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Sistemas Jurídicos e Direito Comparado

Este documento descreve um projeto de pesquisa sobre sistemas jurídicos e direito comparado apresentado por Carlos Samuel Chucua para conclusão de sua licenciatura em direito na Universidade Rovuma em 2020. O trabalho aborda a noção e objeto do direito comparado e classifica os principais sistemas jurídicos em famílias, incluindo a família ocidental, sistemas islâmicos e tradicionais africanos. A metodologia utilizada foi revisão bibliográfica de obras relacionadas ao tema.
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Sistemas Jurídicos e Direito Comparado

Este documento descreve um projeto de pesquisa sobre sistemas jurídicos e direito comparado apresentado por Carlos Samuel Chucua para conclusão de sua licenciatura em direito na Universidade Rovuma em 2020. O trabalho aborda a noção e objeto do direito comparado e classifica os principais sistemas jurídicos em famílias, incluindo a família ocidental, sistemas islâmicos e tradicionais africanos. A metodologia utilizada foi revisão bibliográfica de obras relacionadas ao tema.
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Carlos Samuel Chucua

Sistema jurídico e direito comparado

Licenciatura em Direito

Universidade Rovuma

Lichinga

2020
2

Carlos Samuel Chucua

Sistema jurídico e direito comparado

Licenciatura em Direito

Projecto de Pesquisa, a ser Apresentado a faculdade


de ciências sociais e filosóficas, para fins
avaliativos da cadeira, de Introdução ao Estudo de
Direito, sob orientação do

Prof.Dr.AbondioLuis

Universidade Rovuma

Lichinga

2020
3

Índice
Introdução...................................................................................................................................................4
1. Sistemas jurídico e direito comparado.............................................................................................5
1.1. Noção e objecto do direito comparado.....................................................................................5
2. Os diferentes sistemas jurídicos...............................................................................................................5
2.1. Família ocidental..............................................................................................................................6
2.1.1. Subsistema romano-germânica (cível law)....................................................................................7
2.1.2. Subsistema anglo-saxónico (common law)....................................................................................8
2.2. Família do direito Islâmica...................................................................................................................9
2.3. Família do direito socialista..................................................................................................................9
2.4. Direito hindu.......................................................................................................................................10
3. OS DIREITOS TRADICIONAIS AFRICANOS..........................................................................10
4. Comparação do direito Moçambicano com o direito Alemão......................................................11
Conclusão..................................................................................................................................................13
Bibliografia................................................................................................................................................14
4

Introdução

O presente trabalho ira abordar a cerca dos sistemas jurídicos e direito comparado. Salientar que
a causa da diversidade dos sistemas jurídicos deve-se ao desenvolvimento económico, social e
cultural as vicissitudes históricas e religiosas e aos factores geográficos e demográficos. Portanto
o direito comparado ajuda a classificar e organizar os vários ordenamentos jurídicos de modo a
que os tenhamos uma boa compreensão.

A metodologia usada para a elaboração do trabalho, foi o método bibliográfico que consistiu na
revisão bibliográfica de obras relacionadas com o tema.
5

Direito Comparado- Consiste no estudo do Direito positivo de outros países para estudo de
comparação.

FONTES DO DIREITO
A expressão “Fontes do Direito” possui sentido de: origem, nascente, motivação, causa das
várias manifestações do Direito.
Segundo Miguel Reale ”. (p. 140)“por fonte do direito designamos os processos ou meios em
virtude dos quais as regras jurídicas se positivam com legítima força obrigatória, isto é, com
vigência e eficácia no contexto de uma estrutura normativa”.

A doutrina jurídica não se apresenta uniforme quanto ao estudo das fontes do Direito.
Fonte = origem Fontes do Direito = de onde provém o direito.

Principais sistemas jurídicos vigentes no mundo:


Pertencem à família romano-germânica os direitos de toda a América Latina, de toda a Europa
continental, de quase toda a Ásia (exceto partes do Oriente Médio) e de cerca de metade da
África.
Civil Law é a estrutura jurídica oficialmente adotada no Brasil. O que basicamente significa que
a principal fonte do Direito adotada aqui é a Lei. A lei seria a mais importante fonte formal. Em
diversos países de tradição romano-germânica, o direito é organizado em códigos, cujos
exemplos principais são os códigos civis francês e alemão (Code Civil e
Bürgerliches Gesetzbuch, respectivamente). É portanto típico deste sistema o caráter escrito do
direito. Outra característica dos direitos de tradição romano-germânica é a generalidade das
normas jurídicas, que são aplicadas pelos juízes aos casos concretos.
Common Law - No sistema do Common Law, adotado pela Inglaterra e Estados Unidos,
aforma mais comum de expressão do direito é a dos precedentes judiciais. Direito se baseia mais
na Jurisprudência que no texto da lei. Infere-se normas gerais a partir de decisões judiciais
proferidas a respeito de casos individuais.
6

1. Sistemas jurídicos e direito comparado

Noção e objecto do direito comparado

O Direito Comparado é uma disciplina jurídica que tem por objecto a comparação de Direitos, ou
seja, o estudo comparativo sistemático de diferentes ordens jurídicas por norma, ordens jurídicas
estaduais, com vista a identificar as semelhanças e as diferenças existentes entre essas ordens
jurídicas e a explicar as razões que presidem às semelhanças e às diferenças encontradas.1

Segundo RENÉ DAVID (1972, p. 9), o interesse pelo conhecimento de ordens jurídicas
estrangeiras e pela comparação de Direitos não é de hoje, tendo sido uma constante desde a
Antiguidade Clássica, se considerarmos, por exemplo, que Aristóteles estudou 158 Constituições
de cidades gregas em preparação do seu Tratado sobre a Política e que, segundo a lenda, uma
delegação romana terá sido enviada a estudar as leis de várias cidades gregas em preparação do
que veio a ser a Lei das XII Tábuas.

A causa da diversidade dos sistemas jurídicos deve-se ao desenvolvimento económico, social e


cultural; Vicissitudes históricas e religiosas; e aos Factores geográficos e demográficos. Portanto,
o direito comparado ajuda a classificar e organizar os vários ordenamentos jurídicos de modo a
que os tenhamos uma boa compreensão.

2. Os diferentes sistemas jurídicos

A partir de um estudo de direito comparado, René David agrupa os direitos em famílias, sobre as
quais explica que “não há concordância sobre o modo de efectuar este agrupamento, e sobre
quais as famílias de direitos se deve, por conseguinte, conhecer”. Assim, para ele, o agrupamento
dos direitos em família é o meio próprio, reduzindo a um número restrito de tipos, para facilitar
sua compreensão e apresentação.

Pois o autor, presenta uma visão mais adequada e genérica, pois os grupos são mais abrangentes,
uma forte componente ideológica - distinção com base nas ideologias espelhadas pelos direitos e
Sugere o recurso aos tipos de técnica jurídica como critério secundário.

1
DIOGO FREITAS DO AMARAL, Manual de Introdução ao Direito, vol. I, Coimbra,
Almedina, 2004, p. 46
7

Segundo alguns autores afiram a existência de vários famílias do sistema jurídicos sendo eles:

 Família do direito ocidental


 Subsistema romano-germânica (civil law)
 Subsistema anglo-saxónico (common law)
 Família do sistema socialista.
 Família do sistema Islâmico
 Sistema chinês

Essas famílias não reflectem toda a realidade do mundo contemporâneo, mas servem para
apresentar um quadro com as principais regras, características e significados 2.

2.1. Família ocidental

A família jurídica ocidental com os seus subsistemas romano-germânico (civil law) e anglo-
saxónico (common law) retira a sua especificidade da assimilação dos legados da Grécia e da
Roma clássicas, do Cristianismo, das revoluções liberais e dos prodígios da ciência e da técnica.
É a conjugação destas influências que explica que tenhamos uma tradição jurídica caracterizada
por um Direito que se pretende laico, científico e consagrado à protecção da pessoa humana,
cujas autonomia, liberdade e dignidade figuram no centro do sistema jurídico. Através da
colonização e dos processos pós-coloniais de uniformização de Direitos e de universalização dos
direitos humanos, as características da família jurídica ocidental foram exportadas para o resto do
mundo e aí sobrevivem em combinações mais ou menos felizes com as tradições jurídicas
locais.3

O laicismo constitui um motivo de orgulho dos juristas ocidentais, confiantes de que o seu
Direito atingiu um estádio de desenvolvimento tal que já nada tem a ver com os velhos
sincretismos normativos (próprios de remotos e obscuros períodos da História), mas é mais
tendencial do que efectivo.)

2
(DAVID, 1978, p. 22).
3
Patricia Jeronimo. Licoes de Direito comparado. Pagima 61
8

Uma das características dos Direitos ocidentais é o seu apuro técnico e o facto de tanto a sua
criação como a sua aplicação e o seu estudo serem desenvolvidos em bases científicas. Pois para
alguns autores deste sistema salientam a não existência de outro Direito que não fosse o Direito
positivo, este o único susceptível de constituir um objecto de conhecimento nos termos ditados
pelo cientismo instituído. Direito eram as leis, os costumes, a prática dos tribunais – tudo o que
se prestasse a uma observação empírica e permitisse fazer ciência. Ideias como as da existência e
superioridade de um Direito Natural ou da existência de uma dimensão axiológica do jurídico
foram liminarmente afastadas com a aposição do rótulo de ideologia.

2.1.1. Subsistema romano-germânica (cívil law)

A família romano-germânica agrupa os países que tiveram a ciência do direito concebido sobre a
base do direito romano, tendo seu berço na Europa. Essa família se caracteriza pelo fato de suas
regras de direito serem concebidas como regras de conduta, ligadas a preocupações morais e de
justiça, além de elaborarem seus direitos visando a regulação das relações entre os cidadãos.
ASCENSAO (P.12)

O subsistema romano-germânico engloba a maioria dos países da Europa Ocidental (Alemanha,


Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Grécia, Holanda, Itália, Portugal, Suécia, etc.) e,
desde o fim da guerra fria, também a generalidade dos países da Europa Oriental (Bulgária,
Hungria, Polónia, República Checa, Roménia, etc.). As características fundamentais deste
subsistema estão também presentes nos territórios colonizados pelos países europeus a partir do
século XVI – países africanos, asiáticos e latino-americanos, no Estado do Luisiana (EUA) e no
Canadá francês – e em países, como a Turquia e a Etiópia, que, não tendo sido colonizados,
adoptaram o modelo dos códigos europeus como forma de se modernizarem mais rapidamente.

Portanto os modos como o direito se revela, são consideradas de maneira semelhante nos vários
países deste sistema. A lei ocupa indiscutivelmente o lugar cimeiro: ao ponto de em todos os
países ter havido a tendência de confundir direito e lei. O costume, que tem sempre relevância,
quer se lha reconheça teoricamente quer não, ocupa um lugar modesto. A jurisprudência,
portanto a resultante das decisões dos tribunais, surge como um elemento subordinado à lei. É
certo que modernamente tem havido tentativas para a revalorizar, mas não parece poder-se
ultrapassar a afirmação de que a jurisprudência é fonte mediata do direito.
9

2.1.2. Subsistema anglo-saxónico (common law)

O subsistema anglo-saxónico tem a sua origem no Direito comum (common law) criado em
Inglaterra a partir do século XI e posteriormente levado para as colónias britânicas onde se
manteve como matriz dos sistemas jurídicos locais mesmo depois da independência desses
territórios. Hoje, engloba a generalidade dos países de língua inglesa (Reino Unido, Irlanda,
Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, etc. Em muitos países da antiga
dominação colonial britânica, como a África do Sul ou a República da Índia), a matriz do
common law coexiste com Direitos locais de carácter consuetudinário e/ou fundamento religioso,
em sistemas jurídicos híbridos.

Segundo José Rogério Cruz e Tucci ressalva de que o sistema da common law abrange as
estruturas judiciárias da Inglaterra, País de Gales, Irlanda do Norte e Escócia que embora
possuam peculiaridades em razão de vicissitudes históricas, todas elas são baseadas no direito
casuístico, ou case law. Assim, a common law tem como principal fonte do direito os costumes,
firmados pelos precedentes dos tribunais.

O direito inglês, marcado pelo sistema da common law, é caracterizado pelo facto de que na
ausência de norma escrita os juízes tinham que formular uma decisão para o caso concreto
(NUNES, 2010, p. 120). Assim, diferentemente da família romano-germânica.

Nesse sistema common law, pela técnica do precedente obrigatório, é necessário que a corte ou o
juiz, ao decidir um caso concreto, fundamente sua decisão em uma decisão anterior ou em uma
jurisprudência de tribunal superior. (TUCCI, 2010, p. 223)

Como veremos, em Moçambique, e salvo casos excepcionais, nenhum tribunal está vinculado
por uma decisão proferida noutro processo, mesmo que o tenha sido por um tribunal superior: o
juiz é independente na sua maneira de dizer o direito. Assim acontece em todos os países do
sistema romanístico. Pelo contrário, no sistema anglo-saxão a jurisprudência ocupa uma posição
predominante. As decisões dos tribunais formam nestes países a base de toda a ordem jurídica. E
isto porque no sistema anglo-saxão funciona a precedent rule, que leva a resultados
10

diametralmente opostos. O precedente fixado pelos tribunais superiores é vinculativo para os


tribunais inferiores: terão de decidir os casos futuros da mesma maneira.

2.2. Família do direito Islâmica

O Direito islâmico é um Direito religioso, que tem por fundamento a vontade de Deus e por
objecto a regulação de todos os aspectos da vida dos fiéis, desde as suas relações sociais até aos
seus deveres morais e religiosos para com Deus. A sua jurisdição é tão ampla quanto a
comunidade de fiéis do Islão onde quer que estes se encontrem. A jurisdição do Direito islâmico
não coincide, por isso, com fronteiras geopolíticas, ainda que possamos, por facilidade de
discurso, indicar como Estados pertencentes à família jurídica islâmica todos os Estados com
população maioritariamente muçulmana, como Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia, Egipto, Arábia
Saudita, Síria, Iraque, Irão, Indonésia e Paquistão.4

JERONIMO (P.135) Nenhum destes Estados é regido exclusivamente pelo Direito islâmico, as
ordens jurídicas destes Estados são híbridas, na medida em que nelas coexistem a tradição
jurídica islâmica, aspectos do subsistema romano-germânico e/ou do commun law e costumes
africanos ou asiáticos. O Direito islâmico, de fonte divina, coexistiu sempre, com normas
jurídicas de outras proveniências, desde os costumes das tribos árabes pré-islâmicas até às
normas administrativas (qánons) impostas pelos califas.

2.3. Família do direito socialista

O sistema socialista ou soviético assenta numa ideologia mais unitária que a do sistema
ocidental: a ideologia marxista, que com os seus aditamentos, os seus desvios, as suas heresias,
tem todavia um núcleo claramente demarcável. Essa ideologia encarnou pela primeira vez com a
revolução russa de 1917.

Depois de anos de difícil consolidação, deu-se a expansão do sistema para novas zonas o leste da
Europa, a China e outros pontos do sudeste asiático, Cuba. Antes da implantação do sistema
estes países pertenciam ao subsistema romanístico do direito. Mas na Rússia a estruturação
jurídica fora sempre fraca. A legislação e a doutrina jurídica eram pouco evoluídas, e a aplicação
do direito realizava-se de modo semelhante ao vigente nos países ocidentais antes da Revolução
francesa sem a distinção nítida da função judicial.
4
Patrícia Jerónimo. Lições de direito comparado página 134
11

Neste sistema a lei ocupa um primado que representa praticamente um exclusivo pois a lei é o
instrumento usado para realizar a função que o Estado se atribui. O costume não é reconhecido,
na prática ele actuará sempre, e até nos períodos de liquidação revolucionárias das fontes
existentes a ordem jurídica teve base essencialmente costumeira. A jurisprudência não cria
normas, os tribunais atuam como órgãos legislativos ou administrativos e não como órgãos
judiciais. E a doutrina não tem qualquer valia normativa, consulta da bibliografia destes países é
aliás dificultada por ao jurista ser atribuída uma função educativa, o que lhe faz perder
objectividade e contribui frequentemente para esconder a feição dos problemas.

2.4. Direito hindu


A semelhança do Direito islâmico, o Direito hindu é um Direito religioso, o conjunto de normas
e princípios que organizam as relações dos membros da comunidade bramânica ou hinduísta
entre si e as relações destes com as divindades. Não se trata, portanto, do Direito em vigor na
República da Índia, que é um Estado secular onde coexistem várias comunidades religiosas,
apesar de o hinduísmo ser a religião maioritária. O hinduísmo é uma religião politeísta, marcada
pelo culto individual e directamente ligada à estrutura da sociedade, assente na separação e na
hierarquização das castas. O hinduísmo tem na sua origem a revelação divina, que está inscrita
nos Livros Sagrados e que terá decorrido entre os séculos XII e V a.C.. Não existe no hinduísmo
um conceito que corresponda directamente à ideia de uma regra de comportamento passível de
ser imposta pela força aos membros da comunidade. Dito de outro modo, não existe em sânscrito
nenhuma palavra que possa ser traduzida como Direito, tal como este é entendido pela tradição
jurídica ocidental

3. OS DIREITOS TRADICIONAIS AFRICANOS

Falar em Direitos africanos significa reunir sob uma mesma designação diversos sistemas
jurídicos, variáveis de grupo étnico para grupo étnico e com diferentes graus de
desenvolvimento. Não temos em mente as ordens jurídicas estaduais dos países africanos, como
Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, África do Sul, Nigéria, etc., mas as regras e as práticas
jurídicas características dos diversos povos africanos como os Bantos, os Ovimbundo, os
Ambundu, os Bakongo, os Balantas, os Mandingas, os Bijagós, os Nguni, os Sotho, etc, muitos
dos quais coexistem no território de um mesmo Estado e que tanto podem estar presentes apenas
no território de um Estado ou distribuídos pelo território de vários Estados. JERONIMO (P.156
12

Os Estados africanos tornados independentes no século XX começaram por assumir-se como


Estados modernos, dotados de ordens jurídicas de tipo ocidental em que os costumes locais dos
diversos grupos étnicos não tinham lugar. Esta posição acabou por ser revista face à força dos
costumes locais nas vidas das populações e à estranheza suscitada pelas soluções jurídicas
importadas dos países europeus, pelo que os Direitos de Angola, Moçambique, África do Sul,
etc, são hoje assumidamente sistemas jurídicos híbridos, onde os Direitos tradicionais africanos
ocupam um lugar importante.

Alguns aspectos comuns e diferença existente entre os direitos e tradição jurídica ocidental

 A principal fonte do direito é o costume: Cada indivíduo sente-se na obrigação de viver


como os antepassados o haviam feito, numa linha de continuidade adversa às ideias de
progresso e resistente à alteração dos esquemas estabelecidos.
 A justiça é identificada com a instituição da paz, com a reconciliação das partes e com a
restauração da harmonia na comunidade, pelo que os litígios são superados por acordo e
não pela aplicação de um Direito estrito

4. Comparação do direito Moçambicano com o direito Alemão

Em Comum:

 A generalidade dos tribunais pode tomar conhecimento, em concreto, de matéria de


inconstitucionalidade das leis.
 Existência de uma jurisdição constitucional com competências para decidir em abstrato,
constitucionalidade das leis (tanto preventiva como sucessiva) e para julgar questões
concretas de constitucionalidade suscitadas pelos tribunais.

Divergem:

 Alemanha: competência dos tribunais em matéria de constitucionalidade é meramente


incidental (remetem a decisão para os tribunais constitucionais).
 Moçambique: tribunais com competência para conhecer e decidir (as suas decisões
cabem recurso para o Tribunal Constitucional).
13

 Uma simples diferença é que lá o Direito se baseia mais na Jurisprudência que no texto
da lei.
 Jurisprudência, caso esteja em dúvida, trata-se do conjunto de interpretações das normas
do direito proferido pelo Poder Judiciário.
 Exemplo: Se lá nos EUA dois homens desejam realizar uma adoção, eles procuram
outros casos em que outros homossexuais tenham conseguido adoções e defendem suas
ideias em cima disso. Mas a parte contrária pode alegar exatamente casos opostos, o que
gera todo um trabalho de interpretação, argumentação e a palavra final fica com o Juiz.
14

Conclusão

Chegando a este ponto, dou o fim do presente trabalho. Salientar que a evolução dos sistemas
jurídicos é largamente tributária de fenómenos de recepção, ou transplante, de ordens jurídicas
estrangeiras ou passadas. A diferença entre o direito romano germânico e a commun law é que a
primeira família se caracteriza pelo fato de suas regras de direito serem concebidas como regras
de conduta, ligadas a preocupações morais e de justiça, além de elaborarem seus direitos visando
a regulação das relações entre os cidadãos e a outro grupo de família é caracterizado pelo facto
de que na ausência de norma escrita os juízes tinham que formular uma decisão para o caso
concreto
15

Bibliografia

DAVID ,René, Os Grandes Sistemas do Direito Contemporâneo: Direito Comparado, Lisboa,


Meridiano, 1972, p. 9

DIOGO FREITAS DO AMARAL, Manual de Introdução ao Direito, vol. I, Coimbra, Almedina,


2004, p. 46.)

JERONIMO, Patrícia. Lições de Direito Comparado. 1ª edição. Portugal.2015

TUCCI, José Rogério Cruz e Direito processual civil europeu contemporâneo. José Rogério Cruz
e Tucci Coordenador. São Paulo: Lex, 2010.

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