ARMAMENTO E TIRO
MUNIÇÕES DE ARMAS LIGEIRAS
A – Cápsula
B – Fulminante
C – Canal da Chaminé
D – Chaminé
E – Borracha
F – Ouvido
G – Porta Chaminé
H – Carga
I – Projéctil
L – Cano
Compõe-se a munição de quatro partes:
- O projéctil ou “bala”
- O invólucro, estojo ou caixa
- A escorva, cápsula ou fulminante
- A carga
O PROJÉCTIL
O alcance, a tensão da trajectória e precisão do tiro são
dependentes não só da organização balística da arma, mas
também da organização do projéctil e da carga empregue,
variando com:
A natureza, a quantidade da carga e a força viva do
projéctil tomam o nome de QUALIDADES DINÂMICAS do
projéctil e são estudadas na área da balística.
As QUALIDADES ESTÁTICAS dependem da organização
da munição
QUALIDADES DINÁMICAS
Fotografia de um projéctil
ONDA
ONDA CAUDAL
CAUDAL animado de uma velocidade
superior à do som - 340 m/s
ONDA
ONDA CEFÁLICA
CEFÁLICA
Onda
Onda da
da canelura
canelura
Redemoinho
Redemoinho formado
formado pela
pela
recomposição
recomposição da
da atmosfera
atmosfera após
após aa
passagem
passagem do
do projéctil
projéctil
RESISTÊNCIA DO AR
r1
V R
r2
P
DEMONSTRAÇÃO DOS EFEITOS DA RESISTÊNCIA OBLÍQUA
Deixando-se cair um
projéctil oblongo de um
local bastante elevado
obtém-se:
- Desvio para o lado da ponta do
projéctil
- Aumento de Ψ
Ψ
Ψ
DEMONSTRAÇÃO DOS EFEITOS DA RESISTÊNCIA OBLÍQUA
R
R2
R
G
R1
R3 R3 R
R3 e binário R – R1
EFEITOS DA RESISTÊNCIA OBLÍQUA NUM PROJÉCTIL LANÇADO
POR UMA ARMA DE FOGO SEM MOVIMENTO DE ROTAÇÃO
R2 D
V
R3
R1
Rotação provocada pelo binário
R e R1
Ψ < Ψ´
ψ´
X ψ
R
P Y
EFEITOS DA RESISTÊNCIA OBLÍQUA NUM PROJÉCTIL LANÇADO
POR UMA ARMA DE FOGO ANIMADO DE MOVIMENTO DE ROTAÇÃO
Projéctil sujeito a um MOVIMENTO DE ROTAÇÃO CÓNICO a que se chama
PRECESSÃO e no qual se verificam ligeiras e rápidas oscilações a que se chamam
NUTAÇÃO
QUALIDADES ESTÁTICAS
COMPOSIÇÃO
FORMA
(COMPRIMENTO)
PESO
CALIBRE
QUALIDADES ESTÁTICAS
COMPOSIÇÃO
O metal do projéctil deve ser:
Denso para facilmente adquirir grande energia
Infusível para não se fundir com o atrito na alma
Deformável de acordo com o seu destino – vulnerante ou
derrubante
COMPOSIÇÃO
Projéctil BI-METAL
pode ser de chumbo, de bronze, ou de
aço mas por razões de preço e peso
Núcleo - prefere-se o primeiro que no entanto é
quase sempre endurecido ligando-o
com estanho ou antimónio
Coifa - (nas munições
perfurantes) em chumbo
destina-se a auxiliar a
penetração do núcleo
Camisa - suficientemente espessa para evitar a fusão do
núcleo e pouco dura para não deteriorar as estrias. Os metais
hoje mais empregues são o cobre, o aço e o maillechort (liga de
cobre e níquel). A sua espessura varia de 0,45 a 0,55 mm
A CAMISA
COBRE – Tem a vantagem de ser maleável, mas sendo
bom condutor pode provocar fusão do núcleo. Surge coberto
de estanho ou níquel para redução sais venosos
AÇO – Sendo muito resitente pode suportar grandes
velocidades iniciais mas tem que ter uma cinta de
estriamento
MAILLECHORT – Fácil conservação e fabrico. 85% de
cobre e 15% níquel
A revestir com chumbo
QUALIDADES ESTÁTICAS
FORMA
CILINDRO OGIVAL
PONTEAGUDO
Melhor fixação ao invólucro
BI-OGIVAL impedindo fuga de gases
OGIVAL TRONCO de CONE
CILÍNDRICA
Serrilhado para fixação do
projéctil ao invólucro
Comparando o projéctil CILINDRO OGIVAL com o BI-
OGIVAL podemos concluir:
Sem diminuição de calibre, maior velocidade inicial,
devido à redução do peso
Diminuição da resistência devido ao forçamento e ao
travamento, por se ter reduzido a zona destinada à acção
das estrias
Uma forma mais própria para se compensar em parte a
diminuição do coeficiente balístico
Posição desfavorável do centro de gravidade logo menor
estabilidade durante a trajectória
QUALIDADES ESTÁTICAS
PESO
Um projéctil leve terá uma trajectória muito tensa às
pequenas distâncias. Um projéctil pesado tê-la-á às
grandes, porque em igualdade nas outras condições, o
projéctil mais leve tem maior velocidade inicial mas sofre
um retardamento maior
Adopta-se um só peso – 9 a 13g
QUALIDADES ESTÁTICAS
CALIBRE
O diâmetro dos projécteis deve ser de 0,20 a 0,30 mm
superior ao diâmetro da alma do cano medido no fundo das
estrias, para que se dê o forçamento inicial, razão porque o
conjunto núcleo-camisa deve apresentar um certo grau de
elasticidade
Folga até 0,15 mm
O emprego generalizado das armas automáticas e as
exigências do combate moderno, atendendo-se ao peso
que o homem tem que transportar e ainda ao problema do
remuniciamento, encaminharam os estudos no sentido dum
aligeiramento
7,62 mm
7,62 mm NATO 5,56 mm Pacto Varsóvia 5,45 mm
Vo 838 m/s 1005 m/s 710 m/s 900 m/s
Eo 3276 J 1798 J 1993 J 1383 J
Comprimento 71 mm 57 mm 56 mm 56 mm
Peso Munição 9g 4g 8g 6g
CONDIÇÕES A OBEDECER PROJÉCTIL ARMA LIGEIRA
Ser bi-metal
Possuir um núcleo muito denso mas maleável
Possuir uma camisa inoxidável e suficientemente dura
para resistir à pressão das estrias, mas não tão dura que
danifique a alma do cano, entrando nas estrias apenas o
suficiente para assegurar o movimento de rotação e
evitar fugas de gases entre o projéctil e a alma, sendo
bem unida ao núcleo e não deixando pedaços ou rastos
nas paredes da alma
Possuir uma forma oblonga que conserve bem a
velocidade e seja apta à penetração, desenvolvendo
uma potência de acordo com a finalidade do projéctil
Ser de fabrico fácil e de baixo custo
O INVÓLUCRO
O invólucro é constituído por uma só peça que se obtem
por sucessivas estiragens e recosimentos a partir de uma
copela de latão especial
O METAL
Como a obturação se faz por expansão do invólucro, é
preciso que a diferença entre o diâmetro da câmara e do
invólucro seja inferior a 1 décimo de milímetro
Deve ser MALEÁVEL para um fácil ajustamento à câmara
Deve ser RESISTENTE para suportar combustão da carga
propulsora
Deve ser ELÁSTICO para permitira a extracção
O latão para cartucho é composto por 72% de COBRE e
28% de ZINCO, requerendo esta liga o emprego de
matérias primas muito puras e processos de fabrico
especiais.
Actualmente o invólucro representa cerca de 1/3 do peso
total da munição
CARTUCHO CONSUMÍVEL
A FORMA
Resulta da densidade de carregamento
Relação entre PESO DA CARGA e VOLUME POR
ELA OCUPADA
Uma vez estabelecida essa relação temos:
INVÓLUCRO CURTO E LARGO
INVÓLUCRO COMPRIDO E ESTREITO
A escolha não é indiferente pois:
INVÓLUCRO CURTO E LARGO
Dificulta a obturação e a ligação ao projéctil
INVÓLUCRO COMPRIDO E ESTREITO
Aumenta o peso da arma por exigir uma grande
caixa da culatra e câmara
É o Major Suiço RUBIN quem resolve satisfatóriamente o
problema criando o COLO o que permite obter um invólucro
de diâmetro superior ao do projéctil tal como o conhecemos
hoje em dia
A forma exterior influí na alimentação e na organização dos
diferentes dispositivos de reunião de cartuchos
(carregadores e fitas)
A forma interior acompanha a exterior, mas a espessura
aumenta do colo para a base, devendo ser calculada de
modo que não se dê a rotura, em particular, na zona entre
o colo e o corpo
No invólucro há a considerar quatro regiões, a saber:
COLO CORPO Forma tronco-cónica
CONCORDÂNCIA BASE
Facilita acção dos gases Com REBORDO ou
GARGANTA
BASE
Em garganta
Melhor acomodação nos depósitos Em rebordo
Extracção mais fácil
A ESCORVA
Contra-cápsula
Canais de inflamação
Bigorna
Base de garganta
Base de rebordo
Guarda Cápsula Composição detonante
Cápsula
CÁPSULA
Introduz-se juntamente com a bigorna
Suficientemente dúctil para poder ser esmagada pelo
percutor e com a rijeza bastante para resistir à perfuração
Capacidade de dilatação de modo a obturar completamente
o alojamento da escorva no momento da detonação
GUARDA CÁPSULA
A guarda-cápsula de emprego actual muito raro, justificava-
se nas armas de depósito no fuste, pois o seu fim era tornar
a escorva menos sensível
COMPOSIÇÃO DETONANTE
Deve ser tal que não se altere com o tempo, nem dê origem
ao fenómeno da combustão lenta
Deve ser anti-corrosiva não devendo atacar o metal da
cápsula
Composta por: Fulminato de mercúrio – 27%
Pó de vidro – 7%
Sulfureto de antimónio – 29%
Clorato de potássio – 37%
Sobre a matéria detonante, que deve ser comprimida
contra as paredes da cápsula, coloca-se um disco, de
estanho que se destina a proteger a matéria fulminante da
influência da humidade atmosférica
CONTRA-CÁPSULA
A contra-cápsula é uma caixa cilíndrica, fechada
anteriormente e aberta posteriormente para conter a
BIGORNA e a CÁPSULA
No fundo estão abertos os canais da inflamação
BIGORNA
É uma pequena peça de latão achatada com a forma de
mitra e contra a qual se esmaga a composição fulminante
Em alguns modelos o próprio fundo da contra-cápsula,
recurvado, forma a bigorna.
A escorva compreende:
CONTRA-CÁPSULA
CÁPSULA FULMINANTE
BIGORNA
GUARDA CÁPSULA
MATÉRIA DETONANTE
A CARGA
Carga é o nome que se dá à porção de substância
explosiva que se introduz no invólucro para dar movimento
ao projéctil
As substâncias explosivas podem ser sólidas, líquidas ou
gasosas
Ao fenómeno originado pelo desenvolvimento muito rápido
e violento de uma grande quantidade de gases ou de
corpos no estado gasoso, com elevada temperatura e num
espaço relativamente pequeno, acompanhado de
enérgicas acções mecânicas, devido às fortes pressões
que os gases exercem sobre as paredes das câmaras que
os contém e sobre os corpos vizinhos, dá-se o nome de
EXPLOSÃO
As substâncias explosivas, segundo a sua aplicação
podem ser:
Explosivos propriamente ditos, empregues no
carregamento das granadas
Pólvoras, que servem para constituir as cargas propulsoras
dos projécteis
Detonantes, utilizados na confecção de vários artifícios
(escorvas, espoletas, etc.)
A carga propulsora dos projécteis deve satisfazer um conjunto de
condições, das quais algumas se contrariam e que são:
Dar lugar a pressões e velocidades regulares e iguais
Ter grande potência balística mas ter uma fraca força expansiva
Funcionar a uma temperatura relativamente pouco elevada
Possuir fraco poder corrosivo e não originar gases deletérios
Não ser higroscópica
Ser de inflamação rápida e segura
Ser de combustão progressiva
Não dar origem nem a fumos nem a resíduos
Ser de fácil conservação
Não se alterar sob a acção do clima, dos corpos ou metais com que está
habitualmente em contacto
Ser de fácil fabrico
Poder ser transportada sem perigo
Ser de emprego seguro
Ser de fraco custo e utilizar ingredientes que se possam obter sem dificuldade em
tempo de guerra
PÓLVORA NEGRA
Salitre, carvão e enxofre
ROGER BACON (1212-1294)
BERTOLDO SCHWARTZ
CHINESES
ÁRABES
As pólvoras negras produziam pressões demasiadas e um
recuo insuportável, sendo necessário recorrer a um outro
explosivo.
Experimentou-se primeiramente o algodão pólvora,
descoberto em 1845 por SCHONBEIN
Muito sensível – rápida combustão
Base - NITROCELULOSE
Quando se trabalhava no aperfeiçoamento desta pólvora, o
engenheiro químico francês VIEILLE apresentou em 1884,
um explosivo cuja base era o algodão pólvora, mas sem o
aspecto fibroso deste.
Era uma substância compacta, sem poros, capaz de arder
do exterior, camada por camada, para o centro. Como não
dava origem a fumos ficou conhecido pelo nome de
PÓLVORA SEM FUMO
As suas características gerais são: sob um volume igual e
um peso sensivelmente menor, fornece uma quantidade de
gases muito maior
Com ela conseguem-se grandes e constantes velocidades
e pressões regulares, não apresentando perigos no seu
fabrico, manuseamento e transporte
ALFRED NOBEL
Combina pela primeira vez a NITROCELULOSE com
NITROGLICERINA
Mistura de GLICERINA com ÁCIDO NÍTRICO – Altamente
explosivo
PÓLVORAS SEM FUMO
Praticamente todas as modernas pólvoras sem fumo
contêm nitrocelulose, mas é costume classificá-las em dois
grupos, a saber:
PÓLVORAS NITROGLICÉRICAS - aquelas que contêm
além de nitrocelulose, uma certa proporção de
nitroglicerina
PÓLVORAS NITROCELULÓSICAS - aquelas que não
contêm nitroglicerina
As PÓLVORAS NITROGLICÉRICAS, em relação às
NITROCELULÓSICAS são caracterizadas por:
Terem maior energia potencial
Serem menos higroscópicas
Terem maior velocidade específica de combustão
Serem mais homogéneas
Serem mais estáveis
Terem combustão mais regular e completa
Terem um custo menos elevado
Possuírem maior densidade
Serem de fabrico fácil, mas mais perigosas.
Apesar de todas estas vantagens dá-se a preferência às
PÓLVORAS NITROCELULÓSICAS porque as
NITROGLICÉRICAS têm:
Uma temperatura de deflagração muito superior
(nitroglicéricas = 2.800º, nitrocelulósicas = 2.300º)
O seu poder erosivo é muito maior
MUNIÇÕES ESPECIAIS
Cartuchos especiais de guerra:
- Cartucho com projéctil perfurante
- Cartucho com projéctil luminoso
- Cartucho com projéctil misto (luminoso e perfurante)
- Cartucho com projéctil incendiário
- Cartucho com projéctil explosivo
- Cartucho com projéctil expansivo
- Cartucho sem projéctil (para dilagrama)
Cartuchos especiais para instrução:
- Cartucho com projéctil:
- para tiro reduzido
- reduzido
- simulado
- Cartucho simulado
- Cartucho de salva
CARTUCHO PERFURANTE
Com o aperfeiçoamento das blindagens das viaturas de
transporte de pessoal e dos CC, tornou-se necessário o
desenvolvimento das munições de modo a que pudessem
penetrar nas respectivas blindagens
AÇO
CHUMBO
CARTUCHO MISTO
Concebidas para facilitar a pontaria contra alvos móveis
animados de grande velocidade. Deixam um rasto luminoso à sua
rectaguarda, desenhando perfeitamente no ar a sua trajectória,
razão porque também lhes dão o nome de TRACEJANTES
FÓSFORO
Diminuição gradual peso
projéctil
PROJÉCTIL INCENDIÁRIO
Projéctil Buckingham – 8mm 0,8 g de fósforo
Orifício coberto
por solda em
DARCET que
funde aos 94º
PROJÉCTIL INCENDIÁRIO
Projéctil S.A. – 7,9 mm
0,65 g de fósforo
Bloco livre de
chumbo com
Orifício coberto caneluras
por solda em
DARCET que
funde aos 94º
Percutor
Carga
PROJÉCTIL EXPLOSIVO
Percutor
PROJÉCTIL EXPLOSIVO
PROJÉCTIL EXPANSIVO
CARTUCHO com PROJÉCTIL para TIRO
REDUZIDO
CARTUCHO com PROJÉCTIL REDUZIDO
Para tornar a instrução de tiro mais económica empregam-
se estas munições semelhantes às reais, com o mesmo
invólucro e escorva mas em que a carga é de menor peso e
a bala descamisada
O projéctil atinge uma velocidade na ordem dos 250 m/s
CARTUCHO com PROJÉCTIL SIMULADO
CARTUCHO SIMULADO
CARTUCHO DE SALVA
CARTUCHO para DILAGRAMA
Antevisão:
GRANADAS DE MÃO E ESPINGARDA