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Lesão Celular: Causas Exógenas: SP 2.1-Ficou Bom, Mas Queimou..

Este documento descreve os processos de lesão celular e defesa do organismo. Apresenta os tipos de agentes agressores e como causam lesões celulares reversíveis ou irreversíveis. Também caracteriza as linhas de defesa do organismo como barreiras, respostas inatas e adaptativas, e descreve o processo inflamatório e como estimula a reparação tecidual.

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Lesão Celular: Causas Exógenas: SP 2.1-Ficou Bom, Mas Queimou..

Este documento descreve os processos de lesão celular e defesa do organismo. Apresenta os tipos de agentes agressores e como causam lesões celulares reversíveis ou irreversíveis. Também caracteriza as linhas de defesa do organismo como barreiras, respostas inatas e adaptativas, e descreve o processo inflamatório e como estimula a reparação tecidual.

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SP 2.1- Ficou bom, mas queimou...

SP 2.1

1) Caracterize os agentes agressores (químico, físico, biológicos e psicossociais), e como as lesões


causadas por esses agentes ocasionam a adaptação, morte celular e reparação.
2) Caracterize os tipos de lesão celular (reversível e irreversível).

Lesões e doenças são provocadas por agressões muito diversas e resultam quase sempre da interação
do agente agressor com os mecanismos de defesa do organismo. A lesão celular ocorre quando as
células são estressadas tão excessivamente que não são mais capazes de se adaptar, podendo ser
reversível até um certo ponto, mas se o estímulo persistir ou for intenso o suficiente desde o início, a
célula sofre lesão irreversível.

As causas de lesões e doenças são divididas inicialmente em dois grandes


grupos: exógenas e endógenas, porém nem todas as causas são conhecidas e, nesses casos, recebem
a denominação de causa criptogenética, idiopática ou essencial.

Lesão Celular: causas exógenas

As causas exógenas são representadas por agentes físicos como força mecânica, radiação, variação de
temperatura e alteração da pressão atmosférica; agentes químicos, como os agrotóxicos, poluentes
ambientais, medicamentos e drogas ilícitas; agentes biológicos, como vírus, bactérias, protozoários, etc;
e pelos distúrbios da nutrição, que envolvem tanto a deficiência como o excesso de nutrientes.

Lesão Celular: causas endógenas

Já as causas endógenas estão relacionadas com a herança genética, o sistema imunológico e os fatores


emocionais, estes influenciados também pelo ambiente social.

As agressões atuam por mecanismos muito diversos, sendo os mais conhecidos e importantes: redução
na disponibilidade de O2 às células; radicais livres; anormalidades em ácidos nucleicos e proteínas;
resposta imunitária; e distúrbios metabólicos.

A lesão celular pode ser reversível até certo ponto, mas se o estímulo persistir ou for intenso o suficiente
desde o início, a célula sofre lesão irreversível, levando-a a morte celular, que é o resultado final da
lesão celular progressiva, sendo um dos principais eventos na evolução de uma doença em qualquer
tecido ou órgão. Porém, ela constitui também um processo normal e essencial na embriogênese, no
desenvolvimento dos órgãos e na manutenção da homeostase.

Os principais marcos da lesão reversível são a redução da fosforilação oxidativa, com consequente
depleção do armazenamento de ATP e tumefação celular causada por alterações da concentração de
íons e influxo de água. Além disso, várias organelas intracelulares, tais como as mitocôndrias e o
citoesqueleto, podem apresentar alterações.

Com a persistência do dano, a lesão torna-se irreversível e, com o tempo, a célula não pode se recuperar
e morre. Existem dois tipos de morte celular, a necrose e a apoptose, que diferem em sua morfologia,
mecanismos e funções na homeostase e na doença.

Quando a lesão das membranas é grave, as enzimas lisossômicas entram no citoplasma e digerem a
célula, dando origem a um conjunto de alterações morfológicas descritas como necrose.

A necrose é considerada uma forma desregulada de morte celular resultante de danos às membranas
celulares e perda da homeostase dos íons. Conteúdos celulares também são perdidos, através da
membrana plasmática lesada, para o espaço extracelular, onde causam inflamação.

Já a apoptose é uma forma de morte celular caracterizada pela dissolução nuclear, fragmentação da
célula sem perda completa da integridade da membrana, e rápida remoção dos restos celulares.

Como o conteúdo celular não é perdido, ao contrário da necrose, não existe reação inflamatória. Em
termos de mecanismo, a apoptose é conhecida por ser um processo altamente regulado, dirigido por uma
série de vias genéticas. É, por isso, às vezes, também chamada de “morte celular programada”.

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3) Caracterize diferentes linhas de defesas (barreiras, respostas inatas e adaptativas).

A primeira linha de defesa contra os invasores é constituída por barreiras mecânicas ou físicas:
 A pele
 A córnea dos olhos
 As membranas que revestem os aparelhos respiratório, digestivo, urinário e reprodutor
Enquanto estas barreiras permanecem intactas, muitos invasores não conseguem penetrar o
organismo. Quando uma barreira se rompe (por exemplo, quando uma queimadura extensa lesiona a
pele), o risco de infecção aumenta.

Além disso, as barreiras encontram-se defendidas por secreções que contêm enzimas que podem
destruir as bactérias. O suor, as lágrimas nos olhos, as secreções no aparelho respiratório e digestivo e
as secreções na vagina são exemplos de barreiras.

A linha de defesa seguinte envolve glóbulos brancos (leucócitos) que se deslocam através da
corrente sanguínea e penetram nos tecidos para detectar e atacar micro-organismos e outros
invasores. Esta defesa consiste de duas partes:

 Imunidade inata
 Imunidade adquirida

Imunidade inata (natural): Inata significa algo com a qual a pessoa nasce. Então, imunidade inata não
requer encontros anteriores com um micro-organismo ou outros invasores para funcionar com
eficiência. Responde imediatamente aos invasores, sem precisar aprender a reconhecê-los. Estão
presentes diversos tipos de glóbulos brancos:

 Os fagócitos ingerem os invasores. Fagócitos


incluem macrófagos, neutrófilos, monócitos e células dendríticas.
 Células natural killer são formadas prontas para reconhecer e matar as células cancerígenas e
células infectadas por certos vírus.
 Alguns glóbulos brancos (como basófilos e eosinófilos) liberam substâncias envolvidas
em inflamações, como citocinas e em reações alérgicas, como a histamina. Algumas destas
células conseguem destruir invasores diretamente.

Imunidade adquirida (adaptativa ou específica): Na imunidade adquirida, os glóbulos brancos


chamados linfócitos (células B e células T) se deparam com um invasor, aprendem a atacá-lo e
lembram do invasor específico de modo que possam atacá-lo de forma ainda mais eficaz no próximo
encontro. A imunidade adquirida demora a desenvolver depois de um encontro inicial com um novo
invasor pois os linfócitos têm que se adaptar. Mas, depois deste tempo, a resposta é rápida. As células
B e as células T trabalham juntas para destruir os invasores. Para serem capazes de reconhecer
invasores, as células T precisam de ajuda das células chamadas células apresentadoras de antígenos
(como células dendríticas – veja a figura Como uma célula T reconhece os antígenos). Estas células
ingerem os invasores ou decompõem-nos em fragmentos.

A imunidade inata e a imunidade adquirida interagem, influenciando-se de forma recíproca e direta ou


através de moléculas que atraem ou ativam outras células do sistema imunológico, como parte da  fase
de mobilização das defesas. Essas moléculas incluem

 Citocinas (que são as mensageiras do sistema imunológico)


 Anticorpos
 Proteínas do complemento (que formam o sistema de complemento)

Estas substâncias não estão contidas nas células, encontrando-se dissolvidas em um fluido do
organismo, o plasma (a parte líquida do sangue).

Algumas destas moléculas, inclusive algumas citocinas, estimulam a inflamação.

A inflamação ocorre, pois estas moléculas atraem as células do sistema imunológico ao tecido


afetado. De forma a ajudar estas células a chegarem ao tecido, o organismo envia mais sangue ao
tecido. Para mais sangue chegar ao tecido, os vasos sanguíneos dilatam-se e tornam-se mais porosos,
permitindo que mais fluidos e células saiam dos vasos sanguíneos e penetrem o tecido. Desta forma, a
SP 2.1- Ficou bom, mas queimou...

inflamação tende a causar vermelhidão, calor e inchaço. O objetivo da inflamação é conter a infecção
de forma que ela não se propague. As outras substâncias produzidas pelo sistema imunológico ajudam
a resolver a inflamação e os tecidos danificados são curados. Apesar de a inflamação ser incômoda, é
uma indicação de que o sistema imunológico está fazendo seu trabalho. Entretanto, inflamações
excessivas ou de longa duração (crônicas) podem ser prejudiciais.

O sistema imunológico é constituído por vários órgãos, além de células dispersas por todo o corpo.
Esses órgãos classificam-se em órgãos linfoides primários ou secundários.

Nos órgãos linfoides primários os glóbulos brancos são produzidos e/ou multiplicados:

 A medula óssea produz todos os diferentes tipos de glóbulos brancos, inclusive neutrófilos,


eosinófilos, basófilos, monócitos, células B e células que se tornam as células T (células T
precursoras).
 No timo, as células T se multiplicam e são treinadas para reconhecer antígenos estranhos e
ignorar os antígenos próprios do organismo. As células T são essenciais na imunidade
adquirida.

Os glóbulos brancos, especialmente da medula óssea, são mobilizados quando é preciso defender o
organismo. Entram, de imediato, na corrente sanguínea e deslocam-se até à parte do corpo onde sua
presença é necessária.

MANUAL MSD

4) Descreva como ocorre o processo inflamatório como uma defesa natural, e como ele estimula os
fenômenos de reparação tecidual.
5) Descreva os mecanismos inflamatórios relacionando seus sinais e sintomas

Com a agressão tecidual se seguem imediatamente fenômenos vasculares mediados principalmente


pela histamina. O resultado é um aumento localizado e imediato da irrigação sanguínea, que se
traduz em um halo avermelhado em torno da lesão (hiperemia ou rubor). Em seguida tem início a
produção local de mediadores inflamatórios que promovem um aumento
da permeabilidade capilar e também quimiotaxia, processo químico pelo qual células
polimorfonucleares, neutrófilos e macrófagos são atraídos para o foco da lesão. Estas células, por sua
vez, realizam a fagocitose dos elementos que estão na origem da inflamação e produzem mais
mediadores químicos, dentre os quais estão as citocinas (como, por exemplo, o fator de necrose
tumoral e as interleucinas), quimiocinas, bradicinina, prostaglandinas e leucotrienos. Também
as plaquetas e o sistema de coagulação do sangue são ativados visando conter possíveis
sangramentos. Fatores de adesão são expressos na superfície das células endoteliais que revestem os
vasos sanguíneos internamente. Estes fatores irão mediar a adesão e
a diapedese de monócitos circulantes e outras células inflamatórias para o local da lesão.
Em síntese, todos estes fatores atuam em conjunto, levando aos eventos celulares e vasculares da
inflamação. Resulta em um aumento do calibre de capilares responsáveis pela irrigação sanguínea
local, produzindo mais hiperemia e aumento da temperatura local (calor). O edema ou inchaço ocorre a
partir do aumento da permeabilidade vascular aos componentes do sangue, o que leva ao
extravasamento do líquido intravascular para o espaço intersticial extra-celular. A dor, outro sintoma
característico da inflamação, é causada primariamente pela estimulação das terminações nervosas por
algumas destas substâncias liberadas durante o processo inflamatório, por hiperalgesia (aumento da
sensibilidade dolorosa) promovida pelas prostaglandinas e pela bradicinina, mas também em parte por
compressão relacionada ao edema.

Ao ocorrer o processo de inflamação no organismo podem ocorrer manifestações clínicas, ou seja,


sintomas; os quais são:

1. Calor: vasodilatação e aumento do metabolismo celular --> febre


2. Rubor: vasodilatação hiperemia --> aumento da circulação sanguínea
3. Tumor: vasodilatação extravasamento de fluído --> edema
4. Dor: liberação de mediadores que afetam as terminações nervosas --> sentimento de dor

Estas manifestações clínicas/sintomas resultam na perda da função das células envolvidas.


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6) Cite os graus de queimadura e suas possíveis condutas para o tratamento.

Queimadura é toda lesão causada por agentes externos sobre o revestimento do corpo, podendo destruir
desde a pele até tecidos mais profundos, como ossos e órgãos.

Tipos e causas

As queimaduras podem ser classificadas da seguinte maneira:

Quanto à profundidade:

 1º grau: atinge a epiderme (camada superficial da pele). Apresentação com vermelhidão sem
bolhas e discreto inchaço local. A dor está presente;

 2º grau: atinge a epiderme e parte da derme (2ª camada da pele). Há presença de bolhas e a
dor é acentuada;

 3º grau: atinge todas as camadas da pele, músculos e ossos. Ocorre necrose da pele (morte do
tecido), que se apresenta com cor esbranquiçada ou escura. A dor é ausente, devido à
profundidade da queimadura, que lesa todas as terminações nervosas responsáveis pela
condução da sensação de dor.

Quanto à extensão:

A extensão de uma queimadura é representada em percentagem da área corporal queimada.

 Leves (ou "pequeno queimado"): atingem menos de 10% da superfície corporal;

 Médias (ou "médio queimado"): atingem de 10% a 20% da superfície corporal;

 Graves (ou "grande queimado"): atingem mais de 20% da área corporal;

Duas regras podem ser utilizadas para "medir" a extensão da queimadura:

Regra dos nove: é atribuído, a cada segmento corporal, o valor nove (ou múltiplo dele):

 cabeça - 9%

 tronco frente - 18%

 tronco costas - 18%

 membros superiores - 9% cada

 membros inferiores - 18% cada

 genitais - 1%

Regra da palma da mão: geralmente a palma da mão de um indivíduo representa 1% de sua superfície
corporal. Assim pode ser estimada a extensão de uma queimadura, calculando-se o “número de palmas”.

As queimaduras de mãos, pés, face, períneo, pescoço e olhos, quaisquer que sejam a profundidade e a
extensão, necessitam de tratamento hospitalar. A gravidade da queimadura será determinada pela
profundidade, extensão e a área afetada

As causas são classificadas da seguinte maneira:

Agentes físicos

 Térmicos: líquidos quentes, gordura quente, ferro quente, vapor e através do fogo;

 Elétricas: corrente de baixa voltagem (eletrodomésticos), alta tensão e raio;

 Radiantes: resultam da exposição à luz solar ou fontes nucleares.Agentes químicos

 Substâncias químicas industriais, produtos de uso doméstico, como solventes, soda cáustica,
alvejantes ou qualquer ácido ou álcalis.
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Agentes biológicos

 Seres vivos: como por exemplos, taturanas, “água viva”, urtiga.

Tratamento

Queimaduras térmicas

 Causadas por líquidos e objetos quentes, vapor e fogo:

 Esfrie a área queimada com água fria (não use gelo, pois pode agravar a queimadura).

 Cubra a área com um pano limpo.

 Remova imediatamente: anéis, pulseiras, relógios, colares, cintos, sapatos e roupas, antes que a
área afetada comece a inchar.

Queimaduras químicas

Causada por contato com produtos químicos, como ácidos:

 Enxágue o local por, pelo menos, 20 minutos em água corrente.

 Remova imediatamente: anéis, pulseiras, relógios, colares, cintos, sapatos e roupas, antes que a
área afetada comece a inchar.

 Remova resíduo de roupa contaminada pelo produto, prevenindo queimadura em outras áreas.

 No caso dos olhos terem sido afetados: enxágue abundantemente em água corrente até ajuda
médica. Se usar lentes de contato, removê-las imediatamente.

Queimaduras elétricas

Causadas por corrente de baixa voltagem, como eletrodomésticos, alta tensão e raio:

 Não toque na vítima.

 Desligue a corrente elétrica.

 Em todos os casos de queimaduras, encaminhar para o serviço médico (pronto socorro ou


hospital) mais próximo.

O que não fazer

 Não use nunca: pasta de dentes, pomadas, clara de ovo, manteiga, óleo de cozinha ou qualquer
outro ingrediente sobre a área queimada;

 Não remova tecidos grudados: corte cuidadosamente e retire o que estiver solto;

 Não estoure bolhas.

HOSPITAL EINSTEIN

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