ATÉ QUE PONTO CONFIAR NUMA MEDIDA?
Medidas Físicas
As medidas de grandezas físicas podem ser classificadas em duas categorias: medidas
diretas e indiretas.
A medida direta de uma grandeza é o resultado da leitura de uma magnitude mediante o
uso de instrumento de medida, como por exemplo, um comprimento com uma régua
graduada, ou ainda a de uma corrente elétrica com um amperímetro, a de uma massa com
uma balança ou de um intervalo de tempo com um cronômetro.
Uma medida indireta é a que resulta da aplicação de uma relação matemática que
vincula a grandeza a ser medida com outras diretamente mensuráveis. Como por exemplo, a
medida da velocidade média v̄ de um carro pode ser obtida através da medida da distância
Δx e o intervalo e tempo Δt , sendo v̄ = Δx / Δt .
ERRO
Quando a medida, de uma grandeza já é conhecida com maior precisão, e
constatamos uma diferença entre o valor conhecido e o medido, dizemos que cometemos um
erro.
Exemplo: se a aceleração da gravidade num lugar é g=9,81 m/s² e encontramos
experimentalmente o valor g = 9,80 m/s², cometemos um erro.
a) Erro absoluto: Δg = (9,81 – 9,80) m/s² = 0,01 m/s²
b) Erro relativo:
c) Erro percentual: Δ% = Δr x 100 = 1 x 10-3 x 100 = 0,1%
DESVIO
Dizemos que a diferença é um desvio, quando comparada com o valor mais provável.
Adotamos como valor mais provável a média aritmética dos valores encontrados.
Exemplo: medimos cinco (5) vezes o período de um pêndulo simples e encontramos:
1 2 3 4 5 soma média
t(s) 2,20 2,22 2,20 2,21 2,22 11,05 2,21
2,21 s é o valor mais provável, e a diferença entre ele e qualquer das cinco (5) medidas é o
desvio.
a) Desvio absoluto: Δt = (2,21 –2,20)s = 0,01s
b) Desvio relativo:
O desvio relativo nos dá, de uma certa forma, uma informação a mais acerca da qualidade
do processo de medida e nos permite decidir, entre duas medidas, qual a melhor.
c) Desvio percentual: Δ% = Δr x 100 = 4 x 10-3 x 100 = 0,4%
INCERTEZA – REVISÃO DE ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS
1. Definição: são algarismos que representam realmente uma medida. Uma grandeza
medida, além dos algarismos exatos, deve apresentar um algarismo chamado de avaliado ou
duvidoso.
Exemplo: observando a Figura 1 notamos que o comprimento da barra AB está entre 2,1 cm
(ou 21 mm) e 2,2 cm (ou 22 mm). Podemos então estimar (chutar) que esta barra tem um
comprimento de “aproximadamente” 2,12 cm (ou 21,2 mm).
2 e 1 ⇨ são Algarismos Exatos
0,02 ⇨ é o Algarismo Duvidoso (ou Avaliado)
A B
0 1 2 3
cm
Figura 1 Medida do comprimento de uma barra AB utilizando uma régua.
Como devemos então escrever uma medida corretamente ?
“UMA MEDIDA SEMPRE DEVE CONTER OS ALGARISMOS EXATOS
E O DUVIDOSO“
Uma medida deve então ser apresentada pelos ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS que são
constituidos pelos algarismos não duvidosos (confiáveis) mais os algarismos duvidosos
(incertos).
2. Observações:
“zeros” à esquerda do número não são algarismos significativos
Ex.: 0,0374 m = 3,74 cm
Neste caso temos tres algarismos significativos, ou seja, os números: 3; 7 e 4 é duvidoso
“zeros” à direita do número são algarismos significativos
Ex.: 0,0608 m = 6,08 cm
Neste caso temos tres algarismos, 6; 0 e 8 é o duvidoso
Para estimarmos qual o nosso erro ao realizarmos uma medida, ou seja, qual a nossa
incerteza, “geralmente” podemos considerar a metade da menor divisão da escala do
equipamento utilizado (régua, paquímetro, termômetros, balanças, etc).
Atenção! apesar deste procedimento ser “correto” em vários casos, não significa que
sempre podemos tomar a metade da menor escala como sendo o erro.
Ex. Numa régua a menor divisão é 1 mm = 0,1 cm, portanto a metade desta divisão é
0,05 cm, que corresponde a nossa incerteza.
(3,74 ± 0,05) cm (37,4 -+0,5)mm
“A INCERTEZA DEVE FICAR SEMPRE NA MESMA CASA DECIMAL DO ALGARISMO
DUVIDOSO.”
3. Regras
Regra I: para saber quantos algarismos significativos existem em um número, temos as
seguintes regras:
1. O algarismo que fica mais à esquerda (diferente de zero) é o mais significativo.
2. Se não há vírgula, o algarismo que fica mais à direita é o menos significativo.
3. Se há vírgula o último algarismo da direita é o menos significativo, mesmo que ele seja
zero.
Regra II: os critérios para arredondamento de um número devem ser os seguintes, se o
algarismo a ser cortado for:
> 5 soma-se 1 ao algarismo anterior.
Ex.: 47,37 47,4
< 5 o algarismo anterior não se altera
Ex.: 47,34 47,3
se o algarismo anterior for par, não se altera.
Ex.: 47,25 47,2
=5 se o algarismo anterior for ímpar, soma-se 1.
Ex.: 47,35 47,4
4. Exemplos
Exemplo 1: Um aluno determinou a massa de um objeto obtendo o seguinte valor m =
0,02130 Kg. Os dois zeros da esquerda não são significativos, pois estão relacionados com
um fator de potência de dez, ao passo que o último zero à direita é significativo, pois foi
um número avaliado pelo aluno ao realizar a medida. Temos neste caso apenas quatro
algarismos significativos: 2; 1; 3 e 0.
UMA GRANDEZA PODE SER APRESENTADA DE VÁRIAS FORMAS DESDE QUE
NÃO ALTEREMOS O NÚMERO DE ALGARISMOS SIGNIFICATIVOS
Tomando o exemplo acima podemos escrevê-lo, mantendo o número de algarismos
significativos (quatro), das seguintes formas:
2,130 x 104 Kg 21300 kg
21,30 x 10-3 Kg
2,130 g
213,0 x 10-4 Kg
Se escrevermos, por exemplo: 2,13 x 10-2 Kg, está errado, pois neste caso o
algarismo duvidoso agora é o número 3 e não o zero, além disso, a grandeza passou a ter
apenas três algarismos significativos e não quatro como originalmente.
Exemplo 2: Os dois valores a seguir representam a mesma medida ?
a) 42 cm - Neste caso temos dois algarismos significativos, o ”4” (que o algarismo
confiável) e o “2” (que é o algarismo duvidoso)
b) 42,0 cm - Aqui temos três algarismos significativos que são o “4” e “2” (algarismos
confiáveis) e o “0” (algarismo duvidoso). Portanto: “42 cm” é diferente de “42,0 cm”
(não representam o mesmo valor !)
Exemplo 3: Os dois números a seguir representam o mesmo valor ?
a) 7,65 kg b) 7,64 Kg
Ambos têm o mesmo número de algarismos significativos: três
Os algarismos confiáveis são: 7 e 6
Os algarismos duvidosos são: 5 e 4
Estes não são fundamentalmente valores diferentes pois diferem apenas no
algarismo duvidoso. Portanto os dois são corretos.
Exemplo 4:
a) 0,00041 algarismos significativos: 4 e 1
algarismos confiáveis: 4
algarismo duvidoso: 1
b) 40100 algarismos significativos: 4, 0, 1, 0 e 0
algarismos confiáveis: 4, 0, 1 e 0
algarismo duvidoso: o último 0 à direita
c) 0,0000401 algarismos significativos: 4, 0 e 1
algarismos confiáveis: 4 e 0
algarismo duvidoso: 1
Atenção: no exemplo “b” os dois zeros à direita podem também indicar apenas a ordem de
grandeza da medida. Neste caso teremos:
algarismos significativos: 4, 0 e 1
algarismos confiáveis: 4 e 0
algarismo duvidoso: 1
os dois últimos zeros podem ser representados por: 102
5 Operações Aritméticas
ADIÇÃO/SUBTRAÇÃO: em todas as medidas admite-se que o último algarismo seja
duvidoso. Como regra prática preenchemos com um “X” a casa decimal que vem logo depois
do algarismo duvidoso (este “X” pode ser interpretado como um algarismo não
significativo).
23.441,XX
57,71X
1,001X +
0,0032X
211,01X
23.710,XXXXX 23.710 (o número “0” é a
incerteza)
Atenção !
● neste caso o número que contém a menor quantidade de casa decimais é o 23.441,
portanto devemos desprezar os algarismos que estão após a vírgula, sem arredondar o
resultado final da operação.
● Podemos também arredondar os números antes da operação e depois somá-los ou
subtraí-los. Neste caso temos:
23.441
57,71 = 58 58
1,001 = 1 1
0,0032 = 0 0
211,01 = 211 211
23.711 (neste caso o número “1” é a
incerteza)
Observe que ao realizarmos a mesma operação “arredondando” os valores iniciais chegamos
num resultado onde a variação se dá exatamente no último algarismo, ou seja, no “algarismo
duvidoso” (incerteza). Portanto esta operação também está correta.
MULTIPLICAÇÃO/DIVISÃO: o número de algarismos significativos do resultado dessas
operações deve ser igual ao número de algarismos significativos daquele que tiver o menor
número de dígitos significativos.
Exemplo 1: (2,3 x 3,1416 x 245) = 1770,2916
errado !
(em notação científica temos: 1,7702916 x 103)
Neste caso o número que apresenta o menor número de dígitos significativos é o
“2,3”. Portanto devemos escrever o resultado final com apenas dois dígitos. Como o número
é “1,7702916” podemos arredondar para “1,8” pois o seu terceiro dígito que é o “7” é maior
do que “5”. O resultado correto desta operação deve ser escrito da seguinte forma: “1,8 x
103”.
Exemplo 2:
3,6
=3,0
1,2 o resultado correto é “3,0” e não “3”, pois devemos manter o mesmo
número de “algarismos significativos”.
36
=4
9 o resultado correto é “4” e não “4,0” pois neste caso o número que tem o menor
número de dígitos significativos é o “9”.
INCERTEZA
a) Incerteza absoluta - Conforme já vimos, ao medirmos uma grandeza, seu valor será
dado pelos algarismos efetivamente gravados numa escala e quando possível por mais um
algarismo avaliado a critério do operador, chamado de duvidoso. Assim, utilizando-se uma
régua comum encontramos para um dado comprimento, citado no exemplo anterior, 8,26 cm.
O algarismo 6 é duvidoso; desta forma dizemos que ele está afetado por uma incerteza.
Como geralmente não conhecemos se o valor da incerteza é para mais ou para menos (ou
seja, seu sinal) adota-se um valor ± que cobrirá um intervalo igual a 2 | | em torno do
valor medido.
Podemos adotar para uma medida feita com uma régua uma incerteza igual a ± 0,2 mm.
Neste caso o comprimento AB do segmento em questão deverá ser corretamente
apresentado da seguinte forma: AB = (8,26 ± 0,02) cm (82,6 +-0,5)mm
b) Incerteza relativa - É a relação entre a incerteza absoluta adotada na medição do
valor de uma grandeza e este valor. Da mesma forma que o desvio relativo, a incerteza
relativa nos dará uma apreciação da medida e é freqüentemente representada na forma
percentual. Ainda com relação à medida do comprimento em questão, temos a incerteza
relativa= 0,02 cm / 8,26 cm = 0,0024.
c) Incerteza percentual = incerteza % = (0,02 cm / 8,26 cm) x 100 = 0,24%
Observação: No caso de uma única medida falaremos sempre em incerteza e não em desvio
ou erro, visto que não conhecemos nem o valor real e nem o valor mais aproximado da
grandeza.
Análise Estatística
Valor Médio:
Medindo-se n vezes a mesma quantidade física, sob as mesmas condições, os valores
medidos
x 1 ,x 2 , x 3 ,...x n , não são geralmente iguais entre si, por causa dos erros aleatórios.
Para tal conjunto de dados, o valor médio x é definido por:
n
1
x≡ ∑x
n i=1 i
x
onde i é o resultado da i ésima medição e n é o número total de medidas.
Desvio Padrão:
Ao se realizar várias medições da mesma grandeza nas mesmas condições, a incidência
de erros aleatórios faz com que os valores medidos estejam distribuídos em torno da
média. Quando eles se afastam muito da média, a medida é pouco precisa e o conjunto de
valores medidos tem alta dispersão. Quando o conjunto de medidas feitas está mais
concentrado em torno da média diz-se que a precisão da medida é alta, e os valores
medidos têm uma distribuição de baixa dispersão. Quantitativamente a dispersão do
conjunto de medidas realizadas pode ser caracterizada pelo desvio padrão amostral do
conjunto de medidas, definido como:
S=σ =√ ❑
Conjunto de medidas com desvio padrão baixo são mais precisas do que quando o
desvio padrão é alto. Adicionalmente, pode-se demonstrar que o desvio padrão
caracteriza o intervalo dentro do qual há 68% de probabilidade de ocorrência de um
valor medido. Dito de outra forma, isto significa que se for feito um conjunto muito
grande de medições, 68% delas estarão dentro do intervalo : x̄±σ
Desvio Padrão da Média:
O erro ou incerteza no valor médio, x , é o desvio padrão da média, sm, o qual é
definido por
s
s m≡
√n
onde s é o desvio padrão e n é o número total de medidas.
O resultado da medida a ser relatado é então
x=x±sm
onde o valor médio x é o valor que melhor representa a grandeza medida e o desvio padrão
da média sm nos dá uma estimativa da incerteza desta medida.
Ordem de Grandeza
A ordem de grandeza de um número é a potência de 10 mais próxima deste número.
Em notação científica, denotamos um número por a.10b
● Se o “a” for menor que √ ❑ arredonda-se o “a” para 1.
● Se o “a” for maior que √ ❑ arredonda-se o “a” para 10.
Por que?
Paralaxe