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Sintaxe do Português: Estruturas e Regras

Este documento resume os principais conceitos da sintaxe do português. Apresenta definições de sintaxe e seu âmbito de estudo, explicando que analisa a estrutura da frase e como as palavras se combinam. Também define termos como frase, oração e período, e explica as classes de palavras e categorias lexicais e sintagmáticas.

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Sintaxe do Português: Estruturas e Regras

Este documento resume os principais conceitos da sintaxe do português. Apresenta definições de sintaxe e seu âmbito de estudo, explicando que analisa a estrutura da frase e como as palavras se combinam. Também define termos como frase, oração e período, e explica as classes de palavras e categorias lexicais e sintagmáticas.

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Linguística Descritiva do Português I

Sintaxe do Português
Síntese elaborada por Félix Nhambe

1. Sintaxe do Português
1.1. Definição e âmbito de estudo
Sintaxe é a parte da gramática que estuda a estrutura ao nível da frase e as regras que
permitem a combinação de palavras para a formação de proposições, determinando o papel
que uma palavra desempenha numa dada frase/enunciado.

Para Borregana (2009:220), Sintaxe é a parte da gramática que estuda:


 As relações das palavras na frase (período) e os processos que presidem a essas

relações (concordância, construção, etc );

 As funções lógicas ou sintácticas das palavras;

 A ligação das frases no discurso.

A sintaxe sendo uma área da Linguística tem como objecto de estudo a frase, estudando a
forma como as palavras se combinam para formar frases.

Frase é um enunciado de sentido completo, unidade mínima de comunicação, que pode ser
constituída por uma única oração (frase simples), por mais do que uma oração (frase
complexa) ou por um verbo (frase elíptica, estando os restantes constituintes submetidos) 1 e
sem possuir verbo2.

Oração é um discurso, proposição e frase. Distingue-se do período, por este, ser a frase
organizada em oração ou orações. (CUNHA e CINTRA, 2006: 88).

Os termos essenciais da oração são: o sujeito e o predicado. O sujeito é o ser sobre o qual se
faz uma declaração e controla a concordância verbal, enquanto que o predicado é tudo
aquilo que se diz do sujeito e caracteriza-se por ser um SV. E o sujeito e o predicado nem

1
RIBEIRO, Helga et al. Gramática Moderna de Língua Portuguesa. Lisboa: escolar, 2010. P. 221.
2
(CUNHA & CINTRA, 2006: 87)
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Félix Alexandre Nhambe 1
sempre vêm expressos na estrutura de superfície/materialmente. (Cf. CUNHA & CINTRA,
2006: 89).
A frase pode ser:
 Frase simples na óptica de Borregana (2009:220) é aquela que é constituída por uma
só oração (com um verbo em tempo finito) ou sem verbo. Ex:

1. A minha filha está em casa.


2. Claro que sim.

 Frase complexa é aquela que é constituída por duas ou mais orações (com dois ou
mais verbos em tempos finitos). Ex.

3. O professor deu bem a aula, mas esta matéria é admirável.

Frase, oração, período, sujeito e predicado


Exemplos Explicação
1. A minha filha está em casa. Frase simples ou oração simples e
com a forma verbal
2. Claro que sim./Não./Claro!/ Atenção! Frases simples sem verbos
3. O professor deu bem a aula, mas esta matéria é Frase complexa ou oração composto
admirável.
4. A: Vai à praia? B: Claro que sim. Frase simples a B: em que a forma
5. Linda cidade, Maputo. verbal (vou) foi oculta e (é) em 5.
Em frase A: o suj é subentendido.
6. Estudei. Frase elíptica.
7. As crianças brincavam no jardim, estavam com os Período com várias orações
pais, comendo bolachas, gritando em voz alta.

Como já nos referimos que a Sintaxe estuda a frase e as regras que permitem a combinação
das palavras, então estudar a Sintaxe é procurar sistematizar as regras que permitem a
combinação de palavras em frases simples ou complexas.

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Félix Alexandre Nhambe 2
Assim sendo, uma frase como: O gato que o Ruby comprou que costuma estar na mesa que
o Binda trouxe de Tanzânia comeu o rato. → Esta frase não tem processamento natural e na
frase: Os gatos comeram o rato. → o temo comeram está ao nível da Morfossintaxe.

1.2. Classes de Palavras (parte do discurso)


Todas palavras de uma determinada língua natural cabem numa classe de palavra. Dizer
classe de palavra é igual dizer categoria lexical. E um dos pressuposto básico que os
falantes devem ter é a classificação de palavras, partindo do conhecimento intuitivo que o
indivíduo tem sobre as categorias das palavras. Dos itens lexicais de uma língua podem ser
classificados num nº finito de categorias lexicais.

Classes de Palavras/categorias lexicais e categorias sintagmáticas/sintácticas

Categorias lexicais são palavras que tê um conteúdo semântico lexical e são definidas em
dicionário, as mais importantes (chamadas as categorias lexicais principais ou partes do
discurso) são o substantivo ou nome (N), o verbo (V), o adjectivo (Adj), o advérbio (Adv) e
a preposição (P).

As categorias lexicais são elementos da língua cuja função é estabelecer elementos da


estrutura e os elementos da classe/categoria funcional gravitam nos elementos da categoria
lexical, eis a saber: conjunção/locução, auxiliares, pronomes e determinantes. Por exemplo:
 E → tem a categorial funcional, é uma cópula.
 Porque → introduz uma causa.
 Foi estudar → a forma verbal “foi” tem a função de auxiliar

.Assim, as categorias N e V são as categorias centrais da categoria hierarquicamente superior


do Grupo/Sintagma Nominal e Verbal respectivamente. A categoria P é a categoria central
da categoria do Grupo/Sintagma Preposicional e assim sucessivamente com outras
categorias.

As categorias das palavras podem ser divididas por seguintes critérios:


Os critérios de natureza: ▪ Morfológicos;
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Félix Alexandre Nhambe 3
▪ Sintácticos;
▪ Semânticos.

As categorias superiores construídas com base nas categorias lexicais chamam-se


categorias sintagmáticas. A correspondência entre as categorias lexicais e as categorias
sintagmáticas é representada esquematicamente no quadro abaixo onde se
apresenta exemplo de cada categoria:
Categoria lexical Categoria Sintagmática
Nome (N) Sintagma Nominal (SN)
Verbo (V) Sintagma Verbal (SV)
Adjectivo (Adj.) Sintagma Adjectival (SAdj.)
Advérbio (Adv.) Sintagma Adverbial (SAdv.)
Preposição (P) Sintagma Preposicional (SP)

Categorias lexicais Exemplos


i Nome (N) Laércia, transformação, tecido, avião, mercúrio, alimentação, etc.
ii Verbo (V) estudar, caminhar, nevar, fazer, aplicar, reorganizar, vender, etc.
iii Adjectivo (Adj.) leal, fonético, atraente, falso, branco, forte, inteligente, amoroso, etc
iv Advérbio (Adv.) porventura, devagar, já, pressa, bastante, salvo, junto, senão, só, etc.
v Preposição (P) ante, após, até, contra, desde, entre, perante, sem, trás, perante, etc.

Categoria Exemplos
sintagmáticas
i SN O Filipe, o homem bonito, a menina de ouro, a minha casa sobre a
pedra, ...
ii SV levara, tirou 5 bolos, pediu ao Vildo para ficar, deu um livro à mãe, ...
iii SAdj. felíz com a situação, capaz de resolver problemas linguísticos, grande,..
iv SAdv. nada bem, suficientemente capaz, muitos devagar, bastante veloz, não,…
v SP antes de mim, para Kacu ficar alegre, sobre o carro, com a tia, de casa,..

Os pronomes pessoais e demonstrativos como ele, nós, isso, aquilo, etc, contrariamente ao
que a sua denominação indica, substituem a categoria sintagmática e não a categoria lexical
N. Assim, por exemplo na frase:

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Félix Alexandre Nhambe 4
8. [O estudante inteligente] teve uma boa nota.
9. [Ele] teve uma boa nota.
O pronome pessoal [ele] pode substituir o SN [O estudante inteligente], mas não o nome
[aluno].
Entre as categoriais lexicais menores reconhecemos entre outras, a categoria determinante
(D) que inclui os artigos definidos e indefinidos – (o, a, os, as, um, uma, uns, umas); a
categoria quantificador (Q) – (nenhum, alguns, alguns, nada, vários); as formas
demonstrativos – (este/a, este/a, aquele/a); a categoria de possessivos – (meu, minha, teu,).
Estes elementos fazem, em geral, parte da categoria sintagmática SN, como nos ex: esse meu
amigo, vários indivíduos, etc Ex: [algumas Q meninasN]SN. Mas as categorias
sintagmáticas ou sintácticas são identificadas através dos indicadores sintagmáticos são as
categorias lexicais que determinam os sintagmáticas.

Em cada língua há critérios para distinguir as palavras e em algumas línguas pode ocorrer a
mesma flexão de classes de palavras. Ex: [O rapaz]SN [encontrou o pai na praia.]SV. Não
precisamos saber o significado das palavras, basta conhecer as regras gramaticais de uma
língua, saber o lugar de cada categoria ocupa e os seus critérios, já basta ou é suficiente para
fazer uma análise ou identificação dos seus constituintes.

Em alguns casos esses critérios que usamos podem nos levar a um erro porque uma/mesma
palavra pode ocupar várias categorias lexicais, podendo ser as categorias lexicais mais
importantes e categorias funcionais. Por exemplo:
10. Beber é um mal a combater.

Na frase 10, beber neste caso desempenha o papel de nome, mas no dicionário é um verbo e
nesta frase é usado como nome. Vejamos outros casos de critérios de categorias lexicais:

11.a) Sitingui ate a cat.


b) *Sitingui ate an cat.
[a] e [an] são a mesma palavra, a variação que ocorre é contextual, estrutural sintáctica. Pois
a estrutura morfológica é condicionada pela estrutura ou análise sintáctica. [a] utiliza-se

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Félix Alexandre Nhambe 5
quando o nome começa com uma consoante e [an] usa-se quando o nome inicia com uma
vogal.

Assim notamos que as classes lexicais são padrões para classificar as palavras e o papel é na
utilização, é a função que uma palavra desempenha numa estrutura frásica.
1.3. Relações estruturais entre os elementos na frase
- Relações sequenciais (distribuição)
- Relações hierárquicas
- Relações de co-ocorrências

1.3.1. Relações sequenciais (distribuição)

As relações sequenciais são possibilidades de palavras à mesma categoria ou ocupam o


mesmo lugar na frase/cadeia sintagmática. Para DUARTE & BRITO (1996:255) distribuição
ou sequência é a soma dos contextos sintácticos em que cada palavra ocorre num ‘corpus’
representativo.

Os elementos da frase não estão por acaso, são locados ou postos de acordo com a natureza
da língua e a posição das palavras numa língua estão pré-destinados. De igual modo, por
exemplo, no caso do Português a distribuição estrutural dos constituintes da frase seguem a
ordem SVO. Outro exemplo que podemos ilustrar é: no Português os determinante ocorrem
antes do nome e na língua Emakhuwa ocorre depois do nome. Ex:

12.a) [O rapaz] → Em Português o determinante. [o] precede o nome [rapaz].


b) [mwanlopwanoyo] → Em Emakhuwa o determinante [oyo] está depois do nome.
“o rapaz”
c) [mwanwanaka] → Em Emakhuwa o determinante [aka] está depois do nome.
“meu filho” [nwa] é o morfema que marca o género (singular).

As frases das línguas humanas são formadas superficialmente por sequência linear ordenada
de itens lexicais e essa sequência não é aleatória, porém nem todas as sequências constituem
expressões gramaticais. Por exemplo:
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Félix Alexandre Nhambe 6
13. a) eO Afate limpou a sua mota com um pano.
b) *O limpou Afate sua mota a pano com um.
c) *O um a com Afate limpou mota um pano.

A não gramaticalidade de 1.b) e 1.c) sugere que a competência do falante/ouvinte do


Português contenha um mecanismo que atribui uma estrutura interna a sequência linear de
elementos numa oração, mas a estrutura atribuída por mecanismo em 1b) e 1c) é
incompatível. Assim, em 1a) as palavras o e Afate juntam-se para formar um grupo ou
núcleo hierarquicamente superior (o mesmo acontecendo com a sua mota e um pano). A
palavra com e a sequência um pano, por sua vez forma outra unidade de nível superior. A
forma verbal limpou e as duas sequências a sua mota e com um pano formam a sequência
limpou a sua mota com um pano, hierarquicamente superior aos seus elementos
constituintes. Finalmente os grupos O Afate e limpou a sua mota com um pano formam uma
sequência estruturalmente mais elevada, isto é formam a frase.É a impossibilidade de atribuir
uma estrutura interna deste tipo as expressões 1b) e 1c) que as tornas agramatical. Por ex: 1b)
e 1c) as regras da gramática impedem que a forma o isoladamente ou a forma o juntamente
com a forma limpou ou com a forma um formem um grupo sintáctico.

Estrutura de constituintes é a organização de uma frase em grupos hierárquicos complexos


constituídos por uma inclusão sucessiva de elementos de nível inferior em grupos maiores
iniciados por itens lexicais.

A estrutura de constituintes da frase 1ª) é representada no seguinte diagrama:


O Afate limpou a sua mota com um pano

O Afate limpou a sua mota com um pano

O Afate limpou a sua mota com um pano

a su mota com um pano


a
com um pano

um pano

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Félix Alexandre Nhambe 7
Cada grupo sintáctico numa estrutura do tipo acima citado é um constituinte (ex: O Afate,
com um pano, limpou a sua mota com um pano ou a própria frase no seu todo). Em cada
nível dois (2) ou mais constituintes se agrupam para formar um constituinte de nível
hierárquico imediatamente que os inclui. Diz-se então que são constituintes imediatos do
constituinte do resultante. Assim, por ex:, a preposição [com] e o constituinte [um pano] são
constituintes imediatos dos constituintes hierarquicamente superior [com um pano].

14. a) Ndalipa fugiu do Chile.


b) Ndalipa saiu do Chile.
c) *Ndalipa fuga do Chile.
d) *Ndalipa entrou do Chile.

- O que está em causa aqui, o que mostram os exemplo em 14.


- O que quer mostrar, em que medida os exemplos mostram o quê?
- Identificar a agramaticalidade.

As frases a) e b) são gramaticais, mas na frase c) [fuga] é um nome e não é verbo, sendo
assim não pode ocupar o lugar do verbo. A combinação do verbo [entrou] com SP [do] faz
com que a frase seja agramatical.

15.a) O presidente beneficiará de um palácio milionário.


b) O embaixador beneficiará de um palácio milionário.
c) *O presidir beneficiará de um palácio milionário.

Os exemplos querem amostrar agramaticalidade nas frases, pois o verbo [presidir] ocupa o
lugar do nome, por isso põe a frase agramatical.

16.a) OArt patrãoN comprouV umArt carroN.


b) *O patrãoN empregadoN comprou um carro.
c) O presidente Guebuza comprou um carro.

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Félix Alexandre Nhambe 8
Na estrutura da frase b), no lugar do nome está presente 2 (dois) nomes, tornando assim frase
agramatical e enquanto na frase c) os 2 (dois) nomes um único núcleo e na frase b) cada
nome é um núcleo, também em b) a substituição de uma das palavras originaria uma frase
gramatical, assim notamos que há hierarquia de um nome do outro.

17.a) *O Jorgito leu tem o livro da irmã.


b) O Jorgito leu o livro da irmã.
c) O Jorgito vai ler o livro da irmã.

A frase a) é agramatical pois os 2 (dois) verbos [leu e tem] disputam o lugar do verbo único
ou estão na mesma posição do verbo único. Na frase c) há dois verbos, mas p primeiro [vai] é
um modificador/auxiliar e o segundo [ler] é verbo principal, assim estamos perante aos
verbos compostos.

Com os exemplos (13,14,15,16 e 17) queremos mostrar de facto que os constituintes da frase
obedecem sequências e as palavras ocupam posições específicas na frase, com as mesmas
categorias. Numa frase pode na mesma posição pode ser ocupada por vários e diferentes
palavras da mesma categoria, como no exemplo 16.a). Há distribuição sequenciais, porque há
cadeias na frase de substantivo ou nome (N), verbo (V), adjectivo (Adj), advérbio (Adv) e
preposição (P), e as categorias funcionais (os pronomes) podem ocupar o lugar de nome.

Há possibilidade de 2 (duas) palavras pertencentes a mesma categoria no mesmo ponto de


cadeia sintagmática, como nos exemplos 16.c) e 17.c), e o lugar pode ser ocupado pelo um
único constituinte nuclear. Mas quando temos os 2 (dois) elementos (palavras) na frase, um é
nuclear e o outro é complementar. Exemplo: [presidente Guebuza] e [vai ler]. É sempre há
um e único núcleo do sintagma que é designada de indicador sintagmático. Os exemplos
acima expostos podem ocorrer noutras línguas.

1.3.2. Relações hierárquicas

___________________________________________________________________
Félix Alexandre Nhambe 9
Quando estamos a falar de hierarquia é igual estar a falar de diferentes níveis de análise na
frase. A partir da caixa de Hockett, parentetização e diagrama em árvore se demonstrar os
núcleos superiores hierárquicos numa estrutura de constituintes ou frásica. Nós optaremos
pela última representação.

18. Mundo endereçou mensagem de solidariedade às vítimas da Mina São Francisco.


F
SN1 SV
D N V SN2 SP1
N SP2 P SN3
P SN4 D N SP3
P SN5
N D N

O mundo endereçou mensagem de solidariedade a as vítimas de a Mina SF

A ordem que os constituintes que ocorrem na frase é dada pela estrutura. O verbo pede 2
(dois) objectos ou argumentos internos (o que se endereçou e a quem se endereçou). O SN2
completa o verbo e é OD, também o SP1 é complemento do verbo e é OI, O SN1 é um
argumento externo que é Sujeito. Na estrutura o SN1 e SV são inferiores a frase e estão ao
mesmo nível, mas são superiores às categorias lexicais e sintagmas que se subordinam.
Temos hierarquia, ordem e o terceiro aspecto é a dominância dos elementos/constituintes
por outros. Ex: O SP2 é dominado pelo SN2 ou o SP2 depende do N (mensagem), o SN3 é
dominado pelo SP1.

Portanto, as estruturas frásicas indicam a ordem, a hierarquia e a dominância dos


constituintes. Ex: O SP1 é parte integrante do SV.

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Félix Alexandre Nhambe 10
F., SN., SV., SP., são nós, temos uma frase (nó) e tem ramos (ramificações). A dominância
pode ser directa ou indirecta. O SN1 e SV1 são constituintes imediatos da dominância da
frase. Por exemplo o SP1 não tem dependência do SN2 e o SN2 é dependente do SV.
[SN, F] → quer dizer que o SN é dominado pelo F. Qual a função do [SN, F]? É o sujeito.
[SN, SV] → SN dominado pelo SV.
[SP, SV] → SP dominado pelo SV.

NB: A dominância não é por enumeração no diagrama em árvore. Ex: (SN → N, SP, SN).
Nesta representação em árvore cada constituinte corresponde a um Nó (•), incluindo as
palavras terminais da estrutura. Cada Nó (•) por sua vez recebe uma etiqueta que corresponde
ao nome (abreviado da sua categoria gramatical): cada etiqueta corresponde pois a um Nó (•)
da representação estrutural. Os Nós/etiquetas entram ligados por Ramos ( ).

A representação em árvore da frase 19 é assim representada deste modo:


19. O Larson fez a mesa com uma tábua.

(Nó)
• (Ramo)

SN SV (Categoria Sintagmática)
(Categoria Lexical)
D N V SN2 SP
| | |
| | | D N P SN3
| | | | | |
| | | | | | D N
| | | | | | | |
O Larson fez a mesa com uma tábua
Repare que os itens lexicais ocorrem apenas uma vez ligados aos Nós que representam as
categorias lexicais, ou seja, os constituintes intermédio não aparece escritos juntos dos Nós
sintagmáticos intermédios. A informação de que uma determinada sequência é um
___________________________________________________________________
Félix Alexandre Nhambe 11
constituinte obtida por existir na árvore um Nó que corresponde a única e exclusivamente a
essa sequência. Assim temos diferentes núcleos sintagmáticas e há os que se subordinam à
categorias superiores. Ex:
[F[SNO povo moçambicano] [SV acredita [SP em [SNo desenvolvimento sustentável.]]]

1.3.3. Relações de co-ocorrências e suas restrições

A partir das representações gramaticais em diagramas em árvore podemos chegar ao


significado da frase. Vejamos a frase 20.
20. Cabeleireiros para senhoras de grande reputação pululam pela cidade de Montepuez.

(1). Cabeleireiros são de grande reputação. (2). Senhoras são de grande reputação.
F1
SN SV
N SP SP V SP
P SN P SN P SN
N SAdj N D N SP
Adj. P N

Cabeleireiros para senhoras de grande reputação pululam por a cidade de Montepuez

F2
SN SV
N SP V SP
P SN P SN
N SP D N SP
P SN P N
SAdj N
Adj

Cabeleireiros para senhoras de grande reputação pululam por a cidade de Montepuez


___________________________________________________________________
Félix Alexandre Nhambe 12
O Adjectivo modifica o nome, por isso, o SP [de grade reputação] é complemento de
[cabeleireiro] e da [senhoras].
Os exemplos abaixo têm o objectivo de mostrar e sabermos as restrições de co-ocorrência no
Português.

21. a) *O Silamo ladrou.


b) *O Silamo fugimos de Somália.
c) *O Silamo fugiu o Somália.

A partir das frases em 21 podemos identificar, explicar a agramaticalidade e as categorizar o


tipo da gramaticalidade.

Referência Bibliográfica
BORREGANA, António Afonso. Gramática de Língua Portuguesa. Maputo: Texto Lda,
2009. P. 202 – 257.

BURTON-ROBERTS, Noel. Analysing Sentences: an introduction to english syntax. 2ª ed.


London & New York: Longman, 1997. P. 30 – 281.

CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley; Nova Gramática do Português Contemporâneo;


Lisboa: Edições João Sá da Costa, 2006. P.87 - 129.

DUARTE, Inês. Língua Portuguesa: instrumentos de análise. Lisboa: Universidade Aberta,


2000. P. 119 – 207.

DUARTE, Inês & BRITO, Ana Maria. Sintaxe. In FARIA, Isabel Hub. et al. Introdução à
Linguística Geral e Portuguesa. 2 ed. Lisboa: Caminho, 1996. p. 247 – 302.

RIBEIRO, Helga et al. Gramática Moderna de Língua Portuguesa. Lisboa: Escolar, 2010.
P. 221 – 259.
___________________________________________________________________
Félix Alexandre Nhambe 13

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