Compostos de Coordenação: Formação e Tipos
Compostos de Coordenação: Formação e Tipos
EXTENSÃO DE NIASSA
Uma solução aquosa de carnalita apresenta as propriedades dos iões K+, Mg2+ e Cl-.
Analogamente, o alúmen de potássio em solução aquosa mostra as propriedades do K+, Al3+ e
SO42-. Estes compostos são chamados de sais duplos ou adutos, e só existem no estado sólido.
Os outros dois exemplos de compostos de adição comportam-se de maneira bem diversa dos
adutos. Quando dissolvidos, não formam os iões Cu2+, ou Fe2+ e CN-, mas formam iões muito
mais complicados estruturalmente, o iões tetraamincobre(II), [Cu(NH3)4(H2O)2]2+, e o iões
hexacianoferrato(II), [Fe(CN)6]4-. Estes iões são iões complexos e existem como espécie única e
própria. Os iões complexos são representados, comumente, entre colchetes. Os compostos de
adição deste tipo são chamados de Compostos de Coordenação, Complexos Metálicos ou
simplesmente de Complexos.
A espécie central pode ser um ião ou um átomo, geralmente de um metal e os ligantes podem ser
iões ou moléculas neutras.
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As unidades complexas dissociam-se muito pouco, são estáveis em solução. Estas características
permitem diferenciar os complexos dos sais tipicamente cristalinos, nos quais os componentes
iões estão em permanente interacção no estado cristalino, dissociando-se quando dissolvidos.
ii) Complexos inertes são complexos cujas reacções de troca de ligantes são muito lentas.
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Muitos complexos são sintetizados em solução aquosa pelo deslocamento de ligantes de água:
b) Reacções de oxidação-redução
Em alguns casos, a identidade dos ligantes pode mudar por um aquecimento e vaporização de
ligantes mais voláteis. Um exemplo prático é a química do Co (III):
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b) Natureza do ligante
A inserção do ligante no átomo central faz-se através de átomos de ligação (doadores de
electrões). A capacidade de ceder ou doar electrões ocorre, com frequência, nos elementos dos
grupos V-A, VI-A e VII-A, bem como no carbono e no hidrogénio. Doadores, também podem
ser iões ou mesmo moléculas contendo um ou mais átomos de ligação.
Porém, existem outros ligantes, normalmente orgânicos, que contêm mais do que um átomo
doador e, podem ocupar mais que uma posição de coordenação do átomo central. Estes ligantes
chamam-se quelados e, os respectivos complexos são designados complexos quelados ou
simplesmente quelatos e, são normalmente, muito estáveis.
É um caso relativamente raro e ocorre em iões +1 do Cu, Ag, Au e Hg22+. A geometria é linear.
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É menos comum que o 4 ou o 6, mas, assim mesmo, muito importante. Existem dois rearranjos
geométricos simétricos, a bipirâmide trigonal (bpt) e a pirâmide quadrada (pq).
Apesar dos dois arranjos geométricos aparecem muito diferentes, em geral, não têm energias
muito diferentes e um converte-se em outro por pequenas modificações noa ângulos de ligação.
Por isso, muitos complexos com número de coordenação 5 não têm uma ou outra estrutura
definitivamente, mas um agrupamento intermediário dos dois arranjos. Além disso, aqueles que
têm uma estrutura próxima de uma destas formas ideais são estereoquimicamente não rígidos (os
ligantes não permanecem fixos nos seus sítios, mas, mudam de lugar com rigidez).
É um número muitíssimo importante, pois, quase todos catiões formam complexos com essa
coordenação e, praticamente todos têm uma forma geométrica, o octaedro. O octaedro pode ser
distorcido, mesmo em casos em que os ligantes são iguais (quimicamente idênticos), seja por
efeitos electrónicos inerentes ao ião metálico, seja como consequência de forças nas vizinhanças.
Com alguma frequência encontram-se os números de coordenação 7, 8 e 9 nos catiões com maior
tamanho. Em cada um desses casos, existem várias geometrias, em geral pouco diferentes quanto
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As moléculas ou os iões que rodeiam o metal em um ião complexo são chamados de ligantes. As
interacções entre o átomo metálico e os ligantes podem ser pensadas como reacções ácido-base
de Lewis. Os ligantes são classificados, principalmente, de acordo com o número de ligações que
podem fazer com o metal. Existem ligantes monodentados, que são aqueles que fazem somente
uma ligação e ligantes ditos quelantes, onde há mais de um ponto de coordenação com o metal.
Os ligantes quelantes também são chamados de ligantes polidentados. Existem diversos tipos,
como os bidentados (dois pontos de coordenação), tridentados (três pontos de coordenação) ou
tetradentados (quatro pontos de coordenação) e assim por diante. Existem também ligantes do
tipo ambidentados. São ligantes que possuem dois pontos de coordenação, mas não é possível
usá-los juntos com o mesmo metal. Isto é, ou se ligam por um dos pontos ou pelo outro. São,
portanto, ligantes monodentados, mas com mais de uma opção de coordenação. São clássicos
ligantes ambidentados o SCN–, que pode se ligar pelo enxofre ou pelo nitrogênio e, também, o
NO2– que pode se ligar tanto pelo nitrogênio como pelo oxigênio.
14.3.2 Notação
Para escrever a fórmula molecular de um complexo, a espécie central é escrita em primeiro lugar
precedida de um colchete ([), [Co, seguida do nome dos ligantes iónicos em ordem alfabética
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[CoBrCl, e depois daqueles que são moléculas neutras também em ordem alfabética
[CoBr(NH3). Quando o ligante é uma substância composta molécula neutra como amônia, água
ou iônica, como o ião tiocianato (SCN-), o cianeto (CN-), são escritos entre parênteses. Após o
símbolo do ligante, devemos incluir um índice que indica a quantidade de cada espécie presente
no composto, [CoBrCl(NH3)2(en)].
Finalmente fecha-se a fórmula com um colchete (]), seguido de um expoente que representa a
carga do ião complexo quando for iónico.
Exemplos: [Cr(CN)6]3-;
14.3.3 Nomenclatura
1. Usa-se os prefixos di, tri, tetra, penta, hexa para designar a quantidade de um determinado
ligante;
2. Os ligantes são escritos em ordem alfabética, sem levar em conta os prefixos acima
mencionados;
3. Escreve-se no final o próprio nome da espécie central, seguida do seu estado de oxidação
escrito entre parênteses e em algarismos romanos, inclusive quando o estado de oxidação for
zero;
5. Não tem necessidade de especificar a carga do ião complexo e se é uma molécula neutra.
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iii) Radicais derivados de hidrocarbonetos: igualmente aos oxianiões, não existe alteração entre o
nome do pré-ligante e o do ligante. Para o cálculo de estado de oxidação da espécie central, o
radical do hidrocarboneto é considerado como um anião de carga -1.
iv) Alguns pré-ligantes não obedecem nenhuma regra e os ligantes correspondentes a eles têm
um nome especial.
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v) Os ligantes que são ambidentados, dependendo do átomo doador, têm nomes diferentes e, em
especial, o ião nitrito que, além de actuar como ambidentado, também pode ser bidentado. Outra
possibilidade é a de actuar em compostos binucleares como ligante de ponte, coordenado
simultaneamente através do nitrogênio e do oxigênio ou somente o oxigênio servindo de ponte:
Exemplos:
[CoBrCl(NH3)2(en)]+ - diaminobromocloro(etilenodiamino)cobalto(III)
[PtCl2(NH3)2] – Diaminadicloroplatina(II)
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c) Complexos aniónicos
Para este tipo de complexo, por exemplo [Co(CN)6]4-, usam-se todas as regras anteriores,
excepto na denominação da espécie central que se usa a terminação ato em substituição à última
letra no nome do metal.
Exemplos: [Co(CN)6]4-—hexacianocobaltato(II).
Para alguns metais, usa-se o seu nome latino quando substituímos a terminação um do nome em
latim e acrescenta-se a terminação ato.
Exemplo:
[AuCl4]2- - tetracloroaurato(II).
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ii) Para o ião complexo aniónico, usa-se um catião como contra-ião, sendo agora o contra-ião
escrito na fórmula molecular primeiro e inicia-se a leitura através do anião. Não se escrevem as
cargas dos iões e muito menos o número de contra-iões usados.
e) Complexos binucleares
Chamam-se complexos binucleares aqueles que apresentam duas espécies centrais. Estes dois
núcleos são ligados entre si através de ligações metal-metal ou tem um ou mais ligantes de ponte.
Os ligantes de pontes são aqueles que podem ligar-se simultaneamente a dois átomos centrais
formando assim um composto binuclear.
A nomenclatura utilizada para estes compostos de coordenação é a mesma descrita acima, apenas
usaremos a letra grega (mi) para designar qual é o ligante de ponte.
O carbonilo (CO) tem carga zero sendo 5 destes ligantes coordenados a cada cromo o primeiro
termo da equação ser 5 x 0; para o cromo coordenado a estes primeiros carbonos chamaremos o
estado de oxidação de Y; o hidreto que é o ligante de ponte assume a sua carga que -1;
concluímos equação acrescentando outro Y referente ao segundo cromo e 5 x 0 para os demais
ligantes carbonilo; o ião complexo apresenta também carga -1.
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As ligações químicas nos complexos são determinadas pela natureza do intercâmbio electrónico
entre o ião central e os ligantes.
No caso imite da electrovalência, os complexos formados por iões ou moléculas dipolares são
mantidos por forças de natureza electrostática.
Nos casos de valência pura verifica-se uma sobreposição acentuada entre as orbitais do ião
central e as dos ligantes.
Porém, em muitos casos, não é possível dizer-se exactamente, qual o tipo de ligação prevalece,
existindo todavia muitos outros casos que podem ser explicados separadamente por modelos
electrostáticos e covalentes.
Complexos são agregados formados por iões que se combinam entre si ou com moléculas
dipolares, sendo essa combinação de natureza electrostática, sem qualquer troca de electrões.
O campo de acção do ião está orientado espacialmente e não é possível atingir-se a saturação do
iao central através de uma só ligação a um ião (ou molécula dipolar) contrário. Assim, o ião
central é envolvido por um certo número de iões ou moléculas dipolares (ligantes) até à
saturação espacial da sua carga e isto depende da correlação entre as forças de atracção e de
repulsão ligante-ião central e ligante-ligante.
Dependendo da natureza electrostática das forças de ligação, o ião central pode ou não trocar de
ligantes. A energia de ligação é determinada pelas forças de atracção e repulsão e o número de
coordenação depende do tamanho dos iões, quer dizer, da razão entre o raio do ião central e dos
ligantes.
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Nesta teoria parte-se do princípio de que os iões são esféricos e se comportam como tal e que os
seus raios são constantes. Porém, isso nem sempre acontece se tomar-se em conta fenómenos de
polarização dos quais resultam deformações. Aniões grandes deformam-se facilmente enquanto
catiões pequenos de carga elevada são bons polarizantes. Disto pode resultar um reforço da
ligação;
Esta teoria é aplicável aos metais do tipo A e aos lantanídeos, mas não esclarece devidamente as
propriedades dos complexos dos metais de transição (mudanças de cor, magnetismo, diferentes
geometrias), como também pouco esclarece sobre os complexos dos carbonilos, aromáticos,
hidrocarbonetos insaturados cuja estrutura é covalente.
Nelas a adesão dos ligantes ao átomo central ocorre através de pares electrónicos, partilhados em
comum ou através da sobreposição entre orbitais do átomo central e do ligante.
Esta teoria afirma que a força motriz da complexação está na tendência dos metais para
atingirem o número de electrões e a estrutura do gás nobre mais próximo.
iii) A ligação química pode ser interpretada como uma ligação coordenada dativa;
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1. As contradições surgem entretanto com complexos como por exemplo os do Ni2+, Pd+, Pt2+,
Cu2+ e Au3+, que são muito estáveis apesar de não apresentar a estrutura de um gás nobre;
2. Um outro argumento contra a teoria dos gases nobres é o facto de que não deve ocorrer uma
acumulação excessiva de cargas a volta do ião central devido à captação dos electrões dos
ligantes pelo átomo central.
Notam-se essas lacunas através dos exemplos dos complexos tetracianozincato (II),
tetracianoniquelato (II) e hexaaminoníquel (II).
A ligação coordenativa ocorre por sobreposição das orbitais do ligante contendo pares
electrónicos livres com as orbitais livres do ião central. A formação de ligações não ocorre com
orbitais originais do ião central, mas com orbitais híbridas com orientação geométrica exacta,
que possibilita uma sobreposição máxima. Assim, a força e a energia de ligação é idêntica e a
ordenação dos ligantes é simétrica. Formam-se ligações covalentes estáveis.
As orbitais híbridas mais frequentes são sp, sp3, sp3d2, sp2d com geometrias linear, tetraédrica,
octaédrica e plana quadrada respectivamente.
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Disto deriva a subdivisão de Taube em complexos internos e externos, de spin alto e de spin
baixo, normais e anómalos.
Contém alto grau de clareza e é capaz de esclarecer quantitativamente muitas propriedades dos
complexos, peca por não ter informações quantitativas suficientes e cinge-se ao estado
fundamental não esclarecendo todas as manifestações relacionadas com transições electrónicas
(fenómenos redox, espectros de absorção, etc.)
Consoante a estrutura electrónica do ligante e do ião central, podem ocorrer tipos diferentes de
ligações;
As orbitais moleculares que se formam, são normalmente ocupadas pelos electrões do ligante.
Quando Bohr teve sucesso na descrição do espectro atômico do hidrogênio através de sua teoria
das órbitas quantizadas, ficou claro que espectroscopia e a configuração eletrônica das espécies
estavam intimamente ligadas. Para entender, por exemplo, as cores dos compostos de
coordenação, era preciso uma teoria que envolvesse a configuração eletrônica destes. A Teoria
do Campo Cristalino (TCC) foi uma das teorias que surgiram para explicar o comportamento
eletrônico dos compostos de coordenação. Com argumentos bastante simples, a TCC explicava
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diversas propriedades dos compostos de coordenação e, por isso, passou a ser utilizada para
prever e explicar o comportamento desses compostos.
Segundo a TCC cada ligante é tratado como um ponto esférico de densidade negativa que, ao se
aproximar do metal, entra em repulsão com os electrões que ocupam orbitais do tipo d dos
metais. A repulsão causada pelos ligantes irá depender do arranjo destes em relação ao metal (e
seus orbitais d). Quando são seis os ligantes, a geometria é octaédrica (o que se chama na TCC
de campo octaédrico). Para quatro ligantes, o campo é tetraédrico (se a geometria for
tetraédrica).
Os ligantes do início da série são considerados de campo fraco e os do final os de campo forte. A
TCC não consegue explicar a ordem dos ligantes na série espectroquímica. Levando-se em conta
a força da interação eletrostática era de se esperar que um ligante carregado causasse uma
ligação mais intensa do que ligantes neutros (e, portanto, um maior desdobramento). Outro
exemplo da imprecisão da TCC na série espectroquímica é que a água é um ligante mais fraco
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que a amônia, mesmo tendo um momento de dipolo maior. A série espectroquímica foi explicada
mais tarde por uma outra teoria, baseada nos orbitais moleculares.
Segundo a TCC, as cores observadas nos complexos se devem a transições eletrônicas entre os
orbitais d do metal, portanto, um reflexo do desdobramento destes orbitais. Quanto maior for
desdobramento, mais energia será necessária para as transições electrónicas acontecerem. Dessa
forma, o comprimento de onda absorvido será menor. Quando a luz branca (luz visível) atravessa
o composto, este absorve um dado comprimento de onda com energia idêntica ao da magnitude
do desdobramento dos orbitais d, e os outros comprimentos de onda presentes passam sem serem
absorvidos. Portanto, enxergamos uma mistura de cores de todos os comprimentos de onda –
menos o que foi absorvido! É o que se chama de cores complementares.
14.5.1 Caracterização
Sendo a água o solvente, a sua concentração não se altera, podendo representar-se o processo na
base do ligante e do ião central;
Distinguem-se para cada etapa as constantes de estabilidade individuais e para todo o processo a
constante de estabilidade cumulativa, esta última corresponde ao produto entre as constantes
individuais. Quanto menor forem estas constantes tanto instáveis serão os complexos formados,
quer dizer, na solução haverá mais partículas iniciais. Estas constantes também são usualmente
representadas pelo valor do logaritmo negativo;
As constantes de estabilidade podem ser apresentadas com base na concentração ou com base na
actividade;
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a) Reacções
ii) Substituição em solventes não aquosos – aplicável a ligantes não solúveis em água como
por exemplo, éter etílico, dimetilformamida, etc., se um aquocomplexo dum dado metal for
demasiado estável, quer do ponto de vista cinético, quer termodinamicamente, para poder sofrer
substituição por um dado ligante que não seja solúvel em água, pode utilizar-se um solvente não
aquoso, solventes como éter etílico, dimetilformamida, etc. têm-se mostrado bastante úteis. Os
complexos do Cr3+ com ligantes amina são muitas vezes preparados em dimetilformamida; as
soluções aquosas, contudo, as vezes, fazem precipitar o Cr2O3 hidratado.
iii) Reacção directa dum sal sólido e um ligante líquido – quando a presença da água pode
provocar hidrólise – podem ser preparados aminocomplexos de metais por evaporação dum sal
dum metal em amoníaco líquido.
vi) Redução – para preparar complexos cujo metal esteja num estado de oxidação invulgarmente
baixo – ocorrem geralmente em ausência de oxigénio e presença dos metais alcalinos como bons
redutores.
As complexações decorrem com velocidades diferentes. Os seus tempos médios de vida variam
entre semanas e décimos de segundos. Assim, consoante o comportamento cinético, obtém-se
dois grupos distintos de compostos:
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a) Reacções redox entre complexos inertes onde o mecanismo é da esfera externa (exterior à
esfera), quer dizer, os complexos mantêm intactas as suas esferas de coordenação e a
transferência electrónica é feita “via túnel, em cadeia, através da esfera de coordenação, que
entretanto, permanece imutável. Os electrões trocados encontram-se num estado que não
influenciam a ligação metal-ligante, o electrão salta simplesmente de uma espécie para a outra.
Este mecanismo é favorecido pela presença de ligantes com electrões deslocados. Por isso,
reacções redox em complexos com iões cianeto como ligantes ocorrem mais facilmente que as
dos aquocomplexo ou as dos aminocomplexos:
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b) Quando pelas reacções se formam complexos labeis, a transferência electrónica é feita através
de uma permuta de ligantes num mecanismo de ponte – mecanismo de esfera interna, ou seja,
mecanismo interior à esfera:
Através da ligação ao ião metálico as propriedades dos ligantes são normalmente reforçadas. Por
exemplo, a acidez das moléculas da água em aquacomplexos torna-se mais acentuada do que
quando esta se encontra no estado livre (soluções aquosas de iões alumínio e de iões de ferro são
ácidas). Também as reacções de substituição de ligantes se dão mais facilmente quando estes se
encontram incorporados em complexos do que quando em estado livre. Por exemplo, a
acetilacetona pode ser mais facilmente halogenada, nitrada ou acetilada, se estiver na forma de
um complexo do que estado livre:
Nestas e em outras reacções, a ligação entre o ião central e o átomo ligador permanece inalterada
mesmo que o ligante se transforme (utilizando-se processos de marcação radiactiva) verificou-se
que o oxigénio que se liga ao átomo central pertence ao ligante inicial; o carbonato:
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Cu2+(d9) ~ Cr2+(d4) >> Mn2+(d5) > Fe2+(d6) > Co2+(d7) > Ni2+(d8) > V2+(d3)
Este comportamento encontra explicação na teoria do campo ligante. Com base nela, a energia
de activação das reacções de permuta de ligantes obtém-se da diferença entre a energia de
estabilização do campo ligante do estado fundamental e do estado activado. Quanto maior for a
energia para atingir o estado, mais dificilmente decorrerá esta reacção. No caso de outros
solventes encontram-se relações análogas.
1. Carga do ião central: ião metálico de carga elevada é de substituição mais lenta (complexos
são cineticamente inertes) que para um ião de carga inferior;
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complexos podem ser inertes ou lábeis. Por exemplo, para complexos octaédricos dos elementos
da primeira série de transição, os mais inertes são os que têm d3, d8 ou d6 de spin baixo. Os
complexos com iões centrais tendo sistemas de spin baixo d4 e d5 são muito mais lábeis, estando
todas as configurações dos electrões d associados à labilidade cinética. Este modelo é semelhante
para a 2ª e 3ª séries de transição embora os complexos dos metais destas séries sejam geralmente
menos lábeis do que os da 1ª série. Através de medições de energia de estabilização do campo do
ligante é possível prever a labilidade do complexo. Aqueles complexos cujas reacções de
formação dos respectivos complexos activados estejam ligadas a uma perda de energia de
estabilização do campo do ligante são considerados inertes;
5. A natureza do solvente;
H2O < OH- < NH3 < Cl- < Br- < I- < NO2 < PR3 << CO < C2H4 ~ CN-
Ligantes π-receptores causam um efeito trans mais forte. Pois estes captam facilmente electrões
das orbitais do ião central diminuindo desse modo a densidade electrónica π no metal e em
ligantes na posição trans. Ligantes polarizáveis induzem no ião central um momento dipolar, o
qual influencia o ligante na posição contrária reduzindo desse modo a força de ligação entre este
último e o ião central. O efeito trans é um efeito cinético e está em relação directa com as
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velocidades das reacções de substituição. A sua acção é notória em todos os complexos pano-
quadrados, sendo mais forte nos complexos da platina. Em complexos octaédricos dificilmente
ocorre o efeito trans.
14.8.1 Cor
Este ião absorve luz na região verde do espectro, emitindo azul e vermelho resultando em violeta
como consequência da mistura dessas cores.
O ião Ti3+ tem a configuração electrónica d1 e com seis moléculas de água como ligandos
considera-se que o ião seja de campo octaédrico. A absorção da energia electromagnética causa a
promoção electrónica para os níveis mais altos da orbital d e o electrão subsequentemente volta
ao estado fundamental e a energia absorvida é liberta.
O ião hexaclorotitanato(III), [TiCl6]3-, apresenta-se com a cor laranja como resultado da absorção
situada em 770 nm. Este valor corresponde a divisão do campo cristalino de cerca de 160 kJ/mol.
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O valor baixo reflecte a fraqueza dos iões cloreto como ligantes em relação a moléculas de água,
o ião cloreto é fraco em relação às moléculas de água na série espectroquímica.
14.8.1 Magnetismo
Uma substância com electrões desemparelhados é paramagnética e é atraída por um campo
magnético. Uma substância sem electrões desemparelhados é diamagnética e é empurrada para
fora do campo magnético. Muitos complexos de metais d têm electrões d desemparelhados e,
portanto, são paramagnéticos. Nota que os complexos dn de spin alto têm mais electrões
desemparelhados do que os complexos dn de spin baixo. O complexo de spin alto é, portanto,
mais fortemente paramagnético e é atraído mais fortemente pelo campo magnético. Para ser de
spin alto ou baixo, um complexo depende dos ligantes presentes. Os ligantes de campo forte
criam uma grande diferença de energia entre as orbitais de um complexo octaédrico. Seus
complexos de d4 a d7, consequentemente, tendem a ser de spin baixo e diamagnéticos ou só
fracamente paramagnéticos. Os ligantes de campo fraco criam uma pequena diferença de energia
e, assim, os electrões preenchem as orbitais de energia mais alta antes de se emparelhar nos
orbitais de mais baixa energia. Seus complexos de d4 a d7, consequentemente, tendem a ser de
spin alto e fortemente paramagnéticos.
14.9.1 Metalurgia
A extracção da prata e do ouro pela formação de com plexos com cianeto e a purificação do
níquel convertendo o metal no composto gasoso Ní(CO)4 são exemplos típicos do uso de
compostos de coordenação em processos metalúrgicos.
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Embora o E D T A tenha uma grande afinidade para inúmeros iões metálicos (especialmente iões
+ 2 e +3), outros quelatos são mais selectivos na formação de ligações. Por exemplo, a
dimetilglioxima, forma um sólido insolúvel vermelho-tijolo com o Ni2+ e um sólido insolúvel
amarelo-vivo com o Pd2+. Estas cores características são usadas em análise qualitativa para
identificar o níquel e o paládio. Além disso, pode-se determinar as quantidades de iões presentes
por análise gravimétrica da seguinte maneira: a uma solução contendo, diga-se, iões Ni2+,
adicionamos um excesso do reagente dimetilglioxima a e forma-se um precipitado vermelho- -
tijolo, o precipitado é então filtrado, seco e pesado. Conhecendo a fórmula do com plexo,
podemos calcular a quantidade de níquel presente na solução inicial.
14.9.4 Detergentes
A acção de limpeza do sabão em água dura é prejudicada pela reação dos iões Ca2+ na água com
as moléculas de sabão para formar sais insolúveis ou coágulos. No final da década de 1940, a
indústria de detergentes introduziu um “componente”, geralmente tripolifosfato de sódio, para
contornar este problema. O ião tripolifosfato é um agente quelante eficaz, que forma com plexos
solúveis e estáveis com os iões Ca2+. O tripolifosfato de sódio revolucionou a indústria de
detergentes. Contudo, como os fosfatos são nutrientes das plantas, as águas de esgoto contendo
fosfatos, quando descarregadas nos rios e nos lagos, provocam o desenvolvimento de algas,
resultando na falta de oxigênio. Nestas condições, a vida aquática eventualmente sucumbirá. Este
processo é designado eutrofização. Assim, os detergentes fosfatados foram banidos em muitos
locais desde a década de 1970 e os fabricantes reformularam os seus produtos a fim de eliminar
os fosfatos.
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FICHA DE EXERCÍCIOS
1. Complete as afirmações a seguir sobre o ião complexo [CoCN(en)2(H2O)]2+:
a) en é a abreviatura de _______ . b) O número de oxidação do Co é _______ . c) O
número de coordenação do Co é _______ . d) _______ é um ligante bidentado.
2. Complete as afirmações a seguir sobre o ião complexo [Cr(C2O4)2(H2O)2]2-.
a) O número de oxidação do Cr é _______ . b) O número de coordenação do Cr é
_______ . c)_______ é um ligante bidentado.
3. Indique os números de oxidação dos metais nas seguintes espécies:
a) K3[Fe(CN)6], b) K3[Cr(C2O4)3], c) [Ni(CN)4]2-.
4. Descreva sucintamente a teoria do campo cristalino.
5. Defina os seguintes termos: desdobramento do campo cristalino, complexo de spin alto,
complexo de spin baixo, série espectroquímica.
6. Qual é a origem da cor nos compostos de coordenação?
7. Para o mesmo tipo de ligantes, explique por que o desdobramento do campo cristalino
para um complexo octaédrico é sempre maior do que para um complexo tetraédrico.
8. Nomeie os seguintes iões complexos e determine o número de oxidação do metal: a)
[Fe(CN)6]4- ; b) [Co(NH3)6]3+ c) [Co(CN)5(OH2)]2+ ; d) [Co(SO4)(NH3)5]+
9. Descreva as mudanças que podem ocorrer nas propriedades dos compostos quando
ligantes de campo fraco são substituídos por ligantes de campo forte.
10. Defina os termos a) complexo lábil, b) complexo inerte.
11. Escrever as fórmulas de cada um dos seguintes complexos de coordenação:
a) Cloreto de tetraamina-hidroxidocrômio (III);
b) Tetracloridoplatinato(II) de sódio;
c) Sulfato de triaminotricloridoníquel (IV)
d) Tris(oxalato)ródio(III) de sódio;
e) Cloreto-hidroxidobis(oxalato)rodato(III) de lítio octa –hidrato.
12. Escreva o nome dos seguintes compostos:
a) (a) [CoCl(NH3)5](NO3)2
(b) trans-[CoCl(NO2)(en)2]Cl
(c) [Ru(diPy)3]3+
13. Qual o nome do composto ou a fórmula.
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a) [CoBrCl(NH3)2(en)]
b) [Cr(OH)(NH3)2(H2O)3](NO3)2
c) Tetrafluorooxocromato (V) de potássio
d) K3[Fe(CN)5(NO)]
e) [Ru(NH3)5(N2)]Cl2
f) [OsCl2F4]2-
g) Oxo-bis(pentafluorotantalato(V)
h) K2[SbF5]
i) [(CO)5Mn-Mn(CO)5]
14. Considere o seguinte complexo: [Co(NO2)(NH3)5]Br2
a) Indique o contra-ião e os ligantes presentes no complexo.
b) Determine o número de coordenação e a carga do átomo central.
15. Dê nomes aos complexos abaixo:
a) K2[OsCl5N]
b) Na3[Ag(S2O3)2]
c) [Co(en)2Cl2]3[Fe(C2O4)3]
d) [Ru(HPO4)2(OH)2(NH3)2]3-
16. Cite três aplicações dos compostos complexos.
17. Dado o complexo a seguir: [Cu(NH3)4](ClO4)2
c) Indique o contra-ião e os ligantes presentes no complexo.
d) Determine o número de coordenação e a carga do átomo central.
18. Dê nomes aos complexos abaixo:
e) K[AuS(S2)]
f) K3[Cr(CO)4]
g) [PtCl2(NH3)2]
h) [Pt(NH3)4]Cl2
19. Identifique o tipo de isômeros representados por cada um dos seguintes pares:
a) [Co(NCS)(NH3)5]Cl2 e [Co(NCS)(NH3)5]Cl2;
b) [CrCl(H2O)5]Cl2·H2O e [CrCl2(H2O)4]Cl·2H2O
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c) [Cu(NH3)4][PtCl4] e [Pt(NH3)4][CuCl4];
d) [Cr(OH)2(NH3)4]Br e [CrBr(OH)(NH3)4]OH.
20. Compare as propriedades magnéticas do [Ni(en)3]2+ com as do [Ni(H2O)6]2+.
21. Que mudança pode-se esperar no campo magnético quando os ligantes NO2- de um complexo
octaédrico são substituídos por ligantes Cl- se o complexo é:
a) d6
b) d3
22. Complexos bipirâmide-trigonais em que o ião metálico é rodeado por cinco ligantes são mais
raros do que os complexos octaédricos ou tetraédricos, mas muitos são conhecidos. Será que
compostos bipirâmide-trigonais de fórmula MX3Y2 teriam isomeria? Se a resposta é “sim”, que
tipos de isomeria são possíveis?
23. A teoria do campo ligante prediz que tipos diferentes de iões de metais podem formar
complexos mais estáveis com certos tipos de ligantes. Baseado no seu entendimento da teoria do
campo ligante, prediga que tipos de ligantes (de campo forte ou de campo fraco) formariam os
complexos mais estáveis com os primeiros metais de transição em seus estados de oxidação mais
altos. Da mesma forma, prediga os tipos de ligantes que formariam os complexos mais estáveis
com os últimos metais de transição (aqueles colocados à direita do bloco d em seus menores
estados de oxidação. Explique o raciocínio usado em suas escolhas.
25. O rótulo de uma determinada marca de maionese apresenta o EDTA como conservante.
26. Sabe-se que o cobre também existe no estado de oxidação +3, o qual deve estar envolvido em
algumas reacções biológicas de transferência de electrões.
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c) A maior parte dos compostos conhecidos de Cu (III) tem geometria quadrado-planar. Estes
compostos são diamagnéticos ou paramagnéticos?
29. A Partir de uma solução de um sal complexo de CoCl3*5NH3 sob acção de nitrato de prata
consegue-se precipitar somente 2/3 do cloro nele existente. Além disso, não se detecta na solução
a presença de iões de cobalto, nem amoníaco livre e a condutibilidade eléctrica da solução
demonstra que o sal se decompõe em três iões.
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