A música no Brasil
Ao longo de toda a história da humanidade, povos de diferentes culturas interagiram entre si, trocando
informações e modificando suas culturas. É o caso da cultura brasileira.
Os povos que trouxeram novidades para a cultura indígena, os costumes dos índios que influenciaram os
europeus, a interação dos brancos com os negros e com os índios. Tudo isso contribuiu para a formação
da cultura brasileira
Os indígenas foram os primeiros povos a produzir música nas terras brasileiras. Suas primeiras
manifestações musicais estavam relacionadas aos rituais, que ocorriam principalmente de modo coletivo.
Embora as músicas variassem conforme as características culturais de cada tribo ou evento,
predominavam os cantos e o uso de instrumentos que se aproximam dos hoje chamados chocalho,
trombeta, tambor e flauta. Até hoje os índios produzem música com instrumentos feitos com elementos
da natureza.
Indígenas da tribo Saterê-Maué, da região amazonense, tocam
buzina feita de bambu, 2010.
A música surgiu na Pré-história. Essa afirmação é possível, pois instrumentos de
sopro, como flautas, foram descobertos em escavações arqueológicas.
Um estudo realizado por uma universidade alemã publicou em 2009 um artigo
sobre a descoberta das flautas mais antigas do mundo, feitas de ossos de
pássaros e marfim. Os arqueólogos afirmam que a música era usada em rituais
religiosos, rituais de caça e também para recreação. Ou seja, desde seu
surgimento, a música sempre esteve associada às necessidades humanas de
comunicação e de expressão, representando, muitas vezes, aspectos do
cotidiano e do lugar em que se vivia. Músicos e compositores organizam sons,
silêncios, ritmos, melodias, escolhem instrumentos e, quando a música é
cantada, também selecionam palavras e frases para expressar suas ideias e
seus sentimentos. Com o tempo, especialmente com o avanço da tecnologia, o
modo de produzir música foi se transformando, dando origem a novos
instrumentos e gêneros musicais. Em muitas culturas, pode-se encontrar estilos
musicais variados que fazem uso de diferentes instrumentos, ritmos e
manifestações que os envolvem.
Com a chegada dos portugueses, diferentes manifestações que envolvem a música, como a Festa Junina,
a Folia de Reis e o Carnaval, passaram a fazer parte da cultura brasileira. Com o tempo, sofrendo
influência de outras culturas e contextos, foram se modificando, adquirindo assim novas características
que eram associadas às já existentes.
Quando os africanos foram forçados a vir para o Brasil, provindos de diferentes regiões da África,
trouxeram também grande diversidade de músicas e danças de sua cultura. Mesmo que essas
manifestações culturais tenham sido desestimuladas e até mesmo proibidas durante o período da
escravidão, a música africana influenciou muito a cultura brasileira, com seu ritmo forte e compassado,
marcado, principalmente, por instrumentos como berimbau, afoxé, agogô, cuíca, reco-reco e tambor.
Os diversos gêneros de música popular brasileira
Com o passar do tempo e graças à incorporação de diferentes culturas, surgiram novos gêneros musicais
brasileiros, que se renovaram e continuam se transformando, de acordo com os contextos social e
cultural, as influências nacional e internacional etc.
Entre diversos gêneros de música popular brasileira, destacam-se o choro, o samba, frevo, forró,
sertanejo, baião, bossa nova, axé, modinha, maxixe, além de outros.
Baião
No baião, música típica do Nordeste brasileiro, a sanfona, o bumbo e o triângulo acompanham as letras
de músicas que revelam a cultura própria da região. Um grande expoente desse gênero musical foi Luiz
Gonzaga (1912-1989), conhecido como “o rei do baião”.
Uma das origens desse gênero musical é o lundu, música dos batuques produzidos pelos escravos
trazidos da África para o Brasil no período colonial.
Bastante presente no Nordeste e no Norte do Brasil, uma temática comum do baião é o dia a dia dos
moradores dessas regiões, que sofrem com a estiagem – período de seca que mata rebanhos e lavouras
– e com a falta de trabalho.
Essa situação leva esses moradores a seguirem para outros lugares em busca de melhores condições
de vida, tornando-se retirantes. Esse destino, caracterizado pela mobilidade e pela fuga do local de
origem, também é tema de diversas pinturas e poemas. Os instrumentos musicais característicos do baião
são a zabumba, a sanfona e o triângulo.
Zabumba Sanfona
Triângulo
Bossa nova
A bossa nova surgiu no Rio de Janeiro, no final da década de 1950. Uma de suas características
marcantes foi a união entre gêneros internacionais – em especial o jazz – e gêneros populares brasileiros,
como o samba. Não se pode falar em bossa nova sem mencionar as canções Garota de Ipanema e Chega
de saudade, escritas por Tom Jobim (1927-1994) e Vinicius de Moraes (1913-1980) e reconhecidas
mundialmente.
Garota de Ipanema é a música brasileira mais tocada em todo o mundo. E é a segunda mais tocada na
história da música popular. Ela só perde para a música Yesterday, dos Beatles, grupo inglês que faz muito
sucesso desde os anos 1960 até a atualidade.
Frevo
O frevo originou-se no Estado de Pernambuco no final do século XIX. É uma combinação de marcha,
maxixe e capoeira, em composições de ritmo acelerado, produzido por diversos instrumentos de sopro,
como o trompete, o trombone, a tuba e o saxofone.
Música caipira
A música caipira surgiu no início do século XX. A palavra caipira vem do idioma indígena tupi e significa
cortador de mato, homem do mato. Os índios chamavam de caipira os brancos colonizadores, os
caboclos. A música caipira é uma moda de viola sentimental, fala da vida do campo, da saudade, da roça.
É uma música do sudeste, mais especificamente paulista, e foi se expandindo para as regiões vizinhas
como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Rio de Janeiro. Em geral, a música caipira é tocada com viola
por duplas ou grupos de cantores. Nesse gênero musical, destaca-se a viola caipira – ainda que, ao longo
dos anos, outros instrumentos tenham sido incorporados, como a guitarra elétrica, no final dos anos 1960.
A música caipira pode ser considerada a precursora de outros gêneros da música rural.
Modinha
A modinha é uma canção suave, romântica, sentimental e, às vezes, triste, com suas primeiras
apresentações no Brasil nos salões da Corte, durante o período em que dom Pedro I governou o Brasil,
entre 1822 e 1831. O primeiro compositor brasileiro de modinhas foi Domingos Caldas Barbosa.
Chiquinha Gonzaga (1847-1935), nascida no Rio de Janeiro, foi uma das principais figuras da modinha e
grande responsável por sua popularização. Foi também a primeira compositora e regente de música
popular no Brasil, além de ter musicado dezenas de peças de teatro e pequenas óperas, intituladas
operetas.
Rompeu com os padrões da época por ter tocado ritmos até então considerados, de certo modo,
“obscenos”. Enfrentou várias críticas por participar de movimentos que defendiam a abolição dos
escravos e a Proclamação da República. A compositora vendia suas partituras de maxixes, choros e
modinhas nas ruas do Rio de Janeiro para angariar recursos para a causa abolicionista. Chiquinha
também compôs a marcha Ó abre alas, para o cordão carnavalesco carioca Rosa de Ouro.
Samba
O samba é um gênero musical popular considerado uma das principais manifestações nacionais. Ele
surgiu na zona rural da Bahia, da mistura de ritmos africanos trazidos pelos negros escravizados.
Uma das histórias sobre o “nascimento” do samba afirma que o ritmo se originou de um ritmo chamado
semba, palavra de origem africana. Semba significa “umbigo” e está relacionado à dança da umbigada
ou dança do batuque. O batuque de umbigada é muito comum no interior do Estado de São Paulo, em
cidades como Tietê, Capivari, Rio Claro, Sorocaba e Piracicaba, onde são feitas apresentações para o
público e oficinas de batuque para crianças, promovendo, assim, a continuidade desse costume
tradicional.
Ao longo dos tempos, o samba sofreu diversas modificações de caráter social, econômico e musical até
chegar ao que é conhecido hoje.
Um dos maiores e mais importantes compositores de samba no Brasil foi Noel Rosa (1910-1937).
Sambista, cantor, compositor, bandolinista e violinista, ele contribuiu significativamente para a valorização
e a divulgação do samba com suas composições que marcaram a história e são imortais, como Com que
roupa?
Nacionalização do samba carioca
Entre o final da década de 1920 e o início da de 1930, o samba urbano, originário da região carioca
chamada Estácio de Sá, deixou de ser local e passou à categoria de símbolo nacional, espalhando-se
por diversas regiões da cidade e do País. Além do samba carnavalesco, o ritmo ganhou outros estilos,
como samba- -canção, samba-exaltação, samba-enredo e samba-choro. Foi também no bairro Estácio
de Sá que surgiu a primeira escola de samba, em 1929, a Deixa Falar, que desfilava em blocos na Praça
11 e inovava no ritmo, que contagiava as pessoas com suas novas batidas. Com esse sucesso, a cada
ano nasciam novas escolas para desfilar no carnaval carioca.
Modificações no samba
Diferentes ramificações do samba surgiram ao longo dos tempos, e o título de identidade nacional
brasileira chegou ao exterior. Dentro de nosso País, ganhou compositores e intérpretes de renome, que,
de acordo com sua região, ofereceram diferentes características para o samba. Adoniran Barbosa, por
exemplo, criava com humor e chacota; Lupicínio Rodrigues, inspirado nos boleros, tratava de temas
sentimentais. Na década de 1960, ressurgiu o samba tradicional do morro, nas vozes de Cartola, Paulinho
da Viola, Chico Buarque de Holanda e Nelson Cavaquinho. Martinho da Vila é outro grande nome do
gênero, que revalorizou o samba-enredo e apresentou ao povo o samba-reggae.
Nos anos 1970, três mulheres abrilhantaram o cenário do samba e marcaram sua história: Alcione, Beth
Carvalho e Clara Nunes. Zeca Pagodinho despontou na década de 1980 e explodiu com o pagode, que
se tornou moda em todo o Brasil. A nova geração do samba buscou, em suas composições, a
reaproximação com o chamado “samba de raiz”, nascido nos morros cariocas. Vários nomes tiveram
destaque a partir do ano 2000, dentre eles Maria Rita, filha da conhecida cantora Elis Regina