Boletim Trabalhista n° 06 - Março/2019 - 2ª Quinzena
Matéria elaborada conforme a legislação vigente à época de sua publicação, sujeita a mudanças em decorrência das alterações
legais.
DIREITO DO TRABALHO
ESTÁGIO
Conceitos, Modalidades, Duração, Carga Horária, Bolsa Auxílio, Limitação, eSocial
ROTEIRO
1. INTRODUÇÃO
2. CONCEITOS
2.1. Estágio
2.2. Instituição de Ensino
2.3. Educação Superior
2.3.1. Cursos e Programas Abrangidos Pela Educação Superior
2.4. Educação Profissional e Tecnológica
2.5. Ensino Médio
2.6. Educação Especial
2.7. Ensino Fundamental - Modalidade Profissional da Educação de Jovens e
Adultos
2.7.1. Anos Finais
2.8. Atividades de Extensão, Monitoria e Iniciação Científica na Educação Superior
2.8.1. Atividades de Extensão
2.8.2. Atividades de Monitoria
2.8.3. Iniciação Científica
3. MODALIDADES DE ESTÁGIO
3.1. Estágio Obrigatório
3.2. Estágio Não Obrigatório
3.3. Quando o Estágio Não Gera Vínculo Empregatício
3.4. Quando o Estágio Gera Vínculo Empregatício
4. ESTUDANTES ESTRANGEIROS
5. AGENTES DE INTEGRAÇÃO
6. DA CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS
6.1. Obrigações das Instituições de Ensino
6.2. Obrigações da Parte Concedente
6.3. A Supervisão do Estágio
6.4. Carga Horária
6.4.1. Redução da Carga Horária em Período de Avaliação
6.4.2. Intervalo
6.5. Bolsa Auxílio e Auxílio-transporte
6.5.1. Desconto de Faltas Injustificadas
6.6. Recesso
6.7. Duração do Estágio
6.7.1. Prorrogação do Estágio
6.8. Seguro Contra Acidentes Pessoais
6.9. Empregado e Estagiário na Mesma Empresa
6.10. Saúde e Segurança do Trabalho
7. LIMITAÇÃO AO NÚMERO DE ESTAGIÁRIOS
7.1. Pessoas com Deficiência
8. FISCALIZAÇÃO
9. INSS
10. FGTS
11. ESOCIAL
1. INTRODUÇÃO
A relação de estágio é regulamentada pela Lei n° 11.788/2008, bem como, a Cartilha do Estágio elaborada pelo
Ministério do Trabalho traz algumas orientações práticas acerca dessa modalidade de contratação.
A Cartilha do Estágio pode ser consultada através do seguinte caminho:
Em destaque Trabalhista > Manuais/Cartilhas e Guias > Cartilhas > Cartilha Esclarecedora sobre a Lei do
Estágio.
Ainda, a Lei n° 9.394/1996, a qual estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, deve ser observada para que
haja a correta interpretação da Lei n° 11.788/2008 que regula a relação de estágio.
2. CONCEITOS
Para que haja a correta aplicação dos dispositivos trazidos na Lei n° 11.788/2008 é necessário observar os seguintes
conceitos:
2.1. Estágio
Nos termos do artigo 1° da Lei n° 11.788/2009, o estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no
ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino
regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos
anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos.
O estágio possibilita ao estudante colocar em prática os conhecimentos teóricos adquiridos, propiciando uma breve
experiência da profissão escolhida.
O estágio faz parte do projeto pedagógico do curso, além de integrar o itinerário formativo do educando, visando o
aprendizado de competências próprias da atividade profissional e à contextualização curricular, objetivando o
desenvolvimento do educando para a vida cidadã e para o trabalho, conforme estabelecem os §§ 1° e 2° do artigo 1° da
Lei n° 11.788/2008.
2.2. Instituição de Ensino
Considera-se como instituição de ensino a entidade dedicada à educação, empreendida por organização oficialmente
reconhecida e polarizada para proporcionar cursos, nos termos da Lei n° 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional - LDB).
2.3. Educação Superior
Nos termos do artigo 43, inciso II, da Lei n° 9.394/96, considera-se como educação superior aquela, que dentre outras,
tem por finalidade formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores
profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua.
2.3.1. Cursos e Programas Abrangidos pela Educação Superior
Conforme previsto no artigo 44 da Lei n° 9.394/96, a educação superior abrangerá os seguintes cursos e programas:
I - cursos sequenciais por campo de saber, de diferentes níveis de abrangência, abertos a candidatos que
atendam aos requisitos estabelecidos pelas instituições de ensino, desde que tenham concluído o ensino médio
ou equivalente;
II - de graduação, abertos a candidatos que tenham concluído o ensino médio ou equivalente e tenham sido
classificados em processo seletivo;
III - de pós-graduação, compreendendo programas de mestrado e doutorado, cursos de especialização,
aperfeiçoamento e outros, abertos a candidatos diplomados em cursos de graduação e que atendam às
exigências das instituições de ensino;
IV - de extensão, abertos a candidatos que atendam aos requisitos estabelecidos em cada caso pelas
instituições de ensino.
2.4. Educação Profissional e Tecnológica
O artigo 39, § 2°, da Lei n° 9.394/96 prevê que a educação profissional e tecnológica, no cumprimento dos objetivos da
educação nacional, integra-se aos diferentes níveis e modalidades de educação e às dimensões do trabalho, da ciência
e da tecnologia, abrangendo os seguintes cursos:
I - de formação inicial e continuada ou qualificação profissional;
II - de educação profissional técnica de nível médio;
III - de educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação.
2.5. Ensino Médio
Nos termos do artigo 35 da Lei n° 9.394/96, o ensino médio é a etapa final da educação básica, com duração mínima de
03 anos, terá como finalidades:
I - a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o
prosseguimento de estudos;
II - a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser
capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores;
III - o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da
autonomia intelectual e do pensamento crítico;
IV - a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria
com a prática, no ensino de cada disciplina.
2.6. Educação Especial
De acordo com o artigo 58 da Lei n° 9.394/96, entende-se por educação especial, a modalidade de educação escolar
oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do
desenvolvimento e altas habilidades ou super dotação.
2.7. Ensino Fundamental - Modalidade Profissional da Educação de Jovens e Adultos
O artigo 37 da Lei n° 9.394/96 estabelece que a educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram
acesso ou continuidade de estudos nos ensinos fundamental e médio na idade própria e constituirá instrumento para a
educação e a aprendizagem ao longo da vida.
Trata-se da educação de jovens e adultos referente a primeira etapa da educação básica com formação profissional,
para aqueles que não puderam efetuar os estudos na idade regular.
2.7.1. Anos Finais do Ensino Fundamental
Nos termos do artigo 32 da Lei n° 9.394/96, o ensino fundamental obrigatório tem duração de nove anos, é gratuito na
escola pública, e inicia-se aos seis anos de idade.
A pergunta 16 da Cartilha do Estágio esclarece que são considerados como anos finais do ensino fundamental na
modalidade da educação de jovens e adultos são os equivalentes ao período do 5° ao 9° ano do ensino fundamental
regular.
2.8. Atividades de Extensão, Monitoria e Iniciação Científica na Educação Superior
As atividades de extensão, de monitorias e de iniciação científica na educação superior desenvolvidas pelo estudante
podem ser equiparadas ao estágio, desde que estejam previstas no projeto pedagógico dos cursos da educação
superior, prevendo a equiparação dessas atividades com o estágio, conforme estabelece o artigo 2°, § 3°, da Lei n°
11.788/2008.
2.8.1. Atividades de Extensão
A pergunta 18 da Cartilha do Estágio esclarece que as atividades de extensão são as direcionadas a questões
relevantes da sociedade, possuindo caráter educativo, cultural, artístico, científico e/ou tecnológico que envolvem alunos
e docentes, sendo desenvolvidas junto à comunidade.
2.8.2. Atividades de Monitoria
As atividades de monitoria consistem naquelas em que há participação dos alunos na execução de projetos de ensino e
na vida acadêmica, além de incentivar a melhoria no processo ensino/aprendizagem fortalecendo a relação
aluno/professor, conforme esclarece a pergunta 19 da Cartilha do Estágio.
2.8.3. Iniciação Científica
Em conformidade com a pergunta 20 da Cartilha do Estágio, as atividades de iniciação científica são as que se destinam
à inserção do estudante em atividade de pesquisa científica e tecnológica e possibilitam uma formação complementar à
formação acadêmica.
3. MODALIDADES DE ESTÁGIO
O artigo 2° da Lei n° 11.788/2008, o estágio poderá ser obrigatório ou não-obrigatório, conforme determinação das
diretrizes curriculares da etapa, modalidade e área de ensino e do projeto pedagógico do curso.
A pergunta 06 da Cartilha do Estágio esclarece que o projeto pedagógico do curso é o documento elaborado pela
instituição de ensino que estabelece as diretrizes de funcionamento de um curso contendo orientações sobre as
disciplinas e seus conteúdos, carga horária, possibilidade de estágios, dentre outras.
3.1. Estágio Obrigatório
O estágio obrigatório é aquele definido como tal no projeto do curso, cuja carga horária é requisito para aprovação e
obtenção de diploma, conforme dispõe o artigo 2°, § 1°, da Lei n° 11.788/08.
3.2. Estágio Não Obrigatório
O estágio não-obrigatório é aquele desenvolvido como atividade opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória,
de acordo com o artigo 2°, § 2°, da Lei n° 11.788/08.
3.3. Quando o Estágio Não Gera Vínculo Empregatício
O artigo 3° da Lei n° 11.788/08, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, desde que cumpridos os
seguintes requisitos:
I - matrícula e frequência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de
ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da
educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino;
II - celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de
ensino;
III - compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso.
O estágio deve obrigatoriamente ser supervisionado, mediante acompanhamento pelo professor orientador da instituição
de ensino e pelo supervisor da parte concedente, conforme estabelece o artigo 3°, § 1°, da Lei n° 11.788/08.
3.4. Quando o Estágio Gera Vínculo Empregatício
Nos termos do artigo 3°, § 2°, da Lei n° 11.788/08, havendo o descumprimento de qualquer um dos requisitos
mencionados ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso de estágio, será caracterizado o vínculo
empregatício do estudante com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e
previdenciária.
4. ESTUDANTES ESTRANGEIROS
Conforme previsto no artigo 4° da Lei n° 11.788/08, a realização de estágios, aplica-se aos estudantes estrangeiros
regularmente matriculados em cursos superiores no País, autorizados ou reconhecidos, observado o prazo do visto
temporário de estudante, na forma da legislação aplicável.
5. AGENTES DE INTEGRAÇÃO
A contratação de estagiários pode ser dar diretamente com o estudante, por intermédio da instituição de ensino, ou por
meio de agentes de integração (Centro de Integração Empresa Escola - CIEE, por exemplo).
Conforme esclarece a pergunta 31 da Cartilha do Estágio, os agentes de integração são entidades que visam,
principalmente, auxiliar no processo de aperfeiçoamento do estágio, contribuindo na busca de espaço no mercado de
trabalho, aproximando, instituições de ensino, estudantes e empresas.
O artigo 5° da Lei n° 11.788/08, as instituições de ensino e as partes cedentes de estágio podem, a seu critério, recorrer
a serviços de agentes de integração públicos e privados, mediante condições acordadas em instrumento jurídico
apropriado, devendo ser observada, no caso de captação de recursos públicos para a contratação, a legislação que
estabelece as normas gerais de licitação.
Caberá aos agentes de integração, como auxiliares no processo de aperfeiçoamento do instituto do estágio:
- identificar oportunidades de estágio;
- ajustar suas condições de realização;
- fazer o acompanhamento administrativo;
- encaminhar negociação de seguros contra acidentes pessoais;
- cadastrar os estudantes.
É vedada a cobrança de qualquer valor do estudante, a título de remuneração pelos serviços prestados pelo agente de
integração, conforme dispõe o artigo 5°, § 2°, da Lei n° 11.788/2008.
Os agentes de integração serão responsabilizados civilmente se indicarem estagiários para a realização de atividades
não compatíveis com a programação curricular estabelecida para cada curso, assim como estagiários matriculados em
cursos ou instituições para as quais não há previsão de estágio curricular, de acordo com o artigo 5°, § 3° da Lei n°
11.788/08.
Em nenhuma hipótese, o agente de integração será o representante legal de qualquer das partes da relação de estágio,
conforme o artigo 16 da Lei n° 11.788/08 veda expressamente.
6. DA CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS
Quando do momento da contratação de estagiários, é necessário que cada parte dessa relação observe seus direitos e
obrigações.
6.1. Obrigações das Instituições de Ensino
O artigo 7° da Lei n° 11.788/08 menciona as obrigações pertinentes as instituições de ensino, em relação ao estágio de
seus educandos, quais sejam:
I - celebrar termo de compromisso com o educando ou com seu representante ou assistente legal, quando ele
for absoluta ou relativamente incapaz, e com a parte concedente, indicando as condições de adequação do
estágio à proposta pedagógica do curso, à etapa e modalidade da formação escolar do estudante e ao horário e
calendário escolar;
II - avaliar as instalações da parte concedente do estágio e sua adequação à formação cultural e profissional do
educando;
III - indicar professor-orientador, da área a ser desenvolvida no estágio, como responsável pelo
acompanhamento e avaliação das atividades do estagiário;
IV - exigir do educando a apresentação periódica, em prazo não superior a 6 (seis) meses, de relatório das
atividades;
V - zelar pelo cumprimento do termo de compromisso, reorientando o estagiário para outro local em caso de
descumprimento de suas normas;
VI - elaborar normas complementares e instrumentos de avaliação dos estágios de seus educandos;
VII - comunicar à parte concedente do estágio, no início do período letivo, as datas de realização de avaliações
escolares ou acadêmicas.
O plano de atividades do estagiário, elaborado em acordo das três partes da relação de estágio (instituição de ensino,
parte cedente do estágio e estagiário), será incorporado ao termo de compromisso por meio de aditivos à medida que for
avaliado, progressivamente, o desempenho do estudante.
De acordo com o artigo 8° da Lei n° 11.788/08, é possível a celebração de convênios entre as instituições de ensino com
entes públicos e privados para concessão de estágio, os quais devem explicitar o processo educativo compreendido nas
atividades programadas para seus educandos, bem como, questões relacionadas ao local de estágio e o tratamento
perante a legislação relacionada a medicina e segurança no trabalho.
Nessa hipótese, é importante mencionar que a mera celebração de convênio de concessão de estágio entre a instituição
de ensino e a parte concedente não dispensa a celebração do termo de compromisso de estágio entre o educando, a
parte concedente do estágio e a instituição de ensino.
6.2. Obrigações da Parte Concedente
Nos termos do artigo 9° da Lei n° 11.788/08, as pessoas jurídicas de direito privado e os órgãos da administração pública
direta, autárquica e fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
bem como profissionais liberais de nível superior devidamente registrados em seus respectivos conselhos de fiscalização
profissional, podem oferecer estágio, observadas as seguintes obrigações:
I - celebrar termo de compromisso com a instituição de ensino e o educando, zelando por seu cumprimento;
II - ofertar instalações que tenham condições de proporcionar ao educando atividades de aprendizagem social,
profissional e cultural;
III - indicar funcionário de seu quadro de pessoal, com formação ou experiência profissional na área de
conhecimento desenvolvida no curso do estagiário, para orientar e supervisionar até 10 (dez) estagiários
simultaneamente;
IV - contratar em favor do estagiário seguro contra acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores
de mercado, conforme fique estabelecido no termo de compromisso;
V - por ocasião do desligamento do estagiário, entregar termo de realização do estágio com indicação resumida
das atividades desenvolvidas, dos períodos e da avaliação de desempenho;
VI - manter à disposição da fiscalização documentos que comprovem a relação de estágio;
VII - enviar à instituição de ensino, com periodicidade mínima de 6 (seis) meses, relatório de atividades, com
vista obrigatória ao estagiário.
Na hipótese de estágio obrigatório, a responsabilidade pela contratação do seguro contra acidentes pessoais poderá,
alternativamente, ser assumida pela instituição de ensino.
6.3. A Supervisão do Estágio
O artigo 3°, § 1°, da Lei n° 11.788/08 estabelece que o estágio deve obrigatoriamente ser supervisionado, mediante
acompanhamento pelo professor orientador da instituição de ensino e pelo supervisor da parte concedente.
Nesse sentido, o artigo 9°, inciso III, da Lei n° 11.788/08 prevê que é de responsabilidade da parte concedente de
estágio, indicar um funcionário de seu quadro de pessoal, com formação ou experiência profissional na área de
conhecimento desenvolvida no curso do estagiário, para orientar e supervisionar até 10 estagiários simultaneamente,
conforme também esclarece a pergunta 27 da Cartilha do Estágio.
Nos termos do artigo 17, § 1° da Lei n° 11.788/08, considera-se quadro de pessoal o conjunto de trabalhadores
empregados existentes no estabelecimento do estágio.
Ou seja, para ser supervisor do estágio é necessário ser empregado da empresa, não podendo ser o sócio.
6.4. Carga Horária
De acordo com o artigo 10 da Lei n° 11.788/08, a jornada de atividade em estágio será definida de comum acordo entre a
instituição de ensino, a parte concedente e o estagiário (ou seu representante legal), devendo constar do termo de
compromisso ser compatível com as atividades escolares, não podendo ultrapassar:
I - 4 horas diárias e 20 horas semanais, no caso de estudantes de educação especial e dos anos finais do
ensino fundamental, na modalidade profissional de educação de jovens e adultos;
II - 6 horas diárias e 30 horas semanais, no caso de estudantes do ensino superior, da educação profissional de
nível médio e do ensino médio regular.
No estágio que alternar teoria e prática, nos períodos em que não estão programadas aulas presenciais, poderá ter
jornada de até 40 horas semanais, desde que isso esteja previsto no projeto pedagógico do curso e da instituição de
ensino, conforme prevê o artigo 10, § 1°, da Lei n° 11.788/08.
6.4.1. Redução da Carga Horária em Período de Avaliação
De acordo com o artigo 10, § 2°, da Lei n° 11.788/08, nos casos em que a instituição de ensino adotar verificações de
aprendizagem periódicas ou finais, nos períodos de avaliação, a carga horária do estágio será reduzida pelo menos à
metade, segundo estipulado no termo de compromisso, para garantir o bom desempenho do estudante.
Nesse sentido, a pergunta 42 da Cartilha do Estágio assim esclarece:
42. Nos dias de prova poderá haver redução da jornada de trabalho?
Sim. Se a instituição de ensino adotar verificações de aprendizagem periódicas ou finais, nos períodos de
avaliação, a carga horária do estágio será reduzida à metade, segundo o estipulado no Termo de Compromisso
de Estágio. Nesse caso, a instituição de ensino deverá comunicar à parte concedente do estágio, no início do
período letivo, as datas de realização de avaliações escolares ou acadêmicas (§ 2° do art. 10 da Lei n°
11.788/2008).
6.4.2. Intervalo
Conforme esclarece a pergunta 41 da Cartilha do Estágio, as partes devem regular a questão de intervalo para
descanso, de comum acordo no Termo de Compromisso de Estágio.
A recomendação é de que haja a observância de período suficiente à preservação da higidez física e mental do
estagiário e respeito aos padrões de horário de alimentação - lanches, almoço e jantar.
6.5. Bolsa Auxílio e Auxílio-transporte
Nos termos do artigo 12 da Lei n° 11.788/08, o estagiário poderá receber bolsa ou outra forma de contraprestação que
venha a ser acordada, sendo compulsória a sua concessão, bem como a do auxílio-transporte, na hipótese de estágio
não obrigatório, conforme observa-se abaixo:
Estágio Obrigatório --→ Pagamento da Bolsa Auxílio + Auxílio-transporte Não é Obrigatório
Estágio Não Obrigatório --→ Pagamento da Bolsa Auxílio + Auxílio-transporte é Obrigatório
A concessão de benefícios relacionados a transporte, alimentação e saúde, entre outros, não caracteriza vínculo
empregatício.
Não há impedimento para o auxílio-transporte seja pago em dinheiro ao estagiário, mediante assinatura de recibo, visto
que legislação não menciona expressamente que este deve ser fornecido por meio de vale-transporte.
A pergunta 46 da Cartilha do Estágio esclarece que o auxílio-transporte é a concessão de recursos financeiros para
auxiliar nas despesas de deslocamento do estagiário ao local de estágio e seu retorno. Esta concessão poderá ser
substituída por transporte próprio da empresa, sendo que ambas as alternativas deverão constar do Termo de
Compromisso.
6.5.1. Desconto de Faltas Injustificadas
Com relação as ausências injustificadas do estagiário, a Lei n° 11.788/08 não menciona previsão expressa com relação a
possibilidade de descontar tais ausências do valor da bolsa auxílio paga ao estagiário.
Entretanto, a pergunta 50 da Cartilha do Estágio, orienta que as ausências podem ser descontadas do valor da bolsa
auxílio do estagiário.
A remuneração da bolsa auxílio pressupõe o cumprimento das atividades previstas no Termo de Compromisso do
Estágio.
Eventuais ausências, devidamente justificadas, poderão ser objeto de acordo entre as partes, não gerando o desconto.
Todavia, ausências constantes, poderão gerar a iniciativa da parte concedente não apenas de descontar percentuais do
valor da bolsa, mas até mesmo de rescindir o contrato.
Já com relação ao desconto do DSR (descanso semanal remunerado), este não é aplicável ao estagiário, visto que o
artigo 6° da Lei n° 605/49 menciona “empregado”, e o estagiário não possui esse tipo de vínculo com a empresa
concedente do estágio, bem como, o estagiário é regido por legislação própria (Lei n° 11.788/08) a qual não menciona
essa possibilidade.
6.6. Recesso
O artigo 13 da Lei n° 11.788/08 estabelece que, sempre que o estágio tenha duração igual ou superior a 1 ano, é
assegurado ao estagiário um recesso de 30 dias, a ser gozado preferencialmente durante suas férias escolares.
Sempre que o estágio for remunerado, o recesso também será remunerado.
Na hipótese de o estágio ter duração inferior a 1 ano, os dias de recesso serão concedidos de maneira proporcional.
Conforme orienta a pergunta 52 da Cartilha do Estágio, o recesso poderá ser concedido em período contínuo ou
fracionado, conforme acordado entre as partes, preferencialmente nas férias escolares.
Importante mencionar que, diferentemente de um empregado, o estagiário não precisa trabalhar os 12 meses para ter
direito ao recesso, este deve ser concedido ao empregado dentro do período de duração do contrato de estágio.
Por exemplo, em um contrato de estágio com duração de 12 meses (02.01.2019 a 01.01.2020), o recesso deve ser
concedido no decorrer do contrato, fracionado ou não, desde que não extrapole a vigência do contrato de estágio.
Nesse sentido, a pergunta 56 da Cartilha do Estágio menciona que no Termo de Compromisso de Estágio, devem
constar dentre outras cláusulas:
(…)
l) concessão do recesso dentro do período de vigência do Termo de Compromisso de Estágio;
(…)
6.7. Duração do Estágio
A duração do estágio, na mesma parte concedente, não poderá exceder 2 anos, exceto quando se tratar de estagiário
portador de deficiência, conforme prevê o artigo 11 da Lei n° 11.788/08.
6.7.1. Prorrogação do Estágio
Não há menção taxativa na Lei n° 11.788/08 acerca da prorrogação do contrato de estágio.
O entendimento é de que seria possível a prorrogação, desde que o período total do contrato de estágio não ultrapasse 2
anos.
Porém, como não há uma previsão específica, recomenda-se consultar a Secretária do Trabalho da região.
6.8. Seguro Contra Acidentes Pessoais
O artigo 9°, inciso IV, da Lei n° 11.788/08 estabelece que é uma obrigação da parte cedente do estágio, a contratação
em favor do estagiário seguro contra acidentes pessoais, cuja apólice seja compatível com valores de mercado,
conforme fique estabelecido no termo de compromisso.
No caso de estágio obrigatório, a responsabilidade pela contratação do seguro contra acidentes pessoais poderá ser
assumida pela instituição de ensino, de acordo com o artigo 9°, parágrafo único, da Lei n° 11.788/08.
6.9. Empregado e Estagiário na Mesma Empresa
Embora a legislação não mencione vedação expressa, bem como, os contratos sejam de naturezas diferenciadas, essa
prática não é recomendada.
Isso porque, tal situação poderá trazer problemas futuros à empresa, com a possível alegação de extensão da jornada
de trabalho como empregado, pleito de pagamento de horas extraordinárias, bem como, alegação de contratação para
realização das mesmas atividades, caracterizando a fraude, apenas para não haver o recolhimento dos devidos
encargos.
6.10. Saúde e Segurança do Trabalho
Nos termos do artigo 14 da Lei n° 11.788/08, ao estagiário a legislação relacionada à saúde e segurança no trabalho,
sendo sua implementação de responsabilidade da parte concedente do estágio.
A pergunta 64 da Cartilha do Estágio sobre essa questão, assim esclarece:
64. Deve ser aplicada ao estagiário a legislação relacionada à saúde e segurança no trabalho?
Como ato educativo escolar supervisionado (art. 1° da Lei 11.788/2008) e por não caracterizar vínculo de
emprego de qualquer natureza (art. 3° e 15 da Lei 11.788/2008), devem ser tomados os cuidados necessários
para a promoção da saúde e prevenção de doenças e acidentes, considerando, principalmente, os riscos
decorrentes de fatores relacionados aos ambientes, condições e formas de organização do trabalho. Sua
implementação é de responsabilidade da parte concedente do estágio (art. 14 Lei 11.788/2008). Observa-se,
entretanto, que não se aplicam as disposições normativas destinadas especificamente à relação de emprego.
7. LIMITAÇÕES AO NÚMERO DE ESTAGIÁRIOS
No que se refere a limitação de estagiários, o artigo 17 da Lei n° 11.788/08 estabelece que o número máximo de
estagiários em relação ao quadro de pessoal das entidades concedentes de estágio deverá atender às seguintes
proporções:
- de 1 a 5 empregados: 1 estagiário;
- de 6 a 10 empregados: até 2 estagiários;
- de 11 a 25 empregados: até 5 estagiários;
- acima de 25 empregados: até 20% de estagiários.
Quando o cálculo do percentual resultar em fração, poderá ser arredondado para o número inteiro imediatamente
superior, de acordo com artigo 17, § 3°, da Lei n° 11.788/08, por exemplo:
Empresa com 51 empregados:
51 x 20% = 10,2 (pode contratar 11 estagiários)
O artigo 17, § 4°, da Lei n° 11.788/08 estabelece que esta limitação não se aplica aos estágios de nível superior e de
nível médio profissional. Porém, não significa dizer que pelo fato de inexistir limitação, não deverá ser observado a regra
estabelecida no artigo 9°, inciso III, da Lei n° 11.788/08.
Conforme prevê o artigo 9°, inciso III, da Lei n° 11.788/08, cada empregado poderá supervisionar no máximo 10
estagiários ao mesmo tempo.
Por exemplo, uma empresa com apenas 1 empregado, poderá ter no máximo 10 estagiários de nível superior, visto que
este empregado poderá supervisionar no máximo 10 estagiários.
De acordo com o artigo 17, § 1°, da Lei n° 11.788/08, considera-se quadro de pessoal o conjunto de trabalhadores
empregados existentes no estabelecimento do estágio.
Na hipótese de a parte concedente contar com várias filiais ou estabelecimentos, os quantitativos previstos serão
aplicados a cada um deles.
7.1. Pessoas com Deficiência
Aos portadores de deficiência, é assegurado o percentual de 10% das vagas oferecidas pela parte concedente de
estágio, de acordo com o artigo 17, § 5°, da Lei n° 11.788/08.
8. FISCALIZAÇÃO
Nos termos do artigo 15 da Lei n° 11.788/08, a manutenção de estagiários em desconformidade com as regras trazidas
pela Lei do Estágio (Lei n° 11.788/08), caracterizará o vínculo de empregatício do estudante com a parte concedente do
estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária.
A instituição privada ou pública que reincidir na irregularidade, ficará impedida de receber estagiários por dois anos,
contados da data da decisão definitiva do processo administrativo correspondente.
9. INSS
O estagiário não é enquadrado como segurado obrigatório da Previdência Social, dessa forma, não terá recolhimento de
INSS realizado pela empresa concedente do estágio.
O artigo 11, inciso III, do Decreto n° 3.048/99, possibilita sua filiação facultativamente, entre outros, para o estudante.
Nesse sentido, prevê o artigo 12, § 2°, da Lei n° 11.788/08 que o educando poderá inscrever-se e contribuir como
segurado facultativo do Regime Geral de Previdência Social.
10. FGTS
Sobre o valor da bolsa auxílio paga ao estagiário, não há o recolhimento de FGTS, visto que a Lei n° 8.036/90 prevê
esse pagamento sobre a remuneração de empregados e ao diretor não empregado, excluindo do rol de beneficiários
aqueles dos quais não tenham vínculo empregatício.
11. ESOCIAL
De acordo com o Manual de Orientação do eSocial, na contratação do estagiário, regulado pela Lei n° 11.788/08, este
será identificado no eSocial pelo número do CPF.
Na contratação do estagiário, as informações devem ser prestadas ao eSocial pela empresa/órgão público contratante e
não pelo agente de integração.
De acordo com a Tabela 01 - Categorias de Trabalhadores do Anexo I dos Leiautes do eSocial versão 2.5 - Tabelas, no
Evento S-2300 - Trabalhador Sem Vínculo de Emprego/Estatutário - Início, deverá ser informado com o código 901 -
Estagiário.
A parte concedente de estágio é obrigada a enviar os dados dos estagiários, independentemente da sua relação civil
com o agente de integração. Da mesma forma, deverá informar os eventos S-1200 (remuneração) e S-1210
(pagamento). Por conseguinte, o agente de integração fica desobrigado de enviar os dados dos estagiários de seus
clientes.
De acordo com a Tabela 03 - Natureza das Rubricas da Folha de Pagamento do Anexo I dos Leiautes do eSocial versão
2.5 - Tabelas, deve ser informada a seguinte rubrica:
“1350 - Bolsa de estudo - estagiário: Valor devido ao estagiário em atividades práticas de complementação do
currículo escolar, inclusive os valores pagos a título de recesso remunerado - Lei n° 11.788 de 25/09/2008”
As informações referentes ao estagiário dizem respeito à natureza do estágio e o nível escolar cursado no período do
estágio e devem ser prestadas ainda que o estágio não seja remunerado. A informação da natureza do estágio, se
obrigatório ou facultativo, pode ser obtida através do estagiário, na instituição interveniente ou na instituição de ensino.
O nível do estágio corresponde ao nível de ensino cursado pelo estagiário durante o período de estágio, o qual deve ser
compatível as necessidades de sua formação.
Para os estagiários, todos os eventos de SST são obrigatórios, exceto o preenchimento das informações de
aposentadoria especial no evento S-2240. Assim todos os ambientes do órgão público em que há estagiários deverão
ser cadastrados no evento S-1060. Também deverão ser enviadas as informações exigidas nos eventos S-2210, S-2220,
S-2240 e S-2245 (exceto aposentadoria especial) para cada estagiário.
Tais especificidades existem, pois, o PPP e a CAT, obrigações previdenciárias/tributárias que serão substituídas pelo
eSocial, somente se aplicam para segurados vinculados ao RGPS. Ademais, a exigência de prestação de informações
relacionadas à insalubridade e periculosidade somente são exigíveis para fiscalização de empresas/contribuintes/órgão
público que contratem pelo regime da CLT ou para o estagiário.
O Evento S-2240 - Condições Ambientais do Trabalho - Fatores de Risco é utilizado para registrar as condições
ambientais de trabalho pelo empregador/contribuinte/órgão público, indicando a prestação de serviços, pelo trabalhador
ou estagiário, nos ambientes descritos no evento S-1060, bem como para informar a exposição aos fatores de risco
descritos na Tabela 23 - fatores de risco ambientais e o exercício de atividades enquadradas na legislação como
insalubres, perigosas ou especiais descritas na Tabela 28 - Atividades Insalubres, Perigosas e/ou Especiais.
Também é informado nesse evento se a exposição aos fatores de risco (combinada ou não com as atividades descritas)
cria condições de insalubridade ou periculosidade no ambiente de trabalho, bem como enseja o dever de recolhimento
do adicional para financiamento da aposentadoria especial.
Para o estagiário o preenchimento dos campos {insalubridade} e {periculosidade} é obrigatório, enquanto o campo
{aposentEsp} não deve ser preenchido.
De acordo com o Manual de Leiautes do eSocial - Versão 2.5, no Evento Registros do evento S-2300 - Trabalhador Sem
Vínculo de Emprego/Estatutário - Início, a data de início a ser informada para o estagiário é a data de início do estágio.
ECONET EDITORA EMPRESARIAL LTDA
Autor: Juliane da Silva
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