Guia Do Poliglota
Guia Do Poliglota
GUIA
DO
POLIGLOTA
Do zero à conversação
JOHN BECKER
MÉTODO LET'S ZEPPELIN DE APRENDIZADO
LIVRO SUPREMO
DA
FILOSOFIA ZEPPELIN
DE APRENDIZADO ABERTO
@letsbecker
GUIA DO POLIGLOTA: DO ZERO À CONVERSAÇÃO John Becker
1. FUNDAMENTOS
1.0 Conhecendo o 1º idioma estrangeiro
1.1 O que é a bolha da língua inglesa
1.2 Modelos de aprendizado PREPARAÇÃO
1.3 Fluência vs. Competência comunicativa
1.4 Habilidades e estratégias de longo prazo
2. METODOLOGIA
3. QUEBRANDO PARADIGMAS
5. CRONOGRAMA DE CONTEÚDOS
PREFÁCIO SUPREMO
PALAVRINHA DO JOHN
O Brasil é o país com o maior número de escolas de idiomas em TODO O MUNDO. Entretanto, apenas
5% da população tem alguma noção de comunicação básica em um segundo idioma e menos de 3%
têm nível conversacional em um idioma estrangeiro.
Infelizmente, a industria de educação no mundo inteiro é uma criatura monstruosa que movimenta
trilhões de dólares todos os anos e não tem CONSIDERAÇÃO NENHUMA com os sentimentos ou com
a realidade socioeconômica dos indivíduos.
Escrevi esse livro para que juntos, pessoas como você e eu, consigamos quebrar esse ciclo.
A parte filosófica desse livro, eu escrevi para que a parte prática seja, de fato, prática para você.
Quero que você APLIQUE esse conhecimento e finalmente consiga estourar a bolha e começar a
viver fora da Matrix, ou como diria um gaúcho poliglota amigo meu, fora da caverna de Platão.
Se você estudar esse pergaminho supremo dos idiomas com bastante cuidado e atenção, eu te
garanto que a sua vida jamais será a mesma!
Let's go?
Let's bora?
Let's Zeppelin!
Fui instrutor de idiomas por 8 anos, nos quais mais de mil alunos passaram
por mim. Desde 2012, sou Master in English pelo Cultural Norte Americano,
certificado em Business Strategy & Marketing Management pela escola de
negócios italiana, Fondazione CUOA Business School em 2017, e em
Business English e Advanced Business Management pela Pearson College
London, em 2020.
Após mais de 10 anos de estudo e com novas ferramentas, como treinamentos e aplicativos
móveis, tive o insight para transformar uma simples ideia em projeto de vida. Assim nasceu o
Let's Zeppelin: O aprendizado aberto e compartilhado de tudo.
PREPARAÇÃO
POR ONDE COMEÇAR
GUIA DO POLIGLOTA: DO ZERO À CONVERSAÇÃO John Becker
1. FUNDAMENTOS
1.0 Conhecendo o 1º idioma estrangeiro
Aprender o 1º idioma estrangeiro é o momento no qual colocamos todo o nosso "banco
de dados" linguístico em contraste com algo totalmente novo.
É como ser criança de novo e aprender algo do zero. Aprender a falar novamente e
entender o mundo por uma nova perspectiva. Além disso, aprender uma nova língua
absolutamente não significa passar essa nova visão de mundo por um "filtro do
português". Significa, pelo contrário, que a partir de agora tudo terá duas ou mais
perspectivas diferentes, desde palavras a fatores culturais.
Está o amontoado de informação caótica nos mais de 6 mil idiomas e dialetos de todo
o mundo... todo mundo dividindo os sufocantes 7%. Esse horizonte intelectual apertado
é a bolha na qual vivem as pessoas que não falam inglês. Domine inglês primeiro. O
próximo passo é você que escolhe, afinal depois do inglês, você literalmente
desbloqueou infinitos caminhos e possibilidades de aprendizado.
Psiquiátra americano
Me
(1925 - 2013)
tod
olo
Escritor e desenvolvedor da
gia
pirâmide do aprendizado
sP
ass
William Glasser
iva
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Seu trabalho mudou a maneira de ver o
processo de aprendizado e retenção de
Me
tod conhecimento.
olo
Em contraste com o modelo tradicional
gia
expositivo nascido durante o Iluminismo no
sA
Dentre as principais influências metodológicas do Let's Zeppelin, estão os métodos ativos: Problem Based
Learning, Inverted Classroom, Blended Learning.
Falar idiomas é uma habilidade de LONGO PRAZO e deve ser tratado tal qual, com estratégia de longo prazo.
Um dos equívocos clássicos do ser humano é investir em estratégias de curtíssimo prazo e esperar
resultados duradouros e prosperidade a longo prazo. E adivinha?! Não funciona.
Acima temos 2 personagens meramente ilustrativos: O Joãozinho e o Zé, ambos estão na mesma situação,
com um mesmo desafio pela frente. Porém atitudes e resultados diferentes.
TEMPO INVESTIDO
- Joãozinho é muito ocupado e quer "achar um tempinho" para o TL (idioma alvo), nas horas vagas do seu dia.
- Zé é igualmente ocupado, mas procura sempre por novas formas de inserir o TL no seu dia ainda mais.
IMPACTO DO TL
- Joãozinho precisa que a sua vida sofra o MÍNIMO impacto possível, pois não poder deixar o TL entrar em
conflito com seus vários projetos em andamento.
- Zé quer passar a EXISTIR em um novo idioma, e para isso ele quer um verdadeiro "choque térmico"
principalmente nos primeiros 6 meses, pois sabe que isso será determinante para consolidar o TL.
TRADE OFFS
- Joãozinho quer FAZER TUDO sem ABRIR MÃO DE NADA. Não está disposto a fazer escolhas difíceis.
- Zé está DECIDIDO a trocar as coisas de sempre, por coisas novas no TL.
PROPÓSITO
- Joãozinho se apoia em eventos de CURTO PRAZO: viagens, eventos, provas, coisas que passam.
- Zé pensa no LONGO PRAZO: em quem ele quer SER, sem limitações, livre e sem dependência de terceiros.
2. METODOLOGIA
Os três pilares que fundamentam o método Let's Zeppelin são o compartilhamento, a frequência (ou
constância), e o ensino. Todos estruturais para o processo de aprendizado.
“A sua visão é apenas acionável se você a diz em voz alta. Se você a mantiver
COMPARTILHAMENTO para si mesmo, ela irá continuar a ser um fragmento da sua imaginação”
Simon Sinek
O COMPARTILHAMENTO É O PULO DO GATO, POIS FALAR IDIOMAS É UMA HABILIDADE ACIMA DE TUDO SOCIAL.
FREQUÊNCIA (CONSTÂNCIA)
A constância é a responsável pelo RESULTADO. Sem conversação, não tem conversação. Contato com o TL
(idioma alvo) TODOS OS DIAS, incluindo fins de semana e feriados, sem historinha. Ponto.
ENSINO
O ensino é responsável pela QUALIDADE. A ideia é simples: se você se propõe a ensinar um pouquinho do que
está aprendendo, consequentemente irá aprender de forma ativa e não repassará conhecimento para
ninguém de forma menos que decente. Além disso, William Glasser demonstrou que a forma mais eficiente e
eficaz de aprender algo é explicando algo a terceiros.
O aprendizado é um jogo infinito. Existem infinitas formas de fazer uma mesma coisa. Lembre dessas duas
afirmações.
Crianças e adultos aprendem de formas distintas, por isso existem a pedagogia e a andragogia. A aquisição
de idiomas, entretanto, acontece da mesma forma com qualquer pessoa, de qualquer idade, em três etapas
bem definidas: a preparação, transição e consolidação.
Imagine uma maratona. Cada pessoa vai correr no seu ritmo, do seu jeito, a uma passada diferente, pisando
em partes distintas do solo e com táticas diferentes para chegar à linha de chegada. Entretanto, todos
correm o mesmo trajeto, saindo do mesmo ponto, passando pelas mesmas curvas e chegando a um ponto
comum.
2.1.1 Preparação
A preparação é tudo que vem ANTES do início do estudo formal, alfabetização, etc. Consiste no contato
inicial com o TL, através de imersão audiovisual TODOS OS DIAS, por horas.
Com as crianças vai dos zero anos até a pré alfabetização. Com os adultos geralmente leva de 1 a 3 meses
de imersão no TL (dependendo da abordagem), antes do início do estudo formal.
2.1.2 Transição
A transição vai da alfabetização e início do estudo formal até a comunicação total e articulada no TL, e
pleno uso das 4 competências comunicativas (fala, escuta, leitura e escrita).
Com as crianças vai da alfabetização até aproximadamente o fim do ginásio, dependendo da criança. Com
os adultos varia de acordo com a abordagem. No Let's Zeppelin são exatos 5 meses de transição.
2.1.3. Consolidação
A consolidação é o início do jogo infinito, afinal de contas ninguém "termina" de aprender um idioma, nem
mesmo nosso idioma materno.
A terceira e última fase do aprendizado é igual para adultos e crianças: sair do nível intermediário de
comunicação e alcançar aos poucos um nível mais avançado.
A poliglota húngara, Kató Lomb, dominava em diferentes níveis um total de 16 idiomas antes mesmo da
internet existir como ela é hoje e foi pioneira na compreensão e racionalização do poliglotismo.
Seu principal legado foi a obra "Polyglot - How I learn languages" e também a famigerada equação,
conhecido por muitos como a "fórmula da fluência", representada abaixo.
ABSOLUTAMENTE NÃO. Longe de mim sugerir algo assim. Apenas acredito que o raciocínio estava 95%
completo e que a cereja do bolo é o seguinte:
Tempo e interesse se multiplicam, pois se qualquer dos dois for igual a zero, o resultado será zero.
E o fator multiplicador M, de METODOLOGIA, também afeta diretamente o resultado. Esse varia em uma
escala de 1 a 10 de forma que, quanto mais bem definidos os processos, melhor o resultado. Portanto se
uma pessoa estudar de forma caótica e desorganizada, medindo 1 na escala, essa terá um resultado x. Se
essa mesma pessoa seguir um método organizado, validado e bem definido, o resultado poderá ser 10x.
3. QUEBRANDO PARADIGMAS
Nós sempre encontramos uma historinha para não fazer o que tem que ser feito. Essa
seção tem o objetivo de "vacinar" você contra esse tipo de falácia e te transformar em um
resolvedor de situações, diferente do apontador de problemas que se esconde atrás das
conjunções adversativas (mas/porém/entretanto/contudo/todavia/só que).
Memorização é diferente de compreensão. Saber o que significa o verbo "to get", por
exemplo, não significa compreender a versatilidade do verbo e suas dezenas de
aplicações automaticamente. Todos os idiomas possuem uma carga cultural embutida
nas suas informalidades. Memorizar palavras soltas e frases feitas é diferente de
entender na prática a subjetividade de cada estrutura. Aprender novas palavras é
ESSENCIAL, mas decorar listas de palavras cegamente, sem fazer revisões espaçadas e
sem aplicar e contextualizar o conhecimento não traz resultados de longo prazo.
"Não tenho mais idade pra isso" é a historinha número um de quem passou dos 35 anos.
"Crianças aprendem tudo mais rápido", complementam. Qualquer professor de idiomas
sabe que, muito pelo contrário, os adultos aprendem mais rapidamente, tendo em vista
que já "aprenderam a aprender" e possuem um idioma completo no seu "banco de dados".
Desta forma, o aprendizado passa a ocorrer por associação. Apenas adultos conseguem
aprender os números, por exemplo, de zero a 1 milhão em poucos minutos. Ponto.
Gestão de tempo NÃO EXISTE, pois só existe gestão daquilo que se controla e que pode
ser contornado de alguma forma. E o tempo, adivinha? Ninguém controla a passagem
dele... se ele passa mais rápido ou devagar. O dia de todo mundo tem 24 horas, e o que
deve ser feito, na verdade, se chama GESTÃO DE PRIORIDADES. Essa todo mundo faz
todos os dias, com maior ou menor sabedoria. Fazer escolhas! Decidir entre A ou B, invés
de tentar abraçar o mundo com as mãos e fazer 30 coisas por dia, sem abrir mão de
NADA. Quem tenta fazer tudo acaba não fazendo nada bem feito. Prioridades e escolhas.
1º: fluência é relativo e não existe consenso internacional entre os linguístas sobre o
termo (perante idiomas estrangeiros);
2º: cada um tem seu processo e seu tempo, portanto se você se deparar com um anúncio
de "fluência em x meses", veja tudo com pensamento crítico e tenha cuidado.
Deixar as coisas pra segunda-feia é um hábito que começa na escola e no trabalho, que
as pessoas levam pro resto da vida. Vou te contar um segredo: o sentimento de fresh
start (recomeço) não vem da segunda-feira, vem de dar o primeiro passo...de COMEÇAR.
Esse é o mito mais perigoso de todos. É o diabinho no seu ombro que ta fala que tudo
bem se hoje passar em branco e que todos os seus problemas vão ser resolvidos pelo seu
"eu do futuro", que vai ser uma pessoa renovada e diferente na segunda-feira de manhã
depois de tomar o cafezinho de sempre.
“A única coisa que te impede de conquistar tudo o que você quer na vida, é aquela historinha DE MERDA
que você conta pra si mesmo, de porque você não pode fazê-lo agora.”
Por causa daquela viagem pro exterior, da certificação da empresa, aquela entrevista de
emprego, o exame de proficiência, aquele evento, etc. Essas coisas são CONSEQUÊNCIAS de
aprender uma nova língua, porém são coisas que "passam" e portanto, não são sustentáveis no
longo prazo.
Qual é a sua visão de futuro e como esse idioma é essencial? Sem perspectiva de curto, médio e
principalmente longo prazo, seu combustível logo se esgota.
Em primeiro lugar, a culpa NÃO é sua. O modelo tradicional expositivo (criado no século XVII)
pelo qual você passou boa parte da sua vida, te viciou em ter professor, em querer fazer tudo
certo e ter medo de errar, e em se preocupar com números arbitrários (notas) como forma de
feedback.
A gramática é fundamental para o processo sim, pois ela é o denominador comum entre todos
os idiomas e dialetos. Contudo ela deve vir sempre depois da compreensão básica das
estruturas. Para "tratar" o seu vício, entenda primeiro contextos para depois entender as
regrinhas. Compreensão vem antes de gramática.
Chega a ser óbvio: primeiro você precisa entender "o que é tal coisa", depois "o por quê é assim".
O uso de tradutores como o Google Translate, por exemplo, é um excelente hábito que indica
curiosidade e iniciativa. Contudo, existe uma maneira responsável de fazê-lo. Essas
ferramentas ainda não alcançaram precisão total, portanto é preciso evitar ao máximo traduzir
palavras soltas. Repito, EVITE TRADUZIR PALAVRAS SOLTAS e busque sempre entender frases
e contextos.
Mesmo que muitas vezes palavras apareçam aleatoriamente e sem contexto, a forma
responsável de traduzir é aplicar tudo que se aprende.
Aprendeu, aplicou em uma frase, conferiu se está certo e bola pra frente!
"Quero aprender idiomas com foco na minha área". Ok, mas não se engane. Esse "foco" é algo que
você só vai conseguir desenvolver com qualidade, depois que a sua base estiver formada.
Depois que você conhecer as estruturas básicas do idioma e conseguir conversar com outras
pessoas, nesse caso pode ser definido um foco. Caso contrário, foca no feijão com arroz
primeiro.
3.1.6 Caderninho-Muleta
Essa analogia foi criada para descrever o comportamento de quem "se escora" no caderno como
desculpa/escudo para não praticar conversação todos os dias. Essa história todo mundo já
ouviu: você teve um dia insano, então tudo bem se hoje você der só aquela revisada com o
caderno (só hoje, você pensa). Não se esconda atrás dessa historinha. O estudo com caderno
não te exime da conversação diária. Se você não falar, sua fala não melhora. Se não tiver
conversação, não há como haver conversação.
Se você é iniciante A SUA PRONÚNCIA É INICIANTE TAMBÉM. Não tem nada de errado nisso,
nem motivo para ter vergonha. Se você tem um sotaque carregado significa que você está no
mínimo em vias de ser bilíngue e não é conformado em ser monolíngue. Se aproprie disso com
orgulho e tenha paciência, pois grandes resultados levam tempo e dedicação.
Existem poliglotas que aprendem 2 idiomas ao mesmo tempo? sim. Mas isso não justificativa pra
quem só fala 1 ou 2 línguas querer fazer o mesmo.
É um exercício extremamente complexo que exige muita experiência e normalmente é feito por
pessoas hiperpoliglotas que já falam 8 ou mais línguas. Se não for o seu caso, baixa a bolinha e
dê a devida atenção e respeito a um idioma por vez, pra fazer bem feito e evitar retrabalho.
Como assim João?! É muito simples, dependendo da etapa do aprendizado em que você se
encontra, você vai consumir conteúdos diferentes no YouTube. Aprender as coisas certas, na ordem
certa é o caminho das pedras.
PREPARAÇÃO: Pessoas que nem começaram ainda a estudar pra valer o idioma alvo.
O QUE CONSUMIR: Vídeo clipes musicais, Podcasts didáticos, entrevistas legendadas.
CONSOLIDAÇÃO: Pessoas que já conversam no idioma alvo e buscam deixar o platô intermediário,
rumo ao nível avançado, "native-like accent".
O QUE CONSUMIR: Tutoriais gramaticais mais completos (mais de 10 min) + tutoriais de diversos
temas e entretenimento internacional em geral.
Ao se deparar com uma pesquisa simples, observe a duração do vídeo, e indicadores de credibilidade
(número de views, assinantes do canal, etc). Em seguida, decida qual conteúdo assistir primeiro.
A maioria das pessoas passa a vida inteira recorrendo ao Google para todo tipo de coisa, todos os
dias, mas na hora de aprender um novo idioma, o coitado do Google é totalmente
subutilizado/negligenciado pelo público em geral.
O Google pode e deve ser o braço direito de qualquer aprendiz de idiomas estrangeiros pelo seu fácil
acesso gratuito à informação.
Pois bem, vamos entender o poder do google por partes, e não vou nem citar a extensão do
Translate aqui ainda, pois vale passar uma seção só para ele.
Muitos criticam a ferramenta de tradução do google como falha e não confiável e de fato a
ferramenta não é perfeita, mas aqui vão algumas considerações que os céticos não costumam
dizer em voz alta:
3) O google hoje é a empresa do mundo que mais investe em inteligência artificial e machine learning
e provavelmente será a empresa pioneira no mundo no desenvolvimento de software inteligente tal
qual os filmes hollywoodianos;
4) A ferramenta em si, não é um perigo para ninguém. O que ocorre é que o público leigo utiliza a
ferramenta de forma leiga, e tratando-se de idiomas, existe muita subjetividade por trás das
palavras, especialmente na linguagem coloquial;
5) Em resumo, o Google translate é excepcional e é a ferramenta mais versátil do mercado hoje, mas
as pessoas não sabem usar-lo com autorresponsabilidade e consciência.
6) O jeito prudente de se usar o Google translate é sempre buscando contexto e evitando palavras
soltas, pois uma mesma palavra pode significar duas coisas completamente diferentes.
Você e a maior parte das pessoas que você conhece, usam, usaram ou usarão o Spotify para escutar
músicas dos seus artistas preferidos. E tudo bem ouvir música no Spotify, afinal de contas os hits
musicais são o carro chefe da plataforma.
2) Para se comunicar em vários idiomas é preciso consumir conteúdo e vivenciar vários idiomas;
4) É possível seguir playlists prontas e montar playlists colaborativas com amigos dentro do Spotify;
5) Antes de PENSAR em começar a estudar uma nova língua, é preciso horas e horas de consumo de
conteúdo estrangeiro para ganhar familiaridade com o idioma.
Portanto, apesar de ser uma ferramenta paga, com preço acessível diga-se de passagem, é um dos
aplicativos de bolso que todo aprendiz deveria assinar como um investimento em educação, que nas
horas vagas pode ser usado para ouvir música nacional e descontrair.
Em outras palavras, o Spotify é a principal imersão auditiva que pode ser feita de qualquer lugar e a
qualquer momento, dispensando viagens internacionais caríssimas como "única alternativa" de
imersão.
Desde os anos 80, os SRS (Spaced Repetition Systems) avançaram e se popularizaram no mundo do
aprendizado de idiomas através de aplicações como o Duolingo, Memrise, Anki e o Quizlet.
Sem deméritos às demais ferramentas, vou te apresentar a minha favorita e que professores de
idiomas e poliglotas do mundo todo usam no seu dia a dia: O Quizlet.
O Quizlet, apesar de possuir versão premium, conta com uma plataforma colaborativa, na qual alunos
e professores coexistem.
Além dos tradicionais flashcards de memorização, o Quizlet conta com o modo APRENDER, no qual o
aluno tem contato com uma porção de expressões por vez, e conforme há o avanço essas
expressões já conhecidas voltam a aparecer gradativamente.
Diferente de outras ferramentas de SRS, o Quizlet não consiste em memorização pura e sem
sentido. Afinal de contas, saber usar 1000 palavras bem, é melhor que memorizar 3000 palavras e
não saber usá-las e contextos reais.
Lançado em maio de 2009, o WhatsApp levou alguns anos para se popularizar em massa, e tornou-
se um fenômeno que revolucionou a maneira com que as pessoas trocam mensagens instantâneas
de texto, áudio e vídeo.
O que a maioria das pessoas não param para pensar é que essas mesmas funções de envio de
mensagens de textos, áudios e vídeos em tempo real pode e DEVE muito bem ser usada para o
aprendizado de novos idiomas.
Aqui vai uma listinha de coisas simples que VOCÊ pode fazer no seu WhatsApp para vivenciar um
idioma estrangeiro.
2) ENVIAR/ RECEBER MENSAGENS DE TEXTO NO SEU IDIOMA ALVO SOBRE QUALQUER ASSUNTO;
7) CRIAR UM GRUPO SEU CONSIGO MESMO, E MANTER UM DIÁRIO PESSOAL DE ÁUDIOS DIÁRIOS;
E essas são apenas as coisas que EU faço. Algumas diariamente, outras semanalmente, mas todas
com frequência.
O WhatsApp é particular popular em países ocidentais, ideal para pessoas que querem conhecer
nativos e praticar inglês, espanhol, francês, italiano e alemão, por exemplo.
Se ajeita na cadeira e presta atenção que eu vou te contar como eu desenvolvi minha conversação
em francês, espanhol e alemão usando todas essas ferramentas que eu citei aqui, MAIS o bendito do
Instagram, como protagonista do meu aprendizado.
1) Falando nos STORIES que eu estava aprendendo esses idiomas e a procura de pessoas para
conversação;
6) Falando sobre mim e minha rotina nos STORIES todos os dias, durante 20 semanas consecutivas;
7) Fazendo DEZENAS DE AMIGOS. Isso mesmo, amigos. Não apenas usando pessoas de forma
transacional como "ferramentas extras" para o meu benefício, mas desenvolvendo relações de
amizade com pessoas do mundo inteiro. Tudo isso em poucos meses vivendo idiomas no Instagram.
Acredite ou não, fazer isso de forma aberta pela primeira vez na vida foi desafiador e mudou a minha
vida, pois deixei da ser apenas bilíngue e tornei-me poliglota em menos de 2 anos.
O Instagram é tão genial que possui ainda as funções de close friends e filtros, para as pessoas que
são mais tímidas e para aqueles dias que a gente tá se sentindo particularmente de cara amassada.
Basicamente, você escolhe a sua audiência. E quanto mais gente te acompanha mais rico é o
processo, pois há mais colaboração, feedback e novos inputs.
Essas são apenas ferramentas de mídia social, pesquisa, estudo e interpretação básica que irão
te ajudar e te guiar no seu processo, mas nunca esqueça que AS PESSOAS são nossos maiores
aliados no aprendizado de qualquer idioma estrangeiro, afinal é um fenômeno social que permite
que você faça parte de um novo universo antes inexplorado.
A cada idioma aprendido, passamos a fazer parte de um grupo de pessoas que também estão
aprendendo esse idioma, ou simplesmente nativos e podemos agora muito mais facilmente ter
empatia e real conexão com essas pessoas.
Portanto, essa lista de ferramentas é suplementar ao contato humano, que é de fato o leva
qualquer pessoa ao nível conversacional. Novas amizades e se cercar de pessoas com objetivos
convergentes. Essa é a chave do processo.
5. CRONOGRAMA DE CONTEÚDOS
Cada pessoa tem uma rotina, mas existe um padrão nos eventos cotidianos que vira
denominador comum na gestão de prioridades de todo mundo. Todos temos três tipos de
momentos distintos, independente do dia da semana, ou do mês do ano.
Observe esses momentos na sua rotina e pense em formas de inserir o TL nos 3 momentos do dia.
Do inglês, lacuna, os Gaps diários são momentos secundários e terciários do seu dia, nos quais
você pode inserir o idioma alvo.
Um Gap, não necessariamente precisa ser um horário ocioso. Na verdade, a maioria deles ocorre
simultaneamente a outras atividades como um banho, uma refeição, ou ao dirigir de um lugar a
outro. O objetivo e usar esses momentos como oportunidades para imersão.
No pensamento leigo, a palavra imersão pode significar estar em um país estrangeiro, ou passar
um dia inteiro sem falar português. De fato, esses são alguns exemplos mais extremos, mas para
a sua tranquilidade, é possível SIMULAR esse ambiente de imersão em casa, no trabalho,
durante atividades físicas e refeições, por exemplo. Aqui vão alguns exemplos práticos:
Realize o exercício abaixo quantas vezes forem necessárias, até que pelo menos 3 Gaps
tenham sido identificados. Em seguida, pense de que maneira você irá fazer a gestão de
prioridades para cada lacuna encontrada no seu dia. Se necessário faça duas linhas distintas:
uma para dias de semana e outra para finais de semana.
Vale ressaltar que absolutamente todas as pessoas possuem Gaps no dia (pelo menos dois). Os
mais recorrentes são:
Para algumas pessoas, esse Gap dura 15 minutos, para outras são horas, mas para todos,
existem entretempos e lacunas entre atividades, ou atividades que permitem o consumo do
idioma alvo.
A duração desse Gap também varia muito, mas é quando a maioria desacelera e se ocupa de
atividades familiares e de lazer. Atividades estas que, em sua grande maiora podem (e devem)
coexistir com idiomas estrangeiros.
Por mais cansado que um indivíduo possa estar aqui, a meta é não ir dormir sem ouvir alguns
minutos de Podcast, música, ou séries no idioma alvo. Diga-se de passagem, esse deve ser um
momento de descanso mental e tranquilidade...e não uma obrigação. Tem que ser algo
estimulante e do gosto de quem está aprendendo, mas definitivamente tem que acontecer.
Antes de montar o seu cronograma individual de estudo e prática diária, é bom desenvolver a sua
métrica de sucesso/satisfação pessoal, para ter um senso de avanço com o tempo.
Para "ver os resultados" decida primeiro quais são estes resultados e em quanto tempo você
espera alcançá-los.
Esses Milestones, grandes marcos na sua trajetória de aprendizado, deve sem sombra de dúvida
ser escritos no papel, no espelho do banheiro, nas paredes, na casinha do cachorro e no teto na
sala (brincadeira, no teto é só se você quiser).
Compartilhe eles com seus melhores amigos, para que eles possam te apoiar, te cobrar e
acompanhar o seu progresso.
Recapitulando, o Milestones são o seu indicador de desempenho principal, que vai servir como
bússola para você saber que está indo no caminho certo. Se certifique de que tenha definido
metas SMART (específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e com prazo definido).
Supondo que você fez tudo certinho até aqui e completou suas semanas de preparação com
sucesso. A essa altura você já está sentindo um gostinho do que é viver seu idioma alvo
cotidianamente e compreendeu que está entrando em um jogo infinito. Está na hora de montar seu
cronograma semestral de estudo.
Se você está começando um novo idioma e não possui nenhuma base ainda, aqui vai a lista do
caminho das pedras do "feijão com arroz dos idiomas" (pode ser que o seu cronograma seja
diferente, afinal cada um tem um ponto de partida e um ponto de chegada).
De qualquer forma, aqui está a minha sugestão para quem está começando (ou recomeçando) a
viver um novo idioma. São conteúdos que, quando dominados, permitem o diálogo em qualquer
língua:
Sempre que você sentir que está pisando em um novo território, pode ser que o passo seja maior
que a sua perna. Nesse caso, volte a essa lista e reforce o que está aqui.
Michael Jordan, o maior atleta da história da NBA, era conhecido pela sua disciplina e foco nos
fundamentos. Sempre que estiver se sentindo "travado" fortaleça a sua base.
Para ter êxito no desafio de aprender um idioma estrangeiro é preciso saber o caminho que será
trilhado. O autor Joseph Campbell organizou em 3 atos distintos, a trajetória pela qual todas as
grandes histórias de superação passam. Em analogia com o trabalho de Campbell, saiba sempre
aonde você está, por onde irá passar e onde quer chegar.
Lembre-se que aprender é um jogo infinito e que depois de viver um idioma, o herói nunca mais é o
mesmo. Não existe fim, nem linha de chegada e o atual estado das coisas sempre existirá. Quem
muda é você, mas não sem antes quebrar paradigmas e aceitar o chamado para EXISTIR EM UM
NOVO IDIOMA. Quando bater o frio na barriga e você sentir que o seu grande medo está próximo,
lembre-se que as melhores coisas da vida estão do outro lado do medo.
Atual estado das coisas
Do inglês, Just a Minute, consiste em uma técnica de conversação que ocorre através de rodadas de
comunicação de 60 segundos cada, com pausas para ajustes e melhoria.
1. É definido um tema qualquer como culinária brasileira, por exemplo, sem estudo prévio;
2. Por 60 segundos ininterruptos, fale sobre esse tema no seu idioma alvo;
3. Pare de falar e pesquise na internet, de 3 a 5 minutos, como falar melhor as partes onde houve
maior dificuldade;
4. Fale sem parar por mais 60 segundos sobre o tema, adicionando as melhorias;
5. Pare novamente, pesquise e tente ir um pouco além e falar algo a mais sobre o tema;
6. Pela terceira e última vez, fale sem parar, tudo o que você conseguir por 60 segundos.
O J.A.M. possui uma estrutura que permite não apenas que a pronúncia seja gravada e assistida
posteriormente para autoavaliação, mas também torna propício o COMPARTILHAMENTO do
exercício com terceiros (amigos e seguidores).
Ferramentas como o Instagram e o WhatsApp, por exemplo, são bons meios para compartilhar
sessões de J.A.M. e ainda obter feedback no processo.
Não fui eu quem inventei essa técnica e não tem nada de mais nela, mas
resolvi chamar esse exercício de "técnica de pescador" (do inglês, Fisher)
para facilitar na explicação.
Com o fone de ouvido, escute a Podcasts, músicas, séries, filmes, entrevistas e todo tipo de
conteúdo no idioma alvo. Em seguida, anote no seu caderno as palavras e expressões mais
familiares, que são constantemente repetidas. Por último pesquise por elas no google translate
para confirmar a sua escrita e significado.
A técnica de Conversation Club é mais simples do que parece. Contudo, simples é diferente e fácil e
a parte complicada de um CC (conversation club) é a sustentabilidade do grupo.
Um CC é um projeto, portanto tem início, meio e fim. Assim, por mais que o grupo se mantenha em
contato, as reuniões recorrentes não ocorrem para sempre.
Lembro também que existem infinitas formas de fazer uma mesma coisa, aqui vai uma maneira que
tem dado certo com meus alunos e amigos de conversação.
O Desafio Let's Zeppelin (DLZ) é aprender idiomas de forma aberta e colaborativa, durante 20
semanas consecutivas. É a aplicação dos três fundamentos do Let's Zeppelin.
Essa sessão é somente para aqueles que estiverem dispostos a FAZER O QUE TEM DE SER
FEITO para viver o idioma alvo.
Caso você decida viver um idioma estrangeiro publicamente por 20 semanas, saiba aonde você
está na jornada do herói e onde pretende chegar ao final do desafio.
Não existe uma forma única e universal de viver o Let's Zeppelin, apenas os fundamentos são
iguais para todos, mas a cada um se adapta ao Zeppelin da sua forma.
Sem scripts prontos, é preciso seguir a filosofia do mestre Bruce Lee para ter sucesso no
processo de adaptação.
UMA BOA PREPARAÇÃO É O PASSO ZERO
Antes de começar a estudar ativamente um novo idioma, é fundamental saber a sua real
inspiração para buscar o idioma, compreender o verdadeiro grau de complexidade do desafio a
diante e saber quais são os recursos disponíveis na internet para aprender essa língua.
Feito isso, é recomendável no mínimo 30 dias de imersão audiovisual no idioma alvo, para
familiarização com os sons e estruturas mais recorrentes do idioma, bem como a sua lógica.
Quem tenta fazer TUDO sem abrir mão de NADA, acaba fazendo tudo de qualquer jeito sem fazer
nada direito.
É deletar filme e série dublado pra sempre da vida, trocar o idioma do celular, é ter um playlist no
Spotify pra cada idioma, é ter hábito de ouvir podcast ao invés de rolar o feed vendo coisa que
não agrega. É trocar o total a absoluto nada pelo "alguma coisa útil" e acima de tudo é declarar
guerra à procrastinação como estilo de vida e decidir virar uma pessoa que FAZ O QUE É
PRECISO, sem historinha, sem desculpinha, apenas execução, consistência e disciplina.
Primeiramente, essa historinha de "não tenho tempo para aprender idiomas" NÃO EXISTE.
Infelizmente o leigo, não compreende o que tem que ser feito para sanar a sua desorganização.
Uma pessoa não precisa necessariamente estudar uma hora por dia o seu idioma alvo, todos os
dias, sem pausas. Contando que haja muito CONSUMO do idioma, está tudo certo.
Uma coisa é estudo formal, com direito a exercício, repetição e compreensão gramatical. Outra
coisa completamente diferente é consumo do idioma alvo, diluído em parcelas ao longo do dia.
Todo poliglota faz isso ao decidir aprender um novo idioma. Esse consumo constante do idioma
alvo, em momentos secundários e terciários é o que distingue os pequenos dos gigantes. A chave é
absorver passivamente o idioma ENQUANTO se executa uma outra atividade... um banho, uma
faxina, uma corrida, uma louça, um filme ou série, uma refeição qualquer. Todo tipo de atividade
que permite a imersão audiovisual através do consumo de podcasts, músicas, vídeos e afins.
O erro do jovem é chegar ao topo do mundo e achar que tá tudo bem dar uma paradinha pra
respirar.
Lembra a seleção brasileira que ganhou a copa de 2002? Lembra o que aconteceu em 2006?
Ninguém quer DESAPRENDER tudo o que foi aprendido, mas as pessoas depois que "terminam um
idioma" se sentem no direito de colocar o idioma novo na gaveta do "o dia que eu precisar, ta ai".
Mas não se engane. As pessoas concluem apenas cursos, imersões, provas, e etapas do
aprendizado, mas NINGUÉM, absolutamente ninguém termina um idioma.
Por isso, planeje e saiba em que momentos do seu dia e ao longo das suas semanas você se
manterá em contato com o seu novo idioma.
Tenha certeza de uma coisa, se você parar completamente de ver, ouvir e falar o idioma que acabou
de aprender, você VAI ESQUECER quase tudo. Você não quer que isso aconteça.
Existem dois tipos de jogos: os finitos e os infinitos. No livros "Finite and Infinite Games" e "The
Infinite Game" de James P. Carse e Simon Sinek, respectivamente, essa distinção foi feita
brilhantemente e fica que claro que: APRENDER É UM JOGO INFINITO.
Você, eu, e todo mundo que vive o DLZ devemos muita gratidão
ao mestre Simon Sinek, inspire on!
Use a escala abaixo para fazer sua autoavaliação e definir quais são seus objetivos de DLZ
(dentro de 20 semanas).
Entenda aonde está seu real desafio (fala, escuta, leitura, escrita) e encare suas maiores
dificuldades de frente. Foca em evoluir significativamente aonde você tem mais dificuldade.
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AFTERWORD
Existem infinitas formas de fazer uma mesma coisa.
John Becker
@LETSBECKER
[Link]/letsbecker
MÉTODO LET'S ZEPPELIN DE APRENDIZADO
JOHN BECKER