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Geometria Espacial

O documento apresenta os conceitos fundamentais da geometria espacial, incluindo pontos, retas, planos e suas posições relativas no espaço. Define axiomas e postulados sobre esses conceitos e descreve figuras geométricas como diedros, triedros, poliedros e seus tipos.

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Ana Paula Santos
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Geometria Espacial

O documento apresenta os conceitos fundamentais da geometria espacial, incluindo pontos, retas, planos e suas posições relativas no espaço. Define axiomas e postulados sobre esses conceitos e descreve figuras geométricas como diedros, triedros, poliedros e seus tipos.

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Geometria Espacial

 
Conceitos primitivos
     São conceitos primitivos (e, portanto, aceitos sem definição) na Geometria espacial os conceitos
de ponto, reta e plano. Habitualmente, usamos a seguinte notação:
 pontos: letras maiúsculas do nosso alfabeto 

 retas: letras minúsculas do nosso alfabeto

   
 planos: letras minúsculas do alfabeto grego

Observação: Espaço é o conjunto de todos os pontos.


Por exemplo, da figura a seguir, podemos escrever:
                           

 
Axiomas
      Axiomas, ou postulados (P), são proposições aceitas como verdadeiras sem demonstração e
que servem de base para o desenvolvimento de uma teoria.
     Temos como axioma fundamental:existem infinitos pontos, retas e planos.
 
Postulados sobre pontos e retas
P1)A reta é infinita, ou seja, contém infinitos pontos.
                                       
P2)Por um ponto podem ser traçadas infinitas retas.

 
P3) Por dois pontos distintos passa uma única reta.

P4) Um ponto qualquer de uma reta divide-a em duas semi-retas.

Geometria Espacial
   
Postulados sobre o plano e o espaço
P5) Por três pontos não-colineares passa um único plano.
P6) O plano é infinito, isto é, ilimitado.
P7) Por uma reta pode ser traçada uma infinidade de planos.

P8) Toda reta pertencente a um plano divide-o em duas regiões chamadas semiplanos.


P9) Qualquer plano divide o espaço em duas regiões chamadas semi-espaços.
 
Posições relativas de duas retas
No espaço, duas retas distintas podem ser concorrentes, paralelas ou reversas:

 
 Temos que considerar dois casos particulares:

 retas perpendiculares: 

  retas ortogonais: 

Geometria Espacial
   
Postulado de Euclides ou das retas paralelas   
P10) Dados uma reta  r e um ponto P   r, existe uma única reta s, traçada
por P, tal que r // s:      
                           

            
   
Determinação de um plano
              Lembrando que, pelo postulado 5, um único plano passa por três pontos não-colineares,
um plano também pode ser determinado por:
 uma reta e um ponto não-pertencente a essa reta:

                                                                                 
 duas retas distintas concorrentes:

                                                                                     
 duas retas paralelas distintas:

 
Posições relativas de reta e plano
      Vamos considerar as seguintes situações:
a) reta contida no plano
     Se uma reta r tem dois pontos distintos num plano  , então r está contida
nesse plano:

 
b) reta concorrente ou incidente ao plano
    Dizemos que a reta r "fura" o plano   ou que r e   são concorrentes
em P quando  .

Observação: A reta r é reversa a todas as retas do plano que não passam pelo ponto P.
c) reta paralela ao plano
    Se uma reta r e um plano   não têm ponto em comum, então a reta r é paralela a uma
reta t contida no plano  ; portanto, r // 

Em   existem infinitas retas paralelas, reversas ou ortogonais a r.

P11) Se dois planos distintos têm um ponto em comum, então a sua intersecção é dada por uma
única reta que passa por esse ponto.

Geometria Espacial
   
Perpendicularismo entre reta e plano
         Uma reta r é perpendicular a um plano   se, e somente se, r é perpendicular a todas as
retas de   que passam pelo ponto de intersecção de r e  .
Note que:
 se uma reta r é perpendicular a um plano  , então ela é perpendicular ou ortogonal a toda
reta de  :

 para que uma reta r seja perpendicular a um plano  , basta ser


perpendicular a duas retas concorrentes, contidas em  :

Observe, na figura abaixo, por que não basta que r seja perpendicular a uma
única reta t de   para que seja perpendicular ao plano:
 
Posições relativas de dois planos
          Consideramos as seguintes situações:
a) planos coincidentes ou iguais

b) planos concorrentes ou secantes


     Dois planos,  , são concorrentes quando sua intersecção é uma única
reta:

c) planos paralelo
    Dois planos,  , são paralelos quando sua intersecção é vazia:

Geometria Espacial

 Perpendicularismo entre planos


     Dois planos,  , são perpendiculares se, e somente se, existe uma reta
de um deles que é perpendicular ao outro:
Observação: Existem infinitos planos perpendiculares a um plano dado; esses planos podem ser
paralelos entre si ou secantes.
Projeção ortogonal
     A projeção ortogonal de um ponto P sobre um plano   é a intersecção do plano com a reta
perpendicular a ele, conduzida pelo ponto P:

      A projeção ortogonal de uma figura geométrica F ( qualquer conjunto de pontos) sobre um
plano   é o conjunto das projeções ortogonais de todos os pontos de F sobre  :

Distâncias

      A distância entre um ponto e um


plano é a medida  do segmento cujos
extremos são o ponto e sua projeção
ortogonal sobre o plano:
      A distância entre uma reta e um
plano paralelo é a distância entre um
ponto qualquer da reta e o plano:

      A distância entre dois planos


paralelos é a distância entre um ponto
qualquer de um deles e o outro plano:

      A distância entre duas retas


reversas,r e s, é a distância entre um
ponto qualquer de uma delas e o
plano que passa pela outra e é
paralelo à primeira reta:

Geometria Espacial
Ângulos
      O ângulo entre duas retas
reversas é o ângulo agudo que
uma delas forma com uma reta
paralela à outra:

      O ângulo entre uma reta e


um plano é o ângulo que a reta
forma com sua projeção
ortogonal sobre o plano:

Observações:

 
Diedros, triedos, poliedros
Diedros
      Dois semiplanos não-coplanares, com origem numa mesma reta, determinam uma figura
geométrica chamada ângulo diédrico, ou simplesmente diedro:
Triedos
         Três semi-retas não-coplanares, com origem num mesmo ponto, determinam três ângulos
que formam uma figura geométrica chamada ângulo triédrico, ou simplesmente triedro:
Geometria Espacial
Ângulo poliédrico
      Sejam  n   semi-retas de mesma origem tais que nunca fiquem três num mesmo
semiplano. Essas semi-retas determinam n ângulos em que o plano de cada um deixa as outras
semi-retas em um mesmo semi-espaço. A figura formada por esses ângulos é o ângulo poliédrico.

Poliedros
      Chamamos de poliedro o sólido limitado por quatro ou mais polígonos
planos, pertencentes a planos diferentes e que têm dois a dois somente uma
aresta em comum. Veja alguns exemplos:
      Os polígonos são as faces do poliedro; os lados e os vértices dos polígonos são as arestas e
os vértices do poliedro.
   
Poliedros convexos e côncavos
      Observando os poliedros acima, podemos notar que, considerando qualquer uma de suas
faces, os poliedros encontram-se inteiramente no mesmo semi-espaço que essa face determina.
Assim, esses poliedros são denominados convexos.
        Isso não acontece no último poliedro, pois, em relação a duas de suas faces, ele não está
contido apenas em um semi-espaço. Portanto, ele é denominado côncavo.
   
Classificação
      Os poliedros convexos possuem nomes especiais de acordo com o número de faces, como por
exemplo:
 tetraedro: quatro faces
 pentaedro: cinco faces
 hexaedro: seis faces
 heptaedro: sete faces
 octaedro: oito faces
icosaedro: vinte facesGeometria Espacial
Poliedros regulares
      Um poliedro convexo é chamado de regular se suas faces são polígonos regulares, cada um
com o mesmo número de lados e, para todo vértice, converge um mesmo número de arestas.
       Existem cinco poliedros regulares:
Poliedro Planificação Elementos

4 faces triangulares
4 vértices
6 arestas
Tetraedro
6 faces quadrangulares
8 vértices
12 arestas
Hexaedro

8 faces triangulares
6 vértices
12 arestas

Octaedro

12 faces pentagonais
20 vértices
30 arestas

Dodecaedro

20 faces triangulares
12 vértices
30 arestas

Icosaedro
 
Geometria Espacial
Relação de Euler
      Em todo poliedro convexo é válida a relação seguinte:
V-A+F=2
em que V é o número de vértices, A é o número de arestas e F, o número de faces.
Observe os exemplos:
V=8   A=12    F=6 V = 12  A = 18   F = 8
8 - 12 + 6 = 2 12 - 18 + 8 = 2
 
 
Poliedros platônicos
      Diz-se que um poliedro é platônico se, e somente se:
a) for convexo;
b) em todo vértice concorrer o mesmo número de arestas;
c) toda face tiver o mesmo número de arestas;
d) for válida a relação de Euler.
       Assim, nas figuras acima, o  primeiro poliedro é platônico e o segundo, não-platônico.
 
Prismas
       Na figura abaixo, temos dois planos paralelos e distintos,  , um polígono
convexo R contido em   e uma reta r que intercepta  , mas não R:

      Para cada ponto P da região R, vamos considerar o segmento  , paralelo à reta r  :
      Assim, temos:

      Chamamos de prisma ou prisma limitado o conjunto de todos os segmentos congruentes 


paralelos a r. Geometria Espacial
Elementos do prisma
      Dados o prisma a seguir, consideramos os seguintes elementos:
 bases:as regiões poligonais R e S
 altura:a distância h entre os planos 

 arestas das bases:os lados   ( dos


polígonos)

 arestas laterais:os segmentos 


 faces laterais: os paralelogramos AA'BB', BB'C'C, CC'D'D, DD'E'E, EE'A'A
Classificação
      Um prisma pode ser:
 reto: quando as arestas laterais são perpendiculares aos planos das bases;
 oblíquo: quando as arestas laterais são oblíquas aos planos das bases.
Veja:

prisma oblíquo
prisma reto
    Chamamos de prisma regular todo  prisma reto cujas bases são polígonos regulares:
prisma regular hexagonal
prisma regular triangular
Observação: As faces de um prisma regular são retângulos congruentes.

Geometria Espacial
Secção
      Um plano que intercepte todas as arestas de um prisma determina nele uma região chamada
secção do prisma.
        Secção transversal é uma região determinada pela intersecção do prisma
com um plano paralelo aos planos das bases ( figura 1). Todas as secções
transversais são congruentes ( figura 2).

 
Áreas
      Num prisma, distinguimos dois tipos de superfície:as faces e as bases. Assim, temos de
considerar as seguintes áreas:
a) área de uma face (AF ):área de um dos paralelogramos que constituem as faces;
b) área lateral ( AL ):soma das áreas dos paralelogramos que formam as faces do prisma.
      No prisma regular, temos:
AL = n . AF (n = número de lados do polígono da base)
c) área da base (AB): área de um dos polígonos das bases;
d) área total ( AT): soma da área lateral com a área das bases
AT = AL + 2AB
      Vejamos um exemplo.
      Dado um prisma hexagonal regular de aresta da base a e aresta lateral h,
temos:
     
Paralelepípedo
      Todo prisma cujas bases são paralelogramos recebe o nome de
paralelepí[Link], podemos ter:
b) paralelepípedo reto

a) paralelepípedo oblíquo

         Se o paralelepípedo  reto tem bases retangulares, ele é chamado de paralelepípedo reto-


retângulo,ortoedro ou paralelepípedo retângulo.

Geometria Espacial
Paralelepípedo retângulo
      Seja o paralelepípedo retângulo de dimensões a, b e c da figura:
      Temos quatro arestas de medida a, quatro arestas de medida b e quatro arestas de medida c;
as arestas indicadas pela mesma letra são paralelas.
 
Diagonais da base e do paralelepípedo
      Considere a figura a seguir:

db = diagonal da base


dp = diagonal do paralelepípedo

      Na base ABFE, temos:

         No triângulo AFD, temos:


Área lateral
      Sendo AL a área lateral de um paralelepípedo retângulo, temos:

AL= ac + bc + ac + bc = 2ac + 2bc =AL = 2(ac + bc)


   
Área total
      Planificando o paralelepípedo, verificamos que a área total é a soma das
áreas de cada par de faces opostas:

AT= 2( ab + ac + bc)

 
Volume
      Por definição, unidade de volume é um cubo de aresta 1. Assim, considerando um
paralelepípedo de dimensões 4, 2 e 2, podemos decompô-lo em 4 . 2 . 2 cubos de aresta 1:
      Então, o volume de um paralelepípedo retângulo de dimensões a, b e c é dado por:
V = abc
      Como o produto de duas dimensões resulta sempre na área de uma face e como qualquer face
pode ser considerada como base, podemos dizer que o volume do paralelepípedo retângulo é o
produto da área da base AB pela medida da altura h:
 

Geometria Espacial
Cubo
      Um paralelepípedo retângulo com todas as arestas congruentes ( a= b = c) recebe o nome de
cubo. Dessa forma, as seis faces são quadrados.

Diagonais da base e do cubo


      Considere a figura a seguir:

dc=diagonal do cubo
db = diagonal da base

     Na base ABCD, temos:


  No triângulo ACE, temos:

Área lateral
      A área lateral AL é dada pela área dos quadrados de lado a:

AL=4a2

Área total
      A área total AT é dada pela área dos seis quadrados de lado a:

AT=6a2

Volume
      De forma semelhante ao paralelepípedo retângulo, o volume de um cubo de aresta a é dado
por:
V= a . a . a = a3
Geometria Espacial
   
Generalização do volume de um prisma
      Para obter o volume de um prisma, vamos usar o princípio de Cavalieri ( matemático italiano,
1598 - 1697), que generaliza o conceito de volume para sólidos diversos.
      Dados dois sólidos com mesma altura e um plano  , se todo plano ,
paralelo a  , intercepta os sólidos e determina secções de mesma área, os
sólidos têm volumes iguais:

        Se 1 é um paralelepípedo retângulo, então V2 = ABh.


       Assim, o volume de todo prisma e de todo paralelepípedo é o produto da
área da base pela medida da altura:
Vprisma = ABh
Cilindro
      Na figura abaixo, temos dois planos paralelos e distintos, , um círculo R contido em   e
uma reta r que intercepta  , mas não R:

      Para cada ponto C da região R, vamos considerar o segmento  , paralelo à reta r 
:
      Assim, temos:

      Chamamos de cilindro, ou cilindro circular, o conjunto de todos os segmentos   


congruentes e paralelos a r.
   
Elementos do cilindro
      Dado o cilindro a seguir, consideramos os seguintes elementos:
 bases: os círculos de centro O e O'e raios r
 altura: a distância h entre os planos 
 geratriz: qualquer segmento de extremidades nos pontos das circunferências das bases
( por exemplo,  ) e paralelo à reta r

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