UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
Faculdade de Gestão de Recursos Florestais e Faunísticos
Licenciatura em Contabilidade e Auditoria, 2º ano, 2º semestre Cadeira:
Contabilidade Financeira IV
Trabalho do Grupo nº 4
Tema: Dissolução e Liquidação de Empresas
Discentes:
Festivaldo G. Aldino
Isabel Joaquim Florindo
Palisto Amade
Docente:
Msc. Jacinto Jemusse
Lichinga, Agosto de 2022
Índice
I. Introdução.................................................................................................................................1
1.1. Objectivos..........................................................................................................................1
1.1.1. Objectivo Geral..........................................................................................................1
1.1.2. Objectivos específicos................................................................................................1
II. Dissolução e Liquidação de Empresas.....................................................................................2
2.1. Dissolução..........................................................................................................................2
2.1.1. Causa da dissolução....................................................................................................2
2.1.2. Obrigações da administração da sociedade dissolvida...............................................3
3.1. Liquidação.........................................................................................................................4
3.1.1. Personalidade jurídica da sociedade em liquidação...................................................5
3.1.2. Liquidatários...............................................................................................................5
3.1.3. Prazo de liquidação extra-judicial..............................................................................6
3.1.4. Registo e extinção da sociedade.................................................................................6
III. Conclusão..............................................................................................................................7
IV. Referencias bibliográficas.....................................................................................................8
1.1. Introdução
O presente trabalho da cadeira de contabilidade financeira IV, tem como tema Dissolução e
Liquidado de Empresas. A empresa ao longo do seu curso, pode perder a sua personalidade
jurídica, isto deve-se a vários motivos. E por mais que tenhamos como princípio da contabilidade
a continuidade da empresa, ou seja, a não previsão de extinção, por vezes nos deparamos em
situações não nos resta mais opções se não a sua extinção (seu fim), quer isso seja por clausulas
dos contratos da sociedade, por casos previstos pela lei ou ainda por deliberação dos seus
proprietários.
No que tange a estrutura do trabalho, em primeira mão, apresentamos o conceito de dissolução,
com base alguns autores, as seguir as causas que levam uma sociedade a dissolução. E mais
adiante trazemos o conceito de liquidação e respectivos requisitos.
2.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo Geral
Este trabalho tem como objectivo geral, compreender o processo de dissolução e liquidação de
Empresas.
1.1.2. Objectivos específicos
Conceitualizar e distinguir Dissolução de Liquidação
Conhecer e identificar as causas da dissolução; e
compreender os fenómenos que levam as sociedades a extinção;
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3.1. Dissolução e Liquidação de Empresas
4.1. Dissolução
A dissolução de uma sociedade é um registo efetuado pela empresa com efeito a entrada em
liquidação da empresa, ou seja, dando inicio a extinção das suas atividades. Como indica
Cardoso (2001), “da mesma maneira que a constituição da sociedade dá origem ao nacimento
duma nova pessoa jurídica, que não se confunde ao dos associados, assim também a dissolução
da sociedade ocasiona a sua extinção” (p.202).
Segundo Almeida (1999), “dissolução é uma modificação da situação jurídica da sociedade que
se caracteriza pela sua entrada em liquidação; trata-se de uma modificação e não de extinção,
porque a sociedade conserva a sua personalidade jurídica até o registo de enceramento da
liquidação” (p.347).
Para Cordeiro (2004), “a dissolução da sociedade equivale à cessação do respectivo contrato e ao
termo das relações entre os sócios” (p.299).
Por sua vez Ventura (1997), ao definir a dissolução:
A dissolução é uma modificação da relação jurídica constituída pelo contrato de sociedade, que
consiste na entrada em liquidação. Trata-se de uma modificação da situação jurídica da sociedade
que conserva a sua personalidade jurídica até ao registo de encerramento da liquidação (p.67).
Portanto, a dissolução é a entrada ao fim de uma dada sociedade e não implica exatamente o seu
fim, porem, empresa só entrara em extinção, ou seja, perde sua personalidade jurídica apos
efetuar a liquidação.
2.1.1. Causa da dissolução
Com base no nº 1 do artigo 229º do Código Comercial, diz que, as sociedades dissolvem-se nos
casos previstos na lei, no contrato de sociedade e ainda nos casos seguintes:
a) por deliberação dos sócios;
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b) pela suspensão da actividade por período superior a três anos;
c) pelo decurso do prazo de duração;
d) pelo não exercício de qualquer actividade por período superior a doze meses
consecutivos, não estando a sua actividade suspensa nos termos deste Código;
e) por decisão da autoridade competente quando a sua constituição dependa da autoridade
governamental para funcionar.
f) pela extinção do seu objecto;
g) pela ilicitude ou impossibilidade superveniente do seu objecto se, no prazo de quarenta e
cinco dias, não for deliberada a alteração do objecto;
h) por se verificar, pelas contas do exercício, que a situação líquida da sociedade é inferior à
metade do valor do capital social;
i) pela falência;
j) pela fusão com outras sociedades;
k) pela sentença judicial que determine a dissolução
Almeida (1999), “A dissolução resulta da verificação de uma causa de dissolução, mas, nem
todas causas de dissolução operam da mesma forma: há causas de dissolução mediatas e causa de
dissolução facultativas” (347).
Sendo que, a dissolução imediata é aquela ocorre independentemente da vontade específica dos
sócios, ou seja, resultam de condições necessárias e suficiente para a dissolução da sociedade, porem
requerem uma certa verificação antecipada.
Quando a dissoluções facultativas, são aquelas que ocorre se os sócios nada fizerem durante um certo
período de tempo, se actuarem à margem do objecto social ou se a sociedade se depararem em
situações de incumprimento de certas obrigações. Geralmente as causas de dissolução facultativas
cabem aos sócios, credores sociais e o Ministério Publico.
2.1.2. Obrigações da administração da sociedade dissolvida
De acordo com o artigo 232 do Código Comercial, estabelece o seguinte:
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1. Dissolvida a sociedade, os administradores devem submeter à aprovação dos sócios, no prazo
de sessenta dias, o inventário, o balanço e a conta de lucros e perdas referidas à data do registo da
dissolução.
2. Aprovadas as contas pelos sócios, os administradores que não sejam liquidatários devem
entregar a estes todos os documentos, livros, papéis, registos, dinheiro ou bens da sociedade.
3. Os administradores devem fornecer também toda a informação e esclarecimentos sobre a vida
e situação da sociedade que sejam solicitados pelos liquidatários.
Portanto, apos tomarem conhecimento da dissolução da sociedade, aos administradores, confere o
dever de submeter o pedido de aprovação dos sócios num prazo de dois (2) meses a devida
informação contabilística, contida no inventario e noutras demostrações financeiras.
5.1. Liquidação
De acordo com Almeida (1999), “A liquidação é a situação em que se encontram a sociedade em
consequência da dissolução e tem por finalidade a patinha do activo remanescente apos a
liquidação do passivo” (p.351).
Conforme Cordeiro (2004), dissolvida a sociedade, passa-se à liquidação do seu património.
Pode-se apresentar a liquidação como um conjunto de operações que visem:
Proceder ao exato levantamento de todos os direitos e obrigações incluídos em
determinado património;
Solucionar os problemas pendentes que deixe pairar duvidas sobre posições que envolvam
o património;
Cumprir todas as obrigações pendentes, de modo a apurar os saldos; e
Transformar o saldo em causa expresso em valor financeiro, essencialmente divisível.
No processo de liquidação a empresa deve em primeiro lugar, pagar todas as suas dividas com
seus credores bem como seus devedores, ou seja, é um processo no qual a empresa terá que
honrar os seus compromissos perante os seus credores (Fornecedores, bancos, clientes, pessoal,
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entre outos). E fazer a cobrança dos seus direitos (adiantamento a fornecedores, Clientes, e outos
devedores). Após este processo, a empresa terá de repartir os activos remanescentes entre os
proprietários e participantes do capital. E por fim efetuar o registo do seu enceramento.
Como afirma Ventura (1997), A liquidação é um processo que visa pagar as obrigações contraídas
pela empresa com os credores corporativos e posteriormente distribuir o patrimônio remanescente
entre os acionistas.
Com base no artigo 242 do Código Comercial, o activo, líquido dos encargos da liquidação e das
dívidas de natureza fiscal, é partilhado entre os seus sócios nos termos fixados no contrato de
sociedade ou, no silêncio deste, é repartido pelos sócios na proporção das suas participações
sociais.
3.1.1. Personalidade jurídica da sociedade em liquidação
Segundo o nº 1 do artigo 234º do Código comercial, aponta que, A sociedade em liquidação
continua a ter personalidade jurídica, sendo-lhe aplicáveis os preceitos por que até à dissolução se
regia, salvo disposição expressa em contrário.
Desta forma, a sociedade poderá continuar exercendo suas actividades sociais até que seja
encerada a sua liquidação, isso implica que, ela pode realizar empréstimos para efeitos da
liquidação e conclusão de novos negócios. Quanto aos trabalhadores deverão ser mantidos os
mesmos existentes desde a dada da dissolução, excepto os administradores que passarão a ser os
liquidatários (Almeida,1999).
3.1.2. Liquidatários
De acordo com Cunha (2016), após a dissolução da sociedade ela subsiste tanto o órgão da
assembleia geral como o órgão de fiscalização”. Ou seja, mesmo que dissolvida, a sociedade, os
órgãos de fiscalização e assembleia geral continuam existindo.
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Com base nos Artigos 238 e 239, do código Comercial, ao apontar sobre os liquidatários e suas
funções, estabelece que, os liquidatários são o órgão de administração e representação da sociedade
em liquidação. Sua função é semelhante à dos administradores, a quem substituem. Nesse caso:
1. Os liquidatários têm, em geral, os deveres, os poderes e a responsabilidade dos
administradores da sociedade.
2. Os liquidatários só podem iniciar operações no âmbito do objecto da sociedade e contrair
empréstimos, mediante prévia deliberação dos sócios.
Portanto, A liquidação, e da responsabilidade dos administradores. Quando o contrato confie aos
sócios e nomeação de liquidatário.
3.1.3. Prazo de liquidação extra-judicial
O artigo 236 do Código Comercial, estabelece que, a liquidação extra-judicial não pode durar
mais de três anos desde a data do registo da dissolução até ao registo do encerramento da
liquidação.
3.1.4. Registo e extinção da sociedade
Com forme o Artigo 243 do código comercial, e extinção da sociedade deve considerar o
seguinte:
a) A deliberação de encerramento da liquidação deve ser registada pelos liquidatários no
prazo de quinze dias.
b) O registo deve ser acompanhado pelos documentos seguintes:
c) relatório completo sobre a liquidação;
d) proposta de partilha do activo.
e) A sociedade considera-se extinta na data do registo do encerramento da liquidação.
Neste caso, cabe aos liquidatários requerer o registo do encerramento da liquidação. A sociedade
considera-se extinta, mesmo entre os sócios só depois de efectuado esse registo. Encerrada a
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liquidação e extinta a sociedade, os antigos sócios respondem pelo passivo social não satisfeito
ou acautelado, até ao montante que receberam na partilha (Almeida, 1999).
6.1. Conclusão
Em gesto de conclusão, tendo em conta o que foi abordado neste trabalho, a dissolução é a o é a
“modificação da relação jurídica constituída pelo contrato de sociedade”, consistente na entrada
da fase de liquidação da sociedade. E como modificação, significa ela é um efeito e não um fato
jurídico. Modificação e não extinção. A sociedade, como relação e como pessoa coletiva, não se
extingue quando se dissolve. Portanto, pode-se dizer que a dissolução é o primeiro acto da
sociedade comercial enquanto pessoa colectiva com personalidade jurídica. E sua extinção só
ocorre após o final do processo de liquidação que consiste na cobrança de todas as dividas e o
pagamento de dividas da sociedade, ou seja, a liquidação terá por objectivo concluir as operações
sociais pendentes, cobrar o que é devido à empresa e pagar o que deve vender os móveis da
empresa e praticar a distribuição de bens ou bens sociais entre os sócios.
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7.1. Referencias bibliográficas
Almeida, A. P (1999). Sociedades comerciais. (2ª. Ed.). Coimbra, Portugal: Coimbra Editora
Cardoso, J. P. (2001). Comprido de Noções do Direito Comercial. Coimbra, Portugal: Atlântida
Editora S.A. R. L.
Cordeiro, A. M. (2004). Manual de Direito das Sociedades. Lisboa, Portugal: Livraria Almeida
Ventura, R. (1997). Sociedades Comerciais: Dissolução e Liquidação. Porto, Portugal: Edições
Ática.
Legislação
Decreto-Lei nº 2/2005 que aprova o Código Comercial.