Lei seca ECA.
Capítulo I
Do direito a vida e a saúde.
Art. 7° A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a
efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o
desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.
Art. 8° É assegurado a todas as mulheres o acesso aos programas e às políticas de
saúde da mulher e de planejamento reprodutivo e, às gestantes, nutrição adequada,
atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal,
perinatal e pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde.
§1° O atendimento pré-natal será realizado por profissionais da atenção primária.
§ 2° Os profissionais de saúde de referência da gestante garantirão sua vinculação, no
último trimestre da gestação, ao estabelecimento em que será realizado o parto,
garantido o direito de opção da mulher.
§3° Os serviços de saúde onde o parto for realizado assegurarão às mulheres e aos
seus filhos recém-nascidos alta hospitalar responsável e contrarreferência na atenção
primária, bem como o acesso a outros serviços e a grupos de apoio à amamentação.
§4° Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe,
no período pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir ou minorar as
consequências do estado puerperal.
§5° A assistência referida no § 4 o deste artigo deverá ser prestada também a
gestantes e mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção, bem
como a gestantes e mães que se encontrem em situação de privação de liberdade.
§6° A gestante e a parturiente têm direito a 1 (um) acompanhante de sua preferência
durante o período do pré-natal, do trabalho de parto e do pós-parto imediato.
§7° A gestante deverá receber orientação sobre aleitamento materno, alimentação
complementar saudável e crescimento e desenvolvimento infantil, bem como sobre
formas de favorecer a criação de vínculos afetivos e de estimular o desenvolvimento
integral da criança.
§8° A gestante tem direito a acompanhamento saudável durante toda a gestação e a
parto natural cuidadoso, estabelecendo-se a aplicação de cesariana e outras
intervenções cirúrgicas por motivos médicos.
§9° A atenção primária à saúde fará a busca ativa da gestante que não iniciar ou que
abandonar as consultas de pré-natal, bem como da puérpera que não comparecer às
consultas pós-parto.
§10° Incumbe ao poder público garantir, à gestante e à mulher com filho na primeira
infância que se encontrem sob custódia em unidade de privação de liberdade,
ambiência que atenda às normas sanitárias e assistenciais do Sistema Único de Saúde
para o acolhimento do filho, em articulação com o sistema de ensino competente,
visando ao desenvolvimento integral da criança.
Art. 8°-A. Fica instituída a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na
Adolescência, a ser realizada anualmente na semana que incluir o dia 1º de fevereiro,
com o objetivo de disseminar informações sobre medidas preventivas e educativas que
contribuam para a redução da incidência da gravidez na adolescência.
Parágrafo único. As ações destinadas a efetivar o disposto no caput deste artigo
ficarão a cargo do poder público, em conjunto com organizações da sociedade civil, e
serão dirigidas prioritariamente ao público adolescente.
Art. 9° O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições
adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida
privativa de liberdade.
§1° Os profissionais das unidades primárias de saúde desenvolverão ações
sistemáticas, individuais ou coletivas, visando ao planejamento, à implementação e à
avaliação de ações de promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à
alimentação complementar saudável, de forma contínua.
§2° Os serviços de unidades de terapia intensiva neonatal deverão dispor de banco de
leite humano ou unidade de coleta de leite humano.
Art. 10° Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes,
públicos e particulares, são obrigados a:
I - manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais,
pelo prazo de dezoito anos;
II - identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e
da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela
autoridade administrativa competente;
III - proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no
metabolismo do recém-nascido, bem como prestar orientação aos pais;
IV - fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as
intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato;
V - manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à
mãe.
VI - acompanhar a prática do processo de amamentação, prestando orientações
quanto à técnica adequada, enquanto a mãe permanecer na unidade hospitalar,
utilizando o corpo técnico já existente.
§1° Os testes para o rastreamento de doenças no recém-nascido serão disponibilizados
pelo Sistema Único de Saúde, no âmbito do Programa Nacional de Triagem Neonatal
(PNTN), na forma da regulamentação elaborada pelo Ministério da Saúde, com
implementação de forma escalonada, de acordo com a seguinte ordem de
progressão:
I – etapa 1:
a) Fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias;
b) hipotireoidismo congênito;
c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias;
d) fibrose cística;
e) hiperplasia adrenal congênita;
f) deficiência de biotinidase;
g) toxoplasmose congênita;
II – etapa 2:
a) Galactosemias;
b) Aminoacidopatias;
c) Distúrbios do ciclo da ureia;
d) Distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos;
III – etapa 3: doenças lisossômicas;
IV – etapa 4: imunodeficiências primárias;
V – etapa 5: atrofia muscular espinhal.
§ 2º A delimitação de doenças a serem rastreadas pelo teste do pezinho, no âmbito do
PNTN, será revisada periodicamente, com base em evidências científicas, considerados
os benefícios do rastreamento, do diagnóstico e do tratamento precoce, priorizando as
doenças com maior prevalência no País, com protocolo de tratamento aprovado e com
tratamento incorporado no Sistema Único de Saúde.
§ 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser expandido pelo poder
público com base nos critérios estabelecidos no § 2º deste artigo.
§ 4º Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério imediato, os profissionais de
saúde devem informar a gestante e os acompanhantes sobre a importância do teste do
pezinho e sobre as eventuais diferenças existentes entre as modalidades oferecidas no
Sistema Único de Saúde e na rede privada de saúde.
UEPB
Curso: Direito
Aluno: Edgards de Oliveira Silva.
Trabalho escrito para avaliação da primeira nota da disciplina ECA.
Professor: Luiz
A lei 8.069 de 13 de Julho de 1990 conhecida por Estatuto da criança e do adolescente
(ECA) substituiu o antigo Código de menores que vigorou de 1927 até 1990 que
praticamente só possuía dispositivos de carácter punitivo para casos de crianças e
adolescentes infratores/transgressores da lei, quando cometiam algum tipo de
conduta reprovável. Com a nova legislação percebemos uma preocupação maior com a
situação jurídica das crianças e adolescente, com a mudança houve a introdução de
uma proteção integral e preocupação com o desenvolvimento físico, intelectual e
psíquico deles.
Em termos simplificados a nova lei garantiu direitos fundamentais constitucionais
inerentes a pessoa humana e ainda a proteção integral com um garantismo e
exigibilidade de cumprimento em tons acentuados, pois vê-los como detentores de
cuidados especiais dada sua condição de vulnerabilidade, sendo obrigação do estado e
de todos garantir o pleno desenvolvimento das crianças e adolescentes no seu meio
familiar e comunitário.
O ECA conceitua e diferencia as crianças e adolescentes pelo critério de idade psico-
biológica, onde são consideradas crianças dos 0 até 12 anos incompletos, e
adolescentes acima de 12 anos até os 18 anos incompletos. Acima dos 18 anos o jovem
torna-se maior de idade e totalmente capaz penalmente não sendo amparado mais
pela legislação, a única previsão é em caso de ocorrência de ato infracional grave onde
existe a possibilidade de projeção de medida socioeducativa para ser cumprida até os
21 anos de idade (excepcionalidade para atos infracionais de maior reprovação).
São direitos assegurados a eles: vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte,
ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária. Isso em prol de conseguir meios, oportunidades e
facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e
social, em condições de liberdade e de dignidade.
Sobre o capítulo I, temos a preocupação do legislador com a proteção a vida e a saúde
das crianças e dos adolescentes, onde haverá prioridade na reformulação de políticas
públicas que atinjam esse público e primazia nos atendimentos relacionados a saúde e
bem estar, desde a saúde da mulher onde haverá grupos de planejamento reprodutivo
ou familiar. Ou seja as ações de proteção começam antes mesmo da concepção. Em se
falando de acompanhamento a gestantes que serão acompanhadas desde as fases
iniciais da gestação(pré-natal), na fase perinatal e no nascimento(pós-natal).
Continuando com prioridades e facilitações até o alcance da maior idade do menor.
Todo suporte será acondicionado pelo sistema único de saúde e consiste em assistência
médica, psicológica e assistêncial dentre outras.
O parto será o natural humanizado (normal), e se preciso por necessidade médica
ocorrerá o parto cesária e outras intervenções cirúrgicas.
Este prever ainda a situação de mulheres condenadas pela Justiça que estão em
situação de privação de liberdade pelo cometimento de infrações penais, onde lhes é
garantido o convívio com seus filhos recém nascidos e os que estão na primeira
infância em locais diferenciados e acondicionados que atenderão às normas sanitárias
e do sistema de educação para manter-los juntos dentro da unidade prisional, assim
não privando o direito do filho de crescer próximo a sua mãe e objetivando o
desenvolvimento do menor.