Perfil Ambiental do Distrito de Chiúre
Perfil Ambiental do Distrito de Chiúre
VERSÃO PRELIMINAR
Distrito de Chiúre
Preparado Por:
Junho 2012
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado
Prefácio
O presente perfil do Distrito de Chiúre foi elaborado entre 2011 e 2012, no quadro da Avaliação
Ambiental Estratégica da zona costeira de Moçambique. Desta forma, a natureza e o detalhe
deste perfil foram orientados para servir um propósito claro que era caracterizar a situação de
referência de cada um dos distritos litorais. O critério usado para seleccionar e colectar a
informação foi o da sua relevância ambiental.
Uma vez que existem já, em Moçambique, perfis distritais elaborados por outras entidades
para diferentes fins, entendeu-se que não fazia sentido duplicar esse trabalho produzindo o
mesmo tipo de informação geral. Assim, o que foi colocado em evidência nos presentes perfis
foram os componentes e os processos ambientais que devem ser tidos em conta para a
planificação territorial. A descrição aqui inserida não é, assim, um inventário detalhado da
realidade do distrito mas apenas informação relevante para o objectivo final da planificação
estratégica do uso da terra e dos recursos naturais
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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado
INDICE
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 1
1.1 Finalidade e justificativa do perfil.................................................................................................. 1
1.2 Metodologia .................................................................................................................................. 1
1.3 Enquadramento geográfico .......................................................................................................... 1
2 SITUAÇÃO AMBIENTAL DE REFERÊNCIA ....................................................................................... 3
2.1 Clima ............................................................................................................................................. 3
2.2 Topografia e geologia ................................................................................................................... 5
2.3 Solos ............................................................................................................................................. 9
2.4 Dinâmica costeira ....................................................................................................................... 13
2.5 Hidrologia .................................................................................................................................... 13
2.5.1 Recursos hídricos superficiais ................................................................................................ 13
2.5.2 Hidrogeologia .......................................................................................................................... 13
2.6 Ecossistemas / habitats .............................................................................................................. 17
2.6.1 Habitats terrestres .................................................................................................................. 17
2.6.2 Zonas de transição litoral ....................................................................................................... 19
2.6.3 Ecossistemas marinhos .......................................................................................................... 20
2.7 Fauna .......................................................................................................................................... 22
2.7.1 Fauna terrestre ....................................................................................................................... 22
2.7.2 Fauna marinha........................................................................................................................ 24
2.8 Áreas de conservação ................................................................................................................ 28
3 AMBIENTE SOCIOECONÓMICO ...................................................................................................... 30
3.1 Organização Administrativa ........................................................................................................ 30
3.2 Aspectos Demográficos .............................................................................................................. 30
3.2.1 Tamanho e distribuição da população.................................................................................... 30
3.2.2 Estrutura Etária e por Género ................................................................................................ 31
3.2.3 Padrões de Crescimento Populacional .................................................................................. 31
3.2.4 Grupos Etnolinguísticos e Crenças Religiosas ...................................................................... 32
3.2.5 Padrões de Migração.............................................................................................................. 32
3.3 Serviços e Equipamentos Sociais .............................................................................................. 33
3.3.1 Educação ................................................................................................................................ 33
3.3.2 Saúde ..................................................................................................................................... 35
3.4 Redes de Acessibilidade, Infra-estruturas e Equipamentos Colectivos ..................................... 36
3.4.1 Rede de Estradas ................................................................................................................... 36
3.4.2 Aeroportos, Aeródromos e Heliportos .................................................................................... 39
3.4.3 Transporte Ferroviário ............................................................................................................ 39
3.4.4 Fontes de abastecimento de água ......................................................................................... 39
3.4.5 Saneamento ........................................................................................................................... 41
3.4.6 Abastecimento de Energia ..................................................................................................... 42
3.5 Património Histórico e Cultural ................................................................................................... 43
3.6 Uso e ocupação do solo ............................................................................................................. 45
3.7 Recursos naturais de importância económica e actividades económicas ................................. 45
3.7.1 Agricultura ............................................................................................................................... 46
3.7.2 Pecuária .................................................................................................................................. 47
3.7.3 Pesca ...................................................................................................................................... 48
3.7.4 Aquacultura ............................................................................................................................. 50
3.7.5 Turismo ................................................................................................................................... 50
3.7.6 Prospecção de hidrocarbonetos ............................................................................................. 53
3.7.7 Actividade Mineira .................................................................................................................. 53
3.7.8 Exploração florestal ................................................................................................................ 54
3.7.9 Caça Furtiva ........................................................................................................................... 55
3.7.10 Salinas .................................................................................................................................... 55
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INDICE DE FIGURAS
INDICE DE TABELAS
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1 INTRODUÇÃO
1.2 Metodologia
Este perfil distrital constitui, fundamentalmente, um trabalho de análise, tendo sido elaborado
com base em informação disponibilizada por entidades relevantes, não envolvendo pesquisas
adicionais de terreno. No entanto, contactos com Administrações Distritais permitiram colectar
nova informação a nível local, num processo dinâmico de construção do perfil pelos futuros
utilizadores.
Fazendo fronteira com a Província de Nampula, através do Rio Lúrio, o Distrito de Chiúre,
localiza-se na parte Sudeste da Província de Cabo Delgado (ver Figura 1), apresentando
como limites os indicados na Tabela 1 abaixo.
Este é o distrito mais a Sul da zona costeira da Província de Cabo Delgado (com uma área de
5.439 km2) atravessado por um importante corredor rodoviário (i.e a estrada N1, que liga as
Províncias de Cabo Delgado e de Nampula), o que faz deste distrito uma das principais portas
de entrada da Província de Cabo Delgado e um pólo dinâmico de desenvolvimento de
actividades socioeconómicas.
Para além da componente continental, o Distrito de Chiúre integra também a Ilha do Lúrio. A
faixa costeira do distrito é muito pequena (com cerca de 4 km de extensão), sendo marcada
pela foz do Rio Lúrio.
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2.1 Clima
A precipitação média anual em Pemba é de 922 mm havendo, contudo, uma variação inter-
anual significativa.
A temperatura média anual é de 26.1 ºC, ocorrendo uma amplitude térmica anual relativamente
baixa, de cerca de 4 ºC. Janeiro é o mês mais quente (27.5ºC).
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Eventos extremos
Figura 3: Risco de Ocorrência de Ciclones por Distrito ao longo da Costa Norte de Moçambique
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Caracterização geral
O distrito assenta, em grande parte, sobre planaltos, com alturas compreendidas entre 200 e
500 m (cerca de 80% da área total do distrito) – Figura 4. Na transição entre as zonas
interiores e o litoral as cotas encontram-se compreendidas entre 50 e 200 m, ocupando
aproximadamente 15% da área total do distrito. Apenas na zona costeira do distrito as cotas do
terreno são inferiores a 50 m (cerca de 5% da área do distrito).
Do ponto de vista geológico (Figura 5 e Figura 6), predominam gnaisses granítico, gnaisses
granítico a granodiorítico e gnaisses quartzo-feldspático do Complexo de Montepuez (cerca de
40% da área total do distrito), seguindo se os granulíticos máficos do Complexo de Ocua
(estes ocorrem em cerca de 15% da área do distrito). Estas formações são da Era do
NeoProterozóico1. e ocorrem essencialmente no interior do distrito.
Na zona litoral, ocorrem solos argilosos intercalados com arenitos e aluviões, do período
Quaternário2,. Refira-se que os aluviões são pouco desenvolvidos, excepto ao longo de alguns
troços dos principais rios.
Sismicidade
Recursos minerais
De uma forma geral, em Chiúre, o principal recurso mineral é a grafite (Ministério dos Recursos
Minerais, 2008).
Uma pequena parte do Distrito de Chiúre – componente marinha, é abrangida pela Área 3 da
Bacia do Rovuma (área de concessão para prospecção de hidrocarbonetos).
A Área 3 está sob concessão de uma conceituada empresa Malaia, a Petronas, que levou a
cabo pesquisas sísmicas em 2D e 3D em alto-mar e pretende levar a cabo, no decurso de
2012, pesquisas adicionais em furos de prospecção, também em alto-mar.
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2.3 Solos
Na zona costeira aos solos pouco profundos sobre rocha não calcária em associação com
solos arenosos (WPv+A), sucedem-se solos de dunas costeiras (DC). Ambos os tipos de solos
apresentam, em geral, baixa fertilidade.
Os solos aluvionares (FS), por sua vez, ocorrem ao longo dos principais rios e podem
apresentar fertilidade excelente.
Ocorrem ainda no interior do distrito solos, em geral, com moderada aptidão para a agricultura,
nomeadamente, solos argilosos vermelhos (VGo, VGb) e solos castanhos de textura média em
associação com solos líticos (KM+I).
Risco de erosão
O risco de erosão do solo no Distrito de Chiúre é baixo a moderado tendo este problema
sido considerado como pouco crítico num inventário realizado pelo MICOA. (MICOA,
2007).
Apesar disto, o Plano de Acção para a Prevenção e Controlo da Erosão de Solos para
2008 – 2018, (MICOA, 2007), prevê algumas acções prioritárias para este distrito,
nomeadamente, construção de infra-estruturas e plantio de algumas espécies para
estabilizar encostas de declive acentuado.
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Cobertura Capacidade
Solos arenosos
Areia, solos muito arenosa. Areias Planícies Quase plano de retenção Boa a
A não Fertilidade baixa
profundos eólicas, arenosas 0-2 de água, excessiva
especificados
pleistocénicas fertilidade
Capacidade
Solos de dunas Areias castanhas Dunas costeiras
Dunas Colinoso de retenção Apto para
Dc costeiras acinzentadas, solos Areias Excessiva
costeiras 0-35 de água, florestas
amareladas profundos halocénicas
fertilidade
Solos de
Franco-Arenoso, Por vezes Fertilidade
aluviões Aluviões Vales e Quase Plano Imperfeita a
FS castanho acinzentado, sodicicidade e excelente a
estratificados de holocénicos planícies 0-2 má
profundos drenagem baixa
textura grossa
Iselbergs,
Franco-arenoso Soco do
zonas Profundidade
castanho, solos pouco Precâmbrico Montanhoso Baixa
I Solos líticos erosionadas, do solo, risco Excessiva
profundos sobre rocha Rochas ácidas, >30% Fertilidade
afloramentos de erosão
alterada granito, gnaisse
rochosos
Soco do Capacidade
Solos arenosos Arenoso castanho Encostas Fertilidade
Precâmbrico Ondulado de retenção Pouco
KA castanhos- acinzentado, solos inferiores do moderada a
Rochas ácidas, 0-8 de água, excessiva
cinzentos profundos interflúvios, baixa
granito, gnaisse fertilidade
Franco argilo-arenoso
Solos castanhos Soco do Interflúvios, Ondulado Risco de Fertilidade boa
KM castanho, solos Moderada
de textura média Precâmbrico encostas 0-8 erosão, a baixa
profundos
Rochas ácidas, médias e condiões de
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Principais
Características Geomorfologia Forma de Topografia limitações
Símbolo Descrição Drenagem Fertilidade
Dominantes e geologia terreno Declive (%) para a
agricultura
Soco do Interflúvios,
Solos vermelhos Franco-argilo-arenoso Fertilidade,
Precâmbrico encostas Ondulado Fertilidade boa
VMo de textura média castanho avemelhado; risco de Boa
Rochas ácidas, superiores e 0-8 a moderada
óxicos solos profundos erosão
granito, gnaisse médias
Afloramento de Profundidade
Solos pouco
Argiloso castanho, rochas do solo, Fertilidade
profundos sobre Ondulado Imperfeita a
WP profundidade sedimentares do Colinas drenagem, moderada a
rocha não 0-8 Moderada
moderada Karoo, Cretácico fertilidade do baixa
calcária
ou Terciário solo
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Batimetria
No Distrito de Chiúre as linhas batimétricas paralelas à costa são cortadas por incisões
profundas da foz do rio Lúrio que provoca um acentuado desnivelamento das cotas de 50 m
para as de 1000-1500 m. A linha de costa do distrito é estreita, entre as fozes dos rios Lúrio e
Megaruma. (Figura 8).
Ondulação e Marés
Não existem dados específicos para o distrito mas é bastante provável que Chiúre possua o
mesmo padrão de marés da zona Norte, em que a amplitude das marés encontra-se
compreendida entre 4,0 m (média na maré viva) e 2,8 m (média na maré morta). Nesta região
a amplitude das marés varia marcadamente durante o mês e pode ser tão baixo como 0,6 m
durante as marés mortas.
2.5 Hidrologia
Os principais rios de primeira ordem (que desaguam no Oceano), que atravessam o Distrito de
Chiúre são os que seguintes: Lúrio e Megaruma.
Por outro lado, os principais rios de segunda ordem (ou seja, que desaguam num rio de
primeira ordem) que atravessam o distrito são: Hopa, Jeheguérre, Lágua, Muaria, Nicuburi,
Titimar, Mecopote, Luco e Muataze.
Com excepção do Lúrio, os restantes rios que atravessam o distrito apresentam regime
sazonal, ou seja, têm água corrente durante a estação das chuvas.
2.5.2 Hidrogeologia
Na zona litoral, por outro lado, ocorrem aquíferos mais produtivos (comparativamente aos do
interior do distrito), do tipo C1 e A3. Os aquíferos do Tipo C1, com produtividade ainda
limitada, são superficiais (alcançando um máximo de 50 m de espessura) e associados a
depósitos de materiais finos (areias e argilas). Os aquíferos do tipo A3, por sua vez, são mais
produtivos (caudais médios compreendidos entre 3 e 5 m3/h) e encontram-se associados a
argilas com interstratificações arenosas de origem aluvial.
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A classificação dos domínios baseia-se no tipo dominante da porosidade, na extensão dos aquíferos e na
produtividade das formações.
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Ao longo do Rio Lúrio existem ainda aquíferos do tipo A1, associados a depósitos arenosos de
origem fluvial. Este tipo de aquífero é o mais produtivo de todos, satisfazendo extracções até
cerca de 50 m3/h.
A água subterrânea destas formações é, em geral, de boa qualidade, no entanto, junto à costa
existe um risco elevado de intrusão de água do mar, que pode ocorrer em resultado de sobre-
exploração dos furos. Nestes aquíferos, igualmente, a água pode ter níveis de dureza
elevados.
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O Distrito de Chiúre localiza-se numa região de mosaico costeiro a qual compreende diferentes
tipos de vegetação. Neste distrito, o mosaico costeiro estende-se para o interior (para mais de
150 km) cobrindo as áreas de terras baixas entre os rios Lúrio e Megaruma.
Neste distrito uma boa parte da vegetação natural encontra-se degradada devido aos
diferentes usos da terra, como a agricultura, assim como devido à prática insustentável de
queimadas. Cerca de 20% dos solos (1094,6 km2) constituem actualmente áreas de cultivo.
Ocorre também a sobre-exploração das florestas nativas para a produção de carvão. Em
algumas florestas de miombo a presença de tocos de árvores constituem evidência da área ter
sido sujeita à exploração madeireira assim como também se encontram noutros locais marcas
de diferentes queimadas devido a fogos regulares e intensivos.
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Mangais
Os mangais são importantes na prevenção da erosão costeira e das margens dos rios,
na atenuação das cheias e na reprodução de diversas espécies. Constituem habitats
para uma variedade de espécies nomeadamente pássaros, crustáceos, peixes e
moluscos. São também fonte de medicamentos tradicionais, material de construção e
combustível lenhoso. Moluscos e crustáceos colectados nos mangais constituem uma
importante fonte de proteínas para as populações.
No Distrito de Chiúre não existem lagos e lagoas costeiras de dimensão relevante para
o perfil.
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Estuários/Deltas
A faixa costeira do distrito está compreendida entre a foz de dois rios, o Lúrio a Sul, e o
Megaruma a Norte.
Corais
Não existem, para a região de Chiúre, descrições sobre recifes de corais. Recifes
próximos e importantes encontram-se ao largo da costa entre Pemba e Mecúfi sendo
exemplo os existentes na região das vilas de Mecúfi (o maior banco a Norte da Baía do
Lúrio, Ponta Metacua) e Murrebué (próximo da Ponta Mesaulane), no Distrito de Mecúfi.
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Versão Preliminar
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Fonte: http://www.hawaii.edu
Figura 12: Gracilaria
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Ambiente pelágico
O ambiente pelágico estende-se desde as águas litorais, junto à costa, até às águas no
talude continental e nas bacias oceânicas. É o ambiente compreendido nas designadas
águas territoriais (até às 12 milhas náuticas). Neste ambiente destacam-se grandes
grupos de organismos marinhos, nomeadamente os peixes (pequenos pelágicos,
grandes pelágicos, mesopelágicos, demersais e celacantos), os mamíferos e tartarugas
marinhas e cefalópodes (lulas e polvos).
2.7 Fauna
Mamíferos terrestres
Embora não existam descrições sobre a fauna de Chiúre, do conhecimento geral sobre
a Província de Cabo Delgado, sabe-se que factores como a heterogeneidade de
habitats intactos, a extensão territorial, a baixa densidade populacional humana e o
ainda fraco desenvolvimento em infra-estruturas sociais e económicas, contribuem para
uma alta diversidade de fauna na região. A Tabela A1, no anexo 1, apresenta as
diferentes espécies de mamíferos comuns no Parque Nacional das Quirimbas e que
poderão ter uma distribuição mais alargada na Província de Cabo Delgado, uma vez
que o PNQ não possui uma vedação.
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(Loxodonta Africana)
Estado de Vulnerável
conservação
Acções de Listado no Apêndice I da CITES e no
conservação Apêndice II da CMS (Convenção sobre a
Conservação de Espécies Migratórias de
Animais Selvagens)
Elefante Africano (Loxodonta Longevidade Vivem até aos 65-70 anos
Africana)
Reprodução Reprodução ocorre em qualquer altura do
ano. Quando prontas, as fêmeas emitem
sons que atraem os machos. Após aceitar
o macho ocorre o acasalamento. A
gestação decorre em 22 meses e a cria
nasce com cerca de 90 cm de altura e 100
kg. A amamentação decorre até aos 5
anos, embora a cria também se alimente
de alimentos sólidos desde os 6 meses
Características É o maior animal terrestre. Atinge 6 a 7,3 m
de comprimento e 3,5 a 4 m de altura; pesa
entre 6000 a 9000 kg
Ameaças Caça ilegal pelo marfim e carne perda e
fragmentação do habitat causado pela
expansão populacional humana e
conversão das terras, conduzindo ao
aumento do conflito Homem-elefante
Aves
A B
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Conflito Homem-animal
Chiúre 0 - 0 0 0 1 -
Mamíferos marinhos
Fonte: http://www.cms.int
Figura 14: Golfinho Corcunda do Índico (Sousa chinensis)
Tartarugas marinhas
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Peixes
Nas zonas entre-marés no litoral continental de Cabo Delgado, existe uma rica fauna
bêntica de áreas entre-marés que inclui organismos do grupo dos cnidários, dos
anelídeos, crustáceos, moluscos e equinodermes. Estes encontram-se distribuídos, de
acordo com as suas adaptações, a diversos habitats podendo encontrar-se alguns em
zonas arenosas, outros em zonas rochosas ou em tapetes de ervas marinhas.
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Versão Preliminar
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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado
Fonte: http://doimeacabeca.blogs.sapo.pt
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3 AMBIENTE SOCIOECONÓMICO
O Distrito de Chiúre encontra-se dividido em seis postos administrativos (ver Figura 19),
que por sua vez se subdividem em quatorze localidades, conforme indicado na Tabela
5. A sede do distrito localiza-se na sede do Posto Administrativo com o mesmo nome e
situa-se na Localidade de Chiúre – Sede.
Chiúre – Sede
Chiúre – Sede Jonga
Milamba
4
No presente documento, todas as referencias a distritos costeiros de Moçambique não incluem as
grandes cidades e municípios localizados ao longo da costa, como é o caso das Cidades de Maputo, Xai-
Xai, Inhambane, Beira, Quelimane, Nacala-Porto, Pemba e o Município da Ilha de Moçambique.
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distritos costeiros do País, sendo que esta é na sua maioria (85%) considerada como
rural5.
Tal como no resto do País, a população do Distrito de Chiúre possui uma ligeira
predominância de população feminina (52,1%) e é essencialmente jovem. Com efeito
mais de 78,7 % da população deste distrito situa-se nas faixas etárias abaixo dos 36
anos.
Entre 1997 e 2007, o Distrito de Chiúre apresentou uma taxa de crescimento anual de
1,7%, indicando um ritmo equivalente ao da Província de Cabo Delgado (1,9%) e ao do
País (2,1%).
As projecções elaboradas para 2011 indicam uma taxa de crescimento anual para o
distrito, nos últimos 4 anos, de 2%. Isto corresponde a um aumento no ritmo de
crescimento da população de Chiúre, o que acompanha a tendência observada para a
província (2,25%) e para o País (3%). Ao mesmo tempo, calcula-se uma taxa de
crescimento semelhante à média estimada de crescimento demográfico para os distritos
costeiros de Moçambique nesse período (2,6%).
5
De acordo a definição do INE, a população rural é aquela que reside fora das 23 cidades e 68 vilas de
Moçambique.
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3.3.1 Educação
Embora não tenham sido disponibilizados dados ilustrativos desta situação, estima-se
que, à semelhança do País e da Província de Cabo Delgado, a maior parte da
população analfabeta corresponda a mulheres.
6
O ensino primário divide-se em dois níveis: ensino primário do primeiro grau (EP1) lecciona da 1ª à 5ª
classe, e ensino secundário do segundo grau (EP2), que lecciona a 6ª e a 7ª classes.
7
O ensino secundário divide-se em dois níveis: ensino secundário do primeiro ciclo (ES1), que vai da 8ª à
10ª classe, e o ensino secundário do segundo ciclo (ES2), que abrange a 11ª e a 12ª classes.
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Perfil Ambiental . Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado
3.3.2 Saúde
Este distrito está provido de dois Centros de Saúde Rural do Tipo I, situado nas sedes
dos Postos Administrativos de Chiúre – Sede e Ocua. Existem ainda no distrito 5
Centros de Saúde Rural do Tipo II (ver Tabela 9), que se situam nas sedes dos Postos
Administrativos de Chiúre – Velho e Mazeze e nas localidades de Nmala, Katapua e
Muege.
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Perfil Ambiental . Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado
Perfil Epidemiológico
N1 59 Pavimentada
R760 151,5 Não Pavimentada
R772 52,9 Pavimentada
R1250 26,2 Não Pavimentada
R1261 34,4 Não Pavimentada
N/C 8 Não pavimentada
N/C 36,5 Não pavimentada
Fonte: ANE, 2011
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Versão Preliminar
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O Distrito de Chiúre é composto por uma rede de estradas que dá acesso a todos os
Postos Administrativos. As estradas deste distrito, embora transitáveis, apresentam
algumas dificuldades de circulação na época chuvosa, especialmente em locais onde
não existem pontes, como é o caso dos Postos Administrativos de Namogelia e
Katapua (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).
Fonte: www.retratorural.cabodelgado.gov.mz
Figura 21: Estado de algumas Estradas do Distrito de Chiúre
A rede viária existente favorece a ligação entre a Cidade de Pemba e a sede do distrito,
bem como entre esta última e as sedes de distritos vizinhos (Namuno e Montepuez) e
as sedes dos postos administrativos deste distrito. A estrada N1, que atravessa o
Distrito de Chiúre de Norte a Sul, estabelece a ligação entre as províncias de Nampula
e de Cabo Delgado, tratando-se de um importante corredor de desenvolvimento.
Segundo esta fonte, este cenário é somente observado na Vila sede, uma vez que as
carreiras internas que fazem a ligação entre os postos administrativos são escassas,
sendo que alguns pontos do distrito ressentem a falta de transporte público devido ao
deficiente estado das vias de acesso.
8
Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas.
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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado
As autoridades distritais referem ainda que esta pista para além de encontrar-se em
estado precário, não possui uma torre de controlo. Actualmente encontra-se coberta de
capim, sendo preciso realizar-se campanhas de corte e limpeza quando necessário usar
a pista. O principal usuário desta pista é o Governo, principalmente para visitas de
Estado ao distrito.
Segundo esta fonte, o distrito dispõe também de 203 fontes de abastecimento de água,
das quais 111 operacionais, entre furos equipados com bombas manuais e poços.
Conforme ilustra a tabela que se segue, maior parte destas fontes encontram-se nas
Localidades do Posto Administrativo Sede do distrito.
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Tabela 11: Fontes de água (poços e furos) e cobertura populacional por posto
administrativo
PA Localidade Total de Fontes Fontes Hab./Fonte
Operacionais
3.4.5 Saneamento
Boa parte dos agregados familiares do Distrito de Chiúre (41%) não possui latrinas.
Contudo isto indica uma situação similar à provincial (44,1%). Ao mesmo tempo, este
distrito revela um cenário mais favorável que a média estimada de agregados familiares
sem latrinas nos distritos costeiros de Moçambique (61,6%).
Como mostra a Figura 24, apenas 0,1 % dos agregados familiares têm acesso a meios
de saneamento como a retrete ligada a fossa séptica, sendo que estes residem na sede
do distrito. Esta situação é observada em toda a faixa costeira de Moçambique, uma
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vez que a média estimada de agregados familiares com acesso a este meio de
saneamento nesta área é de 0,9%.
Retrete ligada
à fossa Latrina
séptica, 0.1% Melhorada ,
4.6%
Sem latrina,
41.0%
Latrina
tradicional não
melhorada,
54.3%
Importa referir que existe um aterro sanitário na zona de Namiuta para a gestão de
resíduos sólidos. Porém, não existe no distrito um sistema de drenagem de águas
pluviais (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).
Ainda segundo esta fonte, em 2010 esta rede abastecia cerca de 560 consumidores,
entre ligações domiciliárias, instituições públicas e privadas, estabelecimentos
comerciais e hoteleiros, assim como iluminação pública nas principais artérias da Vila
Sede. Conforme ilustra a Figura 25, estas ligações encontram-se nas sedes dos Postos
Administrativos de Chiúre e Katapua e em algumas localidades do Posto Administrativo
de Ocua.
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Importa mesmo assim salientar que, pelo facto de maior parte da população do distrito
ser de baixa renda e não possuir meios de adquirir as fontes de energia acima
mencionada, o combustível lenhoso e derivados de petróleo são as fontes mais usadas
no distrito dada a sua facilidade de obtenção.
Fonte: www.turismocd.gov.mz
Figura 25: Celeiros Tradicionais de Chiúre
Segundo esta mesma fonte, o Distrito de Chiúre conta com alguns lugares históricos
reconhecidos pela comunidade e que carregam grande valor histórico-cultural como o
Opurokumassi, a Mesquita de Chiúre-Velho e as Ruínas do Régulo Megama.
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O Distrito de Chiúre estende-se por uma área de 5.439 km², dos quais apenas 1.115,8 km²
correspondem a ocupação humana. Conforme ilustram a Figura 10 e a Tabela 12, desta área,
1.094,6 km² são ocupados por áreas de cultivo e 21,2 km² por assentamentos populacionais.
Maior parte das parcelas agrícolas é essencialmente do sector familiar. Estas áreas
concentram-se na zona interior do distrito, mais precisamente, em redor das sedes dos Postos
Administrativos de Ocua, Chiúre – Sede e Katapua e nas aldeias em volta da sede do Posto
Administrativo de Namogelia. São áreas com uma concentração significativa de população,
próximas não só da estrada N1, mas de outras artérias que possibilitam a ligação intra e inter-
distrital. Estas também se localizam, em geral, ao longo dos principais cursos de água.
(km²) (%)
O Distrito de Chiúre tem 99.446 habitantes que encontram-se envolvidos no sector económico
do distrito. Tal como no resto do País e da Província, esta população dedica-se
maioritariamente a actividades do sector primário como agricultura, silvicultura e pesca
(94,1%).
De salientar, contudo, que uma parte dessa população (2,1%) se encontra associada
actividades como comércio e finanças. Esta tendência pode ser explicada pelo facto de o
distrito ser atravessado por um corredor de desenvolvimento (Estrada Nacional nº 1), que
estabelece a ligação com os restantes distritos de Cabo Delgado e com a Província de
Nampula facilitando e impulsionando a actividade comercial no distrito.
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Número Percentagem
3.7.1 Agricultura
Tal como no resto do País a agricultura predominante é a de sequeiro, praticada num regime
de corte e queimada. Como ilustra a Tabela 13 acima, esta é uma das actividades que ocupa
a maior parte da população envolvida no sector económico.
Esta actividade é praticada não só pelo sector familiar mas também pelo privado e associativo,
produzindo-se culturas cerealíferas, leguminosas e outras. A cultura alimentar mais produzida
é a mandioca que ocupa também as maiores áreas de cultivo, enquanto no que concerne as
culturas de rendimento, a produção é dominada pelo gergelim, cana-de-açúcar, cajú e
algodão. De entre os Postos Administrativos do distrito, o de Namogelia é o que apresenta
maior potencial agrícola assim como maior índice de produção (Governo do Distrito de Chiúre,
2010a).
Jacarandá Limitada que cultiva banana para a exportação, a Eco Energia que cultiva cana-de-
açúcar e mapira doce para a produção de açúcar e etanol e a Agropec Lúrio Lda dedicada ao
cultivo de produtos alimentares e criação de gado.
3.7.2 Pecuária
A actividade pecuária no Distrito de Chiúre é praticada pelo sector familiar e privado. O sector
familiar está ligado a criação de animais de pequeno porte, nomeadamente, aves, caprinos,
suínos e ovinos.
O sector familiar domina a actividade pecuária com altos efectivos animais, maioritariamente
produzidos nos Postos Administrativos de Chiúre – Sede, Katapua e Ocua que são os que
apresentam maior potencial para a actividade devido a existência de baixas com riachos
(Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).
De um modo geral, a efectivo animal do sector familiar registou um aumento médio anual de
7 % durante o período de 2006 a 2008. Este aumento viria a ser quebrado em 2009, com um
decréscimo significativo de produção (ver Tabela 14) derivado da insuficiência de pastos, da
ocorrência da mosca tsé-tsé e da falta de insumos, nomeadamente, medicamentos e ração. As
aves constituem a espécie mais criada a nível familiar, distinguindo-se dentre elas as galinhas,
patos, galinhas do mato e pombos. De salientar que em 2009, não se registou no distrito os
efectivos de pombos, podendo ser essa uma das razões para a diminuição do efectivo de aves
em comparação ao ano de 2008.
O sector privado, por sua vez, dedica-se a criação de gado bovino (embora haja registo de
animais de pequeno porte) e apresenta maior efectivo desta espécie em relação ao sector
familiar. Esta superioridade em termos de criação é explicada pelo facto deste sector possuir
infra-estruturas adequadas para a criação em grande escala deste tipo de espécie e
capacidade de assegurar a assistência veterinária.
O distrito conta com 8 produtores divididos igualmente pelos Postos Administrativos de Chiúre
– Sede e Ocua, apresentando um efectivo total de 860 cabeças de gado bovino.
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3.7.3 Pesca
A pesca tem uma expressão pouco significativa neste distrito, dada a reduzida faixa costeira
que o caracteriza (4 km) e a fraca ocupação populacional desta área (Governo do Distrito de
Chiúre, 2010a).
A Figura 27 mostra os centros de pesca que existem no distrito na faixa costeira e ao longo
dos rios.
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3.7.4 Aquacultura
Não foram disponibilizados dados sobre eventuais iniciativas e/ou projectos de aquacultura em
curso no Distrito de Mossuril.
3.7.5 Turismo
Embora não se enquadre numa Área Prioritária para Investimento Turístico (APIT) nem numa
Zona de Interesse Turístico (ver Figura 30), o Distrito de Chiúre possui alguns atributos
paisagísticos que lhe conferem um potencial para o desenvolvimento do turismo.
• A Ilha das Rolas situada entre as fozes dos Rios Lúrio e Megaruma;
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Mesmo com todas potencialidades e atractivos acima mencionadas, o Distrito de Chiúre tem
uma rede exígua de estabelecimentos turísticos (ver Tabela 15) devido à insuficiência da rede
comercial e à falta de financiamentos.
De salientar que, segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010b), foi demarcado neste
distrito uma área total de 233,35 km² considerada como zona de desenvolvimento e
conservação turística dividida por pequenas extensões localizadas a sul do distrito (ao longo
da margem do Rio Lúrio junto a sede do Posto Administrativo de Ocua) e no Posto
Administrativo de Namogelia (uma a leste e outra a oeste). Estas áreas foram delimitadas em
função de seus atributos ecológicos e paisagísticos que propiciam ao distrito condições para
realização de actividades para fins de lazer, recreação e contemplação.
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Conforme ilustra a Figura 31, apenas uma pequena parte do Distrito de Chiúre é abrangida
pela Área 3 da Bacia do Rovuma, que engloba também a Cidade de Pemba, o Distrito de
Mecúfi (Província de Cabo Delgado) e o Distrito de Memba (Província de Nampula).
A Área 3 está sob concessão de uma conceituada empresa Malaia, a Petronas, que assinou
um contrato com o Governo de Moçambique de Concessão para Pesquisa e Produção,
conseguindo assim os direitos exclusivos de pesquisa e aproveitamento de quantidades
comerciais de hidrocarbonetos nesta área específica da Bacia do Rovuma.
Conforme mostra a Figura 32, existem várias concessões mineiras que encontram-se
distribuídas pelo distrito, algumas delas estendendo-se aos distritos vizinhos da mesma
província e da Província de Nampula. Segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010a), das
concessões e licenças existentes no distrito, Chiúre conta com uma concessão mineira de
pessoa colectiva, 9 licenças de prospecção e pesquisa (6 de pessoa colectiva e 3 de pessoa
singular).
Segundo esta fonte, o distrito possui ainda três empresas a operar na área de prospecção de
vários mineiros, nomeadamente, a África Great Wall Mining Development, África Consultoria e
Projectos Lda. e a Thomas Beck Mann. Os mineiros são o cobre, a prata, o cobalto, o níquel,
os metais básicos, a grafite, o ferro, a platina e o nióbio.
As autoridades distritais referem ainda a existência de duas empresas no distrito que a realizar
alguns estudos, nomeadamente a empresa brasileira Vale Moçambique que está a realizar
estudos de prospecção de metais básicos no Posto Administrativo de Chiúre – Velho e a
empresa alemã Graphite Kropfmuehl AG que está a pesquisar as potencialidades de grafite.
De salientar que nesta fase, nenhuma das empresas encontra-se a explorar.
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Não existem dados e inventários florestais recentes para o Distrito de Chiúre. Sabe-se, no
entanto, que o distrito é rico em recursos madeireiros compostos por espécies como Umbila,
Chanfuta, Pau-Ferro, Metonha, Jambirre, Pau-Rosa, entre outras, para produção de madeira.
A exploração florestal por parte das comunidades locais integra a extracção de lenha e a
produção de carvão, para além de frutos silvestres, plantas medicinais e outros recursos, que
são utilizados para consumo. A produção de carvão é também uma das fontes de rendimento
dos agregados familiares, principalmente aqueles que residem ao longo da estrada N1
(www.retratorural.cabodelgado.gov.mz).
Conforme ilustra a Figura 32, o distrito apresenta uma concessão florestal no Posto
Administrativo de Katapua da operadora MOFIDE com um volume autorizado de 1.100 m³.
Actualmente, para além desta concessão, o distrito apresenta também um conjunto de licenças
florestais, conforme mostra a tabela que se segue.
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3.7.10 Salinas
De acordo com as autoridades distritais, está actualmente a ser construída a fábrica de açúcar
orgânico no Posto Administrativo de Ocua, pela Empresa Eco Energia, a mesma que se dedica
ao cultivo de cana-de-açúcar e mapira doce para a produção de açúcar e etanol.
É ainda de referir que o ramo do comércio e finanças, que ocupa cerca de 2,1% da população
envolvida no sector económico do distrito. A rede comercial do distrito é essencialmente
informal e concentra-se na sede do distrito. A proximidade deste distrito à Província de
Nampula, associada à presença de um corredor rodoviário (estrada N1) estimula a actividade
comercial no distrito (www.retratorural.cabodelgado.gov.mz).
Segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010a), a Vila Sede do distrito dispõe de alguns
estabelecimentos comerciais formais, constituindo ao todo 164 estabelecimentos, dos quais
apenas 95 encontram-se operacionais. Existe ainda, nesta unidade administrativa um
mercado, sendo que para além deste, a actividade formal concentra-se em pequenos edifícios
onde vendem-se diversos artigos, desde quinquilharias, vestuário e bens de consumo de
primeira necessidade.
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Versão Preliminar
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Figura 32: Outras Concessões/Licenças para Exploração de Recursos Naturais no Distrito de Chiúre
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4 ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS
Neste capítulo apenas se indica a influência das alterações climáticas em factores climatéricos
(temperatura, pluviosidade, evaporação), na hidrologia e no risco de cheias e secas na Região
Norte (e/ou no distrito), não sendo, portanto, uma abordagem exaustiva. Estas alterações
poderão reflectir-se em questões como disponibilidade de água, risco de incêndios, perdas de
colheitas e potenciais alterações no perfil epidemiológico. Estes temas são também abordados
neste capítulo.
Relativamente à precipitação, a média anual de todo o País mostra uma ligeira subida da
mesma (em cerca de 10-25%) comparada com a média anual dos últimos 40 anos, sendo
encontrados maiores aumentos na pluviosidade em direcção à costa (INGC, 2009). Na região
Norte, em particular, poderá ocorrer uma subida da precipitação anual média em cerca de
15%, nomeadamente entre o período compreendido entre Janeiro e Maio, quando o risco de
cheias é maior (INGC, 2009). Nas regiões costeiras do Norte é provável que ocorra,
igualmente, um aumento da variabilidade sazonal da pluviosidade, em particular entre Junho e
Agosto.
No entanto, o estudo do INGC (2009) prevê que ciclones mais severos representarão a maior
ameaça para a costa até cerca de 2030. Posteriormente, o aumento acelerado do nível médio
das águas do mar irá representar o maior perigo, especialmente quando combinado com as
marés-altas e vagas de tempestade.
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Versão Preliminar
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Refira-se que a região Norte será a menos vulnerável ao possível aumento (menor ou igual a
5 m, até 2100) do nível médio das águas do mar visto, comparativamente ao Sul e ao
Centro, a costa Norte ser formada por um terreno com cotas mais elevadas e com um número
inferior de rios. No entanto, neste cenário, poderá ocorrer a inundação permanente da costa e
das zonas baixas contíguas, particularmente das zonas próximas aos grandes estuários e
deltas (INGC, 2009). No Distrito de Chiúre, caso se confirmem as previsões de aumento de
temperatura e subsequente aumento do nível das águas do mar, as cotas do terreno inferiores
a 5 m (zonas mais próximas à linha de costa) poderão ficar submersas, o que corresponde a
apenas cerca de 0,5% da área total do distrito (ver Secção 2.2).
Em relação aos caudais dos rios, em geral, não parece existir qualquer alteração significativa
nos mesmos na Região Norte, devido às consequências das alterações climáticas (INGC,
2009).
Por sua vez, na Região Norte, o risco de seca não será, em princípio, agravado com as
alterações climáticas. Refira-se, no entanto, que actualmente o distrito já apresenta risco
moderado a este tipo de evento (MICOA, 2007).
As perdas de colheitas na Região Norte não serão, igualmente, agravadas, embora entre
Outubro e Dezembro possam ocorrer reduções moderadas na frequência de perdas de
colheitas nas áreas costeiras (INGC, 2009). Refira-se que para a Província de Cabo Delgado,
para uma seca com um período de retorno de 10 anos, estima-se que ocorra uma perda na
produção relativa de milho inferior a 5% e de mapira inferior a 2,5% (relativamente ao período
de 2006/2007) - RMSI (2010).
Igualmente, pelo facto de não ser provável que o Norte do País sofra uma grande redução em
termos de caudal dos rios, a disponibilidade de água para produção de culturas irrigadas é
mais elevada, quando comparada com as restantes regiões.
O caudal dos rios na Região Norte poderá ainda suprir as necessidades de água da população
até 2050. Contudo, a partir desta data, com o crescimento populacional previsto, as
9
Intervalo de tempo estimado de ocorrência da cheia (ou seja, é provável que de 10 em 10 anos ocorra uma cheia
com aquelas características)
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necessidades poderão não ser satisfeitas (prevê-se uma redução de cerca de 60% do caudal
dos troços fluviais) - INGC (2009).
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Não foi possível obter informações sobre os planos, programas e projectos de âmbito espacial
que estão a ser desenvolvidos ou por implementar no Distrito de Chiúre.
Sabe-se apenas que este distrito possui o Plano Distrital de Uso da Terra que surge como um
instrumento de ordenamento territorial capaz de orientar o processo de planificação e gestão
espacial e dos recursos naturais através do traçado de cenários de desenvolvimento,
nomeadamente, cenário de conservação de recursos naturais, cenário de desenvolvimento
agro-pecuário, cenário de desenvolvimento florestal, cenário de exploração de recursos
minerais, cenário de desenvolvimento do turismo, cenário de desenvolvimento de infra-
estruturas e cenário de desenvolvimento de equipamentos sociais.
Dentro deste plano consta uma proposta de plano do uso do solo que pretende definir com
precisão as acções a serem tomadas em termos de estratégias de uso do solo para propiciar
uma ocupação e aproveitamento dos recursos naturais capazes de promover o
desenvolvimento e satisfazer as necessidades prementes da população.
O Distrito de Chiúre é de todos os distritos da costa Moçambique aquele que possui uma
menor relação entre zona litoral e as zonas interiores. Na realidade, o distrito apenas dispõe 11
quilómetros de extensão de costa para um perímetro de cerca de 5.400 quilómetros. Nenhum
outro distrito em Moçambique possui tão desproporcionada relação “área costeira/zonas
interiores”. Para agravar este potencial desequilíbrio a maior parte dos solos de aluvião (com
aptidão agrícola confirmada) localizam-se nessa porção litoral mais estreita.
A condição demográfica do distrito pode acentuar esta pressão. Na realidade, Chiúre possui
uma densidade populacional média de 40 hab/km2, valor que se situa bem acima da média da
província e bastante acima da média dos distritos costeiros nortenhos.
O peso maior desta densidade não se exerce directamente na zona litoral e o posto
administrativo de Mazeze (que corresponde a esta estreita faixa costeira) tem uma densidade
de 26 hab/km2 que se situa já dentro das médias dos restantes distritos costeiros. Assim, a
densidade demográfica da faixa costeira de Chiúre não se afigura como um foco particular de
pressão sobre os recursos costeiros. Essa pressão é exercida de forma diferida e indirecta.
A topografia do distrito também é muito distinta dos restantes distritos litorais. Enquanto em
todos os restantes distritos de Cabo Delgado uma larga parte do território assenta sobre
planícies de baixa altitude, no caso do Chiúre mais de 80 por cento assenta numa plataforma
com cotas entre 200 e 500 metros acima do nível médio das águas do mar.
Contudo, a pequena cunha litoral do distrito possui altitudes muito baixas e zonas de cotas
inferiores a 5 metros podem estar vulneráveis a variações do nível médio das águas do mar.
Uma importante formação de mangal ocorre na foz do Lúrio (o segundo maior mangal entre
Pemba e Memba) e é imperativo conhecer a sua condição biológica e o seu estado de
conservação.
O Rio Lúrio que faz fronteira com os distritos a Sul representa um dado ambiental fundamental
e a maior parte dos restantes rios integram a bacia hidrográfica do Lúrio.
A ocorrência de solos líticos no Norte do distrito com algum declive pode propiciar riscos de
erosão. As áreas de cultivo localizam-se no interior do distrito em regiões afastadas da
variabilidade das condições litorais.
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Figura 33: Mapa de sobreposição de uso da terra e actividades económicas no Distrito de Chiúre
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7 LACUNAS DE INFORMAÇÃO
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• Informações mais específicas sobre o corte ilegal de madeira (p.e. locais onde é
mais frequente) e sobre os impactos que esta actividade tem estado a criar para
a economia do distrito e sobre os esforços de conservação da natureza;
É também importante referir que não foram obtidas informações sobre os planos,
projectos e programas de âmbito espacial em curso e/ou planificados para o distrito.
Esta informação é essencial para avaliar possíveis sobreposições e/ou
complementaridades em termos de desenvolvimento económico e conservação
ambiental.
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8 BIBLIOGRAFIA
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Rovuma. Relatório Preliminar de EIA. Rev. 0, 19 de Março 2010.
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Thailand. RAP Publication No. 2007/12. 239 pp.
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VisionÇ A large scale conservation approach to the management of biodiversity. WWF,
Dar es Salaam, Tanzania. 53 pp.
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ANEXOS
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Tabela A2: Algumas das espécies de aves terrestres que ocorrem em Cabo Delgado
Espécies raras
Falcão de Dickinson Falco dickinsoni
Cucal do Senegal Centropus senegalensis
Papagaio Poicephalus spp
Freirinha maior Spermestes fringilloides
Eremomela de barrete verde Eremomela scotops
Papa figos africano Oriolus auratus
Abetarda de barriga preta Eupodites melanogaster Microparra capensis
Jacana pequena Alcedo semitorquata
Guarda-rios de colar
Tabela A3: Características de alguns dos mamíferos marinhos que ocorrem em Cabo Delgado
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Tabela A4: Aspectos sobre o habitat, dinâmica das populações, reprodução, ameaças e estado
de conservação (de acordo com a lista vermelha da IUCN) das espécies de tartarugas marinhas
que ocorrem no Norte de Moçambique
Tabela A6: Aves marinhas visitantes e residentes, comuns e frequentes no Norte de Moçambique
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