Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Ensino à Distância
Por quê e para quê Filosofia?
Izequel Rui Querene Canevete
Código: 708215916
Licenciatura em Ensino de Desenho
Ano de Frequencia: 1º Ano
Turma Única
Disciplina: Introdução a Filosofia
Docente:
Beira, Agosto de 2022
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Classificação
Categorias Indicadores Padrões Pontuação Nota do
Subtotal
máxima tutor
Capa 0.5
Índice 0.5
Aspectos Introdução 0.5
Estrutura
organizacionais Discussão 0.5
Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Descrição dos
Introdução 1.0
objectivos
Metodologia
adequada ao objecto 2.0
do trabalho
Articulação e
domínio do discurso
académico
Conteúdo 2.0
(expressão escrita
cuidada, coerência /
coesão textual)
Análise e
Revisão bibliográfica
discussão
nacional e
internacionais 2.
relevantes na área de
estudo
Exploração dos
2.0
dados
Contributos teóricos
Conclusão 2.0
práticos
Paginação, tipo e
tamanho de letra,
Aspectos
Formatação paragrafo, 1.0
gerais
espaçamento entre
linhas
Normas APA 6ª
Rigor e coerência das
Referências edição em
citações/referências 4.0
Bibliográficas citações e
bibliográficas
bibliografia
Folha para recomendações de melhoria: A ser preenchida pelo tutor
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Indice
1. Introdução.................................................................................................................................6
1.2. Objectivos.............................................................................................................................7
1.2.1. Objectivo geral..................................................................................................................7
1.2.2. Objectivos específicos.......................................................................................................7
1.3. Metodologia de pesquisa......................................................................................................8
1.3.1. Pesquisa bibliográfica.......................................................................................................8
2. Por quê e para quê Filosofia?...................................................................................................9
2.1. Conceito da filosofia.............................................................................................................9
2.2. O que é filosofia?..................................................................................................................9
2.3. Funções da Filosofia...........................................................................................................10
2.4. Multidisciplinaridade..........................................................................................................11
2.4.1. Psicologia experimental..................................................................................................11
2.4.2. Lógica..............................................................................................................................12
2.4.3. Ética................................................................................................................................13
2.4.4. Estética............................................................................................................................16
2.5. Origem e suas etapas de evolução......................................................................................18
2.5.1. Origem do termo “filosofia”...........................................................................................18
Os pré-socráticos....................................................................................................................19
Os sofistas...............................................................................................................................20
Os socráticos...........................................................................................................................21
2.6. Etapas da Filosofia Grega Clássica.....................................................................................22
3. Conclusão...............................................................................................................................24
4. Referências Bibliograficas.....................................................................................................25
1. Introdução
O presente trabalho da cadeira de Intridução a Filosofia, tem como tema “Por quê e para quê
Filosofia?”
A Filosofia é uma disciplina que está presente em todos os tempos e lugares. Desde a
antiguidade foi considerada a mãe de todas as ciências, pois ela busca a verdade na sua
totalidade.
A filosofia percorre uma longa trajetória, desde o seu surgimento, na Antiguidade grega, até a
atualidade, transformando-se ao longo do tempo. No percurso histórico da atividade filosófica,
modificam-se os seus temas, desenvolvem-se diferentes teorias e mudam as suas relações com
outras formas de conhecimento.
A filosofia surgiu nas cidades gregas como uma construção cultural que, desde então, exerce
ampla e profunda influência na história do pensamento e das sociedades humanas.
1.2. Objectivos
LIBANEO (2002:104) afirma que “objectivo, é um fim a ser alcançado, alvo a ser alcançado”.
Por conseguinte, de acordo com a citação que apresentamos acima, o nosso trabalho apresenta
dois objectivos, sendo um geral e outros de caracteres específicos.
1.2.1. Objectivo geral.
Analisar os fundamentos basicos da filosofia.
1.2.2. Objectivos específicos.
Conceituar a filosofia;
Descrever as funções da filosofia;
Descrever a origem da filosofia e suas etapas.
.
1.3. Metodologia de pesquisa
Para a efectivação deste trabalho usou-se o método Analítico que consistiu no uso de técnica de
pesquisa bibliográfica.
1.3.1. Pesquisa bibliográfica
Segundo (LAKATOS 1991:98) abrange toda literatura já tornada publica em relação ao tema em
estudo.
A pesquisa bibliográfica consistiu basicamente na recolha de informações em manuais, livros e
artigos publicados que abordam sobre os conteudos pesquisados.
2. Por quê e para quê Filosofia?
2.1. Conceito da filosofia
O termo “filosofia” é composto de dois termos gregos: phílos, que significa amigo de, amante
de, afeiçoado a, que gosta de, que tem gosto em, que se compraz em, que busca com afã, que
anseia, etc., e sophía, que significa sabedoria, saber, ciência, conhecimento, etc. Assim pois,
etimologicamente, o termo filosofia significa: amor à sabedoria, gosto pelo saber.
Filósofo é aquele que ama o saber, tem gosto pela sabedoria, conhecimento e busca
incansavelmente os conhecimentos de forma radical, profunda e total.
2.2. O que é filosofia?
Segundo a tradição, o criador do termo filosofia foi Pitágoras, o que, embora não sendo
historicamente seguro, no entanto é verossimível. O termo certamente foi cunhado por um
espírito religioso, que pressupunha só ser possível aos deuses uma sofia (sabedoria), ou seja,
uma posse certa e total do verdadeiro, uma contínua aproximação ao verdadeiro, um amor ao
saber nunca saciado totalmente, de onde, justamente, o nome, filosofia, ou seja, “amor pela
sabedoria”.
O Homem é naturalmente filósofo, isto é, “amigo da sabedoria”. Ávido de saber, não se contenta
em viver o momento presente e aceitar passivamente as informações fornecidas pela experiência
imediata, como acontece com os animais. Em seu olhar interrogativo quer conhecer o porquê das
coisas, sobretudo o porquê da própria vida.
Mas enquanto o Homem comum, o Homem da rua, formula essas interrogações e enfrenta estes
problemas de maneira descontínua, sem método e sem ordem, há pessoas que dedicam a essa
pesquisa todo o seu tempo e todas as suas energias, e propõem-se a obter uma solução
concludente para todos os ingentes problemas que espicaçam a mente humana, através de uma
análise aprofundada e sistemática. Estas pessoas recebem a designação de “filósofos”.
Mas, então o que é a filosofia? A filosofia é um conhecimento, um saber e, como tal, em sua
esfera de particular competência na qual, busca adquirir informações válidas, precisas e
ordenadas.
No decorrer da história da filosofia, foi assumindo várias definições, de acordo com o filósofo e
o tempo em que se encontrasse. Assim, Aristóteles (384-322 a.C) define filosofia como sendo a
disciplina que estuda “as causas últimas de todas as coisas”; Cícero (106-46 a.C) define a
filosofia como sendo “o estudo das causas humanas e divinas das coisas”; Descartes (1596-
1650) afirma que filosofia “ensina a bem raciocinar”; Hegel (1770-1831) concebe a filosofia
como “saber absoluto”. Whitehead (1861-1947) julga que a tarefa da filosofia é “fornecer uma
explicação orgânica do universo”.
2.3. Funções da Filosofia
Assim como se questiona sobre a utilidade de qualquer disciplina como a Geografia, História,
Matemática, Física, Biologia, etc., é comum ouvir a pergunta: “Qual a função da filosofia?” Em
geral esta pergunta costuma receber uma resposta irônica, conhecida dos estudantes de filosofia:
“a Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”. Ou seja, a
filosofia não serve para nada. Por isso se costuma chamar de “filósofo” alguém sempre
distraído, com a cabeça no mundo da lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e, que
são perfeitamente inúteis. Mas esta pergunta continua sendo feita porque em nossa cultura e
sociedade habituamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver alguma
finalidade prática, muito visível e de utilidade imediata.
Para dar alguma utilidade à Filosofia, muitos consideram, que de facto, a filosofia não serviria
para nada, se “servir”, fosse entendido como a possibilidade de fazer usos técnicos dos produtos
filosóficos ou dar-lhes utilidade econômica, obtendo lucros com eles; consideram também que a
filosofia nada teria a ver com a ciência e a técnica.
Para quem pensa dessa forma, o principal para a Filosofia não seriam os conhecimentos (que
ficam por conta da ciência), nem as aplicações de teorias (que ficam por conta da tecnologia),
mas o ensinamento moral e ético. A Filosofia seria a arte de bem-viver. Estudando as paixões e
os vícios humanos, a liberdade e a vontade, analisando a capacidade de nossa razão para impor
limites aos nossos desejos e paixões, ensinando-nos a viver de modo honesto e justo na
companhia dos outros seres humanos e na virtude, que é o princípio de bem-viver.
A necessidade da filosofia está no facto de que, por meio da reflexão, a Filosofia permite ao
Homem ter mais de uma dimensão, além da que é dada pelo agir imediato, no qual o Homem
“prático” se encontra mergulhado. É a Filosofia que dá o distanciamento para avaliação dos
fundamentos dos actos humanos e dos fins a que eles se destinam; reúne o pensamento
fragmentado da ciência e a reconstrói na sua unidade; retoma a acção pulverizada no tempo e
procura compreendê-la.
Portanto, a filosofia é a possibilidade da transcendência humana, ou seja, a capacidade que só o
Homem tem de superar a situação dada e não escolhida. Pela transcendência o ser humano surge
como ser de projecto, capaz de liberdade e de construir o seu destino.
O distanciamento é justamente o que provoca a aproximação maior do Homem com a vida. A
filosofia recupera o processo perdido no imobilismo das coisas feitas e impede a estagnação. Por
isso, o filosofar sempre se confronta com o poder, e sua investigação não fica alheia à ética e à
política. A filosofia é crítica da ideologia, enquanto forma ilusória de conhecimento que visa a
manutenção de privilégios.
Karl Jaspers diz-nos que a Filosofia ensina, pelo menos, a não nos deixarmos iludir. Não permite
que se descarte facto algum e nenhuma possibilidade. Ensina a enfrentar de frente a catástrofe
possível. Em meio à serenidade do mundo, ela faz surgir a inquietude, mas proíbe a atitude tola
de considerar inevitável a catástrofe. Com efeito, só ela tem o poder de alterar nossa forma de
pensamento.
Finalmente, a filosofia exige coragem. Filosofar não é um exercício puramente intelectual.
Descobrir a verdade é ter a coragem de enfrentar as formas estagnadas de poder que tentam
manter o status quo, é aceitar o desafio da mudança. Lembremo-nos que Sócrates foi aquele que
enfrentou o dasafio máximo da morte.
2.4. Multidisciplinaridade
2.4.1. Psicologia experimental
O objecto da psicologia experimental é o comportamento observável, a fim de testar modelos e
teorias matemáticas sobre diversos aspectos do mesmo: prestar atenção, perceber, recordar,
aprender, decidir, reagir emocionalmente e interagir. Os testes às teorias e modelos são
experimentais, isto é, implicam a manipulação de variáveis ditas independentes e o registo
rigoroso e a medição precisa do que acontece às variáveis dependentes. Por exemplo, manipular
a intensidade da luz e registar e medir a velocidade de reacção de pressionar uma determinada
tecla face a um estímulo sonoro. As observações que ocorrem nesses estudos experimentais
permitem a formulação de leis, tal como em física ou química. Porém, o rigor do conhecimento
científico em psicologia experimental implica um rigoroso controlo das potenciais variáveis
parasitas ou confundentes. Por exemplo, se se quiser saber em que medida manipular a
intensidade da luz influencia a velocidade de reacção de pressionar uma determinada tecla face a
um estímulo sonoro, terá de se controlar rigorosamente qualquer variação sonora no ambiente em
que ocorre a experiência. Caso contrário não saberemos se as variações na velocidade de reacção
são devidas às mudanças produzidas na intensidade luminosa ou às mudanças aleatórias da
intensidade sonora.
Na psicologia experimental os conceitos são rigorosamente definidos, sendo as definições do
tipo operacional. Do mesmo modo, os termos (ou nomes) usados para designar os conceitos são
universais. Não é admitida a ambiguidade que ocorre com muita frequência em outras áreas da
psicologia. A maioria dos estudos experimentais em psicologia ocorre em ambiente laboratorial,
apesar de também poderem ser feitas experiências em ambiente natural, como pretexto para
testar modelos desenvolvidos e testados em laboratório ou para gerar ideias que serão testadas
nas condições de rigor draconiano dos laboratórios. Em psicologia social é frequente efectuarem-
se testes "experimentais" em ambiente natural (tido "apanhados" realizados pelas cadeias de
televisão) que geram hipóteses a testar posteriormente em laboratório.
A psicologia experimental pode recorrer tanto a sujeitos humanos como a outros animais,
admitindo como paradigma de referência a teoria evolucionista das espécies.
2.4.2. Lógica
A lógica (do grego clássico logos, que significa palavra, pensamento, idéia, argumento, relato,
razão lógica ou princípio lógico), é uma ciência de índole matemática e fortemente ligada à
Filosofia. Já que o pensamento é a manifestação do conhecimento, e que o conhecimento busca a
verdade, é preciso estabelecer algumas regras para que essa meta possa ser atingida. Assim, a
lógica é o ramo da filosofia que cuida das regras do bem pensar, ou do pensar correcto, sendo,
portanto, um instrumento do pensar.
A aprendizagem da lógica não constitui um fim em si. Ela só tem sentido enquanto meio de
garantir que nosso pensamento proceda correctamente a fim de chegar a conhecimentos
verdadeiros. Podemos, então, dizer que a lógica trata dos argumentos, isto é, das conclusões a
que chegamos através da apresentação de evidências que a sustentam. O principal organizador da
lógica clássica foi Aristóteles, com sua obra chamada Organon. Ele divide a lógica em formal e
material.
Um sistema lógico é um conjunto de axiomas e regras de inferência que visam representar
formalmente o raciocínio válido. Diferentes sistemas de lógica formal foram construídos ao
longo do tempo quer no âmbito escrito da Lógica Teórica, quer em aplicações práticas na
computação e em Inteligência artificial.
Tradicionalmente, lógica é também a designação para o estudo de sistemas prescritivos de
raciocínio, ou seja, sistemas que definem como se "deveria" realmente pensar para não errar,
usando a razão, dedutivamente e indutivamente. A forma como as pessoas realmente raciocinam
é estudado nas outras áreas, como na psicologia cognitiva.
Como ciência, a lógica define a estrutura de declaração e argumento para elaborar fórmulas
através das quais estes podem ser codificados. Implícita no estudo da lógica está a compreensão
do que gera um bom argumento e de quais argumentos são falaciosos.
A lógica filosófica lida com descrições formais da linguagem natural. A maior parte dos
filósofos assumem que a maior parte do raciocínio "normal" pode ser capturada pela lógica,
desde que se seja capaz de encontrar o método certo para traduzir a linguagem corrente para essa
lógica.
2.4.3. Ética
A palavra Ética é originada do grego ethos, (modo de ser, carácter) através do latim mos (ou no
plural mores,costumes, de onde se derivou a palavra moral). Em Filosofia, Ética significa o que é
bom para o indivíduo e para a sociedade, e seu estudo contribui para estabelecer a natureza de
deveres no relacionamento indivíduo - sociedade.
Ética, pode ser definida como a disciplina filosófica que busca reflectir sobre os sistemas morais
elaborados pelos homens, buscando compreender a fundamentação das normas e interdições
próprias e cada sistema moral.
Define-se Moral como um conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que
norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. Moral e ética não devem ser
confundidos: enquanto a moral é normativa, a ética é teórica, e buscando explicar e justificar os
costumes de uma determinada sociedade, bem como fornecer subsídios para a solução de seus
dilemas mais comuns. Porém, deve-se deixar claro que etimologicamente "ética" e "moral" são
expressões sinónimas, sendo a primeira de origem grega, enquanto a segunda é sua tradução para
o latim; a moral é o conjunto que orientam o comportamento humano tendo como base os
valores próprios a uma dada comunidade.
Como as comunidades humanas são distintas entre si, tanto no espaço quanto no tempo, os
valores podem ser distintos de uma comunidade para outra, o que origina códigos morais
diferentes.
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha
como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser
compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer
qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a
questões abrangidas no escopo da ética.
Modernamente, a maioria das profissões têm o seu próprio código de ética profissional, que é
um conjunto de normas de cumprimento obrigatório, derivadas da ética, frequentemente
incorporados à lei pública. Nesses casos, os princípios éticos passam a ter força de lei; note-se
que, mesmo nos casos em que esses códigos não estão incorporados à lei, seu estudo tem alta
probabilidade de exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se discutam fatos
relativos à conduta profissional. Ademais, o seu não cumprimento pode resultar em sanções
executadas pela sociedade profissional, como censura pública e suspensão temporária ou
definitiva do direito de exercer a profissão.
Tanto “ethos” (carácter) como “mos” (costume) indicam um tipo de comportamento
propriamente humano que não é natural, o Homem não nasce com ele como se fosse um instinto,
mas que é “adquirido ou conquistado por hábito”. Portanto, ética e moral, pela própria
etimologia, diz respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente a partir
das relações colectivas dos seres humanos nas sociedades onde nascem e vivem.
Como doutrina Filosófica, a Ética é essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu
método analítico, jamais será normativa, característica esta, exclusiva do seu objecto de estudo, a
Moral. Portanto, a Ética mostra o que era moralmente aceito na Grécia Antiga possibilitando
uma comparação com o que é moralmente aceito hoje na Europa, por exemplo, indicando através
da comparação, mudanças no comportamento humano e nas regras sociais e suas consequências,
podendo daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos. Além de tudo, ser Ético é fazer algo que
te beneficie e, no mínimo, não prejudique o outro.
Eugênio Bucci, em seu livro Sobre Ética e Imprensa, descreve a ética como um saber escolher
entre "o bem" e "o bem" (ou entre "o mal" e o mal"), levando em conta o interesse da maioria da
sociedade. Ao contrário da moral, que delimita o que é bom e o que é ruim no comportamento
dos indivíduos para uma convivência civilizada, a ética é o indicativo do que é mais justo ou
menos injusto diante de possíveis escolhas que afectam terceiros.
A ética pode ser interpretada como um termo genérico que designa aquilo que é
frequentemente descrito como a "ciência da moralidade", seu significado derivado do
grego, quer dizer 'Casa da Alma', isto é, susceptível de qualificação do ponto de vista do
bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto.
Em Filosofia, o comportamento ético é aquele que é considerado bom, e, sobre a bondade, os
antigos diziam que: o que é bom para a leoa, não pode ser bom à gazela. E, o que é bom à
gazela, fatalmente não será bom à leoa. Este é um dilema ético típico.
Portanto, de investigação filosófica, e devidas subjectividades típicas em si, ao lado da metafísica
e da lógica, não pode ser descrita de forma simplista. Desta forma, o objectivo de uma teoria da
ética é determinar o que é bom, tanto para o indivíduo como para a sociedade como um todo. Os
filósofos antigos adoptaram diversas posições na definição do que é bom, sobre como lidar com
as prioridades em conflito dos indivíduos versus o todo, sobre a universalidade dos princípios
éticos versus a "ética de situação". Nesta, o que está certo depende das circunstâncias e não de
uma qualquer lei geral. E sobre se a bondade é determinada pelos resultados da acção ou pelos
meios pelos quais os resultados são alcançados.
O Homem vive em sociedade, convive com outros Homens e, portanto, cabe-lhe pensar e
responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta
fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Moral e da
Ética. Enfim, a ética é julgamento do carácter moral de uma determinada pessoa. Como Doutrina
Filosófica, a Ética é essencialmente especulativa e, a não ser quanto ao seu método analítico,
jamais será normativa, característica esta, exclusiva do seu objecto de estudo, a Moral.
Portanto, a Ética mostra o que era moralmente aceito na Grécia Antiga possibilitando uma
comparação com o que é moralmente aceito hoje na Europa, por exemplo, indicando através da
comparação, mudanças no comportamento humano e nas regras sociais e suas consequências,
podendo daí, detectar problemas e/ou indicar caminhos.
A ética tem sido aplicada na economia, política e ciência política, conduzindo a muitos distintos
e não-relacionados campos de ética aplicada, incluindo: ética nos negócios e Marxismo.
Também tem sido aplicada à estrutura da família, à sexualidade, e como a sociedade vê o papel
dos indivíduos, conduzindo a campos da ética muito distintos e não-relacionados, como o
feminismo e a guerra, por exemplo.
A visão descritiva da ética é moderna e, de muitas maneiras, mais empírica sob a filosofia Grega
clássica, especialmente Aristóteles.
Inicialmente, é necessário definir uma sentença ética, também conhecido como uma afirmativa
normativa. Trata-se de um juízo positivo ou negativo (em termos morais) de alguma coisa.
2.4.4. Estética
Estética (do grego aisthésis: percepção, sensação) é um ramo da filosofia que tem por objecto o
estudo da natureza do belo e dos fundamentos da arte. Ela estuda o julgamento e a percepção do
que é considerado belo, a produção das emoções pelos fenómenos estéticos, bem como as
diferentes formas de arte e do trabalho artístico; a ideia de obra de arte e de criação; a relação
entre matérias e formas nas artes. Por outro lado, a estética também pode ocupar-se da privação
da beleza, ou seja, o que pode ser considerado feio, ou até mesmo ridículo.
A estética adquiriu autonomia como ciência, destacando-se da metafísica, lógica e da ética, com
a publicação da obra Aesthetica do educador e filósofo alemão Alexander Gottlieb Baumgarten,
em dois volumes (1750-1758). Baumgarten traz uma nova abordagem ao estudo da obra de arte,
considerando que os artistas deliberadamente alteram a Natureza, adicionando elementos de
sentimento a realidade percebida.
Processo criativo está espelhado na própria actividade artística. Compreendendo então, de outra
forma, o prévio entendimento grego clássico que entendia a arte principalmente como mimesis
da realidade.
Na antiguidade - especialmente com Platão, Aristóteles e Plotino - a estética era estudada
fundida com a lógica e a ética. O belo, o bom e o verdadeiro formavam uma unidade com a obra.
A essência do belo seria alcançado identificando-o com o bom, tendo em conta os valores
morais. Na Idade Média surgiu a intenção de estudar a estética independente de outros ramos
filosóficos.
No âmbito do Belo, dois aspectos fundamentais podem ser particularmente destacados:
a estética iniciou-se como teoria que se tornava ciência normativa às custas da lógica e da
moral - os valores humanos fundamentais: o verdadeiro, o bom, o belo. Centrava em
certo tipo de julgamento de valor que enunciaria as normas gerais do belo;
a estética assumiu características também de uma metafísica do belo, que se esforçava
para desvendar a fonte original de todas as belezas sensíveis: reflexo do inteligível na
matéria (Platão), manifestação sensível da ideia (Hegel), o belo natural e o belo arbitrário
(humano), etc.
Mas este carácter metafísico e consequentemente dogmático da estética transformou-se
posteriormente em uma filosofia da arte, onde se procura descobrir as regras da arte na
própria acção criadora (Poética) e em sua recepção, sob o risco de impor construções a priori
sobre o que é o belo. Neste caso, a filosofia da arte se tornou uma reflexão sobre os
procedimentos técnicos elaborados pelo homem, e sobre as condições sociais que fazem um
certo tipo de acção ser considerada artística.
Para além da obra já referida de Baumgarten - infelizmente não editada em português - são
importantes as obras Hípias Maior, O Banquete e Fedro, de Platão, a Poética, de Aristóteles, a
Crítica da Faculdade do Juízo, de Kant e Cursos de Estética de Hegel.
Embora os pensadores tenham ponderado a beleza e a arte por milhares de anos, o assunto da
estética não foi totalmente separado da disciplina filosófica até o século XVIII.
Os filósofos gregos começaram a pensar sobre a estética através de objetos bonitos e decorativos
produzidos em sua cultura. Platão entendeu que estes objetos incorporavam uma proporção,
harmonia, e união, tentando entender estes critérios. Semelhantemente, na "metafísica",
Aristóteles achou que os elementos universais de beleza eram a ordem, a simetria, e a definição.
A denominação central para estética é:
Ciência do belo nas produções naturais e artísticas e filosofia do belo na arte, designação
aplicada a partir do século XVIII, por Baumgarten, à ciência filosófica que compreendeu o
estudo das obras de arte e o conhecimento dos aspectos da realidade sensorial classificáveis em
termos de belo ou feio.
2.5. Origem e suas etapas de evolução
2.5.1. Origem do termo “filosofia”
O termo filosofia nasceu no “círculo socrático”, quer dizer, no círculo de Sócrates e dos
discípulos dele, ou talvez antes ainda no “círculo pitagórico”, quer dizer, no círculo de Pitágoras
e dos seus discípulos.
Eram chamados de “filósofos” os homens que buscavam a “sabedoria suprema”, quer dizer, “a
sabedoria última e radical da vida e das coisas”, ou seja, o saber que busca a dimensão última e
radical da vida e das coisas.
Os pré-socráticos
Refere-se à filosofia anterior a Sócrates e marca o primeiro estágio da filosofia ocidental.
Os filósofos pré-socráticos foram os primeiros a buscar o conhecimento para satisfazer
sua curiosidade em relação aos processos naturais e não para obter vantagens práticas ou
por motivos religiosos.
A filosofia começou a engatinhar no século 7 a.C., na Jônia, na costa asiática do Mar
Egeu, oposta à Grécia. Os sábios jônicos estavam impressionados com as constantes
mudanças que observavam – a passagem de uma estação para outra, a transição da vida
para a morte. Achavam que algo devia ser permanente, resistente a mudanças.
Os primeiros filósofos preocupavam-se principalmente com a descoberta da natureza
dessa permanência subjacente. Estes filósofos tinham opiniões diversas, mas todos
acreditavam que essa imutabilidade era material. Tales, o primeiro filósofo jônico
conhecido, considerava que a água era imutável; Heráclito, o fogo; Anaxímenes, o ar. A
importância que estes filósofos tiveram para a evolução do pensamento humano repousa
no fato de que eles foram os primeiros a questionar a natureza básica das coisas e a
acreditar que a imutabilidade tinha uma unidade ou uma ordem que podia ser conhecida
pela mente humana.
Os seguidores do matemático Pitágoras distinguiam entre o mundo da mudança e o
mundo do número. Descobriram o princípio da harmonia musical e acreditavam que este
princípio podia ser explicado em termos numéricos. A partir daí, decidiram que todas as
coisas eram suscetíveis a números e que eles podiam conferir ordem e harmonia a todo o
mundo. E a harmonia no corpo humano é a sua alma.
Parmênides diferenciava-se dos outros filósofos pré-socráticos por acreditar que a
mudança é uma ilusão. Para ele, a única realidade era o que é, e não o que muda ou
apenas aparenta. Assim, Parmênides introduziu a distinção importante entre razão e
sentidos, entre verdade e aparência.
Os últimos filósofos pré-socráticos tentaram responder aos argumentos lógicos de
Parmênides contra a mudança. Empédocles abandonou a noção inicial de que existe
apenas uma substância. Afirmava que tudo resultava de uma mistura de quatro elementos
– terra, água, fogo e ar – colocados em movimento pelas forças do amor e da
discórdia. Anaxágoras manteve a ideia de vários tipos de ‘coisas’, mas introduziu o
princípio da mente como o elemento organizador. Assim, abandonou a ênfase nas forças
materiais e físicas.
Os pré-socráticos preocupavam-se principalmente com a natureza do cosmo e seus
objetos, e por isso essa fase da história da filosofia é também conhecida como período
cosmológico. Seus filósofos examinaram o problema do uno e do múltiplo, mas
fracassaram na tentativa de resolver o problema. Apesar disso, deixaram contribuições
importantes ao pensamento posterior pela introdução de várias distinções e conceitos
novos. Estes foram retomados mais tarde por Platão e Aristóteles em suas tentativas de
resolver o mesmo problema.
Os sofistas
No século V a.C. o movimento cultural grego concentrava-se em Atenas. As
circunstâncias históricas levaram a uma nova atitude intelectual, conhecida como
sofística. O eixo da filosofia, até então cosmológico, voltou-se para questões éticas e
políticas.
Os Sofistas eram professores que iam de cidade em cidade, em troca de pagamento,
ensinando os alunos a vencer os debates pela força da persuasão. Saía de cena a busca do
conhecimento para entrar em cena a arte da linguagem bem-estruturada e do
convencimento pelo discurso. O convencimento era fundamental nos rumos de uma
cidade que, organizada democraticamente, tinha seus interesses debatidos em praça
pública.
Os sofistas, mestres da retórica, contribuíram para os estudos de gramática,
desenvolvendo teorias do discurso e de conhecimento da língua grega.
Os socráticos
O ateniense Sócrates (470-399 aC), personagem fundamental na história da filosofia,
concede especial importância ao exercício da dúvida para a conquista do conhecimento.
Sócrates é contemporâneo dos sofistas. Entre eles, há alguns pontos em comum. Ambos
protagonizam uma significativa mudança temática na filosofia. Se até então, com os pré-
socráticos, a reflexão filosófica priorizava a investigação sobre a formação do cosmos e
sobre os fenômenos da natureza – a physis – agora ela projeta o ser humano para o centro
de suas preocupações.
Inspirados pela reflexão sobre o conhecimento de Sócrates, os filósofos Platão e
Aristóteles desenvolvem complexos sistemas metafísicos para explicar o conjunto da
realidade.
Platão (427-347 a.C.) é autor de um complexo sistema filosófico que percorre temas
muito variados, como a ética, a ontologia, a linguagem, a antropologia filosófica e o
conhecimento. Seus textos continuam ainda hoje sendo referência indicada para os
estudos de Filosofia. Resumidamente, podemos declarar que, para Platão, o
conhecimento exige a ultrapassagem do plano dos sentidos para o plano das ideias, algo
que os seres humanos conquistam quando conseguem estabelecer o predomínio da
racionalidade em suas almas.
Filósofo, educador e cientista, Aristóteles (384-322 a.C.) foi também o mais erudito e
sábio dos filósofos gregos clássicos ou antigos. Familiarizou-se com todo o
desenvolvimento do pensamento grego anterior a ele. É autor de grande número de
tratados de lógica, política, história natural e física. Sua obra é a fonte do Tomismo e da
Escolástica. Ele e seu professor Platão são considerados os dois mais importantes
filósofos gregos da Antiguidade.
Para Aristóteles, a Filosofia, vista como a maneira pela qual todas as coisas podem ser
conhecidas, não deveria tratar apenas de assuntos específicos. Por isso preocupou-se em
apresentar os mais diversos tipos de saberes e conhecimentos produzidos pelos gregos.
Este filósofo também se dedicou à diferenciação de sete formas de conhecimento, a
saber: a sensação, a percepção, a imaginação, a memória, a linguagem, o raciocínio e a
intuição.
2.6. Etapas da Filosofia Grega Clássica
No decorrer dos séculos, a Filosofia teve um conjunto de preocupações, perguntas e interesses
que lhe vieram de nascimento na Grécia. Para isso, devemos primeiro conhecer os principais
períodos da Filosofia grega que definiram os campos de investigação filosófica na Antiguidade.
A história da Grécia costuma ser dividida pelos historiadores em quatro fases ou épocas:
a) a da Grécia Homérica, correspondente aos 400 anos narrados pelo poeta Homero, em seus
dois grandes poemas, Ilíada e Odisséia;
b) a da Grécia arcaica ou dos sete sábios, do século VII ao século V a. C, quando os gregos
criam cidades como Atenas, Esparta, Tebas, Mégara, Samos, etc., e predomina a economia
urbana, baseada no artesanato e no comércio;
c) a da Grécia clássica, nos séculos V e IV a. C, quando a democracia se desenvolve, a vida
intelectual e artística no apogeu e Atenas domina a Grécia com seu império comercial e
militar;
d) a helenística, a partir do final do século IV a. C., quando a Grécia passa para o poderio do
império de Alexandre da Macedônia e, depois, para as mãos do Império Romano,
terminando a história de existência independente.
Os períodos da filosofia não correspondem exactamente a essas épocas, já que ela não existe na
Grécia Homérica, e só aparece nos meados da Grécia arcaíca. O apogeu da Filosofia acontece
durante o apogeu da cultura e da sociedade gregas; portanto, durante a Grécia clássica. Os quatro
grandes perodos da Filosofia grega, nos quais seu conteúdo muda e se enriquece são:
Período pré-socrático ou cosmológico, do final do século VII ao final do século V a. C.,
quando a Filosofia se ocupa fundamentalmente com a origem do mundo e as causas das
transformações na Natureza.
Período socrático ou antropológico, do final do século V e todo o século IV a. C., quando a
Filosofia investiga as questões humanas, isto é, a ética, a política e as técnicas ( em grego,
antropos quer dizer homem; por isso o período recebeu o nome de antropológico).
Período sistemático, do final do século IV ao final do século III . C., quando a Filosofia busca
reunir e sistematizar tudo quanto foi pensado sobre a cosmologia e a antropologia, interessando-
se sobretudo em mostrar que tudo pode ser objecto de conhecimento filosófico, desde que as leis
do pensamento e de suas demonstrações estejam firmemente estabelecidas para oferecer os
critérios da verdade e da Ciência.
Período helenístico ou greco-romano, do final do século III a. C. até o século VI depois de
Cristo. Nesse longo período, que já alcança Roma e o pensamento dos Padres da Igreja, a
Filosofia se ocupa sobretudo com as questões da ética, do conhecimento humano e das relações
entre o homem e a Natureza e de ambos com Deus.
3. Conclusão
Feito o trabalho, conclui-se que o termo “filosofia” é composto de dois termos gregos: phílos,
que significa amigo de, amante de, afeiçoado a, que gosta de, que tem gosto em, que se compraz
em, que busca com afã, que anseia, etc., e sophía, que significa sabedoria, saber, ciência,
conhecimento.
A necessidade da filosofia está no facto de que, por meio da reflexão, a Filosofia permite ao
Homem ter mais de uma dimensão, além da que é dada pelo agir imediato, no qual o Homem
“prático” se encontra mergulhado. É a Filosofia que dá o distanciamento para avaliação dos
fundamentos dos actos humanos e dos fins a que eles se destinam; reúne o pensamento
fragmentado da ciência e a reconstrói na sua unidade; retoma a acção pulverizada no tempo e
procura compreendê-la.
Portanto, a filosofia é a possibilidade da transcendência humana, ou seja, a capacidade que só o
Homem tem de superar a situação dada e não escolhida. Pela transcendência o ser humano surge
como ser de projecto, capaz de liberdade e de construir o seu destino.
A filosofia exige coragem. Filosofar não é um exercício puramente intelectual. Descobrir a
verdade é ter a coragem de enfrentar as formas estagnadas de poder que tentam manter o status
quo, é aceitar o desafio da mudança. Lembremo-nos que Sócrates foi aquele que enfrentou o
dasafio máximo da morte.
4. Referências Bibliograficas
CHAUI, M. Convite à filosofia. 8. ed. São Paulo: Ática, 1997. p. 180-181.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a
Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2004.