Caracterização Da Utilização Da Ventilação Mecânica Não Invasiva Na Unidade de Cuidados Agudos Diferenciados
Caracterização Da Utilização Da Ventilação Mecânica Não Invasiva Na Unidade de Cuidados Agudos Diferenciados
Ciências da Saúde
Dedicatória
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Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
Diferenciados – Centro Hospitalar Cova da Beira
Agradecimentos
Aos meus pais, Maria de Lurdes dos Santos Araújo e Paulo Jorge da Silva Araújo, pelo
apoio incondicional na realização do meu objetivo, por nunca duvidarem de mim e por me
motivarem a seguir os meus sonhos.
À minha família pelas palavras de encorajamento e força.
Às minhas amigas, Bárbara, Marta, Salomé, Rita e Gwladys, pela sua amizade ao longo
destes anos. Foram anos cheios de dificuldades mas também de aventuras que não teriam
a mesma graça sem vocês.
A todos os meus outros amigos e colegas por me mostrarem que podemos contar uns
com os outros. Foram uns anos inesquecíveis.
E, por fim, dirijo uma palavra de profundo agradecimento e reconhecimento ao
Doutor Vítor Branco, meu orientador, cuja disponibilidade, dedicação, apoio e motivação
transmitidas foram essenciais para a realização desta dissertação.
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Resumo
Introdução: A Ventilação Mecânica Não Invasiva tem sido usada cada vez mais na
Insuficiência Respiratória Aguda e na Crónica Agudizada devido à sua eficácia. Por não ser
necessário recorrer a invasão da via aérea, esta técnica evita todas as complicações a ela
associadas sendo à partida, geradora de menor morbilidade e mortalidade, implicando
menos custos comparativamente à Ventilação Mecânica Invasiva. As Unidades de Cuidados
Intermédios por estarem dotadas da monitorização e recursos humanos necessários à
vigilância contínua dos doentes constituem fator potenciador das vantagens desta técnica.
Objetivo: Caracterizar a utilização da VMNI numa Unidade de Cuidados Intensivos
Intermédios, neste caso a Unidade de Cuidados Agudos Diferenciados do Hospital Pêro da
Covilhã, demonstrando a experiência durante um ano de atividade (de 1 de setembro de
2013 a 30 de setembro de 2014).
Material e métodos: Estudo de carácter observacional, descritivo e retrospetivo. A colheita
de dados foi feita diretamente nos processos clínicos (informáticos) dos doentes arquivados
(base de dados) na instituição, tendo sido utilizado um formulário próprio, previamente
testado. Foram analisados os dados epidemiológicos, clínicos e gasométricos. Os números
dos processos foram disponibilizados pelo Gabinete de Estatística (GEPI) do HPC.
Resultados: Num total de 174 doentes estudados, 22 (13%) foram ventilados de forma não
invasiva. Destes excluíram-se 3 por falta de informações referentes à ventilação. Neste total
de 19 doentes (11%), a maioria era do sexo masculino (n=11; 79,18%) e a média das idades
apresentada era de 76,84 anos. A grande maioria dos doentes provinha do Serviço de
Urgência (68,4%), seguindo-se as Enfermarias (21,1%) e a UCI (10,5%). As patologias que
motivaram a Ventilação Não Invasiva foram, por ordem decrescente, a Pneumonia (n=15;
78,9%), a Insuficiência Cardíaca Descompensada (n=7; 36,8%), a Doença Pulmonar Obstrutiva
Crónica Agudizada (n=6; 31,6%), o Edema Agudo do Pulmão (n=2; 10,5%), a Síndrome de
Dificuldade Respiratória do Adulto (n=1; 5,3%), a Exacerbação da Asma (n=1; 5,3%), o
Tromboembolismo Pulmonar (n=1; 5,3%) e, finalmente, a Síndrome de Apneia Obstrutiva do
Sono (n=1; 5,3%). Algumas comorbilidades foram frequentes, nomeadamente, a Hipertensão
Arterial (n=12; 63,2%), a Insuficiência Cardíaca (n=9; 47,4%), a Diabetes Mellitus (n=8;
42,1%), a Anemia (n=8; 42,1%), e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (n=6; 31,6%).
Quanto ao modo ventilatório utilizado, todos doentes foram tratados com Bi-level Positive
Airway Pressure (BiPAP). O único tipo de interface doente/ventilador utilizado foi a máscara
facial. Os doentes foram avaliados a nível gasométrico (pH, PaO 2, PaCO2 e SatO2) e
fisiológico (FR, FC, TA e SpO2), antes do início da ventilação e 24 horas após. Às 24 horas
observou-se a melhoria das trocas gasosas e dos parâmetros fisiológicos na maioria dos
doentes. A duração média da ventilação foi sobreponível com a média da duração do
internamento, sendo 4,37 dias e 4,26 dias respetivamente. A taxa de mortalidade observada
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foi de 52,6% (n=10), sendo que 8 (42,1%) destes doentes não tinham indicação para
ventilação invasiva e/ou tinham uma Ordem de Não Reanimar.
Conclusões: Concluiu-se que a maioria dos resultados obtidos para os doentes em estudo
estão de acordo com a literatura vigente. A Ventilação Não Invasiva demonstrou ter sido
eficaz no que diz respeito aos parâmetros gasométricos e fisiológicos, no entanto verificou-
se uma taxa de mortalidade significativa que poderá ser explicada pelas características da
população (idade e comorbilidades) associada a uma percentagem elevada de Pneumonia
(78,9%). Um estudo prospetivo neste âmbito seria uma alternativa que permitiria ultrapassar
a maioria das dificuldades experienciadas neste estudo.
Palavras-chave
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Abstract
Introduction: Non-invasive ventilation (NIV) has been increasingly used in acute and chronic
respiratory failure due to its effectiveness. Because invasive techniques aren’t necessary, NIV
avoids all the complications associated with the invasion, generating less morbidity and
mortality, implying less cost comparatively to invasive mechanical ventilation. Because the
Intermediate Care Units are endowed with the monitoring and human resources necessary for
the continuous monitoring of patients, they are an important factor related to the advantages
of the technique.
Objective: To characterize the use of NIV in a unit of intermediate intensive care, in this case
the Unit of Differential Acute Care based in the Hospital Pêro da Covilhã, demonstrating the
experience during a year of activity (from September 1st 2013 to September 30th 2014).
Methods: Retrospective and observational study. The data collection was made directly from
the clinical processes of the archived patients (Hospital database) in the institution, and was
used a form, previously tested. We retrospectively analysed the epidemiological, clinical and
blood gas data. The Statistical Office (GEPI) of the HPC made the number of the cases
available.
Results: Of a total of 174 patients studied, 22 (13%) were ventilated noninvasively. Three
events were excluded for lack of information regarding ventilation. Of this new total, 19
patients (11%), the majority were male (n = 11; 79,18%) and the mean age was 76,84 years.
The vast majority of patients came from the emergency department (68,4%), followed by the
wards (21,1%) and the ICU (10,5%). The Acute Respiratory Failure was caused by the combined
effect of various diseases. The pathologies that led to NIV were, in descending order,
Pneumonia (n = 15; 78,9%), the Decompensated Heart Failure (n = 7, 36,8%), the Chronic
Obstructive Pulmonary Disease (n = 6; 31,6%), Acute Lung Oedema (n = 2; 10,5%), the Adult
Respiratory Distress Syndrome (n = 1, 5,3%), the Exacerbation of Asthma (n = 1; 5,3%),
Pulmonary Embolism (n = 1, 5,3%), and finally Obstructive Sleep Apnoea Syndrome (n = 1,
5,3%). Some comorbidities were frequent, in particular, Arterial Hypertension (n = 12; 63,2%),
Heart Failure (n = 9; 47,4%), Diabetes Mellitus (n = 8; 42,1%) the Anaemia (n = 8; 42,1%), and
Chronic Obstructive Pulmonary Disease (n = 6; 31.6%). As for the ventilation mode used, 100%
of patients were treated with Bi-level Positive Airway Pressure (BiPAP). The only type of
interface used was the facial mask, with the exception of 1 patient that started the
treatment with a nasal mask having subsequently evolved into a facial mask. Patients were
evaluated by their blood gas levels (pH, PaO2, PaCO2 and SaO2) and physiological parameters
(HR, RR, SpO2 and MT) before the ventilation and 24 hours after the start of the treatment. At
24 hours there was an improvement of gas exchange and physiological parameters, in most
patients. The average duration of ventilation was similar to the average length of stay, being
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4,37 days and 4,26 days respectively. Mortality rate was 52,6% (n = 10), and 8 of these
patients had no indication for more invasive methods or had a Do Not Resuscitate Order.
Conclusions: It was concluded that most of the results obtained for the sample analysed are
similar to the existing literature. NIV have been shown effective with regard to gas analysis
and physiological parameters, however there was a significant mortality rate that could be
explained by the characteristics of the population (age, and comorbidities), associated with a
high percentage of Pneumonia (78,9%). A prospective study in this area would be an
alternative that can overcome most of the difficulties experienced in this study.
Keywords
Non-Invasive Mechanical Ventilation, Respiratory Insufficiency, Intensive Care Unit,
Intermediate Care Unit
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Índice
Dedicatória ……………………………………………………………………………………………….………………… ii
Resumo ……………………………………………………………………………….……………………………………… iv
Palavras-chave …………………………………………………………………………………………………………… v
Abstract ……………………………………………………………………………………………………………………… vi
1- Introdução ………………………………………………………….………………………………………………… 1
2- Objetivos ……………………………………………………………………………………………….……………. 5
4 - Resultados ………………………………………………….……………………………………………….………. 8
a) Dados gerais …………………………………………….………………………………………….………. 8
b) Dados epidemiológicos …………………………………………………………………………………… 8
c) Dados clínicos …………………………………………….………………………………………………… 10
d) Dados gasométricos ……………………………….……………………………………………….…… 14
e) Dados fisiológicos ……………………………………………………………………………….……….… 19
5 – Discussão …………………………………………………………………………………………………….………. 23
a) População ……………………………………………………………………………………………………… 23
b) Antecedentes pessoais e patologias que motivaram a ventilação mecânica não
23
invasiva……………………………………...……………………………………………….……………
c) O tipo de interface e o modo ventilatório ……………………………………………………. 27
d) Fatores que podem influenciar a ventilação não invasiva ……………………….…… 29
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6 – Conclusão ………………………………………………………………………………………………………….…… 37
7 – Bibliografia ……………………………………………………………………………………………………….…… 39
8 – Anexos ………………………………………………………………………………………………………….………… 44
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Lista de Gráficos
Lista de Figuras
Figura 4. Visão frontal e lateral de três tipos de máscara para VNMI ……………….…. 27
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Lista de Tabelas
Tabela 11. Comparação dos valores de PaO2 nos períodos em estudo …………………. 16
Tabela 12. Comparação dos valores de PaCO2 nos períodos em estudo ………………… 17
Tabela 13. Comparação dos valores de SatO2 nos períodos em estudo …………………. 19
Tabela 15. Comparação dos valores de TA, SpO2 e FC nos períodos em estudo …… 20
Comparação dos valores da Escala de Coma de Glasgow nos períodos
Tabela 16. 20
em estudo …………………….………………………………….…….……………….……………
Tabela 17. Caracterização dos óbitos ...………………………………………….….…….…………. 21
Lista de Quadros
Quadro 1. Contraindicações para o uso de VMNI ………………………….…………….…………… 4
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Lista de Abreviaturas/Siglas
DM - Diabetes Mellitus
DPOC - Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica
EAP - Edema Agudo do Pulmão
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1 - Introdução
A Ventilação Mecânica Não Invasiva (VMNI) é um modo de ventilação alveolar que
permite, em situações específicas, assegurar a ventilação e a oxigenação, não recorrendo a
métodos invasivos da via aérea como a entubação endotraqueal e a traqueostomia. Este
modo ventilatório baseia-se na associação da aplicação de uma pressão positiva na via aérea
de um doente em falência respiratória com uma redução do trabalho respiratório e com uma
promoção do repouso dos músculos respiratórios, resultando num maior controlo da
dispneia, da ansiedade e das alterações cognitivas, também corrige a hipoxemia, a
hipercapnia e a acidose respiratória o que culmina com a melhoria das trocas gasosas (1,2).
Por não ser necessário recorrer à invasão da via aérea, esta técnica evita todas as
complicações associadas à invasão, como as infeções por aspiração do conteúdo da
orofaringe e as nosocomiais, assim como as lesões traqueais. Com a VMNI o doente mantém
a fala, a deglutição e os mecanismos de defesa das vias aéreas, como a tosse. Atualmente a
VMNI é considerada um tratamento de primeira linha e/ou exclusivo em muitas das
situações de insuficiência respiratória (1,3,4,5,6).
Os primórdios da VMNI remontam há mais de 100 anos e estão associados à invenção
do “pulmão de aço” por Drinker e Shaw, em 1927, que foi utilizado pela primeira vez, com
sucesso, em 1928 no Children´s Hospital de Boston, com a rápida recuperação de uma
criança inconsciente com problemas respiratórios, o que popularizou o então chamado
“Drinker respirator”. Em termos técnicos o “pulmão de aço” consistia na aplicação de
pressão subatmosférica no tórax gerando assim uma expansão do tórax, isto levava a uma
pressão negativa no interior dos alvéolos que se enchiam de ar, ocorrendo a expiração
passivamente (5,7).
Posteriormente, o protótipo de Drinker foi melhorado por Emerson que comercializou
um aparelho mais pequeno, leve, barato e fiável. Este teve um papel crucial nas epidemias
de poliomielite nas décadas de 40 e 50, por manter vivos os 10% de doentes que
apresentavam insuficiência respiratória aguda e dependentes do ventilador. O “pulmão de
aço” e as suas variantes, como o poncho e a couraça (figura1,2,3), ultrapassaram também
os limites físicos do hospital e fizeram parte de programas de ventilação domiciliária (7).
No final da década de 50, com a irradicação da poliomielite e os grandes avanços na
ventilação com pressão positiva, com o desenvolvimento de novos ventiladores volumétricos
e da evolução a nível dos tubos endotraqueais (durante os anos 60), as técnicas de
ventilação não invasivas foram limitadas, o que praticamente fez desaparecer o “pulmão de
aço”. A Ventilação Não Invasiva (VNI) reaparece na década de 80, com a introdução da
técnica de pressão positiva intermitente, NIPPV, através de uma máscara nasal em doentes
com distrofias musculares, desenvolvida por Delaubier e Rideau.
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Figura 2 – Couraça.
Fonte: http://museum.aarc.org/gallery/negp/
Figura 3 – Poncho.
Fonte: http://museum.aarc.org/gallery/negp/
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Esta técnica sofre um grande impulso com a introdução da pressão contínua positiva
(CPAP) nasal, incrementada por Sullivan, o que possibilitou ventilar adequadamente doentes
com Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS); e com os primeiros testes em doentes
sofrendo de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) em finais dos anos 80 e início de
90, com a utilização quer da máscara nasal quer da máscara facial (4,5,7).
O reconhecimento de que era possível ventilar de uma forma eficaz, cómoda e bem
tolerada através de um interface nasal fez crescer exponencialmente o número de doentes
ventilados no domicílio (7).
Na atualidade a VMNI é aplicada com sucesso em muitas situações de insuficiência
respiratória crónica como DPOC, SAOS e doenças neuromusculares, mas também na
insuficiência respiratória aguda (IRA) como são os casos de exacerbação aguda da DPCO, da
Asma e das Patologias Neuromusculares, de Insuficiência Respiratória pós extubação, casos
de descompensação da Fibrose Quística, de Edema Agudo do Pulmão (EAP), de Pneumonia e
do desmame da ventilação invasiva (8,9).
A VMNI constitui, assim, a primeira linha de tratamento da IRA quando não há
contraindicações. Por não invadir a via aérea é, à partida, geradora de menor morbilidade e
mortalidade e é, também, um pré requisito na afirmação de qualidade dos cuidados aos
doentes, implicando menos custos comparativamente à Ventilação Mecânica Invasiva (VMI)
(10).
Apesar do espectro alargado das indicações para VMNI, é importante ter em atenção
as contraindicações (Quadro 1) com o intuito de reduzir a percentagem de fracasso. Há
autores que consideram haver contraindicações absolutas e relativas e outros que admitem
não haver o absoluto neste domínio (11).
A VMNI deve ser aplicada de forma segura e o seu sucesso depende de um conjunto de
fatores desde a seleção criteriosa dos doentes e o tipo de abordagem, o início atempado da
técnica, a seleção de interface adequada e confortável até à seleção do equipamento e do
local adequado para a monitorização cardiorrespiratória e vigilância contínua dos doentes.
Para além destas infraestruturas, estes pressupostos implicam, em termos de recursos
humanos, uma equipa especificamente dedicada à VMNI, com formação, experiência e
disponibilidade (5,7,12,13).
A técnica pode ser iniciada no transporte pré hospitalar com o sistema mais básico de
VMNI, o CPAP de Boussignac, assegurando minimamente a estabilidade respiratória; ou na
sala de emergência, onde se pode evitar uma entubação oro-traqueal com uma abordagem
rápida e eficaz dos casos de falência respiratória crónica agudizada. O local de transferência
do doente após estabilização vai depender da gravidade clínica e da existência das
condições atrás referidas. É necessário reforçar que, mais importante que o local onde
aplicar VMNI, é a existência de equipamento de monitorização e a experiência e
disponibilidades do pessoal médico e de enfermagem que a põem em prática (1,5).
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Apesar de ser possível aplicar VMNI em vários locais do hospital, está demonstrado
que os doentes mais graves e acidóticos beneficiam do internamento em unidades mais
diferenciadas como os cuidados intermédios (12). Este é o caso da Unidade de Cuidados
Agudos Diferenciados (UCAD) do Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB), pois está
dotada das condições atrás referidas, constituindo assim fator potenciador da técnica.
A UCAD do CHCB situada no Hospital Pêro da Covilhã (HPC) é do tipo “open space” e
está dotada com seis camas (uma das quais em isolamento), cada uma com monitorização
contínua de sinais vitais e com ventilador mecânico de cuidados intensivos com programação
de ventilação não invasiva (VersaMed iVent201 GE Healthcare). A equipa é constituída por
doze enfermeiros, sete assistentes operacionais e um assistente técnico. No que diz respeito
ao apoio clínico este é efetuado pelo médico que se encontra escalado para o Serviço de
Urgência, das diferentes especialidades.
Esta Unidade iniciou a sua atividade em agosto de 2013 e, de acordo com as valências
disponíveis na unidade hospitalar, assim como com as técnicas utilizadas, insere-se nas
denominadas Unidades de Cuidados Intermédios (UCInt) que prestam assistência de nível II.
Estas unidades têm uma importância vital no panorama hospitalar, não apenas por fornecer
opções de cuidados mais especializados e uma monitorização eficiente dos doentes, mas
também por diminuir os custos que advém de internamentos desnecessários em serviços com
assistência intensiva superior, como as UCI, assim como melhorar a utilização e readmissão
na UCI, diminuindo, também, a taxa de mortalidade hospitalar (14).
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2 – Objetivos
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3 - Materiais e Métodos
a) Materiais
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b) Métodos Estatísticos
A análise estatística dos dados foi realizada através do Software Package for Social
Sciences (SPSS®), versão 18.0 para Microsoft Windows®. Fez-se a análise descritiva de cada
uma das variáveis.
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4 - Resultados
a) Dados gerais
b) Dados epidemiológicos
Desvio
n Mínimo Máximo Média
padrão
Idade 19 44,00 92,00 76,8421 11,31500
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No gráfico 2 podemos observar que a maioria dos doentes, 68,4%, teve proveniência
do Serviço de Urgência (SU), enquanto 21,1% foram transferidos de outras enfermarias e os
restantes 10,5% foram transferidos da UCI para a UCAD.
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c) Dados clínicos
Inúmeros dados foram recolhidos com o objetivo de traçar o perfil clínico dos
doentes selecionados através de história clínica e exames complementares de diagnóstico.
Do grupo em estudo, houve uma grande série de antecedentes pessoais. Na tabela 5
pode-se observar que 6 doentes (31,6%) tinham diagnóstico de Doença Pulmonar Obstrutiva
Crónica, 1 doente (5,3%) apresentava o diagnóstico de Asma, 1 (5,3%) apresentava Síndrome
de Apneia Obstrutiva do Sono, 12 indivíduos (63,2%) tinham Hipertensão Arterial (HTA)
diagnosticada, 8 (42,1%) tinham como patologia crónica a Diabetes Mellitus (DM), 9 (47,4%)
com Insuficiência Cardíaca (IC), 2 (10,5%) com história de Acidente Vascular Cerebral (AVC),
7 (36,8%) sofriam de Dislipidémia, 3 (15,8%) tinham diagnóstico de Fibrose Pulmonar, 6
(31,6%) com Fibrilhação Auricular e 8 (42,1%) apresentavam Anemia. Também se observou
que 6 doentes já faziam Oxigénio de Longa Duração (OLD) (31,6%) e que 3 doentes já tinham
VNI como terapêutica domiciliária (15,8%).
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Síndrome de Dificuldade Respiratória do Adulto, noutro (5,3%) foi a Asma, ainda noutro
doente (5,3%) foi o Tromboembolismo Pulmonar e, finalmente, num outro doente (5,3%) foi
a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono.
Tabela 6 – Caracterização Clínica. Diagnóstico que motivou a VMNI. Os valores simbolizam o número
bruto de indivíduos (n) em que a patologia correspondente foi a que motivou a sua ventilação e as
percentagens correspondentes.
No gráfico 5 podemos ver que o diagnóstico que mais motivou a VMNI foi a Pneumonia
com 15 doentes (78,9%), seguida da Insuficiência Cardíaca Descompensada com 7 indivíduos
(36,8%) e finalmente a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica com 6 doentes (31,6%).
Desvio
n Mínimo Máximo Média
padrão
Tempo de duração de VMNI 19 1,00 12,00 4,3684 3,16597
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EPAP às 24 IPAP às 24
FR às 24 Horas
Horas horas
Média 4,9474 13,9474 15,2105
Mediana 5,0000 14,0000 15,0000
Moda 5,00 12,00 15,00
Desvio padrão ,77986 2,41462 4,82561
Mínimo 4,00 8,00 8,00
Máximo 6,00 17,00 26,00
n %
Máscara facial 18 94,7
Máscara nasal e máscara facial 1 5,3
Total 19 100,0
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d) Dados gasométricos
Desvio
n Mínimo Máximo Média
padrão
Valor do pH antes da VNI 19 7,01 7,55 7,3374 ,13308
Valor do pH 24 horas após a VNI 19 6,94 7,51 7,3095 ,17561
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Neste período de tempo houve um agravamento em dois doentes que passaram a ter
acidémia grave, passando de 1 doente antes da VMNI para 3 doentes após 24 horas (de 0,3%
para 15,8%). No entanto houve uma melhoria ou manutenção nos restantes grupos: agora
apenas 5 doentes (26,3%) estão em acidémia, aumentou o número de doentes com o pH no
intervalo normal para 8 (42,1%) e 3 doentes (15,8%) mantiveram-se em alcalemia como
observado no gráfico 8.
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Tabela 11- Caracterização Gasométrica. Comparação dos valores de PaO2 nos períodos em estudo. Os
valores simbolizam o valor mínimo, máximo, média e desvio padrão para cada uma das variáveis. O n
representa o número absoluto de indivíduos por cada variável.
Desvio
n Mínimo Máximo Média
padrão
Valor de PaO2 antes da VNI 19 32,00 165,00 70,9474 32,94520
Valor de PaO2 24 horas após a VNI 19 36,00 123,00 69,6842 17,95999
Antes de se iniciar a VMNI o valor de PaO2 mínimo era de 32 e valor máximo de 165,
sendo a média de 70,9. Nesta fase existiam 8 doentes (42,1%) em hipoxemia grave (PaO 2<60
mmHg), 4 doentes (21,1%) em hipoxemia ligeira (60<PaO 2>79), 4 (21,1%) com PaO2 nos
valores considerados normais (80<PaO2>100) e 3 doentes (15,8%)com hiperoxémia (PaO2>100
mmHg), como mostra o gráfico 9.
Gráfico 9 - Caracterização Gasométrica. Valores de PaO2 antes da VMNI. Cada coluna simboliza
um intervalo de valores e as suas percentagens correspondentes.
Após 24 horas com VNI o valor mínimo passou a 36 e o valor máximo a 123, sendo a
média de 69,68. Em comparação com antes da VNI observa-se uma diminuição do número de
doentes em hipoxemia grave que passou para apenas 4 doentes (21,1%), estes doentes então
passam para o grupo de hipoxemia ligeira, mostrando melhoria dos seus valores às 24 horas,
embora o grupo de hipoxemia ligeira agora se encontre com 13 doentes (68,4%), como
mostra o gráfico 10.
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Gráfico 10 - Caracterização Gasométrica. Valores de PaO2 24 horas após o início da VMNI. Cada
coluna simboliza um intervalo de valores e as suas percentagens correspondentes.
Tabela 12 - Caracterização Gasométrica. Comparação dos valores de PaCO 2 nos períodos em estudo.
Os valores simbolizam o mínimo e máximo, bem como a média e o desvio padrão de cada variável. O
n representa o número absoluto.
Desvio
n Mínimo Máximo Média
padrão
Valor de PaCO2 antes da VNI 19 32,00 95,00 56,9474 14,79292
Valor de PaCO2 24 horas após a VNI 19 35,00 138,00 65,0526 25,33218
Antes do início da VMNI a PaCO2 tinha como valor mínimo 32 e como máximo 95,
sendo a média 56,95. Nesta fase temos 1 doente (5,3%) em hipocapnia (PaCO2<35 mmHg), 4
doentes (21,1%) com PaCO2 normais (35<PaCO2>45) e 14 doentes em hipercapnia (PaCO2>45
mmHg), como mostra o gráfico 11.
Após 24 horas temos uma PaCO2 mínima de 35 e uma máxima de 138, sendo a média
65,05. Agora deixamos de ter doentes em hipocapnia e passamos a manter 4 doentes (21,1%)
com PaCO2 com valores normais e 15 doentes (78,9%) em hipercapnia, como representado
no gráfico 12.
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Tabela 13 – Caracterização Gasométrica. Comparação dos valores de SatO 2 nos períodos em estudo.
Os valores simbolizam o mínimo e máximo, bem como a média e o desvio padrão. O n simboliza o
número absoluto.
Desvio
n Mínimo Máximo Média
padrão
Valor de SatO2 antes da VNI 19 58,00 99,00 87,0000 11,45523
Valor de SatO2 24 horas após a VNI 19 65,00 98,00 91,2500 9,38204
e) Dados fisiológicos
Em seguida estudou-se a TA, SpO2 e FC, cujos valores se encontram na tabela 15.
Sobre a TA; a pressão sistólica antes da VMNI encontrava-se com uma média de 122,95
mmHg, melhorando para 108 mmHg após 24 horas de VMNI.
A pressão diastólica manteve-se com uma média de 64,47 mmHg nesse intervalo de
tempo.
Ao estudarmos a SpO2 verificou-se que a saturação periférica antes da VMNI estava
numa média de 92% passando para 94% após 24 horas de VMNI, havendo assim um aumento
da oxigenação sanguínea, o que demonstra que a VNI melhorou este parâmetro.
E, finalmente, ao revermos a FC viu-se que, antes da VMNI, tinha uma média de 92,37
bpm, diminuindo para 86,08 bpm após 24 horas com VMNI, o que mostra uma diminuição da
FC após o uso de VMNI.
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Tabela 15 - Caracterização Fisiológica. Comparação dos valores de TA, SpO 2 e FC nos períodos em
estudos. Os valores simbolizam o mínimo e o máximo, bem como a média e o desvio padrão. O n
simboliza o número absoluto.
Desvio
n Mínimo Máximo Média
padrão
TA Sistólica antes da VNI 19 84,00 185,00 122,9474 27,16303
TA Sistólica 24 horas após a VNI 19 71,00 156,00 108,0000 25,80698
TA Diastólica antes da VNI 19 43,000 104,000 64,47368 18,485335
TA Diastólica 24 horas após a VNI 19 35,00 83,00 64,4737 13,23030
SpO2 antes da VNI 19 79,00 100,00 92,4211 6,09477
SpO2 24 horas após a VNI 19 85,00 100,00 94,7368 3,63382
Frequência Cardíaca antes da VNI 19 57,00 125,00 92,3684 18,93618
Frequência Cardíaca 24 horas após a VNI 19 62,00 107,00 86,0769 16,70061
Tabela 16 – Caracterização Fisiológica. Comparação dos valores da ECGL nos períodos em estudo. Os
valores simbolizam o mínimo e máximo para além da média e desvio padrão. O n simboliza o valor
absoluto.
Desvio
n Mínimo Máximo Média
padrão
Glasgow antes da VNI 8 8 15 12,5 3,02372
Glasgow 24 horas após a VNI 6 5 15 10,6667 4,80278
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Dos 10 doentes que faleceram, 5 (50%) tinham Ordem para Não Reanimar (ONR), 1
(10%) tinha ONR e não tinha indicação para medidas invasivas de ventilação e 2 (20%) apenas
não tinham indicação para ventilação invasiva como mostra a tabela 17 e gráfico 14.
n %
Falecido sem mais informação 2 20,0
Falecido com ONR 5 50,0
Falecido com ONR e sem indicação para Ventilação Invasiva 1 10,0
Falecido sem ONR e sem indicação para Ventilação Invasiva 2 20,0
Total 10 100,0
Gráfico 14- Caracterização dos óbitos. O gráfico representa a percentagem correspondente a cada
uma das variáveis.
Dos 9 vivos, 1 (11,1%) teve alta para o domicílio com terapêutica de OLD e VMNI
noturna, 6 doentes (66,67%) foram encaminhados para a enfermaria, sendo que 4 destes
continuaram com VMNI, finalmente foram encaminhados 2 doentes (22,22%) para a Unidade
de Cuidados Intensivos, como definido na tabela 18 e gráfico 15.
n %
Vivo encaminhado para o domicílio com OLD e VNI 1 11,1
Vivo encaminhado para a enfermaria com VNI 4 44,4
Vivo encaminhado para UCI com VNI 2 22,2
Vivo encaminhado para a enfermaria 2 22,2
Total 9 100,0
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5 - Discussão
a) População
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PaO2/FiO2 são preditivos de insucesso na VMNI para doentes com Pneumonia (24). Barbas et
al. (25) baseado no estudo de Carron M et al. (2010) observou que a incidência de fracasso
da VMNI (56%) na Pneumonia adquirida na comunidade, reforça a necessidade de uma
vigilância rigorosa dos parâmetros clínicos e gasométricos para que no espaço de uma hora,
com o reconhecimento do fracasso da VMNI, avançar sem demoras para a intubação
invasiva. Os mesmos autores consideram como fatores preditivos de falência da VMNI, a
acidose metabólica, o aumento da FR, o aumento do índice de gravidade e a manutenção da
hipoxemia apesar do teste inicial de VMNI (período inicial de VMNI em que há uma
monitorização intensiva dos parâmetros clínicos e gasométricos).
Uma das formas mais graves da Insuficiência Cardíaca Descompensada (ICD) é o
Edema Agudo do Pulmão. A VMNI, quer no modo BiPAP quer no modo CPAP, é aceite na
atualidade como um importante componente no tratamento do EAP, uma vez que reduz a
necessidade de VMI e a mortalidade (5,26,27). Em termos de mecanismos de ação da VMNI
nestes doentes, a ventilação no modo BiPAP consegue melhorar a ventilação alveolar e
diminuir o trabalho do diafragma através do IPAP e melhorar a relação ventilação/perfusão
nas atelectasias com o EPAP (28).
Das recomendações emanadas da Associação Médica do Canada em Keenan et al.
(29), a ventilação por CPAP deve ser a primeira opção no suporte ventilatório dos doentes
com DPCO agudizada e nos com edema pulmonar cardiogénico em falência respiratória.
Neste último advertem que o seu uso não deve ser feito em doentes em choque ou com
síndrome coronário agudo em necessidade de revascularização.
Pela Asma e a DPCO apresentarem algumas características fisiopatológicas comuns,
como diz Esquinas (30), poder-se-ia pensar que a VMNI também seria útil no tratamento dos
episódios de agudização da mesma, principalmente nas que cursam com acidose
respiratória, no entanto não há evidência científica que sustente esta premissa de forma
segura. Consequentemente, as guidelines da Associação Médica do Canada não fazem
qualquer recomendação no uso da VMNI na exacerbação da asma (29). Ferreira et al. (5)
refere dois estudos não controlados e não randomizados de agudizações de asma (Meduri et
al. 1996; Fernandez et al.2001), em que houve resultados positivos. Em geral, os doentes
apresentavam cansaço muscular colocando-se a hipótese de que a hipercapnia daí
resultante poderia ser um fator preditivo de sucesso nestes casos específicos.
A VMNI no Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono é uma das terapêuticas nos
doentes com SAOS ligeiro, desde que esteja associado a sintomatologia ou a doença
cardiovascular e é o tratamento de primeira linha nos com doença grave (31). Em termos de
modalidade ventilatória o CPAP é o que está indicado para a maioria destes doentes, mas o
BiPAP é a opção escolhida quando está associada patologia respiratória ou síndrome de
obesidade-hipoventilação (31,32).
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Os fatores mais importantes para o sucesso da VMNI são a seleção criteriosa dos
doentes, o início atempado da terapêutica, o tipo de abordagem ao doente, o equipamento
e o local apropriado, interfaces adequadas e confortáveis e, principalmente, a formação e o
treino da equipa com esta técnica (5,33,34).
A grande diferença entre a VMI e VMNI reside na forma como é libertado o ar na via
aérea, na última é feito através de uma máscara “interface” que estabelece o contato entre
o circuito do ventilador e o doente facilitando a entrada de ar na via aérea superior e não
por um tubo endotraqueal ou traqueostomia como na VMI. A interface é um elemento
fundamental para se poder fazer VMNI, por isso a sua escolha deve ter em conta o tipo de
insuficiência respiratória, as condições do doente, tolerância e tipo de ventilador, que são
fatores determinantes para a maximização dos resultados tendo grande impacto no sucesso
ou no insucesso da VMNI. Existe uma grande variedade de interfaces, estando atualmente
disponíveis a facial, a facial total, o capacete “helmet”, a nasal, as almofadas nasais
“pilows” ou ogivas nasais e a peça bucal (5,35,36,37,40). (figura4)
Figura 4 – Visão frontal e lateral de três tipos de máscara para VNMI – A / A1, máscara facial total,
B/B1, máscara facial e C/C1 máscara nasal
A B C
B1
A1 B1 C1
B1
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Os aspetos que podem estar associados com o fracasso e que são o resultado da
aplicação de uma incorreta metodologia, estão no quadro 2.
No quadro 3 estão contidos alguns dos fatores preditivos de sucesso relacionados
com a apresentação inicial do doente e que têm influência importante na probabilidade de
sucesso do tratamento, após a exclusão dos doentes que apresentam contraindicação para
VMNI ou que são suscetíveis de fracassar.
Neste sentido e nos estudos citados por Moya (43), os doentes com melhor estado
neurológico e mais cooperativos, capazes de proteger a via aérea e que não desenvolveram
distúrbios graves do equilíbrio ácido-base, tem grande probabilidade de sucesso. Para além
disso ficou comprovado a associação a um bom resultado da VMNI se, após a primeira hora
de tratamento, houvesse melhoria dos valores de pH, PaCO2 e do nível de consciência.
Iniciar a VMNI precocemente é o ideal, no entanto, se o início for tardio desenvolve-se a
29
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acidémia grave e se for demasiado cedo pode ser inútil para além da utilização de recursos
desnecessários. Outro aspeto crítico e que não pode ser atrasado, é o recurso atempado à
entubação endotraqueal (EET) e ventilação mecânica invasiva quando a VMNI falha, por essa
razão o profissional que a implementa deve estar bem familiarizado com todas as
condicionantes quer de sucesso quer de insucesso, para não protelar o momento ideal da
EET (5,33).
Fonte: Adaptado de esquinas 30 - Esquinas MA, Fundamentos e metodologia em VMNI In: Esquinas A.
Princípios da Ventilação Mecânica Não Invasiva: do hospital ao domicílio. Tipografia do Ave, 2011:60-
74
30
Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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Para Blanco et al. (1), a avaliação dos resultados em termos de eficácia da VMNI
tem em conta dois tipos de critérios: os gasométricos e os fisiológicos.
Nos critérios gasométricos é importante monitorizar a evolução do PaO2, PaCO2 e
pH, sendo nas primeiras horas fundamental a monitorização da SatO2. Nos fisiológicos é
necessário avaliar: o estado de consciência, FR e FC assim como a TA.
No nosso estudo todas as variantes foram observadas antes do início da VMNI e 24
horas após o início da técnica, seguindo o exemplo dos estudos realizados por Henriques et
Al. (15) T e por Zapata et al. (44).
No que respeita aos parâmetros gasométricos, a média do pH antes da VMNI foi de
7,34 e 24 horas após foi de 7,31. Embora a média tenha diminuído ligeiramente, houve uma
melhoria ou manutenção nos restantes grupos: agora apenas 5 doentes (26,3%) estão em
acidémia, aumentou o número de doentes com o pH no intervalo normal para 8 (42,1%) e 3
doentes (15,8%) mantiveram-se em alcalemia, o que é traduzido como VMNI com sucesso na
maioria dos casos. Este sucesso é paralelo ao observado nos estudos de Henriques et al.
(15), Rodrigues et al. (16) e Felgueiras et al. (45).
Quanto aos valores de PaO2, a sua média antes da VMNI foi de 70,95 e 24 horas após
do seu início foi de 69,68. Conclui-se assim que houve diminuição do número de doentes em
hipoxemia grave que passou para apenas 4 doentes (21,1%), estes doentes então passam
para o grupo de hipoxemia ligeira, mostrando melhoria dos seus valores às 24 horas. O
mesmo foi observado nos estudos de Henriques et al. (15), Rodrigues et al. (16) e Felgueiras
et al. (45)
Antes do início da VMNI a média de PaCO2 era de 56,95, passando para 65,05 após 24
horas com a terapêutica. Verificamos que a maioria dos doentes se mantem em hipercapnia,
o que é de esperar neste grupo de doentes tendo em conta os seus antecedentes pessoais e
as patologias que motivaram a VMNI. Esta manutenção dos doentes em hipercapnia foi
verificada nos estudos realizados por Barreto et al. (17) e Zapata et al. (44).
A Sat02 mostrou uma média de 87% antes da VMNI, melhorando para 91,25% nas 24
horas seguintes à VMNI. Isto demonstra uma franca melhoria da saturação para valores
aceitáveis para o tipo de patologias que estes doentes apresentam. Esta medida gasométrica
não foi explorada nos estudos consultados, havendo apenas referência a uma melhoria
generalizada dos valores de saturação.
No que diz respeito aos parâmetros fisiológicos, a frequência respiratória teve uma
31
Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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melhoria relevante, observando-se uma redução de uma média de 28,65 cpm antes do início
da VMNI para uma de 20,19 cpm. A melhoria da dispneia nestes doentes também foi
observado no estudo realizado por Zapata et al. (44).
A variável TA apenas foi encontrada no estudo realizado por Zapata et al. (44),
embora seja considerada um dos fatores que contribuem para o sucesso da VMNI.
Neste grupo de doentes a pressão sistólica apresentou uma melhoria mais acentuada
em relação aos valores da TA diastólica que se mantiveram nos períodos de tempo
estudados.
Estes resultados expressam uma melhoria da tensão arterial devido à Ventilação Não
Invasiva que talvez esteja relacionada com a melhoria da frequência respiratória
constatada.
Quanto à SpO2, esta variável não foi analisada na literatura consultada, mas achou-se
importante verificar se haveriam alterações neste parâmetro. Assim, observámos uma
melhoria de 2%, o que demonstra um aumento da oxigenação sanguínea, o que reforça os
benefícios da implementação da VMNI nestes doentes.
A frequência cardíaca diminuiu de 92,37 bpm para 86,08 bpm, o que se correlaciona
com a melhoria verificada na FR e TA.
Como já foi referido anteriormente, Moya (43) considera que os doentes com melhor
estado neurológico e mais cooperantes tem grande probabilidade de sucesso. No entanto, a
maioria dos doentes estudados não tinha informações sobre os valores da escala de coma de
Glasgow.
Os valores encontrados mostraram que a média da escala de Glasgow diminuiu de
12,5 valores para 10,67 após o início da VMNI, mas como estes valores não traduzem a
realidade da maioria dos doentes este parâmetro não foi incluído na decisão de sucesso para
a VMNI neste estudo.
Assim, podemos confirmar que o grupo de doentes utilizados para este estudo são
considerados casos graves, quer pelos valores de pH que apresentavam quer pelos valores
fisiológicos quer pelas comorbilidades. Como refere Brenes et al. (23),o risco de morte
aquando de uma reagudização está diretamente relacionado com o desenvolvimento da
acidose respiratória, a presença de comorbilidades e a necessidade de suporte ventilatório.
f) A mortalidade
Para Moya (43), nem todos os doentes com IR são adequados para a instituição de
VMNI. As taxas de insucesso variaram entre os 7% e os 50% e esta discrepância deveu-se à
heterogeneidade das populações em estudo.
Como se pode verificar apesar da eficácia inicial da VMNI na UCAD houve uma taxa
de mortalidade elevada (52,6%). Moya (43) refere esta ocorrência num estudo (Moretti.et al.
2006), a que chamaram de “fracasso tardio” ao constatarem que a presença de uma ou mais
32
Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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complicações na admissão associado a um pH baixo e a uma situação clínica mais grave são
preditores de fracasso.
Noutros estudos também se constatou que a presença de comorbilidades em doentes
com DPOC agudizados pode estar associada a um pior prognóstico, assim como a existência
de Pneumonia. Assim, em doentes com Insuficiência Respiratória, a presença de uma ou
mais complicações associadas à limitação funcional das atividades da vida diária e com
valores baixos de pH na admissão desenvolvem “fracasso tardio”. Apesar das doenças
cardiovasculares terem sido a complicação mais relatada, a presença de complicações
metabólicas, como a hiperglicemia na Diabetes Mellitus, foi demonstrada em 20% dos
doentes, sendo consideradas um forte fator preditivo de “fracasso tardio” (43).
Como podemos observar nos resultados do estudo, a idade média dos doentes com
VMNI na UCAD é de 76,84 anos, estando diretamente relacionada com o envelhecimento da
população. Para Robledo et al. (46) a idade não deverá levantar restrições aos cuidados
médicos porque ela só por si não constitui um fator independente de mortalidade.
Como já referido, a Insuficiência Respiratória Aguda consequência da
descompensação de doenças crónicas, como a DPCO e a Insuficiência Cardíaca
Descompensada, representam algumas das principais causas de internamento destes
doentes. O que é relevante, uma vez que, a prevalência da DPCO aumenta com idade e
também eleva o risco da Insuficiência Respiratória Aguda. Farfel e França, 2099 citados por
Robledo et al. (46) e Lindenauer et al. (22) chegou à conclusão que na DPCO o tratamento
com VMNI está associada a melhores outcomes, tal como se observa nas recomendações
emanadas pela Canadian Medical Association (29).
Assim podemos concluir que nos pacientes internados com Insuficiência Respiratória
quer seja hipoxémica, hipercápnica ou ambas a VMNI pode ser uma estratégia benéfica e
bem tolerada, permitindo a melhoria clínica e gasométrica.
Por outro lado nas situações de “não entubar” Ozilmaz (33) afirma como causas de
um “falhanço imediato” da VMNI, (após alguns minutos até <1h) um reflexo de tosse
ineficaz, a presença de muitas secreções, hipercapnia, encefalopatia, agitação, intolerância
à técnica e assincronismo. Nesta fase é proposta a intervenção das técnicas de
cinesioterapia respiratória da broncofibroscopia, alteração dos parâmetros do ventilador e,
se necessário, a utilização criteriosa de sedação.
No “falhanço precoce”, (entre a 1h e as 48h) que corresponde a 65%, assiste-se ao
agravamento da insuficiência respiratória com hipercapnia e hipoxémica. Na maioria dos
casos o falhanço precoce deve-se a alterações gasométricas que não são rapidamente
corrigidas aumentando progressivamente a gravidade da Insuficiência Respiratória e a
polipneia. Apesar de um início satisfatório de uma VMNI, o “falhanço tardio” pode acontecer
após 48 horas de ventilação. Segundo o autor, este falhanço pode estar relacionado com
limitações funcionais na altura da admissão como a hiperglicemia e pH baixo. Neste grupo
também foi possível verificar a presença frequente de Pneumonia e alterações do padrão do
sono (33).
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Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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Gráfico 17 - Peso das principais causas de morte na mortalidade total (%), Portugal (1988 A 2013)
Fonte: Direção-Geral da Saúde. Direção de Serviços de Informação e Análise, Portugal – Doenças
Respiratórias em números – 2015
Como podemos verificar no nosso estudo, dos 10 doentes que faleceram, 5 (50%)
tinham ONR, 1 (10%) tinha ONR e não tinha indicação para ventilação invasiva e 2 (20%) não
tinham indicação para ventilação invasiva.
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Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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de ordem ética por serem portadores de patologia oncológica em fase avançada, de falência
multiorgânica e de sequelas de acidentes vasculares extensos. Dos 15 doentes 13 faleceram
e dos 10 doentes com capacidade de se manifestarem, nenhum deles referiu melhoria da
dispneia. Os autores consideraram assim ter sido inapropriado o uso da VMNI nessas
situações (50).
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Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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6 - CONCLUSÃO
Constatámos que a Ventilação Mecânica Não Invasiva deve ser aplicada de forma
segura e o seu sucesso depende de um conjunto de fatores desde a seleção criteriosa dos
doentes e o tipo de abordagem, ao início atempado da técnica, à seleção de interface
adequada da monitorização cardiorrespiratória e à vigilância contínua dos doentes.
Concluiu-se que a maioria dos resultados obtidos para os doentes em estudo estão de
acordo com a literatura vigente. A Ventilação Não Invasiva demonstrou ter tido eficácia
melhorando alguns valores no que diz respeito aos parâmetros gasométricos e fisiológicos
até às 24 horas, no entanto acabámos por constatar uma taxa de mortalidade da ordem dos
52,6%. A ocorrência do que alguns autores chamam de “fracasso tardio” revela-se na
presença de uma ou mais complicações na admissão associadas a um pH baixo e a uma
situação clínica mais grave sendo por isso considerados fatores preditivos de fracasso.
Outro aspeto importante a referir é que um grupo significativo dos doentes tinham
ou durante o seu internamento foram declarados com ONR e/ou como não tendo indicação
para intubação traqueal para ventilação invasiva. O grande objetivo nos doentes com ONR/
indicação para não entubar é que, com a VMNI se consiga a melhoria da IRA e a alta da
unidade, assim como a redução da dispneia promovendo e aumentando os níveis de
conforto. O uso da VMNI paliativa levanta também algumas dúvidas e por isso alguns autores
são de opinião de que mais estudos seriam necessários para identificar os benefícios do uso
37
Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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da VMNI baseados não só nas taxas de sobrevivência mas também na qualidade de vida
proporcionada aos doentes.
38
Caracterização da utilização da Ventilação Mecânica Não Invasiva na Unidade de Cuidados Agudos
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7 – Bibliografia
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Vol.22. CO-26-01
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obstrutiva crónica. in:Esquinas A. Princípios da Ventilação Mecânica Não Invasiva: do
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Diferenciados – Centro Hospitalar Cova da Beira
8 – Anexos
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Anexo – 1
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