tabela 1 – Materiais da Sala de Recursos Multifuncionais.
sala de recursos tipo i salas de recursos tipo ii
01 02 Microcomputadores com
gravador de CD, leitor de
DVD
02 02 Estabilizadores
03 Lupa Eletrônica
04 Scanner
05 Impressora laser
06 Teclado com colméia
07 Mouse com entrada para acionador
08 Acionador de pressão
09 Bandinha Rítmica
10 Dominó
11 Material Dourado
12 Esquema Corporal
13 Memória de Numerais
14 Tapete quebra-cabeça
15 Software para comunicação
alternativa
16 Sacolão Criativo
17 Quebra cabeças sobrepostos
(sequência lógica)
18 Dominó de animais em Língua de
Sinais
19 Memória de antônimos em Língua
de Sinais
20 Lupa manual, Lupa Conta - Fio
Dobrável e Lupa de Régua
21 Dominó com Textura
22 Plano Inclinado – Estante para
Leitura
23 Mesa redonda
24 Cadeiras para computador
25 Cadeiras para mesa redonda
26 Armário de aço
27 Mesa para computador
28 Mesa para impressora
29 Quadro melanínico
Obs: são compostas pelos mesmos
materiais que a tipo I e os materiais
que seguem abaixo.
Nº de Ordem Especificação
01 Impressora Braille
02 Máquina Braille
03 Reglete de Mesa
04 Punção
05 Soroban
06 Guia de Assinatura
07 Globo Terrestre Adaptado
08 Kit de Desenho Geométrico
Adaptado
09 Calculadora Sonora
10 Software para Produção de
Desenhos Gráficos e Táteis.
Cada escola tem uma história em seu contexto de
prática e relações. Por isso, é importante pensar sobre
a sala de recursos em um lugar que tem suas próprias
leis e cultura estabelecidas. No escopo estrutural das
escolas, há sempre um ideal pautado pelo desejo de
contribuir com o exercício da cidadania, o
desenvolvimento de princípios éticos e morais, a
prática do diálogo e o respeito às diferenças e
iniciativas. Portanto, esses pontos deverão estar
presentes no projeto pedagógico da escola. Uma
escola que prevê a inclusão e partilha disso com toda
a comunidade escolar possui potencial para receber a
sala de recursos, além de ter em seu quadro de
docentes, profissionais que já pensam sobre as
questões que envolvem a educação especial, inclusão
e o AEE. A construção dessa realidade escolar é
colocada sob a responsabilidade de todos os
professores que atuam na escola, pois são eles os
agentes formadores e gerenciadores do processo
educacional, o que enseja conhecimento das funções
assumidas pelos professores, e a essas questões se
remete ao aspecto de natureza prática da educação e,
em especial, ao trabalho desenvolvido nas salas de
recursos. Tais funções se aproximam do que Freire
(2009) relacionou como alguns critérios necessários
para ensinar, são eles: pesquisa, criticidade,
curiosidade, humildade, bom senso, rigorosidade
metódica, aceitação do novo e rejeição a todo o tipo
de discriminação, reflexão sobre a prática, entre
outras. Identifica o ensinar como uma especificidade
da condição humana, estando nela a competência
profissional, a segurança e o comprometimento com a
formação de cidadãos que intervêm no mundo de
forma consciente. As funções fundamentais do
professor na escola são as de instruir, uma tarefa que
pode ser considerada difícil, pois é preciso que sejam
consideradas as diferentes concepções que regem a
atuação desse professor no interior das escolas, como
também é difícil determinar de que modo os
professores concebem a sua própria função. Existem
variações nessa análise que certamente vão contribuir
para que esse professor busque a continuidade do seu
processo formativo, o qual não deve se encerrar no
término de um curso de graduação ou de pós-
graduação.
A Avaliação Pedagógica e a construção do trabalho
do atendimento educacional especializado
Para conseguir elaborar um plano de atendimento, minha primeira
ação, como mencionado, foi conversar com a professora da sala
regular para saber quais as dificuldades encontradas por ela e pelo
aluno em determinado conteúdo. Esse processo de recolha de
dados é denominado de avaliação (GOMES; PAVÃO, 2013).
Após a conversa, foi necessário planejar um atendimento
envolvendo as questões de ensino e aprendizagem necessárias
para contemplar os obstáculos enfrentados pelo aluno. Para
realizar essa avaliação, e posteriormente definir o plano de
trabalho executado com o aluno na sala de recursos, é primordial
a participação da professora da sala regular, pois ela tem contato
diário com o aluno e poderá fornecer as primeiras pistas das
dificuldades enfrentadas pelo aluno. Posteriormente, convém
revisar os documentos/pareceres do ano
letivo anterior, para reconhecer quais obstáculos o aluno tinha e
superou e quais ainda persistem. Estabelecer alternativas além
daquelas selecionadas para o plano, caso o aluno ainda precise
revisar aquilo que havia aprendido, ou no caso de ter regredido de
um ano para o outro.
Plano de Atendimento Educacional Especializado – tgd
A. Dados de identificação:
Nome do aluno: Rafael Santos
Idade: 12 anos
Série: 5º ano Turma: 51 Turno: Manhã
Escola: E.M.E.F. Élio Salles
Professor do Ensino Regular: Maria de Fátima Soares
Professor do AEE: Patrícia Revelante
B. Plano de Atendimento Educacional Especializado
1. Objetivos
Objetivo Geral:
Estabelecer parceria com o professor da sala regular, de forma a
desenvolver um trabalho na sala de recursos que contemple as
necessidades
apresentadas pelo aluno em ambos os contextos, de sala regular e
de
recursos. Proporcionar atividades e materiais pedagógicos
específicos para
o favorecimento da aprendizagem de Rafael, garantindo sua
permanência,
autonomia e plena participação no espaço escolar.
Objetivos Específicos:
• Mediar a constituição de conceitos matemáticos compreendidos
nas quatro operações, tendo como ênfase a divisão e
multiplicação.
• Estimular o desenvolvimento do raciocínio lógico matemático
através de materiais concretos e softwares educacionais.
• Desenvolver atividades e jogos que proporcionem ao aluno a
construção do conhecimento sobre o conceito de numeração
decimal.
• Proporcionar situações pedagógicas que favoreçam a inclusão
do
aluno em sala de aula.
2. Organização do Atendimento
• Período de atendimento: todo o período correspondente ao ano
letivo;
• Frequência: Uma vez por semana no turno inverso (o aluno
mora
na zona rural e tem dificuldade em vir a cidade);
• Tempo de atendimento: 1 hora e 30 min.;
• Composição do atendimento: individual, uma vez por semana,
e quinzenalmente na sala de aula regular, em conjunto com a
professora.
3. Atividades a serem desenvolvidas no atendimento ao aluno:
• Jogos pedagógicos que abordem conhecimentos básicos sobre
matemática.
• Utilização de material concreto para ampliar as possibilidades
de
aprendizagem lógico matemática.
• Jogos educativos matemáticos online.
• Atividades semelhantes às da sala de aula regular para colocar
em
prática as aprendizagens obtidas em sala de recursos.
4. Seleção de materiais e equipamentos utilizados
• Jogo confeccionado em E.V.A. (material emborrachado não
tóxico)
para atender as necessidades do aluno.
• Dois dados
• Material dourado (material da sala de recursos multifuncional
Tipo - 1)
• Calculadora
• Computador (material da sala de recursos multifuncional Tipo -
1)
• Impressora (material da sala de recursos multifuncional Tipo -
1)
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5. Parcerias para o enriquecimento do Atendimento Educacional
Especializado
• Professora da sala regular: desenvolvendo estratégias
pedagógicas
que potencializem o desenvolvimento do aluno Rafael.
• Psiquiatra: constituindo um elo de comunicação junto da escola
para melhor entender e lidar com o aluno.
• Família: participando das atividades escolares junto do filho e
com
os professores, de forma que confie nos profissionais que
envolvem
o processo educacional do aluno.
6. Avaliação dos resultados:
A avaliação dos resultados será realizada diariamente através de
registros em prontuário próprio do aluno nos arquivos ativos da
Sala de Recursos Multifuncional e no acompanhamento do aluno
na sala comum.
7. Reestruturação do Plano de Atendimento:
Caso os objetivos, propostos neste plano de atendimento, não
sejam
atingidos será necessário avaliar quais pontos não foram
significativos no processo de execução das atividades.
Posteriormente, serão realizadas reuniões entre a professora da
sala regular e sala de recursos para planejar novas ações
educacionais.
intervenção especializada: como ocorrem as atividades na sala de
recursos Após a avaliação inicial de Rafael, deu-se o início formal
dos atendimentos na sala de recursos multifuncional. O aluno é
atendido uma vez por semana, durante 90 minutos, em turno
inverso de sua aula regular, porém também são realizadas
observações sobre seu comportamento em diversos momentos do
horário escolar, pois os dados colhidos nesses momentos são
significativos para replanejar ou manter o plano de atendimento
(BRIDI, 2011). As observações são imprescindíveis nos diversos
locais e momentos para conhecer o comportamento de Rafael, já
que as dificuldades e com- CAPÍTULO 2 31 portamentos
apresentados em sala de aula podem ser diferentes daqueles
apresentados em sala de recursos. Nessas ocasiões, as professoras
realizam trocas de intervenções pedagógicas e conversamos sobre
as atividades realizadas com o aluno, pois nem sempre há um
tempo disponível para esses encontros, embora, na maior parte
das vezes previstos nos projetos pedagógicos das escolas
(VEIGA; RESENDE, 2000). Em relação aos pais, sempre é
realizada uma entrevista no início de cada ano letivo, para coletar
dados e observar e avaliar a necessidade de alguma intervenção
pedagógica além das já habituais. Durante o ano são realizados
encontros, quando necessário, entre a família, a professora da sala
regular e educadora especial da sala de recursos para trocarmos
informações. Plano de Atendimento: A principal dificuldade
verificada na avaliação pedagógica a ser trabalhada com Rafael,
nesse atendimento, está na questão de raciocínio lógico, na
dificuldade de execução mental de cálculos numéricos como
multiplicação e divisão e sua compreensão de números decimais.
Ao começar o atendimento, percebi que Rafael possuia alguns
conhecimentos básicos, porém necessitava de maior habilidade
para conseguir alcançar os objetivos das tarefas referidas para o
quinto ano. O aluno conseguia realizar operações simples de dois
dígitos e sabia a quantidade que significa uma unidade, uma
dezena e uma centena, porém separadamente e não dentro de uma
operação. Por isso foi necessário estimular essa compreensão
através do auxílio do material concreto (Fig. 1 e 2), já que Rafael
ainda não reconhecia mentalmente os algarismos dentro da
operação.
Primeiro utilizamos os dados (Fig. 2) para montar numerais que
tenham entre um e três algarismos, para que possamos utilizá-los
como centena, dezena e unidade.
Formado o numeral, Rafael precisava desmembrá-lo conforme o
grupo a que o algarismo pertence. Utilizamos três formas de
simbolizar o numeral, em forma de algarismo, com formas
geométricas e com o auxílio do Material Dourado Montessori,
assim a cada numeral estudado o exercício de agrupamento era
triplicado, mas não cansativo.