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Dielectricos

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4.4 Dielétricos fabricante de capacitores precisa colocar as placas do capacitor muito préximas para fabricar um capacitor com grande capacitancia, Mas surge um problema: como se pode evitar que uma pala encoste na outra com alguma vibragdo? Bem fécil; coloque-se um isolante sélido entre as placas. Mas a colocagao de um isolante entre as placas modifica as caracterfsticas do capacitor de forma interessante. Fagamos uma experiéncia. Tenho aqui um capacitor de placas paralelas. Neste caso as placas nao tém uma distancia pequena porque eu quero poder colocar um isolante entre as placas ¢ tiré-lo depois e tudo de forma tal que os objetos fiquem bem visiveis até para um aluno sentado na tiltima fileira de bancadas. As placas do capacitor sao duas formas de pizza e uma destas placas esta montada em cima de um eletrosc6pio. 0 cletroscépio é um instrumento que pode indicar presenga de campo elétrico de forma qualitativa. Aqui ele pode ser considerado um voltimetro qualitativo. Este instrumento consiste de um palito condutor mével que se apoia na beirada de um furo numa plataforma horizontal condutora por meio de uma lamina afiada. A plataforma é presa num parafuso vertical comprido que liga este instrumento a placa do capacitor. Quando o instrumento esté carregado, 0 palito miével se inclina para ficar mais longe das cargas do mesmo sinal. A figura 4.4.1 mostra um esquema do eletroscépio, ¢ este instrumento aparece também na fotografia (Fig. 4.4.2). Fig. 4.4.1 Esquema de um eletrose6pio. A paleta mével foi feita de madeira balsa e nesta experiéncia a madeira pode ser considerada como um condutor, Uma mina de barbeador descartével foi enfiada na madeira ¢o palito se apoia nela A segunda placa do capacitor esté aterrada, ou seja, eletricamente ligada & mesa, a0 chao e as paredes da sala. Carrego este capacitor esfregando um tubo de PVC previamente atritado com algodao na placa que esté ligada no eletroscépio. A figura 4.4.2 mostra o equipamento com capacitor j4 carregado. A alta diferenga de potencial entre as placas est sendo indicada pelo palito inclinado do eletrosc6pio. Fig. 4.4.2 Capacitor carregado, | Fig. 4.4.3 Com um dieléwico | Fig. 4.4.4 Tirando 0 diclérico © palito do eletroseépio esté bem | no capacitor o palito inclina | a inclinagio do palito volta 20 inclinado, menos com a mesma carga, valor inital 154 Em seguida introduzo um corpo isolante entre as placas do capacitor. A figura 4.4.3 mostra que isto diminui a inclinacao do palito do eletrosc6pio consideravelmente. Mas eu nao descarreguei 0 capacitor com a introduce do material isolante. Quando agora tiro este corpo fora, a inclinagao do palito do eletrose6pio volta ao antigo valor como mostrado na figura 4.4.4. Veremos qual € o significado da introdugéo do corpo isolante para o valor da capaciténcia. Lembrem-se da definicao de capacitancia: - _¢ ap ya—y* com q*=-q' A introdugao do corpo isolante nao pode ter mudado o valor de _q*; de fato nem toquei nas placas do capacitor. Observamos qualitativamente que o valor da diferenga de potencial diminuiu, Entao o valor da capacitancia aumentou. Isto é uma boa noticia para 08 fabricantes de capacitores. Além de resolver o problema mecdnico de fixar os condutotes, a introdugao de um isolante entre os condutores aumenta a capacitancia do capacitor. fato de que a introducio de um dielétrico entre os condutores de um capacitor altera os valores da capacitincia sugere naturalmente duas perguntas: como podemos descrever a mudanga dos valores de capacitincias quantitativamente © qual é a explicagao destas mudangas? ‘A primeira pergunta pode ser respondida de forma fenomenoligica fazendo experimentos. Podemos inserir um determinado material isolante em diversos capacitores de diferentes geometrias e medir as alteragdes dos valores das capacitancias. Naturalmente precisamos saber como um valor de capaciténcia pode set medido. Em principio, uma prescricao de medida sai da prépria definigio de capacitdncia. Deve-se carregar 0 capacitor com um valor de carga conhecida e depois medir a diferenga de potencial entre os condutores. Isto soa simples, mas na pritica a medida de uma quantidade de carga pode ser um pouco complicada. Numa segao futura, em que trataremos de circuitos com capacitores, conheceremos um método muito simples de medir capacitancias de forma bem precisa Fazendo este tipo de experiéncia se chega ao seguinte resultado: para uma determinada substncia dielétrica, usada sempre na mesma temperatura ¢ preenchendo todo 0 espago entre os condutores do capacitor, 0 quociente da capacitancia com dielétrico e sem diclétrico tem sempre o mesmo valor, independente da geometria do capacitor, Gaus = x com independente da geometria do capacitor (4.4.1) en din Ento este quociente é uma propriedade da substancia dielétrica, mas que pode depender da temperatura, Chama-se este quociente de constante dielétrica. Este resultado experimental significa que podemos modificar as nossas formulas de capacitancia simplesmente substituindo o£, por um €=Ke, ¢ temos a formula da capacitincia de um capacitor com dielétrico. Por exemplo, no caso do capacitor de placas paralelas temos A 4.2), Ke, para o capacitor esférico temos 155 C = 4nxe, th 443) b-a € para 0 cilindrico (do exercicio 4.2.2) temos cs (4.44), A tabela 4.4.1 mostra alguns valores de constantes dielétricas Substancia Constante dielétric Rigidez dielétrica (kV/mm] Vacuo 1 10" Ar 1,00059 3 Polietileno 2,25 19 - 160 Poliestireno 24 - 2,7 19,7 Papel 3,85 16 Didxido de Silicio 3.81 25 - 40 (amorfo) Teflon 24 60 Oxido de aluminio 9.6 aU) Aly Silicio 11,68 Germanio 16,6 Fenolite FR-2 ' 4S 29 Metanol 30, Agua 88,0 (0°C), 80,1 (20°C), 55,3 65 - 70 (100°C) Gelo (0°C -_-55°C) Titanato de estréncio Titanato de bario 1200 (20°C) 10.000 (120°C) Titanato de célcio- > 250.000 cobre A grande maioria das substncias comuns isolantes, como os plésticos, tem constantes dielétricas menores que 10. A agua chama atengao com um valor muito maior ¢ este depende da temperatura, No fim da tabela hé ainda algumas substdncias exsticas com constantes dielétricas gigantes. A tabela tem uma terceita coluna que mostra mais uma propriedade relevante dos materiais; a rigidez dielétrica, O valor da rigidez dielétrica informa o campo maximo Material base das placas de circuitos impressos. 156 que se pode aplicar no material sem ter risco de criar fafseas que possam destruir 0 material. Campos muito intensos podem arrancar cargas de uma molécula da substancia ¢ isto pode dar inicio a uma fafsca, Quando isto acontece dentro de um capacitor, 0 capacitor é destruido. Entdo cada capacitor tem uma tensdo méxima que é informada pelo fabricante e o engenheiro que projeta um circuito com capacitores deve tomar 0 cuidado de escolher os capacitores de tal forma que as tensdes aplicadas nunca ultrapassem este limite. Para pequenos valores de distdncia entre os condutores do capacitor, 0 campo elétrico e a capacitincia s4o ambos inversamente proporcionais a esta distincia, qualquer que seja a geometria do capacitor. Consequentemente hi a tendéncia de capacitores de grandes valores de capacitincia teem limitagdes de voltagem mais restritivas. Por exemplo, na experiéncia do estouro (Fig. 4.1.8 ¢ 4.1.9) usei capacitores de 4700}F ¢ este é um valor muito grande. Consequentemente a limitagdo de voltagem 6 severa; estes capacitores ndo devem ser usados acima de 50 V. Como usei 180 V tive que colocar quatro capacitores em série, de tal forma que a tensio em cada capacitor fosse menor do que 50 V. Mais tarde trataremos deste tipo de associagbes de capacitores. Incluf na tabela o vacuo, que nao é uma substancia; é 0 “nada”, Para o vacuo a constante diclétrica € exatamente 1, por definigdo. O curioso é que este “nada” também tem uma rigidez dielétrica. Ou seja, 0 vacuo pode ser destruido por um campo elétrico extremamente forte. Destruir o nada significa criar algo. Isto é um efeito da fisica moderna que veremos na Fisica IV. Um campo elétrico extremamente forte pode criar ‘uma particula junto com sua antiparticula, Vale mencionar que o valor elevado da rigidez dielética do vécuo no significa que podemos construir capacitores com limitagées de voltagem fantasticamente altas sem uso de um dielétrico. Muito antes do valor do campo chegar aos 10’ kV/mm terfamos emissio de elétrons nas superficies dos condutores ¢ este efeito também iria destruir o capacitor. Depois desta digressio pela rigidez dielétrica, voltamos as duas perguntas feitas a respeito da mudanga de capaciténcia. A pergunta pela descrigao quantitativa dos efeitos dos dielétricos esté devidamente respondida. Agora veremos qual mecanismo é responsdvel pelo aumento da capacitancia. J4 consideramos as reagdes de um dielétrico resenga de um corpo cattegado na seco 1.2. Mais especificamente a figura 1.2.10 mostra. a redistribuiggo de cargas em pequenas regides do material. Naquela secao ainda no usamos 0 conceito de campo elétrico. Agora vamos atribuir a redistribuigao das cargas a0 campo elétrico. A figura 4.4.5 mostra esta redistribuigao das cargas dentro das moléculas de um dielétrico centre as placas de um capacitor carregado. ea rOeK Sx oe we eX a) J SO jae rN Sy Sy SC rn ey Xe J SS rh faew'e’ oH NOY. ala xP rN rN rN eS Sy Re fa x et we a Say Say LIN NK erry or Or SOT LEN ANE Se Ko XN COHN 5 ex on on a oe eh ey rs oe x ante a x re noe Fig. 4.4.5 Capacitor carregado com dielétrico visto ‘numa eseala microseépica, As bolinhas podem ser moléculas © 0s sinais ~ € + indicam um estado de polarizacio. nie J J J sy Sy Sy x SS SS . os ca oa a a a os os xe rs 3 nae re nee oa v0 8 x x os o or es es oe oe xn XR XR LX Percebemos que o interior do dielétrico continua perfeitamente neutro. Mas a redistribuigdo das cargas dentro das moléculas resulta numa camada de carga negativa adjacente & superficie positiva do condutor e uma camada de carga positiva adjacente dé superficie negativa do capacitor. Entéo uma parte da carga na placa do capacitor € compensada ou cancelada pela carga na superficie do dielétrico. Com a lei de Gauss 157 aplicada numa superficie como aquela indicada na figura 4.4.6, entendemos que o campo elétrico fica enfraquecido pelas cargas na superficie do dielétrico, Fig. 4.4.6 Superficie Gaussiana na interface metal-dielétrico de um capacitor carregado. Entdo o papel do dielétrico é enfraquecer © campo elétrico ¢ num capacitor isto resulta numa diminuigdo da voltagem ¢ consequentemente num aumento da capacitancia Mesmo com o aumento da capacitincia provocada pela presenga de um dielétrico ¢ preciso realizar distancias extremamente pequenas entre as placas de um capacitor para poder construir um capacitor de centenas ou até milhares de microfarad. H4 uma técnica interessante de criar camadas isolantes extremamente finas entre dois condutores. Nesta técnica um dos condutores 6 um metal, muitas vezes aluminio, ¢ o outro condutor é um eletrdlito, isto é, uma solugao contendo fons méveis. © condutor metélico fica mergulhado no eletrélito, € o fabricante aplica uma tensio entre estes condutores. Passa uma corrente ¢ esta provoca uma reagdo quimica que transforma uma fina camada superficial do aluminio em éxido de aluminio. Esta fina camada € 0 dielétrico que separa os dois condutores. A camada isolante pode ter apenas poucos nanémetros de espessura. Com esta técnica pode-se fabricar capacitores de alguns milifarad. Mas ha uma desvantagem destes capacitores eletroliticas: eles podem ser usados somente com uma polaridade, A inversio da polaridade inverte 0 processo quimico ¢ desiréi a camada isolante. Exercicios E 4.4.1: Os capacitores eletroliticos mais comuns usam como placas condutores um filme de aluminio e um eletrdlito. Estas duas placas so separadas por uma fina camada de éxido de aluminio AlO; que é formado na superficie do filme de aluminio eletroliticamente. © Al,O; possui uma constante dielétrica de 9,6 © suporta campos elétricos até 7x10°V/m. A) Calcule qual deve ser a espessura minima da camada de Al,O3 para fazer um capacitor que possa ser usado para tensGes até 50 V. B) Qual deve ser a area das placas para que este capacitor tenha uma capacitancia de 1000 HF ? E 4.4.2: Escreva os pontos de destaque desta segao. 158

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