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Perfil Ambiental do Distrito de Chiúre

Este documento fornece um perfil ambiental e mapeamento do uso atual da terra no distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado, Moçambique. Ele descreve a situação ambiental de referência do distrito, incluindo clima, geologia, solos, ecossistemas, fauna e áreas de conservação. Também aborda aspectos socioeconômicos como demografia, serviços, infraestrutura e atividades econômicas como agricultura, pecuária e pesca. O objetivo é caracterizar a situação atual do distrito

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Perfil Ambiental do Distrito de Chiúre

Este documento fornece um perfil ambiental e mapeamento do uso atual da terra no distrito de Chiúre, província de Cabo Delgado, Moçambique. Ele descreve a situação ambiental de referência do distrito, incluindo clima, geologia, solos, ecossistemas, fauna e áreas de conservação. Também aborda aspectos socioeconômicos como demografia, serviços, infraestrutura e atividades econômicas como agricultura, pecuária e pesca. O objetivo é caracterizar a situação atual do distrito

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República de Moçambique

MINISTÉRIO PARA A COODERNAÇÃO DA ACÇÃO AMBIENTAL

Projecto de Avaliação Ambiental Estratégica da Zona Costeira – Moçambique

PERFIL AMBIENTAL E MAPEAMENTO DO USO ACTUAL DA


TERRA NOS DISTRITOS DA ZONA COSTEIRA DE
MOÇAMBIQUE

VERSÃO PRELIMINAR
Distrito de Chiúre

Província de Cabo Delgado

Preparado Por:

Junho 2012
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Prefácio

O presente perfil do Distrito de Chiúre foi elaborado entre 2011 e 2012, no quadro da Avaliação
Ambiental Estratégica da zona costeira de Moçambique. Desta forma, a natureza e o detalhe
deste perfil foram orientados para servir um propósito claro que era caracterizar a situação de
referência de cada um dos distritos litorais. O critério usado para seleccionar e colectar a
informação foi o da sua relevância ambiental.

Uma vez que existem já, em Moçambique, perfis distritais elaborados por outras entidades
para diferentes fins, entendeu-se que não fazia sentido duplicar esse trabalho produzindo o
mesmo tipo de informação geral. Assim, o que foi colocado em evidência nos presentes perfis
foram os componentes e os processos ambientais que devem ser tidos em conta para a
planificação territorial. A descrição aqui inserida não é, assim, um inventário detalhado da
realidade do distrito mas apenas informação relevante para o objectivo final da planificação
estratégica do uso da terra e dos recursos naturais

i
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

INDICE

1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 1
1.1 Finalidade e justificativa do perfil.................................................................................................. 1
1.2 Metodologia .................................................................................................................................. 1
1.3 Enquadramento geográfico .......................................................................................................... 1
2 SITUAÇÃO AMBIENTAL DE REFERÊNCIA ....................................................................................... 3
2.1 Clima ............................................................................................................................................. 3
2.2 Topografia e geologia ................................................................................................................... 5
2.3 Solos ............................................................................................................................................. 9
2.4 Dinâmica costeira ....................................................................................................................... 13
2.5 Hidrologia .................................................................................................................................... 13
2.5.1 Recursos hídricos superficiais ................................................................................................ 13
2.5.2 Hidrogeologia .......................................................................................................................... 13
2.6 Ecossistemas / habitats .............................................................................................................. 17
2.6.1 Habitats terrestres .................................................................................................................. 17
2.6.2 Zonas de transição litoral ....................................................................................................... 19
2.6.3 Ecossistemas marinhos .......................................................................................................... 20
2.7 Fauna .......................................................................................................................................... 22
2.7.1 Fauna terrestre ....................................................................................................................... 22
2.7.2 Fauna marinha........................................................................................................................ 24
2.8 Áreas de conservação ................................................................................................................ 28
3 AMBIENTE SOCIOECONÓMICO ...................................................................................................... 30
3.1 Organização Administrativa ........................................................................................................ 30
3.2 Aspectos Demográficos .............................................................................................................. 30
3.2.1 Tamanho e distribuição da população.................................................................................... 30
3.2.2 Estrutura Etária e por Género ................................................................................................ 31
3.2.3 Padrões de Crescimento Populacional .................................................................................. 31
3.2.4 Grupos Etnolinguísticos e Crenças Religiosas ...................................................................... 32
3.2.5 Padrões de Migração.............................................................................................................. 32
3.3 Serviços e Equipamentos Sociais .............................................................................................. 33
3.3.1 Educação ................................................................................................................................ 33
3.3.2 Saúde ..................................................................................................................................... 35
3.4 Redes de Acessibilidade, Infra-estruturas e Equipamentos Colectivos ..................................... 36
3.4.1 Rede de Estradas ................................................................................................................... 36
3.4.2 Aeroportos, Aeródromos e Heliportos .................................................................................... 39
3.4.3 Transporte Ferroviário ............................................................................................................ 39
3.4.4 Fontes de abastecimento de água ......................................................................................... 39
3.4.5 Saneamento ........................................................................................................................... 41
3.4.6 Abastecimento de Energia ..................................................................................................... 42
3.5 Património Histórico e Cultural ................................................................................................... 43
3.6 Uso e ocupação do solo ............................................................................................................. 45
3.7 Recursos naturais de importância económica e actividades económicas ................................. 45
3.7.1 Agricultura ............................................................................................................................... 46
3.7.2 Pecuária .................................................................................................................................. 47
3.7.3 Pesca ...................................................................................................................................... 48
3.7.4 Aquacultura ............................................................................................................................. 50
3.7.5 Turismo ................................................................................................................................... 50
3.7.6 Prospecção de hidrocarbonetos ............................................................................................. 53
3.7.7 Actividade Mineira .................................................................................................................. 53
3.7.8 Exploração florestal ................................................................................................................ 54
3.7.9 Caça Furtiva ........................................................................................................................... 55
3.7.10 Salinas .................................................................................................................................... 55
ii
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

3.7.11 Outras Actividades.................................................................................................................. 55


4 ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS ............................................................................................................. 58
5 IDENTIFICAÇÃO DE PLANOS, PROGRAMAS E PROJECTOS DE ÂMBITO ESPACIAL .............. 61
6 QUESTÕES AMBIENTAIS RELEVANTES – POTENCIALIDADES E DESAFIOS ........................... 61
7 LACUNAS DE INFORMAÇÃO ........................................................................................................... 64
8 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................... 66

INDICE DE FIGURAS

Figura 1: Localização Geográfica e Divisão Administrativa do Distrito de Chiúre ....................................... 2


Figura 2: Temperatura e Pluviosidade média Mensal na Estação Meteorológica de Pemba ..................... 3
Figura 3: Risco de Ocorrência de Ciclones por Distrito ao longo da Costa Norte de Moçambique ............ 4
Figura 4: Altimetria do Distrito de Chiúre ..................................................................................................... 6
Figura 5 Rochas Dominantes no Distrito de Chiúre ..................................................................................... 7
Figura 6 Formações Geológicas no Distrito de Chiúre ................................................................................ 8
Figura 7: Distribuição do Tipo de Solos no Distrito de Chiúre ................................................................... 10
Figura 8: Batimetria da Zona Costeira do Distrito de Chiúre ..................................................................... 15
Figura 9: Rede Hidrográfica no Distrito de Chiúre ..................................................................................... 16
Figura 10: Mapa de Uso e Cobertura da Terra no Distrito de Chiúre ........................................................ 18
Figura 11: Exemplares de Corais de Cabo Delgado .................................................................................. 20
Figura 12: Gracilaria ................................................................................................................................... 21
Figura 13: Aves protegidas: (A) Batis de Woodward (Batis fratrum) e (B) Águia-cobreira-barrada-oriental
(Circaetus fasciolatus) ................................................................................................................................ 23
Figura 14: Golfinho Corcunda do Índico (Sousa chinensis) ....................................................................... 25
Figura 15: Tartaruga Bico-de-falcão (Eretmochelys imbricata).................................................................. 26
Figura 16: Exemplar de Holotúria ............................................................................................................... 27
Figura 17: Albatroz-viageiro ou Albatroz-gigante (Diomedea exulans)...................................................... 28
Figura 18: Áreas de Conservação nas proximidades do Distrito de Chiúre .............................................. 29
Figura 19: Densidade Populacional no Distrito de Chiúre ......................................................................... 34
Figura 20: Distribuição das Unidades Sanitárias no Distrito de Chiúre ..................................................... 37
Figura 21: Estado de algumas Estradas do Distrito de Chiúre .................................................................. 38
Figura 22: PSAA na Vila Sede do Distrito .................................................................................................. 39
Figura 23: Transportes e Acessibilidades do Distrito de Chiúre ................................................................ 40
Figura 24: Sistemas de Saneamento a Nível Doméstico no Distrito de Chiúre ......................................... 42
Figura 25: Celeiros Tradicionais de Chiúre ................................................................................................ 43
Figura 26: Rede de Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica no Distrito de Chiúre ........................ 44
Figura 27 Centros de Pesca no Distrito de Chiúre ..................................................................................... 49
Figura 28: Quedas do Lúrio ........................................................................................................................ 50
Figura 29: As Quatro Pedras ...................................................................................................................... 51
Figura 30: APIT’s e Zonas de Interesse Turístico no Distrito de Chiúre .................................................... 52
Figura 31: Concessões para Prospecção de Hidrocarbonetos no Distrito de Chiúre................................ 56
Figura 32: Outras Concessões/Licenças para Exploração de Recursos Naturais no Distrito de Chiúre .. 57
Figura 33: Mapa de sobreposição de uso da terra e actividades económicas no Distrito de Chiúre ........ 63

INDICE DE TABELAS

Tabela 1: Limites Geográficos do Distrito de Chiúre. ................................................................................... 1


Tabela 2: Principais Tipos de Solos no Distrito de Chiúre. ........................................................................ 11
Tabela 3: Domínios e Características das Águas Subterrâneas ............................................................... 14
Tabela 4: Conflito Homem-animal em Chiúre. ........................................................................................... 24
Tabela 5: Divisão Administrativa do Distrito de Chiúre. ............................................................................. 30
iii
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Tabela 6: População do Distrito de Chiúre por Posto Administrativo. ....................................................... 31


Tabela 7: Crescimento da População do Distrito de Chiúre. ..................................................................... 32
Tabela 8: Indicadores Gerais de Educação para o Distrito de Chiúre. ...................................................... 35
Tabela 9: Indicadores Gerais de Saúde para o Distrito de Chiúre............................................................. 35
Tabela 10: Rede de Estradas do Distrito de Chiúre. .................................................................................. 36
Tabela 11: Fontes de água (poços e furos) e cobertura populacional por posto administrativo ............... 41
Tabela 12: Uso e Ocupação do Solo Distrito de Chiúre. ........................................................................... 45
Tabela 13: População Activa por Sector Económico do Distrito de Chiúre. .............................................. 46
Tabela 14: Efectivo Animal no Sector Familiar do Distrito de Chiúre. ....................................................... 47
Tabela 15: Operadores Turísticos do Distrito de Chiúre. ........................................................................... 51
Tabela 16: Distribuição das Espécies Florestais no Distrito de Chiúre. .................................................... 53
Tabela 17: Licenças e Concessões Florestais no Distrito de Chiúre. ........................................................ 54

Anexo 1: Tabelas de Fauna

iv
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

1 INTRODUÇÃO

1.1 Finalidade e justificativa do perfil

O presente perfil inventaria os componentes e os processos ambientais do Distrito de Chiúre


que sejam mais relevantes para o ordenamento territorial e planificação do uso sustentável da
terra e dos recursos naturais no distrito.

1.2 Metodologia

Este perfil distrital constitui, fundamentalmente, um trabalho de análise, tendo sido elaborado
com base em informação disponibilizada por entidades relevantes, não envolvendo pesquisas
adicionais de terreno. No entanto, contactos com Administrações Distritais permitiram colectar
nova informação a nível local, num processo dinâmico de construção do perfil pelos futuros
utilizadores.

1.3 Enquadramento geográfico

Fazendo fronteira com a Província de Nampula, através do Rio Lúrio, o Distrito de Chiúre,
localiza-se na parte Sudeste da Província de Cabo Delgado (ver Figura 1), apresentando
como limites os indicados na Tabela 1 abaixo.

Tabela 1: Limites Geográficos do Distrito de Chiúre


Distrito Distrito de Chiúre
Norte Sul Este Oeste
Distritos de Distritos de Distrito de
Limites Distrito de
Ancuabe e Eráti e Mecúfi e
Namuno
Montepuez Memba Oceano Índico

Fonte: INE, 2010

Este é o distrito mais a Sul da zona costeira da Província de Cabo Delgado (com uma área de
5.439 km2) atravessado por um importante corredor rodoviário (i.e a estrada N1, que liga as
Províncias de Cabo Delgado e de Nampula), o que faz deste distrito uma das principais portas
de entrada da Província de Cabo Delgado e um pólo dinâmico de desenvolvimento de
actividades socioeconómicas.

Para além da componente continental, o Distrito de Chiúre integra também a Ilha do Lúrio. A
faixa costeira do distrito é muito pequena (com cerca de 4 km de extensão), sendo marcada
pela foz do Rio Lúrio.

1
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 1: Localização Geográfica e Divisão Administrativa do Distrito de Chiúre

2
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

2 SITUAÇÃO AMBIENTAL DE REFERÊNCIA

2.1 Clima

Temperatura, precipitação e vento

Apresenta-se na Figura 2 a precipitação média mensal e a temperatura média mensal na


estação meteorológica de Pemba (estação a Norte, na zona costeira, mais próxima da área em
análise).

A precipitação média mensal apresenta uma variação sazonal relevante destacando-se:


• Um período húmido, entre Dezembro e Abril, onde ocorre um valor de precipitação
equivalente a cerca de 85% do valor total anual da precipitação, sendo o mês de Março
o mês mais chuvoso com precipitação média mensal de cerca de 210 mm;
• Um período seco entre Maio a Novembro com médias mensais de precipitação
inferiores a cerca de 50 mm.

A precipitação média anual em Pemba é de 922 mm havendo, contudo, uma variação inter-
anual significativa.

A temperatura média anual é de 26.1 ºC, ocorrendo uma amplitude térmica anual relativamente
baixa, de cerca de 4 ºC. Janeiro é o mês mais quente (27.5ºC).

No sistema de ventos distinguem-se três períodos com características distintas:


• Em Janeiro e Fevereiro são registados ventos dominantes de Nordeste e Norte;
• Nos meses de Março a Agosto os ventos são predominantemente de Sul e Sudeste;
• Entre Setembro e Dezembro os ventos apresentam uma direcção predominantemente
de Este e Nordeste.

Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (dados de 1975 a 2004)


Figura 2: Temperatura e Pluviosidade média Mensal na Estação Meteorológica de Pemba

3
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Eventos extremos

Estatisticamente, a Província de Cabo Delgado não é propensa à ocorrência de ciclones,


sendo o Distrito de Chiúre classificado como tendo um moderado risco de ser atingido por um
ciclone (Figura 3). No período entre 1968 e 2009, este distrito foi atingido pelos seguintes
ciclones: HSK0288 em 1987 e ASTRIDE em 1999.

No que respeita a cheias e secas o Distrito de Chiúre apresenta um risco moderado à


ocorrência das mesmas (MICOA, 2007).

Figura 3: Risco de Ocorrência de Ciclones por Distrito ao longo da Costa Norte de Moçambique

4
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

2.2 Topografia e geologia

Caracterização geral

O distrito assenta, em grande parte, sobre planaltos, com alturas compreendidas entre 200 e
500 m (cerca de 80% da área total do distrito) – Figura 4. Na transição entre as zonas
interiores e o litoral as cotas encontram-se compreendidas entre 50 e 200 m, ocupando
aproximadamente 15% da área total do distrito. Apenas na zona costeira do distrito as cotas do
terreno são inferiores a 50 m (cerca de 5% da área do distrito).

Do ponto de vista geológico (Figura 5 e Figura 6), predominam gnaisses granítico, gnaisses
granítico a granodiorítico e gnaisses quartzo-feldspático do Complexo de Montepuez (cerca de
40% da área total do distrito), seguindo se os granulíticos máficos do Complexo de Ocua
(estes ocorrem em cerca de 15% da área do distrito). Estas formações são da Era do
NeoProterozóico1. e ocorrem essencialmente no interior do distrito.

Na zona litoral, ocorrem solos argilosos intercalados com arenitos e aluviões, do período
Quaternário2,. Refira-se que os aluviões são pouco desenvolvidos, excepto ao longo de alguns
troços dos principais rios.

Sismicidade

Relativamente ao risco de ocorrência de sismos, não se encontra informação sistematizada


sobre este tipo de evento para o Distrito de Chiúre.

Recursos minerais

De uma forma geral, em Chiúre, o principal recurso mineral é a grafite (Ministério dos Recursos
Minerais, 2008).

Uma pequena parte do Distrito de Chiúre – componente marinha, é abrangida pela Área 3 da
Bacia do Rovuma (área de concessão para prospecção de hidrocarbonetos).

A Área 3 está sob concessão de uma conceituada empresa Malaia, a Petronas, que levou a
cabo pesquisas sísmicas em 2D e 3D em alto-mar e pretende levar a cabo, no decurso de
2012, pesquisas adicionais em furos de prospecção, também em alto-mar.

1 Período compreendido entre 1 bilhão e 542 milhões de anos atrás


2 Período dos últimos 2 milhões de anos.
5
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 4: Altimetria do Distrito de Chiúre

6
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 5 Rochas Dominantes no Distrito de Chiúre

7
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 6 Formações Geológicas no Distrito de Chiúre

8
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

2.3 Solos

O mapa na Figura 7 apresenta a distribuição dos solos no Distrito de Chiúre. Na Tabela 2


indicam-se as principais características dos mesmos.

No Distrito de Chiúre predominam solos argilosos castanhos em associação com solos


arenosos castanhos-cinzentos, KG+KA, (cerca de 40% da área total do distrito), seguindo-se
uma associação de solos vermelhos de textura média (VM, VMo, VM+I, VM+VG). Estes tipos
de solos podem apresentar aptidão moderada para a prática agrícola.

Na zona costeira aos solos pouco profundos sobre rocha não calcária em associação com
solos arenosos (WPv+A), sucedem-se solos de dunas costeiras (DC). Ambos os tipos de solos
apresentam, em geral, baixa fertilidade.

Os solos aluvionares (FS), por sua vez, ocorrem ao longo dos principais rios e podem
apresentar fertilidade excelente.

Ocorrem ainda no interior do distrito solos, em geral, com moderada aptidão para a agricultura,
nomeadamente, solos argilosos vermelhos (VGo, VGb) e solos castanhos de textura média em
associação com solos líticos (KM+I).

Risco de erosão

O risco de erosão do solo no Distrito de Chiúre é baixo a moderado tendo este problema
sido considerado como pouco crítico num inventário realizado pelo MICOA. (MICOA,
2007).

Apesar disto, o Plano de Acção para a Prevenção e Controlo da Erosão de Solos para
2008 – 2018, (MICOA, 2007), prevê algumas acções prioritárias para este distrito,
nomeadamente, construção de infra-estruturas e plantio de algumas espécies para
estabilizar encostas de declive acentuado.

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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 7: Distribuição do Tipo de Solos no Distrito de Chiúre


10
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Tabela 2: Principais Tipos de Solos no Distrito de Chiúre


Principais
Características Geomorfologia Forma de Topografia limitações
Símbolo Descrição Drenagem Fertilidade
Dominantes e geologia terreno Declive (%) para a
agricultura

Cobertura Capacidade
Solos arenosos
Areia, solos muito arenosa. Areias Planícies Quase plano de retenção Boa a
A não Fertilidade baixa
profundos eólicas, arenosas 0-2 de água, excessiva
especificados
pleistocénicas fertilidade

Capacidade
Solos de dunas Areias castanhas Dunas costeiras
Dunas Colinoso de retenção Apto para
Dc costeiras acinzentadas, solos Areias Excessiva
costeiras 0-35 de água, florestas
amareladas profundos halocénicas
fertilidade

Solos de
Franco-Arenoso, Por vezes Fertilidade
aluviões Aluviões Vales e Quase Plano Imperfeita a
FS castanho acinzentado, sodicicidade e excelente a
estratificados de holocénicos planícies 0-2 má
profundos drenagem baixa
textura grossa

Iselbergs,
Franco-arenoso Soco do
zonas Profundidade
castanho, solos pouco Precâmbrico Montanhoso Baixa
I Solos líticos erosionadas, do solo, risco Excessiva
profundos sobre rocha Rochas ácidas, >30% Fertilidade
afloramentos de erosão
alterada granito, gnaisse
rochosos

Soco do Capacidade
Solos arenosos Arenoso castanho Encostas Fertilidade
Precâmbrico Ondulado de retenção Pouco
KA castanhos- acinzentado, solos inferiores do moderada a
Rochas ácidas, 0-8 de água, excessiva
cinzentos profundos interflúvios, baixa
granito, gnaisse fertilidade

Soco do Interflúvios, Condições de


Solos argilosos Argiloso castanho
Precâmbrico encostas Ondulado germinação; Fertilidade boa
KG castanho acinzentados, solos Moderada
Rochas ácidas, médias e 0-8 risco de a moderada
cinzentos profundos
granito, gnaisse inferiores erosão

Franco argilo-arenoso
Solos castanhos Soco do Interflúvios, Ondulado Risco de Fertilidade boa
KM castanho, solos Moderada
de textura média Precâmbrico encostas 0-8 erosão, a baixa
profundos
Rochas ácidas, médias e condiões de

11
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Principais
Características Geomorfologia Forma de Topografia limitações
Símbolo Descrição Drenagem Fertilidade
Dominantes e geologia terreno Declive (%) para a
agricultura

granito, gnaisse inferiores germinação

Soco do Interflúvios, Condições de


Franco-argilo-arenoso Férteis a
Solos vermelhos Precâmbrico encostas Ondulado germinação;
VM castanho avermelhado; Boa moderadamente
de textura média Rochas ácidas, superiores e 0-8 risco de
solos profundos férteis
granito, gnaisse médias erosão

Soco do Interflúvios,
Solos vermelhos Franco-argilo-arenoso Fertilidade,
Precâmbrico encostas Ondulado Fertilidade boa
VMo de textura média castanho avemelhado; risco de Boa
Rochas ácidas, superiores e 0-8 a moderada
óxicos solos profundos erosão
granito, gnaisse médias

Soco do Interflúvios, Condições de


Argilo castanho, Férteis a
Solos argilosos Precâmbrico encostas Ondulado germinação;
VG avermelhado, solos Boa moderadamente
vermelhos Rochas ácidas, superiores e 0-8 risco de
profundos férteis
granito, gnaisse planaltos erosão

Soco do Interflúvios, Topografia/


Argiloso castanho Fertilidade
Solos argilos Precâmbrico encostas Ondulado textura do
VGb avermelhado, solos Boa excelente a
vermelhos Rochas (ultra-) superiores e 0-10 solo/fertilidad
profundos moderada
básicas anfibilita planaltos e

Afloramento de Profundidade
Solos pouco
Argiloso castanho, rochas do solo, Fertilidade
profundos sobre Ondulado Imperfeita a
WP profundidade sedimentares do Colinas drenagem, moderada a
rocha não 0-8 Moderada
moderada Karoo, Cretácico fertilidade do baixa
calcária
ou Terciário solo

Fonte: INIA, 1995

12
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

2.4 Dinâmica costeira

Batimetria

No Distrito de Chiúre as linhas batimétricas paralelas à costa são cortadas por incisões
profundas da foz do rio Lúrio que provoca um acentuado desnivelamento das cotas de 50 m
para as de 1000-1500 m. A linha de costa do distrito é estreita, entre as fozes dos rios Lúrio e
Megaruma. (Figura 8).

Ondulação e Marés

Não existem dados específicos para o distrito mas é bastante provável que Chiúre possua o
mesmo padrão de marés da zona Norte, em que a amplitude das marés encontra-se
compreendida entre 4,0 m (média na maré viva) e 2,8 m (média na maré morta). Nesta região
a amplitude das marés varia marcadamente durante o mês e pode ser tão baixo como 0,6 m
durante as marés mortas.

2.5 Hidrologia

2.5.1 Recursos hídricos superficiais

Os principais rios de primeira ordem (que desaguam no Oceano), que atravessam o Distrito de
Chiúre são os que seguintes: Lúrio e Megaruma.

Por outro lado, os principais rios de segunda ordem (ou seja, que desaguam num rio de
primeira ordem) que atravessam o distrito são: Hopa, Jeheguérre, Lágua, Muaria, Nicuburi,
Titimar, Mecopote, Luco e Muataze.

Com excepção do Lúrio, os restantes rios que atravessam o distrito apresentam regime
sazonal, ou seja, têm água corrente durante a estação das chuvas.

2.5.2 Hidrogeologia

Os aquíferos no interior do distrito são predominantemente do Domínio C (ver Tabela 3)3 –


áreas com aquíferos locais de produtividade limitada ou áreas sem água subterrânea
significativa. Os tipos C2 e C3 são os de maior destaque. Os aquíferos do Tipo C2 são
superficiais e seus fluxos raramente excedem os 3 m3/h, enquanto que os aquíferos do tipo C3
são muito pouco produtivos, com caudais inferiores a 1 m3/h. Ambos os aquíferos encontram-
se associados a rochas do complexo gnaisse-migmatítico.

Na zona litoral, por outro lado, ocorrem aquíferos mais produtivos (comparativamente aos do
interior do distrito), do tipo C1 e A3. Os aquíferos do Tipo C1, com produtividade ainda
limitada, são superficiais (alcançando um máximo de 50 m de espessura) e associados a
depósitos de materiais finos (areias e argilas). Os aquíferos do tipo A3, por sua vez, são mais
produtivos (caudais médios compreendidos entre 3 e 5 m3/h) e encontram-se associados a
argilas com interstratificações arenosas de origem aluvial.

3
A classificação dos domínios baseia-se no tipo dominante da porosidade, na extensão dos aquíferos e na
produtividade das formações.
13
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Ao longo do Rio Lúrio existem ainda aquíferos do tipo A1, associados a depósitos arenosos de
origem fluvial. Este tipo de aquífero é o mais produtivo de todos, satisfazendo extracções até
cerca de 50 m3/h.

A água subterrânea destas formações é, em geral, de boa qualidade, no entanto, junto à costa
existe um risco elevado de intrusão de água do mar, que pode ocorrer em resultado de sobre-
exploração dos furos. Nestes aquíferos, igualmente, a água pode ter níveis de dureza
elevados.

A produtividade dos aquíferos encontra-se descrita na Tabela 3, onde é referida a capacidade


de abastecimento de água. No Distrito de Chiúre, maioritariamente, as águas subterrâneas
ocorrem em reservas suficientes para satisfazer apenas extracções de pequena escala, dado
que os caudais esperados são inferiores a 5 m3/h. Apenas em algumas zonas litorais e ao
longo do Rio Lúrio a extracção poderá superior.

Tabela 3: Domínios e Características das Águas Subterrâneas


Períodos
Domínios de Caudais máximos
Possibilidade de
ocorrência da água Tipo/Produtividade médios de
3 abastecimento de água
subterrânea (m /h) bombagem
(h/dia)
• Cidades
A. Aquíferos A1 – Muito
50 24 • Indústrias: grandes
predominantemente produtivos
• Regadios: grandes
intergranulares
(Contínuos, • Aldeias: entre 2.000 a
geralmente não A3 – Produtividade 5.000 habitantes
3-10 16
consolidados) Moderada • Indústrias: pequenas
• Regadios: pequenos
• Aldeias: entre 1.000 a
C1 – Limitada
2.000 habitantes;
(Contínuo ou <5 8
C. Aquíferos locais • Explorações de gado
descontínuo)
(Intergranulares ou bovino: < 2.000 cabeças
fissurados de • Aldeias: < 1.500 habitantes;
produtividade C2 – Limitada <3 8 • Explorações de gado
limitada ou sem água bovino: < 1.500
subterrânea) • Aldeias: < 250 habitantes;
C3 – Muito limitada
<1 6 • Explorações de gado
(Montanha)
bovino: ≤ 250 cabeças

14
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 8: Batimetria da Zona Costeira do Distrito de Chiúre


15
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 9: Rede Hidrográfica no Distrito de Chiúre

16
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

2.6 Ecossistemas / habitats

Na Figura 10 é apresentado um mapa de uso e cobertura da terra no Distrito de Chiúre. Neste


é possível observar a heterogeneidade de habitats, bem como os principais pólos de ocupação
urbana distribuídos mais no interior do distrito.

2.6.1 Habitats terrestres

O Distrito de Chiúre localiza-se numa região de mosaico costeiro a qual compreende diferentes
tipos de vegetação. Neste distrito, o mosaico costeiro estende-se para o interior (para mais de
150 km) cobrindo as áreas de terras baixas entre os rios Lúrio e Megaruma.

Na região predominam os matagais ou matas de miombo (Figura 10) cuja distribuição é


extensiva a todo o distrito ocupando uma área de cerca de 3555 km2 (66% da área total). Na
mata ocorrem fragmentos de florestas (332 km2) com as maiores concentrações sendo
observadas a Este, na região de Mazeze, e a Norte no interior. Ocorrem também pradarias
igualmente dispersas pela mata, ocupando pequenas áreas. Terras húmidas localizam-se
adjacentes à margem Sul do Rio Megaruma na extremidade próxima ao litoral. As florestas de
mangal apresentam uma ocorrência limitada neste distrito ocupando uma extensão de apenas
cerca de 2 km2 limitada à foz dos rios Lúrio e Megaruma.

Ao longo de um gradiente topográfico desde a costa para o interior, reconhecem-se, em


Chiúre, 5 tipos diferentes de vegetação, nomeadamente: a brenha costeira e florestas em
dunas recentes, florestas de Acacia, miombo decíduo, miombo seco decíduo e miombo
decíduo tardiamente.

Neste distrito uma boa parte da vegetação natural encontra-se degradada devido aos
diferentes usos da terra, como a agricultura, assim como devido à prática insustentável de
queimadas. Cerca de 20% dos solos (1094,6 km2) constituem actualmente áreas de cultivo.
Ocorre também a sobre-exploração das florestas nativas para a produção de carvão. Em
algumas florestas de miombo a presença de tocos de árvores constituem evidência da área ter
sido sujeita à exploração madeireira assim como também se encontram noutros locais marcas
de diferentes queimadas devido a fogos regulares e intensivos.

17
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 10: Mapa de Uso e Cobertura da Terra no Distrito de Chiúre

18
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

2.6.2 Zonas de transição litoral

Mangais

Em Chiúre, os mangais são encontrados principalmente em enseadas e estuários (com


áreas pequenas). Ocorrem principalmente na foz do Rio Lúrio (Figura 10). A
composição do mangal da foz do Lúrio não é conhecida embora se pense que não seja
diferente da composição dos mangais registados na região Norte de Moçambique.

Em termos de preservação, não há registos de degradação dos mangais na zona Norte


e estudos recentes (Barbosa et al., 2001 e Fatoyinbo et al., 2008) indicam que Cabo
Delgado é a única província cuja cobertura de mangais se mantém estável, sendo um
dos factores importantes na sua preservação, para além da regeneração natural, o
difícil acesso a algumas zonas.

Os mangais são importantes na prevenção da erosão costeira e das margens dos rios,
na atenuação das cheias e na reprodução de diversas espécies. Constituem habitats
para uma variedade de espécies nomeadamente pássaros, crustáceos, peixes e
moluscos. São também fonte de medicamentos tradicionais, material de construção e
combustível lenhoso. Moluscos e crustáceos colectados nos mangais constituem uma
importante fonte de proteínas para as populações.

Praias arenosas e Praias rochosas

As praias arenosas, a partir de Pemba, em direcção a Sul, são limitadas em distribuição


e esporadicamente intercaldas por afloramentos rochosos ou recifes fossilizados.
Caracterizam-se por serem geralmente estreitas, constituindo uma atracção turística e
podendo ser importantes como locais de nidificação de tartarugas marinhas. As maiores
praias arenosas ocorrem a Sul de Pemba destacando-se, na região de Chiúre, as praias
ao redor da foz do Rio Lúrio e entre a Ponta Uifundo e a Ponta Metacaua.

As praias arenosas estão desprotegidas e geralmente desprovidas de vegetação, com


pouca ocorrência de fauna. São importantes para alguns caranguejos e constituem
áreas de empoleiramento para pequenas espécies pernaltas como as tarambolas.

Habitats rochosos estendem-se, intercalados em praias arenosas, entre a Ponta


Maunhama (na Baía de Pemba) e o Baixo Pinda (a Norte de Nacala). Nestes habitats,
dispostos ao longo da zona entre-marés, ocorrem algas e diversos invertebrados como
coral mole, crustáceos, gastrópodes, bivalves, ouriços e estrelas-do-mar, medusas e
cefalópodes (polvo, chocos).

Lagos e lagoas costeiras

No Distrito de Chiúre não existem lagos e lagoas costeiras de dimensão relevante para
o perfil.

19
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Estuários/Deltas

A faixa costeira do distrito está compreendida entre a foz de dois rios, o Lúrio a Sul, e o
Megaruma a Norte.

Os estuários são associados ao mangal e a pântanos e importantes áreas de


reprodução de crustáceos (camarão, caranguejo de mangal, caranguejo pelágico, etc) e
de várias espécies de peixes.

2.6.3 Ecossistemas marinhos

Corais

Não existem, para a região de Chiúre, descrições sobre recifes de corais. Recifes
próximos e importantes encontram-se ao largo da costa entre Pemba e Mecúfi sendo
exemplo os existentes na região das vilas de Mecúfi (o maior banco a Norte da Baía do
Lúrio, Ponta Metacua) e Murrebué (próximo da Ponta Mesaulane), no Distrito de Mecúfi.

Os corais são mundialmente reconhecidos pela sua alta biodiversidade e em


Moçambique representam uma das principais atracções turísticas (mergulho
contemplativo e pesca desportiva). São igualmente importantes para os pescadores
artesanais representando a principal fonte de sustento de várias comunidades
pesqueiras ao longo da costa.

Foto: Robin Carter


Figura 11: Exemplares de Corais de Cabo Delgado

Ervas marinhas e macroalgas

Os tapetes de ervas marinhas, e conjuntos de macroalgas associadas, ocorrem em


águas protegidas com substratos apropriados (areno-lodosos), tais como baías ou
enseadas, e com uma topografia ligeiramente inclinada que leva à ocorrência de
extensas zonas entre-marés. Constituem um tipo de vegetação dominante em águas

20
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

pouco profundas e ocorrem também em estreita associação com recifes de coral


circundantes.

Não foram encontradas descrições nem da distribuição nem da composição de tapetes


de ervas marinhas em Chiúre, mas pensa-se que ocorram dado o tipo de substrato e
características da costa. Próximo de Chiúre, entre Pemba e Mecúfi, ocorrem extensos
tapetes de ervas marinhas (com área total estimada em 30 km2).

Igualmente não se conhece, neste distrito, as algas, que geralmente formam um


mosaico com as ervas marinhas e são abundantes nas plataformas rochosas em zonas
entre-marés ou ainda em lagunas formadas por recifes de corais. Na região vizinha de
Mecúfi foram registadas 125 espécies de macroalgas, entre algas verdes, castanhas e
vermelhas, das quais 72 foram consideradas como novas para a flora de algas
marinhas de Moçambique.

As ervas marinhas e as algas são os principais produtores primários nas áreas


costeiras, formam a base de muitas teias alimentares sendo vitais para a dieta de
grandes populações de peixes herbívoros, tartarugas verdes e dugongos, e constituem
viveiros para muitas espécies marinhas. Diversas espécies de ervas marinhas e algas
podem ser usadas como alimento para gado e para o Homem e como fertilizantes ou
ainda usadas na indústria alimentar pelas suas propriedades emulsificantes e
gelificantes. Diversos tipos de algas têm valor económico (Gracilaria – ver Figura 12,
Eucheuma, Kappaphycus e Sargassum) podendo ser usadas como alimento ou como
fontes de gel/colóides ou outros produtos secundários, emulsionantes alimentares,
cosméticos e produtos farmacêuticos.

Fonte: http://www.hawaii.edu
Figura 12: Gracilaria

21
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Ambiente pelágico

O ambiente pelágico estende-se desde as águas litorais, junto à costa, até às águas no
talude continental e nas bacias oceânicas. É o ambiente compreendido nas designadas
águas territoriais (até às 12 milhas náuticas). Neste ambiente destacam-se grandes
grupos de organismos marinhos, nomeadamente os peixes (pequenos pelágicos,
grandes pelágicos, mesopelágicos, demersais e celacantos), os mamíferos e tartarugas
marinhas e cefalópodes (lulas e polvos).

Para além de constituir um ambiente importante pela alta biodiversidade, diversas


actividades podem ser desenvolvidas como a pesca, aquacultura e actividades
recreativas e de lazer.

2.7 Fauna

2.7.1 Fauna terrestre

Mamíferos terrestres

Embora não existam descrições sobre a fauna de Chiúre, do conhecimento geral sobre
a Província de Cabo Delgado, sabe-se que factores como a heterogeneidade de
habitats intactos, a extensão territorial, a baixa densidade populacional humana e o
ainda fraco desenvolvimento em infra-estruturas sociais e económicas, contribuem para
uma alta diversidade de fauna na região. A Tabela A1, no anexo 1, apresenta as
diferentes espécies de mamíferos comuns no Parque Nacional das Quirimbas e que
poderão ter uma distribuição mais alargada na Província de Cabo Delgado, uma vez
que o PNQ não possui uma vedação.

Do conhecimento existente sobre o distrito mais próximo (Mecúfi), acredita-se que em


Chiúre poderão ocorrer espécies animais de médio e grande porte, nomeadamente
búfalos, hipopótamos, cudos, porcos do mato, javalis, leões e elefantes. Ocorrerão
também lebres, coelhos, cabritos, palapalas, gazelas e outros pequenos antílopes,
roedores (como o rato Africano anão, o rato escaldor cinzento, o rato do Natal e a
ratazana preta) e várias espécies de morcegos.

O leão, o elefante Africano e o hipopótamo são actualmente consideradas espécies


vulneráveis.

Um total de 101 espécies de aves foram registadas num levantamento efectuado em


Chiúre (ProForest, 2008), mas potencialmente, de acordo com o mesmo, podem ocorrer
na área cerca de 363 espécies (Tabela A2, anexo 1).

22
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

CURIOSIDADES ELEFANTE AFRICANO

(Loxodonta Africana)

Estado de Vulnerável
conservação
Acções de Listado no Apêndice I da CITES e no
conservação Apêndice II da CMS (Convenção sobre a
Conservação de Espécies Migratórias de
Animais Selvagens)
Elefante Africano (Loxodonta Longevidade Vivem até aos 65-70 anos
Africana)
Reprodução Reprodução ocorre em qualquer altura do
ano. Quando prontas, as fêmeas emitem
sons que atraem os machos. Após aceitar
o macho ocorre o acasalamento. A
gestação decorre em 22 meses e a cria
nasce com cerca de 90 cm de altura e 100
kg. A amamentação decorre até aos 5
anos, embora a cria também se alimente
de alimentos sólidos desde os 6 meses
Características É o maior animal terrestre. Atinge 6 a 7,3 m
de comprimento e 3,5 a 4 m de altura; pesa
entre 6000 a 9000 kg
Ameaças Caça ilegal pelo marfim e carne perda e
fragmentação do habitat causado pela
expansão populacional humana e
conversão das terras, conduzindo ao
aumento do conflito Homem-elefante
Aves

As espécies Águia-cobreira-barrada-oriental (Circaetus fasciolatus) e Batis de


Woodward (Batis fratrum) são importantes para a conservação, a primeira por
apresentar um estatuto de ameaçada na lista vermelha da IUCN, e a segunda por ser
uma espécie endémica.

A B

Foto: http://pt.wikipedia.org Foto: www.biodiversityexplorer.org


Figura 13: Aves protegidas: (A) Batis de Woodward (Batis fratrum) e (B) Águia-cobreira-
barrada-oriental (Circaetus fasciolatus)

23
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Herpetofauna (Répteis e Anfíbios)

Não existindo descrições sobre a herpetofauna de Chiúre, seria importante confirmar


espécies com valor de conservação como as que ocorrem a Norte da Província nas
regiões de Quiterajo e Nhica do Rovuma.

Conflito Homem-animal

Em 2008, o Ministério da Agricultura (MINAG) levou a cabo um censo nacional da fauna


bravia em Moçambique, onde foram levantados dados sobre o conflito homem-animal a
nível dos diferentes distritos do país. A Tabela 4 apresenta os dados recolhidos para o
Distrito de Chiúre relativos ao conflito homem-animal (ataque a pessoas, ataque a gado,
destruição de culturas ou apenas presença do animal) durante o período de Julho de
2006 a Setembro de 2008.

Tabela 4: Conflito Homem-animal em Chiúre


Crocodilos Leões Elefantes Búfalos

Pessoas Gado Pessoas Gado Pessoas Culturas

Chiúre 0 - 0 0 0 1 -

Fonte: MINAG, 2008

2.7.2 Fauna marinha

Mamíferos marinhos

Ao longo do Canal do Moçambique ocorrem 18 espécies de mamíferos marinhos entre


golfinhos, baleias e dugongos. No caso particular de Chiúre não existe um inventário.
No entanto, observações pontuais efectuadas na região confirmam a ocorrência das
seguintes espécies de baleias e golfinhos:

- Baleia jubarte ou baleia de bossas (Megaptera novaeangliae)


- Cachalote (Physester macrocephalus)
- Baleia piloto (Globicephala melas)
- Golfinho corcunda do Índico (Sousa plumbea ou S.chinensis), ver Figura 14
- Caldeirão negro (Globicephala macrorhynchus)
- Golfinho fiandeiro/rotador (Stenella longirostris)
- Golfinho de Risso (Grampus griseus)
- Golfinho narigudo (Tursiops truncatus)
- Golfinho cabeça de melão (Peponocephala electra)

Historicamente há registos da presença de dugongos na região. Contudo nos últimos 10


anos não foi reportado na região nenhum indivíduo. Existem tapetes de ervas marinhas
que constituem um habitat apropriado para estes mamíferos.

O conhecimento do comportamento e do estado de conservação dos mamíferos


marinhos é importante. Por exemplo, alguns são residentes permanentes e outros
apresentam padrões de migração e o conhecimento destes aspectos é importante para
24
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

a protecção destes animais em relação a impactos de actividades de prospecção


sísmica. Uma tabela (Tabela A3) contendo esta informação encontra-se patente no
anexo 1.

Fonte: http://www.cms.int
Figura 14: Golfinho Corcunda do Índico (Sousa chinensis)

Tartarugas marinhas

Nas águas costeiras Moçambicanas ocorrem cinco espécies de tartarugas marinhas,


nomeadamente a tartaruga verde (Chelonia mydas), a tartaruga coriácea (Dermochelys
coriacea), a tartaruga cabeçuda (Caretta caretta), a tartaruga olivacea (Lepidochelys
olivacea) e a tartaruga imbricata ou bico de falcão (Eretmochelys imbricata) – ver
Figura 15.

Apenas a tartaruga verde, a tartaruga olivácea e a tartaruga bico de falcão nidificam na


costa de Cabo Delgado. Existem dados que reportam uma grande dispersão de
tartarugas marinhas no Arquipélago das Quirimbas, havendo maior abundância na área
do Parque Nacional das Quirimbas, e grandes agregações de tartarugas fora do parque
são registadas ao redor das Ilhas de Macaloe e Medjumbe. Em zonas de costas
arenosas com profundidade da água superficial, extensão limitada da praia e forte
utilização humana, particularmente próximo das aldeias, geralmente as tartarugas
marinhas não nidificam.

25
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Tabela A4A4 (anexo 1) apresenta as principais espécies de tartarugas marinhas que


ocorrem no Norte de Moçambique e aspectos sobre os seus habitats, dinâmica das
populações, reprodução, ameaças e estado de conservação.

Fonte:Banco de imagens Tamar


Figura 15: Tartaruga Bico-de-falcão (Eretmochelys imbricata)

Peixes

Na região marítima do Norte de Moçambique predominam espécies de peixes


demersais, seguindo-se os pelágicos e os tubarões e raias.

As garoupas e os pargos são os demersais predominantes na costa Norte. Pequenos


pelágicos, de ocorrência em águas litorais, são compostos por espécies como xaréus,
carapaus e peixes manteiga. No grupo dos grandes pelágicos, que ocorrem em águas
oceânicas, predominam diferentes espécies de atuns.

Dada a grande distribuição de recifes de coral, a região é rica em peixes de recife,


havendo registos de cerca de 375 espécies de peixes de recife nos recifes das ilhas do
Arquipélago das Quirimbas.

Análises da composição de peixes de tapetes de ervas marinhas nas Quirimbas


indicaram a existência de 195 espécies de peixes associados a estes habitats.

Invertebrados de áreas entre-marés

Nas zonas entre-marés no litoral continental de Cabo Delgado, existe uma rica fauna
bêntica de áreas entre-marés que inclui organismos do grupo dos cnidários, dos
anelídeos, crustáceos, moluscos e equinodermes. Estes encontram-se distribuídos, de
acordo com as suas adaptações, a diversos habitats podendo encontrar-se alguns em
zonas arenosas, outros em zonas rochosas ou em tapetes de ervas marinhas.

26
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Não existem descrições da fauna bêntica de áreas entre-marés do Distrito de Chiúre.


Contudo, pelo conhecimento da região vizinha de Mecúfi, acredita-se que se
encontrarão em Chiúre diferentes espécies de gastrópodes (como o murex ramoso, a
aranha-de-sete-dedos, a cipreia tigre, a concha dos camafeus, o cone textil e as
cornetas) bivalves (como as arcas, mexilhão de areia, ostra de areia e a ostra de
mangal), crustáceos (caranguejo pelágico, caranguejo cofre, lagostas espinhosas) e
equinodermes (ouriços do mar e holotúrias – ver Figura 16) (Tabela A5, anexo 1).

Figura 16: Exemplar de Holotúria

De notar que a excessiva exploração de holotúrias conduziu, em várias regiões de


Moçambique, a um grande declínio deste recurso. A região de Cabo Delgado é ainda
uma das regiões onde se pensa, embora não existam avaliações recentes, que este
recurso se encontre em relativa abundância havendo manifestações de interesse na
sua exploração.

Aves costeiras e marinhas

Não existindo estudos específicos sobre as aves costeiras e marinhas de Chiúre,


pensa-se que ocorram as mesmas espécies que são comuns a todo o Norte de
Moçambique e que fazem uso das águas da plataforma continental e dos habitats
costeiros adjacentes à costa. A Tabela A6 (anexo 1) refere essas aves que ocorrem
nas praias e nas áreas costeiras do norte de Moçambique.

Duas espécies, o Albatroz viageiro (Figura 17) e o Alcatraz do Cabo, de ocorrência em


mar aberto, estão classificadas pela IUCN como Vulneráveis. Duas outras espécies,
Petrel Jouanin, de ocorrência em mar aberto, e o Bico de tesoura africano, de
ocorrência costeira, estão classificadas como Quase Ameaçadas.

27
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Fonte: http://doimeacabeca.blogs.sapo.pt

Figura 17: Albatroz-viageiro ou Albatroz-gigante (Diomedea exulans)

2.8 Áreas de conservação

Não existem áreas de conservação no Distrito de Chiúre. As duas áreas protegidas


mais próximas são a Reserva Florestal do Baixo Pinda a Sul de Memba, e o Parque
Nacional das Quirimbas situado a Norte (Figura 18).

A Reserva Florestal do Baixo Pinda situa-se na Peninsula do Baixo Pinda, em Nampula,


tem uma área de 19.600 ha e é em grande parte circundada por mar. A maior parte
desta reserva foi convertida em terra agrícola e não há certeza se existirá ainda uma
área suficientemente grande em que possa ser restabelecida a floresta seca costeira
original.

A norte de Chiúre encontra-se o Distrito de Mecúfi. A região de Mecúfi é classificada


como uma área de importância sub-regional pelas suas importantes comunidades de
ervas e macroalgas marinhas, apresentando leitos extensivos inter- e subtidais em
substrato de arenito raro na região.

28
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 18: Áreas de Conservação nas proximidades do Distrito de Chiúre

29
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

3 AMBIENTE SOCIOECONÓMICO

3.1 Organização Administrativa

O Distrito de Chiúre encontra-se dividido em seis postos administrativos (ver Figura 19),
que por sua vez se subdividem em quatorze localidades, conforme indicado na Tabela
5. A sede do distrito localiza-se na sede do Posto Administrativo com o mesmo nome e
situa-se na Localidade de Chiúre – Sede.

De salientar que, segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010a), este distrito


apresenta ainda 113 aldeias e bairros e 82 povoados.

Tabela 5: Divisão Administrativa do Distrito de Chiúre


Posto Administrativo Localidades

Chiúre – Sede
Chiúre – Sede Jonga
Milamba

Chiúre – Velho Micolene


Mugipala
Katapua Meculane
Mazeze – Sede
Mazeze Morocue
Juravo

Namogelia Namogelia – Sede


Bilibiza
Ocua – Sede
Ocua Samora Machel
Marere
Fonte: Governo do Distrito de Chiúre, 2010a

3.2 Aspectos Demográficos

3.2.1 Tamanho e distribuição da população

Ocupando uma superfície de 5.439 km² na qual se distribuem 217.487 habitantes


(Censo de 2007), o Distrito de Chiúre apresenta uma densidade populacional de 40
habitantes por km² (ver Tabela 6), o que está acima, das densidades da Província de
Cabo Delgado (20,4 hab/km2) e do País (25,3 hab/km2). Em contrapartida, esta
densidade encontra-se abaixo da densidade média dos distritos costeiros de
Moçambique4 (46,4%). De salientar que este distrito alberga 4,2% da população dos

4
No presente documento, todas as referencias a distritos costeiros de Moçambique não incluem as
grandes cidades e municípios localizados ao longo da costa, como é o caso das Cidades de Maputo, Xai-
Xai, Inhambane, Beira, Quelimane, Nacala-Porto, Pemba e o Município da Ilha de Moçambique.
30
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

distritos costeiros do País, sendo que esta é na sua maioria (85%) considerada como
rural5.

Tabela 6: População do Distrito de Chiúre por Posto Administrativo


Densidade
População % da Superfície
Distrito/Posto Administrativo 2 populacional
Total População (km )
(hab/km2)

Chiúre – sede 75.725 34,8 628,8 120,4


Chiúre – velho 33.346 15,3 631,7 52,8
Katapua 19.411 8,9 1.694,4 11,5
Mazeze 18.315 8,4 702,9 26,1
Namogelia 24.883 11,4 719,5 34,6
Ocua 45.808 21,1 1.061,5 43,2
Distrito de Chiúre 217.487 100 5.439 40.0
Fonte: INE, Resultados Definitivos do Censo de 2007 (www.ine.gov.mz)

A população encontra-se distribuída de forma desigual no distrito, sendo que a maioria


(34,8%) reside no Posto Administrativo de Chiúre-sede (ver Tabela 6 e Figura 19), mais
precisamente na Vila Sede que, segundo as autoridades distritais, é a divisão
administrativa com maior densidade populacional devido às suas características
urbanas e à concentração de maior parte de instituições públicas e privadas.

Dados do Governo do Distrito de Chiúre (2010a) mostram que esta disparidade em


termos de distribuição da população entre os postos administrativos pode estar
condicionada pela distribuição dos recursos naturais e implementação de infra-
estruturas e equipamento sociais.

3.2.2 Estrutura Etária e por Género

Tal como no resto do País, a população do Distrito de Chiúre possui uma ligeira
predominância de população feminina (52,1%) e é essencialmente jovem. Com efeito
mais de 78,7 % da população deste distrito situa-se nas faixas etárias abaixo dos 36
anos.

3.2.3 Padrões de Crescimento Populacional

Entre 1997 e 2007, o Distrito de Chiúre apresentou uma taxa de crescimento anual de
1,7%, indicando um ritmo equivalente ao da Província de Cabo Delgado (1,9%) e ao do
País (2,1%).

As projecções elaboradas para 2011 indicam uma taxa de crescimento anual para o
distrito, nos últimos 4 anos, de 2%. Isto corresponde a um aumento no ritmo de
crescimento da população de Chiúre, o que acompanha a tendência observada para a
província (2,25%) e para o País (3%). Ao mesmo tempo, calcula-se uma taxa de
crescimento semelhante à média estimada de crescimento demográfico para os distritos
costeiros de Moçambique nesse período (2,6%).
5
De acordo a definição do INE, a população rural é aquela que reside fora das 23 cidades e 68 vilas de
Moçambique.
31
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

De salientar que este contínuo crescimento demográfico anual no distrito poderá


representar uma pressão sobre as zonas mais produtivas e, consequentemente, a
ocupação progressiva das zonas baixas e margens dos rios, o que propiciará um
“congestionamento populacional” nas sedes dos postos administrativos e aumento do
número de assentamentos populacionais ao longo das vias de acesso derivado da
maior procura de serviços sociais (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).

Tabela 7: Crescimento da População do Distrito de Chiúre.


Taxa de
Ano/Censo Homens Mulheres Total Crescimento
(%)

1997* 88,593 97,025 185,618


1,7
2007** 104,146 113,341 217,487

2011*** 112,577 122,229 234,806 2

Fontes: * INE, 1999


** INE, Resultados Definitivos do Censo de 2007 (www.ine.gov.mz)
*** INE, Projecções da População de Cabo Delgado (www.ine.gov.mz)

3.2.4 Grupos Etnolinguísticos e Crenças Religiosas

Segundo as autoridades distritais, o grupo etnolinguístico predominante no Distrito de


Chiúre é o Macua. No entanto, existem outras representações etnolinguísticas como os
Makonde. Pressupõem-se que os Macua sejam provenientes do Distrito de Erate na
Província de Nampula e que os Makonde tenham migrado dos Distritos de Montepuez,
Mueda e Muidumbe.

De salientar que, segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010a), a existência de


outras representações etnolinguísticas poderá representar influência na alteração de
padrões, hábitos e costumes.

Segundo esta fonte, as religiões predominantes no distrito são o Cristianismo e o


Islamismo. Importa ainda acrescentar que dados das autoridades distritais mostram que
a religião islâmica é a que possui maior número de fiéis, embora o Cristianismo esteja
representado por diversas congregações como a Igreja Católica (a principal), Igreja
Baptista, Sétimo Dia, Testemunhas de Jeová, entre outras.

3.2.5 Padrões de Migração

Segundo as autoridades distritais, o Distrito de Chiúre constitui a porta de entrada e


saída de pessoas da Província, ou seja, um corredor de pessoas nacionais e de
diversas nacionalidades.

A emigração ilegal é observada neste distrito, principalmente no que refere aos


praticantes de garimpo ilegal maioritariamente provenientes da região dos Grandes

32
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Lagos. As autoridades distritais não dispõem, no entanto, de dados concretos em


relação ao número destes emigrantes ilegais no distrito.

3.3 Serviços e Equipamentos Sociais

3.3.1 Educação

De acordo com o INE (2010), a taxa de analfabetismo do Distrito de Chiúre é de 56,6%,


posicionando o distrito numa situação deficitária relativamente ao País (50,3%) e
favorável quando comparada à da Província de Cabo Delgado (66,6%). De salientar
que esta taxa descreve, ao mesmo tempo, um cenário distrital mais favorável que a
média estimada de analfabetismo para os distritos costeiros de Moçambique (71,2%).

Embora não tenham sido disponibilizados dados ilustrativos desta situação, estima-se
que, à semelhança do País e da Província de Cabo Delgado, a maior parte da
população analfabeta corresponda a mulheres.

A rede escolar do distrito é actualmente constituída por 116 estabelecimentos de


ensino, sendo mais abrangente o nível primário6 (ver Tabela 8). A única escola que
lecciona o nível secundário7 situa-se em Chiúre – Sede. O Distrito conta ainda com uma
Escola de Formação Técnico Profissional e 90 Unidades de Alfabetização e Educação
de Adultos.

De salientar que a situação da rapariga na escola vem progressivamente melhorando,


sendo que estas representam 41,9% no ensino geral, com maior preponderância para o
nível primário, conforme ilustra a tabela que se segue.

6
O ensino primário divide-se em dois níveis: ensino primário do primeiro grau (EP1) lecciona da 1ª à 5ª
classe, e ensino secundário do segundo grau (EP2), que lecciona a 6ª e a 7ª classes.
7
O ensino secundário divide-se em dois níveis: ensino secundário do primeiro ciclo (ES1), que vai da 8ª à
10ª classe, e o ensino secundário do segundo ciclo (ES2), que abrange a 11ª e a 12ª classes.
33
Versão Preliminar
Perfil Ambiental . Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 19: Densidade Populacional no Distrito de Chiúre

34
Versão Preliminar
Perfil Ambiental . Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Tabela 8: Indicadores Gerais de Educação para o Distrito de Chiúre


Indicador EP1+EP2 ES1+ES2

Número de Alunos 46.833 3.501


Número de Escolas 115 1
Número de Professores 602 61
Percentagem de Raparigas Inscritas 43,1 26,2
Relação Aluno/Professor 77,8 57,4
Dados Gerais*
Crianças entre 6 a 13 anos sem estudar 24.682
Taxa de analfabetismo (População 15 anos e
56.6
mais que não sabem ler/escrever

Fonte: Governo do Distrito de Chiúre, 2010a


*INE, 2010

3.3.2 Saúde

Este distrito está provido de dois Centros de Saúde Rural do Tipo I, situado nas sedes
dos Postos Administrativos de Chiúre – Sede e Ocua. Existem ainda no distrito 5
Centros de Saúde Rural do Tipo II (ver Tabela 9), que se situam nas sedes dos Postos
Administrativos de Chiúre – Velho e Mazeze e nas localidades de Nmala, Katapua e
Muege.

Conforme ilustrado na Figura 20 a seguir, 80 % da população reside a mais de 8 km


das unidades sanitárias disponíveis no distrito.

Tabela 9: Indicadores Gerais de Saúde para o Distrito de Chiúre


Indicador CSRI CSRII Total

Número de unidades sanitárias 2 5 7


Rácio n.º de Habitantes/ por tipo de Unidade Sanitária 108.744 43.497 31.070
Dados Gerais
Número de técnicos de saúde no distrito 55
Proporção de habitantes/técnicos de saúde 1.451
Número de camas por distrito 64
Proporção de habitantes/cama 1.247
Fonte: *MISAU, 2011
** MISAU, 2009

A rede sanitária deste distrito ainda é deficitária e insuficiente para as necessidades de


toda população. A assistência sanitária também é deficiente principalmente nas aldeias
localizadas distantes dos centros, onde a precariedade das vias de acesso e a falta de
meios de transporte dificultam o acesso aos cuidados de saúde. No entanto, a partir da
transformação do centro de saúde da sede distrital, está em curso a construção de um
hospital distrital (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).

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Versão Preliminar
Perfil Ambiental . Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Perfil Epidemiológico

As principais doenças que assolam o distrito são a malária, diarreias, disenteria,


tuberculose, HIV/SIDA, infecções de transmissão sexual (ITS’s), infecções respiratórias
agudas, entre outras (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).

A malária e as doenças diarreicas são as doenças que apresentam maior número de


casos notificados nas unidades sanitárias, embora não existam dados ilustrativos desta
situação. Estas doenças estão fundamentalmente ligadas à situação de pobreza,
deficiente higiene, escassez de água potável, deficiente alimentação, saneamento do
meio e assistência médica (Ibid.).

3.4 Redes de Acessibilidade, Infra-estruturas e Equipamentos Colectivos

3.4.1 Rede de Estradas

A rede de estradas no Distrito de Chiúre é constituída por um total de 324 km de


estradas classificadas e 44,5 km de estradas não classificadas, perfazendo uma rede
total de 368,5 km (ver Tabela 10 e Figura 23).

Tabela 10: Rede de Estradas do Distrito de Chiúre.


Extensão Tipo
Estrada
(km)

N1 59 Pavimentada
R760 151,5 Não Pavimentada
R772 52,9 Pavimentada
R1250 26,2 Não Pavimentada
R1261 34,4 Não Pavimentada
N/C 8 Não pavimentada
N/C 36,5 Não pavimentada
Fonte: ANE, 2011

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Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 20: Distribuição das Unidades Sanitárias no Distrito de Chiúre

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Versão Preliminar
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O Distrito de Chiúre é composto por uma rede de estradas que dá acesso a todos os
Postos Administrativos. As estradas deste distrito, embora transitáveis, apresentam
algumas dificuldades de circulação na época chuvosa, especialmente em locais onde
não existem pontes, como é o caso dos Postos Administrativos de Namogelia e
Katapua (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).

Segundo as autoridades distritais, a manutenção das estradas estão a cargo da ANE


enquanto a das estradas não classificadas encontram-se sob responsabilidade dos
SDPI8.

Fonte: www.retratorural.cabodelgado.gov.mz
Figura 21: Estado de algumas Estradas do Distrito de Chiúre

A rede viária existente favorece a ligação entre a Cidade de Pemba e a sede do distrito,
bem como entre esta última e as sedes de distritos vizinhos (Namuno e Montepuez) e
as sedes dos postos administrativos deste distrito. A estrada N1, que atravessa o
Distrito de Chiúre de Norte a Sul, estabelece a ligação entre as províncias de Nampula
e de Cabo Delgado, tratando-se de um importante corredor de desenvolvimento.

Por se situar ao longo deste corredor de ligação, o Distrito de Chiúre beneficia de


transportes públicos. A sede distrital representa uma paragem obrigatória para todos os
transportadores de passageiros que efectuam o trajecto entre a Província de Nampula e
os distritos da Província de Cabo Delgado (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).

Segundo esta fonte, este cenário é somente observado na Vila sede, uma vez que as
carreiras internas que fazem a ligação entre os postos administrativos são escassas,
sendo que alguns pontos do distrito ressentem a falta de transporte público devido ao
deficiente estado das vias de acesso.

8
Serviços Distritais de Planeamento e Infra-estruturas.
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Versão Preliminar
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3.4.2 Aeroportos, Aeródromos e Heliportos

Segundo as autoridades distritais, o Distrito de Chiúre não possui infra-estruturas


adequadas para o funcionamento de um aeródromo, dispondo apenas de um campo
que serve de pista de aterragem de aviões de pequeno porte e helicópteros situado nas
imediações da sede distrital (ver Figura 22).

As autoridades distritais referem ainda que esta pista para além de encontrar-se em
estado precário, não possui uma torre de controlo. Actualmente encontra-se coberta de
capim, sendo preciso realizar-se campanhas de corte e limpeza quando necessário usar
a pista. O principal usuário desta pista é o Governo, principalmente para visitas de
Estado ao distrito.

3.4.3 Transporte Ferroviário

De acordo com as autoridades distritais, o Distrito de Chiúre não dispõe de transporte


ferroviário. De salientar que não existem planos a médio ou longo prazo para o
estabelecimento de um sistema de transporte ferroviário.

3.4.4 Fontes de abastecimento de água

Segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010a), a rede de abastecimento de água do


distrito é composta por três tipos de fontes, nomeadamente, sistemas de captação,
poços e furos.

A Vila Sede é a única divisão


administrativa que possui um pequeno
sistema de abastecimento de água
(PSAA) que abrange cinco bairros,
nomeadamente, Cimento, Muajaja,
Namiuta, Nahavara e Meriha. Este
sistema possui um tanque elevado com
capacidade de 60 m³ e outro
semienterrado de 100 m³, conectados a
ligações domésticas e comerciais e
fontenários públicos. Estima-se que este
sistema abranja um horizonte de 30 mil
beneficiários (Ibid.).
Fonte: www.retratorural.cabodelgado.gov.mz
Figura 22: PSAA na Vila Sede do Distrito

Segundo esta fonte, o distrito dispõe também de 203 fontes de abastecimento de água,
das quais 111 operacionais, entre furos equipados com bombas manuais e poços.
Conforme ilustra a tabela que se segue, maior parte destas fontes encontram-se nas
Localidades do Posto Administrativo Sede do distrito.

39
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 23: Transportes e Acessibilidades do Distrito de Chiúre

40
Versão Preliminar
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As autoridades distritais estimam que a taxa de cobertura de água potável no distrito


seja de 40%.

Tabela 11: Fontes de água (poços e furos) e cobertura populacional por posto
administrativo
PA Localidade Total de Fontes Fontes Hab./Fonte
Operacionais

Poços Furos Poços Furos

Chiúre Milamba 46 33 24 14 762


Sede
Jonga 20 4 11 2 1.132
Katapua Meculane 20 5 13 4 1.294
Ocua Ocua 9 1 5 0 2.156
Samora Machel 9 7 3 5 2.057
Marera 8 2 5 1 1.857
Chiúre Micolene 14 4 6 2 1.787
Velho
Mugipala 10 1 4 1 3.810
Mazeze Juravo 0 1 0 1 9.570
Morocue 2 0 2 0 3.318
Mazeze Sede 2 1 - - 6.105
Namogelia Bilibiza 6 1 3 1 6.221
Fonte: Governo do Distrito de Chiúre, 2010a

Importa referir que a situação de abastecimento de água é preocupante neste distrito,


uma vez que não obstante a insuficiência de fontes, existem muitas delas
inoperacionais, existindo por isso algumas aldeias e povoados que não possuem fontes
de água, sendo a população obrigada a recorrer a poços a céu aberto e corpos naturais
de água.

3.4.5 Saneamento

Boa parte dos agregados familiares do Distrito de Chiúre (41%) não possui latrinas.
Contudo isto indica uma situação similar à provincial (44,1%). Ao mesmo tempo, este
distrito revela um cenário mais favorável que a média estimada de agregados familiares
sem latrinas nos distritos costeiros de Moçambique (61,6%).

No entanto, o Distrito de Chiúre possui ainda condições precárias de saneamento.


Poucos são os agregados familiares que possuem latrinas melhoradas (4,6%), sendo
que a maior parte dos agregados familiares do distrito (54,3%) recorre a latrinas
tradicionais não melhoradas.

Como mostra a Figura 24, apenas 0,1 % dos agregados familiares têm acesso a meios
de saneamento como a retrete ligada a fossa séptica, sendo que estes residem na sede
do distrito. Esta situação é observada em toda a faixa costeira de Moçambique, uma

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Versão Preliminar
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vez que a média estimada de agregados familiares com acesso a este meio de
saneamento nesta área é de 0,9%.

Retrete ligada
à fossa Latrina
séptica, 0.1% Melhorada ,
4.6%

Sem latrina,
41.0%

Latrina
tradicional não
melhorada,
54.3%

Fonte: adaptado de INE, 2010


Figura 24: Sistemas de Saneamento a Nível Doméstico no Distrito de Chiúre

Importa referir que existe um aterro sanitário na zona de Namiuta para a gestão de
resíduos sólidos. Porém, não existe no distrito um sistema de drenagem de águas
pluviais (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).

3.4.6 Abastecimento de Energia

Segundo as autoridades distritais, desde de 2007 que o Distrito de Chiúre beneficia de


energia eléctrica de Cahora Bassa. Dados do Governo do Distrito de Chiúre (2010a)
mostram que o distrito dispõe de 7 postos de transformação, 5 dos quais com
capacidade de 50 kV e dois de 100 kV.

Ainda segundo esta fonte, em 2010 esta rede abastecia cerca de 560 consumidores,
entre ligações domiciliárias, instituições públicas e privadas, estabelecimentos
comerciais e hoteleiros, assim como iluminação pública nas principais artérias da Vila
Sede. Conforme ilustra a Figura 25, estas ligações encontram-se nas sedes dos Postos
Administrativos de Chiúre e Katapua e em algumas localidades do Posto Administrativo
de Ocua.

De acordo com o Governo do Distrito de Chiúre (2010b), o número de consumidores


desta rede de energia poderá aumentar a partir de 2012, uma vez que o governo
distrital perspectiva a expansão da rede para outros bairros da Vila Sede,
nomeadamente Muanjaja, Nhahara, Meriha e Naumita, assim como para a sede do
Posto Administrativo de Ocua, que representa para as autoridades distritais uma
prioridade de investimento a médio prazo.

42
Versão Preliminar
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Ainda de acordo com as autoridades distritais em alguns locais como as Localidades


dos Postos Administrativos de Chiúre – Velho, Mazeze e Ocua recorrem a um grupo de
geradores como fonte de energia para iluminação pública e doméstica. Para além de
geradores, destacam-se também os painéis solares, que são usados como fonte de
energia por algumas famílias, centros de saúde e escolas.

Importa mesmo assim salientar que, pelo facto de maior parte da população do distrito
ser de baixa renda e não possuir meios de adquirir as fontes de energia acima
mencionada, o combustível lenhoso e derivados de petróleo são as fontes mais usadas
no distrito dada a sua facilidade de obtenção.

3.5 Património Histórico e Cultural

Reza a história que desde os tempos remotos as residências e os celeiros tradicionais


da região do Chiúre eram feitos em forma de cilindro, sendo por isso que o nome do
distrito, proveniente do Emakua (língua materna local), se designa etimologicamente
pela palavra “ESSURI”, que significa “construção cilíndrica” (Governo do Distrito de
Chiúre, 2010a).

Fonte: www.turismocd.gov.mz
Figura 25: Celeiros Tradicionais de Chiúre

Em termos culturais, este distrito é palco de algumas manifestações como Nahiwy,


Napharai, Nquitxa, Nakotho e Xillema que correspondem a danças tradicionais, assim
como de alguns usos e costumes baseados na superstição e práticas de cultos
tradicionais aos antepassados. Existem outras marcas culturais específicas desta região
como o uso de tatuagens faciais e em outras partes do corpo e o uso de brinco no lado
esquerdo do nariz pelas mulheres, denominado de Kipini (Ibid.).

Segundo esta mesma fonte, o Distrito de Chiúre conta com alguns lugares históricos
reconhecidos pela comunidade e que carregam grande valor histórico-cultural como o
Opurokumassi, a Mesquita de Chiúre-Velho e as Ruínas do Régulo Megama.

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Figura 26: Rede de Transporte e Distribuição de Energia Eléctrica no Distrito de Chiúre

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3.6 Uso e ocupação do solo

O Distrito de Chiúre estende-se por uma área de 5.439 km², dos quais apenas 1.115,8 km²
correspondem a ocupação humana. Conforme ilustram a Figura 10 e a Tabela 12, desta área,
1.094,6 km² são ocupados por áreas de cultivo e 21,2 km² por assentamentos populacionais.

Maior parte das parcelas agrícolas é essencialmente do sector familiar. Estas áreas
concentram-se na zona interior do distrito, mais precisamente, em redor das sedes dos Postos
Administrativos de Ocua, Chiúre – Sede e Katapua e nas aldeias em volta da sede do Posto
Administrativo de Namogelia. São áreas com uma concentração significativa de população,
próximas não só da estrada N1, mas de outras artérias que possibilitam a ligação intra e inter-
distrital. Estas também se localizam, em geral, ao longo dos principais cursos de água.

Em termos de assentamentos populacionais (0,4% da área de ocupação humana), importa


referir que, de um modo geral, a sua distribuição em aldeias é regida pela existência de águas
e terras favoráveis sendo que estes procuram concentrar-se nas áreas mais produtivas como
as baixas e margens dos rios, assim como ao longo das vias de acesso. De salientar que a
Vila Sede representa a única unidade administrativa cuja divisão é feita em bairros num
espaço semi-urbano onde a estruturação é efectuada em termos de sistemas de ruas e
delimitação de área por famílias.

Tabela 12: Uso e Ocupação do Solo Distrito de Chiúre


Uso do solo Área Área

(km²) (%)

Áreas de Cultivo 1.094,6 20,2

Assentamentos populacionais 21,2 0,4

Total de Ocupação Humana 1.115,8 20,6

Total do Distrito 5.439 100

Fonte: GeoTerraImage, 2011

3.7 Recursos naturais de importância económica e actividades económicas

O Distrito de Chiúre tem 99.446 habitantes que encontram-se envolvidos no sector económico
do distrito. Tal como no resto do País e da Província, esta população dedica-se
maioritariamente a actividades do sector primário como agricultura, silvicultura e pesca
(94,1%).

De salientar, contudo, que uma parte dessa população (2,1%) se encontra associada
actividades como comércio e finanças. Esta tendência pode ser explicada pelo facto de o
distrito ser atravessado por um corredor de desenvolvimento (Estrada Nacional nº 1), que
estabelece a ligação com os restantes distritos de Cabo Delgado e com a Província de
Nampula facilitando e impulsionando a actividade comercial no distrito.

45
Versão Preliminar
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Tabela 13: População Activa por Sector Económico do Distrito de Chiúre


Actividades Económicas População Dedicada à Actividade

Número Percentagem

Agricultura/Silvicultura/Pesca 93.624 94,1


Extracção Mineira 67 0,1
Indústria Manufactureira 1.259 1,3
Energia 11 0,0
Construção 734 0,7
Transportes e Comunicações 81 0,1
Comércio e Finanças 2.047 2,1
Serviços Administrativos 603 0,6
Outros Serviços 870 0,9
Desconhecido 150 0,2
Total 99.446 100
Fonte: INE, 2010

3.7.1 Agricultura

Tal como no resto do País a agricultura predominante é a de sequeiro, praticada num regime
de corte e queimada. Como ilustra a Tabela 13 acima, esta é uma das actividades que ocupa
a maior parte da população envolvida no sector económico.

Esta actividade é praticada não só pelo sector familiar mas também pelo privado e associativo,
produzindo-se culturas cerealíferas, leguminosas e outras. A cultura alimentar mais produzida
é a mandioca que ocupa também as maiores áreas de cultivo, enquanto no que concerne as
culturas de rendimento, a produção é dominada pelo gergelim, cana-de-açúcar, cajú e
algodão. De entre os Postos Administrativos do distrito, o de Namogelia é o que apresenta
maior potencial agrícola assim como maior índice de produção (Governo do Distrito de Chiúre,
2010a).

As culturas de rendimento são maioritariamente produzidas por empresas privadas,


nomeadamente, a SODAN que se dedica ao cultivo e produção de algodão e gergelim, a
SANAM que se dedica ao fomento de caju para criação de viveiros para venda e a Manuel
Correia virada para o cultivo de gergelim e cajú e ainda de algumas culturas alimentares como
milho, mandioca e feijão (Ibid.).

De um modo geral, o distrito apresenta uma tendência de crescimento médio anual


(comparando as campanhas de 2004/2005 até 2007/2008) na ordem dos 8%, mesmo que para
a campanha de 2008/2009 tenha registado um decréscimo em termos de produção. Ainda
assim, importa salientar que o Distrito de Chiúre tem reunido condições para garantir a
segurança alimentar, uma vez que tem registado comercialização de produtos agrícolas,
indicando a existência de excedentes de produção para tal.

O Distrito de Chiúre possui um mercado de comercialização agrícola vasto e competitivo,


sendo os produtos vendidos a comerciantes maioritariamente provenientes da Província de
Nampula. Este produtos são também comercializados através de estabelecimentos informais e
feiras agrícolas realizadas ocasionalmente por instituições públicas (Ibid.).

Segundo as autoridades distritais, a agricultura comercial neste distrito é bastante promissora


existindo 3 empresas agrícolas a operar na margem do Rio Lúrio, nomeadamente, a
46
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Jacarandá Limitada que cultiva banana para a exportação, a Eco Energia que cultiva cana-de-
açúcar e mapira doce para a produção de açúcar e etanol e a Agropec Lúrio Lda dedicada ao
cultivo de produtos alimentares e criação de gado.

3.7.2 Pecuária

A actividade pecuária no Distrito de Chiúre é praticada pelo sector familiar e privado. O sector
familiar está ligado a criação de animais de pequeno porte, nomeadamente, aves, caprinos,
suínos e ovinos.

O sector familiar domina a actividade pecuária com altos efectivos animais, maioritariamente
produzidos nos Postos Administrativos de Chiúre – Sede, Katapua e Ocua que são os que
apresentam maior potencial para a actividade devido a existência de baixas com riachos
(Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).

De um modo geral, a efectivo animal do sector familiar registou um aumento médio anual de
7 % durante o período de 2006 a 2008. Este aumento viria a ser quebrado em 2009, com um
decréscimo significativo de produção (ver Tabela 14) derivado da insuficiência de pastos, da
ocorrência da mosca tsé-tsé e da falta de insumos, nomeadamente, medicamentos e ração. As
aves constituem a espécie mais criada a nível familiar, distinguindo-se dentre elas as galinhas,
patos, galinhas do mato e pombos. De salientar que em 2009, não se registou no distrito os
efectivos de pombos, podendo ser essa uma das razões para a diminuição do efectivo de aves
em comparação ao ano de 2008.

Tabela 14: Efectivo Animal no Sector Familiar do Distrito de Chiúre.


Espécies Efectivo Animal do Sector Familiar
2006 2007 2008 2009
Bovinos 290 296 207 445
Caprinos 26.000 30.000 35.000 20.000
Suínos 1.200 1.000 1.600 1.000
Ovinos 500 1.300 1.700 745
Coelhos 500 700 900 550
Aves 234.400 264.610 295.401 177.750
Total 262.890 297.906 334.808 200.490
Fonte: Governo do Distrito de Chiúre, 2010a

O sector privado, por sua vez, dedica-se a criação de gado bovino (embora haja registo de
animais de pequeno porte) e apresenta maior efectivo desta espécie em relação ao sector
familiar. Esta superioridade em termos de criação é explicada pelo facto deste sector possuir
infra-estruturas adequadas para a criação em grande escala deste tipo de espécie e
capacidade de assegurar a assistência veterinária.

O distrito conta com 8 produtores divididos igualmente pelos Postos Administrativos de Chiúre
– Sede e Ocua, apresentando um efectivo total de 860 cabeças de gado bovino.

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3.7.3 Pesca

A pesca tem uma expressão pouco significativa neste distrito, dada a reduzida faixa costeira
que o caracteriza (4 km) e a fraca ocupação populacional desta área (Governo do Distrito de
Chiúre, 2010a).

A actividade pesqueira é essencialmente artesanal e praticada pelos agregados familiares para


subsistência com base em técnicas tradicionais, ocorrendo, maioritariamente, ao longo dos
principais rios que atravessam o distrito, nomeadamente Lúrio, Muatage, Megaruma, Luco e
outros (Ibid.).

A Figura 27 mostra os centros de pesca que existem no distrito na faixa costeira e ao longo
dos rios.

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Figura 27: Centros de Pesca no Distrito de Chiúre

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3.7.4 Aquacultura

Não foram disponibilizados dados sobre eventuais iniciativas e/ou projectos de aquacultura em
curso no Distrito de Mossuril.

3.7.5 Turismo

Embora não se enquadre numa Área Prioritária para Investimento Turístico (APIT) nem numa
Zona de Interesse Turístico (ver Figura 30), o Distrito de Chiúre possui alguns atributos
paisagísticos que lhe conferem um potencial para o desenvolvimento do turismo.

Segundo o Governo do Distrito de


Chiúre (2010a), para além de seus
rios, praias, fauna bravia e património
histórico e cultural de suas terras e
populações, o distrito possui alguns
locais de grande atracção turística,
nomeadamente:

• A Praia fluvial de Savanune,


localizada no Posto
Administrativo de Namogelia;

• As Quedas do Lúrio, situadas


na Zona de Maririne, na
Localidade de Mugipala, Posto
Administrativo de Chiúre –
Velho;
Fonte: www.turismocd.gov.mz
Figura 28: Quedas do Lúrio

• O Santuário de Mazeze, localizado no posto administrativo com o mesmo nome;

• A Ilha das Rolas situada entre as fozes dos Rios Lúrio e Megaruma;

• As Quatro Pedras localizadas no Posto Administrativo de Ocua.

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Fonte: Governo do Distrito de Chiúre, 2010a


Figura 29: As Quatro Pedras

Mesmo com todas potencialidades e atractivos acima mencionadas, o Distrito de Chiúre tem
uma rede exígua de estabelecimentos turísticos (ver Tabela 15) devido à insuficiência da rede
comercial e à falta de financiamentos.

Tabela 15: Operadores Turísticos do Distrito de Chiúre


Locais Operadores Turísticos Operações Turísticas Planificadas

Vila Sede Complexo Rufaro – Hotel Apartamento -

Pensão, Restaurante e Bar -

De salientar que, segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010b), foi demarcado neste
distrito uma área total de 233,35 km² considerada como zona de desenvolvimento e
conservação turística dividida por pequenas extensões localizadas a sul do distrito (ao longo
da margem do Rio Lúrio junto a sede do Posto Administrativo de Ocua) e no Posto
Administrativo de Namogelia (uma a leste e outra a oeste). Estas áreas foram delimitadas em
função de seus atributos ecológicos e paisagísticos que propiciam ao distrito condições para
realização de actividades para fins de lazer, recreação e contemplação.

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Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Figura 30: APIT’s e Zonas de Interesse Turístico no Distrito de Chiúre

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3.7.6 Prospecção de hidrocarbonetos

Conforme ilustra a Figura 31, apenas uma pequena parte do Distrito de Chiúre é abrangida
pela Área 3 da Bacia do Rovuma, que engloba também a Cidade de Pemba, o Distrito de
Mecúfi (Província de Cabo Delgado) e o Distrito de Memba (Província de Nampula).

A Área 3 está sob concessão de uma conceituada empresa Malaia, a Petronas, que assinou
um contrato com o Governo de Moçambique de Concessão para Pesquisa e Produção,
conseguindo assim os direitos exclusivos de pesquisa e aproveitamento de quantidades
comerciais de hidrocarbonetos nesta área específica da Bacia do Rovuma.

Em 2010 foram realizadas as pesquisas sísmicas em 2D e 3D em alto-mar e a empresa


pretende levar a cabo, no decurso de 2012, pesquisas adicionais em furos de prospecção,
também em alto-mar, tendo para o efeito elaborado um Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
que se encontra em apreciação por parte da autoridade ambiental moçambicana (MICOA).

Até ao momento não estão planificadas quaisquer actividades de prospecção e pesquisa na


porção terrestre desta área de concessão.

3.7.7 Actividade Mineira

Dados do Governo do Distrito de Chiúre (2012a) referem a ocorrência não quantificada de


jazigos de grafite, calcário marinho, turmalinas, caulino, ferro e berilo localizadas nos Postos
Administrativos de Namogelia e Mazeze.

Conforme mostra a Figura 32, existem várias concessões mineiras que encontram-se
distribuídas pelo distrito, algumas delas estendendo-se aos distritos vizinhos da mesma
província e da Província de Nampula. Segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010a), das
concessões e licenças existentes no distrito, Chiúre conta com uma concessão mineira de
pessoa colectiva, 9 licenças de prospecção e pesquisa (6 de pessoa colectiva e 3 de pessoa
singular).

De referir que no período de 1994 a 2000, foram exploradas comercialmente importantes


reservas de grafite. Estudos realizados mostram que estas reservas elevam-se a um milhão de
toneladas de minério com conteúdo de 10% de grafite e uma capacidade potencial de produzir
10 mil toneladas de grafite ao ano. Actualmente, a extracção e processamento encontram-se
paralisadas por vários motivos, nomeadamente, dificuldades financeiras da concessionária,
baio preço do minério no mercado internacional e deficiente e cara alimentação de energia
eléctrica (Ibid.).

Segundo esta fonte, o distrito possui ainda três empresas a operar na área de prospecção de
vários mineiros, nomeadamente, a África Great Wall Mining Development, África Consultoria e
Projectos Lda. e a Thomas Beck Mann. Os mineiros são o cobre, a prata, o cobalto, o níquel,
os metais básicos, a grafite, o ferro, a platina e o nióbio.

As autoridades distritais referem ainda a existência de duas empresas no distrito que a realizar
alguns estudos, nomeadamente a empresa brasileira Vale Moçambique que está a realizar
estudos de prospecção de metais básicos no Posto Administrativo de Chiúre – Velho e a
empresa alemã Graphite Kropfmuehl AG que está a pesquisar as potencialidades de grafite.
De salientar que nesta fase, nenhuma das empresas encontra-se a explorar.

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3.7.8 Exploração florestal

Não existem dados e inventários florestais recentes para o Distrito de Chiúre. Sabe-se, no
entanto, que o distrito é rico em recursos madeireiros compostos por espécies como Umbila,
Chanfuta, Pau-Ferro, Metonha, Jambirre, Pau-Rosa, entre outras, para produção de madeira.

A exploração florestal por parte das comunidades locais integra a extracção de lenha e a
produção de carvão, para além de frutos silvestres, plantas medicinais e outros recursos, que
são utilizados para consumo. A produção de carvão é também uma das fontes de rendimento
dos agregados familiares, principalmente aqueles que residem ao longo da estrada N1
(www.retratorural.cabodelgado.gov.mz).

Tabela 16: Distribuição das Espécies Florestais no Distrito de Chiúre


Postos Administrativos Espécies Florestais

Chiúre – Velho Chanfuta, Umbila, Metonha, Pau – Preto

Katapua Chanfuta, Umbila, Metonha, Pau – Preto,


Jambire, Pau – Ferro, Metoria

Mazeze Chanfuta, Umbila, Metonha, Pau – Preto,


Pau – Ferro, Pau – Rosa, Panga – Panga

Ocua Chanfuta, Umbila, Metonha, Jambire

Fonte: Governo do Distrito de Chiúre, 2010a

O potencial florestal do distrito está calculado, segundo o Governo do Distrito de Chiúre


(2010a), em cerca de 173.400 hectares de área de floresta produtiva. No entanto, os Postos
Administrativos de Mazeze e Ocua, embora apresentem consideráveis espécies florestais
apresentam alguns problemas. Por um lado, o Posto Administrativo de Mazeze apresenta
problemas de declividade o que dificulta a actividade de corte e, por conseguinte, a exploração
de recursos madeireiros. Por outro lado, no Posto Administrativo de Ocua, que já possuiu
grande potencial, esta actividade apresenta-se me declínio, o que levou, em 2004, a
paralisação da serração e cancelamento da concessão MOZWOOD.

Conforme ilustra a Figura 32, o distrito apresenta uma concessão florestal no Posto
Administrativo de Katapua da operadora MOFIDE com um volume autorizado de 1.100 m³.
Actualmente, para além desta concessão, o distrito apresenta também um conjunto de licenças
florestais, conforme mostra a tabela que se segue.

Tabela 17: Licenças e Concessões Florestais no Distrito de Chiúre


Posto Administrativo Operador Florestal Tipo de Licença Volume
Autorizado

Chiúre – Sede Hermínio Saide Licença simples 160 m³

Katapua MOFIDE Concessão florestal 1.100 m³

Faustino Rafik Licença simples 305 m³

Arlindo Afonso Licença simples 225 m³

Mazeze Zainadine M. Jamal Licença simples 500 m³

Ocua Emos Construções Licença simples 130 m³

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Abdul Latif Licença simples 300 m³

Fonte: Governo do Distrito de Chiúre, 2010a

3.7.9 Caça Furtiva

Segundo as autoridades distritais, o Distrito de Chiúre não possui potencial faunístico de


grande porte, de modo a que a caça ilegal é quase inexistente.

3.7.10 Salinas

De acordo com as autoridades distritais, não existem salinas no Distrito de Chiúre.

3.7.11 Outras Actividades

No Distrito de Chiúre observam-se algumas actividades da pequena indústria que integram o


processamento de produtos agrícolas como é o caso das moageiras de cereais (119 moagens
ao todo das quais apenas 57 operacionais). Existem ainda carpintarias, panificadoras,
latoarias, olarias e artesanato (Governo do Distrito de Chiúre, 2010a).

Segundo esta fonte, a unidade fabril de maior destaque no distrito é a Fábrica de


Processamento de Castanha de Cajú em Korosho. Não existe, no entanto, informação
referente aos níveis anuais de produção desta fábrica e mão-de-obra por ela empregue.

De acordo com as autoridades distritais, está actualmente a ser construída a fábrica de açúcar
orgânico no Posto Administrativo de Ocua, pela Empresa Eco Energia, a mesma que se dedica
ao cultivo de cana-de-açúcar e mapira doce para a produção de açúcar e etanol.

É ainda de referir que o ramo do comércio e finanças, que ocupa cerca de 2,1% da população
envolvida no sector económico do distrito. A rede comercial do distrito é essencialmente
informal e concentra-se na sede do distrito. A proximidade deste distrito à Província de
Nampula, associada à presença de um corredor rodoviário (estrada N1) estimula a actividade
comercial no distrito (www.retratorural.cabodelgado.gov.mz).

Segundo o Governo do Distrito de Chiúre (2010a), a Vila Sede do distrito dispõe de alguns
estabelecimentos comerciais formais, constituindo ao todo 164 estabelecimentos, dos quais
apenas 95 encontram-se operacionais. Existe ainda, nesta unidade administrativa um
mercado, sendo que para além deste, a actividade formal concentra-se em pequenos edifícios
onde vendem-se diversos artigos, desde quinquilharias, vestuário e bens de consumo de
primeira necessidade.

Contudo, o comércio informal apresenta-se no distrito com maior agressividade, principalmente


para a comercialização de produtos agrícolas que é facilitada pelas boas condições de prática
de agricultura e fácil acesso à sede distrital onde estes são comercializados (Ibid.).

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Figura 31: Concessões para Prospecção de Hidrocarbonetos no Distrito de Chiúre


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Figura 32: Outras Concessões/Licenças para Exploração de Recursos Naturais no Distrito de Chiúre

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4 ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Embora as projecções de alterações climáticas geradas pelo Instituto Nacional de Gestão de


Calamidades (INGC) permitam que seja feita uma previsão sobre o risco de calamidades
naturais para Moçambique, ainda não se encontram disponíveis estudos que permitam prever
detalhadamente o que poderá ocorrer na costa Moçambicana, e em, particular no Distrito de
Chiúre. Desta forma, os resultados apresentados de seguida são gerais e referem-se,
maioritariamente, às previsões para a Região Norte do País. Apenas em casos particulares,
onde a informação se encontre disponível, faz-se referência a questões mais específicas para
o distrito.

Neste capítulo apenas se indica a influência das alterações climáticas em factores climatéricos
(temperatura, pluviosidade, evaporação), na hidrologia e no risco de cheias e secas na Região
Norte (e/ou no distrito), não sendo, portanto, uma abordagem exaustiva. Estas alterações
poderão reflectir-se em questões como disponibilidade de água, risco de incêndios, perdas de
colheitas e potenciais alterações no perfil epidemiológico. Estes temas são também abordados
neste capítulo.

Relativamente aos factores climatéricos, nomeadamente temperatura, de acordo com o


estudo do INGC (2009), em geral, em todo o País irá ocorrer um aumento da mesma, com
maiores subidas no interior e no período entre Setembro a Novembro. Inclusive, para o período
entre 2046-2065, estão previstos aumentos das temperaturas máximas entre 2.5°C e 3.0°C
(estimativa média). A variabilidade sazonal na temperatura máxima, por outro lado, diminuirá
durante Setembro-Novembro, na Região Norte. No entanto, a variabilidade nas temperaturas
mínimas aumentará durante os meses entre Março e Maio e entre os meses Junho e Agosto,
para a mesma região (INGC, 2009).

A evaporação seguirá a tendência da temperatura, aumentando em todas as regiões do País.


Esse aumento poderá ser superior ao da pluviosidade, durante a estação seca (Junho a
Novembro), sugerindo que esta estação pode tornar-se mais seca em todo o País (INGC,
2009).

Relativamente à precipitação, a média anual de todo o País mostra uma ligeira subida da
mesma (em cerca de 10-25%) comparada com a média anual dos últimos 40 anos, sendo
encontrados maiores aumentos na pluviosidade em direcção à costa (INGC, 2009). Na região
Norte, em particular, poderá ocorrer uma subida da precipitação anual média em cerca de
15%, nomeadamente entre o período compreendido entre Janeiro e Maio, quando o risco de
cheias é maior (INGC, 2009). Nas regiões costeiras do Norte é provável que ocorra,
igualmente, um aumento da variabilidade sazonal da pluviosidade, em particular entre Junho e
Agosto.

Relativamente à ocorrência de ciclones, quer as tendências recentes nas observações, quer


os resultados de modelação a longo prazo sugerem que as mudanças climáticas poderão
afectar as características dos mesmos no sudoeste do Oceano Índico (INGC, 2009). As
observações mostram que existe uma indicação de aumento quer na frequência quer na
intensidade dos ciclones, contudo, de acordo com o INGC, o número de eventos neste período
é demasiado limitado para servir de base a tendências estatisticamente significativas.

No entanto, o estudo do INGC (2009) prevê que ciclones mais severos representarão a maior
ameaça para a costa até cerca de 2030. Posteriormente, o aumento acelerado do nível médio
das águas do mar irá representar o maior perigo, especialmente quando combinado com as
marés-altas e vagas de tempestade.

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Refira-se que a região Norte será a menos vulnerável ao possível aumento (menor ou igual a
5 m, até 2100) do nível médio das águas do mar visto, comparativamente ao Sul e ao
Centro, a costa Norte ser formada por um terreno com cotas mais elevadas e com um número
inferior de rios. No entanto, neste cenário, poderá ocorrer a inundação permanente da costa e
das zonas baixas contíguas, particularmente das zonas próximas aos grandes estuários e
deltas (INGC, 2009). No Distrito de Chiúre, caso se confirmem as previsões de aumento de
temperatura e subsequente aumento do nível das águas do mar, as cotas do terreno inferiores
a 5 m (zonas mais próximas à linha de costa) poderão ficar submersas, o que corresponde a
apenas cerca de 0,5% da área total do distrito (ver Secção 2.2).

Relativamente ao agravamento da intrusão salina devido às alterações climáticas, em geral,


esta questão não será um problema importante na Região Norte (INGC, 2009), o que poderá
dever-se ao facto de o terreno apresentar geralmente declives acentuadas ao longo dos canais
dos rios. Estes impactos, inclusive, são relativamente moderados se comparados com os
efeitos noutras partes do País. No entanto, a subida do nível médio do mar poderá interferir
com a qualidade das águas dos aquíferos, devido ao aumento da intrusão salina, o que poderá
ser problemático neste distrito visto, como referido anteriormente, actualmente, a maior parte
da população recorrer aos aquíferos como fonte de abastecimento de água.

Em relação aos caudais dos rios, em geral, não parece existir qualquer alteração significativa
nos mesmos na Região Norte, devido às consequências das alterações climáticas (INGC,
2009).

Com relação ao risco de cheias no Norte de Moçambique, embora ocorram um número


ligeiramente superior de bacias, cuja frequência das cheias poderá aumentar, não se verifica a
conjugação necessária que confirme uma tendência consistente de mudança (INGC, 2009).
Actualmente, o Distrito de Chiúre já apresenta um risco moderado a este tipo de evento, que
poderá ser agravado dado que, em geral, o pico de cheias nas pequenas bacias hidrográficas
da costa poderá aumentar com as alterações climáticas. Refira-se que, a título de exemplo,
neste distrito, caso ocorra uma cheia com um período de retorno9 de 10 anos, a população,
que poderá ser afectada por este evento é relativamente elevada (população compreendida
entre 5 000 a 10 000 hab). O número de escolas e de hospitais potencialmente afectados é
também significativo, e encontra-se compreendido entre 1 e 10 e 1 e 5, respectivamente.

Por sua vez, na Região Norte, o risco de seca não será, em princípio, agravado com as
alterações climáticas. Refira-se, no entanto, que actualmente o distrito já apresenta risco
moderado a este tipo de evento (MICOA, 2007).

As perdas de colheitas na Região Norte não serão, igualmente, agravadas, embora entre
Outubro e Dezembro possam ocorrer reduções moderadas na frequência de perdas de
colheitas nas áreas costeiras (INGC, 2009). Refira-se que para a Província de Cabo Delgado,
para uma seca com um período de retorno de 10 anos, estima-se que ocorra uma perda na
produção relativa de milho inferior a 5% e de mapira inferior a 2,5% (relativamente ao período
de 2006/2007) - RMSI (2010).

Igualmente, pelo facto de não ser provável que o Norte do País sofra uma grande redução em
termos de caudal dos rios, a disponibilidade de água para produção de culturas irrigadas é
mais elevada, quando comparada com as restantes regiões.

O caudal dos rios na Região Norte poderá ainda suprir as necessidades de água da população
até 2050. Contudo, a partir desta data, com o crescimento populacional previsto, as

9
Intervalo de tempo estimado de ocorrência da cheia (ou seja, é provável que de 10 em 10 anos ocorra uma cheia
com aquelas características)
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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

necessidades poderão não ser satisfeitas (prevê-se uma redução de cerca de 60% do caudal
dos troços fluviais) - INGC (2009).

O processo contínuo de mudança climática tem ainda o potencial de alterar a frequência,


intensidade, severidade e sazonalidade das queimadas descontroladas em Moçambique. A
relação exacta entre as mudanças climáticas e o risco de incêndio em Moçambique é, no
entanto, difícil de estabelecer devido à falta de dados históricos e ao papel das intervenções
humanas, tais como o modo de vida e a mudança da cobertura da terra (INGC, 2009).
Actualmente, de acordo com as condições climatológicas actuais; humidade e material
combustível; características topográficas, cobertura vegetal e densidade demográfica, 4% da
área da Região Norte apresenta risco extremo e 13% risco elevado Na zona costeira, em
particular no Distrito de Chiúre o risco de incêndio é, em geral, elevado (tendo em conta
apenas a precipitação e a evapotranspiração), de acordo com Fernandes (2009) (in INGC,
2009).

No que respeita às potenciais alterações no perfil epidemiológico em Moçambique, o facto


de não existirem séries longas de dados contínuos, torna difícil a aplicação de modelos que
permitam quantificar o potencial impacto das mudanças climáticas no risco de doenças no
País. Contudo, um enfoque nos eventos extremos climáticos revela picos na incidência de
doenças associadas aos eventos extremos. Temperaturas mais elevadas poderão estender a
amplitude e prolongar a sazonalidade da transmissão de doenças causadas por vectores, tais
como a malária. A frequência e intensidade dos eventos de clima extremo influenciam também
a incidência de outras doenças ligadas à água e causadas por roedores (Epstein, 2009, in
INGC, 2009). As projecções do IPCC (2007) de um aumento de 5-8% em terras áridas e semi-
áridas em África poderão ainda aumentar a transmissão e favorecer a expansão da faixa de
meningite (Epstein 2009). A Cólera, por sua vez, reaparece periodicamente, especialmente
depois de cheias e em meses em que a temperatura é mais elevada. A seca também pode
estar associada com a cólera e outras doenças transmissíveis pela água, devido ao declínio na
higiene pessoal que lhes está associado bem como à falta de água potável.

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5 IDENTIFICAÇÃO DE PLANOS, PROGRAMAS E PROJECTOS DE ÂMBITO ESPACIAL

Não foi possível obter informações sobre os planos, programas e projectos de âmbito espacial
que estão a ser desenvolvidos ou por implementar no Distrito de Chiúre.

Sabe-se apenas que este distrito possui o Plano Distrital de Uso da Terra que surge como um
instrumento de ordenamento territorial capaz de orientar o processo de planificação e gestão
espacial e dos recursos naturais através do traçado de cenários de desenvolvimento,
nomeadamente, cenário de conservação de recursos naturais, cenário de desenvolvimento
agro-pecuário, cenário de desenvolvimento florestal, cenário de exploração de recursos
minerais, cenário de desenvolvimento do turismo, cenário de desenvolvimento de infra-
estruturas e cenário de desenvolvimento de equipamentos sociais.

Dentro deste plano consta uma proposta de plano do uso do solo que pretende definir com
precisão as acções a serem tomadas em termos de estratégias de uso do solo para propiciar
uma ocupação e aproveitamento dos recursos naturais capazes de promover o
desenvolvimento e satisfazer as necessidades prementes da população.

6 QUESTÕES AMBIENTAIS RELEVANTES – POTENCIALIDADES E DESAFIOS

O Distrito de Chiúre é de todos os distritos da costa Moçambique aquele que possui uma
menor relação entre zona litoral e as zonas interiores. Na realidade, o distrito apenas dispõe 11
quilómetros de extensão de costa para um perímetro de cerca de 5.400 quilómetros. Nenhum
outro distrito em Moçambique possui tão desproporcionada relação “área costeira/zonas
interiores”. Para agravar este potencial desequilíbrio a maior parte dos solos de aluvião (com
aptidão agrícola confirmada) localizam-se nessa porção litoral mais estreita.

A condição demográfica do distrito pode acentuar esta pressão. Na realidade, Chiúre possui
uma densidade populacional média de 40 hab/km2, valor que se situa bem acima da média da
província e bastante acima da média dos distritos costeiros nortenhos.

O peso maior desta densidade não se exerce directamente na zona litoral e o posto
administrativo de Mazeze (que corresponde a esta estreita faixa costeira) tem uma densidade
de 26 hab/km2 que se situa já dentro das médias dos restantes distritos costeiros. Assim, a
densidade demográfica da faixa costeira de Chiúre não se afigura como um foco particular de
pressão sobre os recursos costeiros. Essa pressão é exercida de forma diferida e indirecta.

A topografia do distrito também é muito distinta dos restantes distritos litorais. Enquanto em
todos os restantes distritos de Cabo Delgado uma larga parte do território assenta sobre
planícies de baixa altitude, no caso do Chiúre mais de 80 por cento assenta numa plataforma
com cotas entre 200 e 500 metros acima do nível médio das águas do mar.

Contudo, a pequena cunha litoral do distrito possui altitudes muito baixas e zonas de cotas
inferiores a 5 metros podem estar vulneráveis a variações do nível médio das águas do mar.
Uma importante formação de mangal ocorre na foz do Lúrio (o segundo maior mangal entre
Pemba e Memba) e é imperativo conhecer a sua condição biológica e o seu estado de
conservação.

O Rio Lúrio que faz fronteira com os distritos a Sul representa um dado ambiental fundamental
e a maior parte dos restantes rios integram a bacia hidrográfica do Lúrio.

A ocorrência de solos líticos no Norte do distrito com algum declive pode propiciar riscos de
erosão. As áreas de cultivo localizam-se no interior do distrito em regiões afastadas da
variabilidade das condições litorais.

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A elevada densidade do distrito corresponde a uma distribuição muito desigual da população.


A concentração populacional em redor dos centros urbanizados e junto às estradas representa
um desafio. Trata-se de uma população particularmente jovem e esta potencialidade em
termos etários contrasta com um ensino muito pouco abrangente acima do nível primário. Um
outro desafio é a insuficiência na cobertura das unidades sanitárias. Cerca de 80% da
população tem que percorrer longas distâncias para unidade sanitária mais próxima.
Deficiências nos sistemas de abastecimento de água potável e de energia eléctrica são
constrangimentos a serem vencidos.

Há sinais (a serem confirmados no distritos) de uma dependência excessiva do consumo de


lenha, o que torna visível a condição de desmatamento no distrito e os riscos associados de
erosão.

A compatibilização de diferentes actividades e o respeito pela biodiversidade e pelo equilíbrio


dos processos ecológicos é um desafio que deve ser urgentemente enfrentado como
demonstra a Figura 33. Esta imagem ilustra como se sobrepõem os interesses agrícolas,
turístico, pesqueiros, de prospecção de hidrocarbonetos, protecção ambiental entre outros.

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Figura 33: Mapa de sobreposição de uso da terra e actividades económicas no Distrito de Chiúre

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7 LACUNAS DE INFORMAÇÃO

No presente documento registam-se ainda algumas lacunas de informação. Contudo,


este perfil distrital deve ser considerado como um documento dinâmico e portanto
passível de actualizações, num exercício coordenado de revisão com as autoridades
distritais, que detêm maior conhecimento sobre a realidade a nível local. Espera-se
assim que as lacunas identificadas venham a ser colmatadas por este exercício de
revisão.

De entre a informação ainda em falta destacam-se os seguintes elementos, que o


Consultor julga conveniente figurar neste Perfil Ambiental Distrital:

• Dados referentes aos movimentos migratórios observados no distrito;

• Informações actualizadas referentes ao quadro epidemiológico do distrito;

• Dados referentes à gestão de resíduos sólidos e à situação local em termos de


drenagem de águas pluviais;

• Listagem e localização cartográfica do património histórico e cultural;

• Informação actualizada referente à agricultura e pecuária, que permita efectuar


uma análise sobre o crescimento destas actividades e sobre a situação de
segurança alimentar no distrito;

• Dados sobre a agricultura de carácter comercial, que permitam avaliar a


importância desta actividade para a economia do distrito;

• Informação actualizada referente à produção pesqueira (artesanal, industrial e


semi-industrial) que permita efectuar uma análise sobre a sustentabilidade
destas actividades;

• Informação referente a empreendimentos actuais e programados na área da


aquacultura.

• Informação actualizada sobre as concessões florestais existentes (incluindo


informação cartográfica sobre as mesmas) e detalhes sobre o tipo de exploração
em curso e/ou planificada para estas áreas;

• Dados relativos à produção e consumo de carvão vegetal e impactos destas


actividades em termos de conservação da fauna e flora do distrito;

• Zoneamento da ocupação e uso da terra, avaliação da disponibilidade de solos e


da potencialidade de rega;

• Recolha de dados sobre a degradação de solos incluindo a erosão, desmatação,


queimadas;

• Mapeamento da segurança alimentar e dos recursos disponíveis para a


mitigação dos seus efeitos negativos;

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• Dados actualizados sobre a localização de concessões mineiras e detalhes


sobre os projectos que se pretende implementar nessas áreas;

• Informação mais detalhada sobre o ensino técnico e profissional;

• Informações mais específicas sobre o corte ilegal de madeira (p.e. locais onde é
mais frequente) e sobre os impactos que esta actividade tem estado a criar para
a economia do distrito e sobre os esforços de conservação da natureza;

• Informações, percepções e preocupações das autoridades distritais no que


refere à exploração ilegal de madeira e à caça furtiva no distrito;

• Informação sobre a exploração de salinas (caso estas existam no distrito) que


permita avaliar a importância económica desta actividade e os seus impactos no
tocante à conservação de áreas sensíveis como as florestas de mangal;

• Informação actualizada sobre acções de ordenamento territorial e urbanização,


com particular enfoque para a linha costeira, que permitam avaliar potenciais
impactos sobre os recursos marinhos.

• Informação actualizada e detalhada sobre as indústrias existentes no distrito,


assim como seus níveis de produção, comercialização e exportação.

É também importante referir que não foram obtidas informações sobre os planos,
projectos e programas de âmbito espacial em curso e/ou planificados para o distrito.
Esta informação é essencial para avaliar possíveis sobreposições e/ou
complementaridades em termos de desenvolvimento económico e conservação
ambiental.

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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

8 BIBLIOGRAFIA

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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

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68
Versão Preliminar
ANEXOS
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ANEXO 1: Tabelas de Fauna

Tabela A1: Mamíferos registados na área de Cabo Delgado

Nome científico Nome coloquial Habitat Estado na Lista Observações


Vermelha
Panthera Leo Leão Africano Savana aberta Vulnerável Migratório e
potencialmente
residente
Lycaon pictus Cão do mato ou Mata de savana Em perigo Residente do
Mabeco aberta norte,
grandes
intervalos
residenciais
Loxodonta africana Elefante Africano Mata de savana Vulnerável Residente/
aberta migratório

Phacochoerus Javali-africano Qualquer Menor Comum


africanus preocupação
Cephalophus Cabrito-vermelho Áreas Menor Largamente
natalensis florestais/fechadas preocupação avistado
no distrito.
Galerella sanguinea Manguço- Qualquer Menor Largamente
vermelho preocupação avistado
no distrito.
Paraxerus cepapi Esquilo-da-savana Qualquer Menor Largamente
preocupação avistado
no distrito.
Papio ursinus Macaco-cão- Mata de savana Menor Largamente
cinzento aberta preocupação avistado
no distrito.

Tabela A2: Algumas das espécies de aves terrestres que ocorrem em Cabo Delgado

Nome comum Nome científico


Espécies de ocorrência comum
Garça branca pequena Egretta garzetta
Garça branca intermédia Egretta intermedia
Cegonha de bico aberto Anastomus lamelligerus
Pato assobiador de faces brancas Dendrocygna viduata
Jacana Africana Actophilornis africanus
Sunbird Nectarinia spp
Rola de olhos vermelhos Streptopelia semitorquata
Águia “Bateleur” Theratopius ecaudatus
Perdiz de crista Francolinus sephaena
Calau corado Tockus alboterminatus
Peito de fogo de bico azul Lagonosticta rubricata
Abelharuco dourado Merops pusillus
Águia de Wahlberg Aquila wahlbergi
Galinha do mato Numida meleagris
Garça de dorso verde Butoroides striatus
Perna verde fino Tringa stagnatilis
Pica-peixe malhado Ceryle rudis
Marabu Leptoptilos crumeniferus
Íbis Hagedashia hagedash
Rola de barriga azul Caracias caudata
Abutre do cabo Gyps coprotheres
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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Espécies raras
Falcão de Dickinson Falco dickinsoni
Cucal do Senegal Centropus senegalensis
Papagaio Poicephalus spp
Freirinha maior Spermestes fringilloides
Eremomela de barrete verde Eremomela scotops
Papa figos africano Oriolus auratus
Abetarda de barriga preta Eupodites melanogaster Microparra capensis
Jacana pequena Alcedo semitorquata
Guarda-rios de colar

Tabela A3: Características de alguns dos mamíferos marinhos que ocorrem em Cabo Delgado

Espécie: Megaptera novaeangliae; Nome comum: Baleia jubarte


Residência Sazonal
Período Junho a Novembro
Habitat e dinâmica Ocorre próximo à costa no Canal de Moçambique. No Norte predominam
fêmeas com crias recém-nascidas. Atravessam áreas profundas para atingirem
ilhas como Madagáscar, Comores e Mayotte onde ocorre o acasalamento
Estado e ameaças Populações vulneráveis. Constituem ameaças as redes de emalhar de fundo,
pesca com dinamite, exploração de hidrocarbonetos e derramamentos de óleo
Espécie: Physester macrocephalus; Nome comum: Cachalote
Residência Permanente
Período Todo o ano
Habitat e dinâmica Habitam águas profundas da plataforma e do declive continental.
Os machos fazem movimentos migratórios até latitudes elevadas; as fêmeas
permanecem em áreas próximo de declives e abismos submarinos

Estado e ameaças Populações vulneráveis


Espécie: Globicephala macrorhynchus; Nome comum: Caldeirão negro
Residência Permanente
Período Todo o ano
Habitat e dinâmica Habitam águas profundas ocorrendo em maiores densidades sobre a plataforma
continental externa
Estado e ameaças Não existem dados para avaliar o estado das populações. Ameaças incluem:
capturas acidentais em certas pescarias e pesca dirigida ao caldeirão em certas
partes do mundo, altos níveis de sons como os dos sonares militares e das
pesquisas sísmicas
Espécie: Sousa plumbea; Nome comum: Golfinho corcunda do Índico
Residência Permanente
Período Todo o ano
Habitat e dinâmica Habita águas costeiras associadas aos mangais e recifes rochosos ou de corais,
a profundidades que raramente excedem os 20m. Não tem carácter migratório.
Grupos constituídos por 1 a 10 indivíduos
Estado e ameaças Espécie ameaçada devido à ocorrência em locais de intensa actividade
humana, à degradação do habitat e à pressão de pesca crescente sendo
capturados como fauna acompanhante
Espécie: Stenella longirostris; Nome comum: Golfinho fiandeiro/rotador
Residência Permanente
Período Todo o ano
Habitat e dinâmica Habita águas costeiras a profundidades maiores do que 50m. Não se conhece o
seu carácter migratório
Estado e ameaças Espécie amplamente abundante que não causa preocupação à conservação.
Contudo, é ameaçado pela pesca de cerco do atum, emalhe e arrasto onde é
capturado como fauna acompanhante, e por distúrbios causados pela actividade
de observação de golfinhos a partir de barcos ou através do mergulho

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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Espécie: Grampus griseus; Nome comum: Golfinho de Risso


Residência Permanente
Período Todo o ano
Habitat e dinâmica Habita sazonalmente nichos muito estreitos, com temperaturas variando entre
os 10° e 28°C, nos declives continentais acentuados , onde a profundidade
atinge os 400 a 1000 m. Não tem padrões definidos de migração mas sabe-se
que é uma espécie circunglobal que migra entre áreas quentes e invernosas
Estado e ameaças Estado pouco preocupante. Ameaças incluem os altos níveis de sons
antropogénicos (sonares militares e pesquisas sísmicas), captura em certas
pescarias e competição com as pescarias dirigidas a cefalópodes
Espécie: Tursiops truncatus; Nome comum: Golfinho narigudo
Residência Permanente
Período Todo o ano
Habitat e dinâmica Forma oceânica que ocorre para além dos 50 m de profundidade na plataforma
continental, mas tende a ser primariamente costeiro frequentando estuários,
baías e lagunas. São residentes ao redor de ilhas e em muitas áreas costeiras
mantêm limites de habitat multi-geracionais e de longo termo
Estado e ameaças Estado pouco preocupante, a espécie é largamente distribuída e abundante.
Constituem ameaças: capturas acidentais em redes de emalhe, redes de cerco,
no arrasto, palangre e pesca à linha e nas pescarias recreativas; degradação
ambiental e sobrepesca que reduz a disponibilidade de presas, distúrbios
directos e indirectos (tráfico de barcos e observação de golfinhos) e diversas
formas de destruição e degradação do seu habitat incluindo ruído de origem
antropogénica
Espécie: Peponocephala electra; Nome comum: Golfinho cabeça de melão
Residência Permanente
Período Todo o ano
Habitat e dinâmica Habita locais onde a plataforma é estreita e junto ao declive continental; também
ao redor de ilhas. Espécie extremamente gregária (grupos podem atingir
centenas de animais). Não tem carácter migratório mas pode preferir correntes
quentes
Estado e ameaças Estado pouco preocupante. Ameaças incluem níveis altos de som de origem
antropogénica (sonares militares e pesquisas sísmicas), competição com
pescarias pelas presas que constituem a sua alimentação (cefalópodes,
pequenos peixes)

72
Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Tabela A4: Aspectos sobre o habitat, dinâmica das populações, reprodução, ameaças e estado
de conservação (de acordo com a lista vermelha da IUCN) das espécies de tartarugas marinhas
que ocorrem no Norte de Moçambique

Espécie: Chelonia mydas; Nome comum: Tartaruga verde


Habitat e dinâmica Altamente migratória efectuando movimentos através de diversos
habitats. Os juvenis permanecem por alguns anos, em desenvolvimento,
em águas oceânicas, após o que recrutam para áreas com ervas
marinhas e algas onde crescem até à maturidade sexual. De seguida,
iniciam a migração para reprodução, para as áreas de desova. Os
adultos residem nas áreas de crescimento (tapetes de ervas marinhas e
macroalgas)
Nidificação e desova A nidificação ocorre de Outubro a Janeiro e a desova termina em Abril
Estado Em perigo
Ameaças Sobrexploração de ovos e de fêmeas adultas nas praias de nidificação,
de juvenis e adultos nas áreas de alimentação, mortalidade acidental
devido a certas pescarias e degradação de habitats marinhos e de
nidificação
Espécie: Lepidochelys olivacea; Nome comum: Tartaruga olivácea
Habitat e dinâmica Usam uma variedade de habitats e locais geograficamente separados.
As fêmeas nidificam e desovam em praias arenosas. Os juvenis
permanecem no ambiente marinho pelágico até atingirem o estado
adulto e quando activos reprodutivamente migram para zonas costeiras
concentrando-se próximo dos locais de nidificação. Os padrões de
migração após a reprodução são complexos e variam anualmente
(nadam centenas ou milhares de quilómetros)
Nidificação e desova Ocorre de Outubro a Maio
Estado Vulnerável
Ameaças Extracção de ovos, captura directa de adultos, capturas acidentais
constituindo a fauna acompanhante em algumas pescarias, degradação,
transformação e destruição de habitats
Espécie: Eretmochelys imbricata; Nome comum: Tartaruga bico de falcão
Habitat e dinâmica Altamente migratórias usando vários habitats e locais separados
geograficamente. Juvenis entram para o ambiente marinho pelágico
onde permanecem até atingirem tamanhos de 20 a 30 cm de
comprimento. A seguir recrutam para habitats onde vão completar o seu
desenvolvimento (recifes de coral, ervas marinhas e algas, mangais,
enseadas). Quando atingem a maturidade sexual iniciam migrações
entre os locais de alimentação e os de reprodução, em intervalos de
diversos anos
Nidificação e desova Ocorre de Outubro a Maio
Estado Em perigo crítico
Ameaças Sobre-exploração de fêmeas adultas e ovos nas praias onde ocorre a
nidificação, degradação dos habitats de nidificação, captura de juvenis e
adultos nas áreas de alimentação, mortalidade acidental relacionada
com algumas pescarias, e degradação dos habitats

Tabela A5: Invertebrados de áreas entre-marés na Província de Cabo Delgado

Nome comum Nome científico Habitat


Gastrópodes
Murex Murex sp. Substratos moles em ervas
Chicoreus ramosus marinhas e recifes pouco
profundos em fundos de
cascalho

Concha tulipa Fasciolaria trapezium Tapetes de ervas marinhas


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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Capacete grande Cassis cornuta Recifes pouco profundos


Concha dos camafeus Cypraecassis rufa Substratos arenosos
Cipreia pintada Cypraea erosa Rochas e pedras
Cipreia reticulada Cypraea histrio Rochas e pedras
Bivalves
Ostra perlífera Pinctada imbricata Ambiente rochoso e coralino
Tridacna gigante Tridacna sp.
Crustáceos
Magajojo gigante Thelenota ananas
Magajojo amarelo Stichopus hermanni
Mamã branca Holothuria fuscogilva Zonas arenosas, rochosas e
de ervas marinhas
Magajojo-da-areia Holothuria scabra Zonas arenosas e de ervas
marinhas
Lagosta escamosa Panulirus homarus Fundos de rocha
Lagosta pintada Panulirus versicolor Recifes de coral
Lagosta cornuda Panulirus penicillatus Fundos de rocha
Lagosta ornamentada Panulirus ornatus Fundos de areia, lodo, rocha e
coral
Caranguejo pelágico Portunus pelagicus Fundos de areia lodosa e na
zona entre-marés
Caranguejo de coqueiro gigante Birgus latro Habitat terrestre em solo
arenoso

Tabela A6: Aves marinhas visitantes e residentes, comuns e frequentes no Norte de Moçambique

Nome comum Nome Distribuição Sazonalidade Presença Estado das


científico local populações
(IUCN)
Albatrozes (Família Diomedeidae)
Albatroz do Thalassarche Oceânica Inverno Visitante ---
Oceano Índico carteri comum
Albatroz de barrete Thalassarche Oceânica Inverno / Visitante ---
branco cauta Verão comum no
Inverno
Painhos e Pardelas,(Família Procellariidae)
Freira-de-asas- Pterodroma Oceanica --- Visitante Menor
grandes macroptera Comum preocupação
n/a

Pombo-marinho Daption Oceanica Inverno Visitante Menor


do Cabo capense Comum preocupação
Pardela-cinzenta Calonectris Oceanica --- Visitante Menor
diomedea Comum preocupação
Painho casquilho Oceanites Oceanica --- Visitante Menor
oceanicus Comum preocupação
Alcatrazes (Família Sulidae)
Alcatraz do Morus Oceanica --- Residente Vulnerável
Cabo capensis Comum
Alcatraz Sula dactylatra Oceanica --- Visitante Menor
mascarado Comum preocupação
Rabos-de-palha (Família Phaethontidae)
Rabo-de-palha de Phaethon Oceanica --- Visitante Menor
Cauda branca lepturus Comum preocupação

Fragatas (Família Fregattidae)


Fragata-grande Fregata minor Costeira/ --- Residente Menor
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Versão Preliminar
Perfil Ambiental Distrito de Chiúre, Província de Cabo Delgado

Nome comum Nome Distribuição Sazonalidade Presença Estado das


científico local populações
(IUCN)
Oceanica Comum preocupação
Gaivotas, Gaivinhas e Moleiros (Família Laridae)
Gaivota de cabeça Larus Costeira/ --- Residente Menor
cinzenta cirrocephalus Terrestre Comum preocupação

Gaivina pequena Sterna Costeira/ --- Visitante Menor


albifrons Terrestre Comum preocupação
Gaivina-de-bico- Sterna caspia Costeira/ --- Residente Menor
vermelho Terrestre Comum preocupação
Garajau Sterna Costeira/ Verão Visitante Menor
sandvicensis Oceanica Comum preocupação
Gaivina-de-bico- Sterna Costeira/ Verão Visitante Menor
laranja bengalensis Oceanica Comum preocupação
Gaivina-de-bico- Sterna bergii Costeira --- Residente Menor
amarelo Comum preocupação
Gaivina-comum Sterna hirundo Costeira/ Verão Visitante Menor
Oceânica Comum preocupação
Gaivina-de-asa Chlidonias Costeira/ Verão Visitante Menor
branca leucopterus Terrestre Comum preocupação
Moleiro pomarino Stercorarius Oceânica --- Visitante Menor
pomarinus Comum preocupação
Moleiro-parasita Stercorarius Oceânica --- Visitante Menor
parasiticus Comum preocupação
Moleiro-de cauda- Stercorarius Oceânica --- Visitante Menor
comprida longicaudus Comum preocupação
Bicos de tesoura (Família Rynchopidae)
Bico-de-tesoura Rhynchops Costeira/ --- Residente Quase
africano flavirostris Terrestre Comum ameaçada
Pelicanos (Família Pelecanidae)
Pelicano-branco Pelecanus Costeira/ --- Residente Menor
onocrotalus Terrestre Comum preocupação
Corvos-marinhos (Família Phalacrocoracidae)
Corvo-marinho Phalacrocorax Costeira/ --- Residente Menor
africano africanus Terrestre Comum preocupação
Corvo-marinho de- Phalacrocorax Costeira/ --- Residente Menor
Faces brancas carbo Terrestre Comum preocupação

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Versão Preliminar

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