Rex passa muito tempo em barcos de pesca de
caranguejo-rei.
Tanto tempo que não consegue se lembrar da
última vez em que sentiu o calor de uma mulher. Então,
quando sua sobrinha seminua e que mal completou a
maioridade legal pousa em seu colo, ele parece não
conseguir se controlar.
Clara tem idade suficiente para tomar suas
próprias decisões e decidiu que quer seu meio-tio,
Rex. Ele é grande e sujo, mas diga isso ao seu corpo
dolorido.
Aviso: Quando Jessa e Alexa se unem, você sabe
que será pesado. Apague as luzes e pegue algumas
pilhas novas. Essa é uma história imunda e eletrizante!
Capítulo Um
Clara
Por toda a minha vida, queria nada mais do que me
sentir protegida. Segura.
Você sabe, aquela sensação de que você fica escavando
uma montanha de cobertores na manhã de Natal, cercada pelo
brilho suave das luzes brancas? Tenho exatamente a
mesma sensação quando saio para o pátio dos fundos e vejo
Rex pela primeira vez.
Sei que é ele, porque ele é a única pessoa na festa de
aniversário que não reconheço. Meu padrasto, seu irmão,
odeia-o e provavelmente apenas o convidou para mostrar a
nova casa. Agora é óbvio por que o marido de minha mãe,
casados há menos de um ano, não suporta o irmão − Rex é
tudo o que ele não é.
Rex é quase macho demais com o rosto desgastado e a
barba desgrenhada.
Ouvi histórias do pescador de caranguejo do Alasca, que
agora está navegando pelo céu noturno. Meu padrasto o
chama de imprudente por pescar nessas águas perigosas, mas
essa ousadia o define, faz com que pareça duas vezes mais
capaz do que qualquer homem comum. Os botões da camisa
de flanela que ele está vestindo mal contêm seu grosso corpo
masculino − musculoso e carnudo e... Deus, esse cabelo preto
que ondula através de algumas das aberturas entre os botões?
Minhas coxas se apertam sozinhas e eu suspiro,
porque nunca senti aquele espasmo entre minhas pernas
antes. É um pulsar quente e úmido que não termina, só fica
mais intenso quando Rex fuma um charuto curto, liberando
um fluxo constante de fumaça em direção ao pôr do sol.
Este homem é estranho para mim. Nem sequer fomos
apresentados adequadamente. Mas algo me atrai. Como uma
promessa de segurança, que não faz nenhum sentido,
considerando que nunca trocamos uma palavra. Talvez sejam
as mãos enormes ou as coxas que parecem tão resistentes que
poderia pular nelas como um trampolim e ele não
notaria. Meus mamilos ficam rígidos com a ideia de tocá-lo. O
que está acontecendo comigo?
De todo mundo, meu quase tio tinha que me fazer sentir
assim?
Embora... certamente não dói falar com ele. Meu corpo
provavelmente está apenas confuso. Ele está reagindo ao que
ele mais deseja − segurança − e os tios devem fazer você se
sentir segura, certo?
Lembrando das minhas maneiras, atravesso o pátio com
a mão estendida para cumprimentá-lo.
— Olá, prazer em conhecê-lo, meu nome é...
Meu dedo do pé tropeça num tijolo e eu vou caindo.
Veja bem, é por isso que a segurança me atrai tanto. Eu
sou um desastre. Um desastre ambulante, falante, que deve
ser embrulhado em plástico bolha ou mantido dentro de
casa. Desde que era criança, encontrava meu caminho em
bagunças, arranhões e ossos quebrados. Eu não queria ser
assim, honestamente. Minha mãe diz que Deus esqueceu de
me equilibrar. Isso não é terrivelmente triste? É difícil não
acreditar nela alguns dias, no entanto.
Especialmente agora, quando estou prestes a me
estatelar no pátio e provavelmente torcer um pulso − de novo
− ou ganhar um corte no meu queixo. Mas não…
Rex me pega.
E quando olho para sua carranca de ogro? Anjos. Eles
começam a cantar.
— O que há de errado com você, garota?
A voz dele. Parece desgastada como cinzas e fuligem, ou
como um portão enferrujado se abrindo. Não deveria me
sentir como se tivesse pousado em uma nuvem fofa enviada
do céu, mas me sinto assim. Uau.
— Deus não me deu nenhum equilíbrio. Isso não é
terrível? — sussurro.
— Economizo trocados em uma jarra para poder ir a
Paris um dia e ver a Torre Eiffel, mas continuo tendo que
trocá-los por Band-Aids.
No meu estado corado e confuso, minhas palavras
saíram em uma bagunça aguda, mas ele ainda parece
compreender bem. Eu acho. Aqueles olhos estreitos estão
varrendo sobre mim e permanecendo em meus lugares
sensíveis.
— Quando perguntei o que havia de errado com você, eu
quis dizer que você não deveria estar aqui no frio usando
nada além de pijama.
— Isto é um vestido, bobo.
Ele dá um grunhido baixo e quando ele fala novamente,
sua voz cai para um barítono cativante.
— Não é como qualquer vestido que eu já vi.
Oh, Deus. Ele acha que eu sou sexy, não é? Garotos me
convidaram para sair antes e eu já fui em alguns encontros
para assistir alguns filmes. Tê-los olhando para os meus
seios nunca foi assim, no entanto. Como se estivesse a
segundos de ser levada para as sombras. Eu deveria dizer-lhe
quem sou. Bem neste exato segundo. Mas ele pararia de me
abraçar se o fizesse isso. Nem tenho certeza de que ele
percebeu que ainda estou trancada em seus braços, meu lado
pressionado contra seu corpo duro e imóvel.
— É a minha cor favorita — digo, ao invés da coisa
certa.
— É por isso que comprei.
— Rosa, hein? — Aqueles olhos traçam para baixo, onde
a bainha do meu vestido escova minhas coxas.
— Doce bebê rosa.
Eu junto e fricciono as minhas pernas. É como passar por
cima da queda íngreme de uma montanha-russa.
— Eu menti. — Inclino-me para sussurrar em seu
ouvido.
— É um pijama.
Há um som de pigarrear a garganta − e então meu
mundo se inclina. Rex vira meu corpo e me empurra contra
ele, deixando minhas pontas dos pés raspando no tijolo, meus
seios inchados onde eles encontram seu peito.
— Você tem dezoito anos?
— Sim — choramingo.
Seus quadris se projetam e seu pênis grande pressiona
meu estômago, um longo gemido sai de sua boca.
— Isso não é outra mentira, é?
— Não, senhor.
— Se você estiver nesta festa com seu pai ou marido, é
melhor me dizer agora.
Tecnicamente, o homem lá dentro não é meu pai − não
de nascimento, de qualquer maneira − e eu definitivamente
não sou casada. Nunca tive um namorado. Estou sendo um
pouco desonesta por não esclarecer quem sou, mas estou
muito animada para descobrir o que acontecerá a
seguir. Formigamentos estão subindo e descendo por minhas
costas, deslizando pelas minhas coxas, fazendo meus seios
pesados. Mais. Eu preciso de mais.
— Não estou aqui com um pai ou um marido. — Molhei
meus lábios e senti sua carne estremecer entre nós.
— Por que você quer saber?
Com um lento aceno de cabeça, suas mãos viajam para o
meu traseiro e moldam-no, aproximando-nos.
— Estou no barco há meses, cuidando de minhas
necessidades com a minha própria mão. Agora, uma coisinha
fofa pousa no meu colo, tentando flertar direto no meu pau. —
Ele me levanta mais alto e me senta em cima de sua ereção,
saltando sobre mim com um impulso forte.
— Estou disposto a mandá-la de volta para a festa com
batom borrado, garota.
Capítulo Dois
Rex
E eu achando que essa festa seria uma merda.
Não podia acreditar nos meus malditos olhos quando
essa princesinha de merda veio em minha direção no quintal,
balançando em seus saltos altos e brilhantes. Imaginei que ela
estava vindo para me dizer que não podia fumar neste bairro
rico e arrogante. Ela caiu nos meus braços, sorrindo para mim
como se fosse seu senhor e salvador, quando a peguei. Meio
que me bagunçou na área do peito, se for sincero. Talvez ela
seja cega e foi por isso que tropeçou? Porque não sou
exatamente um cavalheiro de armadura brilhante. Sou o
inimigo que entra em batalha com sangue em sua barba. Pelo
menos é a reação que normalmente recebo das
mulheres. Cautela ou... desejo de me cortar o cabelo.
No entanto, essa não. Esta morena de olhos de corça,
com seios iguais ao de uma revista pornográfica, tem as duas
pernas a minha volta, seus lábios sensuais entreabertos de
emoção. Cristo. Ela me deixará transar com ela no quintal do
meu irmão, né?
O lembrete de por que estou realmente aqui é
indesejável. Não quero pensar no meu irmão imbecil ou por
que continuo me sentindo obrigado a manter algum tipo de
relacionamento, bom ou ruim. É a culpa que me mantém
ligando nas férias. Culpa que me fez finalmente aceitar um
convite por e-mail para ajudar a celebrar sua vida incrível,
livre da família que o arrastava.
Não quero pensar nisso, agora. Só quero focar no doce
nocaute em meus braços e na minha primeira boceta decente
em meses. Inferno, ela será minha melhor boceta, ponto final,
e isso é motivo suficiente para dar responsabilidade ao dedo
do meio e encontrar um lugar onde eu possa colocar meu pau
dolorido dentro dela. Eu preciso dela.
— Eu acho que... — Ela olha por cima do ombro.
— Eu acho que pode haver uma casa na piscina...
Sem esperar que ela termine, começo a ir nessa direção,
imaginando que se ela é amiga de meu irmão e de sua esposa,
ela deve ter estado aqui antes, para festas na piscina ou o que
diabos os ricos fazem. Não que não faça uma maldita festa me
aprisionando aos caranguejos, mas eu com certeza não sei
nada sobre isso, ter saraus e coisas do gênero.
— Você veste um maiô em volta dos homens e ninguém a
trancou. Como diabos é isso?
— Na última festa na piscina, eu escorreguei na prancha
de mergulho − no meu primeiro mergulho − e tive que ser
levada à sala de emergência para levar pontos. — Ela coloca a
cabeça no meu ombro e eu sou atingido por outro aperto
estranho no peito. Deus, me sinto como um bandido
sequestrando a princesa da torre.
— As pessoas ficam longe para não serem sugadas pelo
meu turbilhão de desgraça.
— Ah, agora entendi. — Eu dou a ela uma massagem
desajeitada.
— Os homens por aqui devem ser bocetas. Eu
atravessaria um inferno maldito só para vê-la de topless.
Ela engasga e me dá aquele olhar de admiração
novamente.
— Você atravessaria?
— Sim. — Pela primeira vez na minha vida, a
possessividade sobe na minha garganta e cava com garras de
aço. Jesus, me vira de dentro para fora enquanto estou
olhando para seu rosto bonito e vulnerável. Ela confia
em mim. Não posso deixá-la se arrepender. Não posso deixá-la
olhar para qualquer outro homem dessa maneira – nunca. O
próprio pensamento quase me deixa com uma raiva maldita.
— Outros homens não poderão mais te olhar. Assim que
fizer uso dessa boca de menininha, ela não dirá o nome de
mais ninguém, a não ser o meu. Assim que eu trabalhar essa
boceta com esperma, você a mantém guardada para
mim. Você me ouviu, garota?
Não sei de onde encontro coragem, dizendo a esse anjo
doce e lindo que ela é minha, só que não tenho escolha. Se
mais alguém a tocar de agora até eu morrer, meu mundo
queimará ao meu redor.
— Sim, eu ouvi você — ela respira, olhando para minha
boca.
— C... como você estragará meu batom?
Chegamos à pequena casa de bambu da piscina e eu nos
levo para dentro, depois chuto a porta atrás de mim. A coloco
no chão, rindo para mim mesmo quando ela quase tropeça
novamente, então puxo o pijama rosa bebê sedoso sobre sua
cabeça, jogando-o de lado. Maldita seja a escuridão, porque
mal consigo ver seus peitos e falta de cabelo entre as pernas,
mas ela é incrível o suficiente na luz suave para me fazer
sentir como um animal negligenciado. Isso é o que eu sou,
percebo. Isso é o que tenho sido sem ela.
— Eu estive no barco, garota. Meu pau está duro como
um filho da puta. — Eu me inclino e abro o zíper, segurando
meu pau e apresentando-o a ela.
— Se eu beijar essa boca bonita, foderei você como um
Rei antes que você possa bater esses cílios. — Acaricio meu
pau e seu queixo cai.
— Por que você não dá um beijo nele agora? Assim que
minhas bolas não estiverem tão cheias, nossas línguas podem
brincar juntas.
Luto contra o desejo de me beliscar quando ela se
ajoelha e se arrasta para frente, uma mecha de cabelo escuro
caindo para cobrir um olho. Nos meus trinta e quatro anos,
nunca vi nada tão sexy, tão bonito. E tão meu.
— Ouvi outras garotas falando sobre fazer isso.
Sua respiração está no meu pau agora. Ela
está tão perto.
— Você realmente não quer um beijo aqui. Você quer
colocar tudo na minha boca, não é?
— Sim. Quero enrolar seu cabelo em volta dos meus
punhos e ...
— Diga-me — ela murmura.
— Você pode dizer qualquer coisa para mim.
— Droga — moo.
— Eu só quero estuprar sua garganta, menina. —
Mirando a ponta do meu pau, digo isso em voz alta.
— Você está me dizendo que eu sou seu primeiro
homem? O primeiro a chupar?
Ela assente solenemente.
Meus dentes se descobrem na escuridão, o orgulho
estufando meu peito. Por algum milagre, essa garota foi
mantida intocada para mim. Eu deveria carregá-la para uma
cama macia e alimentá-la com uvas ou alguma coisa assim,
mas estou com muito tesão e ela está olhando para o meu pau
como se fosse um sundae. Mais tarde. Mais tarde vou tratá-la
como uma maldita rainha. Gelo sua boceta dolorida e esfrego
com loção.
— Não seja tímida. Envolva a mão e sinta. Está louco
para explodir.
Aparentemente, ela estava esperando ser comandada,
porque o convite áspero a envia adiante. Ela lambe o sêmen
da minha ponta, os olhos fechados em um gemido. Eu mal me
recuperei disso antes que ela colocasse aqueles lábios
carnudos esticados em volta do meu pau e ela está chupando
como se sua vida dependesse disso. Minha carga quase
sai. Jesus Cristo, está claro que ela nunca pagou um boquete
antes, mas Deus me ajude, é isso que faz minhas bolas
endurecerem como pedregulhos. Eu devo ter feito algo certo
na minha vida, porque tenho uma virgem nua, com tesão,
ajoelhada na minha frente, bombeando sua boca para cima e
para baixo tão rápido que seus seios saltam com o esforço.
— Fooooodaaaa. Você chupou como uma boa garota no
começo. Talvez você seja, mas você tem uma semente ruim
plantada entre as coxas, não é? Deslizo meus dedos em seus
cabelos e rolo meus quadris em direção a sua boca
entusiasmada.
— Sim, o diabo criou sua boceta, garota. Tornou-a nua e
ansiosa por uma porra, para foder, e Deus a manteve em
segurança para que ninguém tocasse até eu te encontrar. Não
foi?
Ela me dá um sim com os olhos e rosno, apertando meu
estômago para não gozar. No entanto, é uma batalha
perdida. Nunca fodi uma boca mais doce. Nunca uma garota
tão perfeita me quis, muito menos me chupou como se fosse
um rei. De jeito nenhum posso impedir o que está por
vir. Minhas bolas estão praticamente na minha garganta, estão
muito inchadas. Suas mãos estão me masturbando ao mesmo
tempo e é uma merda agora. Ela está fazendo esses pequenos
sons cheios de tesão, suas coxas se movendo como se ela
estivesse muito desejosa por um pau. E essa boceta
será minha, assim que me livrar dessa vantagem que venho
construindo. Estarei duro novamente em segundos para essa
garota.
— Merda. Gozarei. Aqui está...
A porta da casa da piscina se abre, derramando luz
através da sala.
Lá está meu irmão, um olhar de indignação no rosto.
— Que diabos está acontecendo aqui? Você é um
pervertido doente.
Pervertido? Minha garota faz um som assustador de
chiado que formiga meu pau, até a raiz. E continuo
empurrando na sua boquinha, porque não tenho escolha. O
prazer me pega pelas bolas, forçando-me a continuar. Tão
bom. Isso é bom demais.
— Pare com isso agora! — troveja meu irmão.
— Ela é sua sobrinha!
Sobrinha. Quando ele diz isso, o fogo líquido já está
disparando da minha carne e não há nada no mundo que
possa fazer sobre isso. Puxo o rosto dela para o meu colo e
bato na resistência de sua garganta, ouvindo enquanto ela
engasga alegremente com o meu gozar, onda após onda. Grito
meu alívio na pequena casa da piscina, as luzes piscando na
frente da minha visão, o orgasmo rasgando através de mim. O
melhor da minha vida, sem dúvidas. Nem acabei, até agora.
Quando acabou? Quando meu irmão ficou me encarando
como se fosse um monstro e as mentiras da minha sobrinha
se repetem uma a uma? É quando termino e fico chateado.
Capítulo Três
Clara
Uh, oh.
Estou com um grande problema agora.
Meu padrasto se aproxima de mim e me encolho − mas
enquanto espero que ele me agarre pelo braço e me arraste de
volta para a casa principal... nada acontece.
Abro os olhos para encontrar Rex bloqueando seu
caminho, as mãos fechadas ao lado do corpo.
Dentro do meu peito, meu coração explode de
alegria. Isso significa que Rex ainda me quer? Por favor, deixe
que ele ainda me queira. Os últimos vinte minutos foram os
melhores da minha − reconhecidamente de curta-
vida. Ninguém nunca me fez sentir tão
segura. Possuída. Ninguém nunca me pegou antes de cair no
chão também. Desde que eu era uma garotinha, eu orava por...
alguma coisa assim. Não tinha certeza do que era. Uma
pessoa? Uma coisa? Tudo que sabia era o sentimento que isso
me dava. Um sentimento de pertencer. Foi o que Rex me deu
nos últimos vinte minutos gloriosos. Pertenci a ele. E ele não
me deixaria de lado por ser desajeitada ou um pouco louca de
vez em quando.
Não é como todo mundo.
Saber que este não é o momento certo, não impede que
meu olhar percorra por suas coxas e costas. Sua braguilha
ainda deve estar aberta, porque o cós de seu jeans está solto,
me dando um vislumbre de pele grossa, cabelo preto, e a
tatuagem. Oh, Deus, ainda posso prová-lo na minha garganta,
todo salgado e grosso. Eu só quero fazer isso de novo. Se quer
entender sua possessividade arder sobre mim, ouça na voz
dele.
— Bem? — Grita meu padrasto.
— Eu acabei de entrar para te encontrar fodendo a cara
da minha enteada. Explique-se.
— Cuidado com o tom. Eu ainda sou seu irmão mais
velho e ainda posso te bater na boca quando necessário. — O
aviso frio de Rex me sacode, mas ainda me aproximo,
pressionando meu rosto contra as costas de suas pernas.
— Eu não sabia quem ela era.
Meu padrasto passa a mão pelo cabelo perfeitamente
estilizado e ri.
— Você espera que acredite nisso? Jesus, cara. Ela mal
terminou o ensino médio.
Rex amaldiçoa.
— Mas ela é maior de idade?
— Se ela não fosse, você teria parado?
O silêncio cai como uma cortina, finalmente me dando a
chance de interferir.
— Pare de falar de mim como se não estivesse aqui. —
Pego meu pijama de seda e puxo-o por cima da cabeça. Sou
adulta. Posso falar por mim.
— Você é apenas adulta no papel — cospe meu padrasto.
— Na vida real, você é um bebê sonhador que não
consegue andar dois passos sem tropeçar em uma vala. Foi o
que aconteceu aqui? Ela tropeçou e sua boca pousou no seu...
Rex soca o rosto do meu padrasto. Ele cambaleia para
trás, pressionando a mão no nariz. O sangue começa a
escorrer quase imediatamente.
— Saia daqui!
— Eu te avisei — diz Rex, apontando para o irmão.
— Um aviso é mais do que dou à maioria dos
homens. Você deveria ter ouvido.
Meu padrasto controla visivelmente seu temperamento.
— Você entrou em minha casa, contaminou Clara e me
agrediu. Como explicarei isso para a mãe dela? Ela parece que
está trabalhando em uma esquina. — Ele olha para o sangue
na mão e estremece.
— É hora de você ir, Rex. Vá e nunca mais volte.
— Ela é a Clara que você mencionou no seu e-mail? —
murmura Rex, finalmente se virando para mim, mas não
consigo ler sua expressão de frieza.
— Eu não perguntei o nome dela. Ou teria sabido.
— Sim, bem. É um pouco tarde para arrependimentos. —
Meu padrasto zomba de mim.
— Acredite, eu sei que ela é tentadora, pensei em
esperar até que sua mãe estivesse dormindo e...
Rex o interrompe com um grunhido.
— Você não quer terminar essa frase. — Ele entra no
espaço do meu padrasto e o rosto do homem fica branco como
um lençol.
— Se você colocar um maldito dedo nela, não viverá para
ver o próximo nascer do sol.
Meu coração flutua nas nuvens e me levanto, preparada
para me lançar nos braços de Rex. Ele não está bravo comigo
por mentir. Ele entende que não somos parentes por sangue e
somos livres para ficar juntos. Pelo menos é o que eu penso.
— Cristo, você não pode estar falando sério sobre ela —
diz meu padrasto lentamente.
— Ela é sua sobrinha. Você estava no colegial quando ela
nasceu. Não há como contornar isso. Você tente algo com ela e
o estigma o seguirá. Seguirá Clara também.
Várias batidas de silêncio passam.
— Eu não estou. Não estou... ficando com ela. — Há o
som do cinto de Rex balançando quando ele enfia a camisa de
volta na calça jeans com movimentos apressados. Mas tudo o
que posso ouvir é o som dos meus ouvidos. Acabou. Acabou e
mal começamos ainda.
— Eu vou embora em breve. Mas falarei com ela
primeiro. — Rex grunhe.
— Siga em frente. Volte para a sua festa.
— Aí, sim. Mal posso esperar para explicar meu nariz
quebrado. — O sarcasmo do meu padrasto paira no ar quando
ele se vira para sair. Antes que ele chegue longe demais, ele se
vira e encara Rex.
— Papai sempre esteve certo. Você sempre encontra
uma maneira de estragar tudo.
Rex fica lá por longos segundos, as mãos apoiadas nos
quadris. Posso sentir uma profunda tristeza... ou talvez
decepção nele. Corresponde à tristeza dentro de mim. Aquela
que aprofunda toda vez que alguém me diz para tirar minha
cabeça das nuvens, ou ri de mim por esbarrar em alguma
coisa. Minha atração por Rex é mais do que segurança, não
é? Mais do que pertencer. Compartilhamos um espírito, não é?
Avanço para envolver meus braços nele por trás, mas
antes que possa confortá-lo, ele se vira para mim e tudo que
vejo é raiva. Arrependimento. E ainda um toque de tristeza.
— Você sabia quem eu era?
— Sim — respondo, recusando-me a ser tudo menos
mentirosa neste momento.
— Eu sabia.
Seus olhos se arregalam de surpresa antes de se
estreitarem.
— Você mentiu para mim, garota.
— Não. — Eu me inclino para frente.
— Encontrei uma brecha. Há uma diferença.
— Sim. Uma enorme diferença, uma vez que terminou
com o pau do seu tio na sua boca. — Ele abaixa a cabeça para
a frente.
— Eu nem deveria estar falando com você sobre coisas
assim.
— Eu gosto — sussurro.
— Gosto de tudo em você.
— Você pode desistir da encenação agora. Eu vejo o que
está acontecendo aqui. — Sua risada não tem humor.
— Você gosta de irritar seu novo padrasto. Bem, diria
que você conseguiu isso e um pouco mais.
— Não, eu... — Eu balanço minha cabeça, confusa.
— Quando quero irritá-lo, apenas escondo o óleo de
linhaça dele. Seu rosto fica todo vermelho e...
— Pare — ele late, antes de dar um passo lento na minha
direção.
— Pare de ser tão...
— Estabanada? Ridícula?
— Quem te chama assim?
Meu lábio inferior sobressai.
— Todos.
Seu olhar fica escuro, parecendo estar preso nos meus
lábios por alguns segundos.
— Droga. Você não facilitará as coisas, né?
— Você está...
Ele levanta uma sobrancelha em confusão.
— Eu estava tentando persuadi-lo a dizer meu nome
novamente. — Arriscando, coloquei minhas mãos em seu
peito, deslizando-as até seus ombros enormes.
— Adorei tanto a primeira vez.
— Clara...
Eu derreto em sua direção com um suspiro e empurro os
dedos dos pés.
— Você me levará para casa contigo? — Nossas bocas
roçam e ele parece se expandir com um músculo pesado, uma
das mãos girando nas costas do meu pijama.
— Nem sempre sou desajeitada, se é com isso que você
está preocupado. — Assim que a música começa, apenas
fecho meus olhos e sinto.
— Meu instrutor de dança me diz que sou tão graciosa
quanto uma pena.
Ele bufa.
— Não estou preocupado com você tropeçar de vez em
quando...
— É mais frequente do que isso.
— Estou preocupado com o nosso vínculo. — Ele agarra
meus braços e me sacode um pouco.
— Você não entende que fizemos algo muito ruim? Não
posso fazer isso de novo.
— Mas você quer?
Por apenas um pouco de tempo, seus olhos viajam para
os meus seios e ele geme.
— Não importa. Não vou. — Rex me afasta dele com um
firme aceno de cabeça.
— Você ouviu o que meu irmão idiota disse? Eu estrago
tudo. Ele estava certo. — Ele se afasta com uma maldição, as
mãos voltando para os quadris.
— Merda. Não sei por que me incomodo em tentar
mudar isso.
— Como você pode estragar tudo e ainda fazer me sentir
tão esperançosa?
Rex é ilegível quando ele se vira para mim. — Chega,
Clara. Eu sou seu tio. Ponha isso na sua linda cabecinha.
Mesmo enquanto ele diz as palavras, ele não consegue
deixar de estender a mão e afastar uma mecha de cabelo
solto.
— Essa merda com meu irmão é complicada e depois do
que aconteceu hoje à noite, há ainda menos chance de
resolvermos nossas diferenças. Mas te levar para casa e te
foder, garota... Seria errado potencializado à décima
potência. E seria a gota d'água. — Ele morde a parte interna
da bochecha.
— Inferno, Clara, você não deveria...
— Não deveria o quê?
— Olha, eu sou um bastardo desagradável.
Não estou preparada quando ele se aproxima de mim,
como se quisesse me assustar e isso faz meu pulso acelerar.
— Nem dez minutos depois de conhecer uma coisinha
tão doce, empurrei meu pau na sua garganta. As coisas que
faria com você são obscenas. Abaixo de você. Também
estragarei você.
— Não, você não estragará. — Em desespero, torço
minhas mãos em seu colarinho e o puxo com toda a minha
força, juntando nossas bocas.
— Não dê ouvidos a ele — murmuro contra seus lábios.
— Fique comigo. — Nossas línguas se tocam e um
arrepio passa por ele.
— Beije-me.
— Não, Clara. — Ele passa um braço em volta da minha
cintura e me puxa mais alto. — Não. — Seus lábios
pressionam os meus, abrindo espaço para nossas línguas se
encontrarem.
— Ahh, porra, garota. Você tem uma pequena boca doce,
que me chupou muito bem.
— Como você pode dizer que toquei em você só para me
vingar do meu padrasto? — sussurro, plantando beijos no
queixo e bochechas dele, entre as palavras.
— Você sabe que é mais do que isso. Você sabe que há
algo aqui.
Com um gemido torturado, ele interrompe o beijo e dá
um passo para trás, a parte enorme dele se projetando atrás
do zíper.
— Real ou falso, não podemos nos ver novamente,
Clara. Já fui um fardo suficiente para minha família. Não posso
adicionar isso à minha lista de pecados − e seria um grande
problema.
Quero perguntar por que ele se considera um fardo,
quero perguntar o que aconteceu entre ele e sua família, mas
seu queixo está travado, como se fosse um sinal de que não
terei nada de importante. Esta noite, pelo menos. Por
enquanto, mas, não cairei sem lutar. Não posso abandonar
esse sentimento incrível de pertencer-lhe e nunca o
experimentar novamente.
— Minha mãe está surpreendendo-o com ingressos para
Bali hoje à noite. Eles sairão de manhã por duas semanas.
— Por que você está me dizendo isso, caramba?
— Não é nada novo. Eles vão embora o tempo todo...,
mas tenho uma mostra de dança, daqui a duas noites. É
importante. Um instrutor da minha escola de artes cênicas
dos sonhos estará lá e eu não terei ninguém para me
assistir. Você virá?
Ele hesita.
— Não.
— Você virá. — Um sorriso se estende pelo meu rosto.
— Eu sei que sim.
— Não me olhe como se fosse seu cavaleiro branco. Esse
não sou eu. — Seu tom é duro. Mal.
— Você saberá com certeza quando acordar com dor de
garganta pela manhã.
Talvez tenha a semente do diabo entre minhas pernas,
porque levanto a barra do meu vestido e balanço meus
quadris de um lado para o outro, deixando-o me ver da
cintura para baixo.
— Manterei isso guardado para você. Assim como você
pediu, tio Rex.
Uma maldição pesada o deixa, suas mãos voando para o
batente da porta da casa da piscina e rangendo-o sob seu
aperto. Acho que ele cederá. Rex me pegará em seus braços e
me levará para sua casa, onde quer que seja. O suor aparece
em sua testa, sua ereção ficando desconfortável. Na direção da
casa principal, meu padrasto chama meu nome e Rex bate
com o punho na porta. E então, ele se foi.
Mas sorrio para mim mesma quando volto para a festa,
porque sei que não será a última vez que verei meu grande tio
pescador.
Capítulo Quatro
Rex
Eu nunca estive mais deslocado na minha maldita vida.
Como diabos as pessoas se encaixam nessas cadeiras de
auditório? Os braços de metal cavam nos meus lados e
nenhuma quantidade de mudanças os desalojam. Vasculhei
meu armário e encontrei uma jaqueta, mas está apertada nos
ombros. Estou a segundos de rasgá-la se eu esticar para o lado
errado.
O que estou fazendo aqui? Deveria começar a trabalhar,
conseguir uma vaga na equipe até a temporada de
caranguejos voltar a crescer no outono − e ficar longe da terra
seca. É o que faço todos os anos. Normalmente, tiro um tempo
logo após a estação do caranguejo. Mas agora, preciso pular
em qualquer coisa para me manter longe de Clara. De Clara e
da boceta apertada e virgem que ela me ofereceu.
Não aguento. Não vou. Só estou aqui porque alguém
deveria apoiá-la nesta noite importante. Sua mãe não poderia
reservar as férias para um dia após a apresentação? Eles são
negligentes com Clara com frequência? Eu não gosto dessa
merda. Nos últimos dois dias, pensei muito no que ela me
disse. Sem mencionar o que meu irmão falou. Eles a chamam
de estabanada. Ridícula. Um bebê. Que outros tipos de
insultos eles lançam nessa doce menina?
E Deus, ela é doce. Não apenas o gosto dela, mas o jeito
que ela pressionou o rosto nas minhas pernas enquanto
discutia com meu irmão. Como... ela estava ao meu
favor. Quando alguém já esteve assim? Incondicionalmente.
Nunca.
Afasto os pensamentos desagradáveis quando as luzes se
apagam, a suave música clássica começa a tocar. Um grupo de
bailarinas salta para o palco. Assim que confirmo que
nenhuma delas é minha sobrinha, começo a rolar pelas
minhas mensagens de texto, a principal de um amigo
pescador meu, Hank, me convidando para uma viagem de
caça. Amanhã.
Ainda não respondi, mas o bom senso me diz que preciso
ir. Se ficar mais tempo na cidade, me encontrarei entre duas
coxas extremamente fora dos limites. Droga. Se ela não
estivesse tão ansiosa, não tivesse mostrado tanto interesse...
eu ainda a teria achado extremamente requintada, mas
mantê-la nas minhas calças não seria um desafio, sabendo que
ela quer ter o meu pau em uma posição
permanente. Maldição, ela é uma pequena coisa doce. Não
posso acreditar que ela me quer.
A lembrança do rosto zangado do meu irmão desaparece
em outro rosto mais irritado do meu passado. O de meu pai. E
antes que possa me convencer disso, respondo à mensagem
de texto, deixando Hank saber que o encontrarei no
alojamento amanhã de manhã. É apenas cerca de uma hora de
carro até a montanha, mas terei que sair mais cedo se quiser
pegá-los antes do primeiro passeio. Eu posso me controlar
tempo suficiente para assistir Clara se apresentar, parabenizá-
la e ir embora.
“Eu gosto de tudo em você”.
Estou distraído com a lembrança das palavras de Clara e
como elas torcem meu estômago, quando noto murmúrios ao
meu redor. A música estava tocando no palco, mas agora é
cortada, um homem de smoking correndo com um microfone.
— Por favor, desculpe-nos enquanto fazemos uma
pequena pausa — diz ele, limpando o suor da testa.
— A apresentação será retomada em alguns minutos.
— Aqui vamos nós de novo — alguém atrás de mim diz
com uma risada.
— O que você acha que ela fez desta vez? Torção de
tornozelo? Esbarrou em um poste?
Não preciso de mais provas de que estão falando de
Clara. Ela está machucada? Nos bastidores? Com um olhar
para as cabeças de merda atrás de mim − malditamente certo,
eu memorizo os rostos deles − e levanto e aperto meu
caminho pela fila de cadeiras, tentando não pisar nos pés de
ninguém, mas obviamente falhando, porque eu continuo
ouvindo gritos indignados. Sussurros me seguem pela fileira
lateral em direção à porta que espero levar aos bastidores,
mas só estou preocupado em chegar à Clara. Descobrir o que
diabos está errado e corrigi-lo.
Um passo através da porta e encontro uma cortina. Há
um sujeito magro guardando-a com uma prancheta, mas eu
ignoro o seu balbucio e ultrapasso a cortina. Assim que estou
do outro lado, eu a vejo. Ela está no chão, com uma saia rosa
rendada em torno das pernas estendidas. Seus ombros estão
tremendo para cima e para baixo enquanto ela tenta
desembrulhar um curativo. É só então que vejo o corte no
joelho dela. Percebo também que há um monte de garotas da
idade dela em um círculo ao seu redor, parecendo irritadas e
inúteis. Ninguém a está ajudando − e essa merda causa um
alvoroço na minha maldita barriga.
O homem da prancheta passa por mim e se vira.
— Você não pode estar aqui, senhor.
— Você quer comer essa prancheta?
Ele fica branco.
— Não senhor.
— Então vá se foder — rosno, passando por ele.
Estou quase na Clara quando ela olha para mim, sorrindo
com um sorriso de mil watts.
— Você veio.
— Sim. — Porra, ela faz meu peito reagir de um jeito
estranho. Especialmente naquele traje brilhante, com todo
aquele brilho nos olhos. Ainda não tenho certeza de que posso
falar direito, então tiro um lenço do bolso de trás e me agacho,
pressionando-a no corte ensanguentado. Espero que ela
estremeça ou comece a chorar, mas ela continua me olhando
com estrelas nos olhos.
— Segure isso e estanque o sangramento. Abrirei o
curativo para você.
Ela faz o que mandei... e meu pau gosta demais de sua
obediência. Gosta ainda mais quando eu rasgo o Band-Aid
com os dentes e ela suspira, seus mamilos se mexendo sob o
material fino de sua fantasia.
— Temos uma apresentação para ver, Clara — murmuro.
— O que você faria se não a tivéssemos? — ela sussurra
de volta.
Provavelmente, abriria suas pernas e a arrebentaria como
um recluso no corredor da morte.
— Nada — respondo, agradecido por minha voz parecer
firme. Afasto o lenço e, satisfeito que o sangramento parou,
coloco o curativo sobre seu corte.
— Dói muito, garota?
— Não mais.
É por isso que tenho que sair da cidade. Ela está
tornando impossível eu fazer a coisa certa. E a coisa certa
definitivamente não está impedindo a minha atenção viajar
por suas coxas nuas, onde desaparecem em todo esse material
rosa e esfarrapado. Como se ela me sentisse olhando, espalha
as pernas apenas alguns centímetros e ali está. Lá está sua
vagina inexplorada, coberta apenas por um caminho estreito
de seda rosa esticada. Ela está apenas procurando por um
papai, minha sobrinha. Ela está, não é? Alguém para curar
seus ferimentos e beijar sua boca de princesa.
Eu não. Não pode ser eu. Não só sou co-parente dela pelo
casamento do meu irmão, como sou velho demais e minha
alma é negra demais. Ela é a coisa mais pura desta terra.
Apoiando-me contra o palco, pego as mãos de Clara e a
ajudo a se levantar. Estive tão absorto nela, que esqueci tudo
sobre as meninas de aparência malvada por aí, zombando
com os braços cruzados. Clara também deve ter notado,
porque encolhe os ombros. O que não gosto nem um
pouco. Virando-me para a tripulação das cadelas, lhes mostrei
os dentes e rosnei alto, fazendo-as correr.
— S-senhor, você realmente deve sair agora — gagueja o
homem da prancheta, à minha direita, metade dele escondido
atrás da cortina.
— É apenas política...
— Sairei quando tiver terminado. — Espero seu aceno
entusiasmado, antes de encarar Clara, rindo de novo. Cara, até
a risada dela parece inocente. Intocada. Linda. — Você será
capaz de dançar? — Digo.
— Sim — ela murmura, alisando as mãos no topo
apertado de sua fantasia.
— Você ficará depois? Por favor?
Apesar dos olhos em nós, não posso deixar de me
aproximar, tentando contar os brilhos em suas pálpebras.
— Você sabe que eu não deveria.
— Você salvou minha noite. — Sua saia roça minhas
pernas e meu pau se transforma em carne inchada e
pendurada.
— Você fez tudo melhor e só quero agradecer.
— Diga agora — ri. — Apenas palavras.
Ela balança a cabeça, a travessura brilhando em seus
olhos.
— Vejo você mais tarde, tio Rex.
Tenho que desabotoar a parte debaixo da minha camisa
para cobrir meu pau duro, só para que possa voltar ao meu
lugar. Todo mundo me olha com curiosidade enquanto a
música começa mais uma vez, mas assim que Clara sobe ao
palco, não vejo nada além dela, envolta em uma luz branca
brilhante.
Minha vida tem sido nada além de areia. Cordas,
armadilhas de caranguejo, morte gelada, perigo. Antes de
começar minha carreira de pescador de caranguejo, eu pulava
nos bares de motoqueiros onde testemunhava o lado de
merda da humanidade regularmente. Feio. Tudo o que vi foi
feiura. Tudo o que ouvi foi raiva e cinismo. Mas ver Clara
flutuar pelo palco como um anjo, toda a dureza dentro de mim
desmorona. Meu Deus, quem sabia que esse tipo de beleza
existia?
Eu sei que devo sair agora, porque há mais do que desejo
inapropriado por algo que não posso ter. E quero mais. Quero
os sorrisos e a confiança dela. Quero assustar as pessoas que
são más com ela. Colocá-la em meus braços à noite. Mas nada
disso é possível, então preciso sair. Fazer o meu melhor para
tirar Clara da minha cabeça.
Mas permaneço colado ao assento, sabendo que ficarei
depois para receber o agradecimento dela.
Capítulo Cinco
Clara
Estou em pé fora do auditório e não vejo Rex. Ele saiu?
No meu íntimo, me entristeço com a
possibilidade. Peguei muito pesado nos bastidores, né? Deus,
ele deve pensar que eu sou uma lunática sedenta por
sexo. Praticamente implorei para que ele subisse em cima de
mim na frente de todos. O que há de errado comigo?
Só que a visão dele faz tudo ao sul do meu umbigo
parecer... vacilante e com cócegas. Fico molhada e corada e
minha pele fica tão sensível que quero gritar. Uma vez, peguei
um romance na mesa de cabeceira da minha mãe apenas para
ler as cenas de sexo e achei ridículo. De maneira alguma uma
pessoa poderia perder o controle de seu corpo dessa
maneira. Oh, eu estava tão errada. Quando vejo seus ombros
largos e o cabelo no peito enrolando em torno de sua camisa,
minhas coxas se abrem.
Ele sempre parece tão bravo − tão irritado − mas suas
palavras são como cobertores direto da secadora. Assim que
ele pisou nos bastidores, parecendo um lenhador vingativo,
meu coração se acalmou com a segurança. Aqui está ele. Estou
bem agora.
Mas eu provavelmente o assustei, prometendo não me
comportar. Como se ser sobrinha dele não fosse suficiente
para nos manter separados, há algo em seu passado − algo
envolvendo meu padrasto − que o faz duas vezes mais
inflexível sobre manter-se perto. Eu gostaria de saber o que
foi...
— Clara.
Eu me viro para encontrar Rex parado nas sombras,
descendo as escadas e à direita da entrada, fumando seu
charuto. Quando ele o apaga com uma torção de sua bota,
minha barriga se contrai, meu coração dispara. Não quero
questionar meus instintos. Só quero segui-los. Precisando
estar em sua tranquila presença, desço as escadas, dou uma
volta rápida e dou um salto veloz em seus braços. Minhas
pernas enroscam em volta da cintura dele, à vista de todos
que ainda saem do auditório − e acho que é por isso que o tio
Rex dá um grunhido baixo, pontuado, e nos leva pela lateral
do prédio.
— Garota, você está pedindo por problemas.
— Você ficou. — Aconchego meu rosto em sua barba.
— Isso significa que você está pedindo por isso também?
— Não. — Mesmo quando ele nega, suas mãos avançam
pelas minhas coxas, em direção às minhas costas.
— Só queria te dizer... nunca vi nada como você. Lá em
cima. Você se move como algum tipo de anjo.
Os instrutores me incentivaram ou deram um feedback
positivo, mas meus pais pareciam gostar da minha dança
porque isso me mantinha fora de casa. Eles acenaram com a
aprovação e pagavam a mensalidade, mas nunca recebi esse
tipo de elogio de alguém que importa. E nunca, tão honesto.
— Obrigada — sussurro.
— Eu te beijarei agora, tio Rex.
Ele balança a cabeça.
— Não, menina. Não.
Vozes me alcançam do estacionamento próximo.
— Se você tem medo de as pessoas verem, pode me levar
a algum lugar. — Enrosco os dedos no colarinho da camisa e
subo mais alto em seus quadris.
— Eu também te beijarei lá em baixo. Vou chupar,
brincar e fazer o que você quiser.
Seu gemido gutural dói no meu tímpano. — Foda-me.
— Isso também — sussurro contra seu ouvido.
— É isso que teríamos feito na casa da piscina, se não
tivéssemos sido pegos?
— Cinco minutos depois, meu irmão teria entrado e me
encontrado pingado de sangue virgem. — Ele nos move ainda
mais na sombra do edifício, suas mãos finalmente
encontrando meu traseiro e punindo-o.
— Parece que isso é meu, mas não é. — Seus dedos
pressionam minhas bochechas. Forte.
— Mas ainda matarei qualquer filho da puta por
sequer pensar em tomá-la. Não faz sentido.
— Sim, sim — gemo quando ele me pressiona contra o
prédio, seu volume entre as minhas pernas.
— Não pedimos que seu irmão e minha mãe se
casassem. Não é nossa culpa.
— Pare. Pare de tentar me convencer disso. — Ele
empurra forte no meio das minhas coxas, seu gemido
dividindo o ar da noite.
— Está errado, Clara. Está errado.
Esfrega, roça, esfrega. Cada movimento mais duro que o
anterior. Sua boca encontra a minha e somos famintos. Sua
barba é grossa nas minhas bochechas e queixo, sua língua é
lisa e com gosto de fumaça enquanto lambe a minha. De novo,
e de novo. Não preciso de interpretação para saber que seu
rosnado significa “abra mais”. Apenas faço isso. Abro a boca o
máximo que posso, deixando-o invadir. Deixando-o me
bombear com força contra a parede, minhas pernas tremendo
com a força de cada lado dele.
— Inferno, sabia disso — ele grita, amassando minhas
costas, depois mantendo-a firme para receber seu impulso.
— Sabia que você seria uma boa princesa de merda. Não
pode deixar de me agradar, pode? Não pode deixar de
espalhar tudo bem aberto para o uso do tio.
— Sim — gemo, estática fazendo cócegas nas minhas
veias. A energia se encaixa dentro de mim direto. Nada
errado. Tudo isso.
— Oh, meu Deus. Sim. Sim. Sim.
— Sim, o que?
Eu soluço uma vez. Duas vezes.
— Sim, tio Rex.
Nós espiralamos em um beijo depois disso e é tão
molhado, tão sexual, que estou choramingando quando acaba,
arranhando seus ombros. Ele arfa na minha boca ao se
afastar.
— Onde está o seu carro?
— Hum... — Eu procuro através da minha névoa
cerebral, finalmente chegando a uma resposta e apontando
para o estacionamento na parte traseira do edifício.
— Lá. O Camry cinza.
As palavras mal saem da minha boca antes de
caminharmos nessa direção, suas mãos vagando por baixo da
minha saia, aqueles dedos calejados deslizando sob minha
calcinha, traçando a fenda da minha bunda. E o tempo todo,
sou como um coala gananciosa, agarrada a ele e lambendo
cada pedaço de pele nua que posso encontrar. Não há muito,
exceto pelo pescoço e uma polegada de peito, onde passo os
dentes por aquele cabelo preto encaracolado que me deixa
louca.
Nós devemos estar nos beijando há um tempo, porque
meu carro é o único que resta no estacionamento traseiro,
embora ainda haja vozes da frente do auditório. Assim que
chegamos ao meu carro, Rex me empurra de bruços sobre o
capô e levanta minha saia. Eu ainda estou ofegante quando
minha calcinha é puxada até os tornozelos.
— Não posso foder você como quero, sobrinha, mas essa
bundinha é muito apertada e bonita para chamar de prêmio
de consolação.
Quando sinto sua língua viajando entre minhas
bochechas, não espero que seja tão incrível. Mas quando ele
alcança o que quer − aquela entrada que eu nunca imaginei
que alguém tocasse − e ele começa a banhar-me com lambidas
rudes e profundas, meu clitóris começa a formigar com
sensibilidade épica. Mais e mais até que minhas mãos se
tornam punhos no capô do carro, gritos presos na minha
garganta. O que ele quis dizer sobre meu traseiro ser um prêmio
de consolação? Ele se colocará dentro de mim lá?
Eu me viro para observar por cima do ombro, assim
como Rex se endireita. Minha boceta incha e fica
insuportavelmente molhada, vendo-o cuspir na palma da mão
e acariciar a saliva sobre si mesmo. Ele faz isso três vezes até
que sua ereção é enorme e brilha à luz da lua, aquelas bolas
grossas e cobertas de cabelo descansando no V de sua
braguilha.
Nossos olhos se encontram.
— Se você não quer tio Rex na sua bunda, fale
agora. Uma vez que eu tiver alguns centímetros dentro, o
tempo para as negociações acabou. Você será montada como
um pônei premiado. — Ele amaldiçoa baixinho.
— Você é uma coisa tão inocente e eu vou para o inferno
por tomá-la assim, mas, preciso entrar em você de alguma
forma ou ficarei louco, você entende?
Ele realmente acha que eu diria não a qualquer coisa que
o envolvesse? Estou tão desesperada para agradá-lo e ficar
satisfeita, que chego a tremer.
— Quero isso. Eu quero você.
Suas mãos plantam no centro das minhas costas,
empurrando-me para baixo, nivelado com o capô do carro.
— Oh, você está recebendo cada centímetro de mim,
garota. — Sinto sua cabeça rechonchuda na minha entrada
dos fundos e ouço seu grunhido estrangulado. Estou fazendo
uma coisa muito ruim. Muito mal. Mas estou deixando você
virgem, Clara. Não posso estourar a cereja da minha
sobrinha. Não posso fazer isso.
— Sim, você pode — eu respiro, inclinando meus
quadris.
— É sua.
— Não. É assim que tem que ser. Com uma
movimentação grosseira, alguns centímetros de sua espessura
estão dentro do meu traseiro, me esticando. O desconforto
cava em suas garras. Minhas coxas batem no para-choque,
tentando mudar o ângulo e aliviar a tensão, mas estou presa
sob os quadris muito maiores que os meus. — Shhh. — Sua
mão está subitamente entre as minhas pernas, dois dedos
encontrando meu clitóris e esfregando no sentido horário,
devagar, devagar, devagar.
— Eu cuidarei de você.
Alguns segundos de seu toque e a dor começa a
desaparecer em um pulsar entorpecido.
— Isso é tão bom. — Seus dedos se movem mais rápido,
mais áspero, arrastando meu clitóris com eles até que o atrito
comece a surtir efeito, começa a pulsar algo no centro do meu
ser. Eu posso senti-lo empurrando mais fundo dentro de mim,
sua cintura cravada entre as minhas nádegas, mas o acúmulo
dentro de mim é uma distração tão gloriosa que eu me
concentro nisso. Eu me concentro na respiração difícil de Rex
atrás de mim, as cócegas de seus pelos pubianos roçando
entre as minhas pernas, o peso do seu saco onde
eventualmente pressiona contra mim.
— Quem está fodendo sua bunda, garota? — ele falou no
meu pescoço.
— Quem tem cada centímetro largo de seu pênis dentro
do lindo anjo que dançou do palco?
— Tio Rex — eu choramingo.
— E-ele tem.
Ele recua e soca os quadris para a frente, derramando
lágrimas nos meus olhos.
— Você pode manter o nosso pequeno segredo tão
apertado quanto você está segurando esse pau?
— Sim.
— Isso é muito bom, sobrinha. Porque eu não deveria
estar em qualquer lugar perto deste buraco. Ele mói em mim e
solta um grito gutural.
— Não deveria estar fodendo você. Nem deveria
estar pensando em você.
O ritmo de seus dedos aumentou com a agressão em sua
voz e eu estou... estou em um ponto de ruptura que nunca
cheguei antes. Já me toquei no escuro, quando ninguém está
em casa, mas os resultados só foram satisfatórios. Talvez
porque eu não tenha conhecido um homem que realmente me
excitasse antes. Eu estava cegamente antecipando
algo mais desde que saí para o pátio dos fundos e encontrei o
tio Rex fumando seu charuto.
— Eu vou... eu não sei. Por favor, não pare.
— Você não sabe? — Ele ri sem humor na dobra do meu
pescoço e continua a me acariciar entre as pernas enquanto
bombeia dentro e fora das minhas costas.
— Eu não vou apenas para o inferno, estarei sentado à
direita de Lúcifer.
Até agora, houve uma lenta construção do prazer dentro
de mim, mas quando Rex parece perder o controle sobre o
domínio atrás de mim, é quando a maré aumenta com uma
vingança. Ele rosna no meu cabelo, seus dentes procurando
minha orelha para morder. Ele é um animal empolgado, a
brutalidade de suas movimentações fazendo um estrago no
capô ao redor do contorno do meu corpo. Meus pés caem do
chão, levantados por seus quadris, uma coxa sendo arrancada
pela mão livre de Rex.
Abro a boca no capô do carro e começo a soluçar. Metade
porque a pressão que ele está me infligindo dói. Metade,
porque é tão bom quando emparelhado com os dedos no meu
clitóris. Oh, meu Deus. O que quer que esteja vindo me dividirá
no meio e eu estou pronta para o prazer/dor.
— Quero isso. Quero isso. Eu quero isso.
Desta vez, sua risada é sombria.
— Mamãe e papai não sabem que você é uma vadiazinha,
Clara? — Ele lambe a lateral do meu pescoço.
— Mas o tio Rex sabe tudo sobre isso, não sabe? Sim, ele
sabe.
Uma explosão ocorre dentro de mim, tão poderosa que
eu nem consigo gritar. Não consigo nem me mexer. Meus
músculos se contraem como bateria e eu tremo
violentamente, o prazer correndo através de mim em ondas
escaldantes. Estou tremendo ou é o carro? Meu clitóris lateja,
minhas paredes se apertam com tanta força que bato a mão
no capô do carro e me contorço, lutando para combatê-lo. Ao
longe, ouço Rex dar um grito sufocado, então o calor me ataca
de outra direção. Seu gozo. Quero que ele me afogue. Nunca
quero parar de experimentar seu corpo enorme se sacudindo
e xingando em cima de mim, seu saco quente marcando minha
bunda como um selo de gado.
Momentos depois, mesmo que ele endireite minhas
roupas com mãos gentis e me puxe de volta para o calor do
seu peito... Ainda sinto a batalha em andamento em sua
cabeça.
Talvez porque eu apenas alcance seu ombro, ele não
perceba que estou preparada para a guerra.
Capítulo Seis
Rex
O mar revolto é um adversário meu.
Existe um acordo tácito entre nós. Quando está uivando
e jogando meu barco em ondas de seis metros, está tentando
me matar. Está entendido. Estou apostando no destino
quando entro nele. Estou jogando os dados com a minha vida,
apostando que posso roubar o suficiente do tesouro do mar
antes que ele me engula inteiro. Faço isso com sucesso há
anos, apesar de ver os homens da minha equipe perderem os
pés e afundarem na superfície gelada, para nunca mais serem
vistos. Sim, lutei contra mar revolto com sucesso até hoje à
noite.
Este é um novo tipo de tempestade – aquela, dentro de
mim para Clara. E perdi a luta. Inferno, não consegui nem
lutar decentemente contra isso... essa obsessão. Aumenta e
fica mais turbulenta a cada minuto. Sou obcecado por sua voz
suave, seus grandes olhos de corça, sua virgindade. Tomar
isso. Protegendo-a de mim mesmo. Matando-me por isso.
Eu deveria ser preso pelo que fiz hoje à noite. Fodendo
minha doce sobrinha na bunda, por cima do capô de seu
carro. O carro pelo qual meu irmão provavelmente está
pagando. Eu estou seguindo atrás dela agora pela avenida
escura, certificando-me de que Clara chegue em casa bem. Há
um coelhinho de pelúcia na janela de trás e um adesivo de
sapatilhas de balé. Ela é tão jovem. Tão refrescantemente
honesta. Seu futuro é brilhante, exceto pela mancha negra
depravada que acabei de deixar.
Na escuridão do meu carro, porém, não posso deixar de
me apalpar abaixo do volante, apertar meu pau
satisfeito. Senhor, ela aceitou como uma campeã. Gozo em
toda a minha mão, mesmo enquanto estava tratando aquela
parte traseira apertada como meu próprio playground
pessoal. Em um ponto, coloquei minha bota no para-choque
dianteiro para poder avançar mais fundo... e ela apenas miou
como um gatinho feliz. Eu nunca gozei tanto na minha vida. E
eu com certeza nunca quis abraçar uma garota
depois. Balançá-la, beijar sua testa, massagear a sua dor.
Nunca quis dominar o mundo por uma mulher
antes. Mas quando ela lança aqueles olhos grandes para mim,
quero ser seu super-herói. Alguém para combater o mal em
seu nome, mantê-la escondida em um local seguro e suprir
todas as suas necessidades.
As luzes de freio no Camry de Clara acendem quando ela
entra na garagem. Paro no meio-fio do outro lado da rua,
sabendo que não posso entrar. Ou vou segurá-la. E dormirei
na sua cama com ela dobrada sobre mim. Ela será tão macia,
sua boceta lá para ser tomada, e eu não conseguirei me
segurar dessa vez. A foderei nove vezes antes da
manhã. Merda, nesse ponto, o vício estará fora de controle. Eu
ainda estarei aqui quando meu irmão voltar de Bali, ou
morando com sua menininha ou... a levarei para casa
comigo. A reivindicarei para sempre.
Tenho que sair antes que a obsessão se transforme em
algo que não possa controlar.
A sugestão de que estou controlando agora é
risível. Porque ela está correndo em direção ao meu carro e
estou lutando contra o desejo de puxá-la pela janela do
motorista e sair desse maldito pesadelo suburbano. Eu moro
mais perto da costa, não muito longe. Nós poderíamos chegar
lá em pouco tempo, Clara dobrada nos meus lençóis com uma
barriga satisfeita de comida. Ela pertence a mim.
Sob minha mão de nós brancos, o volante range.
— Vá em frente, garota. Vá. Esperarei aqui até você
entrar.
A mágoa brilha nos olhos dela e eu me considero
bastardo dez vezes.
— Mas... você não quer entrar?
— Não posso. Farei uma caçada pela manhã.
Seu lábio inferior empurra para fora.
— Onde?
— Long Shadow.
Ela absorve isso.
— E se houver ladrões?
— O quê?
— Dentro da minha casa — ela sussurra, olhando por
cima do ombro.
— Tipo, se já estou em casa com as portas trancadas
quando escurece? Fico bem, sabe? Nenhum ladrão apenas
espera em uma casa o dia inteiro para pular e começar a
roubar quando a noite cai. Mas se eu voltar para casa no
escuro − como agora − há uma chance maior de
ladrões. Porque não estou em casa desde a luz do dia. Eles
poderiam ter escapado depois do anoitecer. Você pode entrar
e conferir?
Deus todo-poderoso, ela é tão fofa quanto um botão. E
ela quer que interprete ser seu protetor, apesar de ter
acabado de manchar sua inocência em um estacionamento
público. Apenas olhando para seu rosto esperançoso, meu
coração se eleva e gruda na garganta. Não posso mais dizer
não a essa garota do que posso mudar as estações sob
comando.
Eu resmungo.
— Apenas uma verificação rápida.
Ela dança ao redor, as mãos entrelaçadas sob o queixo.
— Obrigada.
Saio da minha caminhonete e atravesso a rua ao lado
dela, emitindo um som de aviso na minha garganta quando ela
enrola os dedos nos meus, segurando minha mão.
— Clara...
— O que? — Ela olha para mim através dos cílios.
— Tios dão as mãos às sobrinhas, não é?
— Quando são crianças, talvez.
— Eu não te conhecia quando criança. Não podemos
compensar o tempo perdido? — Ela levanta minha mão e gira
debaixo dela.
— Vejo muitos presentes no meu futuro.
Pelo canto do olho, vejo um vizinho do sexo masculino
em sua entrada, olhando de soslaio para nós na
escuridão. Provavelmente me perguntando se sou o novo
namorado mais velho de Clara. Provavelmente se
perguntando se a levarei para a Terra Prometida assim que
entrarmos em casa. Não há um homem de sangue vermelho
vivo que não queira saber como e quando Clara abre as coxas,
mas lhe dou um olhar sombrio, de qualquer maneira,
apontando para ele na escuridão. Em outras palavras, eu sei
onde você mora. Não olhe. Não toque.
Irônico, considerando que eu deveria seguir essas regras.
Clara solta minha mão para destrancar a porta e franzo
a testa, querendo-a de volta.
— Como é que nenhuma dessas garotas esta noite
ajudou a curar seu joelho? Elas não são suas amigas?
Ela abaixa a cabeça e entra pela porta aberta.
— Não. Na verdade, não.
— Por que não? — pergunto, seguindo-a para dentro.
— Elas são estúpidas ou algo assim?
O sorriso que ela lança em mim faz meus passos
vacilarem.
— Não, elas não são estúpidas. Elas apenas me acham
estranha.
Começo a acender as luzes e a atravessar a casa,
procurando nos armários e debaixo das camas enquanto ela
segue atrás de mim na ponta dos pés.
— Por que diabos elas pensariam isso?
— Eu não sei...
Eu passo por ela na porta de um quarto de hóspedes e
seus seios roçam minha barriga, fazendo-a ofegar.
— Elas gostam de meninos. É tudo o que elas gostam. E
eu acho que os caras que elas querem namorar são nojentos. E
que eles ficam ofendidos com o quanto não me importo. Eles
acham que estou presa.
Porra, o menor toque dela e o calor estão se contorcendo
em minhas veias. Luto para me concentrar na conversa,
porque posso dizer que é importante para ela. Sim, boa
tentativa. É importante para mim. Eu me preocupo muito mais
do que deveria com Clara em relação aos meninos, não é nem
engraçado.
— Você não namora?
— E você? — ela pergunta rapidamente, parecendo
prender a respiração.
— Estou no barco há meses. Ninguém sério antes
disso. Realmente nunca tive nada sério. Não... tenho interesse
também.
Os ombros dela recaem, a boca se espalhando em um
sorriso triste.
— Oh.
— Você não respondeu minha pergunta — insisto,
sabendo que não deveria. Antes de entrar no banheiro, viro
para segurar a cabeça dela.
— Eu já estive no cinema algumas vezes, mas...
Minha mão faz uma pausa na cortina do chuveiro que
estou ajustando para puxar de volta.
— Mas o que? — pergunto.
— Esses pequenos filhos da puta ficam de mãos dada
com você?
— Eles queriam — ela murmura, vindo atrás de mim no
banheiro escuro.
— Mas, não os deixei. Eu nunca quis que alguém
colocasse suas mãos em mim até eu te ver. Agora é tudo em
que consigo pensar.
Talvez seja a escuridão ou o fato de estarmos em um
lugar em que ninguém possa nos ver, mas não posso deixar de
puxá-la para mais perto, deixando minhas mãos vagarem por
suas costas.
— Eu fui um filho da puta duro com você hoje à noite,
garota. Não há desculpa para isso, exceto beijar você... isso me
fez esquecer as regras. Eu precisava te dar toda a minha porra
ou morreria.
— Beije-me novamente agora, então — ela respira,
passando as mãos sobre os meus ombros.
— Tios beijam suas sobrinhas, não é?
— Não. — Eu aperto uma parte do cabelo dela e puxo,
inclinando o rosto para cima.
— Não da maneira que fizemos. Não com beijo de língua.
— Que tal me colocar aqui? — Seus dedos roçam a curva
do meu pau.
— Se estamos compensando o tempo perdido, você não
deveria fazer isso pelo menos uma vez?
Com um grunhido, aperto mais o cabelo dela, abaixando
meu rosto no dela.
— Você não estava realmente com medo de ladrões,
estava?
— Ah, sim. — Ela lambe os lábios.
— Petrificada. Provavelmente ficarei a noite toda.
Todo o meu ser protesta por ela estar sozinha e com
medo. Mas estou aprendendo a ler minha sobrinha e aqui está
a vejo: ela pode me tocar como um maldito violino. E ela sabe
disso.
— Não ficarei, Clara, então nem tente. Nós já fomos longe
demais com isso. — A guio pelos cabelos através da porta do
banheiro, meu pau endurecendo, apesar dos meus comandos
mentais.
Ela é uma garota tão boa, caminhando obedientemente
sob minha mão orientadora. Estou prestes a perguntar qual
quarto é o dela, mas há uma placa de princesa rosa em uma
porta. Balançando a cabeça, eu nos dirijo nessa direção.
Estou esperando que o quarto de Clara seja de bom gosto
como o resto da casa, então não estou preparado para a
explosão de rosa em que entro.
— Jesus Cristo — murmuro, soltando seus cabelos e
girando em círculo. Cada centímetro livre de espaço na parede
é coberto por um pôster de dança inspirador... ou gatinhos em
tutus. Tantos gatinhos em tutus. A cama dela está coberta por
um dossel branco e transparente, pendendo do teto. Abaixo
disso, está enterrado sob uma montanha de bichos de
pelúcia. Tudo é bichinho, rosa e brilhante. E acabei de foder a
bunda da ocupante deste quarto.
Há tantas camadas de erros aqui, que nem consigo
começar a cavar. Porque a camada superior do erro é algo que
não esperava. Algo inaceitável.
Estou excitado pra caralho. Quero deitar Clara naquela
cama estupidamente adorável, fazê-la caminhar com os
joelhos sobre meus ombros e chupá-la até que ela esteja
gritando por sua mãe. Completamente oposto disso, quero
sentá-la no meu colo em uma camisola e ver como ela escova
o cabelo para dormir. Deus todo poderoso. Eu... quero ser o
papai dela.
Ela olha para mim.
— Você não gosta?
Meu estômago revirou.
— Eu gosto demais, garota.
Um sorriso se abre.
— Realmente?
— Sim — digo em uma expiração apressada. A verdade
está fora de questão, mas não sei como lidar com isso. Meus
gostos nunca correram nessa direção. Eu me masturbo vendo
revistas de nudez no barco quando não havia Wi-Fi
disponível. Quando estou em casa, faço a ação para qualquer
pornografia na Internet que chame minha atenção. Mas
verdade seja dita, eu costumo evitar algo assim. Homens
cedendo aos seus impulsos em lugares que não deveriam. Foi
Clara que me transformou em um desses homens. Ela me fez
desejar sangue virgem e calcinha com laços rosas e coisas que
não posso ter.
Seria tão fácil seguir esse caminho sem pensar muito
nisso. Especialmente esta noite. Para não se preocupar com as
consequências e apenas foder minha princesinha excitada sob
o teto do meu irmão. Deus sabe que ela está madura para
isso. Seus grandes olhos estão me convidando para tirá-la nua
e fazer o que diabos eu quiser. Ela me chamando de papai. Eu
não sei muito sobre essa merda, mas uma parte de mim
reconhece desde o início que um protetor é exatamente o que
Clara está procurando. Necessidades. Talvez minha paixão por
ela tenha me transformado nessa pessoa...
Mas por mais que esteja faminto por sua pele, seu toque,
sua boceta, não posso ceder. Eu sou seu tio. Eu poderia
satisfazer seu corpo, mas ela seria ainda mais intocável
quando a reivindicasse. Eventualmente tornar-se-ia
público. Ela nem percebe quão grande é o mundo. Claro, a
equipe de dançarinas não gosta dela, mas a vida depois dos
dezoito é tão diferente. Ela está prestes a descobrir isso. Posso
realmente confundi-la com alguém que a alienará do
mundo? Da família dela?
Você estraga tudo.
— A casa está segura. Sem ladrões. — Voltar para a porta
é a coisa mais difícil que já fiz na minha vida, mas dou um
passo, depois outro.
— Farei mais uma verificação na casa e trancá-la antes
de ir. Você está segura, ok, garota? Boa noite, Clara.
— Tio Rex...
Não ouço o resto do que ela diz sobre o protesto
estrondoso do meu coração.
Capítulo Sete
Clara
Claro, escorrego subindo no ônibus.
Meu joelho já machucado bate no degrau e engulo um
grito, voltando aos meus pés o mais rápido que posso para
não bloquear a fila de passageiros que está atrás de mim. Uma
mulher idosa na primeira fila me dá um olhar de simpatia
quando passo por ela, mancando e segurando minha mochila
no peito.
Eu estou fazendo isso.
Farei isso
Não acredito que farei isso.
Rex não poderia ter deixado mais claro ontem à noite
que ele está recuando. Foi o meu quarto ridículo que arruinou
tudo. Ainda não posso deixar de me surpreender com a força
de vontade dele. Eu vi a forma faminta dele através de suas
calças. Eu gosto demais, garota. Graças a Deus ele deixou essas
palavras escaparem, porque elas estão me dando coragem
suficiente para surpreendê-lo em sua viagem de caça. Quando
estiver à sua frente, ele não poderá deixar de me tocar. Se
continuar no seu caminho, ele deixará de se preocupar com os
erros e os direitos. E uma mudança de cenário só pode ajudar
minha causa, não pode? Sem nenhum lembrete de seu irmão e
minha juventude aparecendo, podemos ser apenas nós.
É o que espero, de qualquer maneira. Porque acho que
não posso ser feliz sem ele. Há um vazio dentro de mim que
está à beira da realização. Nunca persegui um relacionamento
com ninguém. Não com um amigo ou namorado em potencial
− apenas meus pais. Mas Rex... é como se eu não pudesse
deixar de ser atraída. Ele tem metade de um ímã dentro dele e
eu tenho a outra.
Eu deslizo em um assento em direção à parte de trás do
ônibus e esfrego meu joelho latejante. Lágrimas ameaçam
atrás das minhas pálpebras, mas penso em Rex invadindo os
bastidores na noite passada e imediatamente me sinto
melhor. Como ele reagirá quando eu aparecer sem aviso
prévio? Ele pode falar um pouco, mas não me mandará para
casa, né?
Pensando nas compras... para não mencionar o biquíni
que coloquei na minha bolsa, minha boca se move em um
sorriso.
Não. Ele não será capaz de me mandar embora.
A viagem de ônibus para Long Shadow leva uma hora,
mas estou animada demais para dormir, mesmo que não
tenha cochilado ontem à noite. Então eu assisto o cenário que
passa e respiro através dos nós no meu estômago. Após cerca
de 45 minutos, a folhagem se torna densa e a floresta se
constrói, as árvores se estendendo cada vez mais alto em
direção ao céu azul.
Rex só me deu uma ideia superficial de onde ele está
hospedado, mas meu padrasto costuma fazer suas viagens de
caça por aqui. Estou surpresa por ter guardado uma palavra
de suas histórias chatas, mas o fiz. E eu sei que existem duas
cabanas de caça, onde caçadores menos experientes ficam em
beliches durante a noite, antes de sair com os guias pela
manhã. Estou indo com o instinto, mas duvido que Rex se
envolva com algo menos experiente. Então, alugarei uma
bicicleta assim que chegarmos ao cume da montanha e
verificarei as hospedagens até encontrar o veículo de Rex.
Eu de bicicleta. Não deveria ser muito perigoso, deveria?
Meu joelho lateja mais forte, como se quisesse zombar de
mim.
Capítulo Oito
Rex
Sei que algo está suspeito assim que entro na cabana.
— Que porra é esse cheiro incrível? — pergunta meu
amigo, Hank, farejando o ar.
— Seja o que for, estou comendo duas porções.
Rudy, o terceiro em nosso grupo de caça, se junta a nós
na entrada.
— Rosbife e cenoura. — De olhos fechados, ele levanta
um dedo.
— Com um raminho de alecrim em cima.
Com um suspiro, tiro meu colete de camuflagem e jogo
meu boné em direção a uma mesa de entrada.
— Vocês dois não são idiotas preocupados
com quem está cozinhando em nossa cabana?
Rudy encosta o rifle na parede e esfrega as mãos.
— Provavelmente deveríamos estar.
— Não questiono comida de graça — acrescenta Hank.
— Além disso, hoje não derrubamos nada, portanto ou é
a refeição misteriosa ou lataria. Eu escolho a opção um.
Ambos passam por mim em direção à cozinha, deixando
pegadas imundas atrás deles. O que normalmente não me
incomodaria nem um pouco. Infelizmente, tudo está me
incomodando hoje. O sol está muito brilhante, as folhas estão
muito secas, meus amigos nunca calam a boca. Estou ansioso e
irritado e é tudo por causa da garota que deixei em pé em seu
quarto de princesa na noite passada, parecendo tão
vulnerável e confusa que estou assombrado pela memória.
Um grito corta o ar.
No começo, acho que é minha imaginação. Fiquei me
esquivando o dia todo, imaginando ladrões convergindo no
quarto de Clara e assustando-a, fazendo-a me chamar, mas
não estou lá. Não estou lá para protegê-la.
Não. Mas não estou imaginando o grito. Rudy e Hank
voltam para fora da cozinha, com as mãos para cima, as
mandíbulas no chão. Então percebo. Eu sei que minha
sobrinha está na cozinha. Especialmente quando Hank usa um
dedo para abrir a porta da cozinha e espiar, soltando um
assobio baixo. É quando a vejo através fresta.
Ela está vestindo nada além de um pequeno avental
branco.
— Clara. — Corro em direção à cozinha, meu berro
quicando nas paredes da sala.
—Vocês dois idiotas. Afaste-se da porta.
— Droga. Você a conhece?
— Sim. Ela é minha maldita sobrinha. Eu os atravesso,
uma das mãos apoiada na porta da cozinha.
— Você sabe o que isso significa?
— Olhe, mas não toque — diz Hank com um aceno de
cabeça.
— Você conseguiu, chefe.
— Errado. Significa, nem olhe.
— Entendido. — Hank se afasta.
— Mas, uh... você pode querer esperar que ela se cubra
antes de entrar lá...
Algo passa entre nós três naquele momento. É óbvio que
não estou esperando para entrar lá, o que significa que já a vi
sem roupa. Ou eu quero. Conheço Rudy e Hank há uma
década, mas eles não veem isso acontecer. Também não sei o
que fazer com isso. Eles simplesmente olham enquanto uso
meu corpo para bloquear a abertura e me fechar na cozinha
com Clara.
Jesus. Meu pau levanta como uma vela principal ao vê-la
pressionada contra a ilha da cozinha, respirando como se ela
tivesse acabado de correr uma maratona. A parte de baixo
desse avental sujo nem bate em suas coxas. Nem mostra a
calcinha preta e que eu estou disposto a apostar que está
enfiada na bunda dela. Seus seios não estão aparecendo, mas
estão cheios e apontados para o decote quadrado do avental...
e foda-se... a inclinação dos lados e o inchaço dos quadris
estão todos em exibição.
Agora estou chateado. Meus amigos a viram
assim? Provavelmente já correram para o quarto para se
masturbarem. Ela está indecente. Ela é inocente. São muitas
coisas para identificar... exceto por uma certeza inabalável.
Ela está prestes a ser minha.
Eu sigo em direção a Clara, pretendendo destruí-
la. Ainda não sei como farei isso, mas não estou mais me
restringindo. Não posso. A obsessão está me sufocando, me
amontoando por todos os lados. Vir a Long Shadow foi minha
última tentativa de evitar fodê-la. Ela veio até mim e estou
perdendo o controle. Eu quase a alcancei quando parei,
notando os cortes e contusões em suas pernas. Todos
enfaixados, mas isso só me irrita mais, porque não tive o
privilégio de cuidar deles.
— O que diabos aconteceu com você? — Eu a prendo
contra a ilha.
— Como você chegou aqui?
— Ô... Ônibus — ela gagueja, as bochechas rosadas.
— E então uma bicicleta.
— Uma bicicleta — mordo.
— Quantas vezes você caiu, garota?
— Várias — ela sussurra.
— Podemos falar sobre outra coisa?
— Você poderia ter acertado sua cabeça. Se ferir
gravemente.
— Mas eu não me feri. Então devemos... comemorar? —
Ela me dá um sorriso trêmulo.
— Eu fiz o jantar. Era para ser apenas para nós, mas há o
suficiente para seus amigos.
— Você pensou que vim sozinho?
O aceno dela é vigoroso.
— Sim.
— É por isso que você está seminua?
— Sim.
Minha raiva esfria, o que é muito ruim, porque abre
caminho para a necessidade. E a necessidade é selvagem,
como combustível se acumulando em minhas bolas. Duro nem
é uma palavra adequada para descrever meu pau. É um
pedaço de carne suado e pulsante e está tentando rasgar
minhas calças para chegar à virgindade dela. Ela veio aqui
para oferecê-la. É minha para tomar. Não há nada a
fazer senão pegar, certo? Não há escolha a não ser dar-lhe esse
fogo líquido e deixá-lo enraizar-se onde nunca deveria jamais
ir. Onde é proibido.
Eu penso nela brilhando no palco, no entanto. Eu vejo
seus pobres joelhos arranhados e hesito. Senhor, ela é a coisa
mais doce deste planeta. Não sou bom o suficiente para este
presente. Não sou digno. Meu irmão sabe disso. Meu pai sabia
disso. Clara saberá em breve. Sou um homem que luta contra
o mar e volta para casa com mãos rasgadas e piadas
sujas. Mantê-la inocente é a única coisa que posso dar-lhe. Não
aceitar essa coisa pode impedir que minha culpa e desgosto
me suguem.
— Tio Rex... — Clara sussurra, subindo na ponta dos pés
e passando os braços em volta do meu pescoço.
— Eu me machuquei.
Meu corpo se move por instinto, moldando-a entre mim
e a ilha.
—Pobre garota. Suas pernas? — Eu respiro o perfume de
seus cabelos.
— Eu deixarei tudo melhor.
— Não minhas pernas — diz ela, brincando com as
pontas dos meus cabelos.
— Lá embaixo, me machuquei. Ficava cada vez pior
quanto mais esperava por você.
Um gemido sai do meu peito.
— Estamos falando sobre essa sua pequena boceta,
Clara? — Minhas mãos calejadas raspam suas laterais nuas,
descansando em seus quadris. Apertando-os.
— Você me trouxe uma boceta com tesão, esperando que
esquecesse que sou seu tio novamente e brincasse com ela?
Ela faz um barulho choroso.
— Uh huh.
Não existe um homem vivo capaz de suportar essa
tentação. E tenho de novo a certeza de que Clara precisa de
um pai. E eu quero como o inferno ser ele. Quero brincar só
que apenas nós sabemos e entendemos que uma vez que
abrir essa porta − depois de assumir a propriedade − nunca
mais poderei fechá-la.
A porta se abre quando ela passa por trás de seu pescoço
e desata o avental, deixando o decote cair cada vez mais baixo
até que seus peitos premiados estejam aparecendo, seus
mamilos cor de rosa e enrugados na luz suave da cozinha.
— Você vai beijá-los, tio Rex? — Seus quadris avançam e
ouço o movimento do tecido enquanto ela desata a parte
inferior do avental, deixando-o cair. Deixando-a com nada
além de uma calcinha de merda.
— Você vai beijá-los enquanto estiver dentro de mim?
O suor escorre pelas minhas costas e minhas mãos
começam a tremer. Não posso fazer isso. Não posso foder essa
linda boneca e chamá-la de minha. Somos co-parentes. Está
errado. Tão errado.
— Que tal eu lamber sua boceta, garota? — Estava
morrendo de vontade de chegar lá. Agarro-a pela cintura e a
coloco deitada no balcão, gemendo como uma fera quando
puxo a calcinha para o lado, me dando um vislumbre de uma
boceta adolescente e virgem.
— Sim. Minha língua manterá você virgem, não é? Só não
posso empurrá-la muito fundo.
Seus seios enrugados estão inchados de excitação, mas
seu rosto se move.
— Não. Eu quero você dentro de mim.
— Clara, isso não está acontecendo. — Eu moldo seu
queixo firmemente em uma das minhas mãos.
— Mas eu peguei sua bunda e fui sugado. Preciso lhe
devolver algo agora. Com um grunhido, soltei seu rosto e
afastei suas coxas.
— Preciso fazer você gozar mais do que eu preciso − e
isso está dizendo alguma coisa, já que estou excitado.
— Não. — Ela aperta as coxas novamente, o queixo
levantando.
— Eu não deixarei você me fazer gozar. A menos que
esteja dentro de mim.
Algo perigoso se enrola na minha barriga por ter sido
negado o direito de lhe dar prazer. Merda, estou babando para
provar sua boceta nova e fresca. Se não a ouvir gemer e
souber que é minha, perderei a cabeça. Essa insanidade
rastejante é o que faz minha voz emergir
sombria. Assustadora.
— Você não estaria brincando comigo agora, sobrinha?
— Não é um jogo! — Ela grita.
Mais rápido que um raio, Clara desliza para fora do
balcão e tenta passar por mim, mas a pego pela cintura. E é aí
que a luta começa. Sem mencionar o conflito dentro de
mim. Minha mente está me dizendo para libertá-la do meu
abraço inquebrável antes que ela se vá e se machuque. Mas
meu corpo está me dizendo que isso é natural para nós. Ela
está dando um chilique e o prazer é a única maneira de
acalmá-la. Meu pau não estaria grosso como um rolo, a menos
que isso estivesse certo. Inferno, talvez Clara nem saiba por
que está lutando comigo, mas sei. Ela não está conseguindo o
que quer e, além disso, está com tesão. Papai tem que
consertar.
Ela está de costas para a minha frente e ela está girando
da direita para a esquerda, arranhando meus braços.
— Deixe-me ir. Eu te odeio.
Uma espiga se aloja no meu coração, mas ignoro o
desconforto e lembro a mim mesmo que ela não está falando
sério.
— Tire essas calcinhas — gritei, usando minha mão
livre para rasgá-las.
— É melhor você tirar se souber o que é bom para você,
garota.
— Eu sei o que é bom para mim. Você não.
Com esse pronunciamento, ela renova suas
lutas. Nua. Nua e contorcendo suas costas alegres por todo o
meu colo. Precisando de alavancagem, eu caminho até a mesa
da cozinha e empurro o rosto dela para baixo na superfície de
madeira. Indo por instinto, dou um passo para o lado e dou
um tapa na bunda dela, enquanto ela continua lutando contra
o meu aperto.
— Isso me machuca mais do que a você — grito, dando
mais dois tapas ásperos, e meu pau vazando ao ver a marca da
minha mão em sua carne.
— Agora você será uma boa menina e deixará o tio Rex
se encher de boceta. Você entendeu?
— Não!
— Oh, sim, você entendeu. — Não é um esforço virar Clara
sobre a mesa, deixando-a de costas. Ela acerta um tapa no
rosto, mas eu ignoro a picada e abro os joelhos, obtendo
minha primeira visão desobstruída de sua boceta perfeita.
— Para quem porra, você está depilando isso?
— Não para você, obviamente. — Ela tenta fechar as
pernas, mas as mantenho abertas.
— Você nem quer isso.
Eles provavelmente ouvem minhas risadas na China.
— Não quero isso? Não penso em mais nada. Nada. Sua
boceta domina minha vida. —Dou um tapa no assunto da
minha obsessão e saboreio o suspiro de Clara.
— Responda-me. Por que não tem um único maldito
cabelo?
— Trajes de dança — diz ela, olhando para mim.
— Às vezes eles puxam para o lado e... é mais fácil assim,
certo?
Minha raiva diminui lentamente. Aproveitando sua
distração, caio de joelhos, puxando Clara para a beira da mesa
ao mesmo tempo. Ela começa a lutar quando vê que acabei de
fazer, mas assim que dou a primeira lambida, a luta nela
desaparece. Ouço seus ombros pousarem na mesa, um gemido
chocado enchendo a cozinha. Provocando seu clitóris com o
polegar, levanto minha cabeça para encontrar sua boca
aberta, olhos vidrados.
— Eu posso provar nossa luta aqui em baixo,
garota. Absorveu você bem, não é? —Substituo meu polegar
pela ponta da minha língua, sacudindo seu bumbum até que
ela ofegue meu nome. Tio Rex, Tio Rex.
— Seus pais não estão por perto para fazer você se
comportar, então tem que ser eu. É assim que seu tio a
disciplina. Bem assim.
Estou tão perto − tão extremamente perto − de me
chamar de papai, especialmente com o gosto do céu nos meus
lábios e língua. Com minha conversa sobre disciplina pairando
no ar. Há um estrondo dentro de mim que se tornará um
terremoto quando eu soltar. Então, uso a boceta mais doce
que eu já provei para me impedir. Me banho em cada
centímetro dela. Cada centímetro suave. Em algum lugar no
fundo da minha mente, lembro que Rudy e Hank estão na
cabana, mas não consigo parar. O volume dos gemidos de
Clara está aumentando, seus dedos passando pelos meus
cabelos para me manter parado em seu clitóris.
Sim, o clitóris dessa garota é sensível quando ela
goza. Sabia quando ela saiu dos meus dedos enquanto eu
estava fodendo em sua bunda virgem. Nada pode impedi-la de
gozar quando recebe a quantidade certa de atenção. E nada a
impedirá agora.
—Oh. Ohhhhh. Por favor, não pare, tio Rex.
Quando chupo delicadamente seu pequeno pedaço de
carne, apenas para atacá-lo depois com movimentos laterais
da minha língua, os quadris de Clara disparam sobre a mesa,
seu aperto no meu cabelo me puxando para mais perto.
— Parece tão bom. Oh, Deus. Eu vou... acho ...
O que não daria para afundar três dedos nela agora. Eu
transaria com eles profundamente e rápido até ela jorrar, mas
eu provavelmente colocaria sua cereja no processo. Minhas
mãos se enrolam em suas coxas. Não faça isso. Não faça isso.
Seu grito é quebrado e rouco quando ela atinge o
orgasmo, seus pés batendo nos meus ombros, empurrando-os,
seu corpo apertado tremendo como uma folha de
merda. Porra, é a coisa mais quente que já vi. Nem me tento,
no estado de sua vagina. Eu posso vê-la apertar, sentir nos
meus lábios. É como uma rosa coberta de orvalho quando ela
termina choramingando meu nome, seu corpo deitado na
mesa.
Meu pau ainda está em um estado de dor, mas me
levanto e torço minhas bolas com força, tentando diminuir a
agonia da minha ereção. Porque ela é muito bonita assim para
estragar tudo.
E inferno, ela está dormindo.
Com um suspiro, vou para a porta da cozinha e −
bloqueando a visão da minha sobrinha nua − abro e encontro
meus dois amigos andando ao lado do sofá. Merda. Eles
ouviram cada segundo do que aconteceu e desejarão algum
tipo de explicação. Meu instinto é dizer a eles que cuidem de
seus próprios assuntos, mas se eles ouviram Clara lutando e
brigando comigo, não quero que meus bons amigos pensem
que eu a matei.
Não o fiz?
Eu limpo minha garganta.
— Tragam um cobertor, sim?
Rudy me joga uma coberta que está assentado nas costas
de um sofá. Um minuto depois, passo pela sala com uma Clara
embrulhada em um cobertor, com o rosto enfiado no meu
peito.
— Podemos comer agora? — Rudy pergunta,
estremecendo quando Hank dá um soco no ombro dele.
— O que?
Capítulo Nove
Clara
Dançarinos são os melhores bisbilhoteiros, porque
somos leves em nossos pés. Os três homens na sala nem me
ouvem descendo o corredor, principalmente pela televisão
barulhenta. Eles estão assistindo alguns reality shows de
sobrevivência e bebendo cervejas, e francamente parecendo
desconfortáveis um com o outro. Rex está recostado em uma
poltrona de couro, seus dois amigos espaçados no sofá
próximo.
Minha atenção se vira para Rex e tenho que cobrir minha
boca para que eles não ouçam meu suspiro sonhador. Santa
Mãe do Céu. Ele fica mais irresistível toda vez que o vejo. Na
velha camiseta branca que ele está vestindo, finalmente posso
ver suas tatuagens que descem pelo braço dele. O material da
camisa é mais fino que sua flanela usual, então eu posso ver os
padrões de seu cabelo no peito por baixo, mais tatuagens
saindo do decote.
Ele não tem estômago liso ou barriga tanquinho. Não é
como as garotas, da minha escola de dança, nunca param de
falar. Não, ele tem barriga de um homem de verdade que cai
na cintura. Grosso, mas poderoso. Resistente. Ele é um tanque
com coxas para combinar que mal estão contidas dentro de
jeans azul escuro.
Enquanto eu assisto, ele leva a garrafa de cerveja aos
lábios, drenando metade dela com um gole, o deslizamento do
pomo de adão me deixando com cócegas entre as coxas. Eu
nem me lembro de ter adormecido depois... depois que Rex
usou sua boca em mim lá embaixo. Mas Deus,
que vergonha. Sério. Quem apenas desmaia em cima de uma
mesa?
Eu nem sequer o satisfiz.
Meu olhar cai para a protuberância no colo de Rex. Ele se
tocou quando eu não estava acordada, para fazer isso
sozinho? Se ele o fez, eu farei outra birra. Jogar o meu ataque
na cozinha foi... bom, na verdade. Eu sempre fui educada e
gentil, mas há algo sobre Rex que me enche de energia
estática. Faz querer atacar e ser uma pirralha, só para ele
assumir. Assumir o controle sobre mim. Tocar-me.
— Tudo bem — Rex diz, batendo a mão no braço da
cadeira.
Desapareço ainda mais no corredor, pressionando
minhas costas contra a parede.
— Vamos acabar com essa merda para que vocês possam
parar de agir como duas damas da igreja
escandalizadas. Digam o que tem a dizer.
— Ela é realmente sua sobrinha? — pergunta o homem
magro e ruivo.
— Isso é uma merda séria, Rex.
— Meio-sobrinha. É filha da minha nova cunhada − Rex
responde com uma voz sombria, erguendo sua garrafa de
cerveja para outro gole.
— Encontrei-a pela primeira vez há alguns dias. Quando
soube que estávamos relacionados...
— Você já tinha atraído a armadilha — diz o segundo
homem, com um aceno de cabeça sábio.
— Inferno, eu já estive lá. Exceto que a minha era uma
policial disfarçada, não minha sobrinha. — Ele fica
pensativo. — Embora ela provavelmente fosse sobrinha de
alguém.
— Jesus, Hank. Cale a boca — Rex murmura, pousando a
cerveja.
— Isso é diferente.
— Aposto que o pai dela não pensará assim.
— Não o chame assim, Rudy — Rex retruca, sentando-se
em sua cadeira.
— Ele é padrasto dela. Não estão perto o suficiente para
meu irmão ser chamado de papai.
Rudy e Hank levantam as mãos em sinal de rendição, ao
mesmo tempo.
— Como é diferente da minha situação da policial
disfarçada? — Hank pergunta, depois de uma longa pausa.
— Você não está apto a ficar com ela, está?
— Não posso. — Um músculo salta na bochecha de Rex.
— Não posso fazer isso. Eu sou um bastardo como vocês
dois. Não poderia fazê-la feliz. E inferno, você a viu. Ela é
muito jovem, muito bonita. Passo os meses de outono
caranguejando. Você não acha que alguém a roubará debaixo
de mim enquanto estiver fora?
— Ela é um pêssego, tudo bem — Hank diz.
— Você precisaria se preocupar com esses jovens
homens farejando.
Rex envia a ele um olhar assassino.
— Eu posso dizer. Você não pode.
Hank apenas parece confuso.
— Qual parte?
— Tudo isso.
Rudy se inclina para frente com um suspiro.
— O argumento é irrelevante. Ela é sobrinha dele. Esse
tipo de merda quebra uma família. — Ele bebe a cerveja,
termina e coloca a garrafa no chão.
— As pessoas acharão que não é natural. E eles não se
importarão de lhe contar. Dizer a ela. Ferindo seus
sentimentos e outras coisas.
— Sim. — A voz de Rex parece crua.
— Sim, eu não posso arruinar a vida dela antes que ela
mal comece a vivê-la. — Ele balança a cabeça.
— Cara, você deveria vê-la dançar. Ela será uma estrela.
— Provei a comida dela — diz Hank, dando um tapinha
na barriga.
— Ainda bem que não sou mais um jovem, hein, Rex?
— Última chance — Rex rosna.
— Então você estará dormindo lá fora.
Hank e Rudy se dissolvem em risadas.
Estou presa entre flutuar no ar e afundar no chão. Rex
fala de mim para seus amigos como se fosse importante para
ele. Como se fosse especial. E havia algo em seu ciúme
quando Rudy citou meu padrasto. “Ele é o padrasto dela. Eles
não estão perto o suficiente para meu irmão ser chamado de
papai”. Um tremor emocionante passou por mim, parecendo
atingir um alvo. Sobre o que era tudo isso?
A conversa entre os homens encerra e caminho pelo
corredor, repetindo as palavras de Rex na minha cabeça. Não
posso arruinar a vida dela... Não posso fazê-la feliz. Pelo menos
agora sei o que estou enfrentando. Agora sei onde cutucar na
sua armadura.
Respirando fundo, abro a porta do quarto e a bato, antes
de andar pelo corredor, fingindo esfregar o sono dos meus
olhos. Rex fica tenso quando entro na sala, seus olhos se
estreitando na bainha da minha camisola.
— Bom Dia? — Eu rio da minha própria piada, já que
ninguém parece inclinado a fazer isso por mim.
— Todo mundo gostou do jantar?
Hank arrisca um olhar para mim, mas volta para a
televisão quando Rex rosna.
— Melhor refeição que tive em um bom tempo.
Rudy assente.
— O mesmo aqui. Obrigado, Clara.
Rex se mexe na cadeira.
— Deixei um prato para você no fogão.
Torço meus dedos na parte inferior da minha camisola e
vejo meu tio engolir em seco.
— Eu realmente não estou com fome... — caminho em
direção à cozinha.
— Mas essas cervejas parecem boas. Talvez eu beba uma
dessas.
Sem esperar pelo protesto que sei que receberei, ando
rapidamente para a cozinha, abro a geladeira e pego a garrafa
mais próxima. Após uma breve pesquisa, encontro um abridor
de garrafas e passo muito tempo tentando descobrir como ele
funciona. Eventualmente, no entanto, abro a cerveja e volto
para a sala de estar, tentando segurar a garrafa como se fosse
uma das milhares que mantive na minha vida.
Quanto mais chego ao trio de homens, mais óbvio fica
que não tenho nenhum lugar conveniente para me
sentar. Rudy e Hank estão ocupando o sofá e o volume de Rex
não deixa espaço na poltrona. Não tendo escolha, vou para o
sofá, pretendendo me espremer entre Hank e Rudy.
— Venha aqui, garota. — A voz dura de Rex me
interrompe no meio da sala de estar. Me viro para encontrá-lo
torcendo um dedo para mim.
— Agora.
O desejo de fazer uma birra se aproxima de mim, mas
não porque esteja louca. Quero dizer, não quero sentar no
colo do tio Rex? Não, quero fazer uma birra para que ele me
leve para a cama e me castigue como ele fez antes.
Por quê? Então, você pode desmaiar de novo?
Oh, cale a boca.
Com meu queixo levantado, inverto as direções e volto
para o lado de Rex. Ele dá um tapinha em seu colo e −
ignorando a tensão espessa na sala − eu relaxo sobre o braço e
me sento em sua coxa grande e forte, meu corpo inclinado
para o lado para que seu peito encontre meu ombro
direito. Rex limpa a garganta e senta-se ereto, puxando uma
manta do topo da cadeira, colocando-a nas minhas pernas
nuas. Então ele me ignora e assiste a televisão. Como se
não sentisse o quanto ele gosta de me receber no colo. A prova
está crescendo a cada segundo, encontrando seu caminho
entre minhas nádegas.
— Você não tem idade suficiente para beber essa cerveja
— ele finalmente murmura, apenas para meus ouvidos.
— Considerando minha lista de pecados a seu respeito,
acho que não vale a pena.
Até que ele mencione a cerveja, esqueço que estou
segurando-a, mas dou uma longa tragada agora, recusando-
me a fazer uma careta pelo gosto amargo.
— Uh... yum.
Uma risada retumba em seu peito, me fazendo querer
me aconchegar mais perto. Mas não estamos sozinhos na sala
e posso sentir o interesse de Rudy e Hank a um metro e meio
de distância. Então deito minha cabeça no ombro do tio Rex e
tento assistir ao programa de televisão, tomando goles
ocasionais da minha cerveja. Meus membros começam a
formigar quando quase cheguei ao fundo da garrafa... e é aí
que coisas como o cheiro de Rex começam a me atingir com
mais força. Não apenas seu sabonete e loção pós-barba, no
entanto. Não, a sutil flexão de suas coxas e a mão possessiva
que ele coloca no meu joelho, debaixo do cobertor.
Na esperança de aliviar a repentina concentração de
calor entre minhas coxas, bebo a última gota e me inclino para
trás para colocar a garrafa no chão. Mas apenas o ato de
arquear minhas costas em um trecho é decadente. Há um
puxão delicioso na minha barriga. Os olhos de Rex deleitam-se
com meus mamilos, que são mais do que visíveis através da
camisola. E quando eu volto ao seu colo, sua mão está mais
alta na minha coxa. Alto o suficiente para que eu possa sentir
o calor do seu toque através da minha calcinha.
— Pare de se contorcer — ele grunhe no meu ouvido.
— Sente-se quieta.
— Estou tentando...
Tentando ser sutil, me inclino e respiro fundo no seu
pescoço e sua mão aperta − com força – a minha perna. Acho
que ele me castigará por fazer algo tão íntimo na frente de
seus amigos, mas essa mão começa a massagear e me derrete
por todo o lugar, me deixando molhada em lugares que
mantive seguros para o tio Rex.
— Eu ficaria mais confortável assim — sussurro,
virando debaixo do cobertor e montando nele. Bolhas
efervescentes estalam no meu sangue, cortesia da cerveja,
intensificadas pelo contato mais perfeito do mundo. Sim. Me
acomodo na enorme ereção de Rex com um rolar dos meus
quadris e ele amaldiçoa, estendendo a mão para desligar a
lâmpada ao lado da poltrona. A única luz que resta na sala
vem da televisão. A escuridão também me permitirá fazer o
que quiser e o zumbido da cerveja só me encoraja, nossa
audiência está condenada.
— Eu escutei — sussurro no ouvido de Rex.
— Ouvi o que você disse. Sobre garotos me
roubando. Sobre ser um bastardo para mim. — Minha língua
dança ao lado de seu pescoço e ele enrijece. Exceto por seu
braço, que espalha o cobertor mais alto.
— Mas eu te disse, nunca gostei de garotos da minha
idade. Eu nem sabia o que queria, até te ver. Ficaria triste e
sentiria sua falta enquanto você estiver fora. E me
preocuparia com você. Mas saberia que estamos juntos e te
esperaria. Esperaria anos.
— Você diz isso agora, Clara, mas sua mente pode
mudar. Você é jovem demais para tomar decisões como
essa. Ele aperta nossos quadris com mais força, sua voz é um
tom áspero.
— Ahh garota. Isso pode afetar sua vida inteira.
— É por isso que você tem que fazê-la comigo. — Tranco
minha boca com a dele, mantendo-nos pairando à beira de um
beijo. Então a abro e apalpo o seu jeans, abaixando o zíper
lentamente, determinação fervendo dentro de mim.
— Você não me deixará tomar decisões que me
machucarão. Ou aos meus sentimentos. Não entendo como sei
disso, mas sei. Você é... você é meu...
— Eu sou seu pai — ele respira contra a minha boca,
seus músculos se expandindo e endurecendo debaixo de mim.
— Não sou, garotinha?
É quase como voar, essa engrenagem mental se torcendo
no lugar e me lançando na atmosfera. Eu tenho sentido falta
de algo a minha vida inteira. Um lugar seguro, um
protetor. Mesmo meu pai biológico não podia me dar essas
coisas. Mas esse homem pode.
Tio Rex.
Papai.
Pode haver duas outras pessoas na sala, mas neste
momento, não há mais ninguém no planeta além de Rex e
eu. E preciso tanto dele, estou ofegante no beijo que ele me
dá, suas mãos mergulhando na minha calcinha para
manipular minha bunda. É irrestrito, esse beijo. Rex enfia os
dedos na minha entrada traseira enquanto chupa minha
língua em sua boca e eu não consigo o suficiente. Não é o
suficiente. Quando Rex se afasta e coloca um dedo nos meus
lábios, inclinando a cabeça em direção ao sofá, me viro e vejo
os dois homens cochilando.
— Se você quer brincar, precisa ficar quieta.
Concordo com a cabeça, preparada para concordar com
qualquer coisa, desde que Rex continue me tocando e me
beijando. Não, não apenas tocando e beijando. Eu quero tudo
isso. Quero o ato final que me fará sentir completa. Isso me
marcará como sendo de Rex para sempre.
Trilho meus dedos pelo estômago e circulo seu
comprimento, saindo das calças dele.
— Esta grande parte de você dói, papai?
Seu gemido de boca fechada soa como rendição.
— Dói como um filho da puta.
— Mas... o que poderemos fazer para parar de doer?
Fazer-lhe essas perguntas para as quais já sei a resposta
é tão natural quanto respirar. Como se estivesse me
preparando para isso por toda a minha vida.
— Não tem borracha em mim, garota. — O suor está
começando a aparecer na testa, sua expressão sendo de dor.
— E droga. Só sei que te foderia bem e te engravidaria na
primeira tentativa.
Minha testa está enrugada.
— O que é uma borracha, papai?
Bem na frente dos meus olhos, Rex passa por seu ponto
de ruptura. Eu não tenho tempo para saborear a vitória, no
entanto, porque a mão grossa dele cede entre as minhas
coxas, torcendo e rasgando a minha calcinha.
— Deus me perdoe — Rex grunhiu, uma gota de suor
escorrendo pelo lado do rosto.
— Senhor, perdoa-me.
Eu me movo cada vez mais para uma versão diferente de
mim mesma, enquanto Rex posiciona sua excitação onde eu
implorei para que ele colocasse. Eu ainda sou Clara, mas agora
também sou a garotinha de Rex e nunca me senti mais em
casa, na minha pele.
— É tão grande, papai — sussurro com os olhos
arregalados.
— Você tem que me machucar para fazer sua própria
mágoa desaparecer?
— Às vezes, garota. Sim. — Ele empurra os primeiros
centímetros dele dentro de mim, sua boca se abrindo contra a
minha. Respirando pesado junto comigo. — Há momentos
em que não terei escolha. Às vezes, as pequenas bocetas
irritam os papais, porque sabemos que não devemos destruí-
las, mas as frutas proibidas têm um gosto mais doce. É apenas
o caminho do mundo.
Balanço minha cabeça, mordo meu lábio.
— Eu não contarei.
— Essa é uma boa garota. É isso que fará o papai voltar
para mais. Pouco antes de você dormir na sua linda cama de
princesa, papai pode ter que entrar e ficar com raiva, mas
depois ele colocará sua calcinha e lhe dará bons beijos. Sua
mão encontra minha bochecha direita, segurando-a com força.
— Deixe-me ver como você é corajosa.
Sabendo que não posso emitir um som, enterro meu
rosto em seu pescoço e aceno. A carne da minha bochecha
direita está gritando de abuso e tio Rex usa esse aperto agora
para me penetrar com seu pau duro feito aço. A dor me
atravessa como uma adaga. Ele é muito grande, muito grosso,
mas em vez de gritar essas preocupações, eu apenas
choramingo em seu pescoço. E me concentro nele, porque sua
reação de estar dentro de mim diminui consideravelmente o
desconforto.
— Jesus Cristo todo-poderoso, isso é uma boceta
apertada. — Sua cabeça é jogada contra a cadeira, a boca
aberta, o peito trovejando para cima e para baixo. Há um
pulsar entre minhas coxas e percebo que são as veias em seu
pênis enorme.
— Como diabos conseguirei penetrar sem gozar em
dois malditos segundos?
Há um pouco de agitação atrás de mim no sofá, mas
ignoro e começo a mover meus quadris, instintivamente
tentando aliviar a miséria de Rex.
— Você não gosta de mim, papai?
— Ahhh, merda, garota. Papai te ama muito. Significa
que ninguém entra nesse buraco da princesa além de mim. E é
assim que será. — O resto da minha dor desaparece quando
Rex se inclina e me dá um beijo lento e amoroso. Suas mãos
emolduram meus quadris, me ajudando a subir até a cabeça
de sua ereção e descer de volta.
— Você deixa papai tão feliz se movendo
assim. Deixando-me esfregar você por dentro. É bom?
Eu suspiro quando meu clitóris roça sua base e os
formigamentos se movem na minha barriga, apertando os
músculos.
— Sim, sim.
Seu sorriso é duro quando ele pega meu queixo,
inclinando-o para cima.
— Sim, o que?
Excitação nas minhas costas.
— Sim, Papai. Isso é bom.
Esse aperto na minha mandíbula aperta apenas um
toque.
— E nós não diremos a ninguém o que acontece quando
estamos sozinhos e papai tira sua calcinha, não é, garota?
— Sim, papai. Eu prometo.
Quando eu começo a montá-lo mais rápido, suas
pálpebras se fecham, seus quadris rolando para me encontrar,
o lábio superior puxado em um rosnado.
— Eu não quero ter que contar a todos como você está
me provocando. Sentada no meu colo e girando aquelas
tranças em volta do seu dedo. Mudando de quarto com a porta
aberta. Papai não teve escolha.
Minhas coxas começam a tremer em ambos os lados de
seus quadris.
— Desculpe, não sei o que fazer. Eu sinto muito.
— Tudo bem, garotinha — ele fala, rouco. Uma mão
grande desliza sob minha camisa de dormir e segura meu
peito, apertando-o com força e eriçando o mamilo entre seus
dedos ásperos.
— Ter nosso segredo noturno melhorará tudo.
A coberta que me esconde começa a escorregar dos
meus ombros, mas não posso dizer a Rex, porque minhas
cordas vocais não estão mais funcionando. Eu mal posso
respirar. O orgasmo está começando a me desintegrar, no
fundo da minha barriga e se espalhando para o interior das
minhas coxas, meu núcleo. Sem pensar, eu monto Rex cada
vez mais, encontrando aquele lugar onde posso moer meu
clitóris de um lado para o outro, para cima e para trás.
—Oh , Deus. Ai, Jesus.
— Agora olhe para você provocando, garotinha. Você
fará o papai te engravidar se continuar assim. Seus quadris
estão movendo em violentas reviravoltas agora. — Ele
empurra em mim tão duro que meus dentes chegam a travar e
me deixam tonta, junto com suas palavras. Palavras que estão
erradas e certas e tudo o que fantasiei desde que me
lembro. — É isso que você quer? Você quer que todos olhem
sua barriga inchada e saibam que papai não aguenta mais?
Eu me jogo no peito de Rex e soluço em seu ombro, meu
clímax me pegando e me sacudindo, me balançando até a
base. O grande corpo de Rex fica tenso embaixo de mim e
começa a tremer, gemidos baixos de animais em sua
garganta. Um jato quente jorra dentro de mim, um após o
outro, as mãos de Rex ainda me guiando para cima e para
baixo em puxões implacáveis, até que a porra quente começa
a vazar de onde nossos corpos se juntam. E não para. Rex tem
mais a me dar. Ele me pega pela cintura e me balança para
cima e para baixo várias vezes, sua ereção ainda derramando
sua semente, seus dentes travados com tanta força que me
preocupo que ele os quebre. Mesmo que eu esteja cheia,
continuo a atendê-lo até que ele esteja completamente gasto e
torce o dedo para me aproximar, seus braços se envolvendo
em torno de mim em um abraço.
Um porto seguro. O que eu mais preciso.
Vários minutos depois, Rex me envolve no cobertor e me
carrega da sala de estar agora vazia.
Capítulo Dez
Rex
Jogo um braço sobre meus olhos para bloquear a luz da
manhã.
Cristo, me sinto ótimo. É a minha primeira pista de que
não estou no beliche do meu barco. Meu peito está leve, meu
pau está duro... Estou realmente feliz que seja de manhã. Há
algo pelo que esperar. Algo cai sobre e direto no meu
estômago.
Não, não é alguma coisa. Alguém.
Clara.
Eu me mexo na cama, meu olhar caindo no lugar vazio ao
meu lado na cama. Onde ela está? Cadê minha
garotinha? Quase grito a pergunta para a cabana toda, porque
preciso de uma maldita resposta agora. Ela dormiu em meus
braços a noite toda, sua adorável bunda contra o meu
pau. Cara, ela dorme como os mortos. Quando a carreguei
para o meu quarto – ao invés do quarto de hóspedes que ela
reivindicou ontem − ela já estava roncando, com a cabeça
apoiada no meu ombro.
O privilégio de deitá-la na minha cama e limpar o sangue
virgem de suas coxas me transformou em um filho da puta
possessivo. Sabia que ela não estava em perigo ontem à noite,
mas continuava acordado até altas horas da noite, esperando
para matar qualquer um que apresentasse ser um perigo. É
isso. Abrimos a porta ontem à noite e não posso fechá-la
agora.
Ela é minha. Ela é minha e não está nesta cama. Portanto,
estou chateado. Rudy e Hank não têm um desejo de morte,
então não colocariam um dedo nela. Mas sei muito bem como
Clara gosta de se vestir. E se não estiver lá para garantir que
eles não a olhem, enxergarão muito do que é meu.
Sem mencionar, que tenho uma ereção que precisa de
atenção. Eu conseguia visualizar Clara, inclinada montando o
meu pau − do jeito que ela fez ontem à noite − e me dando um
orgasmo rápido. Eu experimentei o melhor na noite passada,
porém, nunca ficarei satisfeito com nada além da boceta da
minha sobrinha até o dia em que morrer.
— Clara. —Jogo minhas pernas ao lado da cama e visto
meu jeans.
— Onde você está, garota?
Não obtendo resposta, saio do quarto sem me preocupar
com uma camisa. Não há ninguém na sala, mas ouço água
correndo na cozinha, então vou nessa direção. No entanto,
quando entro lá, não há Clara. Apenas meus dois amigos, que
voltaram a parecer senhoras de igreja indignadas. Não é
surpresa, considerando que fodi minha sobrinha na frente
deles ontem à noite. Mas inferno, uma vez que ela me chamou
de papai, não havia como parar. Não ter reivindicado sua
virgindade estava me deixando louco. Não pude nem esperar
mais alguns minutos para levá-la a algum lugar privado. Tinha
que ser ali, naquela hora, naquele momento.
Eu limpo minha garganta.
— Onde ela está?
— Bom dia para você também — Hank resmunga.
Rudy serve uma xícara de café, adicionando açúcar e
leite.
— Ela foi passear.
— Uma caminhada? — eu berro.
— Sozinha? Onde?
— Ela se foi há apenas dez minutos — diz Hank,
recostando-se no balcão.
— Deixe a garota apreciar um pouco da natureza.
— Inferno, ela já pegou um urso — Rudy diz.
Meus amigos imbecis dão five1.
Pego o conjunto comum de chaves da cabana.
— Em que direção ela seguiu? Se algo acontecer com ela,
vocês dois estão mortos.
— Ela falou que queria ver o lago.
Lago? Jesus, ela poderia se afogar. Ou ser mordida por
algo. Ou tropeçar em um galho de árvore e se cortar. Esses
idiotas não sabem que Clara tem problemas de equilíbrio?
Não, eles não sabem. E é a única coisa que me impede de
apaga-los. Perderia tempo, de qualquer maneira, e preciso
encontrar minha garotinha. Ainda não me incomodando com
uma camisa − ou sapatos − saio da cabana e vou em direção ao
lago. Não é longe, mas durante a caminhada de cinco minutos,
imagino todas as coisas ruins do planeta acontecendo com
ela. Ela poderia estar com dor e me chamando.
O que vejo quando chego ao lago torna minha visão
sombria e vermelha.
1
Cumprimento batendo dos 5 dedos das mãos.
Clara está no lago até os joelhos, vestindo apenas um
biquíni amarelo. Um pequeno pedaço da calcinha que já foi
molhada, agarrado à sua boceta e os seios como uma segunda
pele.
Dois jovens de vinte e poucos anos caminham em sua
direção, equipados com material para pesca. Eu não sei o que
diabos é bonito, mas eles com certeza não são tão feios quanto
eu.
— Olá. Você se perdeu?
— Não — diz Clara, se afastando.
— Estou com meu tio e seus amigos. Eles estão a
caminho daqui para me encontrar.
— Então é isso? Bem, nós temos nossa própria cabana
ali. É muito legal — diz um dos meninos, tirando o boné
deixando-o bater contra a coxa.
— Por que você não vem conosco?
— Não pode ter amigos suficientes, né? — diz o outro,
sorrindo um pouco brilhante demais, como um ator comercial
de pasta de dente.
— Tenho certeza que seu tio não se importará.
Não há uma chance de deixar Clara sair com esses
garotos, mas há uma parte de mim que quer vê-la tomar essa
decisão. Preciso saber que me escolherá.
— É melhor você sair daqui antes que meu tio
apareça. Ele não gostará de outros homens conversando
comigo. — Ela levanta o queixo.
— Eu também não gosto.
Os jovens trocam um olhar que revira meu estômago e
começam a andar na direção de Clara novamente.
— Vamos lá, agora — diz um deles.
— Você não está sendo muito amigável. Nós apenas
queremos ser legais.
Já ouvi o suficiente. O sangue nas minhas veias está
fervendo, um rugido pressionando contra o interior da minha
garganta. Com os punhos cerrados, bato na água e solto um
som que se espalha pelo lago, ecoando nas montanhas. Os
meninos largam os bastões e tentam correr, mas os alcanço
em três rápidos arremessos, pegando os dois pelos colarinhos
e batendo a cabeça de um no outro. Aproveitando a tontura
deles, giro o primeiro e dou um soco nele uma vez, duas
vezes, deixando-o cair na água. O segundo cara me dá um
gancho de direita, mas é como ser atingido por um mata-
moscas. Ele tenta escapar quando mal registro seu soco, mas
não permito. Ah, não. Eu vi o jeito que ele olhou para minha
sobrinha e ele pagará.
Um soco e ele cai. Seu amigo, que está apenas um pouco
coerente, arrasta o homem em direção à praia. Começo a
segui-los, pretendendo causar mais danos, mas Clara fica na
minha frente.
— Não. Por favor. — Lágrimas escorrem por suas
bochechas.
— Apenas me abrace.
Minhas mãos se fecham ao redor dos ombros dela e eu
dou uma boa sacudida.
— Eu deveria surrar sua bunda, garota — eu ri.
— Onde diabos estão suas roupas?
Ela morde o lábio.
— Eu pretendia nadar. — Seu olhar se move para o meu
peito e estômago, seguido por uma rápida entrada de ar.
— Você não está vestindo uma camisa.
— E daí?
— Eu não vi todos os cabelos e tatuagens antes. — Sob
os meus olhos, seus mamilos se transformam em pequenos
pontos dentro dos triângulos da parte superior do biquíni,
seus olhos ficam vidrados.
— V... você... eu... gosto da sua aparência.
Meu pau incha atrás da minha braguilha. Em algum lugar
no fundo, eu esperava que ela me achasse um bastardo feio
abaixo do pescoço. Tenho âncoras, mapas do tesouro e
mastros de navios pintados em todo o lado, mas metade deles
não é visível, graças ao cabelo preto nos braços e no peito. Ela
realmente gosta disso? Mais do que ela gosta da aparência
daqueles dois moleques da sua idade? Eu me sacudo.
— Pare de tentar me distrair, Clara. Você está em
apuros.
— Eu sei.
— Eles estavam prontos para levá-la a algum
lugar, caramba.
Seus lábios começam a tremer.
— Você tem um corte debaixo dos olhos. — Ela me pega
pela mão e puxa até eu segui-la para fora da água, minha raiva
ficando feia ao ver quão pouco de sua bunda está coberta
pelas partes inferiores do biquíni. Quando chegamos à praia,
ela cai de joelhos no local em que deixou a mochila. Ela abre o
zíper do bolso da frente e tira uma caixa de Band-Aids. Olho
através do lago para me certificar de que os rapazes já se
foram há muito tempo e, quando volto minha atenção para
Clara, percebo algo. Ela está segurando a caixa bem na frente
do rosto, o nariz franzido, os olhos semicerrados enquanto
tenta encontrar a abertura.
— Clara.
— Desculpe, é tão difícil encontrar a pequena aba...
Pego a caixa das mãos de Clara e a coloco em pé.
— Responda uma coisa.
Ela assente e espera enquanto dou alguns passos para
trás, segurando a caixa dos curativos.
— Leu as palavras vermelhas perto do fundo?
Ela aperta os olhos por um segundo, fazendo beicinho na
boca.
— Eu não consigo.
Quando eu vir meu irmão e cunhada, lhes direi que eles
são uns merdas. Sério, como não perceberam algo tão óbvio
enquanto moravam com ela todos os dias?
— Você precisa de óculos, garota. É por isso que você cai
por todo o lugar.
Rosa aparece em suas bochechas.
— Mas... realmente? Você acha?
— Iremos ao oftalmologista hoje. — Jogo a caixa na
direção da mochila dela e a prendo com um olhar.
— Isso não significa que você não está em apuros.
Minha raiva restante escorre de mim quando Clara se
lança para mim, envolvendo os braços em volta da minha
cintura.
— Obrigado, tio Rex.
Com um grunhido, a puxo para mais perto, me
perguntando quanto tempo o aperto no meu peito pode durar
sem me matar.
— Se você quer nadar, então me traga com você na
próxima vez. Se os homens vêem uma coisa doce, mal vestida
e sozinha, eles não se importarão se você pertence a outra
pessoa. Eles só desejarão te levar.
Sua cabeça se levanta, o rosto cheio de esperança.
— Eu não tinha certeza se você ainda sentiria o mesmo
pela manhã. Por isso vim aqui sozinha. Eu estava preocupada.
— Ela desliza os dedos no meu cabelo do peito.
— Mas... você disse que pertenço a você.
— Isso mesmo. Quis dizer isso. — Amplio minha postura
e puxo seus quadris contra os meus. Gemendo quando ela se
contorce no meu pau pronto para foder.
— Eu tentei fazer a coisa certa. Mas a coisa errada parece
boa demais.
— Não está errada — ela murmura, me encarando com
grandes e sérios olhos de corça.
— Seus amigos sabem sobre nós e ainda são seus
amigos, não são? Algumas pessoas podem ter um problema
conosco, mas provavelmente não gostaríamos desses idiotas.
Uma risada retumba do meu peito, me surpreendendo.
— Você é uma coisinha feroz quando quer alguma coisa,
não é?
— Não sei. Eu só te desejei muito − ela diz, me puxando
para um beijo lento.
Cerca de dois segundos de sua língua de açúcar e eu
estou pronto para foder no estilo cachorrinho, bem aqui na
praia, mas eu a sinto segurando.
— O que está acontecendo em sua cabeça linda?
Ela se encolhe.
— Eu, hum... você me contaria o que aconteceu entre
você e meu padrasto? — Uma carranca une as sobrancelhas.
— Ele disse que você estragou tudo e eu sei que você
acredita nisso. Que você vai me estragar. Eu quero saber o que
aconteceu para que possa lhe dizer que é tudo bobagem.
Posso contar a ela? Não contei a ninguém sobre o meu
passado. Nunca sequer considerei isso. Por que ,
voluntariamente, informaria que sou o bastardo da
família? Com o toque encorajador de Clara e talvez uma
profunda necessidade de me livrar do segredo, me pego
dizendo-lhe.
— Minha mãe ficou uma noite com um cara e engravidou
de mim − e isso aconteceu enquanto ela estava casada. Ela
decidiu continuar a gravidez, mesmo que o marido não
quisesse lembrar o que ela fizera, que ela o traiu. Mais tarde,
eles tiveram um segundo filho. O filho deles. Essa criança é seu
padrasto agora.
Eu dou de ombros para os anos de nojo foram
direcionados a mim, todas as vezes que deixava o meu
pequeno quarto no porão. Em vez disso, concentro-me nos
olhos simpáticos de Clara, nas mãos dela quando acariciam
meu peito.
— Consegui um emprego aos treze anos e tentei pagar
do meu jeito, mas... acho que minha mãe se arrependeu de me
manter. Sempre fui aquele elefante na sala e o marido nunca
deixou de ser amargo. Eu... estraguei tudo no mundo deles.
— Não, Rex. — Sua interrupção é tão fofa − tão bem-
vinda e inesperada – que minha garganta começa a arder.
— Como eles se atreveram a culpar uma criança? Eles
deveriam saber que a traição era deles e nunca sustentar
contra você. — Ela cuspiu um pouco.
— Eles são os que estragaram tudo. Você... você faz
tudo mais brilhante para mim. É por isso que sei que eles
estavam errados e nossa relação está certa.
Fecho sua palavra final com a minha boca, deixando-a
provar o quanto preciso dela. Quanto a aprecio. Deus, como
estava minha vida até esse momento? O que estava vivendo
até Clara?
— A partir de amanhã — rosno, segurando o cabelo dela
e puxando-o de volta.
— Você fica na cama até eu lhe dar uma foda
matinal. Meu pau está todo excitado e doendo agora. Não
gosta de esperar por uma garotinha.
As pálpebras dela se elevam.
— Sinto muito, papai.
— Mostre-me como sente muito.
Eu nem tenho que colocar Clara de joelhos, ela apenas
cai como uma pedra, seus dedos ansiosos na minha
braguilha. Não me incomodei em colocar cueca esta manhã,
então ela está no meu pau em segundos, bombeando dentro e
fora de sua boca. Gemendo ao redor. Saboreando. Seus olhos
estão em mim o tempo todo, procurando aprovação e eu dou,
grunhindo e acariciando seus cabelos, colocando-os atrás das
orelhas.
— Você sente o gosto desagradável, não é? Sim. Lamba-
o. Você ama isso. Você ama papai ofegando depois de foder
sua bunda. Deixa sua boceta molhada, não é?
Ela assente com a cabeça, sufocando quando bato no
fundo de sua garganta e empurro cada vez mais fundo − até
que ela esteja começando a entrar em pânico − antes de sair.
— Fique de costas, garotinha.
Eu estou acima de Clara, acariciando meu pau enquanto
ela se deita na terra molhada, seus cabelos escuros se
espalhando em todas as direções ao seu redor. Porra, ela está
corada e bonita. Quente como fogo, também, com aquele
material amarelo cobrindo todas as minhas partes favoritas.
— Devo deixar minha roupa de banho, papai?
— Sim — resmungo, caindo de joelhos entre suas
pernas abertas.
— Quero assistir esses peitos balançando no seu
top. Assim como quando papai costumava te jogar no joelho,
só que desta vez terei meu pau exatamente onde deve estar.
Ontem à noite, sabia que meu instinto sobre Clara
precisando desse tipo de relacionamento estava morto, mas
vê-la prosperar me deixa orgulhosa. Eu dei isso a ela. O que
ela precisava. Suas costas arqueiam enquanto falo a sujeira
que nós dois sabemos que é fantasia. Para nós, porém, é um
toque mais próximo do real. Algo pelo qual ambos ansiamos.
— Isso é uma punição. — Arranco a parte de baixo da
roupa de banho, jogando-as por cima do ombro. — Você
andará de pernas cruzadas para a cabine, garota. E se eu vir
um beicinho, você se deitará onde quer que estejamos em pé e
terá outra lição.
Ela balança a cabeça.
— Eu não farei beicinho, papai.
Enfio a cabeça do meu pau dentro de sua entrada
apertada, depois caio sobre o seu corpo macio, empurrando o
resto das minhas polegadas em sua passagem escorregadia,
deixando escapar um grito com a perfeição. — Merda. — Eu
bato na terra com um punho.
— Ainda não está pronta para um homem, mas você
certamente tenta pelo papai.
Os joelhos dela se erguem, abrindo-a exatamente.
— Isso significa que sou uma boa garota?
— Hoje não, você não estava no seu lugar— eu grito em
seu pescoço, empurrando meus quadris. Difícil. De novo, e de
novo. Ela começa a gritar, então tapo sua boca e balanço a
cabeça, avisando-a com um olhar. Não.
— Você faz uma cena e os meninos podem voltar
correndo. Pode dar uma olhada no tesouro secreto do papai. E
eu não gostaria disso, gostaria?
Um tímido balançar de cabeça de Clara, concorda
comigo.
— Quem é o único que pode ver suas partes íntimas?
Tiro a mão para ouvi-la responder.
— Só você.
— Está certa. Muito bom. — Eu puxo seus tornozelos,
colocando suas pernas sexy sobre meus ombros. Não há ajuda
para isso agora. Eu a fodo como uma fera. Inferno,
eu sinto como se alguém a estivesse levando tão perto da
floresta, raspando meu cabelo no peito por todo o seu corpo
sem manchas, deixando a vermelhidão para trás. Ouço o bater
do meu saco em sua bunda. Estou rosnando mais alto a cada
impulso, rosnados gerados no meu peito. E mesmo que isso
tenha começado como uma punição, vejo que Clara está
comigo. Seus olhos estão vidrados, a boca aberta e
gemendo. Suas unhas estão arranhando minhas costas?
Sim. Foda-se sim, são as unhas dela. Não tenho escolha a
não ser agradá-la, eu percebo. Eu sei exatamente como fazer
isso também. É a mesma merda que me tira do sério agora.
— Você não pode nem deixar o papai ficar louco sem ser
uma garota gananciosa, pode, Clara? — Inclino minha cabeça.
— Eu criei uma putinha?
— Não, papai — ela geme, enquanto arqueia as costas.
— Não.
— Você me deixou louco, com ciúmes, só para eu entrar
em você? — Ranjo os dentes e saio de dentro de sua boceta
incrivelmente pequena.
— Você sabia que gostaria de reivindicar minha
garotinha depois de vê-la com aqueles garotos?
— Não — ela suspira, seus peitos saltando para cima e
para baixo com a força do meu corpo entrando no dela. As
tiras mal estão segurando agora, deixando os pequenos
montes maduros para se soltarem do material, junto com seus
mamilos pontudos e rosados.
— Não, eu sou uma boa garota.
— Se você é tão boa, por que você faz o papai querer
fazer coisas ruins?
— Eu não sei!
— Talvez mamãe tenha a resposta.
— Não! — ela grita.
— Por favor!
— Eu não vou larga-la. Desde que você mantenha a porta
do quarto destrancada, certo, garota? — Estou montando-a no
chão do caralho, a terra molhada mantendo sua parte inferior
do corpo firme para que não deslize uma polegada enquanto
a penetro profundamente. Perfeição. Eu tenho que gozar logo,
no entanto. Ela é muito apertada, doce e molhada. A parte de
trás do meu pescoço é pressionada como se fosse por uma
garra de aço, a base da minha coluna começando a
apertar. Porra. Minhas bolas nem estão mais batendo na
bunda dela, estão tão apertadas, prontas para explodir.
— Papai precisa gozar. Abra bem as pernas bonitas.
Clara faz o que digo, seus olhos cegos, seios arfando.
Tenho que trazê-la comigo.
— Agora, se lembre. Papai simplesmente não aguenta
mais. — Empurrei o máximo que pude e começo a tremer,
permitindo que a semente líquida atire-se do meu pau. Tão
bom. Tão bom. Jesus Cristo.
— Isso é tudo por causa de sua provocação, pirralha —
resmungo, um prazer inimaginável me destruindo. Possuindo-
me.
— Você me fez fazer isso.
No último segundo ela se junta a mim e gozamos
juntos. Observar seus grandes olhos se arregalarem, soluços
quebrados caindo de seus lábios inchados, me faz ficar ainda
mais difícil, meus quadris trabalhando a mais para bombear
sua boceta cheia de papai. Cristo todo-poderoso, ela está
ordenhando algo feroz também. Eu pensei que não poderia
ficar melhor do que na noite passada, mas vejo que estava
errado. Toda vez que eu levo minha garotinha, ela corre a
chance de engravidar.
Inferno, poderia ser hoje. Ainda não acabei de gozar. Ela
está me drenando.
— Não há escolha. Não posso me vestir. Claro que minha
ejaculação ainda não parou de sair. Muito gostosa você
é. Bonita demais. Não demorará muito para você ter o bebê do
papai.
Finalmente, não tenho mais nada dentro de mim e caio
no chão ao lado de Clara, puxando seu corpo queimado pela
terra batida contra mim. Ela se vira e coloca os pés entre as
minhas pernas, a confiança brilhando em seus olhos. Um
sentimento que eu nunca experimentei antes surge no meu
peito, me roubando o fôlego. Amor.
Eu estou apaixonado por Clara.
Ela é proibida.
Mas, Deus ajude quem tentar levá-la embora.
Capítulo Onze
Clara
Estou andando pelo estacionamento em direção ao
oftalmologista, minha mão segura dentro da muito maior de
Rex. Sim. Nós estamos caminhando. Mas sinto que estou
flutuando dez mil pés no ar, girando através das nuvens. Estou
tão contente que não sei o que fazer comigo mesma. Um
monte de músicas está tocando na minha cabeça − todas
extremamente extravagantes e envolvendo capelas de
casamento. Quem se importa?
Rex não acha que seja uma esquisita, como todo mundo
acha. Tenho vivido com fantasias confusas na minha cabeça
desde a puberdade. Elas nunca envolveram meu próprio pai –
nunca. Apenas uma figura de autoridade sem rosto. Um
homem que me disciplinaria e me amaria incondicionalmente
ao mesmo tempo. Ele não está mais sem rosto. É Rex quem me
dá isso. Minhas fantasias não são mais essas imagens em
movimento que tenho que trancar. São
compartilhadas. Consigo representá-las.
Falando em encená-las… não tenho certeza se quero
guardar nossas brincadeiras apenas para quando nos
tocarmos. Não tenho certeza se posso. Ter Rex segurando
minha mão para me levar a uma consulta médica é quase tão
satisfatório quanto tê-lo dentro de mim. Estou sendo
cuidada. Ele viu um problema com minha visão que ninguém
mais havia abordado e tratado. Como um homem. O homem
que eu precisava o tempo todo.
— Você tem algo em mente, garota?
A voz rouca de Rex envia prazer tremendo pelas minhas
costas.
— Eu estava imaginando o que acontecerá depois que
sairmos daqui. — Eu olho para ele.
— Você sabe, quando você terminar de caçar.
Ele zomba.
— A única caça que tenho feito está sob sua saia.
Meu rosto esquenta, junto com outras partes de
mim. Deus, amo o jeito que ele fala. É grosseiro e honesto, e
quero que ele nunca seja de outra maneira.
— Depois da viagem, então. Quando tivermos que voltar
à vida real.
Estamos quase na entrada, mas Rex me puxa para uma
parada. Ele olha em volta por um segundo, antes de me guiar
pelo lado sombreado do prédio. Com um nó forte, ele levanta
meu queixo.
— Você vem comigo, Clara. Vou acomodá-la na minha
casa, torná-la um lugar realmente confortável e feliz. É o
máximo que consigo. — Ele resmunga, o rosto se movendo
para uma careta.
— Não consigo nem pensar em deixar você ir. A ideia
disso me assusta. Eu preciso da minha garota.
— Eu também preciso de você —sussurro, abalada pela
euforia que me enche.
— Eu precisei de você desde sempre.
— Estou aqui agora. — Ele olha da direita para a
esquerda, por cima do ombro, depois pega meus seios em
suas mãos grandes, massageando-os com um gemido. Algo
sobre a ação me incomoda, mas estou muito distraída para
pensar.
— Não consigo tirar minhas malditas mãos de você.
— Você não precisa. — Minha cabeça recua, minha
respiração estremecendo.
— Beija-me?
— Sim. Isso aí. — Rex me agarra na parede,
pressionando com os quadris, essa parte saliente dele.
— Ouça. Você chupará e foderá essa coisa mais tarde. —
Ele dá um impulso áspero, moendo-se contra a minha barriga.
— Eu me filmarei afundando entre suas pernas. Todas
as metidas e os gemidos. Filmarei minha porra pingando de
sua boceta nua, para que eu possa me masturbar no barco.
— Sim. — Minha calcinha já está encharcada em minha
antecipação. Mas com uma forte aspiração, balanço minha
cabeça.
— Você não vai embora ainda, né?
— Não, garotinha — diz ele suavemente, trazendo sua
boca à minha, esfregando meu queixo e bochechas com sua
barba.
— Não até o outono. Ficamos quase um ano antes da
temporada de caranguejos. Até lá, trabalharei apenas durante
o dia.
Eu tento parecer corajosa.
— OK.
Ele faz um som reconfortante, virando as bordas da
minha preocupação com um longo beijo, sua língua
esfregando contra a minha. De novo e de novo e de novo.
— Vamos lá — ele fala, pegando minha mão.
— Vamos pegar seus óculos.
Assim como antes, estou pairando no ar enquanto Rex
me leva pela porta de vidro até o optometrista2 lotado. Eu
esqueci quão diferente Rex e eu somos − fisicamente. Mas
todos os clientes do local nos consideram interessantes e é
difícil ignorar. Ele é mais velho e muito maior. Robusto onde
sou frágil. Se a expressão irritada de Rex é alguma indicação,
ele não gosta da atenção. E sinto outra contração incômoda no
peito, como a que estava do lado de fora quando ele procurou
testemunhas antes de me tocar. Mas digo a mim mesma para
parar de pedir por problemas. Estou segurando a mão de Rex
em público, ele está me mantendo e a vida não poderia ser
melhor.
Rex marcou uma consulta mais cedo por telefone, então,
depois de dar meu nome à recepcionista, somos direcionados
para uma área de estar. Apenas um assento está disponível e é
natural como respirar para Rex sentar e dar um tapinha no
joelho. Eu me debruço sobre a superfície dura dele,
2
O mesmo que oculista.
suspirando sobre com sob a minha bunda. Sua mão descansa
na minha coxa e eu me viro em seu peito. Movimentos fluidos
que nenhum dos dois parece capaz de ajudar. Apenas algumas
respirações depois, sua atenção pousa na minha boca e eu
tremo, meus mamilos apertando.
Quando eles chamam meu nome, levanto-me para
encontrar todos os olhos em nós. E eles não estão mais apenas
interessados. Não, eles parecem meio...
cautelosos. Reprovando.
Uma curvatura do lábio superior de Rex faz com que
todos se afastem, voltem ao seu próprio negócio. Mas entro na
sala de exames me sentindo desconfortável. Não porque eu
dou a mínima para o que as outras pessoas pensam..., mas
porque não acho que Rex esteja bem com isso. Em
absoluto. Ele é estoico quando a mulher examina meus olhos,
seus grandes braços cruzados. No que ele está pensando?
— Você já ouviu falar em anisometropia? — pergunta o
médico, interrompendo minha preocupação.
— Você tem um poder refrativo diferente em cada olho,
sra. Bates.
Ignoro o fato de que ela se referiu a mim como Sra.
— Isso é... ruim?
— Bem, isso pode causar má percepção de profundidade.
— Seu olhar viaja até meus joelhos machucados.
— Porque tropeça e cai...
— Essa sou eu — respiro, estendendo a mão para
segurar a mão de Rex. Ele pega, trazendo minha mão à boca
enquanto o médico assiste.
— Conseguiremos consertar isso?
— Sim. Com óculos, lentes corretivas. Só precisamos dar
a seus olhos o mesmo poder de refração. A médica se levanta
e pega um dispositivo que parece óculos em esteroides,
girando duas pequenas rodas pretas. Ele volta e segura na
frente dos meus olhos.
— Olhe por aqui. É assim que o mundo aparecerá através
dos óculos.
Pego o dispositivo em minhas próprias mãos e
imediatamente me viro para Rex, vendo-o ainda mais
claramente do que o habitual. Oh. Oh, uau. Quando ele vê o
que estou fazendo, ele tosse e olha para longe, depois de volta
para mim. Como se estivesse esperando um veredicto.
— Você é ainda mais bonito agora. — Eu sussurro a
verdade, minha boceta contraindo e molhando o material da
minha calcinha.
— Eu amo o cinza na sua barba.
Ele muda de posição, dando outra tosse. Tentando ser
casual, mas posso ver o alívio e o prazer que ele está tentando
esconder.
— Coisa boa, porque eu não tingirei.
A médica ri e pega de volta o dispositivo.
— Você precisará usar óculos ou lentes o tempo todo. A
cirurgia é a única maneira de reparar os olhos para
sempre. Sem eles, você ainda corre o risco de cair.
— Dê a ela os dois — diz Rex, pegando um cartão de
crédito na carteira e entregando ao médico.
— O que quer que a impeça de se machucar.
— Perfeito. Os óculos serão uma curta espera, mas
podemos preparar suas lentes de contato agora. A médica
envia um sorriso por cima do ombro enquanto caminha em
direção à porta da sala de exames.
— Daremos uma olhada em alguns óculos enquanto meu
colega tira suas lentes do estoque.
— Ótimo. — Deslizo da cadeira para os braços de Rex.
— Eu nunca saberia. Não sem você.
Ele emoldura minha mandíbula com uma mão,
abaixando a cabeça para um beijo lento.
— Cuidarei de você tão bem.
— Cuidarei de você também. — Subo na ponta dos pés,
ofegando quando suas mãos deslizam para baixo e agarra
minha bunda.
— Tão bom.
A médica enfia a cabeça pela porta, pigarreando.
— Estou, uh... pronta para você lá na frente, Sra. Bates.
— Oh. OK. — Corando até as raízes do meu cabelo, me
retiro do corpo de Rex e de mãos dadas, saindo juntos da sala
de exames. A médica está sussurrando para um de seus
associados quando nos aproximamos, mas para de falar
quando chegamos à vitrine. Ela já colocou vários pares de
óculos em uma caixa forrada de feltro, molduras quadradas,
cores mais circulares e diferentes. Mas eu sei que antes de
experimentar qualquer uma delas, quero os de moldura
rosa. São perfeitos.
Rex ri quando os pego e dou uma cotovelada
nele. Colocá-los confirma o que eu já sei. Encontrei meus
óculos.
Eu encaro Rex e levanto meu quadril, recuperando o
fôlego pelo carinho que ele está me mostrando.
— O que você acha, papai? — Apenas escapa. O
comportamento fácil de Rex endurece, seu sorriso
desmorona. E todos na loja parecem ouvir, virando-se para
nos olhar como insetos sob um microscópio.
— Eu quero dizer...
— Papai? — Me encolho com a indignação na voz da
médica.
— Pensei que ela fosse sua esposa, senhor. Você esteve...
eu vi você ...
— Esqueça os óculos. Apenas me carregue pelas malditas
lentes de contato − Rex retruca.
— Entregue-os para que possamos sair daqui.
— De bom grado — zomba o médico, navegando em
direção aos fundos da loja.
O silêncio que cai é ensurdecedor. Tudo o que posso
ouvir é meu pulso batendo na minha cabeça. Sem mencionar o
acidente e a queimadura do meu otimismo anterior.
— Por favor... — murmuro, aproximando-me da
segurança de Rex.
Mas ele dá um passo para trás, empurrando as chaves do
carro na minha mão.
— Vá esperar no veículo.
Um pedaço do meu coração dispara.
— Não.
Sua mandíbula está pronta para quebrar.
— Clara.
É um impasse entre nós, mas felizmente a médica
retorna, segurando um saco plástico para eu levar. Rex assina
o recibo e recebe seu cartão de crédito de volta, permitindo
que saiamos da clínica, que permanece totalmente
paralisada. Antes mesmo de entrarmos na caminhonete, sabia
que era ingênuo pensar que poderíamos assumir nosso
relacionamento. Isso nunca funcionará. Rex pode não me
tratar como se fosse a garota estranha em particular, mas em
público ele é o mesmo que todo mundo. Fazendo sentir-me
estranha. Diferente. Ele quer que finjamos que somos outra
coisa pelo bem das outras pessoas − mas depois de chegar tão
perto do que sempre precisei, isso só doerá. Eu preciso que
Rex esteja cem por cento a bordo com nosso relacionamento
único... ou... ou o quê?
Rex liga o veículo com um giro vicioso de punho e sai do
estacionamento.
— O que diabos você estava pensando?
— Foi sem querer — respondo, antes de endireitar meus
ombros.
— Mas, eu não sinto muito.
O volante geme sob suas mãos.
— Você deveria sentir.
— Por quê? Porque ofendemos alguns estranhos? — Um
grito se forma na minha garganta e não tento me acalmar.
— Eu não ligo.
— Eu me importo — ele rosna.
— Eu me preocupo com todo mundo na maldita loja
olhando para você como uma espécie de aberração.
Minha visão borra de lágrimas.
— É assim que você estava olhando para mim.
Rex dá uma olhada dupla.
— O inferno que eu estava, garota. Eu só queria tirá-la de
lá antes que um deles dissesse algo e eu fraturasse o crânio
deles.
— Você fará isso toda vez? Porque isso provavelmente
acontecerá novamente. Antes mesmo de te chamar... —O
apelido fica na minha garganta e só isso me deixa triste.
— Eles já estavam olhando. A partir do segundo em que
entramos. Você está planejando me manter trancada para
sempre?
É óbvio que ele considera isso por alguns instantes − até
pigarrear.
— Não vou mantê-la trancada —ele finalmente
responde.
— Só precisamos de algumas regras básicas.
— Como o quê?
— Como quando estamos em público, não nos
tocarmos. Não nos beijamos ou darmos as mãos. Nós somos
tio e sobrinha. E é isso.
Outra parte do meu coração se solta e cai.
— Mas é uma mentira.
— Não, Clara, não é. — Ele bate com o punho no painel.
— Você e eu estamos errados. Essa merda lá atrás? Foi a
prova. Na primeira vez que saímos em público, já podemos
estar usando uma placa. Estou colocando meu pau em algum
lugar proibido e eles podem sentir o cheiro em nós.
— Errado? — sussurro, atordoada.
— Mas dar as mãos era uma das minhas partes favoritas.
Ele me lança um olhar perturbado.
— Isso é... muito ruim. — O pomo de adão dele sobe e
desce.
— Não posso mais fazer isso.
Ficamos em silêncio pelo resto do caminho de volta à
cabana de aluguel. A cada meia milha, sinto Rex me
observando e posso dizer que ele quer dizer mais. Mas não há
mais nada a dizer. Não me sinto segura com ele agora. Oh, sei
que ele nunca deixaria ninguém me machucar. Mas minha
segurança mental... a segurança do meu coração... coloquei
essas coisas em sua guarda e ele me decepcionou. É como se
tivesse saltado de paraquedas de um avião esta manhã e
subido, subido tão alto, apenas para cortar meu cinto. O
paraquedas está flutuando acima de mim fora de alcance
agora, enquanto caio na terra.
Finalmente, chegamos à cabana e ele estaciona ao lado
dos veículos pertencentes a Rudy e Hank. Ficamos em silêncio
por um momento depois que ele estacionou.
— Clara...
A esperança jorra no meu peito.
— Sim?
Segundos passam.
— Nada. — Ele pega um charuto da viseira solar, abrindo
o lado do motorista e saindo.
— Vejo você lá dentro — ele murmura, afastando-se em
uma nuvem de fumaça.
Espero um minuto inteiro, até que ele esteja dentro,
antes de pegar minha mochila, jogando-a por cima do ombro e
saindo. Mas eu não sigo Rex para dentro da cabine. Pego os
pedaços do meu coração e corro em direção à minha bicicleta
alugada.
Capítulo Doze
Rex
Não posso acreditar
A machuquei. Quem machucaria uma garota tão doce?
“De mãos dadas era uma das minhas partes favoritas”.
Um rugido sai da minha garganta e eu apago o charuto,
retomando meu passo na varanda dos fundos da
cabana. Segurando a mão dela e guiando-a para o
oftalmologista estúpido também foi uma das minhas partes
favoritas. Ficando de guarda enquanto ela era examinada,
entregando meu cartão de crédito depois. Tudo isso. Todo
segundo. Sou o papai dela e faço tudo melhor para ela. É
um privilégio.
Você estraga tudo.
Talvez seja verdade. Mesmo que ela me faça sentir o
contrário. Não importa o quanto eu goste, a maneira como
aqueles filhos da puta olhavam para a minha garota de lado
era tudo porque ela estava comigo.
Eu recuo e dou um soco no parapeito, soltando-o do chão
do batente, deixando-o oscilando na beira. Quando meus pais
me levaram a sair em público, todos me olhavam da mesma
maneira que olhavam para Clara hoje. Como se uma única
decisão tomada antes de nascer foi, de alguma
forma minha culpa. Homens e mulheres naquele
oftalmologista deram a Clara o mesmo tratamento. Eu não me
incomodei em perceber como eles me encaravam. Somente
ela. Ela é tudo que me interessa. E não posso ser responsável
pelas pessoas que a tratam mal. Ela merece o melhor de tudo.
Então, pedi para ela fingir. Manter em segredo nosso
relacionamento real. No momento, parecia a única
possibilidade, se ficaremos juntos. E nós ficaremos juntos,
porque não posso respirar sem ela. Mesmo agora, ela está do
outro lado da cabana e eu não estou feliz. Quero que ela me
olhe com confiança nos olhos, a cada minuto do dia. Preciso de
Clara. Necessito.
Minhas botas se arrastam até parar nas pranchas de
madeira cobertas de folhas. Não havia confiança em seu olhar
para mim quando saí do veículo, havia? Não. Não, porque ela
me entregou esses desejos e eu os abracei com ela. Então eu a
fiz se sentir... errada. Jesus, realmente usei essa palavra?
Essa relação que começamos na sala, na noite passada, e
depois solidificamos na margem do lago esta manhã é algo
que Clara precisa de vinte e quatro horas por dia, por sete dias
na semana. Sabia quando ela estava praticamente pulando ao
meu lado no estacionamento, olhando para mim com corações
nos olhos. Eu já a demarquei, no entanto. Nós. Eu dei-lhe o que
ela precisa. Do que nós dois precisamos.
A machuquei. A machuquei muito.
— Clara! — Eu berro, entrando na cabana.
— Onde você está, garota?
Silêncio.
Espero. Não é um silêncio total. Ouço algum barulho
perto da entrada da frente e vou nessa direção. Mas quando
abro a porta e espero encontrar Clara fazendo beicinho, Hank
e Rudy estão lá, voltando de uma caminhada na floresta.
— Você viu Clara?
— Não, senhor.
Rudy balança a cabeça.
— Ela não está com você?
Ela deveria estar. Na esperança de encontrar Clara em
nosso quarto, me viro − mas algo está errado no jardim da
frente. Demoro um minuto para perceber o que é. A bicicleta
que Clara usava estava encostada na árvore quando saímos
hoje de manhã, mas agora não. E há uma trilha fina na
terra. Fresca. Indo em direção à estrada principal.
— Ela não faria...
Hank fareja.
— Não faria o quê?
O pânico corta meu peito como uma serra elétrica e
corro para o lado do passageiro, encontrando sua bolsa de
lentes de contato ainda sobre banco. Sinos tocam na minha
cabeça.
— Ela... — Eu me afasto da caminhonete, ouvindo as
palavras do optometrista na minha cabeça. Mas você precisará
usar óculos ou lentes o tempo todo. A cirurgia é a única
maneira de reparar os olhos para sempre. Sem eles, você ainda
corre o risco de cair.
— Ela está de bicicleta e não consegue ver direito. Cristo,
ela vai...
Não pense nisso. Não diga isso. Apenas se mexa.
Mas enquanto corro para o lado do motorista, todos os
piores cenários sob o sol piscam diante dos meus olhos. E
nunca lhe disse que a amo.
Capítulo Treze
Clara
Num piscar de olhos.
Sempre foi apenas uma frase para mim antes de agora.
Estou indo mais rápido do que deveria descendo a
montanha. Só mais alguns minutos e estarei na cabana
alugada. Eu acho que tudo está mais desfocado do que o
habitual, graças às lágrimas. É assim que tenho vivido minha
vida − um pouco embaçada − só que não percebi até o
optometrista clicar nos slides no lugar para que pudesse ver
as letras na parede.
Há um pequeno arranhão na minha perna, onde passei
por uma árvore cerca de 400 metros atrás. Mas não estou
parando para fazer curativos agora. Eu só quero fugir. Longe
da esperança desolada. Dói demais.
Tudo dói demais. Minha cabeça dói, meu peito queima.
Quanto mais longe eu fico de Rex, mais começo a me
perguntar se estou fazendo a coisa certa. Rex provavelmente
está virando mesas, estilo Real Housewives3. E enquanto gosto
dele me punindo depois de um acesso de raiva, isso não é
nada como aquilo. Primeiro, o deixarei, não tentarei fazer
sexo. Segundo, fui criada para nosso tipo único de
relacionamento, mas talvez Rex precise de mais tempo antes
que ele se sinta confortável em ficar sem desculpas.
Eu... estraguei tudo no mundo deles.
As palavras de Rex voltam para mim a partir desta
manhã no lago e meus pés diminuindo a velocidade. Não deve
ter sido fácil para Rex me levar para uma sala cheia de
pessoas e tê-las me encarando com tanta grosseria. Tratando-
me como uma espécie de aberração. Não, ele teria se sentido
terrível. Ele também teria assumido toda a culpa, mesmo que
o tenha perseguido. Mesmo que vim aqui com a intenção de
seduzi-lo. Menti para ele desde o começo sobre quem eu sou,
só para que ele me tocasse.
Ele tentou ficar longe porque é meio que meu tio. Ele não
queria me estragar e à minha reputação. Mas nós fomos lá. Fui
até lá e dei o passo adiante, tornando-nos algo ainda mais
controverso. Algo que mal começamos a explorar. E tudo
aconteceu antes que Rex superasse meu status de
sobrinha. Ao primeiro sinal de pessoas desaprovando, ele me
3
Reality show americano.
viu sendo banida diante de seus olhos. Eu não deveria ter
saído. Eu deveria ter assegurado-lhe um fato verdadeiro − um
fato que sempre será verdadeiro. Ser estranha não me
incomoda. É quem eu sou.
Tudo que sempre quis foi me sentir segura. Ele me dá
isso. Ele também me ajudou a ver a imagem clara de onde
minhas fantasias sempre me guiavam. Mas eu esperava
demais, muito rápido. Devo-lhe tempo para se acostumar a
ficar à margem comigo. É onde moro. É onde estou
confortável.
Tudo que preciso comigo é Rex. Eu o amo.
Meus lábios se abriram em um sorriso e eu puxei os
freios..., mas estou em um declínio muito acentuado agora e a
bicicleta não para. O som de derrapagem ecoa nos meus
ouvidos. Um veículo com dezesseis rodas voa pela curva.
Tudo acontece em um piscar de olhos.
Capítulo Quatorze
Rex
Há um enjoo terrível no meu estômago enquanto
diminuo a velocidade do veículo para dar outra volta, apenas
no caso de Clara estar do outro lado. Para chegar tão longe tão
rápido, ela teria que descer a maldita montanha em um ritmo
vertiginoso. Estou suando através da camisa, orando baixinho
por um milagre. Ela nem estaria nessa maldita montanha se
não fosse por mim. Se ela estiver machucada, eu
enlouquecerei. Com ela. Com a vida. Com qualquer um na
vizinhança.
Não posso nem considerar algo pior acontecendo.
Por favor. Por favor, caramba. Não a afaste de mim justo
quando a encontrei.
Sim, o que temos pode ser proibido para alguns. Sou o tio
dela e muito mais velho. Mas nunca houve um vínculo mais
inegável. É um que as pessoas não entendem, mas é nosso. Ela
entrou na minha alma e não sairá até que meu criador me
leve.
Como poderia ter dito essas coisas de merda para
ela? Ela parecia pronta para explodir em lágrimas e
simplesmente me afastei, esperando que ela entendesse. Eu
deveria tê-la abraçado e conversado até encontrarmos uma
solução para o nosso problema. O que não daria para voltar
no tempo, enxugar suas lágrimas e pedir desculpas. Dizer-lhe
que a amo e nunca a deixarei ir, não importando o tipo de
julgamento que receberemos.
Ela vale cada maldito segundo disso e muito mais.
Se ela acreditar que também valho a pena, passarei
minha vida agradecendo. Fazendo-a feliz e sendo seu provedor
em todas as coisas. Se segurar minha mão nas lojas e me
chamar de papai perto de estranhos a faz feliz, todos podem
beijar minha bunda. Ela é quem viverá comigo. Não eles.
Quando viro a esquina e vejo sua bicicleta dobrada ao
meio, sob o volante de um caminhão, não acredito. Não. Não.
Não. Não pode ser real. Deus não seria tão cruel. O gelo forma
uma camada em cima do meu coração, congelando-o em uma
bola preta no meu peito. Ácido sobe da boca do meu estômago
e eu piso no freio, rugindo dentro da cabine da minha
caminhonete.
— Clara! — Tropeço para fora do caminhão, o chão
borrando ao meu redor.
— Não. Não!
Estou segurando o saco plástico de lentes de contato
desde que saí da cabine e ainda está lá, inútil ao meu lado. Ela
nunca conseguirá usá-las... ela nunca conseguiu andar por aí
sem medo de tropeçar ou correr para as coisas. Eu falhei. E a
perdi. Falhei. Clara se foi. Jesus, ela deve ter ficado tão
assustada nesses segundos finais. E não estava aqui para
salvá-la. Era o meu trabalho.
Dobro-me e berro na estrada de asfalto, minha voz
embargada quando vejo suas marcas pretas de borracha. Eu
também poderia ter morrido com ela. Não consigo respirar...
preciso me enfurecer. Preciso matar.
Matarei quem levou minha Clara.
Um propósito mortal atravessa a miséria e permaneço,
pulando para o motorista do caminhão que parece estar
falando − comigo − mas não consigo ouvir nada sobre os
pratos batendo na minha cabeça.
— Onde ela está? Onde ela está? — Eu o agarro pela gola
e estou empurrando seu rosto para baixo para conectar com
meu joelho... quando sinto um leve toque familiar no meu
braço. O espírito de Clara veio dizer adeus?
Soltei o motorista do caminhão e virei. Lá estava
ela. Linda como quando a deixei no lado do passageiro da
minha caminhonete.
— Ah, garota. — Engulo em seco.
— Sempre soube que você seria um anjo perfeito — falo,
tocando-a... e a acho sólida. Sólida?
— Clara?
— Tio Rex, estou bem. Eu tenho lhe dito... — ela desliza
os olhos molhados e vejo arranhões e sangue nos braços.
— Você não quis ouvir. Estou bem.
— Você está aqui — respiro, não acreditando no que
minha mente está me dizendo. Se ela se fosse, ficaria louco,
afinal. Poderia ser um truque.
— Sua bicicleta…
— Eu pulei no último segundo. Virou um caco. Eu não. —
Ela olha para os braços.
— Bem, eu me arranhei, mas isso não é novidade...
Ela não termina porque estou puxando-a em meus
braços, tentando absorver sua bondade em meu corpo. Ainda
estou com tanto frio, mas quando minha sanidade volta
lentamente, o mesmo acontece com o calor. Estou segurando
Clara. Ela está bem. Está viva. Não a perdi. Minha vida ainda
está piscando na frente dos meus olhos, no entanto. Cristo. Eu
vivi sem ela nesta terra por um minuto inteiro e foram os
sessenta segundos mais longos da minha vida. Nunca mais.
— Eu te amo — rosno em seus cabelos.
— Eu te amo e isso significa que você precisa parar de se
machucar. Não aguento, garota. Você é a porra do meu mundo
agora.
Meu peito a pega soluçando.
— Eu também te amo. Eu estava me virando para voltar
para casa. Eu sinto muito. Desculpe-me...
Movido pela revelação de que essa garota incrível
também me ama, pego o queixo e o levanto.
— Desculpa, quem?
A reverência transforma sua expressão, um novo brilho
surge em seus olhos.
— Sinto muito, papai — ela murmura.
— Eu não vou assustá-lo novamente.
Algo se encaixa dentro de mim. Algo tão inabalável que
não tenho problema em encontrar os olhos do motorista do
caminhão e desafiá-lo a comentar.
— Vamos garota. — Dei um beijo possessivo em sua
boca, deixando minha língua prová-la agradável e
profunda. Vamos levá-la para casa. Temos planos a fazer.
Sua mão desliza na minha.
— Que planos faremos?
— O tipo em que coloca um anel no seu dedo. — Eu
levanto os nós dos dedos na minha boca e os beijo, levando-a
para o meu veículo.
— E você na minha vida para sempre.
Epílogo
Clara
Algumas semanas depois ...
Eu olho para casa que costumava chamar de lar,
sabendo que minha mãe e meu padrasto estão lá dentro. Olho
para Rex. Ele aperta minha mão um pouco, lembrando-me que
ele está aqui comigo.
— Você não precisa entrar, Clara. Eu posso pegar o que
você precisar.
Mordo o lábio, debatendo. As últimas semanas foram
maravilhosas, mas sei que preciso enfrentá-las. Eles chegaram
em casa hoje de férias e já estão ligando para o meu telefone
perguntando onde estou. Tenho que dizer-lhes que me
mudarei e que ficarei com Rex.
Sei que as coisas ficarão ruins e não quero que meu
padrasto seja mau com Rex. Acho que estou mais preocupada
com isso do que o que ele pode me dizer.
Empurro os novos óculos cor-de-rosa que Rex me deu à
ponta do meu nariz. Ele sorri, se inclina e me beija. Estou me
saindo muito melhor agora que os tenho.
— Você entra e pega o que precisa. Eu falo com eles. Suas
palavras não deixam espaço para discussão, então
simplesmente aceno.
Ele pula para fora do veículo e vem para o meu lado. Ele
me solta do cinto, depois me levanta pelos quadris e me
coloca no chão.
Ele se inclina e me dá outro beijo.
— Diga.
— Eu amo você, papai —respondo, rindo. É a minha
coisa favorita de dizer e toda vez o faz sorrir.
Ele se encosta na caminhonete enquanto entro pela
porta da frente e grito um olá para a sala de estar. Ninguém
está lá e o lugar está calmo, então vou direto para o meu
quarto. Quando chego lá, pego minha bolsa no armário e vou
para minha cômoda. Abro as gavetas e começo a encher
minha bolsa com as coisas que sei que não quero deixar para
trás.
Olhando ao redor do quarto, vejo a cama coberta de
bichos de pelúcia e terei que decidir quais levarei
comigo. Quando estou caminhando para pegar alguns, minha
porta range.
— Onde você esteve? — meu padrasto pergunta
enquanto entra no meu quarto. Seu rosto está vermelho e um
pouco suado.
— Sua mãe ficou preocupada.
— Onde ela está? Eu preciso conversar com vocês dois
— digo, tentando lembrar que estou aqui para fazer as
pazes. Quero que tudo corra bem, para que ainda possa ter
um relacionamento com eles quando sair.
— Ela foi à loja. Voltará mais tarde. — Ele me olha de
cima a baixo enquanto se aproxima.
— O que você está vestindo, Clara? Você não pode
realmente andar por aí em público assim.
Suas palavras doem. Estou vestindo uma blusa e uma
saia. Não tenho sutiã ou calcinha, mas tudo está coberto. Rex
disse que estava bonita.
— Você realmente é apenas uma garotinha com
problemas. Desesperada por atenção. Deveria ter entrado
aqui à noite como queria. Eu deveria ter lhe dado o que você
está implorando. Você acenou com aquela pequena vagina por
todo o lugar. Inferno, todo homem que trouxe aqui pediu uma
volta.
Meus olhos estão arregalados de choque com a admissão
dele.
— Sim, eles me ofereceram um bom dinheiro
também. Sabia que sua doce cereja estava apertada e
molhada, mas eu os recusei.Fiz isso para proteger você.
Olho para as calças e vejo que a fivela do cinto está
desfeita. Ele estava se masturbando quando cheguei em
casa? Sua ereção está tendendo na frente da calça, e quando
ele se aproxima, tropeço nos pés e caio na cama tentando me
afastar.
Minhas pernas se abrem quando minha saia sobe e seus
olhos disparam para minha boceta nua. Eu tento fechar
minhas pernas, mas ele agarra meus dois tornozelos com
tanta força que choro.
— Porra, olhe para essa coisa. É quase tão rosa quanto
esses malditos bichos de pelúcia que você tem por toda a
cama. Ele lambe os lábios enquanto luta com as minhas
pernas. Está tudo bem, Clara. Se você quer tanto um pai, lhe
darei um. Porra, eu também posso me tornar um. — Ele ri.
— Não tem como eu sair dessa doce boceta. Está apenas
implorando para ser procriada.
Grito de novo e, desta vez, meu padrasto se foi. Pisco e
depois assisto Rex puxá-lo pelo pescoço e sacudi-lo. Rex
aperta e meu padrasto fica roxo.
— Não o mate! — grito e Rex olha para mim.
— Você está bem, querida?
— Sim, papai, estou bem.
Meu padrasto olha entre nós dois e Rex o joga no
chão. Ele tosse e cospe enquanto tenta recuperar o fôlego. Rex
fica em cima dele ameaçadoramente.
— Ela é minha agora. Você entendeu? — ele rosna, e meu
padrasto rasteja de volta contra a parede.
— Ela está fazendo as malas e nunca mais voltará. Não
vou impedi-la de ver sua mãe, mas a impedirei de ver um
pedaço de merda como você.
— Foda-se, Rex! Você só a quer para si! — meu padrasto
retruca.
— Sim. Mas tenho a sorte dela também me querer.
Meu padrasto empurra a parede e se levanta.
— Tudo bem, leve-a. Ela não passa de uma putinha
excitada, de qualquer maneira.
Suspiro quando Rex o soca na boca. O sangue escorre de
seu nariz quando ele cambaleia para trás.
— Fale sobre ela assim de novo e eu terei certeza de que
é a última coisa que você dirá. As pessoas vêm no barco de
caranguejo a cada estação e às vezes não voltam para
casa. Teste-me.
O olhar que ele dá ao meu padrasto é letal, mas juro por
Deus que me molho assistindo. Ver Rex me defender e cuidar
de mim me faz querer tanto ele.
Meu padrasto nem sequer olha para mim quando sai do
quarto, batendo a porta atrás dele.
— Rex — sussurro e ele se vira para olhar para mim.
Eu ainda estou esparramada na cama com meus bichos
de pelúcia em todos os lugares enquanto ele caminha até mim.
— Você está bem, garota? — ele pergunta, passando as
mãos pelas minhas pernas.
— Ele tocou em você?
O alcanço vindo na cama comigo, e ele o faz. Ele sobe e
em cima de mim, me empurrando para baixo na pilha de
animais de pelúcia.
— Eu me machuquei — digo, abrindo minhas pernas.
— Onde? — ele rosna, me olhando de cima a baixo.
— Aqui. — Alcanço entre nós e abro meus lábios.
Talvez meu padrasto estivesse certo. Talvez seja apenas
uma puta excitada. Mas assistir Rex fodê-lo me deixa pronta
para esse pau. Quero agradecer ao meu homem por cuidar de
mim e que melhor maneira de fazer isso do que deixá-lo ter
minha boceta.
Rex não hesita. Ele abre o zíper da calça jeans e tira seu
pau grosso.
— Eu sempre quis te foder neste quarto. Acho que esta é
minha última chance.
Ele passa a ponta do seu pau na minha umidade antes de
empurrar todo o caminho dentro de mim. Estou tão cheia
enquanto ele me fode com força e eu grito.
— Papai! — grito quando a cabeceira da minha cama
bate contra a parede.
Os animais embaixo de mim rangem enquanto ele me
penetra, o dossel branco acima da cama treme com a força. É
cru, foda dura e ele está me reivindicando na casa dos meus
pais. Ele quer que meu padrasto me ouça chamando-o de
papai, para que ele saiba a quem pertenço. Pego a frente de
sua camiseta e fico gemendo repetidamente para ter certeza
de que ele a ouve. Todo o tempo minha boceta está
encharcada por isso.
— Mais duro, papai! Profundo, papai! — Eu peço
enquanto Rex faz todo o quarto tremer.
— Nada como transar com essa doce boceta em uma
pilha de ursinhos de pelúcia — ele resmunga quando entra
em mim.
Minha boceta o aperta e então grito quando meu
orgasmo me atinge. É intenso e
posso me sentir liberada para ele.
— Porra — ele rosna enquanto empurra com força e
goza dentro de mim. Ele ruge como um viking e a visão dele,
tão possessiva e selvagem, me faz gozar novamente.
O calor inunda meu corpo e meus membros estão
torcidos enquanto eu estou lá, com ele ainda segurando meus
quadris. Ele se inclina e coloca um beijo suave nos meus lábios
antes de puxar seu pau e sair da cama.
— Tudo bem, garota. Vamos levar você para casa.
— Casa — concordo e sorrio.
Ele pega minha bolsa e me puxa da cama, me carregando
para fora da casa e para o meu futuro.
Epílogo
Rex
Dois meses depois…
Tem sido um longo dia de merda. É o primeiro dia da
temporada de caranguejos e já sinto falta de Clara. Dizer-lhe
adeus nesta manhã foi mais difícil do que pensei que
seria. Assim que o barco se afastou da doca, sabia que era um
erro.
Estava fazendo planos para que essa fosse minha última
temporada desde o dia em que soube que queria que ela fosse
minha. Sou um bastardo egoísta, mas aprendi a ignorar a
culpa que vem com minha doce Clara e minhas
necessidades. Guardei um bom pé de meia para ela e nossos
bebês. Eu tenho um emprego − administrando o porto −
alinhado para o final da temporada. Ainda é um bom dinheiro,
mas o principal é que toda noite cairei na cama com minha
coisinha fofa.
Estou dolorido até os ossos, mas meu pau se contorce
com a necessidade. Faz apenas horas desde que a tive e eu
gostaria de poder cair em cima dela e fodê-la até que ela
cansasse de gozar. Eu transei com ela a cada hora antes de ter
que embarcar. Pensei que isso me ajudaria a durar mais de
um dia. Eu estava errado.
Felizmente, esta viagem é curta e capturamos a maior
parte de nossa cota hoje. Estou a bordo com um monte de
homens, incluindo um novato que está pronto para tomar o
meu lugar depois que esta semana acabar. Está tudo se
encaixando, só preciso esperar mais alguns dias. Então posso
voltar para Clara e mantê-la ao meu lado.
Era estranho que ela não parecesse triste ao me ver
partir. Algo como insegurança rasteja pelo meu peito e tento
amenizar. Ela estava tão gananciosa por mim como por ela,
nos dias que antecederam a minha expedição. Não gosto de
admitir isso nem para mim, mas me incomodou um pouco ela
não estar mais chateada por não podermos ficar juntos por
pelo menos uma semana. Eu estava pronto para jogá-la sobre
meu ombro e carregá-la a bordo comigo. Mas um barco de
caranguejo com um bando de homens que precisam usar seus
paus não é o lugar para minha garota. Agora tenho que me
deitar à noite sozinho na cama e pensar nas encrencas que ela
está se metendo sem mim. Sou o papai dela porque ela precisa
de um. O problema parece encontrá-la e essa é uma das
maiores razões pelas quais não queria deixá-la. Mas, uma
última vez no barco e estaremos juntos por um longo, longo
tempo. Estou fazendo isso por ela, me lembro quando penduro
meu equipamento e vou para o meu beliche.
Sou a tripulação sênior deste barco, o que significa que
só tenho que dividir minha cabine com outro homem. Salty é
um pescador de caranguejo experiente que nunca encontrou
tempo para parar. Ele é um homem velho para os padrões do
barco, mas ele não parece gostar de terra. Salty é quieto,
guarda as coisas para si mesmo e apenas resmunga quando
você faz uma pergunta. Eu gosto de brincar com ele porque
não reclama e deixa minhas coisas em paz.
Quando caminho para a parte de trás do barco, fico
surpreso ao ver Salty parada no corredor fumando um
cigarro. Normalmente ele dormia um pouco antes do turno da
noite, mas aqui está ele, bem acordado.
— Não consegue dormir? — pergunto quando me
aproximo. Espero que ele grunha para mim, mas fico surpreso
quando vejo sua mochila aos seus pés.
— Muito lotado lá. Estou pegando o ninho do corvo —
ele resmunga enquanto apaga o cigarro e empurra a bolsa.
— Eu não trouxe mais do que o habitual — digo,
pensando em minha própria bolsa que é menor que a dele.
— Não dormirei um pouquinho — ele murmura, depois
passa por mim e sobe as escadas.
Dou de ombros. Eu não sei o que aconteceu com ele, mas
estou muito além da medida e preciso dormir. Talvez desde
que esteja sozinho essa noite, eu possa me masturbar em paz
enquanto sonho com a pequena boceta da minha garota.
Abrindo a porta, ligo o interruptor da luz e bato a porta
atrás de mim. Ali, no pequeno beliche, está Clara, nua, com as
pernas abertas.
A raiva me inunda quando vejo todos os seus pequenos
buracos rosados ao ar livre, prontos para serem fodidos. Ela
está em um barco cheio de homens desagradáveis que se
revezariam para fodê-la. Ela tem o que é meu, exibido para
qualquer um entrar e ver. Incluindo Salty.
— O que diabos você está fazendo aqui, Clara? E é
melhor você ter uma boa desculpa por deixar aquele velho ver
o que me pertence.
Ela morde o lábio, mas não faz um movimento para
fechar as pernas. Em vez disso, ela me mostra que é
verdadeiramente o diabo quando seus dedos pequenos se
movem pelo corpo e pela boceta. Ela espalha sua boceta para
mim, mostrando-me como está excitada. Como ela está pronta
para uma foda profunda e difícil.
— Eu senti sua falta — ela sussurra e eu caio de joelhos
na frente dela.
— Você esgueirou-se no meu barco e agitou sua pequena
vagina, pronta para ser fodida. Eu devia rolar você e surrar
sua bunda.
Assisto enquanto ela mergulha o dedo dentro de sua
vagina e o puxa para fora. Está coberto de seus sucos e,
caramba, minha alma para o inferno, gemo quando ela leva
para sua boca e suga.
Eu luto com o zíper nas minhas calças, tão rápido, que
quase as rasgo.
O quarto é pequeno e está se fechando em mim quando
minha necessidade por ela bate nas minhas costas. Não penso
em como ela entrou no barco ou no que farei sobre mantê-la
escondida aqui. Eu nem me preocupo em não haver uma
fechadura na porta. Agora, eu só preciso colocar meu pau nela
e foder até desmaiar.
Um calor quente e úmido envolve meu pau enquanto eu
empurro nela e fico parado. Exaustão misturada com desejo
enche minhas veias, mas espero, precisando de um momento
para me sentir em casa.
Clara chega até mim, tocando meu rosto
desalinhado. Viro meu rosto e beijo seu pulso, depois caio em
cima dela e beijo seus doces lábios. Não posso ficar bravo com
ela. Inferno, eu não consigo fazer nada direito além de transar
com ela, e ela ainda me quer. Não sei o que fiz para merecer
esse anjinho, mas de alguma forma a vida continua dando
certo para uma merda como eu.
Ela tem gosto de açúcar em sua boceta e rosno quando
começo a transar com ela. Ela se apega a mim e seus
gemidinhos estão me levando até o limite. Coloquei minha
mão sobre sua boca e movo meus lábios para sua orelha.
— Fique quieta aqui, garota. Se essa equipe descobre que
há uma boceta tão apertada a bordo e eles arrombarão a porta
para foder também.
Sua boceta umedece mais com minhas palavras e eu a
fodo mais. Eu selo minha propriedade com cada impulso e a
faço lembrar quem está em cima dela.
— Você precisa de um papai vinte e quatro por sete, não
é, baby? — Ela assente e geme contra a minha mão.
— Este barco tem alguns caras durões nele. Alguns deles
não se importariam que você tenha um papai ou que sua
boceta mal seja adulta o suficiente para levar um pau.
Seus gritos são abafados quando sua boceta fica mais
molhada e ela está quase gozando. Porra, estou exausto, mas
essa cama é pequena demais para desmaiar em cima dela.
— Trarei sua comida aqui embaixo e garantir que você
pegue meu pau a cada hora. Mas é melhor você não pisar fora
desta cabine. — Cerro meus dentes só de pensar em ter sua
boceta pronta para ser tomada sempre que a necessidade me
atingir. Assim como em casa, posso agarrá-la e dobrá-la toda
vez que meu pau endurecer.
— Você me escutou?
Levanto minha mão um pouco e ela lambe os lábios.
— Sim, Papai.
Foda-se se meu pau não cresceu ainda mais. Nem mesmo
um dia inteiro sem ela e já sentia falta dela me chamando
assim.
— Isso mesmo, doce menina. — Lambo seu lábio inferior
e a beijo com força. Ela aperta suas coxas em volta de mim e
eu pressiono meu peito contra seus seios enquanto ela se
desfaz em meus braços. Empurrei com força uma última vez e
esvaziei dentro de seu corpo perfeito e à espera. Eu quase
desmaio quando sua vagina me aperta e drena o que resta da
minha alma nela.
Deve haver um Deus, porque tenho força suficiente para
nos rolar sobre o pequeno beliche e não a sufocar. Ela deita
em cima de mim acabada e estou meio adormecido quando
sinto seus dedos no meu cabelo no peito.
— Sinto muito, papai — ela sussurra, e meu peito aperta.
— Eu simplesmente não suportava ficar longe de você.
— Tudo bem — resmungo e envolvo meus braços em
torno dela.
— Também senti sua falta. Nós não nos separaremos
novamente. Estou me certificando disso.
— Eu te amo — diz ela, beijando meu peito e depois
abraçando.
— Também te amo, menina.
Epílogo
Clara
Dois anos depois…
Eu continuo olhando no meu relógio e esperando que
Rex esteja aqui em breve. Ele me mandou uma mensagem e
disse que estava atrasado, mas sei que não quer perder o
compromisso.
Esta é a nossa segunda gravidez, mas ele ainda está tão
animado quanto a primeira. Quando me chamaram de novo,
eu disse que ainda estava esperando meu marido, mas a
enfermeira me informou que um dos médicos tinha uma
emergência e que não tinham agenda para me
remarcar. Debati por meio segundo antes de decidir voltar,
esperando que ele estivesse aqui em breve.
Agora estou deitada na mesa com as pernas
escancaradas, esperando o médico vir me ver. Me acostumei a
deixar tudo sair depois da minha primeira gravidez, então eu
apenas tento me sentir confortável e passar o tempo.
Depois de um momento, a porta se abre e levanto os
olhos para ver o médico entrar. Eu suspiro porque não é
minha obstetra normal, mas um médico que nunca encontrei.
— Você deve ser Clara. Eu sou o doutor Rogers — ele diz,
se aproximando e apertando minha mão.
Puxo meus joelhos juntos e tento me sentar. Nunca tive
um médico antes e tento pensar em como educadamente
dizer a ele para sair daqui antes que meu marido entre e o
mate.
— Onde está a doutora Pace? —pergunto, olhando pela
porta entreaberta. A enfermeira que normalmente está aqui
quando o médico me examina está conversando com outra
pessoa.
— Ela está fora hoje. Estou atendendo alguns de seus
pacientes aqui para exames de rotina. —Ele olha para o meu
prontuário e suas sobrancelhas se unem.
— Parece que você ganhou bastante peso desde a sua
última consulta.
— O que quer dizer? — Estou grávida, o que mais
deveria acontecer?
— Você é jovem, então acho que não está preocupada
com seu corpo. — Ele murmura algo sobre o meu
metabolismo diminuindo, e a raiva faz minhas bochechas
corarem.
— Oh, bem — ele diz enquanto caminha até onde meus
joelhos estão firmemente pressionados.
— Agora, se você relaxar, podemos seguir em frente e
começar. Podemos discutir o ganho de peso depois.
Não gosto da cara dele e quero Rex aqui comigo. Estou
prestes a dizer que ele não pode começar até que a enfermeira
entre, mas a porta se abre. Meu enorme marido, quase uma
besta, bate à porta das dobradiças enquanto fica parado
olhando o médico.
— Tire a porra de suas mãos dela — ele ferve.
O Dr. Rogers se afasta com as mãos para cima.
— Senhor, estava apenas fazendo um exame de rotina
em sua filha. Por favor, não há necessidade de violência.
— Antes de tudo, essa não é minha filha, é minha
esposa. Segundo: você pode ver pela maneira como ela está
sentada ali, com as pernas juntas, que ela se sente
desconfortável.
O médico olha para mim e depois para a porta atrás de
Rex. As enfermeiras do corredor estão lá olhando para
ele. Minha enfermeira, de sempre, tem um sorriso no
rosto. Gostaria de saber se ela viu isso acontecer.
— A menos que você tenha uma médica para examinar
os negócios dela, iremos embora. — Ele se move entre mim e
o médico e tenho que morder o lábio para não rir. Ele acabou
de chamar de negócio a minha dama?
— Eu só estava...
Rex o interrompe com um grunhido.
— Você estava colocando as mãos na minha esposa e
tem sorte de eu não as arrancar dos seus braços. Agora saia
dessa sala e pense em como você fala com mulheres grávidas
antes de abrir sua boca estúpida. Se eu ouvir você dizer à
minha esposa que ela ganhou muito peso novamente, eu farei
você comer seu próprio cu.
As enfermeiras no salão também estão rindo agora e
parecem estar se divertindo vendo isso acontecer. Elas sabem
quão possessivo Rex pode ser, sempre entrando comigo com a
mão na minha barriga. Sempre perguntando o que elas estão
prestes a fazer antes de me tocarem. Ele é louco quando se
trata de quem pode me tocar, então não estou nem um pouco
chocada por ele estar agindo assim. E, aparentemente, nem as
enfermeiras. O doutor Rogers recua lentamente até estar no
corredor. Então, antes que ele diga outra palavra, ele faz uma
pausa. As enfermeiras são deixadas em um acesso de risadas
quando Rex se aproxima para me abraçar.
— Você está bem, menina?
— Sim, acho que você assustou o pobre homem.
— Eu não ficarei parado e deixarei outro homem ver o
céu que você esconde lá embaixo. Inferno, ele dará uma
olhada e será arruinado para todas as outras mulheres. Não
posso arriscar. — Ele se inclina e me dá um beijo quando
minha enfermeira limpa a garganta. Nós olhamos para cima e
ela está sorrindo para nós dois.
— Ele está aqui apenas por um dia e não podemos
suportá-lo. Obrigada pelo entretenimento. Sua ficha parece
boa e a Doutora Pace estará de volta amanhã. Você está
liberada, Clara. — Ela pisca para mim antes de sussurrar
um “obrigada” a Rex na saída. Eu respiro um suspiro de alívio.
— Agora vamos levá-la para casa, para que eu possa
mostrar quão perfeito é o seu corpo — ele diz, me pegando
em seus braços.
— Eu posso precisar de muito convencimento —
informo, imaginando sua cabeça entre as minhas pernas.
— É um trabalho difícil, mas acho que sou o homem para
isso.
Ele com certeza é.
Epílogo
Oito anos depois ...
Parei minha caminhonete no estacionamento quando
cheguei ao estúdio de dança. É um pequeno local na Main
Street que converti para Clara há alguns anos atrás. Quando
nossa filha teve idade suficiente para pedir aulas de dança,
Clara sabia que queria ensiná-la. Isso a levou a obter seus
certificados e a abrir este estúdio. Gosto de aparecer depois de
trabalhar nas docas e vê-la ensinar. Ela é tão feliz e acende
sempre que vê uma criança aprender algo que ela ensinou.
— Papai! — minha filha caçula grita enquanto vem
pulando pelo corredor e nos meus braços.
— Ei, princesa. Você teve um bom dia?
— Eu tive. Mamãe disse que poderíamos tomar sorvete
no jantar se você dissesse que estava tudo bem. — Seus
grandes olhos estão suplicando e ela sabe que sou uma pessoa
insana quando se trata das mulheres da minha vida.
— Oh, ela disse? — pergunto, olhando para onde Clara
está parada.
Ela se vira, como se estivesse sentindo meus olhos nela, e
me dá uma piscadela. Ela vem e me dá um beijo na minha
bochecha antes de mover os lábios para o meu ouvido.
— Por favor, papai.
Ela sabe como conseguir o que quer e sabe tudo o que
precisa fazer é perguntar.
— Suponho que sim — suspiro, amando como posso
fazê-las acender tão facilmente.
— Yay! — as duas torcem, pegando suas mochilas.
Nossa filha mais velha levanta a cabeça de um dos
estúdios sorrindo de orelha a orelha.
— Ele disse sim?
Todas elas começam a cantar sobre um sorvete para o
jantar dançando ao meu redor, e embora alguém possa olhar
pela janela e pensar que sou uma grande manteiga derretida,
não aceitaria isso de outra maneira. Elas me envolveram com
seus dedinhos, e não quero estar em nenhum outro lugar.
A vida nas docas é boa e estou em casa com minha
família todas as noites. Conhecer Clara não fazia parte do meu
plano, e ter uma família não estava em nenhum lugar do meu
radar. Mas tudo funcionou exatamente como ela queria, e
nunca percebi que era isso o que eu queria. Estava com muito
medo de esperar por isso.
Agarro Clara pela cintura e desta vez eu sussurro em seu
ouvido.
— Você pode me agradecer mais tarde.
— Oh, eu pretendo fazer isso — diz ela, lambendo os
lábios e piscando para mim.
Suas mãos descem pelo meu peito grande e até os botões
da minha camisa. Ela é uma provocação e sabe disso. Mas, não
tenho queixas. Provocá-la é metade da diversão. A outra
metade da diversão é estar curvando-a e transando com Clara
até que ela não possa andar. Mas guardarei isso para quando
as crianças estiverem dormindo.
— Amo você, bebê — digo, beijando-a na testa e
ajudando as crianças a entrar no caminhão.
— Também te amo, papai — diz ela, antes de me dar um
tapa na minha bunda.
Moderadoras
JESS E. / KAMY B. / ANA R.
ANURB/ ATHEEMYS/KAH B./LIVI G./ ANGI/JESS
E./JAY K.