Tribunal Superior Eleitoral
PJe - Processo Judicial Eletrônico
21/09/2022
Número: 0601180-27.2022.6.00.0000
Classe: AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL
Órgão julgador colegiado: Colegiado do Tribunal Superior Eleitoral
Órgão julgador: Corregedor-Geral Eleitoral Ministro Benedito Gonçalves
Última distribuição : 20/09/2022
Valor da causa: R$ 0,00
Assuntos: Cargo - Presidente da República, Cargo - Vice-Presidente da República, Abuso - De
Poder Econômico, Abuso - De Poder Político/Autoridade
Segredo de justiça? NÃO
Justiça gratuita? NÃO
Pedido de liminar ou antecipação de tutela? SIM
Partes Procurador/Terceiro vinculado
PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA (PDT) - CAROLINA PELLEGRINO DA FONSECA (ADVOGADO)
NACIONAL (REPRESENTANTE) JUACY DOS SANTOS LOURA JUNIOR (ADVOGADO)
ANDRE GARCIA XEREZ SILVA (ADVOGADO)
MARA DE FATIMA HOFANS (ADVOGADO)
ANA CAROLINE ALVES LEITAO (ADVOGADO)
MARCOS RIBEIRO DE RIBEIRO (ADVOGADO)
EZIKELLY SILVA BARROS (ADVOGADO)
WALBER DE MOURA AGRA (ADVOGADO)
ALISSON EMMANUEL DE OLIVEIRA LUCENA (ADVOGADO)
CIRO FERREIRA GOMES (REPRESENTANTE) ANDRE GARCIA XEREZ SILVA (ADVOGADO)
MARA DE FATIMA HOFANS (ADVOGADO)
ANA CAROLINE ALVES LEITAO (ADVOGADO)
MARCOS RIBEIRO DE RIBEIRO (ADVOGADO)
EZIKELLY SILVA BARROS (ADVOGADO)
WALBER DE MOURA AGRA (ADVOGADO)
ALISSON EMMANUEL DE OLIVEIRA LUCENA (ADVOGADO)
JAIR MESSIAS BOLSONARO (REPRESENTADO)
WALTER SOUZA BRAGA NETTO (REPRESENTADO)
Procurador Geral Eleitoral (FISCAL DA LEI)
Documentos
Id. Data da Documento Tipo
Assinatura
15811 21/09/2022 21:07 Decisão Decisão
1681
TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL
Corregedoria-Geral da Justiça Eleitoral
AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL (11527) Nº 0601180-27.2022.6.00.0000
(PJe) - BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL
RELATOR: MINISTRO BENEDITO GONÇALVES
REPRESENTANTE: PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA (PDT) - NACIONAL
ADVOGADO: CAROLINA PELLEGRINO DA FONSECA - OAB/DF0064000
ADVOGADO: JUACY DOS SANTOS LOURA JUNIOR - OAB/RO656-A
ADVOGADO: ANDRE GARCIA XEREZ SILVA - OAB/CE25545-A
ADVOGADO: MARA DE FATIMA HOFANS - OAB/RJ68152-A
ADVOGADO: ANA CAROLINE ALVES LEITAO - OAB/PE49456-A
ADVOGADO: MARCOS RIBEIRO DE RIBEIRO - OAB/RJ6281800A
ADVOGADO: EZIKELLY SILVA BARROS - OAB/DF31903
ADVOGADO: WALBER DE MOURA AGRA - OAB/PE757-A
ADVOGADO: ALISSON EMMANUEL DE OLIVEIRA LUCENA - OAB/PE37719-A
REPRESENTANTE: CIRO FERREIRA GOMES
ADVOGADO: ANDRE GARCIA XEREZ SILVA - OAB/CE25545-A
ADVOGADO: MARA DE FATIMA HOFANS - OAB/RJ68152-A
ADVOGADO: ANA CAROLINE ALVES LEITAO - OAB/PE49456-A
ADVOGADO: MARCOS RIBEIRO DE RIBEIRO - OAB/RJ6281800A
ADVOGADO: EZIKELLY SILVA BARROS - OAB/DF31903
ADVOGADO: WALBER DE MOURA AGRA - OAB/PE757-A
ADVOGADO: ALISSON EMMANUEL DE OLIVEIRA LUCENA - OAB/PE37719-A
REPRESENTADO: JAIR MESSIAS BOLSONARO
REPRESENTADO: WALTER SOUZA BRAGA NETTO
AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL. ELEIÇÕES 2022. PRESIDENTE. ABUSO DE
PODER POLÍTICO E ECONÔMICO. DISCURSO PROFERIDO DA EMBAIXADA EM LONDRES.
ASSEMBLEIA GERAL DA ONU. REPRESENTAÇÃO INTERNACIONAL DO BRASIL. VIAGEM
OFICIAL. CUSTEIO COM RECURSOS PÚBLICOS. PROLAÇÃO DE DISCURSO COM VIÉS
ELEITORAL. RISCO DE USO NA PROPAGANDA ELEITORAL. QUEBRA DE ISONOMIA.
PLAUSIBILIDADE. URGÊNCIA. REQUERIMENTO LIMINAR DEFERIDO.
1. Trata-se de ação de investigação judicial eleitoral – AIJE destinada a apurar a ocorrência de
abuso de poder político e econômico, ilícitos supostamente perpetrados em decorrência do desvio
de finalidade eleitoral da representação do Brasil, a cargo do Presidente Jair Messias Bolsonaro,
nos eventos oficiais relacionados ao funeral da Rainha Elizabeth II (Londres, Inglaterra) e à 77ª
Assembleia Geral das Nações Unidas (Nova York, EUA).
2. A AIJE não se presta apenas à punição de condutas abusivas, quando já consumado o dano
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ao processo eleitoral. Assume também função preventiva, sendo cabível a concessão de tutela
inibitória para prevenir ou mitigar danos à legitimidade do pleito.
3. Nesse sentido, prevê o art. 22, I, b da LC nº 64/90 que, ao receber a petição inicial, cabe ao
Corregedor determinar “que se suspenda o ato que deu motivo à representação, quando for
relevante o fundamento e do ato impugnado puder resultar a ineficiência da medida, caso seja
julgada procedente”.
4. O exercício dessa competência deve se pautar pela mínima intervenção, atuando de forma
pontual para conter a propagação e amplificação de efeitos potencialmente danosos. A fim de que
essa finalidade preventiva possa ser atingida, a análise da gravidade, para a concessão da tutela
inibitória, orienta-se pela preservação do equilíbrio da disputa ainda em curso. Esse exame não
se confunde com aquele realizado no julgamento de mérito e não antecipa a conclusão final, que
deverá avaliar in concreto os efeitos das condutas praticadas, a fim de estabelecer se são graves
o suficiente para conduzir à cassação de registro ou diploma e à inelegibilidade.
5. No caso, os autores apontam risco iminente de que os discursos proferidos pelo primeiro
investigado na Embaixada de Londres (18/09/2022) e na abertura da 77ª Assembleia Geral das
Nações Unidas (20/09/2022), que teriam revelado conteúdo eleitoral, sejam indevidamente
explorados para produzir material de campanha em ocasiões somente acessíveis ao atual Chefe
de Estado, ferindo a isonomia entre as candidaturas à Presidência.
6. A matéria relativa ao discurso proferido da sacada da Embaixada brasileira em Londres já foi
examinada na decisão liminar em que se proibiu a utilização das imagens para fins de
propaganda, exarada na AIJE 0601154-29, cujos termos ratifico.
7. A petição inicial contém transcrição integral do discurso de Jair Bolsonaro na abertura da
Assembleia Geral das Nações Unidas, e se fez acompanhar do vídeo respectivo. A análise do
material evidencia que a opção do primeiro investigado foi por aproximar sua fala, como Chefe de
Estado, de temas reiteradamente repisados em sua campanha eleitoral.
8. O discurso, sob pretexto de propor uma reflexão à comunidade internacional, rapidamente é
direcionado para que cada governante avalie o que está acontecendo “no plano interno”, por ser o
que “dá a medida da autoridade com que agimos no plano internacional”. Nessa toada, menção
inicial a um suposto “divisor de águas” somente tem seu sentido evidenciado na sequência, em
que passam a ser abordadas, preponderantemente, realizações do atual governo de Jair
Bolsonaro.
9. A referência à disputa eleitoral é sugestionada pela narrativa de que um “Brasil do passado”,
cenário de “corrupção sistêmica” “onde a esquerda presidiu o Brasil” e no qual a Petrobras se
endividou “por má gestão”, foi superado. O Presidente chega a afirmar, em indireta
inequivocamente destinada a seu principal adversário no atual pleito, que “o responsável por isso
foi condenado em três instâncias por unanimidade”.
10. Ao longo da exposição, os temas versados são preponderantemente realizações de seu
governo, em leitura sempre elogiosa que tem como marco inicial o ano de 2019, em que se
iniciou seu mandato. Mesmo quando abordada a questão da paz mundial, a ênfase é ao
acolhimento a refugiados venezuelanos, que, nos dizeres do Chefe do Estado, fogem de um
cenário de violência e fome que conta “com apoio de dois ex-presidentes de esquerda do Brasil”.
11. A parte final é dedicada às “pautas dos costumes”, notório campo de disputa política no Brasil
que, no entanto, é anunciada pelo Chefe de Estado como consenso em torno da “defesa da
família, do direito à vida desde a concepção, à legítima defesa e ao repúdio à ideologia de
gênero”. Nesse ponto, atribui à atual Primeira-Dama ter dado “novo significado ao trabalho de
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voluntariado desde 2019”.
12. No encerramento, Jair Bolsonaro trata das comemorações do Bicentenário da Independência,
persistindo na associação entre a comemoração cívica e sua liderança pessoal, como único
elemento apto a motivar o comparecimento das pessoas à celebração. Em seus dizeres, “milhões
de brasileiros foram às ruas, convocados pelo seu presidente, trajando as cores da nossa
bandeira”. Conclui, repetindo bordão de sua campanha, que “foi a maior demonstração cívica da
história do nosso país, um povo que acredita em Deus, Pátria, família e liberdade”.
13. Não se encontra no âmbito da competência da Justiça Eleitoral orientar escolhas de temas
pelo Chefe de Estado em ocasião de tanta relevância para o país, como é a abertura da
Assembleia Geral das Nações Unidas. Tampouco cabe discorrer sobre a possível contraposição
de fatos aos dados apresentados. O campo própria para a análise política das escolhas de temas
e palavras utilizadas no citado discurso é a arena pública, espaço no qual elogios e críticas
poderão se contrapor, não havendo dúvidas de que a fala já se encontra sujeita aos escrutínio da
população brasileira e da comunidade internacional.
14. O que deve ser analisado nos presentes autos é, precisamente, o risco à isonomia entre os
candidatos em caso de utilização do discurso na propaganda eleitoral do candidato. Isso porque,
na hipótese, não estamos diante de um fato isolado, mas de um modus operandi evidenciado em
uma sucessão de episódios. Há um contexto em que se tem identificado, até o momento, um
esforço do candidato à reeleição em explorar em sua propaganda eleitoral situações propiciadas
por sua condição de Chefe de Estado.
15. Os elementos presentes nos autos são suficientes para concluir, em análise perfunctória, pelo
risco de dano, caso a fala perante a Assembleia Geral das Nações Unidas seja deslocada de
contexto. Ao adentrar a propaganda, o material, que reproduz motes reiteradamente repisados
pelo investigado na condição de candidato, é passível de incutir no eleitorado a falsa percepção
de que assiste a uma demonstração de apoio internacional à candidatura, quando, na verdade, o
investigado está representando o Brasil no exercício de prerrogativa reconhecida ao país desde o
ano de 1949.
16. Na hipótese, assentada a plausibilidade do direito, conclui-se também pela urgência da
concessão de medida destinada a evitar que a inserção do discurso no contexto eleitoral acarrete
impactos anti-isonômicos.
17. Tutela inibitória antecipada deferida, para determinar aos investigados que se abstenham de
utilizar em sua propaganda eleitoral, divulgada por qualquer meio, imagens captadas de forma
pública ou particular, que reproduzam o discurso proferido por Jair Messias Bolsonaro na 77ª
Assembleia Geral das Nações Unidas (Nova York, EUA), com adoção de imediatas providências,
sob pena de multa.
DECISÃO LIMINAR
Trata-se de ação de investigação judicial eleitoral, por suposta prática de abuso de poder político
e econômico, ajuizada pelo Diretório Nacional do Partido Democrático Trabalhista – PDT e por
Ciro Ferreira Gomes, candidato a Presidente da República, contra Jair Messias Bolsonaro,
candidato à reeleição para o cargo de Presidente da República, e Walter Souza Braga Neto,
candidato a Vice-Presidente da República.
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A ação tem como causa de pedir fática o suposto desvio de finalidade de viagens realizadas pelo
primeiro investigado, na condição de Chefe de Estado, para comparecer à cerimônia do funeral
da rainha Elizabeth II (19/09/2022) e para participar da Assembleia-Geral da ONU (20/09/2022),
com o objetivo de impulsionar sua candidatura à reeleição para o cargo de Presidente.
Narra a petição inicial, em síntese, que “não se faz necessário empreender grandes esforços para
vislumbrar que o Senhor Jair Messias Bolsonaro age com intenso desvio de finalidade nas suas
aparições como Presidente da República para posteriormente usufruir dos dividendos políticos e
eleitorais decorrentes das suas participações nos atos – em verdadeira quebra de igualdade de
oportunidades em relação aos demais candidatos ao cargo de Presidente da República nas
eleições 2022”.
Os autores destacam os seguintes aspectos:
a) no dia 18/09/2022, o primeiro investigado “aproveitou o momento da viagem
para discursar perante seu eleitorado na varanda da Embaixada Brasileira em
Londres” e “entoar nítido discurso de campanha eleitoral”;
b) a comitiva presidencial foi integrada por pessoas estranhas à Administração
Pública, como Silas Malafaia, Eduardo Bolsonaro Paulo Antônio de Araújo e
Fábio Wajngarten, que viajaram em avião da Força Aérea Brasileira, conforme
se comprova por fotos compartilhadas nas redes sociais das pessoas citadas;
c) “para além de ter utilizado de bens públicos na viagem a Londres,
especificamente recursos públicos, os servidores públicos à serviço, a
aeronave da FAB e o prédio da Embaixada Brasileira em Londres, o Senhor
Jair Messias Bolsonaro foi a um posto de gasolina para comparar o preço de
combustível com o do Brasil e verbalizar nas redes sociais que o preço
brasileiro é um dos mais baratos do mundo”;
d) ao proferir discurso na abertura da 77ª Sessão da Assembleia Geral das
Nações Unidas, “o primeiro Investigado aproveitou-se do momento para
introjetar no seu discurso as pautas de campanha que veicula no âmbito da
sua propaganda eleitoral”, como a redução do preço dos combustíveis, o
pagamento do Auxílio Brasil, a “suposta recuperação econômica do Brasil no
período pós-pandemia”, privatização de empresas estatais, fim da corrução e
implementação de políticas públicas para mulheres;
e) o pronunciamento “faz alusão a um Brasil do passado, em ordem a
demonstrar que seu governo foi um ‘divisor de águas’”, destaca as
comemorações do Bicentenário da Independência e entoa o slogan “Deus,
pátria, família e liberdade”, de sua campanha;
f) noticiou-se que o discurso foi revisado pela equipe de campanha do
candidato, em especial o presidente de seu partido, Valdemar Costa Neto, e
pelo marqueteiro Duda Lima, o que denota o objetivo de aproximar a fala dos
temas da campanha.
Afirmam estar configurada a tipicidade da conduta, tendo em vista que o atual Presidente da
República se “utiliza de todo aparato estatal para veicular conteúdo de natureza eleitoral em
ordem a promover acintes ao princípio da isonomia e, com isso, malferir a normalidade e a
higidez do pleito”.
Sustentam estarem demonstrados os requisitos para a concessão de medidas de urgência, com o
objetivo de impedir a utilização das imagens na propaganda dos investigados, uma vez que,
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considerado o contexto descrito nesta e em outras AIJEs, “o Senhor Jair Messias Bolsonaro
certamente irá utilizar as imagens e vídeos capturados por ocasião do seu comparecimento à 77ª
Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) para fins eleitorais, principalmente com a
intenção de demonstrar uma suposta aceitação na comunidade internacional e incutir no
imaginário dos eleitores que sua atuação guarda sintonia com a dos demais Chefes de Estado”.
Assim, requer, liminarmente:
“a) A concessão de medida liminar inaudita alter pars para determinar que
os Investigados se abstenham de utilizar em sua propaganda eleitoral e nas
redes sociais oficiais de campanha imagens captadas por qualquer meio,
tanto relativas ao discurso proferido pelo Senhor Jair Messias Bolsonaro da
sacada da Embaixada Brasileira em Londres, tanto no que tange ao
pronunciamento do Presidente da República na 77ª Sessão da Assembleia
Geral das Nações Unidas (ONU); sob pena de imputação de multa a ser
arbitrada por Vossa Excelência, dobrando-se a cada reincidência, nos
termos do art. 22, inciso I, b, da LC nº 64/90;”
Requerem o envio dos autos ao Ministério Público Eleitoral, pra fins de apuração do crime
previsto no art. 377 do Código Eleitoral.
Pugnam, ao final, pela procedência do pedido, com a “declaração da inelegibilidade dos
Investigados, além da cassação do registro ou do diploma, pela prática de abuso de poder
político”. (ID 158098993).
Relatado o feito no que se faz necessário, passo a apreciar o requerimento liminar.
A ação de investigação judicial eleitoral – AIJE se destina a tutelar a legitimidade e a normalidade
do pleito e a isonomia entre candidaturas, bens jurídicos severamente afetados por práticas
abusivas que envolvam desvio de finalidade do poder político, o uso desproporcional de recursos
públicos em desconformidade com a legislação eleitoral e a utilização indevida de meios de
comunicação social, inclusive a internet, para beneficiar determinada candidatura (art. 22, caput,
da LC nº 64/90).
As sanções previstas para a hipótese de procedência do pedido formulado na AIJE – cassação
do registro ou diploma e inelegibilidade – têm não apenas dimensão punitiva, mas asseguram
também a recomposição dos bens jurídicos, uma vez que impedem que os beneficiários logrem
exercer mandato ilicitamente obtido e, ainda, alijam os responsáveis, por 8 anos, da possibilidade
de disputar eleições.
Porém, a AIJE não tem por enfoque único a aplicação de sanções após a prática de condutas
abusivas, quando já consumado o dano ao processo eleitoral. A máxima efetividade da proteção
jurídica buscada por essa ação reclama atuação tempestiva, destinada a prevenir ou mitigar
danos à legitimidade do pleito, desde que se tenha elementos suficientes para identificar o
potencial lesivo de condutas que ainda estejam em curso.
Sob essa ótica, a AIJE assume também função preventiva, própria à tutela inibitória,
modalidade de tutela específica voltada para a cessação de condutas ilícitas, independentemente
de prova do dano ou da existência de culpa ou dolo. A técnica é prevista no parágrafo único do
art. 497 do CPC, aplicável subsidiariamente às ações eleitorais, e que dispõe:
Art. 497. Na ação que tenha por objeto a prestação de fazer ou de não fazer,
o juiz, se procedente o pedido, concederá a tutela específica ou determinará
providências que assegurem a obtenção de tutela pelo resultado prático
equivalente.
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Parágrafo único. Para a concessão da tutela específica destinada a inibir
a prática, a reiteração ou a continuação de um ilícito, ou a sua remoção
, é irrelevante a demonstração da ocorrência de dano ou da existência
de culpa ou dolo.
(sem destaques no original)
Note-se que essa diretriz, bem antes do Código de Processo Civil de 2015, já estava presente na
disciplina da AIJE. Nesse sentido, prevê o art. 22, I, b da LC nº 64/90 que, ao receber a petição
inicial, cabe ao Corregedor determinar “que se suspenda o ato que deu motivo à
representação, quando for relevante o fundamento e do ato impugnado puder resultar a
ineficiência da medida, caso seja julgada procedente”. Há, nessa previsão, o claro propósito de
fazer cessar a conduta ilícita, prezando-se pela eficiência da tutela jurisdicional, sem prejuízo do
prosseguimento do feito para apurar o cabimento das sanções acima mencionadas.
Assim, havendo indícios robustos da prática de condutas com potencial abusivo, não é
necessário, para que se defira a tutela inibitória, verificar ao efetiva ocorrência de lesão grave aos
bens jurídicos. Por esse motivo, a análise da gravidade, como elemento da decisão liminar em
que se avalia o cabimento da suspensão de condutas que amparam a AIJE, deve ser orientada
para verificar a necessidade conter a propagação e amplificação de efeitos potencialmente
danosos, adotando-se a mínima intervenção necessária para preservar a legitimidade das
eleições e o equilíbrio da disputa.
Nota-se, portanto, que esse exame não se confunde com aquele realizado no julgamento de
mérito e não antecipa a conclusão final, que deverá avaliar in concreto os efeitos das
condutas praticadas, a fim de estabelecer se são graves o suficiente para conduzir à
cassação de registro ou diploma e à inelegibilidade.
Estabelecidas essas premissas, entendo que se encontram preenchidos os requisitos para
antecipar a tutela inibitória buscada pelos autores.
No que importa à concessão da liminar, a petição inicial narra haver risco iminente de que os
discursos proferidos pelo primeiro investigado na Embaixada de Londres (18/09/2022) e na
abertura da 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas (20/09/2022), que teriam revelado
conteúdo eleitoral, sejam indevidamente explorados para produzir material de campanha em
ocasiões somente acessíveis ao atual Chefe de Estado, ferindo a isonomia entre as candidaturas
à Presidência.
A matéria relativa ao discurso em Londres já foi examinada em decisão liminar em que se proibiu
a utilização das imagens para fins de propaganda, proferida nos autos da AIJE 0601154-29, em
19/09/2022. Destaco trechos da ementa:
“6. A petição inicial foi instruída com vídeo no qual Jair Bolsonaro discursa,
da sacada da Embaixada Brasileira em Londres, para um grupo de
simpatizantes. Após ligeiras condolências à família real, o investigado passa
a proferir discurso de caráter eminentemente eleitoral. Isso é feito com
notória exploração do papel de Chefe do Estado, uma vez que, ao defender
suas pautas de campanha, em temas como drogas, aborto e gênero,
Bolsonaro afirma que é o “país” que se recusa a debater essas questões,
quando, sabidamente, são elas campo de disputa política.
7. São ainda utilizados motes eleitorais, como a invocação do cenário na
“América do Sul” para exaltar seu governo e alertar que se avizinha o
momento de “decidir o futuro da nossa nação”, que, em decisão liminar nas
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AIJE 0601002-78, já foram declarados incompatíveis com a finalidade do
cargo hoje ocupado.
8. Performando típica atuação de candidato, o investigado chega a afirmar
que é impossível que não seja eleito no 1º turno. Nesse momento, o público
presente passa a entoar o coro “Primeiro turno! Primeiro turno!”. O candidato
ainda atribui sua chegada ao poder a uma “missão de Deus” e promete
continuidade, “se essa for a vontade de Deus”, em clara alusão à reeleição.
9. Os elementos presentes nos autos são suficientes para concluir, em
análise perfunctória, que o acesso à Embaixada, por força do cargo de
Chefe de Estado, foi utilizado em proveito da campanha. A repercussão do
vídeo na internet, com mais de 49.000 (quarenta e nove mil) visualizações,
demonstra que o alcance do ato não se restringiu ao pequeno grupo
presente ao local.
10. A conduta, ao propiciar contato direto com eleitores e favorecer a
produção de material de campanha, é tendente a ferir a isonomia, pois
explora a atuação do Chefe de Estado, em ocasião inacessível a qualquer
dos demais competidores, para projetar a imagem do candidato.”
Tendo em vista que a presente ação foi ajuizada em momento posterior à prolação do decisum na
AIJE 0601154-29, é desnecessária a análise dos argumentos ora apresentados a respeito do
tema. Contudo, em respeito à legitimidade concorrente para a propositura das ações eleitorais,
corroboram-se os termos em que deferida a medida, a fim de permitir também aos autores desta
AIJE, além do Ministério Público Eleitoral, atuar colaborativamente na fiscalização do
cumprimento da ordem.
No que diz respeito ao discurso proferido na abertura da 77ª Assembleia Nacional das Nações
Unidas, tem-se fato novo em relação à AIJE 0601154-29, ocorrido em 20/09/2022, que
demanda exame.
Na hipótese, a petição inicial trouxe a transcrição integral do referido discurso. Em 21/09/2022, foi
também apresentado vídeo contendo a íntegra de sua transmissão (ID 158110196). Considerada
a extensão do discurso e o fato de que já se encontra integralmente reproduzida nos autos, a
seguir irei me ater aos pontos de maior relevo.
Do material apresentado, extrai-se que o discurso, sob pretexto de propor uma reflexão à
comunidade internacional, rapidamente é direcionado para que cada governante avalie o
que está acontecendo “no plano interno”, por ser o que “dá a medida da autoridade com
que agimos no plano internacional”. Trata-se de recurso similar ao utilizado no discurso
proferido da Embaixada Brasileira em Londres. Transcrevo a abertura:
“Senhoras e Senhores,
Começo por cumprimentá-lo, Embaixador Chába Corózi, pela eleição para
presidir esta Assembleia Geral. Esteja certo de contar com o apoio do Brasil.
O tema escolhido para este Debate Geral gira em torno de um conceito
que se aplica perfeitamente ao momento que vivemos: um divisor de
águas.
Senhor Presidente,
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Nossa responsabilidade coletiva, nesta Assembleia Geral, é compreender o
alcance dos desafios que compõem esse divisor de águas. E, a partir
daí, construir respostas que tirem sua força dos objetivos que são
comuns a todos nós. A tarefa não é simples. Mas, a rigor, não temos
alternativa.
Esse esforço tem de começar no interior de cada um dos nossos
países. Antes de tudo, é aquilo que realizamos no plano interno que dá a
medida da autoridade com que agimos no plano internacional.”
Nessa toada, a menção inicial a um suposto “divisor de águas” somente tem seu sentido
evidenciado na sequência, em que passam a ser abordadas, preponderantemente,
realizações do atual governo de Jair Bolsonaro. A narrativa apresentada é a de que um “Brasil
do passado”, cenário de “corrupção sistêmica” “onde a esquerda presidiu o Brasil” e no qual a
Petrobras se endividou “por má gestão”, foi superado. O Presidente chega a afirmar, em indireta
inequivocamente destinada a seu principal adversário no atual pleito, que “o responsável por isso
foi condenado em três instâncias por unanimidade”.
Ao longo da exposição, os temas versados pelo primeiro investigado, em leitura sempre
elogiosa especificamente ao período do seu governo, são: aprimoramento de serviços
públicos, pioneirismo na implantação da tecnologia 5g, privatizações, criação de oportunidades
para empreendedores, avanços rumo ao ingresso do Brasil na OCDE, “plena recuperação” da
economia, redução do preço da gasolina, redução de impostos de milhares de produtos, recorde
de arrecadação fiscal e lucros de estatais, superavit, crescimento das exportações agrícolas,
preservação de florestas, proteção a indígenas ribeirinhos, e título de “campeão da transição
energética”.
Há um momento em que o discurso adentra o tema da paz entre as nações, com referência à
Ucrânia e à situação de refugiados, destacando-se o papel do Brasil na mediação de conflitos. No
entanto, esse tema também acaba recebendo viés que remete a pautas eleitorais reiteradas do
candidato à reeleição, uma vez que salienta que “[n]os últimos meses, chegam por dia ao Brasil,
a pé, cerca de 600 venezuelanos, a grande maioria dos quais mulheres e crianças pesando em
média 15 quilos a menos do que antes, fugindo da violência e da fome, com apoio de dois ex-
presidentes de esquerda do Brasil”.
A parte final é dedicada às “pautas dos costumes”, notório campo de disputa política no Brasil
que, no entanto, é anunciada pelo Chefe de Estado como consenso em torno da “defesa da
família, do direito à vida desde a concepção, à legítima defesa e ao repúdio à ideologia de
gênero”. Nesse contexto, passa a sustentar que houve redução de índices de violência contra a
mulher e no campo e destaca o trabalho da Primeira-Dama, Michelle Bolsonaro, como apto a
conferir “novo significado ao trabalho de voluntariado desde 2019”.
No encerramento, Jair Bolsonaro trata das comemorações do Bicentenário da Independência,
persistindo na associação entre a comemoração cívica e sua liderança pessoal, como
único elemento apto a motivar o comparecimento das pessoas à celebração. Em seus
dizeres, “milhões de brasileiros foram às ruas, convocados pelo seu presidente, trajando as cores
da nossa bandeira”. Conclui, repetindo bordão de sua campanha, que “foi a maior demonstração
cívica da história do nosso país, um povo que acredita em Deus, Pátria, família e liberdade”.
Ressalto que, evidentemente, não se encontra no âmbito da competência da Justiça
Eleitoral orientar escolhas de temas pelo Chefe de Estado em ocasião de tanta relevância
para o país, como é a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Tampouco cabe
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https://pje.tse.jus.br:443/pje/Processo/ConsultaDocumento/listView.seam?x=22092121075298400000156799111
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discorrer sobre a possível contraposição de fatos aos dados apresentados. O campo
própria para a análise política das escolhas de temas e palavras utilizados no citado discurso é a
arena pública, espaço no qual elogios e críticas poderão se contrapor, não havendo dúvidas de
que a fala já se encontra sujeita aos escrutínio da população brasileira e da comunidade
internacional.
O que deve ser analisado nos presentes autos é, precisamente, o risco à isonomia entre os
candidatos em caso de utilização do discurso na propaganda eleitoral do candidato. Isso porque,
na hipótese, não estamos diante de um fato isolado, mas de um modus operandi
evidenciado em uma sucessão de episódios mencionados na inicial. Há um contexto em que
se tem identificado, até o momento, um esforço do candidato à reeleição em explorar em sua
propaganda eleitoral situações propiciadas por sua condição de Chefe de Estado.
Nesse sentido, já se concedeu tutela inibitória nos temas da reunião com embaixadores no Brasil
em que proferidos ataques ao sistema eleitoral (AIJEs 0600814-85), do proposital entrelaçamento
entre o candidato à reeleição e as comemorações do Bicentenário da Independência (AIJEs
060986-27 e 0601002-78) e do discurso proferido na sacada da Embaixada em Londres (AIJE
0601154-29). É certo que, em todos esses casos, como tem se repetido, a análise do dano e de
sua gravidade são aspectos reservados para o julgamento de mérito, o que não obsta que,
nesta fase avançada da campanha, se busque inibir ou mitigar o malferimento à isonomia.
É sob esse ângulo que se constata que há, de fato, risco de dano, caso a fala perante a
Assembleia Geral das Nações Unidas seja deslocada de contexto. Ao adentrar a propaganda, o
material, que reproduz motes reiteradamente repisados pelo investigado na condição de
candidato, é passível de incutir no eleitorado a falsa percepção de que assiste a uma
demonstração de apoio internacional à candidatura, quando, na verdade, o investigado
está representando o Brasil no exercício de prerrogativa reconhecida ao país desde o ano
de 1949.
Com efeito, a jurisprudência do TSE orienta que, em prestígio à igualdade de condições entre as
candidaturas, a captura de imagens de bens públicos, para serem utilizadas na propaganda, deve
se ater aos espaços que sejam acessíveis a todas às pessoas, vedando-se que os agentes
públicos se beneficiem da prerrogativa de adentrar outros locais, em razão do cargo, e lá realizar
gravações. Nesse sentido:
ELEIÇÕES 2018. RECURSO ORDINÁRIO. REPRESENTAÇÃO. CONDUTA
VEDADA. ART. 73, INCISOS I, III E IV, B, DA LEI Nº 9.504/1997.
GRAVAÇÃO DE PROPAGANDA ELEITORAL EM OBRA PÚBLICA. USO
DE IMAGEM DE BEM PÚBLICO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE CONDUTA
VEDADA. RESTRIÇÃO DE ACESSO NÃO COMPROVADA. AUSÊNCIA DE
DESVIO DE SERVIDORES PÚBLICOS. DESPROVIMENTO DO RECURSO
ORDINÁRIO.
1. A conduta vedada prevista no art. 73, inciso I, da Lei nº 9.504/1997
somente se configura quando demonstrado o desvio de bem público do
interesse coletivo para servir aos interesses da campanha eleitoral.
2. A mera utilização de imagem de bem público em propaganda
eleitoral não configura conduta vedada, exceto na hipótese
excepcional de imagem de acesso restrito ou de bem inacessível.
[...]
(RO 0602196-65, Rel. Min. Edson Fachin, DJE de 14/04/2020, sem
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destaques no original)
O raciocínio se aplica à hipótese, em que o primeiro réu, por sua condição de Chefe de Estado,
proferiu o discurso de abertura da 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas, optando por linha de
exposição substancialmente identificada com sua plataforma eleitoral. De fato, a utilização das
imagens na propaganda eleitoral seria tendente a ferir a isonomia, pois faria com que a
atuação do Chefe de Estado, em ocasião inacessível a qualquer dos demais competidores,
fosse explorada para projetar a imagem do candidato.
Assentada a plausibilidade do direito em decorrência do potencial favorecimento da campanha
pela eventual reprodução do discurso em análise, dada suas particularidades, para alavancar a
candidatura, conclui-se também pela urgência da adoção de medidas que evitem ou mitiguem
danos ao processo eleitoral. Na hipótese, é indispensável a concessão de tutela inibitória para
evitar que a inserção do discurso no contexto eleitoral acarrete impactos anti-isonômicos.
Desse modo, defiro o requerimento liminar, para conceder a tutela inibitória antecipada e
determinar a intimação dos investigados, pelo meio mais célere, para que se abstenham de
utilizar em sua propaganda eleitoral, divulgada por qualquer meio, imagens captadas de
forma pública ou particular, que reproduzam o discurso proferido por Jair Messias
Bolsonaro na 77ª Assembleia Geral das Nações Unidas (Nova York, EUA), cabendo-lhes
adotar imediatas providências para substituir materiais eventualmente já produzidos,
inclusive os destinados à propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV do dia 22/09/2022,
sob pena de multa de R$ 20.000,00 (vinte mil Reais) por peça de propaganda ou postagem
feita por qualquer meio.
Ratifico, ainda, os termos da liminar proferida na AIJE 0601154-29, facultando aos autores, nos
presentes autos, de fiscalizar o cumprimento da determinação para que os investigados “se
abstenham de utilizar em sua propaganda eleitoral imagens, captadas por qualquer meio,
relativas ao discurso proferido por Jair Messias Bolsonaro da sacada da Embaixada Brasileira em
Londres, no dia 18/09/2022, sob pena de multa de R$20.000,00 (vinte mil reais) por peça de
propaganda ou postagem feita por qualquer meio”.
Em prestígio à colegialidade, submeto a presente decisão a referendo, na primeira pauta
disponível.
Por fim, determino a citação dos investigados, para que apresentem defesa no prazo de 5 dias,
observada na diligência, quanto ao Presidente da República, o prévio agendamento para entrega
do mandado.
Após, voltem conclusos os autos, inclusive para fins de análise da remessa ao Ministério Público,
com vistas à apuração de infração criminal.
Publique-se. Intimem-se.
Brasília (DF), 21 de setembro de 2022.
MINISTRO BENEDITO GONÇALVES
Corregedor-Geral da Justiça Eleitoral
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