SÉRIE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL
FUNDAMENTOS
CONTÁBIL-FINANCEIROS
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI
Robson Braga de Andrade
Presidente
DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA - DIRET
Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor de Educação e Tecnologia
Julio Sergio de Maya Pedrosa Moreira
Diretor Adjunto de Educação e Tecnologia
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI
Robson Braga de Andrade
Presidente do Conselho Nacional
SENAI – Departamento Nacional
Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Diretor Geral
Julio Sergio de Maya Pedrosa Moreira
Diretor Adjunto
Gustavo Leal Sales Filho
Diretor de Operações
SÉRIE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL
FUNDAMENTOS
CONTÁBIL-FINANCEIROS
© 2015. SENAI – Departamento Nacional
© 2015. SENAI – Departamento Regional de Santa Catarina
A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico, mecâ-
nico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por
escrito, do SENAI.
Esta publicação foi elaborada pela equipe do Núcleo de Educação a Distância do SENAI de
Santa Catarina, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por
todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.
SENAI Departamento Nacional
Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP
SENAI Departamento Regional de Santa Catarina
Gerência de Educação – GEDUC
FICHA CATALOGRÁFICA
_____________________________________________________________________________
S491f
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.
Fundamentos contábil- financeiros / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento
Regional de Santa Catarina. Brasília : SENAI/DN, 2015.
75 p. : il. (Série Aprendizagem Industrial).
ISBN 978-85-7519-846-9
1. Administração financeira. 2. Contabilidade. 3. Patrimônio. 4. Inventários -
Contabilidade. 5. Eventos – Organização. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de Santa Catarina. II. Título. III. Série.
CDU: 657
_____________________________________________________________________________
SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-
Departamento Nacional 9001 Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
SUMÁRIO
Conheça aqui a abertura da Uni- Leia o fechamento que a
autora preparou para você!
MENSAGEM dade Curricular. Explore esta PALAVRAS Aproveite todos os cami-
oportunidade de aprendizagem
nhos que levam ao conheci-
AO APRENDIZ e veja quantas descobertas serão DA AUTORA mento.
possíveis.
7 71
CAPÍTULO 1
Noções de contabilidade e de
administração financeira
Conheça mais detalhes so-
Leia o texto na íntegra e apren- CONHECENDO bre a autora deste livro, sua
da sobre conceitos, finalidades e formação e experiências
princípios de duas ciências funda- A AUTORA profissionais, entre outros.
mentais ao seu desenvolvimento
9 profissional.
73
CAPÍTULO 2
Procedimentos técnicos relativos
aos bens patrimoniais
Confira agora as referências
Leia este capítulo e conheça um
utilizadas nessa Unidade
pouco mais sobre os processos
contábeis.
REFERÊNCIAS Curricular. Aproveite e am-
plie seus conhecimentos!
39
75
CAPÍTULO 3
Características e finalidades do sis-
tema contábil-financeiro
Por meio dos documentos financei-
ros e do sistema de tesouraria, ao ler
o texto na íntegra, você aprofundará
seus conhecimentos sobre este tema.
51
MENSAGEM
AO APRENDIZ
Olá! Seja bem-vindo(a) à Unidade Curricular Fundamentos Contábil-Financeiros.
Ao longo de três capítulos você terá a oportunidade de estudar sobre os princípios, nor-
mas, legislação e características da área contábil-financeira, bem como reconhecer a fina-
lidade dos documentos financeiros e as particularidades do sistema de tesouraria.
Espero que os novos conhecimentos contribuam para a construção de um futuro sólido
e próspero!
“A sabedoria é a meta da alma humana, mas a pessoa, à medida que em seus conheci-
mentos avança, vê o horizonte do desconhecido cada vez mais longe”. (HERÁCLITO).
Siga em frente e bons estudos!
PRISCILA CARNEIRO GALLASSE CESCONETTO
CAPÍTULO 1
NOÇÕES DE CONTABILIDADE
E DE ADMINISTRAÇÃO
FINANCEIRA
9
CONTABILIDADE • ADMINISTRAÇÃO
FINANCEIRA • DEMONSTRAÇÕES
CONTÁBEIS
1.1. CONCEITO E FINALIDADE DA CONTABILIDADE
“A contabilidade é o grande instrumento que auxilia a administração a
tomar decisões”. (MARION, 1997, p. 27).
Decisões fazem parte do nosso dia a dia e são elas que definem o rumo de
nossas vidas. Dentro das empresas, as decisões tomadas diariamente são
fundamentais para o sucesso do negócio. Dessa forma, munir-se de infor-
mações e dados que facilitem a tomada de decisão é tão importante para
os indivíduos quanto para as empresas.
A adequada aplicação dos recursos, geralmente escassos, é uma tarefa
bastante difícil. Por isso é preciso ter uma contabilidade para respaldar as
decisões diárias e que reflita a realidade da empresa. A contabilidade não
deve existir apenas para atender as exigências fiscais.
Quanto mais importante é a decisão a ser tomada, maior
deve ser o cuidado e a quantidade de informações.
A principal função da contabilidade se concentra na geração de informa-
ções confiáveis, precisas e oportunas para as empresas. Essas informações
permitem que os usuários avaliem a situação atual da empresa sem com-
paração com os objetivos traçados, os resultados de diversos períodos e a
projeção de tendências para o futuro.
José Antônio de Matos Castiglioni (2010, p. 55), sobre a função da con-
tabilidade, afirma que esta “[...] refere-se à orientação da administração
da empresa no exercício de suas funções. A contabilidade é o controle e o
planejamento de qualquer entidade socioeconômica”.
?
PERGUNTA
Você conhece quais as principais funções da contabilidade?
A contabilidade é considerada uma ciência social e sua função é analisar
informações quantitativas, de caráter financeiro, para auxiliar os usuários
na tomada de decisões. O objetivo da contabilidade é registrar, classificar,
condensar e interpretar resultados que possam modificar o patrimônio da ATIVO
empresa. Bens atuais e os que
O patrimônio compreende, segundo Marion (2012), os valores que a em- tem a receber de ter-
presa possui, mais conhecido como ativo; e os valores que se tem de dar ou ceiros.
restituir, também conhecidos como passivo.
PASSIVO
Ainda de acordo com Marion, uma empresa que não mantenha boa con-
tabilidade pode ser comparada a um barco a deriva em alto mar, largado As obrigações em es-
pécie ou moeda.
aos ventos.
O Patrimônio é, portanto, o objeto da contabilidade, pois representa o
conjunto de bens que pertencem às empresas ou às pessoas.
A seguir você irá conhecer a representação gráfica simplificada do patri-
mônio.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
11
Lado esquerdo Lado direito
(ativo) (passivo)
Bens Obrigações
Dinheiro (caixa) Fornecedores
Estoques Contas a Pagar
Veículos Empréstimos
Diego Fernandes (2015)
Impostos a Pagar
Direitos
Duplicatas a Receber
Aplicação Financeira
Figura 1 - Representação gráfica simplificada do patrimônio
Fonte: Adaptado de Marion (2012)
Na representação gráfica simplificada do patrimônio, tem-se o seguinte:
O lado esquerdo (ativo) é composto por contas devedoras, pelas despe-
sas e representa a aplicação dos recursos.
Já o lado direito (passivo) é composto por contas credoras, pelas receitas
e representa a origem dos recursos, divididos em recursos de terceiros e
recursos próprios.
Jacob Wackerhausen ([20--?])
Para Luiz Krause (2004), o objetivo científico da contabilidade está em
medir corretamente o patrimônio, bem como analisar as causas do porquê
esse patrimônio se modifica. Portanto, o objetivo primeiro da contabilida-
de é controlar e analisar o patrimônio.
Que tal conhecer as funções e os objetivos específicos do sistema contábil?
Acompanhe o quadro a seguir e entenda as funções e os objetivos espe-
cíficos do sistema contábil.
12 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
Registrar todos os fatos que podem ser representados em
valor monetário.
Proporcionar um sistema de controle adequado.
Atribuições do sistema contábil
Desenvolver periodicamente demonstrativos que reflitam os
resultados (situação econômica, financeira e patrimonial).
Analisar os demonstrativos e orientar a empresa.
Formular as estratégias gerais e os planos a longo prazo.
Decidir sobre a alocação de recursos com ênfase no produto
e preço.
Objetivos do sistema contábil Planejar e controlar os custos das operações e atividades.
Mensurar a performance da empresa (seu desempenho).
Adequar à regulamentação e às exigências legais.
Quadro 1 - Funções e objetivos específicos do sistema contábil
Fonte: Da autora (2015)
Você pode observar que a contabilidade nada mais é do que um sistema
de informação que provê aos seus usuários dados que os ajudam a tomar
decisões. No entanto, essa informação precisa ter determinadas caracte-
rísticas. Acompanhe, na sequência, as qualidades necessárias às informa-
ções contábeis.
■■ Tempestividade: informações editadas em tempo hábil.
■■ Integralidade: informações que compreendem todos os elementos
relevantes e significativos.
■■ Confiabilidade: informações precisas.
■■ Comparabilidade: informações comparáveis.
■■ Compreensibilidade: informações compreensíveis.
Os relatórios têm cer-
Das informações geradas pela contabilidade são efetuados relatórios or- tos padrões que pre-
ganizados de forma sistematizada. Esses relatórios são conhecidos como cisam ser respeitados.
Esses padrões serão
demonstrações contábeis. apresentados ainda
neste capítulo. Fique
atento!
EXEMPLO
Desde a época das “cavernas” temos vestígios do que chamamos de con-
tabilidade. Já naquele período foram encontrados vestígios de contas
matemáticas por meio de pinturas rudimentares. Essas pinturas demons-
travam a contabilização e o controle de acontecimentos relevantes do dia
a dia.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
13
Tendo em vista tudo o que você estudou até aqui, fica claro que a con-
tabilidade é uma área de grande relevância para as empresas que querem
alcançar o sucesso em seus negócios, não é mesmo? Perceba que informa-
ções confiáveis aos usuários, um bom controle da operação e a adequada
demonstração dos resultados, são alguns dos benefícios desse sistema.
FIQUE POR DENTRO
Você sabia que os profissionais de contabilidade possuem um Código de
Ética? O Código de Ética Profissional do Contador, o CEPC. Como em to-
das as profissões, o sigilo e a adequada manipulação das informações são
indispensáveis. O bom profissional da contabilidade segue à risca tudo o
que consta nesse código. Que tal conhecer um pouco mais sobre as regras
da profissão? Acesse o site CEPC disponível em: <http://www.crcsp.org.br/
portal_novo/publicacoes/manuais_pmes/conteudo/07.pdf>. Acesso em:
12 mar. 2015.
Agora que você já reconhece essas características da contabilidade, é
hora de aprender sobre os usuários envolvidos nesse sistema.
1.2. USUÁRIOS DA CONTABILIDADE
Os usuários da contabilidade, mencionados nos últimos parágrafos, são
as pessoas que se utilizam da contabilidade e buscam nos instrumentos
contábeis as orientações para as suas decisões. Esses usuários são dividi-
dos entre internos e externos.
Confira as características de cada um desses usuários no quadro a seguir.
TIPOS DE USUÁRIO DA CONTABILIDADE
USUÁRIO INTERNO USUÁRIO EXTERNO
Usuários externos: são aqueles organismos,
grupos ou qualquer pessoa que não tenha
Usuários internos: são todas as pesso-
acesso facilitado à informação da empre-
as ou grupos que têm à disposição as
sa. Os usuários externos se preocupam
informações contábeis mais específicas e
com aspectos mais gerais, declarados nas
detalhadas sobre a operação da empre-
demonstrações contábeis.
sa. Por exemplo: a diretoria, os gerentes,
São exemplos destes usuários: governo,
os funcionários.
bancos, concorrentes, clientes e fornece-
dores.
Quadro 2 - Tipos de usuário da contabilidade
Fonte: Da autora (2015)
14 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
Perceba que os usuários da contabilidade vão desde a diretoria, gerente
e funcionários, até o governo e os bancos. É possível compreender por que
as informações contábeis precisam ser amplas, claras e fidedignas, certo?
A necessidade de transparência, qualidade e confiabilidade das informa-
ções disponibilizadas deve ser assegurada pelo sistema de normas funda-
mentado nos princípios da contabilidade.
Você irá conhecer, na sequência de seus estudos, os princípios funda- jwohlfeil ([20--?])
mentais que regem a contabilidade.
1.3. PRINCÍPIOS DA CONTABILIDADE
Para uma boa vivência em sociedade é preciso algumas regras, certo? Es-
sas regras permitem que o nosso cotidiano e a nossa vida pública sejam
mais tranquilos. Perceba que praticamente todas as atividades têm regras
fundamentadas para que possam ser realizadas por todos. Com a contabi-
lidade não é diferente. Existe um conjunto de regras que orienta, disciplina
e baliza as atividades dos profissionais dessa área, denominado Princípios
Básicos de Contabilidade. Esses princípios surgiram a partir da necessi-
dade de expressar uma linguagem comum e adequada para se preparar e
interpretar devidamente os relatórios contábeis.
A Resolução n. 750/93, do Conselho Federal de Contabilidade, determina
quais são as normas que conduzem à elaboração da escrituração e das de-
monstrações contábeis no Brasil. Na sequência de seus estudos, você pode
aprender quais são essas normas. Acompanhe!
1.3.1. O PRINCÍPIO DA ENTIDADE CONTÁBIL
Qualquer indivíduo, empresa, grupo de empresas ou entidade que man-
tiver contabilidade é considerado como entidade contábil. O patrimônio
de uma empresa é objeto da contabilidade e afirma a autonomia patrimo-
nial desta entidade. Além disso, o patrimônio da empresa não pode ser
confundido com o de seus sócios ou proprietários. Da mesma forma, os
empresários não podem usar os seus recursos financeiros pessoais para
satisfazer as necessidades da empresa.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
15
TomasSereda ([20--?])
1.3.2. O PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE
Quando alguém constitui uma empresa, normalmente, é por um período
indeterminado, certo? De forma geral, a interrupção das atividades de uma
empresa (entidade contábil) não é prevista. O princípio da continuidade
contribui para a avaliação dos bens da empresa.
Do ponto de vista da contabilidade, as entidades são consideradas como
empreendimentos em andamento, em operação.
EXEMPLO:
A empresa fictícia Forma e Construção, com base no princípio da conti-
nuidade, realiza grandes investimentos, constrói prédios, adquire tecno-
logias, contrai financiamentos, tendo em vista a continuidade das suas
operações e focando em seu futuro.
Na sequência de seus estudos, você estudará sobre o princípio do regis-
tro pelo valor original. Vamos lá?
1.3.3. O PRINCÍPIO DO REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL
De acordo com o princípio do registro pelo valor original todos os bens
que compõe o patrimônio de uma empresa devem ser registrados pelo seu
valor original de transação, pelo valor presente da moeda do país, no caso
de uma empresa brasileira, o patrimônio deve, portanto, ser atualizado e
expresso em reais.
A importância deste princípio reside na comparabilidade dos dados e de-
monstrações contábeis, pois através da homogeneização dos registros do
patrimônio (em uma única moeda) garante-se a qualidade da informação
gerada.
Os registros contábeis são efetuados com base no valor de aquisição do
bem ou pelo preço de fabricação.
16 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
Pixsooz ([20--?])
Você imagina por que os valores do patrimônio precisam ser expressos
em moeda nacional, no caso do Brasil, em reais? Isso ocorre porque é pre-
ciso que os registros tenham o mesmo padrão. Dessa forma, as transações
comerciais devem ser em moeda nacional, portanto, moedas estrangeiras
precisam ser trocadas.
Você sabe o que é prudência? Prudência é uma característica ou parti-
cularidade de pessoas que se comportam de maneira a evitar perigos ou
consequências ruins, certo? Será que o princípio da prudência obedece a
esse pressuposto? Dê sequência aos seus estudos e descubra!
1.3.4. O PRINCÍPIO DA PRUDÊNCIA
O princípio da prudência determina que se adote o menor valor para os
componentes do ativo e o maior valor para os componentes do passivo.
Portanto, este princípio objetiva proteger o patrimônio de riscos e incer-
tezas futuras, de maneira a se basear em valores mais confiáveis. Dessa
forma, o contador adota um espírito conservador diante das informações
disponíveis e evita-se a manipulação dos resultados.
EXEMPLO:
Marcos é o contador de João e está em dúvida sobre dois montantes
(igualmente válidos) de uma dívida que a empresa do João possui com a
empresa do Sr. José. Ao fazer o registro dessa dívida, Marcos deve anotar
o montante de maior valor, para minimizar os riscos de lançar um valor
menor do que a dívida real e ter que arcar com esta incerteza no futuro.
O próximo princípio a ser estudado pretende garantir que todas as recei-
tas e despesas sejam lançadas de acordo com o ano em que ocorreram. Ou
seja, este princípio é conhecido como o princípio da competência, confira!
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
17
1.3.5. O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA
O princípio da competência garante que as receitas e as despesas sejam
incluídas na apuração do resultado do período em que ocorreram.
Entenda que independente de o resultado da empresa do período em
questão apresentar-se positivo ou negativo, é indispensável que todas as
receitas e as despesas deste período sejam consideradas.
Resumindo, tudo o que tiver de receita no mês de abril, menos as despe-
sas desse mês, representa o resultado da nossa empresa em abril, mesmo
que seja positivo ou negativo.
Falta conhecer o princípio da oportunidade e o princípio da atualização
monetária. Vamos lá?
1.3.6. O PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE
As mudanças no ativo, no passivo e na expressão contábil do patrimô-
nio líquido devem ser reconhecidas formalmente nos registros contábeis e
logo que ocorrerem, ainda que seus valores sejam razoavelmente estima-
dos e as provas documentais posteriormente anexadas.
AndreyPopov ([20--?])
O contador deve registrar o evento de imediato e de forma correta, in-
dependentemente das causas que o originaram. Isso é necessário para
que não haja equívoco nas informações contábeis. Portanto, o princípio
da oportunidade exige a coleta e o registro dos dados e o relato de todas
as modificações sofridas pelo patrimônio da empresa ou entidade no mo-
mento em que elas ocorrerem.
18 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
EXEMPLO:
João, contador da empresa Forma e Construção, fundamenta-se no prin-
cípio da oportunidade para provisionar mensalmente o valor do décimo
terceiro dos funcionários. Ou seja, mesmo sendo referente a uma despesa
futura, é tratada como um evento mensal e que precisa ser registrado.
Para o princípio da oportunidade é indispensável que as informações so-
bre o patrimônio de uma organização estejam de acordo com a realidade.
Na sequência de seus estudos, aprenda sobre o princípio da atualização
monetária.
1.3.7. O PRINCÍPIO DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA
O princípio da atualização monetária diz respeito a todos os elementos
patrimoniais de uma entidade. Os efeitos da alteração do poder aquisiti-
vo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis. A
atualização da moeda nacional deve ser realizada mediante o emprego de INDEXADORES
indexadores que reflitam essa variação. Por meio da atualização monetária São considerados ín-
a contabilidade permite que os dados sejam comparáveis e inseridos em dices de reajuste, ou
seja, “corrigem” a des-
um mesmo relatório contábil.
valorização da moeda.
Os princípios que você acaba de estudar são enten-
didos como preceitos básicos fundamentais da con-
tabilidade e por isso são imutáveis, independente das
circunstâncias. São regras universalmente aceitas.
Como você mesmo pôde observar ao longo dos seus estudos, a contabi-
lidade apresenta-se como uma ferramenta eficiente e fornece informações
confiáveis e íntegras para ajudar o empresário na gestão e operação do seu
negócio. Com as técnicas contábeis, o empresário pode controlar seu pa-
trimônio e conhecer seu resultado, permitindo a tomada de decisão mais
segura, ou seja, a contabilidade visa à melhoria através dos controles.
Além dos princípios de contabilidade, existem também as convenções
contábeis. Estas se apresentam como extensão dos próprios princípios da
profissão. Acompanhe.
Existem algumas
Quando os relatórios con- informações contá-
O contador deve
tábeis de diversos períodos beis que o custo para
se manter neutro
apresentam os mesmos cri- evidenciá-las é maior
MATERIALIDADE
(impessoal). Sem-
CONSISTÊNCIA
OBJETIVIDADE
térios faz com que o usuário do que o benefício que
pre que possível, os
tenha maior eficiência na elas proporcionarão aos
registros contábeis
comparação entre eles. Por usuários. Geralmente
devem apresentar a
isso, uma vez adotado certo este tratamento mais
documentação que os
critério contábil ele não rígido da materialidade
comprova.
deverá ser mudado. se dá frente aos valores
mais elevados.
Quadro 3 - Convenções contábeis
Fonte: Da autora (2015)
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
19
EXEMPLO:
Os materiais de expediente utilizados pelas empresas (papéis e impres-
sos, por exemplo) correspondem a uma diminuição do ativo da empresa.
Entretanto, de acordo com a convenção da materialidade, essa diminui-
ção ao invés de ser lançada contabilmente à medida que ocorre (devido
à irrelevância dos valores desta operação) somente é apurada e lançada
ao final do período, por diferença de estoques, dado os seus pequenos
valores unitários.
Você aprendeu que as informações contábeis devem ser preferencial-
CREDIBILIDADE mente amplas, claras e fidedignas. Isso é necessário para que essas infor-
mações tenham credibilidade. No próximo item de seus estudos, você irá
É a característica do
que se pode confiar. reconhecer quais são as demonstrações contábeis e de que forma são utili-
zadas. Preparado? Siga em frente!
1.4. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS
“As demonstrações contábeis atendem às necessidades comuns da
maioria dos usuários”. (MARION, 2012, p. 159).
Para apresentar a situação patrimonial de uma empresa, a contabilidade
utiliza diversos demonstrativos. Esses demonstrativos analisam minucio-
samente os acontecimentos declarados pela empresa em um determinado
período e apresentam os resultados encontrados. Além disso, esses de-
monstrativos contábeis possuem diversos formatos e finalidades, a fim de
atender aos interesses de cada um que fará uso das informações.
As demonstrações contábeis têm como principal ob-
jetivo fornecer informações sobre a situação e o de-
sempenho patrimonial e financeiro das empresas.
É importante que você saiba que as demonstrações contábeis de cada
exercício social junto a do período anterior devem ser publicadas.
?
PERGUNTA
Você conhece os elementos que compõem as demonstrações contábeis?
É importante que você tome conhecimento de cada um dos elementos
que compõem as demonstrações contábeis, pois quando você estudar
cada demonstração a fundo ficará mais fácil se souber identificar cada um
deles.
Os elementos que compõem as demonstrações contábeis serão listados
a seguir.
20 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
ELEMENTO CARACTERÍSTICAS
É o conjunto de bens e direitos da empresa. Possui valores econômi-
cos e pode ser convertido em dinheiro. É o recurso controlado pela
Ativo
entidade como resultado de eventos passados. Do ativo, esperam-se
resultados e benefícios econômicos para a empresa.
É uma obrigação presente da empresa. O passivo deriva de eventos
já ocorridos. A liquidação do passivo representa a parte negativa do
Passivo
patrimônio. O passivo representa as fontes de recursos fornecidos por
terceiros e acionistas.
É o valor que resta dos ativos depois de deduzidos todos os seus
Patrimônio líquido
passivos.
São as entradas monetárias que durante o período contábil resultam
Receitas em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de
aporte dos proprietários da empresa.
São as saídas monetárias que durante o período contábil resultam
em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenien-
Despesas
tes de distribuição de resultado ou de capital aos proprietários da
empresa.
Quadro 4 - Elementos das demonstrações contábeis
Fonte: Da autora (2015)
Você pôde observar, por meio do quadro acima, que são diversos os ele-
mentos que compõem as demonstrações contábeis.
A partir da leitura do artigo 176, da Lei n. 6.404, transcrito a seguir, você
conhecerá as demonstrações contábeis. Acompanhe.
Art. 176 - Ao fim de cada exercício social, a Diretoria fará ela-
borar, com base na escrituração mercantil da companhia, as
seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir
com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mu-
tações ocorridas no exercício:
i – balanço patrimonial;
ii – demonstração dos lucros;
iii – demonstração do resultado do exercício;
iv – demonstração das origens a aplicações de recursos. (BRA-
SIL, 1976).
É importante que as empresas elaborem as suas demonstrações contá-
beis para que tenham a real situação de seu patrimônio.
Na sequência de seus estudos, você estudará então as características de
cada uma das demonstrações contábeis, iniciando pelo balanço patrimo-
nial.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
21
1.4.1. BALANÇO PATRIMONIAL
O balanço patrimonial é um relatório contábil estático, apresentado de
forma gráfica. Esta demonstração contábil tem por função apresentar a
forma de aplicação dos recursos da empresa. No balanço patrimonial fi-
cam evidenciados os seguintes elementos:
Diego Fernandes (2015)
Ativo = Passivo
Esta demonstração financeira permite a avaliação da situação financeira
e patrimonial de uma empresa em determinado momento.
De acordo com Hoji (2006), no balanço patrimonial, as
contas representativas do ativo e do passivo devem
ser agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a
análise da situação financeira da empresa.
A maioria das empresas brasileiras encerra o seu Balanço em 31 de de-
zembro, coincidindo com o encerramento do ano civil. Para efeito de apu-
ração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, é imprescindível que as em-
presas apresentem o seu Balanço até o mês de fevereiro.
De acordo com a Lei nº 11.638/07, MP nº 449/08 e Resolução CFC nº
1.121/08, a nova estrutura do Balanço Patrimonial passa a ser a seguinte:
Diego Fernandes (2015)
Ativo Passivo
Ativo circulante Passivo circulante
Ativo não circulante Passivo não circulante
Figura 2 - Nova Estrutura do Balanço Patrimonial
Fonte: Conselho Federal de Contabilidade, [s.d].
Para que você aprenda sobre cada uma dessas contas, dê sequência aos
seus estudos e observe o quadro a seguir.
22 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
CONTA CARACTERÍSTICA EXEMPLOS
É o grupo de maior liquidez
no ativo. São todos os bens e
direitos que se convertem em
Caixa, aplicações financeiras,
dinheiro no curto prazo e os
duplicatas a receber, estoque
valores que são realizáveis até o
Ativo Circulante de matéria prima, adiantamen-
final do exercício social seguinte.
to a funcionários, honorários
As contas que fazem parte deste
técnicos antecipados.
grupo são: disponibilidades, cré-
ditos, estoques, outros créditos e
despesas antecipadas.
São todos os bens de natureza
duradoura destinados ao funcio-
namento da empresa, bem como
os direitos que serão realizados
após o final do exercício seguin-
Aplicações financeiras e depó-
te. Ainda fazem parte os bens
sitos a longo prazo, emprésti-
Ativo não Circulante de uso (máquinas e veículos,
mo compulsório, obras de arte,
por exemplo) e os de renda da
terrenos, softwares, marcas.
empresa (imóveis e aluguéis, por
exemplo). As contas que fazem
parte deste grupo são: realizável
a longo prazo, investimentos,
imobilizado e intangível.
São as obrigações exigíveis a
curto prazo, que devem ser
liquidadas dentro do exercício
social seguinte. As contas que
Contas a pagar, dívidas com
Passivo Circulante compõem esse grupo são:
fornecedores.
empréstimos e financiamentos,
fornecedores, obrigações fiscais,
outras obrigações e provisões
(13º, férias).
Agrupa as contas que represen-
tam as obrigações vencíveis após
o término do próximo exercício.
Compõem esse grupo: emprés-
Empréstimos e financiamen-
Passivo não Circulante timos e financiamentos de insti-
tos, entre outros.
tuições financeiras, debentures a
pagar, obrigações tributárias de
longo prazo e créditos de sócios,
acionistas, diretores e outros.
Quadro 5 - Contas do balanço patrimonial
Fonte: Da autora (2015)
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
23
O resultado da equação patrimonial é ativo menos passivo igual ao pa-
trimônio líquido.
Diego Fernandes (2015)
Ativo - Obrigações = Patrimônio líquido
Os valores que compõem o patrimônio líquido não existem fisicamente.
Isso porque, para que existisse, a empresa teria que vender todos os seus
ativos e pagar todos os seus passivos. O patrimônio líquido representa a
riqueza da empresa, representa o seu capital.
Tabela 1 - Exemplificação da estrutura do balanço patrimonial
ATIVO PASSIVO
Circulante 15.000 Circulante 10.000
Caixa 7.000 Salários 5.000
Aplicações financeiras 3.000 Impostos 2.000
Contas a receber 3.000 Fornecedores 2.000
Estoques 2.000 Empréstimos 1.000
Realizável a longo prazo 10.000 Exigível a longo prazo 10.000
Vendas 6.000 Empréstimos 5.000
Empréstimos 4.000 Pagamentos a fornecedores 5.000
Imobilizado 25.000 Patrimônio líquido 30.000
Fábricas 20.000 Capital próprio 20.000
Escritórios e imóveis 3.000 Lucros acumulados 10.000
Equipamentos 2.000
Total do Ativo 50.000 Total do Passivo 50.000
Fonte: Trader Iniciante (2011)
A tabela acima representa a estrutura de um balanço patrimonial. Note
que todos os conceitos aprendidos nesta seção encontram-se aplicados
nesta tabela. Faça uma pausa e analise calmamente cada uma das contas
aprendidas, assim você poderá fixar as informações e seguir para o próxi-
mo tema. Você irá conhecer outra demonstração contábil. Siga em frente!
1.4.2. DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS (DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO
LÍQUIDO)
O demonstrativo dos lucros é bastante abrangente, pois evidencia os flu-
xos que impactaram os saldos das contas do patrimônio líquido. As contas
que formam o patrimônio líquido de uma empresa podem sofrer variações
por inúmeros motivos. Você conhecerá na sequência aquelas que alteram
e aquelas que não alteram o patrimônio líquido.
24 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
■■ Variações que afetam quantitativamente o patrimônio: acréscimo
pela apuração de resultados positivos, acréscimo por reavaliação
de bens do ativo, acréscimo por doações e subvenções recebidas,
acréscimo por subscrição e integralização de capital, acréscimo ou
redução por ajustes do resultado de exercícios anteriores, redução
pelas perdas verificadas no exercício, redução pelo rateio de sobras, e
redução por pagamento ou creditamento de juros sobre o patrimônio
líquido. Para que você possa entender melhor, observe:
EXEMPLO:
A empresa fictícia Formas e Construções realizou uma compra à vista de
máquinas e equipamentos no valor de R$20.000,00.
Tendo em vista que a empresa possui um capital no valor de R$80.000,00,
acompanhe:
Situação inicial:
ATIVO PASSIVO
Caixa R$80.000,00
Patrimônio Líquido
Capital R$ 80.000,00
Total R$80.000,00 Total R$ 80.000,00
Situação após a compra:
ATIVO PASSIVO
Caixa R$60.000,00
Máquinas e
R$20.000,00 Patrimônio Líquido
Equipamentos
Capital R$ 80.000,00
Total R$80.000,00 Total R$ 80.000,00
■■ Variações que não afetam quantitativamente o patrimônio: au-
mento de capital com utilização de lucros e reservas, apropriação do
lucro líquido do exercício, reduzindo a conta de resultado do exer-
cício; reversão de reservas patrimoniais para a conta de resultados
acumulados, e compreensão de perdas com reservas. Observe que
são ações da própria empresa que não afetam quantitativamente o
patrimônio da empresa.
Na sequência, aprenda sobre as demonstrações do resultado do exercício.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
25
1.4.3. DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)
A demonstração do resultado do exercício apresenta qual o grande in-
dicador de eficiência empresarial, ou seja, mostra o retorno do capital in-
vestido pelos proprietários da empresa e associados. Essa demonstração
contábil apresenta o fluxo de receitas e despesas, que resulta em aumento
ou redução do patrimônio líquido em um determinado período.
A DRE deve ser apresentada de forma dedutiva: inicia-se com a receita
operacional bruta e dela deduzem-se os custos e as despesas para apurar
o lucro líquido. Para que você possa entender melhor sobre esta demons-
tração, vamos conhecer o conceito de alguns elementos que a compõem.
■■ Receita operacional bruta: representa o valor das vendas e dos ser-
viços prestados à vista e a prazo, incluindo os impostos. É constituída
do valor total da receita proveniente da atividade fim da organização.
É muitas vezes chamada de “faturamento”.
■■ Deduções da receita bruta: é utilizada para gerar a chamada receita
líquida. É composta por: vendas canceladas, abatimentos e impostos
sobre vendas e serviços.
■■ Receita líquida: corresponde ao valor obtido pela receita bruta de-
duzida das vendas canceladas, dos abatimentos e impostos.
Acompanhe:
Diego Fernandes (2015)
Receita líquida = Receita bruta - Abatimentos da receita bruta
■■ Custo dos produtos/serviços: é composto pelo custo das mercado-
rias vendidas, pelo custo dos produtos vendidos e pelo custo dos ser-
viços prestados.
O custo das mercadorias será apurado com base no
registro permanente de estoques ou nos estoques
existentes no final do período de apuração.
■■ Resultado bruto: é a diferença entre a receita líquida e os custos.
Acompanhe:
26 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
Diego Fernandes (2015)
Resultado bruto = Receita líquida - Custo das mercadorias vendidas
■■ Despesas operacionais: necessárias para promover, vender e distri-
buir produtos, administrar a empresa e financiar as operações. São
os encargos necessários à atividade da empresa e a sua manutenção.
Não fazem parte do custo. Os principais grupos são: despesas de ven-
das, despesas administrativas e despesas financeiras.
■■ Resultado operacional: é o valor obtido após deduzir as despesas
operacionais do lucro bruto. Ou seja, o resultado operacional é ob-
tido por meio da redução das despesas operacionais do resultado
bruto. Acompanhe.
Diego Fernandes (2015)
Resultado operacional = Resultado bruto - Despesas operacionais
■■ Resultados não operacionais: são aqueles provenientes de transa-
ções não incluídas nas atividades principais ou acessórias da empre-
sa.
■■ Provisão para imposto de renda (IR) e contribuição social: são cal-
culados sobre o lucro real. O lucro real, por sua vez, é calculado com
a adição de despesas e de outros valores (que não podem ser deduzi-
dos do IR) e a dedução de prejuízos de exercícios anteriores.
■■ Participações e contribuições: são calculadas sobre o lucro, após o
imposto de renda. As participações estatutárias são calculadas sobre
o lucro de empregados, administradores e partes beneficiárias, en-
quanto que as contribuições são calculadas para instituições ou fun-
dos de assistência ou previdência dos empregados.
■■ Lucro ou prejuízo líquido: o lucro líquido é o resultado final do exer-
cício social, que fica à disposição dos acionistas ou sócios da empre-
sa, para ser distribuído e/ou para constituir reservas. Se o resultado
final for prejuízo líquido, poderá ser compensado com lucros acumu-
lados de exercícios anteriores ou reservas.
■■ Lucro por ação: é uma informação que se refere ao valor do lucro
líquido dividido pelo número de ações.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
27
Receita bruta de vendas
Receita de Vendas
Deduções da receita bruta
(-) Impostos incidentes sobre vendas
(-) Devoluções de vendas
(-) Abatimentos
Receita líquida de vendas
(-) CMV/ CPV/ CSV
Lucro bruto
(-) Despesas operacionais
Despesas de vendas
Despesas administrativas
Outras receitas
Outras despesas
Resultado do exercício antes do IRPJ/ CSL
(-) Despesas com IRPJ/ CSL
Resultados do exercício das operações em continuidade
Lucro ou prejuízo do exercício de operações não continuadas
Diego Fernandes (2015)
Lucro líquido do exercício
Figura 3 - Exemplo de DRE
Fonte: IOB – Boletim Técnica Contábil e Balanço (2012)
A figura acima representa a estrutura de uma DRE. Note que os concei-
tos aprendidos nesta seção encontram-se aplicados nesta figura. Faça
uma pausa e analise calmamente cada um dos elementos contemplados
na figura, assim você poderá fixar as informações e seguir para a próxima
seção. Nela você irá conhecer outra demonstração contábil. Siga em frente!
1.4.4. DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS
(DOAR)
Esta forma de demonstração contábil identifica os fluxos financeiros que
aumentaram ou diminuíram o capital circulante líquido, a exemplo: os fi-
nanciamentos e os investimentos. A DOAR evidencia a origem dos recursos
e onde eles foram aplicados. O capital circulante é o ativo circulante dimi-
nuído do passivo circulante. Acompanhe.
Diego Fernandes (2015)
Capital circulante = Ativo circulante – Passivo circulante
28 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
As origens que a DOAR evidencia podem ser agrupadas da seguinte for-
ma: resultantes das próprias operações, dos associados e de terceiros. Já
as aplicações são agrupadas em: remuneração de associados, aquisição de
novos bens e direitos e redução do passivo exigível a longo prazo.
A DOAR é importante porque as informações por ela
fornecidas não aparecem em outras demonstrações.
Segundo Krause (2004), são informações possíveis de serem extraídas da
DOAR:
■■ política de inversões permanentes da empresa e as fontes de recur-
sos correspondentes;
■■ recursos gerados pela própria entidade;
■■ forma de aplicação dos recursos obtidos;
■■ como a organização está mantendo, reduzindo ou aumentando seu
capital circulante líquido (recursos);
■■ compatibilidade entre o resultado rateado e a posição financeira da
empresa.
Em conjunto dessas quatro demonstrações contábeis, as companhias
publicam o relatório da administração, notas explicativas, parecer do con-
selho fiscal e parecer dos auditores independentes. (HOJI, 2006).
FIQUE POR DENTRO
Os relatórios contábeis devem ser elaborados na forma das disposições
contidas na Lei n. 6404/76 (Lei das Sociedades por ações) e no Decreto-Lei
n. 1598/77, que a regulamentou e estendeu seus efeitos às demais espé-
cies de sociedades; nas NBC – Normas Brasileiras de Contabilidade e nos
Princípios Fundamentais de Contabilidade – PFC, além da legislação fiscal
e tributária que mantêm correlação com a atividade da organização e a
matéria contábil.
Agora que você já estudou sobre as demonstrações contábeis e suas prin-
cipais características, chegou a hora de iniciar seus estudos sobre os lança-
mentos contábeis. Siga em frente!
1.5. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS
“Lançamentos são os registros dos fenômenos econômicos que afetam
ou podem vir a afetar o patrimônio das entidades”. (KRAUSE, 2004, p. 52).
A gestão do patrimônio das empresas se dá através do registro dos fatos
administrativos, por meio da escrituração. E é melhor que tudo seja regis-
trado, todos os fatos administrativos que ocorrerem na empresa, visto que
você já identificou a necessidade de essas informações terem evidências
para gerar confiabilidade.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
29
Minerva Studio ([20--?])
O lançamento contábil possui alguns elementos essenciais ao seu regis-
tro, como:
■■ o local e a data da ocorrência do fato;
■■ a conta a ser debitada;
■■ a conta a ser creditada;
■■ o histórico;
■■ o valor.
Dos vários livros contábeis que são utilizados pelas empresas para re-
gistrar as informações, destaca-se aqueles que são fundamentais aos lan-
çamentos contábeis. Perceba que alguns deles são obrigatórios e devem
obedecer a algumas formalidades.
■■ Livro diário: é obrigatório pela legislação comercial e está sujeito às
formalidades legais.
■■ Livro razão: registra o movimento de todas as contas. É obrigatório.
■■ Livro caixa: é auxiliar, nele são registrados todos os fatos administra-
tivos que envolvam entrada e saída de dinheiro.
■■ Livro contas correntes: auxiliar do livro razão e serve para controlar
as contas que representam direitos e obrigações para a empresa.
30 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
hemeroskopion ([20--?])
Nesta seção você aprendeu sobre os lançamentos contábeis e sobre a
importância do registro das informações contábeis em livros. Na próxima
seção, você estudará sobre administração financeira.
1.6. CONCEITO E FINALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO
FINANCEIRA
A administração financeira é a parte da organização que cuida das finan-
ças da empresa. Essa área da administração cuida mais especificamente
da saúde financeira das instituições. (CASTIGLIONI, 2010, p. 146).
?
PERGUNTA
Você sabe o que são finanças?
O gerenciamento dos recursos, muitas vezes escassos, é fundamental
para o desenvolvimento das empresas em geral. A principal preocupação
da área de finanças está no controle que é realizado sobre os gastos e in-
vestimentos da empresa.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
31
AGENTES ECONÔMICOS
São todas as empre-
sas, governos e indiví- A administração financeira estuda a movimentação de recursos monetá-
duos de modo geral, rios entre os agentes econômicos.
que realizam opera-
ções econômicas, por As atividades financeiras e contábeis muitas vezes se misturam por esta-
exemplo: consumo e rem intimamente ligadas.
produção de bens e
prestação de serviços.
AndreyPopov ([20--?])
Se não todos, a maioria dos indivíduos e organizações obtêm receitas ou
levantam fundos, gastam ou investem. Ou seja, diariamente nos vemos en-
volvidos com as finanças, tomando decisões financeiras: na escolha pelo
produto mais caro ou mais barato, na matrícula em um curso, no parcela-
mento de alguma dívida, na negociação salarial, na escolha de um fundo
de aposentadoria, entre outras tantas situações.
O enfoque da administração financeira, para o contexto empresarial,
concentra-se no gerenciamento e na utilização dos recursos e na adminis-
tração e controle das finanças da organização.
REFLITA
Você já precisou interagir com o pessoal ou com algum dos procedimen-
tos da área financeira para executar suas tarefas?
A administração financeira engloba um conjunto de atividades relaciona-
das à gestão de todas as áreas da empresa, visto que sua função é bastante
estratégica. Esta área promove diversas projeções para a empresa, que de-
finem como e onde os recursos serão aplicados.
32 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
A gestão financeira poderá ser aplicada em qualquer
tipo de organização (pública ou privada, grande ou
pequena, com ou sem fins lucrativos).
As principais funções da administração financeira, de acordo com Ribeiro
(2006), serão apresentadas a seguir.
FUNÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO
DESCRIÇÃO
FINANCEIRA
Procura detectar as necessidades de expansão ou
desajustes da entidade. Busca as alternativas mais
Planejamento financeiro
rentáveis e que geram maior lucro sobre os investi-
mentos.
Acompanha o desempenho financeiro por meio da
apuração de desvios entre o planejado e o realizado.
Controle financeiro
Propõe medidas corretivas e ajustadas às novas con-
dições do mercado.
Procura a melhor estrutura em termos de risco e
retorno dos investimentos empresariais, através de
um gerenciamento eficiente. Esta tarefa básica se
refere à alocação eficiente dos recursos e envolve a
constante busca da otimização no uso dos recursos
Administração dos ativos
para a obtenção da rentabilidade desejada. Preserva
a capacidade da empresa frente aos compromissos
assumidos. Exemplo: ativos fixos: terrenos, imóveis,
instalações, maquinários / ativos circulantes: disponi-
bilidades, duplicatas a receber, estoques.
Define a estrutura mais adequada para a obtenção de
fundos necessários às operações normais da empresa,
para investimentos em projetos diversos, visando a
Administração dos passivos
uma boa condição de liquidez, não só pelo menor
custo financeiro, como também pela diminuição do
custo financeiro.
Quadro 6 - Função da administração financeira
Fonte: Da autora (2015)
As funções financeiras destacadas acima estão presentes em toda em-
presa, independente da sua atividade operacional.
As decisões financeiras empresariais são inevitáveis e precisam ser toma-
das constantemente. As empresas têm algumas decisões que são caracte-
rísticas e sempre ocorrem, como por exemplo: a decisão de investimentos
(relativa à aplicação de recursos) e a decisão de financiamentos (relativa à
captação de recursos).
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
33
Além das instituições financeiras, existem outras formas de captação de
recursos. Ou seja, a colocação de recursos por pessoas físicas/jurídicas (in-
vestidores) interessados em participar das empresas como sócios ou acio-
nistas, por exemplo.
Toda empresa objetiva aumentar os recursos financeiros que lhe foram
confiados, portanto, é claro que todas as atividades empresarias que en-
volvem recursos financeiros se orientam para a obtenção de lucro.
?
PERGUNTA
Nas organizações em geral, algumas pessoas tratam como objetivo pri-
mordial a maximização do lucro. Mas até onde isso é verdade? Você sabe?
Quando alguém investe em determinada empresa em detrimento de
uma forma de investimento mais segura, como a poupança, por exemplo,
está disposta a assumir um determinado risco em troca do aumento do seu
patrimônio.
Robert Churchill ([20--?])
É possível dizer que o objetivo maior é a maximização da riqueza e não
do lucro. A administração financeira moderna preocupa-se com a manu-
tenção dos negócios.
Na sequência de seus estudos, você estudará capital, juros simples e
compostos. Siga em frente e amplie seus conhecimentos!
34 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
1.7. CAPITAL, JUROS SIMPLES E JUROS COMPOSTOS
Capital é o valor principal de uma operação financeira, sobre o qual inci-
dem elementos como juros e descontos.
Com base nessa citação, capital nada mais é do que o valor principal de
uma operação financeira, sobre o qual incidem outros elementos, como
juros e descontos.
O capital de uma empresa está todo investido no ativo,
com o objetivo de gerar os retornos adequados.
Esse capital é fornecido por terceiros e pelos acionistas ou sócios (parte
esta representada, como você já estudou, pelo patrimônio líquido).
?
PERGUNTA
Quando falamos em juros, qual é a primeira definição que vem a sua mente?
Os juros, geralmente, estão atrelados a um custo adicional por um deter-
minado número de parcelas e um período de vigência. Mas será que juros é
algo positivo ou negativo? Depende do ponto de vista!
O juros é o produto obtido por meio da aplicação de uma determinada
taxa percentual sobre um capital conhecido. Caso você seja um investidor,
os juros significarão remuneração do capital investido ou aplicado, ou seja,
um fator extremamente positivo e que irá aumentar o seu capital. Mas, caso
você seja o tomador dos juros, a representação do mesmo será negativa,
visto que o dinheiro tomado a empréstimo terá um custo adicional.
EXEMPLO:
Quando você compra uma televisão e escolhe pagar a prazo, normalmen-
te a loja, em troca do benefício de parcelar o valor da televisão, insere um
acréscimo no valor total do produto (normalmente representado por um
percentual) correspondente ao número de parcelas.
Os juros são apresentados de duas formas: os juros simples e os juros
compostos. Você conhecerá estas duas representações e como calcular
cada uma delas na sequência. Acompanhe.
Juros simples: também chamados de lineares, são o rendimento do ca-
pital em algum tempo dado a uma taxa fixa aplicada.
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
35
J=Pxixn
Onde:
J: juros
Diego Fernandes (2015)
P: principal (capital)
i: taxa de juros
n: número de períodos
Figura 4 - Juros simples
Fonte: Da autora (2015)
Na sequência, acompanhe um exemplo de operação com juros simples.
EXEMPLO
Você decidiu aplicar na poupança uma quantia de R$1.200,00 a uma taxa
bancária de 2% ao mês. O dinheiro ficou aplicado por 14 meses. Determi-
ne os juros e o montante.
Resolução:
Capital (C) = 1.200
Taxa (i) = 2% = 2/100 = 0,02
Tempo (t): 14
J = 1200*0,02*14 = 336
Montante: 1200 + 336 = 1536
Ou seja, o valor dos juros é R$336,00, enquanto que o montante total,
após o período de 14 meses, é de R$1.536,00.
Juros compostos: também chamados de capitalizados, consistem na
formação de novo capital a cada período a que a taxa se referir até o final
do tempo desejado. Nesse caso o produto final será o montante. Para co-
nhecer os juros basta subtrair deste o capital empregado.
M = P x (1 + i)n
J=M-P
Onde:
J: juros
M: montante
Diego Fernandes (2015)
P: principal (capital)
i: taxa de juros
n: número de períodos
Figura 5 - Juros composto
Fonte: Da autora (2015)
36 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
O regime de juros compostos é o mais comum no sistema financeiro e,
portanto, o mais útil para cálculos de problemas do dia a dia. Os juros gera-
dos a cada período são incorporados ao principal para o cálculo dos juros
do período seguinte.
Talvez você conheça bem um exemplo desse tipo de juros: aqueles bo-
letos das lojas de departamento utilizam o regime dos juros compostos, o
clássico juros sobre juros.
Fique atento, no próximo capítulo, você aprenderá quais os procedimen-
tos técnicos relativos aos bens patrimoniais. Vamos lá?
RESUMINDO
Finalidade, usuários e
princípios de
Contabilidade
Lançamentos contábeis
Noções de Contabilidade Demonstrações
e de Administração Financeira contábeis
Finalidade da
Administração
Financeira
Diego Fernandes (2015)
Capital, juros simples
e juros compostos
NOÇÕES DE CONTABILIDADE E DE ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA
37
ANOTAÇÕES
38 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
CAPÍTULO 2
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS
RELATIVOS AOS BENS
PATRIMONIAIS
BENS • PATRIMÔNIO • CONTROLE
INVENTÁRIO
39
2.1. BENS PATRIMONIAIS
Bens patrimoniais formam a parte positiva do patrimônio. De forma ob-
jetiva, os bens representam tudo aquilo que a empresa possui. Os bens po-
dem ser destinados ao uso, ao consumo, ou até à troca.
EXEMPLO:
São exemplos de bens patrimoniais: veículos, mercadorias para revenda,
computadores, máquinas e equipamentos, móveis e utensílios, prédios,
entre outros.
MARCAS
As marcas são consi-
deradas uma identifi-
cação visual para pro-
Os bens patrimoniais são divididos entre: materiais e imateriais. Segun-
dutos e serviços.
do Castiglioni (2010), os bens materiais constituem todas as coisas ou ob-
jetos concretos da empresa, representados por seu valor monetário (como PATENTES
os comentados no exemplo acima). Já os bens imateriais, segundo o mes-
As patentes protegem
mo autor, são aqueles que não existem fisicamente, como por exemplo: os novos produtos in-
marcas, patentes, luvas, gastos com pesquisa etc. seridos no mercado.
A maioria das empresas utiliza um manual para normatizar e padronizar É explícita em um do-
cumento que garante
os procedimentos de guarda, transferências e incorporações, ações que se
direitos ao portador.
fazem necessárias para manter a boa gestão dos bens patrimoniais.
É importante que as empresas cuidem e administrem de forma organiza- LUVAS
da os seus bens patrimoniais, por isso estabelecer procedimentos e regras Luvas representam o
se faz pertinente, visto que a movimentação física costuma ser frequente. valor antecipado que é
Portanto, ter um documento que regulamente a gestão patrimonial visa pago pelo inquilino ao
locador de um imóvel,
à otimização do controle desses bens patrimoniais, facilitando o acesso e o por exemplo.
manuseio destes por parte dos usuários.
Costuma ser de competência da área de patrimônio: a incorporação de
bens e o gerenciamento de bens. De modo geral, a incorporação é respon-
sável pelo recebimento dos bens, pelo cadastramento desses bens e por
sua identificação física, enquanto que o gerenciamento de bens se respon-
sabiliza por transferir os bens, conscientizar os usuários sobre a utilização
adequada dos bens, atualizar os sistemas, receber e redistribuir os bens,
realizar a manutenção dos bens e os relatórios e inventários na periodici-
dade definida pela empresa.
O patrimônio é o conjunto de bens móveis, também conhecidos por ma-
teriais permanentes. A Lei n. 4.320 (art. 15, § 2º), de 17 de março de 1964,
define como material permanente aquele com duração superior a dois
anos.
A administração dos bens patrimoniais objetiva a ma-
nutenção e o controle adequado dos bens, o estabe-
lecimento de responsabilidades pelo uso desses bens,
a sua movimentação e guarda, além do registro e da
identificação.
A gestão patrimonial, portanto, compreende as atividades relacionadas
aos bens móveis, sejam eles de aquisição externa ou interna ou ainda de
doações. Os bens devem incorporar o acervo patrimonial da organização.
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS RELATIVOS AOS BENS PATRIMONIAIS
41
Os bens de uma empresa podem ser de uso individual ou coletivo. Eles
também são classificados conforme a sua situação: bom, ocioso, recupe-
rável, antieconômico e irrecuperável. É importante que você saiba fazer
esta distinção da situação dos bens. Na sequência, você será apresentado
às características de cada uma das classificações de um bem patrimonial,
acompanhe.
CLASSIFICAÇÃO DO BEM
DESCRIÇÃO
PATRIMONIAL
Bom O bem está em condições de uso normal.
O bem está em condições de uso normal, mas não está
Ocioso
sendo utilizado no momento.
O bem necessita de manutenção por qualquer motivo e é
Recuperável
passível de recuperação.
O bem necessita de uma manutenção que custará muito ou
Antieconômico
apresenta rendimentos insatisfatórios.
O bem não pode mais corresponder com as suas caracterís-
Irrecuperável
ticas de utilização.
Quadro 7 - Classificação dos bens patrimoniais
Fonte: Da autora (2015)
É possível citar como exemplo de bem patrimonial antieconômico a gui-
lhotina e impressora off-set. Já um exemplo de bem patrimonial irrecupe-
rável pode ser o desumidificador de papel e a máquina encadernadora de
livros.
EXEMPLO:
São bens patrimoniais de uso coletivo: móveis, mesas, estações de traba-
lho, poltronas, equipamentos de informática, cadeiras, armários, telefo-
ne, arquivos, estantes, impressora e outros.
Os bens patrimoniais também são conhecidos por bens permanentes,
justamente por serem mais duráveis e de maior valor.
Não são bens patrimoniais: folhas de papel, canetas, tesouras, material
de limpeza, ou seja, os materiais de consumo.
A gestão patrimonial é composta por um conjunto de processos e me-
todologias que promovem o adequado controle e gerenciamento do pa-
trimônio, e para que essa gestão seja efetiva e eficiente, é importante que
haja na organização a conscientização dos colaboradores sobre a impor-
tância da preservação dos bens.
Por isso, a partir de agora você irá conhecer os procedimentos relativos a
uma eficiente gestão patrimonial.
42 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
2.1.1. CADASTRO DOS BENS PATRIMONIAIS
Todos os bens (como materiais, equipamentos e bens culturais, por
exemplo) adquiridos pela empresa ou recebidos por meio de doação de-
verão, no momento de sua entrada, receber um registro. Quando um bem
é recebido, é preciso que, no ato de cadastramento, efetue-se a verificação
do estado desse bem; Seja conferida a documentação de transação; afixe-
se a etiqueta de identificação; e cadastre o bem no sistema que organiza a
gestão patrimonial.
Todos os bens patrimoniais que forem incorporados ao patrimônio de-
vem ser registrados (tombados), numerados de forma sequencial e única, TOMBAMENTO
para que possam ser facilmente identificados e preservados pelos respon- É o processo que dá
sáveis. entrada a um bem per-
manente no sistema
O tombamento do material permanente é realizado por meio da colo- de controle patrimo-
cação de plaqueta, de carimbo, de gravação, de etiqueta ou pintura que nial da organização, o
contenha o número de registro patrimonial. que significa que ha-
verá uma entrada tam-
O cadastro dos bens patrimoniais (o registro) terá correspondência com bém de recursos no
o balanço financeiro da organização, a fim de se representar os recursos balanço patrimonial.
imobilizados. Portanto é imprescindível que no ato do cadastro os bens se-
jam acompanhados de toda a documentação que se fizer pertinente (como
a nota fiscal, por exemplo).
Para que os bens sejam facilmente identificados é importante que cons-
te em seu cadastro: código de identificação (número de registro do bem),
uma descrição padronizada, unidade de medida, valor unitário, quantida-
de, valor total, classificação do estado de conservação, classificação contá-
bil e qualquer outro item que a empresa julgar necessário.
No próximo tópico, você aprenderá sobre a identificação dos bens patri-
moniais. Vamos lá?
2.1.2. IDENTIFICAÇÃO DOS BENS PATRIMONIAIS
A identificação dos bens patrimoniais costumeiramente é realizada por
meio da afixação de plaquetas, ou da colocação de uma etiqueta, ou de um
carimbo, e este procedimento deve ocorrer imediatamente após o proces-
so de tombamento pelos responsáveis pela gestão do patrimônio.
Wavebreakmedia Ltd ([20-15])
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS RELATIVOS AOS BENS PATRIMONIAIS
43
É importante que na identificação dos bens alguns aspectos sejam ob-
servados, acompanhe.
■■ A facilidade na visualização da identificação.
■■ A afixação em áreas adequadas, para que a etiqueta permaneça ín-
tegra.
■■ A afixação em áreas de boa aderência.
■■ A afixação em áreas que não deteriorem.
■■ A afixação em áreas que não contenham informações importantes do
bem.
Os bens que não permitirem a afixação de etiquetas, por qualquer moti-
vo de natureza própria, deverão ter numeração patrimonial, independente
da forma de marcação.
PRATICANDO
Que tal você procurar o número de identificação de alguns bens patrimo-
niais de uso individual? Caso você encontre algum bem na sua empresa
que não possua identificação, informe o setor responsável pelo patrimô-
nio. Assim você ajudará a sua empresa a ter um inventário mais fidedigno.
Acompanhe, na sequência, o texto da lei que dispõe sobre as condições
excludentes para identificação do material permanente.
O Art. 3° da Portaria n. 448, de 13/09/2002, da Secretaria do
Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, define a adoção
de cinco condições excludentes para a identificação do mate-
rial permanente, sendo classificado como material de consu-
mo aquele que se enquadrar em um ou mais itens dos que se
seguem:
I - Durabilidade - quando o material em uso normal perde ou
tem reduzidas as suas condições de funcionamento, no prazo
máximo de dois anos;
II - Fragilidade – material cuja estrutura esteja sujeita à modi-
ficação, por ser quebradiço ou deformável, caracterizando-se
pela irrecuperabilidade e/ou perda de sua identidade;
III - Perecibilidade – material sujeito a modificações (quími-
cas ou físicas) ou que se deteriora ou perde sua característica
normal de uso;
IV - Incorporabilidade - quando destinado à incorporação a
outro bem, não podendo ser retirado sem prejuízo das carac-
terísticas do principal;
V - Transformabilidade - quando adquirido para fim de trans-
formação. (BRASIL, 2002).
Diante de todas as informações sobre cadastro e identificação dos bens
patrimoniais, vale ressaltar a importância de essas ações serem detalhadas
e realizadas no ato da aquisição do bem, visto que esta etapa irá contribuir
para o controle dos bens patrimoniais, que você estudará logo a seguir.
44 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
2.1.3. ROTINAS DE CONTROLE DOS BENS PATRIMONIAIS
A rotina de controle dos bens patrimoniais possui caráter permanente,
visto a necessidade de acompanhamento do ativo imobilizado. Existem al-
gumas modalidades de controle: o controle de localização, o controle do
estado de conservação e o controle de utilização.
Na sequência, acompanhe o quadro e aprenda sobre a diferença entre as
modalidades de controle.
Realiza a verificação do local do bem, promovendo a determina-
Controle de localização
ção efetiva do mesmo para o cadastro.
Visa ao acompanhamento do estado de conservação do bem
Controle do estado de e objetiva a manutenção de sua integridade física (contra os
conservação próprios efeitos da natureza, por exemplo, como corrosão,
oxidação).
Realiza a análise das condições de utilização dos bens, baseada
nas normas técnicas do próprio fabricante e principalmente na
Controle de utilização
conformidade dos serviços desempenhados e as características
originais do bem.
Figura 6 - Modalidades de controle
Fonte: Da autora (2015)
A verificação do estado de conservação dos bens é realizada por meio de
inventários, e você conhecerá mais sobre eles um pouco mais adiante.
Como é um tema de fundamental importância para a gestão patrimonial,
vamos conhecer um pouco mais sobre o controle das entradas e saídas dos
bens.
2.1.4. CONTROLE DE ENTRADA E SAÍDA DOS BENS
A movimentação dos bens patrimoniais precisa ser controlada, e por
isso, neste tópico, você conhecerá as características do gerenciamento das
entradas e saídas dos bens de uma empresa.
EFICIÊNCIA
Significa fazer as coi-
O controle patrimonial tem, por finalidade, fornecer os materiais para as sas da forma certa.
atividades em quantidades adequadas, se atentando à eficiência e efetivi-
dade. EFETIVIDADE
Dessa forma, é importante que a gestão desses materiais seja organizada Significa capacidade
e possibilite: de atingir metas.
■■ comprar pelo melhor preço;
■■ proporcionar aos setores os materiais necessários às atividades;
■■ evitar os desperdícios;
■■ fiscalizar continuamente as entradas e saídas de materiais.
Para auxiliar na organização do controle patrimonial é importante que as
aquisições sejam centralizadas, haja controle de qualidade e fiscalização.
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS RELATIVOS AOS BENS PATRIMONIAIS
45
Medioimages e Photodisc ([20--?])
Neste contexto, controlar as entradas e saídas é uma atividade que obje-
tiva a preservação dos bens patrimoniais das organizações. Essa atividade
possibilita o monitoramento da posição físico-financeira do ativo imobili-
zado.
FIQUE POR DENTRO
Você sabia que o controle de materiais é uma exigência imposta por lei
federal? A Lei 4.320/64 trata deste tema. Essa exigência é porque esse con-
trole é considerado uma ferramenta de gestão de grande importância, afi-
nal controla o registro dos bens e os valores das organizações.
O controle patrimonial das organizações se inicia com o controle das en-
tradas dos bens. A inclusão dos bens às organizações se dá mediante com-
pra, cessão, doação, permuta, transferência e produção interna.
Cabe ao controle patrimonial: o tombamento, o registro e a identifica-
ção, a guarda, a movimentação, a preservação, a incorporação, a baixa, e a
realização de inventários dos bens.
Para que a organização desses bens patrimoniais seja
efetiva é importante que todos os processos referen-
tes às entradas, movimentações e saídas dos bens se-
jam realizados pelo setor responsável para que este
proceda com todas as ações que se fazem pertinentes
ao controle patrimonial.
46 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
A movimentação de bens patrimoniais indica que houve troca de respon-
sabilidade sobre o bem ou que a posse do bem foi transferida para outra
unidade. Em resumo, essa movimentação deve ocorrer por empréstimo,
transferência ou necessidade de manutenção.
O controle patrimonial pode até parecer algo desnecessário às pequenas
e até médias empresas, mas às grandes empresas ele se torna fundamen-
tal, visto que afeta diretamente a administração e o planejamento da em-
presa.
O controle patrimonial vai se tornando essencial à medida que as empre-
sas vão crescendo, de modo que o patrimônio delas também vai aumen-
tando.
O não controle patrimonial ou omitir esse controle pode vir a acarretar
problemas fiscais para a empresa, desvios de bens, desaparecimentos e
furtos, e defasagem do ativo imobilizado. Como não há lançamento ade-
quado dos bens, a empresa pode não conseguir rastreá-los quando se fizer
necessário.
Os principais benefícios de se realizar o controle pa-
trimonial é poder ter um inventário atualizado, um
controle da depreciação e maiores garantias bancá-
rias.
A partir de agora, você vai estudar sobre a ferramenta que mais auxilia no
controle patrimonial: os inventários.
2.1.5. RELATÓRIOS E INVENTÁRIOS
Os relatórios e inventários dos bens patrimoniais são instrumentos de
controle que permitem a correta mensuração do acervo patrimonial das
organizações. Os relatórios indicam para a empresa, por meio do levanta-
mento da condição dos bens e da confirmação da disponibilidade desses,
o espelhamento da realidade. Em outras palavras, os relatórios indicam se
a contagem dos bens que foi realizada está de acordo com os registros an-
teriormente realizados (nas informações dos relatórios e inventários).
Os inventários são uma forma de analisar o desempe-
nho da gestão patrimonial através dos resultados en-
contrados no relatório sobre o levantamento físico.
Os responsáveis pelos relatórios e inventários têm algumas atribuições,
como por exemplo:
■■ verificar a localização física dos bens;
■■ avaliar o estado de conservação dos bens;
■■ classificar os bens;
■■ identificar os bens;
■■ emitir relatório final acerca do levantamento realizado ao longo do
processo de inventário.
Esse relatório deve informar a situação geral do patrimônio bem como
apontar as recomendações que se fazem necessárias para corrigir as irre-
gularidades encontradas ou que possam vir a ocorrer.
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS RELATIVOS AOS BENS PATRIMONIAIS
47
Os relatórios são resultado do controle de estoque, visto que apresen-
tam, geralmente de forma mensal, as informações sobre a movimentação
dos bens. Esses relatórios apresentam as entradas e saídas dos bens.
Os inventários costumam ter periodicidade. Podem ser anuais, relativos
à abertura de uma unidade, de transferência de direção, de extinção da
unidade e aqueles meramente eventuais, de monitoramento.
Existem alguns bens que não são localizados durante a realização do in-
ventário. Esses bens são conhecidos por bens não inventariados.
Outra competência dos inventários é verificar o estado físico dos bens
patrimoniais.
Os inventários, como você pôde observar, consistem em um procedimen-
to que realiza o levantamento físico-financeiro de todos os bens móveis e
imóveis existentes nas organizações, geralmente executados anualmente
ou caso haja solicitação especial, e têm como responsabilidades constatar
a existência física dos bens e atualizar os registros e controle desses bens.
Para que os inventários atendam às exigências é importante que o regis-
tro dos bens esteja em ordem quanto ao ano de aquisição, valor original,
suas avaliações, baixas etc.
Em resumo, o inventário consiste no levantamento de
todos os bens patrimoniais da organização, pressu-
pondo maior controle físico e contábil. É importante
que a empresa realize os inventários de tempos em
tempos, de acordo com uma programação, para veri-
ficar se as quantidades encontradas correspondem
com o controle patrimonial.
Os inventários podem ter algumas características, como serem periódicos
e permanentes. Os inventários periódicos objetivam, como mencionamos
acima, controlar a contagem física dos bens patrimoniais e são realizados
em periodicidade definida pela empresa. Já os inventários permanentes
consistem em um controle constante das entradas e saídas de bens, con-
trolando tanto quantidades quanto valores.
Ao final do inventário pode ser constatada uma quebra contábil, que se-
ria a diferença entre o estoque físico encontrado e o estoque que consta na
relação patrimonial da empresa.
O inventário garante às empresas uma gestão de patrimônio eficiente.
Para que o inventário possa ser realizado é importante que os itens patri-
moniais estejam devidamente identificados com plaquetas, códigos de
barras, ou por qualquer meio de numeração. A partir de então eles podem
ser classificados de acordo com as regras da empresa, como por exemplo
por centro de custos, por localização física. Assim é possível realizar uma
descrição detalhada de todos os itens levantados ao longo do processo de
inventário.
No planejamento de um inventário é importante que se considere os ris-
cos e se defina a metodologia do processo, pois o tempo é o maior inimigo
de um inventário.
48 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
O inventário é o processo que realiza o levantamento de bens patrimo-
niais, que objetiva a conciliação entre o registrado no sistema da empresa
e o existente fisicamente, bem como a verificação de seu estado de conser-
vação e sua utilização. É verificado também se o registro está de acordo,
bem como se sua identificação está em bom estado e com as informações
completas. Você também conheceu os diversos tipos de inventários, e pôde
notar que as empresas geralmente elaboram um manual com as normas e
os procedimentos relativos à área patrimonial.
Tanto os inventários, quanto o controle patrimonial auxiliam na gestão
patrimonial da organização.
RESUMINDO
Identificação dos bens
Relatórios e inventários
Bens patrimoniais Cadastro de bens
Rotinas de controle
Diego Fernandes (2015)
Controle de
entrada e saída
PROCEDIMENTOS TÉCNICOS RELATIVOS AOS BENS PATRIMONIAIS
49
ANOTAÇÕES
50 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
CAPÍTULO 3
CARACTERÍSTICAS E
FINALIDADES DO SISTEMA
CONTÁBIL-FINANCEIRO
51
DOCUMENTOS • TESOURARIA
CONTAS A PAGAR • CONTAS A
RECEBER
3.1. TIPOS DE DOCUMENTOS FINANCEIROS
Todos os papéis que representam uma obrigação financeira e são emiti-
dos de acordo com a legislação específica de cada espécie são conhecidos
como títulos de crédito.
Títulos de crédito são documentos que representam
uma obrigação de pagamento, do valor que nele esti-
ver expresso. Ou seja, esses títulos comprovam uma
relação jurídica de crédito que constitui prova de que CREDORA
É considerada a pes-
uma pessoa ou empresa é credora de outra pessoa ou soa que empresta uma
empresa. quantia de dinheiro a
alguém ou a alguma
empresa.
Dessa forma, o cheque, a nota promissória e a letra de câmbio serão os
primeiros títulos de crédito que você vai estudar. Vamos lá?
3.1.1. CHEQUE
Os cheques são uma ordem de pagamento, e por isso devem ser emitidos
somente quando houver saldo suficiente para honrá-los. Os cheques cos-
tumam ser emitidos pelos bancos em forma de talão, portanto é de respon-
sabilidade da pessoa física ou jurídica o controle do mesmo.
Os cheques podem ser emitidos de duas formas: ao portador e nomina-
tivo. Segundo Castiglioni (2011), não é recomendável que a empresa emita
cheques ao portador. Isso porque, no cheque ao portador, não há identi-
ficação formal do favorecido e isso pode fazer com que o cheque circule
nas mãos de diversas pessoas e, consequentemente, não ser depositado
na data estipulada, fato que dificultaria o controle pela empresa.
O prazo de prescrição dos cheques é de seis meses
após o término do prazo de apresentação.
Os cheques nominativos declaram a quem foi destinado o cheque, facili-
tando a conciliação bancária. Entretanto, caso o favorecido assine atrás do
cheque (endosse a ordem de pagamento), ele se transforma em cheque ao
portador, mas somente pode ser depositado em banco.
A forma mais segura atualmente quando falamos de emissão de cheques
é o cruzamento em preto, quando o emissor cruza o cheque com dois tra-
ços transversais junto aos seguintes dizeres: “este cheque somente poderá
ser depositado na conta do favorecido”. Espera-se que tenha ficado claro
para você que essa forma de preenchimento impede que o cheque seja
passado para frente, auxiliando a empresa no momento de rastrear o che-
que, caso ainda não tenha sido compensado.
O cheque é, portanto, uma ordem de pagamento à vista, visto que no mo-
mento de sua apresentação no banco o emitente deve ter saldo suficiente
para cumprir com o valor do cheque, independentemente da data em que
o beneficiário decida depositá-lo.
Esse tipo de documento financeiro envolve:
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
53
■■ o emitente, aquele que emite o cheque (sacador);
■■ o beneficiário, a quem o pagamento do cheque se destina;
■■ o sacado, que é a instituição bancária.
O cheque, quando emitido, representa duas relações jurídicas: uma entre
o emissor e o seu banco e a outra entre o emissor e o beneficiário.
Cheques com valor superior a R$5.000,00 exigem que o cliente informe
com antecedência o desconto deste título ao banco.
Cheques pré-datados, ou seja, aqueles que inserimos uma data futura,
podem ser apresentados ao banco antes, visto que, enquanto ordem de
pagamento à vista, é um título que pode ser apresentado a qualquer mo-
mento.
Não há obrigatoriedade de aceite de cheques, ou seja,
pessoas e empresas podem recusar essa forma de pa-
gamento.
Você já teve algum cheque devolvido? O motivo de devolução dos che-
ques é registrado no verso dele, por meio de um código que corresponde
ao motivo.
FIQUE POR DENTRO
Os motivos de número 12, 13 e 14 implicam inclusão do nome do emissor
do cheque sem fundos no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos.
A não efetivação do pagamento de um cheque já emitido pode ser realiza-
da mediante oposição ao pagamento (sustação) – podendo ser efetivada
pelo emitente durante o prazo de apresentação, ou através de contraor-
dem (revogação) – podendo ser efetivada após o prazo de apresentação.
Os bancos não podem impedir a sustação de um cheque, mas podem
cobrar tarifas por esse serviço. Caberá ao banco também informar ao por-
tador do cheque o motivo alegado pela sustação.
Caso um cheque seja roubado, é necessário realizar boletim de ocorrên-
cia policial, para posteriormente apresentar este documento ao banco
para sustação do cheque.
Um fato interessante com relação ao preenchimento dos cheques está
relacionado com a forma de escrita do valor do documento. Os cheques
apresentam o valor por duas formas diferentes (numérica e por extenso),
no caso de elas divergirem, prevalece a escrita por extenso.
Observe na figura a seguir um exemplo de cheque.
54 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
1
3
4
Advogado online grátis ([20--?]);Diego Fernandes (2015)
5
1- Local onde se coloca o valor numérico do cheque.
2- Local onde se escreve por extenso o valor do cheque.
3- Local destinado a escrever o nome do beneficiário do cheque.
4- Local destinado a escrever da data completa de emissão do cheque.
5- Local destinado à assinatura do emissor.
Figura 7 - Cheque
Fonte: Jornal Financiamento (s.d.)
3.1.2. NOTA PROMISSÓRIA
A nota promissória também é um título de crédito, mas neste caso é emi-
tida pelo devedor. Este título nada mais é do que uma promessa de paga-
mento que possui valor, data e é personificada. Portanto, a nota promis-
sória é a promessa de pagamento de um determinado valor (à vista ou a
prazo) de um devedor à pessoa que lhe emprestou o valor. O próprio deve-
dor acaba por se sentir na obrigação em honrar com o pagamento na data
estipulada pela nota promissória. É claro que, caso o devedor não honre
com o pagamento estipulado, uma ação pode ser movida pelo detentor da
nota promissória contra ele.
Por meio da emissão da nota promissória ocorre, necessariamente, um
vínculo entre o emitente (devedor) e o beneficiário (credor).
REFLITA
É possível dizer que a nota promissória, enquanto promessa de pagamen-
to, é como “vender fiado”?
Acompanhe, na sequência, um exemplo de nota promissória.
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
55
3 4 1
8
6
2
5
7
São Domingos (2014);Diego Fernandes (2015)
1 – Valor.
2 – Valor por extenso.
3 – Número da nota.
4 – Data de vencimento.
5 – Praça de pagamento do título.
6 – Campo do avalista.
7 – Emitente/devedor.
8 – Credor.
Figura 8 - Nota promissória
Fonte: www.protestopatrocinio.com.br, acessado em 09.01.2015
De acordo com o exemplo, vale ressaltar o seguinte:
■■ o título do documento: Nota Promissória;
■■ a quantia estar expressa e ser bem compreensível;
■■ a data do pagamento deve estar estipulada: até porque se não hou-
ver a data discriminada o pagamento será considerado à vista;
■■ indicação do local do pagamento: caso não haja é considerado o do-
micílio do emitente;
■■ a nomeação da pessoa que deve honrar com o pagamento;
■■ as assinaturas: que aceitam tudo o que está escrito no título.
É importante destacar que, como em qualquer outro documento, a rasu-
ra não é permitida e anula os dados.
Você pode encontrar um modelo de nota promissória nas papelarias e
livrarias, e ela terá validade a partir do momento que for preenchida nos
conformes. Se o pagamento não for realizado pelo devedor, o emitente
pode proceder ao cartório para gerar o protesto do título.
Dando sequência aos seus estudos, você conhecerá um pouco sobre as
letras de câmbio.
3.1.3. LETRAS DE CÂMBIO
A letra de câmbio é um título de crédito formal. Esse título é uma ordem
de pagamento (à vista ou a prazo) de um emitente ou sacador, para um
aceitante ou sacado. Neste caso, o aceitante (ou sacado) se responsabiliza
por pagar o valor estipulado pela ordem de pagamento (no prazo também
por ela estabelecido) a uma terceira pessoa, chamada de tomador.
Logo a seguir uma representação gráfica de letra de câmbio.
56 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
Letra de câmbio
Significa que vencerá no 2º dia que o
Este é o sacado/devedor.
sacado aceitar/assinar a letra.
Albergaria ([20--?]);Diego Fernandes (2015)
Este é um exemplo de letra de câmbio
sem aceite (assinatura), porém ela também Este é o sacador
poderá vir com aceite (assinado pelo devedor). (favorecido).
Figura 9 - Letra de câmbio
Fonte: www.albergaria.com.br, acessado em 15.01.2015
Vale destacar que a letra de câmbio é um título negociável no mercado.
A emissão deste título é denominada de saque, por isso denominamos de
sacador aquele que deve.
A partir de agora, você conhecerá outros tipos de documentos financei-
ros: a nota fiscal e a fatura.
3.1.4. NOTA FISCAL FISCO
Nota fiscal é um documento exigido pelo fisco. Esse documento deve ser Responsável pelo cál-
emitido por todas as empresas que produzem produtos ou prestam servi- culo e arrecadação
ços, independente de o prazo de pagamento ser à vista ou a prazo. dos impostos.
A nota fiscal é, portanto, de extrema relevância aos negócios da empresa
por ser a base para a geração dos tributos que competem a ela.
A nota fiscal é um documento de emissão obrigatória.
Isso porque comprova a venda de produtos ou a pres-
tação de serviços. A nota fiscal é usada pelo fisco
para apurar os impostos e garantir ao consumidor
que ele adquiriu determinado produto de uma empresa,
que por sua vez comprova suas atividades por meio da
nota fiscal.
Portanto, a nota fiscal é um documento financeiro de cunho fiscal e por
isso instituído pela Legislação Tributária. A nota fiscal reúne uma série de
dados relevantes e, por isso, vale repetir, é obrigatória a sua emissão.
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
57
Acompanhe um exemplo de nota fiscal:
Hortibrasil ([20--?])
Figura 10 - Nota fiscal
Fonte: Sefaz, (s.d.)
A nota fiscal impressa começou a ser substituída pela nota fiscal eletrô-
nica. As duas possuem a função de documentar a venda de produtos ou a
prestação de serviços, fornecendo todos os dados que se fazem necessá-
rios. O fato de ser eletrônica facilita e simplifica as rotinas fiscais, promo-
vendo maior agilidade para os consumidores.
A nota fiscal eletrônica permite a redução dos custos de impressão para
as empresas, bem como reduz o espaço de armazenamento das mesmas,
além de proporcionar maior agilidade. A nota fiscal eletrônica é emitida
por meio do Sistema de Geração e Emissão de Notas Fiscais Eletrônicas da
Secretaria Municipal da Receita – SMR, e esse sistema permite a integração
com outros sistemas utilizados pelas empresas, facilitando a geração e o
envio das Guias de Informações Fiscais.
Em seguida, um exemplo de nota fiscal eletrônica.
58 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
Site AS ([20--?])
Figura 11 - Nota fiscal eletrônica
Fonte: AS (s.d.)
Este sistema de emissão eletrônica de nota fiscal está disponível a todos
os contribuintes que forem pessoa jurídica.
FIQUE POR DENTRO
Para aprender mais sobre a legislação e as especificações técnicas da nota
fiscal eletrônica, acesse o portal da nota fiscal eletrônica, disponível em:
<www.nfe.fazenda.gov.br>. Acesso em: 17 mar. 2015.
A nota fiscal eletrônica é, portanto, um documento igualmente fiscal que
tem como principal diferença a emissão e armazenagem eletrônicas.
Agora, você aprenderá sobre a fatura, confira!
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
59
3.1.5. FATURA
A fatura é o instrumento que auxilia no controle das compras e despesas,
no planejamento dos gastos mensais. Este formato de documento finan-
ceiro permite ilustrar de forma detalhada e descritiva a listagem de todas
as compras de produtos ou serviços realizados. Também consta em uma
fatura todos os dados fundamentais para que se possa fazer o planejamen-
to de pagamento, como: data de vencimento, encargos, limite disponível,
últimos pagamentos realizados, opções de pagamento, entre outros.
Você deve estar habituado a fazer a leitura de faturas, afinal as contas
de cartão de crédito, de energia elétrica e de lojas de departamento, por
exemplo, costumam emiti-las para que você possa controlar os seus gastos
do mês.
Logo a seguir, um exemplo de fatura.
Oi ([20--?])
Figura 12 - Fatura
Fonte: Oi (s.d.)
É importante que você entenda que a fatura é a relação, por escrito e de
forma detalhada, das suas contas.
Dando sequência aos tipos de documentos financeiros, aprenda sobre a
duplicata.
60 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
3.1.6. DUPLICATA
A duplicata ou duplicata mercantil, segundo Castiglioni (2010), é o título
de crédito que constitui o instrumento de prova do contrato de compra e
venda. Este título possui caráter obrigatório nas vendas mercantis a prazo.
A duplicata pode, depois de seu vencimento, vir a ser protestada em cartó-
rio por falta de pagamento.
No caso da prestação de serviços, a duplicata também se apresenta en-
quanto um título emitido por profissionais ou empresas, pelos serviços
prestados.
As duplicatas compõem todos os valores que as pes-
soas devem para a empresa, por conta da aquisição de
produto ou do recebimento de um serviço. A duplicata
pode ser considerada como a cópia da fatura. Ou seja,
após a emissão da nota fiscal, de uma venda a prazo,
emite-se a duplicata ao consumidor.
A duplicata também é considerada um título negociável e se apresenta
também como uma promessa de pagamento referente à venda de merca-
dorias a prazo, correspondentes a uma determinada fatura. A fatura origina
a duplicata.
Este título de crédito foi criado pela legislação brasileira, e é um documen-
to emitido em duas vias idênticas (conforme a lei, “por duplicato”) e assinado
pelo comprador e pelo vendedor, ficando uma via em posse de cada parte.
Em seguida, confira um exemplo gráfico de duplicata.
Este é o número
Este é o devedor.
do título.
Rosa dos Ventos LTDA.
Diego Fernandes (2015)
Esta duplicata está aceita pela devedora. Este é o portador/
Nenhum documento a mais é necessário favorecido.
para protestá-la.
Figura 13 - Duplicata
Fonte: Portal da Contabilidade (s.d.)
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
61
A duplicata é, portanto, um título de crédito que surge a partir de um ne-
gócio, no qual há um crédito ao sacado (comprador) concedido pelo saca-
dor (vendedor). Ou seja, é o título de crédito proveniente de uma relação
comercial (de compra e venda) ou de uma prestação de serviços.
Você sabe o que é um borderô? Aprenda, na sequência de seus estudos,
sobre este título financeiro.
FACTORING
3.1.7. BORDERÔ
É considerada uma Os borderôs são os títulos que relacionam os cheques e/ou duplicatas
atividade comercial que são negociados com as empresas de factoring ou bancos. Este docu-
que possibilita às em- mento informa o valor de cada cheque/duplicata, além de todas as regras
presas o recebimento
imediato de seus cré- que condicionam esta operação.
ditos futuros. Logo a seguir, um exemplo de borderô.
Secretaria da fazenda ([20--?])
Figura 14 - Borderô
Fonte: Secretaria da Fazenda (s.d.)
O borderô é um documento no qual se processa o pagamento efetivo de
despesas, que é encaminhado ao banco ou factoring de maneira física ou
eletrônica.
3.1.8. VOUCHER
Só para você saber,
O voucher, termo de origem inglesa, é considerado um título (recibo, do-
vouch significa atestar,
confirmar. cumento) que atesta o pagamento realizado por um produto ou serviço. Ou
seja, nada mais é do que um comprovante de pagamento que garante ao
detentor por direito o serviço ou produto adquirido.
Os vouchers são muito comuns em agências de via-
gens e representam o recibo, geralmente com o nome
do cliente e o serviço ao qual ele faz referência.
Na sequência, um exemplo de voucher, confira!
62 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
Navegantes restaurante ([20--?])
Figura 15 - Voucher
Atualmente, os vouchers têm sido muito utilizados pelas empresas como
estratégia de marketing, visto que, por meio de descontos atrativos, fazem
com que os consumidores comprem seus produtos ou serviços de forma
antecipada e recebam um documento (voucher) para usar num prazo de-
terminado por este ou quando for mais conveniente.
3.1.9. DOC E TED
A Transferência Eletrônica de Valores (TED) e o Documento de Operação
de Crédito (DOC) são duas formas disponíveis para que você possa transfe-
rir dinheiro da sua conta para a conta de outra pessoa.
Antes de continuarmos, acompanhe a definição de dois termos: emitente
e beneficiário.
Emitente é a pessoa ou empresa que irá enviar o dinheiro através da
transferência bancária.
Beneficiário é a pessoa ou empresa que irá receber o valor em dinheiro
através da transferência bancária.
Entendido? Então vamos conhecer as características específicas da TED
e do DOC.
DOC é o tipo de transferência bancária na qual o valor máximo aceito
para transferir é de R$4.999,99. Ou seja, você pode transferir qualquer valor
em dinheiro para pessoas ou empresas de qualquer instituição bancária
até o limite de R$4.999,99.
TED é o tipo de transferência bancária na qual o valor a ser transferido
deve ser a partir de R$750,00. Ou seja, você pode transferir qualquer valor
em dinheiro para pessoas ou empresas de qualquer instituição bancária
desde que seja a partir de R$750,00.
E essa regra de valor de transferência é uma das principais diferenças en-
tre o DOC e a TED. Outra diferença relevante entre essas duas opções de
transferência de valores é o prazo para que o dinheiro esteja disponível na
conta do beneficiário. Ainda temos a diferença do custo dessas operações.
Vamos conhecer então todas as características dessas transferências?
Confira!
O DOC tem as seguintes características:
■■ o prazo para que o beneficiário receba o dinheiro é o dia seguinte da
realização da operação;
■■ o valor permitido para a transferência é de, no máximo, R$4.999,99;
■■ o horário para a realização do DOC costuma ser até às 21h, dependen-
do do seu banco e o canal de atendimento que você estiver utilizando
no momento (telefone, auto-atendimento, internet).
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
63
As características da TED são:
■■ o prazo para a disponibilização do valor para o beneficiário é em al-
guns minutos após a realização da transferência;
■■ o valor em dinheiro a ser transferido deve ser acima de R$750,00;
■■ o horário limite para se realizar a transferência é até as 17h30, depen-
dendo da instituição bancária.
Tanto a opção DOC, quanto a TED, não podem ser realizadas nos finais
de semana.
Na sequência, confira um exemplo de TED.
CEF ([20--?])
Figura 16 - TED
Fonte: CEF (s.d.)
Você já percebeu que para as transferências menores do que R$750 é ne-
cessário fazer um DOC e para as transferências a partir de R$5.000,00 ape-
nas é possível realizar uma TED. Mas e para as transferências de R$800,00 a
R$4.999,99? Como escolher entre um TED ou um DOC? A resposta depende
da tarifa do seu banco. Caso o valor da tarifa para as duas operações seja o
mesmo, opte pela TED, já que esta opção fica disponível para o beneficiário
mais rapidamente. Se não, opte pela operação que lhe oferecer a menor
tarifa.
Para efetivar essas transferências bancárias, você vai precisar de alguns
dados. São eles:
■■ CPF, no caso de o beneficiário ser pessoa;
■■ CNPJ, no caso de o beneficiário ser empresa;
■■ nome completo do beneficiário (não obrigatório);
■■ banco, agência e conta (poupança ou corrente) do beneficiário;
■■ código que identifica a finalidade da transferência (as opções irão
aparecer para que você escolha). A mais utilizada é: crédito em conta
corrente.
A TED foi criada recentemente, antes era possível realizar transferências
apenas por DOC ou cheques. A TED veio para dar mais agilidade às transfe-
rências, visto que o dinheiro fica disponível para o beneficiário no mesmo
dia em que a operação foi realizada.
Tendo em vista que agora você conhece as características e finalidades
dos diversos tipos de documentos financeiros, chegou a hora de partir para
os estudos do sistema de tesouraria.
64 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
TESOURARIA
Casa ou lugar onde se
guarda ou adminis-
3.2. TESOURARIA tra o Tesouro Público.
Repartição onde o
O setor de tesouraria das empresas é responsável pela movimentação tesoureiro exerce as
dos recursos financeiros (movimento bancário). A palavra tesouraria vem suas funções. Cargo de
tesoureiro. Escritório
de “tesouro”, pois é a área que cuida dos valores representados por moeda de companhias ou ca-
da empresa. sas bancárias onde se
Mas é claro que, como qualquer outro departamento da empresa, todas realizam as transações
monetárias. (MICHAE-
as movimentações devem ser cuidadosamente registradas por meio de do-
LIS, 2009).
cumentos e verificadas. Qualquer divergência nos valores ao final de um
dia, por exemplo, pode representar prejuízos relevantes para a empresa.
A tesouraria tem uma função de grande importância
nas organizações, ela é responsável pela estabilidade
financeira da empresa.
Na tesouraria realizam-se operações financeiras, e dentre as principais
temos: contas a pagar e contas a receber.
Além das operações citadas acima, a tesouraria tem como operações fi-
nanceiras principais: administração do fluxo de caixa, captação de recur-
sos e aplicação de recursos. Além dessas, ainda existem aquelas que são
complementares, como por exemplo: negociação com clientes e fornece-
dores. A principal ferramenta de apoio às decisões da tesouraria é o fluxo
de caixa financeiro, por meio do qual todas as operações citadas, que são
interdependentes, interligam-se.
É importante que as operações das contas a pagar e contas a receber res-
peitem dois princípios básicos: a confiabilidade das operações e a agilida-
de. Com relação à agilidade, a internet e a crescente informatização destas
operações (através da nota fiscal eletrônica, por exemplo) têm contribuído
sobremaneira.
Torsakarin ([20--?])
Na busca por maior produtividade, a tesouraria tem reformulado alguns
conceitos e se apegado a algumas tendências, como:
■■ reduzir o uso de papel: ter a emissão de documentos via digital;
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
65
■■ preferir profissionais multidisciplinares: como em outras áreas das
ERPs organizações, existe a preferência pelo profissional que atua em vá-
Enterprise Resource rias frentes (contas a pagar e contas a receber, por exemplo);
Planning se refere aos ■■ utilizar sistemas de gestão integrados: a exemplo dos ERPs, que con-
softwares que inte- tribuem com o aumento da produtividade;
gram os dados e recur-
sos das empresas em ■■ informatização das atividades: principalmente da conciliação bancá-
um único sistema. ria, pois aumenta a produtividade e reduz as falhas.
Independente do setor de atuação ou porte da organização, as operações
“contas a pagar” e “contas a receber” estão presentes em todas elas. Para
que a confiabilidade e agilidade dos processos ocorram com efetividade,
existem algumas medidas da tesouraria que podemos ressaltar, confira na
sequência.
1. Seguir o formato padrão dos procedimentos: não utilizar formas ex-
cepcionais para alguns casos.
2. Trabalhar para reduzir os erros e quando ocorrerem registrá-los, evi-
tando assim o retrabalho.
3. Procurar simplificar todos os processos: a informatização é uma
grande aliada.
4. Estipular datas fixas para pagamentos, contribuindo para a previsão
do fluxo de caixa.
5. Limitar os pagamentos urgentes.
Em resumo, a tesouraria é a área das empresas que se responsabiliza pelo
controle das receitas e despesas. Você vai conhecer, nos próximos tópicos,
as características de duas das principais operações financeiras: contas a
receber e contas a pagar. Vamos em frente?
3.2.1. CONTAS A RECEBER
Dentre as principais contas da gestão do caixa, temos as contas a rece-
ber. Esse grupo de contas representa os créditos da empresa junto aos seus
clientes. Esta conta é conhecida como a fonte de recursos de caixa da em-
presa.
Mas geralmente existe o risco de haver o não recebimento dos valores de-
vidos pelos clientes. Para minimizar a incidência desses riscos, Castiglioni
(2011) sugere o controle rigoroso do contrato e o privilégio de recebimento
pela rede bancária. Como você deve imaginar, a cobrança de encargos e
taxas é a forma utilizada para “compensar” o atraso dos pagamentos.
Ingram Publishing ([20--?])
66 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
De qualquer forma, é importante que haja um esforço por parte da em-
presa para que seus clientes que estão com os pagamentos atrasados
honrem com as suas obrigações. E caso os mesmos continuem com difi-
culdades, você pode utilizar algumas formas de negociação: parcelamen-
to, renegociação, auxílio especializado. A cobrança judicial costuma ser a
última alternativa utilizada pelas empresas para requerer de seus clientes
em atraso o pagamento devido.
São exemplos de contas a receber: vendas à vista, vendas a prazo, em-
préstimos, juros.
É interessante que a área de marketing interaja com
quem administra as contas a receber. Isso é impor-
tante porque a seleção de clientes, as cobranças e
os descontos são informações consideráveis para a
atuação da empresa no mercado.
São algumas das responsabilidades das contas a receber:
■■ análise financeira;
■■ envio dos títulos a receber;
■■ gerenciamento das informações de cobrança bancária;
■■ conciliação bancária;
■■ relacionamento com os clientes;
■■ relatórios de cobrança atualizados;
■■ entre outras.
Outra importante conta da gestão do caixa é “contas a pagar”. Você vai
conhecer as características dessa conta a seguir.
3.2.2. CONTAS A PAGAR
O outro grupo da gestão do caixa é o contas a pagar. Esse grupo repre-
senta um crédito considerado rotativo e permanente. Os pagamentos des-
ta conta devem ser realizados a quem for de direito (a um fornecedor, por
exemplo), cujo pagamento representará a quitação da dívida.
O grande risco deste grupo de contas é o não registro formal do paga-
mento. Portanto, fica a dica: solicite sempre o recibo assinado e devida-
mente preenchido após a efetivação do pagamento.
São exemplos de contas a pagar: pagamento de empréstimo, pagamento
de imposto, pagamento de juros, compras à vista, pagamento de fornece-
dor, gastos gerais.
São algumas das responsabilidades das contas a pagar:
■■ gerenciamento dos pagamentos aos fornecedores;
■■ gerenciamento dos pagamentos de impostos;
■■ utilização de cheques e outras formas para pagamentos;
■■ conciliação bancária;
■■ entre outras.
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
67
Agora que você conhece um pouco mais sobre as operações financeiras,
siga em frente para ampliar seus conhecimentos. O tema da próxima seção
são impostos e taxas.
3.2.3. IMPOSTOS E TAXAS
De acordo com a Constituição Federal são cinco as espécies de tributos.
Nesta etapa de seus estudos, você aprenderá sobre impostos e taxas.
A arrecadação de impostos objetiva financiar as despesas gerais do Es-
tado (obras públicas, por exemplo), e seu benefício está voltado para o co-
letivo.
FIQUE POR DENTRO
Há um tribunal de impostos e taxas que está vinculado à Coordenadoria
de Administração Tributária da Secretaria da Fazenda. Esse tribunal foi ins-
tituído em 05 de junho de 1935 pelo Decreto n. 7.184 e se apresenta como
o órgão de julgamento de processos administrativos tributários. O objetivo
central desse órgão é exercer o controle de qualidade sobre os lançamentos
tributários, permitindo ao contribuinte o direito de defesa. Para aprender
mais sobre esse tema, consulte o site da secretaria da Fazenda do Estado de
São Paulo. Disponível em: <http://www.fazenda.sp.gov.br/tit/>. Acesso em:
17 mar. 2015.
As operações financeiras no nosso país estão impregnadas de impostos
e taxas, e costumeiramente o Brasil está no ranking da lista de países que
mais pagam impostos.
68 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
RESUMINDO
Características e finalidades
do sistema contábil
Documentos
Tesouraria
financeiros
Contas a receber Cheque
Contas a pagar Nota fiscal
Impostos e taxas Duplicata
Fatura
Borderô
Voucher
Letra de câmbio
Nota promissória
DOC
Diego Fernandes (2015)
TED
GESTÃO DE DOCUMENTOS: RECEBIMENTO, PROTOCOLO E DESTINAÇÃO
69
ANOTAÇÕES
70 FUNDAMENTOS CONTÁBIL-FINANCEIROS
PALAVRAS
DA AUTORA
Parabéns por mais uma etapa concluída!
Ao longo desta Unidade Curricular você pôde reconhecer a importância do sistema
contábil-financeiro, as características e finalidades dos documentos financeiros e do sis-
tema de tesouraria, bem como todos os fundamentos que regem o controle dos bens pat-
rimoniais.
Dessa forma, espero que você seja capaz de aplicar todos os conceitos aprendidos e
crescer profissionalmente!
Desejo que o sucesso profissional seja o seu parceiro ao longo de toda a sua vida!
PRISCILA CARNEIRO GALLASSE CESCONETTO
PALAVRAS DA AUTORA 71
CONHECENDO
A AUTORA
PRISCILA CARNEIRO GALLASSE CESCONETTO
Pós-graduada em Economia e Gestão das Estratégias Empresariais pela Universidade
Federal de Santa Catarina. Economista graduada pela Universidade Federal de Santa Ca-
tarina. Atualmente atua como consultora especialista no SENAI Florianópolis e como Au-
ditora interna da qualidade ISO 9001.
CONHECENDO A AUTORA 73
REFERÊNCIAS
■■ BRASIL. Lei complementar n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Socie-
dades por Ações. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6404com-
pilada.htm> Acesso em: 15 dez. 2014.
■■ _______. Ministério da Fazenda. Secretaria Do Tesouro Nacional. Portaria n. 448, de 13
de Setembro de 2002. Dispõe sobre as condições excludentes para identificação do
material permanente. Brasília, 2002.
■■ CASTIGLIONI, José Antonio de Mattos. Assistente Administrativo. 6 ed. São Paulo (SP):
Érica, 2010 .
■■ HOJI, Masakazu. Administração Financeira: uma abordagem prática. 5. ed. São Paulo:
Atlas, 2006.
■■ KRAUSE, Luiz E. Contabilidade Básica. Rio Grande do Sul: Unisinos, 2004.
■■ MARION, José Carlos. Contabilidade Empresarial. 6. ed. São Paulo: Atlas, 1997.
■■ ________. Contabilidade Empresarial. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
■■ MICHAELIS: Moderno dicionário da língua portuguesa. São Paulo: Companhia Mel-
horamentos, VOLP, 5ª edição, março de 2009 (Dicionários Michaelis). Disponível em:
<http://michaelis.uol.com.br/>. Acesso em: 04 fev. 2015.
■■ RIBEIRO, Fábio Pereira. Administração Integrada: teoria e prática para o êxito profis-
sional. São Paulo: LCTE, 2006.
■■ SÁ, Antônio Lopes de; SÁ, Ana M. Lopes de. Dicionário de contabilidade. 7 ed. São Pau-
lo: Atlas, 1989.
REFERÊNCIAS 75
SENAI - DEPARTAMENTO NACIONAL
UNIDADE DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA – UNIEP
Felipe Esteves Pinto Morgado
Gerente Executivo de Educação Profissional e Tecnológica
Waldemir Amaro
Gerente de Tecnologias Educacionais
Nina Rosa Silva Aguiar
Gerente de Educação Profissional e Tecnológica
Fabíola de Luca Coimbra Bomtempo
Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros Didáticos
Paula Martini
Coordenação Geral do Programa SENAI de Educação a Distância
SENAI - DEPARTAMENTO REGIONAL DE SANTA CATARINA
Cleberson Silva
Coordenação do Desenvolvimento dos Livros Didáticos
Mauricio Cappra Pauletti
Coordenação Educacional
Maycon Cim
Coordenação Núcleo Técnico e Assessoria e Consultoria em Educação
Gisele Umbelino
Coordenação Assessoria e Consultoria em Educação
Kácio Flores Jara
Técnico em Educação a Distância
Michele Antunes Corrêa
Coordenação Desenvolvimento de Recursos Didáticos
Michele Antunes Corrêa
Roberta de Fátima Martins
Projeto Educacional
Carlos Filip Lehmkuhl Loccioni
Luiz Eduardo de Souza Meneghel
Projeto Gráfico
Priscila Carneiro Gallasse Cesconetto
Elaboração
Gustavo Lucas Alves
Revisão Técnica
Alda Yoshi Uemura Reche
Inês Helena de Melo Pires
Josilda Maria Carvalho de Barros
Vitório Donato
Comitê Técnico de Avaliação
Roberta Martins
Design Educacional
Luiz Eduardo de Souza Meneghel
Ilustrações e Tratamento de Imagens
Felipe da Silva Machado
Diagramação
Davi Leon Dias
Revisão e Fechamento de Arquivos
Luciana Effting Takiuchi
CRB-14/937
Ficha Catalográfica
Jaqueline Tartari
Contextuar
Revisão Ortográfica e Gramatical
Jaqueline Tartari
Contextuar
Normalização