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Gestão de Transporte

O documento apresenta os principais modais de transporte no Brasil, incluindo rodoviário, ferroviário, aquaviário, aéreo e dutoviário. Detalha aspectos como evolução histórica, infraestrutura atual e características de cada modal.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Tópicos abordados

  • Cargas Frágeis,
  • Gestão de Transportes,
  • Contratação de Serviços,
  • Licenciamento,
  • CTPP,
  • Cargas Secas,
  • Tecnologia da Informação,
  • Transporte Ferroviário,
  • Terceirização,
  • Logística
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Gestão de Transporte

O documento apresenta os principais modais de transporte no Brasil, incluindo rodoviário, ferroviário, aquaviário, aéreo e dutoviário. Detalha aspectos como evolução histórica, infraestrutura atual e características de cada modal.
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Série Logística

GESTÃO DE
TRANSPORTES
Série Logística

GESTÃO DE
TRANSPORTES
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA – DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações
Série Logística

GESTÃO DE
TRANSPORTES
© 2019. SENAI – Departamento Nacional

© 2019. SENAI – Departamento Regional da Bahia

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, mecâni-
co, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por
escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela Equipe de Inovação e Tecnologias Educacionais do


SENAI da Bahia, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por
todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional da Bahia


Inovação e Tecnologias Educacionais – ITED

FICHA CATALOGRÁFICA

S491g

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.


Gestão de transportes / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial,
Departamento Nacional, Departamento Regional da Bahia. - Brasília: SENAI/DN,
2019.
196 p.: il. - (Série Logística).

ISBN 978-852018007-5

1. Logística - Transportes. 2. Custos. 3. Transporte de Carga.


4. Gestão de transportes. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
II. Departamento Nacional. III. Departamento Regional da Bahia. IV. Gestão
de transportes. V. Série Logística.

CDU: 658.7882

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001
Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de ilustrações
Figura 1 -  Gestão de transportes e modais logísticos..........................................................................................17
Figura 2 -  Gestão de transportes.................................................................................................................................18
Figura 3 -  Trenó primitivo...............................................................................................................................................19
Figura 4 -  Domesticação de animais..........................................................................................................................20
Figura 5 -  Primeira locomotiva a motor....................................................................................................................21
Figura 6 -  Primeiras aplicações de dutos..................................................................................................................22
Figura 7 -  Evolução das embarcações........................................................................................................................23
Figura 8 -  14 Bis..................................................................................................................................................................25
Figura 9 -  Movimentação de carga e passageiros transportados em 2017, por modalidade...............26
Figura 10 -  Classificação e nomenclatura de rodovias........................................................................................27
Figura 11 -  Principais ferrovias do Brasil...................................................................................................................29
Figura 12 -  Modal aquaviário brasileiro....................................................................................................................30
Figura 13 -  Comboio na hidrovia Paraguai-Paraná...............................................................................................32
Figura 14 -  Eclusa de Tucuruí, no rio Tocantins.......................................................................................................33
Figura 15 -  Fluxo de carga do transporte aéreo brasileiro.................................................................................34
Figura 16 -  Distribuição de derivados de petróleo...............................................................................................35
Figura 17 -  Malha dutoviária brasileira......................................................................................................................35
Figura 18 -  Modais de transporte................................................................................................................................36
Figura 19 -  Integração modal e custos......................................................................................................................37
Figura 20 -  Modal rodoviário.........................................................................................................................................38
Figura 21 -  Tipos de veículos utilizados no modal rodoviário...........................................................................39
Figura 22 -  Modal Ferroviário........................................................................................................................................40
Figura 23 -  Composição em operação.......................................................................................................................41
Figura 24 -  Modal aéreo..................................................................................................................................................42
Figura 25 -  Modal aquaviário........................................................................................................................................43
Figura 26 -  Sistema de cabotagem no Brasil...........................................................................................................44
Figura 27 -  Porto de Manaus.........................................................................................................................................45
Figura 28 -  Porta contêiner............................................................................................................................................47
Figura 29 -  Modal dutoviário........................................................................................................................................47
Figura 30 -  Comparativo de volume de movimentação dutovias e caminhões........................................48
Figura 31 -  Duto aéreo....................................................................................................................................................49
Figura 32 -  Duto encapsulado pneumático (PCP).................................................................................................50
Figura 33 -  Gestão de frota e controle de veículos...............................................................................................55
Figura 34 -  Veículos utilizados no transporte de carga.......................................................................................56
Figura 35 -  Modais de transporte................................................................................................................................57
Figura 36 -  Modelo de ficha técnica...........................................................................................................................58
Figura 37 -  Capacidades mínimas e máximas por modais.................................................................................59
Figura 38 -  Comparativo de capacidade de veículos nos diferentes modais..............................................60
Figura 39 -  Adesivo de capacidade do caminhão.................................................................................................61
Figura 40 -  Adesivo para dimensão de veículo rodoviários...............................................................................62
Figura 41 -  Cálculo de lotação e peso bruto total.................................................................................................64
Figura 42 -  Programação de entregas.......................................................................................................................66
Figura 43 -  Liberação de veículos de carga..............................................................................................................67
Figura 44 -  Modelo de diário de bordo.....................................................................................................................68
Figura 45 -  Aplicativo de controle de frota..............................................................................................................68
Figura 46 -  Rotinas do transporte de carga.............................................................................................................69
Figura 47 -  Cotação de preço de frete.......................................................................................................................70
Figura 48 -  Contratação de frete..................................................................................................................................72
Figura 49 -  Frete por redespacho................................................................................................................................73
Figura 50 -  Composição do cálculo de frete rodoviário......................................................................................74
Figura 51 -  Calculando o valor do frete.....................................................................................................................75
Figura 52 -  Negociação de frete...................................................................................................................................78
Figura 53 -  Contratação de serviços...........................................................................................................................80
Figura 54 -  Desenvolvimento de fornecedores......................................................................................................81
Figura 55 -  Gestão de frota............................................................................................................................................83
Figura 56 -  Registro de ocorrências............................................................................................................................86
Figura 57 -  Modelo de ocorrência...............................................................................................................................88
Figura 58 -  Modelo de viagens e consumo de combustível..............................................................................89
Figura 59 -  Título de Embarcação................................................................................................................................90
Figura 60 -  Carteira Nacional de Habilitação...........................................................................................................93
Figura 61 -  Piloto de aeronave comercial.................................................................................................................94
Figura 62 -  Capitão...........................................................................................................................................................95
Figura 63 -  Registro nacional de transportadores rodoviários.........................................................................97
Figura 64 -  Cooperação empresarial .........................................................................................................................99
Figura 65 -  Fiscalização de produtos perigosos.................................................................................................. 101
Figura 66 -  Levantamento de informações para o dimensionamento da frota...................................... 103
Figura 67 -  Informações para cálculo de dimensionamento de frota......................................................... 104
Figura 68 -  Cálculos para o dimensionamento de frota................................................................................... 105
Figura 69 -  Análise de veículos de uma frota....................................................................................................... 106
Figura 70 -  Indicadores de desempenho da frota.............................................................................................. 108
Figura 71 -  Controles no transporte de cargas.................................................................................................... 111
Figura 72 -  Carga seca.................................................................................................................................................. 113
Figura 73 -  Carga viva................................................................................................................................................... 113
Figura 74 -  Carga granel............................................................................................................................................... 114
Figura 75 -  Carga granel líquido .............................................................................................................................. 115
Figura 76 -  Carga neogranel . .................................................................................................................................... 115
Figura 77 -  Carga perecível......................................................................................................................................... 116
Figura 78 -  Carga congelada ..................................................................................................................................... 116
Figura 79 -  Carga frágil ................................................................................................................................................ 117
Figura 80 -  Carga perigosa.......................................................................................................................................... 118
Figura 81 -  Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ).................................... 119
Figura 82 -  Transporte de produtos perigosos.................................................................................................... 120
Figura 83 -  Certificado para o Transporte de Produtos Perigosos (CTPP).................................................. 121
Figura 84 -  Riscos no transporte de cargas........................................................................................................... 122
Figura 85 -  Segurança da carga................................................................................................................................. 123
Figura 86 -  Estratégias de segurança...................................................................................................................... 124
Figura 87 -  Sinistros....................................................................................................................................................... 126
Figura 88 -  Ocorrências de sinistros........................................................................................................................ 129
Figura 89 -  Contratação de apólice de seguro..................................................................................................... 130
Figura 90 -  Seguro DPVAT........................................................................................................................................... 131
Figura 91 -  Colisão em transporte rodoviário...................................................................................................... 132
Figura 92 -  Transporte aéreo de carga.................................................................................................................... 133
Figura 93 -  Transporte aquaviário............................................................................................................................ 134
Figura 94 -  Procedimentos de sinistro.................................................................................................................... 135
Figura 95 -  Polícia Rodoviária Federal do Brasil................................................................................................... 136
Figura 96 -  Atenção à legislação............................................................................................................................... 142
Figura 97 -  Impactos dos produtos perigosos à natureza............................................................................... 143
Figura 98 -  Situações de movimentação de carga............................................................................................. 144
Figura 99 -  Riscos nas atividades de transportes................................................................................................ 146
Figura 100 -  Cores para sinalização de segurança............................................................................................. 147
Figura 101 -  Selo de certificação SASSMAQ......................................................................................................... 148
Figura 102 -  Operações de movimentação de produtos perigosos............................................................ 149
Figura 103 -  Transporte de carga indivisível......................................................................................................... 151
Figura 104 -  Amarração de carga............................................................................................................................. 152
Figura 105 -  Amarração correta de cargas............................................................................................................ 152
Figura 106 -  Cerificados e licenças........................................................................................................................... 153
Figura 107 -  Tecnologias da informação e transportes.................................................................................... 157
Figura 108 -  Tecnologias aplicadas à gestão de transportes.......................................................................... 158
Figura 109 -  Tecnologias para segurança de veículos e cargas..................................................................... 161
Figura 110 -  Conferência de nota fiscal no recebimento................................................................................. 162
Figura 111 -  Sistema de rastreamento via satélite............................................................................................. 163
Figura 112 -  Sistema de rastreamento por GPS.................................................................................................. 164
Figura 113 -  Sistemas de bloqueio de veículo..................................................................................................... 166
Figura 114 -  Sistema de registro de uma etiqueta RFID................................................................................... 167
Figura 115 -  Equipamento de rastreamento e autenticação de mercadorias.......................................... 169
Figura 116 -  Identificação de percursos internos............................................................................................... 170
Figura 117 -  Coleta de produtos para entrega.................................................................................................... 171
Figura 118 -  Acidente com carga no modal rodoviário.................................................................................... 172
Figura 119 -  Estouro de pneu.................................................................................................................................... 173
Figura 120 -  Plano de manutenção de veículos.................................................................................................. 174
Figura 121 -  Sistema de gestão de transportes................................................................................................... 175
Figura 122 -  Módulos de software TMS.................................................................................................................. 176

Quadro 1 - Comparativo das modalidades de transporte no Brasil.................................................................51


Quadro 2 - Modelo de controle de manutenção....................................................................................................84
Quadro 3 - Modelo de viagens e consumo de combustível...............................................................................85
Quadro 4 - Lista de códigos de ocorrências na entrega.......................................................................................87

Tabela 1 - Tabela de peso máximo admitido por eixo ou conjunto de eixos..............................................64


Tabela 2 - Tabela de frete.................................................................................................................................................77
Sumário
1 Introdução.........................................................................................................................................................................13

2 Gestão de transportes de modais logísticos . ......................................................................................................17


2.1 Gestão de transportes................................................................................................................................18
2.2 Evolução dos transportes..........................................................................................................................19
2.2.1 Transportes terrestres...............................................................................................................19
2.2.2 Transporte aquaviário..............................................................................................................22
2.2.3 Transporte aeroviário................................................................................................................24
2.3 Matriz de transporte brasileira................................................................................................................25
2.3.1 Sistema rodoviário.....................................................................................................................26
2.3.2 Sistema ferroviário.....................................................................................................................27
2.3.3 Sistema aquaviário....................................................................................................................30
2.3.4 Sistema aeroviário.....................................................................................................................33
2.3.5 Sistema dutoviário.....................................................................................................................34
2.4 Modais de transporte..................................................................................................................................36
2.4.1 Rodoviário....................................................................................................................................38
2.4.2 Ferroviário.....................................................................................................................................40
2.4.3 Aéreo..............................................................................................................................................42
2.4.4 Aquaviário....................................................................................................................................43
2.4.5 Dutoviário.....................................................................................................................................47
2.4.6 Análise comparativa dos modais ......................................................................51

3 Gestão de frota e controle de veículos...................................................................................................................55


3.1 Veículos............................................................................................................................................................56
3.1.1 Tipos de veículos........................................................................................................................56
3.1.2 Ficha técnica................................................................................................................................57
3.1.3 Capacidade do veículo.............................................................................................................59
3.1.4 Capacidade do veículo de acordo com a legislação.....................................................60
3.1.5 Programação de recebimentos.............................................................................................65
3.1.6 Diário de bordo...........................................................................................................................67
3.2 Atividades de transporte...........................................................................................................................69
3.2.1 Cotação de serviços..................................................................................................................70
3.3 Fretes................................................................................................................................................................72
3.3.1 Conceitos e tipos........................................................................................................................72
3.3.2 Cálculo ..........................................................................................................................................74
3.3.3 Tabela ...............................................................................................................77
3.3.4 Negociação de fretes................................................................................................................78
3.3.5 Contratação de fornecedores de serviços .......................................................................79
3.3.6 Desenvolvimento de novos fornecedores........................................................................81
3.3.7 Distribuição de veículos de acordo com o local de trabalho.....................................82
3.4 Gestão de frotas............................................................................................................................................83
3.4.1 Controle de frota........................................................................................................................83
3.4.2 Registros de ocorrências.........................................................................................................86
3.4.3 Documentação e licenças de veículos ..............................................................................88
3.4.4 Documentos para o transporte de cargas........................................................................91
3.4.5 Documentos de condutores..................................................................................................92
3.4.6 Alocação de veículos de transporte....................................................................................96
3.4.7 Contratação de terceiros ........................................................................................................96
3.4.8 Dimensionamento da frota................................................................................................. 102
3.4.9 Avaliação da frota................................................................................................................... 106
3.4.10 Indicadores de bens............................................................................................................ 107

4 Controle do transporte e gestão de riscos ........................................................................................................ 111


4.1 Controle do transporte............................................................................................................................ 112
4.1.1 Tipos de cargas........................................................................................................................ 112
4.1.2 Documentação de cargas perigosas: FISPQ, LETPP e CTPP..................................... 118
4.2 Gerenciamento de risco.......................................................................................................................... 122
4.2.1 Plano de gerenciamento de riscos................................................................................... 122
4.2.2 Seguros....................................................................................................................................... 126
4.2.3 Modalidades de apólices: de veículos, de carga, de produtos............................... 131
4.2.4 Procedimentos de sinistros: registro da ocorrência, acompanhamento da
ocorrência.................................................................................................................................. 135

5 Legislação para o transporte de cargas .............................................................................................................. 141


5.1 Legislação para o transporte de cargas............................................................................................. 142
5.1.1 NR 11........................................................................................................................................... 144
5.1.2 NR 16........................................................................................................................................... 145
5.1.3 NR 26........................................................................................................................................... 146
5.1.4 Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade
(SASSMAQ)................................................................................................................................. 147
5.1.5 Movimentação de Produtos Perigosos (MOPP)........................................................... 148
5.1.6 Cargas indivisíveis................................................................................................................... 150
5.1.7 Amarração de cargas............................................................................................................. 151
5.1.8 Certificações (renovações)................................................................................................... 153

6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes...................................................................... 157


6.1 Tecnologias no transporte..................................................................................................................... 158
6.2 Sistemas de segurança para cargas e veículos............................................................................... 161
6.2.1 Rastreio de carga e documentos de carga.................................................................... 161
6.2.2 Rastreadores e bloqueadores de veículos..................................................................... 162
6.3 Identificação de percursos internos................................................................................................... 168
6.4 Tipo de transporte para retirada de mercadoria............................................................................ 170
6.5 Ocorrência de acidentes com cargas................................................................................................. 172
6.6 Falhas de equipamentos e veículos.................................................................................................... 173
6.7 Transport Manager System (TMS)......................................................................................................... 175
Referências......................................................................................................................................................................... 181

Minicurrículo do autor................................................................................................................................................... 191

Índice................................................................................................................................................................................... 193
Introdução

Prezado aluno (a),

É com grande satisfação que o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) traz o
livro didático de Gestão de Transportes.
Este livro tem como objetivo compreender as responsabilidades envolvidas na gestão de
frotas, bem como o emprego de ferramentas computacionais que permitam um maior contro-
le e maior eficiência das operações.
Nos capítulos a seguir, vamos estudar os modais e sistemas de transporte, a gestão de frotas
e controle de veículos, os tipos de carga, cotação e negociação de fretes, as documentações
exigidas, o gerenciamento de riscos, seguros e legislações, as normas regulamentadoras e, por
fim, as tecnologias da área, rastreadores e bloqueadores, o software de gerenciamento de frota
e as perspectivas no âmbito da revolução industrial.
Cada conhecimento do seu livro didático é de extrema importância para a sua formação
profissional como técnico em Logística.
Por fim, esta unidade curricular servirá para despertar suas capacidades sociais e técnicas. E
o nosso objetivo é fazer com que você, aluno (a), aproveite ao máximo essa experiência.
Os estudos desta unidade curricular lhe permitirão desenvolver:

CAPACIDADES SOCIAIS

a) Analisar alternativas propostas;


b) Demonstrar atitudes éticas nas ações e nas relações interpessoais;
c) Demonstrar iniciativa no desenvolvimento das atividades sob a sua responsabilidade;
d) Demonstrar organização nos próprios materiais e no desenvolvimento das ativida-
des;
e) Demonstrar postura de cooperação com a equipe na solução de problemas propos-
tos;
GESTÃO DE TRANSPORTES
14

f) Identificar as orientações dadas ao grupo de trabalho;


g) Integrar os princípios da qualidade às atividades sob a sua responsabilidade;
h) Organizar e transmitir, com clareza, dados e informações técnicas;
i) Utilizar as ferramentas, instrumentos e insumos colocados à sua disposição de procedimentos
técnicos e as recomendações recebidas.

CAPACIDADES TÉCNICAS

a) Analisar a capacidade do veículo de acordo com a carga;


b) Analisar as condições de acesso de veículos ao local de armazenamento de cargas perigosas;
c) Analisar contratos em relação a prazos, quantidades e meios de transportes;
d) Analisar os tipos, a funcionalidade e a relação custo x benefício dos veículos de transporte;
e) Analisar procedimentos de manuseio de cargas normais e perigosas;
f) Analisar sistemas de frete de acordo com o modal;
g) Avaliar os indicadores gerados pelo software de gestão de transporte;
h) Controlar documentação fiscal das cargas perigosas;
i) Especificar modal de transporte e tipo de veículo;
j) Estabelecer padrões de desempenho para o desenvolvimento de novos fornecedores de serviços
de transporte;
k) Estimar o dimensionamento da frota;
l) Identificar a necessidade de contratação de terceiros;
m) Identificar as circunstâncias de utilização dos formulários para registro de ocorrência;
n) Identificar fornecedores de serviços de transporte;
o) Identificar os procedimentos de acordo com o tipo de sinistro;
p) Identificar sistemas de rastreamento de cargas;
q) Identificar sistemas de segurança de cargas e de veículos de acordo com o tipo de carga;
r) Interpretar seguro considerando a apólice de veículos e cargas;
s) Planejar a alocação de veículos;
t) Reconhecer a documentação e os licenciamentos requeridos para uso de veículos;
u) Reconhecer as normas aplicáveis à manipulação, transporte e armazenagem de produtos peri-
gosos.
1 INTRODUÇÃO
15

Lembre-se de que você é o principal responsável por sua formação e isso inclui ações proativas, como:
a) Consultar seu professor-tutor sempre que tiver dúvida;
b) Não deixar as dúvidas para depois;
c) Estabelecer um cronograma de estudo que você cumpra realmente;
d) Reservar um intervalo para quando o estudo se prolongar um pouco mais.

Bons estudos!
Gestão de transportes de modais logísticos

Neste capítulo, será possível discutir sobre gestão eficiente dos transportes no atendimento
às demandas de suprimentos. Para isso, é importante entender o impacto que as atividades
de transporte geram sobre o nível de serviço ao cliente e aos custos operacionais da empresa.
Inicialmente, realizaremos uma breve análise histórica, buscando entender a relevância do
transporte nas atividades humanas e sua evolução. Dando sequência à construção do conheci-
mento, abordaremos a realidade da matriz de transportes brasileira, uma vez que a gestão dos
transportes perpassa por questões que extrapolam a atuação da empresa, sendo impactada
pela disponibilidade de infraestruturas de apoio logístico disponibilizadas pelo poder público,
deixando a qualidade e possibilidades de atuação das empresas atreladas à matriz de trans-
porte nacional.

Figura 1 -  Gestão de transportes e modais logísticos


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Mas, para uma gestão acertada, envolvendo a qualidade do serviço, o atendimento a prazos
e o balanceamento dos custos, depende-se, diretamente, das escolhas realizadas para a execu-
ção do serviço, como a modalidade de transporte a ser utilizada e as estratégias possibilitadas a
GESTÃO DE TRANSPORTES
18

partir dessa escolha, sendo fundamental ao profissional de logística conhecer as características, vantagens
e desvantagens de cada uma, a fim de aplicá-las de forma competitiva.

2.1 Gestão de transportes

Em Logística, definimos transporte como a atividade de movimentar materiais entre regiões e empre-
sas. Esse serviço, agregado às atividades produtivas, possibilita elevar o nível de serviço do sistema lo-
gístico. Ou seja, transportar significa movimentar bens ou pessoas de um ponto a outro, sendo um dos
maiores desafios da logística possibilitar que esse fluxo aconteça de forma rápida, eficiente e ao menor
custo possível.
Com a dinâmica do mercado e a expansão das áreas de atuação das empresas, impõe-se a necessidade
de se relacionar com outras localidades. Por essa razão, produtores de insumos precisam disponibilizar
matéria-prima para empresas beneficiadoras, assim como as unidades produtoras precisam distribuir seus
produtos para zonas de consumo. Nesse sentido, adotar boas práticas de gestão torna os processos logís-
ticos mais eficientes.

Figura 2 -  Gestão de transportes


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

É fato que o transporte representa um dos elementos mais importantes na logística, pois é o meio
responsável por aproximar as empresas produtoras de seus clientes e de seus fornecedores, facilitando o
atendimento às demandas e ampliando suas possibilidades de atuação.
E é comum as pessoas associarem logística apenas às funções de transportar mercadorias, pois essa é
uma das atividades que mais oneram o serviço logístico, impactando diretamente sobre o custo total de
operação.
Nesse sentido, gerir as operações de transporte de forma adequada, utilizando os meios de transporte
disponíveis de forma racional, implementando estratégias de controle das operações, otimizando a utili-
2 Gestão de transportes de modais logísticos
19

zação da mão de obra e apoiando-se em tecnologias que permitam maior celeridade das operações, con-
tribui para aumentar a competitividade da organização e fazem do transporte uma ferramenta estratégica
para o sucesso.

2.2 evolução dos transportes

Para falar sobre a influência do transporte na vida do homem, é importante buscarmos entender a sua
aplicação desde os primórdios da história até os dias atuais. O homem, como um ser inventivo, sempre
busca, a partir das suas limitações, desenvolver soluções que tornem a vida mais confortável e a realização
dos trabalhos mais eficiente.
Nesse contexto histórico, o desenvolvimento dos meios de transporte terrestres, aquáticos ou aéreos,
utilizados para levar bens e pessoas de um lugar a outro, ganharam grande influência na mudança do esti-
lo de vida do homem, intervindo significativamente no modo de execução de várias atividades.

2.2.1 Transportes Terrestres

Os primeiros sinais de movimentação de produtos são registrados em operações terrestres, na mo-


vimentação de caça e no transporte de alimentos coletados. Por isso, trataremos dos principais marcos
históricos por tipo de modalidade de transporte terrestre: rodoviário, ferroviário e dutoviário.

Rodoviário

Um dos primeiros indícios de aplicação de técnicas de transporte em práticas do dia a dia é a do trenó
primitivo. Feito com peles de animais ou cascas de árvores, acomodava os insumos coletados e possibilita-
va arrastá-los de uma única vez; era utilizado sobre diversas superfícies: neve, capim e regiões semialaga-
das, possibilitando transpor distâncias e aplicar a força de forma balanceada, utilizando a tração do corpo.

Figura 3 -  Trenó primitivo


Fonte: MUSEU VIRTUAL DO TRANSPORTE URBANO, [201-?].
GESTÃO DE TRANSPORTES
20

Destaca-se também como elemento de grande importância para o desenvolvimento do transporte no


mundo a domesticação dos animais. Datada de 4.000 a.C, surge quando o homem percebe que a utilização
da força animal para sua locomoção e para o transporte de cargas seria uma saída para facilitar a mobili-
dade de recursos.

Figura 4 -  Domesticação de animais


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Ademais a essas aplicações, a invenção da roda pode ser pontuada como um marco à evolução dos
meios de transporte. Sua origem é indefinida, mas uma prefiguração da criação da roda é atribuída ao
sistema de rolagem utilizado por primitivos, no qual rolos de madeira em paralelo eram utilizados para
deslocar animais de grande porte que haviam sido abatidos.

Embora algumas imagens relacionem o homem pré-histórico com a


CURIOSIDADES invenção da roda, não existem achados arqueológicos que comprovem
sua origem pré-histórica.

Existem diversas teorias sobre o surgimento da roda, mas os primeiros testemunhos de seu apareci-
mento ligam sua história à civilização Suméria, aproximadamente em 3.000 a.C., onde a imagem do estan-
darte de Ur1 mostra uma típica cena de transporte com a presença de carros de combate com suas rodas
formadas de peças de madeira (SOUZA, 2016).
Os mesopotâmios, babilônicos e assírios prosseguiram o desenvolvimento dos carros originalmente
criados pelos sumérios, mas introduziram novos aperfeiçoamentos. A roda permitiu a melhor locomoção

1  Estandarte de Ur: são figuras talhadas em uma espécie de placa de madeira


2 Gestão de transportes de modais logísticos
21

do homem e os antigos caminhos foram transformados em verdadeiras estradas, permitindo o acesso mais
ágil entre as cidades.
Em Roma, foram criados os primeiros elementos básicos do sistema viário, surgindo o trânsito e os
problemas decorrentes dele, sendo necessária a adoção de recursos de sinalização, marcos quilométricos
e indicações de sentido, ou seja, as primeiras regulamentações de trânsito.

ferroviário

Outro avanço que trouxe grandes modificações ao transporte foi o desenvolvimento da máquina auto-
propulsora a vapor – idealizada pelo padre jesuíta belga, Ferdinand Verbiest, em 1681, em Pequim –, que
foi uma das precursoras do trem.

Figura 5 -  Primeira locomotiva a motor


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Até o fim do século XIX, as estradas que mais se desenvolveram foram as de ferro, pois ainda não exis-
tiam automóveis e caminhões, sendo o trem o meio de transporte mais cômodo e barato.
Além do transporte rodoviário e do ferroviário, os modais terrestres contam com sistemas de dutos para
a distribuição de materiais e produtos, sobre os quais estudaremos a seguir.

dutoviário

Desde os tempos mais remotos, o homem já adotava sistemas de canalização para a irrigação nos cam-
pos. Civilizações como China, Roma, Grécia, Egito e os Astecas já utilizavam tubulações construídas com
cerâmica, bambu ou chumbo como meio transportador de materiais. Com o passar do tempo, buscou-se
aprimorar as técnicas, especializando-se no transporte de água, esgoto, produtos químicos, sólidos diluí-
dos, gases e outros insumos.
GESTÃO DE TRANSPORTES
22

Figura 6 -  Primeiras aplicações de dutos


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

No Brasil, a primeira linha de distribuição de petróleo entrou em operação em 1942, na Bahia. Tendo
diâmetro de 2 polegadas e 1 km de extensão, ligava a refinaria experimental de Aratu e o porto de Santa
Luzia.
A partir da criação da Petrobras, em 1953, o transporte por dutos foi intensificado, com a construção
dos oleodutos na Região de Produção da Bahia (RPBa), essenciais ao escoamento dos novos campos de
petróleo descobertos.
A partir daí, houve um grande desenvolvimento desse modal aplicado a diversas finalidades.

2.2.2 transporte aquaviário

Desde o princípio da história da humanidade, o indivíduo utilizava pequenas embarcações marítimas


e fluviais para se deslocar de um lugar para o outro a procura de melhores condições de vida. E, por isso,
sempre procurou ampliar seus conhecimentos de navegação, construindo embarcações cada vez maiores,
que permitissem transportar maiores quantidades de insumos e alcançar lugares mais distantes.
Essa evolução das embarcações fez com que os povos conquistassem terras e descobrissem novos con-
tinentes, demonstrado ao mundo a importância do transporte aquaviário, sobretudo marítimo.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
23

Figura 7 -  Evolução das embarcações


Fonte: SENAI DR BA, 2018.

A utilização de navios como meio de transporte se propagou há 5.000 anos, na civilização ocidental,
com a invenção do barco a vela. A utilização da força do vento tornou possível o deslocamento de pessoas
e mercadorias por distâncias cada vez maiores.
Por volta de 2.500 a. C., barcos egípcios estabeleceram o comércio entre a foz do Nilo e a terra de Canaã,
enquanto a civilização Suméria navegava entre os rios Eufrates e Tigre, saindo do golfo pérsico e estabe-
lecendo o comércio com a Índia.
A 800 a.C., os fenícios estabeleciam colônias na Espanha e norte da África. Os Romanos utilizaram as
“Galeras ou Galés”, barcos com uma vela quadrada em um único mastro, que também eram movidos a
remo, para manobras de guerra e maior aceleração da embarcação; os remadores eram escravos e con-
denados, forçados a trabalhar à base de chicotadas até a exaustão, o que muitas vezes os levava à morte.
A navegação no Mediterrâneo dependia da habilidade do marinheiro em reconhecer as direções do
vento para a realização da travessia desejada. Nascia, então, a Rosa dos Ventos, escola de orientação naval.
Os Vikings, durante os séculos VIII e XI, também foram grandes navegadores; seus barcos eram chama-
dos de dragões e possuíam grande destreza em manobras de guerra.
As caravelas, navios maiores com vários mastros com velas, possibilitavam maior rapidez no desloca-
mento, tornando-se o principal meio de transporte para o comércio e ligação entre continentes. A partir da
sua utilização na exploração de novas rotas e territórios para a busca de especiarias e riquezas, decorreu-se
a colonização de várias regiões da África, Ásia, inclusive, dando início ao processo de colonização do Brasil.
As caravelas foram uma grande inovação tecnológica para a época. Cabral partiu de Portugal, no final
do século XV, com 13 embarcações, chegando ao Brasil em 22 de abril de 1500, em uma operação que
pode ser denominada como a primeira operação de transporte na “Terra de Vera Cruz” (FELIPPES, 2005).
GESTÃO DE TRANSPORTES
24

A criação do barco a vapor dificilmente pode ser creditada a um inventor particular, pois a adaptação do
motor a vapor para propulsão de embarcações foi tentada por vários projetistas, tanto na Europa, quanto
na América. O desenvolvimento da navegação a vapor caracterizou-se, depois disso, pela construção de
navios cada vez maiores e mais potentes.

Um marco na navegação foi a construção do transatlântico Titanic, em


1912. Ele tinha o cumprimento de 270 metros, o equivalente a 4 campos
CURIOSIDADES de futebol, 28 metros de largura e 54 metros de altura, equivalente a um
prédio de 11 andares, e naufragou no dia de sua inauguração.

Com o passar do tempo e o surgimento de novas tecnologias, foi necessário modernizar os portos cos-
teiros, a fim de atender as exigências de um mercado cada vez mais globalizado.
O modal aquaviário tornou-se a porta de acesso às demais economias e investir em infraestrutura de
apoio ao serviço logístico, seja por recursos públicos ou apoiado em parcerias com a iniciativa privada,
ganhou papel fundamental para o desenvolvimento do modal e para a dinamização da economia do país.

2.2.3 transporte Aeroviário

A história do dirigível se confunde com a da aviação. Os dirigíveis, aeronaves mais leves do que o ar, e
que podiam ser controladas, sustentam-se através do uso de uma grande cavidade preenchida com um
gás menos denso do que o ar, como gás hélio ou mesmo o inflamável gás hidrogênio.
Uma das primeiras experiências ao tentar conquistar os céus foram com balões de ar quente. Um padre
jesuíta brasileiro, Bartolomeu de Gusmão, em 1709, conseguiu fazer um balão de ar quente, o “Passarola”,
subir aos céus, diante de uma corte portuguesa abismada.
No começo do século XX, o primeiro voo numa máquina mais pesada do que o ar, capaz de gerar a po-
tência e sustentação necessária por si mesma, foi realizado. Mas, isto é um assunto polêmico, envolvendo
o brasileiro Alberto Santos Dumont e os irmãos americanos Wilbur e Orvile Wright.
Na Europa e Brasil credita-se o primeiro voo a Santos Dumont pelo fato dele ter registrado tudo, tanto
com testemunhas como em filmes, o que os irmãos Wright não fizeram. Outra contestação em prol do bra-
sileiro é que em seu voo, o 14 bis “decolou” e a aeronave dos americanos foi arremessada.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
25

Figura 8 -  14 Bis
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

A partir da Segunda Guerra Mundial, a aviação comercial passou por grandes transformações, tornando
o avião um dos principais meios de transporte de passageiros e de mercadorias no mundo todo.
O transporte aéreo foi o que mais contribui para a redução da distância e do tempo de viagens, ajudan-
do a percorrer rapidamente longas distâncias e a chegar a áreas remotas e de difícil acesso.

2.3 Matriz de transporte brasileira

O Brasil possui uma vasta extensão territorial, dispondo de uma ampla rede de sistemas de transporte
que, além de interligar cidades e regiões, auxiliam na mobilidade das pessoas, contribuindo para levar o
desenvolvimento econômico a regiões que tradicionalmente não estão inseridas no eixo de maior desen-
volvimento e industrialização.
Para atender à crescente demanda de distribuição de insumos nacional e internacionalmente, o Brasil
busca explorar as diversas modalidades de transporte disponíveis em sua infraestrutura, contando com
os modais de transporte rodoviário, ferroviário, aquaviário, aéreo e dutoviário, além da possibilidade de
integração entre eles.
Esses sistemas de transporte podem ser utilizados de forma estratégica pelas empresas como alternati-
vas mais econômicas de distribuição dos seus produtos, derrubando as barreiras comerciais e facilitando a
exportação, beneficiando o crescimento e competitividade do negócio.
A imagem a seguir mostra a distribuição de cargas e passageiros para as diferentes modalidades de
transporte no Brasil.
GESTÃO DE TRANSPORTES
26

70.0%
61,1%
60.0%

50.0%

40.0%

30.0%
20,7%
20.0%
13,6%
10.0%
4,2% Movimentação de
0.0%
0,4% carga e passageiros
Rodoviário Ferroviário Aquaviário Dutoviário Aéreo

Figura 9 -  Movimentação de carga e passageiros transportados em 2017, por modalidade


Fonte: CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE TRANSPORTE, 2018.

Note que, embora existam modais mais econômicos e com forte potencial a ser explorado, como o fer-
roviário e o aquaviário, a matriz de transporte brasileira utiliza com maior intensidade o modal rodoviário,
onde mais de 60% da carga transportada no país utilizam desse modal.
Esses índices são reflexo da atual infraestrutura logística brasileira, caracterizada por uma grande dis-
paridade na oferta de estruturas entre estados e regiões. De forma geral, as regiões mais industrializadas e
desenvolvidas possuem maior disponibilidade de infraestrutura de apoio às empresas e à população. Em
contraponto a essa realidade, regiões menos desfavorecidas apresentam déficits na infraestrutura, o que
dificulta a atratividade para novos negócios na região e a distribuição eficiente da produção para demais
regiões, limitando seu fortalecimento econômico.

2.3.1 Sistema rodoviário

No Brasil, o sistema rodoviário tem destaque no transporte interno de cargas, contando com uma ma-
lha rodoviária total de 1.735.607 km, entre rodovias federais, estaduais e municipais. Mas, apesar de sua
grande disponibilidade, apenas 12% dessas sãos pavimentadas.
Um fator relevante para o tráfego nas estradas é o estado geral das rodovias, pois estradas ruins afetam
significativamente no tempo de viagem, na manutenção e no desgaste dos veículos.
De acordo com os dados levantados pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), 28% das estra-
das brasileiras são consideradas pelo usuário como ruim ou péssima; 33% delas como regulares; e 38%
classificadas como ótimas ou boas, essas, em sua grande parte, administradas pela iniciativa privada.
As rodovias federais são divididas em radiais, longitudinais, transversais, diagonais e de ligação.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
27

São as que partem da Capital Federal,


Rodovias Começa com em qualquer direção, para ligá-la a
Radiais o algorítmo 0 Capitais Estaduais e pontos
periféricos importantes do país.

Rodovias Começa com São as que orientam na direção


Longitudinais o algorítmo 1 Norte-Sul

Rodovias Começa com São as que se orientam na direção


Transversais o algorítmo 2 Leste-Oeste

Rodovias Começa com São as que se orientam na direção


Diagonais o algorítmo 3 Nordeste-Sudeste e Noroeste-Sudeste

São orientadas em qualquer direção,


Rodovias de Começa com
e ligam pontos importantes de duas
ligação o algorítmo 4 ou mais rodovias federais.

Figura 10 -  Classificação e nomenclatura de rodovias


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

As rodovias brasileiras, de modo geral, apresentam falhas estruturais, tais como: predomínio de pistas
simples em regiões de topografia acidentada, sinalização precária, deficiência no escoamento de águas
pluviais, falta de pavimentação em estradas cruciais ao escoamento da produção, além do estado precário
das vias já existentes.

2.3.2 Sistema ferroviário

O sistema ferroviário do Brasil é formado por uma extensão de linhas e ramais que contabilizam 30.485
km. Essa malha ferroviária é responsável pelo transporte de cerca de 20% da produção do país, desde o
minério de ferro à produção agrícola.
As linhas férreas são distribuídas por todo território brasileiro, atendendo a 22 estados e ao Distrito
Federal. Uma limitação a esse sistema ferroviário é a falta de padronização das linhas, que utilizam bitolas
diferentes, inviabilizando a conexão entre elas.
A malha brasileira possui quatro tipos de bitolas:
a) 7.432 quilômetros em bitola larga/irlandesa (1,6 metro);
b) 202,4 quilômetros em bitola padrão/internacional (1,435 metro);
GESTÃO DE TRANSPORTES
28

c) 22.539 quilômetros em bitola métrica (1 metro) e 514 quilômetros em bitola mista;


d) Além dos trechos com 0,6 e 0,763 metros utilizados em trechos turísticos.

Embora o modal seja favorável ao transporte de grandes volumes de cargas em longas distâncias, mo-
vimenta apenas cerca de 20% do volume total das cargas brasileiras. Esse fator decorre da falta de dispo-
nibilidade de infraestrutura, como terminais, linhas estratégicas e maquinários modernos, limitados em
decorrência do baixo investimento de recursos públicos no setor.
A falta de investimentos no setor gerou uma forte estagnação no crescimento da malha ferroviária no
Brasil, levando à extinção e ao sucateamento de linhas importantes. Uma saída encontrada pelo Governo
Federal foi a adoção de parcerias público-privadas e sistemas de concessões, possibilitando à iniciativa
privada explorar trechos das linhas férreas e implantar linhas exclusivas que facilitassem o escoamento da
produção para os portos.

CASOS E RELATOS

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré


Um caso característico que retrata a realidade dos investimentos no Brasil é o da Ferrovia Madeira-
-Mamoré. Construída entre os anos de 1907 e 1912 onde hoje é o estado de Rondônia, a estrada de
ferro Madeira-Mamoré estende-se pela Amazônia em 366 km de estrada férrea, ligando Porto Velho
à cidade de Guajará-Mirim.
Sua criação foi motivada pela possibilidade de escoamento da produção de borracha brasileira e
boliviana e de outras mercadorias produzidas na região para o oceano Atlântico, utilizando como via
de saída a bacia do Rio Amazonas.
Com a construção da ferrovia, o Brasil cumpriu o Tratado de Petrópolis, que tinha o intuito de evitar
a guerra com a Bolívia, garantindo ao país vizinho o escoamento de sua produção e ao Brasil o do-
mínio sobre o território do Acre, trazendo também a colonização de áreas do território amazônico
ainda não exploradas.
Na década de 1930, os arrendatários ingleses da Madeira-Mamoré, já desinteressados no negócio,
romperam unilateralmente o contrato de exploração da ferrovia e a devolveram ao Governo prati-
camente sucateada.
Com o estopim da 2ª Guerra Mundial, a via ganhou papel estratégico, operando de forma intensa no
suprimento de borracha para as linhas de produção dos países aliados, uma vez que o maior produ-
tor de látex da época, a Malásia, havia sido invadida pelos japoneses.
A via manteve seu funcionamento ativo no transporte de cargas por 54 anos, sendo desativada em
1966.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
29

A malha ferroviária, além de sofrer com a falta de manutenção e com o sucateamento das vias já exis-
tentes, necessita de conclusão de obras de ampliação importantes para a integração dos estados com ou-
tras regiões, como a EF 354, ou FIOL, Ferrovia de Integração Oeste-Leste. O novo trecho, que se estende por
1,4 mil km desde o Tocantins (Figueirópolis) até a Bahia (Ilhéus), possibilita a interligação dos dois estados,
além de ligar a região à ferrovia Norte-Sul, conexão com São Paulo e Pará.
Veja abaixo a distribuição da malha ferroviária brasileira:

B oa V is ta !R

EFA !R
Macapá
EFT
!R
EFJ B elém
S ão L uís
!R
!R
Manaus
EFC Fortalez a
!R

Teres ina
!R

VALEC Natal
CFN !R

P or to J oão P essoa !R
!R Velho R ecife !R

!R !R !R
R io B ranco Palmas
Maceió
!R
Aracaju

!R
S alvador

MAPA F E R R O VIÁR IO !R
!P
B rasília
Cuiabá
DO B R AS IL !R FCA
Goiânia

L egenda FERRONORTE EFVM


Localidades FERROBAN B elo
!P C apital Federal Horizonte !R
!R
!R C apital E stadual !R
Campo V itór ia
NOVOESTE Grande
Ferrovias
E F T - E strada de Ferro Trombetas
E FJ - E strada de Ferro J ari !R
!R
R io de J aneiro
E FA - E strada de Ferro do Amapá S ão Paulo
FERROPAR
E FC - E strada de Ferro C arajás MRS
!R
VALE C - Ferrovia Norte-S ul
Cur itiba
C F N - C ompanhia Ferroviária do Nordes te S .A
ALL
FC A - Ferrovia C entro-Atlântica S .A
!R
E FVM - E strada de Ferro Vitória a Minas Florianópolis

ALL - América Latina Logís tica do B ras il S .A OC E A N O


NOVOE S TE - Ferrovia NOVOE S TE S .A FTC
P or to !R
FE R R ONOR TE - Ferrovias Norte B ras il S .A
FE R R OB AN - Ferrovias B andeirantes S .A
Alegre
AT LÂ N TI CO
FE R R OPAR - Ferrovia Paraná S .A
MR S - MR S Logís tica S .A
F TC - Ferrovia Tereza C ris tina S .A 250 125 0 250 500 750 1.000 km

Figura 11 -  Principais ferrovias do Brasil


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Embora possua mais de 30 anos de inserção desse modal no país, sua malha vem registrando baixa evo-
lução. Em países de grande extensão territorial, a exemplo dos EUA e Canadá, o investimento em ferrovias
transcontinentais possibilita cruzar o território, interligando países, permitindo a exploração dos portos.
GESTÃO DE TRANSPORTES
30

No Brasil, a ferrovia Norte-Sul possui o mesmo objetivo, mas até hoje não foi concluída (tendo sido iniciada
em 1987).
O modal no Brasil ainda não apresenta seu melhor resultado, pois as condições de infraestrutura não
permitem, por exemplo, o aumento na velocidade média dos trens, decorrente da baixa velocidade exigi-
da em áreas metropolitanas e nas travessias de zonas povoadas e pela divergência nos padrões das bitolas
das linhas férreas.
É fato que as ferrovias trazem possibilidades para o transporte e para a integração nacional, por isso, é
impreterível um esforço mais amplo, com ações governamentais e com parceria público privada, a fim de
desenvolver a infraestrutura existente, tornando o sistema mais dinâmico e eficiente.

2.3.3 Sistema aquaviário

O sistema aquaviário brasileiro conta com uma extensão de 41.795 quilômetros de vias potencialmente
navegáveis, além de dispor de uma vasta faixa litorânea, com 8.511km de costa marítima, porém, apenas
19.464 quilômetros de suas vias internas são economicamente explorados.
De acordo a CNT (2016), 13,6% da carga geral do país foram transportados por meio de vias navegáveis;
para isso, contou-se com toda infraestrutura instalada para o serviço logístico, formada por 35 portos orga-
nizados, 156 terminais de uso privado, 29 estações de transbordo de cargas.

92 de
Comboio Minério RELATÓ
RIOEXECUTIVO
Ferro
Fonte: Acervo Antaq

Figura 12 -  Modal aquaviário brasileiro


Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES AQUAVIÁRIOS, 2018; SHUTTERSTOCK, 2018.

O modal aquaviário ainda é desfavorecido, tendo em vista a subutilização de suas vias navegáveis e o
baixo investimento no setor, dispondo de uma frota antiga e ultrapassada, condições inadequadas para
a estocagem e armazenagem dos produtos em trânsito, havendo a necessidade de obras de dragagem e
construção de pontos de transbordo e eclusas.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
31

Na exploração das vias internas de navegação, o Brasil transportou no ano de 2017 57.515.144 tonela-
das de produtos, especialmente pela bacia Amazônica, mas também merecem destaque hidrovias como:
a) Hidrovia Solimões-Amazonas: é uma hidrovia supranacional2 que tem como principal tronco o
rio Amazonas. Essa hidrovia serve como via de trânsito para países como Colômbia, Peru, Equador
e Bolívia e é o principal caminho de escoamento de cargas da região Norte do país, responsável
por cerca de 65% do total transportado na região, de acordo o DNIT;
b) A Solimões-Amazonas é dividida em dois tramos: o Solimões, que se estende de Tabatinga a
Manaus, tendo aproximadamente 1600 km, com um calado3 mínimo de 6 metros; e o Amazonas,
que vai de Manaus a Belém, com 1650 km e calado de 10 metros, o que permite acesso de navios
marítimos de até 60.000 TPB (DNIT);
c) Hidrovia do Madeira: o rio Madeira é um tronco afluente do rio Amazonas, ele faz parte da
bacia do Amazonas e possui forte potencial de exploração, devido a possibilidade de navegação
noturna;
d) Hidrovia Araguaia-Tocantins: possui 1.152 quilômetros de extensão navegável, mas sem con-
tinuidade. No estado do Maranhão, entre as cidades de Imperatriz e o terminal multimodal de
Estreito/Porto Franco, só é possível navegar no período de cheia;
e) Hidrovia São Francisco: abrange os estados de Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Bahia, Per-
nambuco, Alagoas e Sergipe. É a ligação mais econômica entre o Centro-Oeste e o Nordeste, to-
talmente navegável, em seus 1.371 km;
f) Hidrovia Tietê-Paraná: a bacia do Tietê-Paraná é uma das principais vias internas de escoamen-
to da produção do país, com 2.400 quilômetros de extensão, possui 1.250 km navegáveis, dividi-
dos em 800 km do rio Paraná e 450 km do rio Tietê, no Estado de São Paulo. A hidrovia conecta os
maiores estados produtores de grãos (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Pa-
raná) a zonas de consumo e ao porto de Santos, principal porto para acesso ao mercado externo;
g) Hidrovia do Paraguai: esta hidrovia corta metade da América do Sul, desde Cáceres, em Mato
Grosso, até Nova Palmira, no Uruguai. O trecho brasileiro vai até a confluência com o Rio Apa e
tem 1.272 quilômetros de extensão, sendo uma região de fronteira com a Bolívia e com o Para-
guai (DNIT, 2016);

2  Supranacional: tem poder acima do Estado.


3  Calado: espaço entre a superfície da água e o casco da embarcação.
GESTÃO DE TRANSPORTES
32

Figura 13 -  Comboio na hidrovia Paraguai-Paraná


Fonte: ANTAQ, 2018.

h) Hidrovia do Mercosul: a hidrovia é constituída pelos rios Jacuí, Taquari, Caí, Sinos, Gravataí, Ca-
maquã e Jaguarão, que se ligam à lagoa dos Patos através do Lago Guaíba, com continuidade no
canal de São Gonçalo, na Lagoa Mirim e na bacia do rio Uruguai. Com 1.860 quilômetros de vias
navegáveis, movimenta cerca de 4,5 milhões de toneladas por ano e é um eixo fundamental para
o intercâmbio comercial entre o Brasil e o Uruguai (DNIT, 2016).

Um problema conflitante e que interfere no potencial de utilização das vias internas é a implantação de
hidrelétricas nos principais rios utilizados para o escoamento de produção. Devido ao potencial hídrico do
Brasil, eles também as principais fontes de geração de energia utilizadas no país.
Por isso, no projeto de construção das hidrelétricas, além dos impactos ambientais que elas geram,
devem ser considerados os entraves econômicos, devendo a sua construção também contemplar a cons-
trução de eclusas4 para transposição das embarcações entre os níveis.

4  Eclusa: obra feita para facilitar a locomoção de embarcações onde houver desnível em mares ou rios.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
33

Figura 14 -  Eclusa de Tucuruí, no rio Tocantins


Fonte: ECLUSA..., [201-?].

Alguns projetos não inserem as eclusas devido ao seu alto custo e, muitas vezes, elas são implantadas
após a construção já concluída. Nesses casos, tendem a elevar o custo da obra em 3 vezes o valor de im-
plantação de uma eclusa. Além disso, é comum que a capacidade dessas eclusas não atenda ao volume de
embarcações que trafegam pela via, gerando congestionamentos e atrasos na viagem.
Embora a maior parte dos produtos exportados utilizem o modal aquaviário, a exploração dessa moda-
lidade de transporte ainda não é aproveitada em toda a sua potencialidade. O Brasil pode ainda tirar pro-
veito da navegação fluvial, lacustre, de travessia, de apoio marítimo e portuário, da cabotagem de longo
curso, dentre outras alternativas potencialmente interessantes e pouco difundidas no Brasil.

2.3.4 Sistema aeroviário

O transporte aéreo brasileiro ainda possui uma pequena participação no conjunto de carga transporta-
da nacionalmente (0,4%) e de passageiros (2,5%) devido ao custo associado às suas operações. Porém, vem
se popularizando e ganhando mercado, configurando-se como uma alternativa possível para transpor dis-
tâncias de forma rápida e segura.
O alto custo da manutenção e a deficiente infraestrutura de carga dos aeroportos, somados à grande
extensão territorial, oneram o valor da carga transportada, além disso, o aumento do fluxo aéreo vem
causando congestionamentos e atrasos, impactando na qualidade do serviço e pontualidade do sistema.
GESTÃO DE TRANSPORTES
34

Figura 15 -  Fluxo de carga do transporte aéreo brasileiro


Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2016.

A imagem demonstra os principais fluxos de carga do Brasil, suas rotas e seu fluxo, possibilitando per-
ceber a intensificação na utilização do modal como alternativa de transporte rápido. Essa infraestrutura
é formada por 37 aeroportos internacionais, 28 aeroportos nacionais com movimentação de cargas ou
passageiros, 538 aeródromos públicos e cerca de 1.932 aeródromo privados.

2.3.5 Sistema Dutoviário

O sistema dutoviário brasileiro é classificado em dutos de transporte e de transferência. Os dutos de


transporte realizam a distribuição de produtos, conectando os pontos de oferta a pontos de consumo; já os
dutos de transferência são utilizados para movimentar produtos dentro das instalações de uma empresa.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
35

Figura 16 -  Distribuição de derivados de petróleo


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Apesar do potencial do modal dutoviário para o transporte de produtos como o petróleo e seus deri-
vados, a malha de dutos do Brasil ainda é muito reduzida e pouco significativa no transporte de cargas no
país quando comparado a outros países.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (2016), a ANP, a malha dutoviária
nacional é formada por 601 dutos, chegando a uma extensão de 19.000 km e 5 minerodutos, somando
mais 1.336 km a essas vias.
-80°

-76°

-72°

-68°

-64°

-60°

-56°

-52°

-48°

-44°

-40°

-36°

GUIANA

Mapa Dutoviário
SURINAME FRANCESA

VENEZUELA GUIANA
Boa Vista
Anuário Estatístico 2017
RR
COLOMBIA

AP

Macapá

Belém
EQUADOR
-2°

-2°

São Luis

Manaus
Careiro da Várzea

Iranduba
Manacapuru

Beruri Caucaia Fortaleza


AM Coari
Codajás
Pacajus

Chorozinho

Aracati

CE Russas Areia Branca

PA
Macau
Teresina
MA Mossoró

João Câmara
Afonso Bezerra Ceará-Mirim
Lajes
Apodi
Itaú
Augusto Severo
RN Natal
Parnamirim
-6°

-6°

Janduís
Goianinha

Canguaretama
Nova Cruz

Guarabira
Cabedelo

PB Itabaiana
João Pessoa

Timbaúba
Carpina Igarassu

PI Recife

PE Ribeirão
Cabo de Santo Agostinho

Palmares

Porto Velho Barreiros

AC União dos Palmares


Novo Lino

Capela

Arapiraca Maceió

AL
São Miguel dos Campos

PERU
-10°

-10°

Rio Branco Porto Real do Colégio


Palmas
SE
Propriá

RO TO Carmópolis

Salgado
Aracaju

Olindina
Teofilândia

Entre Rios

BA Feira de Santana
Alagoinhas

Santo Amaro

Castro Alves
Camaçari

Salvador
MT
Gandu
-14°

-14°

Jequié

Ibirapitanga
Itagibá
Ubaitaba

Ilhéus
Itabuna

Chapada dos Guimarães


Cuiabá Potiraguá
Várzea Grande
Brasília
DF
Itagimirim
Cáceres
Ouro Verde de Goiás Luziânia
Anápolis

GO Goiânia
Eunápolis
O ce

Guapó

Itamaraju

BOLIVIA Prado

Teixeira de Freitas

Caldas Novas
Morrinhos
Caravelas
-18°

-18°

Itumbiara
Cachoeira Dourada Pedro Canário
an

Araguari São Mateus

Corumbá Ladário
Monte Alegre de Minas
Uberlândia MG ES
Sooretama

Linhares

Itabira
o

Uberaba João Neiva


Nova Era
Betim

Belo Horizonte
MS
Miranda Igarapava
Campo Grande Água Clara
Ouro Preto Viana
Aquidauana
Ribas do Rio Pardo
Ponte Nova
Vitória
P

Orlândia Conselheiro Lafaiete Guaçuí


Três Lagoas Fervedouro Iconha
Sidrolândia Andradina Viçosa

Muriaé Cachoeiro de Itapemirim


Araçatuba Ribeirão Preto
ac

Birigui
Paulicéia Barbacena
Itaperuna
Panorama São Simão
São Fidélis São João da Barra
Araraquara Casa Branca Juiz de Fora
Lins
Matias Barbosa
Cafelândia Porto Ferreira Campos dos Goytacazes
-22°

-22°
íf

Pirajuí São Carlos

RJ
Três Rios
Jaú Araras
Teresópolis
Itirapina
Volta Redonda
co

SP
Limeira Macaé
Mogi-Mirim Resende Japeri
Casimiro de Abreu
Cruzeiro Barra Mansa
Lorena
Campinas Rio Bonito
Pindamonhangaba
i

Niterói
Taubaté Itaguaí
Angra dos Reis Rio de Janeiro
PARAGUAI Tatuí Itu Jundiaí São José dos Campos
c

t i

CHILE
Sorocaba Mogi das Cruzes
Ubatuba
Itapetininga

São Paulo Suzano


o

Itapeva Embu-Guaçu São Sebastião


Guarujá
Santos
n

Apiaí

PR

Adrianópolis

Curitiba
Antonina

Paranaguá
t

Araucária
Lapa
-26°

-26°

Garuva
A

Joinville
São Francisco do Sul
Jaraguá do Sul
Araquari

Indaial Navegantes
Itajaí

n
o

Blumenau Itapema

SC

e a
Florianópolis
Palhoça

ARGENTINA

O
Grão Pará
Imbituba
c

Urussanga
Siderópolis
Tubarão

Criciúma

Novo Hamburgo

RS
Uruguaiana

Charqueadas
-30°

-30°

Osório
Canoas

Porto Alegre

Convensão para Dutovias


Oleodutos
Camada de Dutovias - Empresa de Pesquisa Energética - EPE
Gasodutos 2014

Minerodutos Camada de Estados, América do Sul, Capitais e Cidades -Instituto


Brasileiro de Geografia e Estatítica - IBGE 2010

0 100 200 300

Quilômetros
1 cm = 53 km
Sistema de Coordenadas: GCS SIRGAS 2000
Datum: SIRGAS 2000
URUGUAI
Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil
Unidade: Degree
-80°

-76°

-72°

-68°

-64°

-60°

-56°

-52°

-48°

-44°

-40°

-36°

Mapa Elaborado na Coordenação-Geral de Gestão da Informação - CGINF Sugestões e Cópias pelo e-mail: [email protected] e nos telefones: (61)2029-7115 / 7108 Atualizado em Março de 2017

Figura 17 -  Malha dutoviária brasileira


Fonte: BRASIL, 2017.
GESTÃO DE TRANSPORTES
36

Um forte impacto gerado pela exploração adequada de modais alternativos, como o dutoviário, está
associado ao custo dos combustíveis no Brasil. Nos Estados Unidos, por exemplo, a malha dutoviária de pe-
tróleo possui 89 mil km de extensão; e a de derivados, 153 mil km, com uma participação de 19% no volu-
me total de TKU transportado no país, operando a um custo 36% menor que no Brasil. Isso possibilita, além
da distribuição mais eficaz dos produtos, a redução, no preço de mercado, dos combustíveis (ILOS, 2013).

SAIBA Conheça um pouco mais sobre a distribuição de infraestruturas de todos os modos de


transportes e sua evolução, acessando ao site do Ministério dos Transportes e locali-
MAIS zando os Mapas e Bases dos Modos de Transporte.

De forma geral, a má distribuição do transporte no Brasil e a falta de pontos de integração intermodal


contribuem para o aumento dos custos de suas operações logísticas, com isso, o frete de alguns produtos
chega a representar até 35% do seu preço final, tornando os produtos brasileiros menos competitivos no
mercado externo.

2.4 Modais de transporte

Um aspecto importante na gestão de transportes é a escolha adequada da modalidade que será utili-
zada para escoar seus produtos e atender ao seu cliente; uma escolha acertada ajuda na redução do preço
de mercado dos produtos e na competitividade da empresa.
Mas, definir uma única modalidade como perfeita para o atendimento às demandas de transporte é
impossível, pois, cada produto, cada localidade, cada operação influencia na relação custo x benefício e na
escolha do modal.

Modal Modal Modal Modal Modal


Aquaviário Rodoviário Aeroviário Ferroviário Dutoviário

Figura 18 -  Modais de transporte


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
37

Assim, analisar criteriosamente os aspectos de capacidade de transporte, natureza da carga, versatili-


dade, segurança, flexibilidade e rapidez, auxiliarão na escolha do meio mais adequado para o transporte
dos insumos.
Os transportes são agrupados em modalidades de acordo com o meio físico que utiliza:
a) Terrestre: rodoviário, ferroviário e dutoviário;
b) Aquaviário: marítimo, lacustre e hidroviário;
c) Aéreo e VANT (Veiculo Aéreo Não Tripulado).

E também quanto à forma de realização do serviço:


a) Unimodal: utilizando apenas uma modalidade logística;
b) Intermodal: envolve mais de uma modalidade logística no transporte de carga e para cada uma
delas realiza um contrato;
c) Multimodal: envolve mais de uma modalidade, porém, regido por um único contrato;
d) Segmentados: envolve diversos contratos para diversos modais;
e) Sucessivos: quando a mercadoria é transbordada para outros veículos da mesma modalidade
de transporte, utilizando um mesmo contrato.

A integração entre as modalidades de transporte é pontuada como uma saída viável à redução dos cus-
tos nas operações de transporte, combinando modalidades mais econômicas, possibilitando a redução de
distâncias e reduzindo o impacto do custo no valor de venda do produto, tornando-os mais competitivos.
Perceba isso na imagem a seguir.

1.519 Km 1.260 Km
Porto Velho (RO) R$ 248,69 p/tonelada Itacoatiara (AM)

2.165 Km
R$ 258,72 p/tonelada

589 Km 1.555 Km Santos (SP)

Lucas do Rio R$ 216,63 p/tonelada


Rondonópolis (MT)
Verde (MT)
2.278 Km
R$ 227,80 p/tonelada Paranaguá (PR)
1.113 Km 280 Km
Rota não
utilizada
atualmente
Miritituba (PA) R$ 167,80 p/tonelada

322 Km 1.425 Km Santarém (PA)

Nova Canaa do Norte (PA) R$ 133,36 p/tonelada

Figura 19 -  Integração modal e custos


Fonte: CNT, 2017.
GESTÃO DE TRANSPORTES
38

A figura demonstra alternativas de conexão entre modais brasileiros, cuja possibilidade de integração
cria alternativas mais rápidas e baratas para o escoamento da produção.
É importante lembrar que meios de transporte e modais de transportes não significam a mesma coisa;
os meios de transportes são os diferentes tipos de veículos, que podem ser terrestres, aquáticos e aéreos,
e modais definem os tipos de estruturas utilizadas pelos meios de transportes para a movimentação de
cargas e pessoas, como rodovias, ferrovias, hidrovias, aerovias, dutovias.
Vamos conhecer as características e particularidades de cada um dos principais tipos de modais logís-
ticos.

2.4.1 Rodoviário

O modal rodoviário é caracterizado pela utilização de estradas, rodovias, ruas e outras vias, pavimenta-
das ou não. É realizado por veículos de pequeno, médio e grande porte no transporte de materiais, pessoas
ou animais de um determinado ponto a outro.

Figura 20 -  Modal rodoviário


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Embora não seja o modal mais viável economicamente, o transporte rodoviário ainda é um dos mais
utilizados no Brasil e no mundo, pois possibilita maior flexibilidade e facilidade de entrega porta a porta. É
indicado para transportar produtos de maior valor agregado ou perecíveis, acabados e semifinalizados, em
pequenas ou médias distâncias.
Suas principais vantagens são:
a) É mais apropriado para curtas e médias distâncias;
b) Simplicidade no atendimento das demandas e agilidade no acesso às cargas;
c) Menor manuseio da carga e, portanto, menor exigência na embalagem;
d) Atua de forma complementar aos outros modais, possibilitando a intermodalidade e a multimo-
dalidade;
e) Permite vendas do tipo entrega porta a porta, trazendo maior comodidade ao cliente.

No entanto, o modal rodoviário também tem suas desvantagens. São elas:


a) Fretes mais altos, em alguns casos;
2 Gestão de transportes de modais logísticos
39

b) Menor capacidade de carga dentre todos os modais;


c) Menos competitivo para longas distâncias;
d) Alta exposição a furtos e intempéries durante a viagem.

A escolha do tipo de transporte também é um fator relevante na utilização do modal, pois, cada tipo
de transporte gera resultados diferentes e deve ser escolhido de acordo com a operação, característica do
produto, quantidades que serão transportadas e facilidade de acesso ao local de entrega, buscando aquele
que atenda aos requisitos da empresa.
Os tipos de veículos utilizados no modal rodoviário são:

Utilitário de pequeno porte: Veículo comercial com potencial


para transportar até 650 kg, ideal para o transporte de cargas
leves e urbanas.

V.U.C. - Veículo Urbano de Carga: Veículo com 2 eixos


simples, de menor porte, com 7,2m de comprimento
máximo e 2,2m de largura, suporta em média 4 toneladas,
utilizado para distribuição rápida e acesso a locais mais
congestionados.

Caminhões: Veículos fixos que apresentam


carroceria aberta, em forma de gaiola,
plataforma, tanque; ou fechados (baús), sendo
que estes últimos podem ser equipados com
maquinário de refrigeração para o transporte
de produtos refrigerados ou congelados.

Carretas: Veículos articulados, com


unidades de tração e de carga em
módulos separados. Mais versátil que
os caminhões, podem deixar o
semirreboque, sendo carregado e
recolhê-lo posteriormente, permitindo, com isso, que o transportador
realize maior número de viagens.

Cegonheiras: Específicos
para transporte de
automóveis.

Boogies/Trailers/Chassis/Plataformas:
Veículos apropriados para transporte de
containers, geralmente de 20’ e 40’ (vinte e
quarenta pés).

Treminhões: Veículos semelhantes às carretas, formados por cavalos


mecânicos, semirreboques e reboques, portanto, compostos de três partes,
podendo carregar dois contêineres de 20’. Não podem transitar em qualquer
estrada, face ao seu peso bruto total (cerca de 70 toneladas).

Bitrens: Veículos semelhantes às carretas, formados por cavalos mecânicos,


semirreboques e reboques, portanto, compostos de três partes, podendo
carregar dois contêineres de 20’.

Figura 21 -  Tipos de veículos utilizados no modal rodoviário


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018. (Adaptado).
GESTÃO DE TRANSPORTES
40

Nesse sentido, é necessário que o profissional de logística faça a gestão da frota, considerando as par-
ticularidades de cada veículo, a fim de aumentar os lucros por meio do balanceamento dos custos com as
operações de transportes, evitando desperdícios de capacidade ou sobrecarga dos veículos.

2.4.2 Ferroviário

O modal ferroviário utiliza-se de carris dispostos ao longo de um percurso determinado, realizando a


transferência de pessoas ou bens entre dois pontos geograficamente separados. Esse modal utiliza como
meio de transporte trens, comboios, automotoras ou veículos semelhantes, movimentados por um motor
a vapor, Diesel ou motor elétrico de transmissão.

Figura 22 -  Modal Ferroviário


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

O transporte ferroviário é adequado para o transporte de mercadorias de baixo valor agregado e gran-
des quantidades, tais como, produtos agrícolas, derivados de petróleo, minérios de ferro, produtos side-
rúrgicos, fertilizantes, entre outros. Este modal não é tão ágil quanto o rodoviário no acesso às cargas, uma
vez que estas têm que ser levadas aos terminais ferroviários para embarque (CAXITO, 2011).
A ferrovia é basicamente um transportador de baixa velocidade, com velocidade média de 23,40 qui-
lômetros por hora (km/h) a 31,07 km/h (ANTT, 2018), e que transporta, geralmente, grandes volumes de
matérias-primas e manufaturados de baixo valor que necessitam transpor grandes distâncias.

Um vagão gasta em média 88% de seu tempo em operações de carga e


CURIOSIDADES descarga, movimentando-se de um ponto a outro dentro do terminal.

Existem duas formas de serviço ferroviário, o transportador regular e o privado. Um transportador regu-
lar vende seus serviços para qualquer usuário, sendo regulamentados em termos econômicos e de segu-
rança pelo governo. Já o transportador privado pertence a um usuário particular, que o usa com exclusivi-
dade, como é o caso da empresa Vale, que possui sua composição própria para exploração da linha férrea
utilizada no escoamento do seu minério.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
41

Figura 23 -  Composição em operação


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

As principais vantagens do transporte ferroviário são:


a) Adequado para longas distâncias e grandes quantidades de carga;
b) Baixo custo do transporte;
c) Baixo custo de manutenção da infraestrutura.

Em relação às suas desvantagens, podemos citar:


a) Diferença na largura das bitolas;
b) Menor flexibilidade no trajeto;
c) Necessidade de transbordo;
d) Tempo de viagem demorado e irregular;
e) Alta exposição a furtos.

Scandolara (2010) ressalta que, no Brasil, o transporte ferroviário ainda não tem a versatilidade e a fle-
xibilidade do modal rodoviário, devido à limitação das linhas férreas disponíveis. Por isso, mesmo com seu
custo operacional sendo menor em comparação com o rodoviário, o transporte ferroviário não se mostra
favorável quando analisamos outros índices, como perdas e danos de cargas.
Outro fator que deve ser considerado na escolha deste modal, é em relação às necessidades do embar-
cador: caso a entrega tenha prazos rígidos e imediatos de chegada e partida, a ferrovia também fica em
desvantagem, pois tem programações específicas para operar.
A evolução tecnológica tem tornado esse modal cada vez mais competitivo, inserindo inovações com
fontes de energia mais econômicas na redução de impactos ambientais, melhorias no equipamento ferro-
GESTÃO DE TRANSPORTES
42

viário e na velocidade das operações, no desenvolvimento de programação de rotas computadorizadas,


dentre outros avanços que visam a melhoria no desempenho do modal.

2.4.3 Aéreo

O modal de transporte aéreo consiste na utilização do espaço aéreo para o transporte nacional e inter-
nacional de pessoas e mercadorias, sendo realizado por meio de aeronaves.
No transporte aeroviário, suas vias são como as estradas, elas são calculadas e são constituídas rotas e
caminhos predefinidos, localizadas através de satélites geoestacionários.

Figura 24 -  Modal aéreo


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

O transporte aeroviário apresenta como vocação natural a possibilidade de transpor obstáculos, aci-
dentes geográficos e fronteiras internacionais, auxiliando na diminuição de distâncias com velocidade e
segurança. É adequado para mercadorias de alto valor agregado, pequenos volumes ou com urgência na
entrega.
As empresas e agentes de todo o mundo formam a IATA – International Air Transport Association (As-
sociação Internacional de Transporte Aéreo), uma associação de caráter comercial que é o principal órgão
regulador do transporte aéreo internacional.
No Brasil, o órgão regulador e fiscalizador das atividades de transporte aéreo é a Agência Nacional de
Aviação Civil (ANAC).
As principais vantagens do transporte aeroviário são:
a) Transporte mais rápido;
b) Não necessita embalagem mais reforçada, o que torna o frete mais barato;
c) Os aeroportos, normalmente, estão localizados mais próximos dos centros de produção;
d) Possibilita a redução de estoques via aplicação de procedimentos just in time (no tempo certo),
pois, uma vez que o tempo de reposição é curto, é possível trabalhar com estoques menores.

Assim como os demais, esse modal também possui desvantagens:


2 Gestão de transportes de modais logísticos
43

a) Menor capacidade de carga;


b) Limitação para dimensões da carga;
c) Valor do frete e de tarifas elevado, em relação aos outros modais.

Frente à globalização das relações comerciais e à necessidade de menores prazos e maior segurança
nos processos de distribuição de produtos, o transporte aéreo de cargas vem ganhando relevância no
atendimento de contingências5 e na movimentação de produtos com alto valor agregado, sendo uma
solução viável para os negócios.

2.4.4 Aquaviário

O modal aquaviário é aquele que utiliza como recurso as vias líquidas (rios, mares, lagos, etc.) ofertadas
pela própria natureza ou produzidas pelo próprio homem. Compreende todo tipo de transporte que utili-
ze vias aquáticas para movimentação de produtos, sendo subdividido em marítimo (longo curso, de apoio
e portuário), cabotagem, fluvial e lacustre.

Figura 25 -  Modal aquaviário


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Voltado para o transporte de grandes volumes de cargas, é economicamente viável em relação à quan-
tidade de produtos que consegue transportar, sendo utilizado no transporte de commodities6 agrícolas,
minérios, produtos siderúrgicos e outras cargas.

Marítimo

O transporte marítimo é uma das modalidades dos transportes aquaviário e ocorre nos mares e ocea-
nos por meio de embarcações (barcos, navios, transatlânticos), sendo muito utilizado para o transporte de
pessoas e cargas a curtas e longas distâncias.

5  Contingência: que não foi esperado; imprevisível.


6  Commodities: produtos que funcionam como matéria-prima, produzidos em grande escala e que podem ser estocados sem
perder a qualidade.
GESTÃO DE TRANSPORTES
44

O transporte marítimo é o modal mais utilizado no comércio internacional. No Brasil, responde a mais
de 90% do transporte internacional.
O transporte marítimo pode ser ainda subdividido em:
a) Cabotagem: é um tipo de navegação realizada entre portos ou pontos do território e que utiliza
a via marítima ou esta via e as vias navegáveis interiores. Existe principalmente para atender à
distribuição física em localização geográfica extrema, como da região Sul para o Norte e Nordeste
e vice-versa, ainda que, para as demais regiões, possa ser uma alternativa competitiva (CAIXETA,
2011);

Venezuela Suriname Guiana


Francesa
Belém
Colômbia Guiana SantanaVila do Conde
RR
AP Itaqui

Fortaleza
Areia Branca
Manaus Natal
AM Santarém
MA CE
RN Cabedelo
PA PB
PI Recife
PE
Suape
AC AL
TO SE Maceió
RO
Peru BA
MT
DF Salvador
Bolívia Aratu
GO

MG ES
MS Vitória
tico
RJ
SP
tlân

Forno
Rio de Janeiro
Paraguai
A

PR Itaguaí
co

Angra dos Reis


ano

Chile São Sebastião


SC Santos
Oceano Pac

Oce

Antonina
Paranaguá
Argentina RS
São Franscisco do Sul Legenda:
Itajaí Porto da
Imbituba navegação
Uruguai Porto Alegre de cabotagem
Rio Grande

Figura 26 -  Sistema de cabotagem no Brasil


Fonte: BRASIL, 2017.

b) Navegação de Longo Curso: tipo de navegação realizada entre portos brasileiros e de outros
países.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
45

Hidroviário ou Fluvial

O sistema de transporte hidroviário, também conhecido como hidrovia interior ou via navegável inte-
rior, faz parte da modalidade aquaviária. São vias formadas por cursos de água (rios) em percurso nacional
ou internacional. É um modal bastante competitivo, já que apresenta grande capacidade de transporte,
baixo consumo de combustível e é menos poluente que os demais modais, com exceção do dutoviário.
Grande parte das mercadorias transportadas por este modal são produtos agrícolas, fertilizantes, mi-
nérios, derivados de petróleo e álcool. Ele serve também para o transporte de mercadoria manufaturadas,
principalmente de produtos produzidos na zona franca de Manaus, utilizando como caminho a bacia ama-
zônica.

Figura 27 -  Porto de Manaus


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

As hidrovias são utilizadas na interligação de vias internas e portos marítimos, e também como via de
escoamento de produtos de países como Peru e Colômbia.
As embarcações utilizadas são as balsas, chatas, além de navios de todos os portes, pequenos, médios
e grandes.

Lacustre

Navegação lacustre é aquela realizada em lagos. É um tipo de transporte bastante restrito em face da
quantidade de lagos navegáveis, é utilizado para o transporte de vários tipos de cargas e pessoas entre
localidades.
GESTÃO DE TRANSPORTES
46

Suas principais vantagens são:


a) Maior capacidade de carga;
b) Carrega qualquer tipo de carga;
c) Baixo custo de transporte em relação ao potencial de mercadorias transportadas.

Em relação às desvantagens, podemos mencionar:


a) Necessidade de transbordo7 nos portos;
b) Distância dos centros de produção;
c) Maior exigência de embalagens;
Menor flexibilidade nos serviços, aliada a frequentes congestionamentos nos portos.

Tipos de navios

Os navios devem ser construídos de acordo com a natureza da carga a ser transportada (embalada e
unitizada, embalada fracionada, granel sólido, granel líquido etc.) ou com a unidade de carga a ser utiliza-
da, com o objetivo de atender a necessidades específicas. Os principais tipos são:
a) Cargueiro convencional: são utilizados no transporte de carga geral, tem os porões divididos de
forma a atender a diferentes tipos de carga;
b) Graneleiro: visa o transporte de granéis sólidos, geralmente tem baixo custo operacional;
c) Tanque: destina-se ao transporte de granéis líquidos;
d) Gaseiro: destina-se ao transporte de gases;
e) Full container shipou porta-conteiner: exclusivo para o transporte de contêineres, que são aloca-
dos por meio de encaixes perfeitos;
f) Roll-on/Roll-off: apropriado para o transporte de veículos, que são embarcados e desembarca-
dos, através de rampas, com os seus próprios movimentos. Pode propiciar a conjugação com o
transporte terrestre ao carregar a própria carreta ou contêiner sobre rodas (“boogies”);
g) Lash ou porta-barcaças: projetado para operar em portos congestionados, transporta em seu
interior barcaças com capacidade de aproximadamente 400 t ou 600 m3 cada uma, as quais são
embarcadas e desembarcadas na periferia do porto;
h) Sea-bea: é o mais moderno tipo de navio mercante, pois pode acomodar barcaças e converter-se
em graneleiro ou porta-contêiner.

7  Transbordo: ato de passar mercadorias ou passageiros de uma linha de transporte para outra.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
47

Figura 28 -  Porta contêiner


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

2.4.5 Dutoviário

O modal dutoviário é formado por dutovias constituídas por tubos interligados entre si, conectando
pontos de fornecimento a seus consumidores. Sua movimentação é feita utilizando a força da gravidade
ou pressão mecânica. O modal dutoviário é uma alternativa de transporte não poluente e não sujeita a
congestionamentos, relativamente barata e a mais segura dentre os demais modais.

Figura 29 -  Modal dutoviário


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Os dutos utilizados nessas operações geralmente transportam itens a granel, tendo como principais
produtos o petróleo e seus derivados, gás natural, etanol, minérios, água, esgoto.
De acordo com o meio que atravessam, podem ser classificados como dutos de transporte ou de trans-
ferência, sendo utilizados para o transporte de produtos ou para a movimentação interna de produtos nas
empresas, ajudando a conectar pontos de produção e a movimentar os materiais por toda planta.
GESTÃO DE TRANSPORTES
48

GLP - 3.600 toneladas/dia

equivalem a 144 caminhões

Figura 30 -  Comparativo de volume de movimentação dutovias e caminhões


Fonte: PRADO FILHO, 2012.

A Confederação Nacional dos Transportes (CNT) cita a seguinte vantagem quando se usa o transporte
dutoviário: a vazão média de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em um bombeio realizado em dutos é de
150 toneladas por hora ou 3.600 toneladas por dia. Para transportar a mesma quantidade pelas rodovias,
estima-se que seriam necessários, aproximadamente, 144 caminhões, o que geraria alguns problemas,
como congestionamentos.
Esses dutos podem ser aparentes, subterrâneos, aéreos ou submarinos, de acordo com a sua forma de
construção, que é definida a partir dos riscos que oferecem e das barreiras que necessitam transpor. Veja
a seguir cada um deles:
a) Dutos aparentes: são visíveis ao solo, utilizados nas entradas e saídas das estações de transmissão
e recebimento de produtos. Este tipo de duto é mais vulnerável a acidentes;
b) Dutos subterrâneos: são enterrados a fim de protegê-los contra os intempéries e fatores exter-
nos;
c) Dutos aéreos: estão acima do solo, utilizados em terrenos muito acidentados, como grandes
vales, cursos d’água e outros;
2 Gestão de transportes de modais logísticos
49

Figura 31 -  Duto aéreo


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

d) Dutos submarinos: implantados sob a água, ficam submersos no mar ou em rios, amplamente
utilizados em plataformas marítimas.

O Japão, devido a constante ocorrência de tremores e ao alto índice de


rompimentos de tubulações, passou a investir em tecnologias de tubu-
CURIOSIDADES lações flexíveis. Produzidas em polietileno, são resistentes a tremores e
podem ser aplicadas a vários produtos, como água, esgoto, petróleo e
outros.

O transporte dutoviário pode ser dividido de acordo com a característica dos produtos que transporta:
a) Oleodutos: cujos produtos transportados são, em sua grande maioria, petróleo, óleo combustí-
vel, gasolina, Diesel, álcool, GLP, querosene e nafta etc.;
b) Minerodutos: transporta minérios entre as regiões produtoras e as siderúrgicas e/ou portos.
Nesse sistema, os minérios são colocados em suspensão e impulsionados em um forte jato d’água.
É utilizado no transporte de sal-gema, minério de ferro e concentrado fosfático e outros;
c) Gasodutos: é utilizado no transporte de produtos gasosos, como o gás natural. O gasoduto Bra-
sil-Bolívia possui destaque na produção brasileira de gás natural; com quase 2000 km de exten-
são, realiza o transporte do produto internacionalmente;
d) Aquadutos ou saneamento: destinada à distribuição de água e ao recolhimento de águas ser-
vidas.
GESTÃO DE TRANSPORTES
50

O transporte dutoviário vem se revelando uma alternativa econômica para o transporte de grandes
volumes quando comparados com os modais ferroviário e rodoviário. Algumas características atribuídas
ao transporte dutoviário são agilidade, segurança, baixa flexibilidade e capacidade de fluxo (ANTT, 2018).
Outros produtos também utilizam esse mesmo sistema, como álcool, suco e leite.

Figura 32 -  Duto encapsulado pneumático (PCP)


Fonte: MURTA; SINAY, 2012.

Uma nova tecnologia em dutos que pode transportar cargas é o duto encapsulado. Ele é utilizado no
transporte de sólidos, carvão e outros minerais, resíduos sólidos (incluindo resíduos perigosos), corres-
pondências, encomendas e muitos outros produtos. Nessa tecnologia, as cápsulas são utilizadas como
recipientes, empurrados com o auxílio do ar, que levam a carga por meio de um duto.
Esse sistema tem como vantagens:
a) A possibilidade de não utilizar embalagens de transporte;
b) Baixa utilização de mão de obra;
c) Não sofre com o congestionamento de vias e com intempéries externas, como excesso de chuva
e os bloqueios de estradas;
d) Baixo custo de operação, podendo ser considerado um dos modais mais econômicos em com-
paração aos demais;
e) Operação segura e confiável, com baixo índice de perdas de produto;
f) Redução do impacto ambiental.

Como desvantagem, apresenta:


a) Necessidade de grande investimento de capital para sua implantação;
2 Gestão de transportes de modais logísticos
51

b) Inflexibilidade quanto à rota, sendo aplicado a produtos restritos a pontos fixos de distribuição;
c) Uso restrito para mercadorias transportadas por um mesmo duto, atendendo a um único produto
ou um pequeno grupo de características similares.

2.4.6 Análise Comparativa dos Modais

Com a apresentação de cada modal e suas características, é possível perceber suas diferenças e as mais
variadas possibilidades de aplicação, por isso, é importante em seu processo de escolha realizar sempre
uma análise comparativa, a fim de garantir a excelência no atendimento.
No quadro a seguir será possível verificar essas diferenças e analisar, de forma comparativa, os aspetos
gerais dos modais.

CARACTERÍSTICAS RODOVIÁRIO FERROVIÁRIO AQUAVIÁRIO AÉREO DUTOVIÁRIO

Moderado Baixo Muito Baixo Alto Muito Baixo


Custo
«««« «««« ««««« « «««««

Ponto a ponto para


Terminal a Terminal a Terminal a alguns produtos,
Cobertura de atendimento Ponto a ponto
terminal terminal terminal geralmente, terminal a
terminal

2.500 a 23.000 1.000 a 300.000 Até 30 milhões de m³


Capacidade 3,5 a 54 ton. 1 a 350 ton.
ton. ton. ao dia

««« «« «« ««««« «
Velocidade média km/h
50 20 - 30 18 – 20 877 a 941 2-8
Disponibilidade ««««« «« «« ««« «««««

Oferta de prestadores de
««««« «« ««« «««« «
serviço

Continuidade do Serviço ««««« «« « ««« «««««

Quadro 1 - Comparativo das modalidades de transporte no Brasil


Fonte: SENAI DR BA, 2018.

A escolha da modalidade de transporte deve estar coerente com a política da empresa e buscar atender
aos objetivos estabelecidos em seu planejamento estratégico.
Essa atividade não é uma escolha subjetiva, por isso, deve ser feita por meio de princípios técnicos,
aliados ao controle dos custos e ao acompanhamento dos níveis de serviço estabelecidos, utilizando como
recurso softwares de modelagem de processos e planilhas, que auxiliarão na realização de uma escolha
criteriosa, benéfica à saúde organizacional.
GESTÃO DE TRANSPORTES
52

RECAPITULANDO

Neste capítulo foi possível introduzir noções básicas para a gestão de transportes, possibilitando
compreender o impacto que a gestão eficiente dos equipamentos e recursos disponíveis para o
transporte de bens e pessoas exerce sobre o nível de serviço e sobre os custos da empresa.
Para isso, foram apresentados o contexto histórico e a evolução das modalidades de transporte e,
em seguida, a matriz de transporte brasileira.
Buscando dar base para escolhas estratégicas das modalidades utilizadas na distribuição dos in-
sumos, conhecemos as modalidades de transportes utilizadas pela logística, suas características e
aplicações.
Conhecer bem os modais auxilia na construção de um planejamento das operações de transporte e
gestão da frota, por meio da escolha das melhores estratégias de utilização dos modais, de acordo
com as características do produto e com a política da empresa.
2 Gestão de transportes de modais logísticos
53
Gestão de frota e controle de veículos

Os veículos são elementos essenciais na gestão de transportes, por isso conhecê-los e en-
tender a forma correta de aplicá-los, buscando obter resultados positivos na distribuição de
bens, pessoas e produtos entre diversos pontos é essencial para o profissional da logística.
A gestão de uma frota corresponde ao conjunto de veículos utilizados por uma empresa,
mas como compor essa frota? Quais tipos de veículos posso utilizar? Quanto de carga posso
transportar? Ao decorrer do nosso estudo será possível responder a esses questionamentos.
Além disso, poderemos também conhecer alguns critérios de controle e ferramentas utilizados
na gestão dessas frotas.

Figura 33 -  Gestão de frota e controle de veículos


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Neste capítulo, ainda será possível tratar de documentações específicas utilizadas nas ope-
rações de transporte, além das modernas tecnologias que estão sendo adotadas, forte aliada
na captação de dados e na geração de informações para a tomada de decisões estratégicas.
GESTÃO DE TRANSPORTES
56

3.1 veículos

O objeto básico de trabalho utilizado para o transporte é o veículo, que pode ser definido como qual-
quer mecanismo utilizado para o transporte de pessoas e/ou mercadorias, seja de forma individual ou co-
letiva. Além disso, os veículos podem ser utilizados em várias modalidades de transporte, de acordo o meio
que utiliza, por terra, água ou ar, sendo possível desenvolver diversas soluções para os diferentes modais.

Figura 34 -  Veículos utilizados no transporte de carga


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Cada veículo tem uma aplicação específica de acordo a necessidade que atende. Ele pode ser utilizado
para o transporte de pessoas, para a realização de pequenas entregas de forma rápida ou para o transporte
de grandes volumes de produtos, para isso são criados vários tipos de veículos a fim de atender às diferen-
tes demandas.
Assim, podemos contar com uma grande variedade de veículos, que possibilitam atender a diversos
tipos de cargas, em volumes diferentes, dificuldades de acesso, rapidez e facilidade de entrega.

3.1.1 Tipos de veículos

O Código de Trânsito Brasileiro divide os veículos em três tipos de classificação: tração, espécie e cate-
goria:
Os veículos a tração são movimentados com o auxílio de uma força motriz, sejam elas, automotora
(por meio de motor próprio), elétrico (movimentados a força elétrica), de propulsão humana, de tração
animal, reboque ou semirreboque:
3 Gestão de frota e controle de veículos
57

Propulsão Tração Reboque e


Automotor Elétrico
humana animal semirreboque

Figura 35 -  Modais de transporte


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

O investimento em veículos que utilizam energia limpa e combustíveis


não poluentes, como é o caso dos veículos solares ou de hidrogênio, é
CURIOSIDADES uma nova tendência que vem se inserindo fortemente na aplicação em
veículos.

3.1.2 Ficha técnica

A ficha técnica é um documento utilizado na gestão de transportes e na administração da frota que re-
úne as informações técnicas sobre o veículo, como potência do motor, capacidade do veículo, peso bruto
e líquido, consumação média de combustível, acessórios internos e equipamentos de segurança.
Essa é uma ferramenta utilizada para o controle da frota e permite que o profissional utilize a ficha como
parâmetro para análise de desempenho do veículo e para verificação dos componentes internos e exter-
nos. Veja um modelo a seguir.
GESTÃO DE TRANSPORTES
58

FICHA TÉCNICA

MERITA 2423 6X2

VEÍCULO

MOTOR 352 LA Diesel, injeção direta

TIPO 6 cilindros em linha

CILINDRADA 5.675 cm3

POTÊNCIA MÁXIMA 130cv a 2800rpm

TORQUE MÁXIMO 37mkgf a 2000rpm

SISTEMA ELÉTRICO/BATERIA/ALTERNADOR 12V/1 x 135ah/12V /14V 35A

CAIXA DE CÂMBIO MB G3/36-5/8,98 de 2 marchas e 5 velocidades

REDUÇÃO DO EIXO TRASEIRO i=6,143 (43:7) nas versões L e LS e i:6,857 (48:7) na versão LK

SUSPENSÃO DIANTEIRA Feixe de molas parabólicas e amortecedores hidráulicos

SUSPENSÃO TRASEIRA Feixe de molas semielípticas e molas auxiliares

FREIOS ar, misto, óleo nas 4 rodas

PNEUS (RECOMENDADO) 275 / 80R 22,5 ou 9.00R 20 PR12

PBT TOTAL TÉCNICO 12000 kg versão 4x2 19.000 kg versão 6x2

PBT TOTAL LEI DA BALANÇA 11000kg versão 4x2 e 16.000kg 6x2

Figura 36 -  Modelo de ficha técnica


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Geralmente, o manual do veículo traz todas as informações técnicas, que podem ser lançadas em plani-
lhas específicas para o controle das informações do veículo ou inseridas em sistemas de gestão (softwares)
utilizados na gestão da frota.
3 Gestão de frota e controle de veículos
59

3.1.3 Capacidade do veículo

A capacidade de um veículo é um item muito importante a ser analisado na escolha do equipamento


adequado para realizar a distribuição dos bens e produtos de uma empresa. Os vários tipos de produtos
demandam veículos distintos, que possam transportar volumes de materiais e produtos de forma íntegra,
segura, a um custo razoável.
Um aspecto estratégico que é atendido pela capacidade do veículo é a economia de escala, alcançada
pelo transporte de uma grande quantidade de produtos por vez, otimizando a operação e os recursos apli-
cados nela, como motorista/hora, combustível e custos de viagem, dentre outros. Assim os operadores de
transporte buscam sempre soluções que possibilitem o transporte de maior capacidade ao menor custo
possível.
Uma saída para a utilização da capacidade dos veículos é a exploração dos modais de transporte. Veja-
mos a seguir as capacidades de peso mínimas e máximas para cada modal.

Rodoviário 600 kg 57 t

Aéreo 8t 90.000 t

Ferroviário 2.500 t 33.000 t

Aquaviário 1.000 t 300.000 t

Dutoviário 3.600 m3 dia

Figura 37 -  Capacidades mínimas e máximas por modais


Fonte: SENAI DR BA; SHUTTERSTOCK, 2019.

Fazer a escolha adequada do modal de distribuição de produtos e insumos pode gerar vários benefícios
para a qualidade e para os custos logísticos. Vejamos na figura a seguir uma comparação da utilização en-
tre três dos principais modais utilizados no Brasil.
GESTÃO DE TRANSPORTES
60

CAPACIDADE DE CARGA

Barcaça Comboio de 15 barcaças Vagão Composição com 100 vagões Carreta


1.500 TON 22.500 TON 100 TON 10.000 TON 26 TON

EQUIVALÊNCIA EM UNIDADES

1 Barcaça 15 Vagões 58 Carretas

1 Comboio 2.25 Composições 870 Carretas


com 100 vagões

Figura 38 -  Comparativo de capacidade de veículos nos diferentes modais


Fonte: BRASIL, 2017b.

Note que a figura anterior apresenta uma larga diferença de capacidade para os diferentes modais,
onde 1 comboio com 15 barcaças utilizadas para o transporte fluvial corresponde à mesma capacidade
que 870 carretas utilizadas no modal rodoviário. Além da quantidade de carga que possibilita movimentar,
é possível perceber também benefícios como a redução na emissão de gases tóxicos na atmosfera, além
do descongestionamento de vias rodoviárias.
Embora existam várias opções de exploração de veículos com diferentes capacidades, iremos nos apro-
fundar especificamente nos aspectos voltados ao modal rodoviário, pois possuem maior representativida-
de na movimentação interna de carga no Brasil, e possui uma legislação mais restritiva quanto aos aspec-
tos de capacidade que devem ser respeitados para a veiculação nas rodovias.

3.1.4 Capacidade do veículo de acordo com a legislação

O Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), através das Resoluções nº 12/1998, 184/2005 e nº 62/1998,
regulamentou os artigos 99 e 100 do Código de Trânsito Brasileiro e atribuiu os limites para dimensões e
peso para todos os veículos de carga que circulam nas vias terrestres (DNIT, 2018).
A circulação de veículos no território deve cumprir requisitos específicos, a fim de gerar maior segu-
rança nas estradas, evitando acidentes como o tombamento por excesso de peso, ou a quebra do veículo
3 Gestão de frota e controle de veículos
61

e interdição de vias. Devem ser observados os limites de dimensionamento do veículo, largura, altura e
comprimento padrão, o peso bruto total, líquido e o peso por eixo. Assim, o DNIT (2018) estabelece os
parâmetros quanto ao Peso Bruto Total (PBT), Peso Bruto Total Combinado (PBTC), Lotação, Tara e Capaci-
dade Máxima de Tração (CMT). Vejamos cada um deles:
a) Peso Bruto Total (PBT): peso máximo que o veículo transmite ao pavimento, constituído da
soma da tara mais a lotação ou peso líquido;
b) Peso Bruto Total Combinado (PBTC): peso máximo transmitido ao pavimento pela combinação
de um caminhão-trator mais seu semirreboque ou do caminhão mais o seu reboque ou reboques;
c) Lotação: carga útil máxima, incluindo condutor e passageiros que o veículo transporta, expressa
em quilogramas para os veículos de carga, ou número de pessoas, para os veículos de passagei-
ros;
d) Tara: peso próprio do veículo, acrescido dos pesos da carroçaria e equipamento, do combustível,
das ferramentas e acessórios, da roda sobressalente, do extintor de incêndio e do fluido de arre-
fecimento, expresso em quilogramas;
e) Capacidade Máxima de Tração (CMT): máximo peso que a unidade de tração é capaz de
tracionar, indicado pelo fabricante, baseado em condições sobre as limitações de geração e
multiplicação de momento de força e resistência dos elementos que compõem a transmissão.

24 cm
13 cm

Figura 39 -  Adesivo de capacidade do caminhão


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Assim, vimos que a capacidade do veículo é indicada por legislação específica e deve ser respeitada, de
forma a evitar percalços e interrupção do serviço. A seguir veremos as dimensões máximas permitidas nas
rodovias.

Dimensões Máximas

As dimensões para veículos devem respeitar as dimensões disponibilizadas pelas estruturas oferecidas
nas rodovias. É necessário que os veículos possam trafegar, sem a possibilidade de colisões e sem a obstru-
ção do tráfego. Nesse sentido, o CONTRAN estabeleceu em sua Resolução nº 210/2006 as dimensões para
o tráfego de veículos com ou sem carga:
GESTÃO DE TRANSPORTES
62

Fundo
branco
2300mm

Laranja Preto Preto


refletivo refletivo

Figura 40 -  Adesivo para dimensão de veículo rodoviários


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018. (Adaptado).

É importante estar atento aos limites e dimensões estabelecidos pela legislação, para circulação em
rodovias. Assim, vejam os pesos máximos que são regulamentados pelos órgãos de trânsito.

Pesos Máximos

Os limites máximos de Peso Bruto Total/Peso Bruto Total Combinado são estabelecidos com base na
Capacidade Máxima de Tração da unidade tratora, determinada pelo fabricante. A capacidade de tração
depende também da distribuição dos eixos, estruturas de suporte que ligam as rodas do veículo.
Estes limites são regulamentados pela Portaria do DENATRAN nº 93/2008, de 01/10/2008. A partir da
distribuição dos eixos do veículo ou da combinação de veículos adotada, verifique a seguir como a distri-
buição é feita, de acordo cada tipo de eixo e o seu peso máximo permitido:

(d)
EIXO ou CONJUNTO DISTÂNCIA CARGA
RODAGEM CONFIGURAÇÃO DE EIXO
DE EIXOS ENTRE-EIXOS (kg)
em metros

Eixo isolado, com 2


SIMPLES - 6.000
(dois) pneumáticos

Eixo isolado com 4


DUPLA - 10.000
3 Gestão de frota e controle de veículos
63

(d)
EIXO ou CONJUNTO DISTÂNCIA CARGA
RODAGEM CONFIGURAÇÃO DE EIXO
DE EIXOS ENTRE-EIXOS (kg)
em metros

Eixo isolado, com 2 (d)


EIXO SIMPLES - 6.000
(dois)ou CONJUNTO
pneumáticos RODAGEM
DISTÂNCIA CARGA
CONFIGURAÇÃO DE EIXO
DE EIXOS ENTRE-EIXOS (kg)
em metros

Eixo isolado com 4


Eixo isolado, com 2 DUPLA - 10.000
(quatro) pneumáticos SIMPLES - 6.000
(dois) pneumáticos

Conjunto de 2 (dois)
eixosisolado
Eixo direcionais,
com 4com SIMPLES
DUPLA - 12.000
10.000
2 (dois) pneumáticos
(quatro) pneumáticos
cada

Conjunto de 2 (dois)
Conjunto de 2 (dois)
eixos direcionais, com
eixos em tandem SIMPLES - 12.000
2 (dois) pneumáticos DUPLA >1,20 ou ≤ 2,40 17.000
com 4 (quatro)
cada
pneumáticos por eixo

Conjunto
Conjunto de
de 22 (dois)
(dois)
eixos
eixos em
nãotandem
em tandem DUPLA
DUPLA >1,20
>1,20 ou
ou ≤
≤ 2,40
2,40 17.000
15.000
com
com 44 (quatro)
(quatro)
pneumáticos
pneumáticos porpor eixo
eixo

Conjunto de 2 (dois)
Conjunto deum
eixos sendo 2 (dois)
com 2
eixos
(dois)não em tandem
pneumáticos, e SIMPLES +
DUPLA >1,20
< 1,20ou ≤ 2,40 15.000
9.000
com
outro4 com
(quatro)
4 (quatro) DUPLA
pneumáticos
pneumáticos,porcomeixo
suspensão especial

Conjunto
Conjunto dede 22 (dois)
(dois)
eixos
eixos sendo
sendo um
um comcom 22
(dois)
(dois) pneumáticos, ee
pneumáticos, SIMPLES
SIMPLES +
+ < 1,20 ou ≤ 2,40
>1,20 9.000
13.500
outro
outro com
com 44 (quatro)
(quatro) DUPLA
DUPLA
pneumáticos,
pneumáticos, comcom
suspensão
suspensão especial
especial

Conjunto de 2 (dois)
(dois)sendo
eixos eixos em
um com 2
(tandem e suspensãoe
dois) pneumáticos, SIMPLES +
pneumática com 2 >1,20
>1,20 ou
ou ≤
≤ 2,40
2,40 13.500
17.000
outro com 4 (quatro) DUPLA
(dois) pneumáticos
pneumáticos, com
extralargosespecial
suspensão em cada
eixo
Conjunto de 2
(dois) eixos em
tandem
Conjuntoe desuspensão
3 (três)
pneumática com 2
eixos em tandem, >1,20 ou ≤ 2,40 17.000
DUPLA >1,20 ou ≤ 2,40 25.500
(dois)
com 4pneumáticos
(quatro)
extralargos
pneumáticos empor cada
eixo
eixo

Conjunto de 3
Conjunto
(três) eixosdeem
3 (três)
pneumáticos, com
suspensão especial
GESTÃO DE TRANSPORTES
64
Conjunto de 2 (dois)
eixos sendo um com 2
(dois) pneumáticos, e SIMPLES +
>1,20 ou ≤ 2,40 13.500
outro com 4 (quatro) DUPLA
pneumáticos, com
suspensão especial

Conjunto de 2
(dois) eixos em
tandem e suspensão
pneumática com 2 (d) ou ≤ 2,40
>1,20 17.000
EIXO ou
(dois) CONJUNTO
pneumáticos DISTÂNCIA CARGA
RODAGEM CONFIGURAÇÃO DE EIXO
DE EIXOS em cada
extralargos ENTRE-EIXOS (kg)
eixo em metros

Conjunto de 3 (três)
Eixo isolado,
eixos com 2
em tandem, SIMPLES
DUPLA -
>1,20 ou ≤ 2,40 6.000
25.500
(dois)4 pneumáticos
com (quatro)
pneumáticos por eixo

Conjunto de 3
(três) eixos em
Eixo isolado com 4
tandem DUPLA - 10.000
(quatro) epneumáticos
suspensão
pneumática, com 2 >1,20 ou ≤ 2,40 25.500
(dois) pneumáticos
extralargos em cada
eixo
Conjunto de 2 (dois)
eixos direcionais, com Tabela 1 - Tabela de
SIMPLES - peso máximo admitido12.000
por eixo ou conjunto de eixos
2 (dois) pneumáticos Fonte: SENAI DR BA, 2018.
cada

Assim, de acordo o modelo e a distribuição de eixos do veículo, é possível estabelecer a quantidade de


carga que cada um
Conjunto de 2 pode
(dois) transportar. Para isso, devemos calcular a combinação das capacidades de peso
eixos em tandem
dos eixoscom
dos veículos, definido
4 (quatro) o seu peso
DUPLA bruto
>1,20 total e o
ou ≤ 2,40 peso de lotação. Tomemos como exemplo um
17.000

caminhão do tipo trucado, apresentado a seguir.


pneumáticos por eixo

Conjunto de 2 (dois)
Caminhão trucado
eixos não em tandem
DUPLA >1,20 ou ≤ 2,40 15.000
com 4 (quatro)
pneumáticos por eixo
E1 6.000
E2 + E3 + 17.000
Conjunto de 2 (dois)
eixos sendo um com 2 PBT (Peso bruto total) 23.000
(dois) pneumáticos, e SIMPLES +
< 1,20 9.000
outro com 4 (quatro) DUPLA
pneumáticos, com
E1 E2 E3
suspensão especial
E1: eixo simples; E2 + E3: conjunto de eixos em
carga áxima: 6 ton. tandem duplo;
Conjunto de 2 (dois) carga máxima: 17 ton.
eixos sendo um com 2
(dois) pneumáticos, e SIMPLES +Figura 41 -  Cálculo de lotação e peso bruto total
>1,20 ou ≤ 2,40 13.500
outro com 4 (quatro) DUPLA Fonte: SENAI DR BA, 2019.
pneumáticos, com
suspensão especial

Conjunto de 2
Definir a lotação dos veículos é um requisito fundamental, para que se possa estabelecer operações se-
(dois) eixos em
guras, dentro
tandemdas exigências legais de limites de cargas e dimensões dos veículos. Conhecer a capacidade
e suspensão
pneumática com 2 >1,20 ou ≤ 2,40 17.000
(dois) pneumáticos
extralargos em cada
eixo

Conjunto de 3 (três)
3 Gestão de frota e controle de veículos
65

dos veículos ainda irá auxiliar no dimensionamento da frota, identificando os veículos mais indicados para
atendimento de suas demandas, de acordo a características dos produtos e da carga.

FIQUE Os pesos devem ser respeitados, a fim de evitar multas e retenção da carga e do
veículo. A tolerância para o excesso de peso por eixo definida pelo CONTRAN é de
ALERTA 7,5% sobre os limites de peso bruto transmitido por eixo de veículo.

A capacidade dos veículos é um requisito estratégico, que combinado com ações de programação e
roteirização, oportunizam o aumento de produtividade da frota e a redução dos custos operacionais e
despesas com o transporte.

3.1.5 Programação de recebimentos

A satisfação dos clientes é o foco principal para aquelas empresas que utilizam a logística em seus pro-
cessos. O sucesso de suas atividades está diretamente atrelado ao bom nível do serviço prestado em seus
processos de entrega. Para isso, é essencial que o profissional de logística esteja atento ao planejamento
das ações adotadas para distribuição dos produtos, por meio da programação de suas entregas, ofertando
redução no lead time, respeitando as condições de custos envolvidas na operação.
A programação de recebimentos, portanto, é uma estratégia logística que busca organizar a rotina das
empresas, visando dar mais produtividade e fluidez ao trabalho, além de atender com qualidade o público
foco de sua atuação, o cliente, com entregas sem danos, na quantidade acordada, com prazos curtos ou
dentro do prazo estabelecido. Essas premissas objetivam nortear o nível de serviço desejado pela empresa,
que transformados em números e indicadores, possibilitam o acompanhamento e a checagem dos níveis
de atendimento prestado pela empresa. Para planejar o processo de entregas, deve-se pensar inicialmente
no tipo de carga que será transportada, pois em alguns casos, o tipo da carga exige o respeito de normas e
de prazos rígidos, como no caso de produtos perecíveis ou cargas perigosas. Observe, a seguir, as caracte-
rísticas específicas para entrega destas cargas.
-- Cargas perecíveis: o alto grau de sensibilidade de alguns alimentos ou a necessidade de refri-
geração em entregas frigorificadas, como carnes, exigem condições específicas de entrega e o
respeito á data de validade. Prazos de validade muito curtos podem ser ainda mais reduzidos
com processos de entrega muito longos, comprometendo a comercialização do produto;
-- Cargas perigosas: alguns produtos perigosos possuem legislações específicas para o trans-
porte, a exemplo daqueles têm a necessidade de autorização ambiental para o transporte
de produtos perigosos emitida pelo Ibama. Em alguns casos, o tráfego desse tipo de carga
é restrito a horários predeterminados, quantidade de dias de trânsito e na utilização de vias
específicas, sendo importante consultar a legislação de região que se pretende atender e/ou
realizar as entregas.
GESTÃO DE TRANSPORTES
66

Para cargas que se enquadrem nas características mencionadas, é preciso levar em consideração todos
esses aspectos na programação da entrega, evitando contratempos. Além dos tipos de cargas, outro fator
relevante à forma de entrega são os modais utilizados, cada modalidade de transporte possui uma caracterís-
tica de disponibilidade e periodicidade específica, a ser considerada no lead time de atendimento ao cliente.
Embora todos os modais possuam características particulares no cálculo do tempo de operação e na
programação da distribuição, é necessário estudar em particular o rodoviário, em virtude de sua elevada
aplicação no Brasil e da necessidade de utilização integrada a outros modais para a distribuição de insu-
mos e produtos industrializados até o cliente.

Figura 42 -  Programação de entregas


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Com base nos pedidos das empresas é construída a programação das entregas. Em alguns casos, devi-
do a urgência ou a prazos reduzidos existe a necessidade de priorização de algumas entregas, mas liberar
veículos para entregas com a lotação abaixo da sua capacidade pode tornar uma operação logística inviá-
vel financeiramente.
Assim, estabelecer sistemas de controles de liberação de veículos e cargas é necessário para que os
veículos sejam utilizados dentro de uma programação prévia e em toda a sua potencialidade, pois veículos
parados ou ociosos geram custos e reduzem a receita.
3 Gestão de frota e controle de veículos
67

Figura 43 -  Liberação de veículos de carga


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

A liberação de veículos será de acordo com a ordem de chegada das requisições e por ordem de prio-
ridade. Para a liberação de um veículo, o setor solicitante registra a necessidade (tipo de viagem, carga,
volume); em seguida será verificada a disponibilidade de veículos, melhor veículo para o atendimento da
demanda, disponibilidade de condutor e o preenchimento dos controles de alocação do veículo. Após
esses procedimentos, a liberação do veículo pode ser realizada.
É importante que antes da liberação do veículo, o condutor certifique-se do estado do veículo, os
acessórios, danos já existentes, pois é corresponsável pelo veículo. A liberação das unidades de transporte
de uma frota assegura a correta disponibilidade de veículos e mantém o equilíbrio das atividades e dos
prazos acordados.

3.1.6 Diário de bordo

O diário de bordo é uma ferramenta utilizada desde as épocas das grandes navegações, onde o coman-
dante registrava todas as ocorrências da viagem, trajetos, obstáculos encontrados, servindo como orien-
tação para outros navegantes que utilizassem aquela rota. Hoje, muitos desses documentos são utilizados
como objetos de pesquisa para contextualização histórica.
O diário de bordo é uma ferramenta que auxilia no controle da frota; é um documento de acompanha-
mento das rotinas de operações do veículo. Nele são registradas as movimentações realizadas, saídas e
retornos, quilometragem, abastecimentos. Tem o intuito gerar um acompanhamento do uso e da vida do
veículo.
GESTÃO DE TRANSPORTES
68

DIÁRIO DE BORDO UTILITÁRIO - PLACA VERIFICAR

a
od
to

o
en

pe

r
In ria
Es u /
to

rio
ac

ua

o
de
m

tin

le

te

ta
e
ac

te
Ág

Pn
cu

La
ve
Ex

M
Do

ha
C
DATA HORA HORA

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Não

Não
Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim
MOTORISTA KM INICIAL KM FINAL ORIGEM / DESTINO
SAÍDA SAÍDA CHEGADA

10

11

12

13

14

15

Nº OCORRÊNCIAS / OBSERVAÇÕES - Quaisquer Irregularidades ou barulhos devem ser anotados abaixo.

Documento: Existência do Documento no Veículo / Licenciamento (Se está vencido)


Extintor: Existência do Extintor do Veículo, Carga (Cheio/Vazio) e Data de Validade (Se está vencido)
Chave de Roda: Existência da Chave e Condições Gerais
Macaco: Existência do macaco e Condições Gerais
Água: Nível de água no Reservatório do Radiador / Condições da água (muito Suja). ** Se houver a necessidade de completar o nível de água do Radiador, escrever nas Ocorrências
Óleo: Nível de Óleo de Carter. ** Se houver a necessidade de completar o nível de óleo, escrever nas Ocorrências
Pneu / Stepe: Condições Gerais dos Pneus (Desgaste Irregular, calibragem - murcho) Não esquecer de verificar calibragem do Stepe.
Lataria / Interior: Riscos, amassados, irregularidades na lataria do veículo e Interior do mesmo

Figura 44 -  Modelo de diário de bordo


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Esse recurso pode ser aplicado por meio de controles manuais como apresentado anteriormente, ou
por meio de tecnologias mais avançadas, permitindo o controle mais eficiente da frota.

Figura 45 -  Aplicativo de controle de frota


Fonte: BONNEMASOU, [201-?].
3 Gestão de frota e controle de veículos
69

Assim, a utilização de softwares e aplicativos georreferenciados são algumas das soluções que trazem
avanços ao controle dessas informações, com dados precisos e atuais.

3.2 atividades de transporte

O transporte, como já visto ao decorrer de nosso estudo, é colocado como um dos principais compo-
nentes do sistema logístico, pois tem a função de transportar bens e mercadorias de um local a outro, viabi-
lizando o fluxo de produtos e exercendo papel fundamental no desempenho das atividades e dos serviços
prestados ao cliente. Assim, é necessário conhecer quais atividades são contempladas em suas rotinas.

Figura 46 -  Rotinas do transporte de carga


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Para realização de suas tarefas, é essencial a disponibilidade de informações possíveis pela realização
de procedimentos de controle, pois elas serão úteis no processo de tomada de decisão. Além disso, é
importante também contar com uma equipe de colaboradores capacitados e treinados, aptos a realizar
procedimentos técnicos, portadores de conhecimento da documentação exigida para o transporte de
cargas, habilitados a operar máquinas, equipamentos, veículos e tecnologias utilizados para execução de
atividades básicas do transporte.
Outra atividade fundamental, que faz parte das atividades do setor de transporte, é o processo de ava-
liação das transportadoras, que deve levar em conta a sua confiabilidade, capacidade, facilidade de acesso
e segurança, programação de equipamentos, negociação de taxas de frete, integração de transportadoras,
integração dos serviços de transporte, além do rastreamento e expedição (BOWERSOX; CLOSS, 2014).
Além disso, é uma função essencial na gestão do transporte, a escolha do modal logístico que será
adotado para distribuição do seu produto, a definição da composição de sua frota, o controle de suas
operações, e assim, ter clareza da capacidade de atendimento, realizar a programação e decidir sobre as
GESTÃO DE TRANSPORTES
70

contratações, terceirizações e parcerias utilizadas de forma estratégica na execução desse serviço, indis-
pensável às atividades da empresa.

3.2.1 Cotação de serviços

Nas atividades de transportes, saber como realizar uma cotação para a prestação de serviço é um dos
pontos primordiais para a empresa, que utiliza da logística de transportes como uma aliada, para a distri-
buição de seus produtos. A cotação de serviços de transporte consiste no estabelecimento de preço para
sua execução. Essa precificação dos serviços deve considerar as variáveis que influenciam uma remessa,
garantindo a remuneração adequada para as empresas prestadoras de serviço e um preço competitivo.
Veja, a seguir, uma ficha modelo de cotação de preços de frete.

Fornecedor 1 Fornecedor 2 Fornecedor 3


Contatos Nome 1 Nome 2 Nome 2
Descrição do produto Qtde Unid Preço unit Total Preço unit Total Preço unit Total Valor mínimo
Transporte de 400 de canecas 50 x 30 x 40 400 CX - 2.200,00 3.550,00 3.150,00 1.760,00

Valor total R$ 2.200,00 R$ 3.550,00 R$ 3.150,00 R$ 1.760,00


Desconto 20% 5% 0%
Valor líquido R$ 1.760,00 R$ 3.372,00 R$ 3.150,00 R$ 1.760,00
Condição de pagamento 30 / 60 / 90 30 / 60 / 90 60 / 90

Prazo de entrega 15 18 15

Fornecedores Valor total Diferença

Fornecedor 1 R$ 1.760,00 0% Menor valor


Fornecedor 2 R$ 3.372,50 92%
Fornecedor 3 R$ 3.150,00 79%

Figura 47 -  Cotação de preço de frete


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Para a realização de uma boa cotação, devem ser observados alguns pontos essenciais, descritos a seguir:
a) Planejamento do transporte: antes da pesquisa de preço em si, é indispensável que, em um
processo de cotação de preço, seja elaborado um planejamento sobre a carga que será transpor-
tada, avaliando as características físicas do produto, o destino, a rota e condições específicas que
possam afetar o valor do transporte.
Sendo assim, para uma cotação assertiva, é importante que o planejamento inclua todas as variáveis
que possam influenciar o preço do transporte, contemplando adequadamente todos os aspectos de custo
de uma transação de transportes, além das já citadas acimas, como:
-- Dificuldade de acesso ao destino;
3 Gestão de frota e controle de veículos
71

-- Período em que o transporte será realizado (períodos de grande demanda como o final do
ano, os custos podem subir);
-- Tipo de carga;

-- Tributos incidentes sobre a carga e o serviço;

-- Fluxo de remessas a serem realizadas, dentre demais aspectos.

Todos esses quesitos podem afetar os valores das cotações. Logo, é fundamental sempre informá-los.
Destaca-se ainda o preço do combustível, que também é um elemento de grande importância no planeja-
mento, sendo um fator que influencia diretamente no custo operacional.
b) Definição do transporte ideal: analisar a carga é outro elemento que deve ser realizado na es-
colha do transporte ideal. Cada remessa possui características distintas, exigindo formas de trans-
porte diferentes. Por exemplo, em pequenos volumes de cargas, destinados a médias distâncias,
o custo do transporte aeroviário pode se assemelhar ao rodoviário, sendo uma alternativa viável,
rápida e segura, fornecendo maior qualidade no atendimento;
c) Realizar cotações em diferentes transportadoras: é fundamental à realização de uma cotação
de qualidade, a tomada de preço com mais de um prestador de serviços. Essa ação possibilita con-
frontar os preços praticados no mercado, identificar melhores relações de custo benefício para o
serviço oferecido, além de auxiliar na construção de um cadastro de possíveis fornecedores.
Indica-se nessa etapa que seja realizada a pesquisa em no mínimo três fornecedores distintos, para que
se possa ter uma noção mais ampla dos custos e das condições para atendimento à demanda. Além do
comparativo de preço, é importante levar em conta aspectos como capacidade e qualidade no atendimen-
to e condições de pagamento.

FIQUE É importante lembrar que a cotação mais baixa nem sempre é a mais indicada, pois
ALERTA a qualidade e reputação da empresa contratada, também deve ser avaliada.

d) Avaliar a distância percorrida: o fator mais relevante para a cotação desse tipo de serviço é a
distância percorrida, por isso, conhecer a quilometragem de destinação da remessa é fundamen-
tal à cotação. Essa é a informação chave para que você consiga negociar com mais clareza com
as transportadoras, pois muitas delas já possuem uma tabela fixa com custos para as distâncias
médias, mas que nem sempre condizem com os valores praticados no mercado (CARGOX, 2018);
e) Conhecer o valor da nota fiscal: embora as características físicas da carga, como volume, peso
e natureza, sejam determinantes para a fixação do custo do frete, o valor indicado na nota fiscal
também deve ser considerado, pois algumas cargas possuem alto valor agregado, sendo consi-
deradas valiosas e necessitam de maiores requisitos de segurança, tais como o pagamento do
seguro da carga;
GESTÃO DE TRANSPORTES
72

f) Avaliar os diferenciais da transportadora: em uma relação de contratação, é necessário avaliar


os diferenciais competitivos das empresas. Trabalhar em parceria com empresas experientes e
que disponham de infraestrutura, veículos e tecnologia adequada para garantir a qualidade do
transporte, pode representar uma grande economia para a sua empresa, evitando riscos de ocor-
rências indesejadas, como acidentes, atrasos e avarias nas mercadorias, garantindo a satisfação
dos seus clientes.

O transporte é uma tarefa rotineira e necessária para muitas empresas, assim realizar a cotação dos
serviços de transporte para distribuir os produtos é uma ação estratégica, que estará impactando econo-
micamente nos resultados da empresa e garantindo a qualidade e eficiência nas suas operações logísticas.

3.3 Fretes

A contratação de fretes faz parte das rotinas habituais da gestão de transporte. A contratação de servi-
ço de fretamento a um preço competitivo faz com que o preço do produto se torne, consequentemente,
também mais competitivo.

Contratação de frete

Figura 48 -  Contratação de frete


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Para isso, devemos planejar a sua aplicação do frete de forma coerente, adequada às necessidades de
distribuição da empresa, sempre considerando a efetivação da entrega dentro dos padrões preestabeleci-
dos e os custos de contratação de serviços de frete.

3.3.1 Conceitos e Tipos

Fretamento ou frete são termos utilizados para denominar o aluguel de um veículo para prestação de
serviço de transporte de cargas ou pessoas, mediante ao pagamento de valor previamente acordado. Os
fretes podem ser subdivididos de acordo a responsabilidade atribuída ás partes envolvidas, podendo ser
CIF (Custo, Seguro e Frete) ou FOB (Livre a bordo).
3 Gestão de frota e controle de veículos
73

-- CIF: sigla formada pelas expressões inglesas “Cost, Insurance and Freight” que significam Cus-
to, Seguro e Frete, denomina a modalidade de frete em que o fornecedor é o responsável
por todos os custos e riscos para entrega da mercadoria. É uma modalidade vantajosa para
o comprador, pois o fornecedor se responsabiliza por todos os trâmites de entrega e com os
seus custos;
-- FOB: utilizada para identificar a modalidade “Free on board”, ou livre a bordo, é um modelo de
frete onde o comprador assume todas as responsabilidades com o transporte das mercado-
rias, desde os riscos operacionais ao pagamento do frete. Isso pode parecer desvantajoso para
o comprador, mas pode ser uma possibilidade para barganhar melhores preços e assegurar a
qualidade da entrega, pois, geralmente, nessa modalidade, as empresas buscam estabelecer
relações de parceria com empresas transportadoras.

Existem ainda diversas formas de frete que podem ser distribuídos de acordo com o modelo de contra-
tação estabelecido, que pode ser: Direto ou Normal, Subcontratação, Redespacho, Redespacho intermedi-
ário e Vinculado a multimodal. Vejamos, a seguir, cada um deles.
a) Direto ou Normal: o frete normal é aquele em que a carga é coletada no remetente e levada até
o destinatário, de forma direta, sem a utilização de transportadores intermediários;
b) Subcontratação: no modelo de subcontratação, a transportadora contratada pelo embarcador
não utiliza dos meios próprios para realização do serviço, ela subloca o serviço de outro operador
de transportes para fazer as entregas. Essa é uma característica comum para empresas que não
atendem determinadas regiões, possibilitando aumentar sua malha de transporte, por meio da
contratação do serviço de uma empresa terceira, atendendo a demandas específicas e aumentan-
do a qualidade do atendimento;
c) Redespacho: no redespacho, a empresa transportadora contrata uma empresa terceira para re-
alizar uma parte do trajeto contratado pelo embarcador. Diferente da subcontratação, nessa mo-
dalidade o transportador atende por meios próprios uma parte do trajeto e redespacha a outra
parte por meio de um transportador secundário. Veja esse formato na figura a seguir.

Frete por redespacho


São Paulo Minas Gerais Bahia
Unidade de redespecho

Embarcador Trasportador 01 Trasportador 02 Destinatário

Figura 49 -  Frete por redespacho


Fonte: SENAI DR BA, 2019.
GESTÃO DE TRANSPORTES
74

d) Redespacho intermediário: no redespacho intermediário, a transportadora contratada não re-


tira e não entrega o material no local de destino. Nessa modalidade, a transportadora principal
contrata o serviço de coletagem de outra transportadora e, ao final, repassa a carga a uma terceira
transportadora;
e) Vinculado a multimodal: o frete vinculado a multimodal é utilizado para operações que utilizam
mais de um modal logístico. Nessa modalidade, a transportadora é contratada por um Operador
de Transporte Multimodal para realizar uma das etapas do serviço.

As várias possibilidades de frete possibilitam às empresas realizarem suas entregas de forma eficiente,
permitindo também aumentar a área de atuação do negócio, pois em suas estratégias criam conexões e
facilitam o acesso a regiões, que de forma individual não poderiam atender.

3.3.2 Cálculo

O cálculo do frete é feito com base em diversas variáveis, o seu valor é estipulado com base nos custos
operacionais da atividade de transporte, tais como o combustível, taxas, pedágios, alimentação, segurança e,
ainda, deve contemplar o lucro que a empresa ou profissional autônomo busca com a prestação do serviço.
De acordo os parâmetros estabelecidos pela ANTT, em uma transação comercial de transporte, o valor
mínimo do frete deve atender ao valor tabelado, estabelecido em acordo com o Governo Federal. Assim,
mediante as orientações descritas, o frete pode ser calculado da seguinte forma:

Passo 01: Identifique o tipo de carga que irá transportar:


carga geral, carga a granel, carga frigorificada, carga
perigosa ou neogranel;

Passo 02: Verifique a distância da operação de transporte


e identifique em qual linha da tabela se encontra. Não se
esqueça da carga de retorno, para incluir o custo da volta,
deve-se multiplicar a distância de ida por dois e procurar
a linha em que está essa nova distância.

Passo 03: Busque na tabela o valor do custo por Km/Eixo


na linha em que está a distância que você calculada;

Passo 04: Multiplique a quantidade de eixos da


combinação de veículos e implementos utilizado na
operação pelo custo Km/Eixo, encontrado na tabela;

Passo 05: Agora é só multiplicar a distância (no passo 2) pelo


valor do custo por km da combinação dos eixos (encontrado
no passo 4), para obter o valor mínimo da viagem.

Figura 50 -  Composição do cálculo de frete rodoviário


Fonte: SENAI DR BA, 2019.
3 Gestão de frota e controle de veículos
75

É importante não se esquecer de contabilizar os valores extras da viagem, como pedágio, tributos (IR,
INSS, ICMS, etc.), despesas com seguro, pois eles dependem de características como o tipo de produto, a
rota da viagem e a região que irá atender. Lembre-se de que esse é o valor mínimo definido; em cima desse
valor deve ser estipulado o percentual de lucro que pretende-se obter pela prestação do serviço.
Observe no exemplo a seguir, como esse cálculo é feito. Considere o transporte de uma carga geral, que
será transportada entre duas cidades, de um mesmo estado, que ficam distantes 550 km uma da outra.
Para isso, será utilizado um caminhão trucado de 3 eixos.

O tipo de carga é geral, então


selecione a 2º tabela, Carga Geral,
que constra no Anexo II da São 550 km de distância, então o
Resolução ANTT nº, 5820, de 2018 valor tabelado está na linha que
aparece de 501 e até 600 km, no
valor de é 0,98

O veículo que estou usando


tem 3 eixos, então vou
multiplicar 3 por 0,98, que
dá 2,94 R$/km.

Agora, devo pegar a distância de 550


km que vou percorrer e multiplicar pelo
valor de 2,94 calculado no passo
anterior, que dá um valor mínimo de R$
1.617 para a viagem.

Figura 51 -  Calculando o valor do frete


Fonte: SENAI DR BA, 2019.
GESTÃO DE TRANSPORTES
76

Se no caminho o transportador tiver que pagar valores referentes a pedágios, esses valores deverão ser
acrescentados aos R$ 1.617,00 e ao valor do lucro, totalizando no valor da proposta de frete para o cliente.

Cubagem

A cubagem da carga é a relação entre o peso de um produto e o espaço que ele ocupará dentro do
veículo. Essa relação pode ser obtida através de um cálculo matemático utilizando o fator de cubagem.

FATOR DE CUBAGEM

O fator de cubagem é um número determinado, definido através do ideal de transporte de carga, e


equivale a um metro cúbico dentro do veículo usado para o transporte.
Cada modal possui um fator de cubagem diferente por conta das diferenças existentes entre eles. Os
mais comuns são:
rodoviário: 1m³ =300kg
aéreo: 1m³ = 166,7kg
marítimo: 1m³ = 1.000kg

O intuito aqui é planejar melhor o processo de carregamento, considerando dois pontos primordiais:
a) Impedir que se feche uma carga com muitos volumes, mas de baixo peso: o que faria com que se
desperdiçasse a capacidade de carga do veículo em kg bruto;
b) Impedir que se tenha muitos volumes pequenos, mas muito pesados: o que faz com que se deixe
de aproveitar um espaço considerável dentro do veículo (em virtude do limite de peso);

Peso cubado

O peso cubado é o espaço que de fato é ocupado pela carga no veículo. Esse valor é calculado através
de uma fórmula abaixo:
Comprimento x Largura x Altura x Fator de cubagem
Segue um exemplo:
O volume a ser transportado por uma carga no modal rodoviário possui as dimensões: 70cm x 40cm x 20cm
Obs: O fator de cubagem considerado nesse caso é o padrão de 300.
Então:
0,70 x 0,40 x 0,20 x 300 = 16,8Kg
3 Gestão de frota e controle de veículos
77

3.3.3 Tabela

A tabela de frete é um recurso estabelecido pelo governo brasileiro a fim de regular as relações con-
tratuais de afretamento8, tornando-as mais justas e competitivas. Estabelecidas pela Lei nº 13.703, de 8 de
agosto de 2018, as tabelas de preços mínimos estão vinculadas à natureza da carga e foram elaboradas
conforme suas especificidades, divididas em: carga geral, a granel, frigorificada, perigosa e neogranel.

TABELA DE PREÇOS MÍNIMOS POR KM E POR EIXO - CARGA GERAL


DE KM ATÉ KM CUSTO POR KM/EIXO
1 100 R$ 2,10
101 200 R$ 1,28
201 300 R$ 1,11
301 400 R$ 1,04
401 500 R$ 1,00
501 600 R$ 0,98
601 700 R$ 0,96
701 800 R$ 0,95
801 900 R$ 0,94
901 1.000 R$ 0,93
1.001 1.100 R$ 0,92
1.101 1.200 R$ 0,92
1.201 1.300 R$ 0,91
1.301 1.400 R$ 0,91

Tabela 2 - Tabela de frete


Fonte: AGÊNCIA NACIONAL DE TRANSPORTES TERRESTRES, 2018.

A lei do tabelamento indica o reajuste semestral da tabela; outra forma de alteração está vinculada ao
preço do óleo Diesel, que em casos de oscilação superior a 10% deve ser adotada.

SAIBA Conheça a tabela de preços mínimos completa, pesquisando por “Anexo II tabelas de
MAIS frete” e verifique com são compostos os valores dos fretes rodoviários nacionais.

É importante lembrar que os valores estabelecidos pela tabela são valores mínimos, ou seja, o motorista
que deseje estabelecer os seus próprios cálculos e adotar uma política de fretes mais elevada, aumentando
seus ganhos, pode recorrer a essa opção.

8  Afretamento: contratação de veículo para o serviço de transporte de carga ou de passageiros, de forma parcial ou total.
GESTÃO DE TRANSPORTES
78

Novas Regras

As novas regras para o frete rodoviário no Brasil foram instituídas pela Lei nº 13.703/2018, já menciona-
da, a qual estabelece a política de preços mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, por meio de uma
tabela unificada, que tem validade durante o semestre em que foi editada.
A ANTT fiscaliza o cumprimento dos valores atribuídos, dessa forma, a empresa que contratar o serviço
de transporte rodoviário de cargas abaixo do piso mínimo estabelecido pela agência reguladora terá puni-
ção específica, incorrendo o pagamento de multas, que podem variar de R$ 550,00 a R$ 10.500,00 (ANTT,
Resolução nº 5.820, 2018).
Já para o transportador que realizar o serviço de transporte rodoviário de cargas em valor inferior ao
piso mínimo de frete definido pela ANTT, será aplicada multa de R$ 550. A resolução diz ainda que os res-
ponsáveis por anúncios de ofertas para contratação do transporte rodoviário de carga, em valor inferior ao
piso mínimo, estarão sujeitos à multa de valor de R$ 4.975 (ANTT, Resolução nº 5.820, 2018).

3.3.4 Negociação de fretes

Como é possível perceber, os custos com frete absorvem uma grande parcela do faturamento de uma
empresa, e negociar os valores desse serviço, buscando melhores fornecedores e melhores condições para
a prestação de serviço, contribuem para redução dos custos envolvidos nas operações de transporte.

Negociação de frete
Figura 52 -  Negociação de frete
Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Apenas negociar o frete com várias transportadoras, buscando o menor preço, não é suficiente. Assim,
devem ser considerados nessa análise, os aspectos qualitativos para o fornecimento do serviço, a agilidade
na entrega, a integridade dos produtos, a segurança da carga e a idoneidade do agente transportador.
E para que seja realizada uma negociação vantajosa e favorável ao equilíbrio dos custos da empresa, é
importante estar atento a alguns pontos no momento da negociação. Observe alguns desses aspectos a
seguir:
a) Levantar todos os dados para a elaboração do contrato: para realizar uma negociação exito-
sa, é importante conhecer todas as informações da carga que se pretende contratar, definindo
o volume de produtos que serão transportados, a demanda por período, as características do
3 Gestão de frota e controle de veículos
79

produto, restrições do transporte. Dessa forma, os prestadores de serviço podem montar uma
proposta coerente e acertada, vislumbrando possibilidades dentro da proposta de fornecimento;
b) Realizar cotações com mais de 02 transportadoras: é importante estar atento aos valores tra-
balhados em mercado, buscando fornecedores que ofertem relações comerciais mais vantajosas,
com preços competitivos, garantindo qualidade na execução do serviço e condições de paga-
mento mais atrativas;
c) Negociar frete com foco no ganha-ganha: em uma relação ganha-ganha, busca-se entrar em
uma negociação onde a relação estabelecida seja vantajosa às duas partes, aplicando o poder de
barganha, como firmar um contrato de fornecimento a um preço baixo tendo, em contrapartida,
a exclusividade no transporte de produtos para aquela empresa. Em ambas as situações, as em-
presas saem ganhando;
d) Dar preferência para empresas que investem em tecnologia: a utilização de tecnologia mo-
derna torna as operações mais controláveis e produtivas, além de fornecer maior segurança, di-
minuindo riscos;
e) Faça escolhas assertivas: “Não compre gato por lebre”. Muitas vezes, algumas negociações pa-
recem ser muito vantajosas, mas acabam se tornando grandes problemas para a empresa. Em
uma nova contratação, mesmo que mais atrativa, é necessário analisar o histórico de prestação de
serviço do fornecedor, indicativos de qualidade do serviço e a capacidade de atendimento, pois,
muitas vezes, empresas se inserem no mercado com um preço competitivo, porém sem sustenta-
bilidade econômica e acabam falindo, não conseguindo atender sua demanda, comprometendo
as atividades e a imagem da empresa frente aos clientes.

Atender a esses requisitos facilita a realização de negociações mais assertivas, seguras e de qualidade.
Para isso, é fundamental estabelecer uma boa análise dos critérios da negociação, sendo vantajoso para
ambas as partes.

3.3.5 Contratação de fornecedores de serviços

As estratégias utilizadas para transportar mercadorias devem contribuir para uma melhor qualidade do
serviço logístico. Para isso, as escolhas de como será realizado o transporte, devem ser pensadas e plane-
jadas, buscando sempre contribuir para a otimização dos recursos. Muitas empresas possuem sua própria
frota para realizar a distribuição de produtos em todo o território de atuação, porém, adotando essa prá-
tica, elas ficam responsáveis pelo custo de aquisição e manutenção dos veículos, além da necessidade de
contratação e gestão de funcionários especializados para atuar nesse seguimento.
GESTÃO DE TRANSPORTES
80

Figura 53 -  Contratação de serviços


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Uma alternativa a qual muitas empresas se apoiam é a de terceirização dos serviços. Contratar empre-
sas ou profissionais autônomos, especializadas no transporte de bens e mercadorias, permite à empresa
focar em sua atividade principal, evitando a imobilização de recursos e grandes investimentos em frotas,
o pagamento de seguro de transportes e outros custos adicionais à atividade, além de obter o acesso a
tecnologias mais avançadas nas operações de transporte.
Entretanto, essa ação não desonera a empresa dos custos com o transporte, muitas vezes o custo com
a contratação de prestadores de serviço se torna maior do que a manutenção da frota própria. Nesse mo-
mento, devem ser ponderar os prós e contras da terceirização do transporte da empresa, realizando uma
análise dos custos, da aplicação de recursos e dos retornos possíveis, optando entre as duas alternativas.
Embora algumas empresas ainda insistam na manutenção da frota própria, nota-se uma forte movi-
mentação do mercado na terceirização total ou parcial desse serviço. Atuam no mercado uma infinidade
de empresas e profissionais especializadas na prestação de serviços de transportes, como operadores lo-
gísticos, transportadoras e transportadores autônomos, que podem ser contratados com base nas neces-
sidades da empresa.
a) Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas (ETC): é uma empresa formalmente constituída,
sob qualquer forma de contrato social, como uma pessoa jurídica, especializada e habilitada para
o transporte rodoviário de cargas;
b) Transportador Autônomo de Cargas (TAC): é uma pessoa física que tenha no transporte rodo-
viário de cargas a sua atividade profissional;
c) Cooperativa de Transporte Rodoviário de Cargas (CTC): pessoa jurídica configurada como
uma cooperativa de transporte rodoviário de cargas. Tem por finalidade organizar e profissio-
nalizar pequenos e médios transportadores através de um modelo societário economicamente
3 Gestão de frota e controle de veículos
81

viável, possibilitando também a concorrência com empresas de transporte de forma mais justa,
em virtude de isenções fiscais possibilitadas pelo trabalho cooperado.

A prestação de serviços de transporte, por meio de serviços autônomos, transportadoras ou operadoras


de serviços logísticos, são opções viáveis para a distribuição e transporte de mercadorias. Mas é importante
sempre atentar à qualidade do serviço prestado pelo terceiro, atribuindo indicadores de acompanhamen-
to, para certificar-se da excelência no padrão de trabalho.

3.3.6 Desenvolvimento de novos fornecedores

Desenvolver fornecedores pode ser uma ação estratégica utilizada por empresas que buscam melhorar
o nível de serviço logístico. É importante criar uma relação dos possíveis fornecedores que atendam às
demandas da empresa. Alguns fornecedores, por exemplo, possuem um preço competitivo no mercado,
mas devido à demanda de serviço não conseguem atender prontamente as necessidades apresentadas.
Dessa forma, é preciso estabelecer as atividades e serviços específicos de cada fornecedor e acompanhar a
execução do serviço de cada um deles.

Figura 54 -  Desenvolvimento de fornecedores


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019. (Adaptado).

Além do levantamento de possíveis fornecedores, é importante também avaliá-los, realizando pesqui-


sas documentais, através do contrato social, consulta de CNPJ, por meio de formulários de requisitos, que
verificaram o atendimento a requisitos básicos que sejam exigidos pelas operações da empresa, além das
visitas in loco, para conhecer as instalações da empresa, os equipamentos que ela dispõe e o seu estado
físico.
Conhecendo as características da empresa, suas necessidades, a empresa contratante pode identificar
oportunidades de melhorias em seus fornecedores, buscando o crescimento conjunto das organizações.
GESTÃO DE TRANSPORTES
82

Outro fator importante é alinhar as empresas fornecedoras com a cultura e os valores da empresa, afinal, o
transportador entra em contato com o seu cliente final e reflete a imagem da sua empresa. Uma saída para
atender essas necessidades é a oferta de treinamento e capacitação dos fornecedores dentro dos limites
procedimentais, de qualidade, de segurança e da cultura do contratante, facilitando a interação entre em-
presa, prestador de serviço de transporte e o cliente final.

3.3.7 Distribuição de veículos de acordo com o local de trabalho

A distribuição do veículo adequado à operação pode contribuir para a realização exitosa da atividade.
A área ou localidade que o veículo irá trafegar deve estar de acordo com o tamanho e a capacidade do
mesmo. Muitas dessas limitações são impostas por legislações que buscam desafogar e tornar o trânsito
urbano mais fluido, criando zonas restritivas à circulação de veículos de grande porte.
Estradas mal estruturadas geram maiores danos aos meios de transporte mais pesados, aumentando o
custo com manutenção, troca de pneus, dentre outros.
Outro fator de análise na escolha do veículo mais adequado está associado à velocidade; fracionar a
carga e distribuí-la em veículos de pequeno porte pode facilitar a entrega e o acesso a áreas restritas. Nas
rodovias, por exemplo, os veículos mais indicados são os de carga pesada, como as carretas, pois possuem
maior força motriz e capacidade de carga.
3 Gestão de frota e controle de veículos
83

3.4 Gestão de Frotas

Gerir a frota de uma empresa faz parte de uma das rotinas operacionais da logística. Como sabemos,
é comum que o conceito de logística seja confundido com a atividade de transportes apenas, porém a
gestão da frota é uma parte do processo logístico de transporte que assegura que suas operações sejam
executadas de forma eficaz e eficiente.
A frota de veículos é o agrupado de veículos disponibilizados para realizar as operações de transporte
de bens, mercadorias e pessoas de uma empresa. Ela é formada por uma diversidade de veículos, com ca-
racterísticas e funções diferentes, a fim de atender às diversas demandas das organizações.

Figura 55 -  Gestão de frota


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Como parte dos recursos da empresa, a frota de veículos deve ser administrada de forma a extrair sua
maior produtividade, estabelecendo uma relação de custo satisfatória, gerando economias e o bom aten-
dimento ao cliente.

3.4.1 Controle de Frota

O controle é uma atividade fundamental na Gestão de Frota, que permite acompanhar e conhecer
melhor os dados da frota, permitindo realizar análises sobre o seu funcionamento, quanto ao atendimen-
to de requisitos técnicos e indicadores de desempenho. A aplicação de controles efetivos torna possível
identificar erros com maior facilidade, adotar ações de melhoria e otimizar recursos financeiros e logísticos.
Um bom controle deve contemplar todas informações sobre a frota, desde o registro dos veículos e as
funções que estão destinados a atender, às atividades logísticas e seus usuários. São dados comuns, geral-
mente utilizados no acompanhamento de frota:
GESTÃO DE TRANSPORTES
84

a) Controle de frotas e previsão de gastos: conhecer a frota, como ela é composta, sua capaci-
dade e a aplicação dos veículos é primordial para a gestão do uso e aplicação dos equipamentos
disponíveis. O controle de utilização dos veículos possibilita otimizar viagens, verificando veículos
ociosos e com capacidade subutilizada, permitindo ainda dimensionar os gastos operacionais das
viagens;
b) Controle de gastos com manutenção: envolve a realização do levantamento de dados ligados
às manutenções preventivas, preditivas e corretivas dos veículos. Com ele, é possível controlar as
revisões periódicas, trocas de fluidos, pneus e peças, cambagens, lavagens. A partir dos dados téc-
nicos do veículo, pode-se também atribuir padrões de desempenho e de longevidade das peças;

Manutenção de Veículos

Placa do
Dia Mês Tipo Serviço Causa
Veículo

Manutenção Revisão
6 Janeiro AQF -2475 10.000 km rodados
Preventiva Completa

Quadro 2 - Modelo de controle de manutenção


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

c) Controle de condutores: a utilização de um veículo requer atenção a requisitos legais, como a


habilitação para operação do veículo, cursos e treinamentos específicos. Por isso, o controle de
atribuição dos condutores de acordo com autorizações de acesso é fundamental. Além disso,
a responsabilidade de utilizar um veículo de uma empresa é compartilhada entre condutor e a
empresa, cabendo a essa resguardar-se quanto a multas, acidentes e danos causados dada a uti-
lização do veículo. Assim, controles rigorosos de acesso e utilização dos veículos da frota devem
ser adotados, acompanhando informações como operador, data e horário de utilização, destino,
dentre outras informações que auxiliarão na composição do histórico de uso do veículo;
d) Controle de custo por viagem e consumo de combustível por veículo: acompanhar os custos
de viagem gera indicadores analíticos da utilização dos recursos e das despesas. O combustível é
um recurso que onera as operações de transporte e por isso deve ser utilizado de forma produti-
va. Para isso, é fundamental criar meios para controlar o seu consumo e de verificar o desempe-
nho do veículo.
3 Gestão de frota e controle de veículos
85

Manutenção de Veículos

Placa do Valor Km
Dia Posto Combustível Total pago Quantidade Km Final
Veículo unitário Inicial
POSTO
5 KYG-3687 Diesel R$ 3,84 R$ 192,00 50 2000 2300
MARAJO
POSTO
5 GAW-9087 Diesel R$ 3,84 R$ 153,60 40 5000 5200
MARAJO
POSTO
5 AQF-2475 Diesel R$ 3,89 R$ 116,70 30 9900 10100
OÁSIS

Quadro 3 - Modelo de viagens e consumo de combustível


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

É importante que no processo de controle, todos os envolvidos estejam aptos e capacitados sobre os
procedimentos adotados, devendo a empresa adequar a utilização dos sistemas de forma fácil e prática,
verificar se os profissionais estão aptos a operar sistemas digitais, criar manuais e guias de orientação e
aplicar treinamentos para utilização de formulários e sistemas.
Assegurar a acuracidade das informações é um requisito essencial para a realização de um bom con-
trole, pois quanto mais rápidas e precisas forem as informações, mais efetiva será a tomada de decisões a
partir delas. Assim, a utilização de recursos modernos e sofisticados para o levantamento de dados e para
o acompanhamento e controle de informações é cada vez mais frequente na gestão dos veículos. O uso
de cartões de acesso, sensores, veículos inteligentes, aplicativos, tecnologias embarcadas (rastreadores e
videomonitoramento) fazem parte de um conjunto de recursos que já estão sendo utilizados no dia a dia
das frotas.
Novas tecnologias e recursos facilitam o controle e a gestão de informações necessárias ao processo
decisório. Vejamos um exemplo da aplicação de tecnologias no monitoramento e rastreio da frota, no
Casos e relatos a seguir.

CASOS E RELATOS

Avanços tecnológicos na gestão de frota da Log-in


A Log-in, operadora de transportes logísticos, inseriu em sua frota de carretas um sistema embar-
cado de controle de frota. Esse sistema integrava o seu Sistema de gerenciamento de transportes
(TMS) e buscava auxiliar a empresa, criando meios de acompanhar as atividades de forma mais ágil
e prática.
O sistema adquirido pela empresa utiliza da comunicação via telefonia celular para realizar os con-
troles da frota, permitindo a cobertura em todo território nacional. Com a utilização do sistema de
GESTÃO DE TRANSPORTES
86

rastreamento, é possível obter informações atualizadas sobre a viagem do veículo a cada dois mi-
nutos, obtendo dados como: velocidade do veículo, localização, ponto de referência mais próximo,
se a ignição está ligada ou não. O sistema permite, ainda, a troca de mensagens entre a empresa e o
motorista, via teclado e monitor instalados no veículo. O sistema também utiliza atuadores diretos
do caminhão, como sensor de porta, sensor de engate/desengate, sensor de porta de baú, dentre
outros, que irão atuar de forma a evitar qualquer ação irregular ou não planejada na viagem, geran-
do o disparo da sirene ou até mesmo o bloqueio do caminhão.
O novo sistema de gestão de frota adquirido pela Log-in possibilitou a geração de informações mais
rápidas e próximas do real, proporcionando maior segurança às operações, o controle efetivo das
atividades e gerando informações relevantes para a gestão do negócio.
(Fonte: CALAZANS; DUTRA; BARBOSA; MONTEIRO; COUTINHO, 2014).

Embora os sistemas de controle de frota estejam cada vez mais atuais e conectados, sua utilização seja
em meios manuais, digitais ou autônomos, é extremamente necessário para garantir a qualidade na exe-
cução de atividades e controle dos custos fixos e variáveis da frota, dos veículos e das operações de trans-
porte.

3.4.2 Registros de ocorrências

Uma ocorrência de transporte é todo evento que porventura possa acontecer durante o transporte ou
entrega de uma carga, como retenção da carga, atrasos na entrega, sinistros. Assim, o registro de ocorrência
é implementado como uma ferramenta de controle específica, que relata todas as informações relevantes
registradas na operação de transporte, desde o horário de partida, o percurso realizado, paradas, desvios
de rotas, quebras, até a devida entrega. Ele tem a finalidade de reunir informações sobre o andamento das
entregas, imprevistos ocorridos na trajetória e a efetivação do recebimento do produto, gerando dados
qualitativos quanto à entrega dos produtos.

Figura 56 -  Registro de ocorrências


Fonte: MEIRA, 2018.
3 Gestão de frota e controle de veículos
87

Antigamente, esses registros eram realizados de forma manual e podiam ser manipulados ou negli-
genciados com facilidade. Atualmente, o mercado de transportes trabalha com diversos padrões para o
registro de ocorrências, gerando e distribuindo informações sobre as entregas, para os diversos agentes
envolvidos no transporte de cargas em tempo real, tais como remetentes, destinatários, contratantes do
serviço.
Transportadores e expedidores precisam adotar maneiras de acompanhar as ocorrências, bem como
realizar o gerenciamento eficaz da distribuição de mercadorias. E para facilitar o planejamento e controle
desse fluxo de distribuição, as transportadoras devem adotar softwares que auxiliam no monitoramento da
frota e agregam mais informações aos registros de ocorrências.
Com estes dispositivos, gestores e motoristas estão em constante interação, controlando o andamento
das entregas, os imprevistos ocorridos na trajetória e o recebimento do produto. Hoje, já é possível ao mo-
torista registrar a entrega da carga por dispositivo móvel e enviar os dados, diretamente ao responsável
pela contratação. Veja como exemplo a lista de códigos que classificam as ocorrências na entrega.

OCORRÊNCIAS
00 Processo de Transporte já Iniciado
01 Entrega Realizada Normalmente
02 Entrega Fora da Data Programada
03 Recusa por Falta de Pedido de Compra
04 Falta de Espaço Físico no Depósito do Cliente Destino
05 Extravio de Mercadoria em Trânsito
06 Nota Fiscal Retida pela Fiscalização
07 Avaria de carga
08 Roubo de Carga
09 Sobra de Mercadoria sem Nota Fiscal
...
Quadro 4 - Lista de códigos de ocorrências na entrega
Fonte: SENAI DR BA, 2019.

As providências para resolver os problemas apresentados anteriormente precisam ser tomadas o mais
rápido possível, por isso a rapidez no reporte das informações para o registro de ocorrências é muito im-
portante, pois através delas será possível corrigir erros e dar andamento a vários procedimentos, tais como,
a liberação do pagamento do frete, instruções para a reentrega, retirada ou devolução de mercadorias,
avaliação do nível de serviço prestado pela transportadora, dentre outros processos internos, mesmo an-
tes do retorno do veículo à unidade.
GESTÃO DE TRANSPORTES
88

RELATÓRIO DE OCORRÊNCIA Nº

Emitente Registro Data emissão Hora emissão

Local ocorrência DRI GER SUP Data ocorrência Hora ocorrência

Assunto da ocorrência

Descrição da ocorrência

Parecer segurança patrimonial

Parecer da área envolvida

Visto emitente Visto segurança patrimonial Visto área envolvida

Data: Data: Data:

Figura 57 -  Modelo de ocorrência


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

3.4.3 Documentação e Licenças de Veículos

Devemos tratar das documentações com muita atenção, pois elas também fazem parte de requisitos
legais que devem ser atendidos por empresas e condutores, para o transporte de cargas, para o tráfego
de veículos em vias públicas e para a autorização de condutores para operar meios de transportes. Cada
modal logístico requer documentações específicas para operar. Elas têm como finalidade certificar a con-
formidade de veículos com requisitos de segurança e pagamentos de impostos, dos condutores em reunir
as habilidades e autorizações necessárias para operar determinado veículo e garantir a procedência das
cargas e seu manuseio adequado.

Rodoviário

O Licenciamento do veículo, de caráter rodoviário, permite que este circule de maneira regular pelo ter-
ritório nacional, junto com o Imposto sobre Veículos Automotores (IPVA) e o seguro contra Danos Pessoais
Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT).
3 Gestão de frota e controle de veículos
89

Figura 58 -  Modelo de viagens e consumo de combustível


Fonte: SENAI DR BA, 2018.

Ele garante a regularização dos veículos, assegura que o veículo está em conformidade com as condi-
ções de segurança e normas de emissão de poluentes e ruídos. A taxa para obter a licença está submetida
aos órgãos de trânsito estaduais, por isso, cada estado conta com a sua própria especificação.

Aquaviários

Toda embarcação utilizada no transporte de cargas e pessoas exige o porte de documentações espe-
cíficas para navegar com segurança. Os documentos que são obrigatórios no transporte aquaviário são:
a) TIE/TIEM: de acordo a Portaria da Diretoria de Portos e Costas (DPC) nº 100 de 16/12/2003, as em-
barcações brasileiras, em exceção as da Marinha do Brasil, estão sujeitas à inscrição nas Capitanias
dos Portos (CP), Delegacias (DL) ou Agências (AG), que são os órgãos de inscrição, responsáveis
pela emissão do Título de Inscrição de Embarcação (TIE/TIEM). É um documento emitido pela
Marinha do Brasil. Veja a seguir, o modelo do título de embarcação.
GESTÃO DE TRANSPORTES
90

Figura 59 -  Título de Embarcação


Fonte: CLASF, 2013.

b) Seguro Obrigatório (DPEM): seguro de contratação obrigatória a todos os proprietários ou ar-


madores, devidamente inscritos pelo TIE/TIEM, destinado a cobrir possíveis danos pessoais cau-
sados por embarcações ou por suas cargas.

Além desses documentos, é importante às embarcações a utilização do Diário de Navegação e da Carta


Náutica, documentos que auxiliam na geração de informações das embarcações enquanto em viagem.
-- Diário de Navegação: todas as embarcações propulsadas, de emprego comercial em mar
aberto, deverão manter um registro de todas as informações e dados relativos à navegação
(data-hora de suspender, atracar, e fundear9, posição, rumo, velocidade, referências de fun-
deio, etc.), incluindo fatores ambientais (direção e velocidade do vento, estado do mar, etc.),
ou acontecimentos extraordinários que ocorram à embarcação (MARINHA DO BRASIL, 2011).
-- Carta Náutica: é um documento de representação cartográfica destinado a atender aos re-
quisitos de navegação aquaviária, que retrata a rota da embarcação, publicado oficialmente
sob a autoridade de um governo, serviço hidrográfico por ele autorizado, ou outra institui-
ção governamental. Ela pode ser apresentada de forma analógica (em papel) ou digital (Carta
Náutica Digital). Sendo reconhecidas oficialmente pela Autoridade Marítima Brasileira, assim,
as cartas náuticas são editadas e publicadas pela Marinha do Brasil - Diretoria de Hidrografia
e Navegação.

9  Fundear: ato de atracar embarcação.


3 Gestão de frota e controle de veículos
91

A utilização das documentações dos veículos é uma forma de assegurar que esses estão atendendo aos
requisitos técnicos e legais de tráfego pelas vias. Eles são importantes para manter o controle do Governo
sobre os veículos utilizados no país e para garantir a segurança dos envolvidos na operação de transporte.

3.4.4 Documentos para o Transporte de cargas

Para realizar o transporte de carga nos modais rodoviário, aéreo, ferroviário, ou aquaviário, são exigidos
a emissão e o porte de documentos que devem acompanhar as mercadorias desde a sua saída do forne-
cedor até a chegada ao consumidor final. Macedo (2016) destaca os documentos fiscais básicos exigidos
para o transporte de cargas:
a) Nota Fiscal Eletrônica (NF-e): a Nota Fiscal Eletrônica é um documento obrigatório, emitido na
compra e venda de produtos, que resguarda quanto à propriedade dos itens. Emitida e armaze-
nada eletronicamente, tem por finalidade documentar as operações de circulação de mercado-
rias, registrar transações comerciais e impostos proveniente delas;
b) Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e): é um documento eletrônico, obrigatório às
transportadoras, emitido e armazenado eletronicamente. O principal objetivo do CT-e é docu-
mentar, para fins fiscais, uma prestação de serviço de transporte de cargas;
c) Manifesto Eletrônico de Documentos Fis (MDF-e cais): o Manifesto Eletrônico de Documentos
Fiscais é emitido por empresas prestadoras de serviço de transporte ou por empresas que reali-
zam o transporte de seus produtos com veículos próprios, ou mediante contratação de transpor-
tador autônomo de cargas. É um documento emitido e armazenado eletronicamente e tem como
objetivo agilizar o registro em lote dos documentos fiscais em trânsito, realizando os processos de
forma padronizada em um único documento, facilitando a fiscalização. Também é utilizado para
monitorar e acompanhar o trânsito de mercadorias em toda a extensão nacional.

Documentos auxiliares devem acompanhar as mercadorias durante todo o seu trânsito. Eles são docu-
mentos de acesso à informação e servem para a consulta online no site da Secretaria da Fazenda, sempre
vinculadas aos documentos originais, sem substituí-los.
a) Documento Auxiliar da Nota Fiscal Eletrônica (DANFE): a DANFE é uma cópia impressa da
NF-e;
b) Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico (DACTE): cópia impressa
simplificada do Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e). Deve ser impresso e acompanhar
a mercadoria em trânsito. Serve como instrumento de informação e permite a consulta do CT-e.
Vale lembrar que este documento não substitui o CT-e.
c) Documento Auxiliar do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscal (DAMDFE): é um docu-
mento impresso, que resume as informações contidas no MDF-e. Ele acompanha o transporte da
carga, permitindo o acesso ao arquivo do MDF-e pela Fiscalização de Mercadorias em Trânsito,
sem substituí-lo.
GESTÃO DE TRANSPORTES
92

SAIBA Algumas carga, como medicamentos e itens que excedam a largura do veículo, reque-
rem documentação específica para realização do transporte. Informe-se sobre essa
MAIS documentação nos sites das instituições DNIT e ANTT.

Esses documentos têm a função de identificar a procedência da carga e sua legalidade, por isso são de
uso obrigatório no transporte e devem acompanhar a mercadoria por todo o seu trajeto. Nesse processo,
é importante que os documentos estejam disponíveis, facilitando a fiscalização e evitando que a carga seja
retida em postos fiscais, gerando atraso nos prazos de entrega e o não atendimento ao cliente.

3.4.5 Documentos de condutores

Todo condutor deve estar devidamente habilitado e credenciado para operar veículos utilizados no
transporte de cargas, desde pequenas motocicletas a aviões de grande porte. Essas documentações de-
finem se o condutor possui capacidade técnica para operar tal veículo. Cada tipo de veículo exige uma
documentação específica, de acordo o tipo, o porte e especificidades da atividade. Vejamos as documen-
tações específicas para conduzir veículos rodoviários, aéreos e aquáticos.

Rodoviário

A Carteira Nacional de Habilitação (CNH), emitida pelo Departamento Nacional de transito (DENATRAN),
é o documento oficial que atesta a aptidão do indivíduo em conduzir veículos automotores terrestres, tem
seu porte obrigatório e é subdividida por categorias (A, ACC, B, C, D, E), de acordo com o tipo de veículo
que o condutor está habilitado a conduzir. Observe a seguir a seguir as categorias de habilitação com base
no Código Nacional de trânsito (Lei Nº 9.503, de 23 de setembro de 1997):
a) Categoria A: habilita a condução de veículo motorizado de duas ou três rodas, com ou sem carro
lateral (motos, motonetas, triciclos, etc.);
b) Categoria ACC: habilita a condução de veículos de duas ou três rodas, providos de um motor de
combustão interna, cuja cilindrada não exceda a cinquenta centímetros cúbicos (3,05 polegadas
cúbicas) e cuja velocidade máxima de fabricação não exceda a cinquenta quilômetros por hora.
c) Categoria B: habilita a condução de veículo motorizado, não abrangido à categoria A, cujo peso
bruto total não exceda a três mil e quinhentos quilogramas e cuja lotação não exceda a oito luga-
res, excluindo o lugar do motorista (carros de passeio);
3 Gestão de frota e controle de veículos
93

Figura 60 -  Carteira Nacional de Habilitação


Fonte: CRUZ, 2017.

d) Categoria C: habilita a condução de veículo motorizado utilizado em transporte de carga, cujo


peso bruto total exceda a três mil e quinhentos quilogramas e utilizado para transporte de até 8
pessoas. Para habilitar-se na categoria C, o condutor deve estar habilitado há, pelo menos, um
ano na categoria B e não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima, nem ser reinciden-
te em infrações médias, durante os últimos doze meses;
e) Categoria D: condutor de veículo motorizado utilizado no transporte de passageiros, cuja lota-
ção exceda a oito lugares, excluído o lugar do motorista (ônibus). Para habilitar-se na categoria D,
o condutor deve ter 21 anos completos e estar habilitado há, pelo menos, um ano na categoria C
ou há dois anos na categoria B e não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima, nem
ser reincidente em infrações médias nos últimos doze meses;
f) Categoria E: condutor de combinação de veículos em que a unidade tratora se enquadre nas
categorias B, C ou D e cuja unidade acoplada, reboque, semi-reboque ou articulada, tenha seis
mil quilogramas ou mais de peso bruto total, ou cuja lotação exceda a 8 lugares, ou, ainda, seja
enquadrado na categoria trailer (exemplos: carretas e ônibus articulados). Para habilitar-se na ca-
tegoria E, o condutor deve ter 21 anos completos, estar habilitado, no mínimo, há um ano nas
categorias “C” ou “D” e não ter cometido nenhuma infração grave ou gravíssima, nem ser reinci-
dente em infrações médias nos últimos doze meses.

A Carteira de habilitação para veículos terrestres agora pode ser apre-


CURIOSIDADES sentada em formato digital, a “CNH Digital ou CNH-e”. Ela possui o mes-
mo valor jurídico da impressa.
GESTÃO DE TRANSPORTES
94

Aéreo

Os profissionais que desempenham funções operacionais na Aviação devem passar por processos de
avaliação para a emissão de licenças, habilitações e certificados. Desta forma, a Agência Nacional de Avia-
ção Civil (ANAC), instituição que regulamenta o licenciamento para pilotos de aeronaves no Brasil, de acor-
do o regulamento brasileiro da aviação civil nº 61, emenda 07, estabelece os critérios para emissão de
licenças, certificados e habilitações de pilotos.

Figura 61 -  Piloto de aeronave comercial


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

A licença formaliza a certificação do profissional para atuar em operações aéreas civis, podendo ser
emitida a partir do cumprimento de requisitos básicos para sua habilitação, como idade, grau de instrução,
aptidão psicofísica, conhecimentos teóricos, instrução de voo, experiência e proficiência, de acordo com as
funções, limitações e prerrogativas necessárias a cada tipo de licença, que podem ser:
a) Licença de Aluno Piloto;
b) Licença de Piloto Privado;
c) Licença de Piloto Comercial;
d) Licença de Piloto de Tripulação Múltipla;
e) Licença de Piloto de Linha Aérea;
f) Licença de Piloto de Planador;
g) Licença de Piloto de Balão livre;
h) Certificado de Piloto Aerodesportivo (CPA).
3 Gestão de frota e controle de veículos
95

Para atuar como piloto, a bordo de aeronaves civis registradas no Brasil, é necessário o porte de habi-
litações válidas, expedidas em conformidade com o Regulamento nº 61 - ANAC, apropriadas à aeronave
operada, ou à função que desempenha a bordo. Assim como o Certificado de Habilitação Técnica (CHT),
título expedido em acordo com o Regulamento Brasileiro de Aviação Civil, que atesta a capacidade de um
indivíduo pilotar aviões, permitindo ao titular pilotar. Também chamado de “Brevê”, é um diploma de pilo-
to, dado àqueles que concluírem o curso de aviação.

Aquaviário

Para a condução de embarcações de cunho profissional, o Aquaviário deve possuir habilitação certifica-
da pela autoridade marítima para operar embarcações.

Figura 62 -  Capitão
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

A Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) é um documento de habilitação, identificação e registro de


dados pessoais do aquaviário, emitida para prover o portador de identificação a fim de viajar de ou para
uma embarcação designada ou seguir as instruções do comandante de uma embarcação, além de registrar
o serviço marítimo do portador (NORMAM-13/DPC, 2003).
As certificações de qualificações especiais constantes na Caderneta de Inscrição e Registro (CIR) são
emitidas conforme várias convenções internacionais, incluindo a Convenção Internacional sobre Padrões
de Formação, Certificação e Serviço de Quarto de Marítimos, de 1978, emendada em 2010 (NORMAM-13/
DPC, 2003). Também é importante lembrar que para cada função desenvolvida na embarcação, coman-
dante, aquaviário, Oficial de Náutica, oficiais de máquina, são necessárias habilidades e requisitos distintos.
GESTÃO DE TRANSPORTES
96

SAIBA Conheça cada requisito para habilitação à navegação profissional acessando as normas
MAIS da autoridade marítima para aquaviários nº 13, em sites de busca.

Estar atento a todas as documentações que devem ser utilizadas nas operações de transporte deve
fazer parte das rotinas do setor. Aqui, foram apresentadas alguns dos principais documentos utilizados no
transporte de cargas, mas é importante lembrar que algumas operações exigem documentos específicos,
sendo necessário identificar os requisitos documentais para cada atividade.

3.4.6 Alocação de veículos de transporte

A alocação de veículos de transporte consiste na distribuição adequada dos veículos de uma frota, ade-
quando-os às demandas dos serviços de uma empresa. Ela está diretamente ligada ao dimensionamento
da frota, pois a partir do volume demandado, define-se a alocação de veículos para o seu atendimento.
Também está associada a uma variedade de situações que envolvem o gerenciamento da frota ao longo
de um dado período de tempo, possuindo aplicações no transporte de cargas rodoviário, ferroviário, ma-
rítimo e aéreo.
Na alocação de veículos, você define os movimentos de uma frota, distribuindo-os por diversos locais
geograficamente dispersos, montando rotas, atribuindo cada veículo para o atendimento de uma rota
específica e posicionando os veículos estrategicamente, de forma a torná-los mais produtivos. Parece sim-
ples, mas análise de alocação deve ser feita baseada em vários critérios, como o custo da rota, o estado das
vias, o custo de operação, pois refletirão sobre o custo operacional total.
Para o atendimento das demandas de transporte, o profissional de logística pode utilizar da frota pró-
pria, e também apoiar-se em parcerias, por meio da contratação de terceiros. Como exemplo, podemos
tomar a contratação de empresas terceiras para rotas específicas, optar por alocar veículos terceirizados
em rotas mais longas e em vias com péssimo estado de conservação e, assim, pode-se evitar o aumento
de custos com manutenção da frota própria. Essa é uma das alternativas a serem consideradas na alocação
de veículos.
Nesse sentido, é importante reunir o máximo de informações sobre as rotas, trajetos, custos, segurança,
dentre outros, que sejam relevantes para uma análise comparativa, buscando sempre tomar decisões as-
sertivas na alocação de veículos e definição de rotas.

3.4.7 Contratação de terceiros

A contratação de terceiros no transporte de cargas é uma tática que muitas empresas utilizam para o
atendimento de demandas específicas, desde o atendimento a pedidos pontuais e excessos de produção
a estratégias de minimização de custos. Neste contexto, quando falamos de contratação de terceiros para
3 Gestão de frota e controle de veículos
97

prestação de serviços de transporte, entende-se como o estabelecimento de um contrato comercial, firma-


do entre a empresa e prestadores de serviço (autônomos ou empresas terceiras).
A Contratação de Transportadores Autônomos de Cargas (TACs) é uma saída muito utilizada pelas em-
presas. Consiste na contratação de um prestador de serviço independente, que realize as rotinas de trans-
porte de cargas. Estabelecido pela Lei n. 11.442/2007, trata do transporte rodoviário de cargas prestado
por terceiros, mediante remuneração, uma atividade de natureza comercial, exercida por pessoa física ou
jurídica, em regime de livre concorrência. Opta-se por profissionais autônomos em razão do seu baixo cus-
to e isenção de responsabilidades trabalhistas ou vínculo empregatício com motoristas.

Transportador Autônomo de Cargas


Aplicação em local visível nas laterais

Figura 63 -  Registro nacional de transportadores rodoviários


Fonte: ANTT, 2018.

Embora seja financeiramente vantajoso, é importante estar atendo a alguns aspectos para que a pres-
tação de serviço seja bem-sucedida. Analise esses aspectos a seguir.
a) Registro: certifique-se de que o transportador está devidamente registrado sob o Registro Na-
cional de Transportador Rodoviário de Cargas (RNTR-C);
b) Documentação: antes da contratação de um profissional autônomo, a empresa deve solicitar a
seguinte documentação: Carteira Nacional de Habilitação (CNH), RNTR-C, Certificado de Registro
e Licenciamento de Veículos (CRLV), comprovante de residência, telefones pessoais e, em casos
de primeira contratação, solicite antecedentes criminais. Isso possibilita maior segurança na con-
tratação do prestador;
c) Seguro: em casos de transportadores autônomos, a empresa contratante assume os riscos no
percurso da carga, por isso é importante que o contratante possua o seguro do material;
d) Nota Fiscal: para prestação de serviço a pessoas jurídicas, é necessário que o motorista emita a
nota fiscal do serviço.
e) Tributação: esteja atento à tributação do serviço do transportador autônomo, pois possui ta-
xações diferenciadas, devendo recolher: INSS (contribuição à Seguridade Social), SEST/SENAT
(Contribuição Compulsória voltada ao Serviço Social do Transporte), ISS ou ISSQN (Imposto Sobre
Serviço) e IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte).

É bastante comum as empresas de transporte subcontratarem outras empresas do mesmo ramo de


atividade ou transportadores autônomos de cargas para cumprir parte do percurso, devido à própria
GESTÃO DE TRANSPORTES
98

sazonalidade da atividade. Podem também subcontratar profissionais autônomos para cumprir alguns
percursos específicos ou em excessos de demanda.
Outra possibilidade para o transporte autônomo é a formação de cooperativas de transporte de cargas,
uma união de condutores que buscam fortalecer-se para a prestação de serviço de forma consolidada. A
ação cooperada possibilita a participação de uma tabela diferenciada de preços, isenções e incentivos go-
vernamentais, tornando o serviço autônomo mais competitivo, frente a empresas transportadoras.

Terceirização

A terceirização é um tipo de relação comercial de prestação de serviço, firmado entre empresas, sem
o estabelecimento de vínculos jurídicos de sociedade entre as mesmas. Na terceirização, a empresa con-
tratante atribui uma parcela de suas atividades a uma empresa terceira contratada, como a utilização de
serviços e/ou componentes produzidos ou montados por outra empresa (terceira) que não aquele do fa-
bricante do produto final (FRANÇA, 2010).
Essa relação possibilita a empresa algumas vantagens como:
a) Redução dos custos de especialização: como o prestador de serviços tem maior experiência
no negócio, trabalha com alto grau de especialização e possui acesso a tecnologias mais atuais,
ele normalmente consegue um maior nível de eficiência, que não seria alcançado pela empresa
contratante (FRANÇA, 2010);
b) Substituição de custos variáveis por custos fixos: ao terceirizar uma atividade, a empresa tem
maior facilidade para ajustar seus custos aos volumes de operação, transferindo custos varáveis
para fixos (FRANÇA, 2010). Podemos tomar como exemplo, o gasto de combustível, um custo
variável para empresa, caso operasse com frota própria, mas com a terceirização, o valor é fixado
no estabelecido pelo contrato de fornecimento;
c) Agilidade resultante de estruturas mais leves: ao terceirizar atividades não ligadas diretamen-
te ao seu negócio principal, a empresa passa a dedicar todos os esforços naquilo que realmente é
o objetivo do seu negócio, tornando a gestão mais rápida e eficiente.

Nesse processo de terceirização, é importante que a empresa acompanhe a qualidade da prestação de


serviço, pois em alguns casos como o do transporte de cargas, são eles que estão em contato direto com
o cliente. Outro fato a ser levado em conta é a ideia de parceria. Embora a terceirização exija um alto grau
de comprometimento da empresa prestadora de serviço e uma relação comercial afinada, ela não pode ser
confundida com estratégias de parceria, pois são vínculos bem diferenciados de relacionamento comercial
entre empresas.
3 Gestão de frota e controle de veículos
99

Estratégias de parcerias

As estratégias de parcerias fazem parte de um comportamento empresarial de posturas cooperativas,


onde empresas que operam em ramos, segmentos de mercado ou região afins apoiam-se buscando supe-
rar problemas econômicos e logísticos. A globalização dos mercados acirra cada vez mais a concorrência
entre empresas. Nesse sentido, esses negócios devem buscar formas de superar suas limitações de preço,
de acesso a mercados, de reposição de insumos ou outras necessidades identificadas.
Estimular as empresas a unirem esforços para superar obstáculos comuns é uma possibilidade viável
para empresas que buscam tornarem-se mais competitivas. A cooperação entre empresas, concorrentes
ou não, permite que elas possam organizar-se em redes de produção conjunta, trabalhar linhas de produ-
tos comuns, criar centros de informações compartilhados, centros de distribuição integrados, obter fideli-
dade de fornecimento, dentre outras ações de operação integrada (FRANÇA, 2010).

Figura 64 -  Cooperação empresarial


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Um exemplo disso são empresas montadoras de carros, que na busca de reduzir seus estoques e garan-
tir reposições rápidas, estabelecem parcerias com empresas fornecedoras de peças e componentes, que
se instalam em regiões próximas, e assim visam atender com maior agilidade as demandas de seu cliente.
Essas empresas compartilham informações técnicas para o desenvolvimento de peças exclusivas, buscam
seguir os mesmos enquadramentos de certificação de qualidade, além de estabelecer uma forte relação
de fidelização.
Para França (2010), a confiança é uma condição indispensável, já que recursos são aplicados e informa-
ções confidencias trocadas, a tal ponto que, em alguns casos, a exclusividade acaba sendo exigida por uma
das partes. Para estabelecer uma relação de parceria mais concreta, algumas empresas buscam estabele-
cer acordos formais através de um contrato comercial amparado por lei.
A ideia de parceria pressupõe um envolvimento e uma interação entre compradores e fornecedores
capazes de ultrapassar os limites da simples formalização de um contrato que defina preço, quantidade e
GESTÃO DE TRANSPORTES
100

prazo de entrega (FRANÇA, 2010). Para que se estabeleça uma relação de parceria, os interesses comuns
de crescimento devem ser tais que as empresas tomadora e prestadora de serviços se comportem como se
fossem sócios de um grande empreendimento.
Essa relação de parceria pode ser observada em vários tipos de transações, como uma forma de vencer
obstáculos, resolver problemas em conjunto e criar oportunidades de negócios, como no Casos e Relatos
a seguir.

CASOS E RELATOS

Parceria no fornecimento de serviços assessórios


O serviço de transportes de pessoal da Construtora Mendes Fontoura era realizado a cargo de uma
estrutura própria, combinada com uma série de transportadoras. Era frequente o atraso de funcioná-
rios devido a quebras dos ônibus ou atrasos de linhas, além da necessidade de uma equipe própria
apenas para gerenciar as rotinas de transporte desses funcionários, gerando altos custos para em-
presa e grande insatisfação dos funcionários.
Para resolver esse impasse, a Mendes Fontoura concentrou seu serviço em um único fornecedor.
Trata-se de um antigo funcionário do setor de transportes, que em alinhamento com a diretoria da
empresa, estabeleceu uma relação comercial de parceria para o fornecimento do serviço de trans-
porte de funcionários, com o objetivo exclusivo de atendê-la.
O ativo inicial da empresa de transporte absorveu uma parte da frota da Mendes Fontoura e hoje
presta serviços também a outras empresas da região. A relação que já dura anos, é inteiramente
informal, não existe um contrato de prestação de serviços, as tarifas são regularmente discutidas e a
sede da microempresa está localizada no próprio escritório da construtora.
O processo de descentralização de atividades da empresa, por meio de uma parceria firmada, possi-
bilitou a eliminação do setor de transporte e a redução de alguns postos de trabalho, podendo focar
seus esforços na sua atividade principal.

É possível perceber que impasses e problemas como o custo decorrente de operações assessórias, ou a
qualidade do serviço prestado, podem ser resolvidos por meio de parcerias e do crescimento cooperado.

Negociação de prazos

Para trabalhar com logística e distribuição de mercadorias, é fundamental a atenção aos prazos es-
tabelecidos, o processo de entrega de uma organização pode influenciar diretamente no custo final do
3 Gestão de frota e controle de veículos
101

produto, na qualidade e na integridade dos itens, por isso avaliar e negociar, de forma prévia, as restrições
e prazos de fornecimento, podem ajudar a empresa a evitar vários contratempos.

Multas

Quando atuamos com o transporte de carga, é importante criar meios que assegurem o atendimento
dos contratos firmados entre cliente e fornecedor. Essa é uma relação muito delicada, pois vários fatores
podem impedir a realização das entregas ou gerar atrasos no atendimento de pedidos.
Adotar regulamentações a fim de padronizar a qualidade de atendimento do setor é uma saída para
estabelecer uma relação segura na prestação de serviço de empresas transportadoras ou transportadores
autônomos. Nesse sentido, o estabelecimento de multas é uma forma coercitiva10 de garantir o atendi-
mento a requisitos técnicos e qualitativos para as operações de transporte.
As multas são medidas punitivas aplicadas em decorrência de uma infração legal ou quebra contratual.
Elas podem ser estabelecidas em comum acordo, como requisito de contratos de prestação de serviço ou
de fornecimento, ou podem ser instituídas como forma de regulação governamental para operações do
setor, buscando estabelecer a adoção de medidas de segurança nas vias trafegadas e regular a exploração
comercial do setor de forma justa e competitiva.

Figura 65 -  Fiscalização de produtos perigosos


Fonte: CHICO DA BOLEIA, 2016.

Iremos então tratar as multas em dois grupos distintos: as multas relacionadas ao não atendimento de
requisitos legais estabelecidos pelo governo e as multas voltadas à efetivação da entrega e qualidade do
serviço.

10  Coercitiva: de forma forçada ou obrigatória.


GESTÃO DE TRANSPORTES
102

Ao efetuar o transporte de cargas por terceiros e com remuneração, se o condutor não estiver de acor-
do com as leis, será penalizado, cabendo multas ou até mesmo a suspensão do registro. Para que isto não
ocorra, é importante estar atento aos seguintes itens:
a) O transportador deve estar portando os documentos obrigatórios exigidos por lei, como a docu-
mentação da carga, licenciamento do veículo e do motorista, que devem estar em seu prazo de
vigência;
b) O Conhecimento de Transporte (CT) é um documento obrigatório para operações de transporte
de carga, e não portar o documento ou tê-lo em desacordo com as informações obrigatórias,
incide em multa;
c) A identificação do código do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga (RNTRC)
é um requisito obrigatório e pode gerar multas, retenção da carga e impedimento da conclusão
do serviço, caso esteja ausente ou em desacordo com o regulamento (vencido, suspenso, não
pertencer à frota da empresa cadastrada ou utilizado para fins de atividades criminosas);
d) Pesos e Limites da carga devem ser respeitados de acordo os critérios da legislação específica;
e) Restrições de horário e vias ocorrem em algumas cidades que costumam adotar restrições de
tráfego para caminhões em horários específicos, ou o trafego em vias urbanas, para veículos pe-
sados.

Estar em conformidade com o atendimento a esses requisitos evita interrupções e atrasos no processo
de entrega, além de evitar a cobrança de valores extras, não orçados.
Outro aspecto relevante que deve ser considerado na operação de transporte são os acordos e multas
de não atendimento. Eles são preestabelecidos em comum acordo, no momento em que se firma um
contrato de compra e venda, principalmente quando a atividade da empresa está fortemente ligada à
disponibilidade do insumo.
Imagine preparar sua força de venda para uma campanha de natal, veicular promoções, incluir ofertas
em encartes promocionais e receber os produtos após o prazo acordado. A empresa compradora terá
como consequência a perda de vendas, terá sua imagem abalada, além da possibilidade de responder a
processos judiciais relativos à propaganda enganosa.
Para precaver-se quanto a problemas na entrega e assegurar o atendimento, as empresas adotam,
como estratégia, o estabelecimento de multas. Além de apresentar a função punitiva, onerando financei-
ramente o fornecedor, serve como forma de ressarcimento para prejuízos gerados pela não entrega.

3.4.8 Dimensionamento da frota

Dimensionar o tamanho de sua frota é um fator relevante à gestão de transportes. A falta de veículos
para atender aos clientes, o atraso nas entregas, prazos muito longos ou até mesmo a sobra de espaços nos
veículos na distribuição podem ser indícios de que a frota esteja mal dimensionada.
3 Gestão de frota e controle de veículos
103

Mas como posso chegar ao número adequado de veículos para realizar as entregas de uma empresa?
O dimensionamento de frota é uma ferramenta crucial para evitar o excesso de gastos e dar maior asserti-
vidade para as entregas.
Para realizar o dimensionamento da frota, é importante estabelecer a demanda que se pretende aten-
der, seja por uma projeção de demanda futura ou baseado em histórico de atividades. Assim, apoiado em
cálculos básicos sobre a composição da capacidade de carga dos veículos e do tempo do ciclo da opera-
ção, estima-se o tamanho adequado da frota.
Para isso, é importante estabelecer os seguintes procedimentos:

Determinar a demanda mensal da carga.

Fixar os dias de trabalho, mês e horas de trabalho por dia.

Verificar as rotas a serem utilizadas, analisando as características de cada uma, aclives, condições de tráfego,
rugosidade da pista, tipo de estrada (asfaltada, de terra, cascalhada).
Determinar a velocidade média do percurso.

Determinar o tempo de carga e descarga, espera, refeição, descanso dos motoristas e outras operações.

Verificar as especificações técnicas dos veículos que realizarão o transporte.

Identificar a capacidade de carga útil do veículo.

Calcular o número de viagens possíveis dentro do mês, por veículo.

Determinar o número de toneladas transportadas por veículo.

Figura 66 -  Levantamento de informações para o dimensionamento da frota


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Com as informações sobre o veículo, a carga e os requisitos operacionais, é possível identificar a quan-
tidade de veículos necessários e a quilometragem média mensal que cada veículo poderá percorrer, para
atender o volume de carga mensal. No exemplo a seguir, poderemos verificar a aplicação do cálculo de
dimensionamento para a distribuição de milho de um agronegócio, utilizando como veículo padrão para a
frota, o caminhão semirreboque graneleiro. Veja a seguir os elementos que compõem o cálculo.
GESTÃO DE TRANSPORTES
104

Do veículo
• Peso do chassi: 6.00 kg
• Capacidade bruta do veículo: 36.000kg
• Peso do semirreboque: 7.000 kg
• Peso de outros equipamentos: 500kg
• Velocidade operacional: 60 km/h na ida
70 km/h na volta

Da carga
• Tipo de carga a ser transportada: Milho
• Peso específico da carga: 800 kg/m³
• Carga mensal a ser transportada: 4.600t/mês

Operacionais
• Tempo de carga e descarga: 90 min
• Distância a ser percorrida: 300 km na ida
350 km na volta
• Jornada útil de trabalho: 8 horas
• Número de turnos de trabalho por dia: 2
• Número de dias úteis de trabalho por mês: 25 dias/mês
• Número de dias previstos para manutenção por mês: 2 dias/mês

Figura 67 -  Informações para cálculo de dimensionamento de frota


Fonte: SENAI DR BA; SHUTTERSTOCK, 2019.

Munidos dessas informações, é possível desenvolver o cálculo e verificar a quantidade de veículos que
deve compor a frota para o atendimento à demanda apresentada pela empresa. Verifique a seguir a sequ-
ência do cálculo.
3 Gestão de frota e controle de veículos
105

Cálculo da lotação do veículo, verifica a capacidade de Cálculo do número de viagens necessárias. Divide a
carga líquida do veículo carga mensal a ser transportada pela capacidade do
veículo
PBT 36.000 kg
Tara 13.500 kg 4.600.000 kg = 204,44 viagens
22.500 kg 22.500 kg

Cálculo do tempo total de viagem, incluídos os Cálculo do tempo diário de operação


tempos de ida, paradas, descargas e retorno (horas de trabalho x quant. De turnos x 60 min)
Tempo de ida 300 min Horas de trabalho diárias 8 horas
Tempo de volta 300 min Número de turnos/dia x 2 turnos
Carga, descarga e paradas 90 min Minutos/hora 60 minutos
690 min 960 minutos

Número de viagens por veículo Dias de operação, é o resultado dos dias trabalhados
por mês, diminuído dos dias de manutenção
Operação efetiva 960 min = 1,39 viagens/dia
Tempo total de viagem 690 min
N. de dias de operação /mês _ 25 dias
N. dias p/ manutenção 2 dias
23 dias

Número de viagens por veículo, é a multiplicação dos


dias de operação pelo número de viagens de um
Número de veículos
veículo por mês necessários para frota
N. de dias de operação 23,00 dias
x É o resultado da divisão do número de viagens
Viagens/mês 1,39 viagens
31,97 viagens/mês mensais necessárias, pelo número de viagens de
um veículo por mês

204,44 viagens = 6,30* veículos


31,97 viagens/veículo

7 veículos
* aproxima-se sempre para cima

Figura 68 -  Cálculos para o dimensionamento de frota


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

O dimensionamento da frota, como vimos nos cálculos anteriores, é uma atividade simples, que muitas
vezes é negligenciada pelas empresas ou pelo gestor de transportes. Analisar os requisitos de uma opera-
ção e dimensionar a frota corretamente cria parâmetros que permitem evitar maiores custos em razão da
ociosidade de veículos e a subcontratação de terceiros.
GESTÃO DE TRANSPORTES
106

3.4.9 Avaliação da frota

A concorrência das empresas é cada vez mais acirrada, muitas delas conseguem oferecer produtos si-
milares em qualidade e funcionalidade, e é um desafio aos negócios criar formas que as destaquem frente
a um mercado cada vez mais competitivo. A frota de uma empresa é um recurso fundamental para buscar
o aprimoramento da qualidade do serviço prestado pelas empresas, realizar entregas rápidas e reduzir o
impacto financeiro das operações de transporte sobre o preço dos produtos. Isso requer estabelecer estra-
tégias sólidas para maior diferenciação e competitividade empresarial.
Para atender este cenário, é necessário que as empresas estejam preparadas, com veículos modernos e
novas tecnologias que permitam atender de forma eficiente às demandas do mercado. Assim, a eficiente
gestão da frota de uma empresa, em termos de manutenção e reposição de componentes e renovação de
equipamentos será fator decisivo para a competitividade do negócio.

Figura 69 -  Análise de veículos de uma frota


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Mas como decidir o momento adequado para substituir os veículos ou implantar uma nova tecnologia
em uma frota?
Para atender esses requisitos, é necessário realizar a avaliação da frota. Essa avaliação é uma análise
quantitativa e qualitativa dos resultados que os veículos que compõe a frota podem gerar. São avaliados
desde aspectos de custos, consumo médio dos meios de transportes, idade dos veículos, quanto aspectos
subjetivos, como modernidade de recursos, economia energética, emissão de resíduos, dentre outros as-
pectos que possam inferir na decisão.
É importante conhecer a vida econômica do bem, que é caracterizada pelo seu ponto ótimo de
substituição, ou seja, tempo para utilização do veículo a um custo mínimo. Podemos tomar como exemplo,
empresas do setor de transporte urbano. O uso de um ônibus padrão de forma eficiente é de 10 a 15
anos. A partir desse período, quebras de peça são mais frequentes, o consumo de combustível é maior e a
emissão de gases poluentes na atmosfera aumenta.
3 Gestão de frota e controle de veículos
107

A utilização eficiente dos ativos fixos de uma frota está associada a uma política bem estruturada de
avaliação e substituição de frota. Esse sistema avaliará variações negativas nos indicadores de lucro e po-
sitivas nos indicadores de custo, sugerindo uma ação corretiva para tal. A partir da avaliação, será possível
realizar uma análise comparativa do desempenho dos equipamentos atuais frente a potenciais substitu-
tos, tecnicamente aperfeiçoados, servindo de suporte para decisões de aquisição de novos veículos.
Para realizar a avaliação dos bens que compõem uma frota, deve-se verificar informações como:
a) Levantamento de dado: identificar e levantar os principais dados que servirão de base para a
análise quantitativa e qualitativa. Os dados devem ser relevantes à descrição da frota e atividades
relacionadas, bem como devem oferecer entendimento sobre informações estratégicas e econô-
micas da empresa;
b) Análise econômica: determinar o custo anual de cada veículo e a vida econômica para substitui-
ção, avaliando custo de operação, manutenção consumo;
c) Análise de critérios não econômicos: nesse quesito, verifica-se os benefícios intangíveis, como
melhoria da execução do serviço, qualidade nas informações, competitividade, que não são es-
tratificados economicamente, mas podem representar oportunidades de melhoria e conquista
de mercado;
d) Análise benefício/custo: nessa etapa, realiza-se a comparação da análise econômica e dos bene-
fícios intangíveis, contrabalanceando custos e vantagens alcançadas.

Avaliar a frota deve ser uma atividade contínua, apoiada pelo acompanhamento de indicadores, que
fornecerão informações consistentes para as análises. É importante estar atento às novas tecnologias pro-
postas para o transporte, avaliando sempre se podem ser implementadas à sua frota e quais os benefícios
alcançados com sua utilização.

3.4.10 Indicadores de bens

O uso de indicadores na gestão de frota tem a função de auxiliar a empresa a medir desempenho do
seu atendimento logístico, permitindo identificar erros e pontos de melhorias de processos, fortalecer a
produtividade e reduzir custos. Esses indicadores fazem parte do planejamento estratégico da organiza-
ção, são indicadores de performance e buscam comparar o alcance de padrões estabelecidos, como nível
de serviço, balanceamento dos custos, redução de despesas e outros índices que podem ser medidos e
comparados.
GESTÃO DE TRANSPORTES
108

Figura 70 -  Indicadores de desempenho da frota


Fonte: ACTIVE CORP, 2019.

Por meio dos indicadores, é possível, ao profissional de logística, conhecer e acompanhar a projeção
dos dados referente à sua frota, oportunizando a análise dos resultados e a tomada de decisões. Eles ainda
permitem uma melhor comunicação com a equipe, por meio da apresentação de plano de metas que en-
volvam toda a equipe, com metas claras, concretas e diretamente ligadas ao macro objetivo da empresa.
Só conseguimos gerir aquilo que é mensurável, ou possível de ser medido. Assim podemos estabelecer
controles de indicadores como:
a) Gastos com combustível;
b) Custos com manutenção;
c) Incidência de multas;
d) Ocorrências de sinistros;
e) Produtividade por veículo, dentre outros.

Através dos indicadores, é possível construir um panorama detalhado dos processos, apresentando
resultados, identificando padrões, problemas e pontos de melhoria com maior facilidade. Dessa forma, os
indicadores funcionarão como ferramentas de acompanhamento de processos, garantindo o monitora-
mento do desempenho de todos os veículos.
3 Gestão de frota e controle de veículos
109

RECAPITULANDO

Neste capítulo, foi possível conhecer sobre os veículos e como eles podem ser aplicados de forma
produtiva no transporte de mercadorias, respeitando as características da carga, volume e particu-
laridades para a entrega.
Ainda foi possível tratar das atividades executadas pelo setor de transporte, importantes para exce-
lência do atendimento ao cliente. Para isso, é fundamental realizar o planejamento das ações, con-
tratando serviços de transporte de cargas adequados à necessidade da empresa, analisando quais
fornecedores oferecem a melhor relação custo-benefício para execução do serviço.
Foi possível estudar também as ferramentas utilizadas para o controle da frota, que é o conjunto
de veículos disponíveis para atendimento das demandas produtivas da empresa, dimensionando-a
de acordo a sua capacidade de atendimento e buscando estratégias de distribuição, como a con-
tratação de serviços, terceirização e parcerias, fortalecendo a estrutura da empresa e prestando um
melhor serviço ao cliente.
Controle do transporte e gestão de riscos

Neste capítulo, será possível conhecer algumas das ferramentas que são utilizadas no con-
trole dos transportes das empresas. O Controle faz parte das atividades de Gestão de processos
e do negócio. É necessário controlar rotinas e informações a fim de que se possa acompanhar
o alcance dos resultados pretendidos, e para que soluções e correções possam ser efetuadas
caso necessário.

Cont
role
de com
bust
ível
ículos
list Ve Controle de multas
Check

Figura 71 -  Controles no transporte de cargas


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Para isso, iremos inicialmente buscar entender sobre as características dos materiais que
são transportados em operações logísticas, seus tipos, características e as necessidades de re-
cursos, equipamentos e de manuseio impostas por cada um. Além disso, serão apresentados
alguns documentos utilizados no transporte de cargas perigosas, que devem ser observados
para o transporte desse tipo de produto, pois têm utilização obrigatória em algumas atividades
e em determinadas regiões.
Em seguida, será possível conhecer requisitos básicos da gestão de riscos e as ferramentas
utilizadas para minimização dos mesmos nas rotinas de transporte de cargas. Essas ferramen-
tas fazem parte das estratégias utilizadas para que a segurança da carga, das operações e dos
envolvidos das atividades de transporte seja maior, criando meios para o atendimento asser-
tivo.
GESTÃO DE TRANSPORTES
112

4.1 Controle do transporte

O controle do transporte faz parte de um conjunto de atividades que são realizadas para o acompanha-
mento das rotinas operacionais do setor. Ele cria meios de compreender o desenvolvimento das ações,
verificando se seu desempenho se enquadra dentro do nível de serviço estipulado pela empresa e se os
requisitos legais e normativos estão sendo respeitados, proporcionando o melhor atendimento do cliente.
Para realizar um melhor controle das atividades, é importante conhecer sobre as características e tipos
de cargas que são transportadas, buscando aplicar sobre cada uma, os controles, documentações, legisla-
ções e procedimentos técnicos necessários.

4.1.1 Tipos de cargas

As cargas são mercadorias que são transportadas de um ponto a outro, inseridas em embalagens espe-
cíficas ou diretamente acondicionadas nos equipamentos de transporte. Essas cargas podem ser agrupa-
das, reunindo um conjunto de produtos ou individuais, e são transportadas de acordo com a sua natureza
e característica do material, que podem ser: Geral, Seca, Viva, Granel, Neogranel, Frigorificada, Frágil ou
Perigosa. Estudaremos a seguir cada uma delas.

Carga Geral

É a carga formada por produtos gerais que necessitam de embalagens para o transporte ou unitização,
com identificação e contagem de unidades. A carga geral pode ser solta, composta por volumes acondi-
cionados sob dimensões e formas diversas, ou unitizada, agrupada em vários itens em uma unidade de
transporte.

Carga seca

É formada por produtos industrializados e não perecíveis, que não possuam a necessidade de
refrigeração, ou condições específicas de clima (calor, frio, sol, chuva) para o transporte.
Enquadram-se nessa categoria produtos como:
4 Controle do transporte e gestão de riscos
113

Encanamentos Madeiras Materiais de Produtos alimentícios


construção não perecíveis

Figura 72 -  Carga seca


Fonte: SENAI DR BA; SHUTTERSTOCK, 2019.

Carga Viva

É caracterizado pelo transporte de animais vivos destinados à produção, exploração econômica, expo-
sições, lazer e eventos. O Brasil possui grande destaque para movimentação de:

Suínos Bovinos Aves


Figura 73 -  Carga viva
Fonte: SENAI DR BA; SHUTTERSTOCK, 2019.

O Brasil é signatário11 da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e obrigado a cumprir procedimen-
tos operacionais da organização, regulamentados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimen-
to (Mapa). Esses procedimentos acreditam o Brasil a fornecer animais para países como China e Europa.

11  Signatário: assinante de um documento ou acordo.


GESTÃO DE TRANSPORTES
114

No Brasil a Resolução do CONTRAN Nº 675 de 21 de junho de 2017, regula quanto ao


SAIBA transporte de animais de produção ou interesse econômico. Conheça um pouco mais
MAIS consultando a resolução na íntegra disponível no Portal do Ministério da Agricultura,
pecuária e abastecimento/Assuntos/Sustentabilidade/bem-estar animal/legislação.

Granel

A carga a granel é formada por produtos padronizados, não diferenciados por origem ou produtor, ar-
mazenados e transportados em grandes quantidades, em seu estado bruto, não necessitando de embala-
gens fracionadas, sendo transportados em contêineres e caminhões específicos, de acordo a característica
do produto.
Os granéis podem ser classificados ainda em sólidos e líquidos:
a) Granéis Sólidos: produtos de natureza sólida, geralmente utilizados como matéria-prima, conta-
bilizados de acordo o peso, tais como:

Soja Milho Café Cacau

Minério de Bauxita Manganês


ferro
Figura 74 -  Carga granel
Fonte: SENAI DR BA, 2019; SHUTTERSTOCK, 2019.
4 Controle do transporte e gestão de riscos
115

b) Granéis Líquidos: produtos de composição fluida ou aquosa, contabilizados de acordo o volu-


me em metros cúbicos ou litros. São exemplos:

Petróleo Etanol Gasolina Leite Sucos


Figura 75 -  Carga granel líquido
Fonte: SENAI DR BA, 2019; SHUTTERSTOCK, 2019.

Neogranel

São carregamentos compostos do agrupamento de produtos homogêneos. Os produtos neograneis


fazem parte do grupo de cargas gerais, porém seu diferencial é pela não exigência de acondicionamento
específico. Além disso, devido a suas características, esses produtos podem ser transportados em lotes e
em um único embarque. Como exemplo, podemos citar:

Veículos Bobinas de Malha de Tubos de


aço ferro cano
Figura 76 -  Carga neogranel
Fonte: SENAI DR BA, 2019; SHUTTERSTOCK, 2019.
GESTÃO DE TRANSPORTES
116

Frigorificada

a) Perecíveis: as cargas frigoríficas perecíveis são formadas por itens que possuem alto grau de pe-
recividade, e que a serem expostas a fatores de risco como alta temperatura, podem atingir um rá-
pido estado de maturação ou início do processo de decomposição, necessitando de uma logística
de transporte bem planejada e executada, respeitando critérios de acondicionamento, tempo
de transporte e temperatura. É importante que os equipamentos utilizados no transporte desses
produtos atinjam baixas temperaturas sem a formação de gelo. São exemplos dessa categoria:

Frutas (abacate, maçã, Legumes e hortaliças Iogurte e outros


pera e pêssego e outros) (pimentão, alface, couve e outros) derivados do leite
Figura 77 -  Carga perecível
Fonte: SENAI DR BA, 2019.

b) Congeladas: os produtos perecíveis congelados são aqueles que passaram por um processo de
resfriamento intenso até a formação de gelo. Esse processo tem como principal objetivo manter
as propriedades do produto (CARGOX, 2017). São exemplos de produtos congelados:

Alimentos congelados,
Carne bovina congelada Aves e cortes congelados como pizza e pão de queijo
Figura 78 -  Carga congelada
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

A temperatura para o transporte desse tipo de produto precisa ser mantida do início ao fim do proces-
so. Por isso, é necessário que sejam transportadas em veículos totalmente refrigerados, com temperaturas
de -15°C e -20°C, assegurando a conservação e manutenção do produto congelado durante o trajeto (CAR-
GOX, 2017).
4 Controle do transporte e gestão de riscos
117

FIQUE As empresas que compram produtos refrigerados estabelecem como critério de


recebimento temperaturas mínimas e caso o caminhão não esteja dentro da tempe-
ALERTA ratura prevista, toda a carga será rejeitada e devolvida ao fornecedor.

Carga Frágil

São consideradas cargas frágeis todo material que requer cuidados especiais para a sua movimentação
e transporte, em virtude do seu aspecto frágil, como vidros, louças, espelhos, cristais, dentre outros mate-
riais que precisam de maior atenção para que não sejam danificados. Para garantir o transporte adequado
desse tipo de carga, recorre-se a embalagens e objetos que melhor acondicionem o produto, ou ainda que
evitem a vibração e impacto no transporte.

Figura 79 -  Carga frágil


Fonte: SENAI DR BA, 2018.

Carga Perigosa

São cargas formadas especificamente por produtos perigosos, ou seja, substâncias químicas, biológicas
ou radioativas, em estado sólido, líquido ou gasoso, encontradas na natureza ou produzidas, que fora do
GESTÃO DE TRANSPORTES
118

seu recipiente adequado ou em contato com outras substâncias, ofereçam riscos à saúde das pessoas, ao
meio ambiente ou à segurança pública.
Gás natural, petróleo e derivados, defensivos agrícolas, pólvora, amônia, fósforo branco são alguns dos
exemplos de produtos perigosos.

Figura 80 -  Carga perigosa


Fonte: SENAI DR BA, 2018.

Para atuar na área de transporte desse tipo de carga, é necessário ter estrutura e veículos preparados
para o produto específico. Além disso, o processo de transporte precisa respeitar as legislações e normas
específicas, que orientam quanto ao manuseio, medidas de segurança e simbologia utilizada na classifica-
ção dos riscos.

4.1.2 Documentação de cargas perigosas: FISPQ, LETPP E CTPP

Transportar produtos é uma tarefa complexa que requer a adoção de ações estratégicas e o atendimen-
to de requisitos legais, pois garantem a excelência no serviço, a segurança da carga e dos envolvidos nas
operações, manuseio e transporte de cargas. Assim, para a veiculação de produtos em algumas localida-
des do território nacional, é necessária a emissão de documentações, licenças e permissões como a Ficha
de informações de segurança de produtos químicos (FISPQ), a Licença Especial de Trânsito de Produtos
Perigosos (LETPP) e o Certificado para o Transporte de Produtos Perigosos (CTPP). Vamos estudar cada um
desses documentos com maior aprofundamento.
a) Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ)
A Ficha de informações de segurança de produtos químicos é um documento obrigatório para o trans-
porte de produtos perigosos e nela estão contidas as informações sobre os diversos aspectos relacionados
ao produto químico que está sendo transportado, quanto a procedimentos de segurança física das pesso-
4 Controle do transporte e gestão de riscos
119

as envolvidas, da saúde e do meio ambiente. Para isso, devem ser elaboradas de acordo com as orientações
estabelecidas pela Norma técnica NBR 14725(ABNT NBR 14725-1:2009 - Versão Corrigida:2010, ABNT NBR
14725-2:2009- Versão Corrigida:2010 e ABNT NBR 14725-3), da ABNT.

Figura 81 -  Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ)


Fonte: CLARIANT, 2015.
GESTÃO DE TRANSPORTES
120

Para cada produto existe uma ficha técnica específica e detalhada, contendo informações importantes
para o seu transporte, acondicionamento e riscos que ofertam, como:
-- Identificação do produto;

-- Medidas de segurança;

-- Riscos ao fogo;

-- Propriedades físico-químicas;

-- Informações eco toxicológicas;

-- Dados gerais.

Essas informações auxiliarão no manuseio adequado dos produtos em seus processos de transporte
e armazenagem, além de auxiliar na tomada das medidas de segurança cabíveis, na ocorrência de algum
acidente.
b) Licença Especial de Trânsito de Produtos Perigosos (LETPP)
A Licença Especial para Transporte de produtos perigosos (LETPP), instituída pelo Decreto Municipal
da cidade de São Paulo n°50.446, de 20 de fevereiro de 2009, define limites para o transporte de produtos
perigosos nas vias públicas do município e as atribuições, obrigações, deveres e responsabilidades das
entidades e órgãos públicos envolvidos, na expedição, transporte e tratamento de emergências.

Figura 82 -  Transporte de produtos perigosos


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Para realizar o transporte de produtos perigosos na Cidade de São Paulo, o transportador deve estar
devidamente inscrito no Cadastro dos Transportadores de Produtos Perigosos (CTPP) e com veículos li-
cenciados pela LETPP. Essa licença é expedida junto à Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes/
4 Controle do transporte e gestão de riscos
121

Departamento de Operação do Sistema Viário (DSV), mediante a aprovação do Plano de Atendimento a


Emergências (PAE) na Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA).

c) Certificado para o Transporte de Produtos Perigosos (CTPP)


Considerando que os veículos e equipamentos rodoviários destinados ao transporte de produtos pe-
rigosos somente devem trafegar após a comprovação de atendimento às condições de segurança esta-
belecidas nas legislações de trânsito e ambientais vigentes, o Certificado para o Transporte de Produtos
Perigosos (CTPP) tem como objetivo atestar a adequação dos tanques de carga rodoviários, destinados ao
transporte de produtos perigosos, com foco na segurança.
Para assegurar a conformidade dos veículos e equipamentos envolvidos no transporte dos produtos
perigosos, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) ou entidade por ele acre-
ditada deve atestar o atendimento dos requisitos necessários à sua certificação.

Figura 83 -  Certificado para o Transporte de Produtos Perigosos (CTPP)


Fonte: INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, QUALIDADE E TECNOLOGIA, 2016.

Após a avaliação de conformidade dos recipientes de transporte, realizada pelo Inmetro, é emitido o
certificado que acompanhará o produto.
GESTÃO DE TRANSPORTES
122

Mas apenas a atenção aos tipos de produtos e a emissão de documentações obrigatórias não é suficien-
te para a execução de um serviço de excelência e seguro. É importante estabelecer ações que possibilitem
a redução dos riscos a que as cargas são expostas no processo de transporte.

4.2 Gerenciamento de risco

A Organização Internacional de Normalização define risco como todo o efeito de incerteza para o al-
cance de objetivos, ou seja, a possibilidade de ocorrência de um fato que influencie na conclusão de uma
tarefa ou resultado pretendido (ISO 9001, 2015). Assim, o gerenciamento de riscos no transporte de cargas
tem o intuito de garantir o atendimento ao cliente, dentro das condições preestabelecidas de prazo e in-
tegridade da carga.
O Gerenciamento de Risco no Transporte de Cargas é o processo de organização, controle e planeja-
mento de um conjunto de ferramentas que compõem as medidas preventivas a fim de minimizar os riscos
referentes à logística de produção e transporte de um negócio, garantindo que o produto esteja no local
desejado, dentro do prazo previsto e de acordo com a sua conformidade.

Figura 84 -  Riscos no transporte de cargas


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018; JUNDIAÍ AGORA, 2017; SINDICATO DAS SEGURADORAS DO RS, 2019.

As estratégias utilizadas para minimizar esses riscos são elaboradas através de um plano de Geren-
ciamento de Risco, que ao ser aplicado no estabelecimento será capaz de controlar todo o seu processo,
criando meios para evitar possíveis riscos que afetem ou gerem qualquer tipo de danos financeiros ou
morais.

4.2.1 Plano de Gerenciamento de Riscos

O Plano de Gerenciamento de riscos é um documento que expressa todas as estratégias que a empresa
pretende adotar para a prevenção contra riscos à carga, aos equipamentos e ao pessoal envolvido nas
rotinas de transporte de bens, produtos ou pessoal. Nele são descritas as soluções viáveis adotadas pela
empresa para minimizar a exposição da empresa ou do cliente a riscos. A apresentação de um PGR bem
estruturado, com soluções efetivas, possibilita a empresas terceiras dar maior garantia ao contratante da
segurança de seus serviços.
4 Controle do transporte e gestão de riscos
123

Figura 85 -  Segurança da carga


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

FIQUE Cada estratégia de prevenção a riscos adotada gera um custo adicional à empresa.
Para isso, devem-se aplicar soluções que estejam dentro da realidade da operação e
ALERTA em valores que não comprometam o valor de saída do produto.
GESTÃO DE TRANSPORTES
124

Aplicação

São vários os procedimentos e normas de aplicação de um PGR. Um exemplo básico dessas ações é a
definição de pontos de parada, abastecimento e pernoite que forneçam maior segurança, ou a adoção
de rotas definidas por vias que apresentam menor índice de ocorrência de sinistros. Existem hoje várias
soluções e tecnologias que podem ser aplicadas na gestão de riscos. Vejamos a seguir alguns recursos
utilizados:

Sistema avançado de rastreamento via GPS


Ferramenta de acompanhamento da viagem em tempo real
utilizando o georreferenciamento através de satélites.

Escolta armada, caso necessário


Serviço de acompanhamento do trajeto em veículo próprio, com
profissionais capacitados e a armados, a fim de realizar a
segurança da carga.

Monitoramento da frota através de câmeras embarcadas


O videomonitoramento embarcado faz a filmagem de toda a
operação através de câmeras embarcadas nos veículos, propor-
cionando maior controle e segurança da operação.

Sistema de Análise de Perfil de Pessoas (SAPP)


Sistema que permite realizar a análise do perfil do profissional,
condutores, ajudantes e demais envolvidos, com base nas suas
qualificações individuais, garantindo ao transportador maior
segurança na contratação de um profissional adequado para as
operações

Sistema de controle de jornada de motoristas


Solução automatizada para o controle da jornada de motoristas
de acordo com as exigências da Lei 12.619/2012.

Figura 86 -  Estratégias de segurança


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2018; VELTEC, 2017; INFORME SETCERGS, 2012.
4 Controle do transporte e gestão de riscos
125

A utilização de drones12 no vídeo monitoramento de veículos, junta-


mente com tecnologias como o registro de imagens com sensibilidade
CURIOSIDADES térmica, têm sido grandes aliados na gestão de riscos, possibilitando a
identificação prévia de fatores de riscos.

Além da implementação do plano de gerenciamento de riscos com soluções de segurança que previ-
nam à efetivação desses, a ocorrência de sinistros tais como, roubos, furtos, desvios de carga, podem aco-
meter o negócio. Sendo assim, é necessário adotar ações reativas, por meio da averiguação, que é a análise
do sinistro, o levantamento de informações, reconstituição da ocorrência e emissão de pareceres, a fim de
identificar a veracidade dos fatos, permitindo ao transportador conhecer os detalhes do sinistro, servindo
de respaldo para a tomada de decisões.

CASOS E RELATOS

Roubo de Carga no Rio de Janeiro


A segurança para operações de transporte é um fator relevante na escolha da forma como os produ-
tos de uma empresa serão transportados. Realizar o transporte dos produtos por regiões mais segu-
ras é um aspecto fundamental para o sucesso da operação. Dessa forma, definir rotas ágeis e evitar
locais com alta criminalidade são algumas das estratégias utilizadas na gestão adequada dos riscos.
Em 2017, o estado do Rio de Janeiro sofreu com o aumento significativo do roubo de cargas. Foram
10.599 casos registrados, o equivalente a um roubo a cada 50 minutos. A situação fez com que trans-
portadoras de cargas passassem a cobrar uma taxa extra para transportes com origem ou destino
na capital fluminense. A Taxa Emergencial Excepcional (Emex), que foi instituída em março de 2017,
elevou o preço de cada produto carregado em cerca de 1,5%.
Esses casos se concentram nas principais vias de acesso à cidade do Rio de Janeiro BR-040 – Rodovia
Washington Luís, BR-101 – Avenida Brasil, BR-101 – Rodovia Niterói-Manilha, BR-116 – Rodovia Pre-
sidente Dutra e BR-493 – Arco Metropolitano, vias que devem ser evitadas para maior segurança da
carga. O desvio de rotas ou aumento de estratégias de segurança, como escolta armada e sistemas
de rastreamento de carga, oneram ainda mais as operações de transporte, elevando o preço dos
produtos no mercado e impactando financeiramente as empresas.
(Fonte: FIRJAN, 2018).

12  Drones: tipo de veículo aéreo não tripulado.


GESTÃO DE TRANSPORTES
126

A partir da análise do caso apresentado, foi possível observar que a adoção de recursos de segurança
e de um plano de gestão de riscos bem estruturado permite à empresa maior tranquilidade, seja para a
gestão de sua frota própria ou na utilização de frota terceirizada.
Os procedimentos adotados fornecem maior segurança à carga, realizando o monitoramento e o acom-
panhamento contínuo das fases do processo, otimizando o gasto em segurança e eliminando custos com
eventuais problemas durante o transporte, danos à carga, acidentes, multas ambientais ou processos ju-
diciais.
Outro benefício trazido pela implementação de um plano de gerenciamento de riscos é a redução no
custo de seguros. A menor ocorrência de sinistros e a utilização de um plano bem estruturado dá maior
segurança às seguradoras, uma vez que a carga está menos propensa a riscos.

4.2.2 Seguros

O seguro compõe as estratégias da empresa para fornecer maior segurança ao transporte de cargas.
A contratação de um plano de seguro para operações de transporte, cargas, profissionais, bens e equipa-
mentos da empresa gera maior segurança financeira à empresa, reduzindo o impacto dos sinistros sobre
a atividade da empresa e seu ativo, além de fornecer segurança e credibilidade para o atendimento ao
cliente.
Um contrato de seguro é a contratação do serviço de garantias para um bem (vida, veículo, carga trans-
portada) no qual uma das partes, denominada de segurador, se obriga a indenizar prejuízos ocorridos,
dada a sua operação ou situação de risco a que seja exposto. A outra parte, chamada de segurado, possui o
direito à indenização, dada em ocorrência do sinistro, mediante o pagamento de um prêmio previamente
estabelecido por meio de contrato (CC, art. 757).

Figura 87 -  Sinistros
Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Nas operações de transporte, o seguro compreende a proteção de mercadorias e bens transportados


em viagens terrestres, aquaviárias ou aéreas, realizadas em percursos nacionais e internacionais. E para
que a contratação da cobertura de seguro seja estabelecida, é necessária a emissão de um documento
contratual, constituído pelos seguintes elementos: segurador, segurado, estipulante, beneficiário, riscos,
prêmio, sinistro, indenização, ressarcimento, importância segurada, franquia e apólice. Vejamos cada um
desses elementos.
4 Controle do transporte e gestão de riscos
127

Segurador

É a empresa que assume a responsabilidade dos riscos e paga a indenização ao segurado e aos seus
beneficiários, no caso da ocorrência do sinistro, mediante o pagamento de uma remuneração estipulada
em contrato, em contrapartida aos serviços oferecidos.

Segurado

O segurado é toda pessoa física ou jurídica que possua interesse econômico em um bem que esteja
exposto a riscos. Ele transfere à seguradora, após contratação do serviço e devido pagamento, o risco de
um determinado evento atingir o bem de seu interesse.

Estipulante

Os contratos de seguro também podem ser realizados de forma coletiva. Para atuar nessa modalidade,
é necessário que seja definido um representante legal, uma pessoa física ou jurídica que propõe a contra-
tação do plano coletivo e recebe poderes para representar o segurado.

Beneficiário

O beneficiário é a pessoa física ou jurídica definida pelo segurado para receber indenizações. De forma
geral, o segurado é o beneficiário principal do seguro. Em sua falta, o direito à indenização é transferido ao
beneficiário indicado na apólice.

Riscos

O objeto central de uma relação de seguro é o risco, que é a possibilidade de um evento futuro atingir
a um item de interesse econômico para o segurado, ou seja, eventos inesperados cuja ocorrência gere pre-
juízo econômico. Mas nem todo risco é considerado segurável, para que ele se enquadre como segurável
é necessário seja:
a) Possível: os riscos previstos em contrato devem ser possíveis, pois a impossibilidade de ocorrên-
cia configura um contrato sem objetivo;
b) Futuro: o risco ao objeto do seguro não pode ter ocorrência anterior ao contrato;
c) Incorreto: configura um fato aleatório e esteja previsto no contrato de seguro.
GESTÃO DE TRANSPORTES
128

Assim, os riscos podem ser classificados em excluídos e cobertos.


Os Riscos excluídos são danos em potencial que podem ocorrer ao objeto segurado que não estejam
relacionados como riscos cobertos na apólice de seguros. Embora seja lógico que aqueles riscos que não
foram citados no contrato não sejam cobertos pelo seguro, é importante destacá-los explicitamente,
buscando dar maior assertividade às cláusulas firmadas.
Os Riscos cobertos são os eventos previstos no seguro, que em caso de concretização dá origem à
indenização e/ou reembolso ao segurado.

Prêmio

O sentido da palavra prêmio conota benefício recebido, mas na relação contratual de seguros, ele é
todo o pagamento efetuado pelo segurado ao segurador para pactuar um serviço de seguro, ou seja, o
custo do seguro, que deve ser especificado em contrato e saldado de forma regular. Com o pagamento do
prêmio, o segurado adquire o direito à indenização estipulada em contrato.
O prêmio é estabelecido de acordo com a amplitude do contrato e os itens que serão incorporadas a
ele, como o prazo do seguro, o valor do item a ser segurado e o grau de risco a que é exposto, definindo
seu cálculo final.

FIQUE O não pagamento do prêmio implica em cancelamento automático do Contrato,


ALERTA não tendo o segurado direito sobre indenização na ocorrência de sinistro.

SINISTRO

O sinistro é a manifestação concreta do risco previsto no contrato de seguro e que ocasiona prejuízo ou
responsabilidade. Na etapa da Liquidação, é que se processa o pagamento da indenização, quando houver
cobertura de seguro na apólice. A frequência com que os sinistros ocorrem e os seus valores comparados
com o prêmio pago, indicam a sinistralidade de uma apólice.
4 Controle do transporte e gestão de riscos
129

Figura 88 -  Ocorrências de sinistros


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

INDENIZAÇÃO

A indenização é o pagamento feito pela seguradora aos seus beneficiários dos prejuízos decorrentes de
um sinistro. Consistem na reparação dos prejuízos decorrentes do sinistro, sendo observadas as condições
estabelecidas no Contrato de Seguro. A reparação pode ser realizada através de pagamento em dinheiro,
reembolso ou de reposição da coisa danificada (SENAI, [201-?]).
A indenização não pode ser superior à importância segurada e nem ao valor real dos prejuízos, ou seja,
é vedado, por lei, o segurado ter lucro com seguro. Essa característica indenitária não existe nos seguros
de pessoas, como nos seguros de vida, em virtude da não valoração da vida, sendo estabelecido o valor da
indenização previamente variando de contrato para contrato (SENAI, [201-?]).
Quando ocorre a morte do segurado, o pagamento efetuado pela seguradora ao beneficiário é igual à
importância segurada fixada na apólice. Esta, porém, não corresponde, necessariamente, ao prejuízo sofri-
do pelo beneficiário interessado economicamente na vida do segurado (SENAI, [201-?]).

RESSARCIMENTO

Ressarcimento é o reembolso a que a seguradora tem direito, no caso de uma indenização paga ao se-
gurado, consequência de evento danoso, provocado por alguém, ou seja, em uma ocorrência ocasionada
por um terceiro. Inicialmente, a responsabilidade dos prejuízos fica por conta da seguradora que paga o
montante em nome do segurado, mas em seguida a seguradora aciona o terceiro por meio de um proces-
so, solicitando o pagamento do valor do dano. A esse pagamento dá-se o nome de ressarcimento.

Importância Segurada

Corresponde ao valor estipulado no contrato de seguro para cobertura do bem segurado. Este valor
determina a indenização a ser recebida e é estabelecido por vários critérios diferentes, como valor do bem,
tipo de acordo, tipo de seguro.
GESTÃO DE TRANSPORTES
130

FRANQUIA

O termo franquia reflete a parcela da indenização que fica a cargo do segurado, isto é, quanto você tem
que pagar para ter direito ao recebimento da indenização. Desta forma, não é difícil entender que quanto
maior a franquia estabelecida no contrato, menor é o risco da seguradora, pois você está pagando uma
parte maior da indenização e, consequentemente, menor deve ser o valor do prêmio que você terá que
pagar.

Apólice

A apólice é o documento que contempla todas as informações pactuadas em um contrato de seguro.


Nela estão os dados da seguradora, do segurado, do objeto do contrato por ele segurado e as coberturas
contratadas.

APÓLICE
DE SEGURO

Figura 89 -  Contratação de apólice de seguro


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Compõem uma apólice de seguro: a Proposta de Seguro, as Condições Gerais e Particulares que iden-
tificam o risco, assim como as modificações que se produzam durante a vigência do seguro, realizadas
através de endossos13.

13  Endosso: em relações de seguro, o endosso é um documento expedido pela seguradora durante a vigência da apólice, que
tem como objetivo alterar, modificar ou transferir os dados do contrato firmado.
4 Controle do transporte e gestão de riscos
131

4.2.3 Modalidades de apólices: de veículos, de carga, de produtos

Em virtude dos riscos envolvidos nas operações de transporte, para a carga, para os profissionais envol-
vidos e para a comunidade do entorno envolvidas em seu trajeto, apoiar-se em seguros tornou-se essen-
cial à atividade. Para isso, a obrigatoriedade dos seguros a determinadas operações é imposta. As empre-
sas também recorrem à contratação de seguros adicionais, no intuito de proteger-se quanto a riscos que
não foram contemplados nos seguros obrigatórios.
Sendo assim, são implementados os seguros voltados à área de transportes. Além do DPVAT, que é
um seguro obrigatório cobrado no licenciamento do veículo, são utilizadas duas classes principais para
atividades de transporte, divididos em seguros de responsabilidade Civil, obrigatórios às operações no
Brasil, e os contratos de seguros de cobertura suplementar, contratados pela empresa vendedora ou pelo
comprador da carga no intuito de cobrir riscos não contemplados pelo seguro de responsabilidade civil.

Seguro de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de via Terrestre


(DPVAT)

O seguro DPVAT foi instituído pela Lei nº 6194/1974 e é um seguro obrigatório que deve ser pago por
todos os veículos automotores de via terrestre.

Figura 90 -  Seguro DPVAT


Fonte: GAZETA DO POVO, 2017.

Ele tem como objetivo indenizar todas as vítimas de acidentes, motoristas, passageiros e pedestres
envolvidos em acidentes, mesmo que o responsável pelo acidente não arque com suas responsabilidades.

Seguro de Transporte Nacional

Este é um seguro obrigatório para o dono da carga, que garante o pagamento de indenizações por da-
nos causados a todas as mercadorias de propriedade da empresa segurada em todo o território nacional,
seja em operações de transporte por veículos próprios ou de empresas contratadas.
GESTÃO DE TRANSPORTES
132

Nesse sentido, em consonância com o Decreto Nº 61.867/1967, as pessoas físicas ou jurídicas, de direito
público ou privado que utiliza o transporte de carga, são obrigadas a segurar os bens ou mercadorias de
sua propriedade, contra riscos inerentes aos transportes ferroviários, rodoviários, aéreos e hidroviários,
quando objeto de transporte no território nacional.

Seguros de Responsabilidade Civil do Transportador

Os seguros de responsabilidade civil possuem vários tipos, que garantem ao transportador o reembol-
so de indenizações que ele seja obrigado a pagar para reparar danos à sua carga ou terceiros envolvidos.
Vejamos os principais tipos destes seguros:
a) Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C)
O Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga (RCTR-C) é obrigatório para
o transportador rodoviário e deve ser contratado dada a emissão do conhecimento de transporte CT-e. Ele
garante ao transportador o reembolso de indenizações que ele foi obrigado a pagar por prejuízos causa-
dos às mercadorias transportadas.

Figura 91 -  Colisão em transporte rodoviário


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Ele pode ser aplicado aos casos de acidentes rodoviários como colisões, capotagens, abalroamentos,
tombamentos incêndios ou explosões que ocorram em todo o território nacional, desde que sejam apre-
sentados o conhecimento de transporte rodoviário e notas de embarque da carga.
b) Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga
(RCF-DC)
Responsabilidade Civil Facultativa do Transportador Rodoviário por Desaparecimento de Carga (RCF-
-DC) é o seguro que cobre riscos contra furto simples ou qualificado, roubo, extorsão, simples ou mediante
sequestro e apropriação indébita, decorrente ou não de estelionato ou falsidade ideológica das cargas
4 Controle do transporte e gestão de riscos
133

transportadas. Ele é útil quando ocorrem roubos por ameaça grave ou violência e também os chamados
desaparecimentos de carga, quando o veículo é levado pelos criminosos.
Não estão cobertos pelo seguro RCF-DC o veículo transportador, dinheiro em espécie, metais preciosos
e joias, documentos, recibos, contratos ou mercadorias não averbadas no Seguro Obrigatório de Respon-
sabilidade Civil do Transportador Rodoviário-Carga.
c) Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário em Viagem Internacional (RCT-VI)
O seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário em Viagem Internacional Danos à
Carga Transportada (RCT-VI) é contratado pelo transportador rodoviário de carga em viagens internacio-
nais. Ele tem por objetivo reembolsar ao Segurado em virtude das perdas ou danos sofridos pelos bens ou
mercadorias pertencentes a terceiros e que estejam sendo transportado por ele por rodovia em viagem
internacional, resguardando o contratante em sua responsabilidade com a carga transportada.
d) Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Aéreo (RCTA-C)
Responsabilidade Civil do Transportador Aéreo de Cargas (RCTA-C) é o seguro destinado às empresas
que possuem autorização do Departamento de Aviação Civil, para fazer transportes aéreos.

Figura 92 -  Transporte aéreo de carga


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Ele cobre danos causados às mercadorias de terceiros em transporte desde que estas perdas ou danos
sejam causados por culpa do transportador segurado (Resolução CNSP No 184/2008).
e) Seguros de Responsabilidade Civil Marítimo (SRCM)
O Seguro de responsabilidade Civil Marítimo tem o intuito de proteger a empresa operadora contra
danos e prejuízos que venham acometer as embarcações utilizadas no transporte marítimo, desde danos
físicos, financeiros a prejuízos gerados por responsabilidades previstas devido a mortes, doenças e danos
ambientais.
GESTÃO DE TRANSPORTES
134

Dentre os SRCM, eles podem ser contratados de acordo requisitos específicos a serem segurados, como
o Seguro de Casco, contratado para a cobertura de danos causados contra o veículo marítimo (casco). O
Seguro de P & I é utilizado para a Proteção e Indenização contra danos acidentais causados a terceiros pelo
navio.
f) Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Aquaviário – Carga (RCAC)
O Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Aquaviário – Carga – deve ser contratado por
empresas que realizam transporte de cargas utilizando as vias aquaviárias nacionais (mar, rios e lagoas).

Figura 93 -  Transporte aquaviário


Fonte: ANTAQ, 2019.

Esse seguro garante ao Segurado a indenização da carga entregue para transporte diretamente ao pro-
prietário dos bens ou mercadorias, em virtude de danos materiais sofridos em viagem aquaviária nacional.
g) Seguro de Responsabilidade Civil do Operador de Transporte Multimodal - Carga (RCOTM-C)
O Seguro de Responsabilidade Civil do Operador de Transporte Multimodal tem por finalidade garantir
ao Segurado a cobertura quanto a perdas e/ou os danos ocasionados aos bens e mercadorias transporta-
dos, que estejam descritas no Conhecimento de Transporte Multimodal de Cargas, enquanto estes estive-
rem sob a sua guarda ou responsabilidade SUSEP, 2011).
É importante lembrar que este seguro não substitui os seguros de responsabilidade civil de
transportadores terceiros contratados pelo operador.

Risco rodoviário (RR)

O Risco Rodoviário é mais um tipo de seguro, destinado a bens e mercadorias durante o seu transporte.
Ele possui caráter obrigatório e é contratado pelo embarcador das mercadorias transportadas em veículos
próprios e/ou em poder de terceiros, dentro do Brasil, por via terrestre, aquaviária ou aérea.
4 Controle do transporte e gestão de riscos
135

Ele é um seguro adicional, que cobre incidentes como colisões, roubos por assalto à mão armada, in-
cêndio e explosão no veículo.

4.2.4 Procedimentos de sinistros: registro da ocorrência, acompanhamento da


ocorrência

Toda operação de transporte está rodeada de riscos e imprevistos, por isso contar com um bom seguro
é uma tarefa estratégica para a gestão de transportes, pois fornece maior segurança à atividade, dando ao
cliente maior sensação de credibilidade e proteção ao prestador de serviço. Embora o objetivo das empre-
sas seja realizar o transporte dos bens sem percalços, imprevistos são inevitáveis e estar preparado para
tratar essas situações é essencial para o profissional que atua nesse setor, orientando-o a tratar de mateira
efetiva a ocorrência de sinistros.

Figura 94 -  Procedimentos de sinistro


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

De forma geral, na ocorrência de situações de sinistros, deve-se adotar as seguintes recomendações:


a) Nos casos de sinistros, fatos inesperados como roubos, acidentes ou outros, que ocorram com os
bens segurados, a autoridade policial mais próxima deve ser procurada para registro de ocorrên-
cia e emissão do Boletim de Ocorrência (BO);
GESTÃO DE TRANSPORTES
136

Figura 95 -  Polícia Rodoviária Federal do Brasil


Fonte: A POLÍCIA..., 2018.

b) Entre em contato o mais rápido possível com a seguradora para solicitar assistência, caso neces-
sário, e avisar sobre o sinistro;
c) Mesmo que a carga não possa mais ser aproveitada, você deve proteger a mercadoria e qualquer
outro bem que ainda esteja ao seu alcance. É importante também preservar o local da ocorrência,
buscando preservar todos os vestígios do ocorrido para investigação da seguradora;
d) Após os procedimentos emergenciais, o transportador ou responsável deve comunicar à segu-
radora por telefone, e-mail, site da empresa ou pessoalmente, como estabelecido pela empresa,
informando os dados do seguro e fornecendo os documentos e informações necessários para a
confirmação do sinistro.
-- Documentos solicitados ao cliente para a entrada do seguro:

-- Boletim de Ocorrência;

-- Declaração manuscrita do motorista sobre a ocorrência;

-- Número da Averbação;

-- Conhecimento de Transporte;

-- Nota Fiscal da Mercadoria;

-- Manifesto de Carga;

-- Documentos do veículo;

-- Documentos do motorista;

-- Demonstrativo de prejuízos;
4 Controle do transporte e gestão de riscos
137

-- Laudo do Departamento de Controle de Qualidade sobre as causas e consequências dos da-


nos e motivos de eventual rejeição do lote;
-- Fotos da Ocorrência / mercadorias avariadas.

FIQUE É de extrema importância estar atento aos procedimentos e obrigatoriedades esta-


belecidos em contrato para a validação do sinistro, pois qualquer divergência pode
ALERTA acarretar na invalidação do processo e no não pagamento da indenização.

Após realizar todos os procedimentos necessários para dar entrada à ocorrência de um sinistro, o con-
tratante do seguro poderá realizar o acompanhamento dos trâmites para indenização. A seguradora for-
necerá ao segurado um número de ocorrência de sinistro e, por esse código, o cliente poderá acompanhar
todos os trâmites até a liberação de sua indenização.
O controle de requisitos de segurança proporciona maior efetividade na gestão dos sistemas de entre-
gas adotados pelas empresas, garantindo assim a qualidade no atendimento, o balanceamento dos custos
e a satisfação do cliente.
GESTÃO DE TRANSPORTES
138

RECAPITULANDO

Neste capítulo, pudemos tratar sobre algumas noções básicas de controle nos processos de trans-
porte. Foram apresentados os diversos tipos de cargas que são transportadas pelo sistema logístico,
Geral, Seca, Viva, Granel, Neogranel, Frigorificada, Frágil ou Perigosa, onde cada um deles apresenta
características e cuidados específicos para que sejam levados de um ponto a outro de forma integra
e segura.
Em específico, para o transporte produtos perigosos, algumas documentações e licenças devem ser
emitidas, assegurando o atendimento a requisitos de segurança que visam preservar a integridade
dos produtos, e principalmente das pessoas envolvidas na operação e das comunidades do entorno
por onde trafegam.
É evidente que toda a carga deve ser entregue de forma integra, rápida e segura. Nesse sentido,
estabelecer um plano de gestão contra possíveis riscos e contratação dos seguros específicos às
características da carga é fundamental para que se possa garantir a qualidade no nível do serviço
logístico.
4 Controle do transporte e gestão de riscos
139
Legislação para o transporte de cargas

Neste capítulo, iremos tratar sobre as legislações aplicadas às atividades de transporte, co-
nhecendo um pouco sobre as normas que regulamentam as operações, certificações e orien-
tações gerais de como o profissional e a empresa devem tratar a carga em sua movimentação
e transporte.
Para melhor tratar o conteúdo, serão apresentadas normas específicas para o transporte de
bens e mercadorias, destacando a função e importância de cada uma na realização de ativida-
des rotineiras do dia a dia logístico.
GESTÃO DE TRANSPORTES
142

5.1 Legislação para o transporte de cargas

Para realizar o transporte de carga, é importante compreendermos as exigências legais relacionadas a


todos os processos que compõem essa operação, desde o manuseio, à movimentação interna, à acomoda-
ção da carga e seu devido transporte até o local de destino. A atenção a essas leis e normas contribui para
a maior segurança na execução das atividades, para a maior satisfação do cliente, dando credibilidade à
empresa.

TRANSPORTE
DE CARGAS
FIQUE ATENTO
À LEGISLAÇÃO

Figura 96 -  Atenção à legislação


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Essas leis são formuladas pelo poder legislativo, que instituem autarquias14, vinculadas ao Ministério
dos Transportes, que são responsáveis por regulamentar e fiscalizar todas as atividades de transporte rea-
lizadas no país, ficando subdivididas de acordo tipo de modal.
a) A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é a responsável pela regulamentação das
atividades de transporte que utilizam a infraestrutura rodoviária e ferroviária federal, atividades
de prestação de serviços de transporte terrestre e dutovias (CONTRAN, 2018);
b) A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) regula e fiscaliza as atividades da aviação civil e a
infraestrutura aeronáutica e aeroportuária no Brasil. (ANAC, 2018);
c) A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) é responsável por regular, supervisionar
e fiscalizar as atividades de prestação de serviços de transporte aquaviário e de exploração da
infraestrutura portuária e aquaviária. (ANTAQ, 2006).

É importante seguir as determinações dos órgãos competentes a fim de evitar penalizações, promoven-
do um transporte de qualidade. O não cumprimento de qualquer uma das leis e resoluções pode ocasionar
multa ou suspensão dos serviços, gerando atrasos e transtornos no atendimento às demandas e, assim,
afetando negativamente a imagem da empresa.

14  Autarquias: instituições com poder autocrático sobre a nação.


5 Legislação para o transporte de cargas
143

CASOS E RELATOS

Vazamento de óleo na Baía de Guanabara


Em 18 de janeiro de 2000, ocorreu um dos mais graves acidentes envolvendo o transporte de pro-
dutos perigosos no Brasil, um vazamento de óleo de grandes proporções na Baía de Guanabara, na
cidade do Rio de Janeiro que causou a contaminação da água e de grande parte do ecossistema de
mangues no entorno. O acidente se deu em ocorrência do rompimento de um duto que ligava a Re-
finaria Duque de Caxias (Reduc) ao terminal Ilha d’Água, na Ilha do Governador. O seu rompimento
provocou um vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo combustível nas águas da baía. A mancha
se espalhou por 40km².

Figura 97 -  Impactos dos produtos perigosos à natureza


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

O episódio entrou para a história como um dos maiores acidentes ambientais ocorridos no Brasil.
Esse acidente afetou milhares de famílias que viviam da pesca e de atividades ligadas ao pescado
naquela região, além de causar contaminação do solo em vários municípios e a morte da fauna
local. Em decorrência dos impactos causados pelo acidente, a Petrobrás pagou uma multa de R$
35 milhões ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e
destinou outros R$ 15 milhões para a revitalização da baía.
Os acidentes envolvendo o transporte de produtos perigosos provocam impactos não só à saúde
humana, deixando feridos, mortos, propiciando doenças e afetando até as gerações futuras, mas
também grandes impactos ambientais imediatos e a longo prazo. Além disso, as ocorrências des-
ses acidentes geralmente estão atreladas a não observância de princípios básicos de manutenção,
GESTÃO DE TRANSPORTES
144

desconhecimento das características dos produtos químicos manuseados, falta de manutenção de


equipamentos, de sinalização e de treinamentos específicos.
Para isso, o governo busca criar mecanismos, por meio de leis e normas regulamentadoras, que têm
como objetivo estabelecer critérios de execução das atividades, tornando-as mais seguras e evitan-
do novas ocorrências.
(Fonte: ORTIZ, 2014).

As políticas são desenvolvidas no âmbito do poder legislativo do país e implementadas pelas autar-
quias e órgãos responsáveis pela padronização do transporte no Brasil, por meio de resoluções, portarias
e normas. Dentre as principais legislações adotas no transporte de carga, adotam-se as normas - NR 11,
NR 16, NR 26, SASSMAQ, MOPP, Cargas Indivisíveis, Amarração de carga e certificações específicas para as
operações de transporte. Vamos estudar cada uma delas e aprofundar nossos conhecimentos.

5.1.1 NR 11

A Norma Regulamentadora 11 define e orienta empresas e profissionais envolvidos nos procedimentos


de transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais, quanto a procedimentos de segu-
rança necessárias para a sua operação.
Em seu texto, essa norma regulamenta os procedimentos de movimentação e armazenagem de mate-
riais, estabelecendo padrões de acordo suas seções de aplicação:
a) Normas de segurança para operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e
máquinas transportadoras;
b) Normas de segurança do trabalho em atividades de transporte de sacas;
c) Armazenamento de materiais;
d) Movimentação, armazenagem e manuseio de chapas de mármore, granito e outras rochas.

Figura 98 -  Situações de movimentação de carga


Fonte: SENAI DR BA, 2019.
5 Legislação para o transporte de cargas
145

A NR 11 define os princípios fundamentais e as medidas de proteção necessárias para preservar a saúde


e a integridade física dos trabalhadores, estabelecendo requisitos mínimos para a prevenção de acidentes
e doenças do trabalho no comércio e na indústria. Agora, vejamos a norma regulamentadora NR 16.

5.1.2 NR 16

A Norma Regulamentadora 16 orienta quanto à execução de atividades e operações perigosas, ou seja,


aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem em risco acentuado ao trabalhador,
em virtude de sua exposição a inflamáveis, explosivos, energia elétrica ou a situações de roubos e outras
espécies de violência física decorrente de sua atividade profissional.
São consideradas atividades ou operações perigosas:
a) O armazenamento de explosivos;
b) O transporte de explosivos;
c) A operação de escorva15 dos cartuchos de explosivos;
d) A operação de carregamento de explosivos;
e) A detonação;
f) A verificação de denotações falhadas;
g) A queima e destruição de explosivos deteriorados;
h) As operações de manuseio de explosivos.

Dessa forma, a norma define os procedimentos adequados a serem adotados nessas atividades, os li-
mites e estruturas dos equipamentos usados no exercício delas, além das medidas legais cabíveis pela
execução das atividades em condições de periculosidade.

15  Escorva: conector de explosivos tipo detonador.


GESTÃO DE TRANSPORTES
146

Figura 99 -  Riscos nas atividades de transportes


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

A norma prevê que o exercício de trabalho em condições de periculosidade assegura ao trabalhador o


recebimento de um valor adicional a seu salário, uma compensação financeira instituída por lei, que busca
ressarcir o profissional sobre os riscos a que fora exposto. Esse adicional de 30% (trinta por cento), incide
sobre o salário, sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participação nos lucros da em-
presa. É importante lembrar que o adicional de periculosidade e de Insalubridade não são cumulativos, por
isso o profissional deve optar por aquele que o seja mais vantajoso economicamente.
Embora existam algumas semelhanças no conceito de periculosidade e o de insalubridade (NR-15),
quanto à exposição do profissional a riscos, eles não são semelhantes. A periculosidade se refere aos
riscos imediatos ao quais um trabalhador possa ser exposto, colocando sua segurança e integridade física
em risco; já a insalubridade faz referência a situações que colocam em risco a saúde do trabalhador a
médio e longo prazo, tirando ou diminuindo sua possibilidade de ter uma vida saudável após terminar
sua vida laboral, em função do seu trabalho. Sendo assim, a NR 16 define as atividades que apresentam
periculosidade e seus limites de exposição. Estudaremos a partir daqui a NR 26, que padroniza a sinalização
de segurança.

5.1.3 NR 26

A norma regulamentadora 26 padroniza a sinalização de segurança utilizadas nas empresas, em suas


áreas de produção, ambientes de armazenagens, áreas comuns e equipamentos de transporte.
Nesse sistema, a utilização de cores como indicativo busca facilitar a visualização dos riscos eminentes
na atividade profissional. Nesse sentido, a norma estabelece cores de segurança, utilizadas nos locais de
trabalho no intuito de indicar, advertir e orientar sobre os riscos existentes. Observe alguns exemplos de
sinalização, identificadas por cores, a seguir.
5 Legislação para o transporte de cargas
147

VERMELHO ALARANJADO AMARELO VERDE

Equipamentos de Indica partes móveis Usada para identificar Indica “segurança”. Ïdentifica
proteção e combagte de máquinas e avisos de advertência caixa de equipamentos e
a incêndio equipamentos primeiros socorros, locais de
evacuação
AZUL PÚRPURA PRETO

LIXO RECICLÁVEL

ATENÇÃO RESÍDUOS
RADIAÇÃO RADIOATIVOS

É a cor empregada para Indica locais onde foram Indica passadiços e Indica coletores de
indicar ação obrigatória, enterrados o material corredores de circulação resíduos, exeto de
como a determinação do especificado ou por meio de faixas e serviços da área de
saúde
uso de EPI’s armazenamento sinalizações
radioativo
Figura 100 -  Cores para sinalização de segurança
Fonte: SENAI DR BA, 2018.

Além disso, a norma regulamenta os requisitos necessários para identificação do produto perigoso. De-
finindo que todo produto químico utilizado no local de trabalho, deve ser devidamente identificado pela
rotulagem preventiva16, com a classificação quanto aos perigos para a segurança e a saúde dos trabalha-
dores, de acordo com os critérios estabelecidos pelo Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e
Rotulagem de Produtos Químicos (GHS), da Organização das Nações Unidas (ONU).

5.1.4 Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade


(SASSMAQ)

Lançado pela Associação Brasileira de Indústrias Químicas (ABIQUIM) em 2001, o SASSMAQ é um Siste-
ma de Avaliação do desempenho das empresas nas áreas Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Qualidade
na prestação de serviços à indústria química, e abrange todos os modais de transporte, bem como Termi-
nais de Armazenagem e Estações de Limpeza (ABIQUIM, 2012).

16  Rotulagem preventiva: conjunto de elementos com informações escritas, impressas ou gráficas, relativas a um produto
químico, que deve ser afixada, impressa ou anexada à embalagem que contém o produto (ABNT – NR 26).
GESTÃO DE TRANSPORTES
148

FIQUE A implantação do SASSMAQ não é obrigatória, porém a sua aplicação gera um


grande diferencial para as empresas certificadas, comprovando a qualidade dos ser-
ALERTA viços logísticos ofertados.

E M P R E S A A P R O VA D A

SASSMAQ Sistema de Avaliação de


Segurança, Saúde
Meio Ambiente e
Qualidade

Figura 101 -  Selo de certificação SASSMAQ


Fonte: ABIQUIM, 2012.

Este sistema avalia as instalações, equipamentos e serviços oferecidos pela empresa, verificando o aten-
dimento aos elementos básicos exigidos pela ABIQUIM. Essas avaliações são realizadas por organismos
certificadores, empresas privadas e independentes, credenciadas pela Abquim e integrantes do Sistema
Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (SINMETRO) (ABIQUIM, 2012).

SAIBA Entenda um pouco mais sobre a aplicação do SASSMAQ em uma empresa disponível
MAIS no Portal Conhecimento Geral/SASSMAQ (Definições, fotos e vídeos).

Nesse sentido, o principal objetivo do SASSMAQ é reduzir os riscos envolvidos nas operações de trans-
porte e distribuição de produtos químicos, através de uma avaliação dos sistemas de gestão ambiental,
saúde e segurança das operações logísticas (ABIQUIM, 2012).

5.1.5 Movimentação de produtos perigosos (MOPP)

É evidente a responsabilidade do motorista no transporte de uma carga perigosa, por isso isso ele deve
estar apto para atuar de forma segura a execução de suas operações. E para que o transporte de produtos
perigosos seja realizado de forma segura, contribuindo para proteção de todos os envolvidos durante o
trajeto, os órgãos regulamentadores do trânsito adotam medidas e cercam as operações de movimenta-
5 Legislação para o transporte de cargas
149

ção e transporte, desses tipos de produtos, com exigências e orientações que buscam torná-las cada vez
mais seguras.
Por meio da Resolução nº 168, de 14 de dezembro de 2004, do Conselho Nacional de Trânsito (CON-
TRAN), foi instituída a legislação específica que estabelece Normas e Procedimentos para a formação de
condutores de veículos automotores e elétricos, para a realização dos exames, a expedição de documentos
de habilitação, os cursos de formação, especializados e de reciclagem, dentre outras providências.

Figura 102 -  Operações de movimentação de produtos perigosos


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Assim, de acordo a Resolução n° 168/2004, do CONTRAN, para que o condutor de veículos esteja autori-
zado a realizar a movimentação de produtos perigosos, é obrigatória a realização do curso específico para
formação ou reciclagem. Após a conclusão do curso de MOPP e sua devida certificação, essa informação é
inserida à carteira Nacional de Habilitação do condutor.

FIQUE O Curso de MOPP tem validade de 5 anos, sendo necessário ficar atento à realização
ALERTA da reciclagem periódica.

O objetivo principal do curso MOPP é proporcionar ao condutor condições para a operar o veículo em
segurança, preservando a sua integridade física, a da carga, do veículo e do meio ambiente, estando apto
a prestar os primeiros socorros no atendimento à ocorrência de qualquer acidente.
Para isso, ele instruirá o condutor quanto à legislação de trânsito, legislação específica de MOPP e mo-
vimentação de cargas perigosas, além do conhecimento das classes de produtos perigosos, direção de-
fensiva, noções básicas de primeiros socorros, respeito ao meio ambiente e prevenção a incêndio, for-
GESTÃO DE TRANSPORTES
150

necendo elementos que o tornem capaz de aplicar os preceitos de segurança e adotar comportamentos
preventivos na execução de suas atividades. Vimos até aqui, importantes normas e a legislação pertinente
à gestão de transportes. Vamos avançar em nossos estudos e conhecer ainda a legislação específica para o
transporte de cargas indivisíveis.

5.1.6 Cargas Indivisíveis

No Transporte de cargas indivisíveis ou de grande volume, o Departamento Nacional de Infraestrutura


de Trânsito (DNIT), define na Resolução nº 01/2016, algumas normas e orientações para o transporte desse
tipo de carga em rodovias nacionais.
De acordo a Resolução nº 01/2016 do DNIT, uma carga indivisível é aquela com peso e/ou dimensões
que excedem os limites regulamentares, podendo colocar em risco a operação, os envolvidos no traje-
to, além da própria carga (BRASIL, 2016). Nesse contexto, são definidos os padrões necessários para essa
operação, estabelecendo o veículo que mais se adeque à capacidade de carga, dimensões, estruturas de
transporte, suspensão e direções apropriadas.

A pá eólica, usada para montagem de estruturas de captação de energia


eólica, durante o seu transporte precisa de um veículo diferente, pois
CURIOSIDADES ao realizar uma curva fechada a pá eólica pode facilmente avançar pelo
acostamento ou até mesmo colidir com árvores próximas à pista, devido
ao seu tamanho.

Vejamos o exemplo da construção de um parque eólico. Sua estrutura é composta por turbinas, rotores
e peças de grande porte, que devem ser movimentadas e transportadas de forma íntegra. Para isso, requer
o uso de caminhões de grande porte e do atendimento a normas de transporte durante o seu trajeto, atra-
vés da sinalização e da utilização de carros batedores17.

17  Carros batedores: são veículos utilizados para escolta e sinalização no tráfego de produtos e matérias especiais, devem ser
sinalizados e munidos de materiais de segurança.
5 Legislação para o transporte de cargas
151

Figura 103 -  Transporte de carga indivisível


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Alguns outros exemplos de cargas indivisíveis são máquinas, equipamentos, peças, pás eólicas, vagões,
transformadores, reatores, guindastes, máquinas de uso industrial, na construção e máquinas agrícolas,
estruturas metálicas, silos18, obras de artes especiais, entre outros.

Os limites de dimensões e pesos para os veículos que transitam por vias terrestres
FIQUE são: largura máxima 2,60 m, altura máxima 4,40 m e o comprimento de até 19,80 m
ALERTA para veículos articulados com mais de duas unidades.
Fonte: Resolução nº 210/2006, CONTRAN (Conselho Nacional de Trânsito).

Para realização do transporte da carga de forma adequada, é importante seguir as recomendações


apresentadas nas seções da Resolução n° 01/2016 – DNIT. Elas regulamentam inicialmente sobre os veí-
culos, equipamentos utilizados no transporte do produto indivisível, definindo suas capacidades e limites,
assim como sobre as sinalizações utilizadas nos veículos ou combinações que fazem o seu transporte. Es-
tabelece também procedimentos operacionais para realização do trabalho e permissões específicas para
o trato desses produtos.

5.1.7 Amarração de cargas

A Resolução n° 552, de 2015, que foi alterada pela Resolução nº 676, de 2017, define as orientações nor-
mativas que fixam requisitos mínimos de segurança para a amarração de cargas em transporte. Algumas
das atividades que a restringem são a utilização de cordas na amarração das cargas e a utilização de pontos
de apoio em peças de madeira, sendo expressamente proibida.

18  Silos: estrutura utilizada para armazenar produtos após colheita, como soja, trigo, arroz, etc.
GESTÃO DE TRANSPORTES
152

Figura 104 -  Amarração de carga


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

No transporte de carga, as cordas só podem ser utilizadas para a fixação de lonas, quando necessário.
A resolução exige ainda que sejam utilizadas cintas, correntes e cabos de aço que resistam a, no mínimo,
duas vezes o peso da carga. E instrui também quanto aos procedimentos de fixação da carga, como de-
monstrado a seguir.

Figura 105 -  Amarração correta de cargas


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

A figura anterior mostra a forma correta e errada de amarração de cargas com visão lateral e de fundo
do veículo, utilizando equipamentos de acordo com a Resolução nº676/2017.
5 Legislação para o transporte de cargas
153

A alteração proposta pela Resolução nº 676/2017 ainda insere às suas recomendações, a obrigatorieda-
de de chassis e travessas metálicas em carrocerias de madeira, obrigatórios aos veículos produzidos a partir
de 2017 e determinando adequações para aqueles em circulação, produzidos anterior a lei.

5.1.8 Certificações (renovações)

As certificações são mecanismos de controle das atividades e dos produtos que são transportados em
todo o sistema logístico. São documentos legais que devem ser emitidos para atuação no setor de trans-
portes, fundamentais para o transporte de cargas seguro e para a validação de produtos e serviços, seja no
transporte de cargas nacionais, internacionais, de produtos perigosos, especiais, controladas pela Anvisa
ou fracionadas. Sua utilização assegura que todos os requisitos e exigências estabelecidos pelos órgãos
reguladores estejam sendo cumpridos, comprovando também a excelência no serviço de prestação de
serviços nas operações logísticas.
Assim, são apresentados a seguir os principais certificados utilizados para o transporte de carga no Brasil:

LETPP/SVMA - Licença Especial para o Transporte Anvisa -Certificados da Agência Nacional de Vigilância
de Produtos Perigosos (LETPP) é obrigatória para as Sanitária (Anvisa)/Ministério da Saúde para armazenar,
empresas que transportam produtos perigosos, expedir e transportar saneantes, insumos farmacêuticos,
independente da quantidade, por qualquer via medicamentos, cosméticos, perfumes, produtos de higiene e
municipal de São Paulo. correlatos.

Certificado de Registro Exército - Certificado de Registro Polícia Federal - Certificado de registro cadastral e
registro no Ministério da Defesa/Exército Brasileiro licença de funcionamento para transporte rodoviário de
para transporte de produtos químicos de acordo carga intermunicipal, interestadual e internacional.
com artigo 91 do regulamento (R-105).

SASSMAQ - Sistema de Avaliação de Saúde, O ISO 9001 é um certificado que assegura a gestão eficiente
Segurança, Meio Ambiente e Qualidade é a dos processos e a qualidade na prestação de serviço, ele
E M P R E S A A P R O VA D A

SASSMAQ Sistema de Avaliação de


Segurança, Saúde
Meio Ambiente e
Qualidade certificação que garante o atendimento das garante a padronização do serviço, buscando o alto nível de
normas dos órgãos reguladores para o transporte satisfação do cliente.
de produtos químicos e perigosos.

AATPP/IBAMA - Autorização Ambiental para TPP/Fatma - A Fundação do Meio Ambiente (Fatma/SC)


Transporte de Produtos Perigosos, documento estabelece critérios para apresentação de planos, programas
emitido pelo Instituto Brasileiro do Meio e projetos ambientais para o Transporte de Produtos
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Perigosos (TPP), incluindo gerenciamento de resíduos
(IBAMA) é obrigatório desde 10 de junho 2012 líquidos, tratamento e disposição de resíduos sólidos e outros
para empresas que exercem a atividade de passivos ambientais.
transporte interestadual de produtos perigosos
nos modais rodoviário, ferroviário e aquaviário.

Figura 106 -  Cerificados e licenças


Fonte: SENAI DR BA, 2018.
GESTÃO DE TRANSPORTES
154

Todas essas certificações e licenças são fundamentais ao serviço logístico, pois elas auxiliam o cliente a
identificar a qualidade e o atendimento de requisitos legais exigidos, tornando-os aptos a realizar o trans-
porte de forma eficiente e segura.
É importante lembrar que a não obtenção desses certificados ou a ausência da apresentação em uma
fiscalização podem gerar a retenção da carga e a incidência de multas e, além disso, o atraso na entrega e
rupturas de estoque. Para isso, é importante que o operador logístico esteja atento aos prazos de validade
e renovações necessárias a esses certificados.
De uma forma geral, respeitar as legislações estabelecidas pelo Estado, por meio de seus órgãos regu-
ladores, faz com as empresas se profissionalizem em suas atividades e ofertem serviços de qualidade, mas,
além disso, a aplicação de leis e normas nas operações de transporte busca dar maior segurança às opera-
ções, protegendo os profissionais envolvidos, à comunidade e o meio ambiente.
5 Legislação para o transporte de cargas
155

CASOS E RELATOS

Neste capítulo foi possível entender sobre a aplicação dos requisitos legais na atividade de transpor-
te de carga. Para realizar o transporte de carga de forma adequada, é importante compreendermos
as exigências legais relacionadas aos processos que compõem as operações de transporte, desde
o manuseio, movimentação interna, acomodação da carga e a sua entrega em seu destino final. O
atendimento a essas leis e normas, contribui para a maior segurança na execução das atividades,
para a maior satisfação do cliente, dando credibilidade à empresa.
Entre as principais legislações adotas no transporte de carga destacam-se neste capítulo as normas
regulamentadoras, NR 11, NR 16, NR 26, que estabelecem requisitos de segurança para as operações
de movimentação, armazenagem e transporte de carga. Além disso, vimos as documentações e cer-
tificações específicas para as operações de transporte SASSMAQ, MOPP, Cargas Indivisíveis, Amarra-
ção de carga e outras certificações.
Conhecer a legislação para o transporte permite ao profissional da logística estar atento à forma
adequada de execução do serviço, contribuindo para a maior segurança e proteção dos profissionais
envolvidos na operação, assim como os demais cidadãos, comunidade e o meio ambiente.
Tecnologia da informação aplicada
à gestão de transportes

Uma tecnologia é qualquer avanço desenvolvido em produtos ou processos que vise for-
necer maior produtividade e utilidade à sua função. A gestão de transportes vem utilizando
várias tecnologias, a fim de tornar as suas operações mais produtivas se seguras, desde simples
sistemas de controle de entradas e saídas, a avançadas Tecnologias da Informação (TI).
As tecnologias da informação são grandes aliadas ao desenvolvimento das atividades co-
tidianas da logística. Elas fazem parte de um grupo se soluções computacionais (computa-
dores, softwares, aplicativos, rastreadores, dentre outras) que fornecem maior dinamicidade
as atividades de uma empresa, permitindo a fácil geração, transmissão e armazenamento de
informações.

Figura 107 -  Tecnologias da informação e transportes


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Assim, é fundamental apoiar-se em tecnologias avançadas para o acompanhamento e con-


trole de suas informações, permitindo uma gestão eficiente dos recursos disponíveis para o
transporte. Com o avanço das TIs, a disponibilidade de dados, cada vez mais próximos da rea-
lidade, possibilitam a tomada de decisões mais assertivas e estratégicas.
GESTÃO DE TRANSPORTES
158

Com o volume de informações passiveis de serem controladas nas operações de transporte, faz-se ne-
cessário a utilização de uma base de dados mais complexa e integrada, função que é atendida pelo TMS
ou Sistema de Gerenciamento de Transportes, um software, que controla as rotinas operacionais de trans-
porte.

6.1 TECNOLOGIAS NO TRANSPORTE

É cada vez mais comum que as empresas busquem por tecnologias para comunicação, transmissão
e integração móvel de dados, monitoramento e rastreamento de veículos via satélite e soluções para
gerenciamento logístico e de risco, pois a adesão a recursos tecnológicos é comprovadamente benéfica à
saúde financeira da empresa e à qualidade no atendimento dos clientes, ofertando serviços mais ágeis e
assim respeitando os critérios de prazo e integridade do produto (CAVANHA FILHO, 2001).
A cada dia, softwares, aplicativos, dispositivos e outros mecanismos são lançados no mercado a fim
de fornecer soluções que tornem a logística de transporte cada vez mais eficiente. Inovar na forma como
produtos e serviços são ofertados e em estratégias de melhoria nos processos são práticas essenciais para
otimizar a gestão de suprimentos e a produtividade de uma empresa.

Figura 108 -  Tecnologias aplicadas à gestão de transportes


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

As tecnologias modernas auxiliam aos profissionais da logística e gestores a ter maior visibilidade e
controle do fluxo de atividades. Elas simplificam procedimentos, que podem ser feitos com mais eficiência
e agilidade, reduzem os custos operacionais e geram informações de qualidade para o processo decisório.
Assim, utilizar desses recursos permite a melhor gestão do transporte de cargas, realizando uma distri-
buição mais previsível, estável e eficaz. As empresas que buscam melhorar a qualidade dos seus serviços
e elevar o nível de satisfação do cliente devem estar atentas a essas ferramentas digitais, incorporando as
em suas rotinas diárias.
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
159

A Cargox (2017) apresenta algumas das principais tecnologias utilizadas na logística de transporte. Ve-
jamos a seguir, tecnologias como os sistemas computadorizados de monitoramento e rastreabilidade de
carga, o identificador por radiofrequência, a geolocalização, a comunicação através das redes sociais e os
softwares.

SISTEMAS COMPUTADORIZADOS DE MONITORAMENTO E RASTREABILIDADE DE CARGA

Softwares voltados para o controle e a rastreabilidade de cargas, realizados a partir do código de bar-
ras, permite acompanhar as entradas, saídas e movimentações das mercadorias por toda cadeia de supri-
mentos, desde operações internas à distribuição dos produtos externamente, agrupa informações como
identificação do produto, informação de origem, destino, permitindo acompanhar o fluxo de materiais e
controlar a qualidade das atividades realizadas. Com esses sistemas, o gestor consegue reduzir significati-
vamente os erros de envio e problemas com atrasos. Além de organizar os dados sobre o estoque, monito-
rando e gerenciando todo tipo de informação sobre as cargas.

IDENTIFICADOR POR RADIOFREQUÊNCIA

A identificação por radiofrequência (Radio Frequency Identification - RFID) é uma tecnologia na qual um
chip é afixado a cada produto, que permite que o item seja encontrado em qualquer local, em tempo real,
estando ele no estoque ou em um caminhão em movimento (CARGOX, 2017).
Qualquer tipo de alteração ou manipulação no item pode ser detectado por essa tecnologia. Conse-
quentemente, os gestores ganham mais visibilidade e controle em relação aos seus estoques. Esse recurso
oferece um rastreamento máximo, sendo muito eficiente para evitar casos de perdas, extravios e roubos,
elevando o nível da segurança (CARGOX, 2017).

GEOLOCALIZAÇÃO

A geolocalização pode ser usada para identificar e rastrear cargas e também gerar referências precisas
sobre os veículos e os caminhoneiros. Sistemas bem estruturados com base na georreferência dispensam
o uso do antigo rádio e permitem uma avaliação sobre o status e o desempenho de cada transporte em
tempo real.

COMUNICAÇÃO COM REDES SOCIAIS

Acompanhando as novas tendências de comunicação, o acesso às redes sociais também é uma reali-
dade para o ambiente organizacional. Muitas empresas estão utilizando das redes sociais e aplicativos de
comunicação para aprimorar sua relação com o mercado, incorporando-as a seus processos para ganhar
mais visibilidade e encontrar novas oportunidades de negócio.
GESTÃO DE TRANSPORTES
160

Aplicativos de mensagens otimizam a comunicação empresa - cliente, assim como entre a instituição e
seus colaboradores, o que é extremamente útil para a logística, uma vez que as operações de transporte
são essencialmente externas, sendo necessário manter canais de comunicação rápidos e capazes de trans-
ferir informações de qualidade.
Dessa maneira, a presença digital é muito importante para interagir com clientes, responder dúvidas,
reportar acidentes que podem alterar as datas de entrega, automatizar o status dos envios, entre outras
informações.

SOFTWARES

Os sistemas de gerenciamento são ferramentas fundamentais para a melhor gestão das atividades, pois
integram as funções e rotinas de transporte, desde a composição da carga, a seu despacho e emissão de
documentos para o transporte das mercadorias.
Nesse contexto, o uso de um software para realização das atividades de gestão de transporte se torna
relevante, pois contribui para gerenciar as rotinas de transporte, integrando as informações e permitindo
uma melhor análise das informações, controle das atividades e um melhor relacionamento com o cliente.
Assim, é necessário que o profissional da logística conheça as principais ferramentas que são utilizadas
para otimizar a gestão dos recursos de transportes e entenda como a sua aplicação pode gerar melhor
produtividade, efetividade de atendimento e qualidade no serviço logístico.
Dessa forma, iremos conhecer um pouco mais sobre as principais tecnologias utilizadas pelos profis-
sionais da logística, os Sistemas de segurança de cargas e veículos, Sistema de Informação Gerencial, e as
novas tecnologias aplicadas nessa nova era produtiva.
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
161

6.2 Sistemas de segurança para cargas e veículos

Os riscos enfrentados pelos condutores, pelas cargas e pelos veículos utilizados no transporte de mate-
riais são fatores que podem influenciar no nível e qualidade de atendimento da empresa aos seus clientes.
Os roubos, extravios, acidentes ocorridos durante o trajeto, podem acarretar na perda de prazos, na des-
continuidade do processo produtivo e no cancelamento de entregas, impactando diretamente no nível de
serviço logístico da empresa.

Figura 109 -  Tecnologias para segurança de veículos e cargas


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Nesse sentido, utilizar das diversas atualizações e inovações tecnológicas voltadas à área de transportes
vem sendo uma saída para enfrentar os riscos, cada vez mais frequentes nas mais diversas vias do país.
Utilizar de equipamentos que controlem a movimentação dos veículos no transporte de cargas é uma
alternativa para aumentar a segurança e a eficiência nas entregas.
O Gerenciamento de Risco, como já estudamos aqui, consiste no planejamento das ações de prevenção
de riscos operacionais relacionados à segurança das cargas transportadas, objetivando, assim, reduzir e
minimizar o índice de sinistros, garantir a qualidade dos serviços prestados e o cumprimento dos prazos
de entrega contratados.

6.2.1 Rastreio de carga E DOCUMENTOS DE CARGA

O rastreio de carga é uma atividade inicialmente gerencial. Ela permite identificar a efetivação do servi-
ço de transporte, os percursos e a movimentação da carga. A maneira mais básica de realizar esse procedi-
mento é por meio do rastreamento documental, a partir da apresentação da nota fiscal na saída e entrega
GESTÃO DE TRANSPORTES
162

dos produtos, o documento é checado pelo conferente através do romaneio19, registrando o histórico de
movimentação da carga. Outra opção é o sistema de etiquetagem terciária20, que consiste em colocar um
código de barras com todas as informações do lote em cada palete (SILVEIRA, 2018).

Figura 110 -  Conferência de nota fiscal no recebimento


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

O rastreamento de cargas é utilizado pelas empresas de transporte para obter informações detalhadas
de todas as etapas do percurso da mercadoria até a sua entrega. O acompanhamento pode ser realizado
por meio de SMS, e-mail ou site, tanto pela empresa transportadora, quanto pelos clientes. A segurança é
a grande preocupação ao contratar o serviço de rastreamento (SILVEIRA, 2018).
É um serviço de extrema importância para a empresa, pois permite ao final do processo levantar
informações, realizar um relatório e avaliar todas as ocorrências durante a operação, identificando possíveis
falhas, podendo corrigi-las, buscando sempre otimizar o serviço. Além dessa forma básica de rastreio,
existem hoje outros recursos que permitem rastrear a carga de maneira mais segura e em tempo real,
como rastreadores via satélite e tecnologias de rádio frequência.

6.2.2 Rastreadores e Bloqueadores de veículos

Os sistemas de rastreamento e bloqueadores fazem parte de um conjunto de mecanismos utilizados


para controlar a movimentação de veículos, permitindo ao usuário visualizar em tempo real a localização
do veículo, bloquear e liberar sua operação remotamente. Para isso, esses sistemas utilizam da tecnologia

19  Romaneio: é uma listagem pormenorizada dos produtos embarcados, relacionando, itens, pesos, quantidades.
20  Etiquetagem terciária: marcação e codificação de produtos unitizada, por meio da impressão de etiqueta de codificação em
sua embalagem terciária (caixas, paletes, packs).
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
163

de Geo posicionamento Global, um sistema que coleta e transmite informações de sua posição (latitude e
longitude) por meio de satélites e antenas.

Figura 111 -  Sistema de rastreamento via satélite


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

O Sistema de rastreamento na logística de transporte é um recurso utilizado para controlar a movimen-


tação dos veículos no transporte de cargas, de modo a aumentar a segurança e a eficiência na utilização
da frota. Em geral, cada veículo é equipado com um módulo eletrônico que inclui um receptor de GPS e
um dispositivo de comunicação, que permite a troca de mensagens entre os veículos e uma Central de
Controle (MOURA, 2004).
Essa tecnologia pode ser dividida em duas aplicações, rastreadores ou bloqueadores, vejamos cada
uma delas a seguir.

Rastreadores

O rastreamento de veículos incorpora inúmeras possibilidades de uso, desde o controle de itinerários


de caminhões até o controle de eventos (abertura e fechamento de portas, velocidade, aceleração etc.),
jornada de trabalho do motorista, relatórios gerenciais e outras informações.
O GPS (Sistema de Posicionamento Global) é uma tecnologia inovadora, que auxilia muito na logística
de uma organização, já que permite ao seu usuário saber com exatidão a localização de sua frota, para
evitar desvios, melhorar a qualidade dos serviços e, consequentemente, trazer lucro e a satisfação aos
clientes. Esse recurso trabalha com alguns sistemas de interação, a localização por direcionamento, trian-
gulação de antenas21 e a utilização da constelação satélites.

21  Triangulação de antenas: sistema que realiza a transmissão de dados por meio de antenas, segue o mesmo princípio dos
satélites, realizando a troca de informações a partir da interação de três antenas em formação triangular.
GESTÃO DE TRANSPORTES
164

Rastreamento de
GPS em tempo real
Satélite - GPS

Central Servidor
de dados

Computadores e
aparelhos móveis

Veículos com sistemas de rastreamento

Figura 112 -  Sistema de rastreamento por GPS


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

O uso do GPS é atualmente o mais comercializado no mercado de transportadores e operadores logís-


ticos. Nesse sentido, Farias (2016) destaca alguns dos sistemas de GPS mais utilizados: o GPS + Celular, GPS
+ Rádio e o GPS + Satélite:
a) GPS + Celular: o GPS efetua a localização e transmite informações de coordenadas por um tele-
fone embarcado no veículo. Recebe os comandos de bloqueio também por esse telefone. O fun-
cionamento para localização depende do GPS e, para efeito de monitoramento (envio de sinais),
depende do celular. Nesse sistema, as informações de posicionamento também são captadas com
o auxílio do GPS (satélite), mas a diferença é que a comunicação com o sistema é feita através dos
dados GPRS (chip de celular GSM). Dessa forma, é limitada a áreas onde a rede de celular é ativa,
podendo ficar sombreada22 em alguns pontos do trajeto. A vantagem é a área de abrangência,
atendida por todas as regiões cobertas pela rede, fornecendo boa velocidade de transmissão de
dados, possibilitando a comunicação automática de arrombamentos, roubos, furtos, tombamen-
tos, assim como avisos de pânico emitidos pelos ocupantes do veículo em casos emergenciais. Os
rastreadores de comunicação por chip (GSM) são indicados para empresas prestadoras de serviço,
que buscam gerenciar a frota de forma eficiente e com o custo reduzido;
b) GPS + Rádio: localiza via GPS e transmite as informações de coordenadas por um rádio trans-
missor embarcado no veículo. Recebe os comandos de bloqueio também por esse rádio. O fun-
cionamento para localização depende do GPS e, para efeito de monitoramento (envio de sinais),
depende da potência do rádio;
c) GPS + Satélite: um dos sistemas com o custo de comunicação mais baixo utiliza dos satélites
para realizar a transmissão de sinais, que pode ser feita a cada minuto. Em virtude disso, é uma das

22  Área sombreada: áreas de baixa cobertura de sinal de redes de celular.


6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
165

tecnologias mais utilizadas no monitoramento de veículos. Alguns possuem computadores de


bordo, que permitem que o motorista envie textos livres ou formatados para a central, relatando
ocorrências ou avisando sobre qualquer necessidade de mudança na rota, como também os tem-
pos de paradas. Esse modelo de rastreadores por satélite são, geralmente, utilizados por empre-
sas que transportam cargas de alto valor, e que não podem, de forma alguma, perder a interação
com a carga. É bastante utilizado por empresas que utilizam os modais: rodoviário, marítimo e
aéreo. Assim, torna-se cada dia mais presente na vida das pessoas, devido a sua eficiência, baixo
custo de obtenção, fácil manuseio, alta precisão, possibilidade de definir posicionamentos, um
caminho correto ou menor para um determinado local (VIZENZZOTTO; VERNINI, 2010).

Como é possível notar, existem várias opções de sistema, simples e viáveis, que podem ser escolhidos
para o rastreamento da carga e do veículo apenas, ou de forma mais completa, gerando informações mais
abrangentes sobre as operações, funcionalidades integradas, que permitem além do rastreamento, a troca
de informações entre a central e o veículo, o acionamento de sensores a longa distância e de outras rotinas
de gerenciamento.

Bloqueadores

Bloqueadores são dispositivos de segurança que permitem o bloqueio do veículo à distância, utilizan-
do um pager23 embarcado no veículo. A estrutura de antenas que geram os sinais é, na maioria das vezes,
de responsabilidade das operadoras de pager. A abrangência é a dos sistemas de pager, que engloba os
grandes centros urbanos.

23  Pager: aparelho eletrônico portátil capaz de receber mensagens codificadas de uma central de recados e exibi-las em texto
numa pequena tela.
GESTÃO DE TRANSPORTES
166

Bloqueador de Antena
combustível satelital Travas de
Painel solar
Sensor de porta de baú
Bloqueador
temperatura
inteligente

Sensor de Conector Trava de 5a roda Sensor de Sensor de Sensor de


engate e cavalo - carreta violação do abertura da movimento da
desengate pino da trava porta do baú plataforma

Figura 113 -  Sistemas de bloqueio de veículo


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019. (Adaptado).

Trata-se de equipamentos simples, que têm, normalmente, funções antifurto. Não fornecem a loca-
lização, pois não são capazes de enviar informações. Têm como vantagens o preço bastante acessível e
funciona mesmo em ambientes fechados. Entre as desvantagens podemos citar a dependência do usuário
e possui uma área de abrangência limitada (SOUZA, 2003).

radiofrequência

Outra tecnologia utilizada no rastreamento de cargas é o sistema de identificação por radiofrequência,


chamado RFID (do inglês “Radio-Frequency IDentification”). Trata-se de uma etiqueta, com um pequeno cir-
cuito, uma antena e um microchip de silício, que respondem aos sinais de rádio enviados por uma base de
transmissão. Os RFID’s podem ser passivos, que respondem aos sinais enviados, ou semipassivos e ativos,
que podem enviar sinais, esses possuem o custo mais elevado. (MARTINS, 2017).
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
167

Figura 114 -  Sistema de registro de uma etiqueta RFID


Fonte: SENAI DR BA, 2019; SHUTTERSTOCK, 2019.

Essas etiquetas trazem as especificidades do produto e podem ser colocadas em produtos, paletes
e veículos. A tecnologia possibilita ao gestor acompanhar a movimentação da frota mesmo em locais
fechados, armazéns, veículos, subsolos e túneis (MARTINS, 2017).
O RFID permite a transmissão de informações da carga em tempo real por meio de satélite. Alguns
Centros de Distribuição já fazem a leitura das mercadorias recebidas utilizando esse sistema, a leitura dos
produtos é realizada automaticamente ao entrarem no galpão, de forma que não há necessidade do con-
ferente abrir e fazer a contagem física dos produtos.
Uma das vantagens dessa tecnologia é que ela permite a leitura de sua frequência em qualquer am-
biente, sem a necessidade de aproximação do objeto, podendo realizar, por exemplo, a leitura de todos os
itens embarcados em um caminhão, auxiliando na fácil e ágil identificação da carga.
Outra vantagem da radiofrequência é que ela não está sujeita aos inibidores de sinais, conhecidos como
jammers24, fornecendo maior segurança quanto ao bloqueio intencional do sinal de veículos e cargas por
interceptadores de carga, permite ainda o rastreamento da cargas em tempo real (MARTINS, 2017).

24  Jammer: aparelho de bloqueio de sinal de rádio.


GESTÃO DE TRANSPORTES
168

6.3 Identificação de percursos internos

Um percurso interno é identificado pela definição dos principais corredores de carga, são percursos
utilizados para o escoamento dos produtos da economia brasileira. Eles permitem identificar as principais
rotas, modais utilizados e volumes de produtos transportados pelas vias do Brasil.
Além do mapeamento dos corredores de escoamento dos principais produtos para a economia na-
cional, a identificação dos percursos internos tem o objetivo de avaliar a atual movimentação de cargas e
passageiros, realizando o diagnóstico dos polos produtivos, permitindo identificar os principais gargalos
para o escoamento dos suprimentos e futuros investimentos na logística de transporte para cada região
(SUPERINTENDÊNCIA DO DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA, 2014).
De forma geral, o governo realiza esse mapeamento, mas pode ser construído especificamente por
empresas, que definem suas rotas e percursos utilizados para o escoamento da carga. O governo brasileiro
aplica hoje a tecnologia RFID para buscar maior eficiência no mapeamento de seus corredores de escoa-
mento de produtos, como apresentado no caso e relato a seguir.

CASOS E RELATOS

Brasil ID, novo sistema de rastreamento e autenticação de mercadorias


O novo sistema de identificação, rastreamento e autenticação de mercadorias, o Brasil ID, é um re-
curso de rastreamento automático de cargas e documentos fiscais eletrônicos, realizado por meio de
radiofrequência. Instalado nas principais rodovias brasileiras. O equipamento registra os caminhões
portadores de chip de identificação, que interage com a tecnologia de radiofrequência, identifican-
do os documentos fiscais eletrônicos e a mercadoria transportada.
O sistema é integrado a uma área de BackOffice, base que receberá as informações coletadas através
das antenas. Assim, quando o caminhão passar pelo posto fiscal e a antena identificar o documento
eletrônico, o sistema de BackOffice se comunicará com um ambiente nacional de armazenamento
de documentos fiscais.
Esse sistema tem como intuito agilizar o processo de fiscalização nos postos fiscais. Em um proce-
dimento normal de fiscalização, cada parada nos postos fiscais chega a durar até uma hora, o que
acaba sendo um transtorno tanto para o motorista, que atrasa a sua viagem, quanto para o técnico
responsável pela fiscalização, que tem que fazer, manualmente, a conferência das notas fiscais e das
cargas transportadas. Assim, ao passar pelos postos, os motoristas poderão ser liberados rapidamen-
te, já que as informações fiscais já foram identificadas.
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
169

Figura 115 -  Equipamento de rastreamento e autenticação de mercadorias


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

O sistema ainda serve para identificar corredores de tráfego, mapeando as principais rotas, produ-
tos e volumes transportados nas vias, servindo como base para a tomada de decisões estratégicas,
como a implantação de novas vias, ou investimentos em modais alternativos.
O Brasil ID traz além de ganhos com a redução dos custos dos produtos e do transporte, a dimi-
nuição na probabilidade de furtos e roubos de carga, garantia de procedência e autenticidade dos
produtos e combate à falsificação e ao contrabando, melhorando os controles do fisco e reduzindo
custo Brasil.
(Fonte: Tribuna da Bahia por Portal Logweb, 2013).

Como é possível perceber, a inserção dessa tecnologia permite a identificação desses percursos inter-
nos, gerando dados para uma análise efetiva de rotas e percursos para a produção. Essa análise permi-
te consolidar os principais fluxos de cargas e avaliar o uso da infraestrutura de transportes, avaliando os
benefícios socioeconômicos e identificando os projetos estratégicos prioritários para investimentos nos
estados.
Podemos tomar como exemplo a identificação da elevada demanda de escoamento de soja pelo porto
de Santos no estado de São Paulo, a soja oriunda do estado do Mato Grosso precisava cruzar todo o estado,
gerando congestionamento das vias e elevando o custo de operação.
A partir dessa análise, foi possível perceber o potencial de investimentos para esse corredor logístico,
ofertando opções para o escoamento da produção de soja. Com investimentos do Governo, a utilização do
modal aquaviário foi ofertada, com a construção de eclusas, a dragagem de vias internas e a estruturação
GESTÃO DE TRANSPORTES
170

de portos. A utilização desse modal serviu como fator estratégico ao escoamento da produção, reduzindo
significativamente o custo com o transporte da commodite.

Figura 116 -  Identificação de percursos internos


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

Hoje, os sistemas de gerenciamento de informações e de rastreamento da carga têm possibilitado a


identificação desses fluxos com maior facilidade. Essas informações contribuem para o estabelecimento
de investimentos prioritários, tendo como base a redução de custos de transporte, aumentando a compe-
titividade das empresas brasileiras e contribuindo para o desenvolvimento de regiões (Superintendência
do Desenvolvimento da Amazônia, 2014).

6.4 Tipo de transporte para retirada de mercadoria

Já é sabido que, para realizar o transporte de carga, é necessário entender sobre qual o tipo da carga
que pretende deslocar, mas também é importante entender de que forma essa carga será deslocada. Por
isso, é importante definir esse deslocamento, se de forma direta, entre fornecedor e cliente, ou entre cen-
tros de distribuição, para posterior distribuição por veículos de menor porte para a entrega final.
Inicialmente, devemos conhecer dois conceitos importantes, a carga lotação/dedicada e a carga fra-
cionada. A carga lotação, também chamada de fechada ou dedicada, é aquela onde um único veículo
realiza o transporte da carga de um único embarcador, em uma única remessa. Já a carga fracionada é
formada por frações de cargas, que não completam o veículo em sua totalidade, podendo ser composta
por cargas de vários clientes.
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
171

Figura 117 -  Coleta de produtos para entrega


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Geralmente, para realizar a coleta do material, é necessário acessar locais de difícil tráfego, ruas estreitas
ou de movimento intenso, sendo necessário respeitar essas exigências e buscar soluções para realizar a co-
leta de produto de forma rápida e eficiente. Outro problema é a necessidade de coleta em vários clientes,
realizar a retirada dessa carga com um veículo de grande porte se torna difícil e oneroso para a empresa
transportadora.
Assim, para realizar o serviço de coleta dos materiais muitas empresas optam pela utilização de veículos
de menor porte, que realizam a retirada das mercadorias nos embarcadores, realizando percursos curtos,
dos clientes até centros de distribuição, onde a carga será consolidada em um veículo maior, para o envio
ao destino.
GESTÃO DE TRANSPORTES
172

6.5 Ocorrência de acidentes com cargas

Dentre vários fatores que influenciam na continuidade do serviço de transporte para embarcadores
e transportadores, a ocorrência de acidentes envolvendo a carga é um fator problema para a gestão de
transportes, pois, seja para a entrega de produtos para revenda, produtos destinados ao processo pro-
dutivo, ou encaminhados diretamente ao consumidor final, todos aguardam o recebimento correto das
mercadorias, a fim de dar continuidade aos processos de comercialização ou produção e simplesmente
usufruir do seu produto.

Figura 118 -  Acidente com carga no modal rodoviário


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

A fim de evitar a ocorrência de acidentes e estar preparado para a resolução deles, quando inevitá-
vel, é necessário que a empresa adote um plano de operação e contingência, estabelecendo parâmetros
para reduzir os impactos gerados pelas ocorrências. Neste sentido, é preciso que a organização estabeleça
um plano de negócios consolidado e atento à resolução de problemas, antecipando possíveis prejuízos,
instruindo os diversos setores da empresa a proceder diante de situações inesperadas (TRANSPOBRASIL,
2017).

Na ocorrência de um acidente há a necessidade de aplicar um plano alternativo


FIQUE para o atendimento da entrega. Assim é indispensável manter uma comunicação
ALERTA eficiente com o seu cliente, deixando-o ciente do ocorrido e da possibilidade ou
necessidade de atraso.

É importante que você adote medidas de prevenção que antecipem problemas com a carga. O TMS,
por exemplo, permite que você acompanhe os prazos e rotinas de entrega, realizando o rastreamento de
ocorrências.
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
173

A escolha dessas tecnologias deve levar em conta a observação de seus custos de aquisição e manu-
tenção, assim como o treinamento de operadores e a sua adequação aos serviços da empresa, pois são
fundamentais para o alcance de resultados efetivos das tecnologias aplicadas.

6.6 Falhas de equipamentos e veículos

A falha em equipamentos e veículos é um fato comum a várias empresas, afinal, imprevistos aconte-
cem, certo? Na realidade, esse é um sério problema que muitas vezes é negligenciado pelas empresas,
pois realizar um plano de manutenção para evitar falhas, quebras de veículos e de equipamentos eleva os
custos de operação.

Figura 119 -  Estouro de pneu


Fonte: DEPOSIPHOTOS, 2018.

Mas deixar de realizar uma entrega, ou exceder o prazo estipulado pelo cliente pode gerar custos adi-
cionais, além de impactar negativamente na imagem da empresa. Nesse sentido, adotar um plano de ma-
nutenção que busque evitar ou minimizar os percalços causados por falhas e quebras de equipamentos é
indispensável aos procedimentos de gestão de uma frota.
Um plano de manutenção pode ser construído contemplando três tipos de manutenções: a preventiva,
preditiva e corretiva:

Manutenção preventiva

A manutenção preventiva é o estabelecimento de rotinas de procedimentos de manutenção realiza-


dos previamente, para que sejam diminuídas as probabilidades de falhas, nos veículos da frota, evitando
a descontinuidade do serviço prestado pela empresa. A manutenção preventiva são ações planejadas e
GESTÃO DE TRANSPORTES
174

realizadas em caráter de vistoria, como limpeza de bicos, troca de óleo, e pode ser comparada a um exame
de rotina que realizamos, onde são analisadas as peças e o funcionamento dos sistemas, assegurando o
funcionamento correto do veículo.

Figura 120 -  Plano de manutenção de veículos


Fonte: SHUTTERSTOCK, 2019.

Manutenção preditiva

A manutenção preditiva é um procedimento que une a precaução da manutenção preventiva com a


objetividade da manutenção corretiva. Ela é feita com base em indicativos que predizem qual será o fim de
sua vida útil de peças e componentes internos. A exemplo, vamos levar em conta o plano de substituição
do filtro de combustível dos veículos de uma frota, é preciso verificar a recomendação do fabricante, dis-
ponível na ficha técnica ou manual do veículo, geralmente, indicada é a cada 10 mil km rodados, exceder
esse limite de uso gera acúmulos de sujeira, obstrução do canal e aumenta do consumo de combustível,
elevando o custo da frota. Portanto, realizar a manutenção preditiva é uma ação estratégica que visa não
só evitar a falha do veículo, mas também garantir o seu melhor desempenho.

Manutenção corretiva

Trata-se de um procedimento que se baseia em recuperar os danos decorrentes de uma quebra ou fa-
lha do equipamento/veículo, nele são realizados reparos ou substituições de peças, que comprometeram
o pleno funcionamento do veículo.
Algumas empresas costumam entender a manutenção preventiva e preditiva como custos adicionais
e optam por adotar apenas a corretiva, aguardando a parada do veículo, porém optar por realizar ape-
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
175

nas este tipo de manutenção pode acarretar em um serviço deficiente, gerar custos desnecessários, como
guincho, multas de interrupção do trânsito, além de camuflar custos operacionais.
Essas funções de manutenção, como controle da frota, substituição de peças, médias de consumo po-
dem ser acompanhadas com a utilização de planilhas de monitoramento, podendo ainda utilizar dos siste-
mas de gerenciamento de transporte como recurso para a maior eficiência no seu controle.

6.7 Transport Manager System (TMS)

O Transport Manager System (TMS) ou Sistema de Gerenciamento de Transportes é um software utiliza-


do por empresas para o gerenciamento da frota e a distribuição de produtos. Uma importante ferramenta
logística, que contribui para o controle e a gestão do processo de transporte, uma solução que permite ao
usuário visualizar e controlar toda a operação de forma integrada.

TMS

BOL

Figura 121 -  Sistema de gestão de transportes


Fonte: SENAI DR BA, 2019.

O sistema é utilizado no planejamento das operações de transporte, na execução de rotinas básicas,


como a consolidação da carga, expedição, emissão de documentos, entregas e coletas de produtos, audi-
toria de frete, apoio à negociação, planejamento de rotas e modais, monitoramento de custos e nível de
serviço, planejamento e execução de manutenção da frota, realizando ainda o monitoramento e o controle
dessas atividades (MARQUES, 2002).
Esse sistema pode ser utilizado de forma independente ou integrada a outros sistemas de gerencia-
mento de informações, como o ERP (Enterprise Resource Planning) - Sistema integrado de gestão empre-
sarial, gerenciando as informações de forma integrada. Ele agrupa de forma lógica todas as informações
sobre a frota e a composição da carga.
GESTÃO DE TRANSPORTES
176

Desenvolvido em módulos independentes, o sistema é composto pelo conjunto desses módulos, que
podem ser adquiridos de acordo com as características e a necessidade da empresa, podendo variar de
acordo com o ramo de atividade: atacadista, industrial, operadores logísticos, transportadoras, ou ainda
conforme o modal (rodoviário, ferroviário, aéreo ou marítimo) (IMAM). Vejamos agora os principais módu-
los que o compõem e suas funcionalidades operacionais:

Cadastro do veículo
Armazenamento de todas as informações nescessárias
relacionadas aos veículos da frota (modelo, ano, capacidade,
características, seguro, leasing);
Gerenciamento da documentação
Controle de documentações obrigatórias, emisão e validade de
documentos de licenciamento, impostos, taxas, boletins de
ocorrência, pagamentos;
Planejamento e controle de manutenção
Controla as atividades relacionadas à manutenção dos veículos e
equipamentos (garantias, manutenção preventiva, corretiva);

Controle de peças
Realiza o controle e acompanhamendo da vida útil de peças,
reposições, trocas, grarantias;

Controle de funcionários agregados


Controla o cadastro de funcionários agregados às atividades de
transporte;

Controle de velocidade
Monitora o comportamento do motorista durante todo o trajeto
de entrega, acompanhando a velocidade em tempo real;

Controle de frete
Permite realizar a cotação de frete e a formação de propostas de
fornecimento de serviço.

Controle das cargas


Rastreamento lógico das cargas e dos veículos podendo
disponibilizar as informações pela internet;

Controle de custos
$ Realiza o acompanhamento de todos os custos operacionais
parta o setor de transporte, consumo de combustível,
manutenções, contratações de serviços terceiros;
Planejamento de rotas e modais
Permite a elaboração de rotas, podendo ser interligado a
roteirizadores, elemento essencial para logística de cargas
fracionadas.

Figura 122 -  Módulos de software TMS


Fonte: SENAI DR BA, 2019.
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
177

Apesar de ainda haver espaço para o desenvolvimento das ferramentas de TMS, os benefícios da im-
plementação já são muito significativos. A seguir, destacaremos os principais benefícios (LOGÍSTICA NA
NUVEM, 2018):
a) Redução nos custos de transportes e melhoria do nível de serviço;
b) Melhor utilização dos recursos de transportes;
c) Melhoria na composição de cargas (consolidação) e rotas;
d) Menor tempo necessário para planejar a distribuição e a montagem de cargas;
e) Disponibilidade de dados acurados dos custos de frete, mostrado de várias formas, como por
exemplos, por cliente ou por produto;
f) Acompanhamento da evolução dos custos com transportes;
g) Disponibilidade de informações online;
h) Suporte de indicadores de desempenho para aferir a gestão de transportes;
i) Qualidade dos serviços internos e externos ou realizado por terceiros.

Como é possível perceber, o TMS tem como principal vantagem o maior controle das atividades de
transporte, esses controles possibilitarão a geração de dados significativos, gerando informações de análi-
se, que servirão como base para a tomada de decisões estratégicas ao negócio.
Podemos pontuar como destaque, a sua função na redução de custos, tanto nos processos internos,
quanto no transporte, alcançado por meio da otimização das rotas de entrega, e de uma melhor consoli-
dação de cargas e no carregamento eficiente dos veículos.
O TMS permite ainda ampliar a visão de negócio da empresa, identificando gargalos e pontos de melho-
ria, permitindo à empresa atuar de forma competitiva, aumentando a produtividade e sua lucratividade.
GESTÃO DE TRANSPORTES
178

RECAPITULANDO

Neste capítulo foi possível conhecer sobre as tecnologias e recursos de segurança aplicados na ges-
tão de frota e no transporte dos produtos. Aplicar recursos modernos na gestão do transporte auxilia
na geração de informações rápidas e precisas, facilitando a tomada de decisão assertiva, baseadas
em dados próximos da realidade das ocorrências nos trajetos de entrega.
Compreendemos que além dos recursos tecnológicos oferecidos, é importante também adotar es-
tratégias e posturas que assegurem o atendimento dos clientes, evitando contratempos e desconti-
nuidades no processo.
Estudamos outro recurso importante para a gestão das rotinas de transporte, o Sistema de Gestão de
Transporte (TMS), que de forma integrada fornece soluções para o controle de informações e para a
execução das rotinas do setor, fornecendo maior segurança, agilidade, produtividade e elevação ao
nível do serviço ofertado.
Percebemos, ao longo de nossos estudos, que o mundo passa por rápidas mudanças, e a forma de
produzir também tem sido transformada. Nesse contexto, pudemos conhecer as tecnologias pro-
postas pela indústria, e entendemos que para avançar é necessário que os serviços e os profissionais
do setor de transporte se integrem a esse cenário, aderindo e beneficiando-se com essas tecnologias.
6 Tecnologia da informação aplicada à gestão de transportes
179
REFERÊNCIAS

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MINICURRÍCULO DO AUTOR

DANILO DA ANUNCIAÇÃO SANTOS


Danilo da Anunciação Santos é Mestre em Economia Regional e políticas Públicas; graduado em
Administração de Empresas, pós-graduado em Gestão para Inovação e Sustentabilidade pela
Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC). Possui curso de aperfeiçoamento em Logística pelo
SENAI DR BA/CIMATEC. É docente nas áreas de Gestão e Logística, tendo atuado, também, na
indústria têxtil nas áreas de planejamento e logística, no ramo de assessoria e suporte adminis-
trativo em micro e pequenas empresas, na área hoteleira, coordenando o setor de compras e no
gerenciamento de unidade, no mercado de serviços, implantando e gerenciando empresa de
Coworking (espaço colaborativo). Atua na área de Logística desde 2003, com ênfase nas áreas
de Suprimentos e Armazenagem, atuando no setor de Compras, Gestão e Controle de Estoque,
Armazenagem, Almoxarifado, Contratação de Serviços, Gestão de Pessoal e Processos Logísticos
internos e externos.
Índice

A
afretamento 77
área sombreada 164
autarquias 142, 144

C
calado 31
carros batedores 150
coercitiva 101
commodities 43
contingências 43

E
eclusas 30, 32, 33
endosso 130
escorva 145
estandarte de Ur 20
etiquetagem terciária 162

F
fundear 90

J
jammers 167

R
romaneio 162
rotulagem preventiva 147

S
signatário 113
silos 151
supranacional 31

T
transbordo 30, 41, 46
triangulação de antenas 163
SENAI - DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo

Luiz Eduardo Leão


Gerente de Tecnologias Educacionais

Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo


Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Catarina Gama Catão


Apoio Técnico

SENAI – DEPARTAMENTO REGIONAL DA BAHIA

Ricardo Santos Lima


Coordenação do Desenvolvimento dos Livros Didáticos

Danilo da Anunciação Santos


Elaboração

Kelly Hottis Lyra


Revisão Técnica

Kelly Hottis Lyra


Coordenação Técnica

Marcelle Minho
Coordenação Educacional

André Luiz Lima da Costa


Igor Nogueira Oliveira Dantas
Coordenação de Produção

Paula Fernanda Lopes Guimarães


Coordenação de Projeto

Rosana Uildes Ferreira Benicio da Silva


Design Educacional
Daiane Amancio
Revisão Ortográfica e Gramatical

Alex Ricardo de Lima Romano


Antônio Ivo Ferreira Lima
Daniel Soares Araújo
Fábio Ramon Rego da Silva
Thalita Rafaela Gomes da Hora
Thiago Ribeiro Costa dos Santos
Vinicius Vidal da Cruz
Ilustrações e Tratamento de Imagens

Nelson Antônio Correia Filho


Fotografia

Alex Ricardo de Lima Romano


Antônio Ivo Ferreira Lima
Leonardo Silveira
Vinicius Vidal da Cruz
Diagramação, Revisão de Arte e Fechamento de Arquivo

Taise Oliveira Santos CRB 5 / 1853


Normalização - Ficha Catalográfica

Daiane Amancio
Revisão de Padronização e Diagramação

Alessandro Caetano Neves


Altamir Steil
Cristina Francisca de Oliveira Silva
Felipe da Silva Novaes
Francisco Clayton Rodrigues Moura
Kelly Hottis Lyra
Comitê Técnico de Avaliação

i-Comunicação
Projeto Gráfico

Common questions

Com tecnologia de IA

Key technological advancements in the Brazilian transportation sector that improve cargo and vehicle security include real-time tracking systems, enhanced communication tools, and advanced risk management software. These technologies allow for precise monitoring of cargo movements, timely reporting of incidents, and improved planning to mitigate risks. Additionally, electronic documentation and automated processes enhance the transparency and traceability of goods throughout the supply chain .

The construction of hydroelectric plants in Brazil faces both environmental and economic challenges. Environmental challenges include the impact on local ecosystems and water flow management. Economically, constructing hydroelectric plants requires significant investment, particularly for infrastructure like ship locks (eclusas) to facilitate navigation between water levels. Some projects exclude these locks initially due to cost considerations, which can lead to increased total costs when added later, often tripling the initial construction cost. Additionally, locks may not accommodate the traffic volume, causing congestion and delays .

The Brazilian air transportation system, despite its growing popularity due to the need for rapid transport across vast distances, faces several challenges. These include high operational and maintenance costs, inadequate cargo infrastructure, and congestion at major airports. Additionally, the large geographical expanse of Brazil increases logistical complexities and the cost of air freight, which contributes to the limited share of air cargo in domestic transportation .

Technology enhances the management of transportation fleets in Brazil by providing tools for better control and optimization. Systems such as TMS (Transportation Management Systems) allow for the integration of different logistics activities, optimizing routes, and monitoring operational costs. These technologies support better decision-making through accurate data, improve resource utilization, and ensure the security of cargo through advanced tracking systems .

Strategic management of transportation fleets can significantly improve operational efficiency in Brazilian logistics by optimizing vehicle use, minimizing idle time, and ensuring preventive maintenance. This includes detailed control of fleet activities, monitoring vehicle conditions, and managing driver allocations to minimize operational costs and enhance service quality. Implementing comprehensive data tracking and analysis systems helps identify inefficiencies, enabling targeted interventions to improve productivity and customer satisfaction .

Maritime transport in Brazil is economically viable due to its capacity to move large volumes of goods over long distances at lower costs compared to road or air transport. It accounts for more than 90% of Brazil's international trade transport. However, factors such as required port infrastructure, potential delays due to congestion, and the need for transshipment affect its economic efficiency. Despite these drawbacks, its low per-unit transport cost for bulk goods makes it a preferred option for international trade .

Aquaviário transport holds substantial potential for enhancing Brazil's international trade capabilities due to its ability to move large volumes of goods economically and efficiently over long distances. It is pivotal in transporting commodities such as agricultural produce and minerals, which constitute a significant portion of Brazil’s exports. The extensive use of marine transport aligns with global demand, making it central to Brazil's strategy to bolster its trade position .

Locks (eclusas) play a crucial role in maintaining efficient waterway transportation by allowing vessels to navigate between sections of water with different elevations. In Brazil, their presence is vital in ensuring continuous water transportation routes through its varied topography. However, due to their high construction cost, not all projects initially include locks, leading to inefficiencies such as traffic congestion and increased transport times when they are eventually built. The optimal capacity and timely inclusion of locks are imperative to enhancing waterway transport efficiency .

The Brazilian dutoviário system, while having the potential to efficiently transport products like petroleum and its derivatives, has limited impact on the nation's overall cargo transportation due to its underdeveloped infrastructure. The existing pipeline network is insufficient compared to the country's demand, resulting in minimal integration with larger logistical networks. This underutilization affects Brazil's capability to leverage the more cost-effective and less polluting dutoviário mode to its full potential .

The hydroviário system in Brazil has significant advantages, such as large transportation capacity, low fuel consumption, and reduced pollution compared to other modes. It is particularly suitable for transporting bulk agricultural products, minerals, and petroleum derivatives. Disadvantages include the need for transshipment at ports, distance from production centers, and requiring specialized packaging. The system also suffers from port congestion and lacks flexibility .

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