SUPREMO CONSELHO DO BRASIL DO GRAU 33
PARA O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
- Mãe dos Graus Filosóficos Escoceses no Brasil –
Fundado em 12 de Novembro de 1832
CÓDIGO DISCIPLINAR
- 2019 -
SUPREMO CONSELHO DO BRASIL DO GRAU 33
PARA O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
– Mãe dos Graus Filosóficos Escoceses no Brasil –
CÓDIGO DISCIPLINAR
SUMÁRIO -
-APRESENTAÇÃO –
CÓDIGO DISCIPLINAR DO SUPREMO
CONSELHO DO BRASIL DO GRAU 33 PARA O
RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
Parte Geral
Título I – DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO
DISCIPLINAR
Título II – DA JURISDIÇÃO DISCIPLINAR
Título III – DA INDISCIPLINA MAÇÔNICA
Título IV – DA IMPUTABILIDADE
DISCIPLINAR
Título V – DO CONCURSO DE PESSOAS
Título VI – DAS SANÇÕES DISCIPLINARES
Título VII – DA AÇÃO DISCIPLINADORA
Título VIII – DA EXTINÇÃO DA
PUNIBILIDADE
Título IX – DA PRESCRIÇÃO Parte Especial
Título X – DOS ATOS INDISCIPLINARES
Título XI – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
APRESENTAÇÃO
O Supremo Conselho do Brasil do Grau 33
para o Rito Escocês Antigo e Aceito, doravante
denominado SUPREMO CONSELHO, potência
maçônica filosófica, que mantém os princípios
maçônicos, que proclama a prevalência do espírito
sobre a matéria, pugnando pelo aperfeiçoamento
moral e social da humanidade, por meio do
cumprimento inflexível do dever, da prática
desinteressada da beneficência e da investigação
constante da verdade.
Entre os nossos princípios fundamentais,
encontra-se a defesa de que nenhum membro dos
graus filosóficos, será obrigado a fazer ou deixar
de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.
Vivemos, portanto, em sociedade, com
regramentos próprios que nos permite manter a
organização e o empreendimento de nossos
objetivos, dentro das regras sociais do convívio
humano.
A Instituição Maçônica é perfeita. Contudo, ela
é formada por seres humanos e imperfeitos, com
notórios defeitos e limitações, comuns à própria
sociedade. Em razão disso, torna-se necessário
observar o aspecto disciplinar, visando definir,
coibir e punir todos os desvios de conduta
praticados pelos membros pertencentes aos
corpos filosóficos.
Com o Código Disciplinar estamos dando um
primeiro passo para o estabelecimento de uma
estrutura disciplinar mais exigente e mais afinada
com os atuais anseios da nossa Instituição.
Buscou-se na instituição do Código Disciplinar
recorrer à simplicidade, o que certamente será de
grande valia para o seu aplicador, visando obter-
se a síntese objetiva da Norma, evitando-se
controvérsias inúteis e que só dificultam o
andamento normal dos processos.
Para melhor compreensão do conteúdo
filosófico deste Código Disciplinar, afirma-se que a
despeito da similitude do regramento, este não se
confunde com o Código Penal profano, porque
dentro da Ordem não pode ser atribuído ao seu
membro ato considerado crime, mas sim
indisciplina, que deverá ser apurada, julgada e, se
for o caso, punida com sanções disciplinares.
Todavia, se em qualquer circunstância fortuita
houver a prática de um crime, o autor
independente da submissão ao julgamento na
Instituição, deverá ser encaminhado à competente
autoridade profana para as devidas providências
legais.
As infrações e sanções cabíveis serão
tratadas através de um Código Disciplinar (e não
por uma Lei Penal), passando-se a adotar a atitude
como um ato jurídico de direito privado (e não de
direito público).
E, como tal, encontra-se o ato praticado pelos
membros dos corpos filosóficos e aos requisitos
essenciais de sua validade, sendo certo que o ato
disciplinar material estará sujeito às regras de
controle externo exercido pelos capítulos,
Conselhos Kadosch, Consistórios, Delegacias
Litúrgicas, e demais órgãos que integram o
Supremo Conselho, e em especial pelo Santo
Império.
Registre-se, por oportuno, que este Código
Disciplinar Maçônico se norteou pelos princípios
que formam a consciência e representam
imperativos de sua conduta, tendo sua pesquisa
observado diversas outras fontes de Direito, em
especial a Lei de Introdução ao Código Civil, o
novo Código Civil Brasileiro e o Código Disciplinar
da Ordem dos Advogados do Brasil.
Não foram aqui acrescentados
procedimentos, deixando ao alvitre dos
responsáveis pela apuração os ritos entendidos
como cabíveis.
Não se afirma aqui que o Código Disciplinar
solucionará todos os problemas disciplinares que
vierem ocorrer em nossa Instituição. Longe de ser
um fim em si mesmo, constitui um ponto de partida.
Com ele, passamos a colocar em pauta
permanente a qualidade moral do integrante do
corpo filosófico, iniciando também uma jornada
rumo ao aperfeiçoamento moral almejado.
CÓDIGO DISCIPLINAR MAÇÔNICO
PARTE GERAL
TÍTULO I – DA APLICAÇÃO DO CÓGIDO
DISCIPLINAR
Art. 1º - O presente Código Disciplinar se
aplica aos integrantes dos corpos filosóficos
jurisdicionados ao Supremo Conselho, que
cometerem quaisquer dos atos indisciplinares aqui
definidos.
Parágrafo único – Os atos indisciplinares
praticados por integrante brasileiro do Supremo
Conselho no exterior, ficam sujeitos às leis
brasileiras.
Art. 2º - Não há ato indisciplinar sem norma
legal anterior que o defina, nem haverá sanção
disciplinar sem prévia cominação legal.
Art. 3º - Nenhum integrante do Supremo
Conselho poderá ser punido, quando norma legal
posterior deixar de considerar o ato como
indisciplinar.
Art. 4º - Salvo nos casos de omissão, é
proibida a extensiva interpretação da norma, por
analogia ou equidade, quer para qualificar atos
indisciplinares, quer para a aplicação das sanções
disciplinares.
Art. 5º - O ato indisciplinar é considerado
consumado, no momento da ação ou da omissão,
ainda que outro seja o momento de seu resultado.
Art. 6º - Para que a sentença de outra
Potência, estrangeira ou nacional, produza efeitos
na esfera do Supremo Conselho, deverá ser
homologada pelo Santo Império.
Art. 7º - As regras gerais deste Código
aplicam-se aos fatos tipificados por lei especial, se
esta não dispuser de modo diverso.
Título II – DA JURISDIÇÃO DISCIPLINAR
Art. 8º - A jurisdição disciplinar maçônica é
exercida:
I – pelo Representante do Corpo Filosófico,
quanto aos Membros de seu Quadro;
II – pelo Santo Império, através de sua
administração.
Título III – DA INDISCIPLINA MAÇÔNICA
Art. 9º - Indisciplina é a violação dolosa ou
culposa das normas do Supremo Conselho, assim
como dos preceitos gerais e fundamentais da
Instituição e dos princípios normativos que regem
a Maçonaria em Geral.
Art. 10 - O ato de indisciplina somente é
imputável a quem lhe deu causa, assim
considerada a ação ou a omissão, sem a qual o
resultado não teria ocorrido.
Parágrafo único – A omissão somente será
configurada para fins de indisciplina a ser
observada pelo Supremo Conselho, quando o
Maçom omitente devia e podia agir para evitar o
resultado.
Art. 11 - A indisciplina é considerada
consumada, quando presentes todos os elementos
de sua definição legal; ou tentada, quando a
execução, uma vez iniciada, não se consume por
circunstâncias alheias à vontade do membro do
Supremo Conselho.
Art. 12 - A indisciplina será considerada:
I – dolosa, quando quis o resultado ou
assumiu o risco de produzi-lo;
II – culposa, quando deu causa ao resultado
por imprudência, negligência ou imperícia.
Art. 13 - Quando, voluntariamente, desiste de
prosseguir na execução ou impede que o resultado
se produza, só responde pelos atos já praticados.
Art. 14 - O Membro do Supremo Conselho
não se exime das sanções disciplinares, por
desconhecimento ou errônea compreensão da lei
maçônica.
Art. 15 - É isento de penalidade aquele que
comete ato de indisciplina, por erro plenamente
justificado pelas circunstâncias, supondo situação
de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
§ 1º – Não se aplica a isenção descrita no
caput, quando o erro deriva de culpa e o fato é
punível como indisciplina culposa.
§ 2º – Responde pela indisciplina aquele que,
na qualidade de terceiro, determina o erro ou
contribui para a sua execução.
§ 3º – O erro quanto à pessoa contra a qual a
indisciplina é cometida não isenta Membro do
Supremo Conselho das sanções disciplinares. Não
serão consideradas, neste caso, as condições ou
qualidades da vítima, senão as da pessoa contra
quem ele queria praticar o ato indisciplinar.
Art. 16 - Se, por erro acidental na execução,
é atingido bem jurídico diverso daquele visado,
responde este por dolo, se assumiu o risco de
causar o resultado, ou por culpa, se o previu ou
podia prever, e o fato é punível como ato
indisciplinar culposo.
Art. 17 - Se o ato é cometido sob coação
irresistível ou em estrita obediência a ordem
manifestamente legal, de superior hierárquico, só
é punível o autor da coação ou da ordem.
Art. 18 - Não há indisciplina quando o o ato é
praticado em:
I – Estado de necessidade;
II – Legítima defesa;
III – Estrito cumprimento do dever legal ou no
exercício regular do direito.
§ 1º – Considera-se em estado de
necessidade aquele que pratica ato para salvar
direito próprio ou alheio, de perigo atual que não
provocou por sua vontade e nem podia de outro
modo evitar, cujo sacrifício, nas circunstâncias,
não era razoável exigir-se.
§ 2º – Entende-se em legítima defesa quando,
usando moderadamente dos meios necessários,
repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito
seu ou de outrem.
§ 3º – Em quaisquer dos casos de excludente
de infração disciplinar, o autor responderá pelo
excesso doloso ou culposo.
Art. 19 - Não se exclui a responsabilidade do
Maçom, quando pratica o ato indisciplinar,
mediante:
I – emoção ou paixão;
II– embriaguez, voluntária ou culposa, pelo
álcool, entorpecente ou por substâncias de efeitos
análogos.
TÍTULO IV – DA IMPUTABILIDADE
DISCIPLINAR
Art. 20 - Os portadores de doença mental e
que, em razão da qual, não possuíam a
capacidade de entender o caráter indisciplinar do
fato ou de determinar-se de acordo com esse
entendimento, são inimputáveis, disciplinarmente.
Parágrafo único – Cabe ao Ministro de
Estado, após conhecimento do fato, encaminhá-lo
à esfera administrativa ao Santo Império do
Supremo Conselho.
TÍTULO V – DO CONCURSO DE PESSOAS
Art. 21 - Serão considerados autores aqueles
que:
I – diretamente praticarem ato indisciplinar;
II – por qualquer meio, exercitarem, induzirem
ou obrigarem a execução de ato indisciplinar.
Art. 22 - Consideram-se coautores aqueles
que, de qualquer modo, concorrerem para o ato
indisciplinar, por ação ou omissão, incidindo nas
mesmas penas cominadas ao autor.
Art. 23 - São considerados partícipes aqueles
que:
I – não sendo autores, prestarem auxílio à
execução do ato indisciplinar, ou fornecerem
instruções para cometê-lo;
II – antes ou durante a execução, prometerem
auxílio ao agente, ocultarem ou destruírem os
instrumentos e vestígios do ato indisciplinar;
III – conscientemente emprestarem local, de
sua propriedade ou posse, para reunião daqueles
que visem cometer ato de indisciplina maçônica.
TÍTULO VI – DAS SANÇÕES
DISCIPLINARES
Art. 24 - As sanções disciplinares aplicáveis
são:
I – censura;
II – inabilitação para o exercício de cargo no
corpo filosófico, por até dois anos;
III – eliminação do Quadro do Supremo
Conselho;
IV – suspensão dos direitos junto ao Supremo
Conselho;
V – expulsão do Supremo Conselho.
VI – declaração de “persona non grata”.
Parágrafo primeiro – A sanção disciplinar de
censura será aplicada de forma reservada, a
critério do dirigente do Corpo Filosófico a que
pertença.
Parágrafo segundo – a sanção de “persona
non grata”, será aplicada pelo Soberano Grande
Comendador, após ouvido o Santo Império, ao
irmão pertencente ou não aos quadros do
Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 Para o
Rito Escocês Antigo e Aceito, quando houver
entendimento de ofensa ou contrariedade aos
interesses do mesmo.
Art. 25 - Para a mensuração da sanção
disciplinar, devem ser levados em conta: os
antecedentes e a personalidade do investigado, a
intensidade do dolo ou da culpa, os motivos, as
circunstâncias e os resultados do ato indisciplinar.
Parágrafo único – Tendo em vista as
circunstâncias previstas neste Código para a
atenuação das sanções disciplinares aplicáveis ao
investigado, poderá o Julgador fazê-la, sempre em
atendimento da razão, do bom senso e do espírito
de fraternidade que regem a Ordem.
Art. 26 - A execução da sanção disciplinar de
suspensão dos direitos maçônicos (art. 24, IV)
admite a suspensão condicional, a juízo do Santo
Império, mediante o recurso, ante as
circunstâncias atenuantes apresentadas e o
sincero arrependimento, manifestado de
espontânea vontade, mediante declaração por
escrito, ressarcidos os prejuízos porventura
causados.
§ 1º – Compete ao Ministro de Estado
encaminhar o requerimento de suspensão
condicional ao Santo Império, cabendo a estes a
fiscalização do comportamento do beneficiado.
§ 2º – A suspensão condicional será revogada
se o beneficiado vier a responder a novo processo
disciplinar, com queixa ou denúncia recebidas,
quando o infrator deverá cumprir a penalidade
suspensa, sem prejuízo da sanção disciplinar
decorrente do novo processo.
Art. 27 - A sanção disciplinar de expulsão do
Supremo Conselho (art. 24, V) põe termo à vida do
indisciplinado no Corpo Filosófico, devendo o fato
ser comunicado à Potência Maçônica simbólica a
que pertença.
Art. 28 - A sanção disciplinar de suspensão
dos direitos que exceder a cinco anos, será
automaticamente convertida em sanção disciplinar
de expulsão do Supremo Conselho.
Art. 29 - No caso de concorrência de infrações
disciplinares, será aplicada a sanção mais grave.
Art. 30 - A condenação do investigado pela
Justiça profana em delito infamante, ou cuja pena
seja de reclusão e ultrapasse dois anos, implicará
na expulsão do Supremo Conselho (art. 24, V), que
será decretada pelo Santo Império, mediante
devido processo legal.
Art. 31 - A condenação de membro do
Supremo Conselho pela Justiça profana, em delito
culposo ou em contravenção penal, importará em
suspensão dos seus direitos perante a Instituição
(art. 24, IV), quando o ato delituoso praticado
importe em desrespeito aos princípios defendidos
pela Ordem.
Art. 32 - A absolvição de membros do
Supremo Conselho processo transitado em
julgado na Justiça profana, por delito praticado
contra Irmão, não impede o processo no âmbito do
Supremo Conselho, nem o exime da
responsabilidade disciplinar.
Art. 33 - São circunstâncias agravantes:
I – ter praticado o ato indisciplinar com
premeditação;
II – ser reincidente, o que ocorrerá quando
praticar ato indisciplinar de natureza semelhante
ao qual já tenha sido condenado;
III – ter cometido o ato indisciplinar por motivo
fútil ou reprovável;
IV – ter o ato indisciplinar sido cometido com
abuso de confiança, utilização de instrumentos ou
de força descomedida, ou ainda de qualquer
circunstância que lhe traga notória superioridade,
capaz de impedir a defesa ou a repulsa à ofensa,
por parte do ofendido;
V – ter o ato indisciplinar sido praticado no
interior do Templo Maçônico ou nas dependências
de corpos filosóficos;
VI – ter praticado o ato em estado de
embriaguez;
VII – ter cometido ato disciplinar com abuso
de autoridade;
VIII – não comparecer, sem justificativa,
perante autoridade dos corpos filosóficos que
pertença, quando intimado;
IX – a não sujeição espontânea aos Corpos e
às autoridades encarregadas de manter a
legislação;
X – promover e organizar a cooperação do
ato indisciplinar ou dirigir a atividade dos demais
agentes.
Parágrafo único – As circunstâncias
agravantes que forem elemento constitutivo da
indisciplina, não influirá no agravamento da sanção
disciplinar.
Art. 34 - São circunstâncias atenuantes:
I – faltar ao infrator conhecimento do ato, em
tese indisciplinar praticado, e a direta intenção em
praticá-lo;
II – ter o excedido nos meios utilizados, ao
promover oposição à execução de ordens ilegais;
III – o arrependimento do membro do
Supremo Conselho, manifestado por escrito e
dirigido ao Corpo Filosófico a que está diretamente
subordinado, uma vez ressarcidos os prejuízos
porventura causados;
IV – a prestação de relevantes serviços à
Ordem em Geral, previamente conhecidos;
V – ter partido do ofendido a provocação;
VI – a pronta restituição, paga, ou reparação
da coisa subtraída, destruída, danificada, ou a
plena satisfação do dano causado;
VII – ter praticado o ato indisciplinar por
motivo de relevante valor social ou moral;
VIII – ter confessado espontaneamente a
prática do ato indisciplinar.
Art. 35 - O Julgador aplicará as circunstâncias
atenuantes, tendo-se como diretrizes: a razão, o
bom senso e o espírito de fraternidade da
Instituição.
Art. 36 - Para a aplicação da sanção
disciplinar, deverão ser consideradas: a relevância
e a preponderância das circunstâncias agravantes
e atenuantes.
§ 1º – São circunstâncias preponderantes as
que resultem motivos determinantes da
indisciplina, da personalidade do Membro da
Instituição e da reincidência.
§ 2º – Prevalecerão as circunstâncias
agravantes sobre as atenuantes, quando
preponderar a perversidade da indisciplina, a
extensão do dano e a intensidade do ato, ou
quando o infrator for habituado às más ações ou
desregrado nos costumes.
§ 3º – Prevalecerão as circunstâncias
atenuantes sobre as agravantes, quando a
indisciplina não for revestida de perversidade ou
quando o infrator não tiver compreendido a
extensão e as consequências de sua
responsabilidade.
§ 4º – Haverá compensação entre as
circunstâncias agravantes e atenuantes, quando
forem de igual importância, intensidade e número.
TÍTULO VII – DA AÇÃO DISCIPLINADORA
Art. 37 - A ação disciplinadora se exercita por:
I – queixa da parte ofendida;
II – denúncia da autoridade competente,
provocado ou não esse procedimento pela parte
ofendida, ou por qualquer membro da Ordem em
Geral, que tenha conhecimento dos fatos.
§ 1º – No caso de queixa da parte ofendida, a
autoridade competente poderá aditar a queixa,
passando a acompanhar a tramitação do
processo, salvo se houver desistência ou
desinteresse da parte ofendida, quando cessará a
intervenção.
§ 2º – O ofendido decai do direito de queixa,
se não o exercer dentro do prazo de seis meses,
contado do dia em que tomou conhecimento de
quem é o autor do ato de indisciplina.
Art. 38 - A ação disciplinadora exercida pelo
Corpo Filosófico aplica-se apenas aos Irmãos do
Quadro, a que pertence o infrator.
Parágrafo Único- A denúncia em face de
Membro do Supremo Conselho que atentar contra
a Ordem Maçônica em geral, deve ser
apresentada diretamente ao Santo Império, e deve
ser formulada pelo Ministro de Estado.
Art. 39 - A sanção disciplinar máxima passível
de ser aplicada é a de eliminação do Quadro de
Obreiros (art. 24, III). Se a decisão imputar sanção
disciplinar mais grave, deverá o órgão a que
pertence, encaminhar os autos do processo para o
reexame necessário pelo Santo Império.
Art. 40 - Salvo decisão proferida pelo Santo
Império, haverá reexame necessário quando for
aplicada a sanção disciplinar de expulsão do
Membro (art. 24, V).
TÍTULO VIII – DA EXTINÇÃO DA
PUNIBILIDADE
Art. 41 - Extingue-se a ação disciplinadora:
I – pela morte do Membro indisciplinado;
II – por anistia, emanada da autoridade
competente;
III – pela retroatividade de lei que não mais
considerar o ato como indisciplina;
IV – pelo perdão do ofendido;
V – pela prescrição.
Art. 42 - A sanção disciplinar se extingue:
I – pelo cumprimento da sanção disciplinar, no
lapso temporal da condenação;
II – pelo indulto, concedido pela autoridade
competente.
Art. 43 - O cumprimento da penalidade se
suspende por ato do Soberano Grande
Comendador, ad referendo do Santo Império,
quando o Maçom for primário.
Parágrafo único – A reincidência ou a prática
de qualquer outro ato indisciplinar importará na
revogação da suspensão, e obrigará ao
cumprimento da sanção disciplinar da condenação
suspensa, sem prejuízo da responsabilidade
decorrente.
TÍTULO IX – DA PRESCRIÇÃO
Art. 44 - A prescrição da ação é de dois anos,
contados da data do ato indisciplinar.
Art. 45 - A prescrição se interrompe pelo
recebimento da queixa ou da denúncia.
Art. 46 - Os atos de indisciplina cominados
com a sanção disciplinar de expulsão do Supremo
Conselho (art. 24, V) são imprescritíveis.
PARTE ESPECIAL TÍTULO X – DOS ATOS
INDISCIPLINARES
Art. 47 - São atos indisciplinares maçônicos
aos quais se aplicam a sanção disciplinar de
censura, descrita no inciso I, do art. 24:
I – frustrar ou impedir o livre exercício do
direito de voto, ou a liberdade de palavra, quando
usada em termos convenientes, atendendo aos
preceitos ritualísticos, desde que lhe seja cabível;
II – aceitar cargo no Corpo Filosófico ou em
outro Corpo Maçônico, sabendo-se irregular;
III – faltar com o dever de fraternidade a
Membro regular de Corpo Filosófico do Supremo
Conselho, não prestando a ele ou a sua família,
injustificadamente, a ajuda ou o socorro de que
careça.
IV – deixar de saldar dívida contraída no meio
do Corpo Filosófico do Supremo Conselho ou em
outro Reconhecido e que mantenha tratado de
reconhecimento, ou no mundo profano, salvo
motivo de força maior, postergando o dever de
fraternidade ou prejudicando o bom conceito da
Ordem a que pertença.
Parágrafo único – A reincidência dos atos
indisciplinares descritos nos incisos acima, enseja
aplicação da sanção disciplinar de eliminação do
Quadro do Supremo Conselho, descrita no inciso
III, do art. 24.
Art. 48 - São atos indisciplinares aos quais se
aplicam a sanção disciplinar de inabilitação para o
exercício de membro do corpo filosófico por até
dois anos, descrita no inciso II, do art. 24:
I – descumprir os deveres do cargo ou função
em que esteja investido no âmbito do Supremo
Conselho;
II – praticar ato discricionário no exercício de
cargo ou função no Supremo Conselho, com
abuso de autoridade ou preconceito de qualquer
natureza;
III – submeter candidato a ser Iniciado e/ou
exaltado nos graus filosóficos a qualquer tipo de
atitude não prevista em nossa legislação da Ordem
ou no Ritual, ensejando trote, prova, tarefa ou
situação que possa gerar constrangimento físico
ou moral;
IV – deixar de encaminhar, na época própria,
à Grande Secretaria de Finanças do Supremo
Conselho, os metais para esse fim recebidos de
seus Membros e das Delegacias Litúrgicas.
V – deixar de repassar, a quem for transmitido
o cargo até então ocupado, documentos, valores
ou objetos que encontravam-se sob sua guarda e
responsabilidade.
Parágrafo único – A reincidência dos atos
indisciplinares descritos nos incisos acima,
ensejará a aplicação da sanção disciplinar de
suspensão dos direitos maçônicos (art. 24, IV).
Art. 49 - São atos indisciplinares aos quais se
aplicam a sanção disciplinar de suspensão dos
direitos maçônicos, descrita no inciso IV, do art. 24:
I – desobedecer as autoridades constituídas
do Supremo Conselho;
II – descumprir, intencionalmente, e sem
motivos justos, as deliberações do Supremo
Conselho;
III – Escusar-se, sem motivo justificado, ou
negligenciar em procedimentos concernentes à
admissão de novos Membros, prestando
informações inverídicas ou ocultando fato ou
circunstância de que tenha ciência, visando
possibilitar a admissão de quem não possua
qualidade para ingressar nos Corpos Filosóficos.
Incorre na mesma sanção o Maçom que, ciente da
falta de qualidade do Maçom, propõe sua
admissão no Supremo Conselho;
IV – permitir, nos trabalhos do Supremo
Conselho, a permanência de Maçom que não
tenha qualidade para assisti-los;
V – usar expediente reprovável para obter
voto em eleição;
VI – imprimir, publicar ou divulgar, por
qualquer meio na imprensa profana, assunto que
prejudique o bom conceito do Supremo Conselho;
VII – comportar-se com falta de decoro no
âmbito do Supremo Conselho ou no mundo
profano, praticando atos contrários à pratica de
atividades reprováveis pela sociedade ou pela
Ordem Maçônica em Geral;
VIII – perturbar a regularidade dos trabalhos
no âmbito do Supremo Conselho ou de qualquer
Corpo Maçônico regular, faltando com o respeito
às autoridades constituídas e seus Membros;
IX – promover ou propiciar a desarmonia ou
a rivalidade entre Membros do Supremo Conselho,
de Corpos Filosóficos ou Maçônicos Reconhecidos
de um modo em geral;
X – impedir o livre exercício de função ou de
atribuição legalmente cometida ao Irmão, à
autoridade ou aos Corpos Maçônicos;
XI – abusar da honestidade ou de boa-fé de
Membros ou de pessoa de sua família;
XII – praticar ação ou omissão que prejudique
algum Membro ou à Ordem em Geral;
XIII – invadir atribuições de autoridades de
qualquer Corpo Maçônico, atribuir-se poder, título
de qualidade que não possui, ou usar joia, insígnia
ou qualquer outro símbolo a que não tenha direito;
XIV – praticar ato maçônico, estando
legalmente privado de fazê-lo;
XV – envolver o prestígio da Instituição em
discussão, em recinto maçônico, corpo filosófico
ou profano, matéria de natureza político-partidária,
religiosa, sectária ou racial;
XVI – discutir ou divulgar ao mundo profano
fato ocorrido em Loja ou em qualquer Corpo
Maçônico, cujo conhecimento por profano importe
em prejuízo à Ordem;
XVII – concorrer, de qualquer forma, para o
enfraquecimento de corpo filosófico;
XVIII – promover, não sendo sua atribuição, e
sem permissão dos Poderes competentes,
correspondência com Potência Maçônica ou
autoridade profana sobre assunto de natureza do
Supremo Conselho, reservado ou proibido, da
competência exclusiva de autoridade dessa
Instituição prevista em lei, salvo se tratarem-se de
comunicações, expedientes e cortesias dos
Corpos Filosóficos, de cidades fronteiriças do
território nacional e entre autoridades de países
vizinhos, bem como a correspondência maçônica
entre Irmãos de outra Obediência, que não envolva
o prestígio do Supremo Conselho;
XIX – contrair dívida, alienar ou gravar o
patrimônio de qualquer Corpo Filosófico, sem
autorização da autoridade competente;
XX – deixar de comparecer, sem motivo
justificado, à sessão de Corpo Filosófico, ou de
Autoridade Competente do Supremo Conselho,
quando devidamente intimado, para tratar de
imperioso interesse da Instituição;
XXI – prestar falso testemunho, seja nos
corpos filosóficos, em especial do Supremo
Conselho, ou no mundo profano;
XXII – prevalecer-se do exercício de posição
profana para prejudicar direito ou interesse de
Irmão pertencente ao Supremo Conselho;
XXIII – obter ou tentar obter vantagem ilícita
negociando objeto, cargo, grau, honraria ou
qualquer outro feito do Supremo Conselho;
XXIV– facilitar a profano o conhecimento de
símbolo, ritual, cerimônia ou de qualquer outro ato
reservado a Membro do Supremo Conselho;
XXV– deixar o Membro do Supremo Conselho
de promover a satisfação de prejuízos causados a
outrem, quando oriunda de sentença judicial
profana transitada em julgado;
XXVI – praticar ato de improbidade, no
exercício de cargo que exerça no Supremo
Conselho;
XXVII – desobedecer às Leis, Regulamentos,
Regimentos e Resoluções emanadas do Supremo
Conselho, ou opor-se por meios ilegais contra
autoridade de quaisquer dos poderes constituídos
de potências legalmente reconhecidas, ou contra
membros destes Poderes;
XXVIII – apresentar-se o Membro do Supremo
Conselho nas redes sociais, aplicativos e/ou meios
de comunicação, de modo vexatório ou que atente
contra os bons costumes e os postulados
universais da Instituição.
Art. 50 - São atos indisciplinares aos quais se
aplica a sanção disciplinar de expulsão do
Supremo Conselho, descrita no inciso V, do art. 24:
I – trair juramento prestado em sua admissão
ao Corpo Filosófico, por declaração oral ou
expressa, manifestação pública ou de qualquer
meio que o caracterize;
II – atentar contra a soberania ou a integridade
do Supremo Conselho;
III – fomentar, tentar ou promover a separação
dos Órgãos Integrantes do Supremo Conselho;
IV – promover dissidência no seio do Supremo
Conselho ou de qualquer organização de
jurisdição pertencente ao mesmo;
V – promover, por qualquer forma de
expressão, no meio dos corpos filosóficos ou em
potências maçônicas reconhecidas ou no mundo
profano, conceito desairoso ou crítica maledicente,
atentando contra a honra e a dignidade de
quaisquer Poderes do Supremo Conselho ou de
seus membros;
VI – prejudicar as relações amistosas do
Supremo Conselho com outra Potência Maçônica
reconhecida, ou com o estabelecimento de
relações com aquelas com as quais não as
mantém;
VII – instituir, filiar-se, professar ou prestar
obediência a organização ilegal, inclusive de
natureza político-partidária, cujos princípios,
atividades ou ideologias conflitem com os que a
Ordem Maçônica em Geral defende e proclama;
VIII – injuriar, caluniar ou difamar Membro do
Supremo Conselho, bem como proferir palavras
ofensivas à moral própria ou de seus familiares,
autoridade maçônica ou qualquer Corpo Maçônico,
lhes ofendendo a honra ou a reputação, no meio
maçônico ou no mundo profano;
IX – falsificar, inutilizar, destruir ou ocultar
livros, documentos, joias, insígnias ou símbolos
maçônicos em benefício próprio ou em prejuízo de
Corpo Filosófico, de Corpos Maçônicos do
Simbolismo ou da Ordem em Geral;
X – prestar informações falsas, alterar ou
ocultar documentos ou fato para fraudar interesse
particular, material ou moral do Supremo
Conselho, de qualquer Corpo Maçônico ou da
Ordem em Geral;
XI – praticar violência física, moral ou
psicológica contra Membro do Supremo Conselho,
irmão de qualquer potência ou pessoa de sua
família.
Parágrafo único – Os atos indisciplinares
inscritos nos incisos V e VIII deste artigo, somente
se procedem mediante queixa do ofendido.
TÍTULO XI – DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 51 - A responsabilidade disciplinar é
exclusivamente pessoal do Membro do Supremo
Conselho, não atingido os Corpos Maçônicos, que
respondem por medidas administrativas
estabelecidas em legislações específicas, sem
prejuízo da ação disciplinar contra seus dirigentes,
no exercício de suas funções, ou de seus
antecessores se contribuíram para o
desencadeamento dos fatos.
Art. 52 - Nos casos omissos, aplicam-se
subsidiariamente as leis profanas brasileiras que
forem compatíveis com os princípios da Instituição.
Art. 53 - O Santo Império do Supremo
Conselho deverá organizar seus Regimentos
Internos, a fim de adequar a presente normativa à
forma de julgamento dos atos processuais de sua
competência.
Art. 54 - Os processos em andamento na data
do início da vigência desta norma, serão decididos
segundo a norma em vigor por ocasião do
oferecimento da queixa ou da denúncia.
Este Código entrará em vigor na data de sua
publicação, revogando-se as disposições em
contrário.
FIM