Eletricidade
Eletricidade
ELETROSTÁTICA
A matéria é formada de pequenas partículas, os átomos. Cada átomo, por sua vez, é
constituído de partículas ainda menores, no núcleo: os prótons (positivos) e os nêutrons (sem
carga); na eletrosfera: os elétrons (negativos). As partículas eletrizadas, elétrons e prótons,
chamamos de “carga elétrica”.
Representação do modelo de
um átomo — com elementos
sem proporção entre si e em
cores fantasia.
A eletrização de um corpo ocorre quando se produz um desequilíbrio entre o número total de
prótons e o número total de elétrons de seus átomos.
Entre 1906 e 1913, o físico estadunidense Robert Andrews Millikan (1868-1953) conseguiu
estabelecer, experimentalmente, que a carga do elétron, em módulo, é a menor carga elétrica
e, portanto, indivisível. Por isso chama-se carga elementar cujo valor é:
𝑒 = 1,6. 10 𝐶
Passou-se a considerar que a carga elétrica existe em múltiplos da carga e. Dessa forma,
quando um corpo está eletrizado, sua quantidade de carga elétrica Q, em excesso ou em falta,
é dada por:
𝑄 = ± 𝑛. 𝑒
Em que n é o número inteiro positivo que corresponde ao número de elétrons em falta (+) ou
em excesso (-) em relação ao número total de prótons.
Salvo algumas exceções, os fenômenos estudados em Eletrostática envolvem cargas elétricas
em quantidades inferiores a 1 C. Por isso, costuma-se empregar submúltiplos do coulomb, dos
quais os principais são:
milicoulomb (mC) = 10 C
microcoulomb (𝜇C) = 10 C
nanocoulomb (nC) = 10 C
picocoulomb (pC) = 10 C
Exercício Resolvido
1- Calcule o número de prótons que devemos retirar de um corpo para que ele fique
eletrizado com carga de 1 C.
Exercícios Propostos
Cargas elétricas da mesma espécie (mesmo sinal) se repelem, e cargas elétricas de espécies
diferentes (sinais contrários) se atraem.
Condutores e Isolantes
Alguns materiais permitem a transferência de elétrons com mais facilidade que outros - são
chamados de condutores elétricos, entre os quais estão os metais, carbono e água mineral. Os
que não transferem bem os elétrons são denominados isolantes ou dielétricos, como
borracha, a madeira, a água pura, o vidro, o papel e o plástico.
A existência de condutores e isolantes é explicada pela presença, nos átomos, dos chamados
elétrons livres ou elétrons de condução. Esses elétrons são atraídos mais fracamente pelo
núcleo por estarem afastados dele, podendo ficar fora de seu campo de ação e, assim,
deslocar-se livremente no interior do material.
Ao eletrizar um condutor que esteja isolado da Terra e de outros condutores, ocorre repulsão
entre as cargas, pois possuem o mesmo sinal. Isso provoca a distribuição da carga adquirida
através da superfície de maior área do corpo, ou seja, as cargas elétricas em excesso
distribuem-se na superfície externa do condutor.
Processos de Eletrização
Quando dois corpos feitos de materiais diferentes são atritados entre si, o contato entre eles
acontece com tal proximidade que os átomos de um material interagem fortemente com os
átomos do outro. Nessa interação, ocorre a transferência de elétrons de um corpo para outro.
O que cede elétrons fica eletrizado positivamente, e aquele que recebe elétrons fica eletrizado
negativamente.
Foi elaborada experimentalmente uma relação de materiais, ordenados de modo que, quando
atritados dois a dois, fica positivo aquele que vem antes na lista. Essa relação de materiais
recebeu o nome de série triboelétrica.
Pense e responda: Uma bexiga cheia de ar, fechada, é esfregada vigorosamente nos cabelos
de uma menina. Depois com a mão, a bexiga é encostada em uma parede lisa e vertical. Ao
retirar a mão, a bexiga permanece fixada à parede. Por que isso ocorre?
Como a bexiga é feita de material isolante, o excesso de carga, por causa do atrito, fica na
região eletrizada. O excesso de cargas na bexiga induz cargas de sinais opostos na superfície da
parede, provocando atração.
𝑄 + 𝑄 = 𝑄′ + 𝑄′
𝑄 = 𝑄
Lembre-se que a redistribuição das cargas é proporcional às dimensões dos corpos envolvidos.
Como as dimensões do corpo são desprezíveis em comparação com a dimensão da Terra, a
carga elétrica que nele permanece é praticamente nula. Assim ao ligarmos um condutor
eletrizado à Terra, dizemos que ele se descarrega ou fica eletricamente neutro.
Exercícios:
𝐹⃗ = −𝐹⃗ 𝑒 𝐹⃗ = 𝐹⃗
3. A força tem intensidade diretamente proporcional ao valor absoluto de cada uma das
cargas e, portanto, diretamente proporcional ao valor absoluto do produto das cargas:
𝐹 =∝ |𝑄 | . |𝑄 |
4. Tem intensidade inversamente proporcional ao quadrado da distância entre as
partículas:
1
𝐹 =∝
𝑑²
Das constatações discutidas, é possível escrever a seguinte sentença:
𝑘. |𝑄 |. |𝑄 |
𝐹=
𝑑²
que é a fórmula matemática que exprime a lei de Coulomb.
É importante notar que a constante k depende do meio onde as cargas 𝑄 e 𝑄 estão situadas
e do sistema de unidades adotado. Se as cargas estiverem no vácuo, a constante é
representada por 𝐾 e é denominada constante eletrostática. Seu valor no SI é:
𝐾 = 9. 10 𝑁𝑚 /𝐶²
É importante notar a influência do meio onde as duas cargas estão imersas. Se duas cargas
passarem do vácuo (𝐹 ), um meio material, a força elétrica entre elas ficará menor. Ocorre a
redução por um fator denominado constante dielétrica do meio.
Exercícios:
1- Quatro cargas positivas e iguais são colocadas nos vértices de um quadrado, como
mostra a figura abaixo. Qual o valor da força resultante sobre uma carga +q colocada
no centro do quadrado?
2- Calcule a intensidade da força elétrica entre duas cargas de 1 C cada uma, situadas no
vácuo a 1 m uma da outra.
3- De acordo com o modelo de Rutherford-Bohr, o átomo de hidrogénio é formado por
um núcleo com um próton, em torno do qual um elétron descreve, no nível
fundamental, órbita circular de raio aproximadamente 5,3. 10 m.
Podemos pensar no campo elétrico como uma região não material que existe ao redor de todo
corpo eletrizado, e que faz a intermediação na troca de forças com outros corpos eletrizados.
Ele surge ou se instala preenchendo todo o espaço ao redor do corpo assim que for eletrizado.
Essa região é chamada campo elétrico.
Assim como ocorre com o campo gravitacional, o campo elétrico é caracterizado por
apresentar direção, sentido e intensidade, ou seja, ele tem natureza vetorial.
O campo elétrico é representado em cada ponto por um vetor 𝐸⃗ (o vetor campo elétrico), cuja
direção é a da reta que passa pela carga Q geradora do campo e pelo ponto considerado. O
sentido do campo, por convenção, é de orientar-se “para fora” da carga geradora quando ela
for positiva, e “para dentro” quando a carga geradora for negativa.
Assim, a direção de 𝐸⃗ é radial, ou seja, coincide com a direção do raio da esfera que passa por
esse ponto e tem como centro na carga Q.
Para constatar a existência do campo elétrico gerado pela carga Q num ponto P, usa-se uma
carga de prova q colocada nesse ponto. Essa carga fica sob ação da força elétrica 𝐹⃗ .
O campo elétrico naquele ponto é representado pelo vetor 𝐸⃗ definido pela razão entre a força
𝐹⃗ atuante na carga de prova e o valor dessa carga.
𝐹⃗
𝐸⃗ =
𝑞
No SI, o campo elétrico é medido em newton/coulomb (N/C).
𝐹⃗ = |𝑞|. 𝐸
Módulo ou intensidade: 𝐸 = | |;
Direção: da reta que une 𝑞 com 𝑄;
Sentido: de afastamento de 𝑄 se ele é positivo e de aproximação de 𝑄 se ele é
negativo. Relativamente ao vetor 𝐹⃗ , o sentido do vetor 𝐸⃗ pode também ser visto da
seguinte forma:
Exercícios:
1- Uma pequena esfera de massa 𝑚 = 10 𝑘𝑔, eletrizada com carga 𝑞 = 1𝜇𝐶, fica em
equilíbrio quando abandonada em um ponto A acima do solo. Indique a intensidade, a
direção e o sentido do campo elétrico no ponto A. Dado 𝑔 = 10𝑚/𝑠².
3- Sobre uma carga elétrica de 2,0 . 10 𝐶, colocada em certo ponto do espaço, age uma
força de intensidade 0,8 N. Despreze as ações gravitacionais. A intensidade do campo
elétrico nesse ponto é:
Intensidade do vetor 𝑬⃗
Para se calcular a intensidade 𝐸 do vetor campo elétrico gerado por uma carga pontual 𝑄, não
há a necessidade da presença da carga de prova 𝑞, pois o campo independe dela, como
veremos adiante. O valor de 𝐸 varia de acordo com a distância 𝑑 da carga 𝑄, e é calculado
como segue.
Igualando-se a expressão da força elétrica relacionada com o campo elétrico 𝐹 = |𝑞|. 𝐸 com a
.| |.| | .| |.| |
expressão da Lei de Coulomb 𝐹 = ²
, temos: |𝑞|. 𝐸 = ²
(independe de 𝑞).
.| |
Portanto, 𝐸 = ²
em que 𝐾 é a constante eletrostática do meio vácuo.
Quando tivermos várias cargas puntiformes fixas 𝑄1, 𝑄2, … , 𝑄𝑛, cada uma delas irá gerar no
ponto 𝑃, respectivamente, os vetores campos elétricos 𝐸⃗ , 𝐸⃗ , … , 𝐸⃗ .
𝐸⃗ = 𝐸⃗ + 𝐸⃗ + ... + 𝐸⃗
Exercícios
Para auxiliar a visualização do campo elétrico, usamos a ideia de linhas de força – linhas
imaginárias que indicam a direção e o sentido do campo elétrico na região onde ele existe.
Com esse modelo podemos representar onde o campo é mais intenso ou mais fraco por meio
da maior ou menor densidade de linhas.
A seguir apresentamos alguns tipos de linhas de força de cargas puntiformes, com suas
visualizações fotográficas.
Duas cargas positivas de mesmo módulo: o campo elétrico é nulo no ponto médio do
segmento de reta que une as duas cargas. Caso as duas cargas sejam negativas e de
mesmo módulo, basta inverter o sentido das linhas de força, ou seja, as linhas de força
entram nas cargas negativas.
Duas cargas de sinais opostos e de mesmo módulo: as linhas de força saem da carga
positiva e chegam à negativa.
Num campo elétrico uniforme, as linhas de força são retas paralelas entre si, e o espaçamento
entre elas é constante. Um campo com essas características pode ser obtido por meio de duas
placas paralelas condutoras, muito pouco distanciadas uma da outra, eletrizadas igualmente,
mas com cargas de sinais opostos. As linhas de força saem da placa positiva e chegam à placa
negativa.
Para calcular a intensidade do campo elétrico nos pontos internos e externos ao condutor,
imaginemos que toda carga se localize no centro desse condutor.
Exercícios
2- Duas placas metálicas planas e paralelas, eletrizadas com cargas de sinais contrários,
estão colocadas no vácuo a 10 cm de distância uma da outra. O campo elétrico
produzido pelas placas tem intensidade de 6.10E7 N/C. Uma carga elétrica puntiforme
de 2uC e massa 5.10E-6 kg é abandonada na placa positiva. Supondo desprezível a
força gravitacional sobre a carga elétrica, calcule a intensidade da:
a. Força atuante sobre a carga elétrica;
b. Aceleração do movimento da carga elétrica;
c. Velocidade com que a carga elétrica atinge a placa negativa;
Calcule:
a. A intensidade da força que atua sobre a carga elétrica;
b. O módulo da velocidade da carga ao passar por B;
c. O tempo gasto pela carga para ir de A até B.
4- Uma pequena esfera com carga 𝑞 = 4𝜇𝐶 e peso igual a 2. 10 N, presa a um fio
isolante, está em equilíbrio no interior de um campo elétrico uniforme, conforme a
figura. Calcule a intensidade desse campo. Dado: 𝑡𝑔 30° = 0,58.
Toda carga elétrica produz um campo elétrico que se permeia pelo espaço, sendo capaz de
produzir forças de atração ou repulsão sobre outras cargas elétricas. A interação entre cargas,
portanto, dá origem a uma energia potencial, que pode ser transformada em energia cinética,
no caso em que uma dessas cargas seja móvel, por exemplo.
Sozinha, uma carga elétrica não apresenta energia potencial elétrica, é preciso que uma carga
de prova interaja com ela, dessa maneira, a medida da energia potencial elétrica depende da
magnitude das cargas, bem como da distância entre elas.
A energia potencial elétrica é uma grandeza escalar, e, por isso, para conhecermos a medida
da energia potencial elétrica total de um sistema de vários corpos carregados, é necessário
somar a energia potencial gerada pela interação de cada par de corpos eletrizados.
Considere o campo elétrico gerado por uma carga fixa Q e uma carga de prova q colocada em
um ponto A. Dependendo da combinação de sinais dessas cargas, a carga q poderá ser atraída
ou repelida deslocando-se espontaneamente para um ponto B, variando sua velocidade
devido à ação da força elétrica (𝐹 = |𝑞|. 𝐸). No deslocamento AB, a força 𝑭⃗ realiza trabalho
𝜏 (𝜏 = 𝐹. 𝑑) de maneira análoga da força gravitacional.
𝜏 = 𝐹. 𝑑
𝜏 = 𝐹. (𝑑 − 𝑑 )
𝐾 . 𝑄. 𝑞 𝐾 . 𝑄. 𝑞
𝜏 = .𝑑 − .𝑑
𝑑 ² 𝑑 ²
𝐾 . 𝑄. 𝑞 𝐾 . 𝑄. 𝑞
𝜏 = −
𝑑 𝑑
𝜏 =𝐸 −𝐸
Por convenção, consideramos a energia potencial elétrica por unidade de carga e essa
grandeza é denominada potencial elétrico (V).
𝐸
𝑉=
𝑞
Logo, 𝑉 = é o potencial elétrico gerado pela carga Q, em um ponto situado a uma
distância d da carga Q.
A unidade usada para medir potencial elétrico é o Volt (V) em homenagem ao físico Alessandro
Volta. O potencial elétrico de 1 volt é igual a 1 joule (J) de energia por 1 coulomb (C) de carga.
1𝐽
1 𝑣𝑜𝑙𝑡 =
1𝐶
Como o potencial elétrico é uma grandeza escalar associada ao campo elétrico, cada ponto do
campo elétrico tem um potencial elétrico diferente.
Os pontos do campo elétrico que possuem o mesmo potencial formam uma superfície
equipotencial.
Sabemos que o trabalho realizado pela força elétrica para deslocar a carga q do ponto A ao
ponto B é dado por:
𝜏 =𝐸 −𝐸
O campo elétrico é conservativo. Portanto, o trabalho que a força elétrica realiza sobre
a carga q quando está se deslocando de um ponto a outro independe da trajetória
descrita por ela.
Se o deslocamento ocorrer em uma superfície equipotencial, o trabalho é nulo, pois
𝑉 =𝑉 .
No limite do campo elétrico (infinito do campo), tanto o potencial elétrico como a
energia potencial elétrica assumem valor nulo.
Da mesma forma que é preciso estabelecer um referencial para indicar a energia
potencial gravitacional de uma massa, costuma-se adotar uma referência ao lidar com
potencial elétrico e com a energia potencial elétrica.
Se a carga Q geradora do campo elétrico for:
o Positiva, o potencial elétrico é positivo;
o Negativa, o potencial elétrico é negativo.
Potencial elétrico no campo de várias cargas puntiformes
Portanto, 𝑉 = 𝑉 + 𝑉 + … + 𝑉
Observação: O potencial, assim como a energia potencial, o trabalho e a energia cinética, são
grandezas escalares, diferentemente do campo e da força elétrica, que são grandezas
vetoriais.
PENSE E REPONDA
A figura representa uma carga elétrica Q. Qual é o valor do trabalho realizado pela força
elétrica para transportar uma carga elétrica q, ao longo de um arco de circunferência de raio R,
entre os pontos A e B pela linha vermelha?
Exercícios
Calcule:
a. Os potenciais elétricos nos pontos A e B;
b. A energia potencial elétrica adquirida por uma carga 𝑞 = 2𝜇𝐶 colocada no
ponto A.
c. A energia potencial elétrica adquirida por uma carga 𝑞 = −2𝜇𝐶 colocada no
ponto B.
4- A figura mostra duas cargas pontuais 𝑄1 = – 4 𝜇𝐶 𝑒 𝑄2 = +1 𝜇𝐶, fixas e separadas
de 80 cm, no vácuo. O ponto B está a meia distância da reta que une as duas cargas e o
ponto A está 30 cm perpendicularmente acima de B. Considere : 𝐾𝑜 =
9. 10 𝑁𝑚²/𝐶², Determine:
a. os potenciais elétricos resultantes nos pontos A e B;
b. a ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,0 duas cargas, onde o potencial
elétrico resultante é nulo, além dos pontos no infinito.
5- Uma carga puntiforme Q cria um potencial igual a 1000 V, num ponto A, a uma
distância de 0,1 m. Determine:
a. A intensidade do campo elétrico no ponto A;
b. O potencial e a intensidade do campo elétrico em um ponto B que dista 0,2 m
de Q.
c. O trabalho realizado pela força elétrica quando uma outra carga pontual 𝑞 =
2𝜇𝐶 é deslocada do ponto A para o ponto B.
6- Sobre um suporte isolante encontra-se uma carga puntual Q. Um operador transporta
do ponto A, muito distante, para B, a 18 m de Q, uma carga puntual 𝑞 = 2𝜇𝐶,
realizando um trabalho contra a força de campo de 8 J. O movimento ocorre com
velocidade constante.
Determine:
a. A energia potencial da carga q em A e em B;
b. O potencial elétrico em B;
c. O valor da carga Q.
Considere o campo elétrico uniforme entre duas placas, condutoras, paralelas eletrizadas, com
cargas iguais em módulo e de sinais contrários, separados por uma distância d.
O trabalho realizado pela força elétrica para deslocar uma carga de prova q positiva, da placa A
até a placa B, é dada por:
𝜏 = 𝑞. (𝑉 − 𝑉 )
O campo elétrico 𝐸 e a força F, que agem na carga q, são constantes, e o trabalho realizado
pela força E pode ser calculado por:
𝜏 = 𝐹. 𝑑 = 𝑞𝐸𝑑
Comparando as equações anteriores, temos:
𝑞. (𝑉 − 𝑉 ) = 𝑞𝐸𝑑
(𝑉 − 𝑉 ) = 𝐸𝑑
𝑉 = 𝐸𝑑
Essa expressão permite calcular a ddp entre dois pontos de um campo elétrico uniforme. Com
base nela, é possível verificar no SI o campo elétrico pode ser medido em volt/metro (V/m),
que é equivalente a newton/coulomb (N/C).
Para esses casos, utiliza-se uma unidade chamada elétron-volt (eV), definida como a energia
adquirida por um elétron ao ser acelerado entre dois pontos de um campo elétrico cuja
diferença de potencial é 1 V.
1𝑒𝑉 = 1,6. 10 𝐽
No campo elétrico uniforme as superfícies equipotenciais são planos paralelos entre si e
perpendiculares às linhas de força.
Densidade superficial de cargas (𝝈)
Denomina-se densidade superficial de cargas (𝜎) à quantidade de carga (∆𝑄) existente em uma
unidade de área (∆𝐴) da superfície do condutor, ou seja:
∆𝑄
𝜎=
∆𝐴
No SI, a unidade de medida da densidade superficial de cargas é o coulomb por metro
quadrado (C/m²).
Nas superfícies irregulares, a densidade superficial de cargas também é maior nas regiões
pontiagudas. Considere um objeto de forma assimétrica eletrizado negativamente:
Nesse objeto, a densidade superficial de cargas é maior na região A do que na região B. Assim:
𝜎 >𝜎
Poder das pontas
Dado um condutor carregado, de superfície irregular, o local onde o campo elétrico é mais
intenso, devido à maior densidade superficial de cargas, é a região mais pontiaguda desse
condutor. Se o campo elétrico nas proximidades dessa ponta é suficientemente intenso, as
moléculas do ar atmosférico à sua volta podem se ionizar, e o condutor pode se descarregar
através da ponta. Quando a ionização do ar se torna muito intensa, a vizinhança da ponta
poderá até emitir luz por causa das colisões entre os íons e o ar: esse é o fenômeno conhecido
como efeito corona. Assim: 𝐸 > 𝐸 > 𝐸
Tente observar como é um para-raios. Você deve perceber que se trata de uma haste metálica
com extremidades em pontas. Isso se deve ao fato de, nas pontas a densidade superficial de
cargas ser maior, por causa da área extremamente reduzida. Assim, as descargas atmosféricas
ocorrem preferencialmente no para-raios e não nos arredores dele.
Exercícios
a) Apenas I;
b) Apenas II;
c) Apenas I e II;
d) Apenas II e III;
e) I, II e III.
Capacitor
Após a descoberta das cargas elétricas, o próximo passo seria descobrir um modo de
armazená-las. Até hoje, o armazenamento de grandes quantidades de carga envolve
dificuldades. As centrais geradoras de energia diminuem a sua produção nos horários de
menor consumo, para que a rede não fique sobrecarregada. Mas, em pequena escala, o
armazenamento de cargas é possível.
Um condutor que armazena carga de 1 coulomb quando sujeito a potencial de 1 volt tem
capacidade de 1 farad.
Mas se dois ou mais condutores eletrizados, sob potenciais elétricos diferentes, são
conectados através de fios condutores (com capacidades elétricas desprezíveis) ou colocados
reciprocamente em contato, ocorrerá um fluxo de cargas entre eles, cessando no instante em
que todos ficam sob o mesmo potencial elétrico. Quando isso ocorrer, dizemos que houve um
equilíbrio elétrico entre condutores.
Antes: 𝑄 = 𝐶 ∙ 𝑉 ; 𝑄 = 𝐶 ∙ 𝑉 𝑒 𝑄 = 𝐶 ∙ 𝑉 .
Depois: 𝑄 = 𝐶 ∙ 𝑉; 𝑄 =𝐶 ∙𝑉𝑒𝑄 = 𝐶 ∙ 𝑉.
𝑄 = 𝑄
𝐶 ∙𝑉 +𝐶 ∙𝑉 +𝐶 ∙𝑉 = 𝐶 ∙𝑉+𝐶 ∙𝑉+𝐶 ∙𝑉
𝐶 ∙𝑉 +𝐶 ∙𝑉 +𝐶 ∙𝑉
𝑉=
𝐶 +𝐶 +𝐶
𝑄 +𝑄 +𝑄
𝑉=
𝐶 +𝐶 +𝐶
Capacitor
Capacitor é um dispositivo que tem como função armazenar cargas elétricas. Ele é formado
por dois condutores denominados armaduras, separados por um dielétrico (material isolante),
que pode ser um tipo de plástico, mica, papel, óleo ou o próprio ar. Os capacitores podem
assumir formas diferentes, dependendo da geometria dos condutores. Se os condutores forem
duas placas paralelas e planas, teremos um capacitor plano.
A maioria dos capacitores utiliza um dielétrico (material isolante) sólido entre os condutores. A
utilização de um dielétrico sólido tem três funções, apresentadas a seguir:
1ª) o dielétrico consegue manter as duas armaduras a uma distância muito pequena sem ter
nenhum contato;
2ª) como a constante dielétrica do material sólido é maior que a do ar, o capacitor consegue
suportar uma maior diferença de potencial sem se danificar;
3ª) A capacitância de um capacitor com dielétrico sólido é muito maior em relação ao mesmo
capacitor cujo dielétrico é o ar ou o vácuo (a constante dielétrica do vácuo e do ar são muito
próximas. Veja, na sequência, como isso é possível.
Portanto, o campo elétrico resultante 𝐸⃗ será a soma entre 𝐸⃗ e 𝐸⃗ , logo 𝐸⃗ < 𝐸⃗ .
Como a intensidade do campo (E) e a diferença de potencial (V) entre as armaduras, separadas
da distância d, se relacionam através da expressão 𝑉 = 𝐸. 𝑑, verificamos que a diminuição da
intensidade do campo com o dielétrico causa uma diminuição no valor do potencial das placas.
Assim, como 𝐶 = e não há alteração das cargas, uma diminuição no valor da diferença de
potencial aumenta o valor da capacitância.
Considere um capacitor sendo carregado por um gerador — por exemplo, uma bateria ou um
gerador de Van de Graaff. A carga Q armazenada em cada armadura é diretamente
proporcional à diferença de potencial V, de forma que 𝑄 = 𝐶 . 𝑉. Se a capacitância (C) é uma
constante, podemos fazer uma analogia com a geometria analítica, de modo que a grandeza Q
seja associada ao eixo das ordenadas (y) e a grandeza V seja associada ao eixo das abscissas
(x).
𝑄 = 𝐶 .𝑉
𝑦 = 𝐶 .𝑥
Portanto, a representação dessa relação é uma reta que passa pela origem do sistema
cartesiano.
Lembre-se de que o potencial é a energia potencial armazenada por unidade de carga; desse
modo, a área A (triângulo) da figura sob o gráfico é numericamente igual à energia potencial
elétrica (Epe) fornecida pelo gerador ao capacitor com carga Q. Pelo gráfico acima, temos:
𝑄. 𝑉
𝐸 =
2
Como 𝑄 = 𝐶 . 𝑉 e 𝑉 = , podemos ainda ter:
𝐶. 𝑉² 𝑄²
𝐸 = 𝑒𝐸 =
2 2𝐶
Capacitor plano
Verificamos que, quanto maior a área (A) das armaduras, maior a quantidade de carga
acumulada e, quanto maior a distância entre as armaduras (d), menor a quantidade de carga
acumulada. Então, a capacidade elétrica C desse capacitor é diretamente proporcional à área A
e inversamente proporcional à distância d, ou seja: 𝐶 ∝ . Mas sabemos que a facilidade do
meio colocado entre as armaduras em se polarizar também influencia na capacidade elétrica:
essa grandeza é chamada de permissividade do meio (𝜺). Quanto maior a permissividade,
maior a carga acumulada.
Demonstra-se que a capacidade elétrica do capacitor pode ser determinada pela seguinte
expressão:
𝐴
𝐶 = 𝜀.
𝑑
em que
Caso o meio seja o vácuo, a sua permissividade será representada por 𝜀 , que no Sistema
Internacional vale: 𝜀 = 8,8 ∙ 10 𝐹/𝑚. A permissividade do vácuo é menor entre todos os
materiais; assim, para qualquer outro material dielétrico, o seu valor é dado em relação ao do
vácuo. Exemplos:
𝜀 = 1,0006. 𝜀
𝜀 = 3,5. 𝜀
𝜀 = 4,3. 𝜀
𝜀 = 7. 𝜀
Por isso, utilizamos a razão entre o valor da permissividade do meio e o valor da
permissividade no vácuo, chamada de constante dielétrica (K). Assim:
𝜀
𝐾=
𝜀
Veja, na tabela abaixo, valores da constante dielétrica de alguns materiais.
Associação de capacitores
Qualquer que seja o modo em que a associação é feita, podemos representar esse conjunto de
capacitores por um único, chamado de capacitor equivalente. Essa representação simplifica e
facilita o dimensionamento dos circuitos, pois todas as características elétricas do capacitor
equivalente são as mesmas do conjunto.
Associação em série
Capacitores, iguais ou não, são associados em série quando são ligados em sequência, de
forma que a armadura negativa de um é ligada à armadura positiva do outro.
Se uma carga +Q é transferida à associação, ela será recebida pela armadura positiva do
primeiro capacitor, que induzirá uma carga –Q na armadura negativa do primeiro capacitor.
Uma carga +Q induzida escoa para a armadura positiva do segundo capacitor, que induzirá
uma carga –Q para a armadura negativa do segundo capacitor, e assim sucessivamente.
Dessa forma, todos os capacitores ficam com uma mesma carga Q. Abaixo, temos uma
associação em série carregada por uma pilha.
A diferença de potencial (ddp) total V entre os polos da pilha é a soma das diferenças de
potencial entre as armaduras de cada capacitor 𝑉 , 𝑉 e 𝑉 . Assim:
𝑉 = 𝑉 +𝑉 +𝑉
O capacitor equivalente à associação deverá ter a mesma quantidade de carga Q, sob ddp total
V, com uma capacidade equivalente 𝐶 .
𝑉 = 𝑉 +𝑉 +𝑉
𝑄 𝑄 𝑄 𝑄
= + +
𝐶 𝐶 𝐶 𝐶
1 1 1 1
= + +
𝐶 𝐶 𝐶 𝐶
Em uma situação com n capacitores iguais associados em série, a capacitância equivalente
será:
Para um caso particular em que dois capacitores diferentes são ligados em série, a capacitância
equivalente será calculada pela expressão:
1 1 1 1 𝐶 +𝐶 𝐶 .𝐶
= + ⇒ = ⇒𝐶 =
𝐶 𝐶 𝐶 𝐶 𝐶 .𝐶 𝐶 +𝐶
Associação em paralelo
Quando n capacitores estão ligados de forma que todas as armaduras positivas estão de um
lado e as negativas do outro, temos uma associação de capacitores em paralelo. Nessa
configuração, todos os capacitores estão sob uma mesma diferença de potencial V.
Se uma carga +Q é transferida à associação, parte dessa carga será recebida pelo primeiro
capacitor (Q1), outra parte será recebida pelo segundo capacitor (Q2) e o restante da carga
será recebida pelo terceiro capacitor (Q3).
Portanto, a quantidade de carga total Q da associação será a soma das cargas Q1, Q2 e Q3.
Assim:
𝑄 =𝑄 +𝑄 +𝑄
O capacitor equivalente à associação deverá estar sob a mesma diferença de potencial V, com
uma capacidade equivalente𝐶 .
𝑄 =𝑄 +𝑄 +𝑄
𝐶 .𝑉 = 𝐶 .𝑉 + 𝐶 .𝑉 + 𝐶 .𝑉
𝐶 =𝐶 +𝐶 +𝐶
Portanto, podemos verificar que, quando os capacitores são associados em pararelo, a
quantidade de cargas armazenadas é maior em relação às capacidades individuais, pois a
capacitância equivalente também será maior.
EXERCÍCIOS:
1- Certo condutor está isolado, no vácuo e em equilíbrio eletrostático. Ele está eletrizado
com carga Q = 6 μC sob potencial elétrico 𝑉 = 2 ∙ 10 𝑉. Sendo 𝐾 =
9. 10 𝑁. 𝑚²/𝐶², determine:
a. a sua capacidade elétrica;
b. o valor do raio, considerando o condutor esférico.
2- Um determinado condutor encontra-se em equilíbrio eletrostático sob potencial
elétrico de 4. 10 V. Qual seria o seu novo potencial, caso sua carga fosse aumentada
em 50%?
3- Três esferas condutoras, de raios R1 = 27 cm, R2 = 9 cm e R3 = 54 cm, estão
inicialmente eletrizadas, respectivamente, com cargas Q1 = 6 nC, Q2 = 4 nC e Q3 = 5
nC, no vácuo. A seguir, as esferas são colocadas em contato recíproco e depois
afastadas umas das outras. Sendo k0 = 9 ∙ 109 N ∙ m2/C2, determine:
a. as capacitâncias de cada condutor;
b. o potencial de equilíbrio;
c. a distribuição de cargas de cada esfera, após o contato.
4- Um capacitor carregado com 18 μC está sob diferença de potencial de 9 V, fornecida
por um gerador.
a. Qual é a capacidade elétrica do capacitor?
b. Qual é a energia potencial elétrica armazenada nesse capacitor?
5- A diferença de potencial elétrico entre as placas de um capacitor plano, carregado a
vácuo, é de 200 V. Sabe-se que cada placa possui área de 9. 10 m² e a distância que
as separa é de 22 mm. Sendo de 𝜀 = 8,8. 10 F/m a permissividade do vácuo,
determine:
a. a capacidade elétrica do capacitor;
b. a carga do capacitor;
c. a densidade superficial de cargas;
d. a intensidade do campo elétrico entre as placas.
6- O diagrama seguinte mostra a quantidade de carga Q de um capacitor, em função do
potencial elétrico V, fornecida por um gerador.
Determine:
a. a capacitância do capacitor equivalente;
b. a carga e a ddp entre as armaduras de cada capacitor;
c. a energia potencial elétrica da associação.
11- Dada a associação da figura, sabe-se que a ddp entre os pontos A e B vale 40 V.
Calcule:
a. a capacidade da associação equivalente;
b. a ddp e a carga de cada capacitor;
c. a carga total da associação;
d. a energia potencial elétrica armazenada na associação.
12- A figura mostra uma associação mista de capacitores. A diferença de potencial entre
os pontos A e B vale 40 V.
Determine:
ELETRODINÂMICA
Corrente elétrica