Universidade de São Paulo
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
Departamento de Produção Vegetal
LPV 0480 – Olericultura, Floricultura e Paisagismo
Cultivo da Batata-Doce
Prof. Dr. Fernando Angelo Piotto
Av. Pádua dias, 11 – Agronomia – Piracicaba – SP, CEP 13418-900 - http://www.lpv.esalq.usp.br
Cultivo e consumo da batata-doce
• Produtores
– Agronegócio x subsistência
• Consumidores
– Uso culinário
– Valor nutricional
Diversidade de uso
Benefícios para a saúde
• Grande quantidade de vitamina A, B1, C e Ca
• Por apresentar baixo índice glicêmico, pode
ser consumida em maiores porções que a
batata por portadores de diabetes tipo II
• Rica em fibras úteis e carboidratos complexos,
saciando rapidamente o apetite
Batata-doce bioforticada
Batata-doce bioforticada
Batata-doce bioforticada
Batata-doce bioforticada
100 a 125 g/dia de BDPA (Batata Doce de Polpa Alaranjada)
Batata-doce bioforticada – Brasil
• Batata-doce Beauregard (EMBRAPA)
– ~115 µg de betacaroteno / grama de polpa
Benefícios para a saúde
• Em porção de 100g , temos:
Batata-Doce Amarela Branca Roxa
Calorias 122,3 122,3 94,9
Proteínas 1,3 1,3 1,8
Gorduras 0,3 0,3 0,1
Carboidratos 28,6 28,6 21,7
Cálcio 31 31 40
Fósforo 37 37 62
Ferro 1,0 1,0 0,9
Vitamina A 1815 30 1050
Vitamina B1 0,11 0,11 0,09
Vitamina B2 0,04 0,04 0,02
Vitamina C 31 31 23
Produção mundial da batata-doce
País Produção (t)
China 143.828.282
Malaui 5.472.013
Tanzânia 4.244.370
Nigéria 4.013.786
Indonésia 2.023.000
Etiópia 2.008.293
Angola 1.857.797
Uganda 1.656.981
Estados Unidos da América 1.616.880
Índia 1.460.000
Vietnã 1.352.516
Madagascar 1.140.947
Ruanda 1.078.973
Mali 1.020.878
Japão 807.100
Brasil 776.285
Outros países 10.508.994
FAO (2019)
Evolução da produção no Brasil
90000
80000
Área plantada (ha)
70000
60000
50000
40000
30000
20000
10000
0
Evolução da produção no Brasil
900000
800000
Produção total (t)
700000
600000
500000
400000
300000
200000
100000
0
Evolução da produção no Brasil
16
14
Produtividade (t/ha)
12
10
8
6
4
2
0
Taxonomia
• Família: Convolvulaceae
• Nome científico: Ipomoea batatas (L)
• Diversas variedades
– Variabilidade entre “roças”
Origem e domesticação
• Centro de Origem: Entre a Península de Yucatán, no
México, e o Noroeste da América do Sul
– ~10.000 anos atrás
• Centro de domesticação: América Tropical
História e dispersão pelo mundo
• Foi introduzida na Europa Ocidental pelos
exploradores espanhóis a partir da 1ª viagem de
Cristóvão Colombo a América, em 1492
• Durante o século XVI os exploradores portugueses
levaram a batata-doce em cultivo na bacia ocidental
do Mediterrâneo para a África, Índia e Ásia Oriental
• Na atualidade, a batata-doce é cultivada em zonas
tropicais e subtropicais e em regiões temperadas de
clima quente de todo o mundo
História e dispersão pelo mundo
• Dispersão pelo mundo
Aspectos botânicos
• A batata-doce é uma hortaliça herbácea tuberosa,
perene, embora seja cultivada como anual
• O caule é rastejante, de hábito de crescimento
prostrado, sendo glabros ou pubescentes
• Ocorre grande variação quanto à forma, cor e recorte
das folhas
Aspectos botânicos
• As raízes tuberosas são
formadas durante a fase
vegetativa pelo
engrossamento de raízes
adventícias localizadas na
parte subterrânea do caule
• Sistema radicular profundo
– Pode passar de 1,00 m
Aspectos botânicos
• O formato predominante da raiz é o alongado, podendo variar
conforme a textura do solo
• A cor da casca (periderme) da raiz pode ser branca, creme,
roxa, rosada, alaranjada, ou uma mescla de cores. A polpa
pode apresentar cor branca, creme, amarelada, alaranjada ou
roxa
Aspectos botânicos
• As inflorescências são cimosas, cor verde-pálido até púrpura
• As flores são hermafroditas, sistema de
autoincompatibilidade
Exigências climáticas
• A batata-doce encontra condições favoráveis para o seu
desenvolvimento em climas tropical e subtropical devido a
sua origem tropical
• Sob clima temperado é cultivada em época do ano com
predomínio de alta temperatura e livre de geadas, às quais é
muito sensível
• As produtividades mais elevadas são obtidas quando cultivada
em zonas ou épocas de plantio com temperatura média acima
de 20 oC durante todo ciclo vegetativo
• Embora seja tolerante à seca, a falta do suprimento de água
durante o ciclo vegetativo da cultura ocasiona redução de
produtividade
Exigências climáticas
• A cultura pode ser estabelecida em qualquer tipo de solo,
sendo mais adequados os de textura arenosa ou areno-
argilosa, bem estruturados, arejados, com boa drenagem e
alta fertilidade natural propiciam a obtenção de raízes
tuberosas com alto índice de uniformidade
• Solos pedregosos, compactados, sujeitos a encharcamento
não são recomendados dificultam o desenvolvimento das
raízes tuberosas resultando em alto índice de defeitos
Preparo do solo
• Consta da aração do terreno com arado de disco até a profundidade
de 0,20 a 0,30 m. Em seguida, deve ser realizada a gradagem com
grade niveladora em duas passadas visando incorporar o mato e
restos culturais o destorroamento e nivelamento do terreno
• Em seguida, deve-se sulcar o terreno a 0,10 m de profundidade, no
espaçamento de 0,80 a 0,90 m, e proceder a distribuição e
incorporação dos fertilizantes de plantio nos sulcos
• A operação subsequente consiste no levantamento das leiras com
0,30 a 0,40 m de altura, com distância entre elas de 0,80 a 0,90 m
emprega-se, em geral, sulcador com dois bicos
• As leiras podem também ser feitas com arado de aiveca ou de
disco, em movimento de ida e vinda, com a terra sendo lançada em
sentido contrário
Calagem
• Análise de solo
– Faixa de pH ideal para o desenvolvimento: entre
5,6 e 6,5 (ligeiramente ácido)
– Elevar a saturação por bases a 60% e o teor de
magnésio a um mínimo de 4 mmolc dm3
Adubação de base e cobertura
• Adubação de Base
– P e K de acordo com análise de solo
• Aplicar no sulco
– 20 kg de N no sulco
• Adubação de cobertura
– Aos 30 dias após o plantio, deve ser aplicado de
20 a 30 kg ha-1 de N
Preparo do solo
• Levantamento das leiras manual e
mecanizado
Grupos varietais de batata-doce
• Cor das raízes
Grupo varietal Cor da casca (epiderme) Cor da polpa
Rosada Rosada Amarela* e Branca**
Roxa Roxa Roxa
Creme/Amarela Creme Amarela
Branca Branca Branca
Salmão/Alaranjada Salmão/Cobre Alaranjada***
Grupos varietais de batata-doce
• Cor das raízes
Rosada Uruguaiana (A), Rosada Canadense (B), Roxa (C), Branca (D), Amarela (E) e
Salmão ou alaranjada (F).
Propagação
• Com ramas-semente ou estacas retiradas de
uma cultura em desenvolvimento
• Pela multiplicação de material de plantio em
viveiros
• Multiplicação rápida
Propagação
• Com ramas-semente ou estacas retiradas de
uma cultura em desenvolvimento
– Retirada de pedaços de hastes de lavouras em
formação, isto é, com até 90 dias após o plantio e
em bom estado fitossanitário
– Devem ser cortados 1 a 2 segmentos de rama com
cerca de 30 cm de comprimento por haste a partir
de sua extremidade ou da gema apical (ponteiro).
Cada pedaço de rama deve conter de seis a oito
entrenós.
Propagação
• Com ramas-semente ou estacas retiradas de
uma cultura em desenvolvimento
Propagação
• Pela multiplicação de material de plantio em
viveiros
– Os viveiros para devem ser instalados em solo
com boa fertilidade e que não tenha sido
cultivado anteriormente com batata-doce
– Devem ser utilizadas raízes tuberosas ou ramas
básicas com o objetivo de assegurar a pureza da
cultivar que será multiplicada
Propagação
• Pela multiplicação de material de plantio em
viveiros
– Obtenção de ramas-semente a partir de raízes
tuberosas postas para brotar
– Obtenção de ramas-semente a partir de ramas
básicas
– Ramas-semente obtidas a partir de plantas
matrizes
Propagação
• Pela multiplicação de material de plantio em
viveiros
– Obtenção de ramas-semente a partir de raízes
tuberosas postas para brotar
– Obtenção de ramas-semente a partir de ramas
básicas
– Ramas-semente obtidas a partir de plantas
matrizes
• Cultura de tecidos, termoterapia, etc
Propagação
• Multiplicação rápida
– Pequenos seguimentos de rama
– Multiplicação em viveiro
Época de plantio
• De acordo com a região
– Época das chuvas
– Clima quente
• Em regiões de inverno ameno, pode-se
cultivar o ano todo com irrigação
Implantação da cultura
• Plantio sobre as leiras previamente
levantadas
• Espaçamento
– 0,30 à 0,40 m entre plantas na linha
– 0,80 à 0,90 m entre linhas
• Ramas devem ser retiradas 1 ou 2 dias antes
do plantio
– Murchamento: evitar a quebra das ramas no
plantio
Implantação da cultura
• Plantio “na mão” ou com “plantador-bengala”
Implantação da cultura
• Plantio mecanizado
Implantação da cultura
• Plantio mecanizado
Implantação da cultura
• Plantio “na mão” ou com “plantador-bengala”
Controle de daninhas
• Capina manual
– Duas a três capinas até os 60 após o transplante
• Aplicação de herbicidas após o transplante
– Dois à três dias após o transplante
• Linuron
• Cloroacetanilida
Tratos culturais
• Amontoa (45 dias após o plantio)
– Reformar as leiras
– Escarificar o solo
– Proteger as raízes
• Irrigação
– Umidade do solo antes do plantio
– Manter a umidade até 3 à 5 após o plantio
• Rotação de culturas
Principais insetos-praga
• As principais pragas:
– Broca-da-raiz
• Euscepes postfasciatus, Coleoptera, Curculionidae
– Broca-do-coleto (ou das hastes)
• Megastes pusialis, Lepidoptera, Pyralidae
• Pragas de importância secundária:
– A larva-arame (Conoderus spp., Coleoptera, Elateridae)
– Vaquinhas
• Diabrotica speciosa, Coleoptera, Chrysomelidae; Diabrotica
bivittula, Coleoptera,Chrysomelidae e Sternocolaspis
quatuordecimcostata, Coleoptera, Chrysomelidae
– Negrito (Typophorus negritus);
– Bicho bolo (Dyscinetus spp.)
– Ácaros
Principais insetos-praga
• Broca-da-raiz
Fonte: Lourdes Regina Lopes Batista -UFAL/CCA
Principais insetos-praga
• Controle cultural
– Usar material de propagação sadio
– Fazer rotação de culturas
– Fazer a amontoa bem feita
– Irrigar adequadamente para evitar
rachaduras
– Colheita antecipada (130 DAP) reduz danos
causados por insetos de solo e roedores
Principais insetos-praga
• Broca-do-coleto ou das ramas
Fonte: Lourdes Regina Lopes Batista -UFAL/CCA
Principais insetos-praga
• Medidas de controle
– Plantio de material de propagação sadio
– Produção de ramas em viveiro
– Eliminação de restos de cultura (soqueira)
– Plantio de cultivares resistentes (se houver
disponível)
– Rotação de culturas
Principais doenças
• Doenças
– Mal-do-pé (Plenodomus destruens)
– Visoses (SPMV)
– Enfezamento (SP feathy motle virus)
• Nematoides
– Melodogyne incognita
– M. javanica
Principais doenças
Podridão da raiz (Mal-do-pé) causada pelo fungo Plenodomus destruens
Fotos: Eng. Agr. Valmir Duarte
Principais doenças
Podridão da raiz (Mal-do-pé) causada pelo fungo Plenodomus destruens
Fotos: Eng. Agr. Valmir Duarte
Principais Desordens
• Desordens fisiológicas
– Rachaduras
– Escaldadura
• Exposição das raízes ao sol ou geadas
– Coração duro
• A polpa permanece dura após o cozimento
• Raízes expostas a temperatura < 8-10º C
– Decomposição interna
• Tecido da raiz torna-se esponjoso ou ocado
Colheita
• Manual com enxada ou enxadão, semimecanizada
ou mecanizada
• O momento de colheita é definido pelo tamanho
ou massa das raízes tuberosas
– Devem ter cerca de 300 g
• O momento da colheita depende também da
cultivar, além de ser influenciado pelas condições
ambientais
• Entre 120 e 150 DAP
Colheita
• Colheita manual
Colheita
• Colheita semi-mecanizada
Colheita
• Colheita semi-mecanizada
Colheita
• Pré-secagem ao sol ou sombra
Lavagem
• No estado de São Paulo 90% da batata-doce é
lavada
• A lavagem pode ser manual ou mecânica
• Quando a lavoura é realizada em solos arenosos, as
raízes são colhidas praticamente limpas,
dispensando a escovação e lavagem
• Se houver necessidade de armazenamento não se
deve lavar as raízes
Lavagem
• Lavagem mecânica
Embalagem
• Embalagem e transporte em sacos plásticos
Classificação
• De acordo com o grupo varietal
(amarela e rosada) e massa:
– Extra (70 a 149 g)
– Extra A (> 450 g)
– Extra AA (150 a 449 g)
• Os atacadistas adotam critério
diferente:
– 1A / G / 2A
Comercialização e consumo
• Ocorre na cultura da batata-doce um ciclo vicioso de
baixa qualidade / baixo valor agregado / baixo valor
pago ao produtor / pouco investimento / baixo nível
tecnológico
Produto comercializado em feira-
feira-livre na Paraíba, 2016
Produto comercializado em supermercados de Campinas, SP, 2016
Custo de produção
• Presidente Prudente-SP (2011)
0
4% 4% Encargos financeiros
5%
Depreciação
14%
Insumos
42%
Op. Manuais
Op. Mecanizadas
31%
Outras despesas
Fonte: Furlaneto et al., 2012
Obrigado!
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