1.
CRISTAIS NORMAIS EM URINA ÁCIDA
A principal razão para a identificação de cristais urinários é detectar a
presença dos tipos de cristais anormais que podem representar alguma alteração no
sistema urinário ou estar ligada a alguma lesão renal causada por cristalização de
compostos iatrogênicos dentro dos túbulos ou a erros inatos de metabolismo.
Os cristais são formados pela precipitação de solutos de urina, incluindo sais
inorgânicos, compostos orgânicos, e medicamentos (compostos iatrogênicos). A
precipitação é sujeita a mudanças de temperatura, concentração de soluto, e do pH
urinário, que afetam a solubilidade.
Cristais são relatados no exame de urina de forma semi-quantificada (+, ++, +
++) ou por termos descritivos (raros, poucos, moderados, numerosos).
1.1 URATO AMORFO
São cristais numerosos na urina fortemente ácida, podendo aparecer como
sais de urato (sódio, potássio, magnésio e cálcio). Quando visto sob um
microscópio, cristais amorfos aparecem como coleções de minúsculos grãos sem
forma ou feições definidoras, tendo a variação de cor de amarelo a preto. Eles
aparecem amarelo ou amarelo-marrom.
O surgimento do urato amorfo não causa sintoma, sendo verificado apenas
por meio de exame de urina de tipo 1. Quando há grande quantidade de urato a
amorfo, é possível que exista alteração macroscópica, ou seja é possível que seja
identificado o excesso de urato amorfo na urina por meio da mudança da coloração
da urina para rosa.
Não apresentam significado clínico. Pode surgir devido ao pH ácido da urina,
ou também como consequência do resfriamento da amostra, isso porque
temperatura mais baixas favorecem a cristalização de alguns dos componentes da
urina, havendo formação do urato. Por isso, é recomendado que a urina seja
analisada até 2 horas após a sua coleta e não seja refrigerada para evitar
interferência no resultado.
No entanto, o aparecimento do urato amorfo na urina pode significar outras
situações, sendo as principais: dieta hiperproteica, baixa ingestão de água, gota,
inflamação crônica do rim, cálculo renal, cálculo biliar, doença hepáticas, doenças
renais graves, dieta rica em vitamina C, dieta rica em cálcio.
O tratamento para urato amorfo é feito de acordo com a causa do seu
surgimento, podendo ser indicado pelo médico mudança nos hábitos alimentares,
como diminuição do consumo de alimentos ricos em proteína ou cálcio, ou
tratamento específico no caso de alterações no rim ou no fígado.
Figura 1- Urato amorfo
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
Figura 2- Urato amorfo
Fonte: Biomedicina Padrão
1.2 ÁCIDO ÚRICO
Os cristais de ácido úrico são um dos cristais mais comumente encontrados
na urina. Em geral, são provocados por dietas muito ricas em proteínas (isso quer
dizer que esse tipo de cristal é comumente associado às pessoas que adotam dietas
hiperproteicas, como fisiculturistas e atletas), que estimulam o aumento do ácido
úrico na urina, que é derivado da proteína purina.
O ácido úrico, que pode ser excretado na urina, pode se cristalizar na faixa de
pH 5,0 – 5,5. Comumente observados na urina mantida em tempo de exposição
prolongada com ação de bactérias produtoras de amônia. Os cristais de ácido úrico
na urina são geralmente amarelos ou laranja-acastanhados. Às vezes, podem ser
encontrados cristais de ácido úrico incolores.
Os estados patológicos em que se encontram aumentados no sangue são:
gota, metabolismo das purinas aumentado, pode ocorrer em enfermidade febris
agudas e nefrites crônicas. É comum também em pacientes que passam por
quimioterapias.
Os cristais de ácido úrico podem coalescer com o tempo e causar cálculos de
ácido úrico. É uma das causas importantes da formação de pedra nos rins.
Figura 3 – Cristal de ácido úrico
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
1.3 URATO DE SÓDIO
Tem significado patológico importante como em enfermidades hepáticas em
fase terminal, como a cirrose, hepatite viral, atrofia amarela aguda do fígado e em
severas lesões hepáticas provocadas por envenenamento porfósforo, tetracloreto de
carbono ou clorofórmio. Nas doenças hepáticas, estão normalmente associados a
cristais de tirosina.
Figura 4 – Cristal urato de sódio
Fonte: GAMA, Ádamo Porto (2011)
1.4 OXALATO DE CÁLCIO (URINAS ÁCIDAS, NEUTRAS E RARAMENTE EM
ALCALINAS)
A presença deste cristal em urina recém-emitida, deve-se suspeitar de
processo patológico como intoxicação pelo etilenoglicol, diabetes mellitus, doença
hepática, enfermidade renal crônica grave, pacientes com nefrolitíase. A ingestão de
grande quantidade de vitamina C pode promover o aparecimento desses cristais na
urina, pois o ácido oxálico é um derivado da degradação do ácido ascórbico e
produz a precipitação de íons de cálcio.
Podem ocorrer como oxalato de cálcio bi-hidratado (aparecem como
bipirâmides incolores de vários tamanhos – forma de envelope) ou mono-hidratado
(incolores, e podem assumir várias formas, incluindo ovoides, discos bicôncavos,
varetas e halteres), e são identificados através da análise microscópica da urina
durante o exame de urina tipo 1, também chamado de EAS.
Algumas doenças podem deixar uma pessoa mais suscetível à formação de
cristais de oxalato de cálcio na urina, são elas: hiperparatireoidismo, doenças
inflamatórias intestinais (como colite ulcerosa ou Doença de Crohn), doença de Dent
(doença rara e hereditária que afeta os rins), diabetes, bypass gástrico.
Figura 5 – Oxalato de cálcio Fonte: Biomedicina Padrão
Fonte: GAMA, Ádamo Porto (2011)
Figura 6 – Oxalato de cálcio bi-hidratado Figura 7 – Oxalato de cálcio mono-hidratado
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico Fonte: Association LEA
da urina
2. CRISTAIS NORMAIS EM URINAS ALCALINAS
2.1 FOSFATO AMORFO
São partículas granulares que não tem forma definida e são geralmente
visíveis indistinguível dos uratos amorfos. O pH da urina e as propriedades de
solubilidade ajuda a distingui-los. São solúveis em ácido acético; não apresentam
significado clínico. Em grandes quantidades produz turvação branca na urina.
Normalmente são cristais presentes na urina de indivíduos saudáveis.
Raramente poderiam indicar alguma alteração a nível renal caso tenha
grande quantidade presente na amostra. Podem surgir, como no caso dos oxalatos
de cálcio, como resultado do processo de refrigeração da amostra de urina e não
apresentam importância para o diagnóstico.
Figura 8 – Fosfato amorfo
Fonte: GAMA, Ádamo Porto (2011)
Figura 9 – Fosfato amorfo
Fonte: Biomedicina Padrão
2.2 FOSFATO TRIPLO
Os cristais são descritos como tendo uma aparência de “tampa de caixão”.
São talvez os mais facilmente identificáveis porque costumam ser constituídos por
prismas incolores denominados "tampa de caixão". Constituído por fosfato,
magnésio e amônia.
Esse tipo de cristal em elevadas concentrações pode ser indicativo de cistite e
hipertrofia da próstata, no caso dos homens. Condições patológicas em que podem
ser encontrados incluem pielonefrite crônica, cistite crônica, da próstata, e quando a
urina é retida na bexiga.
Aparecem também em urinas normais.
Figura 10 – Fosfato triplo
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
Figura 11 – Fosfato triplo
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
2.3 FOSFATO DE CÁLCIO
São longos, finos, prismas incolores e pode ter uma extremidade pontiaguda,
também podem assumir formas grandes, finas em forma de estrela ou de agulha, e
podem formar placas irregulares que podem flutuar na superfície da urina. São
solúveis em ácido acético diluído.
Em casos raros, os cristais de fosfato de cálcio podem ser causados por
hipoparatireoidismo. Os sintomas disso incluem formigamento nas mãos e cãibras
musculares. O tratamento pode incluir beber mais água, obter mais cálcio e tomar
suplementos de vitamina D.
Figura 12 – Fosfato de cálcio
Fonte: GAMA, Ádamo Porto (2011)
Figura 13 – Fosfato de cálcio
Fonte: Biomedicina Padrão
2.4 CARBONATO DE CÁLCIO
São pequenos, incolores e apresentam forma de haltere ou formas esféricas
com estrias radiais. São incolores a castanhos-amarelados e podem dar uma
tonalidade acastanhada à urina, quando ocorrem em números elevados.
Elas podem ocorrer em aglomerados que se assemelham material amorfo,
mas eles podem ser distinguidos pela formação de gás, após a adição de ácido
acético. São birrefringentes. Não tem significado clínico.
Figura 14 – Carbonato de cálcio
Fonte: GAMA, Ádamo Porto (2011)
Figura 15 – Carbonato de cálcio
Fonte: Biomedicina Padrão
2.5 BIURATO DE AMÔNIA
Também referidas como uratos de amônio, são encontrados na urina alcalina
e neutra. São amarelo amarronzados apresentando forma de corpos esféricos com
longas espículas irregulares.
São solúveis aquecendo a urina ou acrescentando o ácido acético e, se ficar
em repouso, formam cristais de ácido úrico. A precipitação de solutos depende do
pH urinário e da solubilidade e concentração do cristaloide. Por vezes os cristais de
biurato de amónio só aparecem porque a amostra de urina é velha ou foi mal
conservada. Por isso, a recolha de uma amostra de urina pode ser aconselhada se
estes cristais aparecerem.
São patogênicos se aparecem em urina recém-emitida, como ocorre em
doenças hepáticas.
Figura 16 – Biurato de amônia
Fonte: GAMA, Ádamo Porto (2011)
Figura 17 – Biurato de amônia
Fonte: Biomedicina Padrão
3. CRISTAIS URINÁRIOS ANORMAIS (URINAS ÁCIDAS OU
RARAMENTE NEUTRA
3.1 CRISTAL DE CISTINA
A cistina é um aminoácido e pode causar cristais de urina e pedras nos rins.
As pedras nos rins causadas pelo ácido cistina são geralmente maiores que a
maioria das outras pedras nos rins. É uma condição rara e geralmente genética.
A condição que faz com que a cistina se ligue e forme os cristais é chamada
cistinúria. Os cristais, quando encontrados na urina, geralmente têm a forma de
hexágonos e podem ser incolores, que se assemelham a anéis de benzeno. Porém,
sua identidade deve ser confirmada por testes químicos ou pelas informações do
pacientes (medicamentos).
A presença desses cristais tem sempre significado clínico, como na cistinose,
cistinúria congênita, insuficiente reabsorção renal ou em hepatopatias tóxicas. Os
sintomas podem incluir sangue na urina, náusea e vômito e dor na virilha ou nas
costas.
Figura 18 – Cristais de cistina
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
Figura 19 – Cristais de cistina
Fonte: Biomedicina Padrão
3.2 TIROSINA
Os cristais de tirosina são incolores e semelhantes a agulhas. Eles são
frequentemente encontrados na urina ácida e podem ser causados por distúrbios
metabólicos, como doença hepática ou tirosinemia. Os sintomas de tirosinemia
incluem dificuldade em ganhar peso, febre, diarréia, fezes ensanguentadase
vômitos.
A presença destes cristais está associada a enfermidades hepáticas graves
ou tirosinose.
Figura 20 – Tirosina
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
Figura 21 – Tirosina
Fonte: GAMA, Ádamo Porto (2011)
3.3 BILIRRUBINA
A bilirrubina é um produto que ocorre como resultado da degradação dos
glóbulos vermelhos depois de estes deixarem de funcionar. É formado no fígado
após um longo mecanismo.
Os cristais de bilirrubina têm uma aparência granular semelhante a uma
agulha e geralmente são muito pequenos e de cor amarela. Podem ser causador
por: cirrose, icterícia, câncer de fígado, escarlatina, tifo, envenenamento por fósforo.
Níveis altos de bilirrubina ou cristais de bilirrubina na urina podem indicar
doença hepática ou função hepática deficiente. Outros sintomas podem incluir
náusea, dor, vômito, icterícia e febre.
Figura 22 – Cristais de bilirrubina Figura 23 – Cristais de bilirrubina
Fonte: Biomedicina Padrão
Fonte: EclinPath
3.4 COLESTEROL
Os cristais de colesterol geralmente são claros e têm a forma de retângulos
longos, com um entalhe cortado na esquina. É mais provável que apareçam após
uma amostra de urina ter sido refrigerada.
Cristais de colesterol podem ser encontrados na urina neutra e ácida. Eles
podem ser causados por doença tubular renal, que pode levar a insuficiência renal
se não tratada.
O tratamento pode envolver terapia alcalina para ajudar a tratar condições
metabólicas crônicas, como doença tubular renal.
Raramente são vistos a menos que as amostras foram refrigeradas. Os
lipídios permanecem em forma de gota, no entanto, quando observado, eles têm
uma aparência mais característica, assemelhando-se uma placa retangular com um
entalhe em um ou mais cantos e são altamente birrefringentes com luz.
Condições em que os cristais de colesterol aumentam na urina: urina gelada,
urina retida, síndrome nefrótica, glomérulo nefrite de membrana, cistite ou
pielonefrite.
Os cristais de colesterol podem anunciar uma patologia renal subjacente. A
avaliação e o detalhamento são importantes.
Figura 24 – Colesterol
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
Figura 25 – Colesterol
Fonte: GAMA, Ádamo Porto (2011)
4. CÉLULAS ENCONTRADAS NA URINA
4.1 HEMÁCIAS NORMAIS E DISMÓRFICAS
A cistina é um aminoácido e pode causar cristais de urina e pedras nos rins. As
4.2 LEUCÓCITOS (PIÓCITOS)
A cistina é um aminoácido e pode causar cristais de urina e pedras nos rins. As
4.3 CÉLULAS EPITELIAIS ESCAMOSAS (PAVIMENTOSAS)
Cobrem a vagina, a uretra e o trígono vesical. Caracterizam-se pelo grande
tamanho, núcleo pequeno e citoplasma com pequenos grânulos. Sua presença não
tem maior significado, podendo indicar contaminação vaginal da amostra.
Resultado: poucas, moderadas e muitas.
Figura XX - Células epiteliais escamosas coradas
4.4 CÉLULAS EPITELIAIS TRANSICIONAIS
Cobrem a pelve renal, ureter e bexiga. Sua presença, em grande número,
pode indicar inflamação da via urinária descendente, se associada a leucocitúria.
Frequentemente são redondas, com núcleo também redondo e relativamente
grande. É difícil sua separação do epitélio renal.
Resultado: poucas, moderadas e muitas.
Figura XX – Células epiteliais de transição (azul) – bexiga – e leucócitos (verde)
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
Figura XX – Células epiteliais transicionais
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
4.5 CÉLULAS EPITELIAIS TUBULARES RENAIS
São as células encontradas nos túbulos renais e podem aparecer de vez em
quando na urina, no entanto devido a problemas renais podem aparecer na urina na
forma de cilindros, que deve ser indicado no resultado do exame.
São um pouco maiores do que os leucócitos e apresentam um núcleo grande,
geralmente excêntrico, muitas vezes com membrana nuclear espessada e com
inclusões citoplasmáticas.
Como representa esfoliação renal, a presença de mais do que uma dessas
células por campo de grande aumento (400x) sugere dano tubular renal.
Figura XX – Células epiteliais tubulares
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
5. CILINDROS
Os cilindros são estruturas formadas exclusivamente nos rins que não são
frequentemente identificadas na urina de pessoas saudáveis. Dessa forma, quando
são observados cilindros no exame de urina, pode ser indicativo de que há qualquer
alteração nos rins, seja infecção, inflamação ou destruição das estruturas renais, por
exemplo.
A presença de cilindros é verificada através do exame de urina, o EAS ou
exame de urina tipo I, em que através de análises microscópicas é possível observar
os cilindros. Normalmente, quando é verificada a presença de cilindros, outros
aspectos do exame também encontram-se alterados, como leucócitos, número de
células epiteliais e hemácias, por exemplo.
5.1 CILINDROS HIALINOS
Esse tipo de cilindro é o mais comum e é formado basicamente pela proteína
Tamm-Horsfall.
Os cilindros hialinos são incolores nos sedimentos não-corados e têm um
índice de refringência semelhante ao da urina; portanto, podem facilmente passar
despercebidos se as amostras não forem examinadas com pouca luminosidade.
A presença de cilindros hialinos em pequena quantidade na urina é normal
(até 2 cilindros), principalmente após exercícios físicos, desidratação, calor e
estresse. Porém pode aparecer de forma patológica quando o indivíduo apresentar
glomerulonefrite, pielonefrite, doença renal crônica e insuficiência cardíaca
congestiva.
Figura XX – Cilindros hialinos
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
5.2 CILINDROS HEMÁTICOS
São cilindros hialinos que contém aglomerados de hemácias ou hemoglobina
ao seu redor e em seu interior. Podem conter células claramente identificáveis ou
fortemente agrupadas, ligadas à matriz protéica.
Em muitos casos está associado a glomerulonefrite, lesões glomerulares,
tubulares e capilares renais, sendo formados devido ao sangramento no interior dos
néfrons. Por isso são muito importantes para definir se a lesão é glomerular,
ureteral, da bexiga, da próstata ou da uretra.
Os cilindros hemáticos também podem aparecer no exame de urina de
pessoas saudáveis após prática de esportes de contato.
Figura XX – Cilindros hemáticos
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
Figura XX – Cilindro hemático corado pelo uri-cell.
Fonte: BIASOLI, Wander Mendes – Atlas do sedimento urinário (1980)
Figura XX – Cilindro hemático contendo dois piócitos.
Fonte: BIASOLI, Wander Mendes – Atlas do sedimento urinário (1980)
5.3 CILINDROS LEUCOCITÁRIOS
São cilindros hialinos que contém leucócitos ao seu redor e em seu interior.
Os cilindros leucocitários são refringentes, têm grânulos e, a menos que sua
desintegração tenha começado, serão visíveis os núcleos multilobulados.
São indicativos de infecção ou inflamação no interior do néfron tais como:
pielonefrite e glomerulonefrite. Geralmente ocorre concomitante com leucocitúria e
mostra a necessidade de se realizar uma cultura de urina.
Apesar do cilindro leucocitário ser indicativo de pielonefrite, a presença dessa
estrutura não deve ser considerado critério único de diagnóstico, sendo importante
avaliar outros parâmetros do exame.
Figura XXX – Cilindro leucocitário.
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
Figura XXX – Cilindro leucocitário.
Fonte: Kasvi (2019)
5.4 CILINDROS DE CÉLULAS EPITELIAIS
As fibrilas da proteína de Tamm-Horsfall prendem-se às células tubulares; se
assim não fosse, passariam para a urina antes da formação do cilindro.
A presença de cilindros de células epiteliais na urina é normalmente indicativo
de destruição avançada do túbulo renal, mas também pode estar associado à
toxicidade induzida por medicamentos, exposição à metais pesados e infecções
virais.
Eles podem ser distinguidos dos cilindros leucocitários pela existência de
núcleo redondo.
Figura XX – Cilindro de células epiteliais tubular renal
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
5.5 CILINDROS GRANULARES
Estes cilindros são oriundos da desintegração de cilindros celulares que
permanecem nos túbulos devido à estase urinária, ou podendo ser resultantes de
restos de leucócitos e bactérias. Normalmente aparecem 1 ou 2 por campo e são
finos e grosseiros.
Possuem como significado clínico: glomerulonefrite, pielonefrite, estresse e
exercícios intensos.
Figura XX – Cilindro granular Figura XX – Cilindro granular
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de
Urinálise (2011) Urinálise (2011)
5.6 CILINDROS CÉREOS
A presença desses cilindros representa um estágio avançado da evolução
natural dos cilindros hialinos patológicos, sendo indicativo de lesão tubular crônica;
representam a destruição final dos grânulos que aderem à matriz do cilindro.
Possui como característica uma "dobradinha" na cauda.
Figura XX – Cilindros céreos Figura XX – Cilindros céreos
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de
Urinálise (2011)
Fonte: GAMA, Ádamo Porto – Atlas de Urinálise (2011)
5.7 CILINDROS ADIPOSOS
São produzidos pela decomposição de cilindros de células epiteliais que contém
corpos adiposos ovais. Essas células absorvem lipídeos que entram no túbulo
através dos glomérulos.
Esses cilindros podem ser identificados com precisão através da coloração pelo
Sudan IV, que os cora em vermelho. São ligeiramente refringentes e contêm
gotículas gordurosas de cor marrom-amarelada.
Figura XX – Cilindro adiposo
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
6. OUTRAS SUBSTÂNCIAS
6.1 BACTÉRIAS
Normalmente a urina não tem bactérias. No entanto, se as amostras não
forem colhidas em condições estéreis, pode ocorrer contaminação bacteriana sem
significado clínico.
As amostras que ficam à temperatura ambiente por muito tempo também
podem conter quantidades detectáveis de bactérias, que representam apenas a
multiplicação dos organismos contaminantes.
O número de bactérias pode aumentar para moderado ou abundante. Esse
aumento é chamado bacteriúria. Se houver bacteriúria sem leucocitúria, elas
geralmente são devidas a amostras de urina mal coletadas, ou seja, sem a higiene
adequada dos órgãos genitais. Diz-se que a amostra está contaminada e é quase
sempre acompanhada por um grande número de células epiteliais. No entanto, a
presença de bacteriúria com leucocitúria indica infecção urinária. Recomenda-se
uma cultura de urina para determinar o microrganismo que causa a infecção.
Também pode ser acompanhado por hematúria.
Figura XX – Bactérias
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
6.2 LEVEDURAS
As leveduras, geralmente Candida albicans, podem ser observadas na urina
de pacientes com diabetes melito e de mulheres com candidíase vaginal. São
facilmente confundidas com hemácias e por isso deve-se observar atentamente se
há brotamentos.
Figura XX – Levedura Cândida sp. Figura XX – Leveduras e um leucócito
Fonte: Kayser, Melissa – Exame Fonte: Kayser, Melissa – Exame
microscópico da urina microscópico da urina
6.3 FUNGOS (TRICHOMONAS VAGINALIS)
O parasita encontrado com mais frequência na urina é o Trichomonas
vaginalis, devido à contaminação por secreções vaginais.
Esse organismo é flagelado, sendo facilmente identificado por seu movimento
rápido no campo microscópico. Contudo, quando não se move, o Trichomonas pode
parecer um leucócito.
O achado na urina geralmente indica contaminação por secreções genitais,
sendo uma frequente causa de vaginites e uretrites. Alguns outros parasitas também
podem ser encontrados, normalmente resultado de uma contaminação fecal.
Figura XX – Trichomonas vaginalis – Figura XX – Trichomonas vaginalis com
preservação da estrutura celular e motilidade. eritrócito fagocitado.
Fonte: Kayser, Melissa – Exame Fonte: Kasvi
microscópico da urina
6.4 ESPERMATOZOIDES
Por vezes encontram-se espermatozoides na urina após relações sexuais ou
ejaculação noturna; não têm significado clínico.
Resultado: pouco, moderado e muito.
Figura XX – Espermatozoides e piócitos em menor quantidade..
Fonte: BIASOLI, Wander Mendes – Atlas do sedimento urinário (1980)
Figura XX – Espermatozoide
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
6.5 MUCO
O muco é um material protéico produzido por glândulas e células epiteliais do
sistema urogenital. Microscopicamente, é visto como estruturas filamentosas
irregulares, finas e onduladas, com baixo índice de refração, o que exige observação
em luz de baixa intensidade.
Não é considerado clinicamente significativo e sua quantidade é maior
quando há contaminação vaginal.
Resultado: pouco, moderado e muito.
Figura XX – Filamentos de muco
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
* A análise imunológica demonstrou que um dos principais componentes do
muco é a proteína de Tamm-Horsfall.
6.6 ARTEFATOS
Podem ser encontrados contaminantes de todos os tipos na urina,
principalmente nas amostras colhidas em condições impróprias ou em recipientes
sujos. O que mais confunde os estudantes são as gotículas de óleo e os grânulos de
amido (pó de talco), por se parecerem com hemácias.
Figura XX – Grânulos de amido
Fonte: Kayser, Melissa – Exame microscópico da urina
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