UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
ESCOLA DE ENGENHARIA DE SÃO CARLOS
DEPARTAMENTO DE ESTRUTURAS
Concreto Annado: Vigas submetidas a esforços de torção
José Samuel Giongo
sao Carlos, agosto de 1994
Publicação 057/94
O deste é as da área de concreto
ministradas na Escola de Engenharia de Canos - USP, Departamento de
Estruturas. O serve como apoio ao aprendizado e com a bibliografia
pertinente, as noçOes sobre a mataria abrangida.
~·~•~~-"'''~~
analisa a verificação segurança de vigas de concreto
empregaclaS em estruturas de edifrcios submetidas a tensOes tangenciais
análise teórica é baseada em trabalho de LEONHARDT (1977), são
discutidos os modelos para determinação dos esforços resistentes e, é
apresentada a de dimensionamento mostrada na NB 1flS. De modo
didático é o exemplo de dimensionamento de uma viga continua que faz
parte de uma estrutura de marquise de ediflcio, desenvolvido inicialmente em
notas de aula de PINHEIRO e GIONGO (1989). No exemplo é mostrado o
detalhamento, em forma de memória de cálculo, das armaduras dimensionadas e,
nao o detalhamento que deve ser encaminhado à obra, ficando este para uma
versão posterior do trabalho.
Nos casos de vigas o efeito de torção vem sempre acompanhado dos
efeitos de flexao - momento fletor e força cortante, pois nao é possfvel evitar, pelo
menos a açao de peso próprio das estruturas. Além disto ocorrem as ações
inerentes à própria razao de existir da estrutura - ações de paredes, ações de
utilizaçao, ações de costruçao, etc. Assim, sao discutidos os efeitos de torçao
simples e torção combinada com os efeitos citados.
No decorrer do desenvolvimento do trabalho o autor contou com a
coiaboraçao do Eng. Flávio Barboza de Uma, professor na Universidade Federal
de Alagoas e doutorando na ESSC-USP, Departamento de Estruturas,
responsável pela revisao do texto e digitacao de parte dele. o autor agradece este
inestimável apoio.
DEDALUS - Acervo - EESC
lllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllllll
31100103729
SUMÁRIO
1. Introdução 1
1 .1 Generalidades 1
12 Tensões principais no caso de torção simples 3
1.3 Torção com empenamento impedido 7
2. Esforços e tensões no caso de torção simples 8
2.1 Analogia da treliça 8
2.2 Determinação dos esforços e tensões em treliças espaciais 9
2.2.1 Caso de armadura transversal inclinadas de 45 o 9
2.2.2 Caso de barras longitudinais e estribos verticais 12
3. Tensão tangencial de Torção 14
4. Tipos de colapso em vigas submetidas à torção 16
4.1 Escoamento das armaduras 16
4.2 Ruptura por compressão do concreto 16
4.3 Ruptura das quinas 16
4.4 Ruptura das ancoragens 17
5. Critérios de dimensionamento especificados pela N B 1 I 78 17
5.1 Dimensionamento de peças submetidas a esforços de
torção combinados com força cortante e momento fletor 17
5.2 Cálculo da tensão na seção vazada 18
5.2.1 Tensão na seção cheia 18
52.2 Valor último de tensão de cálculo 19
5.2.3 Resistência do banzo comprimido 20
5.3 Cálculo da áreas de armaduras 20
5.3.1 Generalidades 20
5.3.2 Armadura para torção composta 21
5.3.3 Armaduras para caso de torção simples 21
5.3.4 Área da armadura mínima 22
5.3.5 Espaçamento máximo entre as barras que compõem
a armadura 22
6. Exemplo de aplicação 23
61 Apresentação 23
6.2 Dimensionamento da laje da marquise 24
6.2.1 Ações uniformente distribuídas 24
6.2.2 Ação variável normal 25
6.2.3 Ação total na laje 25
6.2.4 Uniformemente distribuída no contorno 25
6.2.5 Cálculo das solicitações 25
6 2.6 Verificação das tensões devidas à força cortante 26
6.2.7 Armadura transversal na laje 27
6.2.8 Determinação das armaduras na laje 27
6.2.9 Detalhamento esquemático das armaduras 28
6.3 Dimensionamento da viga 29
6.3.1 Ações a considerar 29
6.3.2 Determinação dos momentos fletores e forças cortantes 30
6.3.3 Determinação dos momentos torçores 30
6.3.4 Verificação da segurança da viga 32
6.35 Cálculo das armaduras longitudinais para momento fletor 35
636 Cálculo das armaduras transversais para absorver
a ação da força cortante 36
637 Cálculo das armaduras para absorver o momento torçor 36
6 3.8 Determinação das áreas das armaduras longitudinal
e transversal finais 37
639 Detalhamento esquemático da seção transversal
da estrutura da marquise 38
Referências Bibliográficas
1. INTRODUÇÃCD
Nas vigas de edifícios só se considera o efeito da torção quando este for
imprescindível para a verificação do equilíbrio da estrutura. Podem ser citados
como exemplos de situações em que a sua consideração é necessária para o
equilíbrio da estrutura os casos de vigas que recebem lajes em balanços sem
continuidade com outras lajes da estrutura. A simples ligação de lajes maciças
com as vigas de borda , embora gerem torção, esta não é considerada, pois não
há necessidade para o equilíbrio da estrutura.
Considerando o pavimento de edifícios, constituído por lajes maciças e
vigas, as vigas podem ser consideradas, estruturalmente fazendo parte da grelha
do pavimento. Ao se determinar os esforços solicitantes nas barras da grelha vai-
se deparar com esforços de flexão - momento fletor e força cortante - e de torção
oriundos das ligações entre as vigas no plano horizontal. Como será visto as
seções transversais retangulares de vigas de concreto armado exigem rigidez
suficiente à torçao para que este efeito seja considerado. Como na maioria dos
casos de projetos estruturais de edifícios as espessuras das vigas ficam limitadas
a valores da ordem de 1Ocm a 20cm, por questões de interferência com o projeto
arquitetônico, e estes valores não são suficientes para uma seção transversal
absorver as tensões tangenciais oriundas da torção, na maiorias dos casos este
efeito é desprezado.
1.1 GENERALIDADES
Nas estruturas usuais os efeitos da torção estão acompanhados dos efeitos
de flexão (momento fletor e força cortante). Isto se dá pelo fato de as estruturas
estarem submetidas às ações inerentes ao fim para qual a estrutura se destina.
Para as vigas submetidas à torção simples muitos ensaios experimentais
foram realizados justificando o modelo teórico para o dimensionamento. Estes
resultados podem ser extrapolados para torção com ação combinada de
momento fletor e força cortante.
O efeito das tensões tangenciais oriundas da torçao provoca empenamento
da seção transversal, isto devido aos diferentes alongamentos longitudinais das
fibras. Quando o empenamento não é impedido, este tipo de torção é chamada de
torção livre ou de St. Venant. Com impedimento, o que mais ocorre na prática das
estruturas pois há iigaçao entre os elementos estruturais, originam-se novas
tensões longitudinais. Nos casos de seções transversais com rigidez à torção e
por ocorrer a fissuração do concreto, com perda de rigidez, o efeito de coação
devido ao impedimento pode ser muito reduzido. Este efeito gerado pelo
impedimento ao empenamento é considerado com a colocação de uma armadura
construtiva convenientemente detalhada.
A verificação da segurança de vigas de concreto armado submetida a
tensões tangenciais oriundas da torção é feita baseada no princípio de que as
resistências do concreto à tração são desprezadas e, portanto as barras de aço
devem absorver as tensões de tração. O momento torçor deve ser majorado do
coeficiente de majoração das solicitações, que é adotado igual a 1,4 , conforme
indicação da NB 1/78.
As condições de segurança devem atender:
a As tensões nas armaduras, calculadas supondo o concreto fissurado
(Estádioll), não devem ultrapassar a resistência de cálculo das barras da
armadura;
b. as tensões de compressão no concreto, no Estádio 11, devem ser limitadas a
valores baixos, restringindo-se a uma parcela da resistência à compressão do
concreto, pois nas diagonais comprimidas surgem tensões secundárias
elevadas.
Quando as tensões de torção forem elevadas, em função das ações
atuantes na viga, há necessidade de se verificar as deformações, considerando
as hipóteses do Estádio li - concreto fissurado, pois os deslocamentos podem ser
incompatíveis com o fim ao qual se destina a estrutura. Lembra-se que a rigidez
no estádio 11. é bem menor que a rigidez no estádio I - concreto ainda não
fissurado. Nos casos em que os deslocamentos não forem satisfeitos há que
reprojetar as dimensões da peça.
Como já foi dito os momentos torçores surgem nas estruturas de barras
devido ao efeito de coação, ou seja através de impedimento às deformações
longitudinais. Esta situação é denominada de torção de compatibilidade. Como
exemplo podem ser citadas as vigas de borda dos pavimentos de edifícios. que
devido à ação do momento fletor de engastamento da laje, tende a provocar giro
na viga. Como a rigidez à flexão dos pilares se contrapõem ao giro, aparecem na
viga tensões tangenciais que por sua vez provocam torção.
A figura 1, apresentada em LEONHARDT(1977), mostra a situação de
ligação de laje com viga de borda. O momento fletor uniformemente distribuído
que atua na ligação da laje com a viga e, que provoca tração nas fibras superiores
da laje, é transferido, por equilrbrio, para a viga. Este momento uniformemente
distribuído atuante na viga, gera reações nos pilares que são momentos atuantes
na ligação da viga com o pilar. O plano de ação destes momentos é perpendicular
ao eixo da viga, gerando para os pilares uma situação de flexão normal composta
Na viga há a ação de uma força uniformemente distribuída vertical
representada pela reação de apoio na laje. Esta ação provoca na viga efeitos de
flexão (momento fletor e força cortante).
Em função das baixas rigidezes à torção das vigas de pavimentos de
edifícios o efeito da torção é desprezado, isto se dá pela consideração de apoio
das lajes nas vigas de borda e não de engastamento. As armaduras nas vigas são
constituídas por estribos verticais e barras longitudinais por questões de
facilidade de execução e de otimização de trabalho na obra. Este tipo de armação
leva a uma diminuição da rigidez à torção de 5 a 8 vezes em relação à rigidez de
flexão, justificando o fato de serem desprezados por ocasião do dimensionamento
das vigas de pavimento.
Define-se torção de equilíbrio aquela em que há necessidade de sua
consideração para satisfazer as condições de equilíbrio estático da estrutura. A
não consideração pode levar a estrutura ao colapso, por falta de capacidade
resistente à torção. Como exemplo apresenta-se o caso das marquises ou de
lajes onde não é possível considerar a sua continuidade com laje contígua.
2
Me
(ll'illmr}
FIGURA 1 -Laje maciça de pavimento ligada a viga de extremidade
[Leonhardt, 1977]
Na estrutura da figura 2 que representa o caso de uma marquise
constituída por laje em balanço, isto é, laje com três bordas livres vinculada à viga
e esta, por sua vez vinculada aos pilares. A única consideração possível de
vinculação ê considerar a laje engastada na viga, o que gera na viga, além das
ações verticais uniformemente distribuídas, um momento uniformemente
distribuído que para ser equilibrado mobiliza a ação de momentos nos pilares. A
ação do momento uniformemente distribuído na viga e dos momentos gerados
pelos pilares leva ao aparecimento de momentos torçores nas seções transversais
da viga, cujo valor máximo ocorre junto aos pilares.
A viga deve ser dimensionada para absorver integralmente os momentos de
torção.
1.2 TENSÕES PRINCIPAIS NO CASO DE TORÇÃO SIMPLES
Nas seções transversais com dupla simetria o centro de cisalhamento
coincide com o centro de gravidade, sendo que o momento torçor deve ser
referido a este centro.
3
PILAR VIGA ~ PILAR
P----- ------- ______ LL ________ t· --------- =q
PILAR
; i
:I LAJE . i
1~-----------------------~-----1---------- ~I
NERVURA
VIGA
NERVURA
L LAJE
NERVURA~ -
VIGA
PILAR
FIG URA 2 - Laje maciça engastada em viga - Laje em balanço
A torção simples com empenamento livre produz nas barras um sistema de
tensões principais inclinadas de 45° e 135° . Analisando a figura 3 percebe-se
que as tensões de tração ocorrem na direção da rotação e as de compressão
perpendicular, de acordo com uma trajetória helicoidal, sendo que os valores
máximos das tensões ocorrem nas faces externas da barra. A figura 4 mostra a
variação das tensões em seções transversais retangulares, circulares e seções
vazadas.
4
ty
FIGURA 3 -Tensões principais em barra cilindrica submetida a torçao simples
[Leoohardt, 1977]
FIGURA 4 -Variação das tensOes em seções retangular, circulares e vazadas
[Leoohardt, 1977]
A tensão de torça<> pode ser calculada pela expressao 1 que representa
uma tensão tangencial.
T
t'f = - [1]
Wt
onde, T é o momento de torçao atuante na seçao transversal e Wt é o módulo de
resistência à torçao.
Sendo x o eixo coordenado paralelo ao eixo da barra e y o eixo
perpendicular a este, contido no plano de corte da seçao transversal, e tendo em
vista que a torçao livre ox = O e oy = O, a tensão tangencial 'tt é igual à tensão
principal, ou seja:
sendo a direçao de o-1 igual a 45°
A variação da tensão tangencial 'tt na seçao transversal é indicada na figura
4, para diversos tipos de seçao transversal, sendo que ao longo da seçao
transversal a tensao tangencial troca de sinal. Ao longo do eixo longitudinal e nos
=
cantos da barra a tensão tangencial é igual a zero ( 'tt o ).
5
Na tabela 1 indicam-se os valores da tensão tangencial máxima ( ttmax) e
dos momentos de inércia à torção lt para as seções transversais usuais A tabela
1 foi adaptada de LEONHARDT(1977).
TABELA 1 -Tensão de torção e momento de inércia à torção
It
16 T 'lt d I.
Tt dT 32
'lt
-32 (é-di 4 )
2 3
T hedm
Tt hedm2 - Tt
16
rr
T
1.,81 O, 11.1 a I.
--;3
-r-- d t
B1 ~
1,5 2,0 3,0 I. ,O 6,0
O, 196 0,229 0,263 0,281 0,299 O, 307 0,313 Q333
1.,33 1.,01 3, 74 3,55 3,35 3,26 3,20 3,00
8,0 10,0 co
1---------- - ···-- _ _ L.-·- -'--r-~---'-----'"---'---1
Fórmula de Brlldt
Seçlo vauc:la qU41iquar
T
2 Ae. he
----- ---~---------1
Soçio retlllragular vazada
T 2 1 1
--+--+--
bs he hs h e hs· he
- 5,32 ;3
o ,130 d'-
6
Como já foi dito a deforTnaÇao das da barra na direção do eixo que
surge em funça<> das rotações é denominada empanamento. Segundo
Timoshenko o empanamento de uma barra retangular sob ação de uma .
rotaçao pode ser representado 5. Este fenômeno fica mais visível se
for desenhado um reticulado nas faces prisma. O plano da seçao transversal,
depois do empenamento se transforma em curva espacial .
FIGURA 5 - Barra solicitada à torção [Sossekind, 1985]
As tensões longitudinais de empenamento sao variáveis ao longo do
comprimento da barra, sendo que os valores máximos ocorrem nos pontos onde o
empanamento é impedido. Nestes pontos as tensões diminuem com maior ou
menor intensidade em função da rigidez e esbeltez da barra. As regiOes onde
ocorrem as perturbações têm comprimentos menores que aqueles onde ocorrem
o efeito de O't. St. Venant, isto é, com comprimento igual à altura da seção
transversal. Para uma viga de seçao retangular, com vinculo de engastamento
nas extremidades para as ações horizontais, a vanaçao das tensões pode ser
vista na figura 6. O impedimento ao empenamento ocorre na regiao dos vinculas,
no ponto de apiicaçao do momento torçor e, no caso de vigas continuas, entre os
apoios intermediários.
Vwiaçio das tM~ loflgitudiMill
d® Gill'l'lpc~N~m411'1to IJX
FIGURA 6- Distribuiçao das tensões de empenamento [leonhardt, 1977]
O valor e a variaçao das tensões longitudinais de empenamento sao
calculados com as hipóteses da Teoria da Elasticidade, sendo que para peças de
concreto armado as hipóteses só têm validade para peças que as tensões de
7
tração no concreto sao menores ( Estádio I ) do que aquelas que provocam o
aparecimento de f;ssuras. As vigas que tenham seções com suficiente rigidez à
torça<>, e que em função das ações aplicadas estejam fissuradas, foi observado
que as tensões devidas ao empenamento descrescem oom a fissuraçao do
concreto. Desse modo as peças fteam com sua segurança garantida, quando
convenientemente dimensionadas à torçAo e, com relação ao empenamento
recomenda-se dispor, na região de perturbação, armadura adicional com a
finalidade de limitar a abertura das fissuras.
2. ESFORÇOS E TENSÕES CASO DE
2.1 ANALOGIA DA TRELIÇA
Ensaios realizados por Leonhardt justificam que, após iniciado o processo
de fissuraçâo das vigas submetidas a esforços de torção, as fessuras se
desenvolvem em forma de hélice e com angu!o de 135° de inclinaçao. A
resistência da peça é tal que apenas as paredes delgadas externas da seçao
transversal colaboram, como se a seção transversal fosse vazada. As armaduras
utilizadas no modelo foram constituidas por estribos verticais e barras
longitudinais distribuídas na seçao transversal. O fato de apenas as paredes
delgadas ooaborarem na resistência é justifteado pelo fato de ao se comparar os
resultados de ensaios de viga de seção o que com outra de seçao cheia, os
diagramas de deformações e de tensões no aço sao semelhantes nos dois casos.
As áreas das seções transversais das armaduras e suas posiçOes foram as
mesmas nos dois modelos.
Como conclusão pode-se depreender que para a verifiCação da segurança
de uma peça estrutural submetida à tensões tangenciais oriundas da torção, o
procedimento é tal que as seções cheias podem ser analisadas como se fossem
seção vazada. Os resultados dos ensaios comprovam este fato.
A figura 7 mostra as forças internas atuantes na seção transversal de uma
peça submetida a torçao simples. As forças Rst sao as que atuam na armadura
longitudinal e o eixo destas barras e deve estar contido nos pianos médios das
seções vazadas. As forças Reter sao as que atuam nas bielas de concreto e
atuam com as inclinações indicadas na figura e em toda a espessura da seção
vazada fictícia. As forças Rswt são as que atuam nos estribos verticais e sao
devidas exclusivamente aos efeitos da torção. Nas vigas submetidas a tensões
tangenciais oriundas da torção e do cisalhamento a armadura transvesal deverá
resistir aos esforços transversais oriundos de ambas solicitações.
As paredes de seçao vazada de espessura t podem ser associadas, para
verifiCação da segurança, podem ser consideradas, para efeito de modelo de
cálculo, como sendo treliças espaciais. As diagonais comprimidas da treliça
desenvolvem-se em hélice ao redor da seção vazada, com uma inclinação de 135°
em relação ao eixo da peça.
Os esforços solicitantes na treliça espacial é feito considerando-a como
uma superposição de seções vazadas com treliças de diagonais simples, ou seja
treliças planas dispostas em cada face da peça, possibilitando, deste modo, a
determinação dos esforços solicitantes na treliça espacial associando aos valores
8
obtidos para treliça plana. As direções da armadura transversal, a exemplo do que
foi considerado para peças submetidas à ação de força cortante, são adotadas de
45° e 90° em relação ao eixo longitudinal
FIGURA 7 -Torção simples- modelo de uma seção cheia fissurada
[Leonhardt, 1977]
O mecanismo resistente da peça é tal que os esforços de traçao são
absorvidos pela armadura transversal pois as treliças, que se formam nas faces
da viga, não possuem banzes comprimidos inclinados e também não possuem
diagonais comprimidas com inclinação menor do que 45°, a exemplo do que se
fez para o mecanismo resistente para força cortante.
2.2. DETERMINAÇÃO DOS ESFORÇOS E TENSÕES EM TRELIÇAS
ESPACIAIS
2.2.1 CASO DE ARMADURA TRANSVERSAL INCLINADAS DE 45°
O modelo adotado para a determinação dos esforços internos em uma viga
submetida a momento de torção consiste em associar a estrutura real a uma
treliça espacial conforme mostrado na figura 8.
Analisando o equilíbrio do nó A da treliça pode-se escrever:
ou seja, a força atuante na diagonal tracionada é iguai à força atuante na diagonal
comprimida
9
As l!amlis do benzo não são
solicitadas por nenhuma força R 5 w to r
Chapa extrema P!lnll a
llfllieaçio de MT
DisgoNis comprimidas
FIGURA 8 - Treliça com armadura inclinada de 45°, [Leonhardt, 1977]
Na seçao transversal representada pelo corte transversal passando pelo
plano I - I, se for feita a análise do equilíbrio do esforço externo ( T ) e do esforço
interno tem-se:
[2]
isto é,
T
Rsw = Rcw = b [3]
w.J2
Considerando a treliça espacial adotada como modelo, é possivef referir os
esforços internos à unidade de comprimento, que neste caso é determinado como
sendo a distância entre dois nós da treliça distantes ai do nó em retaçêo ao qual
se fará referência para calcular este esforço. Geometricamente o segmento que
define o comprimento unitário é determinado sobre a reta perpendicular à direçao
10
perpendicular ao eixo da barra da treliça que representa a armadura transversal,
como pode ser visto na figura 9.
A unidade de comprimento é dada por:
[4]
Portanto os esforços internos referidos à unidade de comprimento podem
ser escritos:
[5]
As tensOes nas barras comprimidas e tracionadas da treliça espacial
podem ser calculadas entendo-se que a tensão na barra comprimida é a tensao
que ocorre nas bielas de concreto da viga e a tensao na barra tracionada é a que
atua na armadura helicoidal. A área da seçao transvesal da treliça ( D2m) deve ser
substituída pela área da viga de seção retangular que no caso é a área média Ae
da seção vazada.
A expressao com a qual se determina a tensao no aço da armadura
helicoidal é dada por:
Rsw T Se
O"s,e = As . Se sena = 2Ac. r;:;
,e Ase'\12
'
sendo, Ash a área da seção transversal da barra da armadura helicoidal e s o
passo da armadura e a o angulo de inclinação da armadura adotado igual a 45° .
conforme indicado na figura 9.
FIGURA 9 - Área (Astor) e espaçamento (s) dos esbibos [Leonhardt, 1977]
A tensão no concreto é calculada pela expressao
[7]
onde t é a espessura da parede da seção vazada associada à. seção real da viga.
11
O arranjo da armadura constituído barras dispostas longitudinalmente e
distribufdas ao longo do perimetro dos estribos e por estribos perpendiculares ao
eixo da viga, é o mais indicado. Pois, as barras a sua área da
seçao transversal calculadas para absorver as tensOes normais oriundas
da flexão e, os estribos também têm sua àrea em ·função· das tensOes
tangenciais devido à flexêo. Além disto, este arranjo facilita a execução da viga na
obra, em contraposição às armaduras helicoidais que exigem maior dispêndio de
mão de obra.
A análise dos esforços internos e tensões é feito considerando como
modelo resistente a treliça da figura 1O, que é constitulda por barras longitudinais
tradonadas, barras perpependiculares ao eixo também tracionadas e
por diagonais comprimidas.
~/
CNp.~~ atrel'ml p.~~ra
mt'licaçio de T
FIGURA 10 - Torção simples- armadura perpendicular e paralela ao eixo
[leonhardt, 1977]
O equinbrio do nó B, figura 1O, fornece:
[8]
Analisando o corte transversal li - li da treliça e determinado-se o equilíbrio
das forças atuantes, pode-se escrever:
4.R5 t
Rcw
= 4.---=- [9]
-./2
e, ainda, considerando a mesma seção e, equilibrando a ação do momento torçor
com as quatro forças que atuam nesta seção, vem:
T -- ~-Rcw . bm -b P
- m··~·'li
r2· [1 O]
J2 2
As forças que atuam nas bielas de concreto comprimido, na armadura
longitudinal tracionada e nos estribos verticais também tracionados podem ser
calculadas pelas expressões:
[11]
Rcw T
Rst = Rsw = .J2 = 2 bm [12]
No item anterior foi feita referência às unidades de comprimento sendo que
as forças podem ser referidas à estas unidades, que estão indicadas na figura 1O.
As tensões que ocorrem na treliça são calculadas dividindo-se as forças
calculadas por unidade de comprimento pelas àreas dos respectivos elementos
da treliça.
As tensões nos estribos verticais podem ser caiculadas por:
T Se
CJsw = 2 .4; · Asw [13]
As tensões na armadura longitudinal ficam:
T u
ast = - - . - [14]
2.Ac A 5
As tensões nas bielas de concreto são dadas por:
[15]
Comparando as expressões 7 e 15 pode-se notar que as tensões que
ocorrem no concreto nas treliças com armadura constituída por estribos verticais
13
é o dobro da tensao que ocorre na treliça com armadura inclinada. As tensões
observadas, neste caso, sao maiores que as calculadas teoricamente o que indica
que as tensões no concreto devem ser limitadas à valores compat~veis.
Leonhardt indica que para a velificaçao do equiffblio da treliça não importa a
posição das barras longitudinais na seção transversal; elas podem estar
distribuidas nos quatro cantos ou no meio dos quatro lados. Alerta, ainda, que
para evitar o deslocamento das diagonais comprimidas é necessário, no arranjo
da armadura longitudinal, prever barras posicionadas nos cantos. Porém, para
limitar a abertura das fissuras, há necessidade de distribuí-las em tocio o
perimetro, dispondo sempre quatro barras nos cantos.
Para as vigas de concreto armado o valor de cálculo das tensões, supondo
a peça com tensões compatíveis com o Estádio 11, isto é, considerando-se seção
fissurada, e considerando a seçao vazada equivalente, é calculado com a fórmula
de Bredt, ou seja:
T
Tt = 2/Aehe [16]
A espessura (he) da parede da seçao vazada é determinada como o sendo
o menor valor entre, um sexto da dimensao menor da seção transversal e um
quinto das distância entre os eixos das barras longitudinais posicionadas nas
quinas dos estribos verticais, medida paralelamente ao menor lado da seção.
Para seçao retangular indica-se as diversas possibilidades para a seçao
vazada equivalente. Na figura 11 pode-se notar que os eixos da barras
longitudinais posicionadas nas quinas podem coincidir com os planos médios da
parede da seção vazada (figura 11 a ), podem ficar situadas para dentro ( f~gura
11 .b ) , ou fiCar mais próximas das bordas ( figura 11 c )
No caso de seçao retangular a área limitada pela linha média da parede
pode set calculada como a seguir se expõem, para os dois casos possiveis de
determinaçao da espessura da seçao vazada:
[17]
b. Se ~ he = ~6 e Ae = ~6 bÍLh-~]
6
[18]
14
h
-.11"---hs
-,IJL----h-----,ô"-
al !Esquema básico
t T b
~ l
FIGURA 11 - Seções vazadas equivalentes- análise das posições das barras
[Leonhardt, 1977]
LEONHARDT(1977) indica que, se prevalecer o critério de he = bw/6. 1sto
é. quando as barras junto as quinas do estribo vertical estao posicionadas
próximos das faces da viga, deve-se adotar a seçao vazada equivalente, de tal
modo que os seus lados externos coincidam com o contorno da seçao retangular
da viga.
No caso de seções transversais constituídas por retângulos, a área da
seção vazada correspondente é determinda com os critérios indicados na figura
12a.
Para seções irregulares a área da seçao vazada é área da seção da circular
correspondente ao círculo de maior área incrito na seçao, conforme figura 12b.
t T,l --~
I
S
_j_
h dm
e=-
s
F!GURA 12- Seções vazadas equivalentes para torção [Leonhardt, 1977]
15
4. TIPOS DE COLAPSO EM VIGAS SUBMETIDAS TORÇÃO
4.1 Escoamento das armaduras
A ruptura brusca de viga submetidas a tensões oriundas da torção deve ser
evitada e, para que isto ocorra uma armadura mínima, para absorver as tensões
de tração, deve ser adotada.
A armadura deve ser dimensionada de tal modo que, se a peça for !evada à
ruina, esta deve ocorrer por escoamento da armadura e não por ruptura do
concreto. Assim procedendo fissuras características do efeito de torção
aparecem na peça e medidas de proteção podem ser adotadas.
As tensões de tração devem ser absorvidas exclusivamente pelas
armaduras convenientemente ancoradas não havendo, portanto, possibilidade de
redução como feita no modelo adotado para verificação da segurança com relação
à força cortante. Leonhardt, indica que assim deve ser o procedimento, pois no
modelo de treliça espacial, adotado para o mecanismo interno resistente, não há
nenhum banzo comprimido inclinado.
4.2 Ruptura por compressão do concreto
Nas peças de concreto armado submetidas a tensões devidas a efeito de
torção, as tensões no concreto são elevadas. E, as intensidades dependem do
tipo de armadura adotada no projeto.
Nos casos usuais a armação adotada é constitufda por estribos
perpendiculares ao eixo e por barras longitudinais dispostas no perímetro dos
estribos. Neste caso, ocorrem, no meio das diagonais comprimidas, junto as
faces da peça, tensões da ordem de cinco vezes a tensão de torção dada pela
fórmula de Bredt, ou seja, mais elevadas do que as avaliadas pela analogia da
treliça espacial. Isto ocorre devido ao empenamento das faces laterais, sendo as
comprimidas solicitadas com grande excentricidade.
Leonhardt, indica que para as tensões oriundas da torção há necessidade
de limitá-las a valores mais baixos que os adotados para o caso de solicitação de
força cortante.
Quando se adota armadura inclinada de 45° as tensões de compressão são
cerca de quarenta por cento menores que as que ocorrem no caso de armadura
perpendicular e paralela ao eixo, devido ao fato dos empenamentos serem
menores.
4.3 Ruptura das quinas
Devido a mudança de direção das forças de compressão nas bielas
inclinadas junto aos cantos de vigas de seção retangular, surgem forças de
tração que podem provocar ruptura. isto ocorre para valores tais que suplantem a
resistência à tração do concreto.
Para evitar isto é indicado um espaçamento máximo de estribos de lOcm.
Além disto há que se adotar diâmetros elevados para as barras longitudinais
16
posicionadas nas quinas dos estribos. Leonhardt indica que a tensão de torção
determinada pela fórmula de Bredt, supondo seção fissurada ( Estádio li ) e,
calculada com o valor do momento torçor de cálculo ( T d ), não deve ser maior do
que 4% da resistência característica à compressão determinada através de cubos
de 20cm de lado. Para utilizar esta indicação é preciso transformar a resistência
determinada através de cubos em resistência cilíndrica.
4.4 Ruptura das ancoragens
Para evitar a ruptura da armadura na região das ancoragens, tanto as
barras longitudinais quanto os estribos devem estar convenientemente ancorados
Os estribos devem ser ancorados em ganchos e as barras longitudinais devem ter
comprimentos de ancoragem suficientes para transferir as tensões de tração para
o concreto que as envolve.
5. CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTO ESPECIFICADOS PELA NB 1/18
5.1 Dimensionamento de peças submetidas a esforços de torção
combinados com força cortante e momento fletor
A NB1/78 indica que: quando a torção não for essencial ao equilíbrio da
estrutura, a sua consideração no estado !imite último pode ser dispensada a
critério do projetista.
As armaduras a serem dispostas nas vigas submetidas à ação de momento
torçor acompanhado de momento fletor e força cortante são calculadas
considerando-se cada efeito separadamente.
Assim as armaduras longitudinais são dimensionadas para o momento
fletor de cálculo para absorver as tensões normais de tração oriundas do efeito de
flexão. Quando se fizer o dimensionamento das armaduras longitudinais para
absover as tensões de tração devidas ao efeito do momento torçor, deve-se
lembrar que as barras devem ser distribuídas ao longo do perímetro dos estribos.
Portanto, na região tracionada da viga, devido à ação de momento fletor, as áreas
das armaduras devem ser somadas.
As áreas das armaduras transversais devem ser determinadas
separadamente para os efeitos da força cortante e do momento torçor. As áreas
mínimas de armadura para cada caso devem ser respeitadas e os espaçamentos
máximos dos estribos devem ser atendidos para ambos os casos.
Com relação à verificação das bielas de concreto que são comprimidas a
segurança é verificada somando-se as tensões tangenciais devidas à força
cortante e à torção.
A resistência de cáiculo da armadura, a exemplo do que foi indicada para
tensões tangenciais para verificação das tensões tangenciais oirundas da força
cortante, não deve ultrapassar 435MPa.
17
As peças torcidas de seçao vazada deverao ser enrijecidas por
diafragmas transversais nas extremidades e nas seções intermecflárias onde
agirem momentos de torçao concentrados importantes. Quando a torçao nao for
essencial ao equilibrio da estrutura, a sua oonsideraçao no estado limite último
poderá ser dispensada a critério do projetista.
5.2. CÁLCULO SECAO
A tensão tangencial oriunda da torçao será
[19j
onde:
Ae é área limitda pela linha média da parede, a parte vazada
he é a espessura da parede no ponto considerado
Quando o menor he for maior do que a espessura da parede fictícia da
seção cheia de mesmo contorno externo, referida no item 3, adotar-se-á essa
espessura em lugar de he.
5.2.1- Tensão na seção cheia
As seções cheias serão calculadas como seções vazadas, com parede
fictícia de espessura h 1 , de acordo com as regras que seguem
A. Seções retangulares
Se b e h > b forem os lados do retângulo e bs e hs as distâncias entre os
eixos das barras da armadura longitudinal dos cantos, medidas respectivamente
nas direções paralelas aos lados b e h, a seção vazada a considerar será a
seguinte:
a) se bs ~ Sb/6, a espessura h1 da parede fictícia será tomada igual a b/6 sobre
todo o contorno do retângulo, considerando-se o contorno externo da parede
fictícia coincidente com o contorno externo da seçao:
b) se bs:::;; 5b/6, a espessura h1 da parede fictícia será tomada a bsf5 sobre todo
o contorno do retângulo, a linha média desta parede · coincidindo com o
retângulo cujos vértices das barras de canto da armadura longitudinal.
B. Seções compostas de retângulos
Para as seções compostas de retângulos (figura 13), serao aplicadas as
regras anteriores a cada um dos retângulos justapostos, suprimindo-se depois os
18
elementos da parede entre os vazamentos que não atinjam o contorno externo da
seção. Obter-se-á, assim, uma parede contínua envolvendo um único vazamento
Quando a razão dos lados dos retângulos não estiver entre 1/3 e 3, serão
desprezados trechos desses retângulos de modo a fazer que a relação fique
dentro destes limites .
.....
Vl
.o
FIGURA 13- Seção composta de retângulos [NB 1 I 1978]
C Seções quaisquer de contorno convexo
Para as seções de contorno poligonal convexo distinguem-se os seguintes
casos:
a) Se todos os ângulos do contorno forem superiores a 600, serão considerados
os diâmetros b e bs dos círculos inscritos nesse contorno e no polígono
formado pelos centros das seções das barras de canto de armadura
longitudinal; a seção vazada correspondente será a que tem espessura b/6 e é
limitada pelo contorno externo, se bs;::: Sb/6, e em caso contrário a espessura
bsf5, tendo a parede por eixo central o polígono formado pelos centros das
seções das barras de canto da armadura .
b) Se houver ângulos menores ou iguais a 600, a parede da seção vazada será
circular e inscrita no contorno externo, com espessura igual a 1/6 do seu
diâmetro.
5.2.2- Valor último de tensão de cálculo
Para as peças submetidas e efeitos de torção simples ou torção com
cisalhamento os valores últimos das tensões de cálculo, são os indicados na
NB1178, como segue:
19
a) Torção simples com armaduras paralela e normal ao eixo da peça:
rtu = 0,22fcd :::; 4MPa [20]
b) Torção simples com armadura inclinada a 450
rtu = 0,27fcd :::; SMPa [21]
c) Torção e flexão:
7
wd + 7 td :::; 1 [22]
7wu 7tu
Quando a peça estiver exposta à ação prejudicial de agentes externos, tais
como ácidos, álcalis, águas agressivas, óleos e gases nocivos, temperatura muito
alta ou muito baixa, os valores últimos das tensões de cálculo serão divididos por
1,2 mantidos, porém, os limites absolutos.
5.2.3- Resistência do banzo comprimido
Nas seções em que a torção atua simultanemanete com solicitações
normais intensas, que reduzam excessivamente a profundidade da linha neutra,
particularmente em vigas de seção celular, o valor de cálculo da tensão principal
de compressão não deve superar o valor 0,85 fcd· Esta tensão principal deve ser
calculada como em um estado plano de tensões, a partir da tensão normal média
que age no banzo comprimido de flexão e da tensão tangencial 'ttd de torção.
5.3- CÁLCULO DAS ÁREAS DAS ARMADURAS
5.3.1- Generalidades
A armadura longitudinal de torção de área total Ast poderá ter arranjo
distribuído ou concentrado, mantendo-se obrigatoriamente constante a relação
Msl~u, onde ~u é o trecho de perímetro, da seção efetiva, correspondente a
cada barra ou feixe de barras de áreas Mst. Nas seções poligonais, em cada
vértice dos estribos de torção, deve ser colocada pelo menos uma barra
longitudinal.
20
5.3.2 Armadura para torção composta
Nas peças submetidas à torção e flexão simples ou composta, as
armaduras longitudinais devem ser calculadas separadamente para a torção e
para as solicitações normais, como exposto a seguir.
a. Armadura longitudinal
Nas zona tracionada pela flexão, a armadura de torção é acrescentada à
armadura necessária para solcitações normais, considerando-se em cada seção
os esforços que agem concomitantemente.
b. Armadura longitudinal no banzo comprimido por flexão
No banzo comprimido pela flexão, a armadura longitudinal de torção pode
ser reduzida em função dos esforços de compressão que atuam na esfessura
efetiva het e no trecho de comprimento u correspondente à barra ou feixe de
barras consideradas.
5.3.3- Armaduras para caso de torção simples
A armadura de torção será toda ela contida na área correspondente à
parede fictícia:
a. quando a armadura for composta de barras longitudinais e estribos normais ao
eixo da peça, deve-se-á ter
Td
-=-= [23]
s u Vlefyd
onde:
A 90 =área da seção transversal de um estribo, simples ou múltiplo, normal ao
eixo da peça
Ast =soma das áreas das seções das barras longitudinais
Ae = área limitada pela linha média da parede, incluindo a parte vazada
u =perímetro de Ae
s = afastamento entre os eixos dos estribos
b. quando a armadura for inclinada a 450 sobre o eixo da peça, dever-se-á ter
A4s
--
Td [24]
s 2J2.Aefyd
onde:
A45 = área da seção da barra inclinada a 450
21
s = distância entre os eixos dos ramos da barra inclinada a 450, medida
paralelamente ao eixo da peça.
5.3.4 - Area da Armadura Minima
Na armadura de torçao, o volume das barras longitudinais, o volume dos
estribos ou o volume das barras indicadas a 450 , em determinado trecho da
peça, nao deve ser inferior, cada um deles, a 0,25% do volume do concreto nesse
trecho, considerada apenas a parede, real ou flcUcia, para os aços CA-25, ou a
O, 14% desse volume para os aços, CA-50 e CA-60.
5.3.5- Espaçamento Máximo entre as barras que compõem a armadura
Quando 'ttd 2! 0,6 'ttu o espaçamento das barras da armadura transversal,
medido paralelamente ao eixo longitudinal da peça, nao deve ser superior ao
menor dos três valores seguintes.
- metade da menor dimensao transversal da peça;
- um terço da maior dimensao transversal da peça;
- 20cm.
22
6 EXEMPLO DE APLICAÇÃO
6.1. Apresentação
Este exemplo de estrutura linear em concreto armado submetida a tensões
tangenciais oriundas da torção e flexão foi desenvolvido inicialmente, como nota
de aula, em trabalho de Pinheiro e Giongo [1979].
O exemplo apresentado nesta secção é relativo ao projeto estrutural de uma
marquise, normalmente adotada nos projetos arquitetônicos para as entradas dos
edifícios. A estrutura da marquise, neste caso, é constituída por laje maciça em
balanço e viga contínua vinculada a três pilares.
A figura 14 representa a forma estrutural da estrutura da marquise. O
desenho da forma estrutural das estruturas de edifícios, construídos em concreto
armado, são desenhados com o observador posicionado no nível inferior à
estrutura que se quer mostrar e olhando para cima. Por isto os traços internos da
viga e das nervuras na borda da marquise são desenhados em traço pontilhado.
O corte transversal pode ser representado no próprio desenho da forma
estrutural, desde que ai seja rebatido, ou fora dela, conforme mostrado na figura.
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FORMA ESTRUTURAL
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LDl
85
CORTE ~
ESC. 1:20
Figura 14- Forma estrutural da marquise
23
A marquise deste projeto é inacessivel a pessoas, isto é, acessfvel apenas
a pessoas responsáveis por manutenção. O projeto arquitetônico prevê uma
nervura em concreto aparente em todo o contorno, como pode ser visto no
desenho da forma estrutural da marquise. A nervura é invertida, ou seja, a face
inferior da nervura coincide com a face inferior da laje da marquise.
As dimensões dos lados da seçao transversal dos pilares são 20cm e
30cm, sendo esta medida paralelamente ao eixo da viga; as dimensões da viga
são -largura (bw) igual a 20cm e altura (h) de 50cm; a largura da nervura é igual a
10cm e a altura de 40cm. A largura da laje da marquise é de 90cm. Todas as
medidas indicadas se referem as medidas da forma estrutural e não da edificação
acabada que deve prever as espessuras dos revestimentos. A espessura da laje
(h), em balanço, foi adotada com 1Ocm e altura útil (d) com 8cm.
Considera-se que as dimensões adotadas são de prédimensionamento que
podem ser confirmadas ou modificadas na fase de dimensionamento, isto é, fase
de verificaçao da segurança da estrutura em face dos esforços solicitantes de
cálculo que atuam na estrutura em função das ações. As ações são as
permanentes - calculadas em função dos pesos próprios dos materiais que
compõem a estrutura e os materiais de acabamento da obra - e, as variáveis
normais determinadas em funçao da utilizaçao da obra e indicadas na N B 5/80.
O projeto arquitetônico prêve concreto aparente como acabamento e sobre
a viga V 01 há uma parede de alvenaria de tijolos maciços de uma vez, isto é, com
espessura total acabada de 23cm, ou seja, tijolos com 19cm de espessura e 2cm
de revestimento de reboco em cada face ..
6.2 Dimensionamento da laje da marquise
Na laje da marquise existem dois tipos de ações: as ações uniformemente
distribuidas na laje e as linearmente distribuídas no contorno externo da marquise,
representada pela nervuras.
6.2.1 Ações uniformemente distribuídas
As ações permanentes diretas são as representadas pelo peso próprio da
laje e pelo revestimento na face superior da laje, realizado com argamassa de
cimento e areia com impermeabilizante.
- açao devida ao peso próprio da laje
gPP = 0,10. 25 = 2,50kNfm2
sendo esta açao por unidade de área definida pelo produto da espessura da
laje, em metro, e pelo peso especffico do concreto;
- ação devida ao peso próprio da camada impermeabilizante
gpp,imp = 0,03 . 21 = 0,63kNJm2
24
sendo a espessura da camada de argamassa impermeabilizante
adotada de 3cm. Esta camada impermeabilizante serve também como
regularização da face superior da laje, sendo que terá inclinação prevista para
escoamento de água pluvial.
oomo é o caso desta laje de marquise
inacessfvel a pessoas a 5/80 prevê uma ação uniformemente distribuída
considerada para a situaçao de utilização de manutenção de:
q = 0,5kNJm2
ação atuante na é somatório das ações permanentes e
variável normal, resultando:
g + q = 2,50 + 0,63 + 0,5 = 3,63 kNJm2
Esta ação representa a ação total posslvel que atuará na laje; na maioria do
tempo de vida útil da estrutura deve atuar apenas as ações permanentes, pois a
utização da laje da marquise nao prevê o acesso de pessoas. Ela tem finalidade
arquitetônica de cobrir a entrada do edifício.
6.2.4 Uniformemente distribuída no contorno
No contorno da laje da marquise há uma ação de peso próprio devida as
nervuras, em concreto aparente. A força relativa a este peso próprio é dada por:
9pp,nerv = 0,10 . 0,30 . 25 = 0,75 kN/m
6.2.5 Cálculo das solicitações
A vinculélção considerada para a laje da marquise é de engastamento
da laje na viga interna: Esta consideração é a única possivel, pois o elemento
estrutural capaz de fornecer reaçOes que mantenha o equilfbrio da laje é a viga.
Com isto a laje têm, ao longo da ligação oom a viga, a ação de momento fletor
uniformemente distribuído e força cortante uniformemente distribulda.
Para determinação dos esforços solicitantes na laje,
pode-se considerá-la como sendo uma sucessao de faixas unitárias, com a
mesma condição de vinculação da laje e com o mesmo vao teórico. O
comportamento das faixas é idêntico ao de viga em balanço. Esta consideração é
possfvel pelo fato da laje ser armada em uma direçao, isto é, a laje têm três
bordos considerados livres, pois as nervuras nos bordos nao têm finalidade
estrutural.
Na figura 15 encontram-se as dimensões geométricas, as indicações das
ações atuantes e os diagramas dos esforços solicitantes.
25
rNERV" 0,75 kN/m
100
2
1----g +q = 3, 6 3 k N /m i
====:dm,
FIGURA 15- Vinculação, ações e esforços solicitantes
Os valores do momento fletor máximo e força cortante, atuantes nas seções
do engastamento da laje sao dados por:
3
·~1•
02
m'x = +0,75.1,0 = 2,57kNm I m
V'x = 3,63.1,0 + 0,75 = 4,38kN I m
sendo que os esforços solicitantes assim calculados representam os
valores caracterfsticos, e para estes cálculos foi considerado como distancia da
ação da nervura até a seçao do engastamento o comprimento teórico do balanço
que é de 1m.
6.2.6 Verificação das tensões devidas à força cortante
Nesta fase do projeto, antes de se determinar as armaduras necessárias e
verificar a capacidade resistente da seçao transversal em absorver tensOes
normais, é necessário verif~ear a capaciade resistente às tensões tangenciais.
A tensao de referência com a qual se verifica a capacidade resistente às
tensões tangenciais é dado por:
V' x,d 1,4.4,38 Onno ,_,,.e I _? O08Mil:)
1:wd = bw.d = 1OO.B = ;vuonnu c:nr = , r8
26
Este ultrapassar o limite de 'tbu dado, no anexo da
NB 116/90, por:
"rbw = P
a altura da laje é igual a 1Ocm
espessura relativa a este
haver colapso da seçao
do concreto comprimido das
6.2.7
armadura transversal nas lajes usuais de
estruturas de as dimens6es das espessuras das
lajes sao de 1Ocm e, na maioria dos casos nao
ultrapassando 15cm, fica o trabalho de mao de obra de confecção e
montagem de estribos com comprimentos dos ramos da ordem de 6cm. Assim
estribos sao utilizados em lajes nos casos de grandes valores de forças cortantes
e quando, por indicações do projeto arquitetônico, nao há possibilidade de se
aumentar a espessura laje.
O anexo da 116 /90 prevê que nos caso em que a tensao de referência
('twd) for menor que um particular da tensao última de cisalhamento (twu 1 )
pode-se considerar que só o concreto é capaz de absorver as tensOes de traçao
transversais devidas à açao da força cortante.
O valor de twu1 pode ser determinado com os critérios indicados na norma
citada ou usando tabela apresentada por GIONGO e TOTTI(1994) e
PINHEIR0(1993), resultando:
~wu1 = ljl4- Jt;k
O valor de para ações uniformemente distribufdas é determinado em
tabela, apresentada nos autores citados, em funçao da altura da laje (h) e da taxa
geométrica da armadura longitudinal (p1) que neste exem~o é de 0,15%.Portanto:
-rwu1 = 0;227. J2õ =1,02MPa < 1,0MPa
Como o valor de ~~m~:a é menor do que o de twu 1 = 1,OMPa, nao
há necessidade de se a1s1oor ""'m>ft"l~.?'lll transversal na laje.
6.2.8 Detenninação
A determina<;ao armadura principal, que deve ser posicionada
perpendicularmente ao eixo IOrnln:u::~u da viga e deve ficar junto à face superior
27
da laje, é feita usando-se as tabelas tipo k, indicadas em Pinheiro (1993). Com
isto se faz simultaneamente a verlficaçao da capacidade resistente do concreto
sob açao de tensões normais e se determina a área de armadura iongitudinal.
Para o momento fletor solicitante de valor caractertstioo de 2,57kN/m
calcula-se o valor de kc dado por:
~., = bw. d2 = 1oo.a2 - 17 a
nc 1,4.257 - '
Na tabela indicada em Pinheiro, determina-se o valor de ~ e, com este
determina-se o valor da área da seção transversal da armadura principal da laje,
que é calculada por:
14
kc = 0,024................... .4s = 0,024. • ·~7 = 1,0&rn2 I m
As peças estruturais fletidas devem ter área da seção transversal de
armadura respeitando as indicaçOes da NB 1/78 com relaçao ao valor mfnimo,
que é dado por:
0,15 2
.4smin = 0,15%.bw.h = 100
.100.10 = 1,5an I m
A área de armadura efetiva nao deve ser menor que a área minima de
armadura que no caso desta laje é maior do que a calculada
Os espaçamentos entre as barras da armadura deve respeitar a indicaçao
da NB 1/78 com relaçao aos valores máximos. Assim, o espaçamento máximo,
nao deve ser maior que duas vezes o valor da espessura da laje ( 2. h), que por
sua vez nao deve ser maior que 20cm, como valor absoluto, no caso de laje
armada em uma direçao .
A distribuiçao de armadura que respeita estas indicações e atende a área
de armadura mfnima calculada é representada pela área efetiva de armadura de
=
As 1 ,58 cm2fm, correspondente a um diametro de 6,3mm distribuído a cada
20cm, conforme pode ser observado em tabela apresentada em Pinheiro.
As lajes armadas em uma direçao devem ter, posicionada na direção
secundária, uma armadura de distribuição de área igual a 1/5 da área da
armadura principal mas nao menor do que 0,9 cm2/m. Ao se detalhar esta
armadura de distribuiçao deve-se atentar para a indicaçao da N B 1 ns
com
relação ao fato de se ter pelo menos três barras fazendo parte desta armadura. O
espaçamento máximo entre as barras da armadura de distribuiçao indicado na
NB 1/78 é de 33cm.
Com as indicações citadas a área transversal da armadura de distribuíçao
efetiva é de 0,91 cm2Jm representada pela distribuiçao de um diametro de 5mm a
cada 22cm.
6.2.9 Detalhamento esquemático das armaduras
O detalhamento esquemático das armaduras dimensionadas pode ser visto
na figura 16, onde se destacam a posiçao em verdadeira grandeza as barras da
28
armadura principal e em corte as barras da armadura de distribuição. Deve-se
observar que as armaduras da laje em balanço são posicionadas junto a face
superior, isto é, onde ocorrem as tensões longitudinais de tração, sendo portanto,
a face inferior da laje submetida a tensões longitudinais de compressão.
11'\ '\ '\ '\ '\ '\I
1\ \ \ \ \ 1\ í1l 5 c/22
0 sDIST.
0
sPRINC. ~ 6,3 c/20(122)
106
FIGURA 16 - Detalhamento esquemático da armação da laje
6.3 DIMENSIONAMENTO DA VIGA
As ações que atuam na viga são as diretas - que atuam diretamente na viga
-representadas pelos pesos próprios da viga e da parede de alvenaria construída
sobre ela e, as ações uniformemente distribuídas, por unidade de comprimento,
oriundas da reação de apoio da laje. Além destas há que se considerar as ações
oriundas da laje representada pela reação de apoio que é numericamente igual a
força cortante que atua na laje ou seja, vale a lei da ação e reação.
Os tramos da viga estão submetidos a ação de momento uniformemente
distribuído que é igual ao momento fletor atuante na ligação da laje com a viga,
onde, lembra-se, foi considerada engastada.
6.3.1 Ações a considerar
a. Peso próprio da viga
A força atuante na viga devida ao seu próprio peso, por unidade de
comprimento é dada pelo produto da área da seção transversal pelo peso
específico do concreto, ou seja:
gpp, = 0,20 . 0,50 . 25 = 2,50 kN/m
b. Peso próprio da parede de alvenaria
O peso próprio da parede de alvenaira, por unidade de comprimento da
viga, é calculado pelo produto da altura da parede pela massa da parede por
29
unidade de área. No caso de parede de um tijolo furado rebocada nas duas faces,
o peso próprio por unidade de área é de 3,2 kN/m2. Ou seja:
gpp,alv = 2,0 . 3,2 = 6,40 kN/m
c. Ação na viga devida a laje
A ação na viga devida as ações que ocorrem na laje são numericamente
igual à força cortante que atua na laje - lei da ação e reação. O módulo da reação
de apoio, como já calculado no item 6.2.3, é igual a 4,38 kN/m.
6.3.2 Determinação dos momentos fletores e forças cortantes
O modelo adotado para o esquema estrutural da viga, para a determinação
dos momentos fletores e forças cortantes, é aquele que considera a viga
simplemente apoiada nos pilares. Para a avaliação dos momentos torçores há que
se considerar os dois tramos das vigas engastados nos pilares.
Para cálculo dos esforços solicitantes na viga se utilizará o processo de
Cross para determinação do momento fletor atuante na seção transversal que
coincide com o eixo do pilar P 2. Os momentos fletores atuantes ao longo dos
tramos, bem como os valores das forças cortantes são determinados a partir do
conhecimento do momento fletor negativo atuante no apoio central da viga.
A figura 17 representa o modelo de vinculação adotado para a determinação
dos momentos fletores e forças cortantes atuantes na viga. Indica os vãos
teóricos - distâncias entre os centros dos pilares, as ações uniformemente
distribuídas atuantes nos trames, os índices de rigidezes dos trames (r= 1/t) e os
coeficientes de distribuição dos momentos fletores no apoio central ( ~t = rt::_r ), os
momentos fletores de engastamentos perfeitos, a distribuição dos momentos
fletores no apoio central, o cálculo dos valores das forças cortantes, as abscissas
das seções, a partir da esquerda, onde atuam os máximos valores dos momentos
fletores de sinal positivo e na linha seguinte, os valores característicos destes.
Estão indicados também os valores de cálculo dos momentos fletores máximos
que provocam tração nas fibras superiores ( M'd ) e inferiores ( Md ) e os valores
das forças cortantes atuantes nas seções transversais que coincidem com os
eixos dos pilares. As armaduras longitudinais devidas as ações dos momentos
fletores são também mostradas na figura.
6.3.3 Determinação dos momentos torçores
Os momentos torçores atuantes nos trames das vigas são determinados
com o modelo de vinculação indicado na figura 18. A ação que provoca o efeito de
torção na viga é numericamente igual ao momento fletor oriundo da consideração
de engaste da laje da marquise na viga. As reações de apoio, que sao momentos
atuantes na seção de ligação da viga com os pilares,
30
v 1 ( 20 l( 50)
.L.l... ..c:,._ L[.l...
383 383
Pl P2 P'3
19,1 63,6 19,1
9pp= 2,50 2, 50
'
9par= 6,40 6,40
4,38
LAJE=~
13' 28 13,28
20x 50 3
r 543,9 5 543, 95
12x 383
543,95
0,50 0,50
~= 0,50
~rvig
- 24,3 5 + 24,35
13,28 X 3,83 z
Mk = Meng= 8
2 5, 4 3 25 '43 25' 4 3 25,43 24,35kNm
- 6' 3 6 + 6,36 +6, 36 -6,36
X
~9 '07 31 '79 31,79 19,07
1,4 4 2, 39
13,69 13,70
34,1
26,7 44,5 44,5 26,7
19,2 19,2
792 30 10 (822)
15 I l 15
~5 I 3 I2'J lO (822) I~ 5
792
FIGURA 17- Determinação dos momentos fletores e forças cortantes
31
são determinadas com as condições de equilíbrio da estática das estruturas. O
módulo do momento torçor é determinado pelo produto do momento
uniformemente distribuído aplicado ao longo do eixo da viga pelo comprimento
teórico do tramo e dividido por dois. Analisando o diagrama de momentos torçores
atuantes no tramo percebe-se que, a exemplo do que ocorre com as forças
cortantes, os valores máximos atuam nas seções dos engastamentos junto aos
pilares.
- 0
~~ ~
t
>> >> 3< "" >>
383 - )(t
TPl-- T P2-- 2,57. 3,83 - 4 92 kN
2 - • m
'JdPl =TdPZ = 6,89 kN m
FIGURA 18 - Determinação dos momentos torçores
6.3.4 Verificações da segurança da viga
a. Tensões normais
Para verificar se as dimensões adotadas para a seção transversal estão
compatíveis com os valores dos momentos fletores calculados, pode-se
determinar o valor do momento fletor limite. Este momento fletor é o relativo ao
limite entre os domínios 3 e 4 de deformações; se o momento fletor de cálculo
para uma seção transversal for maior que o momento fletor limite há que se prever
armadura dupla, em caso contrário armadura simples.
O valor de Mdlim é determinado usando as tabelas tipo k de Pinheiro (1993)
com kc igual a Kc 1im , que para o caso de se adotar concreto C 20 e aço CA 50 A
vale 2,2. O valor do momento fletor de cálculo limite para a seção transversal da
viga da marquise é dado por;
20.522
Md lim = = 24582kNcm = 245,8kNm
22
Como o valor do máximo momento fletor de cálculo que atua na viga é de
34,1 kNm, com certeza todas as seções transversais devem ser armadas com
armadura simples.
32
b. Tensões tangenciais
b.1 Força cortante
A tensão tangencial de cálculo de referência twd não deve ser maior do que
o valor último indicado na NB 1. Se isto ocorrer as dimensões da seção
transversal devem ser aumentadas. Esta verificação pode ser feita comparando o
valor da força cortante de cálculo máxima atuante na viga com o valor da força
cortante última. O valor da força cortante última pode ser calculado pela
expressão, conforme mostrada em GIONGO e TOTTI(1994):
Vdu = 0,1. twu .bw .d
O valor da tensão última de cisalhamento para o concreto C 20 é 4,286
MPa e, com bw e d iguais a 20cm e 47cm, respectivamente, resulta:
Vdu = 0,1 . 4,286. 20. 47 = 402,9 kN
Como o valor da máxima força cortante de cálculo atuante na seção
transversal é de 45,4 kN e, portanto, menor que o valor último, não há
necessidade de se alterarem as dimensões da seção transversal da viga.
Comparando os valores das forças cortante de cálculo atuante nas várias
seções da viga com valor da força cortante de cálculo mínima pode-se determinar
as regiões que deve ter armadura transversal calculada ou mínima.
O valor de Vdmin é dado pela expressão:
Vdmin = O, 1 · 'twmin .bw .d
para concreto C 20 o valor de twmin é de 1,113 MPa, resultando:
Vdmin = 0,1 . 1,113. 20. 47 = 104,6kN
Como os valores das forças cortantes de cálculo atuantes na seção
transversal são menores do que o valor de V dmin todas as seções transversais
terão armadura mínima.
b. 2 Força cortante com momento torço r
A verificação da segurança da seção transversal de vigas submetidas a
ação de força cortante e momento torço r é feita com a expressão:
1:wd + 1:td < 1
rwu rtu
Segundo indica a NB 1/78, o valor máximo da força cortante de cálculo
=
atuante na viga é Vd 44,5kN, conforme indicado na figura 17, de tal modo que o
valor da tensão de cisalhamento de referência resulta:
33
vd 44,5 2
rwd= bw.d = 20.4 = 0,047kN I em = 0,47MPa
7
Segundo a N B 1/78 o valor último desta tensão de referência é dado por:
20
rwu = 0,30. fcd = 0,30. = 4,29MPa < 4,5MPa
14
'
nos casos de se utilizar estribos perpendiculares ao eixo da peça.
A tensão de torção determinada pela fórmula de Bredt é calculada com o
valor do momento torçor de cálculo determinado na figura 18, 'que vale 6,89kNm.
Conforme visto no item 5.2, deste trabalho, pode-se, para este projeto,
determinar a área Ae limitada pela linha média da parede, incluindo a parte
vazada e a espessura da parede fictícia he , resultando:
b5 = 20 - 2 . 3 = 14cm
h5 =50-2.3 = 44cm
Sendo, 3 em as distâncias dos centros das barras longitudinais
posicionadas nas quinas até as faces da viga.
Com os critérios indicados no item 5.2.1, que analisa o cálculo das tensões
nas vigas de seção cheia, deve-se verificar se b5 é maior ou menor que 516.b,
resultando:
. 5 5
bs = 14cm < .b= .20= 16,67cm
6 6
Sendo assim, a área Ae resulta:
Ae = b5 . h5 = 14 . 44 = 616cm2
E a espessura da seção fictícia é igual a:
bs 14 2
111 =-=-=2,8cm
5 5
O valor da tensão de torção, calculado com a expressão , resulta:
"t'd 689 _?
"t'td =
2
.t\e. he = _2,
2616 8 = 0,200kN I crrr = 2.,0MPa
A tensão última de torção é calculada pela expressão 20, considerando o
caso de torção simples com armadura normal e paralela ao eixo da peça,
resultando:
20
rtu = 0,22 fcd = 0,22 = 3,14MPa < 4MPa
14
'
34
Substituindo os valores das tensões atuantes e últimas na expressao
verifica-se que primeiro membro da inequação é menor do que a unidade,
=
portanto, conclui-se que a seção transversal da viga bw 20cm e h SOem é =
suficiente para resistir aos esforços combinados de força cortante e momento
ftetor. Portanto, tem-se:
rwd + rtd < 1
rwu rtu
Substituindo-se os valores:
0,47 2,00
429 + 314 = 0,110+0,637 = 0,747 < 1
' '
6.3.5 Cálculo das armaduras longitudinais para momento fletor
A área da seção transversal da armadura logitudinal para absorver as
tensões normais de tração é calculada para o máximo momento fletor de cálculo
que traciona as fibras superiores ou inferiores da viga. São usadas tabelas tipo k.
apresentadas por Pinheiro (1993).
a. Momento fletor Negativo
Observando a figura 17 nota-se que o valor de cálculo do momento ftetor é
34,1 kNm. Calcula-se inicialmente o valor de kç e com as resistências do concreto
( C20. ) e do aço ( CA SOA ) determina-se na tabela de Pinheiro o valor de ks . com
isto determina-se a área de armadura longitudinal.
Assim:
f\ = ks ~ = 0,024. :; = 1,74cm 2
3 0
O valor mfnimo desta área é dado por:
llsmin = 0,1S%.bw.h = ~~~ .20.SO= 1,Scm2 / m
que é menor que o valor calculado que deve prevalecer em relação ao mfnimo.
b. Momento fletor positivo
Observando a figura 17 nota-se que o valor de cálculo do momento fletor é
19,2kNm. Calcula-se inicialmente o valor de kç e com as resistências do concreto
35
( C20 ) e do aço ( CA SOA ) determina-se na tabela de Pinheiro o valor de ks , com
isto determina-se a área de armadura longitudinal. Assim:
l, bw.rP 20.472 23 Ir 002
nc= ~ =
1920 = ::::>nos=, 4
Este transversal da armadura é menor que o mínimo
de 1,5cm2, que deve prevalecer em relaçao ao valor calculado (As= 0,98cm2 ).
Recorde-se que as áreas das armaduras longitudinais calculadas para absorver
momento fletor devem ser acrescidas das áreas das armaduras longitudinais
calculadas para absorver momento torçor.
6.3.6 Cálculo transversal para absorver a açio da forç~
cortante
Como foi vistCI no item 6.3.4-b1 o valor da máxima força cortante atuante
nas barras da viga 44,5kN é menor que o valor da força cortante mínima de
cálculo ( 104,6kN ). Esta condição indica que a armadura calculada é menor que
a minima e, portanto, esta deve ser a adotada.
A NB1!78 indica como taxa minima, para aço CA 50 ou CA 60 como
armadura transversal, o valor de O, 14%. Foi mostrado e trabalho de GIONGO e
TOTTI(1994) que a expressão com a qual se determina a área mlnima de
armadura transversal para força cortante é:
Awmin = 0,14.,-- ..... (cm2 / m)
onde n é o número de ramos verticais do estribo.
No caso do exemplo resulta:
20
Awmin = 0,14. 2 = 1,40crn2 I m
6.3.7 Cálculo absorver o momento torçor
Na figua 18 determinou-se o valor máximo do momento torçor de cálculo
que é de 6,89kNm. Lembre-se que as expressões com as quais se determina as
áreas das seções das armaduras transversal e longitudinal é dada por:
t"d
- = - = -:--:,--------:--
s n 2.t\e.fyd
com as indicações já feitas no item 5.3.5 o valor do terceiro membro da expressao
anterior é dado por:
t"d 689
0 0129
2 Ae. fyd = 2616.50 /1,15 = ·
A determinação da área de armadura transversal e longitudinal para
absorver momento torçor é feita com a expressão:
- -- - -
s n -
6.3.8 Determinação e transversal
finais
a. Área da armadura transversal
Como foi visto vale a superposição dos efeitos da força cortante e do
momento fletor. Calcula-se a área da armadura transversal final, somando-se os
valores parciais determinados nos ítens 6.3.6 e 6.3.7, resultando portanto:
Aswtotal
'
= Asw + Aoo = 1,40 + 1,29 = 2,69em2fm
O espaçamento máximo entre os estribos nao deve ultrapassar os valores
indicados na NB1/78 nos casos de peças submetidas a ação de força cortante e
de momento torçor. Para ação de força cortante o espaçamento máximo entre
estribos é o menor valor entre: metade da altura útil ( d) = 0,5 . 47 = 23,50cm;
30cm ou doze vezes o diâmetro da barra longitudinal comprimida, quando exigida
pelo cálculo, o que nao ocorre neste exemplo.
Para a ação do momento torçor o espaçamento máximo dos estribos é o
menor valor entre: metade da largura da viga =
0,5 . 20 =
1Ocm, um terço da
altura da viga =0,33 . 50 =
16,7cm e 20cm.
De todos os valores indicados percebe-se que o espaçamento máximo
entre os estribos é de 1Ocm.
Consultando tabela pertinente em Pinheiro, percebe-se que para as
condições indicadas, Asw,total = 2,69cm2fm e espaçamento máximo de 10cm,
pode-se adotar para armadura transversal: ~6,3 c/1 Ocm, perfazendo uma área de
armadura transversal efetiva de 3, 15cm2fm.
b. Áreas de armadura longitudinal
Como a viga é contínua há que se considerar os casos de armaduras junto
a face superior, junto a face inferior e junto aos ramos dos estribos. Devem ser
somadas as áreas das armaduras longitudinais calculadas para absorver
momento fletor e momento torçor.
37
b.1 . Armadura longitudinal superior
As,sup =1,74 + 1,29. b = 1,74 + 1,29. 0,14 = 1,92cm2
5
Considerando que a área de uma barra de 10mm é 0,8cm2 tem-se: para
área efetiva da armadura longitudinal superior 2,40cm2, ou seja, 34p10.
b.2. Armadura longitudinal inferior
As,inf =1,50 + 1,29. O, 14 = 1,68cm2
Considerando que a área de uma barra de 1Omm é 0,8cm2 tem-se: para
área efetiva da armadura longitudinal superior 1 ,60cm2, ou seja, 2$10.
b.3. Armadura longitudinal junto aos ramos dos estribos
As,lateral =1,29 . hs = 1,29 . 0,44 = 0,57cm2
Considerando que a área de uma barra de Smm é 0,20cm2 tem-se: para
área efetiva da armadura longitudinal superior 0,60cm2, ou seja, 3$5, dispostas
em cada face da viga. Como pode ser visto na figura 19, optou-se por posicionar
4q>5 em cada face, sendo que uma destas barras serve como armadura para
posicionar a armadura principal da laje da marquise.
6.3.9 Detalhamento esquemático da seção transversal da estrutura da
marquise.
A figura 19 representa o detalhe esquemático da seção transversal da viga
e da laje da marquise. As armaduras indicadas nestes elementos estruturais são
as calculadas nesta memória de cálculo. Lembrando que as nervuras em concreto
armado, na borda da laje não são estruturais, é necessário se determinar uma
armadura construtiva, tanto longitudinal como transversal. É conveniente adotar
para área da seção dessas armaduras os valores mínimos indicados na NB1/78.
a. Armadura longitudinal na nervura
Lembrando que para a área da armadura longitudinal de vigas a N B1/78
indica o valor da taxa de O, 15%, resulta:
flsmin = 0,15%. bw. h = ~~ .1 0.40 = 0,60cm2 I m
=
Esta armadura é representada por 2$6,3mm, As eft 0,64cm2. Sendo que
e
as barras são posicionadas duas junto a face superior duas junto a face inferior
da nervura.
38
b Armadura transversal na nervura
A área mínima de armadura transversal posicionada nas nervuras é dada
.nervura bw
-·-·-'--·- = 0,14.- = 0,14 -
1O = 0,70cm-'/ l m
sn n 2
Representada pela armadura efetiva de 1,11 cm2fm, ou seja, ~5 c/18crT·
N3
N5
~o6 16
4405 c/18(95) N4-79 0 6,3 c/10 (135 l
N5
N3
Nl- 41 0 6,3 c/20( 122)
106
8 ·8
N2-1305 (792)
N3- 2 d 0 lO ( 8 22 l
N5- 2x2 QJ 6,3(792)
19 - Detalhamento das seções transversais da viga, laje e nervura
39
o cálculo
5 e/ou NBR 6120 )
elementos
Setor de PubiicaçOes.
Concreto. Princlpios básicos
1. Livraria lnterciência
11. Editora Globo. Porto