0% acharam este documento útil (0 voto)
69 visualizações29 páginas

Finalidades e Princípios da LEP

O documento discute os princípios da Lei de Execução Penal, incluindo a individualização da pena. Apresenta que a individualização da pena é realizada por uma Comissão Técnica de Classificação, que classifica os condenados levando em conta seus antecedentes e personalidade para orientar a execução da pena de forma personalizada.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
69 visualizações29 páginas

Finalidades e Princípios da LEP

O documento discute os princípios da Lei de Execução Penal, incluindo a individualização da pena. Apresenta que a individualização da pena é realizada por uma Comissão Técnica de Classificação, que classifica os condenados levando em conta seus antecedentes e personalidade para orientar a execução da pena de forma personalizada.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

1 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

1. Das Finalidades da LEP

Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão
criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do
internado.

Como percebemos este artigo está em consonância com o que há


de mais moderno na doutrina, temos aqui uma dupla finalidade ou também conhecida
como eclética ou mista. Como percebemos temos um duplo objetivo, na primeira
parte o legislador tem como objetivo propiciar meios para que a sentença seja
integralmente cumprida e na parte final o legislador tem como objetivo a reintegração
do sentenciado ao convívio social (ressocialização).

Como outroramente comentado há a concordância entre o que


está previsto no artigo primeiro da LEP e com a finalidade da pena, conforme prevê
a doutrina moderna, vejamos, então, esta teoria:

A pena tem tríplice finalidade (polifuncional), Rogerio Sanches as


elenca:

 Preventiva (geral e especial);


 Retributiva
 Reeducativa

O mesmo ainda divide as penas da seguinte forma:

 Pena em abstrato tem a finalidade de prevenção geral, já que a simples


cominação legal protegendo um bem jurídico já preveni as condutas que
possam afetar esses bens jurídicos pela sociedade em geral, não possuindo,
portanto, uma figura específica.

 Já a pena na sentença tem a finalidade de prevenção especial e finalidade


retributiva. Aquela, pois visa uma pessoa de forma especifica prevenindo a
reincidência no cometimento de crimes, já essa visa punir, ou seja, pagar com
o mal um mal causado. Restringido direitos e garantias individuais.

 Já a pena na execução tem finalidade pedagógica, quando visa a


ressocialização (trazer de forma harmônica esse condenado a sociedade) e a
efetivação real das disposições da sentença como aduz a primeira parte do
artigo 1° da LEP.

[Link]
2 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

 Vale também entender a quem a LEP abarca:

 Preso em sentido lato, ou seja, tanto o provisório, bem como o definitivo.

 Submetido a medida de segurança

OBS.: Vale instar que o menor infrator não é abarcado pela LEP, uma vez que os
mesmos possuem instituto próprio.

Presos –
Pressupõe fato ilícito, Efetivar as disposições
Execução
típico e praticado por da sentença e Visa o passado
da Pena
agente culpável. ressocialização
aos Presos
Pressupõe fato ilícito,
típico e praticado por
Medida de Visa curar, quando
agente não imputável, Visa o futuro
Segurança possível ou tratar
porém perigoso
(periculosidade)

[Link]
3 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

2. Jurisdição comum da LEP e aplicação do Código de Processo Penal na LEP

Art. 2º A jurisdição penal dos Juízes ou Tribunais da Justiça ordinária, em todo o Território
Nacional, será exercida, no processo de execução, na conformidade desta Lei e do Código de
Processo Penal.

a) Em regra, compete a justiça comum estadual a execução,


ressalvando-se os casos de pena cumprida em estabelecimento federal de segurança
máxima.

b) A aplicação do CPP é sempre subsidiária, quando não houver


disposição expressa na LEP. Havendo conflito prevalecerá a LEP, por ser norma
específica e posterior.

2.1. Da Execução das penas aplicadas pela justiça especializada.

Parágrafo único. Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao condenado pela
Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária.

“Nas palavras de Marcelo Uzeda de Faria – “As execuções das


sentenças proferidas nas justiças especializadas competem à justiça estadual quando
os presos estiverem recolhidos em estabelecimento penais estaduais, submetendo-
se ao regramento da LEP. Assim, por exemplo, um militar condenado pela justiça
militar à pena superior a 2 anos, que tenha sido excluído (praça) ou perdido o posto
e a patente (oficial), será recolhido a estabelecimento penal comum e executado à
luz da LEP (art. 61, do Código Penal Militar).”

[Link]
4 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

3. Princípios Norteadores da Sentença

3.1. Legalidade – Art. 3º LEP.

“Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos


não atingidos pela sentença ou pela lei.”

Percebam que o princípio da legalidade deixa claro que o rol dos


direitos do preso e internado é exemplificativo sendo afetado somente a partir do
momento que houver sentença ou lei restringindo.

A LEP se aplica ao preso em definitivo, ao preso provisório no que


couber e ao internado, sujeito a medida de segurança de internação. Menor Infrator
não, pois o mesmo possui legislação própria.

Importante frisar também, por último, que a LEP possui um instituto


próprio que versa sobre o princípio da legalidade, sem necessitar de recorrer a outra
lei.

3.2. Princípio da igualdade

Este princípio está previsto no § único, do artigo 3º. Uma possível


questão de prova pode envolver este princípio da legalidade, perguntando, por
exemplo, se pode existir algum tipo de desigualdade, o candidato deve estar atento,
pois pode haver uma desigualdade material, por exemplo, no que tange a idade (aos
maiores de 60 anos) e ao sexo (Mulheres cumprindo pena).

Parágrafo único, do art. 3°, da LEP – “Não haverá qualquer distinção de


natureza racial, social, religiosa ou política.”

3.3. Princípio da Personalização da Pena

Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e


personalidade, para orientar a individualização da execução penal.

Art. 6º A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que


elaborará o programa individualizador e acompanhará a execução das penas privativas de
liberdade e restritivas de direitos, devendo propor, à autoridade competente, as
progressões e regressões dos regimes, bem como as conversões.

Art. 6o A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que


elaborará o programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao
condenado ou preso provisório. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)

[Link]
5 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, existente em cada estabelecimento,


será presidida pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 (dois) chefes de serviço, 1 (um)
psiquiatra, 1 (um) psicólogo e 1 (um) assistente social, quando se tratar de condenado à
pena privativa de liberdade.

Parágrafo único. Nos demais casos a Comissão atuará junto ao Juízo da Execução
e será integrada por fiscais do serviço social.

Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime


fechado, será submetido a exame criminológico para a obtenção dos elementos
necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução.

Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o
condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semi-aberto.

Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da


personalidade, observando a ética profissional e tendo sempre presentes peças ou
informações do processo, poderá:

I - entrevistar pessoas;

II - requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a


respeito do condenado;

III - realizar outras diligências e exames necessários.

3.3.1. Introdução

Ou seja, o Princípio da individualização penal previsto na LEP advém


do princípio constitucional de mesma nomenclatura (art. 5°, XLVI), porém por este
ser norma de eficácia contida necessitou de leis inferiores que instrumentasse com
minucia os meios de iniciação.

Esse princípio consiste no amoldamento da pena a cada


condenado.

Vale instar ainda que, como desdobramento deste princípio surge o


da proporcionalidade da pena, que consiste em estabelecer a efetiva
correspondência entre a classificação do preso e o modo pelo qual a pena será
executada, de acordo com o art. 5º, da Lei 7.210/84. Além do mencionado
dispositivo, o item 26 da Exposição de Motivos da Lei de Execução Penal disciplina
que o princípio em evidência é atendido na medida em que se classificam os
condenados, "de modo que a cada sentenciado, conhecida a sua personalidade e
analisado o fato cometido, corresponda o tratamento penitenciário adequado"
(GOMES, L. F. Idem, p. 483).

[Link]
6 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

O candidato deve ter cuidado com os tempos da individualização,


existem dois momentos na pena, realizado pelo juiz da sentença e outro feito na
execução penal, realizado pelo juiz da execução.

Percebemos ainda que os condenados serão classificados, mas a


pergunta que paira é, quem classifica?

3.3.2. Da Comissão Técnica de Classificação

[Link]. Da competência da CTC:

A classificação cabe a Comissão Técnica de Classificação (CTC),


temos que ter cuidado, pois as suas atribuições, foram diminuídas, vejamos como
eram e como ficou agora:

Art. 6º A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que elaborará o
programa individualizador e acompanhará a execução das penas privativas de liberdade e
restritivas de direitos, devendo propor, à autoridade competente, as progressões e regressões
dos regimes, bem como as conversões.

Art. 6o A classificação será feita por Comissão Técnica de Classificação que elaborará o
programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao condenado ou preso
provisório. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003).

Lei 10792/03
Antes Depois
Acompanhava as Penas
a) Privativa de Liberdade
b) Restritiva de Direitos
Somente individualiza e acompanha
pena privativa de liberdade
Intervinha
a) Progressões/Regressões
b) Conversão da Pena

Percebemos que após advento da lei 10792/03 as competências da CTC foram


reduzidas passando hoje a tão somente acompanhar e individualizar as penas
privativas de liberdade.

[Link]. Da Composição da CTC:

Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, existente em cada estabelecimento,


será presidida pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 (dois) chefes de serviço, 1 (um)
psiquiatra, 1 (um) psicólogo e 1 (um) assistente social, quando se tratar de condenado à
pena privativa de liberdade.

Parágrafo único. Nos demais casos a Comissão atuará junto ao Juízo da Execução
e será integrada por fiscais do serviço social.

[Link]
7 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

[Link]. Das formas de classificação

Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da


personalidade, observando a ética profissional e tendo sempre presentes peças ou
informações do processo, poderá:

I - entrevistar pessoas;

II - requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a


respeito do condenado;

III - realizar outras diligências e exames necessários.

3.4. Princípio da Jurisdicionalidade:

Art. 194. O procedimento correspondente às situações previstas nesta Lei será judicial,
desenvolvendo-se perante o Juízo da execução.

Os incidentes da LEP serão decididos pelo poder judiciário. A


autoridade administrativa somente pode definir pontos secundários da execução
penal (ex: Dia de visitas, horário do banho de sol, imposição de sanções disciplinares
previamente previstos em lei, etc.). Mesmo nos pontos secundários pode haver
intervenção judicial.

Por Exemplo, o delegado ou o diretor do presídio, proíbe o dia de


visitas, caso o condenado discorde pode recorrer ao juiz.

3.5. Princípio do Devido Processo Legal

Temos aqui um gênero com várias espécies, por exemplo, ampla


defesa, contraditório, publicidade, imparcialidade...

O princípio do contraditório encontra-se previsto no texto


constitucional, o qual deve estar presente em todos os processos judiciais e
administrativos. Assim, dispõe o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal que
"aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral
são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a
ela inerentes."

3.6. Princípio da Reeducação

Durante a execução penal deve-se buscar a ressocialização dos


presos, coincidindo com as finalidades da LEP. Nós temos para isso os instrumentos
que buscam a ressocialização, que desdobraremos futuramente.

[Link]
8 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

3.7. Princípio da Humanização

Aqui se visa apenas o que já a própria Constituição federal já


previa, proibindo penas cruéis, desumanas ou degradantes, como:

O princípio da humanização da pena encontra-se previsto na Constituição Federal, que estabelece em seu
art. 5º, inciso LXVII, que "não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos
do art. 84, XIX; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis."

Pelo princípio da humanização da pena, a execução penal deve obedecer aos parâmetros modernos de
humanidade, consagrados internacionalmente, mantendo-se a dignidade humana do condenado. As penas
mencionadas ferem o estágio atual da civilização humana, tendo sido, portanto, abolidas de nosso
ordenamento jurídico (MESQUITA JÚNIOR, 1999, p. 29).

3.8. Princípio da Publicidade

Sobre a publicidade dos atos processuais, consta do art. 5º, da


Constituição Federal, em seu inciso LXI, que "a lei só poderá restringir a publicidade
dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigir."

Os atos processuais da execução penal são públicos, e a publicidade


só poderá ser limitada por lei quando a defesa da intimidade do sentenciado ou o
interesse social o exigirem.

A publicidade dos atos processuais conduz a uma garantia de


independência, imparcialidade, autoridade e responsabilidade do juiz. Encontra
exceção nos caos em que o decoro ou o interesse social aconselhem que eles não
sejam divulgados.

Neste diapasão, não podemos desprezar o art. 198, da Lei de


Execução Penal, que prevê ser defeso ao integrante dos órgãos da execução penal,
e ao servidor, a divulgação de ocorrência que perturbe a segurança e a disciplina dos
estabelecimentos, bem como exponha o preso à inconveniente notoriedade, durante
o cumprimento da pena.

[Link]
9 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

4. Do Exame Criminológico

Como percebemos o exame criminológico, ao contrário de


algumas correntes, ainda é previsto na LEP, apenas sofreu uma redução em seu rol
com o advento da lei 10792/03, como vimos na tabela acima.

A corrente que defende a extinção do exame criminológico, só


leve em consideração a destinação do exame criminológico a tão somente à aferição
do mérito que se exigia expressamente para a progressão do regime prisional e
outros benefícios. Porém, e com maior relevância esta classificação se mostra
imprescindível para a individualização executória, que por um acaso nada mudou.

Percebemos que somente será submetido ao exame criminológico


obrigatoriamente o preso que cumpre a pena em regime fechado, ficando, então, o
preso em regime semiaberto a faculdade do juiz da execução penal caso ache
necessário, como prevê o art. 8º e seu parágrafo único.

Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será


submetido a exame criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada
classificação e com vistas à individualização da execução.

Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser submetido o condenado ao
cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semi-aberto.

Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade,


observando a ética profissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo,
poderá:

I - entrevistar pessoas;

II - requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e informações a respeito do


condenado;

III - realizar outras diligências e exames necessários.

Que fique claro que existem, então, dois momentos possíveis para
a realização do exame criminológico, um durante a execução e outra na sentença,
assim.

Quando no ingresso do apenado, nada mudou em relação a


realização do exame criminológico e apesar de algumas correntes que divergem em
relação a esse assunto, pois o próprio Código penal e LEP também não se entendem,
tentarei ser o mais simples possível.

[Link]
10 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

Segundo o artigo 8° e parágrafo único da LEP o exame criminológico


é obrigatório somente quando no ingresso no regime fechado, sendo, portanto, nos
demais regimes facultativos.

Já quando falamos em exame criminológico para progressão de


regime, após advento da lei 10792/03 que derroga o artigo 112, da LEP, passando a
não mais trazer expresso em seu texto legal a necessidade de exame criminológico
como requisito subjetivo para progressão de regime, apesar de alguns doutrinadores
interpretarem que com isso não se poderia mais impedir a progressão com base no
exame criminológico, ouso discordar e ir ao encontro dos tribunais superiores pátrios,
que com a edição das súmulas 439, STJ que traz um espectro de abrangência maior
que a da súmula vinculante n° 26, STF, súmula essa que possibilita a realização de
exame criminológico para crimes hediondos e equiparados, Diante disso concluo que
o exame criminológico poderá ser realizado, desde que analisado a peculiaridade,
inclusive para progressão de regime.

A fim de enriquecer nosso estudo a LEP, ainda prevê de forma


expressa em seu artigo 174, a possibilidade de realização de exame criminológico
aos submetidos a medida de segurança, conforme podemos analisar abaixo.

Art. 174. Aplicar-se-á, na execução da medida de segurança, naquilo que couber, o


disposto nos artigos 8° e 9° desta Lei.

4.1. Do exame Criminológico na Progressão de Regime.

Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva, com a
transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo Juiz, quando o preso tiver
cumprido ao menos 1/6 (um sexto) da pena no regime anterior e seu mérito indicar a progressão.
Parágrafo único. A decisão será motivada e precedida de parecer da Comissão Técnica
de Classificação e do exame criminológico, quando necessário.

Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a
transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver
cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento
carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a
progressão. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)

§ 1o A decisão será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e


do defensor. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 2003)

§ 2o Idêntico procedimento será adotado na concessão de livramento condicional, indulto


e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. (Incluído pela
Lei nº 10.792, de 2003).

[Link]
11 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

Súmula 439, STJ

“Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão


motivada”.

Súmula Vinculante 26, STF

Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo, ou


equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art. 2º da Lei nº 8.072, de
25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos
objetivos e subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo fundamentado,
a realização de exame criminológico.

Precedente Representativo

"A Constituição Federal, ao criar a figura do crime hediondo, assim dispôs no art. 5º, XLIII: (...)
Não fez menção nenhuma a vedação de progressão de regime, como, aliás - é bom lembrar -,
tampouco receitou tratamento penal stricto sensu (sanção penal) mais severo, quer no que
tange ao incremento das penas, quer no tocante à sua execução. (...) Evidente, assim, que,
perante a Constituição, o princípio da individualização da pena compreende: a)
proporcionalidade entre o crime praticado e a sanção abstratamente cominada no preceito
secundário da norma penal; b) individualização da pena aplicada em conformidade com o ato
singular praticado por agente em concreto (dosimetria da pena); c) individualização da sua
execução, segundo a dignidade humana (art. 1º, III), o comportamento do condenado no
cumprimento da pena (no cárcere ou fora dele, no caso das demais penas que não a privativa
de liberdade) e à vista do delito cometido (art. 5º, XLVIII). Logo, tendo predicamento
constitucional o princípio da individualização da pena (em abstrato, em concreto e em sua
execução), exceção somente poderia aberta por norma de igual hierarquia nomológica." HC
82.959, Voto do Ministro Cezar Peluso, Tribunal Pleno, julgamento em 23.2.2006,DJ de
1.9.2006.
"Essas colocações têm a virtude de demonstrar que a declaração de inconstitucionalidade in
concreto também se mostra passível de limitação de efeitos. (...). É que, nesses casos, tal como
já argumentado, o afastamento do princípio da nulidade da lei assenta-se em fundamentos
constitucionais e não em razões de conveniência. Se o sistema constitucional legitima a
declaração de inconstitucionalidade restrita no controle abstrato, esta decisão poderá afetar,
igualmente, os processos do modelo concreto ou incidental de normas. Do contrário, poder-se-
ia ter inclusive um esvaziamento ou uma perda de significado da própria declaração de
inconstitucionalidade restrita ou limitada. (...) No caso em tela, observa-se que eventual
declaração de inconstitucionalidade com efeito ex tunc ocasionaria repercussões em todo o
sistema vigente.(...) Com essas considerações, também eu, Senhor Presidente, declaro a
inconstitucionalidade do artigo 2º, §1º, da Lei n.º 8.072, de 1990. Faço isso, com efeito ex nunc,
nos termos do artigo 27 da Lei n.º 9.868, de 1999, que entendo aplicável à espécie. Ressalto que
esse efeito ex nunc deve se entendido como aplicável às condenações que envolvam situações
ainda suscetíveis de serem submetidas ao regime de progressão." HC 82.959, Voto do Ministro
Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgamento em 23.2.2006, DJ de 1.9.2006.

Jurisprudência Destacada

Inconstitucionalidade da vedação à progressão de regime para os crimes hediondos


"(...) o julgamento do Supremo Tribunal Federal em processos subjetivos, relacionados ao caso
concreto, não alterou a vigência da regra contida no art. 2º, § 1º da Lei nº 8.072/90 (na sua

[Link]
12 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

redação original). Assim, houve necessidade da edição da Lei nº 11.646/07 para que houvesse a
alteração da redação do dispositivo legal. Contudo, levando em conta que - considerada a
orientação que passou a existir nesta Corte à luz do precedente no HC 82.959/SP - o sistema
jurídico anterior à edição da lei de 2007 era mais benéfico ao condenado em matéria do
requisito temporal (1/6 da pena) comparativamente ao sistema implantado pela Lei nº
11.646/07 (2/5 ou 3/5, dependendo do caso), deve ser concedida em parte a ordem para que
haja o exame do pedido de progressão do regime prisional do paciente, levando em conta o
requisito temporal de 1/6 da pena fixada." RHC 91.300, Relatora Ministra Ellen Gracie, Tribunal
Pleno, julgamento em 5.3.2009, DJe de 3.4.2009.
● Modulação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade
"É bem certo que, no Habeas Corpus n. 82.959, Rel. Ministro Marco Aurélio (DJ 1º.9.2006), o
Plenário deste Tribunal modulou os efeitos da decisão, para firmar que 'a declaração incidental
de inconstitucionalidade" do §1º do art. 2º da Lei n. 8.072/90, não geraria 'conseqüências
jurídicas com relação às penas já extintas' na data daquele julgamento. Ocorre que, conforme
bem ressaltou o eminente Ministro Sepúlveda Pertence no voto que então proferira - e fazendo
referência ao voto do eminente Ministro Gilmar Mendes, que propôs a modulação ao final
acolhida pelo Plenário -, a modulação dos efeitos da decisão objetivou evitar, sobretudo,
quaisquer 'conseqüências de ordem cível, patrimonial'. A dizer, afastou-se a possibilidade de ser
questionada a validade das penas já extintas e que, eventualmente, teriam sido cumpridas em
regime integralmente fechado por força do art. 2º, §1º, da Lei n. 8.072/90." HC 91.631, Relatora
Ministra Cármen Lúcia, Primeira Turma, julgamento em 16.10.2007, DJede 9.11.2007.
● Possibilidade de realizar exame criminológico para progressão de regime
"2. O silêncio da lei, a respeito da obrigatoriedade do exame criminológico, não inibe o juízo da
execução do poder determiná-lo, desde que fundamentadamente. Isso porque a análise do
requisito subjetivo pressupõe a verificação do mérito do condenado, que não está adstrito ao
'bom comportamento carcerário', como faz parecer a literalidade da lei, sob pena de
concretizar-se o absurdo de transformar o diretor do presídio no verdadeiro concedente do
benefício e o juiz em simples homologador, como assentado na ementa do Tribunal a quo."HC
106.678, Relator para o Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgamento em
28.2.2012, DJe de 17.4.2012.
"1. O Supremo Tribunal Federal, por jurisprudência pacífica, admite que pode ser exigido
fundamentadamente o exame criminológico pelo juiz para avaliar pedido de progressão de
pena. Trata-se de entendimento que refletiu na Súmula vinculante 26: (...)'." HC 104.011,
Relatora para o Acórdão Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, julgamento em
14.2.2012, DJe de 22.3.2012.

"Quanto ao tema de fundo, ressalvo a óptica pessoal, porquanto convencido de que a alteração
procedida no artigo 112 da Lei de Execuções Penais implicou a supressão do exame
criminológico do ordenamento jurídico. No entanto, ante a edição do Verbete Vinculante n.º 26,
curvo-me ao entendimento do Pleno, no que assentou a possibilidade de o Juízo da execução
determinar, em decisão fundamentada, a realização do mencionado exame a fim de ocorrer a
progressão do regime de pena." HC 99.721, Voto do Ministro Marco Aurélio, Primeira Turma,
julgamento em 4.5.2010, DJe de 1.7.2010.

No mesmo sentido: HC 111.830, Relatora Ministra Rosa Weber, Primeira Turma, julgamento em
18.12.2012, DJe de 18.2.2013; HC 88.272, Relator Ministro Celso de Mello, Segunda Turma,
julgamento em 19.6.2007, DJe de 1.2.2013; HC 101.316, Relator Ministro Celso de Mello,
Segunda Turma, julgamento em 22.6.2010, DJe de 26.11.2012; HC 113.454, Relator Ministro
Gilmar Mendes, Decisão Monocrática, julgamento em 27.9.2012, DJe de 2.10.2012;HC 115.169,
Relator Ministro Joaquim Barbosa, Decisão Monocrática, julgamento em 18.9.2012, DJe de
25.9.2012; HC 112.464, Relator Ministro Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, julgamento em
14.8.2012, DJe de 14.9.2012; HC 113.940, Relator Ministro Gilmar Mendes, Decisão

[Link]
13 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

Monocrática, julgamento em 14.6.2012, DJe de 22.6.2012; HC 108.738, Relatora Ministra Rosa


Weber, Primeira Turma, julgamento em 10.4.2012, DJe de 10.5.2012.
● Impossibilidade de aplicação retroativa da Lei 11.464/2007 e regime inicial fechado para os
crimes hediondos
"Pena - Regime de cumprimento - Definição. O regime de cumprimento da pena é norteado,
considerada a proteção do condenado, pela lei em vigor na data em que implementada a prática
delituosa. Pena - Regime de cumprimento - Progressão - Fator temporal. A Lei nº 11.464/07, que
majorou o tempo necessário a progredir-se no cumprimento da pena, não se aplica a situações
jurídicas que retratem crime cometido em momento anterior à respectiva vigência -
precedentes.'" RE 579.167, Relator Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgamento em
16.5.2013, DJe de 17.10.2013.

"(...) consigno que os embargos merecem parcial acolhida. Isso porque a condenação da
recorrente assentou a obrigatoriedade do regime integralmente fechado para o cumprimento
da pena (...). Motivo pelo qual concedo a ordem, de ofício, para afastar o óbice à progressão de
regime, bem como para determinar que o exame de eventual progressão de regime prisional
seja feito à luz do art. 112 da LEP. É que, nada obstante haver a declaração de
inconstitucionalidade do § 2º do art. 2º da Lei 8.072/1990 sido proferida em sede de habeas
corpus, esta nossa Casa de Justiça restringiu os efeitos de sua decisão apenas às penas já
extintas. Nesse sentido, faço menção ao HC 91.631 da ministra Cármen Lúcia. 6. Não bastasse,
o fato delituoso ocorreu antes do advento da Lei 11.464/2007. Logo, não se admite a aplicação
retroativa da norma penal que institui requisito mais gravoso para a progressão de regime
daqueles condenados por delitos hediondos." AI 757.480 AgR-ED, Relator Ministro Ayres
Britto, Primeira Turma, julgamento em 10.5.2011, DJe de 16.6.2011.

No mesmo sentido: HC 113.355, Relatora Ministra Rosa Weber, Decisão Monocrática,


julgamento em 3.5.2012, DJe de 24.5.2012; Rcl 10.816, Relator Ministro Ayres Britto, Decisão
Monocrática, julgamento em 11.4.2011, DJe de 15.4.2011; RcL 10.103 MC, Relator Ministro
Gilmar Mendes, Decisão Monocrática, julgamento em 15.12.2010, DJe de 1.2.2011.
● Inconstitucionalidade da obrigatoriedade do regime inicial fechado para crimes hediondos
"Entendo que, se a Constituição Federal menciona que a lei regulará a individualização da pena,
é natural que ela exista. Do mesmo modo, os critérios para a fixação do regime prisional inicial
devem-se harmonizar com as garantias constitucionais, sendo necessário exigir-se sempre a
fundamentação do regime imposto, ainda que se trate de crime hediondo ou equiparado. Deixo
consignado, já de início, que tais circunstâncias não elidem a possibilidade de o magistrado, em
eventual apreciação das condições subjetivas desfavoráveis, vir a estabelecer regime prisional
mais severo, desde que o faça em razão de elementos concretos e individualizados, aptos a
demonstrar a necessidade de maior rigor da medida privativa de liberdade do indivíduo, nos
termos do § 3º do art. 33 c/c o art. 59 do Código Penal.A progressão de regime, ademais, quando
se cuida de crime hediondo ou equiparado, também se dá em lapso temporal mais dilatado (Lei
nº 8.072/90, art. 2º, § 2º). (...) Feitas essas considerações, penso que deve ser superado o
disposto na Lei dos Crimes Hediondos (obrigatoriedade de início do cumprimento de pena no
regime fechado) para aqueles que preencham todos os demais requisitos previstos no art. 33,
§§ 2º, b, e 3º, do CP, admitindo-se o início do cumprimento de pena em regime diverso do
fechado. Nessa conformidade, tendo em vista a declaração incidental de inconstitucionalidade
do § 1º do art. 2º da Lei nº 8.072/90, na parte em que impõe a obrigatoriedade de fixação do
regime fechado para início do cumprimento da pena aos condenados pela prática de crimes
hediondos ou equiparados, concedo a ordem para alterar o regime inicial de cumprimento das
reprimenda impostas ao paciente para o semiaberto." HC 111.840, Relator Ministro Dias
Toffoli, Tribunal Pleno, julgamento em 27.6.2012, DJe de 17.12.2013.
"4. A Corte Constitucional, no julgamento do HC no 111.840/ES, de relatoria do Ministro Dias
Toffoli, removeu o óbice constante do § 1o do art. 2º da Lei no 8.072/90, com a redação dada

[Link]
14 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

pela Lei no 11.464/07, o qual determinava que '[a] pena por crime previsto nes[s]e artigo será
cumprida inicialmente em regime fechado', declarando, de forma incidental, a
inconstitucionalidade da obrigatoriedade de fixação do regime fechado para o inicio do
cumprimento de pena decorrente da condenação por crime hediondo ou equiparado. 5. Esse
entendimento abriu passagem para que a fixação do regime prisional - mesmo nos casos de
trafico ilícito de entorpecentes ou de outros crimes hediondos e equiparados - seja devidamente
fundamentada, como ocorre nos demais delitos dispostos no ordenamento. 6. No caso, as
instâncias ordinárias indicaram elementos concretos e individualizados aptos a demonstrar a
necessidade da prisão do paciente em regime fechado, impondo-lhe o regime mais severo
mediante fundamentação adequada, nos termos do que dispõe o art. 33, caput e parágrafos, do
CP." HC 119.167, Relator Ministro Dias Toffoli, Primeira Turma, julgamento em
26.11.2013, DJe de 16.12.2013.
"O STF já teve a oportunidade, por ocasião da análise do julgamento do HC n. 82.959/SP, rel.
Min. Marco Aurélio, Dje 1º.9.2006, de declarar, incidenter tantum , a inconstitucionalidade da
antiga redação do art. 2º, § 1º, da Lei n. 8.072/90, a qual determinava que os condenados por
crimes hediondos ou a eles equiparados deveriam cumprir a pena em regime integralmente
fechado. Naquele caso, ficou assentado que essa imposição contraria o princípio constitucional
da individualização da pena (CF, art. 5º, XLVI). Pois bem. Sobreveio a Lei n. 11.464/2007 que, ao
promover mudanças no já mencionado art. 2º, § 1º, da Lei n. 8.072/90, determinou que a pena
agora fosse cumprida no regime inicial fechado. É aqui que faço uma indagação: Esse dispositivo,
em sua nova redação, não continuaria a violar o princípio constitucional da individualização da
pena? Essa discussão, inclusive, já vem sendo alvo de debates nas instâncias inferiores e nesta
Suprema Corte. No ponto, destaco, ainda, à guisa de ilustração, julgado recente proferido pelo
próprio STJ que, ao analisar o HC n. 149.807/SP lá impetrado, concluiu pela
inconstitucionalidade desse dispositivo, ao fundamento de que, a despeito das modificações
preconizadas pela Lei 11.464/2007, persistiria ainda a ofensa ao princípio constitucional da
individualização da pena e, também, da proporcionalidade. No caso concreto, com fundamento
nessas considerações, entendo que o disposto na Lei dos Crimes Hediondos (obrigatoriedade de
início do cumprimento de pena no regime fechado) há de ser superado. É que o paciente
preenche os requisitos previstos no art. 33, § 2º, c, do CP, para o início do cumprimento de pena
no regime aberto." HC 106.153, Relator Ministro Gilmar Mendes, Segunda Turma, julgamento
em 22.11.2011, DJe de 19.12.2011.
"2. É vedada, em recurso exclusivo da defesa, a utilização de fundamentos inovadores, após o
afastamento daquele adotado na decisão recorrida, para justificar a adoção do regime prisional
mais gravoso, sob pena de reformatio in pejus". HC 121.449, Relator Ministro Dias Toffoli,
Primeira Turma, julgamento em 19.8.2014, DJe de 7.10.2014.
● Declaração incidental de inconstitucionalidade da vedação à conversão da pena privativa de
liberdade em restritiva de direitos nos crimes de tráfico de drogas
"12. Confirmo, então, que o centrado desafio temático deste voto é saber se a proibição
estabelecida pela nova lei, isto é, a Lei 11.343/06, encontra ou não encontra suporte no sistema
de comandos da Constituição Federal. O que demandará elaboração teórica mais cuidadosa
para a perfeita compreensão da natureza e do alcance da garantia constitucional da
individualização da pena. (...) 13. Leia-se a figura do crime hediondo, tal como descrita no inciso
XLIII do art. 5º da Constituição Federal: (...). 14. Daqui já se pode vocalizar um primeiro juízo
técnico: em tema de vedações de benefícios penais ao preso, ou, então, ao agente penalmente
condenado, o Magno Texto Federal impõe à lei que verse por modo igual os delitos por ele de
pronto indicados como hediondos e outros que venham a receber a mesma tarja. Sem
diferenciação entre o que já é hediondo por qualificação diretamente constitucional e hediondo
por descrição legal. Isonomia interna de tratamento, portanto, antecipadamente assegurada
pela nossa Constituição. 15. Um novo e complementar juízo: embora o Magno Texto Federal
habilite a lei para completar a lista dos crimes hediondos, a ela impôs um limite material: a não-
concessão dos benefícios da fiança, da graça e da anistia para os que incidirem em tais direitos.

[Link]
15 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

É como dizer, a própria norma constitucional cuidou de enunciar as restrições a ser impostas
àqueles que venham a cometer as infrações penais adjetivadas de hediondas. Não incluindo
nesse catálogo de restrições a vedação à conversão da pena privativa de liberdade em restritiva
de direitos. Ponto pacífico. Percepção acima de qualquer discussão ou contradita. 16. Insista-se
na idéia: no tema em causa, a Constituição da República fez clara opção por não admitir
tratamento penal ordinário mais rigoroso do que o nela mesma previsto." HC 97.256, Relator
Ministro Ayres Britto, Tribunal Pleno, julgamento em 1.9.2010, DJe de 16.12.2010.
● Progressão de regime de estrangeiro preso com decreto de expulsão
"Ementa: Penal. Processual penal. Habeas corpus. Tráfico de drogas. Estrangeiro. Decreto de
expulsão. Progressão de regime. Possibilidade. Precedente. Ordem concedida. I - A exclusão do
estrangeiro do sistema progressivo de cumprimento de pena conflita com diversos princípios
constitucionais, especialmente o da prevalência dos direitos humanos (art. 4º, II) e o da isonomia
(art. 5º), que veda qualquer discriminação em razão da raça, cor, credo, religião, sexo, idade,
origem e nacionalidade. Precedente. II - Ordem concedida para para afastar a vedação de
progressão de regime à paciente, remetendo-se os autos ao juízo da execução para que verifique
a presença dos requisitos do art. 112 da LEP." HC 117.878, Relator Ministro Ricardo
Lewandowski, Segunda Turma, julgamento em 19.11.2013, DJe de 3.12.2013.

"Ementa: Execução Penal. Pena privativa de liberdade. Progressão de regime. Admissibilidade.


Condenação por tráfico de drogas. Estrangeira sem domicílio no país e objeto de processo de
expulsão. Irrelevância. HC concedido. Voto vencido. O fato de o condenado por tráfico de droga
ser estrangeiro, estar preso, não ter domicílio no país e ser objeto de processo de expulsão, não
constitui óbice à progressão de regime de cumprimento da pena." HC 97.147, Relator Ministro
Cezar Peluso, Segunda Turma, julgamento em 4.8.2009, DJe de 12.2.2010.

[Link]
16 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

4.2. Do local de Realização do Exame Criminológico

Do Centro de Observação

Art. 96. No Centro de Observação realizar-se-ão os exames gerais e o criminológico, cujos


resultados serão encaminhados à Comissão Técnica de Classificação.

Parágrafo único. No Centro poderão ser realizadas pesquisas criminológicas.

Art. 97. O Centro de Observação será instalado em unidade autônoma ou em anexo a


estabelecimento penal.

Art. 98. Os exames poderão ser realizados pela Comissão Técnica de Classificação, na
falta do Centro de Observação.

[Link]
17 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

5. Identificação do perfil genético:

Art. 9o-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violência de natureza grave
contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho
de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante
extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor. (Incluído
pela Lei nº 12.654, de 2012)

§ 1o A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme


regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)

§ 2o A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso


de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil
genético. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012).

Apesar da lei não condicionar expressamente que tenha havido o trânsito em julgado,
no entanto, essa exigência decorre do princípio constitucional da presunção de
inocência (art. 5º, LVII).

Outra confusão muito comum entre os alunos e a própria doutrina é em relação a


exigência também para os crimes equiparados a hediondos, entendo que por questão
de posicionamento geográfico na Lei 8072/90, e no próprio artigo 9–A, acrescentado
pela lei 12.654/12, na LEP, não constar expressamente os crimes equiparados
fazendo menção a tão somente os crimes elencados ao longo do rol do art. 1°, da
referida lei. Logo não é porque tais delitos são equiparados a hediondo que haverá
uma simbiose perfeita entre eles. Em verdade, sempre que a lei quis estabelecer
tratamento uniforme entre os crimes hediondos e equiparados, ela o fez
expressamente, como é o caso do art. 2º da Lei n° 8.072/90.

6. Das Assistências

CAPÍTULO II

Da Assistência

SEÇÃO I

Disposições Gerais

Art. 10. A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando


prevenir o crime e orientar o retorno à convivência em sociedade.

Parágrafo único. A assistência estende-se ao egresso.

Art. 11. A assistência será:

I - material;

[Link]
18 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

II - à saúde;

III -jurídica;

IV - educacional;

V - social;

VI - religiosa.

SEÇÃO II

Da Assistência Material

Art. 12. A assistência material ao preso e ao internado consistirá no fornecimento


de alimentação, vestuário e instalações higiênicas.

Art. 13. O estabelecimento disporá de instalações e serviços que atendam aos


presos nas suas necessidades pessoais, além de locais destinados à venda de produtos
e objetos permitidos e não fornecidos pela Administração.

SEÇÃO III

Da Assistência à Saúde

Art. 14. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e


curativo, compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico.

§ 1º (Vetado).

§ 2º Quando o estabelecimento penal não estiver aparelhado para prover a


assistência médica necessária, esta será prestada em outro local, mediante autorização
da direção do estabelecimento.

§ 3o Será assegurado acompanhamento médico à mulher, principalmente no pré-


natal e no pós-parto, extensivo ao recém-nascido. (Incluído pela Lei nº 11.942, de
2009)

SEÇÃO IV

Da Assistência Jurídica

Art. 15. A assistência jurídica é destinada aos presos e aos internados sem
recursos financeiros para constituir advogado.

Art. 16. As Unidades da Federação deverão ter serviços de assistência jurídica nos
estabelecimentos penais.

Art. 16. As Unidades da Federação deverão ter serviços de assistência jurídica, integral e gratuita,
pela Defensoria Pública, dentro e fora dos estabelecimentos penais. (Redação dada pela Lei nº 12.313, de
2010).

[Link]
19 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

§ 1o As Unidades da Federação deverão prestar auxílio estrutural, pessoal e


material à Defensoria Pública, no exercício de suas funções, dentro e fora dos
estabelecimentos penais. (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).

§ 2o Em todos os estabelecimentos penais, haverá local apropriado destinado ao


atendimento pelo Defensor Público. (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).

§ 3o Fora dos estabelecimentos penais, serão implementados Núcleos Especializados da Defensoria


Pública para a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos réus, sentenciados em liberdade,
egressos e seus familiares, sem recursos financeiros para constituir advogado. (Incluído pela Lei nº
12.313, de 2010).

SEÇÃO V

Da Assistência Educacional

Art. 17. A assistência educacional compreenderá a instrução escolar e a formação


profissional do preso e do internado.

Art. 18. O ensino de 1º grau será obrigatório, integrando-se no sistema escolar da


Unidade Federativa.

Art. 18-A. O ensino médio, regular ou supletivo, com formação geral ou educação
profissional de nível médio, será implantado nos presídios, em obediência ao preceito
constitucional de sua universalização. (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

§ 1o O ensino ministrado aos presos e presas integrar-se-á ao sistema estadual e


municipal de ensino e será mantido, administrativa e financeiramente, com o apoio da
União, não só com os recursos destinados à educação, mas pelo sistema estadual de
justiça ou administração penitenciária. (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

§ 2o Os sistemas de ensino oferecerão aos presos e às presas cursos supletivos


de educação de jovens e adultos. (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

§ 3o A União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal incluirão em seus programas de


educação à distância e de utilização de novas tecnologias de ensino, o atendimento aos presos e às
presas. (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

Art. 19. O ensino profissional será ministrado em nível de iniciação ou de


aperfeiçoamento técnico.

Parágrafo único. A mulher condenada terá ensino profissional adequado à sua


condição.

Art. 20. As atividades educacionais podem ser objeto de convênio com entidades
públicas ou particulares, que instalem escolas ou ofereçam cursos especializados.

Art. 21. Em atendimento às condições locais, dotar-se-á cada estabelecimento de


uma biblioteca, para uso de todas as categorias de reclusos, provida de livros instrutivos,
recreativos e didáticos.

Art. 21-A. O censo penitenciário deverá apurar: (Incluído pela Lei nº 13.163, de
2015)

[Link]
20 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

I - o nível de escolaridade dos presos e das presas; (Incluído pela Lei nº 13.163,
de 2015)

II - a existência de cursos nos níveis fundamental e médio e o número de presos


e presas atendidos; (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

III - a implementação de cursos profissionais em nível de iniciação ou


aperfeiçoamento técnico e o número de presos e presas atendidos; (Incluído pela Lei
nº 13.163, de 2015)

IV - a existência de bibliotecas e as condições de seu acervo; (Incluído pela Lei


nº 13.163, de 2015)

V - outros dados relevantes para o aprimoramento educacional de presos e


presas. (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

SEÇÃO VI

Da Assistência Social

Art. 22. A assistência social tem por finalidade amparar o preso e o internado e
prepará-los para o retorno à liberdade.

Art. 23. Incumbe ao serviço de assistência social:

I - conhecer os resultados dos diagnósticos ou exames;

II - relatar, por escrito, ao Diretor do estabelecimento, os problemas e as


dificuldades enfrentadas pelo assistido;

III - acompanhar o resultado das permissões de saídas e das saídas temporárias;

IV - promover, no estabelecimento, pelos meios disponíveis, a recreação;

V - promover a orientação do assistido, na fase final do cumprimento da pena, e


do liberando, de modo a facilitar o seu retorno à liberdade;

VI - providenciar a obtenção de documentos, dos benefícios da Previdência Social


e do seguro por acidente no trabalho;

VII - orientar e amparar, quando necessário, a família do preso, do internado e da


vítima.

SEÇÃO VII

Da Assistência Religiosa

Art. 24. A assistência religiosa, com liberdade de culto, será prestada aos presos
e aos internados, permitindo-se-lhes a participação nos serviços organizados no
estabelecimento penal, bem como a posse de livros de instrução religiosa.

§ 1º No estabelecimento haverá local apropriado para os cultos religiosos.

[Link]
21 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

§ 2º Nenhum preso ou internado poderá ser obrigado a participar de atividade


religiosa.

SEÇÃO VIII

Da Assistência ao Egresso

Art. 25. A assistência ao egresso consiste:

I - na orientação e apoio para reintegrá-lo à vida em liberdade;

II - na concessão, se necessário, de alojamento e alimentação, em


estabelecimento adequado, pelo prazo de 2 (dois) meses.

Parágrafo único. O prazo estabelecido no inciso II poderá ser prorrogado uma


única vez, comprovado, por declaração do assistente social, o empenho na obtenção
de emprego.

Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta Lei:

I - o liberado definitivo, pelo prazo de 1 (um) ano a contar da saída do


estabelecimento;

II - o liberado condicional, durante o período de prova.

Art. 27.O serviço de assistência social colaborará com o egresso para a obtenção
de trabalho.

1. DAS FINALIDADES E BENEFICIÁRIOS DAS ASSISTÊNCIAS

O artigo 10° trouxe o objetivo das assistências, percebemos que o


objetivo está em consonância com a 2° finalidade da lei de execução penal, que é a
ressocialização.

Art. 10. A assistência ao preso e ao internado é dever do Estado, objetivando prevenir o


crime e orientar o retorno à convivência em sociedade.

Parágrafo único. A assistência estende-se ao egresso.

Percebemos ainda, que o legislador utilizou aqui de forma genérica


o conceito preso, logo, nos cabe interpretar que esse conceito se estende para todos
aqueles recolhidos em estabelecimento prisional, cautelarmente ou em razão de
sentença penal condenatória com trânsito em julgado. Sendo incluindo aqui o preso
provisório e o definitivo.

Além do preso que cumpre lhe foi imposta a pena, o legislador


inclui expressamente o internado, nas palavras de Renato Marcão, internado é

[Link]
22 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

“aquele que se encontra submetido a medida de segurança consistente em internação


em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, em razão de decisão judicial.”

E para finalizar no parágrafo único estendeu a assistência ao


egresso, a qual seu conceito está definido no artigo 26.

Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta Lei:

I - o liberado definitivo, pelo prazo de 1 (um) ano a contar da saída do estabelecimento;

II - o liberado condicional, durante o período de prova.

2. Espécies de Assistências

Art. 11. A assistência será

I - material;

II - à saúde;

III -jurídica;

IV - educacional;

V - social;

VI - religiosa.

2.1. Da Assistência Material

Consiste no fornecimento de alimentação, vestuário e instalações


higiênicas. Percebemos que além da assistência material fornecida pelo próprio poder
público, o estabelecimento prisional contará com uma instalação que disponibilizará
objetos e produtos não fornecidos pela administração, que é conhecida como cantina.

Art. 12. A assistência material ao preso e ao internado consistirá no fornecimento de


alimentação, vestuário e instalações higiênicas.

Art. 13. O estabelecimento disporá de instalações e serviços que atendam aos presos nas
suas necessidades pessoais, além de locais destinados à venda de produtos e objetos permitidos
e não fornecidos pela Administração.

2.2. Da Assistência à Saúde

Visa o tratamento físico do executado, seja em caráter preventivo


como em caráter curativo, compreendendo o tratamento médico, farmacêutico e
odontológico.

[Link]
23 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

O parágrafo segundo assegura o tratamento médico do preso, pois


caso não haja o tratamento adequado no estabelecimento do reeducando esse será
prestado em outro local, mediante autorização do diretor do estabelecimento.
Percebam que essa é uma hipótese de permissão de saída que veremos mais a frente
(capítulo de autorizações de saída).

O parágrafo terceiro foi acrescentado em 2009 pela lei 11.942,


garantindo à presa mãe toda a assistência inerente à saúde de seus filhos,
acrescentando, então como beneficiário das assistências, também, os filhos da presa,
que no decreto 8897/86, que trata do Regulamento do Sistema Penal do Estado do
Rio de Janeiro, já previa aos filhos da presa a extensão de certas assistências.

Art. 14. A assistência à saúde do preso e do internado de caráter preventivo e curativo,


compreenderá atendimento médico, farmacêutico e odontológico.

§ 1º (Vetado).

§ 2º Quando o estabelecimento penal não estiver aparelhado para prover a assistência


médica necessária, esta será prestada em outro local, mediante autorização da direção do
estabelecimento.

§ 3o Será assegurado acompanhamento médico à mulher, principalmente no pré-natal e no


pós-parto, extensivo ao recém-nascido. (Incluído pela Lei nº 11.942, de 2009)

2.3. Da Assistência Jurídica

É destinada ao preso e ao internado sem recursos financeiros para


garantir seus direitos

Vale ressaltar aqui a mudança trazida pela lei 12.313/10, que incube
exclusivamente a defensoria pública a assistência jurídica, para os hipossuficientes
(àqueles sem condições financeiras para constituir advogado) tanto dentro como fora
dos estabelecimentos penais. O que outrora era prestado por outros órgãos, como
OAB com intermédio da Procuradoria Geral do Estado hoje é exclusivo da defensoria
pública.

Em relação à localização geográfica da Defensoria Pública, o


parágrafo segundo do artigo 16 da LEP, capítulo destinado às assistências, prevê,
que em todo estabelecimento penal deverá haver local destinado para atendimento
do defensor público, obrigação essa ratificada, também pelo parágrafo quinto do
artigo 83 da LEP, que trata do capítulo de estabelecimentos penais.

§ 5o Haverá instalação destinada à Defensoria Pública. (Incluído pela Lei nº 12.313, de


2010).

[Link]
24 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

Art. 15. A assistência jurídica é destinada aos presos e aos internados sem recursos
financeiros para constituir advogado.

Art. 16. As Unidades da Federação deverão ter serviços de assistência jurídica nos
estabelecimentos penais.

Art. 16. As Unidades da Federação deverão ter serviços de assistência jurídica, integral e
gratuita, pela Defensoria Pública, dentro e fora dos estabelecimentos penais. (Redação dada
pela Lei nº 12.313, de 2010).

§ 1o As Unidades da Federação deverão prestar auxílio estrutural, pessoal e material à


Defensoria Pública, no exercício de suas funções, dentro e fora dos estabelecimentos penais.
(Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).

§ 2o Em todos os estabelecimentos penais, haverá local apropriado destinado ao


atendimento pelo Defensor Público. (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).

§ 3o Fora dos estabelecimentos penais, serão implementados Núcleos Especializados da


Defensoria Pública para a prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos réus,
sentenciados em liberdade, egressos e seus familiares, sem recursos financeiros para constituir
advogado. (Incluído pela Lei nº 12.313, de 2010).

2.4. Da Assistência Educacional

Visa instruir o preso buscando a ressocialização bem como a


formação profissional do mesmo. A assistência educacional tem uma importância
muito grande na LEP, atualmente, que vem em decorrência da remição pelo estudo,
que além de proporcionar ao preso a ressocialização gera também o resgate de parte
da pena a cumprir.

Deverás importante salientar a obrigatoriedade, não mais apenas


do 1° grau, atualmente também é obrigatório o ensino médio. Já o ensino profissional
será ministrado em nível de iniciação ou de aperfeiçoamento técnico.

Lembre-se que é obrigatório a presença de uma biblioteca, provida


de livros instrutivos, recreativos e didáticos.

Atualmente com a mesma lei (13163/2015) que acrescenta o ensino


médio como obrigatoriedade, também surgiu o censo penitenciário.

Art. 21-A. O censo penitenciário deverá apurar: (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

I - o nível de escolaridade dos presos e das presas; (Incluído pela Lei nº 13.163, de
2015)

II - a existência de cursos nos níveis fundamental e médio e o número de presos e presas


atendidos; (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

III - a implementação de cursos profissionais em nível de iniciação ou aperfeiçoamento


técnico e o número de presos e presas atendidos; (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

[Link]
25 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

IV - a existência de bibliotecas e as condições de seu acervo; (Incluído pela Lei nº


13.163, de 2015)

V - outros dados relevantes para o aprimoramento educacional de presos e


presas. (Incluído pela Lei nº 13.163, de 2015)

2.5. Da Assistência Social

Visa principalmente a ressocialização do preso e internado e


reinserção ao convívio social.

Observe que o rol de competências da assistência social é


exemplificativo, pois encontramos, por exemplo, no artigo 27 mais uma competência
da assistência social que é o auxilio ao egresso para a obtenção de trabalho.

Observe que o inciso VII do artigo 23 prevê um dos poucos


resquícios de vitimologia contidos na LEP, quando expressa claramente o amparo e
orientação a vitima.

Art. 22. A assistência social tem por finalidade amparar o preso e o internado e prepará-los
para o retorno à liberdade.

Art. 23. Incumbe ao serviço de assistência social:

I - conhecer os resultados dos diagnósticos ou exames;

II - relatar, por escrito, ao Diretor do estabelecimento, os problemas e as dificuldades


enfrentadas pelo assistido;

III - acompanhar o resultado das permissões de saídas e das saídas temporárias;

IV - promover, no estabelecimento, pelos meios disponíveis, a recreação;

V - promover a orientação do assistido, na fase final do cumprimento da pena, e do


liberando, de modo a facilitar o seu retorno à liberdade;

VI - providenciar a obtenção de documentos, dos benefícios da Previdência Social e do


seguro por acidente no trabalho;

VII - orientar e amparar, quando necessário, a família do preso, do internado e da vítima.

Art. 27.O serviço de assistência social colaborará com o egresso para a obtenção de trabalho.

2.6. Da Assistência Religiosa

A assistência religiosa contida na LEP está de acordo com o que a


própria constituição federal prevê em seus incisos VI e VII do artigo 5°, vejamos:

[Link]
26 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

Como percebemos o “caput” do artigo 24 da LEP está em


consonância com o inciso VI da CF prevendo a inviolabilidade da liberdade de crença
e a liberdade de cultos, claro que obedecendo aos horários regulamentares, sob pena
de cometimento de falta disciplinar. Na última parte do “caput” do artigo 24 da LEP
há ainda a previsão da possibilidade de posse de livros de instrução religiosa, seja
qual for a crença desse apenado, podendo ser bíblia, alcorão...

O paragrafo primeiro prevê a obrigação de um local para a


realização dos cultos religiosos, não podendo haver distinção de religião.

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício


dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;

VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades
civis e militares de internação coletiva;

Art. 24. A assistência religiosa, com liberdade de culto, será prestada aos presos e aos
internados, permitindo-se-lhes a participação nos serviços organizados no estabelecimento
penal, bem como a posse de livros de instrução religiosa.

§ 1º No estabelecimento haverá local apropriado para os cultos religiosos.

§ 2º Nenhum preso ou internado poderá ser obrigado a participar de atividade religiosa.

3. Da Assistência ao Egresso

3.1. Dos Objetivos da assistência aos Egressos

Art. 25. A assistência ao egresso consiste:

I - na orientação e apoio para reintegrá-lo à vida em liberdade;

II - na concessão, se necessário, de alojamento e alimentação, em estabelecimento


adequado, pelo prazo de 2 (dois) meses.

Parágrafo único. O prazo estabelecido no inciso II poderá ser prorrogado uma única vez,
comprovado, por declaração do assistente social, o empenho na obtenção de emprego.

3.2. Do conceito de Egresso

Art. 26. Considera-se egresso para os efeitos desta Lei:

I - o liberado definitivo, pelo prazo de 1 (um) ano a contar da saída do estabelecimento;

II - o liberado condicional, durante o período de prova.

[Link]
27 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

3.3. Conclusão

Percebemos que a fim de evitar uma brusca saída do sistema


penitenciário sem qualquer auxilio para o apenado, o legislador previu que haja
assistências próprias para os egressos, compostas de alimentação e alojamento
(assistência material), por período determinado de 2 meses, podendo prorrogar por
igual período, desde que seja comprovado o empenho pela busca pelo trabalho,
comprovado pelo assistente social, uma vez que, segundo o próprio artigo 27 da LEP
é de responsabilidade da assistência social o auxilio pela obtenção do trabalho para
o egresso. Por fim recorrendo ao capítulo de órgãos da execução penal percebemos
que o egresso é assistido pelo Patronato, conforme previsão do artigo 78, “caput”.

Art. 27.O serviço de assistência social colaborará com o egresso para a obtenção de
trabalho

Art. 78. O Patronato público ou particular destina-se a prestar assistência aos albergados e
aos egressos (artigo 26)..

[Link]
28 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

4. Dos Beneficiários das Assistências

Prisão em Flagrante (art. 301 e


s. do CPP)

Prisão Preventiva (arts. 311 a


316 do CPP)
Definitivo

Prisão resultante da pronúncia


Preso (art. 413, § 3º, do CPP)
Provisório

Prisão decorrente de
sentença penal
Abrangência da condenatória recorrível
Inimputável*
assistência Internado (arts. 387, Parágrafo único,
do CPP e 59 da lei
o liberado 11343/06.
definitivo, pelo
prazo de 1 (um)
Prisão Temporária (Lei
ano a contar da 7960/89)
saída do
Egresso estabelecimento

o liberado
condicional, durante o
período de prova

* Inimputável - É a pessoa que cometeu uma infração penal, porém, no momento do


crime, era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determina-se
de acordo com esse entendimento. São considerados inimputáveis os doentes mentais
ou a pessoa que possua desenvolvimento mental incompleto ou retardado, e os
menores de dezoito anos. Os inimputáveis são isentos de pena, mas, se doente mental,
fica sujeito a medida de segurança e, se menor de 18 anos, fica sujeito às normas
estabelecidas na legislação especial. Ver art. 26 e 27 do Código Penal e art.228 da
Constituição Federal.

**Não podemos esquecer que os filhos da presa foram acrescidos como beneficiários
pela lei 11492/09.

[Link]
29 Material | PCDF – LINHA DE CHEGADA PROF: RONALDO BANDEIRA (16/01/2020)

5. Do Resumo de Assistências

Assistência Objetividade Observações


Percebemos que além da assistência material
Fornecimento de fornecida pelo próprio poder público, o
Material alimentação, vestuário e estabelecimento prisional contará com uma
instalações higiênicas. instalação que disponibilizará objetos e produtos
não fornecidos pela administração.
É importante o candidato ter muito cuidado com a
prestação da assistência a saúde em outro
Visa o tratamento físico estabelecimento, pois esta só se dará quando o
do executado, seja em estabelecimento penal não estiver aparelhado para
Saúde
caráter preventivo como prover a assistência médica necessária.
em caráter curativo. Vale ressaltar que é permitida a contratação de
médico de confiança pessoal ao internado e ao
submetido a tratamento ambulatorial.
Vale ressaltar aqui a mudança trazida pela lei
12.313/10, que incube exclusivamente a defensoria
É destinada ao preso e
pública a assistência jurídica, tanto dentro como fora
ao internado sem
Jurídica dos estabelecimentos penais. O que outrora era
recursos financeiros para
prestado por outros órgãos, como OAB com
garantir seus direitos
intermédio da Procuradoria Geral do Estado hoje é
exclusivo da defensoria pública.
Deverás importante salientar a obrigatoriedade do
Visa instruir o preso 1° e 2° grau. Já o ensino profissional será ministrado
buscando a em nível de iniciação ou de aperfeiçoamento
Educacional ressocialização bem técnico.
como a formação Lembre-se que é obrigatório a presença de uma
profissional do mesmo. biblioteca, provida de livros instrutivos, recreativos e
didáticos.
Não há muito que se falar, tendo em vista já todas
Visa principalmente a
as declarações feitas por esta apostila.
ressocialização do preso
Social Só queria ressaltar que esta assistência é a única
e reinserção ao convívio
que pensa na vítima, o que foi inclusive questão de
social.
prova.
É válido lembrar que ninguém será obrigado a
participar de atividade religiosa como preceitua o
Objetiva a prática livre da
parágrafo segundo do artigo 24, bem como, deverá
religião daquele que se
Religiosa existir local apropriado para os cultos religiosos e
encontra no sistema
que nenhum deles poderá sofrer proibição de sua
prisional.
prática, como prevê o artigo 5º, inciso VI da
constituição federal.

[Link]

Você também pode gostar