Praias: Princípios e Diretrizes para A Gestão
Praias: Princípios e Diretrizes para A Gestão
2022
P R A I A S
PRINCÍPIOS E DIRETRIZES PARA GESTÃO
Organização e R ea l i za çã o
U ni versi dade d o Va l e d o I t a j a í – UN I VA L I
Cen tro U n i ver si t a r i o R e g i on a l d e l Est e – CU R E │ U n iv e r s ida d de la R e pú blic a U r u g u a y – U D E LA R
C oordenador es
Marcus Po l ett e
Dan i el Co n de
Organizadore s
Marcus Po l ett e
Bri ana An gél i c a Bom b a n a
Cami l a Lo nga re t e
Dan i el Co n de
Bols istas
Bri ana An gél i c a Bom b a n a
Gabri el a F el i x
Gui l h er me de G od oy Ba r a t e l l a
J uan Anto ni o A l v e s
Autores
J uan Pabl o Lo zoya
Dan i el de Ál a v a
Estel a Del gad o
Bri ana An gél i c a Bom b a n a
Gui l h er me de G od oy Ba r a t e l l a
Cami l a Lo nga re t e
Lui dgi March e se
D iagramador
Bo b Mo raes - St ud i o F e e l m a r
Agradecimen tos
Cami l o -Mateo Bot e ro Sa l t a r é n
S ér gi o A. Nett o - UN I SUL
S emasa - Itaj aí ( Se r v i ç o Mun i c i p a l d e Á g u a , S a n e a me n t o B á s ic o e I n f r a e s t r u t u r a - I t a ja i/ S C)
P884 P r a i a s: p r i ncí p i os e d i r e t r i z e s p a r a g e s t ã o / o r g a n i z a ç ã o
M a r cus P ol e t t e , B r i a n a B o m b a n a , C a m i l a
Long a r ete & Da n i e l C o n d e - I t a j a í : A u t o r
e ed i tor , 2 0 2 2.
6 4 p . : i l ., f ot o s .
Vá r i os a ut ore s .
I n c l ui b i b l i og r a f ia s
I SBN 9 7 8 -8 5 - 7 6 9 6 - 1 8 7 - 1
1 . G e re n c i a me n t o c o s t e iro . 2 . E c o s s is t e ma s . 3 . P r a ia s
4 . P r a i a s d e b a n h o . I . P o le t t e , M a rc u s . . . e t a l. I I . T ít u lo .
CD U : 5 5 1 . 4 3 5 . 3 2
I SBN: 9 7 8 -6 5 -8 7 5 8 2 -5 1 -1
3 . O S I S T E MA C OSTEI RO EM M UD AN Ç A C O N T ÍN U A . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 0
4 . A BI O TA D AS P RAI AS ARENOSAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 4
5 . A S P R A I A S C OM O SI STEM AS SOCIO E C O L Ó G IC O S. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 8
6 . A S P R A I AS AO LONGO D O TEM P O . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 7
8. BIBLIOGRAFIA....................................................................................................61
1.A PR ESE N T A Ç Ã O
G r u po d e In v esti g ac i ón en Si stema s C o st e ro s - P l a ya s co l C o r po r a t i o n (C o l ô m b ia )
R e d Ib ero am eri c ana de Gesti ón y Ce r t i fi ca ci ó n de P l a ya s Tu r í s t i ca s - P ROP L AYA S
As praias são um ecossistema que têm ganhado im- descobrir as origens deste conceito e os fatores de
portância dentro da literatura científica nas últimas mudança que permitem afirmar que estamos em uma
duas décadas. Efetivamente, outros ambientes na- nova era do planeta. Posteriormente, Juan Pablo apre-
turais marinho-costeiros têm recebido mais atenção senta as forçantes que geram impacto nas praias, fa-
pela comunidade científica internacional, como os re- zendo uma exposição suficiente para compreender
cifes de coral e os manguezais, aos quais correspon- fenômenos como o uso recreativo, a contaminação e
dem centenas de livros e manuais que os descrevem, as espécies invasoras, entre outros. Em síntese, este
avaliam e, inclusive, guiam seu manejo. Enquanto isso, capítulo permite ao leitor ser submergido em uma for-
ecossistemas como as praias, as falésias e as prada- ma não convencional de estudar as praias, sendo ao
rias de fanerógamas marinhas, apenas recentemente mesmo tempo uma base sólida para compreender o
começaram a receber a atenção devida. impacto humano sobre estes ecossistemas.
O livro que, neste momento, o leitor tem em mãos é A continuação, o professor Dr. Daniel de Álava apre-
uma resposta oportuna à baixa atenção que foi dada senta um capítulo completo sobre o sistema costeiro
a este importante ecossistema, as praias, especial- em mudança contínua. Nesta seção, são abarcados
mente pela perspectiva de sua governança. A equipe conceitos chave, como a Zona Litorânea Ativa (ZLA),
conformada pela Universidade do Vale do Itajaí (Brasil) que depois permearão as demais contribuições do li-
e a Universidad de la República (Uruguai), catalisada vro. De forma ampla, Daniel apresenta as característi-
pelo financiamento do Programa CAPES/UDELAR, ge- cas das costas arenosas, sua dinâmica e o zoneamen-
raram esta publicação de referência obrigatória. to funcional que permite estudá-las como unidades
geomorfológicas. Finalmente, define três sistemas de
Embora alguns dos capítulos possuam um enfoque interação no sistema costeiro, chegando à conclusão
especial nas praias arenosas, seu conteúdo é amplo e muito relevante que a conservação do estado dinâ-
abrange suficientemente esta faixa de interação entre mico da ZLA é a forma mais econômica e, portanto,
o mar e o continente, caracterizada por sua relativa conveniente para a proteção costeira.
baixa declividade e por sua formação por sedimentos
não consolidados. É assim que, a partir de seis capí-
tulos bem estruturados, o leitor poderá ampliar seus
conhecimentos sobre as praias como ambiente sócio-
ecológico no mundo atual.
8 P R A I A S | P R I NCÍ PI OS E DI R ETR I ZES PAR A GESTÃO P L A Y A S | PRIC IPIOS Y DIREC TRIC ES PARA L A GE S T I Ó N
O terceiro capítulo é uma contribuição conjunta da argumentando a relação sociedade – natureza e como
professora Dra. Estela Delgado e o professor Dr. Juan a primeira não é possível sem a existência da segunda
Pablo Lozoya, os quais se concentram em descrever e vice-versa. Continua com uma descrição fluida da
a biota das praias arenosas. Inicialmente sustentam gestão integrada das zonas costeiras e as três disci-
como as espécies que habitam esse ecossistema são plinas fundamentais que a conformam, para chegar à
altamente adaptadas anatômica e fisiologicamente às análise dos serviços ecossistêmicos como o benefí-
condições oceanográficas em constante modificação, cio que o homem obtém dos ecossistemas. Finaliza
além de estar distribuídas de forma diferenciada na o capítulo com a enumeração dos principais serviços
ZLA, tanto vertical quanto horizontalmente. Da mes- ecossistêmicos que são oferecidos pelas zonas cos-
ma forma, os autores descrevem aspectos ecológicos teiras e, em especial pelas praias.
como o nível das comunidades macrofaunísticas e a
diversidade das espécies, chegando a conclusões, tal O quinto capítulo é um aporte da Oc. Briana Angéli-
como que a abundância total e a biomassa aumentam ca Bombana e do Oc. Luidgi Marchese, os quais sin-
das praias refletivas às dissipativas. tetizam a evolução histórica das praias, incluindo um
olhar interessante das ciências ambientais.
A quarta seção é realizada novamente pelo Dr. Juan
Pablo Lozoya, quem aborda o tema interessante e atu-
al das praias como sistemas socioecológicos. Inicia
F O N T E: Bo b M o ra e s .
9
A partir do dinamismo das praias em termos morfoló-
gicos e de uso humano, a Briana e o Luidgi levam o
leitor a descobrir como estes espaços costeiros pas-
saram do desconhecimento geral ao tratamento médi-
co de banho de mar e, finalmente, ao atual desejo das
férias de banho de sol. Destacam-se, neste capítulo,
imagens históricas, que lembram um uso social e, in-
cluso, aristocrático da praia, o qual foi dando lugar a
um uso mais massivo e consumista, que predomina
hoje em dia. O aporte pela evolução deste tema no
Uruguai e no Brasil é outro aspecto que faz deste ca-
pítulo muito valioso.
F O N T E : A l e x a n dre Pe ro t t o .
11
2. AS ZO N A S C OS T EI R AS N O AN TR O P O C E N O
O
planeta Terra é um planeta de zonas costeiras, do, que chegam até elas por via marítima, principal
onde a superfície aquática (360M km2, 71%) rota de transporte de mercadorias. No entanto, estas
e a terrestre (150M km2) interagem intensa- megacidades também geram grandes volumes de re-
mente ao longo de 1.634.701km que, em sua maioria, síduos (domésticos, industriais, etc.) que muitas vezes
são praias arenosas (Burke et al., 2001, McLachlan & também são despejados no mar (Tett et al., 2011). Em-
Brown 2006, Martínez et al., 2007). bora menos de 4% da população mundial reside atu-
almente nestas megacidades costeiras, o seu rápido
Em 2004, cerca de 3 bilhões de seres humanos ha- desenvolvimento, a grande densidade de habitantes
bitavam os primeiros 230km da faixa costeira, o que que possuem e os altos níveis de consumo que ca-
significa que quase 50% da nossa espécie estaria mo- racterizam o cotidiano de tais habitantes, fazem com
rando em apenas 10% da área terrestre, com densida- que estes assentamentos gerem grandes impactos no
des médias 2,5 vezes maiores que as observadas no meio-ambiente costeiro (Sekovsky et al., 2012).
restante das zonas do planeta (UNEP, 2004 in Tett et
al., 2011). No ano de 2012, as cinco áreas metropoli- Esta concentração generalizada na zona costeira está
tanas mais populosas do mundo se situavam na zona marcada na rápida expansão da população humana e
costeira com importantes portos industriais: Tóquio no modelo atual predominante de desenvolvimento e
(31,5 milhões de habitantes), Jakarta (28 milhões de crescimento global. Ambos os fatores têm sido os prin-
habitantes), Seul (25,5 milhões de habitantes), Karachi cipais responsáveis por enormes impactos nos ecos-
(24,1 milhões de habitantes) e Manila (21,9 milhões de sistemas costeiros e, assim, nas praias (McLachlan &
habitantes) (Figura 1). Brown, 2006; Defeo et al., 2009; Tett et al., 2011). Esta
tendência formaria parte do que - a escala global - tem
Estas megacidades costeiras são vórtices gigantes sido batizada por diversos cientistas como Antropo-
que atraem e concentram grandes quantidades de ali- ceno, uma nova época geológica na qual estaríamos
mento, água, energia e matérias prima de todo o mun- entrando (Crutzen & Stoermer, 2000; 2010).
F i g u r a 1 : A s c i n c o c i d a d es
m á s p o pu l o s a s do m u n d o s e
e n c o n t r a m l o c a l i za d a s n a zo n a
c o s t e i r a s ( m e g a c i da de s co s t ei r as ,
F O N T E: i k no w t he pi l o t . c o m
re s pe c t i v a m e n t e , T ó q u i o co m 3 1 ,5
m i l h õ e s d e h a bi t a n t e s e Man i l a
c o m 2 1 , 9 m i l h õ e s d e h a bi t an t es ).
13
O Antropoceno se refere ao intervalo de tempo con- necessidades, também gerou uma grande deterio-
temporâneo no qual muitos processos e condições ração ambiental (Carballo & Villasante, 2009). Isto é,
geologicamente significativas (e.g. ciclo da água, ci- devido a que o crescimento econômico mencionado
clos dos gases e elementos fundamentais) estão sen- foi realizado a partir de uma perspectiva que defende
do profundamente alterados pelas atividades humanas que o capital natural pode ser substituído pelo capital
(Figura 2). Embora infalivelmente todas as atividades humano. Neste sentido, o modelo atual de crescimen-
realizadas pelos seres to não tem considerado
vivos afetem de alguma que certos recursos não
maneira nosso entor- são renováveis ou que
no, a humanidade tem certos bens e serviços
provocado rompimen- ambientais são insubs-
tos nos grandes ciclos tituíveis (e.g. camada
biológicos, químicos e de ozônio, regulação
geológicos, através dos do clima). Igualmente,
quais elementos funda- também não tem obser-
mentais como o Carbo- vado que este desenvol-
no e o Nitrogênio circu- vimento produz dejetos
lam entre a terra, o mar que devem ser absor-
e a atmosfera. Desta vidos por algum sumi-
maneira, o ser humano douro natural que, sem
influencia no funciona- dúvidas, tem uma ca-
mento do planeta Terra pacidade limitada (EEA,
de modo equiparável às 2006).
grandes forças da Natu-
reza (Welcome to the An-
thropocene, [Link]
F O N T E : J o n B er k e l e y.
[Link]).
15
Especificadamente, para as praias, e estreitamente vinculadas aos três fatores antes
mencionados, foram descritas diversas forçantes que - ao atuarem em distintas escalas espaciais
e temporais - seriam as principais geradoras de impacto (Defeo et al., 2009):
USO RECREATIVO: as atividades recreativas da zona costeira se encontram, em sua maioria, concentradas nas
praias. Nas últimas décadas, estas atividades foram potencializadas pelo crescimento exponencial das populações
humanas nas zonas costeiras, o aumento da mobilidade das pessoas e a disponibilidade de tempo livre (De Ruyck
et al., 1997; Caffyn & Jobbins, 2003; Fanini et al., 2006 em Defeo et al., 2009);
LIMPEZA DE PRAIAS: a limpeza das praias é uma prática muito habitual, principalmente em praias com alto uso
turístico. Exceto por algumas exceções, onde a coleta se realiza de forma manual, a limpeza costuma ser mecânica,
raspando e tamisando a areia. Embora existam equipamentos diferentes que limitam a quantidade de areia perdida,
além de retirar os resíduos, a coleta mecânica costuma remover também os propágulos de plantas características
de dunas e outras espécies e perturbam os organismos habitantes da areia (e.g. Dugan et al., 2003; Davenport &
Davenport 2006 em Defeo et al., 2009);
REGENERAÇÃO (Nourishment): Mais de 70% das praias do mundo atualmente sofrem com problemas de erosão
e, considerando a pouca efetividade das “obras duras” (e.g. espigões, quebra mares) para resolver este problema, a
regeneração de praias (em inglês, nourishment) tem sido a ferramenta mais utilizada. Ainda que esta solução possa
ser a mais aconselhada do ponto de vista econômico e da conservação do solo, a regeneração pode ter sérias
consequências nas praias (hábitats e biota) (e.g. Goldberg 1988, Speybroeck et al., 2006 em Defeo et al., 2009);
ESPÉCIES INVASORAS: As atividades humanas que podiam ser vetores para a introdução de espécies invasoras
nas praias não são algo recente como, por exemplo, o intercâmbio de grandes quantidades de água de lastro na
zona costeira para a manutenção de navios. Como resultado destas introduções, espécies invasoras de micrófitos
colonizaram zonas intermareais em diversas regiões costeiras do mundo (Inderjit et al., 2006 em Defeo et al., 2009);
EROSÃO COSTEIRA: O uso crescente da zona costeira por parte das populações humanas tem como conse-
quência uma intensificação do desenvolvimento urbano na Zona Litoral Ativa, sugerindo uma adequada gestão
desta zona (ver mais detalhes sobre a ZLA na seção 2). Não obstante, estes desenvolvimentos geralmente levam à
alteração do balanço sedimentar que nutre as praias. Como resultado, a maioria das zonas costeiras modernas do
mundo sofre, na atualidade, um incremento nas taxas de erosão (e.g. Nordstrom, 2000, Cooper & McKenna, 2008
em Defeo et al., 2009, Jiménez et al., 2011);
MUDANÇAS CLIMÁTICAS: Ainda que a magnitude das mudanças climáticas e suas consequências seguem
sendo incertas, as respostas ecológicas são cada vez mais evidentes no caso das praias (Brown & McLachlan
2002; Jones et al., 2007a em Defeo et al., 2009).
FO N T E: F e d e ri c o G i a mp i e r i .
17
FO N TE: Ze n y R osa l i n a .
Entretanto, paralelamente a esta crescente pressão sobre os ecossistemas naturais, as sociedades humanas e as
economias globais dependem cada vez mais dos serviços e benefícios ambientais que estes ecossistemas nos
fornecem gratuitamente. É por isto que se torna fundamental que estes ecossistemas se restaurem e se conservem
saudáveis, funcionais e resilientes (ver Box 1).
19
3. O SISTEMA COSTEIRO EM MUDANÇA CONTÍNUA
O
que percebemos como “a zona costeira” é o que continuam esculpindo-a – especialmente desde o
resultado de um delicado e complexo estado Holoceno nos últimos 10 mil anos até a atualidade - re-
dinâmico, produto da interação de energias, lacionam-se com fatores climáticos e geomorfológicos
materiais, formas estruturais e também culturas. Se de escala regional. Em especial, devemos considerar a
observarmos a zona costeira em escala global, vamos presença de extremidades rígidas e suas dimensões –
encontrar uma alta diversidade e interação entre uni- como os promontórios rochosos -, o tipo de materiais
dades ambientais. Zonas costeiras com gelo em altas que se encontra presente (ex. rochas, areias, siltes,
latitudes, com falésias, costas rochosas, coralíneas, argilas), a topografia exposta e submarina, o regime e
estuários, costas com manguezais... Costas arenosas. potência dos ventos, a altura e incidência das ondas, a
Inclusive, atualmente, podemos observar zonas costei- disponibilidade de sedimentos e também as atividades
ras totalmente transformadas por distintas atividades humanas. Estas últimas, em particular, constituem for-
humanas, até “zonas costeiras de infraestruturas”, por çantes com potencial de alterar a estrutura do sistema
exemplo, no caso de grandes portos onde o litoral pré- costeiro, de gerar distúrbios e pressões que finalmen-
vio às atividades e suas transformações é agora irre- te podem chegar a constituir importantes impactos
conhecível. Então, o litoral pode ser percebido também ambientais negativos e impossíveis de reverter.
como um espaço problemático e conflitivo.
A título de exemplo, para compreender os processos e
A zona costeira é, portanto, um sistema altamente di- as dinâmicas que ocorrem no sistema costeiro e ten-
nâmico, onde as atividades humanas nem sempre se do em conta a nossa região, nos concentraremos no
ajustam às forças ou forçantes que determinam sua caso das costas conformadas por praias arenosas.
estrutura. É possível reconhecer que em qualquer país,
a zona costeira se estende desde o limite marinho (pla- Deste modo, as costas formadas por praias arenosas
taforma continental e mar territorial quese relacionam estão constituídas, desde o ponto de vista ecológico,
a fronteiras ecossistêmicas e jurídicas) até seus limites por dois componentes: 1. Um ecossistema marinho
geopolíticos no interior do continente (fronteira sócio- controlado pela ação das ondas e habitado pela bio-
demográfica). Existem numerosas definições sobre a ta marinha; e 2. Um ecossistema terrestre controla-
zona costeira, uma delas a considera como uma eco- do pela ação do vento, habitado pela biota terrestre
-região de interações físicas, biológicas e socioeco- (McGwynne & McLachlan 1992). Ambos os sistemas,
nômicas, onde ocorre um intercâmbio de energia e ainda que diferentes, interagem em uma única unida-
materiais entre ecossistemas terrestres, as bacias que de geomorfológica chamada “Zona Litorânea Ativa” (a
drenam a água doce, a atmosfera e o oceano. seguir ZLA, fig.3). A ZLA constitui uma interface entre
o oceano e o continente, em um estado de equilíbrio
Porém, o que faz que a zona costeira seja o que é dinâmico de acordo com o produto deste intercâmbio
e esteja no estado que a percebemos? Podemos en- de materiais e energia entre o mar e a terra, onde os
contrar uma resposta se nos detemos a observar e a sedimentos se mantêm constantemente em movimen-
compreender as variáveis, forças ou forçantes mais to (Tinley 1985, McGwynne & McLachlan 1992). Pode-
importantes que a modelam. Os processos dinâmicos mos diferenciar a ZLA em três unidades que mantêm
U N I D A D E G E OM OR FOLÓGI CA - ZLA
de Álav a 2 007, a da pta do de T i nl ey (1985) e
Me c Gwynne & M cLa chl a n (1992)
21
Tanto no tempo como no espaço, este modelo expres- É possível compreender a evolução e as mudanças
sa dinamismo, mobilidade, plasticidade e mudanças da ZLA tomando como exemplo a posição da linha de
nas estruturas geomorfológicas como produto da in- costa por erosão ou acreção, que depende do balan-
teração de energias entre o oceano, a atmosfera e o ço de sedimentos que podem ser transportados (fluxo)
continente. É possível modelar esta interação em três entre sistemas. Aqui intervêm quatro dinâmicas funda-
grandes sistemas (Figura 4): mentais (Figura 4):
de Á l a v a , 2 0 0 2 , 2 0 0 7 .
23
4. A BIOTA DAS PRAIAS ARENOSAS
A
s praias arenosas são ambientes fisicamente rigorosos (ver capítulo 2),
cujas características morfodinâmicas podem variar entre estados de alta e
baixa dissipação de energia de onda (Short & Wright, 1983; Short, 1996).
Portanto, constituem hábitats muito dinâmicos em suas condições físicas, tanto a
mesoescala (desde o mar até as dunas), como a macroescala (entre praias diferen-
tes). Isto determina que as espécies que aí habitam estejam altamente adaptadas
tanto anatomicamente como fisiologicamente. A grande capacidade de mobilida-
de, estruturas anatômicas que permitem um rápido enterramento, exoesqueletos
resistentes, comportamentos rítmicos, mecanismos de orientação e a plasticidade
comportamental e reprodutiva são algumas das adaptações que apresentam as es-
pécies a estas condições (Brown, 1996; Scapini et al., 2006; Delgado & Defeo, 2007;
Delgado & Defeo, 2008; Defeo et al., 2009; McLachlan & Defeo, 2013).
25
A ZLA media, ou mesolitoral, compreende entre o swa-
sh e as dunas frontais, onde existe interação entre a
energia das ondulações e a energia eólica, abrigando
uma grande diversidade de organismos, desde bacté-
rias até macro-invertebrados (ex. crustáceos, molus-
cos, poliquetas, insetos), abrangendo a maioria dos
grupos tróficos (Defeo et al., 2009). Os interstícios entre Asterionella
F i g u r a 6 : A ) v i s t a do
mesolitoral da Zona
L i t o r â n e a A t i v a da P r ai a da
B Ba r r a d e l C h u y, U ru g u ay.
B) D o n a x h a n l e y a n u s ; C )
M e s o de s m a m a c t ro i des ;
e D ) E m e r i t a s br a s il i en s i s ,
m a c ro i n v e r t e br a d os
h a bi t a n t e s d a zo n a de
C
s w a s h . F o n t e : A u to r a
D
pécies do gênero Emerita constituem os invertebra- forma, a espécie assegura que as crias recém paridas
dos melhor adaptados aos ambientes de swash de tenham um maior tamanho e desenvolvimento que as
praias arenosas. Sua exitosa adaptação a este tipo de permita sobreviver nestas condições inóspitas (Mar-
habitat é dada tanto por seu comportamento esca- tinéz & Defeo, 2006).
vador e sua alimentação por filtração (mediante a um
par de antênulas plumosas), como também por sua No contexto de ecologia de praias arenosas, o paradig-
particular biologia reprodutiva e seu complexo padrão ma central prediz que, a nível de comunidades macro-
de ciclo de vida (Subramonuam, 1987; Subramoniam faunísticas, a diversidade de espécies, a abundância
& Gunamalai, 2003; Delgado & Defeo, 2006; Delgado total e a biomassa, aumentam desde praias refletivas
2007; Delgado & Defeo, 2008). a praias dissipativas (McLachlan & Dorvlo, 2005). Este
paradigma é fundamentado principalmente pela Hi-
A ZLA superior, ou supralitoral, compreendida desde pótese Autoecológica (HA) (Noy-Meir, 1979) aplicada
as dunas frontais até o interior do continente, pode a praias arenosas (MCLachlan, 1990) e a Hipótese
apresentar comunidades herbáceas de porte muito de Exclusão de Swash (HES) (McArdle & McLachlan,
baixo, adaptadas às condições de dessecação e com 1991; McLachlan et al., 1993). A HA estabelece que
grande desenvolvimento radicular, que cumprem um as comunidades estão estruturadas pelas respostas
importante papel na estabilização das dunas. Além individuais de cada espécie frente as variações no am-
disso, o supralitoral usualmente é uma zona importan- biente físico, sendo mínimas as interações biológicas.
te para a nidificação de tartarugas e de aves costeiras. Em consonância com a HA e restringindo-se à zona de
Nas praias refletivas, o supralitoral constitui um hábitat swash, a HES prediz que a exclusão de espécies até o
favorável para os invertebrados (Habitat Safety Hypo- extremo refletivo do gradiente morfodinâmico é devido
thesis, Defeo &Gómez, 2005). Por exemplo, os crus- à rigorosidade do ambiente intermareal e ao tamanho
táceos isópodes da espécie Excirolana braziliensis do sedimento, o que reflete a estreita relação entre os
apresentam um ciclo de vida direto como adaptação atributos comunitários e as variáveis físicas (McLa-
a este tipo de ambiente. As fêmeas incubam poucos chlan, 1990; Defeo et al., 1992; McLachlan et al, 1993;
embriões em uma estrutura semelhante ao “marsú- Jaramillo et al., 2000; Rodil & Lastra, 2004; McLachlan
pio” formada por prolongações corporais (osteguitos), & Dorvlo, 2005; Lercari & Defeo, 2006).
onde ocorre todo o desenvolvimento das crias; desta
27
5. AS PRAIAS COMO SISTEMAS SOCIOECOLÓGICOS
F
rente à necessidade iminente de alcançar um e co-evolucionam constantemente em diferentes es-
modelo de desenvolvimento sustentável base- calas espaciais e temporais. Um SES está composto
ado em um enfoque sistêmico integral (ex. En- por uma unidade bio-geo-física e pelos atores sociais
foque Ecossistêmico, Gestão Baseada nos Ecossiste- e institucionais associados a esta unidade. São sis-
mas), e considerando o vínculo intrínseco que existe temas complexos e adaptativos, e estão delimitados
entre a Sociedade e Natureza, surge o conceito de por fronteiras espaciais ou funcionais que rodeiam de-
Sistema Sócioecológico (SES; Berkes & Folke, 1998). terminados ecossistemas e as problemáticas de seu
contexto (Glaser et al., 2008). Desta maneira, os ecos-
Este conceito enfatiza a perspectiva “do ser humano sistemas saudáveis e funcionais fornecem a matriz
e a natureza”, com os ecossistemas integrados na biofísica e os serviços ecossistêmicos que permitem
sociedade humana. Atualmente é impossível conce- o desenvolvimento social e econômico. Entretanto, es-
ber “Natureza sem Sociedade e Sociedade sem Na- tes ecossistemas são hoje (e têm sido ao longo do
tureza”, não existindo nenhum sistema natural sem tempo), por sua vez, modificados e adaptados pelas
impacto humano e nenhum sistema social sem natu- decisões e pelas ações humanas (diretas e indiretas),
reza. Os sistemas sociais e ecológicos não estão so- que, em definitiva, afetam as capacidades do sistema
mente vinculados, estão realmente interconectados de sustentar o desenvolvimento social (Figura 7).
SISTEMAS SOCIECOLÓGICOS
PRESSÕES
PULSOS
F i g u r a 7 : D i a g r a ma
esquemático
de um sistema
Só c i o e c o l ó g i c o .
F o n t e : A da pt a d o de
Sa rd á R. c o m . pe r s .
29
É neste sentido que Tett et al. (2011) descrevem que rem todas as dimensões e que incluam todos os ato-
na gestão dos sistemas sócioecológicos e, em es- res envolvidos (ex. população, setor privado, distintos
pecial, daqueles localizados nas zonas costeiras de- níveis de governo e academia). Neste sentido, a co-
vido à diversas coincidência de interesses, atores e municação tem sido destacada como uma instância
jurisdições, se deveria aspirar a “encontrar soluções fundamental, mas com especial ênfase na consulta
ecologicamente sustentáveis, socialmente equitativas já que este diálogo deve ser bidirecional e não mera-
e economicamente rentáveis”. Por isso, a compreen- mente comunicativo desde gestores a atores. A GIZC
são e gestão das zonas costeiras e, em particular, das tem sido conhecida como um componente inerente e
praias, requerem esforços conjuntos de ao menos três necessário do desenvolvimento sustentável das praias
disciplinas acadêmicas, cada uma delas com pontos e outras zonas costeiras, e vice-versa (Chua, 1993;
de vista muito particulares: i) a Economia: que consiste Vallega, 1993; Cicin-Sain et al., 1995). Com o objetivo
na maneira em que os seres humanos produzem e uti- de alcançar um balanço sustentável entre o desenvol-
lizam os recursos para satisfazer suas necessidades vimento das sociedades humanas e a qualidade e a
de bem estar, ii) a Sociologia: que descreve e analisa saúde dos ambientes costeiros, o principal objetivo da
as atividades sociais humanas e suas instituições, e GIZC é “melhorar a qualidade de vida das comunida-
iii) a Ecologia: que pretende compreender o papel dos des humanas que dependem dos recursos costeiros,
seres vivos no funcionamento do mundo natural (Tett mantendo a diversidade biológica e a produtividade
et al., 2011). dos ecossistemas costeiros” (GESAMP, 1996, Olsen et
al., 1997).
Estas estratégias integradas surgem como resultado
FO N TE : J ul i a C a mp os.
Os ecossistemas costeiros resultam fundamentais para proposto pela EM, tem sido pioneira na investigação
as sociedades humanas, brindando diversos bens e do meio ambiente (ver box 2). A partir desta aproxi-
serviços que contribuem diretamente ao bem-estar do mação , as consequências a nível econômico, social e
ser humano. Conhecidos como serviços ecossistêmi- de bem-estar humano dos danos sobre o ecossiste-
cos (SE), estes são definidos como “o benefício direto ma parecem mais claras. Incorporando além de uma
ou indireto que o homem obtém dos ecossistemas” dimensão econômica, este conceito provê informação
(MEA, 2005). A Avaliação dos Ecossistemas do Milê- fundamental para os gestores frente a implementação
nio (EM) foi fundamental para o desenvolvimento deste de políticas efetivas de conservação que contribuam
conceito, sendo uma das principais conquistas a in- ao bem-estar social e desenvolvimento sustentável (de
clusão do SE na agenda global sobre sustentabilidade. Groot 1992, 2010, Constanza et al., 1997, Boyod & Ba-
A análise da gestão de recursos naturais através dos nhaf 2006, Fisher & Tuner 2008, Nahlik et al., 2012).
SE e sua vinculação direta com o bem-estar humano
F O N T E: Ma s s i m o Vi t a li .
31
BOX 2- OS SERVIÇOS
ECOSSISTÊMICOS E O
BEM-ESTAR HUMANO
Segurança
Aprovisionamento
Segurança pessoal
Alimento
Acesso seguro aos recursos
Água doce
Segurança frente a desastres
Madeira e fibra
Combustível
Engenharia ecológica
Serviços de
Aprovisionamento
Bem-estar
humano
Processos Serviços de
ecossistêmicos Regulação
Serviços
culturais
Restrições no
acesso e uso
Fonte : Ad a p t a do d e Be n n e t t e t a l . 2 0 0 9 .
33
Uma praia sadia e funcional brinda uma gran- funcionalidade natural da praia estaria vinculada
de quantidade de SE que são essenciais para o a garantir as condições que permitam o desenvol-
uso humano destes sistemas que, usualmente, vimento de ditas comunidades. A função recrea-
agrupam-se em três grandes categorias: de Pro- tiva das praias está relacionada com o papel de
teção, Natural e Recreativa (Ariza et al., 2010). A suporte físico das distintas atividades recreativas
função de proteção das praias está diretamente e de exploração turística que desempenham es-
relacionada com a segurança das infraestruturas tes sistemas. Para que sejam funcionais, as praias
que se encontram na parte traseira da praia (ou devem cumprir uma série de condições como ser
hinterland). A Praia dissipa/absorve a energia da larga o suficiente, prover condições seguras de
onda incidente durante o impacto de tormentas banho ou vistas e paisagens atrativas.
protegendo assim o hinterland e as infraestru-
turas. Neste sentido, para que a praia seja real- Para as áreas costeiras e, especificadamente,
mente funcional, sua porção emergida deve ter para as praias, são descritos diversos SE (e.g.
uma largura suficiente para que possa prover MEA, 2005; Beaumont et al., 2007; Defeo et al.,
esta proteção (Jimènez et al., 2011). Como men- 2009; Brenner et al., 2010; Lozoya et al., 2011).
cionado anteriormente, existem diversas comuni- Talvez como os mais característicos, poderiam
dades biológicas que habitam estes sistemas. A ser destacados:
F O N TE : J ul i a C am p os .
F O N TE : Bob Mor a e s.
F O N TE : S e t h D oyl e .
ALIMENTO
As zonas costeiras e as praias são tradicionalmente zonas muito ricas em alimentos, dando origem a diversas
pescarias artesanais (ex. bivalves, peixes), mas também em épocas mais atuais há um grande desenvolvimento da
pesca esportiva.
F O N T E: Ch a rl o t t e C o n e y be er.
F O N T E : B ri an Er i c k s o n .
35
RECREAÇÃO
Este serviço está diretamente relacionado às oportunidades de lazer, relaxamento e ao estímulo do corpo e da
mente impulsionados pelos ecossistemas. Além disso, este serviço é a base da uma imensa indústria de escala
mundial que resulta fundamental para o desenvolvimento econômico de muitos países.
FO N TE : c l oud vi sua l .
FO N TE : Bob Mor a e s.
ESTÉTICO
Este serviço está vinculado às características da paisagem que os tornam atrativos a partir do desfrute sensorial de
um sistema ecológico funcional.
F O N T E: B o b Mo r ae s .
A zona litoral é particularmente atrativa para o ser humano, já que além de fornecer todos estes serviços, é
também um lugar estratégico para a indústria, a atividade comercial e o transporte (Tett et al., 2009).
¹ Laboratóri o de Co n s e r v a çã o e G e s t ã o C o s t e i r a
C e ntro d e C iênc i as Tec nol ógi c as da Te r r a e do M a r – C T T M a r – U n i v e r s i da d e d o
Val e do I t a j a í – U N I VA L I
37
On d e t u do come çou...
H
eráclito, criador da dialética, defendia que lações de sua margem. Corbin (1993) revisou inclusive
“nada é permanente, a não ser a mudança”. as visões dos gregos e romanos, encontrando muitas
De fato, as praias tanto do ponto de vista de citações na teologia e na literatura clássica deste te-
sua morfologia quanto do seu uso pela população, po- mor e inapetência pelo mar e pelas praias.
dem ser encaixadas nessa definição uma vez que têm
sofrido diversas modificações ao longo do tempo. Além disto, as terras costeiras também eram conside-
radas inúteis para as atividades produtivas desenvolvi-
Salvo alguns esparsos momentos da antiguidade - das na época, com destaque para os solos inférteis e
como na Roma antiga, com suas vilas balneárias ao muito salinos à agricultura.
lado do mar que remetiam a fins de higiene e esportivos
- as costas dos territórios com característica exposta Após o início da colonização de novos territorios além
foram principalmente vistas como um local inóspito mar, no final do século XV, foi dado o início a uma
que representava perigo às pessoas. Esta percepção modificação desta concepção e as zonas litorâneas
permaneceu por centenas de anos e começou a mu- europeias começaram a ser povoadas, principalmen-
dar a partir do período das grandes navegações. te os litorais de característica abrigada, ideais para o
estabelecimento de portos, seguidos posteriormente
Segundo Corbin (1993), historiador francês que traça a pelo desenvolvimento das atividades industriais (Mar-
história da praia no imaginário ocidental, no Ocidente, tins & Vasconselos, 2011). Muito embora, os vilarejos
antes do século XVII, a praia era um lugar tenebroso e cidades ainda apresentavam um olhar voltado aos
e pouco cobiçado. Os conceitos teológicos predomi- continentes, construídos de costas para o mar. Tal fato
nantes nessa época insinuavam imagens monstruosas se faz ainda mais importante no continente americano
do oceano, relacionando o mar com os restos de um dado que, constituído de países povoados ou colo-
dilúvio enviado como um castigo divino. As caracte- nizados, a ocupação deste território começou, quase
rísticas mutáveis do oceano, seu poder de destruição sempre, pelas praias, com as embarcações como o
durante os temporais e, em geral, sua impossibilidade principal meio de transporte para novas conquistas
de domínio por parte do homem, distanciava as popu- territoriais (Sabel apud Urry, 2001).
F O N T E: o o s u n Wo n .
39
A CHEGAD A DO BA NHO DE MA R...
F i g u r a 8 : Po r t o Bel o Beach ,
No continente europeu, a medicina foi a responsável
E s c ó c i a - 1 9 0 5 . F o n t e:
por aproximar o homem à beira do mar, atribuindo F o t o s o bt i d a s n a i n t er n et .
41
... E, DO BA NHO DE SOL
*Figuras 12
Primeiramente, a consolidação deste fenômeno se dá
através da elite britânica que apresentava um poder
de criar tendências nas camadas sociais mais baixas,
como os burgueses, acabando por se estender à po-
pulação de um modo geral.
43
A F ONTE DE L A Z ER
F i g u r a 15 : P r ai a de
Po c i t o s , Mo n t ev i déu ,
U r u g u a i - 1 9 3 8 . F o n t e:
Cabe ressaltar, porém, que no Brasil os primeiros li- pu n t av i [Link] m
VOCÊ SABIA ?
F i g u r a 1 6 : Re s qu í c i o s
do s c o s t u m e s pr a i a n o s
i n d í g e n a . F o n t e : i n t e r n et .
Figu ra 17: Ip a ne m a ,
Rio de J a ne iro,
Brasil - Dé c a d a d e
6 0. Fon te : c ha r ly- s-
garage.
47
As di vers a s f unções d a s p r a i a s
Figur a 19: Ma ya Be a c h , Ta i l â n d i a , a p r a i a do f i l m e
“ The B e a c h” la nç a d o e m 2 0 0 0 . F o n a F i g u r a 2 1 :
Ca p a d o livro libro s o b re a c u l t u r a do s u r f “ Po p
S ur f Culture : Mu s i c , D e s i g n , F i l m a n d F a s h i o n
f rom the B ohe m i a n Su r f Bo o m ” . F o n t e : C h d e s t e r &
P r iore , 2008. te : Ya c h t i n g L i f e s t y l e .
49
8. O TURISMO
DE SOL E PRAIA
V
árias são as definições utilizadas para o turis-
mo direcionado às áreas litorâneas, tais como
Turismo em Praias, Turismo Litorâneo, Turismo
de Sol e Mar, Ecoturismo Litorâneo, Turismo de Sol e
Praia ou Turismo Costeiro. Mesmo com a diversidade VOCÊ SABIA ?
de nomenclaturas, os impulsionadores destas modali-
dades turísticas predominantemente são os mesmos: A origem da palavra TURISMO tem seu nome
A presença conjunta de Beleza Cênica, Sol, Calor e derivado do francês tour, “volta, circuito,
Água (UNEP, 2009; MinTur, 2010) favorecendo o de- volta ao redor”, de tourner, “fazer a volta”, e
senvolvimento das atividades de recreação, descanso também do latim tornare, “fazer dar a volta,
e entretenimento (Orams, 2003). polir, girar um torno”. Ou seja, “sair, dar uma
volta e retornar”.
Embora os impulsionadores sejam os mesmos, as
características geográficas, paisagísticas, culturais e
de infraestrutura, particulares de cada localidade, di-
ferenciam as atividades e suas atratividades, gerando
fluxos de pessoas distinto das áreas circundantes, em
função de seus interesses nos atributos disponíveis
para a atividade turística. No entanto, muitas são as
iniciativas para prover serviços turísticos a partir da
implementação de infraestrutura (ex: Ecoequipamen-
tos, Resorts, Hotéis, Bares, Danceterias, e etc.) para
que estes somem aos atributos naturais e paisagís-
ticos, aumentando sua atratividade turística (UNEP,
2009). Ou seja, os processos turísticos em regiões li-
torâneas podem ser alterados no espaço e no tempo,
ajustando-se entre oferta e demanda (Zielinski & Bo-
tero, 2012). No entanto, as praias podem ser compre-
endidas como espaços de multiuso, pois podem atrair
mais de um perfil de usuário ao mesmo tempo.
51
VOCÊ SABIA?
Uma pesquisa realizada pela empresa de turismo 2012), através das atividades de lazer e recreação dis-
Expedia (2013) mostrou que 77% dos brasileiros poníveis. Neste sentido, são entendidas como ativida-
apontam a praia como destino essencial de férias? des recreativas do turismo de praia, qualquer atividade
Além de que também não se importam em retornar que vincule Banho, Surf, Kitesurf, Windsurf, Mergulho,
a uma praia já explorada (92%) quando este lugar os Equipamentos Náuticos, Esportes, Cultura, Gastrono-
agrada. mia, entre outras.
O turismo de praias também é reconhecido pelos Embora o foco principal destes fluxos turísticos seja a
fluxos massivos durante os períodos ensolarados e praia, a influência exercida neste espaço ultrapassa a
de clima quente ou ameno do ano. Quando grandes barreira da beira-mar, e se reflete também em diver-
quantidades de pessoas buscam a costa para o re- sas atividades locais no entorno desta praia. A grande
laxamento e espairecimento associado ao banho de quantidade de banhistas na faixa de areia, o aumento
mar e infraestrutura disponível, com um cenário pai- acentuado na procura de hotéis, a maior presença de
sagístico diferente do local originário destes usuários, pessoas em restaurantes e, o aumento do tráfego nas
muitas vezes, tal comportamento é relatado como vias de circulação, são exemplos expressivos desta re-
sendo o “escape da vida urbana” (Zielinski & Botero, alidade.
F O N T E : C a m e ro n St o w.
FO N T E: Je sse C ol l i ns.
MI A MI
F O NT E: S ar a K a u t e n .
B E A C H
53
A p ro blemát ica
O turismo costeiro pode ser considerado um elemento frágeis (Zielinski & Botero, 2012). Fato este prejudicial
paradoxal, pois é responsável pela aceleração do de- à estabilidade e a função ecológica da orla marítima,
senvolvimento urbano e econômico trazendo inúmeros manguezais, restinga, matas ciliares, recifes de corais,
benefícios em infraestrutura, assim como de natureza marismas e áreas inundáveis, aumentando a vulnera-
socioeconômica, por outro lado, é concentrador de bilidade às catástrofes naturais, perda da biodiversida-
riqueza, de apropriação de espaços, de segregação de e diminuição dos estoques e recursos ambientais
social e de degradação ambiental (Figura 20). disponíveis (UNEP, 2009), por meio do desenvolvimen-
to de atividades incompatíveis com o ambiente em que
Os fatores que influenciam sobre a qualidade do turis- estão inseridas.
mo de praia estão associados aos aspectos de gestão
patrimonial, ordenamento territorial, gestão energéti-
ca, gestão de recursos hídricos, gestão de zonas cos-
teiras e orla marítima, e também, da gestão ambiental,
uma vez que esta modalidade turística é um grande
consumidor de recursos ambientais. (UNEP, 2009;
MinTur, 2010).
F i g u r a 2 0 : N o t í c i a s s o bre p ro b l e m a s de ero s ão
o b s e r v a do s n a s pr a i a s d e C a n c ú n – D es t i n o
m e x i c a n o d e s o l e pr a i a i n t e r n a ci o n al men t e
re c o n h e c i d o . F o n t e : m e x i c o t r a v e l n et wo r k .o rg .
FO N TE : Agust i n D i a z .
Não somente em questões ambientais, a gestão dos Uma das grandes questões que ainda é desfavorável
recursos direcionados as atividades turísticas podem ao cenário do turismo na costa, é que nem sempre
trazer grandes impactos nas comunidades locais. o aumento repentino do número de turistas é acom-
Afetam diretamente a estabilidade socioeconômica panhado pela provisão de infraestrutura necessária.
(Orams, 2003) e as características culturais das po- Como exemplo disto, a diminuição da eficiência do sa-
pulações residentes, bloqueando estas, ou não, ao neamento básico durante o período de alta tempora-
desfrute conjunto dos usufrutos gerados pelo turismo da, pelo maior número de usuários, pode gerar a con-
em suas praias e apreço pelo local (UNEP, 2009). Isto taminação do solo e água, resultando em um alto risco
requer uma gestão de recursos adequada a modo de a saúde humana e a integridade ambiental, que por
minimizar os impactos gerados pelas atividades vincu- sua vez pode influenciar negativamente a percepção
ladas a este setor. coletiva sobre a qualidade desta praia turística (Roca
et al., 2009).
55
O q ue f azer ? As certificações de qualidade de praias, am-
BOX 3
bientais ou turísticas, são ferramentas relativa-
A nível global, ainda pode ser notada a tendência da
mente modernas, que podem ser considera-
valorização ambiental das praias (Roca et al., 2009;
das também como ferramentas de gestão de
Lozoya et al., 2014). Desta forma, torna-se imprescin-
praias. Foi em meados da década de 1980, na
dível a implementação de ferramentas de gestão que
França que se criou a primeira certificação de praias
proporcionem ações que garantam as condições ide-
do mundo, chamada de Bandeira Azul.
ais de qualidade neste ambiente costeiro (Figura 21).
Algumas alternativas como gestão estratégica, plane-
As certificações de praias são esquemas que procu-
jamento participativo e fixação de critérios de certifica-
ram avaliar as características de uma praia em parti-
ção ambiental, objetivam prover de maneira otimizada,
cular, geralmente turística, através do cumprimento de
parâmetros de qualidade de água, cobertura de segu-
critérios mensuráveis. Estes esquemas são promovi-
rança, educação, acesso, qualidade da areia, informa-
dos como uma metodologia para a gestão de praias
ções e equipamentos, assim como práticas de uso e
pelas organizações que fornecem as certificações e
ocupação do solo (Williams & Micallef, 2009; Zielinski
pelas autoridades locais que as solicitam (FEE, 2006).
& Botero, 2012).
São denominados esquemas de certificação de praias
(ECP) (Beach Certification Schemes) todos os progra-
Atualmente, para o tema de gestão de praias, alguns
mas e iniciativas que buscam o reconhecimento públi-
pesquisadores têm dedicado devidos esforços para o
co de uma ou várias praias turísticas. Segundo Botero
desenvolvimento de ferramentas que permitam gerir a
(2013), um esquema de certificação de praias é um
praia adequadamente, considerando os impactos ge-
conjunto de elementos administrativos e operacionais,
rados pela indústria do turismo.
que através de um processo de avaliação sistemáti-
ca de requisitos pré-estabelecidos, avaliam a melhoria
Ferramentas como o Sistema de Informação Geográ-
contínua das condições holísticas da praia e reconhe-
fica (SIG), uma rede de monitoramento de qualidade
cem publicamente a sua efetiva gestão. Esta defini-
ambiental ou a avaliação da percepção dos usuários,
ção, portanto, concentra-se na avaliação contínua dos
geram informações úteis e valiosas, dado que seus
aspectos de conformidade (requisitos predefinidos) e
resultados serão utilizados como insumos de gestão
a existência de um quadro de gestão que vai além do
para uma praia em particular. Porém, apesar de serem
simples processo de auditoria.
uma fonte geradora de informação, as ferramentas de
gestão de praias, propriamente ditas, não tem função
Quanto às características mais comuns aos ECPs, Zie-
de gerar informação que apoie a gestão, e sim fazer
linski e Botero (2012) estabelecem as quatro seguintes:
gestão em si mesma, por isso sua menção de gestão.
Como exemplos destas ferramentas é possível citar: a
a. Aplicação voluntária;
capacidade de carga turística, o zoneamento bidimen-
b. Outorga de selo (logotipo);
sional de praias, a classificação das tipologias praias e
c. Fomento ao cumprimento da legislação e;
os esquemas de certificação de praias.
d. Avaliação por meio de terceira parte
independentes em forma de auditorias.
Fo unda ti on f or
E nviron me n ta l
E ducati on -
BAN D ER A A ZU L
I n s t i t uto
C o s t a r r i c e n se
de Acueductos y
A l c a n t ar i l l ad os
B A N D E R A A Z UL
E C O L Ó G I CA
C e r t i f i c a ç ão Tu r í s t i c a
d e P r ai a – E q u a d or
INEN 2631 – F i g u r a 2 1 : C er t i fi cação
E C O P L AYA S de pr a i a s n a Amér i ca
L a t i n a . F o n te: Zi el i n s k i
& Bot ero , 2 0 1 2 .
Or ga ni z a ci ón
Ecol ógi ca Pl a y a s
Per ua na s
E CO PL AYAS
57
A aplicabilidade do planejamento e gestão para o tu- O emprego efetivo de ações de gestão estratégica
rismo de Sol e Praia busca acompanhar e monitorar os pode gerar um grande poder de circulação de capi-
fluxos de visitantes e seu destino, por meio da defini- tal associada a conservação dos atributos ambientais.
ção de diretrizes, políticas e estratégias comuns para Fato este, que possibilita o desenvolvimento econômi-
lidar com os problemas, também comuns a todos que, co gerado propiciado a partir da geração de emprego
de alguma maneira, estão vinculados ao ambiente e renda, associada à manutenção da integridade do
praial. De forma a alcançar expectativas ótimas para ecossistema local, que implica na melhoria e manuten-
a utilização deste espaço de maneira ecologicamen- ção da qualidade de vida, e consequente valorização
te sustentável e economicamente viável (UNEP, 2009; do território.
Peral et al., 2010). Neste sentido, torna-se de extrema
importância o trabalho integrado dos setores públi-
F i g u r a 2 2 : F o t o s das
cos, privados e sociedade civil organizada, no esta- p r a i a s a m bi en t al men t e
c e r ti fi cadas de
belecimento de parcerias como parte essencial para Ba rc e l o n a , Es pan h a.
o posicionamento dos distintos locais a uma posição F on t e: Br i an a
Bo mban a.
competitiva dentro do mercado turístico (Iñiguez et al.,
2007).
59
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