DIVISÃO DE ENGENHARIA
CURSO DE ENGENHARIA DE PROCESSAMENTO MINERAL
Curso Diurno, Turma: B
2°Ano
Geologia de Moçambique
TEMA:
DEPÓSITOS DE PEGMATITOS
Docente:
dr. Pedro Saca Francisco
Tete, Agosto de 2021
Discente:
Edmilson Lázaro Chivite
TEMA: DEPÓSITOS DE PEGMATITOS
Trabalho de carácter avaliativo a ser apresentado no
curso de licenciatura em Engenharia de Processamento
Mineral para efeitos de análise e devida avaliação, sob
orientação do regente da cadeira de Geologia
Moçambique, dr. Pedro Saca Francisco
Tete, Agosto 2021
Índice
1. INTRODUÇÃO ....................................................................................................................... 1
2. OBJECTIVOS ......................................................................................................................... 2
2.1. Objectivo geral: ................................................................................................................ 2
2.2. Objectivos específicos: ..................................................................................................... 2
2.3. Metodologia ..................................................................................................................... 2
3. Pegmatitos ............................................................................................................................... 3
4. Modelo Genético dos pegmatitos. ........................................................................................... 4
4.1. Modelos genéticos clássicos, (modelos propostos por Černý, 1991):.............................. 4
5. Bolsadas e Cavidades Miarolíticas .......................................................................................... 5
6. Classificação de Pegmatitos .................................................................................................... 6
7. Composicao mineralogica dos pegmatitos .............................................................................. 7
8. Análise geológica dos Pegmatíticos de Moçambique: ............................................................ 9
9. Classificação de pegmatitos de Moçambique ........................................................................ 10
10. Morfologia dos pegmatitos segundo N. Obretenov (1978): .............................................. 11
11. Esquema de classificação estruturada dos pegmatitos ....................................................... 12
Estrutura interna dos pegmatitos da Zambézia (Barros et al., 1963), característica dos pegmatitos
do Norte de Moçambique.............................................................................................................. 13
12. Subdivisão morfológica dos pegmatitos: ........................................................................... 14
13. Pegmatitos da região Norte de Moçambique, concretamente em Mogovolas e Moma ..... 14
14. Tipologia dos Pegmatitos de Mogovolas-Iuluti ................................................................. 14
15. Turmalinas em Pegmatitos. ................................................................................................ 16
16. Sistemática de pesquisa utilizada nos Pegmatitos de Mogovolas-Iuluti ............................ 18
17. Ocorrência no Mundo ........................................................................................................ 20
18. Importância econômica ...................................................................................................... 20
19. CONCLUSÃO ................................................................................................................... 22
20. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................... 23
Índice de Ilustração (figuras)
Ilustração 1: Diagrama representando a estruturação interna básica dos corpos pegmatíticos ...... 7
Ilustração 2:Estrutura interna dos pegmatitos da Zambézia (Barros et al., 1963), característica
dos pegmatitos do Norte de Moçambique .................................................................................... 13
Ilustração 3:Figura : Pegmatito potássico zonal, em Mogovolas. (Foto 1-Pegmatito escavado, 2-
Granitos de Nampula, 3-Quarzto e feldspato). ............................................................................. 15
Ilustração 4:Turmalina Paraíba. Fonte: Pessoa (2013). ................................................................ 18
Índice de tabelas
Tabela 1Tabela de Várias definições do termo pegmatito de acordo com diversos autores (César-
Mendes 1994, Marciano 1995, Gandini 1999) adaptado por Carvalho 2004: ................................ 3
Tabela 2Classificação e características morfológicas e económicas dos pegmatitos, segundo
N.Solodov (1959)............................................................................................................................ 8
1. INTRODUÇÃO
O trabalho em causa aborda assuntos inerentes aos pegmatitos, debruçando concretamente do
minério em geral, sua ocorrência em Moçambique e sua devida exploração.
Pegmatite é uma rocha ígnea de granulação muito grossa, com granulometria igual ou superior a
20 mm. A maioria dos pegmatitos é composta de quartzo, feldspato e mica; em essência um
"granito". São conhecidos pegmatitos "intermediários" e "máficos" mais raros, contendo
anfibólio, feldspato de plagioclase de cálcio, piroxeno e outros minerais, encontrados em zonas
recristalizadas e apofisias associadas a grandes invasões em camadas.
1
2. OBJECTIVOS
2.1.Objectivo geral:
Decifrar e caracterizar de forma geral sobre os pegmatitos
2.2.Objectivos específicos:
Identificar a distribuição geográfica e a ocorrência a nível de Moçambique
Identificar os métodos de exploração e de processamento dos pegmatitos.
2.3.Metodologia
A metodologia aplicada para realização deste trabalho baseou-se na busca de informação
nas diferentes fontes tais como: leitura bibliográfica e internet.
2
3. Pegmatitos
O termo pegmatito foi utilizado pela primeira vez pelo padre R. J. Haüy, em 1801 (Carvalho,
2004) para designar as rochas apresentando intercrescimento geométrico de quartzo e feldspato.
Desde então, novas designações vêm sendo propostas levando-se em consideração aspectos
mineralógicos, geológicos, genéticos, etc.
Pegmatitos são rochas ígneas intrusivas de composição
basicamente granítica (quartzo, feldspato e mica) e granulação grosseira igual ou maior que 20
mm, muitas vezes exibindo cristais gigantes encaixados em estruturas desenvolvidas em terrenos
metamórficos.
De forma geral, os minerais encontrados nos Pegmatitos pertencem a três classes
principais: silicatos, óxidos e fosfatos, ou seja, são minerais essenciais relativamente simples.
Entretanto, a paragênese de um pegmatito altamente fraccionado de um subtipo complexo pode
apresentar centenas de minerais e uma ampla variedade de minerais acessórios.
Tabela 1Tabela de Várias definições do termo pegmatito de acordo com diversos autores (César-Mendes
1994, Marciano 1995, Gandini 1999) adaptado por Carvalho 2004:
Autor-ano Conceito
Hauy (1801) Rocha apresentando intercrescimento geométrico entre quartzo e
feldspato
Brogniart (1803) Granitos com textura gráfica.
Delesse (1849) Qualquer rocha granítica de granulometria grosseira
Nauman (1854) Rochas de composição granítica e granulometria grosseira.
Bastin (1911) Rochas de composição granítica e glanumérica grosseira
apresentando irregularidades de tamanho dos órgãos.
Kemp (1924) Rocha cimentada numa estrutura.
3
4. Modelo Genético dos pegmatitos.
Os pegmatitos têm sido objecto de diversas classificações tendo por base diferentes critérios.
O mais aceite é o de Černý (1991), que é baseada na classificação de autores Russos. Esta
classificação diferencia quatro classes principais: abissal, moscovíticos, de elementos raros e
miarolíticos.
Actualmente considera-se pegmatito, uma rocha proveniente de fonte ígnea ou metamórfica,
caracterizada tanto pela textura quanto pela granulometria grossa, destacando-se as dimensões
dos cristais e a presença de minerais raros de aproveitamento económico (Carvalho, 2004).
A génese dos pegmatitos tem sido objecto de alguma controvérsia. Factos observados no campo
têm impedido a generalização de modelos genéticos. Os modelos genéticos mais consensuais são
os que consideram a génese dos pegmatitos a partir da fraccionarão de intrusões graníticas e
anactesia de rochas metamórficas de elevado grau (Simmons et al., 2003).
4.1.Modelos genéticos clássicos, (modelos propostos por Černý, 1991):
Modelos anactéticos, em que as propostas anactéticas no sentido estrito variam em
detalhe, mas todas elas exprimem a mesma ideia. A maioria delas apelam para a fusão
parcial de metas sedimentos ricos em Li, que presumivelmente faria aparecer um magma
rico em Li a temperaturas mais baixas que as mínimas param um sistema haplogranítico.
Isto explicaria a posição típica dos pegmatitos litiníferos em graus mais baixos do
gradiente metamórfico regional, relativamente aos pobres em Li ou mesmo estéreis e
granitos associados. Os pegmatitos são considerados produtos de fusão parcial de baixa
percentagem a baixas temperaturas, onde os granitos associados são interpretados como
produtos de mais alta percentagem de fusão, presumivelmente gerados mais tardiamente
no mesmo evento anactéticos progressivo.
Alguns autores atribuem a formação de alguns pegmatitos ao processo de fusão parcial
(anatexia), na base da crosta continental, de rochas pré existentes, o que acarreta a formação de
líquidos aquosos, super aquecidos e enriquecidos em Si, Al, podendo ter Fe e, mais raramente,
elementos raros.
4
O modelo hidrotermal de fluídos mineralizados sobre uma matriz estéril, considera a
circulação de fluídos quentes ("heat engine"), e deriva da teoria da génese hidrotermal de
minérios de sulfuretos. Assim o modelo considera que os pegmatitos quartzo-feldspáticos
são de origem magmática, mas a mineralização dos elementos raros é posterior e
resultante da acção de soluções aquosas, que se encontram em circulação devido ao
efeito termal dos granitos associados. Os elementos raros são lixiviados da rocha
encaixante metamórfica, sendo de seguida depositados em pegmatitos já solidificados
quando o efeito termal baixa ou misturados com os magmas pegmatíticos.
O modelo de diferenciação magmática: Em contraste com as hipóteses anactéticas e
hidrotermais anteriormente revistas, o conceito da geração de pegmatitos de elementos
raros por diferenciação magmática de intrusões graníticas, é segundo Černý, bem
suportada por muitos argumentos físicos de campo, critérios geoquímicos e de petrologia
experimental (acção combinada entre a cristalização fraccionada e diferenciação
gravítica).
Apesar do modelo genético dos pegmatitos mais aceite ser o que envolve a cristalização
fraccionada de um magma granítico, existem alguns aspectos texturais de alguns pegmatitos que
não se adequam a este modelo.
As taxas de arrefecimento calculadas por (Simmons & Webber, 2008) para pegmatitos de menor
profundidade mostram um arrefecimento muito rápido em relação ao previsto, e, portanto, o
maior tamanho dos cristais não está, provavelmente relacionado com o arrefecimento lento.
5. Bolsadas e Cavidades Miarolíticas
Um dos edifícios que preserva cristais de gemas com faces bem desenvolvidas são as bolsadas
pegmatíticas. Bolsada pegmatítica é uma massa rochosa que ocupa domínios pequenos e
irregulares dentro dos corpos ígneos cogenéticos. É facilmente distinguível das rochas adjacentes
através de algumas características tais como, forma euédrica dos cristais e existência de
cavidades que podem estar vazias ou preenchidas, parcial ou totalmente, por minerais de argila
(Moiana, 2010). Sendo assim as cavidades podem ocorrer nas partes interiores dos pegmatitos
zonados, estão mais dispersas e são menos abundantes em pegmatitos homogéneos,
características dos pegmatitos de Iuluti-Chalaua.
5
O seu desenvolvimento é atribuído à influência dos fluídos hidrotermais de vários tipos e
origens, durante o último estágio da cristalização do pegmatito e pode ser comparado às porções
miarolíticas de vários plutónicos normais (Jahns, 1982).
Os minerais mais abundantes nas bolsadas são: quartzo, feldspato K, albite e moscovite. Várias
combinações de minerais tais como, apatite, berilo (e outros minerais de berílio), carbonatos,
minerais de argila, fluorite, granada, lepidolite, prehnite, topázio, turmalina e zeólitos, estão,
também, representadas nas cavidades de vários distritos pegmatíticos. Algumas bolsadas são
caracterizadas pela ocorrência local de minerais de As, B, Be, Bi, Cs, Fe, Mn, Nb, Ta, P, Rb, Cs,
Sn, Th, Ti, U, Zr, TR e minerais de outros elementos, singularmente ou combinados (Jahns,
1982).
As bolsadas primárias formam-se no estágio final da cristalização dos fluídos magmáticos.
Tendem a localizar-se na zona intermédia, na margem do núcleo ou no seu interior. À medida
que o líquido magmático residual se enriquece em voláteis pode dar-se a exsolução de um fluido
menos denso e menos viscoso, importante para a formação de bolsadas primárias. A existência
de um magma inicial rico em voláteis e a prevalência de uma baixa pressão confinante são as
condições necessárias para a imiscibilidade fluída referida (Moiana, 2010).
As bolsadas secundárias ocorrem por substituição de minerais primários, ou cristalização
posterior à introdução da água meteórica ou hidrotermal no pegmatito. Estas podem conter
minerais secundários, alguns de interesse gemológico (bertrandite e hidroxilherderite). (Moiana,
2010).
6. Classificação de Pegmatitos
Existem diversas maneiras de se classificar os corpos pegmatíticos, as quais levam em
consideração vários aspectos, tais como: forma, tamanho, disposição em relação as encaixantes,
mineralogia, génese, estrutura e textura interna. Geralmente, estas classificações agrupam dois
ou mais aspectos. Os corpos pegmatíticos caracterizam-se por apresentarem uma grande
variedade de formas, dimensões, orientações e disposição segundo as suas encaixantes.
6
Levando-se em consideração características mineralógicas, os pegmatitos podem ser
classificados em ácidos, intermediários e básicos que, por sua vez, ainda podem ser simples ou
complexos (Landes, 1933).
Quanto às características texturais estes se classificam em homogéneos, de textura uniforme, e
heterogéneos com alto grau de diferenciação textural, apresentando zonamento interno
(Johnston Jr. 1945).
Ilustração 1: Diagrama representando a estruturação interna básica dos corpos pegmatíticos
7. Composicao mineralogica dos pegmatitos
A mineralogia básica dos pegmatitos é constituída por quartzo, feldspatos alcalinos e sódicos e
micas claras. Entretanto, uma imensa diversidade de minerais acessórios ocorre associada
devido à abundância de elementos químicos, muitas vezes raros, neste tipo de rocha, como por
exemplo berilo (e suas variações água marinha, heliodoro, morganita etc.), turmalina, fluorita,
espodumênio, dentre outros. Minerais tipicamente encontrados em pegmatitos são geralmente
7
bem cristalizados, formando grandes cristais de granulação grosseira e textura holocristalina em
geral.
Quanto mais fracionado o fluido pegmatítico, maior o enriquecimento em incompatíveis e
consequente maior variedade mineral. Outros elementos também podem ser adicionados pela
interação com a rocha encaixante e com corpos intrusivos de natureza distinta.
O grupo de pegmatitos NYF possui uma mineralogia básica de K-
feldspato, quartzo, plagioclásio e biotita, gadolinita, fergusonita, dentre outros. A mineralogia
acessória é constituída de granada, anfibólio, óxidos de Fe, fosfatos de ETR e óxidos. Já o grupo
LCT é comumente composto por berilo, turmalina, espodumênio, e fosfatos de Ca, Na, Li, fe,
Mn e Mg.
Tabela 2Classificação e características morfológicas e económicas dos pegmatitos, segundo N.Solodov (1959)
Caracteristicas Pegmatitos a Pegmatitos a Pegmatitos a Pegmatitos a
microclina albite albite espodumena
nicrocrlina
Microclina, 60-70 25-35 <10 <10
Albite, <5 25-35 25-45 25-45
Espodumena, - <10 <10 15-25
Quartzo 23-26 25-30 25-30 30-35
Quantidades de 5 13 6 4
zonas internas
que podem
ocorrer
Grau de Regular Nítido Muito nitido Pobre
zonalidade
Forma do corpo Lentos e bolsões Lentes e veios Semore em veios Veios bem
de pegmatito tuberculados
Comprimento 100-200m 500-700m 100-200m 2-3m
500-700m
8
Espeçura 3-5 Raro até 5-10m 20 a 30 vezes até 40 a 60, as vezes
10m, 5-10m 50m menos que 30m
Distancia da Os mais Proximos Distantes Os mais
intrusão proximos do distantes do
campo campo
Economicidade: Pequenas lavras Muito berilo, Pequenas lavras Maiores
Geralmente os 4 berilo, inclusive tentalite, berilo, tentalite depositos de
são explorados (gemas, aguas espodumena em (gemas, aguas espodumena
em ceramicas, marinhas e depositos marinhas e
colrcao de turmalinas) complexos turmalinas
amostras de mao, (gemas, aguas
lavras de quartzo marinhas e
são comum turmalinas)
8. Análise geológica dos Pegmatíticos de Moçambique:
Feições correlacionáveis, com regularidade de condicionamento geológico;
Definição de ambientes favoráveis para localizar depósitos de feldspato, berilo, mica,
quartzo, minerais de metais raros e gemas;
Repetição com pequenas variáveis nas principais Províncias
Os pegmatitos são formados por condições termodinâmicas e geoquímicas constantes, expressas
na homogeneidade geológica das diversas Províncias. Logo, torna-se natural a conclusão de que
esses depósitos repetem na escala de detalhe esse tipo de controlo, reflectido na relação de
contacto com a rocha encaixante, nas formas, dimensões, texturas, estruturas internas e, por
conseguinte, na concentração e distribuição do minério (Cameron et al., 1949).
9
Duas hipóteses têm explicado a origem dos pegmatitos, produtos da cristalização de líquidos
gerados por fusão parcial (anatexia) e são produtos da cristalização fraccionada de magmas
graníticos, por London (2005).
Proponentes da primeira hipótese citam três factores favoráveis a ela: a dificuldade de relacionar
magmas de composições altamente evoluídas a uma química comparativamente primitiva, como
seria a das prováveis fontes plutónicas, e a tendência de alguns grupos de pegmatitos
assemelharem-se às rochas hospedeiras, no que diz respeito aos elementos maiores, e o
isolamento comum de alguns diques de pegmatitos muito longe de qualquer fonte plutónica. Um
dos problemas sempre abordados no estudo dos pegmatitos é a questão da origem dos
zonamentos. A evolução dos pegmatitos complexos envolveria uma sequência de estádios
metassomáticos com enriquecimento gradual no teor em alcalis, encerrando-se com um processo
metassomático tardio graças à circulação de soluções aquosas ao longo das fissuras (Neto et al,
2008).
9. Classificação de pegmatitos de Moçambique
N. Obretenov (1978), menciona a divisão dos jazigos pegmatíticos nesta região Norte de
Moçambique, em 4 tipos segundo a composição min
Pegmatitos sodalíicos-zonais, distinguidos pelo conteúdo de berilo, columbo-tantalites,
microlite, turmalinas, vários minerais de lítio, cassiterite, topázio entre outros. Este tipo
de pegmatitos ocorre nos territórios de Alto Ligonha, Mocuba, Muiane, Marige, Naipa,
Nahira, Murrupula, Nauro, Morrua, Moneia.
Pegmatitos potássicos-zonais, nos quais a zona potássica é bem desenvolvida. Os
principais minerais úteis são o feldspato potássico, berilo e a mica. A este grupo
pertencem Nuaparra, Mugeba, Igaro, e também na região de Iuluti e Chalaua.
Pegmatitos potássicos-zonais, ricos em minerais metamistos U, Th e TR. Jazigos de Boa
Esperança, Gurue. Com esse estudo conclui-se que em Iuluti e Chalaua, também ocorrem
esse tipo de pegmatitos, na licença 4029 e 4020.
10
Pegmatitos heterogéneos com amazonite na região de Monapo.
Os pegmatitos com bom desenvolvimento e zonalidade, rico em mineralizações ocorrem
principalmente nos gnaisses anfibolíticos-biotíticos, nos anfibolitos e outras rochas mais básicas,
o caso dos pegmatitos encontrados na licença 4029, 4020, 4030, e as amostras com o mesmo
número. Nos gnaisses ácidos e nos granitóides encontram-se pegmatitos de fraca mineralização e
pegmatitos normais, como as amostras NA-01 e G-13, ambos localizados em Mogovolas,
comprovada pela geoquímica da rocha total e mineral.
10. Morfologia dos pegmatitos segundo N. Obretenov (1978):
Corpos de forma lenticular, os quais alcançam na superfície áreas até de 1 km2
(Munhamo, Morrua), tem na maioria dos casos inclinação de 20o e a possança até de 50
m, sendo todos discordantes;
Diques com grandes inclinações de 40-80o, 100-1200 m de comprimento, com a
possança de 5-60 m. Na maioria dos casos são discordantes. Como exemplo podem servir
os jazigos de Moneia, Murropoce, Merrapane, Nauro.
Corpos de tipo complexo, os quais são a combinação de ambos os tipos precedentes. A
maioria dos jazigos até agora explorados pertencem a este tipo (Muiane, Naipa, Marige,
Nuaparra, Merrapane, Namora, Insule, Namacotche, etc.).
Os pegmatitos do Alto Ligonha são classificados de acordo com a sua composição e estrutura
interna dando uma indicação do grau de fraccionação e o potencial económico dos mesmos
(Macuácua, 2010).
Os pegmatitos da região de Namacotche, indo até ao Mogovolas-Moma, pertencem à família
de LTC (Neiva & Gomes, 2010) e podem ser subdivididos em quatro tipos (Macuácua, 2010),
detalhados na classificação dos pegmatitos por N. Obretenov (1978).
11
Os pegmatitos sodalíticos são os mais fracionados e economicamente mais importantes da
região com concentrações importantes de columbo-tantalite, berilo e lítio e incluem grandes
regiões de ocorrência de pegmatitos tais como Muiane, Naipa, Morrua e Marropino
(Cronwright, 2005; Macuácua, 2010).
11. Esquema de classificação estruturada dos pegmatitos
Pegmatitos Homogéneos
Com composição modal simples, contendo duas micas ou só biotite. A turmalina negra é
frequente e o berilo pode aparecer acidentalmente como elemento de rocha. (Plagióclase e
feldspato alcalino).
Pegmatitos Zonados Simples (predominância de feldspatos potássicos, microclina> ortose.
Albitização fraca a moderada).
Com abundância de monazite e de niobatos, tantalatos complexos e Elementos de Terras
Raras (ETR).
Com berilo comum e/ou columbite.
Pegmatitos Zonados, complexos (feldspatos original predominantemente potássico,
microclina> ortose. Albitização moderada a intensa) (ver Fig. 37).
Com moscovite abundante, berilo comum e Columbo tantalite;
Pegmatitos zonados, complexos, sodalíticos (predominância de microclina-pertite e de albite,
clevelandite, albitização).
Com lepidolite e/ou espodumena, berilo comum e cristalino, tantalite ou tantalite-
columbite, e microlite.
12
Com espodumena, incluindo as variedades kunzite e hidenite, lepidolite, ambligonite e,
mais raramente, petalite, eucryptite, berilo comum e cristalino, tantalite, microlite,
polucite e turmalinas nobres.
Estrutura interna dos pegmatitos da Zambézia (Barros et al., 1963), característica dos
pegmatitos do Norte de Moçambique
Ilustração 2:Estrutura interna dos pegmatitos da Zambézia (Barros et al., 1963), característica
dos pegmatitos do Norte de Moçambique
13
12. Subdivisão morfológica dos pegmatitos:
Estruturas filonianas uniformes;
Estruturas complexas, lenticulares;
Estruturas zonadas.
13. Pegmatitos da região Norte de Moçambique, concretamente em Mogovolas
e Moma
Nesse ponto de pais os pegmatitos ocorrem em:
1. Plutão granítico;
2. Terrenos gnaissicos;
3. Zonas de cisalhamento.
4. Zonas de alteração.
14. Tipologia dos Pegmatitos de Mogovolas-Iuluti
O pegmatito do Mogovolas é um corpo de grandes dimensões, portador de um
zonamento caracterizado pela ocorrência dos minerais como turmalinas, berilos, e
granadas com intercrescimento gráfico entre quartzo e feldspatos na zona de
bordadura. Grandes blocos de feldspatos pertíticos e quartzo constituem a zona
intermédia.
14
O núcleo quartzoso apresenta transição cromática abrupta, de leitoso ao róseo. Ocorrem,
ainda, zonas de alteração mais ou menos albíticas e argíliticas que podem ser
consideradas unidades tardias.
Ilustração 3:Figura : Pegmatito potássico zonal, em Mogovolas. (Foto 1-Pegmatito
escavado, 2-Granitos de Nampula, 3-Quarzto e feldspato).
Os pegmatitos situam-se no domínio do complexo de Nampula, posto de Iuluti,
concessão mineira de EQM, pegmatitos com grandes núcleos de quartzo hialino que
transita lateralmente para o róseo. Na zona intermédia é constituída pela associação
feldspato potássico, quartzo, e em alguns com duas micas (biotite e moscovite).
O corpo pegmatítico de Mogovolas é lenticular, tem orientação NE-SW a E-W e está
instalado em rochas encaixantes ortognaisses. Em alguns corpos é frequente a
ocorrência de concentrações de minerais máficos no encaixante tais como: biotite,
piroxena e anfíbolas (horneblenda).
15
A análise petrográfica, mostra nos granitoides a presença de microclinas, quartzo e rara
calcite. Há a presença de granadas e anfíbolas, na sua maioria horneblendas.
Os pegmatitos começaram a ocupar um lugar de crescente significado desde que
passaram a constituir a principal fonte de elementos menores e elementos-traço
extremamente usados pela tecnologia contemporânea, como por exemplo o Li, Sc, ETR,
Zr, Nb, Ta, Be, Cs e outros. (Afonso & Marques, 1998).
Os pegmatitos economicamente importantes estão geneticamente relacionados com um
grupo de intrusões graníticas equigranulares, estando os pegmatitos instalados em
rochas xistentas que rodeiam as intrusões (Afonso & Marques, 1998).
Duma maneira geral em Moçambique, embora os pegmatitos férteis ocorram
episodicamente, em todas as formações Pré-câmbricas, existem áreas onde eles
predominam, além da região do Alto Ligonha. São as áreas de M’Sawize (Niassa),
Mazomboè (Tete), Inchope (Manica) e Mueda (Cabo Delgado). (Lachelt, 2004).
Também a região de Mogovolas e Moma, é rica em pegmatitos economicamente
viáveis.
15. Turmalinas em Pegmatitos.
São comuns, principalmente nos terrenos gnaissicos, pequenos corpos de pegmatitos,
geralmente alterados a caulinos, com restos de quartzo, mica e turmalina pretas. Em
quase todos os postos administrativos do distrito de Mogovolas e Moma, onde a
empresa possui a concessão mineira (Maraca, Mavuco e Nanhumane), foram registados
ocorrências de pegmatitos contendo turmalinas, com tamanhos de 1 cm a 10 cm.
16
Algumas encontram-se confinadas em zona de cisalhamentos de direcção NW-SE. E
outros corpos com turmalinas e ETR, está associada a zona de contacto, a encaixante e a
depósitos coluvião e eluvião, em dois níveis de cascalho, sendo o primeiro com 2-3 m
de profundidade, com seixos arredondados, com média inferior a 40 mm, enquanto o
segundo nível, que está a 6 m de profundidade, apresenta seixos maiores não
classificados e pouco arredondados.
Figura: Ocorrência de Pegmatitos com Turmalinas pretas em Mogovolas
É difícil encontrar uma gema de Turmalina Paraíba semelhante à da Fig. 44, nessa
região. Os poços produtivos encontram-se totalmente tapados, evitando a vandalização
dos garimpeiros e a população. Consideradas variações de Elbaite (turmalina litinífera
que vai de vermelho rosado a verde e incolor), ocorre na forma de pequenos "cristais"
na maioria das vezes irregulares dentro de corpos pegmatíticos que na localidade estão
encaixados em quartzitos.
A mineralogia básica da rocha é de quartzo, feldspato (comumente alterado pela
infiltração de água), lepidolite (mica lilás) e schorlite (também conhecida como afrizite
ou turmalina preta) e óxidos de nióbio e tântalo (sequência columbite-tantalite).
17
Ilustração 4:Turmalina Paraíba. Fonte: Pessoa (2013).
Estas turmalinas, ocorrem em dois ambientes geológicos: rochas ígneas, em particular o
granito e pegmatitos graníticos e nas rochas metamórficas como xistos e mármore. A
schorlite e as turmalinas ricas em lítio são geralmente encontradas em granitos e
pegmatitos graníticos, e as ricas em magnésio, estão limitadas em xistos e os mármores.
A turmalina sendo um mineral resistente, é encontrada em depósitos de coluvião e
eluvião, em forma de grãos de areias, arenitos e conglomerados, em Mavuco e Maraca.
16. Sistemática de pesquisa utilizada nos Pegmatitos de Mogovolas-Iuluti
A empresa Quintos Mineração, está fazendo trabalho de prospeção geológica nessa
região desde 2011, dedicando-se ao estudo dos pegmatitos na região Norte de
Moçambique. Os pegmatitos são fontes de diversos produtos economicamente
interessantes, tais como: feldspato, mica, berilo, quartzo, minerais de lítio (espodumena,
petalite, ambligonite, trifilite, jadeíte, elbaite), columbite-tantalite, gemas, numa série
entre as turmalinas, águas marinha, esmeraldas, granadas, topázio, etc.
Carecendo ainda de estudos relacionados com as viabilidades económicas e o cálculo
de reservas, sendo consideradas erráticas e sem possibilidades de avaliação, foi
desenvolvida uma sistemática de pesquisa (Fig. 45) que fornece informações na
avaliação económica de um pegmatito e possibilita o planeamento de lavra,
minimizando os riscos para sua implantação.
18
Figura : planta de processamento da Empresa Quintos Mineração, instalada no posto
administrativo de Iululi-Mogovolas
Tanto para os corpos pequenos quanto para pegmatitos de várias centenas de metros de
comprimento e várias dezenas de espessuras, os trabalhos mostraram-se satisfatórios,
pois forneceram dados sobre o tamanho, constituição mineralógica, estruturas internas e
texturas.
Não foi possível a previsão de locais onde se situavam os corpos de substituição, locais
favoráveis para a ocorrência de minerais valiosos, a empresa ainda está numa fase
19
embrionária da pesquisa e alguns poços positivos, encontram-se tapados com areias para
evitarem serem vandalizados pelos garimpeiros, e a população dessa região.
17. Ocorrência no Mundo
O Brasil possui uma das maiores mineralizações em rochas pegmatíticas de todo o
mundo. As Províncias Pegmatíticas do Brasil foram divididas de acordo com o
posicionamento geográfico, em três Províncias principais: Nordeste (Rio Grande do
Norte, Paraíba e Ceará), Oriental (Minas Gerais e parte da Bahia e do ES) e Meridional
(São Paulo). As formações pegmatíticas destas províncias foram constituídas, em sua
maior parte, no final do Proterozóico como consequência de
processos orogênicos e geossinclinais, tendo como produto final a consolidação
da plataforma da América do Sul..
Do ponto de vista econômico, as Províncias Pegmatíticas do Nordeste e Oriental são as
mais importantes e foram ativamente mineradas, durante a Segunda Guerra Mundial[7].
A Província Pegmatítica Oriental é a mais extensa e a que apresenta maior
potencialidade econômica dentre as brasileiras. Os corpos pegmatíticos são encontrados
ao longo de uma faixa com aproximadamente 800 Km de comprimento e cerca de 150
Km de largura. Esta província metalogenética tem sido fonte de matérias primas
necessárias não só ao desenvolvimento industrial do Brasil, mas também destinadas à
exportação. Quantidades muito grandes de feldspato, quartzo, mica, turmalinas pretas e
coradas, minérios de lítio e berílio, columbita, tantalita e cassiterita têm sido lavradas
nos milhares de corpos pegmatíticos da região.
18. Importância econômica
Os pegmatitos são importantes porque geralmente contêm minerais e pedras preciosas
de terras raras, como água-marinha, turmalina, topázio, fluorita e apatita, geralmente
juntamente com minerais de estanho e tungstênio, entre outros. Por exemplo, belos
cristais de água-marinha e topázio podem ser encontrados em pegmatitos nas montanhas
do Colorado e Idaho.
20
Os pegmatitos são a principal fonte de lítio como espodumeno, litiofilita ou geralmente
a partir de lepidolita (Li-mica). A maioria do berílio do mundo é proveniente de berilo
de qualidade não-gema dentro do pegmatito. O tântalo, o nióbio (elementos de terras
raras) são originários de alguns pegmatitos em todo o mundo, principalmente o
pegmatito de Greenbushes. Bismuto, molibdênio e estanho foram obtidos do pegmatito,
mas essa ainda não é uma fonte importante desses metais.
21
19. CONCLUSÃO
Terminado o trabalho, concluí que:
De forma geral, os minerais encontrados nos pegmatitos pertencem a três classes
principais: silicatos, óxidos e fosfatos, ou seja, são minerais essenciais relativamente
simples. Entretanto, a paragênese de um pegmatito altamente fracionado de um subtipo
complexo pode apresentar centenas de minerais e uma ampla variedade de minerais
acessórios.
E devido à enorme complexidade mineralógica presente nestes corpos, os pegmatitos
possuem um grande potencial econômico. A rocha permite o aproveitamento de um
grande número de minerais que vão desde o uso mais simples até a indústria de alta
tecnologia.
Os minérios de interesse para rochas pegmatíticas podem ser de três tipos: minerais
industriais como feldspato e mica; minérios de elementos raros como Li, Be, B, F, P,
Sn, Ta, Nb e de terras raras (ETR); minerais de coleção como turmalinas, berilo,
espodumênio e água marinha.
22
20. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Farndon, John. 2006. A enciclopédia prática de rochas e minerais: como encontrar,
identificar, coletar e manter as melhores amostras do mundo, com mais de 1000
fotografias e obras de arte. Londres: Lorenz Books. ISBN 0754815412
Pellant, Chris. 2002. Rochas e minerais. Manuais do Smithsonian. Nova York: Dorling
Kindersley. ISBN 0789491060
Shaffer, Paul R., Herbert S. Zim e Raymond Perlman. 2001. Pedras, gemas e minerais.
Rev. ed. Nova York: St. Martin's Press. ISBN 1582381321
QUEIROZ, H. A. CLASSIFICAÇÃO DOS PEGMATITOS DO CENTRO-SUL DO
ESTADO DE TOCANTINS: CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA E MINERALÓGICA.
Orientador: Profª Dra Rúbia Ribeiro Viana. 2008. 89 p. Dissertação de mestrado
(Programa de Pós-Graduação em Geociências. Área de concentração: Geoquímica de
Minerais e Rochas) - Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Cuiabá, Mato
Grosso, 2009.
LICCARDO, Antônio. GEOLOGIA DOS PEGMATITOS. Área de Mineralogia-
Gemologia, Universidade Federal de Ouro Preto, UFOP. 66p. Ouro Preto, MG.
23