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Educa Musicando

Enviado por

Diogo Pena
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
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INTRODUÇÃO

Seja bem-vindo! A partir deste momento, você iniciará o estudo do curso de Extensão Universitária
denominado Educamusicando: Práticas Pedagógicas para Professores de Música na modalidade EaD do Claretiano.
Teremos muita satisfação em desenvolvê-lo com você!

Muitos são os obstáculos que um professor encontra em sua prática cotidiana. Na área das artes, especificamente na música,
há uma probabilidade significativa desses desafios se tornarem ainda maiores. Escassez de recursos e falta de compreensão
das diversas dimensões que envolvem o ensino de música por parte da comunidade escolar estão entre algumas das
dificuldades mais citadas por professores de música, fazendo com que muitos cheguem a abandonar a profissão nos
primeiros anos de atuação no mercado de trabalho. Quem nunca ouviu relatos de professores de música ou mesmo vivenciou
situações como chegar no local de trabalho e não ter uma sala adequada para trabalhar? Instrumentos padronizados para
todos os alunos, então, pode ser artigo de luxo em determinados locais. E as turmas com estudantes em níveis diferentes de
desenvolvimento musical? São dificuldades comuns a qualquer professor de música brasileiro, principalmente àqueles que
estão nas escolas de educação básica.

No entanto, todas as situações apontadas acima podem ser amenizadas a partir do estudo e reflexão sobre as obras de
alguns autores consagrados da educação musical e que foram compiladas neste curso apresentado a você.

Educamusicando é um curso que propõe práticas de conjunto com ênfase na elaboração de


arranjos musicais por meio do uso de rearmonizações, que observam o nível de
desenvolvimento musical dos estudantes participantes e o instrumental disponível. É voltado
para professores de música em geral e estudantes de graduação da Licenciatura em música.

Nas próximas páginas, você encontrará um pouco da minha história como professor de música, saberá das dificuldades que
encontrei em ministrar as aulas durante vinte anos de atuação profissional, e a maneira como venho conseguindo driblar as
adversidades dentro da escola pública brasileira. Terá também, acesso ao histórico da minha pesquisa de mestrado realizada
no PROEMUS, ao referencial teórico utilizado e, principalmente, às técnicas que desenvolvidas nas aulas, tornam possível o
improvável.

Ao final do curso, você aprenderá a colocar o foco no estudante em primeiro lugar e, desta forma, planejar suas aulas com
práticas musicais que observam as capacidades de cada um dos alunos envolvidos, independente dos materiais que
disponíveis ao seu alcance. Mais do que técnicas musicais, o que pretendemos é encorajar você a despertar sua criatividade
e fazer do seu ambiente de trabalho um espaço profícuo de aprendizagem.

Lembre-se de que os exemplos apresentados podem ser amplamente desenvolvidos, mas você não deve parar por aqui, pois
o processo para uma formação de qualidade é contínuo.
Os exemplos musicais sugeridos neste material encontram-se escritos em partituras nas versões originais, e com arranjos
elaborados a partir das técnicas apresentadas. Todos os exemplos possuem links que direcionarão você para os vídeos das
músicas apresentadas.

Desejamos um ótimo curso e estaremos à disposição para tirar dúvidas e conversar a respeito de tudo que foi mostrado.

INFORMAÇÕES DO CURSO

Ementa
Definição de Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais. Exploração dos três princípios da educação musical. Músicas
folclóricas. Escolha de repertório. Práticas pedagógicas coletivas. Rearmonização: arranjos pedagógicos,
desmembramento de acordes e mudança de paradigma em instrumentos musicais.

Objetivo Geral 

Objetivos Especí cos 

Duração e carga horária 

METODOLOGIA E SISTEMÁTICA DE APROVAÇÃO

Durante dois meses, estudaremos e debateremos juntos os conteúdos das quatro unidades que estruturam o curso
Educamusicando. Como você poderá observar, procuramos elaborar um texto em uma linguagem simples, dialógica,
mediacional, interativa e de fácil compreensão.
Lembre-se de que você poderá utilizar a ferramenta Correio para eliminar eventuais dúvidas, realizar comentários ou
descrever suas sugestões.

Após realizar a leitura do material e responder às questões autoavaliativas dispostas no final de cada unidade, será proposta
uma avaliação final, composta por 10 questões objetivas.

Para ser aprovado e receber o certi cado, será preciso alcançar o aproveitamento mínimo
de 60% (seis acertos).

Atenção! Caso tenha dúvidas sobre a organização geral do curso, clique aqui!

© 2021 Educamusicando: Práticas Pedagógicas para Professores de Música | Claretiano


UNIDADE 1 – PRINCÍPIOS QUE EMBASAM AS PRÁTICAS
PEDAGÓGICAS EDUCAMUSICANDO EDIT

Introdução
Olá, seja bem-vindo! Vamos dar início ao curso Educamusicando: Práticas Pedagógicas para Professores de
Música apresentando, nesta primeira unidade, o conceito de Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais, uma metodologia
difundida mundialmente, e os três princípios para a educação musical, desenvolvidos por Keith Swanwick.

Após entender esses conceitos você conseguirá compreender com maior clareza que, algumas das dificuldades enfrentadas
pelo professor de música em seu dia a dia de trabalho, podem ser amenizadas com: estudo, reflexão sobre sua própria
prática e criatividade. Muita criatividade! Aqui, você certamente encontrará ferramentas de auxílio e se conscientizará de que
a caminhada de um professor de música será sempre repleta de desafios, que podem ser transformados em momentos de
satisfação através do aprendizado dos seus alunos.

Entendendo a música como um discurso, observando o discurso musical dos alunos e buscando
sempre manter a uência no processo de ensino e aprendizagem, as aulas coletivas de música
tendem a ser muito prazerosas para os alunos e grati cantes para o professor.

Antes de darmos sequência ao conteúdo da unidade, gostaríamos de destacar a importância de sempre observar a realidade
ao seu redor e aplicar o conteúdo aprendido na prática para que, desta forma, você crie suas próprias reflexões, se
desenvolva e enriqueça o debate em prol do seu crescimento e da educação musical brasileira.

Espero que você goste desse conteúdo inicial! Vamos lá?

O QUE É O ENSINO COLETIVO DE INSTRUMENTOS MUSICAIS?


Embora o nome possa parecer autoexplicativo e nesse momento o senso comum possa te ajudar de alguma forma a pensar
em definições, vamos ver como alguns dos autores mais renomados na área o definem cientificamente.

Trata-se de uma abordagem que privilegia uma educação musical abrangente, onde além da leitura, os participantes
constroem o conhecimento musical através da prática instrumental, da audição de gravações, da execução instrumental do
professor e dos próprios alunos, transmitindo o conhecimento entre si simultaneamente.

Agora vamos ver o que alguns renomados autores da educação musical têm a dizer sobre o tema.

Segundo Joel Luís Barbosa (1996, p. 39-40), o Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais é um dos meios mais eficientes e
economicamente viáveis de se inserir o ensino da música instrumental na escola. O autor complementa esta informação
dizendo que o método desenvolve habilidades instrumentais, de audição, leitura e entendimento musical.
Figura 1 Joel Luís Barbosa.

Milena Caetano (2012, p. 41) corrobora estas afirmações ao observar em sua prática que: o Ensino Coletivo de Instrumentos
Musicais proporciona o desenvolvimento de diversos elementos tais como a percepção musical, a musicalidade, a
valorização da prática e da vivência musical, a exploração do caráter lúdico, o uso do repertório variado, e a aplicação da
teoria musical à prática instrumental.

Figura 2 Milena Caetano.

Acredito que já estejam claras algumas das qualidades da utilização do Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais nas
aulas de música, mas isso não é tudo!

Quais reflexões você já pode fazer sobre o ensino de música e como o uso do ensino coletivo pode te ajudar em
suas aulas?

O contato com um instrumento musical é um grande estímulo para o aluno iniciante. No entanto, o ensino propriamente dito
do instrumento, voltado à aquisição de habilidades técnicas é, muitas vezes, excludente; por privilegiar os poucos que podem
pagar pelas aulas ou que possuem um ambiente propício à dedicação exaustiva no instrumento.

 O ensino coletivo passa a ser uma possibilidade acessível para uma parcela maior de alunos, já
que não aborda o instrumento pelo viés técnico, mas sim, como um agente facilitador da
aprendizagem da música.

A questão social é latente em nosso Brasil, um país cheio de riquezas e, ao mesmo tempo, com um alto nível de
desigualdade. Devemos sempre pensar em práticas pedagógicas inclusivas, que tenham a maior abrangência possível.
PRONTO PARA SABER MAIS?
O que você pensa sobre a maneira como o ensino de instrumentos musicais foi difundido desde os séculos passados? Esse
pensamento é de alguma forma excludente?

Para enriquecer seu conhecimento acerca desse tema, leia o artigo clicando no botão ao lado.

Clique Aqui

A professora Ana Cristina Tourinho (2007, p. 1-2) postula que o ensino coletivo é uma metodologia mais inclusiva. Segundo a
autora, a maioria dos estudantes inicia a prática pelo prazer de extrair sons do instrumento e poucos têm interesse futuro em
se profissionalizar.

O ensino coletivo torna-se, portanto, uma metodologia viável para atender a uma demanda mais abrangente como a da rede
escolar.

Vejamos o posicionamento da professora Flávia Maria Cruvinel sobre o ensino coletivo:

O ensino coletivo de instrumento musical pode ser uma importante ferramenta para o processo de socialização do
ensino musical, democratizando o acesso do cidadão à formação musical (CRUVINEL, 2008, p. 5).

Figura 3 Flavia Maria Cruvinel.

Concordamos com a autora nesse sentido, uma vez que em nosso país ainda prevalece o cenário de desigualdade social que
tanto distancia as classes e o acesso a que têm direito.

Antes de prosseguir, clique aqui para aprofundar sua compreensão sobre o Ensino Coletivo de
Instrumentos Musicais.

PRINCÍPIOS QUE EMBASAM A PROPOSTA PEDAGÓGICA


Após aprofundarmos nossa compreensão sobre o que é o Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais, é hora de entendermos
alguns dos princípios que inspiraram o surgimento das propostas pedagógicas que denominamos Educamusicando.

O referencial teórico que sustenta nosso trabalho é formado pelas contribuições de Keith Swanwick, professor do instituto de
educação musical da Universidade de Londres, educador mundialmente reconhecido, cujas propostas estão entre as mais
difundidas e valorizadas. É autor da Teoria Espiral do Desenvolvimento Musical, uma teoria de aprendizagem de música onde
o conhecimento emerge intuitivamente e é nutrido pela análise (FONTERRADA, 2005, p. 51).

O autor é um crítico do sistema educacional tradicional, que privilegia a leitura musical e as técnicas instrumentais. Relata
que tem visto a música ser ensinada de maneira não musical em espaços onde há disponibilidade de recursos. (SWANWICK,
2003).

Para re etir:
Você já parou para pensar sobre como o ensino de música do século XXI ainda segue premissas
do século XIX? Isso ca claro ao analisarmos o pensamento de grandes educadores musicais
críticos dos sistemas convencionais de ensino de música.

Swanwick (1979), defende uma aproximação ao ambiente natural dos alunos e propõe que sejam sempre observadas suas
vivências e individualidades. Propõe o modelo C(L)A(S)P, que segundo o autor, deve fazer parte das aulas de música. O
modelo informa cinco parâmetros a serem trabalhados nas aulas, divididos em atividades centrais e periféricas.

Quadro 1 modelo C(L)A(S)P.

Fonte: Acervo pessoal do autor.

As atividades centrais C, A e P, são consideradas indispensáveis e estão ligadas à experiência musical do aluno. Já as
periféricas L e S, entre parênteses, devem servir de suporte à experiência musical. (SWANWICK, 1979).

Todas as contribuições de Keith Swanwick são de significativa importância para a educação musical, e também há um outro
modelo apresentado pelo autor, que exerceu grande influência na composição das práticas pedagógicas Educamusicando.

Utilizados para nortear nossa prática, Swanwick (2003, p. 57) propõe três princípios para a educação musical. Segundo o
autor, se compreendidos e tomados com seriedade “podem informar todo o ensino musical, seja nas salas de aula em
escolas e faculdades, no ensino instrumental em estúdios ou em ambientes menos formais”.

Figura 4 Keith Swanwick.


Tais princípios são:

1. Considerar a música como discurso.


2. Considerar o discurso musical dos alunos.
3. Fluência no discurso musical.

Antes de prosseguir, clique aqui e aprofunde seus conhecimentos sobre o pensamento de Keith
Swanwick sobre a educação musical.

Após essa leitura, podemos concluir o campo profícuo que é a educação musical e quão grande é a possibilidade de
crescimento das atividades pedagógicas musicais nas escolas brasileiras. Mas para isso é necessário estudo, dedicação e
prática, muita prática.

Podemos seguir adiante? Vamos então para o primeiro princípio para a educação musical proposto pelo educador e
pesquisador inglês.

CONSIDERAR A MÚSICA COMO DISCURSO


A primeira pergunta que pode surgir ao adentrarmos nesse tema é: O que é considerar a música como um discurso?

O primeiro passo é estabelecer uma ligação direta entre a música e a linguagem falada. Pense em como um discurso falado
é elaborado. Agora, pense no modo de aquisição da linguagem falada, desde os primeiros fonemas que emitimos ainda
bebês até a capacidade adulta de conectar letras, que se transformam em palavras, que ao serem conectadas com sentido
lógico formam frases e assim sucessivamente até a composição de um discurso.

A partir desse entendimento, vamos ao pensamento de Swanwick sobre o discurso musical.

A música é um discurso impregnado de metáforas e são os processos metafóricos que ocorrem


em nossa mente que fazem com que ouçamos sons e os transformemos em música. É, portanto,
um processo mental quase simultâneo e imperceptível.

Veja o que Swanwick diz sobre os processos metafóricos do discurso musical:

[...] o processo metafórico funciona em três níveis cumulativos. São eles: quando escutamos “notas” como se fossem
“melodias”, soando como formas expressivas; quando escutamos essas formas expressivas assumirem novas
relações, como se tivessem “vida própria”; e quando essas novas formas parecem fundir-se com nossas
experiências prévias, ou para usar a frase de Susanne Langer, quando a música “informa a vida do sentimento” [...]
(SWANWICK, 2003, p. 28-29).

Para re etir: separe um tempo para pensar sobre como podemos contextualizar um conceito
teórico complexo como esse com nossa prática de professores de música.

Pensou?

A resposta está em propormos práticas musicais inspiradas na forma como aprendemos nossa língua materna, ou seja,
devemos percorrer musicalmente o mesmo caminho que os indivíduos percorrem desde o nascimento até a fase adulta.

Segundo o autor, o professor deve trazer a consciência musical do último para o primeiro plano,
logo, a menor unidade musical não deve ser um intervalo, o tempo ou o compasso, mas uma
frase ou gesto (SWANWICK, 2003, p. 57). O educador deve ter o cuidado de não promover uma
prática baseada em exercícios técnicos ou exageradamente teórica. É necessário sentir o aluno,
perceber o ambiente e dosar as atividades aplicadas, sempre com sentido musical.

Observamos neste ponto a importância do modelo C(L)A(S)P, que contribuiu significativamente com a proposta
Educamusicando. Direcionamos nossa prática para fazer um musical efetivo, dando prioridade aos parâmetros de
composição (em menor escala), Apreciação e Performance, atividades centrais do modelo.

CONSIDERAR O DISCURSO MUSICAL DOS ALUNOS


Swanwick (2003, p. 66-67) enfatiza que deve haver uma conversação musical, não um monólogo. Os alunos trazem consigo
sua compreensão musical e o processo não ocorre ensinando música com história ou ditando tudo, mas sim dando espaço
para as escolhas e tomadas de decisões.

Considerar o discurso musical dos alunos é princípio fundamental adotado pela Educamusicando.

Importante: Ao longo dos anos, percebemos que quando damos voz ao aluno e quando
permitimos que ele participe integralmente do processo de construção do conhecimento
musical, discutindo ideias e arranjos, ouvindo e tocando, escolhendo o que tocar e como tocar,
permitimos que ele seja um coautor da obra quando essa é apresentada ao público.

O resultado final é um processo de educação musical completo, onde o aluno não apenas desenvolve sua habilidade no
instrumento, mas se desenvolve como um todo, já que em todas as aulas está exposto à autoavaliação e a avaliação dos
colegas. Essa interação e o ato de se apresentar toda semana, cria uma identidade com a música totalmente sonora e
coletiva, ou seja, ele aprende olhando, ouvindo, fazendo, aprendendo e ensinando.

FLUÊNCIA NO DISCURSO MUSICAL


Ao comparar a música a uma forma de discurso, Swanwick estabelece uma ligação daquela com a linguagem, e afirma que a
fluência musical deve preceder a leitura e a escrita. Segundo o autor, a linguagem é adquirida após muitos anos de contato
com outras pessoas e na música, a fluência segue o mesmo caminho sendo conquistada através do contato direto com
outros músicos. Esse processo ocorre “muito antes de qualquer texto escrito ou outras análises daquilo que já se sabe
intuitivamente” (SWANWICK, 2003, p. 69).

Voltamos, portanto, à comparação entre a música e a linguagem falada para compreender a importância de uma experiência
musical prática e consistente. De modo algum, descarta-se a necessidade de utilizar a leitura e a escrita musical para compor
o fato educacional musical, o que deve ser entendido, é que tais atividades teóricas tem o seu devido lugar nas aulas de
música.

Importante: Na prática Educamusicando, privilegiamos a uência no discurso musical. A


introdução à leitura e à escrita musical ocorrem quando há o interesse e a necessidade do
aluno em registrar de alguma forma o conteúdo musical construído nas aulas. A partir dessa
necessidade, introduzimos os conceitos teóricos sempre de acordo com a prática musical
executada naquela aula.

QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
Agora é o momento de você se autoavaliar!

A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho e te dará respostas sobre a eficácia
do seu estudo até aqui. Você encontrará algumas questões de múltipla escolha que estão diretamente relacionadas aos
conteúdos apresentados nesta unidade. Se tiver alguma dúvida, retome a leitura dos conteúdos ou então entre em contato
com o seu tutor!

Segundo Caetano (2012), em sua prática, o Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais proporcionou exatamente o
desenvolvimento dos seguintes elementos:

A percepção musical, a musicalidade, a valorização da prática e da vivência musical, a exploração do caráter


lúdico, o uso do repertório variado, e a aplicação da teoria musical à prática instrumental.

A percepção musical, o ouvido absoluto, a musicalidade, técnica instrumental apurada e habilidades de escrita
musical.

A percepção musical, a técnica instrumental e a escrita em partitura.

A percepção musical, habilidades técnicas, o ouvido absoluto e teoria musical.

A percepção musical, habilidades de escrever arranjos complexos.

CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade você pôde estudar e compreender melhor alguns dos conceitos teóricos que embasam as práticas
pedagógicas Educamusicando. Esperamos que agora você esteja consciente da importância de considerar a música como
um discurso impregnado de metáforas, esteja atento ao discurso musical dos seus alunos, e que busque sempre a fluência
nos procedimentos de educação musical. A compreensão e interiorização desses conceitos podem te ajudar em suas aulas
de música.

Destaca-se como o Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais é uma forma e ciente de se


trabalhar coletivamente com instrumentos na escola. Seu potencial não é excludente, pois
considera o instrumento não como um m, mas como um meio, uma ferramenta facilitadora da
aprendizagem musical, possui um poder de socializar o ensino de música em todo o país.

Na próxima unidade, veremos como colocar todos esses conceitos em prática. Serão apresentadas algumas ferramentas
práticas para montar arranjos pedagógicos eficientes, desde a escolha mais interessante de repertório até um passo a passo
detalhado das técnicas utilizadas.

Até mais!

© 2021 Educamusicando: Práticas Pedagógicas para Professores de Música | Claretiano


UNIDADE 2 – FAZENDO MÚSICA MUSICALMENTE: UMA
REDUNDÂNCIA NECESSÁRIA EDIT

INTRODUÇÃO
Na unidade anterior estudamos conceitos importantes, tais como o Ensino Coletivo de Instrumentos Musicais e os Três
princípios para a educação musical. Investigamos o pensamento de educadores musicais influentes no Brasil e no mundo,
que mostram o quanto é importante dar voz aos estudantes, observando atentamente cada uma de suas potencialidades em
prol das práticas musicais.

Nesta unidade, serão apresentadas algumas ferramentas pedagógicas importantes para o bom
desenvolvimento de práticas musicais em ambientes coletivos de ensino de música. Além disso,
você vai aprender o quão signi cativo é acertar na escolha do repertório inicial para suas aulas.
Iniciaremos com um pouco de teoria, mas logo passaremos à parte prática!
Vamos começar?

O subtítulo desta unidade é uma referência à tradução do título de um dos livros de Swanwick, e é com ele que iniciaremos
nossa prática Educamusicando. Este livro abriu meus horizontes para um modo diferente de pensar a educação musical. Às
vezes, nossos questionamentos não são respondidos, mas neste caso, as contribuições de Swanwick foram fundamentais
para despertar as respostas que estavam escondidas dentro de mim. Ensinar música musicalmente pode parecer
redundante, mas muitos professores ainda fogem da música para ensiná-la.

Você conhece algum professor de música que inicia o processo de educação musical ou introdução a algum
instrumento com exercícios técnicos?

Talvez você mesmo seja um desses professores e não há mal nenhum que seja. Confesso que por muitos anos, antes de
estudar a fundo sobre temas da educação musical, eu mesmo iniciava as aulas com técnica instrumental. Acreditava que
uma base técnica era fundamental para o início em qualquer atividade musical.

No entanto, o que ocorria é que muitos alunos se sentiam desmotivados com essa prática pedagógica voltada inicialmente à
técnica, pois, antes de tudo, queriam fazer música!

Na verdade, o que ocorria era um equívoco nos pressupostos que eu considerava como importantes para a construção do
saber musical. Comecei, então, um processo de questionamento sobre a minha própria prática, buscando incessantemente
por respostas que me ajudassem a fazer das aulas de música um ambiente mais saudável possível. Foi esse caminho que
me levou a fazer pós-graduação, mestrado e, atualmente cursar um doutorado em educação musical.

As respostas vieram quando optei por trazer a prática musical para o centro das minhas atividades pedagógicas, e olhar
profundamente para os anseios musicais dos meus alunos procurando, dentro das limitações, ajudá-los em seu caminhar.

A renovação da pedagogia musical do século XX aponta para um novo olhar sobre a educação musical. Focar o estudo da
música no aprendizado técnico de um instrumento foi o objetivo dos conservatórios do século XIX.

Segundo Penna (2014, p. 174), tal renovação é marcada pela “participação ativa do aluno, pela
manipulação do material sonoro e atuação criativa”.
Figura 1 Maura Penna

Educar musicalmente significa utilizar a música como agente educador, transformador. Nosso objetivo não é desenvolver
apenas habilidades técnicas, mas educar através da música. Aqui, o instrumento musical não é um fim, mas um meio para
aprender música.

Para pensar: Quais são os seus pressupostos como educador musical? Em que você
verdadeiramente acredita ao ensinar música?

CADA UM NO SEU QUADRADO


Antes de começar, lembre-se dos princípios que norteiam nossa prática pedagógica, compreendendo como fundamental
fazer música musicalmente: considerar a música como um discurso; observar o discurso musical do aluno e a fluência no
discurso musical.

Não podemos fazer nada diferente de música. Tudo o que será construído terá significado musical. É imprescindível que
observar o que o aluno é capaz de fazer. Por vezes, em uma mesma turma, você terá alunos de idades distintas, níveis
diferentes, credos e gostos particulares, alguns que possuem instrumentos e outros que possuem apenas o sonho de
aprender música. Você pode ter alunos com necessidades especiais dentro dessa mesma turma. E você precisa ser um bom
maestro para conduzir essa orquestra com muito cuidado e sensibilidade.

No Educamusicando é importante aproveitar ao máximo toda e qualquer contribuição que o


aluno pode dar para a construção da música. Desta forma, todos participam, não havendo
exclusão, mas troca de informações, de aprendizado.

Esse pressuposto deve ser levado ao extremo e caso o aluno seja capaz de tocar apenas uma nota, essa será a nota que ele
vai tocar para participar da música. Caso seja um aluno iniciante em uma turma já avançada – não esqueça, estamos falando
das adversidades da escola brasileira – você vai aproveitar a contribuição dele em prol do crescimento do grupo. Caso o
contrário aconteça, em que um aluno avançado seja parte uma turma iniciante, você pode trabalhar, concomitantemente,
parâmetros técnicos e teóricos dentro da prática musical enquanto o grupo se desenvolve em seu ritmo.

Portanto, alunos que já têm um desenvolvimento maior, são mais exigidos dentro da mesma música. Todos os arranjos são
compostos em tempo real, aproveitando o melhor de cada participante naquele dia, naquela música, naquela proposta. Há os
que dominam melhor os acordes, há os que se saem bem nas melodias. Há os que têm as divisões rítmicas correndo na veia
e há os que aprenderão com todos os outros.
CRIAÇÃO DE UM ARRANJO DE MÚSICA CONHECIDA
A proposta é tocar uma música, preferencialmente, que todos do grupo conheçam. Nem sempre isso é possível, no entanto,
quando estamos em grupo certas normas são convencionadas e tudo é decidido pela maioria. É importante ouvir a opinião
deles acerca do repertório a ser trabalhado. As sugestões costumam funcionar muito bem. Uma vez que o aluno conhece a
música que vai praticar, ele se abre para um estudo mais detalhado da mesma e, quando reconhece que está tocando a
música de que gosta, ou que sugeriu, seu rendimento aumenta significativamente.

Na prática, em todo início a escolha do repertório é um pouco difícil. Os universos são distintos, as tendências musicais
mudam com muita rapidez e músicas que o professor considera recentes, podem ser tratadas como muito antigas pelos
alunos. Portanto, é necessário estar aberto a negociações e manter um bom diálogo. Com o tempo, o desenvolvimento da
compreensão musical e o resultado obtido nas aulas, fazem com que o grupo tenha confiança no trabalho desenvolvido e,
consequentemente, nas suas sugestões de repertório.

Tomemos como exemplo uma turma iniciante em primeiro dia de aula. Como desenvolver uma prática musical com alunos
que nunca tiveram contato com o instrumento sem trabalhar ao menos algum aspecto técnico? É possível?

A resposta é sim. Tem sido possível nesses anos atuando na educação musical em escolas livres e, surpreendentemente, em
turmas maiores, na escola pública.

Dependendo dos alunos inscritos, da idade, do estágio de desenvolvimento musical, do instrumental disponível, entre tantos
outros fatores, pode-se trabalhar desde alguma melodia conhecida, até alguma música com uma sequência harmônica
pequena, com dois acordes, por exemplo. Esse contato inicial com as aulas de música é muito importante e utilizando de
músicas que o aluno reconheça, que faça sentido para ele, pode-se definir um trajeto de sucesso em sua educação musical.

A importância de se trabalhar a música coletivamente desde o princípio é observada ao longo do processo de educação
musical dos alunos. A interação e as relações estabelecidas fazem com que outras habilidades se desenvolvam além das
musicais.

O fato de observar e ser observado, ouvir e ser ouvido, tocar e ouvir ao mesmo tempo outros
instrumentos soando em partes iguais ou distintas, faz com que o aluno construa uma ideia
ampla do que é fazer música.

Trabalha-se desde o primeiro dia a percepção musical, a ideia de tempo, de compasso, de tocar em grupo, de respeitar o
volume, a dinâmica e a importância de cada participante dentro do grupo. Além disso, as relações sociais estabelecidas
fazem com que o aluno crie vínculos e permaneça nas aulas por mais tempo.

Barbosa destaca que o ensino coletivo aumenta significativamente o percentual de permanência dos alunos nas aulas.

PRONTO PARA SABER MAIS?


A introdução do ensino coletivo na cidade de Nova Odessa – SP, reduziu a evasão de 85% no ensino tradicional para 22%
(BARBOSA, 1996, p. 44).

Confirmamos em nossa prática no município de Resende - RJ, resultado semelhante em pesquisa realizada no ano de 2014,
início dos trabalhos com o ensino coletivo de instrumentos musicais na escola. No entanto, o resultado foi ainda mais
expressivo aumentando o número de alunos que concluíram o ano letivo.

Para saber mais sobre essa experiência, clique no botão ao lado.

Clique Aqui

E você, já teve alguma experiência com práticas coletivas de educação musical? Já conseguiu estabelecer reflexões sobre
vantagens, desvantagens, dificuldades e facilidades de se trabalhar com esse modelo de ensino de música?
VAMOS PRATICAR?
Passaremos, daqui em diante, à parte prática de nosso curso. Faremos um passo a passo das atividades desenvolvidas para
que fique claro ao leitor a maneira como ocorrem as aulas de música Educamusicando.

Para o desenvolvimento das atividades é necessário ter conhecimento de harmonia e uma noção básica de arranjo, além da
curiosidade em pesquisar o repertório mais adequado à sua realidade e, ainda, não ter medo de explorar novos instrumentos
e fontes sonoras alternativas.

No entanto, o que deve ficar claro é que, muito além dos conhecimentos teóricos e técnicos, a chave do conhecimento
musical está em experimentar, em buscar o novo, em se arriscar e, principalmente, criar uma identidade sonora com as
práticas pedagógicas musicais.

O PASSO A PASSO

PASSO 1
Como já falado anteriormente, a escolha do repertório é um ponto muito importante para desenvolvermos a atividade.

Dentre as inúmeras músicas populares tocadas nas rádios, nas novelas e difundidas na internet, conhecidas por nossos
alunos, faça uma revisão e escolha a mais simples que encontrar. Neste momento, entenda por músicas simples, aquelas
que exigirão o mínimo possível de dificuldades técnicas em sua execução. Pode ser uma música com uma melodia de
poucas notas, ou com uma harmonia formada por um número restrito de acordes. Os parâmetros estabelecidos neste ponto,
são delineados de acordo com o grupo que você está trabalhando num determinado momento.

PASSO 2
Nem sempre você conseguirá desenvolver exatamente a música do universo de seus alunos, mas pode selecionar alguma
outra que seja do mesmo artista ou do mesmo gênero musical.

Essa é uma grande dificuldade do professor de música. Encontrar um repertório adequado, que atenda às necessidades
pedagógicas do professor e, ao mesmo tempo, seja atrativo para os alunos.

Dica do professor: A experiência docente de vinte anos nos mostra que é melhor o professor
abrir mão inicialmente de suas preferências musicais, dando ouvido ao repertório escolhido
pelo aluno. Essa valorização traz ao aluno uma sensação de pertencimento, muito importante
para o bom desenvolvimento das práticas musicais.
Após um tempo, você perceberá que uma relação de con ança será estabelecida entre
professor e aluno, o que fará com que as suas escolhas musicais sejam aceitas com mais
facilidade pelos estudantes. O resultado pedagógico a médio e longo prazo será surpreendente.

Você impõe suas preferências musicais aos alunos? Como é estabelecida a relação de confiança entre professor e aluno nas
suas aulas?

PASSO 3
As minhas escolhas de repertório respeitam alguns fatores. O primeiro deles é que sempre trabalho diretamente com violões,
por ser o instrumento que tenho mais domínio, seguido de outros instrumentos de cordas dedilhadas ou pinçadas como a
guitarra, o cavaquinho e o baixo elétrico.

Você deve priorizar seu instrumento principal como ponto norteador do seu trabalho coletivo, mas não precisa se prender a
isso. A diversidade na escola trouxe desafios que me instigaram a tocar outros instrumentos como teclado, percussões,
bateria, flauta doce e flauta transversa.
O segundo fator é a escolha de uma música com harmonia simples, a mais simples que puder encontrar. Utilizo na minha
prática, frequentemente, músicas brasileiras que já foram muito executadas e com uma harmonia simples, com, no máximo,
dois acordes. Caso você encontre uma música popular consagrada, conhecida dos alunos e com uma harmonia formada
apenas por um acorde, utilize-a.

Veja alguns exemplos de músicas brasileiras de sucesso e que podem ser utilizadas em sua prática, clique para ouvir:

 Te ver – Skank

 Pra não dizer que não falei das flores – Geraldo


Vandré

 La bela Luna – Paralamas do Sucesso

Como você pôde observar, existem várias possibilidades de escolhas de repertório para uma prática introdutória em
educação musical. O importante é desenvolver uma postura de professor pesquisador, sempre em busca de materiais úteis à
sua prática. Essas músicas foram apenas alguns exemplos que fazem sentido em determinados contextos, que podem não
ser exatamente os seus. Aí que está o grande segredo. O que queremos aqui é despertar em você um tipo de raciocínio para
que siga seus próprios caminhos, utilizando das ferramentas que fazem sentido em seu contexto social.

O PASSO A PASSO NA PRÁTICA


Tomemos como exemplo hipotético uma música popular conhecida dos alunos, composta na tonalidade de si maior e que
utilize os acordes do I e II graus da tonalidade - Si Maior (B) e Dó sustenido menor (C#m). A escolha da música pode ser boa
na ocasião, por ser conhecida pelos alunos, mas a tonalidade não é adequada, pois certamente causará problemas de
execução para alunos iniciantes. São necessárias alterações que adequem a música ao grupo participante.

Observe as partituras abaixo e logo após fazer uma breve análise da tonalidade, da melodia e dos acordes utilizados, assista
a videoaula explicativa que demonstrará e explicará em detalhes o que foi feito.

Partitura da versão original:

Fonte: Acervo pessoal do autor.


Figura 2 Partitura da versão original.

Agora, confira a partitura da versão adaptada pelas técnicas que estamos estudando:
Fonte: Acervo pessoal do autor.
Figura 3 Partitura da versão adaptada.

Você já consegue perceber o que mudou entre as duas versões? Ainda não? Então confira o vídeo abaixo!

Visualizou? Conseguiu ver na prática como funciona a proposta? Observe no o que mudou entre as duas versões:

Quadro 1 Quadro demonstrativo.

Versão original Versão adaptada Técnica utilizada


Tonalidade Si Maior (B) Lá Maior (A) Transposição um tom abaixo
Reinterpretação da função
subdominante no segundo
acorde

para facilitar a execução dos


Sequência Harmônica B, C#m A9, D7M(9)
mesmos sem
comprometimento

do sentido harmônico original


Todos tocam os dois acordes
de
forma desmembrada. Cada
Guitarra, cavaquinho e flauta
Harmonia Guitarra um
doce
faz o que é possível em seu
nível

Melodia passa para voz por


ser
de difícil execução em todos
Melodia Guitarra Violão
os

instrumentos

Não houve necessidade de


Compasso 4/4 4/4 alteração neste caso

Mudança de gênero para


Gênero Reggae Balada facilitar
execução

Violão, cavaquinho e flauta Adequação à formação


Instrumental Guitarra, baixo e percussão
doce disponível
Redução do andamento para
Andamento 160 bpm 130 bpm facilitar execução

Fonte: Acervo pessoal do autor.

O principal é compreender que as mudanças propostas tiveram como ponto norteador facilitar a execução e inserir
instrumentos que possam participar da prática. A ideia será sempre incluir os estudantes e nunca excluí-los!

Mas como fazer?

Você pode estar se perguntando agora como as adaptações foram feitas e quais elementos técnicos foram utilizados.

Para as adaptações nas músicas, utilizamos, neste ponto, as seguintes técnicas:

1. Rearmonização.
2. Desmembramento dos acordes em partes separadas.
3. Mudança de paradigma.

Vamos aprofundar nosso estudo em cada uma delas?

REARMONIZAÇÃO
O conceito de rearmonização está ligado às diversas modificações possíveis de serem feitas na harmonia original de uma
composição, de modo a trazer novos elementos sonoros à música em questão. Frequentemente, refere-se a alterações com
a intenção de dar um caráter mais rebuscado, mais sofisticado às composições de um determinado gênero musical.

No entanto, nas práticas Educamusicando, nossa intenção será sempre a de realizar a rearmonização com a intenção de
deixar as músicas do repertório mais acessíveis aos alunos.

Nesse sentido, serão feitas alterações na tonalidade e, principalmente, na formação dos acordes.
Dica do professor: Este é um momento muito importante, onde você deve revisitar seus
conceitos sobre o seu instrumento musical de domínio. Aqui eu falo para quem toca outros
instrumentos, diferentes dos que eu toco. Falo para autistas, para contrabaixistas, pianistas,
harpistas, bateristas e para todos os instrumentistas.

Sabe aquelas posições conhecidas dos acordes em instrumentos como violão, guitarra, cavaquinho e teclado? Elas podem
ser reconfiguradas para se adaptarem ao nível dos seus alunos.

Utilize esse conceito no seu instrumento de domínio. Sempre há maneiras de simplificar as partes que serão tocadas e,
através de uma simples rearmonização, conseguimos uma versão muito acessível de músicas conhecidas que podem ser
utilizadas por iniciantes em seu primeiro contato com o instrumento.

Lembre-se de que nosso objetivo aqui é promover práticas de educação musical que façam sentido para o aluno, mesmo que
ele seja um iniciante. Portanto, objetivos de especialização técnica e refinamento harmônico terão sua devida hora e
obedecerão um processo longo de contato com a música e com os instrumentos musicais.

Mas isso ainda não é tudo...

DESMEMBRAMENTO DOS ACORDES EM PARTES SEPARADAS


Pode acontecer que mesmo que você rearmonize a música estabelecendo nova tonalidade e novas disposições dos acordes,
ainda não seja possível para alguns alunos a executarem nos primeiros contatos com as aulas de música. Como estamos
falando, primordialmente, de ambientes de ensino coletivo de música, tire proveito desse fator. Conseguimos isso
desmembrando os acordes em pequenas partes. O conceito seria semelhante, guardadas as devidas proporções, a uma
orquestra onde cada instrumento faz seu desenho melódico e o conjunto forma o desenho harmônico. Cada aluno deve fazer
o que é possível a ele e haverá ocasiões em que para garantir sua participação no conjunto, as partes tenham que ser
simplificadas até o limite.

MUDANÇA DE PARADIGMA
Um terceiro ponto importante e complementar ao parâmetro anterior é não se prender ao paradigma dos instrumentos
harmônicos serem utilizados somente para harmonizar e os melódicos serem os responsáveis pela melodia das músicas. No
ambiente diversificado da escola, ocorre, frequentemente, de alunos que participam com instrumentos harmônicos terem
habilidade mais desenvolvida do que outros que utilizam instrumentos melódicos. Há turmas onde não há instrumentos
melódicos e você deve aproveitar aquele aluno mais habilitado e dar a ele a responsabilidade de conduzir a melodia, ou parte
dela.

Em contrapartida, nem sempre os alunos que participam tocando instrumentos melódicos


estão habilitados musicalmente para tocar a melodia original das músicas. Neste caso, elabore
linhas melódicas simples, adequadas ao nível do aluno e que complementem o contexto
harmônico da música selecionada.

Durante o ano letivo, alguns alunos evadem e outros entram na turma e o trabalho não pode parar, tampouco voltar ao
começo. Saber lidar com essas inconstâncias no grupo é realidade do educador musical brasileiro e o domínio dessas três
técnicas vai possibilitar a você desenvolver um trabalho constante de educação musical, sempre utilizando as músicas de
modo contínuo e ininterrupto.

Desenvolva, a partir de agora, em outras músicas, os conceitos que foram mostrados. É um exercício difícil no início, mas
com a prática, fica natural e o resultado musical é muito satisfatório.

APRIMORE SEUS CONHECIMENTOS


Muitas são as práticas pedagógicas existentes. Cabe ao educador musical conhecê-las bem para compor seu repertório de
técnicas e práticas que serão utilizadas nas aula. No entanto, também é tarefa do educador musical refletir criticamente sobre
as práticas existentes, observar sua própria realidade e realizar as modificações necessárias diante de seu contexto.

Para saber mais, leia Música(s) e seu ensino de Maura Penna. Além disso, aprimore também seus conhecimentos acerca da
Harmonia e dos processos de rearmonização em Cadernos de Harmonia de Marco Pereira, necessários para compor
arranjos pedagógicos.

QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
Agora é o momento de você se autoavaliar!

A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho e te dará respostas sobre a eficácia
do seu estudo até aqui. Você encontrará algumas questões de múltipla escolha que estão diretamente relacionadas aos
conteúdos apresentados nesta unidade. Se tiver alguma dúvida, retome a leitura dos conteúdos ou então entre em contato
com seu tutor!

Na Educamusicando, em que consiste o conceito de “mudança de paradigma”?

Consiste em não se prender ao paradigma dos instrumentos harmônicos serem utilizados somente para
harmonizar e os melódicos serem os responsáveis pela melodia das músicas.

Consiste em não seguir nenhuma regra pré-estabelecida.

Consiste em abandonar o paradigma da experiência musical para introduzir elementos primordialmente técnicos.

Consiste em abandonar o paradigma da educação musical como uma prática necessária nas escolas de educação
básica.

Nenhuma das anteriores.

CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade você pôde compreender a importância da utilização das músicas nas práticas pedagógicas. Ainda que tratar
desse assunto possa parecer uma redundância, há inúmeros casos de professores que não dedicam o tempo necessário em
suas aulas para fazer música, recorrendo a exercícios técnicos e conceitos teóricos que, muitas vezes, afastam o aluno do
objetivo primordial das aulas de música, que é a prática musical e o desenvolvimento da musicalidade.

Além disso, você teve contato com uma proposta de rearmonização que coloca o aluno no centro da prática pedagógica, uma
técnica que observa as capacidades individuais da turma com a qual você estará trabalhando e com a qual poderá
desenvolver trabalhos preciosos em conjunto.

Finalizamos essa unidade refletindo sobre os paradigmas tradicionais da utilização de instrumentos musicais e você pôde
observar como uma visão dos instrumentos musicais distinta da hegemônica pode auxiliar em sua prática como professor de
música.

Na próxima unidade, abordaremos essencialmente a parte prática do nosso curso e você terá acesso a arranjos pedagógicos
ilustrados em partituras, além de videoaulas que demonstram em detalhes como podemos pensar as aulas de música a partir
dos conceitos Educamusicando.

© 2021 Educamusicando: Práticas Pedagógicas para Professores de Música | Claretiano


UNIDADE 3 – VOLTANDO NO TEMPO EDIT

Introdução
Na unidade anterior estabelecemos a importância de mantermos o foco de nossas práticas pedagógicas nos alunos, evitando
todo e qualquer rótulo ou classificação que possa criar barreiras que dificultem os processos de ensino e aprendizagem.

Aprendemos que a utilização de músicas do cotidiano dos alunos é fundamental para estabelecer uma relação de confiança
entre professor e estudante e, além disso, entendemos que o objetivo primordial é a prática musical em detrimento de um
estudo técnico instrumental.

Nesta unidade serão estudadas práticas pedagógicas com o uso de músicas folclóricas como ferramenta útil ao professor que
trabalha em ambientes de ensino musical coletivo.

Serão propostas algumas atividades práticas que devem, dentro das possibilidades, serem realizadas para que você entenda
perfeitamente como é o processo de ensino e aprendizagem de um aluno iniciante. Tais atividades foram desenvolvidas em
ambientes reais de educação musical, com estudantes dos mais variados níveis e condições.

Vamos em frente?

INVERTENDO OS PAPÉIS: SENTINDO COMO O ESTUDANTE SENTE


Esse princípio é muito importante para que se compreenda como é aprender música. Como todo professor de música,
certamente já tocamos um instrumento há, pelo menos, alguns anos. Já sabemos com facilidade as escalas, alterações,
modos e acordes. No entanto, nossos alunos chegam, normalmente, com pouca ou nenhuma habilidade desenvolvida em
algum instrumento e, frequentemente, sem saber nada da parte teórica.

Para criar uma proposta que realmente funcionasse no ambiente das escolas de educação básica, foi necessário despir-me
da vestimenta de professor e voltar a ser aluno. Arriscar-me a tocar outros instrumentos que não tocava e pensar
musicalmente neles, foi importante para desenvolver essa habilidade de sentir como o aluno sente, suas dificuldades,
angustias e satisfações.

Imagine um ambiente totalmente favorável para a prática musical. Uma sala confortável,
climatizada, acusticamente tratada. Alunos super dedicados e comportados, todos no mesmo
nível de aprendizado e tocando o mesmo instrumento.

Visualizou?

A aula de música seria perfeita, todos aprenderiam e desenvolveriam um lindo trabalho musical. No entanto, desconstrua
essa imagem, pois ela ainda não é nossa realidade. E mesmo assim, você vai ser cobrado para desenvolver um ótimo
trabalho.

Qual é a sua realidade de trabalho?


Você tem boas condições de trabalho?
Quais são suas atitudes diante da sua realidade?

Foi pensando nisso que surgiu a ideia de voltar a ser aluno. Olhar profundamente para nossos alunos é fundamental para
propormos atividades realmente significativas e que tenham bom resultado.

Mas, o que é voltar a ser aluno?

Voltar a ser aluno é começar do zero. Portanto, pegue agora um instrumento que nunca tocou e faça música com ele. Toque,
crie, acompanhe músicas.
Dica do professor: Essa é uma proposta que você deve mesmo empreender. Lançar-se ao novo,
ao desconhecido, mas de uma maneira re exiva, observando quais são as distintas di culdades
que existem ao se aprender um novo instrumento.

No final, você entenderá a importância dessa proposição e conseguirá aplicar as próximas técnicas com seus alunos de
qualquer nível.

CRIAÇÃO DE UM ARRANJO COM UM INSTRUMENTO QUE NÃO SEJA DO SEU DOMÍNIO


Se você tentou desenvolver o passo anterior, certamente esbarrou nas dificuldades de começar a se desenvolver em um
instrumento novo. , precisei dar um passo atrás, no sentido de encontrar temas ainda mais simples do que os veiculados
normalmente nas rádios, TVs e internet. O processo de promover aulas práticas torna-se, às vezes, complexo e podem surgir
dificuldades de realização da estratégia com músicas populares conhecidas dos alunos.

Uma solução viável para estes casos é a utilização de melodias folclóricas. Por serem frequentemente simples, de curta
duração e de fácil memorização, tornam-se uma ferramenta muito útil para as aulas de música.

Lembre-se: quando há sentido musical, o rendimento é sempre maior.

Durante as aulas percebemos no ato a diferença de receptividade a uma atividade proposta quando ela é trabalhada por meio
de uma música. Há uma distância considerável entre o entendimento sobre música do professor e o de seus alunos, e na
ânsia de capacitá-los podemos incorrer no erro de exagerar nos conceitos teóricos e exercícios técnicos, o que nos afasta
enquanto seres sociais e afetivos em sala de aula.

Não é que exercícios técnicos não possam ser utilizados nas aulas, porém, quando tratamos de educação musical na escola,
com vários alunos ao mesmo tempo, a utilização de músicas otimiza muito o nosso trabalho, pois há uma identificação
imediata do aluno com a atividade e com o seu próprio conceito sobre a música. É mais um momento em que o professor
deve se colocar como um mediador do processo de ensino e aprendizagem, dando voz aos estudantes e observando seus
entendimentos sobre música.

Ao entrar em sala de aula e perguntar aos alunos o que eles entendiam por música, pude vê-los responderem em diversas
oportunidades que música era aquilo que escutavam no rádio ou até mesmo no celular. E os seus alunos, como definem
música? As respostas podem dar bons direcionamentos ao seu trabalho!

A escolha deste repertório é, primordialmente, pedagógica. Tiradas do livro 500 Canções


Brasileiras de Ermelinda Paz, estas melodias foram selecionadas por serem de curta duração,
de divisões rítmicas simples e com poucas notas, possibilitando o desenvolvimento de um
trabalho em qualquer atividade musical utilizando ou não instrumentos.

O critério utilizado para a organização foi partir do mais simples para o mais complexo. Portanto, começamos com melodias
de dois, três e quatro sons sucessivamente.

As músicas estão escritas na tonalidade de dó maior, mas devem ser utilizadas na tonalidade que mais se adeque ao grupo
participante.

Preparados e preparadas para a prática? Então vamos lá!

Deixamos agora sugestões de cinco canções folclóricas com arranjos pedagógicos explicados em partitura e videoaula para
você iniciar seu trabalho. A partir daí, voe o mais alto que puder, pois são centenas de melodias que podem ser trabalhadas
nas aulas de música, das mais variadas formas.

As partituras das músicas originais e das versões estão dispostas neste material, e os vídeos com demonstrações e
explicações podem ser acessados nos links presentes abaixo de cada versão das músicas.
MÚSICA 1 – LÊ LÊ LÊ

Fonte: Paz (2015, p. 206).


Figura 1 Lê lê lê.

LETRA
Lê lê lê lê lê lê

Tudo nois já sabe lê

Partindo de uma melodia de dois sons, podemos trabalhar com facilidade na maioria dos instrumentos. A proposta é que
todos iniciem tocando a melodia para conhecer a música e, a medida em que o grupo for se desenvolvendo, a atividade vá
ganhando corpo e novas partes sejam criadas.

Enquanto os alunos executam a melodia e vão criando intimidade com o instrumento, o professor deve conduzir uma
harmonia e, ao longo da prática, ir variando os acordes, reinterpretando as funções e rearmonizando o trecho, para que os
alunos sintam o diferente colorido das variações harmônicas enquanto tocam a melodia.

Veja a versão modificada. Foram usadas técnicas de rearmonização e criação de arranjo pedagógico.

Fonte: Acervo pessoal do autor.


Figura 2 Partitura da versão com cifragem de acordes.

Quer ver na prática como ficou o resultado? Assista ao vídeo abaixo para conferir essa versão.
MÚSICA 2 - O LEME ME CHAMÔ

Fonte: Paz (2015, p. 192).


Figura 3 O leme me chamô.

LETRA
O leme me chamô de frade

Sou frade mas não sou ninguém

A proposta é semelhante à trabalhada na música anterior. Os alunos começam tocando a melodia, mas desta vez, há uma
evolução ao longo da música para exemplificar uma das possibilidades. A formação utilizada será a de flauta doce e violão, e
o tom escolhido para aproveitar as facilidades destes instrumentos foi o de Lá maior. A melodia será responsabilidade da
flauta que tocará as notas lá e si, bem fáceis de serem tocadas, e o violão fará o acompanhamento nas cordas soltas do
instrumento, também muito simples de ser tocado.

As técnicas utilizadas foram as de rearmonização, mudança de tom, mudança de paradigma sobre a função do violão na
música. Nesta versão, a flauta exerce o seu papel primordial, que é a execução da melodia. O violão, no entanto, não executa
os acordes, como de costume, mas pontua a harmonia apenas com a execução de baixos. É uma maneira muito simples e
prazerosa de se começar a tocar o instrumento.

Fonte: Acervo pessoal do autor.


Figura 4 Partitura da versão para flauta doce e violão.

Antes de prosseguir, veja no vídeo como ficou o resultado na prática.


MÚSICA 3 - CANÇÃO DE DESAFIO

Fonte: Paz (2015, p. 143).


Figura 5 Canção de desafio.

LETRA
Tá com medo tabaréu?

Minha pipa é de papel

Neste exemplo, a melodia da música é, aparentemente, mais complexa. Perceba que executar arpejos em determinados
instrumentos não é uma tarefa tão simples, o que dificultaria a utilização da música como material pedagógico para uma aula
de música com foco em iniciantes.

No entanto, a melodia será tocada pelo cavaquinho para aproveitarmos as facilidades que a sua afinação proporciona. O
Arranjo será pensado a partir dele, pois para tocarmos essa melodia basta dedilhar suas cordas soltas. Será feito na
tonalidade de Sol Maior e, então, desmembrado para os outros instrumentos. Utilizaremos nesta versão o cavaquinho, o
violão (também utilizando somente cordas soltas), e a flauta doce tocando as notas sol, si e ré.

Fonte: Acervo pessoal do autor.


Figura 6 Partitura da versão para cavaquinho, flauta doce e violão.

Vamos ver como ficou o resultado? Assista a aula explicativa deste exemplo no vídeo a seguir.
Com base nas partituras e no vídeo, você pode descrever os pressupostos Educamusicando que foram utilizados na música
anterior?

Veja que neste caso utilizamos todas as premissas abordadas nas unidades anteriores. Foi preciso observar o grupo
participante e o instrumental disponível, o que ainda não é o bastante. Recorremos, então, aos artifícios da rearmonização e
da mudança de paradigma sobre a função de cada instrumento na música. A flauta, que normalmente executa a melodia, faz
um complemento harmônico em mínimas. O violão, que normalmente é o responsável pelo acompanhamento harmônico, faz
somente uma marcação nas cordas soltas ré e sol, em semínimas. Já o cavaquinho, que, embora possa ser utilizado com
função solista, normalmente é o responsável pelo acompanhamento harmônico com uma carga rítmica, foi pensado
aproveitando que o arpejo das cordas soltas representa exatamente a melodia da música folclórica em questão.

Veja que a tarefa de ensinar sempre utilizando músicas não é tão simples quanto parece, exige do professor uma intensa e
insistente atitude pesquisadora para descobrir caminhos pedagógicos que funcionarão como atalhos no processo de ensino e
aprendizagem em música.

MÚSICA 4 - SÃO JOÃO BATISTA

Fonte: Paz (2015, p. 207).


Figura 7 São João Batista.

LETRA
São João Batista Batista João

Batizou a Cristo no rio Jordão

Para o desenvolvimento desse arranjo pedagógico, será explorado somente o violão.

O que pretendo ilustrar aqui é a possibilidade de atingirmos um resultado musical satisfatório, desmembrando as partes
harmônicas e melódicas e as distribuindo aos quatro violões. Colocaremos os conceitos estudados anteriormente com a
intenção de explorar as facilidades do instrumento. Para isso, será composto um arranjo para quatro violões explorando as
cordas soltas e, no máximo, utilizando dois dedos da mão esquerda para executar a música.

Todos esses artifícios foram pensados com o intuito de promover uma prática musical inclusiva,
onde em uma mesma música possam participar alunos em diferentes níveis de
desenvolvimento musical.

O tom utilizado será o de Mi maior.


Ao pensarmos o violão da maneira como é normalmente utilizado, ficaria muito difícil executar a música. Para adequar essa
melodia à proposta pedagógica, foi preciso mudar o paradigma acerca da maneira como o violão pode ser utilizado.

Veja como ficou a partitura da versão para quarteto de violões.

Fonte: Acervo pessoal do autor.


Figura 8 Partitura da versão para quarteto de violões.

Será que ficou interessante? Confira o resultado sonoro e as explicações sobre essa atividade no vídeo baixo.

MÚSICA 5 – MOÇAMBIQUE

Fonte: Paz (2015, p. 378).


Figura 9 Moçambique

LETRA
Andandu pelo mundo oi nois viemo comandá

Até agora realizamos adaptações sempre pensando em práticas inclusivas, que atendam estudantes de música em distintos
estágios de desenvolvimento musical, mas que não excluam aqueles que são iniciantes.

No entanto, as práticas pedagógicas Educamusicando propõem caminhos criativos e diversos, que podem servir até mesmo
aos alunos em estágio avançado.
É exatamente para esses casos que desenvolvemos o modelo a seguir.

Faremos neste último exemplo um caminho inverso para mostrar as infinitas possibilidades de trabalharmos as aulas
utilizando os conceitos até aqui abordados.

Partiremos de uma música de melodia e harmonia simples para um arranjo mais elaborado com influência jazzística, que
utiliza guitarra e contrabaixo, além do violão. Esse padrão de arranjo deve ser utilizado quando encontrarmos, em um mesmo
grupo, alunos com níveis muito diferentes de desenvolvimento musical.

O tom foi mantido em Dó maior, mas houve alteração na fórmula original do compasso, que passou de binário para
quaternário e ainda, na completa rearmonização da música.

Veja a partitura da versão para guitarra semi-acústica, violão e baixo elétrico.

Fonte: Acervo pessoal do autor.


Figura 10 partitura da versão para guitarra semi-acústica, violão e baixo elétrico.

Antes de seguir adiante, veja em detalhes todo o procedimento de criação e execução desta atividade.

Observe como são múltiplas as possibilidades de desenvolvimento de práticas pedagógicas, a partir dos pressupostos do
Educamusicando.

No entanto, há um detalhe muito importante a ser levado em conta.

Todas as versões mostradas acima devem servir como embasamento para que cada professor
crie suas próprias versões, observando sua realidade de trabalho. Podem ser aplicadas para os
instrumentos citados, mas experimentadas em qualquer outro a sua escolha. Foram utilizados:
violão, guitarra, cavaquinho, auta doce e contrabaixo, pois são os instrumentos que estão
inseridos na minha realidade musical. Porém, não devem servir, de modo algum, para restringir
seu campo de trabalho. O objetivo principal é transmitir um modo de pensar as aulas de
música tendo a prática musical como centro das atividades pedagógicas e isso deverá ser feito
em qualquer ambiente onde se propõe a Educação Musical.

Quando não houver instrumentos padronizados para todos, utilize os que estão disponíveis. Quando não for possível o uso
convencional dos instrumentos, utilize-os de forma alternativa. Quando não houver instrumentos, construa alguns com
materiais recicláveis. E quando não houver essa possibilidade, utilize das técnicas aqui apresentadas em arranjos para o
corpo e a voz. A ideia é que a metodologia seja expandida e que possa ser utilizada qualquer fonte sonora, assim como já
realizei diversas vezes em contextos reais.

APRIMORE SEUS CONHECIMENTOS


Tratamos dos arranjos pedagógicos e abordamos no final possibilidades de construção do conhecimento musical em
ambientes onde não há instrumentos musicais. Tal característica exige do professor um aprofundamento sobre o fenômeno
sonoro e suas possibilidades.

Para entender mais sobre o assunto e compreender melhor sobre as potencialidades dos sons cotidianos, deixamos aqui
duas sugestões de leitura, ambas de Murray Schafer: A Afinação do Mundo: uma exploração pioneira pela história passada e
pelo atual estado do mais negligenciado aspecto do nosso ambiente: a paisagem sonora; e Educação Sonora, onde o autor
apresenta uma série de exercícios auditivos, muito funcionais para trabalharmos em sala de aula. Esse conhecimento será
muito útil para enriquecer suas aulas de música.

QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS

Assinale somente a alternativa que expressa corretamente quatro princípios Educamusicando.

Sala disponível para as aulas, instrumentos, verificar se todos os alunos são do mesmo nível técnico, aparelho de
som disponível.

Observar o grupo participante, certificar-se do instrumental disponível, extrair o melhor que cada um pode dar às
atividades, valorizar todos os participantes.

Valorizar os mais experientes, dispensar os iniciantes, tocar músicas eruditas, extrair o melhor de cada
participante.

Valorizar a partitura, valorizar somente os alunos iniciantes, verificar se há instrumentos, definir sozinho o
repertório.

Nenhuma das anteriores.

CONSIDERAÇÕES
Nesta unidade você aprendeu a importância de retomar pensamentos acerca da sua iniciação musical, revivendo anseios e
dificuldades apresentadas quando começou a estudar música. Essa proposta tem como objetivo primordial colocar a sua
atenção nos obstáculos enfrentados pela maioria dos estudantes de música em seu contato inicial com um instrumento
musical, e que são, por vezes, ignorados pelos professores de música. Além disso, reiteramos a importância de não
perdermos o foco da prática musical e do estímulo à musicalidade privilegiando a utilização de exercícios técnicos e a
exploração exagerada de conceitos teóricos.

Observamos que em determinadas ocasiões, será difícil encontrar músicas conhecidas pelos alunos para realizarmos nossas
práticas musicais, mas, para essas ocasiões, encontramos nas melodias folclóricas um extenso material de trabalho. Com a
elaboração de arranjos pedagógicos, como os que foram demonstrados neste curso, que visam a capacidade individual de
cada integrante e o instrumental disponível, você será capaz de promover práticas pedagógicas profícuas e agradáveis à
você, professor, e aos seus alunos.
Na próxima unidade, faremos uma revisão de todos os conceitos estudados até aqui, para que você conclua o curso com
uma significativa compreensão de tudo o que foi estudado.

© 2021 Educamusicando: Práticas Pedagógicas para Professores de Música | Claretiano


UNIDADE 4 – REVISÃO E APLICAÇÃO EDIT

Introdução
Agora que você já está familiarizado com a proposta pedagógica Educamusicando, é hora de exercitar.

Gostaríamos de convidá-lo a colocar em prática tudo o que aprendeu até aqui. É muito importante que o conhecimento
construído neste curso seja aplicado, para que você possa experimentar todas as ferramentas pedagógicas compartilhadas e,
principalmente, para que possa fixar todo o conteúdo.

Também é importante que você faça uma re exão acerca da função do professor enquanto
agente facilitador das transformações necessárias, as quais carecem a sociedade. Neste
espaço, gostaria de propor que você pensasse sobre o seu papel de educador e de que maneira
poderia contribuir para a transformação do mundo.

Na nossa área, particularmente, temos uma ferramenta incrível que é a música! Você já pensou no potencial transformador
que a arte possui e em como você pode fazer parte dessa transformação? Já se perguntou sobre o cenário artístico musical
atual e como você pode intervir nele com propostas musicais? Pois então é hora de mergulhar nesse oceano e fazer parte
dessa transformação que a sociedade precisa! A arte e, no nosso caso, a música, tem o potencial de trabalhar e despertar a
sensibilidade individual e a percepção, características muito importantes para o estímulo da criatividade. Desse modo,
estimulando a criatividade de nossos alunos, estaremos contribuindo para formar cidadãos críticos e atuantes no mundo,
dispostos a transformar a realidade.

Particularmente, acreditamos que essa é a função do professor, a de educar para a liberdade e para a transformação.

E você, em que acredita?

MÃOS À OBRA?
Ao conduzir uma atividade musical observando os princípios Educamusicando, certifique-se dos seguintes passos:

1. Observe o grupo participante.


2. Certi que-se do instrumental disponível.
3. Extraia o melhor que cada um pode oferecer às atividades.
4. Dê valor a todos os participantes.

Não se esqueça dos princípios que norteiam as práticas Educamusicando:

1. Considerar a música como um discurso.


2. Considerar o discurso musical dos alunos.
3. Fluência no discurso musical.

Após escolher as músicas que serão trabalhadas, utilize as técnicas de:


1. Rearmonização.
2. Desmembramento dos acordes em partes separadas.
3. Mudança de paradigma.

Bom trabalho!

QUESTÕES AUTOAVALIATIVAS
Agora é o momento de você se autoavaliar!

A autoavaliação pode ser uma ferramenta importante para você testar o seu desempenho e te dará respostas sobre a eficácia
do seu estudo até aqui. Você encontrará algumas questões de múltipla escolha que estão diretamente relacionadas aos
conteúdos apresentados nesta unidade. Se tiver alguma dúvida, retome a leitura dos conteúdos ou então entre em contato
com seu tutor!

Assinale a alternativa que expressa a solução correta quando não é possível utilizar nas práticas as músicas populares
conhecidas:

Uso de música populares desconhecidas dos alunos.

Uso de músicas internacionais.

Uso de melodias folclóricas.

Uso de músicas de outros povos e etnias.

Uso de músicas instrumentais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Querido estudante, parabéns pela realização do curso Educamusicando! Espero que os conteúdos construídos aqui tenham
contribuído para a sua transformação, não só como professor, mas também como ser humano.

O fazer profissional do educador exige muito estudo, dedicação e compromisso com o próximo. Além disso, o afeto é uma
das condições para o desenvolvimento do nosso trabalho, independente de estarmos lidando com crianças, adolescentes,
adultos ou até mesmo com idosos.

É nesse sentido que o Educamusicando foi desenvolvido, primeiro como um método de trabalho e, posteriormente, como um
curso que compartilha pensamentos e práticas pedagógicas em educação musical. Portanto, tem-se como princípio,
estabelecer um olhar afetivo com o próximo, sem intenções de rotular ou classificar, mas, principalmente, acolher todos
aqueles que, como nós, amam a música e dela querem fazer parte.

Do ponto de vista pedagógico, acreditamos que o professor deve buscar sempre estabelecer uma prática embasada nos
preceitos da pesquisa científica e da crítica, pois só assim conseguirá potencializar os efeitos de sua prática docente. O
professor de música deve ser, antes de tudo, um pesquisador em busca do novo, do que ainda não foi descoberto, e deve
estimular essa qualidade em seus alunos para que esses, munidos de um despertar criativo, sejam agentes da transformação
social da qual nosso país tanto precisa.

Educamusicando é uma proposta pensada, experimentada e aperfeiçoada no ambiente da


escola pública brasileira, precisamente, no interior do estado do Rio de Janeiro.
Foi em busca de respostas a muitos questionamentos surgidos durante a prática pedagógica de música nessa escola carioca,
que desenvolvi as estratégias aqui compartilhadas com outros educadores que, assim como eu, lutam por uma educação
mais digna, que sonham com um Brasil melhor e que tentam, por meio da música, contribuir para a inserção daqueles que
estão à margem da sociedade.

Vivenciar dia após dia a falta de condições, de recursos e de comprometimento daqueles que conduzem as políticas públicas
no Brasil, nos desperta um sentimento de revolta. Mas, não é um sentimento negativo, e sim uma ânsia por mudança.

Desejamos profundamente um país mais justo e mais acessível àqueles que movem essa
gigantesca engrenagem, aqueles que acordam antes do dia clarear para acender as luzes, para
abrir as portas das fábricas, para ligar as máquinas, para conduzir os ônibus, para limpar o
chão, para conduzir o elevador, para assentar o tijolo, para pintar a parede, para capinar o
terreno e limpar o jardim. Todos aqueles que, quando mais precisam, têm seus direitos
negados e são sabotados em prol das vontades de uma minoria.

É nesse contexto que o Educamusicando vem sendo lapidado, a cada novo dia de trabalho, de novas descobertas, novas
pesquisas e novas perguntas. Foi para transpassar essas barreiras da escassez que, por necessidade, desenvolvemos uma
estratégia de manter as aulas de música funcionando pelo maior tempo possível em escolas onde há ensino musical.

Esperamos que a semente plantada agora seja cultivada, cresça e se transforme em uma frondosa árvore cheia de frutos.
Que pássaros conduzam as sementes desses frutos para lugares cada vez mais longínquos e, assim, num movimento cíclico,
possamos, quem sabe, contribuir para um Brasil melhor.

Um grande abraço,

Prof. Me. Gustavo Rapozeiro França.

© 2021 Educamusicando: Práticas Pedagógicas para Professores de Música | Claretiano


AVALIAÇÃO FINAL EDIT

 Nesse momento, faremos a avaliação do nosso curso de Extensão Universitária


denominado Educamusicando: Práticas Pedagógicas para Professores de Música.

Chegou o momento de você verificar se o conteúdo abordado foi assimilado. Para tanto, responda atentamente às dez
questões objetivas propostas, clicando no ícone indicado.

Para ser aprovado e receber o certi cado, será preciso alcançar o aproveitamento mínimo
de 60% (seis acertos).

Caso você não consiga a aprovação na primeira oportunidade, você poderá tentar novamente outras vezes, desde que esteja
dentro do prazo para a conclusão do curso.

 Acesse a Avaliação

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