TCC Vanessa Froese Final
TCC Vanessa Froese Final
1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................................. 3
2. REVISÃO DA LITERATURA ......................................................................................................... 5
2.1 CORPO E CONSCIÊNCIA CORPORAL ............................................................................... 5
2.1.1CORPO EM CONFLITO ..................................................................................................... 5
2.1.2 SER CORPO, CORPOREIDADE E CONSCIÊNCIA CORPORAL ........................... 8
2.1.2 CONSCIÊNCIA DO CORPO NA DANÇA .................................................................... 12
2.2 ESTILO TRIBAL DE DANÇA DO VENTRE ....................................................................... 16
2.2.1 DESENVOLVIMENTO DO ESTILO TRIBAL DE DANÇA DO VENTRE ................ 16
2.2.2 TRIBAL FUSION OU FUSÃO TRIBAL – UM GÊNERO EM DESENVOLVIMENTO
....................................................................................................................................................... 28
2.2.3. EXPLORANDO A TÉCNICA NO ESTILO TRIBAL .................................................. 29
3. CONCLUSÃO................................................................................................................................. 32
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................................... 33
3
1. INTRODUÇÃO
O Estilo Tribal de Dança do Ventre1 é um estilo de dança relativamente
recente que surgiu nos Estados Unidos da América a partir da década de 1960 e se
popularizou ao longo dos anos em diversos países, ganhando adeptas inclusive no
Brasil e em países da América Latina.
O objetivo deste artigo é investigar de que forma o Estilo Tribal de Dança do
Ventre se apresenta como possibilidade de atividade para aprimoramento da
consciência corporal para mulheres adultas na sociedade contemporânea.
A ideia de investigar esse tema surgiu a partir do interesse pessoal da autora
deste artigo que pratica essa forma de arte há quase uma década e percebe uma série
de benefícios e transformações relatados pelas dançarinas dessa dança,
especialmente no que se refere ao autoconhecimento do próprio corpo a partir da sua
prática.
Entende-se que a dança é uma forma de arte capaz de trazer transformações
importantes para seus praticantes, uma vez que estimula um maior contato do
indivíduo consigo mesmo, com o outro e com o mundo que o cerca. Nesse sentido, o
Estilo Tribal de Dança do Ventre se comunica com as demandas e a realidade de
mulheres adultas na sociedade contemporânea, uma vez que é considerado como
uma forma de contracultura dentro da dança do ventre, criado por artistas mulheres e
que surgiu no contexto do movimento feminista de segunda onda nos Estados Unidos.
Além disso, se apresenta como uma estilização da dança do ventre cujo
número de praticantes vem crescendo consideravelmente ao longo dos últimos anos,
pois proporciona o sentimento de comunidade, especialmente entre mulheres, ao
mesmo tempo que busca a valorização e empoderamento de suas praticantes, e as
desafia a expandir os limites corporais impostos a elas socialmente.
Para apoiar a investigação deste tema buscou-se primeiro apresentar
conceitos referentes ao entendimento do corpo na sociedade, à corporeidade, à
consciência do corpo ou consciência corporal e de que forma a dança pode auxiliar
1
A utilização do termo Tribal vem sendo questionada pela comunidade internacional deste estilo de
dança em relação a ser ou não apropriada para uso, em função de historicamente ter ganho uma
conotação negativa para se referir as comunidades étnicas. No entanto, não há um consenso sobre
um termo substituto adequado, especialmente no Brasil, além de ainda ser o único termo capaz de
identificar e diferenciar as características desse estilo de dança em relação a outros estilos de dança.
Em função disso, a autora deste artigo optou por mantê-lo e seguir citando-o de acordo com as
referências bibliográficas encontradas.
4
nessa busca. Nesta etapa pesquisadores como Vianna, Gil, Muller, Merleau-Ponty e
Imbassaí foram consultados para facilitar o entendimento desses conceitos e como se
dá esse processo de consciência corporal ou consciência do corpo na dança.
A seguir, foi apresentado de que forma o Estilo Tribal de Dança do Ventre se
desenvolveu, suas principais características, as principais dançarinas que
influenciaram o seu desenvolvimento, seus diferentes gêneros e formatos e de que
forma entende-se que ele pode impactar a vida de suas praticantes. Para isso foram
consultadas autoras como Assunção, Nericcio-Bohlman, Khastagir, Djoumahna,
Sellers-Young e Burnam.
Essa pesquisa foi realizada através de revisão bibliográfica com fontes
teóricas impressas e eletrônicas disponíveis em documentos na internet de livros,
artigos científicos, dissertações e monografias.
5
2. REVISÃO DA LITERATURA
2.1 CORPO E CONSCIÊNCIA CORPORAL
2.1.1CORPO EM CONFLITO
O ser humano é um ser corporal. O corpo é condição essencial para a
humanidade e, embora essa afirmação seja óbvia, é possível observar ao longo da
história e sob influência dos ideais de determinados pensadores que o corpo foi
renegado na construção de um homem abstrato, feito de ideias, sentimentos e
valores.
Segundo Olivier (1995), o corpo foi elemento de conflito e contradição, e teve
seu valor rebaixado a simples objeto ou receptáculo da alma em diversos momentos
da história do ocidente, seja na antiguidade clássica, durante o período medieval ou
mesmo no Renascimento.
Embora não seja possível traçar um panorama histórico em relação à
importância que o corpo teve para a sociedade ocidental neste artigo, será utilizado
como ponto de partida para essa investigação os ideais que surgiram com o
importante filósofo René Descartes no Século XVII. Ideais que ainda se fazem
presentes na sociedade contemporânea e na relação do indivíduo com seus corpos,
ainda que já contestados e discutidos.
Com Descartes, a razão enquanto base segura do pensamento se apresenta
como fundamental e inquestionável instrumento de conhecimento e organização do
mundo. O método cartesiano abre lugar para uma nova concepção da realidade,
calcada na dúvida universalizada e na crença na razão. Abre-se um espaço de
liberdade ao pensamento humano dentro de uma época até então marcada pelo
dogmatismo religioso, pois os ideais de Descartes surgiram no contexto após o
período medieval e como resposta ao momento atual que vivia. (CARMO, 2015).
Descartes afirma a analogia entre o homem e a máquina. Tal ideia do corpo
enquanto um conjunto mecânico resulta dos inumeráveis estudos físicos, químicos e
de micro-organismos que vão transformar a medicina empírica em medicina científica.
Ele estabelecerá o novo elemento antagônico ao corpo - não mais a alma imortal do
cristianismo, mas a razão. (THORAVAL, 1978 apud OLIVIER, 1995).
O filósofo, através do seu método, lançou as bases para a ciência moderna.
Com a máxima “penso, logo existo”, Descartes coloca o pensamento como
fundamento da existência do eu. Na esteira desse pensamento, o discurso científico
6
escolar, crianças que não podem raciocinar se movendo, não devem refletir jogando
e tampouco pensar fantasiando. Para que se tornem inteligentes e produtivas
precisam estar confinadas e disciplinadas.
E complementa citando ainda que o corpo analisado e generalizado
cartesiano, permitiu que fossem criadas as condições para o surgimento desse corpo
manipulado. Olivier (1995) cita a análise de Foucault dos séculos XVII e XVIII e da
descoberta do corpo como objeto e alvo de poder. Um corpo que se manipula, se
modela, se treina, que obedece, responde, se torna hábil e dócil.
Este controle vai ser exercido, portanto, através da disciplina, sendo as
grandes instituições disciplinares a escola, o hospital e o exército. Nesse momento
nasce uma arte do corpo humano que visa não unicamente o aumento de suas
habilidades, mas a formação de uma relação que no mesmo mecanismo o torna tanto
mais obediente quanto mais é útil. (FOUCAULT, 1987).
Importante citar que o capitalismo ainda hoje reforça e se apropria dessa ideia
de corpo produtivo e disciplinado, pois segundo Aragão e Fortes “um corpo útil para o
capital é um corpo capaz de responder com o máximo de eficiência possível à pressa,
à perfeição e à eficiência”. (2018, p. 140).
Freud (1976 apud OLIVIER,1995) diz que no século XX, os modelos corporais
prosseguiram enquanto depositários de signos de distinção social. Assim como nas
sociedades anteriores ao capitalismo, o corpo permaneceu palco expressivo das
ideologias que determinaram em grande parte o comportamento social.
A sociedade capitalista, na produção e reprodução das relações de trabalho,
marcou o corpo com seus signos de dominação. Os modelos corporais, construídos
nas escolas, difundidos pela mídia, sempre foram um meio sutil de alienação. No
capitalismo, o corpo produz alienadamente e consome alienadamente. A medicina,
por sua vez, dividiu e fragmentou o corpo. O homem ocidental moderno, marcado
pelas ideologias, é como o corpo dos anatomistas, esfacelado e desintegrado, com
8
diferentes regiões que se articulam e cada uma delas sob o domínio de uma dada
especialidade do conhecimento. No entanto, o ser humano é seu corpo e, quando age
no mundo, age como uma unidade (OLIVIER, 1995).
Esses aspectos levantados até este momento, embora bastante discutidos
por estudiosos, filósofos e pesquisadores na atualidade, ainda são facilmente
identificados na sociedade contemporânea, uma vez que estão enraizados no
comportamento social. A esse respeito Béjart (1973) aponta as contradições de seu
tempo dizendo que o homem moderno nega o corpo ao passo que a medicina
tampouco quer saber da alma e do espírito. A consequência disso é um universo de
atrofiados, paralisados durante todo o dia no escritório, no automóvel e em casa. Onde
durante a semana fazem funcionar uma parcela mínima do córtex cervical,
aproveitando os feriados para atividades pseudodesportivas incoerentes e sem
qualquer relação com a existência profunda do ser humano. E diz ainda: “aqui o
espírito, lá o corpo, mais adiante o sexo, do outro lado o coração – vivissecção
incessante cujo tormento é profundamente sentido por todo ser humano nos dias de
hoje”. (BÉJART, 1973, p.9).
Castellani (1988 apud SOUZA, 1992) reforça a presença do corpo disciplinado
ao afirmar que ainda nos primeiros anos deste século é possível observar nitidamente
a influência militar e médica na prática da atividade física que separa corpo e mente,
dando ao primeiro um tratamento mecanicista, ainda encontrado nos dias de hoje em
muitas aulas de Educação Física em Escolas, Clubes e Academias.
Os aspectos sensitivos e emocionais, dessa forma, são deixados de lado, a
individualidade de cada ser humano e a busca por sua autenticidade acabam sendo
desvalorizadas em uma sociedade que prioriza a padronização de movimentos,
pensamentos e ações. (CACHOEIRA; FIAMONCINI, 2018).
sobre algo e ser também responsável por esse conhecimento. Da mesma forma, o
conhecimento - inclusive o de si mesmo - passa pelo corpo, pois é ele que está
envolvido no processo de compreender, de recordar e de se individuar. “O corpo traz
as marcas de sua história; sonhamos com corpos, projetamos em corpos, os
arquétipos manifestam-se como corpos”. (Olivier, 1995, p.71).
Merleau-Ponty (1985 apud SOUZA, 1992) afirma ainda que a consciência é
percepção e a percepção é consciência. Portanto, o homem quando consciente é
aquele que cresce através da percepção gradual de si mesmo e de si em relação aos
outros e ao mundo.
Para Miller e Neves (2013) a expressão consciência corporal enfatiza a
compreensão de que na arte se vivencia e reconhece o corpo que está incluído nos
processos da memória, onde os movimentos acionam e são acionados pelos sentidos
e a consciência está presente no movimento corporal. Ao mesmo tempo, a atenção e
a observação presentes no movimento, reforçam a intenção de ampliar a percepção
dos mecanismos corporais envolvidos neste movimento.
Filho (1988 apud SOUZA, 1992) apresenta a consciência corporal do ser
humano como a compreensão a respeito dos signos tatuados em seu corpo, pelos
aspectos socioculturais de determinados movimentos históricos. Dessa forma, o
homem consciente sabe que o seu corpo expressa o discurso e a realidade de sua
época, e compreender seu significado e seus aspectos determinantes são condições
para que ele possa participar ativamente da construção de seu tempo.
Souza (1992) cita ainda que para ela, levando em consideração a unidade
corpo-mente, a consciência corporal é o reconhecimento do próprio corpo e daquilo
que se passa nele de forma intencional e crítica. Ter consciência corporal é
“reconhecer em determinada postura, como os ombros voltados para frente fechando
o peito, além da realidade anatômica ali presente, as emoções que ali escondem-se
e os motivos de ter assumido esta postura”. (SOUZA, 1992, p.56). Essa consciência
pode trazer ou não a disposição para a mudança no reconhecimento dos próprios
limites, e acrescenta ainda que considera a consciência corporal como parte
importante do autoconhecimento e um caminho para alcançá-lo.
Ainda de acordo com essa visão, Shusterman (2012 apud GRAVINA, 2015)
aponta que o reconhecimento dos hábitos corporais é também o reconhecimento dos
sentimentos de dominação e opressão que os geraram. Reconhecer e interferir
nesses hábitos, portanto, é uma via para ultrapassar e ressignificar tais sentimentos,
12
movimentos corporais sem implicar uma vigilância seca e superegoica com o objetivo
da perfeição. A consciência do corpo, dessa forma, deve-se ao relaxamento da
atenção exterior que se aplica a certo órgão como a um objeto, tornando-se uma
consciência obscura e confusa. A consciência do corpo, portanto:
“Abrir-se ao corpo não faz deste um objeto. Foi por isso que quisemos
distinguir a consciência do corpo da simples consciência de uma dor ou de
um afeto corporal. Como dissemos, abrir-se ao corpo significa deixarmo-nos
impregnar pelos movimentos do corpo. O que provoca, evidentemente, um
“abaixamento do limiar da consciência”, uma consciência “crepuscular”, bem
como outros traços psicológicos que aqui nos interessam pouco”. (GIL, 2013,
p. 133)
Gil (2013) chama atenção também para a relação entre o corpo e o mundo ao
dizer que a consciência do corpo não acaba no corpo, mas mergulhando no corpo a
consciência se abre ao mundo, uma adesão imediata como contato e contágio dessas
forças do mundo. Este mundo é o das forças e das pequenas percepções. Nesse
14
sentido, é essa força de contágio que religa a consciência ao mundo que vai permitir
a arte.
O autor afirma então, considerando todos esses aspectos, que a consciência
é um sistema de energia, e explica o estado de presença ou estado de dança como
um momento em que se está consciente de tudo num grau muito superior ao de uma
consciência normal. (GIL, 2013).
No entanto, essa consciência do corpo na dança não é algo necessariamente
fácil de se atingir em um primeiro momento. Daí a importância em entender a
necessidade de um trabalho corporal com o objetivo de facilitar esse processo e, por
consequência, o processo de aprendizado da dança em si.
Imbassaí (2003) aborda essa questão de forma muito clara ao informar que a
dessensibilização – perda gradual da capacidade de sentir ou ter sensações – é um
fenômeno que atinge de forma recorrente os indivíduos nas sociedades
contemporâneas urbanas. O Brasil chegou ao século XXI inserido num contexto
socioeconômico que privilegia o mercado e o capital em detrimento do projeto
humano. O brasileiro é considerado um elo a mais numa cultura que prioriza a rapidez,
produção e o mercado, submetido sempre à competição exacerbada e trazendo como
consequência a fadiga e o estresse. O ser humano, dessa forma, especialmente no
contexto urbano, desconhece suas sensações mais profundas e passa a funcionar na
superfície automática e mecanicamente. Despe-se assim aos poucos, da alegria de
viver, comprometendo sua estrutura emocional e abrindo mão de uma existência
profunda, saudável e equilibrada.
Miller (2007) relata também, ao descrever o início desse processo em seus
alunos, que geralmente se observa uma ausência corporal, ou seja, um
distanciamento do próprio corpo, falta de atenção e contato, autoimagem distorcida e
receio no próprio movimento. É comum também queixas de má postura, cristalização
de padrões posturais e dores.
Esse desequilíbrio produz desordens posturais e dores com consequências
indesejáveis sobre o corpo e o psiquismo, especialmente sobre a respiração, devido
à contração de músculos responsáveis por esta, predispondo ao estresse e formando
couraças musculares. (IMBASSAÍ, 2003).
Vianna (2005, p. 77) ressalta ainda:
15
que relatem sua origem à um passado milenar distante ligado a rituais religiosos
femininos relacionados à fertilidade e celebrações de sacerdotisas de deusas antigas,
como a Isis no Egito Antigo, às deusas da Suméria Inanna ou Ishtar, e até mesmo ao
período Paleolítico. (XAVIER, 2006).
Essa dificuldade em precisar sua origem abre espaço para uma série de mitos
e informações conflituosas, por vezes bastante problemáticas. Nesse sentido,
Assunção (2018) diz que essas afirmações são comumente baseadas em um estudo
realizado por Wendy Buonaventura na década de 1980 em que a autora se utiliza de
evidencias iconográficas em tumbas e templos do Egito Antigo e da interpretação
europeia destes murais. No entanto, pesquisadores como Anthony Shay e Barbara
Sellers-Young alegam que, a partir de tais imagens, não é possível identificar ou
especificar movimentos de nenhuma forma de dança, e afirmam ainda que
reconstruções históricas precisas da Dança do Ventre não são possíveis. (SHAY;
SELLERS-YOUNG, 2005 apud ASSUNÇÃO, 2018).
Assunção (2018, p.113 e 114) ressalta que
Estas exposições que ocorreram nos países que emergiam como potências
imperiais, tiveram papel importante na exportação da dança do ventre para o resto do
mundo, consolidando inclusive sua imagem como uma dança feminina e erótica, com
origem no “mundo oriental” de forma essencializada. (ASSUNÇÃO, 2018).
Haynes-Clark (2010) chama atenção também para o fato de que quando
essas danças começaram a ser apresentadas nas feiras, elas possivelmente já teriam
sido influenciadas ou transformadas a partir do olhar colonizador europeu e pelo
próprio discurso orientalista desse período, sendo interpretadas como símbolos
nostálgicos de um passado imaginário e evidenciando a superioridade cultural do
Ocidente.
Em relação ao termo “orientalista” e “orientalismo”, cabe fazer uma breve
explicação sobre esse conceito. Assunção (2018) explica que a noção de Orientalismo
é apresentada pelo influente crítico literário Edward Said em 1978 pela sua obra
Orientalismo: O Oriente como Invenção do Ocidente. Neste livro Said caracteriza o
Orientalismo como um discurso que serviu de instrumento aos europeus para
“manejar – e até mesmo produzir – o Oriente política, sociológica, militar, ideológica,
científica e imaginativamente durante o período do pós Iluminismo”. (SAID, 2013, p.
29 apud ASSUNÇÃO, 2018, p.52).
A historiadora explica ainda que o padrão de Oriente no imaginário ocidental
seria praticamente:
então, uma postura mais altiva e com linhas de braços mais abertas para as
apresentações. A sua preocupação maior era desenvolver e “melhorar” aquele estilo
de dança ao invés de tentar recriar uma dança tradicional do Oriente Médio.
(KHASTAGIR, 2012).
Na entrevista que deu à Kajira Djoumahna, Masha afirma que entendia que
as mulheres americanas (estadunidenses) tinham a liberdade e os recursos para
dedicar atenção ao estudo da dança como qualquer outra forma de arte e, por isso,
teriam tempo suficiente para apresenta-la de uma forma mais polida. (DJOUMAHNA,
2012). Embora essa afirmação seja bastante problemática e polêmica, é possível
observar que essa visão de fato permeava o desenvolvimento do trabalho de Masha,
principalmente se forem levadas em consideração as modificações que ela realizou.
Dessa forma, Masha desenvolveu sua própria interpretação da dança do
ventre, em parte como uma forma de tirar a dança dos ambientes de cabaré,
restaurantes e boates, pois eram praticamente o único local que as dançarinas podiam
se apresentar naquele período, e os quais ela considerava não adequados para o
potencial da dança. Masha preferia os eventos culturais, teatros ou espaços onde o
público estivesse procurando manifestações artísticas, pois entendiam que seriam
mais merecedores desta forma de arte. (DJOUMAHNA, 2012).
Ela não tinha experiência com coreografias em grupo e, em função disso,
estimulava que seu grupo improvisasse nas apresentações, mas sem ter um método
muito organizado para tal. A improvisação em grupo acontecia no momento da dança
e geralmente a dançarina que estava à frente liderava as demais. (DJOUMAHNA,
2012).
A artista teve também importantes contribuições no que se refere aos
figurinos. A sua intenção era valorizar a dança e a dançarina, mas evitar que sua
imagem fosse sexualizada, algo comum naquele período. Por isso, ela substituiu as
saias com grandes fendas por calças pantalonas, e os boustiês por cholis, uma bonita
peça do vestuário indiano que cobre um pouco mais a mulher, mas mantém seu
abdômen a mostra e permite movimentos amplos dos braços. Masha também
introduziu uma peça nova no vestuário, os turbantes. Os turbantes cobriam os cabelos
das dançarinas, um elemento muito sensual e valorizado pelo público masculino, e ao
mesmo tempo permitiam que as dançarinas observassem os movimentos de suas
companheiras para poder seguir as improvisações do grupo. Ela não queria que suas
alunas fossem sexualizadas e desejava que as dançarinas transmitissem uma
24
imagem altiva, de poder. A estética proposta por Masha, dessa forma, seja nas
mudanças das linhas corporais nos movimentos da dança, seja nos figurinos, era
empoderar a dançarina. (KHASTAGIR, 2001).
Rall (1998) cita ainda que Masha era ciente de que estava tomando extrema
liberdade em relação às raízes culturais dessa dança, mas ela entendia que essa
forma de dança era tão especial e merecedora de respeito que não importava o que
ela fizesse, pois seria algo muito bonito, e essa preocupação com a beleza e
valorização da dança era um legado importante para suas alunas.
Além desses aspectos, a artista teve uma contribuição importantíssima para
o estilo com sua visão feminista de como as dançarinas deveriam se comportar
enquanto grupo. De acordo com Shay (2008 apud HAYNES-CLARK, 2010), o
interesse de milhares de mulheres americanas com a dança do ventre coincidiu com
a segunda onda do movimento feminista da década de 1970. Para essa autora, muitas
americanas viam na dança do ventre uma expressão alternativa de poder feminino.
Esse fato fica muito evidente ao observar as atitudes de Masha e os ensinamentos
que ela transmitia para suas alunas.
Naquele período era muito comum que as dançarinas de dança do ventre se
apresentassem de forma solo, uma após a outra. Essas apresentações por vezes
traziam uma certa atmosfera de desafio e competição entre as apresentações. Para
Masha, essa era exatamente a situação não desejada. A artista defendia que as
dançarinas deviam se apresentar em grupo ou ”tribos”. Nos eventuais momentos de
dança solo, as demais dançarinas do grupo que não estivessem dançando, mas que
estivessem acompanhando o grupo em cena, deviam se manter com plena atenção
para quem estivesse solando, dando apoio e, ao mesmo tempo, direcionando a
atenção do público para a dançarina em destaque. Todas deveriam estar prestigiando
a companheira. O apoio das dançarinas para todas as integrantes do grupo deveria
ser incondicional. Masha entendia que a audiência precisava sentir que era
privilegiada em poder assistir a apresentação das dançarinas. (KHASTAGIR, 2001).
Essa filosofia certamente excluía qualquer clima de competição entre as
integrantes do grupo. Era uma atmosfera de apoio e suporte entre as mulheres.
(KHASTAGIR, 2001).
O legado de Masha, sua visão feminista e habilidade artística, impactaram e
influenciaram fortemente sua aluna mais nova Carolena Nericcio que futuramente
25
fundaria o American Trybal Style® Belly Dance - ATS® ou, como é chamado
atualmente, o Fat Chance Belly Dance® Style - FCBD®.
Segundo sua própria criadora, Carolena Nericcio, o ATS® é um elegante
sistema de improvisação em grupo que usa movimentos e formações específicas. O
que começou em São Francisco, na Califórnia, como uma simples aula de dança do
ventre no final dos anos 80, floresceu e se tornou um fenômeno mundial. (NERICCIO-
BOHLMAN, 2014).
Para criar o ATS® Carolena se inspirou em movimentos de danças de regiões
do Norte da África e Oriente Médio, além de elementos da Dança Indiana e do
Flamenco. Ela também pegou emprestado elementos dessas culturas para compor os
figurinos ou código de vestimenta do estilo, característica também marcante desse
formato, sendo descrita pela mesma como uma fusão americana de elementos de
diversos países, e fortemente influenciado pelo que funcionaria para as dançarinas e
para a audiência estadunidense (DJOUMANHNA, 2012).
O ATS® possui muitas características que marcaram e influenciaram
fortemente o Estilo Tribal de Dança do Ventre. Citar todas de forma detalhada não
será possível neste artigo, no entanto, é importante chamar a atenção para alguns
pontos relevantes.
O ATS® é considerado por muitas profissionais e pesquisadoras da dança
como um movimento de contracultura e alternativo na dança do ventre, mesclando
elementos contemporâneos e antigos com uma forte filosofia feminista e de
valorização das mulheres, especialmente enquanto grupo. Nesse estilo é comum a
presença de mulheres de todas as idades, sem um “padrão de corpo” preferencial.
Também é comum que suas praticantes sejam tatuadas, usem piercings e se
identifiquem como parte da comunidade LGBTQI (SELLERS-YOUNG, 2016). Os
figurinos, o estilo de dança e a atitude do grupo de Carolena, Fat Chance Belly Dance,
criado nos anos 80, eram contra a “norma” ou o padrão vigente do universo da dança
do ventre nos Estados Unidos. (KHASTAGIR, 2005).
Para Djoumahna (2012), esse formato pode ser compreendido como um estilo
de fusão étnica fortemente influenciado por danças do Oriente Médio, mas inspirado
pela sensibilidade artística das americanas. Não é, de forma alguma, a representação
de uma “tribo” em particular, porém se utiliza de vocabulários de movimentos e trajes
típicos regionais para formar uma apresentação coesa.
26
deve à unidade de uma trupe com base forte, onde cada dançarina é forte. A
linguagem do corpo dentro da construção do ritmo do grupo é hipnótica, resultando
em um sentimento de união, por isso o termo tribo.
Em um primeiro momento, muitos outros grupos de dança surgiram nesse
mesmo período. De forma geral eles se intitulavam também como American Tribal
Style, mas possuíam por vezes formatos diferentes. Posteriormente, Carolena
Nericcio registrou o nome American Tribal Style®, fazendo com que esses grupos
adotassem então o termo Improvisational Tribal Style – ITS. (SCHEELAR, 2012).
Scheelar (2012) descreve ainda que o sentimento que ecoava em muitas
dançarinas de Estilo Tribal, era que essa estilização da dança do ventre permitia para
as mulheres modernas um senso de comunidade em meio a vida urbana. Suas
praticantes compreendiam nesta cena de dança um ambiente em que poderiam
experienciar uma comunidade coesa, ao mesmo tempo em que mantinham sua
individualidade expressa em seus figurinos e adereços.
Para Burnam (2012), através de suas escolhas pessoais estéticas, ao priorizar
o grupo ao invés das performances solo, e ao adotar a forma improvisada de dança
que demandava uma grande atenção e foco das dançarinas nas suas companheiras
de grupo ao invés de atenção na audiência, Carolena fez com que a comunidade do
ATS® naquele período buscasse confrontar a imagem sexualizada que era
tradicionalmente atribuída à dança do ventre.
No entanto, cabe ressaltar que a autora chama a atenção para o fato de que
essas estratégias adotadas não se preocupavam em desafiar a estrutura orientalista
que acompanhava a dança do ventre e, em alguns casos, inclusive a reforçavam,
convidando a um olhar orientalista sob o ideal de uma sociedade feminina tribal
vagamente oriental que atende referências distantes e antigas. (BURNAM, 2012).
É importante observar que, embora, as informações aqui apresentadas deem
a impressão de que os acontecimentos aconteceram de forma linear e progressiva, a
partir de Jamila e Bal Anat, o Estilo Tribal passou a se popularizar aos poucos nos
Estados Unidos. Muitos grupos, muitas dançarinas e alguns poucos dançarinos faziam
parte desta cena de dança, porém é difícil precisar e identificar todos eles neste artigo.
28
Bellydance Superstars e o posterior grupo The Indigo com Rachel Brice –, e Ariellah
Aflalo – que trouxe um aspecto mais gótico para o estilo, contribuindo assim para o
surgimento de um outro gênero do Tribal também conhecido como Gothic Bellydance
–, entre outras importantes artistas.
A partir do Tribal Fusion, outros subgêneros surgiram, mas não serão
investigados neste artigo. A esse respeito, Sellers-Young (2016) comenta que fusion,
dark fusion, dança do ventre gótica ou raqs gothique e outras formas híbridas são
espaços de resistência às vezes impregnados de nostalgia em resposta à inclusão da
“tribo” do American Tribal Style®. Eles fornecem um exemplo do desenvolvimento
contínuo da dança do ventre na cultura popular. Como seus predecessores, eles
existem por causa da representação da dança do ventre como uma maneira de
improvisação que incentiva cada nova geração de dançarinas a explorar a sua
personificação nesta forma de dança.
Haynes-Clark (2010) traz uma reflexão importante a esse respeito ao apontar
que o gênero emergente Tribal Fusion evidenciou que a dança do ventre nos Estados
Unidos (algo que ela defende como tradição inventada) tem menos a ver com o
Oriente do que com o diálogo contínuo das mulheres com a cultura ocidental e o valor
individual do eu feminino. Ela entende que a dança do ventre americana está
passando por uma revisão porque os papéis, necessidades e perspectivas de muitas
mulheres americanas estão mudando, e complementa informando que dançarinas
que estão explorando o novo mundo do Tribal Fusion estão se distanciando das
associações com a cultura do Oriente Médio, algo que outrora muitas profissionais
abraçavam inflexivelmente.
ser permitidas pelos padrões sociais, as praticantes se dão conta que através da
dança do ventre elas podem construir sua própria identidade fora dos limites
colocados nelas pela sociedade, expandir os limites de si mesmas e transgredir as
fronteiras sociais. Além disso, ao treinar essa técnica compartilham um entendimento
cinestésico que as permite experienciar novas possibilidades de movimento corporal.
(BURNAM, 2012).
A autora apresenta ainda o que considera como aspectos técnicos
importantes que diferenciam o Estilo Tribal em relação à dança do ventre mais
tradicional. No Estilo Tribal, especialmente ATS® e ITS, existe uma constante
reafirmação dos movimentos enraizados ao chão, pois os movimentos básicos
possuem uma sensação de aterramento e o core é movido espacialmente e mais
comumente de forma vertical, mantendo uma forte sustentação pelas pernas e pés.
Os joelhos relaxados fazem com que o quadril tenha liberdade para se mover. Ela cita
ainda os braços elevados e uma sensação de isometria e sustentação neste estilo. Já
a dança do ventre mais “tradicional” possui mais movimentos elevados em meia ponta
e muitas vezes com aspecto mais leve no mover. (BURNAM, 2012).
Burnam (2012) diferencia também o subgênero Tribal Fusion da dança do
ventre ao afirmar que, além de manter as qualidades citadas acima, ela observa que
a qualidade de movimento do Tribal Fusion coloca mais ênfase no isolamento de torso
e quadril, e emprega maior esforço muscular nos movimentos de braços em relação
a dança do ventre.
O comportamento típico de uma dançarina de Tribal Fusion não tem uma
assinatura de comportamento corporal que enfatize a conexão de todas as partes,
mas ao contrário uma postura corporal relativamente contida que segmenta o corpo
em partes isoladas e independentes. No Tribal Fusion, busca-se a habilidade do corpo
de se desconectar em partes incomuns e movê-las independentemente de outras
partes. E reforça dizendo que um fator que contribui para essa qualidade de
movimento é o uso de músicas eletrônicas que usualmente são em padrão 4/4 de
tempo, com bateria e camadas de ritmos. (BURNAM, 2012). Algo que certamente
contribuiu para que o Tribal Fusion ficasse tão popular nos Estados Unidos e em
muitos outros países, inclusive na América Latina e no Brasil.
Nesse sentido, a autora apresenta minuciosamente exemplos da técnica de
movimentos de vibração, isolamento, ondulação, transferência de energia,
simultaneidade, dissociação e camadas, e de interpretação musical. Descrevendo
31
dessa forma como é necessário ativar partes específicas de certas musculaturas para
acessar determinados movimentos, como também contrair e relaxar grupos
musculares específicos. Cita ainda que através do treino do Estilo Tribal de Dança do
Ventre, as dançarinas desenvolvem uma conexão hiperconsciente de partes do corpo
intencionalmente, ficando intimamente familiarizadas com grupos musculares que
permitem o movimento isolado, encorajando as praticantes a experienciar o corpo em
uma forma única e diferente da estimulada na vida diária. (BURNAM, 2012).
Dessa forma, para Burnam, o treino no Estilo Tribal de Dança do Ventre
convida as dançarinas ao autoconhecimento e à uma maior consciência corporal, pois
as permite acessar uma maior amplitude de movimento e conscientização das
minúcias musculares em partes do corpo que normalmente se mantém imóveis,
encorajando as praticantes a perceber a conexão de todas as partes e os caminhos
de energia que os conectam. (BURNAM, 2012).
Outro aspecto interessante que Burnam (2012) aponta é a dinâmica da
improvisação coordenada presente no ATS® e no ITS, assim como em outros
formatos do Estilo Tribal. Praticantes desses formatos geralmente concordam que
esse aspecto da dança é um exercício de presença, pois a dançarina precisa estar
atenta à técnica dos movimentos, aos corpos e espaço ao redor dela, à estrutura
musical, aos limites e possibilidades de sua posição e às senhas da líder ao mesmo
tempo, ou seja, precisam estar atentas com a audiência, mas igualmente com a visão
periférica ao redor dela. Dessa forma, sua mente e corpo necessitam estar totalmente
engajados no momento presente para conseguir organizar e responder aos estímulos
e informações, à medida que se desenrolam ao longo da dança. É um grande
exercício de atenção a si, aos outros e ao mundo ao seu redor.
Da mesma forma, a autora afirma que performar dentro dessas estruturas de
improvisação coordenadas encoraja as pessoas a desenvolver uma habilidade
importante que se aplica à vida fora das aulas de dança: saber quando liderar e
quando seguir. (BURNAM, 2012).
Por fim, Burnam (2012) sugere que a prática dos movimentos por si só e a
comunidade que cerca a dança do ventre permitem as pessoas praticantes dessa arte
a conhecerem os seus corpos e a si mesmas de formas diferentes, sendo portanto,
um caminho possível para a transformação pessoal.
32
3. CONCLUSÃO
O Estilo Tribal de Dança do Ventre é um estilo de dança relativamente recente
que começou a se desenvolver nos Estados Unidos da América desde a década de
1960, a partir da visão artística de algumas dançarinas profissionais, e ganhou
popularidade e disseminação com o passar dos anos.
Por surgir em um contexto determinado, mais especificamente sendo
considerado como um movimento de contracultura e fortemente influenciado pelo
movimento feminista de segunda onda, além de se apresentar como uma estilização
da já conhecida dança do ventre, o Estilo Tribal parece atender bem às necessidades
das mulheres contemporâneas, fato que pode explicar sua rápida popularidade em
diversos países, no Brasil e em outros países da América Latina.
Considerando os conceitos abordados neste artigo como o de Consciência
Corporal e Consciência do Corpo, e considerando ainda as características apontadas
por diversas pesquisadoras e dançarinas desse estilo de dança aqui apresentado,
sugere-se que o Estilo Tribal de Dança do Ventre pode se apresentar como um
caminho possível para potencializar a consciência corporal das dançarinas que o
praticam, embora só tenha sido possível encontrar uma referência bibliográfica que
apresentasse explicitamente essa relação do Estilo Tribal com a consciência corporal.
Cabe, no entanto, ressaltar que em concordância com autores como Muller,
Souza, Vianna e Imbassaí, a didática na sala de aula de dança é fator crucial para
facilitar esse processo. Mesmo que tecnicamente o estilo e seus movimentos possam
beneficiar as praticantes, o aprendizado da técnica se fará mais fácil uma vez que o
corpo seja trabalhado para desconstruir os padrões rígidos impostos pela rotina diária.
Esse trabalho pode ser realizado, conforme citado por Muller, através do despertar
dos sentidos e de demais ferramentas sensibilizadoras do corpo. Uma vez que se
busque essa didática mais sensível de despertar corporal, sugere-se que o Estilo
Tribal poderá potencializar fortemente essa consciência corporal e consciência do
corpo ao promover um olhar atento para si mesmo, para o outro e para o mundo que
a cerca.
Enfatiza-se ainda certa dificuldade em encontrar material bibliográfico que
relacione as práticas da dança do ventre e do Estilo Tribal de Dança do Ventre à
potencialização do ganho da consciência corporal. O campo de estudo referente a
esse assunto e temas correlacionados, portanto, não se encerra com esse estudo, ele
se inicia apresentando uma série de questões a serem investigadas.
33
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAGÃO, Lailah Garbero de; FORTES, Ronaldo Vielmi. Corpo útil: Um debate acerca
das repercussões capitalistas sobre os corpos humanos. Vazantes - Revista do
Programa de Pós-graduação em Artes. 2018; v. 2, n. 2:139-155.
BEJÁRT, Maurice. Prefácio. In: GARAUDY, Roger. Dançar a Vida. 2° Edição. Rio de
Janeiro: Editora Nova Fronteira; 1973.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. 27° Edição. Petrópolis: Editora Vozes; 1987.
GIL; José. Movimento Total: O Corpo e a Dança. São Paulo: Iluminuras; 2013.
HAYNES-CLARK, Jennifer Lynn. American Belly Dance and the Invention of the
New Exotic: Orientalism, Feminism, and Popular Culture. Portland; 2010
[Dissertação de Mestrado - Portland State University].
KHASTAGIR, Nadia. Tatoos. In: NERICCIO, Carolena. Tribal Talk. San Francisco:
Fat Chance Belly Dance; 2005.
_________. Grandmother of Tribal Style. In: NERICCIO, Carolena. Tribal Talk. San
Francisco: Fat Chance Belly Dance; 2005.
34
RALL, Rina. The Lineage of American Tribal Style. In: NERICCIO, Carolena. Tribal
Talk. San Francisco: Fat Chance Belly Dance; 2005.
XAVIER, Cínthia Nepomuceno. 5, 6, 7, 8... Do Oito ao Infinito: por uma dança sem
ventre, performática, híbrida, impertinente. Brasília; 2006 [Dissertação de
Mestrado - Universidade de Brasília].