Acção
Primeiro importa-nos referir que a acção, é entendida como sendo o direito de agir, que surge através
do direito de recorrer aos tribunais que se encontra estabelecido no art.70º da CRM, por outro lado, em
processo civil, entende-se por acção como sendo o direito de exigir aos órgãos jurisdicionais para justa
composição do seu litígio.
Natureza Jurídica
Apesar de muita discussão na doutrina a acção deve ser atribuída uma natureza jurídica subjectiva, isto
porque na maioria das vezes visa acautelar direitos individuais, digo na maioria porque há excepções em
que a acção visa garantir direitos de várias pessoas como o caso de uma acção popular.
Classificações
Quanto ao objecto ou fim prosseguido pelo autor
Conforme o nr.1 do art.4º do CPC, quanto ao objecto ou fim prosseguido pelo autor, as acções são
classificadas em declarativas e executivas. As acções declarativas, têm em vista obter uma declaração
do tribunal da solução concreta da ordem jurídica, para uma situação que o autor da acção apresenta
como base para o seu pedido conforme nr.2 do art.4º do CPC, nestas acções encontramos três tipos a
saber: acções de condenação, acções de simples apreciação e as acções constitutivas;
As acções executivas por sua vez, visam o uso coercivo dos meios que o tribunal possui, com objectivo
de reparar-se um direito violado conforme o nr.3 do art.4º do CPC. Estas não são o nosso foco no
presente módulo, poderemos discutir num fórum próprio (módulo sobre processo executivo).
Acção declarativa de condenação
Conforme alínea b) do nr.2 do art.4º do CPC, esta acção visa obter pelo tribunal, a condenação do réu no
cumprimento de uma obrigação, e tem a sua origem no estado de violação de direito. Esta acção pode
se requerer para exigir pagamento de quantia certa, entrega de coisa certa e para prestação de um facto
ou abster-se de determinada conduta.
Acção declarativa de simples apreciação
Reza a alínea a) do nr.2 do art.4º do CPC, que esta acção resulta na necessidade de reagir contra uma
situação de incerteza sobre existência ou inexistência de um direito ou um facto, podendo ser uma
apreciação positiva (em casos de existência do direito) ou uma apreciação negativa (em casos de
existência do direito reclamado).
Acção declarativa constitutiva
Conforme alínea c) do nr.2 do art.4º do CPC, com essa acção pretende-se produzir um mero efeito
jurídico, seja criando uma situação jurídica nova (constituição de uma servidão por exemplo), seja
modificando ou extinguindo uma situação jurídica já existente (divórcio por exemplo).
Classificação das acções quanto a forma do processo
Quanto a forma do processo, as acções podem ser comuns sendo aquelas que se encontram
estabelecidos no artigo 4º e podem ser também especiais que se encontram estabelecidos no artigo
944º e seguintes, ambos do CPC. Portanto minha sugestão é que, quando estivermos numa situação em
que devemos decidir o tipo de acção a intentar, há que primeiro analisar o regime de processos
especiais (artigos 944º e seguintes) e não encontrando artigo que se adeqúe a nenhuma situação ai
poderemos voltar ao art.4º para procurar enquadrar a situação jurídica.
Providências cautelares
As providências cautelares são meios judiciais usados em tribunal para acautelar efeitos úteis de acção,
isto é, servem para evitar que uma acção seja declarativa ou executiva, perca sua utilidade desejada
devido a demora processual.
Exemplos
1 – Um devedor que se apercebe que o seu credor tem uma acção em andamento para cobrar o seu
valor e começa a vender todos bens para ate a decisão da acção não se ter nada, é bom momento de
requerer providências;
2 – Um casal que tem uma acção de divórcio em decurso e o homem começa a vender os bens comuns,
o que prejudicaria a sua esposa, nesta a situação a esposa o melhor que tem a fazer é requerer uma
providência cautelar.
Natureza
As providências cautelares têm uma natureza instrumental, isto significa que servem a uma
determinada coisa, que é acção, conforme art.384 do CPC, razão pela qual, caduca em 30 dias se
requeres as providencias e não e não propõe a acção principal. As providências cautelares também não
terá efeitos desejados nos casos previstos no art.382º como a acção julgar-se improcedente, ser
absorvido da instância o réu ou se extinguir o direito que visa se acautelar.
Requisitos gerais
Perigo concreto que a demora da satisfação de direito apresenta;
Possibilidade de existir o direito reivindicado.
Prazos
Devido o carácter urgente que as providências cautelares apresentam, é necessário que haja apreciação
e decisão da mesma em 30 dias conforme reza letra A do art.381º do CC.
Espécies
Existem na lei providências cautelares arroladas em artigos que são chamados especificadas/nominadas
que se aplica a situações nelas estabelecidas e outras não especificadas que servem para todas situações
que não possuem providências adequadas para lhes ser aplicadas.
Providências especificadas
Alimentos provisórios
Esta providencia se encontra previsto no art.389º do CPC, e visa acautelar o direito provisório de
alimento do requerente, enquanto aguarda decisão de direito de acção definitiva, importa salientar que
sempre deve se ouvir ambas as partes antes da decisão relativa a esta providencia cautelar, nos termos
do nr.2 do art.389º, tendo em atenção as necessidades do requerente que se encontram previstas no
artigo 388º do CPC.
Restituição provisória da posse
Prevista no art.393º do CPC, é um meio de defesa contra esbulho, que nos termos do art.1279º do CC,
se traduz no desapossamento violento de bens em alguém que o esbulhado detém de forma legítima.
Quando a finalidade para qual se deseja esta providencia se ameace, pode ser decretada sem se ouvir o
requerido conforme reza o art.394º do CPC.
Suspensão de deliberações sociais
Esta é regulada pelo Código Comercial, nos arts.396º e art.146º, sendo pedida pelo sócio que esteja
sendo prejudicado por deliberações que violem a lei, estatutos ou contrato, devendo se requerer dentro
de cinco dias a partir da data de deliberação. Esta providência sempre obedece o princípio de
contraditório conforme reza o art.397º do CPC.
Arresto
O arresto é uma providência cautelar que consiste na apreensão de bens feita pelo tribunal, ao pedido
de um credor que tem um receio fundado de perda de garantia patrimonial do seu crédito. Importa
referir que em casos que o devedor se desfaça de alguns bens, pode o arresto ser requerido contra o
adquirente dos bens do devedor, conforme reza o art.619º do CPC. O arresto pode ser preventivo
quando se destina a evitar perda de garantia patrimonial, ou repressivo quando se destina ao
impedimento de uso ilegal de marcas, ou falsificação das mesmas, conforme regula art.177º do CPI.
Embargo de obra nova
Consiste numa medida cautelar que tem em vista o impedimento de continuação de uma obra, trabalho
ou serviço, nos termos do nr.1 do art.412º do CPC. Esta providencia deve ser requerida no prazo de 30
dias depois da data do conhecimento da ocorrência da obra, não acontecendo isso pode não ser
decretada por intempestividade, e depois de se requerer, o juiz pode decretar sem ouvir dono da obra
conforme art.415º do CPC, tendo o dono da obra, o direito de opor-se nos termos do art.417º do CPC.
O embargo de obra nova pode ser judicial (feito pelo tribunal) ou extrajudicial (feito pelo quem se opõe
ao seu decurso), o extrajudicial ocorre quando há muita urgência em embargar (paralisar a obra), porem
deve ser ratificada judicialmente em três dias, sob pena de perda dos seus efeitos.
Arrolamento
O arresto é uma providência cautelar que consiste na descrição de bens móveis ou imóveis e/ou
documentos em situações que há receio de extraviar-se ou dissipação dos mesmos, conforme reza o
art.421º do CPC. Esta providência tem a função de conservar bens, podendo ser requerida por qualquer
interessado em conservar os bens desde que esteja previsto no art.422º do CPC. E conforme o nr.2 do
art.423º do CPC.
Providências cautelares não especificadas
Como anteriormente nos referimos, há situações que podem originar fundado receio de lesão ao direito
de alguém, e não tenha meio adequado especificado na lei para acautelar, quando isso ocorre, devera
se usar art.399º do CPC onde tem três situações exemplificativas de providências cautelares não
especificadas, e não se enquadrando em nenhuma destas três, ainda há possibilidade de se requerer
qualquer providencia que se mostre adequada para situação em concreto, isso porque as três situações
referidas são como bem dissemos, exemplificativas e não taxativas.