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Ensino de Português em Moçambique

Este documento discute o ensino da língua portuguesa em contextos heterogêneos de Moçambique do ponto de vista social, linguístico e cultural. Primeiro, contextualiza o português em Moçambique, onde é língua materna de apenas 4,8% da população e é mais falada na cidade de Maputo. Em seguida, aborda os desafios deste ensino em contextos onde há diversidade linguística e cultural, e a necessidade de estratégias que considerem estas diferenças para não excluir alunos.

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Ensino de Português em Moçambique

Este documento discute o ensino da língua portuguesa em contextos heterogêneos de Moçambique do ponto de vista social, linguístico e cultural. Primeiro, contextualiza o português em Moçambique, onde é língua materna de apenas 4,8% da população e é mais falada na cidade de Maputo. Em seguida, aborda os desafios deste ensino em contextos onde há diversidade linguística e cultural, e a necessidade de estratégias que considerem estas diferenças para não excluir alunos.

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Tomás Gaspar

Ensino da Língua Portuguesa em contextos heterogéneos: do ponto de vista Social,


Linguístico e Cultural

Licenciatura em Ensino de Português

Universidade Save
Maxixe
2020
 

Tomás Gaspar
1

Índice
[Link]ção............................................................................................................................................3
[Link]ção do tema.........................................................................................................................3
[Link].....................................................................................................................................3
1.3. Objectivos.......................................................................................................................................4
[Link]..............................................................................................................................................4
[Link]íficos.....................................................................................................................................4
[Link]ção...............................................................................................................................4
[Link]óteses..........................................................................................................................................5
[Link]......................................................................................................................................5
[Link]ção.................................................................................................................................6
2.1. O português em Moçambique.........................................................................................................6
2.2.O PEA da língua portuguesa em Moçambique.................................................................................6
[Link] da língua portuguesa em contextos heterogéneos do ponto de vista: Cultural.......................7
[Link]..............................................................................................................................................10
[Link]ístico......................................................................................................................................14
[Link]ão..........................................................................................................................................15
[Link]ências bibliográficas.................................................................................................................16
2

1. Introdução
A língua portuguesa é o meio de comunicação nas áreas da administração e de educação, tem
também sido referida como símbolo da unidade [Link], a língua por natureza é
um veículo da cultura, esta relação entre a língua e cultura pode ser vista na afirmação de
Marconi e Presotho quando dizem: "A grande diversidade de línguas, acompanha a grande
diversidade de culturas, cada uma delas com suas formas e estruturas básicas bem definidas".
Tendo em conta a impossibilidade de isolar a cultura da língua neste trabalho irá abordar-se
Ensino de Língua Portuguesa em contextos heterogéneos: Do ponto de vista Cultural, Social e
Linguístico. O tema em estudo é bastante pertinente para a formação docente na medida que
permite compreender melhor o público-alvo e procurar estratégias eficazes para trabalhar no
contexto sala de aula tendo em conta a heterogeneidade social, cultural e linguística. Para a
materialização deste trabalho usou-se o método bibliográfico, que resultou na leitura de obras
que versam sobre o tema em estudo.

1.1. Delimitação do tema

Esta abordagem traz uma visão naquilo que concerne ao ensino da língua portuguesa em
diversos contextos, onde a heterogeneidade como diferenças no processo de ensino e
aprendizagem da língua portuguesa precisa que o professor seja um indivíduo preparado com
pressupostos sociolinguísticos para atender as diferenciações dos alunos no uso da língua, e
não só legitimar as regras gramaticais exigidas pela língua deixando de lado as suas variações.

1.2. Justificativas
A escolha do referente tema, deveu-se pelo facto de perceber-se que o ensino da Língua
Portuguesa, pelo que se pode observar em suas práticas habituais, tende a tratar essa fala da e
sobre a linguagem como se fosse um conteúdo em si, não como um meio para melhorar a
qualidade da produção linguística.

1.3. Objectivos

1.3.1. Geral

 Compreender as estratégias a ser usadas no ensino da língua portuguesa em contextos


heterogéneos.
3

1.3.2. Específicos
 Fazer uma reflexão de ensino da língua portuguesa sob ponto de vista social,
linguístico e cultural;
 Avaliar o ensino da língua portuguesa em Moçambique;
 Estudar os benefícios trazidos pelo ensino da língua portuguesa em contextos
heterogéneos;
 Descrever os desafios de ensino da língua portuguesa em contextos heterogéneos.

1.4. Problematização
O problema, consiste em um enunciado explicitado de forma clara, compreensível e
operacional, cujo melhor modo de solução ou é uma pesquisa ou pode ser resolvido por meio
de processos científicos.

A língua portuguesa pode ser vista como um facto que determina a exclusão de muitos alunos
que falam a língua portuguesa como L2 no contexto escolar, quando o sistema de ensino não
considera a situação sociolinguística dos alunos, uma vez que Moçambique é um pais
plurilinguístico e temos português como L2, que é aprendida simplesmente na escola. Face a
esta ideia surge a seguinte problemática: Que mecanismos podem ser usados para que os
alunos que tem LP como L2 não se sintam discriminados na sala de aula?

1.5. Hipóteses

Feita uma análise, as hipóteses são suposições colocadas como respostas plausíveis e
provisórias para o problema da pesquisa, podendo ser confirmadas ou refutadas com o
desenvolvimento da pesquisa.

 Os alunos são obrigados a falar a língua portuguesa taxativamente do padrão


europeu, caso houver algumas diferenças esses são considerados errados
linguisticamente, porque esses usam a língua fora do padrão, e este facto faz com
que os alunos tenham problemas de se comunicar livremente com os outros, ou
seja esta modalidade de ensino faz com que haja exclusão social, uma vez que
olha-se apenas para aquele aluno que tem a língua portuguesa como língua
materna / L1, excluindo aqueles que tem a língua portuguesa como L2, e
consequentemente pode resultar ao fraco aproveitamento, assim como ao
abandono escolar.
4

 A escola sendo um lugar de socialização devia proporcionar mecanismos como:


debates a cerca da vivência dos alunos, partindo de algo que já conhecem de
modo que possam comentar livremente na sala de aulas e entre eles, assim
desenvolvendo a oralidade, competência linguística-comunicativa e
enriquecendo o seu vocabulário.

1.6. Metodologia

A metodologia de pesquisa consiste num “conjunto dos métodos e das técnicas que guiam a
elaboração do processo de investigação científica, bem como, a secção de um relatório que
descreve os métodos e as técnicas utilizadas no quadro dessa investigação”.

Entretanto, para a efectivação do presente trabalho, recorreu-se a consulta de manuais com


auxílio de Pdf formais, sobre os conteúdos inerentes ao tema e, posteriormente, compilaram-
se as informações por computorização, entretanto, o presente trabalho foi elaborado seguindo
os pontos estabelecidos nas normas de elaboração e apresentação de um projecto de pesquisa.

2. Contextualização

2.1. O português em Moçambique

Em Moçambique cerca de 4.8% da população total têm-na como língua materna e constituem
uma significativa percentagem de 17,7% de falantes na cidade de Maputo. Segundo esse
autor, mais de 90% dos falantes de Língua portuguesa como língua primeira estão instalados
na cidade de Maputo, ao passo que 78% dos falantes bantu como língua primeira estão
localizados no campo ARAKAKI (2006, p.47).

É preciso considerar um aspecto: o fato de a língua portuguesa não ser a língua materna de
países como Angola e Moçambique, onde predominam línguas nacionais africanas, e por
terem atravessado um difícil período histórico de dominação colonial portuguesa, muitos não
se sentem “lusófonos”, como explica. Em outras palavras, a lusofonia é vista como espaço
histórico de variações linguísticas, culturais e políticas, levando em consideração que a língua
portuguesa se diferencia nas diversas nações onde é empregada, dada a pluralidade linguística
e cultural de cada povo, as inter-relacoes linguísticas (línguas nacionais, língua portuguesa e
outras línguas estrangeiras) e os interesses políticos que perpassam todo o processo da
lusofonia Namburete (2006, p. 63).
5

2.2. O PEA da língua portuguesa em Moçambique


Em relação ao ensino/aprendizagem de língua portuguesa, Irandé Antunes (2003) expõe que a
actividade pedagógica de ensino do português deve tomar como eixos fundamentais quatro
campos: oralidade, escrita, leitura e gramática. Segundo a autora, o trabalho com a oralidade
deve ser voltado para a variedade de tipos e de géneros de discursos orais, de modo que essa
oralidade seja orientada para facilitar o convívio social, para proporcionar o desenvolvimento
da competência comunicativa dos alunos. Em relação ao segundo eixo, a escrita, Antunes
aponta para actividades que fortaleçam a composição de textos que tenham, de fato, leitores,
sendo, pois, adequados em sua forma de se apresentar. No que se refere às práticas de leitura
em sala de aula, coloca que as actividades devem garantir leituras diversificadas e motivadas,
tendo como meta uma actividade crítica, que extrapole a mera descodificação de palavras e
chegue à interpretação dos aspectos ideológicos do texto. O trabalho com a gramática, para
ela, terá que prever a pluralidade de normas linguísticas, pois “a gramática existe não em
função de si mesma, mas em função do que as pessoas falam, ouvem, lêem e escrevem nas
práticas sociais de uso da língua” (ANTUNES, 2003, p. 89).
Para Almeida Filho (2007, p. 64), uma língua materna “[...] é uma língua que se presta à
comunicação ampla desde a casa, passando pela rua até a escola e os meios culturais. Ela é
uma língua em que se constitui a identidade pessoal, regional, étnica e cultural da pessoa
[...]”. Por isso, para ele, ensinar essa língua “[...] não mais se resume ao ensinar o seu sistema
gramatical e a nomenclatura correspondente (ensinar sobre a língua-alvo, ensinar
metalinguagem)” (ALMEIDA FILHO, 2007, p. 64).
Ele expõe que, no contexto de ensino/aprendizagem de língua materna, o pretendido seria
ensinar ao aluno reconhecer-se em uma variedade e permitir a expansão dos seus recursos
linguísticos, para que, assim, ele consiga transitar pelas diversas variedades da língua,
sobretudo pela de prestígio. Esse “movimento” extrapola o conhecimento formal da língua,
ampliando-a em suas especificidades contextuais culturais. No ensino/aprendizagem de
português como língua materna, diferentemente do ensino dessa língua em outras situações,
como português como língua estrangeira ou segunda, pode ser percebido que a estrutura da
língua do aluno e da língua alvo (a padrão ou culta) é a mesma, sendo distinguida uma da
outra exactamente pelo componente cultural, que é responsável pela diferença de usos entre
elas. O diálogo entre culturas, pressuposto fundamental da interculturalidade, consistiria na
aproximação entre as variantes dessa língua, de modo a não tomar a diferença como
deficiência.
6

2.3. Ensino da língua portuguesa em contextos heterogéneos do ponto de vista:


Cultural
Sapir citado por GONSALVES (2006:4) em uma de suas primeiras obras, afirmou que “a
língua não existe isolada de uma cultura, isto é, de um dado conjunto socialmente herdado de
práticas e crenças que determinam a trama das nossas vidas”. Estás palavras mostram que a
relação que se estabelece entre esse conjunto e a chamada língua, e os efeitos que essa relação
tem sobre a maneira como os falantes interagem com a realidade, ou seja, a possibilidade de
que a língua, através da cultura, de certa forma molde o ponto de vista sobre a realidade do
falante. Com isso pode-se concluir que aprender uma língua é conhecer a realidade da mesma,
as diferenças que são visíveis nas línguas representam também visões diferentes dos seus
falantes.

É por isso que indivíduos de culturas diferentes podem ser facilmente identificados por uma
série de características, tais como o modo de agir, vestir, caminhar, comer, sem mencionar a
evidência das diferenças linguísticas, o fato de mais imediata observação empírica. Levando
em conta estas considerações é notável a necessidade de contemplar a cultura do aluno no
ensino da nova língua, isto é a portuguesa neste caso.

Por sua vez FIGUEIREDO (2014:8) cita BORTONO que diz " É direito do educando a
preservação de sua identidade cultural específica, seja ela rural ou urbana, popular ou elitista.
A aprendizagem da norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística e
comunicativa do aluno, que deverá aprender a empregar uma variedade ou outra, de acordo
com as circunstâncias da situação de fala", portanto este ponto de vista secunda afirmação
anterior e desta forma torna-se, assim, inegável a importância da variedade padrão, adaptar-se
ao contexto da aprendizagem,

Com base nestas citações pode ser visto que as Línguas Bantu em caso específico de África
são importantíssimas para a identidade, para a cultura e para a convivência social e étnica.
Elas são importantes para a comunicação nacional, regional e continental. Sendo estas línguas
carregadoras da cultura dos povos africanos precisa˗se traçar metodologias que farão com que
os estudantes possam compreender a própria cultura, e assim, a cultura do outro por meio da
língua do ensino, pois português como língua estrangeira apresenta visões parciais de
realidade cultural.

DIAS e CORREA 2011:899 apresenta a proposta de Sena (1999) que vê a escola como um
espaço que deve abranger o cultural, e desta maneira, ele propõe o bidialetalismo para a
7

transformação, em que a norma padrão entraria como parte da cultura, além das outras
variantes.
Este processo consiste mostrar ao aluno que ele pode falar do seu jeito e do jeito que a escola
pede. Para isso é preciso ensinar a linguagem formal levando em consideração a realidade do
aluno, demonstrando desta forma o respeito e valorização do dialecto não padrão dos seus
alunos.
Segundo Fiorin (2013), citado por TIMBANA (2015:94) “todos os seres humanos,
independentemente de sua escolaridade ou de sua condição social, a menos que tenham
graves problemas psíquicos ou neurológicos, falam a sua língua materna”. A maior parte dos
moçambicanos possui pelo menos uma LB como língua materna. Por sua vez A Declaração
Universal de Direitos Linguísticos (Unesco, 1996), no seu 2º artigo, nº 2 estabelece: o direito
ao ensino da própria língua e da própria cultura; o direito a dispor de serviços culturais; o
direito a uma presença equitativa da língua e da cultura do grupo nos meios de comunicação;
o direito a serem atendidos na sua língua nos organismos oficiais e nas relações
socioeconómicas. Levando-se em conta estas abordagens que mostram a presença da cultura
nas línguas apresenta-se algumas estratégias que podem ajudar no ensino da língua
portuguesa neste contexto heterogéneo.

A cultura e ensino de língua estão intimamente conectados, porém, há uma maneira de dar
espaço ao aluno para que sua “cultura” seja considerada quando este estiver diante da forma
que na escola se ensina língua. Inicialmente, para que isso aconteça é necessário que ao
professor de Língua Portuguesa fique claro que o aluno, seja do primeiro, segundo ou terceiro
grau, ao chegar à escola ou à universidade, já traz consigo todo um domínio das estruturas
básica da sua língua, o que lhe permite, bem ou mal, resolver todos os pequenos e grandes
problemas ligados ao seu mundo ou a sua realidade.

A norma padrão deve ser ensinada capacitando o aluno a dominar outra variante que não é a
sua, adequando seus usos linguísticos a diferentes contextos situacionais, e não exigindo que o
aluno substitua sua variante (vernacular) pelapadrão. É preciso que o aluno aprenda os
padrões da norma culta e ao mesmo tempo reconheça que os diferentes dialectos são legítimos
e fazem parte da cultura humana. E a forma prática de incutir isso na mente do aluno é por o
professor passar a ser menos preconceituoso e intolerante, aceitando que a diversidade
linguística é inerente à língua e deve se fazer presente nas práticas em sala de aula, o que
envolve não repreender os alunos pelos pequenos erros que cometem, pois isso significaria
que o “português correcto” é o padrão imposto pelas gramáticas e que a língua na sua forma
8

coloquial é errada e decadente. Recriminações nesse sentindo fazem com que os alunos não
tenham um bom convívio e desempenho em sala de aula, já que, se sentirão à parte do mundo
educacional proposto pela instituição de ensino que estudam.

Outras formas de ensinar a língua neste contexto é trazer textos que envolvem o quotidiano do
aluno, isto é, que retratam a convivência social e cultural do conhecimento do aluno, isso
contribui para se sentir parte da língua do ensino, já que as abordagens discursivas˗culturais
com perspectiva intercultural podem ser alternativa mais significativa na aprendizagem do
português pelos variados estudantes, visto que poderão confrontar as referencias que possuem
em relação à línguas materna com a língua do ensino.

Cabe ao professor ensinar expressões que fazem parte do quotidiano da cultura do aluno, para
tornar a comunicação mais autêntica e fazer com que os aprendentes possam se adequar a
diferentes níveis de discurso.
É interessante que tanto a língua assim como a cultura são passíveis de mudança segundo
Sapir citado por SEVERO (2004: 129) ‟É da natureza da linguagem a mudança visto que não
há nada perfeitamente estático e a deriva de uma língua geral tem variável”. Continuando
Severo mostra nessa modificação existe um paradoxo pois embora ambas estejam sujeitas a
mudanças, essas se dão em velocidades diferentes, a língua se modifica mais lentamente, pois
um sistema gramatical, no que depende dele próprio tende a persistir indefinidamente. Em
outras palavras a tendência conservadora se faz sentir muito mais profundamente nos
lineamentos essenciais da língua do que da cultura.

Este extracto revela uma situação imperiosa que se deve levar em consideração no ensino da
língua portuguesa, levará tempo que os alunos assimilem-na eficazmente o que exigirá
paciência e tolerância nos professores de português.

2.4. Social

Segundo GONCALVES e CHUMBANE (2004:1) o facto de maior parte dos alunos de


Moçambique crescer num ambiente de miscelânea linguística, onde aprendem a língua
portuguesa como uma língua segunda ou mesmo língua terceira. (….) A língua portuguesa é
conhecida e falada por cerca de 40 porcentos da população (…), o que mostra claramente que
mais da metade dos alunos não tem a LP como sua LM. Como se pode observar, este quadro
revela um cenário de ensino-aprendizagem bastante desafiador, seja para os professores de
9

língua portuguesa, que terão de ensinar a LP como L2 ou, nalguns casos, como L3, seja para
os alunos que entrarão em contacto, nalguns casos, com a LP ( que não constitui a sua LM) no
contexto escolar, onde são desafiados a aprender simultaneamente a língua e os conteúdos.

FLORES (2006) refere que a questão linguística, apesar de certa consciência do problema e
de certas medidas de carácter metodológico (ensino de português como L2 para a maioria),
pode ser factor de exclusão de muitos alunos, reproduzindo a diferenciação social e
dificultando a efectiva igualdade de oportunidades.

Para BERNSTEIN (1980), ‘’a escola cria discursos que são exclusivamente acessíveis as
crianças da classe dominante e, por conseguinte, fomentadores da exclusão das crianças das
classes baixas’’ De acordo com este autor, o afastamento da criança de classe baixa é
explicado através da contextualização e recontextualização pelos quais as crianças passam na
família e na escola (….) a criança passa por uma contextualização primária na família que se
caracteriza por formas específicas de interacção, de selecção de significados e de produções
textuais que a criança assimila.

BOURDIEU e PASSERON (1992), citado por DIAS, (……) os valores da classe dominante,
impostos á classe dominada, eram legitimados pelo currículo. Assim, podemos observar que
havia (ou continua havendo) toda uma cultura de estigma e exclusão da língua e dos saberes
populares, o que contribuía (ou contribui) para o fracasso das crianças não-falantes da língua
portuguesa.

O professor de língua portuguesa, tendo em conta a homogeneidade linguística dos seus


alunos, deve criar estratégias de dar a sua aula reflectindo para o público-alvo (alunos) que irá
ensinar, de forma que nas suas aulas haja inclusão, e que os alunos que apresentam certas
dificuldades no uso da língua portuguesa não se sintam excluídos e possam aprender tanto
com os que tem uma boa competência linguística-comunicativa da (Língua portuguesa),
quanto com o professor. Pois, na medida que o aluno com dificuldades vai interagir acerca de
um certo conhecimento, estará a desenvolver linguisticamente, assim como adquirir saberes
da norma culta, pois aprende-se e desenvolve-se falando mesmo com alguns erros
linguísticos.

Uma vez que a criança sai de casa com uma forma específica de interagir, perceber e
transmitir certas informações diferentes das outras, o professor devem partir do conhecimento
que o aluno possui e fazer uma ponte entre o conhecimento formal, este que desejamos que o
10

aluno tenha e o informal. De modo a formar um individuo integral capaz de resolver


problemas do seu quotidiano.

A criança usa a língua para varias interpretações do mundo que o rodeia, todavia, é a partir
dela que transmite o que sente, pensa, logo o professor deve ter estratégias sólidas capazes de
fazer com que o aluno transmita com clareza e profundidade sobre o mundo que o rodeia, mas
para tal deve conhecer, compreender e dominar a língua portuguesa pois, é através desta que
irá transmitir o que sente, pensa sobre o mesmo. Enfim, quando mal percebe ou compreende a
língua terá dificuldades em transmitir certos saberes ou conhecimentos sobre o mesmo.

O ensino da língua portuguesa deve caber para as diferenciações sociais dos aprendentes, isto
porque, ela deve merecer e assumir as diferenças sociais dos alunos, onde o professor desta é
o dinâmico e principal de assumir essas variações sociais e cabe a ele sistematizá-las de
acordo com o tipo de aula a leccionar na sala de aulas, NAVARRO citado por
(FIGUEREIDO, 2014:1).

Segundo FIGUEREIDO (2014:4),“o professor da língua portuguesa deve sair do preconceito


linguístico de concentrar-se na transmissão estática da norma padrão ou da gramática
normativa, desestimulando o conhecimento dinâmico da língua e limitar toda a sua
diversidade” sabendo que ela não é estática evolui de acordo com o tempo e região em que é
falada.

É importante que o professor, no processo de ensino e aprendizagem da língua portuguesa,


inicie das diversas variações da língua para a variante padrão para permitir que os estudantes
tenham noção das diferenciações ambientais em que a língua é utilizada, e saber que as
formas linguísticas empregues na sociedade ou fora da sala de aula são partes importantes,
mas na sala de aula exige-se que se use a norma culta, pois, permite nos conhecer as
diferentes regras da sua utilização.

É necessário que os professores de língua portuguesa, a partir do reconhecimento desta causa


que enfraquece o desenvolvimento linguístico e comunicativo dos nossos estudantes, criem
condições elaborando teorias que possibilitem a integração das diferenciações linguísticas das
sociedades onde os alunos estão inseridas, e partir destas diferenciações fazer com que
melhorem a aprendizagem da língua, focando para a norma culta, por outra, os formadores de
professores devem adoptar normas bem delimitadas ou aulas bem especificadas que por sua
vez criem condições para a exposição da variabilidade linguística dos alunos na sala de aulas
11

para permitir que o professor medeie as suas aulas com uma base sólida á respeito da
diversidade linguística constatada.

De acordo com COELHO citado por (FIGUEREIDO, 2014:5) “afirma que o reconhecimento
dessa heterogeneidade linguística é um grande passo para modificar a ideologia, ainda hoje
presente na sala de aula, …acreditando que as escolas devem respeitar o saber linguístico
prévio de cada falante.

Segundo FIRMINO (2002) Uma das maiores consequências do facto do português não
constituir L1 de um número assinalável de moçambicanos, mas ensinado como L2, diz
respeito às elevadas taxas de abandono e insucesso escolar, quando a própria língua veiculada
se torna um obstáculo para os alunos. O reconhecimento da importância deste facto contribui
para o repensar do estatuto das línguas nativas quer na sociedade, quer na escola, facto que
culminou com a concepção de uma experiencia de escolarização bilingue, em 1989, cuja
concretização começou em 1993, nas províncias de Tete, Gaza, envolvendo as línguas
Chagana e Nyanja. A adaptação deste modelo de transição gradual baseava-se
fundamentalmente no pressuposto de que a alfabetização em língua materna nos primeiros
anos da escolarização conduz a melhor resultados do que numa segunda língua.

É um equívoco considerar que a norma padrão não deve ser ensinada na escola, todavia, é
direito do educando a preservação da sua identidade cultural, seja ela rula, urbana ou popular.
A aprendizagem da norma culta deve significar uma ampliação da competência linguística
comunicativa do aluno.

Tendo em conta que o estudante vem á sala de aulas com um conhecimento prévio, mas não
suficientemente sólido, cabe ao professor de língua portuguesa criar uma ponte entre o
conhecimento linguístico informal para o conhecimento linguístico formal, de modo a
desenvolver uma competência linguística-comunicativa desejável.

Por exemplo: o professor deve criar condições para que o aluno reproduza enunciados usando
a língua portuguesa, formar pequenos grupos tendo em conta os diferentes níveis sociais, onde
cada um ira falar da sua vivência em forma de debate, desta feita os alunos vão interagindo e
cada um vai explicar como é feita uma certa prática em sua sociedade, e assim conhecendo as
práticas sociais do outro e valoriza-las. A medida que o aluno vai interagindo o professor vai
retirando ou observando as possíveis dificuldades que apresentam no uso da Língua
Portuguesa, e procurar soluciona-las.
12

Para ultrapassar este quadro sombrio, é necessário que o professor seja muito criativo nas sua
aulas, assim como explorarem leituras em voz alta, conjuntamente com os temas de debates
(transversais), estes por sua vez ajudam ao enriquecimento linguístico do aluno, assim como
propor actividades desafiadoras sobre o padrão culto, que é pertinente e deve evoluir durante a
formação do aluno.

Uma vez que maior parte dos alunos moçambicanos vem a escola com pouco ou sem domínio
da língua portuguesa, esta que é usada no processo de ensino e aprendizagem para a
transmissão dos conhecimentos, sendo deste modo quase impossível reter os ensinamentos
transmitidos pelo professor. Porém, é pertinente que o professor de língua portuguesa seja
dotado de ferramentas pertinentes, metodologias, e saber implementa-las, tendo em conta
essas variedades e limitações na comunicação do aluno devido a falta de domínio ou
percepção pelo mesmo, só assim poderá se alcançar o desejável no aluno (boa competência
linguística-comunicativa).

2.5. Linguístico
Nota-se que a falta de contacto entre os falantes de uma mesma língua, gera um processo de
diferenciação linguística, onde a mesma pode acontecer geograficamente e surgem assim
dialectos regionais, ou a diferenciação, pode ser fruto da falta de contacto entre grupos que
ocupam diferentes posições na sociedade.

GAMARDI (1983) cita DIAS (2002), afirmando que a heterogeneidade linguística refere-se à
variedade de usos que um grupo linguístico pode fazer do sistema linguístico e as
divergências de estruturas que estão ligadas a essa mesma diversidade de uso. É esta
heterogeneidade na linguagem que cria a variação e variedades linguísticas. A mudança
linguística produz diferenças mas não resulta nem em evolução, nem em degradação da
língua, isto e, as línguas não ficam nem melhores nem piores e ficam mais ricas, pois as
formas antigas, enquanto delas houver memoria ou registo, podem ser empregadas de modo a
produzir efeitos particulares na interacção social, seja oral, escrita, entretanto, cabe à escola
resgatar a consciência histórica e promover o respeito à diversidade cultural e linguística e
isso não está em conflito com a tarefa de difundir a norma culta como forma de ampliar o
acesso ao conhecimento e à cidadania.

Cabe ao ensino ampliar a mobilidade sociolinguística do falante de como a garantir-lhe um


trânsito amplo e autónomo pela heterogeneidade linguística em que vive e não se concentrar
13

apenas no estudo de um objecto autónomo desapegado das práticas sócio-verbais. Sabemos


que a influencia da linguística no ensino da Língua Portuguesa ainda não se repercutiu
directamente nas praticas pedagógicas em sala de aula, sobretudo, as que se referem ao
funcionalismo linguístico, porem passou a ter um papel progressivamente mais visível ao
ensino de língua, tendo em conta que, apesar de muitas análises fonéticas, morfológicas,
sintácticas e as e outros pormenores da Gramática Normativa, já se acentua uma preocupação
com o funcionamento interactivo. Moçambique é um caso típico linguisticamente
heterogéneo, onde coexistem diversas línguas, nomeadamente, línguas autóctones, de raiz
bantu, faladas pela maioria de população, portuguesa, diversas línguas estrangeiras e ainda
outras línguas de emigrantes oriundos do continente asiático e seus descendentes.

CARVALHO (2008), salienta que a visão da sistematicidade linguística remeteu à questão do


funcionamento da língua enquanto instrumento privilegiado de comunicação humana, a
condição de código que para cumprir as suas funções deve ser estruturado. Tradicionalmente,
a linguagem utilizada na escola coloca em evidência as diferenças entre grupos sociais e gera
discriminação e fracasso, variantes linguística socialmente estigmatizadas, usadas por alunos
provenientes de camadas populares, provocam preconceitos linguísticos e resultam em
dificuldades da aprendizagem. A escola usa e quer ver usada a variante padrão socialmente
prestigiada.
14

3. Conclusão

Percebeu-se que a língua é indissociável da sociedade, pois entre ambas existe uma relação,
não só, é preciso, acredita-se, que as aulas de Língua Portuguesa sejam instrumentos de
aprendizado da convivência das diversidades manifestadas pelas línguas em contacto, pois, no
contexto heterogéneos, o cidadão precisa entender que ele é agente directo na formação dessa
sociedade, independente da sua origem, se veio como migrante, como imigrante ou se é
membro dos nativos indígenas e/ou das comunidades tradicionais. O que importa é que esse
indivíduo faz parte de um conjunto social. Sua cultura e seus conhecimentos servem e são
para desenvolver esse lugar.
15

3. Referências bibliográficas

NAMBURETE, E. Língua e lusofonia: a identidade dos que não falam portuguê[Link]:


BASTOS, N. B. (Org.). Língua portuguesa: reflexões lusófonas. São Paulo: EDUC, 2006.

ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes. Linguística Aplicada, ensino de línguas e


comunicação. Campinas: Pontes Editores, 2007.

ANTUNES, I. Aula de português – encontro e interacção. São Paulo: Parábola Editorial,


2003.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: língua


portuguesa / Secretaria de Educação Fundamental, Brasília, 1997.

ARAKAKI, Nancy Aparecida. O ensino de língua portuguesa em Moçambique no período


colonial de 1940 a 1960: uma visão historiográfica, São Paulo. 2006.

FIGUEREIDO, J. G. dos Santos etal, Heterogeneidade linguística X Ensino da Língua


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