da polícia militar do Estado de São Paulo.
. GESPOL. Sistema de Gestão da Polícia Militar do Estado de São Paulo,
Revisada e Atualizada, 2 . ed. Imprensa Oficial, 2010. Disponível em:
http://www.policiamilitar.sp.gov.br/livro_gespol.pdf.
. Lei Complementar nº 893, de 9 de março de 2001. Regulamento
disciplinar da polícia militar do estado de São Paulo.
. Polícia Militar do Estado de São Paulo. Instruções do Processo
Administrativo da Polícia Militar (I-16-PM). São Paulo: 2013.
. Polícia Militar do Estado de São Paulo. Portaria do Comandante Geral nº
CorregPM-001/360/13. São Paulo: 2013. Regulamenta o rito do procedimento
disciplinar no âmbito da PMESP e alterações.