Matemática - Volume 1 - Frente 1
Matemática - Volume 1 - Frente 1
CAPíTULO
1
Matemática básica I
OBJETOS DE Objetivos do capítulo
CONHECIMENTO
• Compreender e utilizar as propriedades de potenciação.
• Identificar quando uma grandeza está na notação científica.
• Conceito de potenciação
• Transformar grandezas micro ou macroscópicas na notação científica.
e suas propriedades,
bem como uma de • Compreender e utilizar as propriedades de radiciação.
suas aplicações mais • Reconhecer as restrições quanto à validade das propriedades de radiciação.
importantes: a notação • Identificar radicais semelhantes.
científica. • Adicionar, subtrair, multiplicar e dividir números reais expressos na forma de
• Uso dessas propriedades radicais.
para a simplificação de • Aplicar os procedimentos de racionalização de denominadores com radicais.
cálculos e demonstração
• Identificar o quadrado de uma soma, o quadrado de uma diferença e o
da utilização da notação
produto da soma pela diferença.
científica nas disciplinas
• Fatorar expressões algébricas a partir dos três casos de produtos notáveis.
de Física e Química como
uma forma de tratamento • Fatorar expressões algébricas por fator simples e/ou por agrupamentos.
de grandezas macro e
microscópicas.
O cubo representado a seguir é formado por 5 camadas de cubos menores. Cada camada
• Estudo das propriedades
tem 5 × 5 cubos. Assim, o total de cubos que formam o cubo maior é 5 × (5 × 5), ou seja, 125.
de radiciação. Esta deve Esse resultado pode ser representado por meio desta potenciação: 53 = 125.
ser compreendida como
potenciação de expoentes
não inteiros.
• Radicais semelhantes e
divisão de números na
forma de radical.
• Casos de produtos
notáveis e fatoração de
expressões algébricas.
• Trabalhar com precisão
os dois casos de
fatoração: fatoração Nessa expressão aritmética, temos os seguintes elementos:
simples e fatoração por
agrupamento. 5 é a base
3 é o expoente
125 é a potência
Note que o expoente indica quantas vezes a base é repetida, enquanto o resultado
da operação é indicado pela potência. Uma das aplicações da potenciação é a notação
científica, por meio da qual é possível, por exemplo, escrever números muito pequenos
ou muito grandes de maneira sucinta, como a massa aproximada do planeta Terra
(5 973 600 000 000 000 000 000 000 kg).
Matemática – Frente 1 1
PROPRIEDADES DA POTENCIAÇÃO
As propriedades da potenciação apresentadas a seguir são consequências da defini-
ção que é dada para a potenciação. Tais propriedades são empregadas na simplificação
de cálculos.
Propriedade 1
Na multiplicação de potências de mesma base, a potência resultante é obtida
conservando-se a base e adicionando-se os expoentes.
am · an = am + n
1 an an
1 1
n
an an n
a a
Propriedade 2
Na divisão de potências de mesma base, a potência resultante é obtida
conservando-se a base e subtraindo-se os expoentes.
am ÷ an = am – n
Propriedade 3
Na potência de potência, o resultado é obtido conservando-se a base e
multiplicando-se os expoentes.
(am)n = am · n
Propriedade 4
A potência de um produto de dois ou mais fatores é calculada elevando-se
cada fator do produto ao mesmo expoente.
(a · b)n = an · bn
2 Prepara
Prep
Pr epar
araa Positivo
Posi
Positi
tivo
vo – Intensivo
Int
nten
ens 1
Capítulo 1
Note que, de acordo com a propriedade 4, o produto de dois ou mais fatores eleva-
do a um expoente é obtido calculando a potência de cada produto e multiplicando, ao
final, as potências correspondentes. Isso pode ser expresso da seguinte maneira:
(a · b · c)n = an · bn · cn
Propriedade 5
A potência de um quociente pode ser calculada elevando-se cada termo do
quociente ao mesmo expoente.
n
a an
n
b
b
Além das aplicações em Física e Química, veremos adiante o estudo das funções
exponenciais, dos logaritmos e da progressão geométrica. A compreensão das
propriedades relacionadas à potenciação, por sua vez, torna-se um facilitador para
esse estudo.
NOTAÇÃO CIENTÍFICA
Os valores das grandezas macroscópicas ou microscópicas são representados de
uma única forma, chamada de notação científica. Para que um número fique nessa
notação, deve ser escrito como o produto de um número real de 1 a 10 (não podendo
ser o 10) e uma potência inteira de base 10.
Exemplo
Vimos, no início deste capítulo, que a massa do planeta Terra é de, aproximadamen-
te, 5 973 600 000 000 000 000 000 000 kg.
Esse valor pode ser arredondado e representado, em notação científica, por:
mterra 5, 97 1024 kg
©Shutterstock/Evgeniyqw
Matemática
Mate
Ma temá
máti
tica
ca – Frente
Fre
rent
ntee1 3
Também é possível indicar, em notação científica, a massa da Lua: mlua 7, 35 1022 kg.
Essa notação possibilita a escrita de números muito grandes ou muito pequenos de
maneira simplificada, sem necessidade de apresentar todos os algarismos.
SITUAÇÕES RESOLVIDAS
1. Transforme a medida 0,0000000032 mm em notação científica.
Resolução:
Na notação científica, devemos escrever um número de 1 a 10 (não podendo ser
o 10) multiplicado por uma potência inteira de base 10:
0,0000000032 mm = 3,2 · 10– 9 mm
Note que “andamos” com a vírgula 9 casas para a direita, isto é, multiplicamos o
número por 109 para obter 3,2. Em seguida, dividimos o número por 109; é o mesmo
que multiplicar por 10– 9.
Radiciação: propriedades
Vimos, anteriormente, a potenciação e suas propriedades. A operação inversa da
potenciação é a radiciação.
©Shutterstock/wavebreakmedia
n: índice n
do radical x y y: raiz
x: radicando
Quando o índice é par, no conjunto dos números reais, o radicando x deve ser não
negativo. No conjunto dos números complexos, há uma ampliação interpretando-se,
por exemplo, a raiz quadrada de um número negativo.
PROPRIEDADES DA RADICIAÇÃO
Ao considerar as propriedades a seguir, é fundamental compreender que, no caso de
índice par, elas ficam condicionadas ao fato de que os radicandos devem ser não negativos.
É importante destacar também que, estando definido o radical n am , vale a seguinte
igualdade relacionada à potenciação:
m
n m
a an
Assim, a partir dessa igualdade, toda potenciação com expoente racional não inteiro
pode ser expressa na forma de radiciação.
Propriedade 1
O radical de um produto pode ser escrito como o produto de radicais, quando
estes forem definidos:
P
C D P C P D
Observação
Em algumas situações envolvendo cálculo com radicais, é conveniente “intro-
duzir” no radical o número que estiver multiplicando esse radical. A propriedade
1 permite que isso seja feito. Observe:
a n b n an n b n an b
Propriedade 2
O radical de um quociente pode ser escrito como o quociente de radicais,
quando estes forem definidos:
C PC
P
D PD
Matemática – Frente 1 5
Propriedade 3
O radical de outro radical é obtido por meio de um terceiro radical, cujo índice
é o produto dos índices dos radicais dados:
PO PO
C C
1 1 n 1 1 1
nm
nm
a m
a n am an m an m a
SITUAÇÕES RESOLVIDAS
1. Considerando os números x 2 3 e y 2 3 , obtenha o número correspondente
ao produto x · y.
Resolução:
Multiplicamos esses dois números e utilizamos a propriedade 1. Além disso, observe
que empregamos um produto notável (produto da soma pela diferença de dois números):
xy 2 3 2 3
x y (2 3 ) (2 3 )
x y 22 ( 3 )2
xy 4 3
x y 1
2. Reduza a expressão abaixo, dada na forma de radicais, a um único radical.
5 6 4 9
y a 3 a2 a
Resolução:
Além da propriedade 3, precisamos introduzir um termo no radicando.
5 6 4 9
y a 3 a2 a
5 3 3 6 4 9
y a a2 a
5 3 5 6 4 9
y a a
y 15 a5 24 a9
y 3 a1 8 a3
Reduzimos agora os dois radicais ao mesmo índice. No caso, esse índice comum é o
mínimo múltiplo comum dos dois índices:
y 24 a8 24 a9
y 24 a8 a9
y 24 a17
Observe que esse exemplo poderia ser feito trabalhando apenas na forma de po-
tência (com expoente fracionário) e utilizando as propriedades de potenciação vistas
anteriormente.
13 1 3 1 1
23 8 3
8 2
3 27
3 3
27 3
43 64 3
64 4
#
2 3 13 7 3 13 (2 7) 3 13 9 3 13
2 3 13 7 3 13 (2 7) 3 13 5 3 13
Observações
1. Existem situações em que os radicais aparentemente não são semelhantes,
mas podem ser reduzidos a radicais semelhantes por meio de transforma-
ções, conforme algumas propriedades estudadas.
Exemplo
Temos que 7 3 e 12 , a princípio, não são radicais semelhantes. Entretanto,
observe que 12 4 3 2 3 . Assim, temos dois radicais semelhantes:
índice: 2
7 3 12 2 3 índice: 2
radicando: 3 radicando: 3
2. Quando os radicais não são semelhantes nem podem ser reduzidos a radicais
semelhantes, a adição e a subtração ficam indicadas na forma de radicais.
Exemplos
2 7 não são radicais semelhantes
3 3 2 não são radicais semelhantes
Matemática – Frente 1 7
DIVISÃO DE NÚMEROS NA FORMA DE RADICAL
Ao dividirmos dois números expressos por radicais, muitas vezes precisamos
“eliminar” o radical que está no denominador: dizemos que estamos procedendo
à “racionalização” de tal denominador. Essa racionalização é efetuada multipli-
cando-se, pelo fator de racionalização, o numerador e o denominador da fração
correspondente.
A seguir, observe os três casos mais comuns de racionalização de denominadores.
1.º caso
Quando a expressão em forma de fração apresenta no denominador apenas um
radical de índice 2 (raiz quadrada).
N N a N a
a a a a
10 10 5 10 5 10 5
2 5
5 5 5 25 5
2.º caso
Quando a expressão em forma de fração apresenta no denominador apenas um
radical de índice maior que 2.
10 10 4 54 2 10 4 54 2 10 4 54 2 10 4 54 2 10 4 52
4
52 4
52 4 54 2 n
52 4 2 4
54 5 5
3.º caso
Quando a expressão em forma de fração apresenta no denominador a adição ou
a subtração de radicais de índice 2, podendo ser também um radical e um número
sem radical.
N N( a b) N( a b ) N( a b )
a b ( a b)( a b) ( a )2 ( b )2 ab
SITUAÇÕES RESOLVIDAS
1. Reduza, se possível, a expressão y 8 5 2 5 10 5 a um só radical.
Resolução:
Como os três radicais apresentam o mesmo índice e o mesmo radicando, dizemos
que são radicais semelhantes.
Assim, temos:
y 8 5 2 5 10 5
y 8 2 10
5
y 16 5
y 8 5 2 5 10 5 y 16 5
m 14 3 12 2 75
m 14 3 4 3 2 25 3
m 14 3 4 3 2 25 3
m 14 3 2 3 10 3 m 6 3
5 3
3. Racionalize o denominador da fração .
3 3
Resolução:
Utilizamos aqui o 3.º caso de racionalização, multiplicando o numerador e o deno-
minador por 3 3 :
5 3 (5 3 ) (3 3 )
3 3 (3 3 ) (3 3 )
5 3 15 5 3 3 3 3
3 3 93
5 3 18 8 3
3 3 6
5 3 94 3
3 3 3
Matemática – Frente 1 9
PRODUTOS NOTÁVEIS E FATORAÇÃO
Embora os assuntos que serão estudados nes-
©Shutterstock/Phonlamai Photo
ta aula tenham sido iniciados no final do Ensino
Fundamental, eles representam facilitadores quando
falamos da resolução de diversas questões algébricas,
presentes em situações de cálculo e em vários outros
momentos da Matemática do Ensino Médio. Podem
ser utilizados, por exemplo, para encontrar a expres-
são algébrica que representa a área da superfície de
um grande salão.
A geometria, que aparentemente está distanciada
da álgebra, apresenta um bom contexto para os pro-
dutos notáveis.
Observe, por exemplo, o quadrado a seguir e pense
em uma expressão algébrica que possa representar sua
área, conforme as medidas indicadas.
a+b
b
a b
a+b
A área desse quadrado poderia ser representada por duas expressões equivalentes:
Área = (a + b)2
ou
Área = a2 + 2ab + b2
Essas expressões estão relacionadas com um dos três resultados, denominados produtos notáveis, que serão estu-
dados neste capítulo.
Quadrado da soma
O primeiro caso de produtos notáveis é o quadrado de uma soma:
(a + b)2 = a2 + 2ab + b2
Quadrado da diferença
O segundo caso de produtos notáveis é conhecido como o quadrado da diferença
entre dois termos:
(a – b)2 = a2 – 2ab + b2
(a + b)(a – b) = a2 – b2
Matemática – Frente 1 11
FATORAÇÃO DE EXPRESSÕES ALGÉBRICAS
Fatorar uma expressão algébrica qualquer é transformá-la em produto. Em diversas
situações, esse procedimento de cálculo representa um facilitador na resolução de ex-
pressões algébricas e de equações. Além dos produtos notáveis, vistos anteriormente,
temos dois casos de fatoração, como veremos a seguir.
Fator comum
Quando em uma soma algébrica há um fator comum a todas as parcelas, o proce-
dimento de colocar esse fator comum em evidência constitui uma fatoração. Observe
no exemplo a seguir.
ax + bx = x · a + x · b = x · (a + b)
O fator x foi colocado em evidência.
Note que fatorar é o “caminho inverso” de utilizar a propriedade distributiva da
multiplicação referente à adição algébrica.
Além disso, podemos utilizar o cálculo de área de figuras planas para compreender-
mos melhor esse procedimento algébrico.
Existem duas expressões que representam a área do retângulo a seguir.
Cálculo da área S:
S = (a + b) · x
x x
ou
S=a·x+b·x
a b
y
Cálculo da área S:
x
S = (a + b) · (x + y)
ou
S=a·x+b·x+a·y+b·y
a b
SITUAÇÕES RESOLVIDAS
1. Simplifique a expressão algébrica E = (x – y)2 + (x + y) · (x – y) + (x + y)2.
Resolução:
Para simplificar essa expressão algébrica, utilizaremos os três produtos notáveis
estudados e, depois, reuniremos os termos semelhantes:
a2 4a 4
2. Considerando valores que não anulem o denominador, reduza a fração à sua
a2 4
forma mais simples utilizando produtos notáveis.
Resolução:
Note que o numerador e o denominador são produtos notáveis que podem ser
fatorados. O numerador é o quadrado da diferença, já o denominador é a diferença
entre dois quadrados:
a2 4a 4 (a 2)2 a2
a2 4 (a 2) (a 2) a 2
Perceba que a expressão (a 2) pode ser simplificada, pois a z 2.
a2 b2 117
4. (UFSC) Calcule (a – b)2, sendo a e b números reais positivos, sabendo que .
ab 54
Resolução:
Como queremos calcular o quadrado de uma diferença, utilizamos os dados da
questão, conforme está apresentado a seguir.
(a – b)2 = a2 – 2ab + b2
(a – b)2 = a2 + b2 – 2ab
(a – b)2 = 117 – 2 · 54
(a – b)2 = 9
Matemática – Frente 1 13
ATIVIDADES
3
Assimilação 3. A fração equivale a
2 2
2 3 2
1. (ENEM) A gripe é uma infecção respiratória aguda de curta a) d)
2 4
duração causada pelo vírus influenza. Ao entrar no nosso
organismo pelo nariz, esse vírus multiplica-se, disseminan- 2 3 2
b) e)
do-se para a garganta e demais partes das vias respiratórias, 3 8
incluindo os pulmões. O vírus influenza é uma partícula 3 2
esférica que tem um diâmetro interno de 0,00011 mm. c)
2
Disponível em: www.gripenet.pt. Acesso em: 2 nov. 2013 (adaptado).
2. (UNIFAP) Para testar a habilidade de Marta, Ezequiel soli- 4. Desenvolvendo e simplificando a expressão algébrica E
cita a ela para verificar qual das operações com os números dada por E = (2 + x)2 + (2 – x)2, obtém-se
racionais abaixo é verdadeira. Qual alternativa a seguir Marta a) E = 8 + x2 d) E = 4 + 4x2
deve marcar como correta?
b) E = 8 – x2 e) E = 4 – 4x2
a) 2–3 = 125 d) 2–3 = 0,125 c) E = 8 + 2x2
b) 2–3 = 1,25 e) 2–3 = 0,0125
c) 2–3 = 12,5
Proximidade
Terra da Terra
325 mil km
Asteroide YU 55 Passagem:
Asteroide YU 55 8 de novembro
Tamanho: 400 m às 21h28min
de diâmetro, (horário de Brasília)
equivalente ao
tamanho de um
porta-aviões
Fonte: NASA
Matemática – Frente 1 15
8. (OBM) O quociente de 5050 por 2525 é igual a: 12. (UEMA) O valor de 0, 444... é:
a) 2525 c) 10025 e) 2 · 2525 a) 0,444…
b) 1025 d) 225 b) 0,222…
c) 0,333…
d) 0,666…
e) 0,555…
17. (VUNESP – SP) Dado que a + b = 5 e ab = 2, qual é o valor 19. (FGV – SP) Seja N o resultado da operação 3752 – 3742.
numérico de a2 + b2? A soma dos algarismos de N é:
a) 5 a) 18 d) 21
b) 2 b) 19 e) 22
c) 10 c) 20
d) 21
e) 25
Matemática – Frente 1 17
Aprofundamento
20. (IFSP) Fernando, preocupado em deixar sua família amparada financeiramente após a
sua morte, resolveu fazer um plano de previdência privada. Consultou um corretor e ficou
sabendo que, nos planos de previdência privada, é possível escolher o valor da contribuição
e a periodicidade em que ela será feita. Uma pessoa pode contribuir com R$ 100,00 uma vez
por ano, por exemplo. É claro que o valor que receberá quando começar a fazer uso dessa
previdência será proporcional ao que contribuiu. Além disso, o valor investido em um plano
de previdência privada pode ser resgatado pela pessoa se ela desistir do plano. Após esco-
lher o plano, Fernando perguntou ao corretor quantos anos demoraria para começar a fazer
uso do plano. Como o corretor tinha conhecimentos matemáticos e era muito brincalhão,
2n 3 2 2n1 7
respondeu: “O senhor poderá usufruir do plano, daqui a anos”. É correto
5 2n 4
21. (ENEM) A cor de uma estrela tem relação com a temperatura em sua superfície. Estrelas
não muito quentes (cerca de 3 000 K) nos parecem avermelhadas. Já as estrelas amarelas,
como o Sol, possuem temperatura em torno dos 6 000 K; as mais quentes são brancas ou
azuis porque sua temperatura fica acima dos 10 000 K. A tabela apresenta uma classificação
espectral e outros dados para as estrelas dessas classes.
CLASSE
TEMPERATURA LUMINOSIDADE MASSA RAIO
ESPECTRAL
O5 40 000 5 · 105 40 18
B0 28 000 2 · 104 18 7
A0 9 900 80 3 2,5
G2 5 770 1 1 1
22. (ENEM) O Índice de Massa Corporal (IMC) é largamente utilizado há cerca de 200 anos,
mas esse cálculo representa muito mais a corpulência que a adiposidade, uma vez que
indivíduos musculosos e obesos podem apresentar o mesmo IMC. Uma nova pesquisa
aponta o Índice de Adiposidade Corporal (IAC) como uma alternativa mais fidedigna para
quantificar a gordura corporal, utilizando a medida do quadril e a altura. A figura mostra
como calcular essas medidas, sabendo-se que, em mulheres, a adiposidade normal está
entre 19% e 26%.
O velho IMC O novo IAC
(índice de Massa Corporal) (índice de Adiposidade Corporal)
Circunferência
Índice de massa (kg) % de do quadril (cm)
Massa = Gordura = –18
Corporal altura X altura (m) Corporal altura X altura (m)
Uma jovem com IMC = 20 kg/m2, 100 cm de circunferência dos quadris e 60 kg de massa
corpórea resolveu averiguar seu IAC. Para se enquadrar aos níveis de normalidade de gordura
corporal, a atitude que essa jovem deve ter diante da nova medida é
(Use 3 1, 7 e 1, 7 1, 3)
a) reduzir seu excesso de gordura em cerca de 1%.
b) reduzir seu excesso de gordura em cerca de 27%.
c) manter seus níveis atuais de gordura.
d) aumentar seu nível de gordura em cerca de 1%.
e) aumentar seu nível de gordura em cerca de 27%.
Matemática – Frente 1 19
23. (ENEM) O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é Usando a melhor aproximação para 2 com uma única casa
uma medida usada para classificar os países pelo seu grau de decimal, a razão entre os erros (em relação ao valor exato)
desenvolvimento. Para seu cálculo, são levados em conside- obtidos nos métodos A e B, respectivamente, é de cerca de
ração a expectativa de vida ao nascer, tempo de escolaridade
e renda per capita, entre outros. O menor valor deste índice a) 10. d) 4.
é zero e o maior é um. Cinco países foram avaliados e obti- b) 8. e) 2.
veram os seguintes índices de desenvolvimento humano: o c) 6.
primeiro país recebeu um valor X, o segundo x , o terceiro
1
x 3 , o quarto x 2 e o último x 3 . Nenhum desses países zerou
ou atingiu o índice máximo.
Qual desses países obteve o maior IDH?
a) O primeiro. d) O quarto.
b) O segundo. e) O quinto.
c) O terceiro.
1
24. (IBMEC – SP) O valor exato da expressão , com 5
2 1
casas decimais, é 2,41421. Considere os seguintes métodos
para se fazer essa conta sem o auxílio da calculadora:
• Método A: usa-se um valor aproximado para 2 e faz-se
a divisão;
• Método B: racionaliza-se o denominador e usa-se um
valor aproximado para 2.
Ao se fazer uma aproximação, comete-se um erro, que é defi-
nido como a diferença, em módulo, entre o valor aproximado
e o valor exato.
Gabarito
1. d 6. d 11. b 16. e 21. a
2. d 7. c 12. d 17. d 22. a
3. d 8. c 13. e 18. b 23. c
4. c 9. c 14. c 19. c 24. c
5. c 10. e 15. c 20. b 25. e
2
Equações do 2.º grau
OBJETOS DE Objetivos do capítulo
CONHECIMENTO
• Reconhecer os coeficientes de uma equação do 2.º grau quando apresen-
tada na forma reduzida.
• Equações do 2.º grau, • Identificar e resolver algebricamente equações do 2.º grau incompletas sem a
fórmula resolutiva e utilização de fórmula resolutiva.
resolução de problemas
• Identificar e resolver algebricamente equações completas do 2.º grau com a
que, de alguma forma,
fórmula resolutiva.
estão relacionados com a
• Classificar uma equação do 2.º grau quanto às soluções a partir do valor do
fórmula de Bhaskara.
discriminante correspondente.
• Duas relações de Girard:
a soma das raízes e o • Resolver problemas que recaem em equações do 2.º grau avaliando o con-
texto das soluções obtidas.
produto das raízes.
• Calcular a soma das raízes de uma equação do 2.º grau sem a obtenção
das raízes.
• Calcular o produto das raízes de uma equação do 2.º grau sem a obtenção
das raízes.
• Resolver problemas relacionados ao cálculo da soma e do produto das raízes
de uma equação do 2.º grau.
Certamente diversos estudiosos, muitos deles desconhecidos, buscaram um procedimento que permitisse resolver
uma equação do 2.º grau. Diversas tentativas foram feitas até se obter a fórmula resolutiva.
Bhaskara Akaria foi o grande responsável pela divulgação daquilo que hoje denominamos fórmula de Bhaskara.
Ele nasceu no ano de 1114, na Índia, e relatos históricos indicam que o ano de sua morte foi 1185. Seguiu a tradição
profissional familiar e se tornou um exímio matemático, astrólogo, astrônomo e professor indiano.
Durante sua vida de pesquisas, voltou seus estudos principalmente à matemática e à astronomia, analisando, por
exemplo, o cálculo do dia e da hora e a ocorrência de eclipses.
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Matemática – Frente 1 21
EQUAÇÕES INCOMPLETAS
Nesses casos, as soluções podem ser obtidas por processos algébricos imediatos.
• 1.º caso de equação incompleta
Forma da equação: ax2 + c = 0
Qualquer equação do 2.º grau nessa forma pode ser resolvida isolando-se a incóg-
nita x no primeiro membro da igualdade. Para isolar a incógnita x no primeiro membro
da igualdade, procedemos de maneira análoga à resolução de uma equação do 1.º grau,
quando empregamos princípios que mantêm verdadeira uma igualdade.
Exemplo
Resolva a equação do 2.º grau na incógnita x dada por 4x2 – 9 = 0.
4x 2 9 0
4x 2 9
2
x
9 3
x2
4 2
x
3
EQUAÇÕES COMPLETAS
Qualquer equação do 2.º grau na forma ax2 + bx + c = 0 (a ≠ 0), completa ou incom-
pleta, pode ser resolvida por meio da seguinte fórmula resolutiva:
b b2 4ac
x
2a
ax 2 bx c 0
4a
4a2 4abx 4ac 0
b2 4ac
4a2 x 2 4abx 4ac b2 4ac 0 b2 4ac
4a2 x 2 4abx b2 b2 4ac
Quadrado da soma
2ax b
2 b2 4ac
Isolando x
2ax b b2 4ac
2ax b b2 4ac
b b2 4ac
x
2a
Discriminante
A fórmula resolutiva apresentada anteriormente também pode ser escrita em fun-
ção do discriminante b2 4ac, isto é:
b
x
2a
No caso de não existirem raízes reais, as soluções serão dadas por números imaginá-
rios. Esse assunto ainda será abordado neste material.
Matemática – Frente 1 23
SITUAÇÕES RESOLVIDAS
1. Resolva a seguinte equação completa do 2.º grau: 4x2 – 5x – 6 = 0.
Resolução:
Utilizamos a fórmula resolutiva, considerando que os coeficientes a, b e c são iguais
a 4, –5 e –6, respectivamente:
b b2 4ac
x
2a
( 5) ( 5)2 4 4 ( 6)
x
2 4
5 121
x
8
16
x 2
5 11 8
x
8 x 6 3
8 4
3
Portanto, temos S 2, .
4
2. Verifique se a equação completa do 2.º grau a seguir apresenta solução real.
x 2 3x 4 0
Resolução:
Utilizamos a fórmula resolutiva, considerando que os coeficientes a, b e c são iguais
a 1, –3 e 4, respectivamente:
b b2 4ac
x
2a
( 3) ( 3)2 4 1 ( 4)
x
2 1
3 9 16
x
2
3 7
x
2
Como não é possível calcular o valor de 7 no conjunto dos números reais, temos
que a equação fornecida não apresenta solução em \.
3. Analise as possibilidades de raízes da equação x 2 4 x m 0 em função do número
real m.
Resolução:
Obtemos inicialmente a expressão que representa o discriminante em função de
m, isto é:
b2 4ac
4
4 1 m
2
16 4m
Analisamos agora as três possibilidades quanto ao valor do discriminante:
• 0 16 4m 0 m 4
(Nesse caso, a equação terá duas raízes reais e distintas)
©Shutterstock/Maxger
Matemática – Frente 1 25
Observação
Quando o coeficiente do termo do 2.º grau em x é unitário e as raízes são números inteiros, podemos obtê-las
mentalmente. Essa é uma consequência das propriedades das raízes:
x2 + bx + c = 0
Observe que, nesse caso, para obter a soma das raízes de uma equação do 2.º grau, basta considerar o oposto
do coeficiente de x, ao passo que o produto das raízes corresponde ao termo independente de x.
Exemplos
Obtenha mentalmente as raízes das equações do 2.º grau abaixo indicadas.
• x 2 4x 3 0 • x 2 13x 36 0 • x 2 10x 11 0 • x 2 15x 100 0
Soma das raízes: 4 Soma das raízes: 13 Soma das raízes: –10 Soma das raízes: 15
Produto das raízes: 3 Produto das raízes: 36 Produto das raízes: –11 Produto das raízes: –100
Portanto, S 3, 1 Portanto, S 9, 4 Portanto, S 11, 1 Portanto, S 20, 5
Forma fatorada
Toda equação do 2.º grau pode ser fatorada em dois fatores do 1º. grau na incógnita x. Esse resultado decorre das
relações entre os coeficientes e as soluções da equação. Dada uma equação do 2.º grau na forma ax2 + bx + c = 0
(a ≠ 0) e indicando por x1 e x2 suas soluções, esta pode ser escrita na seguinte forma:
(x – x1) · (x – x2) = 0
Quando as raízes forem iguais, os dois fatores do 1.º grau serão também iguais. Essa relação é válida mesmo que as
raízes não sejam reais, como veremos mais adiante no estudo de números complexos.
SITUAÇÕES RESOLVIDAS
1. A partir da fórmula resolutiva da equação do 2.º grau ax 2 bx c 0, obtenha a expressão que fornece a soma das raízes
em função dos coeficientes a e b da equação.
Resolução:
Ao considerarmos o sinal de + na fórmula resolutiva, obtemos uma solução; e ao considerarmos o sinal de –, chega-
mos a outra solução. Assim, temos:
b b
x1 x 2
2a 2a
b b
x1 x 2
2a
2b
x1 x 2
2a
b
x1 x 2
a
b
2 2
x1 x 2
4a2
b (b
2
b2 4ac )
x1 x 2
4a2
4ac
x1 x 2 2
4a
c
x1 x 2
a
3. Sendo α e β as raízes da equação 2x2 – 3x – 5 = 0, calcule o valor da soma dos inversos dessas raízes.
Resolução:
1 1
De acordo com o enunciado, precisamos calcular o valor de . Pelas relações de Girard, podemos obter o valor
da expressão.
Inicialmente, observe que a soma dos inversos das raízes é o quociente entre a soma e o produto das raízes, isto é:
1 1 soma
produto
3
2
1 1
5
2
1 1 3
5
4. Determine o valor de k na equação 3x2 + kx – 2 = 0 considerando que a soma e o produto das raízes dessa equação são iguais.
Resolução:
Utilizando as relações de Girard, temos a seguinte igualdade:
x1 x 2 x1 x 2
b c
a a
b c
k 2 k 2
5. Escreva a equação x2 – 7x + 6 = 0 na forma fatorada.
Resolução:
Utilizando a fórmula resolutiva de Bhaskara, obtemos as raízes
x1 = 1 e x 2 = 6
Assim, a forma fatorada da equação será:
(x – x1) · (x – x2) = 0
(x – 1) · (x – 6) = 0
Observe que a partir da equação, por meio do caso de fatoração por agrupamento, é possível chegar à forma fatorada:
x 2 7x 6 0
x 2 x 6x 6 0
x x 1
6 x 1
0
x 1
x 6
0
Matemática – Frente 1 27
ATIVIDADES
4. Considere a equação do 2.º grau dada por 4x2 – x = 0. Sobre
Assimilação essa equação, é correto afirmar que
a) admite duas raízes positivas.
1. Sobre as raízes da equação 2x2 – 7x – 15 = 0, é correto
b) o produto das raízes é um número positivo.
afirmar que
c) o produto das raízes é nulo.
a) são opostas.
d) não admite raízes reais.
b) são números naturais.
e) admite duas raízes reais e iguais.
c) ambas são negativas.
d) são iguais.
e) a maior delas é igual a 5.
Matemática – Frente 1 29
Considere que, em uma lajota, os quatro retângulos, sendo 14. (UFCE) O produto das raízes da equação 4x2 – 14x + 6 = 0
idênticos, têm lados medindo 10 cm e (10 + x) cm; e a medida é igual a:
do lado do quadrado central é x cm. Assim, se a área de cada 3
a)
piso é de 900 cm2, o valor de x, em centímetros, é: 2
a) 10 d) 50 1
b)
b) 20 e) 60 2
c) 30 1
c)
2
3
d)
2
5
e)
2
Matemática – Frente 1 31
22. (ESPM – SP) A diferença entre a maior e a menor raiz da 24. (ENEM) Uma fábrica utiliza sua frota particular de cami-
equação (2x 2 1) (2x 2 1) 4 x 8 é igual a nhões para distribuir 90 toneladas de sua produção semanal.
Todos os caminhões são do mesmo modelo e, para aumentar
a) 2
a vida útil da frota, adota-se a política de reduzir a capacidade
b) 1 máxima de carga de cada caminhão em meia tonelada. Com
c) 8 essa medida de redução, o número de caminhões necessários
d) 2 para transportar a produção semanal aumenta em 6 unidades
e) 1 2 em relação ao número de caminhões necessários para trans-
portar a produção, usando a capacidade máxima de carga de
cada caminhão. Qual é o número atual de caminhões que essa
fábrica usa para transportar a produção semanal, respeitando-
-se a política de redução de carga?
a) 36 d) 16
b) 30 e) 10
c) 19
Gabarito
1. e 6. a 11. a 16. c 21. c
2. c 7. a 12. e 17. c 22. a
3. b 8. b 13. c 18. b 23. b
4. c 9. b 14. d 19. a 24. a
5. d 10. b 15. d 20. a 25. b
3
Matemática básica II
OBJETOS DE Objetivos do capítulo
CONHECIMENTO
• Identificar as unidades de medidas decimais de comprimento, de super-
fície, de volume e de capacidade.
• Unidades de medida • Identificar as unidades de medidas sexagesimais de tempo e de ângulo.
mais usadas no cotidiano.
• Transformar unidades de medidas do sistema métrico decimal utilizando o
Entre as medidas metro, o metro quadrado, o metro cúbico e o litro como unidades-padrão.
decimais, estão a de
• Transformar unidades de medidas do sistema sexagesimal utilizando o grau
comprimento, a de
e a hora como unidades-padrão.
superfície, a de volume e
• Realizar as transformações a partir dos prefixos.
a de capacidade. Já entre
as medidas sexagesimais, • Conceituar razão entre grandezas de mesma espécie e de grandezas de
focaremos aqui a medida espécies diferentes.
de tempo e a de ângulo. • Resolver problemas relacionados à razão entre grandezas.
• Conceitos de escala e de • Conceituar proporção a partir do conceito de razão.
proporcionalidade, além • Identificar o emprego da razão em contextos diferentes, tais como o de escala.
de algumas propriedades • Resolver problemas utilizando o conceito de proporção.
envolvendo o assunto. • Reconhecer e empregar a propriedade fundamental de uma proporção.
• Proporção.
• Identificar a relação entre grandezas diretamente proporcionais.
• Grandezas diretamente
• Identificar a relação entre grandezas inversamente proporcionais.
proporcionais.
• Resolver problemas relacionados a grandezas diretamente e inversamente
• Grandezas inversamente
proporcionais (regra de três simples e regra de três composta).
proporcionais.
• Conceituar porcentagem.
• Porcentagem.
• Relacionar as formas de representação de porcentagem: forma decimal, taxa
percentual e fração centesimal.
• Resolver problemas relacionados ao cálculo de porcentagem.
• Identificar situações do cálculo de porcentagem como aumentos e descontos.
• Resolver problemas relacionados a variação percentual.
©Shutterstock/Zephyr_p
técnicas.
Os sistemas de medidas evoluíram ao longo da história
©Shutterstock/Mattia Menestrina
com a espécie humana. Alguns desses sistemas têm ori-
gens longínquas, como o sistema sexagesimal, usado para
medir as grandezas ângulo e tempo. Esse sistema é um
legado das civilizações mesopotâmicas (ca. 4000 a.C.).
Matemática – Frente 1 33
Em essência, o ato de medir consiste em comparar o que se pretende medir com uma
medida preestabelecida, a qual serve como parâmetro.
Medir é comparar.
Os principais sistemas de medidas usados nos dias de hoje são aceitos internacional-
mente, facilitando, assim, a comunicação entre os países. Esses sistemas medem com-
primento, área, volume, capacidade, massa, ângulo e tempo, entre outras grandezas.
105 m
UNIDADE-
MÚLTIPLOS SUBMÚLTIPLOS
-PADRÃO
km hm dam m dm cm mm
1m
1m 1m
1m
Você já sabe que a área de um quadrado é igual ao produto das medidas de sua base e
de sua altura. Dessa forma, a área do quadrado anterior é igual a S = 1 m × 1 m = 1 m2.
As medidas de área também apresentam múltiplos e submúltiplos, como mostra o
quadro a seguir.
UNIDADE-
MÚLTIPLOS SUBMÚLTIPLOS
-PADRÃO
Quilômetro Hectômetro Decâmetro Metro Decímetro Centímetro Milímetro
quadrado quadrado quadrado quadrado quadrado quadrado quadrado
Observação
As unidades agrárias são unidades de medida de superfície usadas, prin-
cipalmente, em áreas rurais. Entre essas unidades, destacamos o alqueire, o are
e o hectare. A unidade alqueire é bastante utilizada, mas varia de acordo com a
região do país. Temos, por exemplo, que:
• 1 alqueire paulista equivale a 24 200 m2
• 1 alqueire do Norte equivale a 27 225 m2
• 1 alqueire mineiro equivale a 48 400 m2
• 1 alqueire baiano equivale a 96 800 m2
Em razão das variações, quando se faz necessário converter unidades que en-
volvem o alqueire, deve-se informar a correspondente equivalência em metros
quadrados (ou em outra unidade de medida de área) a ser utilizada.
Temos também o are e o hectare:
1 are = 1 a = 100 m2
1 hectare = 1 ha = 10 000 m2
Observe que:
1 ha = 100 a = 100 · (100 m2) = 10 000 m2
Matemática – Frente 1 35
Unidades de medida de volume
O volume de um corpo é a quantidade de espaço ocupado por esse corpo.
1m
A unidade-padrão de medida de volume é o metro cúbico.
1m
Observe a imagem ao lado, que representa um cubo cujas medidas das arestas
1m
medem 1 m.
Como o volume do cubo pode ser obtido por meio do produto das medidas de sua
base, de sua altura e de seu comprimento, temos que o volume do cubo ao lado é igual
a V = 1 m × 1 m × 1 m = 1 m3.
As medidas de volume podem ser representadas por meio dos múltiplos e submúl-
tiplos a seguir.
UNIDADE-
MÚLTIPLOS SUBMÚLTIPLOS
-PADRÃO
Quilômetro Hectômetro Decâmetro Metro Decímetro Centímetro Milímetro
cúbico cúbico cúbico cúbico cúbico cúbico cúbico
UNIDADE-
MÚLTIPLOS SUBMÚLTIPLOS
-PADRÃO
kL hL daL L dL cL mL
• 1 mL = 1 cm3
• 1 L = 1 dm3
• 1 000 L = 1 m3
• 1 L = 1 000 mL
66,5º
66, 5! 66! 0, 5!
66, 5! 66! 0, 5 60 ’
66, 5! 66! 30 ’
66, 5! 66!30 ’
SITUAÇÕES RESOLVIDAS
1. Converta as medidas de comprimento indicadas a seguir para a unidade metro.
a) 12 km b) 150 dm c) 480 mm
Resolução:
Lembrar-se dos prefixos: “quilo” (1 000), “deci” (décima parte) e “mili” (milésima parte)
facilita as transformações a seguir.
a) 12 km 12 1000 m 12 000 m
b) 150 dm 150 0,1 m 15 m
c) 480 mm 480 0, 001 m 0, 48 m
Matemática – Frente 1 37
2. Transforme as medidas de áreas a seguir em metros quadrados.
a) 18 km²
b) 1 500 dm²
c) 4 200 cm²
Resolução:
Procure se lembrar das unidades de comprimento e seus prefixos. Entretanto, ob-
serve que agora temos que elevar ao quadrado por representar medidas de superfície.
Nesse sentido, será necessário utilizar as propriedades de potenciação.
a) 18 km2 18 (103 m)2 18 106 m2 18 000 000 m2
b) 1 500 dm2 1500 (10 1 m)2 15 102 10 2 m2 15 m2
c) 4 200 cm2 42 102 (10 2 m)2 42 102 10 4 m2 42 10 2 m2 0, 42 m2
3. (UFRJ) Uma chapa de vidro tem 0,15 metros quadrados. Quanto mede a sua área em
centímetros quadrados?
Resolução:
Devemos transformar metros quadrados em centímetros quadrados. Para isso,
lembre-se de que 1 metro corresponde a 100 centímetros. Assim, observando que
precisamos fazer a transformação de medidas de superfície, temos:
0,15 m2 15 10 2 m2
0,15 m2 15 10 2 (102 cm)2
0,15 m2 15 10 2 10 4 cm2
0,15 m2 15 102 cm2
0,15 m2 1500 cm2
Brasil: político
NÚMEROS PROPORCIONAIS
Créditos: Talita Kathy Bora Stasiak
Por exemplo, se na planta baixa a medida da parede de um quarto é 4,5 cm, isso
significa que seu tamanho real é de 450 cm, ou seja, 4,5 m.
De modo geral, toda escala representa uma proporção. Considere, por exemplo,
o desenho a seguir:
Escala: 1 : 3
H=6 h=2
b=5
B = 15
h b 1
H B 3
D
Podemos propor também a relação E , onde E representa a escala, D representa
R
a medida no desenho, e R, a medida do objeto real.
Proporção
O que é uma proporção? Qual é a relação entre as razões envolvidas? A seguir,
temos a definição de proporção.
Matemática – Frente 1 39
Nessa definição, os termos representados por a e d são chamados extremos, e os
termos b e c são os meios da proporção.
Em uma proporção, são válidas as seguintes propriedades:
1.ª propriedade
O produto dos extremos é igual ao produto dos meios. Em símbolos, temos:
a c
ad b c
b d
Essa propriedade é muito utilizada nos cálculos que envolvem grandezas diretamen-
te proporcionais, particularmente nas situações em que conhecemos três dos quatro
termos relacionados na proporção e precisamos determinar um termo desconhecido
(regra de três).
2.ª propriedade
Uma proporção se mantém verdadeira quando a ela acrescentamos uma
terceira razão formada pela soma dos antecedentes dados e dos correspondentes
consequentes. Em símbolos:
a c ac
b d bd
SITUAÇÕES RESOLVIDAS
1. No mapa apresentado no início desta aula, na legenda inferior, observamos que 2 cm
equivalem a 640 km. Qual foi a escala utilizada nesse mapa?
Resolução:
Para estabelecer a escala, precisamos deixar as duas medidas de comprimento na
mesma unidade. Dessa forma, 640 km equivalem a 64 000 000 cm. Observe:
640 km 640 (103 m) 640 103 (102 cm) 640 105 cm 64000000 cm
Obtenção da escala E:
2 cm 1
E
64000 000 cm 32 000 000
E 1 : 32000000
2. (PUC Minas – MG) No orçamento anual de certa cidade, foram empenhados R$ 880.000,00
para duas escolas, de modo que a razão entre os valores destinados a cada uma delas fosse
3
. Com base nessas informações, pode-se afirmar que a diferença entre esses valores, em
5
valor absoluto, é:
a) R$ 220.000,00
b) R$ 260.000,00
c) R$ 240.000,00
d) R$ 280.000,00
Resolução:
Considere que a Escola A receba 3 das 8 partes, e a Escola B receba 5 dessas 8 partes.
Considere que, nesse mapa, o segmento de reta que liga o navio à marca do tesouro meça
7,6 cm.
A medida real, em quilômetro, desse segmento de reta é
a) 4 408.
b) 7 632.
c) 44 080.
d) 76 316.
e) 440 800.
GLOSSÁRIO
Resolução:
Passo 1: Precisamos compreender cada uma das informações contidas no enun- centímetro
No Sistema Internacional
ciado do problema. Primeiro, note que o segmento de reta que liga o navio à marca do de Unidades (SI), o metro é
tesouro mede 7,6 cm. Dessa forma, pode ser interessante assumir o centímetro como considerado a unidade principal
a unidade de medida de comprimento a ser utilizada na resolução do problema. Por de medida de comprimento.
Lembre-se de que:
hipótese, o mapa tem escala de 1 : 58 000 000 e isso significa que cada 1 cm do mapa 1 metro equivale a 100 cm.
equivale a 58 000 000 cm reais. 1 quilômetro equivale a 1 000 m.
Passo 2: Perceba que temos uma relação de proporcionalidade.
Se 1 cm no mapa corresponde a 58 000 000 cm reais, 7,6 cm correspondem a
7, 6 58 000 000 cm 440 800 000 cm reais.
Matemática – Frente 1 41
Como 1 000 m equivalem a 1 km, temos que:
4408000 m 4408 km
Outra resolução:
Nessa resolução, faremos primeiro a transformação das medidas (de centímetros
para quilômetros) e indicaremos os resultados em notação científica.
1
• 1 cm m 0, 01 m
100
0, 01
0, 01 m km 110 5 km
1000
7, 6
• 7, 6 cm m 0, 076 m
100
0, 076
0, 076 m km 7, 6 10 5 km
1000
58 000 000
• 58 000 000 cm m 580 000 m
100
580 000
580 000 m km 580 km 5, 8 102 km
1000
D
Agora, utilizando a relação E , temos:
R
110 5 km 7, 6 10 5 km
(110 5 km) R (7, 6 10 5 km) ( 5, 8 102 km)
5, 8 10 km
2
R
44, 08 10 3 km2
R R 44, 08 102 km R 4 408 km
110 5 km
O procedimento utilizado na resolução de problemas com proporções é conhecido
como regra de três. A compreensão dessa regra pressupõe o domínio de dois conceitos:
as grandezas diretamente proporcionais e as grandezas inversamente proporcionais.
x
k ou x k y
y
em que k é uma constante não nula.
VELOCIDADE TEMPO DE
MÉDIA VIAGEM
50 km/h 2 horas
20 km/h 5 horas
Observe que, se a velocidade média dobra, o tempo de viagem cai pela metade, e vice-versa. Esse é, então, um
exemplo de grandezas inversamente proporcionais.
k
x y k ou x
y
em que k é uma constante não nula.
REGRA DE TRÊS
De maneira geral, a regra de três é um procedimento usado para resolver problemas que envolvem grandezas
diretamente ou inversamente proporcionais.
Quando o problema contém uma proporção de quatro elementos dos quais três são conhecidos e um deve ser
determinado, temos uma regra de três simples.
Quando é envolvida mais do que uma proporção no mesmo problema, temos uma regra de três composta.
O procedimento resolutivo consiste em determinar se as proporções nos problemas correspondem a grandezas
diretamente proporcionais ou inversamente proporcionais e aplicar as propriedades anteriores.
Dispositivo prático
1. Reunir em uma mesma coluna as grandezas de igual espécie e de mesma unidade de medida, deixando a
incógnita na primeira coluna.
2. Verificar se as grandezas envolvidas são diretamente ou inversamente proporcionais. Para isso, devemos
compará-las sempre com o que se quer determinar.
3. Obter o termo desconhecido com base nos conceitos de diretamente ou de inversamente proporcionais.
Matemática – Frente 1 43
PORCENTAGEM
O gráfico abaixo retrata a concentração dos programas municipais de coleta seletiva de lixo urbano. Como na maioria
das quantificações estatísticas, a linguagem nele usada é a porcentagem.
1%
10%
8% Norte
Centro-Oeste
40%
Sudeste
Sul
41% Nordeste
Declarar, por exemplo, que a Região Norte concentra 1% dos municípios brasileiros que apresentam programas de
coleta seletiva equivale a dizer que, de cada 100 desses municípios, apenas 1 é da Região Norte.
A utilização do número 100 como base de referência se consagrou nas linguagens de quantificação.
A porcentagem é toda fração em que o denominador é o número 100. Portanto, será dada sempre por uma razão
centesimal que poderá ser representada pelo numerador da fração seguido do símbolo %, que se lê “por cento”.
Exemplo
23
0, 23 23%
100
Taxa porcentual
Número decimal
Fração centesimal
3 17 123
0, 03 3% 0,17 17% 123
, 123%
100 100 100
De maneira geral, os problemas relacionados à porcentagem podem ser resolvidos pelo dispositivo da regra de três,
que na maioria das vezes será do tipo simples e direto.
Veja alguns exemplos resolvidos, onde foi utilizada a regra de três.
Exemplo 1
Em uma pesquisa sobre futebol, foram entrevistadas 840 pessoas. Destas, 25% torcem pelo time A. Quantas pessoas,
entre as entrevistadas, torcem pelo time A?
n.º de pessoas %
840 100
x 25
Observe que MENOS porcentagem corresponde a MENOS pessoas. Portanto, as grandezas são diretamente
proporcionais.
Assim:
840 100
100 x 840 25 x 210
x 25
O valor encontrado corresponde ao valor da multa a ser paga. Dessa forma, o valor
pago foi:
R$ 1.250,00 + R$ 43,75 = R$ 1.293,75
©Shutterstock/Eviart
Observação
Existem muitos
profissionais que diaria-
mente trabalham com
números, particular-
mente com porcenta-
gem. No comércio e nas
instituições financeiras,
o cálculo de descontos,
de juros, de lucros e de
multas é frequente.
Matemática – Frente 1 45
ATIVIDADES
3. (ENEM) Uma empresa de comunicação tem a tarefa de
elaborar um material publicitário de um estaleiro para divul-
Assimilação gar um novo navio, equipado com um guindaste de 15 m de
altura e uma esteira de 90 m de comprimento. No desenho
desse navio, a representação do guindaste deve ter sua altu-
1. (ENEM) O Sistema Métrico Decimal é o mais utilizado ra entre 0,5 cm e 1 cm, enquanto a esteira deve apresentar
atualmente para medir comprimentos e distâncias. Em al- comprimento superior a 4 cm. Todo o desenho deverá ser feito
gumas atividades, porém, é possível observar a utilização de em uma escala 1 : X.
diferentes unidades de medida. Um exemplo disso pode ser
observado no quadro. a) X > 1 500. d) 1 500 < X < 3 000.
b) X < 3 000. e) 2 250 < X < 3 000.
UNIDADE EQUIVALÊNCIA c) 1 500 < X < 2 250.
Polegada 2,54 centímetros
Jarda 3 pés
Matemática – Frente 1 47
11. (ENEM) Nos Estados Unidos a unidade de medida de
volume mais utilizada em latas de refrigerante é a onça fluida
Aperfeiçoamento (fl oz), que equivale a aproximadamente 2,95 centilitros (cL).
Sabe-se que o centilitro é a centésima parte do litro e que a
9. (UEPB) Os organizadores de um show sobre música po- lata de refrigerante usualmente comercializada no Brasil tem
pular brasileira, a ser realizado em uma praça com área livre capacidade de 355 mL.
e plana de 10 000 m2, tomaram como padrão que o espaço Assim, a medida do volume da lata de refrigerante de 355 mL,
ocupado por uma pessoa equivaleria a um retângulo de em onça fluida (fl oz), é mais próxima de
dimensões 40 cm por 50 cm. Considerando que toda a área a) 0,83 d) 104,73
livre da praça seja ocupada pelo público presente, conclui- b) 1,20 e) 120,34
-se que o número de pessoas presentes ao evento será
c) 12,03
aproximadamente:
a) 60 000
b) 40 000
c) 50 000
d) 55 000
e) 30 000
Portão
Nível
da rua
2m Garagem
Rampa
Nível 8m
da base da
garagem
Matemática – Frente 1 49
Depois de projetada a rampa, o responsável pela obra foi 18. (UDESC) No dia 14 de junho de 2012 o jornal A NOTÍCIA
informado de que as normas técnicas do município onde ela (ano 89, edição 25.986, pp. 4 e 5) noticiou que pescadores de
está localizada exigem que a inclinação máxima de uma rampa São Francisco do Sul pescaram 5 toneladas de tainhas na praia
de acesso a uma garagem residencial seja de 20%. do Forte. Os pescadores relembraram que a última grande
Se a rampa projetada tiver inclinação superior a 20%, o nível da pescaria, nesta praia, foi no ano de 2004, mas naquela vez
garagem deverá ser alterado para diminuir o percentual de in- foram “apenas” 2 mil peixes. Sabe-se que nesta pesca foram
clinação, mantendo o comprimento da rampa. Para atender às pescados 3.270 peixes, que cada quilograma foi negociado
normas técnicas do município, o nível da garagem deverá ser a R$ 5,00, e que o dono do barco fica com um terço do valor
a) elevado em 40 cm. d) rebaixado em 40 cm. bruto das vendas. Supondo que as tainhas pescadas em 2004
tivessem o mesmo peso médio e o mesmo preço de venda
b) elevado em 50 cm. e) rebaixado em 50 cm. que em 2012, então é correto afirmar que:
c) mantido no mesmo nível.
a) o valor arrecadado na pesca de 2012 foi 40% maior que o
de 2004.
b) o dono do barco recebeu R$ 8.000,00 em 2012.
c) em 2004 foram pescados 1.270 quilogramas a menos que
em 2012.
d) o número de tainhas pescadas em 2004 foi aproximada-
mente 39% menor que em 2012.
e) em 2012 os pescadores arrecadaram em torno de
R$ 8.000,00 a mais que em 2004.
17. (ENEM) Para construir uma piscina, cuja área total da su-
perfície interna é igual a 40 m2, uma construtora apresentou
o seguinte orçamento:
• R$ 10.000,00 pela elaboração do projeto;
• R$ 40.000,00 pelos custos fixos;
• R$ 2.500,00 por metro quadrado para construção da área
interna da piscina.
19. (ENEM) Uma pessoa compra semanalmente,
Após a apresentação do orçamento, essa empresa decidiu re- numa mesma loja, sempre a mesma quantidade
duzir o valor de elaboração do projeto em 50%, mas recalculou de um produto que custa R$ 10,00 a unidade. Como já sabe
o valor do metro quadrado para a construção da área interna quanto deve gastar, leva sempre R$ 6,00 a mais do que a
da piscina, concluindo haver a necessidade de aumentá-lo em quantia necessária para comprar tal quantidade, para o caso
25%. Além disso, a construtora pretende dar um desconto nos de eventuais despesas extras. Entretanto, um dia, ao chegar
custos fixos, de maneira que o novo valor do orçamento seja à loja, foi informada de que o preço daquele produto havia
reduzido em 10% em relação ao total inicial. aumentado 20%. Devido a esse reajuste, concluiu que o di-
O percentual de desconto que a construtora deverá conceder nheiro levado era a quantia exata para comprar duas unidades
nos custos fixos é de a menos em relação à quantidade habitualmente comprada.
a) 23,3%. c) 50,0%. e) 100,0%. A quantia que essa pessoa levava semanalmente para fazer
b) 25,0%. d) 87,5%. a compra era
a) R$ 166,00. c) R$ 84,00. e) R$ 24,00.
b) R$ 156,00. d) R$ 46,00.
Matemática – Frente 1 51
25. (ENEM) Quanto tempo você fica conectado à internet? Analisando os gráficos do computador, a maior taxa de
Para responder a essa pergunta foi criado um miniaplicativo aumento no tempo de acesso, da sexta-feira para o sábado,
de computador que roda na área de trabalho, para gerar auto- foi no site
maticamente um gráfico de setores, mapeando o tempo que a) X.
uma pessoa acessa cinco sites visitados. Em um computador,
b) Y.
foi observado que houve um aumento significativo do tempo
de acesso da sexta-feira para o sábado, nos cinco sites mais c) Z.
acessados. A seguir, temos os dados do miniaplicativo para d) W.
esses dias. e) U.
Lembrete!
Gabarito
1. d 6. e 11. c 16. a 21. a
2. b 7. e 12. a 17. d 22. d
3. c 8. a 13. a 18. d 23. c
4. e 9. c 14. e 19. b 24. b
5. b 10. c 15. d 20. e 25. a
4
Matemática básica III
OBJETOS DE Objetivos do capítulo
CONHECIMENTO
• Utilizar linguagem algébrica para relacionar grandezas.
• Compreender princípios que mantêm verdadeira uma igualdade.
• Equação do 1º. grau.
• Resolver equações do 1.º grau com uma incógnita.
• Problemas com equações
do 1º. grau. • Resolver sistemas de equações do 1.º grau com duas incógnitas utilizando o
método da adição e o método da substituição.
• Sistemas de equações
do 1.º. grau com duas • Classificar um sistema de equações do 1.º grau em possível e determinado,
incógnitas. possível e indeterminado e impossível.
• Múltiplos e divisores de • Interpretar geometricamente no plano cartesiano as possibilidades quanto
um número natural. às soluções de um sistema de equações do 1.º grau com duas incógnitas.
• Números primos. • Conceituar e obter múltiplos e divisores de um número natural.
• Máximo divisor comum. • Conceituar números primos.
• Mínimo múltiplo comum. • Resolver problemas relacionados ao cálculo do máximo divisor comum e do
mínimo múltiplo comum entre dois ou mais números naturais.
Matemática – Frente 1 53
Resolução de uma equação do 1.º grau
Quando dizemos que em Para resolver uma equação do 1.º grau, seguimos os princípios que não alteram a
toda igualdade podemos igualdade, que são:
dividir ambos os membros
por um mesmo número e 1.º) adicionar um mesmo número a ambos os membros da igualdade ou
continuar obtendo uma subtraí-lo deles;
igualdade, a rigor, esse
2.º) multiplicar ou dividir por um mesmo número ambos os membros da
número deve ser diferente
igualdade.
de zero.
x y 35
4x 2y 100
Nesta parte do capítulo, você conhecerá procedi-
mentos para a resolução de sistemas formados por duas
equações do 1.º grau com duas incógnitas.
7 2k
S k , ; para todo k # \
3
2x y 2
3x 5y 3
2x y 2
3x 5y 3
x y 1
No primeiro sistema, há duas equações com duas incógnitas, já no segundo, são três
equações com duas incógnitas.
Matemática – Frente 1 55
Isso significa que, nos sistemas de equações do 1.º grau com duas incógnitas, o conjunto-solução é formado por todos
os pares ordenados que apresentam, de forma ordenada, os valores das duas incógnitas que são soluções, simultanea-
mente, de todas as equações do sistema.
Exemplo
2x y 2
O par ordenado (1, 0) é a única solução do sistema , pois x = 1 e y = 0 são os únicos valores que verificam
3x 5y 3
as duas equações do sistema. Portanto, o conjunto-solução desse sistema é S 1, 0
.
Representação gráfica
A toda equação do 1.º grau com duas incógnitas corresponde, no plano cartesiano, uma reta. Considerando um sistema
formado por apenas duas equações do 1.º grau, com duas incógnitas, as retas correspondentes poderão ser:
• Concorrentes – quando o sistema tem solução única.
y
x
0 1 2 3 4 5 6 7
–1
Neste caso, interpretamos o ponto de encontro das duas retas como a solução do sistema.
• Coincidentes – quando o sistema tem infinitas soluções.
y
–1 0 1 2 3 4 x
x
0 1 2
–1
Método da substituição
Esse método consiste em isolar, numa das equações, uma das incógnitas e, em
seguida, substituir a expressão obtida na outra equação.
Exemplo
x 2y 7
Resolver o sistema .
x y 1
Resolução do sistema:
• Isolando x na primeira equação, temos: x = 7 – 2y.
• Substituindo, na segunda equação, x por 7 – 2y e resolvendo a nova equação obtida,
determinamos o valor de y:
7 2y
y 1
3y 6
3y 6
y 2
• Substituindo y por 2, na equação x = 7 – 2y, determinamos o valor de x:
x 7 22
x 74
x 3
2x y 12
x y 3
3x 15
3x 15 x 5
• Substituindo x por 5 na primeira equação do sistema (poderia ser na segunda),
determinamos o valor de y:
2 " 5 y 12 y 2
Matemática – Frente 1 57
2x y 12
• Então, o conjunto-solução do sistema é S 5, 2
.
x y 3
Observação
Existe outro método para a resolução de um sistema de duas equações
com duas incógnitas. Este é conhecido como método da comparação. Nele,
isolamos uma mesma incógnita nas duas equações e “comparamos” os resulta-
dos obtidos. Esse procedimento permite encontrar uma equação com apenas
uma incógnita.
Sistemas equivalentes
Dois sistemas são equivalentes quando apresentam o mesmo conjunto-solução.
Exemplo
3x 5y 1 x y 1
Os sistemas e são equivalentes, pois apresentam o mesmo
4x 3y 6 x y 5
conjunto-solução, que é:
S 3, 2
TÓPICOS DE ARITMÉTICA
Considere o seguinte problema:
Os planetas Júpiter, Saturno e Urano têm períodos de translação em torno do Sol
de aproximadamente 12, 30 e 84 anos, respectivamente. Após uma observação, quanto
tempo decorrerá para que esses três planetas voltem a ocupar simultaneamente as
mesmas posições ocupadas na observação?
O problema apresentado terá como solução a quantidade em anos correspondente
ao mínimo múltiplo comum entre os números 12, 30 e 84.
Esta parte do capítulo tem por objetivo o estudo de tópicos importantes da aritmé-
tica básica.
Número primo
1, –1, p e –p
O quadro abaixo mostra os números primos positivos menores do que 100.
2 3 5 7 11
13 17 19 23 29
31 37 41 43 47
53 59 61 67 71
73 79 83 89 97
60 2 → 60 : 2 = 30
30 2 → 30 : 2 = 15
15 3 → 15 : 3 = 5
5 5→5:5=1
1
Portanto, 60 = 22 · 3 · 5.
Matemática – Frente 1 59
Cálculo dos divisores Máximo divisor comum
de um número
Um número inteiro é o máximo divisor comum
Podemos determinar os divisores de um número por entre dois ou mais números inteiros se, e somente
meio da decomposição em fatores primos. se, ele for o maior número obtido da interseção dos
Exemplo conjuntos dos divisores desses números.
Determinar os divisores do número 60.
Assim, por exemplo, para obter o máximo divisor co-
• Primeiramente, decompomos 60 em fatores primos.
mum entre 36 e 24, podemos determinar os divisores deles.
60 2
1
30 2
36 2 2
15 3
18 2 4
5 5
9 3 3, 6, 12
1
3 3 9, 18, 36
• Em seguida, colocamos um segundo traço vertical ao 1
lado da decomposição de fatores primos e, na linha
acima do primeiro fator, colocamos o número 1, que é 1
divisor de qualquer número inteiro.
24 2 2
• Depois, multiplicamos cada fator primo pelos números
que estão à direita e acima deles, no dispositivo. 12 2 4
6 2 8
1
3 3 3, 6, 12, 24
60 2 2
1
30 2 4
15 3 3, 6, 12 d(36) = {±1, ±2, ±3, ±4, ±6, ±9, ±12, ±18, ±36}
5 5 5, 10, 20, 15, 30, 60 d(24) = {±1, ±2, ±3, ±4, ±6, ±8, ±12, ±24}
Assim:
1
mdc(36, 24) = máximo {d(36) ∩ d(24)}
Portanto: mdc(36, 24) = máximo {±1, ±2, ±3, ±4, ±6, ±12}
d(60) = {±1, ±2, ±3, ±4, ±5, ±6, ±10, ±12, ±15, ±20, ±30, ±60} mdc(36, 24) = 12
Há um segundo método que pode ser empregado:
Número de divisores naturais considerando os números na forma fatorada completa,
Podemos determinar o número de divisores de um obtém-se o máximo divisor comum multiplicando os
número inteiro por meio da decomposição em fatores pri- fatores primos comuns.
mos, analisando apenas os expoentes dos fatores primos Nesse caso, devemos multiplicar as potências cujas
desse número. bases, distintas, são fatores primos comuns aos números,
Para o número 60, por exemplo, temos: optando sempre, entre as potências de mesma base, por
60 = 22 · 3 · 5 ⇒ 60 = 22 · 31 · 51 aquelas que apresentarem o menor expoente.
• Aos expoentes dos fatores primos acrescentamos Observe os exemplos a seguir:
uma unidade e, em seguida, multiplicamos as somas
36 2 . 3
2 2
obtidas. O resultado da multiplicação indica quantos mdc(36, 24) 22 . 31 12
24 2 . 3
são os divisores positivos (ou negativos) do número: 3 1
(2 + 1) · (1 + 1) · (1 + 1) = 3 · 2 · 2 = 12
• O número 60 tem exatamente 12 divisores positivos 36 22 . 32
mdc(36, 40) 22 4
e 12 divisores negativos, ou seja, tem um total de 24
40 2 5
3 . 1
divisores.
Para obtermos o mínimo múltiplo comum entre 24 e 36, por exemplo, podemos determinar os múltiplos deles e, em
seguida, os múltiplos em comum:
m(36) 0, 36, 72, 108, 144, $
m(24) 0, 24, 48, 72, 96, 120, 144 $
m(36) % m(24) 0, 72, 144, $
O mínimo múltiplo comum é, sempre, um número positivo. Então:
mmc(36, 24) = mínimo {72, 144, !}
mmc(36, 24) 72
Aqui também há um segundo modo que pode ser aplicado: considerando os números na forma fatorada completa, podemos
obter o mínimo múltiplo comum multiplicando as potências cujas bases, distintas, são fatores primos de pelo menos um dos
números, optando sempre pelas potências de maior expoente quando os números apresentarem fatores primos em comum.
Observe os exemplos a seguir:
36 22 . 32 36 22 . 32
mmc(36, 24) 23 . 32 72 mmc(36, 40) 23 . 32 . 51 360
24 2 3
3 . 1
40 2 5
3 . 1
Uma terceira possibilidade para obtermos o mínimo múltiplo comum é fazer a decomposição simultânea em fatores
primos dos números considerados. O produto de todos esses fatores é o mmc.
36 24 2
18 12 2
9 6 2
Assim: mmc(36, 24) = 23 · 32 = 8 . 9 = 72
9 3 3
3 1 3
1 1
Existe, ainda, um quarto modo. Podemos obter o mmc e o mdc entre dois números inteiros simultaneamente. Basta
fazer a decomposição em fatores primos, assinalando os números que dividirem ambos os números simultaneamente.
Terminando a decomposição, o produto de todos os fatores é o mmc, e o produto dos números assinalados é o mdc.
Exemplo
36 24 2 x
18 12 2 x
9 6 3 x • mmc(36, 24) = 22 · 3 · 2 · 3 = 72
3 2 2 • mdc(36, 24) = 22 · 3 = 12
3 1 3
1 1
Exemplo
mmc (36, 24) · mdc (36, 24) = 36 · 24 o 72 · 12 = 36 · 24 = 864
Matemática – Frente 1 61
ATIVIDADES
3. (ENEM) Em uma cantina, o sucesso de venda no verão são
sucos preparados à base de polpa de frutas. Um dos sucos
Assimilação mais vendidos é o de morango com acerola, que é preparado
2 1
com de polpa de morango e de polpa de acerola. Para o
3 3
1. (ENEM) Em um teleférico turístico, bondinhos saem de comerciante, as polpas são vendidas em embalagens de igual
estações ao nível do mar e do topo de uma montanha. A volume. Atualmente, a embalagem da polpa de morango
travessia dura 1,5 minuto e ambos os bondinhos se deslocam custa R$ 18,00 e a de acerola, R$ 14,70. Porém, está prevista
à mesma velocidade. Quarenta segundos após o bondinho A uma alta no preço da embalagem da polpa de acerola no
partir da estação ao nível do mar, ele cruza com o bondinho próximo mês, passando a custar R$ 15,30. Para não aumentar
B, que havia saído do topo da montanha. o preço do suco, o comerciante negociou com o fornecedor
Quantos segundos após a partida do bondinho B partiu o uma redução no preço da embalagem da polpa de morango.
bondinho A? A redução, em real, no preço da embalagem da polpa de
morango deverá ser de
a) 5
b) 10 a) R$ 1,20.
c) 15 b) R$ 0,90.
d) 20 c) R$ 0,60.
e) 25 d) R$ 0,40.
e) R$ 0,30.
2. (ENEM) Um fornecedor vendia caixas de leite a um super- 4. (ENEM) O Salto Triplo é uma modalidade do atletismo em
mercado por R$ 1,50 a unidade. O supermercado costumava que o atleta dá um salto em um só pé, uma passada e um salto,
comprar 3 000 caixas de leite por mês desse fornecedor. Uma nessa ordem. Sendo que o salto com impulsão em um só pé
forte seca, ocorrida na região onde o leite é produzido, forçou será feito de modo que o atleta caia primeiro sobre o mesmo
o fornecedor a encarecer o preço de venda em 40%. O super- pé que deu a impulsão; na passada ele cairá com o outro pé,
mercado decidiu então cortar em 20% a compra mensal dessas do qual é realizado.
caixas de leite. Após essas mudanças, o fornecedor verificou Disponível em: www.cbat.org.br (adaptado)
que sua receita nas vendas ao supermercado tinha aumentado.
O aumento da receita nas vendas do fornecedor, em reais, Um atleta da modalidade Salto Triplo, depois de estudar seus
foi de movimentos, percebeu que, do segundo para o primeiro salto,
o alcance diminuía em 1,20 m, e, do terceiro para o segundo
a) 540. salto, o alcance diminuía 1,50 m. Querendo atingir a meta de
b) 600. 17,4 m nessa prova e considerando os seus estudos, a distância
c) 900. alcançada no primeiro salto teria de estar entre
d) 1 260. a) 4,0 m e 5,0 m. d) 7,0 m e 8,0 m.
e) 1 500. b) 5,0 m e 6,0 m. e) 8,0 m e 9,0 m.
c) 6,0 m e 7,0 m.
Aperfeiçoamento
Matemática – Frente 1 63
Assinale a alternativa correta. 10. (UERJ)
a) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
Adaptado de mundinhoinfantil.blogspot.com.br.
Matemática – Frente 1 65
17. (UNOPAR – PR) A decomposição de um número x em seus
fatores primos forneceu x = 34 · 53 · 72. Sobre esse número,
temos as afirmativas: Aprofundamento
I. o número x tem 60 divisores positivos.
II. o número x é divisível por 21.
19. (ENEM) As curvas de oferta e de demanda de um produto
III. o número x é um quadrado perfeito.
representam, respectivamente, as quantidades que vendedo-
a) todas são verdadeiras. res e consumidores estão dispostos a comercializar em função
b) somente I é verdadeira. do preço do produto. Em alguns casos, essas curvas podem
c) somente II é verdadeira. ser representadas por retas.
d) somente I e II são verdadeiras. Suponha que as quantidades de oferta e de demanda de
um produto sejam, respectivamente, representadas pelas
e) todas são falsas.
equações:
QO = –20 + 4P
QD = 46 – 2P
em que QO é quantidade de oferta, QD é a quantidade de
demanda e P é o preço do produto.
A partir dessas equações, de oferta e de demanda, os econo-
mistas encontram o preço de equilíbrio de mercado, ou seja,
quando QO e QD se igualam.
Para a situação descrita, qual o valor do preço de equilíbrio?
a) 5 d) 23
b) 11 e) 33
c) 13
Matemática – Frente 1 67
25. (ENEM) Durante a Segunda Guerra Mundial, para decifrarem as mensagens secretas, foi utilizada a técnica de decompo-
sição em fatores primos. Um número N é dado pela expressão 2x 5y 7z , na qual x, y e z são números inteiros não negativos.
Sabe-se que N é múltiplo de 10 e não é múltiplo de 7.
O número de divisores de N, diferentes de N, é
a) x y z d) x 1
y 1
z
b) x 1
y 1
e) x 1
y 1
z 1
1
c) x y z 1
Lembrete!
Gabarito
1. b 6. d 11. e 16. c 21. b
2. a 7. b 12. b 17. d 22. d
3. e 8. e 13. e 18. d 23. b
4. d 9. d 14. e 19. b 24. c
5. c 10. c 15. b 20. b 25. e