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INSTITUTO CIDADE DE DEUS “Coleciio y Avpomoné Etapa 5 VOLUME 4 : {| Editora | Cidade de Deus CoLEGAo HyPOMONE Etapa 5 VOLUME 4 2? edi¢do FICHA CATALOGRAFICA — Instituto Cidade Deus Colego Hypomoné: Etapa 5 / Instituto Cidade de Deus - So Carlos: Editora Cidade de Deus, 2021. 1. Material Didatico 2, Religido Catélica 3. Educagio Catélica |. Instituto Cidade de Deus Il. Titulo Ill, Coles coD~200.71 | Proibida toda e qualquer reproduczo desta edicio por qualquer meio ou forma, sea ela eletrGnica ou mecénica,fotocépia, gravesio ou qualquer outro meio de reproduséo, sem permissSo expressa do Instituto Cidade de Deus. Todos os direitos reservados. EDITORA CIDADE DE DEUS Rus Nove de Julho, 2590 - Centro ‘0 Carlos - SP —Brasil- CEP: 13560-560, wuweditoracidadededeus.com Sobre a rapa NOSSA SENHORA DO CARMO. (16 de julho) A Sagrada Escritura celebra a beleza do Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a pureza da f& de Israel no Deus vivo. No século XII, alguns eremitas foram viver nesse monte e, mais tarde, constituiram uma Ordem de vida contemplativa sob 0 patrocinio da Santa Mae de Deus, Maria, Em 16 de julho de 1251, Sao Simao Stock (superior geral dos monges carmelitas) estava imercedendo com o Tergo, quando Nossa Senhora apareceu com um escapulario na mao e disse- Ihe: “Recebe, meu filho, este escapulério da tua Ordem, que serd o penhor do privilégio que eu aleancei para ti ¢ para todos os filhos do Carmo. Todo 0 que morrer com este escapulario sera preservado do fogo eterno” Varios Papas promoveram o uso do escapubirio e Pio XII chegou a escrever: “Devemos colocar em primeiro lugar a devogdo do escapulirio de Nossa Senhora do Carmo ~ ¢ ainda — escapulirio no € ‘carta-branca’ para pecar; é uma ‘lembranga’ para viver de maneira cris assim, alcangar a graga duma boa morte” Nossa Senhora do Carmo, rogai por nés! Cros Ee Ov Erg Ory COOK COE CVO CaO Gr Cpe Gger eer eich Sumario Estudo Sagrado.. sessnennnnreseee HL Semana 1... 13 Doutrina Sagrada... 13 Amizade com Deus seen . 16 A vida de Jesus... 18 Semana 2 20 Doutrina Sagrada Amizade com Deus A la de Jesus Semana 3... Doutrina Sagrada... Amizade com Deus Vida de Jesus Semana 4. Doutrina Sagrada, Amizade com Deus Vida de Jesus Lingua Portuguesa Gramatica Verbo. 49 Estrutura dos verbos - 51 Conjugagdes verbais 53 Flexao dos verbos 34 Flexaio de tempo — Os tempos naturais dos verbos... Modos do verbo. - 56 Exercicios.... 37 Minigramatica 60 Avaliagio de Gramatica 6 Produgao de Textos Elementos da Narrativa Narrador. Personagens 68 Tempo 69 Espago .... 69 Enredo..... 69 Enredo .. 69 270 Climax soe 0 Os Discursos da Narrativa.... 7 Discurso Direto. 7 Discurso Indireto 78 Discurso Indireto Livre ... .79 Aprendendo com os Santos e com a Igreja! sn. 83 Confecgao de minilivro.. 83 1 - Nossa Senhora de Loreto... 84 2 - Um olho por minha Mae....ssernnnnnnnninnnitnnnninintnnnnsnnussisnnneee 88 3 - Oito motivos para visitar 0 Museu Nossa Senhora Aparecida .. 4 - Compaixao da Virgem na morte do Filho (parte IV), Sagradas Escrituras ..... Salmo 50, 1-10 Salmo 50, 11-21... 100 Salmo 51... 101 Salmo 52. 102 Leitura Mensal ... 105 Sao Bento, Abade........ 10s Matemiitiea Capitulo 7 - Expressées numéricas com fragdes. om 1s Expressdes numéricas... 11s Capitulo 8 - Leitura e interpretagao de problemas envolvendo fiagBeS...es von IB Avaliagao 123 Ciéneias Capitulo 3 ~ As realidades materiais.... 127 Aula 4 © 5 ~Tecidos w.cscsenen 127 Tecido Epitelial ....ccssensinaneeeee 129 Tecido muscular Tecido Conjuntivo Tecido Nervoso .... Atividades 135 Capitulo 4 ~ Sistemas do Corpo Humano 136 Aula I ~ Sistema Digestério. 136 Etapas da alimentagao: 137 Orgios do sistema digestério: oo soe hove we 137 A alimentagdo e nossa vida espiritual ... 139 Atividades wcrc seonneneees 140 Aula 2 ~ Sistema Respirat6rio... Por que respiramos? Ventilagao Pulmonar sve 143 Caminho do at ...snennnnnnnnnninnnninnnnmneneniienensniets 144 Estruturas do sistema respiratério .... 144 Atividades... 148 Avaliagao anananwnnce seveane sottteeeeesssseeeee 149. Historii Capitulo 13 - As Grandes Navegagées ~ Parte 1 Introdugao. Contexto Histérico. 153 Origem das navegagdes portuguesas nme eeenaneennnssee 1S Fatores que levaram os portugueses as grandes navegagdes. 155 O aperfeigoamento das técnicas de navegagao.. . 155 Atividades.... i sennecee sevtnnseen 15S Capitulo 14 - As Grandes NavegagGes ~ Parte 2 156 156 D. Henrique, o Navegador. Escola de Sagres... Exploragao da costa africana e a construgdo de Feitorias Périplo Africano A navegagao nos séculos XV e XVI. 158 Atividades 158 Capitulo 15 - Cristévao Colombo ... ae esses . 159 Colombo, 0 Descobridor Atividades oe Capitulo 16 - A Igreja Catolica e a Expansao. Tratado de Tordesilhas.. Consequéncias das Grandes Navegagées... Atividades... Avaliagao. 164 Geografia, Capitulo 14 - Monges na agricultura..... 167 Reforgando o Saber .... 170 Capitulo 15 - Agricultura no Feudalismo ... Reforgando o saber Capitulo 16 - Agricultura na atualidade... Reforgando o Saber... Avaliagao Arte. Atividades Exercicio 1: “Aparigdes de Nossa Senhora.. Exercicio 2: “Festa de Corpus Christi” . Oracies para antes dos estudos Sinal ba Genz Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos, Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos Em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo. Amém. PaiNosso Pai Nosso que estais nos céus, santifieado seja 0 vosso Nome, venha a nés 0 vosso Reino, seja feita a vossa vontade a: terra como no céu. O pao nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas assim como nés perdoamos a quem nos tem ofendido, e no nos deixeis cair em tentagaio, mas livrai-nos do Mal. Amém. Ave Maria Ave Maria, cheia de graga, 0 Senhor & convosco, bendita sois vés entre as mulheres e bendito € 0 fruto do vosso vente, Jesus. Santa Maria, Mie de Deus, rogai por nés, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém, im na Hinde Espirit Santo de Espirito Santo, enchei os coragées dos Vossos figis e avendei neles 0 fogo do Vosso Amor. Enviai 0 Vosso Espirito € tudo sera criado e renovareis a face da terra, Oremos: O Deus que instruistes os coragdes dos vossos figis, com a luz do Espirito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo 0 mesmo Espirito € gozemos sempre da sua consolagao. Por Cristo Senhor Nosso. Amém. Signum Sanctae Crucis Per signum Crucis, de inimicis nostris, libera nos Deus noster, In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti Amen. Pater Noster Pater noster, qui es in caelis; sanctificétur nomen tuum; advéniat regnum tuum; fiat voltintas tua, sicut in caelo et in terra Panem nostrum cotididnum da nobis hédie; et dimitte nobis débita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris; et ne nos indiicas in tentatiénem; sed libera nos amalo. Amen Ave Maria Ave, Maria, grétia plena, Dominus tecum, benedicta tu in muliéribus, et benedictus fructus ventris tui Jesus. Sancta Marfa, Mater Dei, ora pro nobis peceatéribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen. Roni Suncte Spiritus Veni Sancte Spiritus reple tuérum corda fidélium, et tu améris in eis ignem accénde, Emitte Spiritum tuum et creabiintur. Et renovabis faciem terrae, Oremus: Deus, qui corda fidélium Sancti Spiritus illustratiéne docuisti da nobis in edem Spiritu recta sapere, et de ejus semper consolatine gaudére. Per Christum Déminum nostrum, Amen, OOOO EVO OOD EEOC CIEE OO CIOIOI OI OOOO OE CHE CI OOo CeO CCE OCs Oo Ga Oo Cv Oa Ga Gre 10 COOP ODE IOI OIE CHOOT CONE COO s OVC Ea Ca ei ciao 12 Semana 1 BAoutrina Sagrada Jesus Cristo é Deus e homem? Sim, Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Jesus Cristo é verdadeiro Deus ¢ verdadeiro homem. E verdadeiro Deus porque é a segunda Pessoa da Santissima Trindade, Filho de Deus. E verdadeiramente homem porque tomou tudo 0 que ¢ proprio do homem, isto €: corpo e alma. E verdadeiro Deus ¢ verdadeiro homem porque na Sua tiniea Pessoa uniu a natureza divina e a natureza humana, a divindade e a humanidade. Jesus foi anunciado pelos profetas como Deus obrador de prodigios. Isaias anunciou a significa Deus conosco!. © mesmo profeta anunciava: “O mesmo Deus vird, ¢ ele (0 se abrirdo os olhos dos cegos e se desimpedirao os ouvidos dos surdos. Ent&o a lingua dos mudos.”? Emanuel, que vos salvara, Ei saltaré 0 coxo com 0 veado, e desatar-se- Assim também anunciou 0 Arcanjo Gabriel a Santi Virgem: “Nao temas, Maria, pois achastes graga diante de Deus: eis que conceberis no teu ventre e daras a luz um filho, e por-Ihe~is o nome de Jesus, este seré grande, seré chamado Filho do Altissimo, ¢ 0 Senhor Deus Ihe dard o trono de seu pai Davi, e reinar eternamente na de Jacé, ¢ o seu reino nao tera ima ca fim.” Disse-o 0 Pai celeste no Batismo e na Transfiguragao de Jesus ¢ em outras circunstncias. Figura } Jesus Cristo disse, de muitas maneiras, que é Deus, portanto, ou é verdadeiramente Deus, ou é um impostor. Or vida de Jesus Cristo, a Sua bondade, a Sua humildade, a Sua doutrina, a Sua morte. Que é que revela em todos os Seus atos em casa um deles? Merece fé? Sim, Jesus Cristo merece plena fé, a Sua vida revela tal retidao, que somos forgados a dizer: “Creio na sua palavra”. Considerai mais atentamente Sua vida, Nao é a vida de um simples homem, mas de um Deus, ou melhor, de um considerai a Homem-Deus. Esta verdade manifesta-se continuamente na vida de Jesus Cristo: nasce na mais profunda humildade, mas 0 céu saiida-o, anuncia-o Deus. Aparece na cabana de Belém como simples filho de Maria, mas os pastores, primeiro, e depois os Magos, chamados de maneira prodigiosa ao seu bergo, adoram-no como Messias. E apresentado como homem no templo, Simedo ¢ Ana anunciam- * Isaias 60, 1 * Lucas 1, 30-34 no o Esperado das nagdes. Foge para o Egito, mas, pobre menino, faz tremer os poderosos cercados de exércitos. Dirige-se, aos doze anos, ao templo, ¢ revela ai uma sabedoria ndo humana, ¢ diz. que Deus ¢ Seu Pai. F batizado no Jordao, o eterno Pai proclama-O Seu Filho. E para terminai na cruz, mas a terra estremece, o sol obscurece-se durante trés horas, como que a chorar a morte de um Deus. Jesus Cristo revela-se em tudo Deus e Homem. Fala, anda, prega como Homem; mas tam claramente que nao é simples morre a Sua doutrina, os Scus ensinamentos, as Suas obras mat homem, mas Deus. © gue é a unio hipostatica? O termo “unio hipostatica” € usado em teologia para se referir a forma como Deus ¢ a humanidade esto unidos em Jesus Cristo. Nao ¢ possivel, porém, entender 0 mistério dessa unio sem antes entender um outro mistério: o da Encarnagiio. Existem duas —_naturezas: humana e divina. Entre uma e outra hé um abismo, uma distancia intransponivel entre 0 homem e Deus. Tal distdncia jé existia antes do pecado original, e este somente @ aumentou. A distincia entre Criador ¢ criatura faz parte da natureza das coisas. Nao © ser humano jamais chegara até rado dizer que sozinho Deus, ainda que empreenda os Fiewra 2 maiores esforgos. E impossivel e qualquer esforgo humano nesse sentido ¢ semelhante &Torre de Babel. Ao homem, portanto, s6 resta clamar misericérdia e pedir a Deus que venha. Ele veio. Deus veio ao encontro do homem. No entanto, pelo fato de Deus ser uma realidade tao portentosa, magnifica e poderosa, nao poderia simplesmente “aparecer", pois isso. se suportavel para a humanidade. A Sua gldria ¢ tamanha que se ela se manifestasse plenamente, as criaturas se diluiriam em Deus. Nao seria possivel ao homem suportar to grande majestade ia Deus resolveu esse problema se encarnando no seio de Maria. Uma das pessoas da Santissima Trindade (0 F divindade estao unidas numa espécie de casamento. A analogia é perfeita, pois naquele, os dois se realidades continuam distintas. lho) se fez homem, de tal forma que em Jesus Cristo a humanidade e a tornam uma sé came, mas as duas E possivel dizer também que Ele & o proprio casamento, na casamento entre Deus ¢ 0 homem. Os que estavam infinitamente separados, agora em Jesus esto unidos, mas no de modo que a humanidade desaparega. Ela permanece. 0 somente o Esposo. Ele é 0 A palavra “hipostases" em grego ¢ usada para designar “pessoa”; porém, é mais forte que o substancial. Assim, a unido entre © termo latino “persona”, pois recorda que se trata de uma relac: Deus e 0 homem nao se da de forma acidental, como se Deus assumisse a humanidade como uma pessoa coloca acidentalmente brincos, peruca, chapéu, cachecol... Nao, A humanidade de Cristo tem como substrato a pessoa do Verbo Eterno. Nao se trata de uma unido acidental, portanto, mas 14 substancial. Desse modo, existe um so Filho: Deus ¢ homem ao mesmo tempo. A unio entre as duas naturezas na pessoa de Jesus Cristo é substancial. O mistério da unigio hipostatica se reverte em graca santificante para a humanidade, pois, pela humanidade de Cristo, pode ser também ela unida divindade, mesmo que de modo acidental. Trata-se de uma graga incomensuravel de Deus para com sua criatura que jamais seria capaz de transpor 0 abismo que a separa de seu Criador de quem tudo brota e de onde vem a salvagao. (Disponivel em: htips:/ipadrepauloricardo.org/episodios/o-que-e-a-uniao-hipostatica - adaptado) Amizade com Dens O AMOR DE DEUS 5. O amor de Jesus Cristo urou-se a turba de 0 de servidao pelos seus malfeitos contra o Rei. Em verdade eles ndo mereciam a graga do monarea, porque o seu Uma vez 0 filho de um Rei, saindo do seu palicio ¢ casa real, mi escravos de seu pai. Os escravos eram gente ma, que padecia aquela condig crime era dos mais refinados; mas, quando o filho do Rei se misturou a eles ¢ vestiu as vestes deles, o Rei se aplacow e dispés-se a recebé-los em sua graga e depois no seu reino, com a condigao de os vassalos desleais lutarem e vencerem os inimigos do grande Rei, que também eram inimigos dele. Entao o filho do Rei vestiu toscos acessérios militares, ¢ todos os que quiseram lutar juntamente com ele vestiram-se a semelhanga dele. Venceu o Principe, depois de receber fundas feridas, e com Ele venceram os vassalos bons que em companhia dele lutaram, Os vencedores, a cuja frente ia o Principe, entraram na participagao e gozo do reino. Ao receber o Rei seu Filho vencedor, disse-Ihe: — Com esses ornatos ¢ vestes de meus escravos queres entrar no nosso reino, meu filho? im, Pai, com estes ornatos que sao meus, desde o momento que os escolhi. — Aguarda que os abrilhantemos e decoremos, — disse o grande Rei Alguns servidores do palicio esfregaram e poliram a achatada armadura, limparam o sangue ¢ barro, compuseram e deixaram como um ouro as vestes, ¢ 0 Principe, entrando assim no seu reino, estava tio maravilhosamente belo, que cativava os coragdes Com esta parabola significo-vos a gloriosa humanidade de Cristo depois que, ressuscitado, subiu aos Céus. Ali esté Ele agora, e estar para sempre, gozando do fruto da sua vitéria, Na sua paixio amassaram-lhe a armadura, seu corpo, enchendo-o de sangue; mas, entrando no seu Reino, Ele nao a abandonou, nao deixou a came humana de que estava revestido para lutar pela nossa salvagiio; antes, decorado, abrilhantado, refulgente, belo, permanece € permaneceri, cativando com 0 olhar ¢ atraindo os coragdes dos que, a seu Jado, com Ele © por Ele pelejaram neste mundo. Eu vos dizia que Deus parece estar longe de nés porque nao o vemos, e que por isso talvez achasseis 0 seu amor um pouco aéreo, ¢ pudésseis ter aparente escusa de vos chegardes a um Ser tio distante e to sublime. Mas agora no pode haver sombra de escusa, pois Cristo esti conosco Tem olhos como os nossos; bragos € corpo como os nossos, € amamos infinitamente. E: 0 nosso Chefe que venceu na figura 3 - Teus bracdes abrem-se para nos cruz, © Filho do Rei vestido das nossas vestes, mas _«eitar ao tev peta por ena aber da 16 vestido gloriosamente, recamado de pedrarias. Como és belo, meu Jesus! Teus cabelos, com que prendes os nossos coragdes, caem em cachos divididos como madeixas de ouro em fio, teus olhos sio como resplendores do céu, ¢ 0 teu semblante e a tua boca sagrada pedem que os beijemos com imenso amor....Teus bragos abrem-se para nos estreitar ao teu peito, por cuja abertura da chaga do lado mostras 0 teu coragao amante, Embora eu seja indigno disto, quero juntar teu rosto ao meu, teu Corago ao meu, como fez uma crianga amante com sua mae. Ato de Garidade Eu vos amo, meu Deus, de todo 0 ‘meu corag@o e sobre todas as coisas, porque sois infinitamente hom e amével, ¢ antes quero Deus meus, ex toto corde amo te“ super émnia, quia es infinite bonus et infinite amdbilis; et ob amérem Tui préximum meum diigo sicut meipsum, eique, si quid in me offéndit, ignésco. perder tudo do que vos ofender. Por amor de vis amo ao meu 5) préximo com a mim mesmo. Amem. A wida de Jesus CAPITULO V Donatistas e Santo Agostinho - Pelagio ¢ seus erros - Morte de Santo Agostinho - Nestério eo terceiro Concilio Ecuménico - Fim de Nestério - Eutiques ¢ o quarto Concilio Ecuménico. Donatistas e Santo Agostinho Os Donatistas que tinham sido condenados solenemente no Coneilio de Latrdo, no pontificado de Sdo Melquiades, sossegaram por algum tempo; porém pouco depois voltaram mais furiosos que ant os demais objetos tinham sido batizados, tratando cruelmente os que nao queriam consentir nisso. A Providén porém, suscitou, na pessoa de Santo Agostinho, um bispo esclarecido por sua santidade e doutrina, que devia vencé-los e, juntamente, outros hereges. Apoderaram-se & mo armada das igrejas, saquearam e destruiram os altares ¢ sagrados, e sua impiedade chegou até batizarem de novo, ¢ a forga os que ja Nasceu em Tagaste, cidade da Africa no ano 354, e durante a juventude levou uma vida desregrada. Deus, porém, que o chamava para grandes c: Monica, ¢ o atraiu a si de um modo extraordindrio, Tendo ido a Millio, chamado pelo Imperador para dar ligdes piiblicas de eloquéncia, ia com freqiléneia, por mera curiosidade, ouvir Santo Ambrésio, que tinha fama de grande orador. Enquanto a graga divina ia abrindo caminho em seu coragdo um fato maravilhoso o resolveu a fazer-se definitivamente cristo. Passeava um dia em um jardim, quando ouviu uma voz que vinha do céu e que dizia: "Agostinho, Agostinho, toma e e” tas palavras, dirige-se maquinalmente para uma mesa, toma o primeiro livro as, ouviu as oragées de sua mae Santa ie Admirado por es que Ihe cai a mao, abre-o ¢ encontra aquelas palavras de So Paulo, que dizem: "Nem os impudicos, nem os gulosos alcangario o Reino dos Céus." Desde esse momento mudou-se o corag’o de Agostinho, e convencido da vaidade das grandezas humanas, resolveu fazer-se crist Na idade de trinta anos recebeu em Milo o batismo das maos de Santo Ambrésio. Quando voltou a Aftica, se dedicou a oragio e ao estudo, ¢ progrediu tanto na ciéneia ¢ na virtude, que foi ordenado sacerdote e depois bispo de Hipona. Trabalhou sem descanso para fazer voltar os donatistas para o seio da Igreja, © conseguiu converter grande numero deles. Mas os que permaneceram no erro, mais enfurecidos que nunca, armaram insidias contra ele, e teria sido vitima de sua perfidia, alvo_ uma se 0 nao tives especial protegao do céu. Os bispos catélicos, aflitos por ess males, propuseram aos hereges uma —_conferéncia ptiblica. Por isso todos os bispos Figura 4. Santo dgostinho da Africa, donatistas ou catdlicos, receberam a ordem de ir a Cartago. Para abreviar as discusses € deixar livre 0 campo a todos para que expusessem suas razbes, escolheram sete bispos de ambas as partes, para que conferenciassem entre si em nome de todos. Santo Agostinho foi um dos eleitos para defender a causa dos catélicos, Depois de estar inteirado da questao, apoiado na autoridade dos livros santos, provou evidéncia que o bispo legitimo de Cartago era Ceciliano, que era valida sua ordenagao e feita conforme todas as leis da Igreja, que por conseguinte nao havia motivo algum para romper a unidade da Igreja, e que ndo restava outro recurso aos donatistas, para entrar no caminho da salvag&o, que o de voltar para o seio da Igreja Catdlica, Os bispos cisméticos nada tiveram a opor, ¢ 0s povos que tinham confundido até entdo 0 erro com a verdade, voltaram em grande parte, depois desta reunio, ao seio da Igreja. Ano 411 Semana 2 outtina Sagrada Por que é que o Filho de Deus se fez homem? O Filho de Deus se fez homem para nos salvar, reconquistar o paraiso. to é, para nos remir do pecado © nos Que fez Jesus Cristo para nos salvar? Jesus C isto para nos salvar ofereceu-se por nossos pecados, sofrendo e sacrificando-se sobre a cruz, ¢ ensinou-nos a viver segundo Deus. Considerando que o Filho de Deu € que Ele, Deus Etemno, infinitamente feliz, se humilhou & nossa condigdo, fazendo-se homem? Jesus significa Salvador, homem para nos salvar. Salvar quer dizer livrar de algum mal. Jesus salva-nos de dois modos: Redime-nos do pecado, reconquista-nos o Paraiso. Nenhuma criatura nos poderia livrar do inferno, que merecemos com 0 pecado, nem nos reconquistar o direito bem-aventuranga no Paraiso. O Filho de Deus, na sua infinita bondade, teve piedade de nds, fez-se homem para nos salvar, para nos remir do pecado, fez homem, ocorre naturalmente perguntar: Porque assim como o Seu nome o significa, Jesus fez- para nos livrar do inferno, merecido por nés com o pecado, para nos reconquistar 0 direito ao Paraiso. Fez-se homem, pad €, por conseguinte, néio podia adquirir merecimento algum para nds. Como homem, padeceu e morreu na cruz; padeceu e morreu voluntariamente. Como Deus, conferiu aos um valor infinito; ofereceu-os a justiga do Pai e assim nos reconquistou o direito ao Paraiso. como Deus, ndo podia padecer nem morrer ue morreu na cruz, pois seus merecimentos Além disto ensinou-nos a viver segundo Deus, isto é, ensinou-nos tudo 0 que devemos cret © praticar para agradarmos a Deus e merecermos 0 Paraiso, depois desta vida. Figura 5 20 Plor que foi ueressdviv o saccificio de Crista? O sacrificio de Cristo foi necessério para 0 perddo dos nossos pecados. A grande tentagio que Ele sofreu do deménio foi a de rejeitar a vontade do Pai. Mas Cristo resistiu até o fim, e bebeu © cilice da Paixdo até a iltima gota para nos salvar. Quando Pedro o quis livrar da cruz, ele lhe ‘0s teus pensamentos nao so os de Deus”. E no Horto das ele Célice de dor, mas pediu que fosse feita a disse: “af a-te de mim Satanas, poi Olive Vontade do Pai e nao a d’Ele. ele suplicou ao Pai que afastasse dele aq Diante do sacrificio de Cristo, nao devemos olhar o Pai como um carrasco a exigir a morte do Filho amado, no, De um modo misterioso para nés, Sacrificio de Jesus satisfez a Justiga de Deus Pai, porque por seu sacrificio o plano original para a humanidade foi restaurado; a Justiga de Deus foi satisfeita; Alguém pagou o preco das nossas faltas, e agora podemos nos apresentar diante de Deus, reconciliados. Deus é Pai, mas ndo ¢ paternalista, como um pai que nao faz conta dos erros dos seus filhos, burlando a justiga. A Justiga perfeita de Deus exige que o mal seja reparado, da mesma forma que nés fazemos com os que cometem crimes. Para entender o ficio de Jesus para a remissio dos pecados da humanidade, € preciso entender que uma ofensa tem a sua gravidade de acordo com a honra da saci pessoa ofendida. essa forma, quando o homem pecou contra Deus, ele nao pode mais resgatar a sua culpa diante da Justiga de Deus, porque a sua culpa se tornou infinita. O Catecismo da Igreja diz que: “nenhum homem, ainda que o mais santo, tinha condigdes de tomar sobre si os pecados de todos os homens e de oferecer-se em sacrificio por todos” (§ 616). Figura 6 Como, entdo, nenhum homem poderia oferecer a Deus um sacrificio (Infinito) que fosse suficiente para pagar pelos pecados dos homens, entdo, Jesus. no Seu amor, assumiu O Verbo de Deus bendito apresentou-se para assumir a nossa natureza e nos salvar, pois, Ele sendo Deu infinita que nossos pecados provocaram contra Deus: poderia, como homem, oferecer a Deus um sacrificio de valor Infinito ¢ restaurar a ofensa e nem sacrificio nem oblagao, mas Nao quis me formaste um corpo. Holocaustos e sacrificios pelo pecado nao te agradam. Entéo, eu disse: Eis “Eis porque, ao entrar no mundo, Cristo diz: que venho (porque é de mim que esta escrito no rolo do livro) venho, 6 Deus, para fazer a Tua vontade ($1 39.7s)” (Hb 10, 7). O nosso Catecismo explica, entio: “A existéncia em Cristo da Pessoa Divina do Filho, que supera e, ao mesmo tempo, abraga toda: de toda a humanidade, toma possivel 0 Seu sacrificio redentor por todos” (§ 617). s pessoas humanas, € que o constitui Cabs A Igreja explica que a morte violenta de Cristo nao foi o resultado do acaso num conjunto cias. Ela faz parte do mistério do projeto de Deus, como explicou Sao Pedro “Ele foi entregue segundo o designio determinado e a presciéncia de Deus” 10 significa que “os que tinham entregue Jesus & morte tenham sido apenas (Cat, §599). Cada um que cooperou para a morte de Cristo, agiu com toda liberdade e responsabilidade, ¢ ninguém foi infeliz de circuns no dia de Pentecostes (At 2,23). Mas isto executores passivos de um roteiro escrito de antemio por Deus obrigado a participar disso. Catecismo explica que: “Para Deus, todos os momentos do tempo esto presentes em sua atualidade. Ele estabelece, portanto, Seu projeto eterno de “predestinagao” incluindo nele a resposta livre de cada homem & sua graga” ($600). Isto deixa claro. que nao existe “o destino” do qual nds seriamos es wos. © Senhor Jesus se ofereceu em nosso lugar. Assim como aquele cordeiro substituiu Isaac no sacrificio de Abrado, da mesma forma Cristo, 0 Cordeiro de Deus, nos substituiu na cruz. O sacrificio de Jesus Cristo foi tnico e suficiente. “Cristo ofereceu pelos pecados um imico sacrificio (...). Por uma s6 oblagao Ele realizou a _perfeigio definitiva daqueles que recebem a santificagao” (Hb 10,12-14). J4 no & mais necessario novos sacrificios. Cristo morreu uma s6 vez, e ressuscitou a0 terceiro dia, e hoje no céu, intercede por nds diante de Deus. Figura 7. Jesus, o Cordeiro de Deus (Retirado do livro: “O Segredo da Sagrada Eucaristia”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas). Amizade com Dens O AMOR DE DEUS: . O amor de Jesus Cristo (continuagao) Como és belo, meu Jesus! Teus cabelos, com que prendes os nossos coragées, caem em cachos divididos como madeixas de ouro em fio, teus olhos so como resplendores do céu, € 0 teu semblante ¢ a tua boca sagrada pedem que os beijemos com imenso amor....Teus bragos abrem- se para nos estreitar ao teu peito, por cuja abertura da chaga do lado mostras o teu cora¢o amante. Embora cu seja indigno disto, quero juntar teu rosto ao meu, teu Coragéio ao meu, como fez uma crianga amante com sua mae. ‘as guloscimas do carinho stio do gosto de Nosso Senhor. Pode ser que haja entre vés algum tolinho que diga: Mais respeito! Era uma vez um menino que se chamava Paulo, e esse Paulo era muito circunspecto. Cumprimentava dando a mao de Jonge; aos seus intimos tratava de vés. Circunspecto era-o em demasia... Até com seus pai sem embargo, dizia que os amava muito, A maneira de Ihes mostrar esse carinho era algo singular: de longe, sempre de longe, levava 0 dedo indicador “a frontee, dobrando a cintura, fazia uma reverés oera: ia para a direita, outra para a esquerda e outra no meio: trés reveréncias. Era esse o sinal do jor carinho. Sua mae estava desgostosa e dizia: — Paulo, meu filho, € assim que mosiras que nos amas? — Mamie, — respondia 0 menino—amo-os muito, mas Ihes Figura 8. Quando Ele andava pelo mundo, afagava as eriangase queria que mo respeito. — E — elasse acercassem d'Ele; agora quanto co amor, Ele ndo variow em minima tenho muitiss tornava a dobrar a cintura para a <%s direita, para a esquerda e no meio. Algo semelhante fazem os meninos que, por um respeito mal-entendido, ndo ousam dizer a Jesus as palavras carinhosas que os amanites dizem. Muita reveréneia, ¢ trato de Vés e de longe, mas dizer-Ihe “meu amor” ¢ essas finezas ¢ franquezas dos que amam...isso ndo: seria falta de reveréncia a tao alta Majestade! Se o amor estivesse de todo brigado com o respeito, esta dificuldade teria algum valor; mas nao o esta tanto como se cré. Um pouco pode estar; mas, diividas sobre se haverd falta de respeito ou falta de amor, prefiro vos inclineis ao excesso de amor, com desprezo do respeito. Ademais, Jesus vos da porta franca para que Ihe tenhais este amor familiar que Ele tanto deseja. Quando Ele andava pelo mundo, afagava as criangas e queria que elas se acercassem d'Ele; e agora, quanto ao amor, Ele nao variou em minima coisa. Isto que eu digo a vés criangas, di-lo- pecadores. ia a vés grandes, ainda que houvésseis sido grandes @ragao Para Obter um Amor Ardente a Nosso Senhor (Santo Agostinho) Vos sois, 6 Jesus, o Cristo, meu Pai santo, meu Deus misericordioso, meu Rei infiniramente grande; sois meu bom pastor, meu iinico bom pastor, meu iinico mestre, meu auxilio cheio de bondade, meu bem-amado de uma beleza maravilhosa, meu pao vivo, meu sacerdote eterno, meu guia para a pétria, minha verdadeira luz, minha santa dogura, meu reto caminho, minha preclara sapiéncia, minha pura simplicidade, minha paz e concérdia; sois, enfim, toda a minha salvaguarda, minha heranga preciosa, minha eterna salvagdo... O Jesus Cristo, amdvel Senhor, por que, em toda a minha vida, amei, por que desejei outra coisa sendo Vés? Onde estava eu quando nao pensava em Vis? Ah! que, pelo menos a partir deste momento, meu coragdo s6 deseje a Vés e por Vs se abrase, Senhor Jesus! Desejos de minha alma, correi, que jé bastante tardastes; apressai-vos para o fim a que aspirais; procurai em verdade Aquele que procurais. O Jesus, andtema seja quem ndo Vos ama. Aquele que néio Vos ama seja repleto de amarguras. O doce Jesus, sede 0 amor, as delicias, a admiragdo de todo coragdo dignamente consagrado & Vossa gloria, Deus de mew coracdo minha partilha, Jesus Cristo, que em Vos meu coragao desfaleca, e sede Vis mesmo a minha vida, Acenda- se em minha alma a brasa ardente de vosso amor e se converta num incéndio todo divino, a arder para sempre no altar de meu coragao; que inflame o intimo do meu ser e abrase 0 dmago de minha alma; para que, no dia de minha morte, eu aparega diante de Vés inteiramente consumido em Vosso amor. Assim seja. A bida de Jesus CONTINUAGAO V (continuagao) Peligio e seus erros Jé se tinham extinto quase completamente os donatistas, quando apareceu a heresia de Peligio. Nascido na Gra-Bretanha de pais obscuros, abragou hipocritamente a vida mondstica na qualidade de leigo. Indo a Roma pode grangear a estima de algumas pessoas honradas. Seu erro principal consistia em negar o pecado original e a necessidade da graga para fazer obras dignas de recompensa, Esta novidade foi incontinente vigorosamente refutada por Santo Agostinho, a cujas instncias se convocou um Coneilio em Cartago, no qual se condenou a Pelagio, ¢ seus sectarios. Os bispos desse Coneilio escreveram ao romano Pontifice Inocéncio | pedindo-Ihe que se dignasse confirmar a sentenga que eles tinham dado com a autoridade da Sé Apostélica. O Papa Ihes respondeu benignamente, elogiando-os porque tinham seguido a pratica observada sempre e em todas as partes, isto é, nao considerar por definida coisa alguma, ainda que se tratasse das Provincias mais longinquas, antes de ter sido enviada 4 Santa Sé... Concluia confirmando com um decreto a sentenga que estes tinham dado, excomungando os bispos pelagianos. Ano 417. Os pelagianos, obstinando-se no erro, foram condenados por outro Concilio, cujas atas igualmente se enviaram ao Papa para que as confirmasse, o qual assim o fez. Depois deste decreto, Santo Agostinho dava a causa por terminada e dizia: "Relativamente a isto, jé enviamos dois Conecilios a $é Apostélica: esta respondeu; esté pois concluida a causa; queira Deus que também se acabe 0 erro". Nao se cumpriu o desejo de Santo Agostinho. Pelagio ¢ seus partidérios tiraram a mascara e apelaram para um Coneilio Geral; porém Santo Agostinho continuava afirmando, que para condenar um erro nio era de absoluta necessidade um Concilio Ecuménico, pois bastava a sentenga dos Concilios particulares, confirmado pelo Sumo Pontifice. Por isso exprobrava energicamente 20s pelagianos, que, por nao terem conseguido infeccionar a Igreja com a pestiléncia de sua heresia, queriam ao menos perturb-la, obrigando a que se reunissem os bispos em Concilio Geral. Deste modo foram rechagados os hereges; Pelagio, porém, obstinado sempre em seu erro, andou errante por varios paises, até que sem se saber onde, nem como, desapareceu no ano 420. Morte de Santo Agostinho Santo Agostinho nao foi somente martelo dos donatistas € dos pelagianos, sendo também dos hereges maniqueus. Esforcavam-se estes, naquele tempo, em corromper a Igreja. O Santo Doutor enquanto viveu, combateu-os vigorosamente com sua palavra e com escritos. Finalmente depois de ter consumido sua vida no cumprimento de seu sagrado ministério, na austeridade ¢ nas peniténcias, chegou ao termo de seus dias em um tempo em que o mundo se achava muito agitado pelos transtornos politicos ¢ religiosos, Os Vandalos, depois de terem invadido a sangue e fogo a maior parte da Africa, sitiaram estreitamente a cidade de Hipona. Reflexionando Santo Agostinho nos males que aguardavam as acidade em maos dos barbaros, pediu a Deus que a livrasse almas que lhe foram confiadas se cai daquele sitio, ou que desse ao menos a seus cidadaos forgas sufi crista tao grande flagelo e suas tristes conseqiiéncias, aceitando sua propria vida em expiagao de seus pecados ¢ dos do povo. Deus 0 ouviu e dali a pouco apoderou-se dele grave enfermidade entes para suportar com paciéncia 25 te grande vardo, ao aproximar-se de seus iltimos momentos, sentia profundo pesar pelos anos que tinha vivid ofendendo a Deus. “Tenho-Vos conhecido demasiado tarde, 6 meu Deus, exclamava, demasiado tarde comecei a amar-vos, 6 bondade suma de meu Deus." Mandou copiar e colocar diante de si, na parede, os Salmos penitenciais, e os lia muitas vezes na sua cama banhado em lagrimas; € para poder rezar e chorar seus pecados com maior liberdade durante os iltimos dez. dias pediu aos bispos, sacerdotes e aos demais amigos que se achavam presentes, que 0 deixassem 36 em seu quarto, e que ninguém entrasse nele sendo para levar-lhe o alimento ou os médicos para visité-lo, No tltimo dia, ndo podendo ja ler nem rezar, chamou a seus amigos para que rezassem em voz alta ao redor de seu leito; repetia Agostinho as oragdes, e quando cessaram os labios de rezar, sua alma jé se achava no seio do Criador, gozando daquela felicidade, para cuja conquista havia empregado a maior parte da vida. Morreu aos 28 de agosto de 430 na idade de setenta e seis, anos, tendo empregado quarenta no servigo da Igreja, primeiro como sacerdote ¢ depois como Bispo. Com razo se chama luminar fulgentissimo da Igreja, modelo dos tedlogos, mestre de caridade, especial defensor da graca e martelo dos hereges. Seu apego a Igreja Catélica igualava a sua vasta ciéneia. "Eu nfo acreditaria nem no Evangelho, escrevia, se a isso ndo me persuadisse a autoridade da Igreja Catélica.” Deplorando em outta parte, a desgraga dos que viviam fora do selo da Igreja Catélica, exelamava: "Aquele que se separa da Igreja Catélica, ainda supondo que seja boa a sua vida, nunca possuird a vida eterna; antes cairé sobre ele a célera de Deus, unicamente pelo crime de se achar separado da unidade de Jesus Cristo. A bondade e a probidade que nao respeitam a Igreja so refinada hipocri Semana 3 Doutrina Sagrada: E feliz quem vive segundo Deus? Sim, é feliz. quem vive segundo Deus. Goza duma paz inalterével quem se conforma com a vontade de Deus: “Com nenhum acidente se contristara 0 justo.”* De fato, nenhuma satisfacao maior que a de ver saciados os desejos; ora, quem sé quer 0 que Deus quer, vé realizadas todas as suas aspiragdes, por isso que nada Ihe acontece se nao por vontade de Deus: Venha o frio, 0 calor, a chuva, 0 vento; quem est unido a vontade de Deus diz sempre: Quero este frio, este calor, etc. Porque tal é a vontade de Deus. Vem um revés, uma perseguigao, uma doenga, a morte que seja, e diz ainda: quero ser abatido, perseguido, quero estar doente e até morrer, porque Deus assim o quer. Quem descansa na vontade divina ¢ se compraz com todas as disposigdes do Senhor, ¢ semelhante a um homem que, assentado acima das nuvens, vé as tempestades a desencadear-se a seus pés, sem ser atingido por elas, e sem mesmo se perturbar. Ea paz de que fala o Apéstolo, que excede todas as delicias do mundo e todo o sentimento (Cf F1 4, 7), paz. constante que nao est sujeita a nenhuma vicissitude. palavras “vontade de Deus’ pronunciadas diante de Santa Maria Madalena de Pazi, Ihe causavam uma alegria que a arrebatava, € a faziam entrar num éxtase de amor. Dizia Jesus a seus discipulos: “A vossa alegria ninguém vo-la tirard.” © que tem a sua vontade unida a de Deus sentira na parte inferior da alma os assaltos da adversidade, mas na parte superior ndo deixaré de reinar a paz. Oh loucura dos que n&o querem sujeitar-se aos beneficios de Deus, como se o que Deus quer pudesse deixar de se executar! Afinal, o que & que Deus quer se no 0 nosso bem? “A vontade de Deus ~ diz 0 apéstolo ~ & que vos santifiqueis."® Se nos quer santos, & para nos ver contentes nesta vida e bem-aventurados na outra. do devemos, dizia o abade Sai o Nilo, pedir a Deus que faga a nossa vontade, mas que nos ajude a fazer a Sua.” Quem for constante em assim o praticar, passara uma € teri uma morte santa. Quando se morre ignado com a vontade de Deus, da-se aos outros a certeza moral da propria salvagdo; mas, se durante a vida feliz inteiramente 1 vida nao tiver unido a propria vontade 4 de Deus, também salvagio ndo se unira no momento da morte, ¢ nao haverd bade Seremos felizes se passarmos e terminarmos a vida, © Retirado do livro: Maximas Eternas ~ Santo Afonso Maria de Ligorio * Prov. 12,21 1184,3 dizendo: Seja feita Ser vadicalmente de Dens Quando uma pessoa se converte e comega a mudar os proprios habitos e comportamentos para se conformar Experiment deixar de usar determinadas roupas, parar de fazer alguns comentarios maldosos, afastar-se da turminha "descolada" ou comegar a usar algum aderego externo que sinalize que voce € catdlico. Imediatamente 0 mundo comegard a zombar de vocé. vontade de Deus, o mundo comega a impor-Ihe a conhecida pecha de "radical" Ninguém pense que este ¢ um sintoma exclusivo dos nossos tempos. Na época de Santo Afonso de Lig6rio, ele alertava para a consequéncia inevitével de quem se decidia a amar a Deus e desapegar-se do mundo: seria escrachado ¢ ridicularizado publicamente: "E um santo! Vede © santo! Dé-me um pedago de teu habito como reliquia! Seria melhor que fosses para o deserto! Por que nao entras para um convento?". Hoje, talvez, as palavras de zombaria sejam diferentes, mas 0 objetivo do mundo ¢ sempre o mesmo: perseguir as almas dos que querem levar uma vida santa e fazer com que sintam vergonha de serem justos, como sentia Agostinho, antes de sua conversio: "Pudet non esse impudentem — Eu me envergonhava de ser honesto”. Por que é assim? Alguém se pode perguntar. "Talvez digas: Nao fago ninguém soffer: procuro sé a salvagao de minha alma e por Figura 10, Santo Afonso Maria de Ligério que entio ser perseguida?", ao que Santo Afonso responde: "Porque é regra que todo aquele que serve a Deus seja perseguido. (...) Os que levam uma vida perversa néio podem ver que outros vivam santamente, porque a conduta destes é uma reprovagdio perene de seu perverso proceder" Algumas palavras das Escrituras podem ajudar a entender esse fendmeno. Primeiro, uma profecia do proprio Senhor: "Recordai-vos daquilo que eu vos disse: 'O servo nao é maior do que © seu senhor’. Se me perseguiram, perseguirdo a vés também" (Jo 15, 20). De fato, que fez: Jesus Aqueles que O perseguiam? Que mal praticou Nosso Senhor para que fosse tio desprezado pelos de Seu tempo, recebendo de Seus algozes bofetdes, cusparadas, agoites e espinhos? Nenhum mal Ele fez, na verdade. "Ele jamais cometeu injustiga, mentira nunca esteve em sua boca’ (Is 53. 9). n foi incriminado, injustigado e castigado como o pior dos criminosos. A Cruz de Cristo, além de sinal da nossa salvagao, ¢ a ilustragzio exata de como os bons sao tratados neste mundo: como ladrdes ¢ miseraveis. inimizade de E por que é assim? Porque, como adverte Sao Tiago, a amizade do mundo 28 s injuriam e espreitam os santos porque estes ndo amam o mundo como eles. Zombam e cagoam dos justos por nao serem loucos ¢ mundanos como eles s40. 0 objetivo do mundo é sempre o mesmo: perseguir as almas dos que querem levar uma vida santa e fazer com que sintam vergonha de serem justos. A sua loucura, porém, acaba com a sua morte. Diante do tribunal de Deus, de nada valem os prazeres, as honras ¢ as riquezas com que foram cumulados os homens nesta Terra, mas tao somente as suas almas. E entio? Como seré o seu julgamento? Como agirao na presenga d'Aquele que tanto insultaram e desprezaram em vida? Perguntardo, certamente: "Senhor, quando foi que te vimos com fome ou com sede, forasteiro ou nu, doente ou preso, e nao te servimos?" (Mt 25, 44). E Ele lhes respondera: Todas as vezes que zombastes dos santos, cagoastes dos justos humilhastes os pobres, "foi a mim que o fizestes". Todas as vezes que matastes com a vossa lingua os que queriam viver a castidade, todas as vezes que ristes de quem queria ir 4 Missa todos os dias € até os apelidastes maliciosamente de "papa-héstias", todas as vezes que tentastes arrefecer a piedade de quem rezava 0 Tergo, todas as vezes que humilhastes os vossos filhos s6 porque eles queriam viver a virtude.., Foi a mim, Jesus Cristo, que o fizestes. Entdo, cumprir-se-A a palavra do Evangelho: "Aquele que me renegar diante dos homens, também eu o renegarei diante de meu Pai que esta nos céus" (Mt 10, 33). Por isso, que ninguém tema ser odiado pelo mundo ou tachado de “radical”. A parte a conotagdo negativa que ganhou essa palavra, o seu real significado esta ligado a ideia de raizes: quanto mais profundas, s" de uma pessoa, mais radical ela sera. Antes de elevar-se acima de todas as outras espécies de sua regio, 0 cedro do Libano langa fundo as suas raizes e, depois, cresce majestosamente. A sua estatura chega a ser comparada pelo Autor Sagrado a0 progresso do homem virtuoso: "O justo crescera como a palmeira, como o cedro do Libano se (S191, 13). E para isso que o homem foi colocado sobre a Terra. Quando chamou os Seus di Nosso Senhor nao pretendia recrutar funcionarios para uma empresa ou colaboradores para uma ONG piedosa. Ele queria homens que entregassem tudo o que tinham e, por fim, a propria vida Assim fez Sao Pedro, no inicio de sua vocagio (cf. Le 5, 11), até a sua morte, quando foi crucificado em Roma. Seguindo os seus mesmos passos, também os outros Apéstolos viveram 0 cu amor a Jesus. elevara ipulos, :vangelho na radicalidade: levaram até o martirio os ento de Cristo, Alegremo-nos nas Assim, também nés, sejamos radicais no segui perseguigdes, pois diz o Senhor: "Felizes os perseguidos por causa da justiga, porque deles ¢ 0 Reino dos Céus" (Mt 5, 10). Felizes, realmente felizes, so aqueles que podem cantar com Jesus crucificado: "Mais numerosos que os cabelos da cabega, so aqueles que me odeiam sem motivo; meus inimigos so mais fortes do que eu; contra mim eles se voltam com mentiras!" (SI 68, 5). (Disponivel em: http://padrepauloricardo.org/blog/ser-radicalmente-de-deus) 29 Amizabe com Dens O AMOR DE DEUS 5. O amor de Jesus Cristo (continuagio) Mas ¢ o temor de Deus, princfpio da sabedoria? O temor de Deus? Grande dificuldade! O temor de Deus é para nao mais 0 ofenderdes, e ndo para ndo o amardes. Se ofendestes o bom Jesus, fugireis d'Ele por isso? Ao contrério, deveis acercar-vos ainda mais d'Ele, e, se tendes alum medo, porque afinal Ele € 0 justo Juiz, escondei-vos atrés da mamie, a Virgem Maria, e Ela vos iré aproximando d'Ele até deixar-vos nos bragos de Jesus. E este 0 processo mais seguro, que nunca falha. Leonor ¢ Julido sao dois irmaozinhos que acabam de causar a seu pai um desgosto muito grande; quebraram-Ihe um objeto de arte antigo que Ele apreciava muito. O papai jura e rejura que ha de dar nos culpados uma tunda soberana. O pior é que a mamiie se cala, ¢ quem cala consente. Os dois culpados deliberam, antes de se apresentarem ao papai. Julido jé tem a sua resolugao tomada: por primeira providéncia, esconder-se-4 no recanto mais escuro do vao da escada; depois... suceda o que quiser. Leonor, mulherzinha incipiente, reflete com o coragao, que, embora costume refletir bastante mal, nos apuros é o melhor conselheiro. Reflete pouco Leonor, porque 0 modo de refletir do corago € por intuigdes, e nao por argumentagdes, e, como a coisa urge, ela abre o aposento onde esta seu papai furibundo, 0 qual, ao vé-la, levanta a mao para Ihe bater; mas a pequena ¢ dgil: dé um pulo e pendura-se ao pescogo do papai e comega a beijé-lo. A ‘mao cai com furia...sobre a mesa. E a menina pede perdao a seu bom papai, & menina dos seus olhos, ao papai do seu coragao — Oh! que pequena terrivel! — diz o papai; mas bater-Ihe? Quem é que bate em quem beija? A pequena triunfa em toda a linha, pois até logra uma caricia do papai. Mas 0 papai quer desafogar-se com 0 outro, 0 pequeno. — Onde se escondeu esse patife? — pergunta zangadissimo. Leonor procura no vio da escada o irmaozinho, e lhe diz: — Ai, Julio! Como ficou papai! Se tivesse vindo comigo, nao te teria acontecido nada. Agora, por te teres escondido, ele te procura para te castigar. Saco inesgotavel de recursos, a menina excogita um bom. — jegaste tarde; mas vai ter com mamie, vai ter com mami. i sei o que tens de fazer. O menino procura a mami; interessada esta, o pai se aplaca, e, por caminhos diferente, os dois meninos chegam ao mesmo termo, que é escapar da tormenta que ameagava, Apresento-vos esta parabola para que vejais o meio como ha de aplacar a Jesus a alma arrependida; e nao ¢ olhando-o de longe ou escondendo-se, como Julio, porém aproximando-se muito, muito, como a menina, deitando-Ihe os bragos ao pescogo, arependida ¢ amando-o de coragdo. Porventura nao fazemos isto na Comunhio? Mas, quando o temor seja muito grande, ento € sempre recorrer ao sol que mais esquenta, que é tomar por intercessora a Mamie, que nunca dir nao. Disto trataremos em breve. Por ora s6 vos direi, embora depois o repita, que 30 sempre, sempre, para recorrer a Jesus, ha que recorrer antes a Virgem, e ter isto por habito. Dentro em breve vos direi coisa boa sobre este particular Parece-me que estou resvalando por diversos desvios a propésito do amor de Jesus Cristo. Nao é tdo facil assim discorrer com método e com razdezinhas bem ligadas umas as outras quando se trata de amor, e, resulta calculada e io me venhais a © se quiser fazer assim, a coi: fria, Por outro lado, pedir conta desta aparente desordem, desde que eu nao saia do assunto Vamos, pois, continuando. Figura IJ. Sempre, para recorrer a Jesus, hd gue recorrer ante Vingem, Imagem de Nossa Senhora das Merces. @ragao a Jesus Hivendo em Maria Jesus que viveis em Maria, vinde e vivei em vossos escravos, no espirito de vossa santidade, na plenitude vias, na verdade de vossa forga, na perfeigao de voss na comunh&io de vossos mistérios; dominai sobre toda a potestade inimig ria do Pai, Amém a, ida de Jesus CAPITULO V (continuagao) Terceiro Concilio Ecuménico - Nestério terceiro Concilio Geral é 0 de Efeso chamado assim porque reuniu-se na cidade desse nome. Chama-se também Concilio de Maria, porque nele se definiu que Maria ¢ verdadeira Mae de Deus e porque se reuniram os Padres em uma Igreja que a ela estava dedicada, Convocou-se este Concilio para condenar as impiedades ¢ blasfémias de Nestorio, bispo de Constantinopla, que de pastor se transformou em lobo rapace, pregando e afirmando que se acham em Jesus Cristo duas pessoas, isto é, dois filhos, o Filho de Deus ou seja o Verbo, e 0 filho do homem, ou Cristo. Deste primeiro erro nascia outro, segundo o qual nao se devia, nem absolutamente se podia chamar a Maria mae de Deus sendo mae do Cristo que, na sua opiniao nao passava de um simples homem; no era pois Deipara senéo Christipara. Estas blasfémias causaram tal horror entre os cristdos, que ouvindo-as pela primeira vez na Catedral de Constantinopla fugiram da Igreja. Sabedor disto Sao Cirilo, patriarea de Alexandria, escreveu uma carta cheia de caridade a Nestério esmerando-se em persuadi-lo a que desistisse de erro t4o impio; porém o soberbo Nestério respondeu-lhe com insoléncias. Entio Sao Cirilo, seguindo o antigo costume das igrejas, como ele mesmo diz, denunciou a Sao Celestino 1 os erros de Nestério, pedindo-Ihe que, valendo-se de sua autoridade, providenciasse algum remédio contra aqueles males. O Papa examinou a questo, e achando falsa € contraria a fé da Igreja a doutrina de Nestério, primeiramente 0 admoestou e depois ameagou com a excomunhdo se ndo se retratasse. De nada serviram as siiplicas nem as ameagas. 0 manso Pontifice quis tentar a tiltima prova para convencer ao obstinado Nestério: convocou um Concilio Geral em Efeso ao qual ndo podendo presidir em pessoa, delegou entre outros representantes, a Sio Cirilo. Abriu-se o Concilio a 22 de junho do ano 431 achando-se presentes cerca de 200 bispos. Condenaram os erros de Nestério e com grande alegria dos fiéis, se definiu que em Jesus Cristo ha uma s6 pessoa que ¢ a divina, e que a Santissima Virgem é verdadeiramente a Mae de Deus, 0 que proporcionou grande alegria a todos os figis. Para propagar e conservar a meméria desta definigio, compuseram os Padres do Concilio a segunda parte da Ave Maria, oferecendo deste modo um meio ficil e simples de honrar e professar a divina Maternidade de Maria. Fim de Nestério Nestério nfo querendo emendar-se, nem cessar levantar discérdias, foi excomungado, ¢ logo desterrado para o Egito pelo Imperador Teodésio. Ali se apoderou dele horrivel enfermidade que reduziu seu corpo a podridao, e a sua lingua, que tinha blasfemado da Mae de Deus, apodreceu, e vivendo ainda ele, foi consumida pelos bichos. Objeto de maldigao e espanto, morreu no ano 440. Eutiques e 0 quarto Concilio Ecuménico Apareceu neste tempo uma nova heresia suscitada pelo monge Eutiques, superior de um convento perto de Constantinopla. Erguera ele a voz para combater a heresia de Nestorio, porém, levado por um zelo mais entusidstico que iluminado, caiu no erro contrério. Nestério tinha 32 ensinado que em Jesus Cristo ha duas naturezas e duas pessoas, ¢ ainda que Eutiques admitisse 0 contririo, que em Jesus Cristo ha uma s6 pessoa, pretendia também que ndo houvesse nele mais do que uma s6 natureza, Fez-Ihe notar esse erro Sao Flaviano, bispo de Constantinopla; ele, porém, em vez de reconhecer o erro e submeter-se, obstinou-se mais no mesmo e comesou a propagar sua heresia, e tanto fez. que, em um Conciliabulo, reunido por sua iniciativa, conhecido comumente sob 0 nome de Latrocinio de Efeso, tratou tao barbaramente a So Flaviano, que este depois de rés dias morrcu. Quando chegaram estes fatos ao conhecimento do Papa S.Leao I, convocou, de acordo e com a cooperagao do Imperador Marciano e da piedosa Imperatriz Pulquéria, um Concilio na cidade de Calcedénia, hoje Scuitari, nas margens do Bésforo. Foi este 0 quarto Concilio Geral; abriu-se em principio de outubro do ano 451, e nele tomaram parte 600 bispos. Foi presidido pelo Papa S. Ledo por meio dos seus legados. Para render a devida homenagem ao venerando congress ¢ ao Pontifice que o tinha convocado, também assistiram a ele o Imperador e a Imperatriz. Comegou-se lendo uma carta de S. Leao, na qual este condenava a heresia de Eutiques; a carta foi aprovada por todos, ¢ os bispos exclamaram: © cremos todos. Pedro falou pela boca de Ledo: seja excomungado 0 que assim nao cré”. fa foi condenado Eutiques, e deposto certo Didscoro que professava os Desta manei mesmos erros. Também foi definido que humana, distintas entre si, e unidas em uma mesma pessoa, Fizeram mais outros 26 cénones, ou decretos, relativos a disciplina eclesiastica. Foi também assaz admiravel neste Concilio a grande veneragio que todos os bispos manifestaram para com 0 Sumo Pontifice, designando-o como “Arcebispo universal, patriarca, intérprete da voz do bem-aventurado Pedro”, em Jesus Cristo duas naturezas, uma divina e outra Ao encerrar-se 0 Concilio, enviaram os bispos uma deputago a Sdo Ledo, pedindo-Ihe que confirmasse, com sua apostélica autoridade, tudo 0 que eles tinham decretado. O Pontifice confirmou o que tinha sido definido relativamente a fé, mas rejeitou, como novo € contrario aos decretos do Concilio de Nicéia e aos privilégios das Igrejas de Alexandria e de Antioquia, cAnon 28, no qual se conferia ao bispo de Constantinopla o primeiro grau depois do de Roma e uma alta jurisdigao sobre as trés dioceses do Ponto, da Asia e da Tricia. Semana 4 Boutrina Sagrada Para viver segundo Deus, o que devemos fazer? Para viver segundo Deus, devemos acreditar nas verdades reveladas por Ele e observar os Seus mandamentos, com o auxilio da Sua graga, que se obtém por meio dos Sacramentos e da Oragao Deus criou-nos para 0 Paraiso; Jesus Cristo fe: Jo para nds. Ora, que devemos nés fazer para o aleangarmos? Viver segundo Deus, isto nas verdades reveladas por Ele; observar os Seus mandamentos. ¢ homem, padeceu e morreu para merecé Acreditar E como podemos conseguir observar fielmente os mandamentos? Podemos conseguir observar fielmente os mandamentos com o auxilio da graga de Deus, a qual se obtém por meio dos Sacramentos e da Oragiio. Como é que podemos conhecer as verdades que Deus nos revelou e tudo o que Ele nos ordena com os Seus mandamentos? Como é que podemos conhecer e saber receber bem os Sacramentos e bem orar? Com 0 estudo do Catecismo, $6 quem estuda bem o catecismo é que aprende a viver segundo Deus e, portanto, a salvar-se. Por este motivo o seu estudo é para nés tao necessario quiio importante € alcangarmos 0 Paraiso. O tinico caminho que conduz. salvagdo etema ¢ 0 que 0 Catecismo nos ensina. Fidelidade 1 Dens Ha um versiculo que aparece pelo menos quatro vezes na Sagrada Escritura: “O justo vive pela f€” (Hab 2, 4; Rm 1,17; G1 3,11; Hb 10,36). A palavra fé na Biblia é também traduzida como fidelidade a Deus. E a atitude daquele que cré e que obedece ao Senhor. Neste sentido Sdo Paulo fala aos romanos da “obediéncia da fé” (Rm 1,5). A fé & um ato de adestio a Deus: isto €, submissiio que implica obediéncia & Sua Santa e perfeita vontade. A fraqueza da nossa natureza humana impede muitas vezes que a nossa fé seja coerente; quer dizer, as vezes 0s nossos atos nao esto conforme as exigéncias da fé, Portanto, ndio basta crer, é preciso obedecer. Depois que 0 povo hebreu recebeu a Lei de Deus por meio de Moises, exclamou: “Tudo do que Iahweh falou, nés o faremos e obedeceremos” (Ex 24,7). Esta era a vontade do povo, no entanto, sabemos que este mesmo povo prevaricou tantas vezes prestando culto aos deuses dos pagiios. Depois que Josué, no limiar da morte, conclamou o povo a ser fiel a Deus, ¢ 6 a Ele prestar culto na Terra que Deus The dava, o povo respondeu: “A Iahweh nosso Deus serviremos € sua voz. obedeceremos” (Js 24.24). Mas sabemos que logo apés atravessar o rio Jordao, e tomar 34 posse da Terra to esperada, este povo ndo demorou a render-se aos encantos dos deuses dos cananeus. Isto mostra que nao ¢ facil, também para nés, viver a fidelidade a Deus, pois também hoje os deuses falsos nos atraem, e querem ocupar 0 nosso coragao. A obediéncia sempre foi e sempre serd a prova e a garantia da fidelidade. Foi por ela que Jesus salvou a humanidade, porque fez exatamente 0 que 0 primeiro Adio recusara fazer. Na obediéncia radical a Deus, 0 Cristo desatou 0 né da desobediéneia de Adao e nos reconciliou com © Pai, Da mesma forma, ensinam os Santos Padres, pela obediéncia da Virgem, Ela desatou 0 lago da desobediéneia de Eva que Jangou a humanidade na danagao. A partir dai a obediéncia a Deus passou a ser a marca principal daquele que cré. Ela é o melhor remédio para os males que o pecado original deixou em nossa natureza: orgulho, vaidade, presungdo, autossuficiéncia, exibicionismo ete. O profeta afirma que: “A obediéncia ¢ melhor do que o sacrificio” (Sm 15,22). E Thomas de Kempis, na “Imitagao de Cristo”, assegura que: “Obedecer é muito mais seguro do que mandar”. No patio da Academia Militar das Agulhas Negras esta escrito, para que os cadetes leiam todos os dias: “Cadete, ide comandar, aprendei a obedecer!” Se a obediéncia é tio necessiria para com os homens, quanto mais para com Deus. A outra caracteristica da fidelidade a Deus & © firme propésito de servir-Lhe sempre com perseveranga ¢ reta intengao, mesmo nos momentos mais dificeis. Como agrada a Deus 0 filho fiell O profeta diz: “lahweh guarda os passos dos que Ihe sio figis” (28m 22,26). E 0 Senhor Jesus disse: “Muito bem servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te colocarei. Vem alegrar-te com 0 teu Senhor” (Mt 25,21). Tudo o que recebemos de Deus nesta vida, ¢ este “pouco” sobre o qual & testada a nossa fidelidade a Deus. Ser fiel a Deus € ser obediente as Suas Leis, 4 Sua vontade, e servir-Lhe com toda a alma, Santo Inacio de Loyola afirmava que viver bem é “amar e servir a Deus nesta vida”, Jesus disse aos Apéstolos me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14,15). Portanto, amar a Deus, mais do que um “sentimento”, € uma “decisio’ na ultima Cei: guardar os Seus mandamentos, cumprir a Sua a vontade. “Nem todo aquele que diz, Senhor, Figura 12 Santo Inicio de Lovota Senhor, entrara no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai” (Mt 7,21). Amar a Deus ¢ viver os Seus ensinamentos. Senhor deixou a Igreja para que a Sua vontade fosse expressa e objetivamente conhecida, € nlio ficasse ao sabor do julgamento de cada um. Ele garantiu Sua Igreja que o Espirito Santo a conduziria “a toda a verdade” (Jo 16,13), € que a voz da Igreja é a Sua voz. “Quem vos ouve, a Mim ouve: quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Le Entao, ser fiel ao Senhor, é er fiel a Sua Igreja, e tudo aquilo que Ela ensina, © Papa Paulo V1 disse certa vez. que: “quem nao ama a Igreja, nao ama Jesus Cristo”, E légico, a Igreja 0 Corpo de Cristo! Quem nao ¢ fiel & Igreja, nfo é fiel a Jesus Cristo! Quem nio serve a Igreja, nao serve a Jesus Cristo... A Igreja é 0 Cristo prolongado na histéria dos homens. Quando se toca a Igreja, se toca 0 proprio Senhor, A fidelidade esti muito ligada a perseveranga e a paciéncia, Santo Agostinho disse: “Os que perseveram em vossas companhias sejam vossos modelos. E os que vao ficando pelas calgadas, aumentem vossa vigilincia”. E 0 grande Sao Joao da Cruz ensinava que: “A constancia de animo, com paz tranquilidade, no sé enriquece a pessoa, como a ajuda muito a julgar melhor as adversidades, dando-lhes_a_solugo conveniente.” Mas, para que haja servigo a Deus, perseverante e alegre, e para que possamos amar e cumprir os seus mandamentos, é preciso uma vida de piedade, vigilincia oragdo, sem o que, a alma esfria. Sabemos que “mosca nfo assenta em prato frio”; quando a alma esfria, 0s demdnios se aproximam dela pela tentacao. Nao seremos julgados pela no: capacidade intelectual, ¢ nem pela grandeza das nossas obras, mas, como disseram os Figura 13, Sto Jodo da Cr Santos, pela pureza do nosso amor a Deus e pela perseveranga nesta vivéncia. Jesus garantiu que diante de todas as adversidades que virdo, “quem perseverar até o fim sera salvo" (Mt 24,13). (Disponivel em: huips-i/cleofas.com.br/fidelidade-a-deus-2/) Amizade com Dens O AMOR DE DEUS 5. O amor de Jesus Cristo (continuagio) Dizia-vos, falando do amor de Deus, que, se amor com amor se paga, havendo-nos Deus amado tanto, deviamos pagar-Ihe na mesma moeda, com amor. Sabeis quanto nos amou Jes Cristo? Deitai um olhar sobre o que meditamos durante estes dias. Quantos padecimentos! Quantas humilhagdes! E, no fim, que espantosa morte por amor de nds! Ao morrer, “Perdoai-lhes, Pai, porque eles nao sabem 0 que faze”. Dimitte illis: non enim seiunt quid laciunt (Le 23, 34). “Eis ai teu filho” (Jo 19, 26), diz Ele a sua Mae, apontando-Ihe Sao Jodo, e, nele, todos n6s, Sempre nés 0 seu amor, sempre nés 0 seu pesadelo; sempre buscando-nos Ele s6 pensava em nés. perdoando-nos, mal abrimos a boca, € chamando-nos_ incessantemente. O meu amor, Jesus de minha alma! Se buscasses pessoas bem-nascidas, que correspondessem ao teu amor! mas a mim, ldo sabes quem sou eu, meu Deus? Ignoras que eu sou aquele que te agoitou e te cuspiu e te crucificou com a sua vontade perversa? Que loucura é esta, de assim buscares quem te causou a morte? Oh, sim! estas louco de amor, meu Bem, Eu também te amarei até & loucura da cruz; buscar-te-ci, chamar-te-ei, invocar-te-ei_ a todas as horas. Nao te escondas de mim, minha Vida, que meu coragdo padece do teu amor, ¢, ao pensar em como me amas, sendo. como é, de bronze, ele se enternece e eu Senhor, a mim. Figura 14. “Eisai teu filho” (Jo 19, 26), diz Ele a sua Mae. ancil'O ; ‘anot! pontando-the Sao Jodo, , nel, todas nés, Sempre nés 0 choro. O amor! © amor acima de todo amor ‘seu amor, sempre nb 0 seu pesadelo ao nas ” ia Dizei-me entio se nao é 0 caso de dizer a0 bom Jesus mil extremos de amor; dizei-me se ndo é 0 caso de nao pensar somente n'Ele, de no viver sendo para Ele, de no trabalhar e softer sendio para Ele. E to suave esse amor de Jesus Cristo a nés. que, no Cantico dos Canticos, que é um canto entre Jesus e a alma enamorada, Ele diz a esta tais ternuras e The faz tais extremos, que todos os amores das criaturas sfio meras faiscazinhas comparadas com um grande incéndio. Neles Jesus compara-se a um amante que ronda a sua amada. Esta, fechada esti numa casinha, esquecida do seu Amante, enquanto 0 coitado bate & porta fechada e nao the respondem. € cle fica a noite toda a bater, a bater, ¢ Ihe diz: — Abre-me, minha irma, minha amiga, minha pomba (Ct 5, 2). Abre-me, alma redimida 1, € eu estou toda a noite desta vida com 0 meu sangue. Olha que ¢ frio o relento da madrugada batendo a esta porta, para que me abras. Olha que tenho a voz. enrouquecida de tanto te chamar. Abre-me, minha amada, abre-me. O melhor amante do mundo daria um pontapé na porta e ir-se-ia embora rogando pragas ¢ outras lindezas. Mas Jesus espera, espera sempre, espera a vida toda que Ihe abramos a porta do nosso coragio para morar nele. Meus filhos, vés estais no principio da vida; os vossos coragdes no conhecem os amores criminosos, ¢ queira Deus nao os conhegais: ndo estais atolados no lodo da terra... Oh, filhos! agora que estais nesta alvorada bela, abri de par em par as portas do vosso corago a Jesus, entregai- vos a Ele, e, a0 comungardes....Mas esperemos um pouquinho. Dificilmente procuro nao falar de Jesus na Eucaristia, pois nao se pode dizer tudo ao mesmo tempo; todavia, 0 coragiio o pede quando se fala do amor de Jesus Cristo. Como falar de amor e nao falar de estar com 0 Amado? Como falar de amor e nao falar de unio e de abraco? Pois ¢ isto a Eucaristia, Mas deixemo-lo para outro Exercicio. Devo advertir-vos que, embora eu vos aconselhe a vos expandirdes com Jesus em grandes afetos, 0 amor verdadeiro consiste muito mais em obras do que em palavras, e, a0 exortar-vos a dizerdes a Jesus mil teruras, nao penseis que s6 nisso se cifra 0 amor. Joaninha é uma menina muito bajuladora, que sabe fazer festas ao papai; mas também sabe desobedecer-Ihe ¢ desgosté-lo. Em compensagao, seu irmaozinho, sem tanta adulagdo, € muito obediente e sabe sacrificar-se pelos pais, Este ama verdadeiramente os pais, ¢ no Joaninha. O menino que, depois de dizer a Jesus que o ama, com facilidade o ofende voluntariamente, esse ama como Joaninha; 0 seu amor a Jesus ¢ fingido. Muito “eu te amo”, ¢ depois fazé-lo chorar? que € i , Mas a0 mesmo tempo provai-lhe com obras que o amais. Obras so amores, diz um adagio, e nfo boas razbes. 10? Dizei a Jesus muitas ternura Agora, para terminar esta explicagiio, ponde-vos aos pés da Virgem e dizei-lhe: — Minha Mae, quero amar a Jesus, desejo amar a Jesus, e, entretanto, sinto que 0 amo muito pouco; e, ao sentir que o amo to pouco, sinto uma angiistia e uma dor...Se me ensinasses a amé-lo, minha Mae! Se Tu, a alma mais enamorada de Jesus, e que o amou mais do que todos as Anjos e Santos juntos, me comunicasses um — pouco dese imenso...Virgem Maria, s6 te pego amor, mi amor de Jesus: tudo o mais vird com o amor. Que a0 comegar minha vida, eu a comece com Jesus; amor 10 que the entregue desde agora todo 0 meu coragio. Que pode amar uma crianga, minha Mae? Mas nés também sabemos amar, também, Pois que todo este amor si nossos estudos, as nossas mortificagdes, as nossas obediéneias e sofrimentos, tudo para ja para Jesus. Os Figura 15. Ponde-vos aos pés da Virgem e dizet-ihe Minha Mae, quero amar a Jesus! 38. Jesus, tudo por J minha Mae? s. Mas tudo passando por tuas mios, tudo por tua mediagdo. Estés ouvindo, Agora, para conseguirdes o amor de Jesus por meio da Virgem, rezai comigo a esta boa Mie trés Ave-Marias. noBoe Plara Pedir a Nossa Senhora que Torne Meu Coracio Semethante ao dla O coragéo Sapiencial e Imaculado de Maria, vaso de fé, de pureza, de esperanga contra toda esperanca e de constancia inquebrantdvel, tornai meu coragéo semelhante ao vosso. 39 Bida de Jesus CAPITULO VI Sao Leto e Atila, - Sao Maximo de Turim. - Sao Gelasio Papa. Sio Leio ¢ Atila Leao I, de quem acabamos de falar, nascido em Toscana, foi eleito Papa em tempos muito tristes para a Igreja ¢, devido @ sua grande ciéncia, sabedoria e santidade, foi cognominado 0 Grande. Depois de ter combatido os hereges com a palavra e com os escritos, pediram-Ihe que se pusesse d frente de uma embaixada a Atila, rei dos Hunos. Este terrivel conquistador, chamado 0 flagelo de Deus, por causa das destruigdes que fazia por todas as partes onde passava, tinha descido das Gilias ¢ invadido a Italia com um formidavel exército. Tinha-se ji apoderado das cidades de Aquiléia, Pavia e Milo e marchava sobre Roma para saqueé-la, sem que se pudesse impedir-Ihe 0 passo, pois o Imperador ¢ seus generais tremiam s6 a0 pensar em to poderoso inimigo. S. Leo pois, confiado na protegao do Céu, saiu, vestido de habitos pontificais ao encontro de Atila perto de Mantua, onde o rio Mincio desigua no Pé. O altivo guerreiro, ainda que barbaro ¢ idélatra, recebeu-o cortesmente; e depois de té-lo ouvido, aceitando sem mais as condigdes propostas, tornou a passar os Alpes, deixando a Itilia em paz. Admiraram-se os soldados de Atila vendo em seu general aqueles insdlitos atos de obséquio: "Como € possivel, diziam, que nosso chefe se humilhasse tanto diante de um homem s6, quando © no tem aterrorizado formidaveis exércitos?" Ele porém respondeu-lhes que enquanto falava com 0 romano Pontifice, viu sobre ele uma personagem vestida com habito sacerdotal, que empunhava uma espada desembainhada, ameagando feri-lo se nao obedecesse a Lea, Este Pontifice, depois de ter escrito e trabalhado muito em beneficio da Igreja, cheio de méritos perante Deus ¢ os homens, foi receber a recompensa no ano 401, apés 21 anos de glorioso pontificado. 40 Sao Maximo de Turim Sao Maximo, bispo de Turim, é muito conhecido na histéria pela santidade de sua vida, por seus escritos e sobretudo por seus sermées, que constituem ainda agora um dos oramentos do brevidrio romano. Combateu, com ardor os erros de Nestério e de Futiques, e era tido em tao alta estima, que no Coneilio romano, celebrado sob 0 Papa Hilario, sucessor de Sio Ledo, ocupava 0 primeiro assento depois do Pontifice. Trabalhou muito para nao permitir que a heresia invadisse 0 Piemonte, ¢ para desarraigar a superstic4o dos pagdos, que ainda existiam em Turim, ¢ lugares vizinhos, Era to caritativo para com os pobres que, se algum estrangeiro perguntasse pela casa do bispo, respondiam-Ihe que podia entrar com confianga na casa que visse rodeada de mendigos, pois essa seria certamente a casa do bispo. Sustentava e promovia uma ternissima devogo para com a Mae de Deus e falava dela com muito zelo em seus sermies que esta fora achada digna de ser morada do Filho de Deus antes por sua graga original do que por suas virtudes. Conta- se este Santo entre os mais doutos escritores da Igreja. Descansou no Senhor no ano 474 mais ou menos firma Sao Gelisio Papa Sio Gelasio, romano, eleito no ano 652, ¢ muito conhecido por suas instituigdes em prol da Igreja, Reuniu em Roma um Concilio ao qual assistiram muitos bispos; nele se declarou quais, 05 livros auténticos do Antigo e do Novo Testamento ¢ quais os apécrifos; recomendou a honra em que se devem ter os quatro Concilios Ecuménicos de Nicéia, Constantinopla e de Calcedénia; compés um catilogo das obras dos Santos Padres e dos escritores eclesisticos; mandou publicar um livro chamado Sacramentale, no qual se acha a ordem de quase todas as Missas que temos no Missal Romano e a formula para dar as béngdos (missal anterior ao Concilio Vaticano). Aboliu as festas lupercais que se celebravam em Roma, no més de fevereiro, em honra do deus Pan, ¢ em lugar delas mandou celebrar a festa da Purificagdo, como ja se fazia em muitos paises; por tltimo, confirmou o antigo costume de conferir as ordenagdes aos eclesiasticos nas quatro témporas. Ainda que se achasse elevado a primeira dignidade do mundo, levava, entretanto uma vida pobre, praticando rigorosa austeridade: dava de comer a todos os pobres que conhecia e ele mesmo os servia & mesa. O tempo que Ihe deixavam li ocupagdes, empregava-o na ‘oragdo ou em piedosos coléquios com os mais dignos servos do Senhor. Morreu santamente no ano 496. al BN NEE TE EERIE OI ONO EOE LOO CHO e GOaniogeoanidar a2 or ls uy I) BN EEE EEN ENED ENE CORPO CHOICE OOCOEE EO GOOOGE OH GOOOOOGOAOGOK 44 Orientagies para a disciplina de Lingua Portuguesa Nosso objetivo: Conhecer a Deus, ama-Lo acima de tudo e desejar viver com Ele por toda a eternidade! “Se Ela te sustenta, naio cairds; se Ela te protege, nada ters a temer; se Ela te conduz, nio te cansaras; se Ela te ¢ favoravel, aleangaras o fim”. Sao Bernardo de Claraval Atensia O material diditico de Lingua Portuguesa possui a seguinte formagao: — Gramaitica (duas ou trés vezes por semana, aumentar se necessirio) — Produgdo de Textos (uma ou duas vezes por semana, aumentar se necessirio) — Aprendendo com os Santos e com a Igreja (uma vez por semana). — Sagradas Escrituras (uma vez por semana), Leitura Mensal (a critério do responsavel). Neste volume trabalharemos com 0 livro: ‘Titulo: Sio Bento, Abade Disponivel para aquisigdo no site Katechesis: https://katechesis.com. br/clubinho-katechesis/ ESCOLHA UMA IMAGEM OU QUADRO DE NOSSA SENHORA E DEIXE EM UM LUGAR DE EVIDENCIA D&A CASA. Neste volume dedicaremos nossos estudos, aprendizados ¢ atengdo aquela que em tudo soube ser canal da graca de Deus, gerando o Salvador! GRAMATICA ‘ CTC e COCO ETTIE OOOO OCHO OOOO AGO Oo, Gramatica “Gramitica é a ciéncia de falar sem vicios.” (Hugoidé Sio Vitor) Nos volumes anteriores, iniciamos 0 aprendizado sobre um assunto que acompanharemos por muito tempo: as classes gramaticais, Vimos que sdio.dez. as classes gramaticais e aprendemos sobre os substantivos, adjetivos, numerais, artigos.e pronomes. Neste Volume iniciaremos ¢ revisaremos uma classe importantissima: 0 Verbo. Dificilmente passamos alguma hora de nossas vidas semyproferir palavras desta classe gramatical! Seja para pedir, para conversar, para indicar, questionar... sem diivida os verbos sao essenciais! E por isto é que ao longo das Etapas voltaremos a estud-lo, cada vez com maior profundidade, e 0 compreenderemos com maior perfeigao. Bork “O verbo expressa um fato! um acontecimento:/o que se passa com os seres, ou em torno dos seres — “Bem-aventurado 0 homem que achou a sabedoria, que aleangou a inteligéneia. Vale melhores que 0 ouro puro. E mais preciosa que as pérolas, ¢ nao hi tesouro que a iguale.” (Provérbios 3, 13-15) — “Porque, daqui a sete dias, farei chover sobre a terra, durante quarenta dias e quarenta noites, ¢ exterminarei da superficie da terra todos os seres (vivos) que fiz.” (Génesis 7. 4) As palavras destacadas sao verbos. mais a sua aquisigfio que a da prata, e os seus frutos s Os verbos podem exprimir ages, estados fenémenos naturais. Observe: © Agoes: achou, alcangou, vale, iguale, farei, exterminarei, fiz. © Estados: so, 6, hd. némenos naturais: chover Além de exprimir ages, estados ¢ fendmenos naturais, o verbo oferece varias indicagdes sobre aquilo que expressa Observe: Eliminarei © Quem? Eu: I pessoa do discurso — indi a pessoa, © Quantos? Apenas um, eu: singular ~ indica a quantidade, 0 nimero. * Quando? £ uma ago que ocorrerd: fato futuro ~ indica o tempo em que ocorrerd. 49 © A.acio & expressa com certeza? Sim: modo indicativo — indica 0 modo que aconteceu. A palavra eliminarei nao ¢ verbo apenas porque exprime uma ago, mas porque, sobre essa aco, apresenta também determinadas indicacdes. Concluimos, portanto, que © verbo apresenta nuimero (a quantidade envolvida) e pessoa (quem fez, realizou, expressou), modo (como) e tempo (quando). +b Responda por escrito em seu cadern 1, Siga o exemplo que demos com o verbo “eliminarei “encontrou”: Encontrou 1 ne Ke: a) Quem encontrou? 0 OF — indica o po sO . b) Quantos? o4 a, cu: tiny iP indica quack: apuoncinitigh® Me | bog cle ¢) Quando? finn gfe tt i Minilica e domps ern qusS hy, €) A ago € expressa com certeza? Sana,0 abe ~ indica te 2. Escolha mais um verbo para fazer 0 mesmo processb, . mas pensando agora sobre o verbo 3. Indique a pessoa, 0 nimero, o tempo € 0 modo dos trés verbos a seguir: a) Amou. b) Amarao. c) Amaram 4 Z Copie a definigao abaixo em seu caderno. Verbo é a palavra que indica pessoa, nimero, tempo e modo de ages, estados e fenémenos naturais. © verbo nao s6 se atribui a um substantivo (pessoa ou coisa), ele tem significado com tempo, enquanto 0 substantivo, ou nome, tem significado sent tempo. O substantivo & 0 nome da ago, por exemplo: — (a) corrida: nao possui tempo. verbo é a ago em si, por exemplo: — Correm: possui tempo (presente). Ambos podem significar agao, mas s6 a forma verbal o faz com tempo. + Responda por eserito em seu caderno: 5. Classifique as palavras destacadas a seguir de acordo com a presenga ou a auséncia de tempo: ac te pe reo. de dow 50 a) “Pois a nuvem do Senhor, de dia, repousava sobre o taberndculo, e de noite aparecia nela uma chama, @ vista de todo 0 povo de Israel, em todo © tempo que durou a sua caminhada.” (Exodo 40, 36) b) “Dali caminharain setecentos e cinquenta estédios e chegaram a Caraca, onde habitavam os Judeus.” (I] Macabeus 12, 17) ©) “Ele a ninguém mandou obrar impiamente, a ninguém deu permissio de pecar; porque ele no deseja ter uma multidao de filhos infidis e inuteis.” (Eelesiastico 15, 21-22) 4) “Sustentaram a causa da lei contra o poder dos pagios € contra o poder dos reis, ¢ nao permitiram ao pecador que prevalecesse.” (I Macabeus 2, 48) e) “Tu, Senhor, escolheste esta casa a fim de que nela fosse invocado 0 teu nome, como casa de orago e de stiplica para o teu povo.” (I Macabeus 37) £) “Por isso @aii@’ incessantemente por vés, para que 0 nosso Deus vos faga dignos da ‘vossa vocagio (isto &, do estado a que vos chamou).” (2 Epistola aos Tessalonicenses 1, 1) g) “Por deeisio: de Deus, existem desde o principio, as suas obras; desde que as criou, distinguiu-as em partes.” (Eclesidstico 16, 26) h) “Nao julgara pelo que se manifesta exteriormente a vista, nem @eeidiFisomente pelo que ouve dizer.” (Isaias 11, 3) 5 Esteutura dos verbos O verbo ¢ uma palavra constituida, basicamente, de duas partes: radical e terminagao. Exemplo: elimin | arei climin | aris radical elimin | ara terminagées (parte que contém a elimin | aremos (parte que contém as indicagdes significagao bisica elimin | are de pessoa, tempo, etc.) do verbo) elimin | ardo Para fornecer as indicagées, as alteragdes do verbo ocorrem nas terminagoes, Exemplo: — Encontr jou (cle / ela — 3* pessoa do singular. do tempo passado, do modo indieativo). Ha, no entanto, algumas formas do verbo cujas terminagdes nao fazem indicagao de pessoa, mimero, tempo e modo, Uma delas ¢ 0 infinitivo impessoal. Infinitivo impessoal de “nome do verbo”, por isso ¢ a forma usada para representar 2ssa forma é uma espé ‘os verbos no dicionario, OBSERVACAO: Quando quiser encontrar 0 significado de algum verbo, vocé deve procurar no dicionério a palavra na forma infinitiva (terminada em ar, er, ir), e no jé conjugado : Exemplo: desconhego 0 significado de “eliminarei”, ndo devo procurar eliminarei no : iciondrio, pois nao encontrarei! Devo procurar o que denominamos verbo no “infinitivo”: ++ Responda por escrito em seu caderno: . 6. A partir desta observagio apresentada, escreva a forma infinitiva dos verbos abaixo procure seus significados no dicionério. b) Obnubilaste.. ) Outorgamos-7 fens Daas, ewrcealen. fh ES O infinitivo impessoal termina sempre com a letra —r, que, juntamente com a vogal qué vem antes dele, a vogal temtica, formam a terminagio do infinitivo. Veja igual | ar chov | er part | ir +4 S radical terminagdes A Para se obter o radical (do latim radix, que significa raiz) de uma forma verbal, é s6 colocd- la no infinitivo e retirar a terminagao —ar, -er ou —ir. Exemplos: - Forma verbal | Infinitive | Radical encontrou encontr / ar | encontr existe exist / ir exist farei faz/er faz 7 eliminaret elimin/ar_ | climin - + Responda por escrito em seu caderno: , 7. Seguindo o exemplo da tabela anterior, indique o radical dos verbos destacados abaixo e escreva-os em sua forma verbal infi va. ~ a) “Trouxeram-nos de Amalec, porque o povo ae a tudo o que havia de melhor nas ovelhas © nas vacas, para se imolarem ao Senhor teu Deus: matamos, porém, o resto.” (1 Samuel 15,15) sh q b) “Agora, comfessai o vosso pecado ao Senhor Deus de vossos pais ¢ fazei o que é do seu a agrado; separai-¥os dos povos desta terra e das mulheres estrangeiras.” (Esdras 10, 11) - c) “Nao partigipam dos trabalhos dos mortais, nem como os outros sio flagelados.” (Salmo - 73,5) povr pe - 4) “Bem vedes que eu niio encontro socorro em mim, e que até os meus mais intimos me abandonaram.” (J6 6,13). ..0¢ lor gon . 2) “Nao se etiFiquecers, nem os/seus bens pétSistir’io, nem ae 10 as suas raizes por terra.” (16 15,29) 5 Fi porare 1) “Meu filho, se éhitares no servigo de Deus, (pFSEVEFa firme na justi¢a e no temor, ¢ “(0 prepara a tua alma para a prova.” (Eclesiastico 2, 1) [2 "3" 2) “Agora o Senhor vos recompensaré certamente segundo a sua misericérdia e verdade. Eu também "os aaa estst Aeh6 gui (1 Samuel 27, 6) OL - Conjugasies verbais Conjugagao verbal é 0 nome que se dé ao conjunto das diferentes formas que o verbo. adquire pela variagiio de suas terminagdes. Ou seja, a forma infinitiva que aprendemos anteriormente nos mostra que, em Lingua Portuguesa, temos ts possiveis conjugagdes verbais, que aparecem antes do infinitivo, exemplo: -ar, -er, Observe: ‘conjugagio conjugagao F conjugacio (verbos terminados em—ar) | (verbos terminados em — er) | (verbos terminados em — ir) . (vogal tematica — a) (vogal tematica — e) (vogal tematica — i) 4 consagrar bendizer redimir 4 abengoar engrandecer repartir ATENGAO: O verbo pér e seus derivados (compor, repor, depor, propor, etc.) pertencem 4 segunda conjugagao em razdo da forma antiga desse verbo: poer. Apesar de a vogal tematica - ¢ haver desaparecido do infinitivo, ela permanece em outras formas: poe, poes, poem, etc. Conjugar um verbo significa juntar o seu radical as terminagdes de sua conjugagao. + Responda por escrito em seu caderno: 5 8. Classifique os verbos destacados a seguir de acordo com sua conjugagao (1*, 2" ou 3°): n a) “Se alguma vez eu Ihes sorria, nfo 0 acreditavam, ¢ a luz do meu rosto néio caia por “ terra.” (J6 29, 24) A b) “As visdes, que os perturbavam, tinham-lhes revelado isso, para nao suceder que - morressem sem saber a causa dos males que sofriam.” (Sabedoria 18, 19) - 53 ©) “Ah! Senhor, Deus grande e terrivel, que guardas a tua alianga e a tua misericérdia para com os que te amamn e observam os teus mandamentos.” (Daniel 8. 4) 4) “Levantai-vos e parti, porque niio tereis aqui descanso.” (Miqueias 2, 10) €) “A mesa do Senhor est contaminada; e aquilo que se oferece em cima dela ¢ alimento desprezivel.” (Malaquias 1, 12) 2 ‘Reflete no que te digo, porque o Senhor te dard a inteligéncia em todas as coisas. \Epistola a Timéteo 2, 7) 4 fies 2) “Os ancities prostaram-se e adoraram.” (Apocalipse de Sao Joao 5, 14) h) “Agora o Senhor vos recompensara certamente segundo a sua misericérdia e verdade. Eu também vos agradecerei esta ago que fizestes.” (II Samuel:2, 6) i) *O Senhor dividiu, por meio da minha mio, os meus inimigos, assim como se dividem as guas; por isso este lugar se chamou Baalfarasim.” (Livro I das Crénicas 14, 11) @ #ilexia dos terbos Por causa das varias indicagdes que o verbo oferece, ele é a palavra que apresenta o maior niimero de flexes da lingua portuguesa! 0 verbo varia em pessoa (quem realizou a agdo), ntimero (quantidade), tempo (quando) e modo (como). As quatro indicagdes ocorrem por meio de dois tipos de flexdes apenas: uma que indica pessoa e mimero (flexiio niimero-pessoal) ¢ outra que indica modo e tempo (flexiio modo- temporal). Estudaremos com calma estas flexes, ¢ neste Volume estudaremos a variago/ flexaio de tempo e os conceitos que embasam as flexes de modo. lexio de tempo — Os tempus naturais dus verbos if iP ‘Tempo verbal é a indicagdo do momento em que ocorrem as agdes, os fendmenos naturais € 08 estados expressos pelo verbo. Ele & determinado pela relagdo que se estabelece entre o momento em que a pessoa fala ¢ a ocorréncia do fato expresso pelo verbo. Por exemplo, quando alguém chega até nés e diz “Cheguei” significa que, neste momento presente, ocorreu a ago dela chegar até o lugar. Os tempos naturais dos verbos sio trés: * Presente: indica que, no momento em que a pessoa fala, 0 fato expresso pelo verbo ainda ocorre normalmente. Exemplos: u vou Missa aos domingos. — Rezo 0 tergo no meu horario de almogo. * Pretérito: indica que, no momento em que a pessoa fala, 0 fato expresso pelo verbo a ocorreu Exemplos: — Fui a Missa domingo. — Rezei o tergo no meu horirio de almogo. « Futuro: indica que, no momento em que a pessoa fala, 0 fato expresso pelo verbo ainda vai ocorrer, Exemplos —Irei i Missa domingo. — Rezarei o tergo no meu horario de almogo. ++ Responda por eserito em seu caderno: 9. Indique o tempo verbal (presente, pretérito ou futuro) dos verbos destacados abaixo: a) “Entdo Davi compds este cdntico fiinebre sobre Saul e sobre JOnatas, seu filo, c ordenow que o ensinassem aos filhos de Juda.” (11 Samuel 1, 17) ) “Os pobres commerio e sero saciados, Jonyarap 0 Senhor os que o buscam: “Vivam para sempre 05 v03s05 coragdes!"™ (Salmo 22, 27)° €) “Ty, s0u,0 Senhor, que falo a verdade, que anuneig o,que € reto.”(safas 45, 19) a: 7 abilarein nia casa do Senhor, durante dilatadissimos tempos.” (Salmo 23, 6) ~Cpnfirmo.a palavra do meu servo e cumpro os oriculos dos meus profetas.” (Isafas 44, oe PRESENTE f) “Mas, de modo que uma mulher d casa da Israel, diz 0 Senor.” (Jerémias 3, 20) tito Ihe responden uma s6 palavra, porque tinham recebide ordem para que fio the r€3pondessein-"(Hl Reis 18, 36) yreza 9 scu amigo, assim me desprezou a mim a METER 10. Leia o capitulo 10 do Evangelho de Sao Mateus, versiculos de 5 a 14. “A estes doze enviou Jesus, depois de thes ter dado as instrucdes seguintes: ‘Nao wades para entre os gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos, ide antes ds ovelhas perdidas da casa de Israel. Pondo-vos a caminho, anunciai que esté préximo o reino dos céus. Giirai os enfermos, yéssuscitai os mortos, limp os leprosos, e&peli os deménios. Dui de graca o que de graca recebestes. Nao queiris mazer nas vossas cinturas nem ouro, nem prata, nem dinkeiro, nem alforje para o caminho, nem duas tinicas, nem sanddlias, nem bastdio; porque 0 opertirio tem direito ao sew alimento. Em qualquer cidade ou aldeia, em que entrardes, iiformbis-vos de quem hd nela digno de vos receber, ¢ ficai ai até que vos retireis. Ao entrardes na casa, seiuddiva, digendo: A paz séja nesta casa. Se aquela casa for digna, a vossa paz torhard para vés. Se ndo vos Fecebergin nem ouvirem as vossas palavras, ao sait para fora daquela casa ou cidade,'sacudi 0 p6 dos vossos pes.” a) Agora identifique todos os verbos destes versiculos. b) Escreva cada um deles em sua forma inf Exemplo’ Verbo enviou: enviar. ©) Escreva cada um destes verbos na primeira pessoa do singular (eu) dos tempos presente, pretérito e futuro. itiva. Exemplo: — Verbo enviar: envio ~ enviei — enviarei, Mados da verbo Modo verbal é a indicagao da atitude de quem fala em relagao ao fato expresso pelo verbo je modo pode nos indicar se o que a pessoa esté falando indica uma certe: ideia ou possibilidade ou ainda se esti pedindo algo. Cada uma destas sugestdes recebe uma diferente caracterizagao, observe: ; , Ou se é apenas uma * Indicativo: é aquele que expressa certeza. Exemplos: — Rezo 0 tergo todos os dias. — Teremos aula amanhi, le foi a missa ontem “Ele o escolheu dentre os viventes para oferecer a Deus o sacrificio, 0 incenso ¢ 0 perfume de lembranga.” (Eclesistico 45, 20) + Subjuntivo: ¢ aquele que expressa incerteza, hipétese, diivida, possibilidade. Exemplos: — Talvez eu reze o tergo hoje. Se ele rezasse, se salvaria. Se déssemos a Deus todo louvor, nossos coragdes estariam radiantes, e vos me amésseis, certamente vos alegrarieis de cu ir para o Pai, porque o Pai é maior do que eu.” (Sao Joao 4, 28) + Imperativo: é aquele que expressa ordem, pedido, suplica, conselho. Exemplos: — Por favor, reze 0 tergo todos os dias. — “Bendizei o Senhor, exaltai-o quanto puderdes, porque ele est acima de todo o louver.” ico 43, 33) (Eclesi +b Responda por escrito em seu caderno: 11. Lefa as frases a seguir ¢indique,o modo verbal dos verbos em destaque. a) “A medida do amor € ainat Sem medida.” (Santo Agostinho) b) “Se humildespara evitar o orgulho, mas voa alto para aleangar a sabedoria.” (Santo Agostintho) ” MO PRLOLOAK ©) “Aprenda como se voce fosse viver, para sempre. Viva como se|vocé fosse morrer atta" (Santo Isidore de Sevithay ““° man 4) “Ter 6 assinarfuma folha em branco e deixar que Deus nela esereya 0 que quiser.” (Santo Agosti + 2 2) “Pede a SS/Wirgem que seja/teu guia, que seja a estrela, 0 farol que brilhe no meio das trefas de tua Vida.” (Santa Teresa dos Andes) 2 56 : x ae e 1) “Se todos soubessem como Jesus é belo, como é amivel, no procurariam senao 0 Seu Amor!” (Santa Gema Galgani) wrdicals Hrereicins 1. Para,relembrar, coloque os pronomes pessoais (cu, tu ele, nds, vés, eles) de acordo com a terminagao do verbo: a) rezamos. b) ua __viveste, c) Ve falastes, a) 1 @) recebeu. ec) i. vendo. 1 i. comungamos. re70u. ___amireis. i) perdoei. ) x partilhamos. k) £2 __ abengoastes. Do cams. m) A) eresceu. 2. Passe as frases abaixo para o pretérito: a) “I estou farto de holocaustos de carneiros, de gordura de bezerros; ndo me comprazo no sangue dos touros, dos cordeiros e dos bodes.” (Isaias 1, 11) b) “Quando estendeis as vossas maos, aparto de vés os meus olhos: quando multiplicais as vossas oragdes niio as atendo, porque as vossas maos esto cheias de sangue.” (Isafas 1, 15) ¢) “Senhor, nés nao sabemos para onde vais; como podemos saber 0 caminho?” (Sao Joao 14, 3) 4) “Nao tirard os seus olhos dos justos, e, ao fim, os colocard, com os reis, sobre 0 trono.” (J6 36,7) ©) “Eu glorificarei 0 Senhor pela sua justi (Salmo 7, 18) © cantarei salmos ao nome do Senhor altissimo. 3. Passe as frases abaixo para o futuro: a) “Abriue aprofundou uma cova, mas caiu nessa (mesma) cova, que fez. (Salmo 7, 16) 37 b) “Repreendeste as nagées, exterminaste o impio, apagaste o seu nome para sempre.” (Salmo 9, 6) ©) “Foi sacudida e tremeu a terra, os fundamentos dos montes vacilaram e abalaram-se, porque ardia em ira.” (Salmo 18, 8) 4) “Levanta-te, tem piedade de Sido, porque é tempo de teres piedade dela, visto que chegou a hora.” (Salmo 102, 14) ©) “Muitos Judeus Jeram este titulo, porque se achava perto da cidade o lugar onde foi crucificado.” (Sao Jo&o 19, 20) 4. Conjugue os verbos no pretérito ¢ no futuro: Pretérito Presente Futuro Eu— Eu—Rezo Eu— Ele— Ele —Confessa Ele — Eles—Comungam | Eles — Eu— Eu —Faco Eu— Tu Tu— Abragas Tu Nos — Nés—Perdoamos | Nos — Vos — Vos — Amais Vos — 5. Indique em qual modo verbal (indicativo, subjuntivo ou imperativo) estio os verbos destacados a seguir: a) “Louyai o Senhor, aclamai o seu nome, tornai conhecidas as suas obras entre as gente: (Salmo 105, 1) b) “Os pais, abracando a sua filha, beijaram-na e deixaram-na partir, recomendando-Ihe que honrasse os seus sogros, que amasse seu marido, que regesse a sua familia, que governasse a sua casa, conservando-se ela propria irrepreensivel.” (Tobias 11, 12-13) ©) “Digo-te que nao sairas de Ié enquanto nao pagares até ao tiltimo ceitil.” (Sao Lucas 12, 59) 58 4) “Ora, irmaos, fiz aplicagao destas coisas a mim e a Apolo, por causa de vés, para que aprendais em nds a nfo ir além do que esta escrito, e nao vos ensoberbegais, tomando 0 partido de um contra o outro.” (1* Epistola aos Corintios 4, 6) ‘Naquela mesma hora Jesus exultou no Espirito Santo, e disse: ‘Gragas te dou, 6 Pai, Senhor do céu ¢ da terra, porque escondeste estas coisas aos sabios ¢ aos prudentes, ¢ as revelaste aos pequeninos.” (Sao Lucas 10, 21) e) Minigramatica Apés a conclusio de todas as leituras e atividades propostas na Seco “Gramatica”, elabore ‘um resumo que contenha os prineipais conceitos gramaticais estudados no més, Os exemplos que deverdo ilustrar o resumo devem ser retirados dos textos que foram lidos neste volume (Segdes: Aprendendo com os Santos e com a Igreja, Sagradas Escrituras ou Leitura Mensal), de modo a destacar os principios gramaticais estudados e analisar como a teoria aprendida se faz presente nos exercicios praticos didrios. Guarde 0 resumo em uma pasta para unir com os dos proximos volumes organizando, ao término do ano, uma Minigramatica MATER Bi 60 Orientacies para a avaliario Responsive, antes de aplicar a avaliacdo, leia com atengo as seguintes orientagde: — Avaliagio individual, sem apoio para diividas, sem uso de materiais de apoio e/ou dicionédtios. — A avaliagéio nao deve ser eserita pelos pais e/ou responsaveis, mas deverd ser o fruto dos estudos do aluno. A produgdo deve ser feita a tinta, na folha indicada. — Em caso de diividas, poderdo contar com 0 auxilio dos docentes por meio da tutoria. — 0 tempo sugerido para a realizago da avaliagao é de minimo de trinta minutos e maximo de duas horas. — Aos responsaveis que quiserem corrigir a avaliagtio segundo a conferéncia de pontos, sugerimos que seja feita a divistio de 10 (pontos) pelo numero de questdes existentes na avaliagao. 61 C { c CoCo eyeaey) € € iene C C € OOCMOt€ t OOOO Oo€ oe . Conjugue no pretérito 0 verbo amar, sofrer e sorrir: Avulincia de Gramitica O que é verbo? Escreva o que ele expressa e em que se diferencia dos substantivos. Indique a pessoa e numer modo e tempo dos verbos a seguir: a) Conversaram. 32) jdwwwd beck f b)Converterd. Boo i quel nse de dbere, 87 eile - ey Rezissemos. 50 aig cra ie e jk fo 42 ¢6 d) Perdoastes. ope simula dunt povclfecnt® €) Perseverardo.5 Param, play a Paro 1) Ajoethei."--2%, 9 allan, prrticotrres, 5 5 g) Amardes... guamrgyasions sauces Peso feb, Pompe 1% con Escreva os verbos do exercicio anterior em sua forma infinitiva ¢ indique qual ¢ o seu radical. . Ainda sobre os mesmos verbos, classifique-os segundo a sua conjugagao (1*, 2* ou 3*), . Conjugue no presente os verbos amar, sofrer e sorrir: ‘Amar Soffer Sorrir a \ fog lane 26 a \amey ef * Ele orn, a : Nos nore Sef “ y es maw of kd Eles Tn ; . ‘Amar Sofrer Sortir Eu whe BUU 26} Tu P+ ; Be | awou ‘Nos ore. 2 5 amas ro : ae Owmoanro we UUIOM 7. Conjugue no futuro o verbo amar, sofrer ¢ sorrir: : ‘Amar Sofrer Sorrir - Buf onmowe - a ONO DS ! Ele cna - Nos | ommanemes Vos | arransin Due < Eles lL onvratas Pinus > 8, Escreva uma oragao com os verbos no: 7 a) Modo indicativo. b) Modo subjuntivo. c) Modo imperativo. = Epil Perot 20. 7 cola. elle Fru, ~ Dou beck 8 anvanr. Js DAL olenia a adi aa - PRODUCAO DE TEXTO | Oe © MOM OOO Cre Oe €& CCC CHO Ess Over Gj ere C8O Ho Oo Celie Ci Ooe € Coe Coe Cle Ce€ 66 Produrso de Textos Nesta Seco “Produgiio de Textos” so apresentados critérios de identificagao, andlise, elaboragao e edigo de textos. O estudo acontecerd a partir de diversos Géneros Textuais. A palavra género tem sua origem na palavra latina generus, que significa familia, raga, ou seja, unido de elementos que apresentam as mesmas caracteristicas. Os textos também sio divididos em géneros de acordo com 6 assunto ou 0 modo com os quais 0 autor se expressa. Géneros Textuais so categorias de diferentes classificagdes de textos, isto é, sio modelos abrangentes que definem e distinguem a estrutura e os aspectos linguisticos da narragdo, da descrigao, da dissertago ¢ apresentam uma fungdo bem definida, que se adequa ao uso que deles se faz Sao exemplos de géneros textuais os romances, os contos, as crdnicas, as poesias, as cartas, as memérias, as catequeses, 0s discursos, € muitos outros, que estudaremos ao longo das Etapas subsequentes. Neste volume revisaremos os Elementos da Narrativa aprofundando alguns aspectos do enredo e iniciaremos o estudo sobre os Discursos da Narrativa. Hlementos da Narrativa Para melhor entender uma narrativa é necessério 0 conhecimento dos elementos que constituem sua estrutura: narrador, personagens, tempo, espago e enredo. Conhecendo-os € possivel perceber 0 modo como se organizam para construir uma histéria ¢ transmitir uma mensagem, Narrador Narrador é aquele que narra ou conta a aquilo que ¢ desenvolvido. No teatro, 0 personagem que faz.a intermediagao entre a ago da pega st6ria, locutor que explica, descreve ou comenta © 0 publico, Tipos de narrador: Narrador-personagem: © narrador-personagem conta uma histéria da qual participa como personagem. Narrador-observador: O narrador-observador conta a historia do lado de fora, sem participar das agdes. \s vezes, permite le conhece tudo Narrador-onisciente: O narrador onisciente conta a histéria de outros certas intromissdes narrando em 1* pessoa (eu que escrevo; fala de si mesmo). sobre os personagens e sobre o enredo, sabe o que se passa no intimo das personagens, conhece ado “oni suas emogdes e pensamentos, por isto é denom Personagens Os personagens sto os seres que vivenciam a historia contada pelo narrador. A classificagao dos personagens acontece através da importdncia e da fungo que estes desempenham na narrativa: Protagonista: é 0 personagem central, principal, da trama, O protagonista pode ser caracterizado como herdi que se destaca por atitudes virtuosas. Exemplo: no livro Margarida Alacoque: 0 amor do coragdo de Jesus, a protagonista da hist6ria é Santa Margarida Alacoque. Antagonista: ¢ 0 personagem que cria o conflito da trama, opondo-se ao protagonista. A palavra antagonismo significa oposiga0o, rivalidade, incompatibilidade. Nao se faz necessariamente presente em toda narrati va. Exemplo: na historia da Criagdo podemos classificar como antagonista, Licifer, pois este se opde ao Bem supremo, que é Deus. Personagens secundarias: sdo personagens de importéncia pouco inferior a do protagonista. Eles possuem proximidade com o protagonista e enriquecem a historia com sua participagao na trama, Exemplo: no conto “Um ramo seco florido”, 0 padre & um exemplo de personagem secundario, ele esti envolvido com a trama, no entanto, nao participa de toda a histori protagonista, Os animais como personagens: sabemos que, na vida real, os animais nao fazem festas, ndo falam, nem trabalham. Mas, nas historias eles podem apresentar tanto os defeitos quanto as qualidades do ser humano, a depender da situagao retratada pelo escritor. Assim, ao introduzir um animal, o autor pode ir preparando o leitor para as caracteristicas a serem percebidas. Este recurso, de introduzir caracteristicas humanas a seres inanimados chama-se personificagao ou prosopopei Exemplo: os animais no conto “O cavalo e o jumento”. Tanto o cavalo quanto o jumento icas de seres humanos. apresentam caracter Ao caracterizarmos (ou identificarmos) personagens, podemos descrever: Caracteristicas fisicas: cor da pele, cor ¢ tipo de cabelo, cor dos olhos, altura, ete. Exemplo: “Mandou-o, pois, chamar e apresentou-o (a Samuel). Ele era loiro, de olhos formosos e belo aspecto. O Senhor disse: Levanta-te, unge-o, porque € esse mesmo (que eu escolhi). (Sm 16, 12) Caracteristieas psicolégicas, emocionais ¢ espirituais: carter, humor, comportamento. temperamento, reagdes, etc Exemplo: no livro Margarida Alacoque: 0 amor do coragao de Jesus, Santa Margarida Maria Alacoque ¢ descrita: Margarida tinha carater amavel, tinha vivacidade, era muito risonha & gostava de brincar. \es Tempo O tempo ¢ a indicagao do periodo histérico, da época do ano ou do periodo do dia em que se passam os fatos narrados. O tempo da narrativa pode ser linear — em ordem cronolégica ~ contando os fatos do inicio ao fim ~ ou nao linear ~ comegando no meio da agao, avangando e retrocedendo (flashback) conforme as intengdes do narrador. Kspago O espaco é a indicagio de lugar, pais, regido ou ambiente em que ocorrem os fatos narrados. ‘Hureda 0 enredo ¢ 0 desenvolvimento dos fatos da historia. Diz. respeito ao ato de conceber a histéria e prender a atengao do leitor a cada avangar e recuar dos acontecimentos. O enredo das narrativas tradicionais apresenta, em geral, a sequéncia: apresentagao — complicagao (ou conflito) ~ climax e desenlace (ou desfecho). Aprofundaremos o estudo do enredo a seguir: Luredo 0 Enredo é o Elemento da Narrativa que forma a sequéneia da histéria, a partir de uma sucessiio de acontecimentos interligados entre si O enredo é organizado em: ¥ Apresentagao: introdugiio da histéria ao leitor, levando-o a conhecer sobre o que 0 texto ird tratar e sua contextualizagao. Y Complicagio: situagio de conflito da histéria, cuja intengdo é prender a atengao do leitor através de uma tenso ocorrida na sucesso dos fatos ¢ o despertar para Os eventos da Complicagao conduzem ao Climax. avangar na leitura. Y Clima‘ em que a ago atinge seu momento critico. ve uma solugao no texto. Este € 0 ponto momento mais tenso da trama que exi ¥ Desenlace (ou desfecho): momento em que o conflito ¢ solucionado ¢ o enredo & findado. E importante recordar que apresentaremos as caracteristicas gerais, mas o texto pode conter flexes nestas caracteristicas (como por exemplo, narrativas que nao possuem apresentagao) Neste volume aprofundaremos a Complicagio € 0 Climax, componentes importantes do redo. Complicugan ‘A Complicagao dentro da narrativa ¢ a situagao de conflito, dificuldade, a partir das ages que fazem parte da historia. Todo enredo possui complicag’o, ou seja, um conflito vivido por um ou mais personagens, cuja intengdo é prender a atengdo do leitor através de uma tensio ocorrida o dos fatos e o faz despertar para avangar na leitura até o climax imax é © momento mais tenso da trama, 0 qual exige uma solugdo no texto. Este é 0 ponto em que a ago atinge seu momento critico. Exemplo de Narrativa | O melhor refiigio Na longingua e organizada Alemanha do inicio do século XX, a primavera jd se iniciara e a pequena Hilde assistia com muito entusiasmo sua aula favorita, ao ar livre. A alegria que sent no provinha, porém, daquilo que 0 professor falava, nem da contemplagio das flores que comegavam a desabrochar na floresta. E verdade que ela sempre gostara da Histéria Natural, e ainda mais das delicadas florezinhas que cercavam a improvisada sala de aula campestre, mas scus pensamentos voavam para longe... para uma capela que se encontrava a uns poucos quilémetros dali! Ela tinha aprendido, havia alguns dias, que ‘Nosso Senhor estava presente em Corpo, Sangue, Alma ¢ Divindade nas Sagradas Espécies Eucaristicas e ficara de estar Jesus escondido no encantada com a id sacrério, E, durante a aula, néo via a hora de poder aproximar-se do Santissimo Sacramento, Tao logo terminou as tarefas eo professor rezou para encerrar os trabalhos, saiu correndo para a capela, que nunca ficava varia, Qual no foi sua surpresa quando, ao entrar, vviu que ndo havia ninguém fazendo companhia a Nosso Senhor... entio disse consigo: — Vou ficar com Ele, pelo menos até alguém chegar. Nao deve tardar muito. Hilde nem se preocupou com o tempo da espera, pois, todas as tardes, ao por do sol, os devotos moradores do povoado se dirigiam a capela a fim de rezar por seus irmos que estavam lutando na guerra. Certamente n&o demoraria © uma alma piedosa se apresentaria, Entretanto, os minutos se escoavam, ¢ nada! A noite estava caindo e ninguém aparecia, Assim, ela resolveu passar a noite ali. Nao 70 queria de nenhum modo abandonar o Divino Prisioneiro do sacrario. — Minha mae vai ficar preocupada ~ disse baixinho ~, mas, quando ela souber que eu estava com Nosso Senhor, vai ficar muito contente, Aquela foi a noite mais feliz de sua vida! Sentia a presenga dos Anjos que pareciam acompanhé-la nos cdnticos que entoava em louvor a Jesus Sacramentado. Também Nossa Senhora Se mostrava mais sorridente na bela imagem do altar, como se quisesse fazer notar que a acompanhava nas manifestagdes amorosas de seu puro coragao. Estava tio contente que nem sentiu a noite passar. Mais tarde, ao ver uma réstia da luz, do sol que era filtrada pelos singelos vitrais da janela, se deu conta de que amanhecera e a tinica pessoa que se encontrava ali era ela mesma! —0 que tera acontecido? Por que ninguém apareceu? ~ perguntou-se, enquanto se dirigia até a porta. E, ao abri-la, se deparou com um cenario que a deixou muito surpreendida: a floresta havia sumido! Onde estavam as drvores? Que havia acontecido com as flores que desabrochavam? E 0 passarinhos? Nao se escutava nem um pio e s6 se via um deserto de cinzas. Saindo da capela, a inocente menina andava devagar por aquele lugar, antes repleto de vegetago e agora coberto de pé. Depois de certo tempo caminhando, chegou 4 clareira natural onde costumavam ter aulas: todos os moradores do lugarejo ali se encontravam, chorando a perda de seus bens. — Hilde! ~ gritou uma voz conhecida, no meio da multidao. Era sua mae que, aliviada por encontrar a ia mente infantil, porém, jo: 0 que sucedera? E filha, corria até ela. Em s ainda existi: perguntou: uma interrog: — Mamae, que aconteceu? Por que tudo esta transformado em cinzas? Como foi que tudo se queimou? ‘A mie, entdo, Ihe explicou que, ao cair da noite, os vizinhos se haviam reunido para escutar pelo radio as titimas noticias da guerra, em vez de se dirigirem a capela para rezar, como sempre 0 faziam, Os reporteres, com suas vozes fortes ¢ vibrantes, relatavam as baixas dos inimigos e as conquistas dos aliados alemaes. Também enumeravam os assinalados atos de heroismo realizados. pelos soldados do pais, prendendo a atengao dos interessados ouvintes, Como a luz do dia estava desaparecendo, eles comegaram a acender velas para dissipar lum pouco a escuriddo ¢ uma delas caiu, sem que percebessem, iniciando um terrivel incéndio! Tentaram apagar 0 fogo com baldes de agua e cobertores, mas as folhas ¢ os gravetos secos espalhados pelo chio serviram de combustivel as labaredas, que eresceram ¢ se alastraram 1 rapidamente, consumindo toda a floresta! Ademais, como a maioria das casas do lugar era feita de ‘madeira, estas também pereceram com a voragem das chamas. Ao amanhecer, apesar dos esforgos € tentativas de debelar o fogo, j4 nao restava mais do que cinzas e perdas! — E vocé ~ perguntou a mae — onde passou a noite, que nem se inteirou do que aconteceu? A pequena contou-lhe que durante toda a noite fizera companhia a Jesus Héstia, nneiro no sacrario, cantando e rezando, uma vez que no aparecera ninguém para adord-Lo € pri fazer-Lhe companhia. Por isso néo vira e nem sentira nada do que ocorria do lado de fora da capela. Os aldedes ali presentes se puseram a pensar: qual teria sido seu destino se em vez de ficarem presos as noticias do rédio tivessem ido rezar, como de costume? Decerto estariam como Hilde, a tnica que nio tinha sido ferida ou queimada e que levava no rosto a luz de Cristo, de cuja companhia desfrutara naquela noite memoravel a tantos titulos ‘A partir de entéio os habitantes da regido cresceram ainda mais na devogdio ao Santissimo Sacramento, e nunca mais se esqueceram de que a melhor forma de ser salvo nos momentos de grandes perigos ¢ tribulagdes & refugiar-se junto a Jesus Eucaristico! Reconstruiram todo o lugarejo, ¢ aumentaram ¢ decoraram com esmero a capela, que nunca mais ficou vazia! YNOA, Isabel Criseida Pérez. O melhor refiigio. Revista Arautos do Evangelho, ano 193, p. 46- 47, jan, 2018. Disponivel em: htips://www arautos.org/secoes/artigos/arte-e-cultura/contos-infantis/o- melhor-refugio-207841, Acesso em: 12 nov. 2020. * Observe a aniilise do conflito e do climax na Narrativa [ a partir de perguntas: 1. Qual a complieagao da narrativa? Identifique o trecho que expressa este conflito, R: A complicagao da narrativa é 0 momento em que Hilde vai para a Igreja adorar Jesus e fica esperando que alguém aparega para revezar com ela, porém ninguém aparece e ao amanhecer ela nao entende porque ninguém veio 4 igreja para adorar o Santissimo Sacramento. “Estava (do contente que nem sentiu a noite passar. Mais tarde, ao ver wma réstia da luz do sol que era filtrada pelos singelos vitrais da janela, se deu conta de que amanhecera e a tinica pessoa que se encontrava ali era ela mesma! — O que terd acontecido? Por que ninguém apareceu? até a porta,” — perguntou-se, enquanto se dirigia 2. Qual é climax da narrativa? Identifique o trecho que caracteriza este aspecto da narrativa, R: O climax da narrativa se dé quando Hilde abre as portas da capela e observa 0 cendrio: Saindo da capela, a inocente menina andava devagar por aquele lugar, antes repleto de vegetacao © agora coberto de pd. Depois de certo tempo caminhando, chegou a clareira natural onde costumavam ter aulas: todos os moradores do lugarejo ali se encontravam, chorando a perda de seus bens — Hilde! ~ gritou uma voz conhecida, no meio da multidao. Era sua mae que, aliviada por encontrar a filha, corria até ela. Em sua mente infantil, porém, ainda existia uma interrogagao: 0 que sucedera? E perguntou: n — Mamie. que aconteceu? Por que tudo esta transformado em cinzas? Como foi que tudo se queimou?” 4 ou emplo de Narrativa I Uma Missa... um cavalheiro... um retrato. Saberdio as almas quando se dizem missas por elas? Monica, uma jovem muito boa e piedosa, est convencida que sim. Era ela uma pobre criada, que ganhava o pao servindo nas casas dos ricos. Simples, cheia de fé, contente com o trabalho e o pequeno salario que Ihe davam, pois Deus a fizera abnegada e sabia que a Ele se pode servir em qualquer oficio, Mas um dia adoeceu e ndo teve remédio sendo internar-se no hospital dos pobres. Depois de scis semanas deram-Ihe alta; perdera, porém, o emprego e no sabia onde refugiar-se, débil e sem recursos. Uma moeda de prata era toda a sua fortuna; mas seu coragdo estava cheio de confianga em Deus. Toma a sua moeda e manda celebrar uma Santa Missa pelas almas do purgatorio, a fim de que elas Ihe consigam uma boa colocagao. Ouviu a Missa devotamente. E aquela mensagem chegou ao destino. Ao sair encontrou-se com um senhor, que, aproximando-se, a saudou e disse: Soube que a senhora procura um emprego; aqui esta o enderego de uma casa onde a receberdio. Deu-lhe, em seguida, o nome da rua e o nlimero da casa, e desapareceu. Ficou Ménica perplexa, sem saber o que pensar nem como explicar tudo aquilo. Como podia saber aquele senhor que ela procurava um emprego, visto que nao comunicara a ninguém 0 seu desamparo? Foi logo a rua e casa indicadas, Disse 0 que desejava e imediatamente a dona da casa a contratou para o servigo doméstico. No dia seguinte, estando a fazer a limpeza, pds-se a contemplar os retratos pendurados & parede. De repente, surpreendida, exclamou: ‘enhora, quem é aquele senhor que esta ali retratado? f° precisamente o senhor, que, a0 sair eu da Missa, me deu o enderego da senhora. — Como! Exclamou a senhora, esse é meu filho, que hé pouco tempo tive a infelicidade de perder! A noticia da Missa chegara tio depressa ao Purgatério, que, a0 sair Ménica da igreja, a resposta pessoal a esperava & porta. O defunto alcangara de Deus permissao de vir agradecer a sua benfeitora e pagar sua caridade. ALVES, Padre Francisco, Uma Missa... um cavalheiro... um retrato. /n: ALVES, Padre isco. Tesouro de Exemplos. Il. ed. PetrOpolis, R.J.: Editora Vozes LTDA, 1958. v. I, eap. 11, p. 20-21. PDF. +b Observe a aniilise do conflito ¢ do climax da Narrativa II a partir de perguntas: 1. Qual éa complicagao da narrativa? Identifique o trecho que expressa este conflito e justifique B

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