UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
Faculdade de Educação e Comunicação
Licenciatura em Contabilidade e Auditoria 2º ano, Pós-Laboral
Critério de Valometrias
Discentes:
Denisia Franciso Borges
Iracema Katar Sulemane
Lázio Teixeira Brito
Saly Velasco Muneme
Docente: Iacumba Saide.
Nampula, maio de 2022
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
Faculdade de Educação e Comunicação
Critérios de Valometrias
Trabalho de caracter avaliativo da
Cadeira de Contabilidade financeira III,
lecionada no 2º ano do curso de
Contabilidade e Auditoria, pelo docente
Iacumba Saide.
Discentes:
Denisia Franciso Borges
Iracema Katar Sulemane
Lázio Teixeira Brito
Saly Velasco Muneme
Nampula, maio de 2022
Índice
Introdução...................................................................................................................................1
Controle sobre os estoques.........................................................................................................2
Controle periódico..................................................................................................................2
Controle permanente..............................................................................................................3
Critérios de valorimetria.............................................................................................................4
Custo Medio Ponderado.........................................................................................................4
FIFO.......................................................................................................................................6
LIFO.......................................................................................................................................7
Conclusão...................................................................................................................................9
Referências Bibliográficas.......................................................................................................10
Introdução
O presente trabalho no âmbito de um trabalho em grupo a que fomos submetidos pelo
docente da cadeira, tem como tema Critérios de Valometria. As existências são fonte dos
mais diversos e difíceis problemas da contabilidade, tanto no campo teórico como no campo
pratico, (Araújo, 2009)
No que se refere a valometria, existem critérios de ampla aceitação e critérios que só em
circunstâncias especiais são admitidos. Segundo Costa e Alves (2008) O critério geral é o de
valorizar as existências ao custo de aquisição ou ao custo de produção, sendo admitidas
outras bases apenas em situações excepcionais. Este critério esta, alias, de acordo com o
princípio do custo histórico, segundo o qual os registos contabilísticos devem basear-se em
custos de aquisição ou de produção, quer a euros nominais, quer a euros constantes.
As partes constituintes do presente trabalho compreendem, introdução, desenvolvimento e
conclusão.
1
Controle sobre os estoques
Segundo Coelho, Siqueira e Lins (2008), os estoques representam um dos itens mais
relevantes do activo e ainda caracteriza-se por uma grande movimentação nas indústrias e no
comércio em geral. Nesse sentido, seu acompanhamento torna-se fundamental para um
correcto controle de entradas e saídas desses activos nas empresas.
Dependendo do tamanho e das características da empresa, dois tipos de controles podem ser
usados: Controle periódico e Controle permanente.
Controle periódico
O controle periódico ou inventário periódico pode ser encontrado em empresas de pequeno
porte, tem como principais características a facilidade de entendimento e implementação,
além do fato de exigir uma única contagem física dos estoques no final de ano, quando é
apurado o saldo final dos estoques é contabilizado no balanço. Utilizando-se a seguinte
formula para apuração dos custos da mercadoria vendida (CMV).
CMV = EI + C - EF
Onde:
EI = Estoque Inicial
C = Compras
EF = Estoque Final conforme a contagem física anual
Essa metodologia apresenta a vantagem de ser de simples aplicação, mas também uma forte
restrição em relação aos controles sobre saídas não programadas, como desvios e roubos. Este
facto é decorrente da contagem física final ser o valor que comporá o saldo final dos estoques
de mercadorias, portanto, eventuais desvios e perdas não serão detectados facilmente no
momento da sua ocorrência.
Exemplo: A empresa União Lda., do ramo de copra e venda de cadeiras de escritórios, esta
fechando o seu balanço de 2007. Para tanto, efectua a contagem física do seu estoque em
31/12/2007, apurando a existência de 100 cadeiras do tipo padrão e 300 cadeiras do tipo luxo.
Apos a valorização pelo preço de aquisição (custo), foram apurados os seguintes valores:
Padrão ($50 x 100 unidades) = $ 5.000
Luxo ($100 x 300 unidades) = $ 30.000
2
Total do estoque final = $ 35.000
Com bases nas informações do livro de razão, foi apurado o seguinte valor das compras
efectuadas em 2007:
Compras = $ 125.000
Ainda com base no balanço de 2006, foi apurado o seguinte valor de estoque final desse ano
(repare que o estoque final do anterior é o estoque inicial do ano seguinte):
Estoque final em 2006 = $ 10.000
Logo, o CMV do período seria de:
CMV = $ 10.000 + $ 125.000 - $ 35.000
CMV = $ 100.000
Controle permanente
O controle permanente, ou inventário permanente, apresenta um controle sobre cada
movimentação da conta estoques de mercadorias. Significa que a movimentação dos estoques
é feita directamente na correspondente, não sendo necessária a utilização da conta compras,
conforme o controle periódico.
A vantagem desse método é permitir, a qualquer momento, uma confrontação entre a posição
física e a posição contabilística, a cada entrada ou saída, possibilitando assim conferir e
detectar possíveis desvios de itens do estoque. A desvantagem é que ele exige um
acompanhamento constante e efectivo de todos os itens do estoque, o que, dependendo da
empresa poderá acarretar em custos relevantes em pessoal e em processamento de dados.
Quando a empresa tem quantidade e movimentação muito grandes em seus estoques,
geralmente é feita uma classificação denominada ABC. Nessa classificação, os itens em
estoques são classificados quanto ao grau de importância e/ou valor financeiro para a
empresa.
Classe A- os mais importantes;
Classe B- os intermediários;
Classe C- os demais.
Os itens classificados como classe A são inventariados (contados fisicamente) com maior
frequência e confrontados com os controles contabilísticos; os itens classificados como classe
3
B são inventariados com menor frequência; os classificados como classe C tem controles
menos rigorosos.
Critérios de valorimetria
Segundo Araújo (2009) a valorização da existência como processo de determinação dos
preços de entrada e saída, assim assume um relevo tanto mais especial quanto maior for o
volume de estoques da empresa. Relativamente as entradas, as existências devem ser
valorizadas pelo preço de custo, consistindo este em todos os encargos (preço da fatura,
fretes, seguros, etc.) deduzidos todos os descontos comerciais obtidos, em que se ocorreu para
se efectivar a posse definitiva dos bens. Isto é:
Preço de custo = Preço da fatura + despesas de compra – descontos comerciais obtidos (na
fatura ou extra fatura).
Segundo Costa e Alves (2008), no que se refere a valorimetria existem critérios de ampla
aceitação e critérios que, em circunstâncias especiais são admitidos. Eis os principais:
Custo medio ponderado;
FIFO (first in, first out);
LIFO (last in, first out).
Custo Medio Ponderado
Coelho, Siqueira e Lins (2008) afirmam que a avaliação da movimentação da conta estoque
utilizando o custo tem como característica a desconsideração dos lotes necessários nas outras
formas de controle. Sua metodologia consiste em atualizar o custo unitário de estoque
considerando cada compra de forma que as vendas de mercadorias sejam baixadas pelo valor
unitário medio.
Já Araújo (2009) diz que de acordo com este método, o inventário é visto como um todo, pelo
que os lotes perdem a sua individualidade. O custo de cada elemento é determinado a partir
da média ponderada do custo dos elementos existentes, ou seja:
Custo total dos bens+Custo total das novas entradas
Custo médio=
Quantidades existentes + Novas quantidades entradas
O custo medio pode ser determinado após cada nova entrada – custo médio progressivo – o
que corresponde ao tratamento considerando preferencial.
As vantagens normalmente atribuídas ao custo médio são basicamente as seguintes:
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- É um método de custeio realístico;
- É um método em que os custos médios minimizam os efeitos das variações dos custos de
aquisição ou de produção.
Exemplo:
A empresa Alfa comercializa o produto A, cujo movimento no mês e Dezembro de 2010 foi o
seguinte:
Existência inicial:
1/12: 500 unidades @ 90 45.000
Entradas em armazéns resultantes de compras
10/12: 300 unidades @ 94 28.200
20/12: 500 unidades @ 94,9 47.450
Saídas de armazéns resultantes de vendas
15/12: 450 unidades
30/12: 420 unidades
Entrada em armazém resultante de devoluções de clientes
23/12: 150 unidades vendidas em 15/12
Saídas de armazéns resultantes de ofertas
27/12: 50 unidades
Sabendo que todas unidades foram vendidas a 150:
- Elaborar a ficha de inventário do produto A adotando o custo medio ponderado.
- Determinar a margem bruta gerada nas vendas.
Doc Entradas Saídas Existências
Descrição
Data nº. Q. P.U Valor Q. P.U Valor Q. P.U Valor
02/12 Transporte 500 90,0 45.000
10/12 101 Guia entrada 300 94,0 28.200 800 91,5 73.200
5
15/12 1300 G. Saída 450 91,5 41.175 350 91,5 32.025
20/12 102 G. Entrada 500 94,9 47.450 850 93,5 79.475
G. E.
23/12 103 150 91,5 13.725 1000 93,2 93.200
(devol,)
G. S.
27/12 1301 50 93,2 4.660 950 93,2 88.540
(ofertas)
30/12 1302 G. Saída 420 93,2 39.144 530 93,2 49.396
A margem bruta proporcionada pelo produto A é a seguinte:
Vendas (Nota 1) 108.000 – 66.594 Custo das vendas (Nota 2) = 41.406 Margem bruta
Margem bruta 41.406 – 4.660 Oferta a clientes = 36.746
Nota 1: 150 (450 + 420 – 150) = 108.000
Nota 2: 41.175 + 39.144 – 13.725 = 66.594
FIFO
Conforme já comentado por Coelho, Siqueira e Lins (2008) no inventário permanente, para
toda a movimentação de entrada e saída, a conta “ Estoque” é atualizada imediatamente. Para
que seja possível determinar o valor pelo qual será dada a “baixa” (saída) no estoque por
venda ou por qualquer outro motivo, é necessário que todos os valores de entrada no estoque
sejam identificados por “lotes”. No caso do FIFO, as baixas serão efectuadas seguindo a
ordem ö primeiro lote que entrou será o primeiro lote a sair”. Esse procedimento, conforme
veremos, permite que a conta “Estoque” sempre esteja com seus valores mais atualizados,
pelo facto de manter sempre em estoque os valores comprados mais recentemente.
Vejamos o seguinte exemplo:
Dia 01/01/X6 = compra de 1.000 unidades por $ 1,00 cada;
Dia 01/02/X6 = compra de 500 unidades por $ 1,20 cada;
Dia 10/05/X6 = venda de 600 unidades por $ 5,00 cada;
Dia 15/06/X6 = venda de 600 unidades por $ 5,00 cada;
Dia 30/06/X6 = compra de 200 unidades por $ 1,25 cada.
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Entrada Saída Estoque
Data Qtd V.un. Total Qtd V.un. Total Qtd V.un. Total
01/01/X6 1.000 1,00 1.000,00 - - - 1.000 1,00 1.000,00
1.000 1,00 1.000,00
01/02/X6 500 1,20 600,00 - - - 500 1,20 600,00
400 1,00 400,00
10/05/X6 - - - 600 1,00 600,00 500 1,20 600,00
400 1,00 400,00
15/06/X6 - - - 200 1,20 240,00 - - -
30/06/X6 200 1,25 250,00 - - - 300 1,20 360,00
200 1,25 250,00
Totais 1.850,00 1.240,00 500 610,00
LIFO
No caso do LIFO, para que seja possível determinar o valor pelo qual será dada a “baixa”
(saída) no estoque, são considerados os valores dos lotes relativos às últimas compras. Nesse
sentido, havendo aumento de preços, o saldo final da conta “Estoques” apresentará valor
inferior ao obtido pelo FIFO.
Vejamos o comportamento das saídas e o valor do estoque final utilizando o mesmo exemplo:
Entrada Saída Estoque
Data Qtd V.un. Total Qtd V.un. Total Qtd V.un. Total
01/01/X6 1.000 1,00 1.000,00 - - - 1.000 1,00 1.000,00
- - - - - - 1.000 1,00 1.000,00
01/02/X6 500 1,20 600,00 - - - 500 1,20 600,00
Saldo - - - - - - 1.500 - 1.600,00
10/05/X6 - - - 500 1,20 600,00 - - -
- - - 100 1,00 100,00 - - -
7
- - - 600 - 700,00 - - -
Saldo 1.500,00 - 1.600,00
15/06/X6 - - - 600 1,00 600,00 - - -
Saldo - - - 300 1,00 360,00
- - - 300 1,00 360,00
30/06/X6 200 1,25 250,00 - - - 200 1,25 250,00
Totais 1.850,00 1.300,00 500 550,00
Repare que o estoque avaliado pelo FIFO apresenta um saldo maior que os demais ($ 610).
Esse facto é decorrente, conforme já comentado, da contabilização das saídas pelas compras
que entraram primeiro em uma economia com aumento de preços. Consequentemente, os
valores do estoque ficam mais próximos das compras mais recentes. O raciocínio inverso é
aplicado ao LIFO, cujo estoque esta avaliado pelos valores das primeiras entradas, já que as
saídas foram efectuadas com base nas ultimas entradas. No caso do custo médio, este se
mantém sob efeito do valor “médio” das compras efectuadas.
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Conclusão
Depois da abordagem percebeu-se que dependendo do tamanho e das características da
empresa, dois tipos de controles podem ser usados: O controle periódico ou inventário
periódico pode ser encontrado em empresas de pequeno porte, tem como principais
características a facilidade de entendimento e implementação, além do fato de exigir uma
única contagem física dos estoques no final de ano, quando é apurado o saldo final dos
estoques é contabilizado no balanço. E o controle permanente, ou inventário permanente,
apresenta um controle sobre cada movimentação da conta estoques de mercadorias. Significa
que a movimentação dos estoques é feita directamente na correspondente, não sendo
necessária a utilização da conta compras, conforme o controle periódico.
Segundo Araújo (2009) a valorização da existência como processo de determinação dos
preços de entrada e saída, assim assume um relevo tanto mais especial quanto maior for o
volume de estoques da empresa.
Segundo Costa e Alves (2008), no que se refere a valorimetria existem critérios de ampla
aceitação e critérios que, em circunstâncias especiais são admitidos. Eis os principais: Custo
médio ponderado, FIFO (first in, first out) e LIFO (last in, first out).
No custo medio ponderado, o inventário é visto como um todo, pelo que os lotes perdem a
sua individualidade. O custo de cada elemento é determinado a partir da média ponderada do
custo dos elementos existentes. No caso do FIFO, as baixas serão efectuadas seguindo a
ordem ö primeiro lote que entrou será o primeiro lote a sair”. E no caso do LIFO, para que
seja possível determinar o valor pelo qual será dada a “baixa” (saída) no estoque, são
considerados os valores dos lotes relativos às últimas compras.
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Referências Bibliográficas
Costa, C. B. & Alves, G. C. (2008). Contabilidade Financeira (7ª. ed.). Lisboa, Portugal: Rei
dos Livros.
Coelho, C. U. F., Siqueira, J. R. M. & Lins, L. S. (2008). Fundamentos de Contabilidade:
Estrutura, Classificação e Análise, Uma proposta interativa. São Paulo, Brasil: Thomson.
Araújo, I. P. S. (2009). Introdução a contabilidade (3ª. ed.). São Paulo, Brasil: Saraiva.
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