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Metodos Ageis

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INTRODUÇÃO

Caro aluno,
Esta apostila foi elaborada para que, de forma complementar ao
material do ECLASS, pudesse oferecer uma visão teórica e prática dos
métodos ágeis aplicados à gestão de projetos e escalados à organização.
Nesse sentido, a apostila reúne os principais e atuais conceitos de
agilidade, frameworks, ferramentas e reflexões que poderão ser de grande
valia para o seu desenvolvimento profissional.
Os métodos ágeis na gestão de projetos não são somente uma
tendência ou moda, mas uma realidade que nasceu nos projetos de
software cuja utilização tem crescido em projetos de outras naturezas.
Para o melhor aproveitamento da disciplina, conjugue a leitura dos
módulos com o material on-line, as videoaulas, os podcasts, as leituras
complementares e os exercícios, tudo isso, permitindo-se um tempo para
reflexão crítica e interiorização dos conceitos. Afinal, mais importante do
que ler o conteúdo é relacioná-lo com o cotidiano e buscar formas de se
desenvolver, profissional e pessoalmente.
Ao final do estudo, você será capaz de compreender os principais
conceitos de metodologias ágeis utilizados no ambiente de
gerenciamento de projetos. Para tal, vamos:
 conceituar o modelo de gestão em empresas ágeis;
 definir práticas de agilidade e colaboração;
 analisar princípios e valores ágeis;
 explicar a importância da gestão de mudanças para a agilidade;
 discutir a preparação do product backlog;
 conhecer as melhores práticas sprint planning e técnicas de
estimativa;
 entender as principais cerimônias – retrospectiva, revisão,
daily stand-up;
 reconhecer os principais papéis envolvidos – Scrum master,
product owner, time de desenvolvimento;
 aprender a utilizar o canvas Kanban;
 discutir sobre a limitação de work in progress;
 aprender sobre little’s law;
 analisar a mudança de paradigma na restrição tripla;
 conhecer práticas de gerenciamento de projetos originárias no
desenvolvimento de software;
 discutir complexity thinking com base para o pensamento ágil;
 entender como produzir resultado e gerar valor com times
autogerenciados;
 conceituar as características e as funções do agile coach;
 discutir crenças limitantes para a gestão ágil e
 avaliar como aplicar a proposta do Management 3.0.

Bons estudos!
SUMÁRIO
MÓDULO I – INTRODUÇÃO À AGILIDADE E AO FRAMEWORK SCRUM ........................................... 7

HISTÓRICO DA AGILIDADE ................................................................................................................ 7


MANIFESTO ÁGIL ................................................................................................................................ 9
Princípios ágeis.........................................................................................................................11
O QUE É SCRUM?...............................................................................................................................12
Pilares do Scrum .......................................................................................................................13
Valores do Scrum......................................................................................................................13
Framework do Scrum ................................................................................................................14
PAPÉIS DO SCRUM ............................................................................................................................14
Product owner ...........................................................................................................................14
Time de desenvolvimento ......................................................................................................16
Scrum master.............................................................................................................................17
CERIMÔNIAS OU EVENTOS DO SCRUM..........................................................................................19
Sprint ..........................................................................................................................................19
Reunião de planejamento da sprint ......................................................................................20
Reunião diária ..........................................................................................................................20
Reunião de revisão da sprint ..................................................................................................21
Retrospectiva da sprint ............................................................................................................21
ARTEFATOS DO SCRUM ....................................................................................................................23
Backlog do produto ..................................................................................................................23
Backlog da sprint .......................................................................................................................23
Incremento ...............................................................................................................................24

MÓDULO II – KANBAN E FERRAMENTAS ÁGEIS ............................................................................ 25

O QUE É KANBAN .............................................................................................................................25


VISIBILIDADE NO KANBAN ..............................................................................................................26
WORK IN PROGRESS NO KANBAN....................................................................................................28
FERRAMENTAS ÁGEIS.......................................................................................................................32
Sete dimensões do produto ...................................................................................................32
Product vision box .....................................................................................................................32
Elevator speech ..........................................................................................................................33
Persona ......................................................................................................................................34
História de usuário ou user story ...........................................................................................34
Grooming ...................................................................................................................................35
Planning poker ...........................................................................................................................36
Escalas para definição de story points ...................................................................................36
Sequência de Fibonacci .....................................................................................................36
Escalas qualitativas.............................................................................................................37
Velocidade da equipe ..............................................................................................................38
Mínimo viável do produto.......................................................................................................38
Quadro de tarefas....................................................................................................................38
Burn down chart ........................................................................................................................39
Burn up chart.............................................................................................................................40

MÓDULO III – OUTROS FRAMEWORKS E ESCALADA ÁGIL ............................................................ 41

OUTROS FRAMEWORKS ÁGEIS .........................................................................................................41


Prince2 Agile .............................................................................................................................41
DevOps ......................................................................................................................................41
Extreme Programming ..............................................................................................................42
Dynamic Systems Development Method ..................................................................................42
Feature Driven Development .....................................................................................................43
One-Page Project Management ................................................................................................43
Canvas para projetos ...............................................................................................................44
ESCALADA ÁGIL ................................................................................................................................45
Scaled Agile Framework® ........................................................................................................46
Disciplined Agile .........................................................................................................................47
Scrum@Scale ............................................................................................................................49
Large-Scale Scrum .....................................................................................................................50
Nexus .........................................................................................................................................50

MÓDULO IV – AGILE COACHING .................................................................................................... 53

O QUE É AGILE COACHING................................................................................................................53


AGILE SOFTSKILLS...............................................................................................................................54
AGILE MINDSET ..................................................................................................................................55
MANAGEMENT 3.0 .............................................................................................................................59

BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................................ 62

PROFESSORES-AUTORES................................................................................................................ 65
MÓDULO I – INTRODUÇÃO À AGILIDADE E
AO FRAMEWORK SCRUM

Neste módulo, conheceremos os conceitos básicos de agilidade em gerenciamento de


projetos, tendo como principais conceitos: histórico e Manifesto Ágil. Também veremos os
principais conceitos de Scrum – estrutura, processos, pessoas e ferramentas em organizações ágeis –
bem como as suas aplicações na prática de gerenciamentos de projetos. Além disso, estudaremos
outros conceitos, como papéis, cerimônias e artefatos.

Histórico da agilidade
Agilidade é a habilidade de criar e responder às mudanças. É uma maneira
de lidar e, finalmente, ter sucesso em um ambiente incerto e turbulento
(AGILE ALLIANCE, 2020, p. 1).

Não é de hoje que as organizações têm enfrentado mudanças constantes e a necessidade de se


adaptar e se tornar mais competitivas. As primeiras necessidades para essa mudança aconteceram
nas linhas de produção.
Na década de 1950, a Toyota, com o ambicioso propósito de competir com as gigantes Ford
e General Motors (GM), criou o Sistema Toyota de Produção (STP). Em um cenário do Japão no
pós-guerra, com uma economia devastada e um mercado interno muito limitado, a Toyota
necessitava de alternativas, por isso passou a produzir pequenos volumes de diferentes modelos,
utilizando a mesma linha de montagem. Esse sistema de produção foi, posteriormente, batizado de
Lean Production ou produção enxuta. Os conceitos de Lean e agilidade estão fortemente
relacionados, como veremos a seguir. Os princípios do Lean Production são:
 definir valor na perspectiva dos clientes, e não na do produtor;
 identificar a cadeia de valor e eliminar os passos que não geram valor para o cliente ou
geram desperdício;
 garantir que os passos que geram valor ocorram continuamente, sem interrupções nem
fronteiras entre departamentos ou entre a organização e os fornecedores;
 estabelecer a produção puxada, e não empurrada, e
 buscar a perfeição por meio da melhoria contínua.

Vejamos como tais princípios se relacionam:

Figura 1 – Princípios do Lean Production

Fonte: elaborado pelos autores

A partir desses conceitos de Lean Production, nasceram os conceitos de Kanban, Kaizen e


Just in Time.
Na década de 1980, empresas dos Estados Unidos e do Japão já buscavam formas de reduzir
desperdícios, bem como ter flexibilidade e velocidade no desenvolvimento de novos produtos e na
incorporação de mudanças, mantendo a qualidade. Takeuchi e Nonaka (1986) afirmam que
empresas, como Fuji, Canon, Honda, NEC, Epson, Brother, 3M, Xerox e Hewlett-Packard
estavam utilizando uma abordagem holística no desenvolvimento de novos produtos e na melhoria
contínua na linha de produção. Essa nova abordagem poderia ser comparada, analogamente, com
a formação de um time de rúgbi, que se move como uma única unidade.

8
Curiosidade

O nome Scrum, que veremos mais à frente, vem da formação do time de rúgbi. Em 1986, essa
abordagem já era identificada em linhas de produção!

Takeuchi e Nonaka (1986) identificaram seis características em comum nessa nova


abordagem organizacional: 1) instabilidades de mercado construídas com base em instabilidade;
2) equipes de projeto auto-organizadas; 3) fases de desenvolvimento sobrepostas; 4) aprendizado
múltiplo; 5) controle sutil (controle rígido que prejudica a criatividade e a espontaneidade); e
6) transferência de aprendizado organizacional. Tudo isso baseado em criatividade e foco no cliente.
O princípio ágil defende a geração do resultado somente com o que é, realmente, necessário
e suficiente, e da forma mais simples possível. Como o conceito de linha de produção veio parar no
desenvolvimento de softwares?
A seguir, o quadro representa uma breve história da agilidade no desenvolvimento de softwares:

Quadro 1 – Agilidade no desenvolvimento de softwares

Fonte: adaptado de Agile Alliance (2020)

Manifesto Ágil
O Manifesto Ágil foi criado em fevereiro de 2001, em uma reunião que aconteceu na estação
de esqui de Snowbird, no estado de Utah, nos Estados Unidos. Assinaram-no 17 líderes
representantes de ideias, metodologias e processos que, em contraste com as práticas predominantes
na época, estavam trazendo valor para os seus clientes por meio de abordagens leves e empíricas
para projetos de desenvolvimento de software.

9
Sabia-se que os métodos tradicionais de desenvolvimento de gestão de projetos eram pouco
efetivos para o desenvolvimento de softwares, porque:
 os requisitos não são completamente conhecidos antes do início do projeto;
 os usuários só começam a entender o que querem após ver uma versão parcial do produto e
 os requisitos, as ferramentas e as tecnologias mudam frequentemente durante o processo
de desenvolvimento.

Desse modo, comparar projetos de desenvolvimento de software com projetos de construção civil
ou projetos militares, nos quais as metodologias tradicionais de gestão de projetos surgiram, não faz
sentido.

Manifesto para desenvolvimento ágil de software

Estamos descobrindo maneiras melhores de desenvolver software, fazendo-o nós mesmos e


ajudando outros a fazerem o mesmo. Por meio desse trabalho, passamos a valorizar:
 indivíduos e interações mais do que processos e ferramentas;
 software em funcionamento mais do que documentação abrangente;
 colaboração com o cliente mais do que negociação de contratos e
 resposta a mudanças mais do que acompanhamento de um plano.

Em outras palavras, mesmo havendo valor nos itens à direita, valorizamos mais os itens à
esquerda.

Fonte: Beck et al. (2001)

Vejamos cada um dos itens mencionados a seguir:

a) Indivíduos e interações
Para Larman (2003), a programação de computadores é uma atividade humana e, sendo
assim, depende de relações humanas para ser desenvolvida com sucesso. As pessoas envolvidas nos
processos não podem ser trocadas como peças (COCKBURN, 2007), mas devem ser tratadas como
um time. Afinal, quem gera produtos e serviços são os indivíduos, não os processos (HIGHSMITH,
2004), já que são os indivíduos que possuem características únicas, individualmente e em equipe,
como talento e habilidade (HIGHSMITH, 2004). A qualidade da interação entre os membros do
time é importante para a solução de problemas no desenvolvimento do projeto (COCKBURN,
2007), por isso o uso da comunicação e do feedback é essencial para a prática ágil (LARMAN,
2003).
Como as pessoas são consideradas mais importantes do que os processos, as ferramentas
utilizadas para auxiliar o desenvolvimento de software devem ser as mais simples possíveis, a ponto
de trazer resultados com o menor esforço possível (LARMAN, 2003).

10
b) Software em funcionamento
Um software em funcionamento é mais importante do que uma documentação abrangente.
Highsmith (2004) ressalta que clientes se interessam por resultados e geração de valor de negócio,
ou seja, software em funcionamento. Somente a documentação necessária deve ser produzida
(COCKBURN, 2007). Segundo Highsmith (2004), a entrega iterativa de versões do software
possibilita um feedback confiável no processo de desenvolvimento, substituindo a documentação
desnecessária.

c) Colaboração com o cliente


É interessante a visão de Cockburn (2007) com respeito a desenvolvedores e clientes: em
vez de nós e eles, há apenas nós. O que significa que clientes e times ágeis devem colaborar para
produzir soluções que tragam valor para esses clientes e usuários finais. Como vamos observar
nas dinâmicas, a exemplo do Scrum, ambos são necessários para que se produza software de boa
qualidade, quando os desenvolvedores recebem feedback constante sobre o produto
desenvolvido. Essa colaboração se mostra muito mais importante do que contratos bem
desenvolvidos; além disso, torna o ambiente propício para adaptações quando há alta
volatilidade, ambiguidade e incertezas (HIGHSMITH, 2004).

d) Resposta a mudanças
Muitos dizem que na gestão ágil não há planejamento; no entanto, Highsmith (2004) afirma
que todo projeto deve balancear o planejar com o mudar, dependendo do nível DE volatilidade,
ambiguidade e incertezas inerente a ele. Construir um plano é útil, mas seguir o plano só é útil até
o momento em que ele ainda está próximo o suficiente da situação atual (COCKBURN, 2007).
Afinal, manter-se preso a um plano ultrapassado não funciona em favor do sucesso.

Princípios ágeis
Os 12 princípios ágeis foram elaborados a partir do Manifesto Ágil:
1. A nossa maior prioridade é satisfazer o cliente por meio da entrega cedo e frequente de
software com valor.
2. Mudanças de requisitos são bem-vindas, mesmo em fases tardias do desenvolvimento. Os
processos ágeis utilizam a mudança em favor da vantagem competitiva para o cliente.
3. Entregar software em funcionamento com frequência, a cada duas semanas ou até a cada
dois meses, sendo comum a preferência por prazos mais curtos.
4. As pessoas do negócio e os desenvolvedores devem trabalhar em conjunto, diariamente,
ao longo do projeto.
5. Construa projetos em torno de indivíduos motivados. Dê-lhes o ambiente e o suporte de
que precisam, e confie neles para realizar o trabalho.

11
6. O método mais eficiente e efetivo de se transmitir informação para e entre uma equipe
de desenvolvimento é a conversa face a face.
7. Software em funcionamento é a principal medida de progresso.
8. Os processos ágeis promovem o desenvolvimento sustentável. Os patrocinadores,
desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter, indefinidamente, um ritmo
constante.
9. A atenção contínua à excelência técnica e a um bom projeto aumenta a agilidade.
10. Simplicidade – a arte de maximizar a quantidade de trabalho não feito é essencial.
11. As melhores arquiteturas, bem como os melhores requisitos e projetos, emergem de equipes
que se auto-organizam.
12. Em intervalos de tempo regulares, a equipe reflete sobre como se tornar mais efetiva e,
desse modo, refina e ajusta o seu comportamento de acordo.

O que é Scrum?
Um framework dentro do qual pessoas podem tratar e resolver problemas
complexos e adaptativos, enquanto produtiva e criativamente entregam
produtos com o mais alto valor possível (SCHWABER; SUTHERAND,
2017).

O Scrum foi desenvolvido no início dos anos 1990, fundamentado nas teorias empíricas de
controle de processo, inicialmente, para gerenciar e desenvolver produtos. Segundo Schwaber e
Sutherand (2017), pode ser usado para desenvolver softwares, hardwares, redes de funções
interativas, veículos autônomos e escolas, bem como para gerenciar a operação da organização. No
entanto, o seu uso tem sido amplamente difundido, com aplicações bem além dessas nas
organizações.
Scrum não é um processo, uma técnica ou um método. É um framework, uma cultura, dentro
da qual você pode empregar vários processos ou técnicas, já existentes ou criados para propósitos
específicos. O framework Scrum é composto de papéis, eventos, artefatos, que veremos ao longo
deste módulo. Vejamos:

Por ser um framework, Scrum pode funcionar bem quando combinado


com ou complementado por diferentes métodos e práticas, que podem ser
experimentados e adaptados pelo time para seu contexto específico
(SABBAGH, 2013, p. 29).

12
Curiosidade

O nome Scrum não é um acrônimo. Vem de uma das formações em que as equipes se colocam
para a reposição de bola em um jogo de rúgbi. Dessa forma, o time se move coeso em direção
ao objetivo como um só bloco.

Pilares do Scrum
Segundo Schwaber e Sutherand (2017), três pilares apoiam a implementação do Scrum:
1. transparência – aspectos significativos do processo devem estar visíveis aos responsáveis
pelos resultados, para isso a linguagem e o entendimento do produto final devem ser
comuns a todos do time;
2. inspeção – os times do Scrum devem, frequentemente, inspecionar os artefatos do Scrum
e o progresso das entregas com o objetivo de detectar variações. Essa inspeção não deve,
no entanto, ser tão frequente que atrapalhe a própria execução das tarefas, e
3. adaptação – caso um ou mais aspectos de um processo tenha sido considerado fora dos
limites aceitáveis ou o produto final seja inaceitável, este deve ser ajustado. O ajuste deve
ser realizado o mais breve possível para minimizar mais desvios.

O framework do Scrum prescreve quatro eventos formais para inspeção e adaptação, que serão
vistos mais à frente nesta apostila:
 planejamento da sprint;
 reunião diária;
 revisão da sprint e
 retrospectiva da sprint.

Valores do Scrum
O sucesso no uso do Scrum depende do comprometimento do time com estes cinco valores
a seguir, pois é isso o que permite uma geração de conhecimento iterativa e incremental:
1. comprometimento – as pessoas se comprometem pessoalmente a alcançar os objetivos;
2. coragem – o time Scrum precisa ter coragem para fazer a coisa certa e trabalhar em
problemas difíceis;
3. foco – todos focam o trabalho da sprint e os objetivos do time Scrum;
4. transparência – o time Scrum e as partes interessadas no projeto concordam estar abertos
a todo o trabalho e aos desafios com a execução dos trabalhos e
5. respeito – os membros do time Scrum respeitam uns aos outros para serem pessoas
capazes e independentes.

13
Framework do Scrum
A seguir, veremos o esquema do Scrum. Cada elemento será detalhado em seguida:

Figura 2 – Esquema Scrum

Fonte: elaborado pelos autores

Papéis do Scrum
A essência do Scrum é um pequeno time de pessoas, altamente flexíveis, adaptativas, auto-
organizáveis e multifuncionais (SCHWABER; SUTHERAND, 2017). O time Scrum é composto
de: product owner, time de desenvolvimento e Scrum master.

Product owner
Segundo Schwaber e Sutherand (2017), o product owner (PO) ou dono do produto é a pessoa
responsável por gerenciar o backlog do produto. Mesmo que delegue esse papel à equipe, continua
sendo responsável. O gerenciamento do backlog do produto inclui:
 expressar, claramente, os itens do backlog do produto;
 ordenar os itens do backlog do produto para alcançar melhor as metas e as missões;
 otimizar o valor do trabalho que o time de desenvolvimento realiza;

14
 garantir que o backlog do produto seja visível, transparente, claro para todos, e mostrar o
que o time Scrum vai trabalhar a seguir, e
 garantir que o time de desenvolvimento entenda os itens do backlog do produto no
nível necessário.

Para garantir um bom trabalho, o PO deve: 1) ter autoridade e respeito na equipe e na


organização para que as suas decisões sejam acatadas; 2) ter conhecimento suficiente do negócio e
do produto a ser desenvolvido; 3) ter conhecimento da capacidade da equipe do Scrum;
4) desenvolver bom relacionamento e escuta ativa com os clientes e time; 5) ter capacidade de, ao
mesmo tempo, planejar e ser flexível para mudanças; e 6) estar acessível para dúvidas sobre o backlog
do produto.
Ninguém, além do PO, tem permissão para falar com o time de desenvolvimento sobre
diferentes configurações de prioridade, e o time de desenvolvimento não tem permissão para agir a
partir do que outras pessoas disserem.
Mesmo representando os desejos do cliente, da organização ou do time, o PO é uma pessoa, não
um comitê.

Curiosidade

O PO é o responsável por definir, comunicar e manter a visão do produto ao longo do projeto.


Visão do produto é uma forma de traduzir esse objetivo a ser alcançado, sendo elaborada a partir
das interações com clientes e usuários finais do produto do projeto.

A partir da visão do produto, o PO deve criar um plano de como se espera que o produto evolua
ao longo do tempo, chamado de roadmap do produto. É como um plano de projeto da
metodologia tradicional, mas seguindo as diretrizes ágeis de levar em conta a melhor relação
entre esforço para planejar e benefícios gerados. Esse plano descreve as metas esperadas para
cada momento no futuro, chamadas de metas de roadmap.

Embora o seu uso seja comum em projetos ágeis, essa fase de planejamento, ou pré-jogo, os
artefatos, a visão do produto e o roadmap do produto não estão descritos no framework Scrum.

Resumo

O PO é responsável por fatiar, decompor e priorizar o backlog do produto e tem como principal
característica o discernimento de transformar as ideias dos clientes em um backlog do
produto priorizado.

15
Time de desenvolvimento
Segundo Schwaber e Sutherand (2017), o time de desenvolvimento é responsável por
entregar o produto pronto ou um incremento ao final de cada sprint. Além do disso, a partir do
backlog priorizado disponibilizado pelo PO, o time é responsável por estimar o nível de esforço de
cada item do backlog e definir a sua capacidade de produção em cada sprint.
Os times de desenvolvimento têm as seguintes características:
 são auto-organizados – ninguém, nem mesmo o Scrum master ou o PO, diz ao time de
desenvolvimento como realizar o seu trabalho;
 são multifuncionais, possuindo todas as habilidades necessárias, como equipe, para criar o
incremento do produto;
 são responsáveis tanto pelo desenvolvimento do produto quanto pela qualidade deste;
 não são reconhecidos subtimes no time de desenvolvimento, independentemente dos
domínios de conhecimento que precisam ser abordados – tais como teste, arquitetura,
operação ou análise de negócios –, todos trabalham e são responsáveis em conjunto. A
princípio, não existem times externos responsáveis por avaliar ou garantir a qualidade do
produto gerado, já que esse trabalho é de inteira responsabilidade do próprio time que
desenvolve o produto (SABBAGH, 2013);
 é permitido aos integrantes possuir habilidades especializadas e áreas de especialização,
individualmente, mas a responsabilidade é do time de desenvolvimento como um
todo;
 são times pequenos – Schwaber e Sutheran (2017) recomenda de três a nove integrantes;
 são coesos e, muitas vezes, são mantidos temporariamente, mesmo não estando alocados
em projetos, porque o esforço de montar um time integrado é maior do que mantê-lo por
um tempo, mesmo sem trabalho, e
 são inseridos, de acordo com o modelo de time no Scrum, nos valores do framework –
comprometimento, coragem, foco, transparência e respeito – para desenvolver o produto
final da melhor forma.

O time é composto por 10 ou menos pessoas, pois equipes menores podem ser mais
integradas, produtivas e comunicativas. Se o time for maior poderá ser dividido em múltiplos times
coesos, focados no mesmo produto. Para isso, devem compartilhar do mesmo objetivo, product
backlog e product owner. (SCHWABER et al, 2020).

16
Curiosidade

O time Scrum deve ter autoridade para inserir ou retirar algum membro do time. Inserir alguém,
no caso de necessidade de uma habilidade para a entrega dos produtos; e retirar alguém do time,
no caso de falta de integração ou produtividade. Essas mudanças não costumam ser temporárias
para uma ou duas sprints. Elas devem ser feitas de longo prazo, de forma a garantir a coesão do
time. O motivo disso é que o aprendizado gerado e absorvido leva o time a um aumento
progressivo da sua eficiência e da sua produtividade (SABBAGH, 2013).

Resumo

Times Scrum são auto-organizáveis, multifuncionais, coesos, pequenos e com alta maturidade
profissional. São responsáveis por definir o nível de esforço das atividades do backlog e a sua
capacidade de produção, além de desenvolver o produto final.

Scrum master
O Scrum master (SM) é um servo-líder do time de desenvolvimento, responsável por
promover e suportar o Scrum como definido no Guia Scrum. O SM faz isso ajudando o time a
entender a cultura, as práticas, as regras e os valores do Scrum (SCHWABER; SUTHERAND,
2017). O SM também é responsável por eliminar ou diminuir os ruídos externos que possam
atrapalhar o desempenho da equipe, e por auxiliar a comunicação e a integração do time.
Segundo Schwaber e Sutherand (2017), o SM serve o PO de várias maneiras, incluindo:
 garantir que objetivos, escopo e domínio do produto sejam entendidos o melhor possível
por todos do time Scrum;
 encontrar técnicas para o gerenciamento efetivo do backlog do produto;
 ajudar o time Scrum a entender as necessidades para ter itens de backlog do produto claros
e concisos.
 compreender o planejamento do produto em um ambiente empírico;
 garantir que o PO saiba como organizar o backlog do produto para maximizar valor;
 compreender e praticar a agilidade e
 facilitar os eventos Scrum conforme exigido ou necessário.

Também segundo Schwaber e Sutherand (2017), o SM serve o time de desenvolvimento de


várias maneiras, incluindo:
 treinar o time de desenvolvimento em autogerenciamento e interdisciplinaridade;
 ajudar o time de desenvolvimento na criação de produtos de alto valor;
 remover impedimentos para o progresso do time de desenvolvimento;
 facilitar os eventos Scrum conforme exigidos ou necessários e
 treinar o time de desenvolvimento em ambientes organizacionais nos quais o Scrum não é
totalmente adotado e compreendido.

17
Ainda segundo Schwaber e Sutherand (2017), o SM serve à organização de várias maneiras,
incluindo:
 liderar e treinar a organização na adoção do Scrum;
 planejar implementações Scrum dentro da organização;
 ajudar funcionários e partes interessadas a compreender e tornar aplicável o Scrum e o
desenvolvimento de produto empírico;
 causar mudanças que aumentam a produtividade do time Scrum e
 trabalhar com outros SMs para aumentar a eficácia da aplicação do Scrum na
organização.

Curiosidade

Como um bom facilitador, o SM deve manter-se neutro durante os eventos e as cerimônias, bem
como durante as decisões do time. O seu papel é facilitar, estimulando e, ao mesmo tempo,
controlando os ânimos das discussões.

Resumo

O SM é um líder-servidor, responsável por garantir que o Scrum seja entendido e aplicado.


Também deve excluir interferências externas; auxiliar o PO, aumentando a eficiência do time;
desenvolver o time; e aumentar a eficácia da aplicação do Scrum na organização.

A seguir, a figura descreve as relações entre as dimensões de conhecimento e os papéis do


Scrum, de forma que seja possível identificar as habilidades e os conhecimentos necessários para que
cada papel possa evoluir na carreira.

Figura 3 – Relações entre dimensões de conhecimento e papéis do Scrum

Fonte: adaptado de Sabbagh (2013)

18
Cerimônias ou eventos do Scrum
Sprint
O coração do Scrum é a sprint, um período delimitado (timebox) de um mês ou menos,
durante o qual um produto pronto – versão incremental potencialmente utilizável do produto – é
criado (SCHWABER; SUTHERAND, 2017).
As sprints têm sempre a mesma duração durante todo o projeto. Normalmente, duram de
uma a quatro semanas e devem ser coerentes com o trabalho a ser desenvolvido. Se o tempo da
sprint ultrapassar um mês, a definição do que será construído pode mudar, a complexidade pode
aumentar, e o risco pode crescer, por isso não é indicado que dure mais de quatro semanas
(SCHWABER; SUTHERAND, 2017). Uma nova sprint inicia imediatamente após a conclusão
da sprint anterior. Além disso, ao final de toda sprint, deve ser entregue um produto pronto ou parte
dele.
As sprints são compostas de: reunião de planejamento da sprint, reuniões diárias, trabalho de
desenvolvimento, revisão da sprint e retrospectiva da sprint.
Durante a sprint (SCHWABER; SUTHERAND, 2017):
 não são feitas mudanças que possam pôr em perigo o seu objetivo;
 caso a mudança não afete o seu objetivo, é possível fazer a troca de itens que não foram
iniciados;
 as metas de qualidade não diminuem e
 o escopo pode ser esclarecido e renegociado entre o PO e o time de desenvolvimento.

Curiosidades

Somente o PO pode cancelar uma sprint em andamento, e isso acontecerá se o backlog da sprint
se tornar obsoleto. Esse cancelamento pode ocorrer se a organização mudar a sua direção ou se
as condições do mercado ou das tecnologias mudarem.

Mesmo quando o time, perto do final do período estabelecido para a sprint, tiver certeza de
que não cumprirá o objetivo do ciclo, o seu timebox não será estendido, pois este é fixo (SABBAGH,
2013). Da mesma forma, disfunções como horas extras e aceleração forçada do ritmo de trabalho
devem ser evitadas (SABBAGH, 2013). Essas situações gerarão aprendizado para a equipe.
A primeira sprint servirá como base para criar referências de nível de esforço para cada user
story e para a velocidade do time de desenvolvimento.

19
Reunião de planejamento da sprint
O trabalho a ser realizado na sprint é planejado na reunião de planejamento da sprint, em que
o plano é criado com o trabalho colaborativo de todo o time Scrum (SCHWABER;
SUTHERAND, 2017). A reunião de planejamento da sprint possui um timebox com no máximo
oito horas para uma sprint de um mês de duração. Para sprints menores, este evento é usualmente
menor.
O SM é o facilitador dessa reunião e, dessa forma, deve garantir que o evento ocorra e que os
participantes entendam o seu propósito.
O PO deve ajudar a clarificar os itens de backlog do produto selecionado e nas decisões
conflituosas de troca, assim como decompor itens do backlog, caso seja necessário.
A reunião de planejamento da sprint responde às seguintes questões (SCHWABER;
SUTHERAND, 2017):
 O que pode ser entregue como resultado do incremento da próxima sprint?
Somente o time de desenvolvimento pode avaliar o que pode ser executado ao longo da
próxima sprint.
Como o trabalho necessário para entregar o incremento será realizado?
 O trabalho planejado pelo time de desenvolvimento para os primeiros dias da sprint é
decomposto até o final desta reunião, frequentemente, em unidades de um dia de duração
ou menos. O time de desenvolvimento se auto-organiza para realizar todo o trabalho do
backlog da sprint, tanto durante o planejamento da sprint quanto no que for necessário
durante a sprint.
A meta da sprint é o objetivo definido para a sprint, fornece uma direção para o time de
desenvolvimento sobre o porquê de estar construindo o incremento. Nessa reunião, os critérios de
aceitação também devem ser definidos.

Reunião diária
A reunião diária do Scrum é um evento com prazo delimitado (timeboxed) de 15 minutos,
para que o time de desenvolvimento possa sincronizar as atividades e criar um plano para as
próximas 24 horas.
Essa reunião é feita para inspecionar o trabalho desde a última reunião diária, e prever o trabalho
que deverá ser feito antes da próxima reunião diária. Para agilizar o tempo e reforçar o cumprimento do
timebox, essa reunião costuma ser feita em pé (stand up meeting) e no mesmo horário e local.
Alguns times de desenvolvimento utilizarão perguntas, outros se basearão em discussões. Vejamos
um exemplo de perguntas que podem direcionar a reunião (SCHWABER; SUTHERAND, 2017):
 O que eu fiz ontem que ajudou o time a atingir a meta da sprint?
 O que eu farei hoje para ajudar o time a atingir a meta da sprint?
 Eu vejo algum obstáculo que me impeça, ou impeça o time, no atingimento da meta da sprint?

20
Reunião de revisão da sprint
A revisão da sprint é executada no final da sprint para inspecionar o incremento e adaptar o
backlog do produto se necessário (SCHWABER; SUTHERAND, 2017). Durante a reunião de
revisão da sprint, o time Scrum e as partes interessadas – isto é, time, PO, SM e clientes – verificam
o que foi feito na sprint. Essa é uma reunião informal, não uma reunião de status, e a apresentação
do incremento se destina a motivar, obter comentários e promover a colaboração. Essa é uma
reunião com prazo delimitado de quatro horas de duração para uma sprint de um mês. Para sprints
menores, esse evento é, usualmente, menor.
A revisão da sprint inclui os seguintes elementos (SCHWABER; SUTHERAND, 2017):
 Os participantes incluem o time Scrum e os stakeholders-chave convidados pelo PO.
 O PO esclarece quais itens do backlog do produto foram prontos e quais não foram prontos.
 O time de desenvolvimento demonstra o trabalho que está pronto e responde às questões
sobre o incremento.
 O PO discute o backlog do produto tal como está. Além disso, projeta os prováveis alvos
e datas de entrega baseado no progresso até a data (se necessário).
 O grupo todo colabora sobre o que fazer a seguir, e é assim que a revisão da sprint fornece
valiosas entradas para o planejamento da sprint subsequente:
 revisão de como o mercado ou o uso potencial do produto pode ter mudado, e o que
é a coisa mais importante a se fazer a seguir, e
 revisão da linha do tempo, orçamento, potenciais capacidades e mercado para a
próxima versão esperada de funcionalidade ou de capacidade do produto.

Cada uma dessas entregas proporciona percepção do valor na visão dos clientes do projeto,
além de possibilitar o seu feedback rápido sobre o produto para que se realizem as mudanças ou
adições necessárias já para a próxima sprint (SABBAGH, 2013).
Nessa reunião, os detalhes do produto emergem ao longo do desenvolvimento do produto
(SABBAGH, 2013).

Retrospectiva da sprint
A retrospectiva da sprint é uma oportunidade para o time Scrum inspecionar a si próprio e
criar um plano para melhorias a serem aplicadas na próxima sprint (SCHWABER; SUTHERAND,
2017). Participam da reunião de retrospectiva o time, o PO e o SM.
O propósito da retrospectiva da sprint é (SCHWABER; SUTHERAND, 2017):
 inspecionar como a última sprint foi em relação às pessoas, aos relacionamentos, aos
processos e às ferramentas;
 identificar e ordenar os principais itens que foram bem e as potenciais melhorias e
 criar um plano para implementar melhorias no modo que o time Scrum faz o seu trabalho.

21
A retrospectiva da sprint deve ocorrer depois da revisão da sprint e antes da reunião de
planejamento da próxima sprint. Esta é uma reunião com prazo delimitado de três horas de duração
para uma sprint de um mês. Para sprints menores, esse evento costuma ser menor.
As cerimônias e os eventos se relacionam da seguinte maneira:

Figura 4 – Cerimônias e eventos

Fonte: elaborado pelos autores

O ciclo se inicia com uma reunião de planejamento de sprint e se encerra somente ao final do
projeto, com uma reunião de retrospectiva, que servirá para aprendizado e integração da equipe.

Um projeto pode ser encerrado porque:


 o tempo de contrato terminou;
 os objetivos do projeto foram entregues para o cliente;
 o orçamento do projeto acabou ou
 o contrato foi cancelado, por exemplo.

Em geral, um projeto possui uma duração determinada, e o máximo de valor é entregue nesse
tempo.

No ato do encerramento do projeto, espera-se que as necessidades ou os objetivos de negócios


de maior importância já tenham sido entregues, isto é, a visão do produto tenha sido alcançada.

Tanto a reunião de revisão da sprint como a retrospectiva da Sprint devem ocorrer no último
dia da sprint. A reunião de planejamento da sprint seguinte pode ocorrer em seguida ou no início
da próxima sprint.

22
Artefatos do Scrum
Os artefatos do Scrum representam o trabalho ou o valor a serem desenvolvidos pelo projeto.
Eles possibilitam transparência e oportunidades para inspeção e adaptação.

Backlog do produto
O backlog do produto é uma lista ordenada, em termos de prioridades, de tudo o que deve
ser necessário no produto. É produzida e constantemente atualizada pelo PO. O backlog do produto
evolui durante o desenvolvimento do produto de acordo com as necessidades dos clientes, do
negócio e do ambiente no qual ele será inserido. Isto é, o backlog do produto é dinâmico, mudando
para ser mais apropriado, competitivo e útil.

Curiosidade

Os itens do alto do product backlog são os mais importantes, pois serão utilizados naquele
momento, por isso possuem mais detalhes para serem desenvolvidos primeiro. Os itens mais
abaixo têm, gradativamente, menos detalhes (SABBAGH, 2013). Até porque é muito provável que
os itens de baixo sejam modificados ao longo do tempo. Como o nível de esforço do
planejamento deve trazer benefícios, detalhá-los antecipadamente pode significar um retrabalho
futuro.

Backlog da sprint
O backlog da sprint é definido a partir do backlog do produto. Ele representa a previsão do
time de desenvolvimento sobre quais itens do backlog estarão no próximo incremento e sobre o
trabalho necessário para entregar esses itens. O backlog da sprint torna visível todo o trabalho que o
time de desenvolvimento identifica que será necessário para atingir o objetivo da sprint.
Junto com o backlog, deve ser definido o compromisso do sprint (ou sprint goal). Este
compromisso proporciona flexibilidade em termos do trabalho exato necessário para alcançar a
necessidade do usuário. Se o trabalho se revelar diferente do que era esperado, o escopo do sprint
backlog pode ser negociado dentro do sprint sem afetar o sprint goal.
O sprint goal deve estar bem alinhado com os “porquês” identificados nas user stories.
(SCHWABER et al, 2020).

23
Incremento
O incremento é a soma de todos os itens do backlog do produto completados durante uma
sprint somado ao valor dos incrementos de todas as sprints anteriores (SCHWABER;
SUTHERAND, 2017). O incremento deve estar na condição de ser utilizado, isto é, pronto,
independentemente de o PO decidir liberá-lo para o cliente ou não.
Junto com o incremento deve ser definido o compromisso com a qualidade do que será
entregue: a definition of done. A expressão a definition of done é uma descrição formal das medidas
de qualidade exigidas para o produto. (SCHWABER et al, 2020).

24
MÓDULO II – KANBAN E FERRAMENTAS
ÁGEIS

Neste módulo, veremos os principais conceitos de Kanban e as suas aplicações na prática de


gerenciamentos de projetos. Teremos como principais conceitos: visibilidade e work in progress
(WIP), bem como ferramentas e aplicativos para gestão ágil de projetos.

O que é Kanban
Em japonês, Kanban significa, cartão visual. O termo tem-se tornado quase sinônimo da
implementação dos princípios Lean e de agilidade.
Embora sistemas Kanban sejam um conceito relativamente novo em TI, vêm sendo utilizados
por mais de 50 anos na Toyota, para visualmente controlar e equilibrar a linha de produção. A
metodologia se baseia em transparência total e comunicação em tempo real sobre capacidade de
produção.
O Kanban é baseado em uma ideia muito simples: as atividades em andamento devem ser
limitadas, de modo que uma nova atividade só deve ser iniciada quando a anterior é terminada.
Não é um processo ou um ciclo de vida de gerenciamento de projetos ou de desenvolvimento de
software (KNIBERG; SKARIN, 2009). É uma abordagem para mudança gerencial, de acordo com
o conceito de melhoria contínua. Pode ser utilizado para introduzir mudanças em um ciclo de
desenvolvimento de software ou metodologia de gerenciamento de projetos.
Para iniciar a abordagem de Kanban é preciso entender o processo atual ao mapear o fluxo de
valor, em seguida, limitar as atividades em andamento – do inglês work in process (WIP) – para cada
estágio desse processo. A partir daí, o Kanban usa um mecanismo de controle visual para acompanhar
o trabalho à medida que ele flui por meio das várias etapas do fluxo de valor, dando transparência ao
processo e ao seu fluxo, expondo gargalos, filas, variabilidade e desperdício. A visibilidade dos gargalos,
o desperdício, a variabilidade e os seus impactos incentivam a discussão sobre melhorias, e as equipes
iniciam, rapidamente, as melhorias nos seus processos. Como resultado, o Kanban encoraja a evolução
incremental de processos existentes, geralmente alinhada a valores ágeis e Lean (KNIBERG; SKARIN,
2009). Além disso, não demanda uma revolução drástica no modo como as pessoas trabalham, mas
encoraja uma mudança gradual (KNIBERG; SKARIN, 2009).

Kanban é um método de gestão de mudanças, que dá ênfase aos seguintes princípios:


 visualizar o trabalho em andamento;
 visualizar cada passo na sua cadeia de valor, do conceito geral até o software que se
possa lançar;
 limitar o trabalho em progresso – WIP –, restringindo o total de trabalho permitido para
cada estágio;
 tornar explícitas as políticas sendo seguidas;
 medir e gerenciar o fluxo, para poder tomar decisões bem embasadas, além de
visualizar as consequências dessas decisões, e
 identificar oportunidades de melhorias, criando uma cultura Kaizen, na qual a melhoria
contínua é responsabilidade de todos.

Fonte: Boeg (2011)

Curiosidade

O Kanban não é parte do Scrum! No entanto, vem sendo muito utilizado por times de
desenvolvimento, de forma integrada ao Scrum ou isoladamente.

Quando trabalhado em conjunto com o Scrum, normalmente, o método é conhecido como


Scrumban. O objetivo continua a ser de visualizar o fluxo de trabalho com um quadro Kanban,
mas fazendo uso das cerimônias Scrum de planejamento, daily Scrum e retrospectiva (Kaizen).

No caso do Scrumban, novas tarefas podem ser inseridas durante uma iteração, mas continua a
preocupação com a limitação do WIP. Normalmente, não são designados papéis para o time e
existe a opção por trabalhar com timebox ou não.

Visibilidade no Kanban
Para ser capaz de tomar decisões bem embasadas, o primeiro passo do Kanban para visualizar
o fluxo de trabalho é entender como o seu sistema atual funciona (BOEG, 2011). Para isso, deve-
se mapear todo o fluxo de trabalho atual, resistindo à tentação de pensar logo em melhorias. A
visibilidade é sempre o primeiro passo!

26
Quadro Kanban e os seus cartões:
 O quadro Kanban é formado por cartões de especificações.
 As colunas no Kanban representam o estágio do desenvolvimento de cada cartão.

O quadro Kanban é parecido com o que vemos a seguir. Digo parecido, pois ele deve refletir
o fluxo atual dos processos da equipe.

Figura 5 – Quadro Kanban

Fonte: Kniberg e Skarin (2009)

No exemplo apresentado, a coluna backlog é uma lista de coisas desejáveis, sem qualquer
ordem especial. A coluna selecionados contém os itens com maiores prioridades, com o limite
Kanban igual a 2. Dessa forma, deve conter apenas dois itens com alta prioridade ao mesmo tempo.
Sempre que estiver pronta para começar a trabalhar em um novo item, a equipe vai pegar o primeiro
item da coluna selecionados.
A coluna desenvolver – dividida em duas subcolunas: iniciado e pronto – mostra o que está
sendo desenvolvido no momento, com um limite Kanban de 3.
Atenção! A qualquer momento, o responsável pelo quadro poderá fazer mudanças nas colunas
backlog e selecionados, mas não poderá mudar as demais colunas.

Curiosidade 1

No exemplo, caso não houvesse nenhum item na coluna iniciado e três itens na coluna pronto,
pela limitação de itens no fluxo, os desenvolvedores não poderiam iniciar um novo item
selecionado. Isso lhes dá forte incentivo para concentrar esforços e ajudar a colocar as coisas em
produção para limpar a coluna pronto e maximizar o fluxo.

O limite das atividades em andamento existe para impedir que problemas fujam do controle,
uma vez que, se as coisas estão fluindo bem, os limites das atividades em andamento não são
usados realmente.

Fonte: Boeg (2011)

27
Curiosidade 2

Algumas equipes também utilizam as cores para identificar se o cartão representa uma história
do usuário, um defeito, uma tarefa, uma característica ou qualquer outra classificação do produto
final que queira comunicar. Como exemplo, vamos tomar o desenvolvimento de um aplicativo:
 História do usuário – é uma descrição de alguma funcionalidade que um aplicativo
precisa ter para atender a uma necessidade de uma persona. É formada por: Quem? O
quê? Por quê? Por exemplo, o criador do aplicativo precisa que os clientes se cadastrem
para ter um banco de dados para futuras vendas e comunicados.
 Defeito – algo que já foi feito, mas precisa ser corrigido. Por exemplo, o campo de e-mail
do cadastro está limitado a 10 caracteres e precisa ser aumentado para 25.
 Tarefa – são atividades simples. Por exemplo, fazer backup do banco de dados.
 Característica – são peculiaridades que o produto deve ter. Por exemplo, todas as
páginas do aplicativo precisam conter a logomarca da empresa.

Fonte: Boeg (2011)

Uma boa analogia é uma corrente de clipes de papel. Ela deve ser puxada, com uma
velocidade ótima para não arrebentar. Por outro lado, caso empurrada, ficará embolada em algum
ponto, mostrando desperdícios e acúmulo de trabalho. Com essa dinâmica visual, o Kanban
permite identificar desperdícios, gargalos e retrabalhos, estimulando a própria equipe e responsáveis
a implantar a melhoria contínua do processo.

Work in progress no Kanban


As única duas coisas que o Kanban prescreve é que o fluxo de trabalho deve ser visual e que
o WIP deve ser limitado.
Ser visual permite uma comunicação aberta com o time e o exterior, e todos podem contribuir
com ideias para melhorar o fluxo de trabalho de forma contínua.
Já limitar a quantidade de trabalho faz com que o time não entre em zonas de conforto, por
exemplo, começar algo menos importante, e não correr atrás de um impedimento de um trabalho
em andamento. A afirmação de que “quanto menos trabalho fazemos ao mesmo tempo maior é a
nossa eficiência” pode parecer um pouco contraintuitiva, no entanto, como demonstra a Lei de
Little, essa restrição é a chave para diminuir tempo de entrega (SABBAGH, 2013).
A Lei de Little foi apresentada por John Little, em um artigo publicado no jornal
acadêmico Operations Research, em 1961, e sugere que, em um sistema estável, a quantidade média
de tempo – throughput – que algo leva para atravessar um processo é igual ao número de itens no
processo, dividido pela sua taxa de conclusão média.

28
Em outras palavras:

throughtput = WIP / lead time

lead time = WIP / throughput

Desse modo, quanto maior for o WIP, maior tende a ser o throughtput.

O objetivo do Kanban é criar um bom fluxo por meio do sistema e minimizar o lead time.
Nesse sentido, segundo Kniberg e Skarin (2009), você precisa, regularmente, levantar questões
como:

Quais colunas devemos ter?


Cada coluna representa um estado de fluxo de trabalho ou uma pilha – fila – entre dois
estados de fluxo de trabalho. Comece simples e adicione colunas conforme o necessário.

Quais devem ser os limites do Kanban?


Quando o limite de Kanban para as suas colunas for atingido e você não tiver nada para fazer
na coluna seguinte, comece a procurar por um gargalo e por formas de minimizá-lo ou corrigi-lo.
Se você notar que muitos itens continuam por um longo tempo sem ser trabalhados, é uma
indicação de que o limite de Kanban pode estar muito alto:
 Limite de Kanban muito baixo  pessoas ociosas  má produtividade.
 Limite de Kanban muito alto  tarefas inativas  lead time ruim.

Quão restritos são os limites de Kanban?


Algumas equipes tratam os limites como regras estritas que não podem exceder, outras os tratam
como diretrizes ou disparadores de discussão. Desta forma, quebrar um limite de Kanban é permitido,
mas deve ser uma decisão intencional com uma razão concreta.

Segundo Boeg (2011), 10 passos são necessários para a implantação do Kanban:


1. Passo 1 – visualização do fluxo de trabalho;
2. Passo 2 – limite do trabalho em progresso;
3. Passo 3 – estabelecimento de políticas explícitas para a garantia de qualidade;
4. Passo 4 – ajuste de cadências;
5. Passo 5 – medição do fluxo;

29
6. Passo 6 – priorização – não é obrigatório para o Kanban, no entanto, se houver
necessidade, o backlog pode ser priorizado;
7. Passo 7 – identificação de classes de serviço – veja alguns exemplos típicos de tipos de
trabalho:
 histórias de usuário (pequenas, médias e grandes);
 defeitos (cosméticos, críticos e impeditivos);
 relatórios manuais;
 edições textuais;
 tarefas de suporte e
 instalação.
8. Passo 8 – gerenciamento do fluxo – ao chegar a este ponto, já estaremos operando em
um ambiente ágil e maduro. Visualizamos o fluxo de trabalho, o trabalho em progresso
está limitado, políticas de qualidade estão estabelecidas, o fluxo está sendo medido;
9. Passo 9 – estabelecimento de Service Level Agreement (SLAs) e
10. Passo 10 – melhoria contínua.

A seguir, vejamos um quadro comparativo entre Kanban e Scrum:

Quadro 2 – Kanban versus Scrum

Scrum Kanban

semelhanças

São Lean e Agile.

Usam controle de cronograma.

Limitam atividades em andamento.

Usam transparência para direcionar a melhoria do processo.

Concentram-se na entrega de software que funcione, o mais rápido possível


e frequentemente.

São baseados em equipes auto-organizáveis.

Exigem que o trabalho seja dividido em partes.

O planejamento de release é continuamente otimizado, baseado em dados


(velocidade/tempo de execução) empíricos.

30
diferenças

Iterações timeboxed prescritas. Iterações timeboxed opcionais – pode ter


cadência separada para o planejamento, o
release e a melhoria de processos. Pode ser
orientada para eventos, em vez de timeboxed.

Equipe se compromete a uma quantidade Compromisso opcional.


específica de trabalho para essa iteração.

Usa a velocidade como padrão métrico Usa o lead time como padrão métrico para o
para o planejamento e a melhoria de planejamento e a melhoria de processos.
processos.

Equipes multifuncionais prescritas. Equipes multifuncionais opcionais. Equipes de


especialistas autorizadas.

Os itens devem ser divididos para que Nenhum tamanho especial de item é prescrito.
possam ser concluídos dentro de uma
sprint.

Gráfico burndown. Nenhum tipo específico de diagrama é


prescrito.

WIP limitado indiretamente (por sprint). WIP limitado diretamente (por situação do fluxo
de trabalho).

Estimativa prescrita. Estimativa opcional.

Não poderá adicionar itens à iteração em Pode adicionar novos itens sempre que houver
uso. capacidade disponível.

O sprint backlog é de uma equipe Quadros Kanban podem ser compartilhados


específica. por várias equipes ou individualmente.

Possui três papéis: PO, SM e time. Não determina nenhum papel.

Um quadro Scrum é reiniciado entre cada Um quadro Kanban continua.


sprint.

Prescreve um product backlog priorizado. Priorização é opcional.

Fonte: Kniberg e Skarin (2009)

31
Ferramentas ágeis
Sete dimensões do produto
As sete dimensões de um produto são uma ferramenta como um canvas. É uma técnica de
análise do produto que pode servir para a criação e o alinhamento do que será necessário para o
desenvolvimento e a identificação de critérios de análise e critérios de qualidade.
As dimensões estão listadas a seguir:
 Ator – Quem é o ator para qual o produto está sendo construído?
 Interface – O que é necessário para a interação com o usuário? Por exemplo: tela, serviço
ou parceria com serviço externo existente.
 Ação – O que é possível fazer com essa interface? Quais as ações previstas durante a
utilização da tela? Por exemplo: alterar, incluir, buscar, localizar, etc.
 Informação – Quais tipos de informação podem ser manipuladas pelo ator?
 Regras do negócio – Existe alguma regra de negócio a ser considerada?
 Ambiente – Em qual plataforma o ambiente vai funcionar?
 Requisitos não funcionais – Existem requisitos não funcionais que impactam a
funcionalidade que está sendo construída?

Product vision box


Na criação de um produto, o PO pode solicitar à equipe que transforme a ideia em uma caixa
de um produto, como se fosse ser exposta na prateleira de uma loja. Essa caixa, ou embalagem do
produto, deve conter as principais funcionalidades. A vision box é usada, geralmente, no início do
projeto para alinhar os conhecimentos sobre o negócio e garantir que a visão do que deve ser o
produto foi compreendida, como pode ser visto na figura a seguir.

32
Figura 6 – Exemplo de product vision box

Fonte: INFANTE, Ricardo. Dinâmica vision box. 23 jan. 2013.


Disponível em: [Link]

Elevator speech
O elevator speech é um resumo usado para definir, de forma rápida e simples, um processo,
produto, serviço, uma organização ou um evento e a sua proposição de valor. O termo reflete a
ideia de que deve ser possível explicar um conceito de forma adequada, apesar de resumida, no
tempo de um passeio de elevador, ou seja, no máximo em três minutos.

33
Figura 7 – Exemplo de elevator speech

Fonte: Thrive Agency (2017).


Disponível em: [Link]

Persona
Também chamada de perfil dos usuários, a persona é um arquétipo de um usuário do produto.
Dicas para desenvolver personas:
 mantenha as suas personas concisas – elas devem ter uma história, características e
necessidades próprias;
 separe as personas do cliente e do usuário;
 faça com que as suas personas sejam críveis – podem ser associadas a imagens, fotos ou
desenhos para parecerem mais realistas;
 teste as suas personas comparando com a realidade do mercado;
 conecte as personas com as histórias de usuário e
 visualize as personas e se coloque no lugar delas para entender as necessidades delas.

História de usuário ou user story


User story são definições em alto nível dos requisitos do produto final, que incluem apenas
informações suficientes para que os desenvolvedores possam produzir estimativas razoáveis do
esforço necessário para implementá-las.
Essa é a forma preferida de times ágeis para representar cada um dos itens do product backlog
(SABBAGH, 2013). Elas tratam das necessidades e dos objetivos de negócios, e são descritas sob o
ponto de vista dos usuários do produto – ou das personas – e de uma forma concisa, simples e leve.
Devem conter:

Como um <QUEM?>, eu quero <O QUÊ?>, para <POR QUÊ?>.

34
Grooming
O refinamento do backlog do produto, às vezes, é chamado de grooming, em referência a
manter o backlog limpo e organizado. Essa atividade ocorre regularmente e pode ser uma reunião
oficialmente agendada ou uma atividade contínua.
Algumas das atividades que ocorrem durante esse aperfeiçoamento do backlog incluem:
 remover histórias de usuário que não sejam mais relevantes;
 criar histórias de usuário, em resposta a novas necessidades descobertas;
 reavaliar a prioridade relativa das histórias;
 atribuir estimativas a histórias que ainda não tenham sido estimadas;
 corrigir estimativas à luz das informações recentemente descobertas e
 dividir histórias de usuário que sejam de alta prioridade, mas estejam estimadas de forma
superficial – grosseira – para caber em uma próxima iteração.

Figura 8 – Exemplo de grooming

Fonte: Kenneth (2012)

35
Planning poker
Os membros da equipe – Scrum team – podem estimar o esforço de cada item do backlog do
produto por meio da técnica denominada planning poker.
Entre histórias ou itens do backlog do produto, a equipe seleciona a que julga ser a mais
simples de todas, isto é, a que demandará menos esforço para implementação, e ela será chamada
de história de referência, cuja estimativa será o menor ponto do baralho selecionado. As cartas
podem ser de baralho comum ou customizadas.
Para cada história de uso, os membros da equipe devem escolher uma carta que julguem ser
um valor estimado de esforço e mostrar as suas cartas ao mesmo tempo, para que as suas opiniões
não sejam influenciadas pelos outros membros. Caso os valores estejam muito diferentes, os
membros defendem os seus pontos de vista e nova rodada de cartas é mostrada até que se chegue a
um consenso.

Curiosidade

Story points representam complexidade, risco, esforço ou tamanho?

Inicialmente, os story points foram criados para que se pudesse continuar realizando estimativas
necessárias para o planejamento, mas ofuscando o tempo para evitar o compromisso com uma
alta precisão e evitar a pressão da gerência sobre estimativas. Eles representam o tempo, levando
em consideração parâmetros como complexidade, incerteza e tamanho.

Fonte: Sabbagh (2013)

Escalas para definição de story points


Primeiro, deve-se definir a escala de referência; depois, definir o esforço para cada item do backlog.

Sequência de Fibonacci
Figura 9 – Sequência de Fibonacci

Fonte: Wikipedia (2020)

36
Na matemática, a Sucessão de Fibonacci (também Sequência de Fibonacci), é uma sequência
de números inteiros, começando normalmente por 0 e 1, na qual, cada termo subsequente corresponde
à soma dos dois anteriores. A sequência recebeu o nome do matemático italiano Leonardo de Pisa, mais
conhecido por Fibonacci, que descreveu, no ano de 1202, o crescimento de uma população de coelhos,
a partir desta. No entanto, essa sequência já era conhecida na antiguidade.
A sequência de Fibonacci tem aplicações na análise de mercados financeiros, na ciência da
computação e na teoria dos jogos. Também aparece em configurações biológicas, por exemplo, na
disposição dos galhos das árvores ou das folhas em uma haste, no arranjo do cone da alcachofra, do
abacaxi, ou no desenrolar da samambaia (WIKIPEDIA, 2020).

Escalas qualitativas
Também podemos explorar as escalas qualitativas, como nas figuras 10 e 11:

Figura 10 – T-shirt sizing: P, M e G, ou PP, P, M, G e GG

Fonte: RADIUS ENGINEERING. Project estimation through T-shirt size. 23 set. 2017.

Disponível em: [Link]

Figura 11 – Cachorros: poodle toy, cocker spaniel, pastor alemão, etc.

Fonte: Dreamstime. ID 28103713.

Disponível em: [Link]

37
Velocidade da equipe
Como os esforços para cada história ou item do backlog foram mensurados por números –
vide palnning poker –, é possível, após cada sprint, saber qual é a capacidade de realização da equipe,
isto é, quantos pontos foram executados. A partir desses números, é possível calcular a velocidade
média da equipe e estimar as demais sprints.

Mínimo viável do produto


O mínimo viável do produto (MVP) é o mínimo que deve ser entregue de um produto para
que possa ser testado no mercado ou pelo cliente. Se possível, deve ser entregue após a primeira
sprint.

Quadro de tarefas
O quadro de tarefas representa o backlog. Para o Kanban, todos o itens do backlog ficam
visíveis em um quadro contínuo. Já para o Scrum, apenas o backlog da sprint fica visível, e todo o
quadro deve ser renovado para o próximo ciclo.

Figura 12 – Exemplo de quadro de tarefas

Fonte: elaborado pelos autores

Atenção!

A equipe sempre deve executar os itens do backlog de acordo com a priorização que foi
determinada pelo PO, no caso do Scrum; e pela equipe ou por um responsável, no caso do
Kanban.

No Scrum, mesmo um item estando previsto para uma mesma sprint, os itens de baixo só devem
estrar em produção quando os de cima estiverem completos.

No Kanban, devem-se respeitar os limites do WIP.

38
Burn down chart
O gráfico de sprint burn down – uma ferramenta que o time de desenvolvimento pode utilizar
para monitorar o seu progresso na sprint – pode ser atualizado nas reuniões diárias (SABBAGH,
2013). Representa o trabalho restante (eixo y) em função do tempo/sprints (eixo x).

Figura 13 – Burn down chart: exemplo 1

Fonte: elaborado pelos autores

Curiosidade

Embora o nome seja burn down, a curva, em alguns, momentos pode subir. Isso acontece quando
o backlog do produto sofre um aumento com a inclusão de novas funcionalidades, quando há
mudanças nas estimativas dos itens restantes ou quando parte da sprint anterior não foi
entregue. Veja as sprints 5 e 6 do gráfico a seguir.

39
Figura 14 – Burn down chart: exemplo 2

Fonte: elaborado pelos autores

Burn up chart
O burn up chart possui as mesmas funções que o burn down chart. No entanto, ele representa
as entregas acumuladas em função do tempo. Sendo assim, a sua curva sobe ao invés de descer.

40
MÓDULO III – OUTROS FRAMEWORKS E
ESCALADA ÁGIL

Neste módulo, apresentaremos outros frameworks ágeis além do Scrum e do Kanban.


Também discutiremos e exibiremos modelos de escalada ágil na organização.

Outros frameworks ágeis


Prince2 Agile
Um mix da metodologia Prince2®, já reconhecida no mercado, em articulação com as
metodologias ágeis. Tem o foco em governança, inovação e colaboração. Pode ser utilizado tanto
em projetos de engenharia de software como em outras áreas.

DevOps
No cenário tradicional de TI, encontramos uma distância muito grande entre as áreas de
desenvolvimento e a de operações, o que leva a falhas no processo e muito retrabalho.
DevOps visa promover a integração entre as áreas de desenvolvimento e operações em TI.
Não se trata de uma ferramenta, linguagem de programação ou framework, mas, sim, de um
movimento de comunicação e colaboração com foco no objetivo em comum.
A ideia por trás desse movimento é gerar colaboração e integração entre desenvolvimento e
operações, com entrega e feedbacks contínuos. Muitas vezes, tais práticas são desenvolvidas por meio
da automatização de processos. A figura clássica que representa o DevOps pode ser vista a seguir:

Figura 15 – Representação do DevOps

Fonte: Ambler e Lines (2017, p. 64)

Extreme Programming
A Extreme Programming (XP) é bastante prescritiva se comparada ao Scrum. Embora seja leve,
prescreve um conjunto mais completo de práticas que devem ser seguidas para se obter sucesso no
projeto (SABBAGH, 2013). Ela inclui quase tudo do Scrum e no Kanban, e mais algumas boas
práticas de engenharia bem específicas, como desenvolvimento orientado a testes e programação
em par (KNIBERG; SKARIN, 2009). É uma metodologia específica para o desenvolvimento de
softwares. Foi idealizada para times pequenos e médios, para os quais os requisitos são vagos e o
ambiente está em constante mudança. Tem como principais valores: comunicação, simplicidade,
feedback, coragem e respeito.

Dynamic Systems Development Method


Dynamic Systems Development Method (DSDM) é um framework que foca a entrega interativa
de sistemas de negócios com o uso de timeboxes e o envolvimento contínuo de negócios. É composto
de oito princípios e uma coleção de técnicas que podem ser usadas em projetos. Uma das suas
principais contribuições é a inversão do triângulo tradicional de restrições em gerenciamento de
projetos. Enquanto em métodos tradicionais trabalhamos com o escopo fechado, variando custos e
cronograma, em agilidade, trabalhamos fixando custos e cronograma, mas com o escopo variável,
conforme a figura a seguir.

42
Figura 16 – DSDM

Fonte: adaptado de Morse (2012)

Disponível em: [Link]


Source-Morse-L-2012_fig3_322599612.

Trata-se de um aporte muito importante para a mentalidade ágil como um todo, dada a
quebra do paradigma em relação às mudanças de escopo e ao seu fluxo de entrega.

Feature Driven Development


O Feature Driven Development (FDD) é um framework interativo para o desenvolvimento de
softwares com foco nas funcionalidades do produto.

One-Page Project Management


One-Page Project Management (OPPM), ou gerenciamento de projeto em uma página, foi
criado em 2006 por Clark Campbell, que publicou um guia de como aplicar essa técnica,
utilizada por ele há mais de 20 anos, para comunicar o andamento do projeto. O OPPM é uma
ferramenta de comunicação, não uma metodologia. Apresenta um resumo executivo do projeto
em uma folha A4, contendo o que foi planejado e o progresso alcançado (status). Não é simples,
mas é relativamente direta. O modelo contém cinco partes essenciais: tarefas, proprietários,
objetivos, tempo e custo (planejado versus executado).

43
Figura 17 – OPPM

Fonte: Campbell (2008)

Canvas para projetos


O modelo de canvas também é uma ferramenta de comunicação mais simples do que o
OPPM. Pode ser utilizada tanto para facilitar brainstorming da equipe antes do planejamento do
projeto como para apresentações executivas.

44
Figura 18 – Canvas para projetos

Fonte: PMCanvas. Disponível em: [Link]

Escalada ágil
Você já ouviu falar em mundo Vuca? Vuca é um acrónimo em inglês para volatilidade,
incerteza complexidade e ambiguidade. Em um ambiente em que muitas empresas fecharam ou
faliram por não conseguirem manter-se competitivas, estaremos preparados para evoluir
rapidamente para organizações mais ágeis e orgânicas?
Em um ambiente de mudanças constantes, a agilidade é cada vez mais disseminada e aplicada
às empresas, que precisam adaptar-se, constantemente, para se manterem competitivas. Por esse
motivo, os conceitos de agilidade e Lean extrapolam as linhas de produção e o desenvolvimento de
produtos e softwares para fazer parte da organização. São muitos pontos a serem considerados para
manter uma organização competitiva, incluindo a criação de soluções eficientes, respostas rápidas e
mudança de mentalidade. Nessas horas, a metodologia ágil é muito útil, principalmente, por incluir
as pessoas como centro dessas mudanças.
Escalar o ágil nas empresas requer diferentes ações, que vão depender dos objetivos e da
estrutura já existente no ambiente, porque não existem receitas prontas. Existem frameworks que
servirão de referência e precisam ser adaptados à cultura e aos objetivos da organização. Sem uma

45
escalada eficiente do ágil, há queda na satisfação do cliente, perda de participação no mercado,
falhas em processos e retrabalhos. Quando bem implementada, essa metodologia mantém
competitividade e é uma ferramenta primordial para o sucesso.
Não há atalhos em uma jornada ágil! Sustentar o ágil em escala requer uma mudança na
estrutura organizacional, nas políticas e no comportamento. Isto é, uma grande mudança de cultura!
Como qualquer outra mudança em escala, essa é uma tarefa desafiadora.
O processo de mudança organizacional afeta as pessoas. No caso da escalada ágil, também
depende das pessoas, uma vez que as equipes auto-organizadas são a base do conceito ágil. Dessa forma,
as pessoas precisam entender a nova maneira de trabalhar. Para que isso aconteça, cada organização
deverá criar o seu próprio processo que funcione no seu contexto específico. Dessa forma, as pessoas
devem ser envolvidas na mudança, não só no momento da implantação, mas na construção de uma
nova cultura. Quando criam os processos, as pessoas identificam o que funciona para elas e, em seguida,
uma nova cultura – a forma como fazemos as coisas aqui – vai emergir.
Não é fácil implementar todas essas mudanças culturais pregadas pelo ágil em escala. É preciso
que todos estejam comprometidos a melhorar a colaboração e a capacidade de executar projetos de
acordo com a estratégia.
Existem diversos frameworks para suportar a escala ágil: Scaled Agile Framework®,
Scrum@Scale, Disciplined Agile, LeSS, Nexus, Praxis36, que veremos logo a seguir. As diferenças
entre diferentes frameworks de dimensionamento refletem diferenças filosóficas profundas sobre os
principais desafios no escalonamento da agilidade. Identificar o ambiente e as necessidades da
organização é determinante para tomar as melhores decisões, criar maior transparência e
alinhamento no trabalho.
Em geral, em muitas organizações, o que observamos é a adoção de práticas e ferramentas
extraídas das várias estruturas apresentadas a seguir, derivando o seu próprio framework.
Assim como as pessoas, as organizações possuem perfis. É muito difícil observar uma
organização que mudou, radicalmente, a sua forma de operar. As empresas já nascem com uma
cultura. O que observamos no mercado são empresas tradicionais criarem braços – empresas irmãs
– já sendo criadas com uma cultura diferente para atender às demandas do mercado, uma vez que,
dentro da sua estrutura corporativa, não conseguiriam. Como exemplos, podemos citar a Embraer,
que criou o Centro Embraer de Inovação nos Negócios, em Melbourne; e a Fiat, que criou a Future
Insights, divisão de pesquisa ao lado da sua fábrica em Betim, Minas Gerais.

Scaled Agile Framework®


O Scaled Agile Framework® (SAFe®) é um conjunto de padrões – melhores práticas –
organizacionais e de fluxo de trabalho. Ele ajuda a implementar práticas ágeis em escala corporativa,
provendo um direcionamento nos níveis de portfólio, programas e times de projetos. Está
sustentado sobre os pilares de desenvolvimento ágil de software, desenvolvimento enxuto – Lean –
de produtos e pensamento sistêmico.

46
O SAFe® tenta adaptar-se ao máximo à organização para ser minimamente disruptivo e não
provocar conflitos durante a sua implementação na organização.
Os princípios do SAFe® (REAINTHONG, 2020) são:
 tenha uma visão econômica;
 aplique o pensamento sistêmico;
 assuma a variabilidade, preservando as opções;
 crie de forma incremental com ciclos de aprendizado integrados e rápidos;
 avalie o sistema de trabalho de forma objetiva, utilizando marcos;
 visualize e limite o trabalho em andamento, reduza tamanhos de lote e gerencie
comprimentos de fila;
 aplique cadência, sincronize com o planejamento integrado;
 motive os profissionais do conhecimento e
 descentralize a tomada de decisão.

Figura 19 – SAFe®: exemplo

Fonte: Scaled Agile Framework (2020)

Disciplined Agile
O Disciplined Agile (DA), framework de decisão, é uma estrutura que fornece orientação para
ajudar organizações a simplificar os seus processos, de maneira sensível ao contexto, dando uma
fundação sólida para a agilidade nos negócios. O DA foi criado para ajudar pessoas e equipes a fazer
escolhas informadas, melhorar a maneira de trabalhar e ajudar as empresas a simplificar estratégias
ágeis e flexíveis para a tomada de decisões melhores.

47
O DA Consortium foi adquirido em 2019 pelo PMI, sendo que, como o PMBoK, possui um
bom Body of Knowledge (BoK). A aplicação do kit de ferramentas DA possibilita que as empresas
personalizem qualquer método ou estrutura – como tradicional, Scrum ou SAFe® – para gerar
resultados que os diferenciem dos seus concorrentes. A título de facilitar a visualização, no DA, os
níveis de escalada estão representados na figura a seguir:

Figura 20 – Níveis de escalada

Fonte: Ambler e Lines (2017, p. 45)

O nível de Disciplined Agile Delivery (DAD) é o que lida com diferentes tipos de ciclo de vida
de gerenciamento. O modelo é completamente agnóstico no que diz respeito ao tipo de framework
a ser utilizado: Lean, Scrum, etc., contanto que seja bem escolhido em função do contexto e que
gere, de fato, valor ao cliente.

48
Scrum@Scale
Scrum, como originalmente apresentado no Scrum Guide, é um framework para
desenvolvimento, entrega e suporte a produtos complexos por um único time. Scrum@Scale (S@S)
foi criado para coordenar, de maneira eficiente, times que precisem otimizar a estratégia geral da
organização, criar produtos, serviços ou sistemas de maneira coordenada entre eles
(SUTHERLAND, 2019). Geralmente, é adotado por companhias que já utilizaram o Scrum com
sucesso. O seu objetivo é alinhar diversos times das organizações em torno de objetivos comuns
(SUTHERLAND, 2019). O seu framework é um conjunto mínimo de recursos que permite
inspeção e adaptabilidade por meio de transparência com objetivo de impulsionar a inovação, a
satisfação do cliente, o desempenho e a satisfação da equipe (SUTHERLAND, 2019).

Figura 21 – S@S

Fonte: Sutherland (2019)

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Large-Scale Scrum
Large-Scale Scrum (LeSS) é uma versão escalada de uma única equipe Scrum, mantendo
muitas das práticas e ideias de uma única equipe Scrum. No framework LeSS, todas as equipes estão
trabalhando em uma mesma sprint para entregar um pacote de produto ao final de cada sprint.
Como semelhanças do Scrum, podemos observar:
 um único product backlog, porque se trata de um único produto;
 uma única definição de pronto para todas as equipes;
 um pacote de incremento de produto ao final de cada sprint;
 um único PO;
 muitas equipes completas e multifuncionais e
 sprints de cadência única e em comum para os diversos times.

Figura 22 – LeSS

Fonte: THE LESS COMPANY B.V. LeSS framework. Disponível em: [Link]

Nexus
Nexus é um framework constituído de papéis, eventos, artefatos e regras que os unem e
entrelaçam junto ao trabalho de aproximadamente três a nove times Scrum em um único backlog
do produto para construir um incremento integrado que alcance uma meta (SCHWABER, 2018).
Não tenta resolver o problema da organização, em vez disso, concentra-se no desenvolvimento de
produtos grandes com várias equipes trabalhando juntas.

50
Figura 23 – Nexus

Fonte: Schwaber (2018)

51
MÓDULO IV – AGILE COACHING

Neste módulo, conheceremos os fundamentos de agile coaching. Para isso, teremos como
principais conceitos: agile coaching, agile softskills, agile mindset e management 3.0.

O que é agile coaching


Coaching é um processo de transformação e aperfeiçoamento que
possibilita aos indivíduos, times ou empresas, desenvolver as suas mais
variadas capacidades para permitir que alcancem o mais rapidamente
possível os seus próprios objetivos (BARBOSA, 2018).

A palavra coach vem da língua inglesa e significa treinador. É aquele que pode ajudar um
indivíduo a identificar o seu estágio atual de desenvolvimento em certa área e auxiliar na definição
de objetivos e planos para conseguir alcançá-los. O coaching não deve influenciar o indivíduo
treinado nas suas decisões. O seu papel é apenas estimular o treinado a agir, a realizar ações em
direção aos seus próprios objetivos, metas e desejos.
Nesse contexto, o objetivo do agile coach é desenvolver pessoas, times e organizações ágeis
para que pensem por si mesmas, sem a necessidade de seguir algum protocolo já existente ou um
modelo fixo. O trabalho do agile coach é guiar as pessoas, bem como ajudá-las a identificar e superar
os desafios da mudança, até que sintam segurança para seguir os seus próprios caminhos
(BARBOSA, 2018).
Com o objetivo de atualizar o modelo de gestão das empresas, tornando-as mais competitivas,
flexíveis e preparadas para o novo mundo, algumas organizações buscam uma transformação ágil.
A transformação ágil é uma abrangente e significativa mudança organizacional guiada,
motivada pela adoção e pelo exercício de novas práticas de comportamentos ágeis, os quais renovam
hábitos e processos, quebram paradigmas, reconfiguram os modelos de gestão, liderança e
relacionamento, impactando pessoas, processos, estruturas, cultura, clientes e estratégias do negócio
simultaneamente (BARBOSA, 2018).
Para isso, ainda segundo Barbosa (2018), é necessário:
 adotar novas formas de pensar e agir;
 readequar as estratégias dos produtos e negócios;
 aderir aos novos modelos de gestão;
 requintar as práticas de liderança e relacionamento;
 promover uma profunda renovação da cultura organizacional e
 admitir, combinar e praticar os métodos ágeis.

A transformação ágil não é simples e, para que ela aconteça, o agile coach pode ser a pessoa
que vai motivar as equipes, facilitando a identificação de objetivos e a montagem de planos de ação
para alcançá-los. pode ser um agente externo, um especialista contratado pela organização ou um
agente interno convocado pelo líder.
Como a transformação ágil deve ser adequada e customizada para cada empresa, a melhor
maneira de começar é entendendo a realidade atual da organização. Para esse entendimento,
ninguém melhor do que o time para dar informações! O agile coach deve começar o seu trabalho
por aí, com um brainstorming com o grupo, entrevistas individuais e observando, atentamente, as
rotinas da organização, servindo de mediador para o alcance das mudanças.
As possíveis barreiras a serem enfrentadas durante a transformação ágil são bloqueadores
técnicos, organizacionais ou comportamentais. O agile coach deverá estar atento a elas e auxiliar o
time a buscar soluções.
O trabalho de um agile coach não deve ser eterno, deve ter um prazo final e apesentar as
mudanças incorporadas. Afinal, o objetivo do agile coach não é virar muleta, mas fortalecer as pessoas
e os times para que possam caminhar sozinhos após a conclusão do processo (BARBOSA, 2018).

Agile softskills
Uma função importante do agile coach é auxiliar o desenvolvimento das softskills do time. Os
times ágeis precisam ser estáveis, multifuncionais, pequenos, integrados, dedicados e alinhados. Além
disso, devem exercer auto-organização, colaboração, responsabilidade, generosidade, cuidado e
comunicação. Os times ágeis devem ter plena consciência das competências coletivas e individuais de
que necessitam para melhor desempenhar o seu trabalho (BARBOSA, 2018).

54
O trabalho do agile coach deve ser constituído de vários ciclos, como o PDCA da qualidade:
plan, do, check, act ou, em português, planejar, fazer, verificar e atuar corretivamente. Isto é, o coach
deve auxiliar o time a identificar as suas necessidades e metas, planejar como alcançá-las, checá-las por
meio de indicadores previamente assumidos e tentar, novamente, agindo corretivamente, caso seja
necessário. Isso tudo em um ciclo crescente de aprendizagem e desenvolvimento.

Agile mindset
A mudança de uma cultura tradicional para uma cultura ágil não é nada simples. O desafio
da mudança de cultura não é fácil. Sendo assim, é importante verificar a necessidade para a
organização e os benefícios que serão alcançados.
Scrum é um framework para desenvolver, entregar e manter produtos complexos
(SCHWABER; SUTHERAND, 2017), mas sob qual conceito de complexidade? O que podemos
chamar de projetos complexos? Vejamos o quadro a seguir:

Quadro 3 – Complexidade

categorias causas associadas

comportamento individual;
comportamento do grupo, da organização e político;
comportamento humano
comunicação e controle e
desenvolvimento e desenho organizacional

complexidade do produto do projeto, entre outros, e


comportamento do sistema
problemas técnicos e de design

ambiguidade incerteza e emergência

Fonte: PMI (2014)

Segundo Sargut e Mcgrath (2011), em termos de propriedades, três delas determinam a


complexidade de um ambiente:
 multiplicidade – refere-se à quantidade de elementos potencialmente interagindo;
 interdependência – refere-se à forma como esses elementos estão conectados e
 diversidade – refere-se ao nível de heterogeneidade desses elementos.

55
Desse modo, quanto maior a multiplicidade, a interdependência e a diversidade, maior é a
complexidade. Podemos citar exemplos de projetos complexos:
 construção de uma barragem;
 projetos de pesquisa de materiais ou medicamentos;
 Eurotúnel e
 mudança de dinheiro físico para dinheiro criptografado.

Cada um deles pode ser classificado como complexo de acordo com as abordagens do PMI
(2014) ou de Sargut e Mcgrath (2011).

Exemplo – Projeto de pesquisa de um novo medicamento

De acordo com a classificação do PMI (2014):


 comportamento humano – cada pessoa reage de maneira diferente a um
medicamento. Muitos placebos funcionam tão bem como o medicamento em teste,
indicando que o fator emocional também influencia os resultados;
 comportamento do sistema – interações medicamentosas podem alterar resultados
de pesquisas. A qualidade dos equipamentos e os recursos humanos utilizados no
projeto também podem alterar o resultado e
 ambiguidade – total incerteza dos resultados da pesquisa e, para agravar, se a doença
estiver em fase epidêmica, poderá haver uma urgência.

No entanto, será que todos eles podem ser tratados com uma cultura ágil? Para cada tipo de
complexidade, o tratamento também será diferenciado. A seguir, o quadro apresenta os fatores de
complexidade e as competências a serem tratadas:

56
Quadro 4 – Fatores de complexidade e competências

complexidades e os seus fatores competência a confrontar

estrutural

alinhamento dos objetivos do projeto com


falta de compreensão do objetivo do projeto
os da organização

diversidade de disciplinas envolvidas capacidades (organizacional)

planejamento (por exemplo: Pert, CPM, etc.);


coordenação de múltiplas atividades
sistema de controle de desempenho

desconhecimento; incompatibilidade entre gerenciamento de qualidade e de


requisitos e subcomponentes configuração

ocorrência de evento que cause dano ao


gerenciamento de riscos
projeto

mudanças de objetivo sistema de controle de alterações

político-social

agendas conflitantes (aversão ou leniência desenvolvimento de relacionamentos;


na adesão ao projeto) liderança

motivational fator inventory; incentivos


motivação da equipe e parceiros
ligados ao desempenho

cultura organizacional avessa à cultura de


fit cultural
projetos

interesse pessoal sobrepujando objetivo do


sistema de governança
projeto

emergente

múltiplas opções para a solução de um pensamento estratégico; gestão do


problema sob incertezas conhecimento

diferenciação da concorrência; necessidade colaboração e cocriação; inadequação do


de obter soluções originais quadro conceitual inicial (QCI)

desenvolvimento de relacionamentos;
fronteiras fluidas (organizações temporárias)
transferência de conhecimento

mudança crítica e inesperada por atenção ao ambiente do projeto;


motivações do contexto flexibilidade e adaptabilidade

surgimento de problema para o qual não há


ambidestria (ampliar a eficiência e inovar)
referência para solução

Fonte: adaptado de Vianna Jr. (2015)

57
A emergente, que é mais comum tratarmos com a metodologia ágil, diz respeito aos
ambientes de projetos incertos, onde a tecnologia, o mercado e as respostas dos consumidores são
incertas. Acontece também com projetos inovadores, onde a equipe não tem experiência e o futuro
do projeto é cheio de incertezas. Neste caso, devemos planejar a curto prazo e testar os resultados.
Vemos muito isso em projetos de softwares e de aplicativos.
A complexidade político-social é observada em ambientes onde há muito interferência de
fatores humanos, comportamentais e culturais. Como exemplo, projetos governamentais, onde,
além do resultado para a população, o gerente do projeto precisa estar atento à fatores políticos e
eleitorais. A complexidade se dá no trato com os stakeholders e a comunicação do projeto.
Já a complexidade estrutural está ligada à complexidade do escopo do projeto, ao
entendimento deste pelas partes interessadas, ou pela diversidade de disciplinas envolvidas. Neste
caso, o gerenciamento preditivo do projeto se torna mais efetivo, pois esclarece o escopo, alinha o
entendimento e antecipa as necessidades e as dificuldades do projeto.
Podemos perceber que alguns fatores de complexidade, como incerteza, volatilidade,
inovação e criatividade, adequam-se mais a uma cultura ágil; outros, como os político-sociais e
estruturais, a uma cultura tradicional ou, quem sabe, híbrida. Normalmente, a metodologia ágil é
mais bem adequada a fatores de complexidade emergentes, mas isso não é restritivo!
No entanto, alguns pontos são relevantes para a decisão sobre qual metodologia utilizar:
 tipo de projeto e necessidade do cliente;
 tamanho e complexidade do projeto;
 cultura da empresa e cultura do cliente (no meio ágil, o cliente precisa estar disposto a
colaborar, constantemente, durante o projeto);
 grau de mudança esperado no escopo, que pode ser determinado pelo nível de informações
conhecidas e o grau de inovação do projeto;
 para um gerenciamento ágil do projeto, não é necessário um desenvolvimento linear, e as
entregas parciais devem gerar benefícios;
 nível de integração do trabalho da equipe desejado;
 orçamento – fixo ou variável – e
 tempo para planejar ou não, ou possibilidade de realizar testes frequentes.

A mudança do mindset pode ser feita na empresa como um todo ou apenas em uma área
específica. Após a decisão, deve-se planejar como enfrentar as principais barreiras de mudança de
mindset:
 Equipe – um time maduro, pequeno e auto-organizado é um dos pilares do mindset ágil.
É importante que a empresa esteja preparada para isso. Caso contrário, mesmo que a
equipe seja empoderada, ficará perdida, sem direcionamento, o que comprometerá o
resultado. A liberdade virá junto com uma alta carga de responsabilidade. Na mudança de
mindset, os principais problemas enfrentados relacionados às equipes são:

58
 falta de confiança e medo de expor as suas fragilidades;
 medo do conflito mantendo um clima de harmonia artificial;
 falta de comprometimento, time sem direção e sem prioridades convergentes;
 fuga da responsabilidade e
 desatenção aos resultados.

 Contratos – é preciso pensar nos contratos tanto com os clientes como com os
fornecedores. Os clientes deverão entender que as constantes mudanças são bem-vindas.
No entanto, alterações no backlog do produto terão como consequência alterações em
tempo e custo. Também é importante que estejam abertos e interessados em participar das
entregas, dando feedback e contribuindo para a construção do produto final. Quanto aos
fornecedores, é preciso avaliar se estarão aptos a fazer entregas com o planejamento de
curto prazo.
 Cultura corporativa – é normal, dentro de uma organização, que as pessoas tenham um
pensamento em comum. Claro, os valores da empresa foram levados em consideração,
desde o momento da contratação, e reforçados nos treinamentos, processos e hábitos até
a data. Uma mudança requer tempo e muita, muita, muita comunicação.

Importante

Não existe uma receita que sirva para todas as organizações e para todas as equipes. É preciso
que cada organização ou equipe encontre o seu próprio caminho.

Management 3.0
Management 3.0 é um mindset que combina uma gama de jogos, ferramentas e práticas para
melhorar a liderança nas organizações, com a visão não nos indivíduos, mas no sistema como um
todo (MANAGEMENT 3.0, 2020). Nesse sentido, não só um gerente tem responsabilidades, os
resultados do trabalho devem ser de responsabilidade de todos. Management 3.0 tem como objetivos
tornar líderes melhores, aumentar a produtividade, inovar de forma natural, motivar o time, mudar
culturas, implantar agilidade e aumentar satisfação no trabalho. É um movimento de inovação,
liderança e gestão.
Foi criado pelo holandês Jurgen Appelo, que também criou a imagem a seguir, a qual
representa os princípios do Management 3.0:
 ser prazeroso para os envolvidos;
 melhorar tudo;
 engajar pessoas e
 gerenciar o sistema, não pessoas.

59
Figura 24 – Princípios do Management 3.0

Fonte: Cultura Ágil.


Disponível em: [Link]

A gestão passa a ser uma responsabilidade do grupo, trabalhando junto para encontrar a forma
mais eficiente para uma empresa atingir os seus objetivos, mantendo a felicidade dos trabalhadores
como uma prioridade.
Espera-se que a eficiência possa ser aumentada por meio da formação de times ágeis
empoderados, inovadores, motivados e trabalhando em estruturas que permitam a comunicação
eficiente em todas as camadas da organização. As seis visões do Management 3.0 são descritas a seguir:
1. Energizar as pessoas – como as pessoas são a parte mais importante das organizações, os
seus gerentes devem fazer o possível para mantê-las ativas, criativas e motivadas. Para isso,
faz-se necessário entender a diferença entre as diversas pessoas, os tipos de motivação
intrínseca e extrínseca e identificar o que as motiva à sua volta;
2. Empoderar times – gerentes devem entender como times auto-organizados funcionam,
quais são os desafios envolvidos e como construir relações de confiança mútua que levem
a times auto-organizados de sucesso;
3. Alinhar restrições – gestores devem entender a diferença entre restrições e regras, e
direcionar os times para que possam trabalhar de maneira auto-organizada, seguindo os
objetivos propostos pelos gestores. Quando não há uma meta ou propósito claro, o
resultado pode não ser o esperado ou difuso;
4. Desenvolver competências – times só conseguem atingir um bom desempenho quando
estão habilitados para os seus trabalhos e se sentindo capazes o suficiente. Sendo assim,
os gestores devem contribuir para o desenvolvimento das competências necessárias dos
membros do time;

60
5. Desenvolver a estrutura organizacional – o modelo de estrutura organizacional impacta,
significantemente, o modo de funcionamento da organização. Vários times operam no
contexto de uma organização complexa, por isso é importante considerar uma estrutura
que privilegie a comunicação. Gestores precisam entender a diferença entre times
funcionais e multifuncionais, bem como conhecer técnicas para desenhar áreas que
funcionam e se comunicam com eficácia e
6. Melhorar continuamente – é um dos maiores desafios nas organizações. Pessoas, times
e organizações precisam melhorar continuamente. Na prática, isso significa que gestores
e líderes devem ser agentes de mudança.

Uma das diversas questões abordadas por Appelo, na sua obra, diz respeito aos chamados
moving motivators, relacionados ao nosso autoconhecimento e às nossas motivações intrínsecas,
conforme mostra a figura a seguir:

Figura 25 – Moving motivators

Fonte: Rodrigues (2019)

Normalmente, todos possuímos esses fatores em menor ou maior grau, dependendo do


contexto ou do momento vivido. As cartas podem ser utilizadas de várias formas, de acordo com a
necessidade: desde um exercício de autoconhecimento que sugere colocar em sequência, do menor
para o maior fator motivador, até um estudo de estado futuro, reorganizando as cartas em função
de um objetivo, como terminar um curso, arrumar um novo emprego, etc.
Até mesmo em uma reunião de retrospectiva, o uso das cartas pode ser interessante para que
o time se conheça melhor. Trata-se de um trabalho reflexivo, mas que pode gerar uma ordenação
das cartas pelo time, gerando maior integração.

61
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64
PROFESSORES-AUTORES
MARCELA SOUTO CASTRO
FORMAÇÃO ACADÊMICA
 Cursou doutorado na ESC Rennes.
 Mestre em Sistemas de Gestão pela Universidade Federal
Fluminense (UFF).
 MBA em Organizações e Estratégia pela UFF.
 MBA em Gestão de Projetos pela Fundação Getulio Vargas.
 Graduada em Engenharia de Produção pela UFF.
 Certified Scrum Master (CSM).
 Practitioner em Programação Neurolinguística.
 Aluna do Programa de Negociação da Harvard Law School em 2011.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
 Presta consultoria e ministra palestras sobre Negociação e Oratória, tendo como clientes
diversas empresas, tais como: TIM, Endesa, Claro, Avon, GSK, Vale, IRB e Pinheiro
Neto, entre outras.
 Consultora especialista em Gestão de Projetos, elaborando procedimentos de gestão de
projetos, implantando escritórios de projetos e realizando controle de qualidade de
projetos estratégicos e treinamentos em empresas como Estaleiro Atlântico Sul, Souza
Cruz, TecPrima e ValeSul.
 Professora da Universidade Europeia de Lisboa.
 Professora convidada dos cursos de MBA da FGV, presencial e on-line, desde 2008,
atuando nas disciplinas de Técnicas de Apresentações e Comunicação Interpessoal,
Negociação e Gerenciamento de Projetos.
 Experiência na área comercial, tendo atuado em empresas nacionais e multinacionais de
porte como Ampla Distribuidora de Energia, General Electric, Repsol YPF Distribuidora
e Turbomeca do Brasil.

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ANDRÉ BARCAUI
FORMAÇÃO ACADÊMICA
 Pós-Doutor em Administração pela FEA/USP.
 Doutor em Administração pela UNR.
 Mestre em Sistemas de Gestão pela UFF-RJ.
 Graduado em Tecnologia da Informação e Psicologia, com
formação em terapia cognitivo-comportamental.
 É certificado PMP, PMI-ACP e DASSM pelo Project
Management Institute, em KMP pela Kanban University, Master
Coach pelo Behavioral Coaching Institute (BCI), Advanced Scrum Master pela Scrum
Alliance, Public-Private Partnerships Foundation (CP3P) pela APMG, SAFe Agilist e Agile
Coaching (ICP-ACC) pela ICAGile.

EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS
 Palestrante e autor de diversos artigos e livros na área gerencial.
 É membro-fundador do PMI Chapter Rio e hoje faz parte do seu Conselho Consultivo.
 Foi project office manager da Hewlett-Packard Consulting, responsável pela região Latino-
Americana.

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