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Experimento 6

1) O documento descreve um experimento para determinar a curva de dispersão de um material transparente usando um prisma e um espectroscópio. 2) No experimento, mediram-se os desvios mínimos de diferentes cores da luz ao passar pelo prisma, relacionando-os aos comprimentos de onda correspondentes. 3) Os resultados permitiram calcular o índice de refração do vidro do prisma para cada comprimento de onda e, dessa forma, traçar a curva de dispersão do material.

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1) O documento descreve um experimento para determinar a curva de dispersão de um material transparente usando um prisma e um espectroscópio. 2) No experimento, mediram-se os desvios mínimos de diferentes cores da luz ao passar pelo prisma, relacionando-os aos comprimentos de onda correspondentes. 3) Os resultados permitiram calcular o índice de refração do vidro do prisma para cada comprimento de onda e, dessa forma, traçar a curva de dispersão do material.

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DIG-FIS654 - PA3 - FISICA EXPERIMENTAL AII

Dispersão da luz em um prisma


João Felippe Nunes Rocha e Melissa Dias Mattos
Instituto de Fı́sica, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG

6 de junho de 2022

I. Objetivos

• Determinar a curva de dispersão de uma material


transparente utilizando um espectroscópio.

II. Introdução

A refração de uma onda consiste na mudança de ve-


locidade de propagação de um meio para outro, o que
resulta em um desvio da direção de incidência, ocorrendo
um afastamento ou aproximação da direção ortogonal à
interface entre os meios. Considerando um feixe de luz
vindo do vácuo atravessando um meio transparente, cujo
Figura 1: Curvas de dispersão por meio do ı́ndice de refração relacio-
ı́ndice de refração é igual a n tal que n = c/v, ele será
nado ao comprimento de onda de diversos materiais.
refratado seguindo a Lei de Snell da seguinte forma:

Em um prisma, observa-se a decomposição das linhas


sin θi = n sin θr (1)
espectrais da luz, em virtude da dispersão, quando esta
atravessa o objeto. Seja um ângulo δ(n), a luz deflete
onde os ângulos são medidos em relação a normal à su- seguindo a relação:
perfı́cie, em que i corresponde ao feixe incidente e r cor-
responde ao feixe refratado.
O ı́ndice de refração n, de um modo geral, está relacio- dδ(n) dδ dn
= × (2)
nado ao comprimento de onda λ da luz. Essa dependência λ dn dλ
é denominada de dispersão cromática, que refere-se a um
dδ dn
atraso diferencial que as várias componentes espectrais do em que dn é uma propriedade da instrumentação e dλ
pulso ou do sinal propagante submetem devido à resposta indica a dispersão, relacionada ao material do prisma em
das cargas elétricas do meio em vista da ação do campo questão.
elétrico da luz. No experimento, utilizou-se um prisma, cujo material é
As curvas de dispersão podem ser obtidas pela feito de vidro, e sua seção é um triângulo isósceles. Assim,
variação do ı́ndice de refração em função da frequência o raio de luz desvia de um ângulo δ passando por um
de radiação ω, conforme a figura 1, onde, em razão ângulo mı́nimo δmin , após refratar na interface ar-vidro e
da absorção da luz pelo material, o meio possui três vidro-ar, de modo que o feixe atravessa paralelamente a
frequências de ressonância. base do prisma, de acordo com a figura 2.

1
DIG-FIS654 - PA3 - FISICA EXPERIMENTAL AII

Assim, o ângulo R̂ é dado por:

R̂ = ϕ1 − ϕ2 (4)

Posteriormente, posicionou-se o prisma no espec-


troscópio a fim de observar as raias espectrais. Pelo
telescópio identificou-se os feixes incidente e os feixes
emergentes, decompostos em várias cores conforme na
tabela 1.

cor λ( Å)
vermelho 6907.2 (fraco)
amarelo 5790.7; 5769.62 (forte)
Figura 2: Esquema geométrico da luz incidente no prisma de vidro
verde 5460.7 (forte)
para a medida do desvio mı́nimo.
verde-azul 4916.0 (médio)
azul 4358.3 (forte)
A partir da determinação do ângulo δ, obtém-se a
violeta 4077.8 (médio); 4046.5 (fraco)
medição do ı́ndice de refração dado por:
Tabela 1: Cores, comprimentos de onda λ e as correspondentes in-
sin θ1 sin ( δmin2+ Â ) tensidades associadas às principais linhas da lâmpada de
n= = (3) mercúrio.
sin θ2 sin Â2
Na parte experimental foram dispostos um espec-
troscópio, um prisma de vidro e uma lâmpada de mercúrio Após localizar as raias, girou-se a mesa lentamente,
de baixa pressão, de modo que o prisma foi colocado em acompanhando a imagem e localizando a posição de re-
um suporte no centro do espectroscópio, onde seu vértice torno dado pelo ângulo mı́nimo δmin para cada cor do
de ângulo  dirigia-se para o feixe de luz. A partir disso, espectro da lâmpada de mercúrio. Em seguida, com
realizou-se 5 medições das posições dos feixes refletidos relação ao raio incidente, inverteu-se a posição do vértice
nas duas faces do objeto, os ângulos ϕ1 e ϕ2 a partir dos do prisma e determinou-se as novas posições do feixe
ângulos α e β, conforme a imagem 3, a fim de determinar refratado na posição de retorno da imagem, cujo desvio é
o valor do ângulo Â. mı́nimo, com o intuito de obter o valor médio do ângulo
δ e seu desvio.
A nı́vel atômico, considere que atuem forças restaura-
doras elásticas responsáveis por ligar os elétrons ao seus
átomos do vidro, ou seja, F = −me ω0 2 X, tal que X corres-
ponde aos deslocamentos do elétrons em relação às suas
posições de equilı́brio e ω0 é a frequência natural do osci-
lador. A força atuante em um elétron, proveniente de um
campo E de uma onda eletromagnética com frequência ω
é dada por:

FE = eE(t) = eE0 cos (ωt) (5)

Pela 2ª lei de Newton tem-se:

d2 X
eE0 cos (ωt) − me ω 2 X = me (6)
dt2
cuja solução é:

eE(t)
Figura 3: Esquema geométrico da luz incidente no prisma de vidro. X (t) = X0 cos (ωt) = (7)
m e ( ω0 2 − ω 2 )

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Para N elétrons por unidade de volume, a polarização é O valor de x é dado por


dada por:
90º + x + (θ1 − θ2 ) + θ2 = 180º
e2 NE(t)
P(t) = eNX (t) = = ( ϵ − ϵ0 ) E ( t ) (8) Isto é,
m e ( ω0 2 − ω 2 )
x = 90º − θ1
onde o primeiro termo é o momento do dipolo elétrico, Assim,
ϵ e ϵ0 correspondem às permissividade elétrica do meio  + 2[ x + (θ1 − θ2 )] = 180º
em questão e do vácuo, respectivamente. Sabendo que
n2 = ϵ/ϵ0 , tem-se: ∴

θ2 = (11)
2
Ne2 f 2 ω0 2
n2 = 1 + = 1+ (9) Para o valor de θ2 tem-se:
ϵ0 m e ( ω 0 2 − ω 2 ) ( ω0 2 − ω 2 )
2(θ1 − θ2 ) + R = 180º
tal que f = Ne2 /(ω0 2 ϵ0 me ) é a força de oscilador que, por
sua vez, indica a contribuição de transição eletrônica para
o ı́ndice de refração n(ω ). R̂ = 180º − 2θ1 + 2θ2
Pela figura 4:
III. Questões R̂ + δmin = 180º
R̂ + 180º − 2θ1 + 2θ2 = 180º
Questão 1: Demonstre a equação 3.
δmin = 2θ1 − 2θ2
Da equação 1 tem-se ∴
sin θ1 δ + 2θ2 δ + Â
n= (10) θ1 = min = min (12)
sin θ2 2 2
Substituindo os valores finais das equações 11 e 12 em
Onde os ı́ndices 1 e 2 correspondem aos ângulos de
10, obtem-se a relação dada por 3.
incidência (i ) e de refração (r ), respectivamente. Consi-
dere o esquema geométrico da luz incindindo no objeto
Questão 2: Mostre que R̂ = 2 Â.
na figura 4.
Seja um ângulo β inscrito na circunferência formado a
partir do arco, onde seu vértice está sobre a circunferência,
conforme a figura 5. Seu valor corresponde à metade do
ângulo central (α).

Figura 5: Um ângulo é conhecido como inscrito quando o seu vértice


for um ponto da circunferência. O ângulo inscrito é dado
pela metade do ângulo central.

Aplicando isso na situação da figura 4, isto é, ao cir-


cunscrever o triângulo vermelho, tem-se, portanto, que o
ângulo  é dado pela metade do ângulo central R̂, ou seja,
Figura 4: Esquema geométrico da luz incidente no prisma. R̂ = 2 Â.

3
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IV. Resultados e discussão em que n = 5 corresponde as cinco medições realizadas.


Assim, de forma semelhante para ϕ2 :
Em um primeiro momento, posicionou-se o prisma s
com o vértice a ser medido dirigido para o feixe de luz no
∑1n=5 (αn − α)2
centro do espectroscópio, conforme o esquema da figura u(ϕ2 ) = = 2, 1º
5
3. Dessa forma, após efetuar 5 medições, determinou-se
as posições dos raios refletidos ϕ1 e ϕ2 nas duas faces Logo:
do prisma. Vale ressaltar que, inicialmente, mediu-se os
ângulos α e β, que relacionam-se com os ângulos ϕ1 e ϕ2 ϕ1 = (234 ± 1)º
da seguinte forma:
ϕ2 = (127 ± 2)º
ϕ1 = 180º + β (13) Com esses dados e de acordo com a equação 4:

ϕ2 = 90º + α (14) R̂ = (107 ± 2)º


Os ângulos obtidos, em graus, foram dados pela tabela 2. Sendo a incerteza dada por:
q
β (º) α (º) u( R̂) = u(ϕ1 )2 + u(ϕ2 )2 = 2, 24º
(55 ± 1 ) (37 ± 1)
(53 ± 1) (34 ± 1) Portanto, sabendo que R̂ = 2 Â:
(56 ± 1) (36 ± 1) R̂
(54 ± 1) (39 ± 1) Â == 53, 5º
2
(56 ± 1) (40 ± 1)
Enquanto a incerteza é dada por:
Tabela 2: Medições dos ângulos β e α.
u( R̂)
u( Â) = = 1º
2
Portanto:
Portanto, de acordo com as relações das equações 13 e
14, obteve-se os seguintes dados:
 = (54 ± 1)º
ϕ1 (º) ϕ2 (º) Por sua vez, a segunda parte do experimento consiste
( 235± 1) ( 127± 1) em medir o ângulo de fuga de cada raia do espectro de
( 233± 1) ( 124± 1) cores, conforme a figura 2. Assim, montou-se a seguinte
( 236± 1) ( 126± 1) tabela, para medições à direita e à esquerda do prisma:
( 234± 1) ( 129± 1)
( 236± 1) ( 130± 1) cor δD δE
amarelo 1 48º40’ 360º - 311º40’ = 48º20’
Tabela 3: Ângulos ϕ1 e ϕ2 relacionados às posições dos feixes refletidos amarelo 2 49º00’ 360º - 311º20’ = 48º40’
nas faces do prisma. verde 49º10’ 360º - 311º10’ = 48º50’
verde-azul 49º50’ 360º - 310º40’ = 49º20’
azul 51º20’ 360º - 309º10’ = 50º50’
Desse modo, calculando uma média dos valores da violeta 1 52º20’ 360º - 308º40’ = 51º20’
tabela acima, obtém-se: violeta 2 53º10’ 360º - 307º20’ = 52º40’

ϕ1 = 234, 8º Tabela 4: Ângulos mı́nimos, dados em graus e em minutos, correspon-


dentes aos pontos de retorno das raias espectrais medidos
pelo lado direito δD e pelo lado esquerdo δE .
ϕ2 = 127, 2º
Onde a incerteza de ϕ1 é dada por desvio padrão:
s Com base nesses dados, no valor que se obteve anteri-
∑1n=5 ( β n − β)2 ormente e na equação 3, calculou-se os ı́ndices de refração
u(ϕ1 ) = = 1, 2º e tirou-se a média:
5

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λ( Å) nD nE nM Sendo assim, observando o gráfico e relacionando-o


5790,7 1 1,7197 1,7157 1,7177 à figura 1, pode-se perceber que a curva assemelha-se
5769,62 1,7238 1,7197 1,72175 com a curva “dense flint glass”. Infere-se, portanto, que o
5460,7 1,7257 1,7218 1,72375 material do prisma utilizado é um vidro de sı́lex denso.
4916 1,7218 1,7277 1,72475
4358,3 1,7513 1,7455 1,7484 V. Conclusão
4077,8 1,7629 1,7477 1,7553
4046,5 1,7724 1,7418 1,7571 Portanto, na primeira parte do experimento, com
medições diretas dos ângulos da luz incidente, obteve-
Tabela 5: ı́ndices de refração correspondentes aos pontos de retorno se indiretamente com tratamentos experimentais o vértice
das raias espectrais medidos pelo lado direito n D e pelo lado do prisma utilizado. Já na segunda parte, conseguiu-se
esquerdo n E e suas médias n M .
medir os ı́ndices de refração das raias espectrais e de-
terminar o material do prisma, com análises gráficas e
comparando com valores conhecidos.
Em que os comprimentos de onda estão associados
Ademais, foi observado que o prisma apresentava
com as respectivas cores da tabela 4. Portanto, com os
algumas danificações, portanto, uma possı́vel melhoria no
dados do ı́ndice de refração médio n M e os comprimentos
procedimento para aprimorar os resultados seria substi-
de onda das raias espectrais, da tabela anterior, montou-se
tuir o prisma utilizado.
um gráfico n × λ:
Referências

[1] Departamento de Fı́sica UFMG. Guia de Labo-


ratório Fı́sica Experimental AII.
[2] Fundamentos de Fı́sica - Gravitação, Ondas e Ter-
modinâmica, 10a edição, Halliday Resnick.
[3] [Link]
matematica-enem/
[4] [Link] rudge/pdf/
[Link]

Figura 6: Gráfico do ı́ndice de refração em função do comprimento de


onda, n × λ.

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