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Este documento apresenta a primeira aula de um curso sobre a Nova Lei de Licitações. A aula introduz conceitos básicos sobre licitações públicas, como definições, modalidades, critérios de julgamento, dispensa e inexigibilidade. O objetivo é fornecer aos participantes uma visão geral dos aspectos normativos que regem o tema.

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Alexandre Garcia
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Este documento apresenta a primeira aula de um curso sobre a Nova Lei de Licitações. A aula introduz conceitos básicos sobre licitações públicas, como definições, modalidades, critérios de julgamento, dispensa e inexigibilidade. O objetivo é fornecer aos participantes uma visão geral dos aspectos normativos que regem o tema.

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Nova Lei de

Licitações
Lei nº 14.133/2021

AULA 01: Definições e Bases


Normativas

PROF. KLEBERSON ROBERTO DE SOUZA

2021
2
Primeiramente, gostaria de agradecer o interesse nesta aula demonstrativa. Após me apresentar
brevemente a vocês, falaremos sobre como aperfeiçoar seus conhecimentos em licitações, de
forma prática e direta.

KLEBERSON SOUZA

ü Auditor Federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União (CGU),


lotado na CGU-Regional/MT.

ü Mestrando em Administração Pública pela FGV, Especialista em Direito e Controle


Externo da Administração Pública pela FGV e em Auditoria Contábil e Tributária pela
UFMT, com certificação internacional pela Internacional Organization for
Standardization - ISO em Gestão de Riscos (C31000);

ü Coautor dos livros Como Combater à Corrupção em Licitações – Detecção e


Prevenção de Fraudes e Como Combater o Desperdício no Setor Público – Gestão de
Riscos na Prática, ambos lançados pela Editora Fórum em 2016 e 2019,
respectivamente; autor dos livros de Avaliação de Controles Internos: Contratações
Públicas e Implantação de Governança no Setor Público, lançados pela Editora
Publicontas do TCE/MT em 2017 e 2019, respectivamente e autor do Guia de
Integridade das Empresas Estatais Federias, publicado pela CGU em 2015.

ü Professor de pós-graduação da UFMT com a disciplina Gestão de Riscos e Palestrante


na área de auditoria governamental, detecção de fraudes em licitação e contratos, gestão
de riscos e avaliação de controles internos.

3
1. INTRODUÇÃO
Olá pessoal, sejam bem-vindos ao Curso da Nova Lei de Licitações, a Lei nº 14.133/2021, editada
em 01 de abril de 2021. Meu nome é Kleberson Souza, sou Auditor Federal de Finanças e Controle e
autor deste material didático.

Nesse sentido, os tribunais de contas têm realizado amplo levantamento do nível de maturidade dos
controles internos em licitações e contratos dos seus jurisdicionados, com objetivo de avaliar o
estágio de implementação dessas práticas nas organizações. Em Mato Grosso, o Tribunal de Contas
do Estado (TCE/MT) realizou avaliação no ano de 2017, resultando na edição da Resolução
Normativa nº 28/2017 – TP.

O resultado indicou que as prefeituras avaliadas estão no nível básico de maturidade (média de
31,45%), evidenciando que essas organizações apresentam vulnerabilidades e deficiências
significativas em seus controles internos na área de licitações e contratos.

Na prática, os números indicam que as organizações, de um modo geral, não tem plano anual de
contratação; não utilizam modelos padronizados de termos de referência, editais, atas e contratos,
nem normatizaram os procedimentos para realização de pesquisas de preços e estimativas de
quantidade; não utilizam estudo técnico preliminar na fase de planejamento da contratação ou este
instrumento é deficiente; apresentam fragilidades na atuação dos agentes de contratação durante a
condução do certame e não capacitam regularmente seus servidores da área de aquisições.

Essas vulnerabilidades nos controles internos da área de licitação afetam diretamente a capacidade
que as organizações têm de prestar serviços públicos de qualidade e atingir os seus objetivos. Para
entender como isso afeta a sua organização, basta lembrar do volume de notícias tratando de fraudes,
desvios, atrasos, sobrepreço, fracassos, falhas, erros, prejuízos, superfaturamentos, além de várias
outras formas de desperdiçar e desviar recursos públicos.

Para mudar esse cenário de fragilidades diagnosticado no ambiente de licitações, e ainda,


aproveitando o contexto em que temos uma Nova Lei de Licitações, este curso irá abordar os
aspectos mais relevantes acerca do tema, tratados na legislação e jurisprudência dos tribunais de
contas, a fim de subsidiar a implementação dos controles internos necessários e melhores práticas
adotadas para a boa e regular execução da atividade, contribuindo para o a melhoria do desempenho
da Administração Pública, em benefício da sociedade.

Nessa linha, ao final de cada capítulo, apresentaremos uma lista exemplificativa de possíveis
controles e mecanismos que o gestor pode adotar para aprimorar a gestão de licitações em sua
organização.

Este curso está integralmente aderente às novas regras estabelecidas na Lei nº 14.133/2021. Em
linhas gerais, o curso está estruturado em 4 (quatro) módulos, subdividido em 6 (seis) aulas,
distribuídas da seguinte forma:

4
ESTRUTURA DO CURSO
MÓDULO I - Noções gerais
Aula 1 – Definições e base Definições, âmbito de aplicação, objetivos da licitação,
normativa modalidades: concorrência, pregão, concurso, leilão e diálogo
competitivo, critérios de julgamento, dispensa e inexigibilidade de
licitação.
MÓDULO II – Planejamento da Contratação (Fase interna ou preparatória)
Aula 2 – Estudo Técnico Definição de documento de formalização da demanda, Estudos
Preliminar e Gerenciamento Técnicos Preliminares, conteúdos mínimos obrigatórios, estimativa
de Risco de quantidade, estimativa de preços, justificativa para o
parcelamento ou não do objeto, declaração de viabilidade ou não
da contratação, agentes responsáveis, etapas e atividades de
gerenciamento de riscos previstas na legislação, matriz de alocação
de riscos.
Aula 3 – Projeto Responsáveis pela elaboração do Termo de Referência, conteúdo,
Básico/Termo de Referência definição do objeto, formas e critérios de seleção do fornecedor,
prazo de execução e vigência, modelo de gestão do contrato,
critério de medição e pagamento, divulgação dos valores
estimados, sistema de registro de preços e participação de ME e
EPP.
Aula 4 – Edital, Parecer Requisitos para elaboração do edital, habilitação jurídica,
Jurídico e Publicação qualificação técnica e econômico-financeira, regularidade fiscal,
social e trabalhista, condições de participação, vedação à
participação de consórcios, elaboração de parecer jurídico,
divulgação do edital e principais entendimentos dos tribunais de
contas sobre o assunto.
MÓDULO III - Seleção do Fornecedor
Aula 5: Seleção do Agentes de contratação, julgamento, habilitação, homologação,
Fornecedor (Fase Externa) adjudicação, pedidos de esclarecimentos, impugnação, recursos,
revogação e anulação da licitação.
MÓDULO IV - Responsabilidade dos Agentes e das Pessoas Jurídicas
Aula 6: Responsabilidade dos Responsabilidade dos agentes e das pessoas jurídicas, advertência,
agentes e das pessoas multa, impedimento de licitar e contratar, declaração de
jurídicas inidoneidade, desconsideração da personalidade jurídica e
infrações à lei anticorrupção.

Ao final dos estudos, esperamos que vocês tenham condições de:

(i) conhecer em detalhes os objetivos das atividades do processo de licitação (planejamento


da contratação e seleção do fornecedor), compreendendo os entendimentos e as
orientações dos tribunais para subsidiar a tomada de decisões mais seguras e prevenir
responsabilizações;

(ii) identificar os principais riscos de erros, irregularidades e atos fraudulentos em um


certame para implantar uma estrutura eficiente de controles internos, visando evitar a sua
ocorrência; e

5
(iii) exercer o salutar controle social da gestão pública, por meio de um conhecimento
especializado sobre licitações públicas e utilização de ferramentas de apoio (checklists).

Por fim, o art. 173 da Lei nº 14.133/2021 dispõe que “Os tribunais de contas deverão, por meio
de suas escolas de contas, promover eventos de capacitação para os servidores efetivos e
empregados públicos designados para o desempenho das funções essenciais à execução desta
Lei, incluídos cursos presenciais e a distância, redes de aprendizagem, seminários e congressos
sobre contratações públicas.”

Dessa forma, a fim de oferecer subsídio aos gestores para melhorar o desempenho das licitações,
este curso irá contribuir para o aperfeiçoamento da Administração Pública, estimulando,
inclusive, o enfrentamento da corrupção, além de assegurar a boa e regular gestão dos recursos
públicos em benefício da sociedade.

6
1. Definições e Bases Normativas

O que é uma licitação e a quem ela se destina?

Quais são as modalidades de licitação que o gestor pode utilizar na Nova Lei de
Licitações e Contratos Administrativos (NLLCA)?

E o Pregão Eletrônico, promove efetivamente maior competitividade e


vantajosidade para a Administração quando comparado com o Pregão
Presencial?

Como definir os critérios de julgamento em uma licitação pública?

Quais cuidados o gestor deve tomar para formalizar adequadamente uma


dispensa e inexibilidade da licitação?

Para responder a essas e outras questões estudaremos, nesta aula, as definições e bases
normativas que regem as licitações públicas.

Neste capítulo serão apresentadas as definições básicas e o novo panorama normativo


que rege a licitação no setor público. Ao mesmo tempo, serão detalhados os principais
aspectos abordados pelas leis, normas e jurisprudências dos tribunais acerca das
modalidades, critérios de julgamento e as hipóteses de dispensa e inexigilidade.

Neste tópico iremos apresentar, ainda, um estudo comparativo entre o pregão


presencial e eletrônico realizado pelas prefeituras de Mato Grosso que buscou avaliar
a competitividade, vantajosidade e transparência dessa modalidade licitatória no
exercício de 2018.

Pronto para começar?

Então, vamos nessa.

7
1.1 Definições

Vamos iniciar nossos estudos alinhando o conhecimento acerca do conceito e bases normativas da
licitação.

A compra pública, de modo geral, se baseia na busca essencial por: obter o menor preço, qualidade,
efetividade, celeridade, isonomia, transparência, sustentabilidade e evitar a corrupção e o
desperdício. Governos do mundo todo tentam criar experiências normativas e práticas que levem a
esses objetivos de modo eficiente. É um desafio dos mais difíceis. Dado o enorme poder econômico
das compras públicas e os seus variados riscos, há constante debate em torno do desenvolvimento de
regras formais que governem os contratos públicos de modo justo, dinâmico, transparente.

Muitas dessas regras exigem que o modo de disputa seja aberto, considerado uma das maneiras mais
eficazes de garantir o melhor preço. Espera-se honestidade e integridade na seleção de fornecedores,
igualdade de oportunidades para interessados e criam-se requisitos de controles internos, como
documentar a tomada de decisões e processos formais de aprovação.

Por esse motivo, licitação é um procedimento administrativo, de observância obrigatória pelas


entidades governamentais e similares, em que, observado o tratamento isonômico entre os
participantes, deve ser selecionada a proposta apta a gerar o resultado mais vantajoso, uma vez
preenchidos os requisitos mínimos necessários ao bom cumprimento das obrigações.

Os objetivos do processo licitatório estão definidos no art. 11 da Lei nº 14.133/2021, conforme


apresentado a seguir:

þ assegurar a seleção da proposta apta a gerar o resultado de contratação mais vantajoso para a
Administração Pública, inclusive no que se refere ao ciclo de vida do objeto;

þ assegurar tratamento isonômico entre os licitantes, bem como a justa competição;

þ evitar contratações com sobrepreço ou com preços manifestamente inexequíveis e


superfaturamento na execução dos contratos; e

þ incentivar a inovação e o desenvolvimento nacional sustentável.

A obrigação de licitar é cláusula constitucional (art. 37, XXI, CF/88), procedimento compulsório
para contratar obras, serviços e compras, ressalvados os casos especificados na legislação.

Praticamente toda e qualquer política pública depende de uma licitação, desde a construção de
escolas, pavimentação asfáltica, compra de medicamentos, merenda escolar, peças de veículos,
contratação de serviços terceirizados etc.

O quadro a seguir sintetiza as normas gerais de licitação existentes e sua aplicabilidade:

8
Quadro 01 – Normas Gerais de Licitação
Princípios da Princípios da Lei
Normas Gerais Princípios da
Normas Gerais Administração nº 14.133/21 +
(Leis nº 8.666/93; Administração
(Lei nº Pública + Regulamento
10.520/02 e Pública + Lei
14.133/2021) Regulamento Específico do
12.462/11) * Específica *
Próprio ministro
Administração Estatais que
Direta, exploram
Administração Autarquias e atividades Entidades
Repartições
Direta, Fundações no econômicas Paraestatais –
sediadas no
Autarquias e prazo de 2 anos (Empresas OS/OSCIP/Sistema
exterior
Fundações desde a entrada Públicas e S
em vigor da Lei Sociedades de
nº 14.133/2021 Economia Mista)
Lei nº 9.637/98,
Inciso III, do art. § 2º do art. 1º da
Parágrafo único art. 4, VIII; art. 14
Art. 1º da Lei 173, da CF/88 e Lei nº 14.133/2021
do art. 1 da Lei nº da Lei nº 9.790/00;
nº 14.133/2021 art. 1º da Lei nº e Acórdão TCU
8.666/93 Acórdão TCU
13.303/2016 4.993/2019 – 2C
1.029/2011 - P.
* Disposições penais previstas no art. 178 da Lei nº 14.133/2021 têm aplicação imediata
Fonte: Elaborado pelo autor

Nesse sentido, no período de até 2 (dois) anos da publicação oficial da Lei nº 14.133, de 01 de abril
de 2021, a Administração poderá optar por licitar ou contratar diretamente de acordo com essa Lei
ou de acordo com a Lei nº 8.666/93, a Lei nº 10.520/02, e os arts. 1º a 47-A da Lei nº 12.462/11.
Nesse caso, a opção escolhida deverá ser indicada expressamente no edital ou no aviso ou
instrumento de contratação direta, vedada a aplicação combinada da Lei nº 14.133/2021 com as
citadas leis de licitações.

Ou seja, quando determinada organização decidir licitar, deve-se optar por qual regime será aplicado:
se as leis nº 8.666/93 e Lei nº 10.520/02 ou Lei nº 14.133/2021, nunca de forma combinada. A seguir
um exemplo de utilização inadequada da NLLCA publicado no Diário Oficial da União:

Outro ponto que merece destaque é o art. 176 da Lei nº 14.133/2021 que determina que Municípios
com até 20.000 (vinte mil) habitantes terão prazo de 6 (seis) anos, contados da publicação da Lei,
para cumprimento:

þ dos requisitos estabelecidos no art. 7º e caput do art. 8º (promoção da gestão por


competências e designação de agentes públicos para desempenho de funções essenciais à
execução da Lei);

9
þ da obrigatoriedade de realização da licitação sob a forma eletrônica a que se refere o § 2º do
art. 17 desta Lei;
þ das regras relativas à divulgação em sítio eletrônico oficial.

NOVA LEI DE LICITAÇÕES EM MATO GROSSO

Dados do IBGE de 2018 indicam que em Mato Grosso 73,76% (104/141) dos Municípios
possuem menos de 20.000 habitantes. Portanto, as regras citadas no art. 176 da Lei nº
14.133/2021 poderão ser implementadas até o dia 01/04/2027.

Além disso, não é possível a recepção de regulamentos das leis nº 8.666/93, 10.520/02 ou 12.462/11
para a Lei 14.133./2021, enquanto todas essas leis permanecerem em vigor, independente da
compatibilidade de mérito, ressalvada a possibilidade de emissão de ato normativo, pela autoridade
competente, ratificando o uso do regulamento para contratações sob a égide da nova legislação.

Embora as entidades de Serviços Sociais Autônomos, conhecidas como Sistema S (Sesi, Senai, Sesc,
Senac, Sebrae, Sescoop, Senat) não estejam obrigadas a seguir a Nova Lei de Licitações e Contratos
Administrativos (NLLCA), devem seguir seus princípios. Além disso, o Tribunal de Contas da União
(TCU) entende que a Lei Geral tem aplicação subsidiária nessas entidades em duas hipóteses:

(i) ausência de regra específica em regulamento próprio; ou


(ii) dispositivo, do regulamento, contrário a princípio geral da Administração Pública ou
específico de licitações (Acórdãos TCU n.º 1.364/2021 – P, 3.454/2007–1C e 2.790/2013-
2C).
Existe também a Lei nº 12.232/2010, que trata da contratação de serviços de publicidade prestados
por intermédio de agências de propaganda e a Lei nº 12.598/2012 que estabelece normas especiais
para as compras, as contratações e o desenvolvimento de produtos e de sistemas de Defesa.

De forma similar, as Fundações de Apoio, ligadas a instituições federais de Ensino Superior, criadas
conforme a Lei nº 8.958/1994, devem seguir as diretrizes de compras do Decreto nº 8.241/2014,
elaborando seus próprios regulamentos, atendendo aos princípios da impessoalidade, moralidade,
probidade, publicidade, transparência, eficiência, competitividade, busca permanente de qualidade e
durabilidade, e da vinculação ao instrumento convocatório.

Além das normas e princípios citados, o Tribunal de Contas da União – TCU já manifestou que suas
decisões relativas à aplicação de normas gerais de licitação, sobre as quais cabe privativamente à
União legislar, devem ser acatadas pelos administradores dos Poderes da União, dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios (Súmula nº 222).

Por se tratar de um dos mecanismos que a Constituição Federal estabeleceu para que o Estado faça a
melhor gerência possível dos recursos públicos, a atividade de licitação tem forte relação com a
geração de resultados para a sociedade e elevada materialidade de recursos envolvidos.

10
Com respeito à importância para a produção de resultados à sociedade, na figura a seguir apresenta-
se a distribuição dos dados informados por 369 organizações da Administração Pública Federal –
APF ao TCU com respeito à criticidade das aquisições para as suas três ações orçamentárias
consideradas mais relevantes.

Nela é possível observar que somente 4% das organizações afirmaram não ter suas atividades
relevantes afetadas pelas aquisições, ao passo que praticamente metade das organizações (47%) para
imediatamente suas ações relevantes se não ocorrerem aquisições:

Fonte: Acórdão TCU nº 2.622/2015 - P

Em relação à materialidade dos recursos envolvidos, levantamento do TCU presente no Acórdão nº


2.622/2015 indicou que o tema Licitações e Contratos (L&C) envolve de 10% a 15% do Produto
Interno Bruto (PIB) Nacional, com valores de aproximadamente R$ 900 bilhões/ano. Nesse mesmo
sentido é o resultado do estudo realizado pelo Banco Mundial em 2017.

Entretanto, mesmo com essa dinheirama toda envolvida e a criticidade paras as políticas públicas, a
governança e gestão das compras padecem de graves deficiências nos controles internos, conforme
gráfico a seguir:

11
Fonte: Elaboração própria a partir de Acórdão TCU nº 2.622/2015-P

Com sérias fragilidades na gestão de riscos das compras, a coisa é especialmente preocupante porque
a fraude é um risco gravíssimo. A ACFE (Association of Certified Fraud Examiners), uma renomada
associação internacional de examinadores de fraudes, num relatório de 2014, Report to the Nations
on Occupational Fraud and Abuse, afirmou que fraude e corrupção são um risco elevado em todos
os departamentos de governo, mas particularmente alto em compras (74% dos casos).

Reforçando o cenário e comprovando que o problema não é exclusivo do setor público, a Pesquisa
Global sobre Crimes Econômicos da Pricewaterhousecoopers, também de 2018, apontou a fraude em
compras como o segundo tipo mais comum de crime econômico em organizações privadas, atrás
apenas do roubo de ativos.

Em função da elevada materialidade dos recursos, de sua importância estratégica para o Estado na
implementação de políticas públicas e dos riscos associados à atividade de aquisição, é relevante que
os órgãos compradores e unidades de controle adotem medidas para prevenir, detectar e remediar
atos de erros e irregularidades em licitação.

1.2 Modalidades de Licitações na NLLCA

Modalidade é uma forma específica de conduzir o procedimento licitatório, a partir de critérios


definidos em lei. Nesse sentido, a Lei nº 14.133/2021 prevê, em seu art. 28, somente cinco diferentes
modalidades de licitação: concorrência, pregão, concurso, leilão e diálogo competitivo, conforme
demonstrado a seguir:

12
Fonte: Elaborado pelo autor

Como se pode notar, as modalidades de tomada de preço e convite previstas na Lei nº 8.666/93
deixaram de existir na nova lei. Por outro lado, foi criada uma nova modalidade denominada
diálogo competitivo.

Outra novidade é que a definição da modalidade de licitação deve feita somente em razão de seu
objeto, não havendo mais diferenciação de modalidade em razão do valor da contratação, como havia
nos casos de concorrência, tomada de preços e convite.

Com isso, não haverá mais a possibilidade de fracionamento de despesa para escapar da modalidade
mais complexa, hipótese em que se fazia vários convites para objetos de mesma natureza com o
propósito de não realizar uma tomada de preços, modalidade com maior prazo e mais publicidade.

A Lei nº 14.133/2021 veda a criação de outras modalidades ou a combinação entre as modalidades


citadas (§ 2º do artigo 28). Esse dispositivo explicita que as modalidades são normas gerais de
licitação que devem ser respeitadas pelos demais entes federativos.

Somente a União pode legislar sobre as modalidades de licitação, pois é sua competência privativa
legislar sobre normas gerais de licitação, nos termos do inciso XXVII do artigo 22 da Constituição
Federal (Niebuhr et al., 2021).

Em 2020, as modalidades de licitação mais utilizadas pelas prefeituras de Mato Grosso foram as
seguintes:

13
Percentual de Licitações por Modalidade -
Prefeituras de Mato Grosso - 2020

50,00%
46,64%
45,00% 38,69%

Fonte: Sistema APLIC do TCE/MT


40,00%
35,00%
30,00%
25,00%
20,00%
15,00%
7,50%
10,00% 4,48%
1,92% 0,77%
5,00%
0,00%
Pregão Pregão Tomada de Convite Concorrência Leilão
Presencial Eletrônico Preços

No tópico a seguir passaremos a detalhar as particularidades de cada modalidade licitatória.

1.2.1 Concorrência

A concorrência é definida no inciso XXXVIII do art. 6º da Lei nº 14.133/2021 como a modalidade


de licitação que se destina a contratações de bens e serviços especiais e de obras e serviços comuns e
especiais de engenharia, cujo critério de julgamento poderá ser: a) menor preço; b) melhor técnica ou
conteúdo artístico; c) técnica e preço; d) maior retorno econômico; e e) maior desconto.

Na prática, todos os critérios de julgamento se aplicam à concorrência, exceto o maior lance, usado
exclusivamente na modalidade leilão.

A contratação de obras poderá ser feita mediante concorrência. Já nos casos de serviços comuns de
engenharia, a NLLCA admite a utilização tanto da concorrência quanto do pregão.

Como não existem critérios objetivos para diferenciar hipóteses em que os serviços comuns de
engenharia serão contratados ou por pregão ou por concorrência, caberá ao agente público
responsável escolher a modalidade mais adequada, respaldado por critérios técnicos e devidamente
justificado no processo (Niebuhr et al., 2021).

A concorrência também pode ser adotada nas licitações para as concessões de serviços públicos
previstas na Lei nº 8.987/1995 e para as parcerias público-privadas disciplinadas na Lei nº
11.079/2004, ao lado da nova modalidade denominada diálogo competitivo, que será estudada nos
tópicos seguintes.

Nos casos de contratação mediante procedimento auxiliar de sistema de registro de preços, a


Administração poderá realizar contratação direta ou licitação na modalidade pregão ou concorrência.

14
As principais características da concorrência estão demonstradas a seguir:

Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021).

Na Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos, a concorrência e o pregão seguem o rito


comum a que se refere o art. 17 da Lei nº 14.133/2021, observando as seguintes fases, em sequência:

þ preparatória;
þ de divulgação do edital de licitação;
þ de apresentação de propostas e lances, quando for o caso;
þ de julgamento;
þ de habilitação;
þ recursal;
þ de homologação.

Essas fases podem ser assim demonstradas:

15
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

Nesse sentido, uma das grandes novidades trazidas pela NLLCA na modalidade concorrência é a
inversão de fases. Enquanto na Lei nº 8.666/1993 a fase habilitação antecede obrigatoriamente à
fase de julgamento das propostas, na nova lei deverá ser feito primeiro o julgamento das propostas e
depois a análise dos documentos de habilitação do licitante vendedor.

Outra mudança significativa no rito procedimental da concorrência diz respeito à fase recursal. Pela
Lei nº 8.666/1993, a interposição de um recurso é cabível tanto após a fase de habilitação quanto
após a fase de julgamento das propostas.

Na Lei nº 14.133/2021 isso muda, pois haverá somente uma fase recursal, seja seguindo a ordem
prevista no caput do artigo 17 ou quando houver a inversão de fases permitida no § 1º do artigo 17.

Além dessas importantes alterações normativas, outra novidade é que a concorrência deverá ser
realizada preferencialmente na forma eletrônica, admitida a utilização da forma presencial, desde
que motivada, devendo a sessão pública ser registrada e gravada em áudio e vídeo (§ 2º do artigo
17).

As formas de realização da concorrência estão apresentadas na imagem a seguir:

16
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

Quando realizada presencialmente, a gravação da sessão pública deverá ser juntada aos autos do
processo licitatório depois de seu encerramento, por força do § 5º do art. 17 da Lei nº 14.133/2021.

1.2.2 Pregão

O pregão é a modalidade de licitação obrigatória para aquisição de bens e serviços comuns, cujo
critério de julgamento poderá ser o de menor preço ou o de maior desconto (inciso XLI do art. 6º
da Lei 14.133/2021). Portanto, o pregão passou a ser expressamente obrigatório quando a
contratação se tratar de bens e serviços comuns.

Na vigência da Lei nº 10.520/2002, o uso do pregão para licitação de bem e serviço comum é uma
faculdade (art. 1º da Lei do Pregão). No âmbito federal, por exemplo, a obrigatoriedade do pregão
decorreu dos regulamentos, a exemplo do Decreto Federal nº 10.024/2019.

A identificação do bem ou serviço como


sendo comum, para o fim de adoção do
pregão, independe da sua complexidade.
Bem ou serviço comum são aqueles que
podem ser definidos objetivamente no
edital, por meio de especificações usuais
de mercado (inciso III do art. 6º).

É a definição objetiva dos seus padrões


de desempenho e qualidade, mediante
especificações usuais no mercado, que o
caracteriza como comum.

Existe, ainda, a possibilidade de utilização do pregão nos casos de contratação de serviço comum
de engenharia. Serviço comum de engenharia são aqueles que “tem por objeto ações, objetivamente
padronizáveis em termos de desempenho e qualidade, de manutenção, de adequação e de adaptação

17
de bens móveis e imóveis, com preservação das características originais dos bens” (“a” do inciso
XXI do art. 6º).

Na verificação dessa possibilidade, a complexidade do objeto não é fator único e determinante para
efeito de enquadrá-lo no conceito de “serviço comum”, tendo em vista que determinados serviços de
engenharia, com maior especialização, ainda que de pequenos reparos, podem constituir, em tese, um
objeto especializado e único que se afasta da qualidade de “serviço comum” (Acórdão TCE/MT nº
90/2015).

São serviços comuns de engenharia, por exemplo:

þ serviços de engenharia consultiva – Acórdão TCU nº 713/2019 – P


þ manutenção predial repetidos e rotineiros, a exemplo de ar condicionado, elevador, predial –
Acórdão TCU nº 1.381/2018 – P

No âmbito da União, compete ao agente ou setor técnico da Administração declarar que o objeto
licitatório é de natureza comum para efeito de utilização da modalidade pregão e definir se o objeto
corresponde a obra ou serviço de engenharia (Orientação Normativa AGU nº 54/2014).

Na imagem a seguir apresentamos as principais características do pregão definidas na Lei nº


14.133/2021:

18
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

Nessa linha, tem-se admitido o uso do pregão para diversos objetos, inclusive para muitos cuja
aplicação era considerada incabível, conforme exemplos apresentados a seguir (Amorim e Oliveira,
2019):

v Serviço de call center: Acórdão nº 767/2010-Plenário do TCU;

v Serviço de tecnologia da informação: Acórdão nº 2.471/2008 – Plenário do TCU;

v Serviço de auditoria independente: Acórdão nº 1.046/2014 – Plenário do TCU;

v Serviço de fornecimento de infraestrutura para realização de shows: Acórdão nº 6.504/2017 –


2a Câmara do TCU;

v Serviços de assessoria de imprensa, clipping, media training e monitoramento de redes


sociais: Acórdão nº 1.074/2017 – Plenário do TCU;

v Serviço de manutenção predial: Acórdão nº 727/2009 – Plenário do TCU;

v Serviço de engenharia de manutenção do sistema de distribuição de energia elétrica: Acórdão


nº 2.314/2010 – Plenário do TCU;

v Serviço de supervisão e consultoria em engenharia rodoviária: Acórdão nº 2.932/2011 –


Plenário do TCU.

Assim como na modalidade concorrência, o § 2º do artigo 17 da Lei nº 14.133/2021 consolida o


entendimento jurisprudencial de que os pregões devem ser realizados sob a forma eletrônica. Não
torna obrigatório, mas preferencial, em que pese a necessidade de motivação expressa para adotar a
forma presencial (que deverá ser motivada e a sessão registrada em ata e com gravação de áudio e
vídeo).

Em qualquer uma das formas (presencial ou eletrônico), a identificação dos licitantes deve ocorrer
apenas no dia, hora e local designados para realização da sessão pública destinada ao recebimento
das propostas, respeitados os princípios da impessoalidade e competitividade entre os participantes
(§ 3º do art. 25 da Lei nº 14.133/2021).

ESTATAIS
Por força do art. 32, IV, da Lei 13.303/2016, as empresas estatais adotarão preferencialmente a
“modalidade de licitação denominada pregão, instituída pela Lei nº 10.520, de 17 de julho de
2002”.

Em substituição à legislação anterior, deverá ser aplicada a Nova Lei de Licitações, conforme
consta no art. 189 do Estatuto. Logo, podemos dizer que a modalidade pregão, da Lei nº
14.133/2021, será aplicada às empresas estatais, como modalidade preferencial para aquisição de
bens e serviços comuns.

19
Isso porque a exigência, em edital licitatório de pregão, de envio de formulário ou recibo preenchido
com dados do potencial licitante para formalização de interesse em participar do certame, por
ocasião da retirada do edital via internet, configura tentativa ilegal de identificação dos
participantes antes da data de realização da sessão pública do pregão, desrespeitando-se os
princípios da impessoalidade e competitividade (Jurisprudência anterior do TCE/MT presente no
Acórdão nº 36/2015).

Ainda sobre o pregão, o trabalho de auditoria desenvolvido pela Controladoria-Geral da União nas
licitações realizadas pelas prefeituras de Mato Grosso no exercício de 2018 (Relatório 201900852)
chegou a resultados interessantes.

Um dos grandes argumentos em prol da aplicação do pregão na forma eletrônica é a amplitude de


participantes. Em regra, a utilização do Pregão Eletrônico como forma de aquisição de bens e
serviços comuns possibilita maior competitividade, amplia oportunidades, resultando em maior
transparência na utilização dos recursos e no fortalecimento do controle social da gestão pública.

Por ser realizado via internet, o Pregão Eletrônico reduz, ainda, o custo de participação dos
interessados, que podem competir à distância, de qualquer local do país, o que possibilita aumentar o
número de licitantes, inclusive micro e pequenas empresas.

Ainda que, intuitivamente, haja uma percepção de que o Pregão Eletrônico, pelas suas próprias
características, privilegia a transparência e aumenta a competitividade, há outros fatores que podem
influenciar a participação de interessados em um certame, tais como:

þ divulgação ou omissão do valor estimado no edital;


þ a quantidade de itens em disputa e o quantitativo previsto para cada item;
þ o fato de o objeto encontrar-se devidamente parcelado ou agrupado;
þ a visão que o mercado tem sobre determinada repartição contratante (bom ou mau pagador);
þ se trata ou não de cota reservada ou disputa exclusiva entre ME’s ou EPPs;
þ a eventual existência de cláusulas restritivas à participação;
þ as próprias características do objeto, inclusive critérios de sustentabilidade ambiental; e
þ o estágio de desenvolvimento do mercado para suprir a demanda do órgão etc.

Com a finalidade de verificar o nível de competitividade dos pregões em Mato Grosso, foram
analisados 5.279 pregões realizados pelas prefeituras em 2018, sendo 4.579 Pregões Presenciais e
700 Pregões Eletrônicos, conforme demonstrado a seguir:

20
COMPRAS E
MODALIDADE TOTAL
SERVIÇOS OBRAS OUTROS CONCESSÃO
CONCORRENCIA 15 38 0 22 75
CONVITE 182 89 0 0 271
LEILAO 0 0 12 0 12
PREGAO ELETRONICO 697 3 0 0 700
PREGAO PRESENCIAL 4560 19 0 0 4579
PREGÃO VENDAS E CONCESSÃO 0 0 0 3 3
RDC 0 0 5 0 5
TOMADA DE PREÇOS 131 510 0 0 641
Total Geral 5585 659 17 25 6286
Fonte: Sistema APLIC do TCE/MT – Dados enviados pelas prefeituras até 28/11/2018.

O volume de recurso envolvidos nesses processos realizados pelas prefeituras de Mato Grosso em
2018 representou o montante de R$ [Link],83.

Para fazer essa análise de forma objetiva e consistente, foi utilizado um modelo econométrico para
explicar os quantitativos de licitantes que se dispõem a participar dos processos licitatórios. A
variável que mede esse quantitativo é uma contagem, discreta e maior que zero. Sendo assim, a
distribuição ideal a ser modelada é Distribuição de Poisson.

A partir da aplicação desse modelo econométrico, foi identificado que o Pregão eletrônico atrai, em
média, 59% [53%; 66%] a mais de licitantes que o Pregão presencial. Em média, o Pregão Presencial
realizado pelas prefeituras de Mato Grosso conta com 2,87 licitantes por certame, ao passo que no
Pregão Eletrônico a média é de 4,56.

Além disso, foi constatado que em 44,1% dos pregões presenciais, houve participação de apenas 1
(um) licitante. Embora o TCU já tenha se pronunciado no sentido de que não há impedimento legal à
participação de um único licitante em licitações realizadas na modalidade Pregão Presencial
(Acórdão 408/2008 – Plenário), esse fato por si só pode resultar em contratações antieconômicas
para a administração.

Esses resultados confirmam a premissa de que o Pregão Eletrônico contribui para a ampliação da
competitividade nos processos licitatórios realizados pelas prefeituras do Estado de Mato Grosso.

Outra questão objeto da auditoria buscou avaliar se o Pregão Eletrônico promove contratações mais
vantajosas para a Administração quando comparado ao Pregão Presencial.

Em regra, quanto maior o universo de interessados no pregão, menor é a chance de ações


monopolísticas, o que diminui o valor pago pelo bem a ser comprado pelos órgãos e entidades da
administração pública.

Com base nessa perspectiva, foi analisada eventual vantagem fática na adoção do Pregão Eletrônico,
sob dois aspectos:

(i) quanto à redução de preços totais na licitação, cotejando os valores inicialmente


estimados com aqueles ao final homologados; e

21
(ii) por meio do confronto entre os preços nominais unitários finais de 47 (quarenta e sete)
medicamentos adquiridos por Pregão Presencial versus eletrônico usados como
paradigmas, escolhidos com base na materialidade dos recursos envolvidos, os quais
totalizaram, em 2018, o montante de R$ 59.898.830,58.

Em relação ao primeiro aspecto, foi avaliada a eficiência financeira de 5.279 pregões realizados pelas
prefeituras de Mato Grosso no exercício de 2018, sendo 4.579 Pregões Presenciais e 700 Pregões
Eletrônicos. Por eficiência financeira entende-se a relação entre:

𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑎𝑑𝑗𝑢𝑑𝑖𝑐𝑎𝑑𝑜
𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝑒𝑠𝑡𝑖𝑚𝑎𝑑𝑜

O cálculo do indicador levou em conta o tipo do processo: se por item ou por lote, sendo que neste
caso, somou-se os valores adjudicados de todos os itens do lote e o comparou ao total estimado.

Os resultados dessa modelagem indicaram que o percentual de eficiência do Pregão Eletrônico é de


10% em relação ao Regime Diferenciado de Contratação (RDC), ou seja, ele proporciona um
desconto final de 10% do valor estimado em uma licitação, em relação a essa modalidade licitatória.

Quando comparado ao Pregão Presencial, a eficiência é, na média, 5% maior (entre 4% e 7%, para
um nível de confiança de 95%).

Com base nesse percentual, foi analisado o cenário hipotético em que todos municípios substituíssem
integralmente todos os Pregões Presenciais por Pregões Eletrônicos, mantendo a média de eficiência
apurada.

Nesse caso, foi estimado que poderá haver uma economia média de R$ 172.358.015 (cento e setenta
e dois milhões, trezentos e cinquenta e oito mil e quinze reais), sendo que essa economia pode variar
entre R$ 31.043.103,00 a R$ 313.672.927,00 com 95% de nível de confiança, uma vez que o volume
total de valores adjudicados com essas duas modalidades foi próximo de R$ 3 bilhões.

Além disso, foi verificado que a cada novo licitante presente nos certames, há uma melhora de 2% na
eficiência de uma licitação, evidenciando a relação direta entre quantidades de licitantes e eficiência,
de maneira estatisticamente significativa e justificando a maior eficiência do Pregão Eletrônico, além
de estar em conformidade com o artigo científico empírico já referenciado.

Dessa forma, fica claro que o Pregão Eletrônico tem proporcionado maior eficiência nas licitações
realizadas pelas prefeituras de Mato Grosso, na média, 5% superior ao Pregão Presencial.

Em relação ao segundo aspecto, foram avaliados os preços nominais finais adjudicados nas
aquisições de medicamentos em 2018, por se tratar de mercado com concorrência bem desenvolvida
entre pequenas, médias e grandes empresas distribuidoras, seja local, regional ou nacionalmente, e
com produtos com características padronizadas, já que devem ser licitados com base na
Denominação Comum Brasileira (DCB).

Dessa forma, foram comparados os preços nominais unitários adjudicados de 47 (quarenta e sete)
medicamentos contratados em 2018 pelas prefeituras de Mato Grosso, licitados por meio de 157

22
pregões, sendo 54 (cinquenta e quatro) Pregões Eletrônicos e 103 (cento e três) Pregões Presenciais,
os quais totalizaram R$ 59.898.830,58.

O resultado demonstra que, de 47 (quarenta e sete) medicamentos adquiridos por pregão em 2018,
em 41 (quarenta e um) os preços adjudicados finais foram menores quando a opção escolhida foi o
Pregão Eletrônico em comparação com o Pregão Presencial. Em termos percentuais, o resultado
indicou um percentual médio de 13,50% inferior nos preços finais de medicamentos adquiridos por
Pregão Eletrônico.

Essas informações comprovam a vantajosidade dos preços obtidos no Pregão Eletrônico em relação
ao Presencial, a ampliação da competição entre os licitantes e a possibilidade de promover maior
transparência, contribuindo, por esses motivos, para a boa e regular gestão dos recursos públicos em
benefício da sociedade.
1.2.3 Concurso

Conforme disposto no inciso XXXIX do artigo 6º da Lei nº 14.133/2021, concurso é a “modalidade


de licitação para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, cujo critério de julgamento
será o de melhor técnica ou conteúdo artístico, e para concessão de prêmio ou remuneração ao
vencedor”, conceito similar ao previsto no § 4 do art. 22 da Lei nº 8666/93, exceto quanto ao critério
de julgamento para concurso previsto na NLLCA e ausência no regime anterior.

É importante deixar claro que a modalidade de licitação denominada concurso não se confunde com
o concurso público para contratação de pessoal, previsto no art. 37 da Constituição Federal.

Muitas organizações realizam anualmente concursos que tem por objetivo a escolha de monografias
jurídicas, com concessão de prêmios aos primeiros colocados.

Quando se tratar de concurso para a elaboração de projeto, como no caso de projeto arquitetônico, o
vencedor deverá ceder à Administração Pública os direitos patrimoniais relativos a ele e autorizar
que ele seja executado conforme juízo de oportunidade e conveniência dos agentes públicos
responsáveis (parágrafo único do artigo 30).

O artigo 30 da Lei nº 14.133/2021 dispõe que o concurso respeitará as regras previstas no edital, que
deverá indicar a qualificação exigida dos participantes, as diretrizes e formas de apresentação do
trabalho técnico, científico ou artístico, as condições de realização e o prêmio ou remuneração do
vencedor.

Além disso, o critério de julgamento adotado deverá ser a melhor técnica ou conteúdo artístico.

As principais características da modalidade concurso são as seguintes:

23
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

1.2.4 Leilão

É a modalidade de licitação para alienação de bens imóveis (casa, prédio, terreno etc.) ou de bens
móveis inservíveis (veículos, máquinas e equipamentos) ou legalmente apreendidos (pela Receita
Federal, por exemplo) a quem oferecer o maior lance.

O edital do leilão deve ser amplamente divulgado, obrigatoriamente no site oficial e afixado em local
de ampla circulação de pessoas na sede da Administração Pública, podendo ser utilizados outros
meios que propiciem a ampliação da publicidade e competitividade (§ 3º do artigo 31).

Os interessados em participar do leilão não precisarão se cadastrar previamente e não haverá fase de
habilitação. O leilão terá o seguinte rito: fase de lances, fase recursal, pagamento pelo vencedor e
homologação, conforme será estipulado em edital (§ 4º do artigo 31 da Lei nº 14.133/2021).

24
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

1.2.5 Diálogo Competitivo

O diálogo competitivo é a nova modalidade criada pela Lei nº 14.133/2021 que define no inciso XLII
do art. 6 como “a modalidade de licitação para contratação de obras, serviços e compras em que a
Administração Pública realiza diálogos com licitantes previamente selecionados mediante critérios
objetivos, com o intuito de desenvolver uma ou mais alternativas capazes de atender às suas
necessidades, devendo os licitantes apresentar proposta final após o encerramento dos diálogos”.

O diálogo competitivo se insere no contexto em que o Estado tem conhecimento da sua necessidade,
mas há impossibilidade de o órgão ou entidade ter sua necessidade satisfeita sem a adaptação de
soluções disponíveis no mercado. A modalidade teve por inspiração a Diretiva da União Europeia nº
2014/24.

A nova Lei reserva o uso do diálogo competitivo apenas para objetos que envolvam inovação
tecnológica e alta complexidade, nos quais a Administração precisa de colaboração do mercado para
identificar soluções técnicas adequadas e, assim, definir as especificidades do que irá contratar.

25
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

Essa modalidade também poderá ser adotada para as licitações de concessões de serviços públicos e
parcerias público-privadas, conforme previsto nos artigos 179 e 180 da Nova Lei de Licitações e
Contratos Administrativos que alteraram a Lei nº 8.987/95 e a Lei nº 11.079/04.

O caso das PPPs é bem ilustrativo das situações que justificam o recurso ao diálogo, pois, nas
parcerias entre o público e o privado, o Estado quer uma solução, mas a quer com a colaboração do
privado, que irá empreender assumindo parcela considerável dos riscos. Com isso, não será difícil a
ocasião em que a autoridade adjudicante não terá conhecimento das soluções que o mercado tem
para oferecer (Oliveira, 2021).

Como exemplo de diálogo competitivo, podemos citar a Portaria nº 4.951 da Central de Compras da
Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, do Ministério da Economia,
que designou servidores para comporem a comissão para condução do Diálogo Competitivo n°
01/2021, que tem por objetivo a contratação de solução para o desenvolvimento de medidas
sustentáveis à eficiência energética dos prédios situados na Esplanada dos Ministérios.

Outro exemplo para ilustrar é a situação em que o Poder Público necessita resolver um problema
relacionado a abastecimento de água em determinado município. É bem possível que, dada a
particularidade do local, a solução seja revestida de complexidade que impossibilite o Estado de
saber qual a alternativa adequada que o mercado tem para suprir a carência de água da localidade
(poços artesianos, cisternas, construção de canal para escoar água de um reservatório próximo etc.).
Nesse caso, o recurso ao diálogo competitivo é uma possibilidade, pois a dificuldade encontra-se na
definição da solução do problema a ser resolvido pela Administração (Oliveira, 2021).

As etapas do diálogo competitivo podem ser sintetizadas conforme imagem apresentada a seguir:

26
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021).

27
1.3 – Critérios de Julgamento

Critérios de julgamento são os possíveis critérios a serem observados no julgamento das propostas no
procedimento licitatório. Os critérios de julgamento das propostas na NLLCA se equiparam aos tipos
de licitação contidos no art. 45, § 1º, da Lei nº 8.666/93.

O art. 33 da Lei nº 14.133/2021 inseriu novos critérios de julgamento em comparação com a Lei nº
8.666/93, a exemplo do maior desconto, melhor técnica ou conteúdo artístico e maior retorno
econômico, como detalhado no quadro a seguir:

1.3.1 – Menor preço

Nesse critério, o vencedor será o licitante que apresentar a proposta com o menor preço. Esse critério
já existia na Lei nº 8.666/93, porém foi incluída uma importante exigência de levar em consideração
o menor dispêndio, atendidos os parâmetros mínimos de qualidade definidos no edital.

Para definição do menor dispêndio, poderão ser considerados despesas com manutenção, utilização,
reposição, depreciação e impacto ambiental do objeto licitado, entre outros fatores vinculados ao seu
ciclo de vida (§ 1º do art. 34 da Lei nº 14.133/2021). Como exemplo, podemos destacar a análise do
custo total de propriedade de uma alternativa de compra de um veículo popular em comparação com
serviço de transporte utilizando aplicativo, considerando um período de 5 (cinco) anos:

Cenário I – Aquisição de um veículo popular


Ano
2022 2023 2024 2025 2026
Item
Aquisição 36.600 - - - -
Combustível 2.331 2.331 2.331 2.331 2.331
Revisões 550 550 550 550 550
Impostos e Taxas 2.240 1.440 1.404 1.368 1.332
Seguros 2.340 1.728 1.383 1.106 885
Custo Total Ano 43.461 6.099 5.817 5.505 5.198
Valor Depreciado 28.800 23.040 18.432 14.746 11.796
CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE 54.284
Fonte: Elaboração própria a partir de Enap, 2021

* Obs. 1: No exemplo hipotético, foram utilizados como parâmetro: i) trajeto ida e volta: 40 km; ii)
dias no mês: 20 (vinte); iii) meses no ano (exclui férias): 11 (onze).

* Obs. 2: Custo Total de Propriedade = Soma do Custo Total dos anos 1 (R$ 43.461,00), 2 (R$
6.099,00), 3 (R$ 5.817,00), 4 (R$ 5.505,00) e 5 (Custo total do ano 5 de R$ 5.198,00 – valor
depreciado de R$ 11.796,00, resultando em - R$ 6.598,00).

* Obs. 3: Para apresentar um exemplo mais realista, foi incluído no cálculo do custo total de
propriedade o valor referente à venda do veículo ao final do período quando se tratar de aquisição.

28
Cenário II – Serviço de transporte por aplicativo
Ano
2022 2023 2024 2025 2026
Item
Custo do trajeto ida 4.840 4.840 4.840 4.840 4.840
Custo do trajeto
5.940 5.940 5.940 5.940 5.940
volta
Custo Total Ano 10.780 10.780 10.780 10.780 10.780
CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE 53.900
Fonte: Elaboração própria a partir de Enap (2021)

Considerando os custos totais de propriedade do exemplo hipotético, a utilização de transporte por


aplicativo se mostra a solução apta a gerar o resultado mais vantajoso para a Administração,
considerando o ciclo de vida do objeto.

Conforme destaca Jessé Torres Pereira Junior, é de esperar-se que de licitação assim estruturada e
conduzida resulte em contratação de objetos de qualidade pelo menor preço, abolindo-se a cultura do
menor preço por si só, que sempre prevaleceu na Administração Pública brasileira, em detrimento do
dispêndio, ou seja, despesas com manutenção, correção, troca, adaptação, reposição que, entre outras
providências, acompanham, em regra, a contratação de produtos de qualidade inferior, com a
decorrente prevalência do conhecido adágio de que “o barato sai caro”.

Em linhas gerais, a Administração Pública deve estar atenta a outras características da proposta que
possam configurar materialmente um melhor preço de contratação. Isso para evitar a adjudicação de
ofertas de qualidade ruim, que necessitem de constante manutenção ou que estejam na contramão de
medidas que garantam sustentabilidade ambiental, todas circunstâncias que eventualmente
acarretarão mais custos aos cofres públicos. Em síntese, o menor preço não poderá ser considerado
critério absoluto, devendo ser equacionado com parâmetros objetivos de menor dispêndio (Niebuhr
et al., 2021).

Para o TCU, a administração pública deve procurar produtos e serviços com a devida qualidade e
que atendam adequadamente às suas necessidades. É preciso mudar o paradigma, que infelizmente
ainda predomina no campo das aquisições públicas, da busca do “menor preço a qualquer custo”.

Esse paradigma tem levado, muitas vezes, a administração a contratar bens, serviços e obras de baixa
qualidade, que não atendem a contento às necessidades e que afetam o nível dos serviços públicos
prestados. E, muitas vezes, sequer a aparente economia de recursos que se vislumbrava conseguir
efetivamente se concretiza em médio e longo prazos, uma vez que esse tipo de contratação
geralmente implica substituições em prazos mais curtos, maiores custos de manutenção etc.

Evidentemente, essa busca pela qualidade não significa descuidar da economicidade ou


desconsiderar a necessidade de ampliação da competitividade das licitações. Mas a obtenção de
preços de aquisição mais baixos não pode ser atingida às custas da contratação de produtos de baixa
qualidade ou de empresas sem condições de prestar serviços adequados. (Acórdão nº 1.225/2014 –
P).

29
1.3.2 – Maior desconto

O julgamento por maior desconto terá como referência o preço global fixado no edital de licitação, e
o desconto será estendido aos eventuais termos aditivos. Ele é empregado naqueles casos em que a
Administração adota um valor de referência para aplicação do desconto e requer propostas em forma
de percentual de desconto incidente sobre esse preço.

Como exemplo podemos citar as licitações que ocorrem para contratação de combustíveis (maior
desconto sobre a tabela da Agência Nacional de Petróleo), livros (preço dos livros listados nos
catálogos oficiais das respectivas editoras), peças de automóvel (maior desconto sobre a tabela do
fabricante), alimentos perecíveis (maior desconto sobre a tabela CEASA, CEAGESP ou
equivalente), passagem aérea.

Assim como no critério de julgamento menor preço, o maior desconto considerará o menor
dispêndio para a Administração. E quando for usado este critério de julgamento, o preço estimado
ou máximo aceitável deverá constar do edital de licitação (Parágrafo único do art. 24 da Lei nº
14.133/2021).

Esses 2 (dois) critérios de julgamento podem ser assim sintetizados:

30
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

1.3.3 – Melhor técnica ou conteúdo artístico

O julgamento por melhor técnica ou conteúdo artístico serve para contratação de projetos e trabalhos
de natureza técnica, artística ou científica (art. 35 da Lei nº 14.133/2021).

Nesse caso, o julgamento irá considerar somente as propostas técnicas ou artísticas apresentadas
pelos licitantes. Isto é, não haverá atribuição de nota relativamente aos preços formulados pelos
interessados, devendo o edital fazer definição clara do prêmio ou remuneração devida aos
vencedores do certame.

O edital deverá definir o prêmio ou a remuneração que será atribuída aos vencedores.

31
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

1.3.3 – Técnica e preço

A definição do vencedor se dará em função de critérios técnicos e dos valores contidos nas
propostas, conforme orienta o princípio do julgamento objetivo.

Esse critério de julgamento deve ser utilizado na contratação de serviços técnicos de natureza
predominantemente intelectual, em especial na elaboração de projetos, cálculos, fiscalização,
supervisão e gerenciamento e de engenharia consultiva em geral e, em particular, para a elaboração
de estudos técnicos preliminares e de projetos básicos e executivos.

O julgamento por técnica e preço deve ser precedido de estudo preliminar, que demonstre de maneira
consistente que a qualidade técnica das propostas seja destacadamente relevante ao objeto buscado
pela Administração Pública (Art. 36 da Lei nº 14.133/2021).

Portanto, esse critério de julgamento se aplica nos casos em que o aspecto técnico se mostra tão ou
mais relevante do que o preço desembolsado pela Administração.

A imagem a seguir sintetiza as principais característica desse critério de julgamento:

32
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

1.3.4 – Maior lance

O critério de maior lance na Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos é exclusivo do


leilão, se aplicando somente nos casos de alienação de bens imóveis ou de bens móveis inservíveis
ou legalmente apreendidos.

1.3.5 – Maior retorno econômico

Segundo art. 39 da Lei nº 14.133/2021, o julgamento por maior retorno econômico, utilizado
exclusivamente para a celebração de contrato de eficiência, considerará a maior economia para a
Administração e a remuneração deverá ser fixada em percentual que incidirá de forma proporcional à
economia efetivamente obtida na execução do contrato.

33
Define-se contrato de eficiência como o contrato cujo objeto é a prestação de serviços, que pode
incluir a realização de obras e o fornecimento de bens, com o objetivo de proporcionar economia ao
contratante, na forma de redução de despesas correntes, remunerado o contratado com base em
percentual da economia gerada (inciso LIII do art. 6º).

O objetivo do contrato de eficiência será proporcionar uma economia à Administração Pública


contratante, na forma de redução de despesas correntes.

Segundo glossário da plataforma +Brasil do Ministério da Economia, despesas correntes são


despesas de custeio de manutenção das atividades dos órgãos da administração pública, como por
exemplo: despesas com pessoal, juros da dívida, aquisição de bens de consumo, serviços de terceiros,
manutenção de equipamentos, despesas com água, energia, telefone etc.

Estão nesta categoria as despesas que não concorrem para ampliação dos serviços prestados pelo
órgão, nem para a expansão das suas atividades.

Para entender melhor o funcionamento desse critério de julgamento, imagine que, em determinado
certame, o licitante X se comprometa a reduzir as despesas com energia elétrica em R$ 100.000,00
(proposta de trabalho), mediante o recebimento de 10% sobre esse montante (proposta de preço). Já
o licitante Y se compromete a reduzir as despesas em R$ 200.000,00, mas mediante recebimento de
20% sobre esse montante.

No caso da proposta do licitante X, o benefício líquido para a Administração será de R$ 90.000,00


caso a empresa alcance o objetivo a que se comprometeu. No caso da proposta do licitante Y, o
benefício líquido será de R$ 160.000,00.

Nesse contexto, como o critério estabelecido no edital é o do maior retorno econômico, a proposta do
licitante Y deve ser selecionada, pois proporciona maior economia para a Administração Pública.

Podemos sintetizar as principais informações sobre esse critério de julgamento da seguinte forma:

34
Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

1.5 – Contratação Direta

Conforme já comentado, a regra geral dos órgãos e entidades da administração pública quando
precisar comprar bens ou contratar obras e serviços é a realização da licitação. No entanto, a própria
Constituição Federal contempla a possibilidade de a lei estabelecer hipóteses em que a licitação não
acontecerá ou poderá não acontecer.

Essas situações estão apresentadas na Lei nº 14.133/2021 como contratação direta, hipótese em que a
licitação é legalmente dispensada, dispensável ou inexigível.

Nesse sentido, o art. 72 da referida lei define que o processo de contratação direta deverá ser
instruído com os seguintes documentos:

35
I - documento de formalização de demanda e, se for o caso, estudo técnico
preliminar, análise de riscos, termo de referência, projeto básico ou projeto
executivo;

II - estimativa de despesa, que deverá ser calculada na forma estabelecida


no art. 23 desta Lei;

III - parecer jurídico e pareceres técnicos, se for o caso, que demonstrem o


atendimento dos requisitos exigidos;

IV - demonstração da compatibilidade da previsão de recursos orçamentários


com o compromisso a ser assumido;

V - comprovação de que o contratado preenche os requisitos de habilitação e


qualificação mínima necessária;

VI - razão da escolha do contratado;

VII - justificativa de preço;

VIII - autorização da autoridade competente.

Na esteira desse entendimento, apresentaremos a seguir as hipóteses legais de inexigibilidade e


dispensa de licitação previstas na Lei nº 14.133/2021:

6.1.1 Inexigibilidade

Inexigibilidade de licitação são situações de exceção, caracterizadas pela impossibilidade de


competição, o que inviabiliza a realização do procedimento licitatório.

O art. 74 da Lei nº 14.133/2021 relaciona exemplos de casos de inexigibilidade de licitação. Ao


contrário da dispensa de licitação, em que a Lei define taxativamente as situações possíveis, os
casos de inexigibilidade citados na referida norma são apenas exemplificativos.

Assim, outras contratações em que esteja caracterizada a inviabilidade de competição, além daquelas
descritas na lei, podem ser efetivadas por meio da inexigibilidade de licitação.

Além da inviabilidade de competição referida no caput do art. 74, a inexigibilidade de licitação pode
ser utilizada na contratação de:

I) aquisição de materiais, de equipamentos ou de gêneros ou contratação de serviços que só


possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivos.

Nas contratações com fundamento neste inciso, a Administração deverá demonstrar a inviabilidade
de competição mediante atestado de exclusividade, contrato de exclusividade, declaração do
fabricante ou outro documento idôneo capaz de comprovar que o objeto é fornecido ou prestado por
produtor, empresa ou representante comercial exclusivos, vedada a preferência por marca específica.

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Cabe destacar que ser “único” não é a mesma coisa que ser “exclusivo”. Quando o fornecedor é
único, a inviabilidade de competição é absoluta, ou seja, não há outro disponível. Por sua vez,
quando o fornecedor é “exclusivo”, existem outros que fornecem o objeto, mas por uma razão
qualquer somente aquela empresa tem autorização para fornecê-lo.

Prefeitura em Santa Catarina: sucessivos contratos diretos para transporte escolar


Condenados os envolvidos em sucessivos contratos diretos com a mesma empresa para
transporte público de munícipes e escolares, sob a alegação de que era a única empresa com
capacidade para atender a demanda. Ficou comprovada a existência de diversas empresas
situadas na região potencialmente aptas a desempenhar o serviço. Também ficou consignada a
ilegalidade de impor discriminação fundada em critério geográfico – como no caso de limitar a
contratação a empresas com sede no Município - por manifesta afronta ao princípio da
isonomia. (TJSC. Apelação Criminal nº 2013.049860-7)

II) contratação de profissional do setor artístico, diretamente ou por meio de empresário


exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.

A caracterização da hipótese de inexigibilidade de licitação para a contratação de artista consagrado


por intermédio de empresário exclusivo (pessoa física ou jurídica) exige a apresentação do contrato,
declaração, carta ou outro documento que ateste a exclusividade permanente e contínua de
representação, no País ou em Estado específico, do profissional do setor artístico.

Além disso, não há possibilidade de contratação direta por inexigibilidade de licitação por meio de
empresário com representação restrita a evento ou local específico (§ 2º do art. 74 da Lei nº
14.133/2021).

No Paraná, o Tribunal de Contas estadual (TCE-PR, Acórdão nº 761/2020-TP) destacou que a


crítica especializada é composta por pessoas que estão presentes no meio cultural e artístico,
exercendo influência na produção e divulgação de bens culturais com análises e opiniões. A
consagração por esse nicho, exigida pela Nova Lei de Licitações para justificar a inexigibilidade,
pode ser identificada por meio de publicações que aprovem o artista.

A outra forma de consagração prevista pela lei é pela opinião pública. Essa pode ser comprovada
pelo número de vendas, downloads ou outra forma identificável de consumo de músicas, álbuns,
peças e demais produtos de arte. Podem ser analisados o número e o valor de shows e ingressos
vendidos; a quantidade de seguidores e fãs identificados nas redes sociais, mídias alternativas e
convencionais; e a existência de fã-clubes, entre outras evidências de aprovação e sucesso do artista.

Um mecanismo de comprovação da consagração pela opinião pública poderia ser o número de


execuções ou pedidos em rádios locais. Uma pesquisa de opinião, por amostragem, entre os
moradores da comunidade a ser beneficiada.

O relator do processo no TCE/PR ponderou que esse tipo de contratação depende das peculiaridades
do interesse que se busca satisfazer. Festa popular de pequena comunidade, por exemplo, pode
comportar bandas que tenham aceitação na região, mesmo sem renome nacional. O que a lei busca

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evitar são as contratações arbitrárias, baseadas em preferências totalmente pessoais ou de artistas
desconhecidos, em especial no meio em que se apresentarão.

Além disso, há outro aspecto relevante nessas contratações. Por não se relacionarem às áreas de
atuação prioritária do poder público, como saúde, educação e assistência social, merecem redobrada
análise quanto à viabilidade e pertinência das despesas.

III) contratação dos seguintes serviços técnicos especializados de natureza predominantemente


intelectual com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade
para serviços de publicidade e divulgação:

a) estudos técnicos, planejamentos, projetos básicos ou projetos executivos;

b) pareceres, perícias e avaliações em geral;

c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias;

d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;

e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;

f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal;

g) restauração de obras de arte e de bens de valor histórico;

h) controles de qualidade e tecnológico, análises, testes e ensaios de campo e


laboratoriais, instrumentação e monitoramento de parâmetros específicos de
obras e do meio ambiente e demais serviços de engenharia que se enquadrem
no disposto neste inciso.

Nesse contexto, a Lei nº 14.133/2021 considera notória especialização o profissional ou a empresa


cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos,
experiência, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica ou outros requisitos
relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e reconhecidamente
adequado à plena satisfação do objeto do contrato.

Veja-se que a notória especialização é aquela detida por instituição ou pessoa reconhecida e
consolidada no ramo da atividade que desenvolve. A especialização é notória quando é reconhecida,
inclusive por aqueles que não são do ramo. Todo mundo conhece, sabe o que são e o que fazem, por
exemplo, a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE),
a Universidade de São Paulo (USP).

IV - objetos que devam ou possam ser contratados por meio de credenciamento

O credenciamento é hipótese de inexigibilidade de licitação que se adota quando a Administração


tem por objetivo dispor da maior rede possível de interessados em prestar serviços ou fornecer bens.
Nessa situação, a inviabilidade de competição não decorre da ausência de possibilidade de
competição, mas sim da ausência de interesse da Administração em restringir o número de
contratados.

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Nos termos do inciso XLIII do art. 6º da Lei nº 14.133/2021, credenciamento é o “processo
administrativo de chamamento público em que a Administração Pública convoca interessados em
prestar serviços ou fornecer bens para que, preenchidos os requisitos necessários, se credenciem no
órgão ou na entidade para executar o objeto quando convocados”.

Na esteira desse entendimento, o credenciamento pode ser utilizado para a contratação de


profissionais de saúde, tanto para atuarem em unidades públicas de saúde quanto em seus próprios
consultórios e clínicas, quando se verifica a inviabilidade de competição para preenchimento das
vagas, bem como quando a demanda pelos serviços é superior à oferta e é possível a contratação de
todos os interessados, devendo a distribuição dos serviços entre os interessados se dar de forma
objetiva e impessoal.

Essa forma de seleção favorece o usuário, na medida em que aumenta suas opções para a realização
de consultas, tratamentos, exames, ao mesmo tempo em que resguarda o princípio da
impessoalidade.

Outro exemplo de possibilidade de uso do credenciamento é a aquisição de passagens aéreas em


linhas regulares domésticas, sem a intermediação de agência de viagem, por ser inviável a
competição entre as companhias aéreas e entre estas e as agências de viagens.

Nesse caso, a demanda da Administração por viagens aéreas estaria a envolver uma diversidade de
itinerários, datas e horários que não poderia ser atendida por apenas uma única empresa, ante a
inexistência de companhia aérea que atendesse a todos os trechos e horários da forma pretendida
pelo setor público. Pela natureza do serviço, não existe relação de exclusão, isto é, o serviço a ser
contratado não precisa ser prestado com exclusividade por um prestador, mas pode ser prestado por
todos que satisfaçam os requisitos definidos pela administração pública (Acórdão TCU nº 1094/2021
– P).

V - aquisição ou locação de imóvel cujas características de instalações e de localização tornem


necessária sua escolha.

Nas contratações com fundamento neste item, devem ser observados os seguintes requisitos:

I - avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação, dos custos de


adaptações, quando imprescindíveis às necessidades de utilização, e do prazo
de amortização dos investimentos;

II - certificação da inexistência de imóveis públicos vagos e disponíveis que


atendam ao objeto;

III - justificativas que demonstrem a singularidade do imóvel a ser comprado


ou locado pela Administração e que evidenciem vantagem para ela.

Essas hipóteses de inexigibilidade de licitação podem ser mais bem demonstradas na imagem a
seguir:

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Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021)

6.1.2 Dispensa de licitação

A dispensa de licitação ocorre quando existe possibilidade jurídica de competição, porém, a lei
determina sua dispensa ou autoriza a contratação direta do objeto para atender as necessidades da
administração.

São situações de exceção, em que, embora possa haver competição, a realização do procedimento
licitatório pode demonstrar-se inconveniente ao interesse público. São hipóteses de dispensa de
licitação a licitação dispensada (Art. 76 Lei nº 14.133/2021) e licitação dispensável (Art. 75 da
Lei nº 14.133/2021).

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Dentre as hipóteses de licitação dispensável, destacamos os seguintes incisos:

Art. 75. É dispensável a licitação:

I - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 100.000,00 (cem mil


reais), no caso de obras e serviços de engenharia ou de serviços de
manutenção de veículos automotores;

II - para contratação que envolva valores inferiores a R$ 50.000,00


(cinquenta mil reais), no caso de outros serviços e compras;

A dispensa de licitação por baixo valor pode ser sintetizada da seguinte forma:

Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021).

Dois pontos merecem destaque. O primeiro é que para fins de aferição dos valores que atendam aos
limites previstos para dispensa em função do valor, deverão ser observados o somatório do que for
despendido no exercício financeiro pela respectiva unidade gestora.

O segundo é que esse limite está vinculado ao somatório da despesa realizada com objetos de mesma
natureza, entendidos como tais aqueles relativos a contratações no mesmo ramo de atividade.

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Nos casos de consórcio público ou por autarquia ou fundação qualificadas como agências executivas
na forma da lei, os valores definidos nos incisos I e II serão duplicados.

Na esteira desse entendimento, a dispensa de licitação, com fundamento no baixo valor, para a
aquisição de bens ou a contratação de serviços cujos montantes globais ultrapassem os limites
previstos na Lei de Licitações, configura fracionamento de despesa e contraria a legislação e a
jurisprudência dos órgãos de controle.

O fracionamento de despesa se caracteriza quando se divide a despesa para utilizar modalidade


de licitação inferior à recomendada pela legislação para o total da despesa, ou para efetuar
contratação direta.

O entendimento com base na Lei nº 14.133/2021 é o de que a realização de contratações ou


aquisições de mesma natureza, entendidos como tais aqueles relativos a contratações no mesmo ramo
de atividade, no mesmo exercício financeiro pela respectiva unidade gestora, cujos valores excedam o
limite previsto para Dispensa de Licitação, demonstra falta de planejamento e caracteriza fuga ao
procedimento licitatório e fracionamento ilegal da despesa.

Um exemplo dessa prática pode ser lido na sentença que condenou um vereador em Mato Grosso
(Apelação nº 38353/2013, da Justiça Estadual). Durante o ano de 2004, quando era Presidente da
Câmara Municipal, o vereador comprou, sem licitação, R$ 30 mil em equipamentos de informática,
dividindo as compras em dois fornecedores e notas fiscais, sempre de forma a não ultrapassar o limite
da época, de R$ 8 mil.

Nesse julgamento, assim como acontece em muitos casos do gênero, os acusados alegaram que não
sabiam se os valores da dispensa se referiam a cada compra ou anualmente. Mas o Juiz entendeu que
essa alegada ignorância não pode ser usada como desculpa, especialmente nesse caso, que o
fracionamento das compras ocorreu pela emissão de várias notas fiscais no mesmo dia.

Para o STJ (Jurisprudência em Teses, edição nº 97), contratar por dispensa ou inexigibilidade, sem
fundamento, gera lesão presumida ao erário (dano in re ipsa), na medida em que o Poder Público
perde a oportunidade de contratar melhor proposta.

Para ilustrar outros casos de fracionamento de despesas indevido, para fugir de licitação, podemos
citar uma sentença da Justiça Federal no Amazonas, que condenou sócios de uma empresa e agentes
públicos por improbidade administrativa. No mesmo ano, foram 8 dispensas para transporte de
pessoas, sempre com o mesmo fornecedor.

Para a Justiça, além do fracionamento irregular da despesa, a empresa não poderia ser contratada em
razão de seu sócio-administrador ser irmão do chefe do setor financeiro, gerando conflito de
interesses e violação dos princípios da moralidade e da impessoalidade. Na decisão, a Justiça
concluiu que o agente público se valeu do cargo para autorizar o pagamento de despesas em claro
favorecimento de empresa particular, em detrimento da função pública (JFAM. Processo nº 0001250-
81.2015.4.01.3200).

Além disso, § 3º do art. 75 da Lei nº 14.133/2021 define que essas contratações serão
preferencialmente pagas por meio de cartão de pagamento, cujo extrato deverá ser divulgado e
mantido à disposição do público no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).

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Sobre dispensa de licitação de baixo valor, a CGU realizou auditoria em 2019 com objetivo de
avaliar a eficiência e economicidade desse tipo de contratação pela Administração Pública Federal,
resultando nas seguintes conclusões (Relatório de Avaliação nº 201902510):

þ 75% das dispensas realizadas em 2019 foram para compras com valores de até R$ 5.000,00,
enquanto o custo administrativo do procedimento foi estimado em R$ 4.400,90;
þ O tempo médio de realização da dispensa de licitação em 2019 foi de 33 (trinta e três dias)
por conta da inexistência de padronização de rotinas e documentos, falta de integração de
bases de dados e ausência de possibilidade de realização de declarações via sistema, entre
outros motivos;
þ Prazo de pagamento das contratações de baixo valor é demasiado extenso, chegando a 18
(dezoito) dias entre a emissão da Nota de Liquidação e da Ordem Bancária em algumas
organizações.

Por esse motivo, as inovações trazidas pela Lei nº 14.133/2021 podem contribuir para dar mais
eficiência, celeridade e economicidade ao processo de dispensa de licitação de baixo valor, a
exemplo da possibilidade de dispensa de elaboração de parecer jurídico em contratações de baixo
valor (§ 5º do art. 53), padronização de minutas de termos de referência e contratos (art. 19, IV),
pagamentos preferencialmente por cartão de pagamento (§ 3º do art. 75), centralização dos
procedimentos de aquisição (inciso I do art. 19) e a criação de catálogo eletrônico de padronização
(inciso II do art. 19).

Outro tipo de licitação dispensável que merece nossa atenção está definido no inciso VIII, que assim
dispõe:
(...)
VIII - nos casos de emergência ou de calamidade pública, quando
caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar
prejuízo ou comprometer a continuidade dos serviços públicos ou a
segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos
ou particulares, e somente para aquisição dos bens necessários ao
atendimento da situação emergencial ou calamitosa e para as parcelas de
obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 1 (um) ano,
contado da data de ocorrência da emergência ou da calamidade, vedadas a
prorrogação dos respectivos contratos e a recontratação de empresa já
contratada com base no disposto neste inciso.

Nesse sentido, considera-se emergencial a contratação por dispensa com objetivo de manter a
continuidade do serviço público, e deverão ser observados os valores praticados pelo mercado na
forma do art. 23 da Lei nº 14.133/2021 e adotadas as providências necessárias para a conclusão do
processo licitatório, sem prejuízo de apuração de responsabilidade dos agentes públicos que deram
causa à situação emergencial.

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Fonte: Elaboração própria a partir de Almeida (2021).

Um caso dessa natureza levou à condenação em primeira instância de ex-Governador do Distrito


Federal, por contratar sem licitação a reforma do Ginásio Nilson Nelson, em 2008, para sediar o
Campeonato Mundial de Futsal. Segundo a denúncia, o então Governador demorou demais para
providenciar a contratação, o que resultou em Dispensa realizada às pressas. Para o Ministério
Público, a Administração não pode “fabricar” uma suposta emergência e com isso burlar a
obrigatoriedade da licitação (Processo: 2010.01.1.179348-6, TJDFT).

Na hipótese de contratação direta indevida ocorrida com dolo, fraude ou erro grosseiro, o contratado
e o agente público responsável responderão solidariamente pelo dano causado ao erário, sem prejuízo
de outras sanções legais cabíveis (Art. 73 da Lei nº 14.133/2021).

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QUAIS CONTROLES VOCÊ PODE IMPLEMENTAR?

I – implementar estruturas e processos de governança, gestão de riscos e controles internos em


contratações públicas, a exemplo de comitê de governança, riscos e controles; planos e políticas
de governança, riscos e controles na organização, conforme disposto no parágrafo único do art.
11 da Lei nº 14.133/2021;

II – na estruturação da governança, gestão de riscos e controles internos em contratações, adotar


o modelo de 3 linhas de defesa previsto no § 1, art. 169 da Lei nº 14.133/2021;

III – instituir centrais de compras, com objetivo de realizar compras em grande escala (art. 181 da
Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos);

IV – para municípios com até 10.000 habitantes, constituir, preferencialmente, consórcios


públicos para realização de compras, nos termos do parágrafo único do art. 181 da Lei nº
14.133/2021;

V - instituir instrumentos que permitam, preferencialmente, a centralização de procedimentos de


aquisição e contratação de bens e serviços (art. 19, I, III, Lei nº 14.133/2021); e

VI - realizar licitação preferencialmente na forma eletrônica, registrando em ata, gravando em


vídeo e anexando no processo quando optar pela forma presencial (art. 17, § 2, da Lei nº
14.133/2021); e

VII – elaborar/atualizar manual de normas definindo os procedimentos a serem adotados na


execução das principais atividades relacionadas à licitação na Unidade, em conformidade com a
Lei nº 14.133/2021, com especial destaque para: (a) os procedimentos que devem ser executados;
(b) os itens que devem ser verificados; (c) a indicação dos dispositivos legais que tratam
especificamente sobre a atividade; (d) a previsão de identificação dos responsáveis pela
execução, revisão e supervisão dos procedimentos.

SAIBA MAIS
Encontra-se disponível no material complementar do curso o Relatório de Auditoria 201900852 com
o resultado da análise comparativa da competitividade, vantajosidade, isonomia e transparência entre
o Pregão Eletrônico e o Presencial realizado pelas prefeituras do Estado de Mato Grosso no exercício
de 2018 e o Estudo do Banco Mundial sobre compras públicas no Brasil.

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SÍNTESE

Nesta aula, vimos que o processo de aquisição é uma atividade estratégica e extremamente relevante
no contexto da Administração Pública, envolvendo elevada materialidade de recursos públicos e, em
função disso, com muitos riscos de erros e irregularidades.

Estudamos as principais modalidades de licitação, especialmente a concorrência e o pregão e


aprendemos sobre os critérios de julgamentos que podem ser adotados em uma licitação.

Também vimos que o Pregão Eletrônico nas prefeituras de Mato Grosso atraiu, em média, 59%
[53%; 66%] mais licitantes que o Pregão Presencial no ano de 2018. Isso porque o Pregão Presencial
contou com 2,87 licitantes por certame, ao passo que no Pregão Eletrônico a média foi de 4,56.

Além disso, foi verificado que a eficiência financeira do Pregão Eletrônico em relação ao Presencial
é, na média, 5% maior. Isso significa que, se todos os municípios de Mato Grosso substituíssem
integralmente todos os Pregões Presenciais por Pregões Eletrônicos, poderia haver uma economia
média estimada de R$ 172.358.015,00.

Finalmente, concluímos aprendendo sobre as hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação


tratadas na Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (NLLCA).

Na próxima aula serão abordadas as fases da licitação e as principais solenidades exigidas para
elaboração de um adequado planejamento da contratação.

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