Sistema de avaliação e
classificação de alunos
Agrupamento de Escolas
Manuel da
“Melhorar as aprendizagens através da avaliação:
para uma transformação das práticas”
Autores:
Clara Lancastre, Cristina Juiz, Cristina Pombal, Luís Mocho, Luís Nunes,
Manuel Pereira, Raquel Vaz, Sandra Caetano, Teresa Marques
Elaborado de acordo com as directrizes de Projecto MAIA, do Ministério da Educação
Índice
Pág.
1. Introdução .................................................................................................................................. 3
2. Natureza do projecto de intervenção ........................................................................................ 3
3. Propósitos do projecto de intervenção ...................................................................................... 4
4. Referentes para a implementação do projecto ......................................................................... 4
4.1 Princípios ............................................................................................................................. 4
4.2 Políticas ............................................................................................................................... 5
4.2.1 Política de comunicação .............................................................................................. 5
4.2.2 Política de feedback ..................................................................................................... 6
5. Âmbito da aplicação do projecto............................................................................................... 6
5.1 Sistema de avaliação ........................................................................................................... 6
5.2 Sistema de classificação ...................................................................................................... 8
6. Para um enquadramento da formação de professores ............................................................ 9
7. Considerações finais ................................................................................................................ 10
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1. Introdução
A avaliação pedagógica, aquela que, segundo Domingos Fernandes, ocorre nas nossas escolas e é sua
responsabilidade, é a ferramenta mais poderosa para o desenvolvimento do ensino-aprendizagem. É
através dela que os agentes educativos estabelecem um compromisso de sucesso, elevando as práticas
pedagógicas para níveis que melhorem os resultados dos alunos.
Este Projecto de Intervenção é uma feliz fusão entre o que começou por ser a visão do Director para o
Agrupamento, e o “Projecto de Monitorização Acompanhamento e Investigação em Avaliação Pedagógica
(MAIA)”, liderado pelo professor Domingos Fernandes, e visa estabelecer os propósitos para a mudança
das práticas de avaliação no Agrupamento de Escolas Manuel da Maia e, em consequência, dotar o
Agrupamento de um sistema de avaliação e classificação dos alunos que promova de forma sistemática a
avaliação formativa como instrumento fundamental para a melhoria das aprendizagens. Por outras
palavras, procura-se “(…) contribuir para melhorar os processos de ensino, de aprendizagem e de
avaliação pedagógica e, desta forma, desenvolver as acções que se impõem para que os alunos aprendam
mais e melhor, com mais compreensão e com mais profundidade”. FERNANDES, D. (2019). Memorando 1
Projeto MAIA. (p. 2).
Pretendemos, a médio e longo prazo, melhorar a capacidade de intervenção dos professores para a
promoção de melhores aprendizagens e, como consequência, melhorar os resultados do Agrupamento.
2. Natureza do Projecto de Intervenção
A avaliação dos alunos no Agrupamento de Escolas Manuel da Maia (AEMM) constitui um referencial
decisivo para a melhoria das aprendizagens e para a constante tomada de decisões por parte dos
docentes.
Tem um carácter predominantemente de diagnóstico e formativo e pretende criar uma clivagem sobre a
tradicional visão classificativa das avaliações. Por outras palavras, avaliamos para melhorar, avaliamos
para recolher informação, avaliamos para tomar decisões pedagógicas.
Pretende-se envolver toda a comunidade educativa num projecto comum, com conceitos compreendidos
por todos, numa linguagem uniforme entre docentes, não docentes, alunos e encarregados de educação.
A mensagem passa por vincar a importância da avaliação, retirando desta o carácter classificativo e
reforçando o carácter eminentemente formativo.
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Assim, as modalidades de avaliação diagnóstica e formativa constituem-se como a base de todo o
processo formativo do aluno.
3. Propósitos do Projecto de Intervenção
A implementação deste projecto será gradual e respeitará a progressividade dos anos de escolaridade,
incluído a respectiva alteração dos critérios específicos de avaliação de cada disciplina. Neste sentido, em
cada ano lectivo, serão introduzidos novos critérios de avaliação e passarão, em conjunto, a ser
cumpridos os pressupostos deste projecto de intervenção.
Será o seguinte o cronograma de implementação:
Ano Lectivo Ano de escolaridade
2020/2021 1.º ano; 5.º ano; 7.º ano
2021/2022 2.º ano; 6.º ano; 8.º ano
2022/2023 3.º ano; 9.º ano
2023/2024 4.º ano
4. Referentes para a implementação do projecto
Para pôr em marcha a transformação das práticas de avaliação pedagógica, o Agrupamento de Escolas
Manuel da Maia define um conjunto de princípios e políticas que considera essenciais:
4.1 Princípios
A avaliação incide sobre as aprendizagens desenvolvidas pelos alunos, sejam ou não produto
directo da intervenção da escola.
A avaliação tem um carácter contínuo e sistemático, valorizando momentos não formais e
formais de recolha de informação, e tem como referencial os documentos aprovados em
Conselho Pedagógico sobre os níveis de desempenho dos alunos em cada disciplina ou área
curricular.
Nos documentos atrás referidos, deve ser enunciada a descrição de um perfil de aprendizagens
essenciais específicas de cada disciplina.
O nível de desempenho suficiente deve corresponder, na sua generalidade, às competências
essenciais a adquirir pelo aluno nas diferentes disciplinas.
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Os instrumentos de avaliação são ferramentas ao serviço da recolha de informação e não lhes são
atribuídas ponderações nem valorizações.
A diversificação dos processos de recolha de informação deve ser uma prioridade na relação do
professor com o aluno para a construção de uma verdadeira avaliação pedagógica.
A avaliação formativa depende essencialmente do feedback atempado e pertinente. O aluno
deve ter a possibilidade de resubmeter o produto do seu trabalho ou voltar a demonstrar um
desempenho superior, depois de beneficiar da comunicação que o professor lhe dirigiu numa
primeira fase.
4.2 Políticas
4.2.1 Política de comunicação
Comunicar de forma eficaz com os alunos e encarregados de educação de modo uniforme é fundamental
para o entendimento do novo projecto de intervenção na avaliação pedagógica dos alunos. Assim, o
Agrupamento de Escolas Manuel da Maia estabelece um conjunto de políticas de comunicação:
A apresentação do projecto à comunidade é da competência do Director. Numa segunda etapa,
cada DT/PTT fará o mesmo a cada turma, mas com a especificidade do respectivo ciclo de ensino;
A informação intercalar prestada aos encarregados de educação será realizada através da
comunicação dos níveis de desempenho que o aluno alcançou nas diferentes disciplinas, em
impresso próprio do Agrupamento;
Qualquer informação prestada em momentos que não coincidam com o final dos períodos deve
ser realizada da mesma forma;
No final dos períodos, a informação deve ser quantitativa, expressa na escala de 1 a 5, definida
por lei, sem prejuízo de outras informações sobre os níveis de desempenho alcançados;
No final de cada ano lectivo, cada DT/PTT reúne a informação sobre os níveis de desempenho de
cada aluno para disponibilizar aos respectivos encarregados de educação;
Nos momentos formais de avaliação, cada professor deve transmitir ao aluno os níveis de
desempenho por si conseguidos, independentemente de uma classificação quantitativa que o
aluno venha a obter em cada um desses momentos;
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A prestação de feedback de qualidade aos alunos carece de formação por parte dos docentes no
sentido de dominarem essa “poderosa ferramenta pedagógica”.
4.2.2 Política de feedback
De igual forma, importa ter uma política uniforme de feedback, tendo como objectivo fundamental
melhorar o processo de ensino-aprendizagem e os resultados desse mesmo processo.
Partilhar com os alunos, as etapas de evolução das suas aprendizagens, os desempenhos
esperados em cada matéria e como podem progredir nesse mesmo desempenho (factores críticos
para o sucesso em cada nível);
Explicitar as rubricas criadas para a avaliação de cada matéria;
Confrontar de forma contínua os desempenhos dos alunos com os desempenhos esperados;
Realizar uma auto, hétero e coavaliação de forma sistemática, como forma de garantir que os
alunos apreendam melhor os critérios;
Evitar usar “feedback” e “classificação” na mesma frase uma vez que o primeiro tem uma função
de orientação das aprendizagens;
Garantir de forma prioritária o feedback individual, adaptado às necessidades de cada aluno, sem
prejuízo do feedback colectivo em situações que o exijam;
5. Âmbito da aplicação do projecto
O projecto de intervenção tem como principal missão a transformação das práticas de avaliação. Para que
tenha sucesso, é necessário estabelecer, de forma clara, as diferenças entre os dois sistemas que irão
suportar esta mudança.
5.1 Sistema de avaliação
Na procura de ajudar o aluno e as famílias a entenderem o desenvolvimento e as aprendizagens
adquiridas, o Agrupamento de Escolas Manuel da Maia estabelece um conjunto de níveis de proficiência
para as áreas de competências do Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória (PASEO), associados
às matérias específicas de cada disciplina, para as quais as mesmas procurarão contribuir, cada uma na
sua vertente específica, mas em prol de áreas comuns de desenvolvimento curricular.
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Estes níveis servirão de base para a construção de critérios de avaliação por disciplina, tão genéricos
quanto possível, e tão específicos quanto necessário, que procurarão contribuir para um melhor
conhecimento das aprendizagens adquiridas pelos alunos e para uma intervenção mais eficaz do
professor. O critério pretende ser um parâmetro usado para estabelecer uma uniformidade na análise
ou avaliação de determinada situação.
Os níveis de desempenho por matéria/disciplina, integram conhecimentos, capacidades e atitudes, e
assinalam-se como desempenhos globais, não separáveis em domínios e muito menos ponderados na sua
especificidade, assumindo-se como fundamentais para o desempenho esperado, ou seja, para a acção.
Devem assim as disciplinas integrar nos seus níveis de desempenho o SABER, o SABER FAZER e o SABER
SER, com vista ao desenvolvimento global do aluno.
Descritores gerais de desempenho
Os níveis consideram-se inclusos uns nos outros; Significa que ter determinado nível implica ter os requisitos dos
níveis inferiores a esse.
Áreas de E D C B A
competência do Muito Insuficiente Suficiente Bom Muito Bom
perfil do aluno insuficiente
1
Linguagens e textos
2
Informação e
comunicação
3
Raciocínio e
resolução de
problemas
4 Aplica a novas
Pensamento crítico Reconhece situações ou a
e criativo Aplica quase
alguns dos Utiliza situações mais
sempre
5 conteúdos que conscientemente exigentes, quase
correctamente os
Relacionamento estão na base do os conteúdos ou sempre
Ausência de conteúdos ou
interpessoal desenvolvimento fundamentos que correctamente,
evidências na fundamentos que
6 das estão na base do os conteúdos ou
maior parte das estão na base do
Desenvolvimento competências e desenvolvimento fundamentos que
competências desenvolvimento
pessoal e autonomia não consegue das estão na base do
das
evidenciar a sua competências desenvolvimento
7 competências
utilização e associadas das
Bem-estar saúde e associadas
aplicação. competências
ambiente
associadas
8
Sensibilidade
estética e artística
9
Saber científico,
técnico e
tecnológico
10
Consciência e
domínio do corpo
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Tendo como base esta matriz, cada grupo ou área disciplinar apresenta os critérios de avaliação
organizados em 5 níveis de desempenho e centrados nas áreas de competências do perfil do aluno.
Para um melhor entendimento, deixamos aqui um exemplo de parte da disciplina de Geografia, para o 7.º
ano de escolaridade.
Exemplo de critérios por níveis de desempenho – disciplina de Geografia – 7º ano
5.2 Sistema de classificação
Em determinados momentos, é necessário produzir informação quantitativa, nomeadamente no final de
cada período. Nesses momentos, o AEMM utiliza critérios de classificação, por grupo de docência e
aprovados pelo Conselho Pedagógico (CP), no sentido de quantificar, numa escala de 1 a 5, o
desempenho global de cada aluno, definindo assim um perfil global do aluno.
A informação resultante da avaliação expressa-se numa escala ou numa síntese descritiva, de acordo com
o respectivo ciclo de ensino, e constitui-se como a classificação final do aluno em cada período lectivo,
resultante da aplicação de um critério com base num referencial seguido por todos os professores da
mesma disciplina/ano. Esta classificação final é expressa em resultado do nível global de desempenho
que o aluno atingiu nas diferentes matérias/conteúdos/competências que cada disciplina procura
desenvolver.
A este referencial chamamos critérios de classificação.
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Para o 2.º e 3.º ciclo, a classificação final expressa-se numa escala de 1 a 5, sendo a informação final do
1.º e 2.º período um referencial para que o aluno e as famílias percebam o grau das aprendizagens
conseguidas até ao momento.
Para o 1.º ciclo, a informação resultante da avaliação sumativa materializa-se na atribuição de uma
menção qualitativa de Muito Bom, Bom, Suficiente e Insuficiente, em cada disciplina, sendo
acompanhada de uma apreciação descritiva sobre a evolução das aprendizagens do aluno, com inclusão
de áreas a melhorar ou a consolidar, sempre que aplicável, a inscrever na ficha de registo de avaliação.
Para a educação pré-escolar, a avaliação expressa-se numa síntese descritiva do desenvolvimento global
do aluno e das suas aprendizagens, de acordo com os critérios específicos para este nível de ensino.
A titulo de exemplo, deixamos aqui uma proposta de referencial, ainda em construção nos diferentes
grupos disciplinares do Agrupamento.
Exemplo para uma disciplina com 10 matérias anuais:
A = Muito Bom B = Bom C = Suficiente D = Insuficiente E = Muito insuficiente
6. Para um enquadramento da formação de professores
Para assegurar a transformação das práticas, o Agrupamento de Escolas Manuel da Maia garantirá
formação a todos os docentes, recorrendo a formadores internos e externos e a parcerias. Será solicitada
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a colaboração do Centro de Formação de Agrupamentos de Escolas Calvet de Magalhães, em termos a
definir. Esta formação acompanhará o cronograma de implementação do projecto.
Define-se um intervalo de 3 anos para que todo o corpo docente adquira as competências consideradas
estratégicas para a execução deste projecto.
É ainda fundamental um acompanhamento e monitorização do projecto, ao longo dos próximos anos,
assente nos resultados alcançados, sobretudo relativos ao sucesso escolar, mas também, em práticas de
supervisão e intervisão pedagógica que possam contribuir para melhorar o processo. Parte dessa
monitorização far-se-á através de reuniões com os representantes dos alunos e com os pais, além da
realização de inquéritos e entrevistas dirigidos aos intervenientes, com uma regularidade a definir.
Cabe referir que os 9 docentes do Agrupamento, de vários níveis de ensino, incluindo chefias intermédias,
e autores deste documento, frequentaram já uma acção de curta duração no âmbito do Projecto Maia,
em Dezembro de 2019, a que se seguiu uma Oficina de Formação num total de 50 horas (25 presenciais e
25 de trabalho autónomo) – de 20 de Abril a 1 de Junho de 2020.
Contar-se-á, também, com a colaboração da Equipa Central do Projecto Maia, em moldes ainda não
especificados.
7. Considerações finais
Para contribuir para a implementação do projecto e ajudar os docentes a adoptar práticas de registo mais
eficazes e que possam prevalecer no tempo, o Agrupamento Manuel da Maia tem neste momento uma
parceria com uma empresa informática que está a preparar, especificamente para este projecto, uma
plataforma de registo, tendo por base os níveis de desempenho criados pelos grupos disciplinares.
A plataforma identificada como MODA – Monitorização do Desempenho dos Alunos, estará concluída em
Agosto de 2020, para o 1.º, 5.º e 7.º anos, tal como previsto no cronograma de intervenção.
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Lisboa, 31 de Maio de 2020
Aprovado em Conselho Pedagógico de 16 de Julho de 2020
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