ISSN 1415-3033
Manejo de nematoides
na cultura do tomate
132 Foto: Jadir B. Pinheiro
Técnica
Circular
Brasília, DF
Outubro, 2014
Autores Introdução
Jadir Borges Pinheiro Fatores abióticos como temperatura, umidade, aeração, textura do solo e nível
Eng. Agr., DSc. de resistência ou suscetibilidade de cultivares de tomateiro influenciam na
Fitopatologia
dinâmica populacional de nematoides. Os danos causados por qualquer espécie
Embrapa Hortaliças
Brasília, DF de nematoide dependem da densidade populacional deste fitoparasita em relação
à massa de raízes e também do vigor da planta em tolerar altas populações.
Ricardo Borges Pereira
Eng. Agr., DSc. O estresse induzido pelo parasitismo de nematoides pode influenciar direta ou
Fitopatologia indiretamente o rendimento e a sobrevivência de plantas de tomateiro, uma vez
Embrapa Hortaliças
que as raízes são danificadas e o tamanho e vigor das plantas são reduzidos,
Brasília, DF
colocando desta forma plantas parasitadas em desvantagem em relação às
Fabio Akiyoshi Suinaga plantas adjacentes na disputa por água, nutrientes e luz.
Eng. Agr., DSc.
Genética e Melhoramento
de Plantas Em áreas de cultivo de tomateiro no mundo, os principais gêneros de nematoides
Embrapa Hortaliças que causam danos expressivos são Meloidogyne, Belonolaimus, Trichodorus
Brasília, DF
e Paratrichodorus. Outros gêneros associados ao tomateiro são relatados na
literatura, porém não causam perdas ou prejuízos estimáveis.
Essa Circular Técnica trata do gênero Meloidogyne, principal nematoide
endoparasito que causa danos expressivos em tomateiro no Brasil, focando
aspectos em relação ao seu ciclo de vida, disseminação e algumas práticas de
manejo de nematoides na cultura do tomate.
2 Manejo de nematoides na cultura do tomate
Nematoide-das-galhas Sintomas
Mais de 90 espécies do nematoide-das-galhas já Com sua atividade de penetração nas raízes das
foram descritas no mundo, além de raças fisiológicas plantas os nematoides-das-galhas estimulam uma
(patótipos) existirem em algumas delas. Variações resposta da planta, com hipertrofia e hiperplasia
ocorrem no desenvolvimento e na patogenicidade das células que ocorrem nas raízes invadidas
de populações geograficamente isoladas de pelos juvenis de segundo estádio (J2), formando
Meloidogyne. Aspectos morfológicos como a desta maneira as galhas. Após várias invasões nas
configuração perineal da fêmea, o comprimento do raízes, por inúmeros juvenis, as galhas formadas
estilete, a região labial dos machos, a caracterização apresentam forma alongada e com aspecto de
isoenzimática e outros caracteres moleculares, bem inchaços ao longo do sistema radicular (Figura 1).
como a planta hospedeira e a localidade de coleta
da espécie são detalhes importantes na identificação
das espécies de nematoide-das-galhas.
Foto: Jadir B. Pinheiro
Os nematoides-das-galhas, Meloidogyne incognita
(Kofoid & White) Chitwood, M. javanica (Treub)
Chitwood, M. arenaria (Neal) Chitwood e M. hapla
Chitwood são as espécies com maior distribuição
em tomateiro. Elas podem ocorrer em vários
tipos de solo, mas causam prejuízos econômicos
com maior intensidade em regiões quentes e que
apresentam solos arenosos e com baixos teores de
matéria orgânica. Figura 1. Galhas causadas pelo ataque do nematoide-das-
galhas (Meloidogyne spp.) em raízes de tomateiro.
Outra espécie de nematoide-das-galhas que tem
causado problemas em várias culturas no Brasil M. hapla geralmente produz galhas pequenas e
e no mundo, inclusive na cultura do tomateiro discretas, enquanto M. incognita, M. arenaria, M.
é Meloidogyne enterolobii (sin: M. mayaguensis javanica e M. enterolobii causam galhas grandes
Rammah & Hirschmann). Esta espécie foi relatada e irregulares, que podem apodrecer rapidamente
pela primeira vez no Brasil nos estados de devido à invasão de patógenos secundários, tais
Pernambuco e Bahia, causando danos em plantios como Sclerotium rolfsii Sacc., Fusarium sp.,
de goiabeira. Apresenta rápida disseminação e Verticillium sp. e Ralstonia sp. com intensificação
tem sido encontrada associada ao parasitismo de dos danos. O transporte de nutrientes e sais minerais
plantas ornamentais, fumo, soja, cafeeiro, mamão, das raízes para a parte aérea das plantas é afetado,
acerola, araçá e diversas hortaliças. No Brasil, em
resultando em murchas e deficiências nutricionais.
hortaliças, M. enterolobii foi detectado pela primeira
Os sintomas no campo podem apresentar-se na
vez no Estado de São Paulo parasitando plantas de
forma de reboleiras de formato irregular com plantas
tomateiro e pimentão resistentes a outras espécies
raquíticas, murchas e amarelecidas (Figura 2).
de Meloidogyne. Desde então, esta espécie vem
Foto: Ailton Reis
causando perdas nestas hortaliças em municípios no
interior Paulista.
Devido à grande susceptibilidade de algumas
cultivares de tomateiro aos nematoides-das-galhas,
diversas instituições de pesquisa utilizam essas
plantas em casa-de-vegetação para manter e/ou
multiplicar populações ou coleções de nematoides-
das-galhas para estudos futuros.
Assim, estudos sobre a ocorrência e os danos
causados em cultivos de tomate em todo o mundo
são poucos comparados com a importância e Figura 2. Reboleira observada em campo de produção de
hospedabilidade desta cultura aos nematoide-das- tomate devido à infestação pelo nematoide-das-galhas
galhas. (Meloidogyne spp.).
Manejo de nematoides na cultura do tomate 3
Temperatura, umidade, tipo de solo, idade da planta
Foto: Frederick M. Aguiar
no momento da penetração e infecção, densidade
populacional do inóculo e outros fatores de estresse
têm grande interferência sobre os danos causados
pela infecção de Meloidogyne.
Ciclo de vida e epidemiologia do nematoide-das-
galhas
O gênero Meloidogyne tem uma ampla gama
de hospedeiros entre plantas cultivadas. Se as
condições ambientais forem favoráveis, por
exemplo, na entressafra, eles podem sobreviver em
muitas plantas infestantes, como a falsa-serralha
(Emilia sonchifolia (L.) DC.), juá-bravo (Solanum
sisymbriifolium Lam.), caruru (Amaranthus hybridus
Figura 3. Fêmea de Meloidogyne sp. em formato de pêra
L.), arrebenta cavalo (Solanum aculeatissimum
extraída de raízes de tomateiro.
Foto: Jadir B. Pinheiro
Jacq.), melão-de-São-Caetano (Momordica charantia
L.), entre outras.
O nematoide apresenta atividade durante todo
o ano em climas quentes e solos úmidos, já em
climas mais frios o ciclo de vida é mais longo. As
espécies do nematoide-das-galhas são parasitas
obrigatórios de raízes e de caules subterrâneos. São
móveis no solo, e os estádios de desenvolvimento
vermiformes ou juvenis de segundo estádio (J2)
são as formas de vida que infectam as raízes de
tomateiro encontradas no solo. Ao penetrarem nas
raízes, movimentam-se para as proximidades dos
vasos condutores e se tornam sedentários. Com
o seu desenvolvimento no interior das raízes até a
fase adulta, passam por sucessivas ecdises (troca
Figura 4. Massa de ovos na superfície das galhas (pontos
de cutícula ou revestimento externo do corpo dos
pretos) localizada nas raízes parasitadas por Meloidogyne sp.
nematoides) e alterações na sua forma, passando
da fase vermiforme para a forma referida como
Esta massa contém, em média, 500 a 1.000
“salsicha” até se tornarem adultos e no caso das
ovos envolvidos por uma substância gelatinosa
fêmeas apresentarem formato de “cabaça” ou
que protege os mesmos contra dessecação e
“piriforme”. Enquanto se desenvolvem, em resposta
outras condições desfavoráveis. Em determinadas
à introdução de substâncias produzidas pelas suas
situações o número de ovos produzidos nesta
glândulas esofagianas nos tecidos das raízes da
massa de ovos pode ultrapassar a 2000 unidades.
planta, ocorre aumento no tamanho e no número
das células das raízes parasitadas, que resulta Dentro de cada ovo vai ocorrer à formação do
num engrossamento denominado de “galha”. Na juvenil de primeiro estádio (J1), que sofre uma
fase adulta, o macho geralmente sai da raiz e não ecdise e se transforma em J2, ainda no interior do
mais parasita a planta. Os machos adultos destes ovo. Este representa a forma infectiva que eclode
nematoides são vermiformes e não se alimentam. do ovo, vai para o solo ou diretamente infecta
Já a fêmea continua seu desenvolvimento até outra raiz, passando por mais três ecdises até
assumir formato globoso e piriforme e (Figura 3), chegar à fase adulta, completando assim o ciclo em
posteriormente, produz uma massa de ovos torno de 21 a 45 dias, dependendo das condições
que geralmente permanece fora da raiz, com climáticas e da espécie de nematoide envolvida,
possibilidade de ser vista a olho nu (Figura 4). com possibilidades de ser completado até em
4 Manejo de nematoides na cultura do tomate
70 dias no inverno. A dinâmica do ciclo de vida de contaminados, homem e animais nas áreas de
Meloidogyne é apresentada na Figura 5. cultivo e, principalmente, por mudas de tomateiro
contaminadas. Esta última é responsável pela
Arte: Ricardo Borges Pereira adaptado de Agrios, 2005
contaminação de áreas a longas distâncias.
Manejo do nematoide-das-galhas
O controle do nematoide-das-galhas na cultura
do tomateiro é bastante problemático, porque
esses microrganismos são habitantes de solo
que sob condições favoráveis de temperatura
e umidade, multiplicam-se com rapidez e ficam
protegidos da ação de substâncias tóxicas presentes
em agrotóxicos ou produzidas por organismos
antagônicos. Para seu controle é de grande
importância à integração de várias práticas que
vão desde a produção das mudas até a escolha da
área de plantio. Dentre essas, as principais são: a
prevenção, rotação de culturas, alqueive, uso de
plantas antagonistas, variedades resistentes e, em
último caso, o controle químico.
Prevenção
A prevenção evita a introdução do nematoide numa
determinada área, pois uma vez presentes em áreas
Figura 5. Ciclo de vida do nematoide-das-galhas em raízes
de cultivo, o produtor terá que conviver com o
de tomateiro.
problema, já que sua erradicação é praticamente
impossível.
Os J2 e os ovos são estádios de sobrevivência
para estas espécies e podem sobreviver no solo O plantio de mudas livres de nematoides fitoparasitas
com umidade adequada. Podem também entrar em em solos não contaminados é essencial para manter
estado de dormência em condições desfavoráveis, este grupo de patógenos fora da área de cultivo, pois
ou seja, principalmente quando o solo estiver seco se reduz bastante a possibilidade de se introduzir
e sem plantas hospedeiras de tomateiro ou outras na lavoura estes patógenos. Outra medida de
espécies vegetais. fundamental importância é evitar o plantio em épocas
em que ocorram temperaturas elevadas e chuvas,
Em climas quentes, quatro ou cinco gerações do pois a maioria das espécies de ocorrência no país se
nematoide podem se desenvolver em uma única multiplica bem nestas condições.
estação de crescimento da cultura.
Deve-se também ter o cuidado de desinfestar
A sobrevivência do nematoide-das-galhas e máquinas e implementos agrícolas que possam
a realização do ciclo de vida dependem do disseminar nematoides juntamente com partículas
crescimento bem sucedido da planta hospedeira e de solo aderidas aos pneus e demais partes do
das condições ambientais. Os machos participam maquinário para áreas de cultivo não contaminadas.
menos no ciclo de vida em relação às fêmeas, A utilização de jatos fortes de água para remoção de
uma vez que a maioria das espécies se reproduz solo aderido aos maquinários é eficiente para evitar a
por partenogênese, sem haver a necessidade de disseminação desses organismos.
copulação.
Rotação de culturas
Devido ao fato dos nematoides se moverem
lentamente no solo, sua principal forma de A rotação de culturas para o controle de nematoide
disseminação é a passiva, dada pela movimentação é bastante difícil, pois M. incognita e M. javanica
do solo, água, implementos agrícolas apresentam mais de 1.000 espécies de plantas
Manejo de nematoides na cultura do tomate 5
hospedeiras conhecidas. Além disso, Meloidogyne M. javanica, são hospedeiras desfavoráveis,
incognita, possui quatro diferentes raças (1, 2, 3 e porém podem causar aumento das densidades
4) caracterizadas por atacar diferentes espécies de populacionais em determinados casos quando as
plantas. condições são favoráveis ao nematoide.
A rotação de culturas com culturas que não As plantas antagonistas podem permitir a
hospedam um determinado patógeno tem como invasão de nematoides, porém não permitem seu
finalidade eliminar total ou parcialmente estes
desenvolvimento até a fase adulta. É o caso das
organismos pela subtração do seu alimento. Assim,
crotalárias, que funcionam como hospedeiras
em áreas infestadas por M. javanica ou M. incognita
atraindo os nematoides para as raízes. Contudo,
sugere-se a rotação com amendoim (Arachis sp.),
numa segunda fase, oferecem repelência aos
braquiárias (Brachiaria spp.), crotalária (Crotalaria
nematoides que penetram ou que estão nas
spectabilis Roth.) e mamona (Ricinus communis L.)
proximidades das raízes. Assim, não ocorre
dentre outras plantas resistentes ou não hospedeiras.
a formação das células gigantes ou células
Alqueive nutridoras (células responsáveis pela alimentação
dos nematoides, formadas após a penetração
O alqueive é uma técnica que constitui em manter o
e estabelecimento do sítio de infecção), com
terreno limpo sem a presença de culturas ou plantas
inibição do desenvolvimento de juvenis. As
infestantes. O solo permanece sem vegetação com
crotalárias também produzem substâncias tóxicas,
práticas de capinas manuais, arações, gradagens
como a monocrotalina, que inibe o movimento
e com o emprego de herbicidas temporariamente,
dos juvenis. Neste caso, recomenda-se o seu
em associação. Resultados de ensaios de pesquisa
cultivo até aproximadamente 80 dias seguido da
demonstram redução acima de 75% da população
incorporação da massa verde, pois se deve evitar
de nematoides-das-galhas no campo durante os
o início da floração para não dificultar o processo
dois primeiros meses de alqueive e menos de 10%
de sobrevivência após três meses. O alqueive de decomposição pela formação de alto volume de
reduz a população não só dos nematoides-das- materiais fibrosos. No caso do cravo-de-defunto,
galhas, como de outras espécies destes parasitos ocorre a liberação de exsudados radiculares com
pela ação dos raios solares. A luz solar apresenta ação tóxica sobre os nematoides, denominada
efeito nematicida devido à fração ultravioleta do α-tertienil. Outra vantagem das plantas antagonistas,
espectro. A eficiência do alqueive vai depender crotalárias e mucunas é que podem ser utilizadas
de sua duração, da temperatura e da umidade como cultura de cobertura ou serem incorporadas
do solo e da espécie de nematoide envolvida. É ao solo na forma de adubo verde, com melhoria
recomendável deixar certo nível de umidade no solo também nas condições físicas e químicas do
chamado de alqueive úmido, que permite a eclosão solo por torná-lo mais friável e descompactado
dos ovos e o movimento dos juvenis das espécies estruturalmente e pela incorporação de fertilizantes
de nematoides presentes. Com esta movimentação, naturais.
estes consumirão mais suas reservas energéticas
e morrerão por inanição. Porém, o alqueive é uma Matéria orgânica
prática que possui o inconveniente do custo de
manter o solo limpo por determinado tempo, com A utilização de matéria orgânica funciona
redução de lucro para o produtor e favorecimento de como condicionador do solo, favorecendo
erosões em regiões que ocorrem chuvas elevadas. suas propriedades físicas, além de contribuir
com fornecimento de determinados nutrientes,
Plantas antagonistas como nitrogênio. As plantas são favorecidas
em relação ao ataque dos nematoides pelo seu
Crotalárias (Crotalaria spectabilis, C. juncea L.),
crescimento mais vigoroso. Além disso, a matéria
cravo-de-defunto (Tagetes patula L., T. minuta
orgânica estimula o aumento da população
L., T. erecta L.) e mucunas (Estizolobium spp.)
são exemplos de plantas antagonistas que são de microrganismos de solo, em especial de
utilizadas com sucesso no controle de nematoides. inimigos naturais dos nematoides, além de liberar
Vale lembrar que a C. juncea e as mucunas substâncias tóxicas com sua decomposição que
tem comprovada eficácia para M. incognita e contribuem para a mortalidade destes.
6 Manejo de nematoides na cultura do tomate
O esterco de gado ou de galinha, tortas oleaginosas, As cultivares ‘Débora Plus’ e ‘Débora VFN’ (para
palha de café, bagaço de cana e torta de mamona mesa) e ‘IPA-5’ e ‘Viradoro’ (para processamento
são exemplos de materiais orgânicos. O esterco de industrial) são exemplos de cultivares com
gado ou de galinha deve ser esterilizado antes de ser resistência a M. incognita raça 1 e M. javanica.
aplicado, principalmente em áreas novas de cultivo, Contudo, são suscetíveis M. enterolobii. Esta
pois estes podem constituir-se como fonte de espécie apresenta ampla polifagia e comportamento
disseminação de fitopatógenos. Não é recomendada altamente agressivo para a maioria das espécies
a manutenção e incorporação de restos de raízes olerícolas quando comparado com as duas espécies
infectados por nematoides na área cultivada, prevalecentes no país (M. incognita e M. javanica).
por inviabilizar os métodos usuais de controle, Existem relatos de populações de M. enterolobii
considerando que os nematoides alojados em tecidos causando danos em plantas resistentes a outras
de restos culturais, raízes, tornam-se protegidos espécies de Meloidogyne, como o tomate ‘Rossol’,
da ação de nematicidas e outros agentes físicos e a soja ‘Forest’ e a batata-doce ‘CDH‘ no Oeste da
África. Desta forma esta espécie constitui séria
biológicos de controle. Assim, a remoção das raízes
ameaça para plantio de tomate para indústria
infectadas após a colheita também é prática que
no Brasil. Em plantas portadoras do gene Mi é a
contribui para redução dos níveis populacionais
reação de hipersensibilidade (HR), que provoca
antes do próximo plantio. Os restos de raízes devem
mudanças histológicas, como a morte celular
ser retirados da área, amontoados e secos para
próxima ao sítio de infecção do juvenil de segundo
finalmente serem queimados.
estádio de Meloidogyne spp. Esse fenômeno tem
Resistência ocorrido geralmente 12 horas após a tentativa de
estabelecimento do nematoide no interior da raiz.
A utilização de variedades resistentes constitui,
juntamente com as práticas culturais citadas Vale ressaltar que apesar da existência de
acima, uma prática de grande relevância para o cultivares de tomateiros resistentes, as espécies
controle dos nematoides, e tem como vantagens de nematoides-das-galhas prevalecentes no Brasil
não oferecer riscos à saúde humana, ser de custo ainda causam prejuízos à cultura. Em tomateiro para
relativamente baixo e não poluir o ambiente. Assim, processamento industrial no Brasil, cuja totalidade
são híbridos importados, a grande maioria disponível
o melhoramento de tomateiro visando à resistência a
são resistentes porém, algumas espécies e raças de
nematoides tem papel importante no seu manejo.
Meloidogyne possuem a habilidade de “quebrar” a
A resistência aos nematoides-das-galhas foi resistência conferida pelo gene Mi.
identificada há mais de 60 anos em um acesso
Assim, faz-se necessário prosseguir na busca
de tomateiro selvagem Solanum peruvianum (PI
de novas fontes de resistência a espécies de
128657). Os genes que contemplam a resistência
Meloidogyne que infectam tomateiros no Brasil. Na
apresentam oito alelos (Mi1 a Mi8), sendo que o
avaliação de 83 acessos e três cultivares (‘Rossol’,
alelo Mi1 é o mais usado nos cruzamentos com
‘Tospodoro’ e ‘Anahu’) de tomateiro (Solanum
cultivares comerciais de Solanum lycopersicum.
secção Lycopersicon) em casa-de-vegetação para
Cultivares de tomateiro portadoras do gene Mi com resistência a M. enterolobii, realizada pela Embrapa
resistência a M. incognita, M. javanica e M. arenaria Hortaliças 65 dias após a inoculação, foi observado
devem ser utilizadas sempre que disponível, pois que os acessos ‘CNPH-0854’, ‘CNPH-1510’, ‘CNPH-
este gene limita a reprodução destas espécies de 0378’, ‘Rossol’ (com o locus Mi) e ‘CNPH-0969’
Meloidogyne em plantas de tomateiro e em outras foram resistentes a M. enterolobii, enquanto o
espécies cultivadas. Contudo, essa resistência pode acesso ‘CNPH-1543’ foi altamente resistente. Todos
ser ineficaz em temperaturas elevadas do solo (acima os demais acessos testados apresentaram elevada
de 30º C), e muitas vezes não conferem resistência a suscetibilidade à espécie inoculada. A confirmação de
populações geograficamente isoladas do nematoide. acessos de tomateiro apresentando níveis elevados
de resistência a M. enterolobii abre a perspectiva de
Instituições de pesquisa nacionais e internacionais
descobertas de novos genes (ou alelos) de resistência
utilizam o gene Mi para o desenvolvimento de
em Solanum (secção Lycopersicon).
cultivares resistentes, pois a reprodução de
Meloidogyne spp. em plantas de tomateiro é limitada Em outro trabalho, na avaliação de 25 linhagens
com a presença deste gene. pertencentes a 10 progênies do programa de
Manejo de nematoides na cultura do tomate 7
melhoramento da Embrapa Hortaliças, 45 dias stramonifolium Jacq, Solanum. spp., S. paniculatum
após a inoculação, foi observado que as linhagens L e S. subinerme Jacq coletadas em diferentes
629(F7)Mi, 640(F7)Mi, 512(OP)PST e 512(OP)Mi regiões do país. Sessenta dias após a inoculação
comportaram-se como resistentes a M. incognita as plantas foram avaliadas, e foi observado que S.
raça 1. Já as linhagens 634(F7), 640(F7)Mi, asperolanatum, S. stramonifolium e Solanum spp.
647(F7)Mi 554(F8), 551(F8), 548(OP)Mi, 536(F9), comportaram-se como resistentes a M. incognita
512(OP)PST e 512(OP)Mi apresentaram reações de raça 1, enquanto S. straminifolium, S. paniculatum
resistência à M. javanica. e S. subinerme foram resistentes a M. enterolobii.
Assim, este trabalho abre perspectivas futuras
De acordo com o Registro Nacional de Cultivares do sobre a utilização destas espécies em enxertia no
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tomateiro, pois os danos causados por M. enterolobii,
existe inúmeras cultivares de tomateiro industrial e sua rápida disseminação e os relatos de sua
para mesa registradas com resistência a principais ocorrência em praticamente todo o território brasileiro
espécies de nematoide-das-galhas prevalecentes vêm se intensificando em diferentes culturas,
no país. Porém, as especificações de resistência principalmente em hortaliças. Além disso, ainda não
não são tão claras em relação às espécies e raças existe no Brasil porta-enxertos, híbridos ou cultivares
em que os cultivares são resistentes, indicando de solanáceas com resistência a esta espécie.
apenas que a resistência contempla nematoides ou
designa a espécie sem identificar que tipo de raça é No ano seguinte foi avaliado as mesmas espécies
contemplada (Tabela 1). de solanáceas silvestres para M. javanica e para a
mistura populacional de M. javanica e M. incognita
Enxertia raça 1, e observou-se que S. stramonifolium, S.
paniculatum e S. subinerme foram resistentes
Juntamente ao uso de cultivares resistentes, a a M. javanica e a mistura populacional de M.
enxertia tem sido utilizada em hortaliças no Brasil, incognita raça 1 e M. javanica. Vale ressaltar que
principalmente em plantas da família Solanaceae as espécies S. stramonifolium, S. asperolanatum e
como o tomate. Plantas de tomateiro apresentam S. paniculatum apresentam afinidade para uso na
características que possibilitam a enxertia, cujo enxertia em tomateiro. Desta maneira, constata-se
objetivo principal é obter resistência a patógenos o potencial uso destas como porta-enxerto em áreas
que habitam o solo, como Pyrenochaeta lycopersici de cultivo infestadas com as espécies M. incognita e
R. Schneider et Gerlach, Fusarium oxysporum M. enterolobii. Todavia, o conhecimento dos genes
Schlecht, Ralstonia solanacearum (Smith) Yabuuchi, envolvidos nas reações de resistência das solanáceas
Verticillium albo-atrum Reinke and Berth, entre outros silvestres avaliadas ao nematoide-das-galhas, M.
e principalmente aos fitonematoides. incognita, M. javanica e M. enterolobii, assim
como os mecanismos de defesa envolvidos nestas
Entre os vários aspectos a serem considerados
interações necessitam de estudos posteriores.
na enxertia, além da resistência do porta-enxerto
de tomateiro aos nematoides e outros patógenos Na avaliação de oito porta-enxertos comerciais
de solo, a compatibilidade entre as espécies de tomateiro para reação a M. enterolobbi, todos
botânicas da combinação enxerto/porta-enxerto é resistentes às principais espécies de nematoides-
de extrema importância. Neste enfoque, plantas das-galhas (M. incognita, M. javanica e M. arenaria),
silvestres pertencentes à família Solanaceae têm existentes no Brasil, em trabalho realizado pela
sido estudadas na Embrapa Hortaliças em relação Universidade Estadual Paulista, foi observado que
à resistência a doenças de solo como murcha todos os porta-enxertos avaliados comportaram-
bacteriana (R. solanacearum), murcha de fitóftora se como suscetíveis a M. enterolobii com fatores
(Phytophthora capsici Leonian), murcha-de-fusário de reprodução que variaram de 11,34 a 18,21.
(Fusarium spp.) e nematoides. Demonstrou-se assim que a resistência conferida
à porta-enxertos comerciais existentes a estas
Desta maneira, na Embrapa Hortaliças em 2009, espécies não contempla M. enterolobii.
foi avaliado em casa-de-vegetação para reação
a duas espécies de nematoide-das-galhas, M. Desta maneira, os trabalhos realizados na Embrapa
incognita raça 1 e M. enterolobii, cinco solanáceas Hortaliças apresentam contribuição relevante
silvestres: Solanum asperolanatum Ruiz & Pau, S. com a identificação de espécies de solanáceas
8 Manejo de nematoides na cultura do tomate
Tabela 1. Algumas cultivares de tomateiro com resistência a nematoides.
Cultivares Empresa Nematoide (Especificação)
Aeté Eagle Nematoides 3
Akrai Híbrido ISLA Nematoides 6
Alambra F1 Clause Vegetable Nematoides 2
Aliança Híbrido Hortec Meloidogyne incognita 5
Andrea Sakata Meloidogyne incognita e M. javanica 9
Andrea Victory Sakata Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica 9
Athena F1 Clause Vegetable Nematoides 2
Baby Italiano Eagle Nematoides 3
Bravo F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Calypso F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Carina TY Sakata Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica 9
CDX 258 F1 Agristar Nematoides ¹
Cereja Shani Agrocinco Nematoides 12
Clarice F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Coco Híbrido Takii Nematoides 11
Colibri F1 Clause Vegetable Nematoides 2
Cordillera Híbrido F1 Feltrin Meloidogyne incognita e M. javanica 4
Débora Max Sakata Meloidogyne incognita e M. javanica 9
Débora Plus Sakata Meloidogyne incognita e M. javanica 9
Débora VFN Sakata Meloidogyne incognita e M. javanica 9
Debora Victory Sakata Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica 9
Delícia Híbrido Sakama Nematoides 8
Delta Hortec Nematoides 5
Densus Várias empresas Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria
Dominador F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Ellen Híbrido F1 Feltrin Meloidogyne incognita e M. javanica 4
Express Agrocinco Nematoides 12
Fanny Várias empresas Nematoides
Fascínio Híbrido F1 Feltrin Meloidogyne incognita e M. javanica 4
Future Agrocinco Nematoides 12
Giovanna F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Giuliana Sakata Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica 9
Gold Agrocinco Nematoides 12
Gourmet Híbrido F1 Feltrin Meloidogyne incognita e M. javanica 4
Granadero F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Guacá Eagle Nematoides 3
HM 7890 F1 Agristar Nematoides ¹
Ibatã Eagle Nematoides 3
IPA 6 Várias empresas Meloidogyne incognita e M. javanica
IPA 5 Várias empresas Meloidogyne incognita e M. javanica
Ivanhoe Agrocinco Nematoides 12
Ivety Sakata Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica 9
Júpiter Hortec Nematoides 5
Kombat Hortec Nematoides 5
Laranja Debbie Híbrido Sakama Nematoides 8
Laura Híbrido F1 Feltrin Meloidogyne incognita e M. javanica 4
Lenda (CLX 37454)F1 Clause Vegetable Nematoides 2
Lumi Sakata Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica 9
Maranguara Eagre Nematoides 3
Marguerita Híbrido F1 Feltrin Meloidogyne incognita e M. javanica 4
Mariana Sakata Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica 9
N 901 Nunhems Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria 7
Nemo-Netta Agrocinco Nematoides 12
Continua...
Manejo de nematoides na cultura do tomate 9
Tabela 1. Continuação.
Cultivares Empresa Nematoide (Especificação)
Netuno Eagle Nematoides 3
Nicolas Híbrido F1 Feltrin Meloidogyne incognita e M. javanica 4
Pataxó Eagle Nematoides 3
Pêssego Híbrido ISLA Nematoides 6
Pizzadoro Nunhems Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria 7
Plutão Eagle Nematoides 3
Polyana Agrocinco Nematoides 12
Rally F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Red Sugar Híbrido Sakama Nematoides 8
Renata Híbrido Sakama Nematoides 8
Saladete DRW3410 Sakama Nematoides 8
Saladinha Sakata Meloidogyne incognita e M. javanica 9
Saladinha Plus Sakata Meloidogyne incognita e M. javanica 9
San Vito Agrocinco Nematoides 12
Sanni Híbrido F1 Feltrin Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria 4
Santa Adelia Super Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Saturno Eagle Nematoides 3
Serato F1 Agristar Meloidogyne incognita ¹
Siluet Híbrido Syngenta Seeds Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria 10
Sindy Híbrido Sakama Nematoides 8
Supera F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
Supremo Eagle Nematoides 3
Supremo R Eagle Nematoides 3
Takii-92 Híbrido Takii Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria 11
Tallita Agrocinco Nematoides 12
Tinto Nunhems Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria 7
TPC 05542 F1 Agristar Nematoides ¹
TPC 06729 F1 Agristar Nematoides ¹
Tropical Nunhems Meloidogyne incognita, M. javanica e M. arenaria 7
Ty Fanny Várias empresas Nematoides
Tyler Sakata Meloidogyne incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica 9
Tymaxx F1 Agristar Meloidogyne incognita e M. javanica ¹
UG 33402 F1 Agristar Nematoides ¹
UG 8169 F1 Agristar Nematoides ¹
Upiã Eagle Nematoides 3
Vida Valiente Sakama Nematoides 8
Viradouro IPA/Embrapa Hortaliças Meloidogyne incognita e M. javanica
Yapussú Eagle Nematoides 3
Fontes: 1 http://www.agristar.com.br/premium/produto.htm;
2
http://www.clause-vegseeds.com/fr/clause/bresil-135/produits/13-tomate/;
3
http://www.eaglesementes.com.br/produtos.php;
4
http://www.sementesfeltrin.com.br/caracteristicas.php?id=64;
5
http://www.hortec.com.br/produtos.htm;
6
http://www.isla.com.br/cgi-bin/categoria.cgi/semente/tomates?id_grupo=1&id_subgrupo=23;
7
http://www.nunhems.com;
8
http://www.sementesakama.com.br;
9
http://www.sakata.com.br/index.php?action=catalogo&local=br&cultura=4&language=pt;
10
http://www.syntinela.com.br/website/produtos-e-marcas/sementes/rogers/tomate/tomate-hibrido-siluet/;
11
http://www.takii.com.br;
12
http://www.agrocinco.com.br/2010/produtos.asp#tomate
10 Manejo de nematoides na cultura do tomate
silvestres resistentes a M. incognita, M. javanica Tetylenchus, Tylenchorhynchus e Xiphinema.
e M. enterolobii, as quais podem ser utilizadas Além de algumas espécies de Tricodorídeos serem
futuramente como porta-enxertos em plantios associados a cultura bem como Belonolaimus
comerciais. longicaudatus ser um nematoide de importância
quarentenária para a cultura.
Controle químico
O controle químico constitui-se uma alternativa Amostragem
eficiente no controle de nematoides em tomateiro,
embora de alto custo e com forte ameaça ao O correto diagnóstico da espécie de nematoide
ambiente. Não deve ser visto como única e nem envolvida é feito pela análise de amostras de solo
a mais eficaz medida de redução dos níveis e raízes em laboratório especializado, visando
populacionais dos nematoides. Atualmente existem conhecer as densidades populacionais destes
alguns produtos nematicidas registrados para uso organismos no solo, na fase de pré-plantio e
em plantio comerciais de tomateiro, e informações em fases posteriores de desenvolvimento da
a respeito de seus registros e características afins cultura. Na coleta de amostras para análise,
encontram-se disponíveis no sistema AGROFIT pequenas porções de solo, em torno de 200 g
do site do Ministério da Agricultura, Pecuária e algumas raízes deverão compor cada amostra
e Abastecimento (MAPA), cujo endereço para simples. Recomenda-se coletar em torno de 15-
consulta é: http://www.agricultura.gov.br/. 20 amostras simples (subamostras) por hectare.
À medida que se caminha em zig-zag pela área
A utilização de nematicidas está na dependência de suspeita, as subamostras de solo deverão ser
um aumento no valor da produção de pelo menos coletadas em profundidade de 20-30 cm ao redor
três ou quatro vezes o investimento. Entretanto, não das plantas e posteriormente homogeneizadas
deve ser negligenciado o fato de que são produtos (Figura 6). Em seguida, a amostra composta é
altamente tóxicos ao homem e ao ambiente. Em
formada adicionando-se em saco de polietileno
terrenos com alta população de nematoides, após
vários cultivos de plantas suscetíveis, pode ser
necessária a aplicação de nematicidas, visando à
Arte: Ricardo Borges Pereira
redução da população em curto prazo. Recomenda-
se, neste caso, para maior eficiência, que a
aplicação de produtos seja integrada com outras
medidas de manejo, e sob a supervisão próxima de
um engenheiro agrônomo.
É importante salientar que a utilização de apenas
uma medida de controle dificilmente trará resultados
satisfatórios, e a integração das diferentes práticas
certamente levará o produtor de tomateiro a obter
alta produtividade, com vantagens econômicas e
com respeito ao consumidor e ao meio ambiente.
Outros nematoides Figura 6. Esquema de amostragem em áreas cultivadas com
tomate suspeitas de contaminação por fitonematoides.
Na literatura, as informações são limitadas para
a ocorrência de outros nematoides na cultura
cerca de 400-500g de solo homogeneizado e 200-
do tomateiro. Outros gêneros de nematoides
300 gramas de raízes coletadas aleatoriamente.
associados a tomate, em determinadas condições
A amostra composta deve ser identificada e
ambientais, podem afetar significativamente o
enviada para um laboratório especializado. Para
crescimento das plantas, mas causam danos
áreas extensas e irregulares, é recomendável
generalizados de pouca importância econômica.
sua divisão em quadrantes e retirar uma amostra
Estes são Rotylenchulus, Helicotylenchus,
composta por quadrante. Caso não seja possível
Hemicycliophora, Longidorus, Nacobbus,
enviar as amostras no mesmo dia, estas devem ser
Paratylenchus, Radopholus, Rotylenchus,
Manejo de nematoides na cultura do tomate 11
armazenadas e mantidas em temperaturas entre CANTU, R. R.; WILCKEN, S. R. S.; ROSA, J. M.
10°C e 15°C, ou deixadas à sombra para que O.; GOTO, R. Reação de porta-enxertos comerciais
não ocorra o ressecamento, que dificulta o correto de tomateiro a Meloidogyne mayaguensis. Summa
diagnóstico em laboratório. Phytopathologica, Jaguariúna, v. 35, n. 3, p. 216-
218, 2009.
Considerações Finais CARNEIRO, R. M. D. G.; ALMEIDA, M. R. A.;
BRAGA, R. S.; ALMEIDA, C. A.; GIORIA, R.
Apesar da maioria das cultivares comerciais Primeiro Registro de Meloidogyne mayaguensis
apresentarem resistência ao nematoide-das-galhas, Parasitando Plantas de Tomate e Pimentão
por serem portadoras do gene Mi que contempla Resistentes à Meloidoginose no Estado de São
resistência a M. incognita, M. javanica e M Paulo. Nematologia Brasileira, Campinas, v. 30, n.
arenaria é importante salientar a importância de se 1, p. 81-86, 2006.
manter essa característica em cultivares lançados
CARNEIRO, R. M. D. G.; MOREIRA, W. A.;
constantemente por empresas e também agregar
ALMEIDA, M. R. A.; GOMES, A. C. M. M. Primeiro
outras características de interesse em cultivares
registro de Meloidogyne mayaguensis em goiabeira
comerciais, como resistência a outras doenças.
no Brasil. Nematologia Brasileira, Campinas, v. 25,
É importante dar seguimento a programas de
n. 2, p. 223-228, 2001.
melhoramento que buscam por fontes de resistência
a Meloidogyne spp., pois o aparecimento de novas CHARCHAR, J. M. Nematoides em hortaliças.
raças de algumas espécies de nematoide-das- Brasilia, DF: Embrapa Hortalicas, 1999. 12 p.
galhas e o surgimento de outras espécies como M. (Embrapa Hortaliças. Circular Técnica, 18).
enterolobii que tem disseminado por praticamente
CHARCHAR, J. M.; BOITEUX, L. S.; GIORDANO,
todo território brasileiro e causado danos em
L. B. Epidemics of Meloidogyne brasilienses on
diversas culturas, principalmente em culturas
processing tomato hybrids carrying the Mi (rootknot
que apresentam resistência a outras espécies do
nematode resistance) gene in Central Brazil. Summa
nematoide-das-galhas.
Phytopathologica, Jaguariúna, v. 30, p. 108, 2004.
Estudos de levantamento de espécies ocorrentes em DROPKIN, V. H. The necrotic reaction of tomatoes
tomateiro no Brasil também devem ser realizados, and other hosts resistant to Meloidogyne: reversal
pois apesar do grande número de citação de by temperature. Phytopathology, Saint Paul, v. 59,
trabalhos envolvendo o patossistema a maioria deles n. 11, p. 1632-1637, 1969.
trata-se da utilização do tomate como testemunha
DUTRA, M. R.; CAMPOS, V. P.; ROCHA, F. S.;
padrão para confirmar a viabilidade do inóculo, ou
SILVA, J. R. C.; POZZA, E. A. Manejo do solo e da
como planta modelo para estudos sobre o ciclo de
irrigação no controle de Meloidogyne incognita em
vida de Meloidogyne.
cultivo protegido. Fitopatologia Brasileira, Brasília, v.
E por último, vale ressaltar a importância do manejo 31, p. 405-407, 2006.
correto com o emprego de várias medidas de FARGETTE, M. Use of esterase phenotype in the
controle integradas juntamente ao uso de cultivares taxonomy of the genus Meloidogyne. 2. Esterase
resistentes, bem como a grande importância da phenotypes observed in West African populations
utilização de mudas sadias evitando dessa maneira a and their characterization. Revue de Nématologie,
disseminação a longas distâncias pelo nematoide. Bondy, v. 10, p. 45-56, 1987.
GILBERT, J. C.; McGUIRRE, D. C. Inheritance of
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incognita in commercial-type tomatoes. Proceedings
AGRIOS, G. N. Plant Pathology. Boston: Elsevier, of American Society for Horticultural Science,
2005. 921 p. Geneva, v. 68, p. 437-442, 1956.
ALMEIDA, M. T. S. C. M.; DECRAEMER, W. GUIMARÃES, L. M. P.; MOURA, R. M.; PEDROSA,
Trichodoridae, família de nematoides vetores de E. M. R. Parasitismo de Meloidogyne mayaguensis
virus, Revisão Anual de Patologia de Plantas, Passo em diferentes espécies botânicas. Nematologia
Fundo, v. 13, p. 115-190, 2005. Brasileira, Campinas, v. 27, n. 2, p. 139-147, 2003.
12 Manejo de nematoides na cultura do tomate
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Dispersão de Meloidogyne mayaguensis em goiabais FURUMOTO, O.; LOPES, C. A.; SILVA, G. O. da.
de São João da Barras (RJ) e relato de novos Reprodução de Meloidogyne incognita raça 1 e
hospedeiros dentre plantas invasoras e cultivadas. Meloidogyne javanica em linhagens avançadas
Nematologia Brasileira, Campinas, v. 27, n. 2, p. de tomateiro industrial. Brasília, DF: Embrapa
257-258, dez. 2003. Resumo apresentado no 24 Hortaliças, 2009. 19 p. (Embrapa Hortaliças.
Congresso Brasileiro de Nematologia, Petrolina. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, 55).
MARANHÃO, S. R. Reação de indivíduos PINHEIRO, J. B.; MENDONÇA; PEREIRA, J. de
segregantes de goiabeira e araçazeiro a S. Solanáceas silvestres: potencial de uso como
Meloidogyne spp. e caracterização de populações porta-enxertos resistentes ao nematóide-das-
atípicas do nematoide. 2001. 96 p. (Dissertação galhas (Meloidogyne ssp.). Brasília, DF: Embrapa
de Mestrado). Universidade Federal Rural de Hortaliças, 2009. 19 p. (Embrapa Hortaliças.
Pernambuco, Recife. Boletim de Pesquisa e Desenvolvimento, 57).
MILLIGAN, S. B. I.; BODEAU, J.; YAGHOOBI, PINHEIRO, J. B.; MENDONCA, J. L. de; SANTANA,
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M. The root-knot nematode resistance gene Mi Meloidogyne incognita race 1 and M. javanica. In:
from tomato is a member of the leucine-zipper INTERNATIONAL HORTICULTURAL CONGRESS,
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MOURA, R. M. O Gênero Meloidogyne e a ROSSI, M.; GOGGIN, F. L.; MILLINGAN, S. B.;
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2009 18 p. (Embrapa Hortaliças. Boletim de
Pesquisa e Desenvolvimento, 56).
Comitê de Presidente: Warley Marcos Nascimento
Circular Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na
Embrapa Hortaliças Publicações Editor Técnico: Ricardo Borges Pereira
Técnica, 132
Rodovia BR-060, trecho Brasília-Anápolis, km 9 Supervisor Editorial: George James
C. Postal 218, CEP 70.351.970 – Brasília-DF Secretária: Gislaine Costa Neves
Fone: (61) 3385.9000 Membros: Mariane Carvalho Vidal, Jadir Borges
Fax: (61) 3556.5744 Pinheiro, Fábio Akiyoshi Suinaga, Ítalo
E-mail:
[email protected] Moraes Rocha Guedes, Carlos Eduardo
Pacheco Lima, Marcelo Mikio Hanashiro,
1ª edição Caroline Pinheiro Reyes, Daniel Basílio
1ª impressão (2014): 1.000 exemplares Zandonadi
Expediente Normalização bibliográfica: Antonia Veras
Editoração eletrônica: André L. Garcia