Prof. Dr.
Lucelmo Lacerda
Doutor em Educação (PUC-SP)
Pós-Doutorando em Educação Especial (UFSCar)
Psicopedagogo
Pesquisador em Autismo e Inclusão
Professor do Ensino Superior e Ensino Fundamental
Autor do livro “Transtorno do Espectro Autista: uma brevíssima introdução”
Professor da Especialização em TEA da Universidade Federal de Tocantins e Professor
e Coordenador da Pós-Graduação em ABA Aplicada ao TEA e DI do CBI of Miami
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Bibliografia básica:
LAFRANCE, D. Planejando intervenções individualizadas. In: SELLA,
A.C. RIBEIRO, D.M. Análise do Comportamento Aplicada ao
autismo. Curitiba: Appris, 2018
ALBERTO, P.A. TROUTMAN, A.C. Applied Behavior Analysis for
Teachers. Pearson, 2013 9ª ed.
TANNÚS-VALADÃO, Gabriela; MENDES, Enicéia Gonçalves. Inclusão
escolar e o planejamento educacional individualizado: estudo
comparativo sobre práticas de planejamento em diferentes países.
Revista Brasileira de Educação, v. 23, 2018.
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O que é a inclusão
escolar atual?
Garantia de matrícula
PEI genérico (quando existe)
Atendimento em Sala de
Recursos
Nota média
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Problemas decorrentes
Garantia de matrícula
Sem técnicas de combate à
agressividade:
Horário adaptado
(progressivamente menor)
Em um momento a direção diz
que não sabe mais o que fazer
Pessoa com TEA perde seu
único serviço de estimulação
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Problemas decorrentes
Atendimento em Sala de
Recursos
Sem um PEI adequado, as
atividades são aleatórias
Não há nenhum dado de que
um atendimento de 1h a 4h
semanais tenha efetividade
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Problemas decorrentes
PEI genérico (quando existe)
Sem os pré-requisitos de
aluno e de aprendizagem, a
criança não avança
Perde-se a fase mais crítica
da aprendizagem
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PEI GENÉRICO
✘ Favorecer a socialização e melhorar a
comunicação com os colegas,
incentivando o desenvolvimento cognitivo
com suas características individuais.
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Problemas decorrentes
Nota média
Nada mais é que uma ficção
Não há dados para tomar
decisões assertivas
SANTOS, A.H.L. ESCOLARIZAÇÃO DO ALUNO COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL: escolha de 12
caminhos pedagógicos. (2018) 171 fl. Dissertação (Mestrado em Educação e Desenvolvimento Humano da
Universidade de Taubaté
✘ “[...] a gente precisava de
orientação de perto, não é chegar
na sua sala e olhar o aluno e ir
embora, isso não vai te ajudar em
nada, a gente não tem esse apoio,
por isso que todo mundo se revolta
com a inclusão {...}.”
Os encaminhamentos dos alunos às
classes e escolas especiais, os
currículos adaptados [...]. São essas
medidas excludentes [...]
É o aluno que se adapta ao currículo,
quando se admitem e se valorizam
as diversas formas e os diferentes
níveis de conhecimento de cada um.
De forma particular, um planejamento
com foco na equidade também exige um
claro compromisso de reverter a situação
de exclusão histórica que marginaliza
grupos – como os povos [...]. Igualmente,
requer o compromisso com os alunos com
deficiência, reconhecendo a necessidade
de práticas pedagógicas inclusivas e de
diferenciação curricular, conforme
estabelecido na Lei Brasileira de Inclusão
da Pessoa com Deficiência.
Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos
educandos com necessidades especiais:
I – Currículos, métodos, técnicas, recursos
educativos e organização específicos, para
atender às suas necessidades.
1998
Primeiro documento que se refere às
adaptações curriculares no Brasil:
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) –
adaptações curriculares: estratégias para a
educação de alunos com necessidades
educacionais especiais –,em 1998, e se
estende até o presente.
Adaptações de grande e pequeno portes.
Art. 8º. As escolas da rede regular de ensino devem prever e
prover na organização de suas classes comuns:
III – flexibilizações e adaptações curriculares, que considerem
o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos,
metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados
e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento
dos alunos que apresentam necessidades educacionais
especiais, em consonância com o projeto pedagógico da
escola, respeitada a frequência obrigatória.
Capítulo IV – do direito à educação
Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar,
desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e
avaliar: [...]
III - projeto pedagógico que institucionalize o
atendimento educacional especializado, assim como os
demais serviços e adaptações razoáveis, para atender
às características dos estudantes com deficiência e
garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições
de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de
sua autonomia; [...]
VII - planejamento de estudo de caso, de elaboração de
plano de atendimento educacional especializado, de
organização de recursos e serviços de acessibilidade e
de disponibilização e usabilidade pedagógica de
recursos de tecnologia assistiva;
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O currículo
escolar
O currículo escolar é a
descrição de comportamentos
desejáveis adaptados à média
dos estudantes
Produz-se desigualdade na
seleção de um meio de
apresentação, engajamento e
avaliação (verbalista)
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O primeiro passo é uma revolução no currículo
a partir do Design Universal da Aprendizagem
Diferentes Diferentes formas Avaliação em
apresentações de engajamento diferentes
modalidades
Conteúdos Alunos podem
expressos em participar como Os diversos
aulas, vídeos, ouvintes, falantes, processos de
áudios, imagens, fazendo vídeos, engajamento
objetos... desenhando, devem ser
escrevendo... referência para
avaliação.
O que é Ciência?
1. Afirmação testável
2. Teste
3. Afirmação é corroborada
ou falseada
Onde está a
ciência?
Revistas
científicas com
revisão dupla
cega
Dinheiro público e vida
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Práticas focais e abrangentes baseadas em evidências
(NSP, 2015)
1. Intervenção ABA 8. Pacote de Ensino por Pares
2. Terapia Cognitivo-Comportamental 9. Ensino de Respostas Pivotais
3. Intervenção Intensiva Precoce 10.Rotinas Visuais
4. Ensino de Fala 11.Roteiros
5. Modelação 12.Ensino de auto-cuidado
6. Estratégias de Ensino Naturalístico 13.Ensino de Habilidades Sociais
7. Treinamento Parental 14.Histórias Sociais
https://www.nationalautismcenter.org/national-standards-project/
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Práticas focais baseadas em evidências (NCAEP, 2020)
1. Intervenções baseadas no antecedente 16. Instrução e Intervenção Mediadas por Pares
2. Comunicação Alternativa e Aumentativa 17. Dicas (Prompting)
3. Intervenção Momentum Comportamental 18. Reforçamento
4. Cognitivo Comportamental/ Estratégias de 19. Interrupção e Redirecionamento da Resposta
Instrução 20. Autogerenciamento
5. Reforçamento Diferencial de Alternativo, 21. Integração Sensorial
Incompatível ou Outros Comportamentos
22. Narrativas Sociais
6. Instrução Direta
23. Treino de Habilidades Sociais
7. Ensino por Tentativas Discretas
24. Análise de Tarefas
8. Exercício e Movimento
25. Instrução e Intervenção Assistida por Tecnologia
9. Extinção
26. Atraso de tempo
10. Avaliação Funcional do Comportamento
27. Videomodelação
11. Treino de Comunicação Funcional
28. Suportes Visuais
12. Modelação
https://ncaep.fpg.unc.edu/research-resources
13. Intervenção Mediada por Música
https://www.terapiaaba.com.br/upload/ebp-
14. Intervenção Naturalística traducao-vf-0606.pdf
15. Intervenção Implementada por pais
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AMBOS
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O que é um Plano de
Desenvolvimento Individual?
1. Há uma bagunça terminológica, PEI, PDI, PTS,
CURRÍCULO ADAPTADO....
2. Vou aqui chamar de PDI um documento global,
que congregue todos os recursos e adaptações,
em todos os espaços, para um indivíduo Público-
Alvo da Educação Especial PAEE
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Considerações sobre o currículo escolar
Conteúdos da BNCC Habilidades de
exigem pré-requisitos aprendiz são esperadas
Conteúdos desenvolvimentais não em estudantes com
estabelecidos pela necessariamente desenvolvimento típico
BNCC e pelo presentes em estudantes mas podem ser um
sistema de ensino com Transtornos do desafio em estudantes
Neurodesenvolvimento com desenvolvimento
(TEA e DI) atípico
O que deve ter um PDI?
1. Identificação do estudante
2. Avaliação
3. Objetivos de curto, médio e longo prazo
4. Programas de Ensino
5. Folhas de registro
6. Recursos (Prof. de apoio? Pasta de comunicação alternativa?...)
7. Protocolo de conduta
8. Diretrizes para adaptação de provas e atividades
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Não existe “PDI do 3º”, “PDI de autista severo”.....
PDI é necessariamente individualizado e o estudante é identificado
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Habilidades de aprendiz
Atentar ao
professor
Contato
visual
Atentar aos estímulos
indicados pelo
professor
Sentar
Ouvir
instruções
Esperar
Ouvir os
colegas
PRÉ-REQUISITOS
• Sentar
• Esperar
• Fazer contato visual
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Habilidades desenvolvimentais
Ir ao banheiro
sem birra
Pedir
Conseguir pausa
quando estiver com
dor
Se comunicar
Participar da
rotina
Compreender
instruções
Fazer tarefa
PRÉ-REQUISITOS
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Habilidades acadêmicas
(EF03HI02) Selecionar,
por meio da consulta de (EF03HI05)
fontes de diferentes
naturezas, e registrar
(EF02HI06) Identificar acontecimentos ocorridos
e organizar, ao longo do tempo na
temporalmente, fatos cidade ou região em que (EF03HI06)
da vida cotidiana, vive.
usando noções
relacionadas ao tempo
(antes, durante, ao (EF04HI10) Analisar (EF05HI01)
mesmo tempo e diferentes fluxos
depois). populacionais e suas
contribuições para a
formação da
sociedade brasileira. (EF04HI11)
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Habilidades acadêmicas
Habilidades
desenvolvimentais
Habilidades
de aprendiz
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Mediador ou não, eis a questão?
A lei 12.764/12 define o direito de
acompanhante especializado
quando comprovada a necessidade
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Protocolos (exemplos)
1. Portage – para bebês
2. Carolina Curriculum – para bebês
3. VB-MAPP – criança bem pequena (excelente para planejamento EIBI) ou com um bom repertório verbal
4. ABLLS-R – crianças um pouco maiores (ex. 5 anos ou mais até o fim da adolescência
5. AFLS – Jovens e adultos – desenvolvimento funcional
6. Socially Savvy – autismo leve
7. PEAK – Protocolo de avaliação e ensino de linguagem (mais adequado para escola e TEA leve)
8. Essential for Living – para muito severos
POSSÍVEIS CHECK-LISTS CRIADOS PELO SISTEMA
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Meta de longo prazo
“Joãozinho deverá permanecer em contato, em roda ou conversa
individual, com colegas durante ao menos 5 minutos durante os intervalos
em ao menos 4 dias por semana, iniciando interações ao menos uma vez ao
dia em cada um dos dias e respondendo às interações dos pares em ao
menos 80% das vezes em ao menos 3 desses 4 dias com ao menos 2
colegas”.
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Meta de médio prazo
“Joãozinho deverá iniciar interações de maneira espontânea emitindo
mando para participar de brincadeira com colega ao menos 2 vezes
durante o período de brincadeira compartilhada ao menos 4 dias por
semana com ao menos 2 colegas”.
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Meta de curto prazo
“Completar ao menos 5 frases, ditas por ao menos 2 pessoas, com o som
correspondente a 5 diferentes animais e/ou objetos em 6 tentativas
durante 3 dias consecutivos”
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Programas de redução de comportamentos em excesso
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Prof. de apoio? Pasta de comunicação alternativa? Tablet? Materiais concretos? Figuras?
7. Protocolo de conduta
Informações básicas sobre o indivíduo
O que ele gosta
O que não gosta
Estímulos que podem ser SDs para comportamentos agressivos
Procedimentos Emergenciais de Intervenção Física apropriados (se for o
caso e se houver profissionais treinados para fazê-lo) e que situações
implementá-los
Eventuais informações de saúde
Formas de comunicação
Outras observações
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Encurtar textos? Parear imagens? Fazer contas com até duas casas? Não usar figuras dêiticas “lá”
“depois”, “ela” ou “ele”?
Não há inclusão VERDADEIRA sem
saber especializado.
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