Direitos Humanos
Indispensáveis a uma vida digna
Origem Jusnaturalista: direito natural inerente ao homem, que se manifesta a
qualquer tempo e independe de positivação;
Origem Contratualista: Documentos expressos (DUDH) – sistemas de
proteção positivados.
DH são inerentes à pessoa humana enquanto condição para sua dignidade, e
que usualmente são descritos em doc. Internacionais para que sejam seguramente
protegidos.
TERMINOLOGIA
Direitos do Homem (positivados no Ordenamento Jurídico interno);
Direitos Fundamentais;
Direitos Humanos;
Tratados: Bloco de constitucionalidade – No BR: Contra o racismo; Protocolo
facultativo; Marraquesh.
CLASSIFICAÇÃO
1ª Dimensão 2ª Dimensão 3ª Dimensão
Direitos Civis e Políticos Direitos Econômicos, Sociais e Direitos Difusos e Coletivos
Culturais
Estado absolutista Estado Atuação Estatal, porém, há + Fraternidade/Solidariedade;
Liberal; liberdade; Fim da 2ª G.M: Busca pela paz
Revolução Inglesa, Americana Igualdade Material: Trabalho, mundial;
e Francesa; educação, lazer, cultura, saúde, Direito do consumidor; meio
NÃO intervenção estatal; previdência social... ambiente equilibrado;
Vida, propriedade, liberdades, Constituição Mexicana; Alemã; autodeterminação dos povos;
não intervenção Estatal... Brasil; Tratado de Versalhes. probidade administrativa.
Magna Carta; Petition Of Right; Principal Documento: DUDH
HC Act; Bill Of Rights;
Declaração do Bom Povo do
Estado da Virgínia; Declaração
dos Direitos do Homem e do
Cidadão; Constituição
Imperial.
CARACTERÍTICAS
I. Historicidade: Produto de um processo de constante evolução, fruto da transformação social.
II. Relatividade dos DH ou Limitabilidade: Exceção: Escravidão e Tortura (nesse caso são absolutos)
III. Universalidade: Oponíveis para todos
- Pode pleitear no âmbito interno e externo
- Certos grupos são + necessitados, precisando de + proteção)
- Direito animal: Dignidade da pessoa NÃO humana
IV. Indivisibilidade:
- Conjunto de direitos que devem ser analisados de forma sistêmica.
- Todos os DH possuem a mesma proteção jurídica.
V. Interdependência ou inter-relação: Casada com historicidade.
- Não há hierarquia entre as dimensões, um complementa o outro.
VI. Complementaridade:
- Manter a universalidade sem perder as peculiaridades de cada região (cultural, religiosa, social...)
- Os sistemas regionais descentralizam a ONU para respeitar a complementaridade.
VII. Inexaurabilidade: INESGOTÁVEIS.
- Não estão sujeitos a rol taxativo.
- Ampliáveis, porém não reduzíveis.
- Sociedade mutante: novas tecnologias, novas necessidades! (internet, manipulação genética, dados
pessoais LGPD...)
VIII. Inalienabilidade: Intransferíveis e inegociáveis.
- Não se pode atribuir R$.
- Direitos que são passados a 3º (propriedade – se passa a titularidade)
- É possível extrair dinheiro consequencial de um DH, o que se negocia aqui é a atividade resultante do
exercício desse direito.
IX. Imprescritibilidade: Não estão sujeitos a prazo prescricional
- Não se perdem no tempo!
- OBS.: Estado de sítio são admitidas restrições pontuais (ao terminar a situação de emergência, voltam
a ser assegurados)
- Restrição admitida, supressão NÃO.
X. Irrenunciabilidade ou Indisponibilidade: Limitação pode ocorrer, se estrito caso concreto e por período
determinado.
XI. Vedação ao Retrocesso – EFFET CLIQUET: DH não podem retroagir, somente avançar.
XII. Essencialidade
VERTENTES - EIXOS DE PROTEÇÃO INTERNACIONAL
DA PESSOA HUMANA
D.I. Direitos Humanos stricto sensu
- GERAL: aplicável a todas as situações.
- Pós 2ª GM
- Proteção do ser humano em todos os aspectos.
- Regulamentação do D.I. Penal: Estatuto de Roma criou o Tribunal Penal Internacional
(punição por graves violações)
D.I. Humanitário
- Especial
- Direito Dos Conflitos Armados: proteção dos envolvidos no conflito de forma direta ou
indireta, minimizando os danos.
- Limita o dir. das partes escolherem livremente os métodos utilizados na guerra.
- Não proíbe a Guerra, apenas cria normas para que ela ocorra de forma menos brutal.
DIP
- Proibiu o uso de balas explosivas, armas químicas e biológicas.
- Não abrange atos isolados de violência.
- Direito de Genebra é o + importante!!!
D.I. dos Refugiados
- Especial
- Direito ao asilo: art. 14 (por motivos de raça; religião; nacionalidade; política...)
- Pessoas que se encontram fora do seu país por causa de fundado temor de perseguição e que
não possam – ou não queiram – voltar para casa.
- ACNUR (alto comissariado das nações unidas para refugiados) criado em 1950, pós 2ª GM
para ajudar os Europeus que fugiram ou perderam suas casas.
- NON-REFOULEMENT: Princípio da proibição do rechaço (proíbe a expulsão de refugiados
para fronteiras de territórios onde sua vida ou liberdade sejam ameaçadas)
- Estatuto do Estrangeiro foi substituído pela LEI DE MIGRAÇÃO.
JUSTIÇA INTERNACIONAL E SISTEMAS
GLOBAIS E REGIONAIS DE PROTEÇÃO
AOS DIREITOS HUMANOS
2ª GM – ruptura com os DH
Pós 2ª GM – reencontro com os DH (aos poucos foi se consolidando o processo
de formação dos Sistemas de Proteção
Se desenvolve no âmbito das
Organizações Internacionais
Soberania estatal é relativizada – O indivíduo tem seus direitos protegidos
internacionalmente.
Os sistemas interno e internacional devem dialogar (complementam um ao
outro/coexistem)
Processo de Regionalização:
Adaptação dos conteúdos das Declarações às regiões do mundo.
Organizações internacionais:
Dotadas de personalidade jur. Internacional independente.
Composta por sujeitos de DIP que a ela se associam voluntariamente.
Ex.: ONU, OEA.
Responsabilidade internacional do Estado.
Denúncia: mecanismo ALTERNATIVO: Predomina o Dir. interno, só
depois busca o internacional
Esgotamento dos recursos internos.
Estado deve cumprir suas obrigações.
Exceções:
- Não existir o devido processo legal para proteção do dir. violado;
- Não se houver permitido acesso aos recursos da jurisdição interna
ou houver sido ele impedidos de esgotá-los;
- Demora injustificadas nas decisões sobre os mencionados recursos;
Onusiano ou Universal
SISTEMA GLOBAL DE DIREITOS HUMANOS
1919 – Pós 1ª GM – nasceu a Liga das Nações com o Tratado de Versalhes
Objetivo: evitar conflitos mundiais.
Falhou! Veio a 2ª GM
Surgiu a ideia de ter uma Organização Internacional
1945 – Pós 2ª GM: necessidade de reconstruir os DH surgiu a ONU
Criação da ONU: Por meio da Carta das Nações Unidas Carta da ONU
Carta de São Francisco.
Conferência de São Francisco
Quem faz a abertura
Em 24.10.1945 nasce oficialemente a ONU. das reuniões da ONU
Objetivos da ONU: é o BRASIL!!!
Manter a paz e a segurança internacionais
Desenvolver relações amistosas entre ....
Cooperação internacional para resolver problemas mundiais.
Centro destinado a harmonizar a ação dos povos
Competência contenciosa e consultiva
A DUDH foi criada em 1948
Princípios da Carta da ONU:
Paz mundial
Tolerância entre povos
Não intervenção
Solução pacífica das controvérsias
Art. 103 da Carta da ONU: No caso de conflito entre as obrigações dos
Membros das Nações Unidas, em virtude da presente Carta e as obrigações resultantes
de qualquer outro acordo internacional, prevalecerão as obrigações assumidas em
virtude da presente Carta.
Liderada por Eleanor Roosevelt
1946 – Comissão de DH em 3 etapas:
Elaborar declaração de DH
Objetivo frustrado pela Guerra Fria, pelo antagonismo entre EUA e URSS
Produzir um doc. juridicamente + vinculante do que uma mera
declaração (um tratato/convenção)
Criar um sistema adequado para assegurar o respeito aos DH e tratar os
casos de violação
Documentos:
1945: Carta da ONU
1948: DUDH
1966: PIDCP Pacto Internacional Sobre os Direitos Civis e Políticos: 1ª D.
1966: PIDESC Pacto Internacional Sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais: 2ª D.
Carta Internacional dos Direitos Humanos: Bill Of Rights. Constituído por 3
documentos.
DUDH (1948)
PIDCP (1966) Documentos gerais
PIDESC (1966)
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS –
DUDH
Documento com regras UNIVERSAIS
30 artigos: Preâmbulo é o mais cobrado.
Natureza Jurídica:
Aspecto Formal:
- Adotada e proclamada pela Resolução 217ª (III) da Assembleia
Geral das Nações Unidas.
- Não foi aprovada sob a forma regular de tratado/convenção,
mas sob a forma de resolução!
Aspecto Material: Tem força de lei??? É vinculante???
- Corrente tradicional não é vinculante!
- Resolução tem caráter de recomendação!
- Somente PIDCP e PIDESC têm caráter vinculante
- Ausência de mecanismos de fiscalização e monitoramento
- Corrente moderna é vinculante!
- Jus Cogens
- Interpretação autorizada da Carta da ONU
- Art. 103 diz que se houver divergência sempre deverá
prevalecer os ditamos da Carta e seus princípios
Os Estados membros da ONU têm obrigação de respeitar os direitos
proclamados pela Declaração
Integra os costumes internacionais e os princípios gerais do Dir. Internacional.
Parte do conteúdo da DUDH foi incorporado às constituições de vários E.
3 Dir. básicos que a Declaração estabelece:
Direito à vida
Direito à liberdade
Direito à segurança pessoal
Vedações mais importantes:
Escravidão/servidão
Tortura
Prisão de Exílio de forma arbitrária.
Estrutura da DUDH
Dimensão de Direitos Artigos Discussão
Consenso na comunidade
1ª Dimensão dos DH Art. 1º ao 21
internacional
Houve discussão em especial entre
2ª Dimensão dos DH Art. 22 ao 30 EUA x URSS, porém prevaleceu a
tese de proteção a esses direitos
Não há previsão direta, mas Os direitos dessa geração foram
3ª Dimensão dos DH apenas algumas referências ao concebidos mais tarde, razão pela
longo do texto qual não constam na DUDH
PACTO INTERNACIONAL DOS DIREITOS CIVIS E
POLÍTICOS – PIDCP (1966)
Só entrou em vigor em 1976
Direitos autoaplicáveis
Tem aplicação imediata
2 protocolos facultativos:
Mecanismo de petições individuais para implementação dos direitos
previstos no PIDCP
Vedação à pena de morte
Brasil: entrou em vigor em 1992
Reiterou a universalidade e a indivisibilidade dos DH já consagrados na
Declaração.
Estabeleceu dir. direcionados aos indivíduos
PACTO INTERNACIONAL DE DIREITOS ECONÔMICOS,
SOCIAIS E CULTURAIS – PIDESC (1966)
Entrou em vigor em 1976
Direitos programáticos
Aplicado progressivamente de acordo com as possibilidades de cada nação
Objetivo:
Incorporar os dispositivos da DUDH sob a forma de preceitos
juridicamente obrigatórios e vinculantes
Brasil: entrou em vigor em 1992
ESTRUTURA DA ONU
Art. 7.1 da Carta da ONU
Órgãos principais das Nações Unidas:
Assembleia Geral
Conselho de Segurança
Conselho Econômico e Social
Conselho de Tutela
Secretariado
Corte Internacional de Justiça
Assembleia Geral
Temporário
Órgão deliberativo, político e representativo da ONU
Todos os membros da ONU fazem parte
Cada um pode designar até 5 representantes, mas cada país tem direito a
apenas 01 voto!
Funções:
Discutir e fazer recomendações sobre qualquer assunto que esteja dentro
das finalidades da ONU.
Eleger membros não-permanentes do Conselho de Segurança da ONU e
os membros do Conselho de Tutela e do Conselho Econômico e Social
Votar/aprovar orçamento da ONU
Elaborar recomendações sobre a solução pacífica de conflitos
internacionais
Aprovar acordos de tutela
Autorizar organismos especializados a solicitarem pareceres à Corte
Internacional de Justiça.
Votação/quórum:
Questões importantes: 2/3 dos membros presentes e votantes
Demais questões: maioria dos presentes e votantes
Sessões:
Reúne ordinariamente 1 vez ao ano, mas pode realizar sessões
extraordinárias
Sessões especiais convocadas pelo secretário-geral
- A pedido do Conselho de Segurança ou da maioria dos Membros
das Nações Unidas.
- Osvaldo Aranha inaugurou 1ª Sessão Especial em 1947
Manifestação da vontade da Assembleia: RESOLUÇÃO
Conselho de Segurança
Órgão permanente Inclusive intervenção
Zela pela manutenção da paz e da segurança internacional militar
Único órgão capaz de adotar decisões obrigatórias para todos os E. membros
Todos devem aceitar e cumprir as decisões do Conselho, sob risco de
sofrer duras sanções!
Autoriza operações de manutenção de paz e missões políticas internacionais.
Formado por 5 membros permanentes e 10 temporários
Membros permanentes:
5 maiores potências militares
Têm direito de veto
Se mantêm por tempo
indeterminado
Membros temporários:
Eleitos pela Assembleia Geral
Mandato de 2 anos
Cada um tem direito a 1 representante e 1 voto
Eleição dos membros rotativos observará distribuição geográfica
equitativa: todos os continentes serão representados.
- 2: América Latina e Caribe,
- 2: Europa Ociental
- 1: Leste Europeu
- 5: África e Ásia
As resoluções precisam de 9 votos para serem aprovadas, os membros
permanentes não podem se opor!
Membros rotativos:
- Bélgica
- Costa do Marfim
- República Dominicana
- Guiné Equatorial
- Alemanha
- Indonésia O próprio conselho
decide se o tema é
- Kuwat
processual ou não, pois a
- Peru Carta da ONU não
- Polônia especifica
- África do Sul
Votação:
- Questões processuais aprovadas por 9 votos;
- Os demais temas também por 9 votos, mas devem incluir todos
os membros permanentes do conselho
Rivalidade reflete nas decisões: contraria interesses e vota contra, o projeto é
arquivado!
Principais Funções do Conselho de Segurança
Manter a paz e a segurança internacional
Determinar missão de paz
Investigar potenciais conflitos internacionais
Recomendar formas de diálogo entre os países
Elaborar planos de regulamentação de armamentos
Solicitar a aplicação de sanções econômicas e outras medidas para impedir ou deter alguma agressão
Recomendar o ingresso de novos membros na ONU
Recomendar para a Assembleia Geral a Eleição de um novo Secretário-Geral
Conselho Econômico e Social – ECOSOC
Composto por 54 membros, cada um possui 1 representante eleito pela
Assembleia por um período de 3 anos:
14 assentos para África
11 para Ásia
6 para Europa Oriental
10 para América Latina e Caribe
13 para Europa Ocidental
Coordena ao trabalho econômico e social da ONU e das instituições e
organismos especializados do Sistema
Colabora com os programas da ONU
Desenvolve pesquisar e relatórios sobre questões econômicas e sociais
Promove o respeito aos DH e liberdades fundamentais
Cria comissões para proteção dos DH
Debate sobre o crescimento econômico e social. Inclusive no âmbito ambiental
Principal corpo da ONU para coordenação, revisão política, diálogo político e
análises econômicos e sociais num todo.
Reuniões anuais em julho
Encaminha as conclusões e recomendações propostas para exame e
consideração na Assembleia
Conselho de Tutela
Conselho de Adm. Fiduciária das Nações Unidas
Quando as Nações Unidas nasceram, em alguns locais as pessoas não podiam
escolher seus próprios governos, então, foram colocados sob proteção especial:
territórios sob tutela.
Supervisionar 11 territórios que haviam sido adm. por 7 E. membros e
assegurar que fossem tomadas medidas adequadas para preparas os territórios para
autodeterminação, autogovernação e independência.
Composição:
Membros permanentes do Conselho de Segurança
Membros adm. dos territórios tutelados
Outros membros eleitos pela Assembleia
1 voto p/ cada
Atualmente está suspenso (desde 1994), pois todos os territórios sob tutela
alcançaram autogoverno ou a independência.
Desativado após a independência da última colônia: Palau, que se tornou um
E. membro da ONU.
Secretariado
Funções adm. da ONU
Presta serviço a outros órgãos das Nações Unidas e adm. programas e políticas
que elaboram
Composto pelo secretário-geral e por um grupo de pessoas escolhido por ele
Comparecer em todas as reuniões
Elaborar relatório anual à Assembleia
Ser imparcial
Adm. as forças de paz
Analisar problemas econômicos e sociais
Preparar relatórios sobre o meio ambiente ou DH
Sensibilizar a opinião pública internacional sobre o trabalho da ONU
Organizar conferências internacionais
Traduzir todos os doc. oficiais da ONU nas 6 línguas oficiais da Organização
Chefe: Secretário-Geral
Funcionário + graduado da instituição
Nomeado pela Assembleia por sugestão do Conselho de Segurança
Mandato: 5 anos, podendo ser reconduzido 1 vez.
Corte Mundial ou Corte de Haia
Corte Internacional de Justiça
Palácio da Paz em Haia é conhecido como a sede do dir. internacional por
sediar a Corte Internacional de Justiça.
Não tem competência criminal!
Qualquer violação ao direito internacional.
Br não apoiou a criação.
Possui 193 países membros
Criada pela da Carta da ONU em 1945 Embora seja o principal
Começou a funcionar em 1946 órgão jurisdicional da
Substituiu a Corte Permanente de Justiça Internacional ONU, nada impede que os
E. confiem a solução de
Principal órgão judicial da ONU
seus conflitos a outros
Órgão permanente tribunais internacionais.
Todos os membros da ONU são partes do Estatuto da CIJ
Inglês e francês: línguas oficiais
Parte em questões perante a Corte: somente ESTADOS!!! As organizações
internacionais, inclusive a própria ONU não podem ser parte: somente prestar
informações e solicitar pareceres.
Corte Internacional de Justiça ≠ Tribunal Penal Internacional
Solução conflito entre ESTADOS Julgamento de INDIVÍDUOS
Composição:
15 juízes independentes eleitos pela Assembleia e Conselho de Segurança
com mandato de 9 anos (admitida a reeleição), que gozam de privilégios e imunidades
diplomáticas.
Imparcialidade: se E. partes for do mesmo país, garante a nomeação de
um juiz ad hoc pela outra parte.
Competência:
Abrangente: pode ou não envolver questões de DH
Todos os assuntos previstos na Carta das Nações ou em
Tratados/convenções.
Dupla Jurisdição:
Contenciosa/jurisdicional: solucionar conflitos – decisão obrigatória!
Consultiva: dá parecer consultivo a pedido da Assembleia, do Conselho
de Segurança, outros órgãos da ONU e agências especializadas que neste caso, precisa
de autorização da Assembleia. – não tem força vinculante
A corte decidirá com base no dir. internacional aplicando:
Costumes
Convenções internacionais
Para que possam figurar
Princípios Gerais no polo passivo de um
Decisões processo, é necessário
que o Estado tenha
Doutrina aceitado previamente a
Se as partes concordarem: com base no senso de justiça competência da CIJ.
Estatuto da CIJ foi anexado à Carta de São Francisco, sendo assim, todos os 193
Estados membros da ONU também são membros da CIJ.
Os Estados se submetem à Corte se:
Decidirem de comum acordo
Em um tratado assinado por 2 países for estipulada uma cláusula que em
caso de controvérsia, ela seja solucionada pela CIJ
Os países podem aceitar a Cláusula Facultativa de Jurisdição Obrigatória
- Ilimitada: sem reservas
- Limitada: com reservas – Estado é livre para reconhecer a
cláusula como obrigatória ou não, limitando sua aceitação
Brasil reconheceu a competência da CIJ, mas expirou em 1953, porém, ainda
pode julgar casos brasileiros
Propostos entre Brasil e estados-parte que tenha tratado específico que
reconheça a competência da Corte: Ex. tratado de conciliação com Itália (fundamento
p/caso Césare Batisti)
Aqueles que versem sobre questões específicas da ONU – Brasil
reconheça competência sobre aquela matéria. Exs. Convenção de Genebra para tráfico
ilícito; Convenção eliminação de todas as formas de discriminação contra mulher
BRASIL: amplo reconhecimento dos órgãos interamericanos de proteção de
DH e possui reservas quanto à:
O processo tem 2 fases: Escrita e oral
A sentença é irrecorrível, mas em
casos excepcionais, cabe processo de
revisão.
CORTE INTERAMERICANA DE JUSTIÇA. Portanto, os casos +
relevantes são perante a OEA e não diante da ONU
CIJ possui desempenho questionável, decidem pouco – média de 2/ano
Postura arbitral
Filiam posturas políticas do Estado de origem beneficiando-as
Críticas
(parcialidade)
Efetividade questionada – gera mal-estar diante da impunidade dos
infratores.
TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL NÃO É ORGÃO
DA ONU!!!
Sede em Haia
Tem caráter permanente
Julga INDIVÍDUOS por crimes de maior gravidade com repercussão
internacional.
Atua quando os tribunais nacionais não conseguem ou não desejam realizar os
processos criminais. Ultima ratio.
Possui função complementar aos tribunais nacionais
Tem competência criminal
Crimes contra a humanidade
Brasil apoiou a criação
Foi criado no âmbito da ONU, mas é um órgão independente e mantém uma
relação de cooperação com a ONU.
Iniciou as atividades em 2002.
Regido pelo Estatuto de Roma: conta com 128 arts.
122 nações são Estados-partes.
Em 1988, representantes de 120 nações se reuniram em uma conferência em
Roma e aprovaram o projeto de criar um Tribunal Penal Internacional Permanente.
Competência:
Crimes de genocídio
Crimes contra a humanidade
Crimes de guerra
Crimes de agressão
Composição:
18 juízes com mandato de 9 anos, não é permitida a reeleição
Geralmente se organiza em 3 órgãos: Assembleia dos Estados partes; TPI
propriamente dito e Fundo Fiduciário para Vítimas.
Possui 4 órgãos:
Presidência;
Gabinete do Procurador;
Secretaria;
3 divisões judiciais: seção de instrução, 1 instância e seção de recurso.
A jurisdição do TPI é adicional e complementar à do Estado e só pode ser
acionada se o Estado não possuir vontade/capacidade para realizar justiça e impedir
a impunidade.
Exercício da Jurisdição:
Denúncia feita por Estado parte ao Procurador
Denúncia feita pelo Conselho de Segurança ao Procurador
De ofício pelo Procurador.
Crimes do TPI:
Genocídio
Crimes contra a humanidade
Crimes de guerra Uma vez que o crime é definido
como internacional passa a valer a
Crimes de agressão
regra da imprescritibilidade!
Todos os crimes definidos pelo Estatuto de Roma são imprescritíveis
COMITÊ DE DIREITOS HUMANOS
Órgão criado pelo PIDCP: para fiscalizar o cumprimento do Pacto e seus
protocolos facultativos.
Composição: 18 membros eleitos por maioria absoluta dos Estados-partes do
Pacto, com mandato de 4 anos permitida a reeleição.
Reuniões 3x ao ano no escritório da ONU
Não é órgão permanente.
Funções: os Estados-partes apresentam relatórios ao comitê, onde anunciam as
medidas adotadas para tornar efetivas as disposições dos tratados.
Após análise dos relatórios, o comitê emite suas observações finais e faz
recomendações para as soluções que lhes parecer adequadas.
Não possui força vinculante, mas ignorar as recomendações pode gerar um desgaste político
junto à comunidade internacional.
1º protocolo facultativo do PIDCP permite o recebimento de
petições/denúncias individuais, e então o comitê examina as petições das vítimas de
violação do PIDCP.
Regra da subsidiariedade: apenas os indivíduos que tenham esgotado todos os
recursos internos disponíveis podem apresentar uma comunicação (salvo demora
injustificada).
O Comitê não é um tribunal. Mas o procedimento de petição é “quase-
judicial” (natureza contenciosa).
Não há mecanismos diretos de sanção ou de obrigar a respeitar suas decisões,
mas, em nome do princípio da boa-fé, devem ser cumpridas.
CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS
Substituiu a Comissão de Direitos Humanos da ONU (1946-2006)
Criado em 2006 pelos Estados-membros da ONU para reforçar a promoção e
proteção dos DH em todo o planeta.
Composição:
47 Estados-membros (distribuição geográfica) eleitos por meio de
votação direta dos Estados-membros (maioria).
Mandato de 3 anos, não podem ser reeleitos após 2 mandatos
consecutivos.
Sessões: pelo menos 3x ao ano, durante um período não inferior a 10 semanas
Sede em Genebra
Órgão subsidiário da Assembleia Geral.
Funções de investigação/monitoramento
Procedimentos Especiais
- Investigar situações de violações de DH
- Efetuar visitas in loco
- Elaborar relatórios finais contendo recomendações de ações aos
Estados.
Revisão Periódica Universal
- Criação pela Resolução do Conselho, em 2007.
- Mecanismo cooperativo de avaliação da situação dos DH nos 193
Estados da ONU
- Serão avaliados/revisados a cada 4 anos e meio gerando um
conjunto de recomendações.
- Possui essência de peer review.
- Nomeados 3 Estados relatores da revisão que apresentam
relatório final aos membros do Conselho que irão elaborar as
recomendações.
- Não há condenação/conclusões vinculantes.
- Cada ciclo ocorre a cada 4 anos e meio, e a cada ciclo, todos os
Estados-membros da ONU são revisados.
SISTEMAS REGIONAIS DE PROTEÇÃO DE DH
SISTEMAS INTERNACIONAIS
DE DIREITOS HUMANOS
Sistema Global: ONU Sistemas Regionais
Sistema
Europeu de
Organização da
DH
Unidade Africana
Organização dos
Estados Americanos -
OEA
Sistema Europeu
Convenção Europeia de DH (1950, entrou em vigor em 1953).
Comissão Europeia de DH Em 1998 houve uma fusão e a
Corte Europeia de DH Comissão deixou de existir!
Corte Europeia de DH, fundada em 1959
Após a fusão se transformou em um órgão permanente.
Também chamada de:
- Tribunal Europeu dos DH
- Tribunal Europeu dos Direitos do Homem
- Tribunal de Estrasburgo
Competência consultiva e contenciosa
Além dos Estados, qualquer pessoa física ou ONG pode peticionar
diretamente à Corte.
Nº de juízes ao dos Estados-partes: 47.
Mandato de 9 anos não renovável.
Sistema Africano
Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (1981, entrou em vigor em
1986).
Comissão Africana de DH
Corte Africana de DH (2004)
Relativismo Cultural?? Sistema Islamo-Árabe
Carta Árabe de Direitos Humanos e dos Povos (1994, entrou em vigor em 2008)
Comitê Árabe de DH
Há incompatibilidades na carta com o sistema global
Discriminação mulheres e com não nacionais
Pena de morte para crianças e mulheres grávidas
Pacto de São José
da Costa Rica.
Sistema Americano/Interamericano
Convenção Americana de Direitos Humanos (1969, entrou em vigor em 1978).
Comissão Interamericana de DH (criada em 1959)
Catálogo de dir.
Corte Interamericana de DH
civis e políticos.
Contexto histórico: Somente os Estados-
Elevado grau de exclusão/desigualdade social membros da OEA têm
Regimes democráticos ainda não estabilizados direito a aderir à
Convenção Americana.
Legado dos regimes autoritários e ditatoriais
Frágil tradição de respeito aos DH
Cultura de violência e de impunidade
OEA: Organização dos Estados Americanos
Fundada em 1948 por meio da Carta da OEA, entrou em vigor em 1951.
Vinculada ao sistema ONU
35 nações independentes do continente americano
Como a Convenção não diz nada de forma específica sobre os direitos sociais,
econômicos e culturais, em 1998, foi criado um Protocolo Adicional:
Protocolo de San Salvador, que entrou em vigor em 1999.
2 regimes:
Um baseado na Carta da OEA
Outro baseado na Convenção Americana de DH.
COMISSÃO INTERAMERICANA DE DH
Órgão principal e autônomo da OEA
Sede em Washington e fundada em 1959
Composição:
7 membros eleitos na Assembleia Geral da OEA com mandato de 4 anos,
permitida 1 reeleição (alternância a cada 2 anos)
Comissão e Corte se reúnem em sessões anuais
2 ou 3 períodos de sessões ordinárias que se estendem por aproximadamente 3
semanas.
Pode haver sessões extraordinárias.
Funções:
Assegurar e promover o respeito aos DH pelos países membros.
Formular recomendações a Estados que estejam violando a Convenção
Órgão consultivo: pode fazer estudos, solicitar informações e então
apresenta relatório anual sobre a sua atuação.
Responder às consultas formuladas pelos Estados-partes
Atuar no recebimento e no processamento das petições individuais e das
comunicações.
Comissão pode receber denúncias ou petições sobre casos individuais alegando
violação da Convenção por um Estado-parte.
Qualquer pessoa, grupo ou entidade não-governamental legalmente
reconhecida pode apresentar denúncia.
Requisitos de admissibilidade:
Esgotamento dos recursos da jurisdição interna
Seja apresentada a petição dentro do prazo de 6 meses a partir da
notificação da decisão definitiva
Que a matéria não esteja pendente de outro processo de solução
internacional
Identificação da pessoa/grupo
Exceções:
- Quando não existirem normas de proteção ao devido processo
legal no Estado.
- Quando tiver sido impedido ou dificultado o acesso ao judiciário
no país.
- Quando houver demora injustificada para julgar internamente
O processo na Comissão:
Obs.: para levar à Corte é preciso Solicita inform.
que o E. tenha aceito a competência Produção de provas
dela, senão continua na Comissão. Fase de negociações/tentativa acordo
Se não relatório se houve ou não violação aos DH
3 meses para suas recomendações sejam cumpridas. Se não
forem, ela decidirá se enviará ou não à Corte
CORTE INTERAMERICANA DE DH
Órgão judicial autônomo que tem sede em San José (Costa Rica)
Tem como propósito aplicar e interpretar a Convenção Americana de DH e
outros tratados.
Composição:
7 juízes eleitos pela Assembleia Geral da OEA
- Voto secreto: maioria absoluta
- Mandato: 6 anos, permitia 1 reeleição (alternância a cada 2 anos)
Comissão e Corte se reúnem em sessões anuais
2 ou 3 períodos de sessões ordinárias que se estendem por aproximadamente 3
semanas.
Pode haver sessões extraordinárias.
2 funções:
Contenciosa: julgar casos encaminhados pela Comissão
Consultiva: interpretar a Convenção e outros instrumentos
internacionais de DH.
- Apresenta relatório de suas atividades à Assembleia anualmente
Legitimidade ativa: Estados-partes e Comissão! (Não é qualquer pessoa)
Sentença deverá ser cumprida!
Sob pena de sanção internacional.
SENTENÇA: Definitiva e
irrecorrível!
No máximo, em 90 dias:
pedido de esclarecimentos