Exame de Linguagem Tipiti: Avaliação e Aplicação
Exame de Linguagem Tipiti: Avaliação e Aplicação
LINGUAGEM
TIPITI
HELENA A. BRAZ
THAIS H. F. PELLICCIOTTI
Agradecemos criticas e sugestões, as quais podem ser enviadas para:
O infrator responde civil e criminalmente (Lei 5.088 de 14-12-73 que regula e protege os
Direitos Autorais, Civil e Código Penal - Artigos res 184, 186 e 187)
CAPA E ILUSTRAÇÕES
CLAUDIO L1BESKIND
1ª Edição – 1981
2ª Edição – 1983
3ª Edição – 1988
Nesta segunda etapa de nosso trabalho gostaríamos de agradecer àqueles que permitiram a
elaboração do Exame de Linguagem Tipiti na sua primeira edição.
- Dra. Cláudia Lemos e Dra. Eleonora Mota Maia.
- Os sujeitos da pesquisa prévia e suas famílias.
- As pessoas que sempre nos incentivaram.
- Os que no decorrer desses anos foram nossos pacientes e que fazem parte da
experiência que alimentou nossa reflexão.
- Abel Vieira Neto, cientista e amigo, que nos emprestou sua imaginação criativa e elaborou
várias das histórias.
- Cláudio Antonio Marques Luiz que nos orientou em toda organização e apresentação deste
exame.
-A
Adriano
Bruno
Christiano
Fábio
à minha mãe
-A
Sandra
Danny
O que é TIPITI? De origem indígena, o tipiti é um cilindro de malha trançada com talos de
palmeira, utilizado no norte do Brasil. Introduzindo-se a mandioca no seu interior, onde é socada e
espremida através de um movimento de compressão e de distensão do cilindro, obtém-se um suco
originalmente venenoso que escorre pela trama da malha. Assim, separa-se a tapioca do tucupi,
nome que recebe esse suco, quando eliminados seus componentes nocivos.
Consegue-se, então, alimentos saudáveis e saborosos, utilizados não só pela população que
lhes deu origem, como também pelas requintadas culinárias das capitais brasileiras.
Por que TIPITI? Porque o objeto original é um artefato criado com os recursos próprios de
um povo e para suprir suas necessidades, é um instrumento útil e eficaz e é um seletor: permite
isolar os elementos da substância sobre a qual opera, proporcionando-lhes condições de separação e
recuperação.
O que ocorre também com este exame de linguagem que recebe seu nome: sua elaboração
foi norteada pela nossa experiência clínica de atendimento a um setor da população brasileira e
pretende-se que seu uso propicie tanto condições de análise como de recuperação.
INTRODUÇÃO GERAL
Para o estabelecimento dos níveis de dificuldades das tarefas, em uma primeira etapa,
cinqüenta crianças foram a elas submetidas não se tendo, com isso, buscado uma padronização. O
que tentamos foi avaliar a eficácia do exame e estabelecer níveis aproximados de desempenho em
uma população considerada normal. No histórico de cada um dos sujeitos testados deveria constar:
escolaridade dentro do esperado para idade cronológica, pai ou mãe universitário, nível sócio-
econômico médio-superior e não terem tido atendimento especializado em área de linguagem,
psicomotora ou neurológica. Assim, foram submetidos ao exame sujeitos de 3 a 18 anos de idade1,
distribuídos em cinco grupos, correspondentes às faixas etárias de 3 a 4 anos, de 5 a 7 anos, de 8 a
10 anos, de 11 a 14 anos e de l5 anos em diante e nos níveis escolares de 1ª série, 2ª série, 3ª e 4ª
séries, 5ª e 6ª séries, 7ª e 8ª e Colegial2. Em uma segunda fase, as provas que constituíam o exame
foram reformuladas a partir dos resultados desta pesquisa prévia, tendo sido utilizado como critério,
na manutenção de cada questão, a obtenção de respostas adequadas em 90% dos sujeitos
examinados. Ao exame assim reformulado foram submetidos mais cinco grupos de três sujeitos
cada um, correspondentes às faixas etárias já mencionadas, a fim de que ficasse assegurada a
validade das alterações feitas. Com os mesmos objetivos, aplicamos o exame em indivíduos
portadores de diferentes patologias de linguagem, pertencentes ao mesmo nível sócio-econômico-
cultural.
Apesar de a pesquisa prévia ter sido feita em sujeitos de nível sócio-econômico médio-
superior da capital do Estado de São Paulo, o exame pode ser aplicado em indivíduos de outros
níveis sócio-econômicos e outras regiões do país, desde que haja uma adaptação de itens regionais
quando se fizer necessário. Isto é possível pois a interpretação do exame está baseada em uma
análise dos processos subjacentes aos acertos e desvios e, ainda, na investigação das estratégias que
1 Iniciamos as observações em crianças a partir de 3 anos de idade, uma vez que para crianças de menor idade a avaliação do desempenho lingüístico
teria uma orientação diferente da proposta neste trabalho.
2 Na presente revisão mantivemos a mesma organização em faixas etárias e escolares, uma vez que durante estes anos de aplicação tivemos
confirmada sua adequação.
o sujeito utiliza para realizar as tarefas com que se defronta, bem como na interação ocorrida
durante o exame. Assim sendo, para a avaliação dos resultados, o examinador deverá levar em conta
as diferenças dialetais e experiências ambientais do sujeito, e ainda procurar analisar os desvios
encontrados do ponto de vista desses processos ou estratégias.
A utilização desse exame deve ser restrita a profissionais com formação em áreas ligadas aos
distúrbios da comunicação; uma vez que sua análise e interpretação se fundamentam nos
conhecimentos vinculados a essas áreas.
INTRODUÇÃO À COMUNICAÇÃO ORAL E ESCRITA
A apresentação de cada prova deste exame é feita através da especificação de seus objetivos,
critérios de elaboração, normas de aplicação e avaliação.
Não há necessidade de um rigor absoluto na aplicação das provas, não apenas quanto à
sequência como também no que diz respeito ao tipo de formulação das perguntas no contato inicial.
Sugerimos porém, que logo de início, 5 seja esclarecido a respeito do propósito do exame
respeitando-se, evidentemente, suas condições e possibilidades.
Esta visão assume fundamental importância quando reconhecemos que a história do paciente
e o seu contexto são parte inseparável de um processo de avaliação, na medida em que toda a
comunicação desenvolve-se e se estabelece em um contexto social amplo e familiar. Assim sendo,
na anamnese os pais não podem ser vistos apenas como informantes, porém devem ser considerados
como parte de um todo neste processo de avaliação. Além disso, dados aparentemente irrelevantes
também devem ser pesquisados e avaliados, principalmente porque a experiência nos indica que,
em geral, a queixa carrega a mensagem de um pressuposto já construído que pode ou não se
confirmar no final do levantamento global dos dados caracterizados no perfil lingüístico a que este
exame se propõe.
Neste exame, procuramos apresentar em cada prova, no item Avaliação, através dos subitens
Organização do Material Registrado e Interpretação, os vários tipos de respostas que podem
Ocorrer. Porém, E deverá estar atento a qualquer tipo de dificuldade que ocorra na aplicação do
exame, utilizando para isso a reformulação da instrução e mesmo de outros canais de comunicação
como gestos, dramatização, visando sempre atingir os objetivos da tarefa.
Recomendamos ainda que sejam preparados roteiros de comunicação escrita para cada
indivíduo a ser examinado com uma boa impressão para evitar distorções em função do material e
que para Ss de 1ª série os roteiros sejam manuscritos.
O exame total ou parcial não poderá ser usado como tarefa terapêutica uma vez que é
recomendável que se faça uma reavaliação anual para que se possa ter uma avaliação do processo
de terapia.
I - Objetivos da Prova
- Atenuar, através dessa interação inicial, a artificialidade da situação de exame que, por ser
assimétrica, tende a colocar S em um papel fixo de fornecedor de respostas.
- Obter dados da realidade de S.
II - Critérios de Elaboração
- As perguntas sugeridas são as usualmente utilizadas nos primeiros contatos entre pessoas e,
principalmente, entre adulto e criança.
IV - Avaliação
1. Registro 3
- Das atitudes gerais de S em relação a E.
- Da disponibilidade de S a responder e/ou fazer perguntas.
- De seu grau de eficiência comunicativa.
- Do conhecimento das informações solicitadas.
3
Aspectos como atitudes gerais de S em relação a E, disponibilidade de S a responder e/ou fazer perguntas e seu grau de eficiência comunicativa
devem ser registrados. organizados e interpretados em todas as provas do exame da forma sugerida nesta prova.
- Pelo tipo de situação ou tópico de interação em que suas dificuldades emergem ou se
acentuam: contexto familiar, escolar, etc. (dados obtidos por E em contato com a família,
escola, etc.).
- Por tipo de dificuldade: desconhecimento da informação solicitada, mecanismos de fuga,
demora para dar respostas, necessidade de repetição da pergunta, respostas inadequadas, etc.
- Pelo nível em que parece estar situado o desvio: recepção e/ou emissão. Exemplo: de respostas
inadequadas em função de má recepção da pergunta (S = 3 anos de idade):
E: Quantos aninhos você tem?
S: [aponta os olhos]
E: Quantos aninhos você tem?
S: [aponta novamente os olhos]
E: Quantos anos você tem? (reformulação da pergunta)
S: [mostra três dedos].
3. Interpretação
A interpretação deve ser dirigida no sentido de compor um quadro geral e preliminar da
conduta comunicativa de S da forma pela qual ele observa dados de seu ambiente e como ele se
situa no seu cotidiano. Para isso, S deve ser confrontado com as informações colhidas por E na
anamnese, contato com a escola, observações em casa quando necessário, informações de outros
profissionais, etc.
A interpretação dessa prova permite ainda a verificação de vários outros aspectos que
deverão ser levados em conta na análise final do exame. Ver exemplo citado acima, em que a
recepção inadequada da pergunta leva a interpretação de que há uma dificuldade de discriminação
auditiva (aninhos/ olhinhos). Em casos como esse, sugere-se recorrer às Provas Específicas de
Percepção Auditiva.
Convém ressaltar, no entanto, que a maioria das perguntas sugeridas são fórmulas de contato
social que se voltam ao contexto pessoal do indivíduo e, por isso, suas respostas deverão ser
interpretadas quanto a sua adequação social e como expressão da visão de S sobre seu meio.
II - Critérios de elaboração
- Foram selecionadas áreas geralmente consideradas como adquiridas até o início do período
escolar: cores, formas, partes do corpo, ordenação de figuras e contrários ou termos
polares.
Instrução: Solicitar a S que ordene as figuras na ordem que achar certo e que conte uma história.
- A sequência proposta é: "O menino e o coqueiro" para todas as faixas etárias.
- Sugere-se que E não interfira na ordenação das figuras nem no relato da história.
- Caso o relato não seja compatível com a ordenação realizada por S, E poderá ordenar as
figuras e solicitar o relato.
- Caso haja compatibilidade entre a ordenação e o relato, com o estabelecimento das relações
temporais e causais, ainda que não seja aquela esperada por E, o desempenho de S deve ser
considerado adequado4.
IV - Avaliação geral
1. Registro
- Das eventuais estratégias utilizadas para respostas.
- Do nível em que a resposta se dá (emissão ou recepção).
- Do nível em que se situa a dificuldade (emissão ou recepção oral ou da percepção do objeto).
3. Interpretação
Dado o objetivo desta prova, sua interpretação tende a isolar a área responsável pelos desvios e
estratégias (verbal: recepção e/ou emissão, perceptual) que eventualmente possam ocorrer em outras
tarefas onde essas noções foram utilizadas, como por exemplo, na Prova de Ordens.
1. Registro
- Da ordenação das figuras.
- Da realização de S a partir da ordenação feita.
4 A avaliação do desempenho oral de S deverá orientar-se pela avaliação apresentada na Prova A e B de Histórias.
2. Organização do material registrado
- Pelo relacionamento entre as figuras: com estabelecimento de relações temporais e causais,
relação inadequada ou ausência de relações entre as figuras (figuras consideradas isoladamente).
A partir disto, observa-se:
- A compatibilidade entre a ordenação das figuras e o relato: compatibilidade entre ordenação e
o estabelecimento das relações temporais e causais (adequado) ou incompatibilidade, não
sequencialização das figuras e relato adequado (o que deverá ser aceito), sequencialização e
relato inadequados.
3. Interpretação
As estratégias utilizadas mais freqüentemente para estabelecer relações entre figuras se
baseiam no uso de um elemento como ponto de partida, que pode ser escolhido tanto pela sua
presença em todas as figuras como pela sua saliência perceptual e que é, em geral, um ser animado.
É a escolha deste ponto de partida que leva ao estabelecimento do foco narrativo, ou perspectiva a
partir da qual o relato será construído, e que levará à coerência e coesão (não fragmentação) de
relato.
A interpretação vai se basear na verificação desse ponto de partida e, conseqüentemente, na
procura da estratégia usada por 5 no processo de ordenação das figuras. Deverá ainda fundamentar-
se na compatibilidade do relato com ª ordenação feita, a qual evidencia a capacidade de estabelecer
relações temporais e causais. Essa ordenação não deverá ser, necessariamente, aquela esperada por
E, que procurará estar aberta para entender a capacidade que a criança tem de imaginar ou
estabelecer relações alternativas.
1. As noções solicitadas são conhecidas por volta dos 5 anos em nível de recepção e emissão,
exceção feita a:
- Articulações (parte do corpo), maior/menor (tamanho), que são conhecidas por volta dos 7
anos.
- Dimensões menores (fino - curto - baixo) são nomeados sob o ponto de vista de tamanho,
como pequeno, até aproximadamente 9 anos.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a recepção e emissão de vocábulos em que estão representados os fonemas do
português.
- Avaliar a recepção e emissão de sequências fonológicas, em contextos fonéticos
diferentes.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas duas listas, sendo a primeira relacionada à extensão vocabular e a segunda
ao traço distintivo de fonemas.
- A lista de extensão é composta por trinta vocábulos subdivididos em di, tri e polissílabos. A
lista foi elaborada com vocábulos paroxítonos, com balanceamento das sílabas tônicas, abertas e
fechadas e, ainda, houve uma preocupação de ocorrência de todos os fonemas, tanto nas tônicas
como nas átonas.
- A lista de traços distintivos é composta por vocábulos di e trissílabos, paroxítonos. Os fonemas
visados são seguidos de a e i ou u e antecedidos por a para controle do contexto fonético; e
ainda, estão colocados em sílabas tônicas, balanceadas em termos de abertas e fechadas.
- O balanceamento dos vocábulos das listas foi restringido em alguns aspectos em função de
limitações impostas pelo português (como por exemplo, a não ocorrência do fonema vibrante
simples inicial de vocábulos).
IV - Avaliação
1. Registro
- Das emissões de S.
3. Interpretação
Procurar-se-á verificar se há ou não integração dos sistemas analisados e sua estabilidade, ou
seja procurar analisar se existe assistematicidade dos desvios e levantar hipótese sobre as
dificuldades subjacentes aos eventuais desvios, as quais podem situar-se nas áreas perceptual
auditiva e/ou articulatória. A determinação destas dificuldades pode se fundamentar nos critérios de
elaboração das listas, como orientação para o levantamento de hipóteses sobre a natureza dos
desvios.
A consistência da interpretação pode ser reforçada pela análise comparativa entre dados
obtidos nesta prova e em outros contextos lingüísticos (linguagem repetida, espontânea ou em
leitura).
Caso seja necessário, E poderá reportar-se às listas sugeridas nas Provas Específicas
Fonética e Fonologia e/ou de Percepção Auditiva.
4. Dados da pesquisa prévia
No que se relaciona ao aspecto fonêmico, constatou-se que:
- Nas crianças de 3 anos, a emissão dos fonemas com relação ao traço distintivo zona de
articulação e aos grupos consonantais ainda se apresentou instável.
- Nas crianças de 4 anos a emissão dos grupos consonantais ainda permanecia instável.
- As crianças de 5 anos apresentaram o sistema fonêmico integrado e estável.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a extensão da memória auditiva imediata para vocábulos e sentenças, dada a sua
importância para retenção e análise do material lingüístico.
II - Critérios de elaboração
Séries de Vocábulos
- Foram organizadas séries de vocábulos de áreas semânticas diferentes e de mesma área
semântica, considerando-se que as relações semânticas entre elementos são relevantes para a
retenção.
- Foram elaboradas séries de três, quatro e cinco vocábulos (di, tri e polissílabos), considerando-
se significativo o número de sílabas por vocábulo e o número de vocábulos por série.
- A seleção de vocábulos foi feita a partir de um vocabulário familiar às crianças previamente
testadas.
- As séries de vocábulos de áreas semânticas diferentes tiveram seus elementos balanceados em
termos de tonicidade (oxítonas e paroxítonas) e quanto às sílabas tônicas abertas e fechadas. Nas
séries de vocábulos de mesma área semântica esse balanceamento não foi possível pela própria
restrição na escolha de vocábulos.
Séries de Sentenças
- Foram organizadas seis séries com três sentenças cada uma.
- As séries variam quanto ao número de sílabas que determina sua extensão
(dez, quatorze, dezoito, vinte e duas, vinte e seis e trinta sílabas).
- As sentenças foram selecionadas dentre as acessíveis, do ponto de vista lexical e sintático, às
crianças da pesquisa prévia.
- As primeiras sentenças de cada série são simples, as segundas são coordenadas e, as últimas,
subordinadas.
IV . Avaliação
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das eventuais estratégias utilizadas para resposta.
- Pela natureza do desvio: se os desvios são aleatórios, se há uma regularidade do desvio na sua
posição dentro da série ou da sentença, se o desvio esta associado a vocábulos propostos
anteriormente, se a associação é fonética, semântica, etc.
Ex.: dedo, portão, cama, bolo /dedo, cartão, cama, bolo (desvio produzido por associação
fonética), sofá, cabra, pingo,' cadeira, cabra, pingo (desvio produzido por associação semântica).
- Pela consistência do desvio: no caso em que S apresente tendência a um tipo e/ou natureza de
desvio (Ex.: tendência à omissão).
- Pelas estratégias eventualmente utilizadas para retenção: solicitação freqüente de repetição das
séries, uso de apoio articulatório, etc.
3. Interpretação
A interpretação desta prova visa a levantar o nível de retenção auditiva de S. Na análise
devem ser consideradas as estratégias e/ou mecanismos compensatórios utilizados por S para
retenção do material lingüístico que podem indicar dificuldades na área específica de memória ou
em outras áreas, como por exemplo discriminação auditiva que poderá estar interferindo no
processo da retenção. A partir dessa análise pode-se levantar hipóteses sobre eventuais dificuldades
que surgirem no decorrer da aplicação de outras provas, como compreensão parcial ou alterada da
linguagem.
Caso seja necessário, E poderá reportar-se às séries sugeridas nas Provas Específicas de
Percepção Auditiva.
Sentenças
3 anos: quatorze sílabas
4 - 5 anos: dezoito sílabas
5 - 9 anos: vinte e duas sílabas
10 - 14 anos: vinte e seis sílabas
15 - 18 anos: trinta sílabas
7 Os níveis de atuação, por faixa etária, fornecidos se baseiam nas tendências gerais das respostas obtidas na pesquisa prévia .
ORDENS
I - Objetivo da prova
- Avaliar a compreensão e retenção de instruções verbais através do cumprimento de ordens que
exigem respostas motoras.
II - Critérios de elaboração
- Foram formuladas quatro ordens em quatro faixas etárias (de 3 a 4 anos, Q ( 5 a 7 anos, de 8 a
10 anos e de 11 anos em diante)).
- Os critérios utilizados para a elaboração de cada série foram: ordens 1 relações espaciais;
ordens 2 - Partes do corpo; ordens 3 - relações temporais; ordens 4 - solicitações incomuns, cujo
objetivo é avaliar as estratégias de compreensão de ordem que foge às expectativas de S.
As ordens que envolvem relações espaciais foram elaboradas segundo o critério do grau de
complexidade perceptual que lhe é atribuída na literatura psicolinguística, a saber: precedência
do eixo vertical sobre o horizontal primário (frente/trás), deste sobre o horizontal secundário
(lado), e direito versus esquerdo.
IV - Avaliação
1. Registro
- Da execução total ou parcial da ordem.
- Das eventuais estratégias utilizadas para respostas.
3. Interpretação
A interpretação visa avaliar a retenção e compreensão de instruções verbais. Levando-se em
conta as alterações já levantadas em outras provas (como lateralidade, retenção auditiva, etc.) os
desvios da atuação de S devem ser considerados também à luz de possíveis falhas na compreensão
de estruturas lingüísticas, na sequencialização das ações propostas e no limiar de atenção de S.
Convém ressaltar que inibição e/ou dificuldades motoras podem ser fatores determinantes da
atuação de S e devem, portanto, ser levados em conta na análise da prova.
Objetivo Geral
- Avaliar a possibilidade de organizar e categorizar suas experiências.
A. PROVA DE CATEGORIZAÇÃO
I - Objetivo da prova
- Avaliar o trabalho de S no reconhecimento de traços e atributos relevantes para a organização
de áreas semânticas.
II - Critérios de elaboração
- Foram organizadas cinco séries de vocábulos em cinco níveis etários: 3 a 4 anos, 5 a 7 anos, 8
a 10 anos, 11 a 14 anos e de 15 anos em diante.
- Na série de 3 a 4 anos, os três primeiros grupos de vocábulos são constituídos por três
vocábulos a fim de reduzir a interferência de memória auditiva imediata; as séries seguintes são
constituídas por quatro vocábulos.
- As séries são constituídas por elementos de áreas semânticas diferentes ou por vocábulos de
mesma área, porém com atributos diferenciados, cuja relevância pode variar de sujeito para
sujeito (ver exemplos).
3. Interpretação
A interpretação visa à avaliação do desempenho de S no reconhecimento
de traços ou atributos relevantes para o reconhecimento e organização de classes semânticas.
As respostas a serem analisadas deverão ser interpretadas através das justificativas
apresentadas e não da simples atribuição de acerto e erro, na medida em que tais respostas podem,
com freqüência, aparentemente violar as categorizações que seriam as esperadas, mas que seriam
adequadas à faixa etária de S ou ligadas à estratégia que utiliza para classificar.
Exemplos:
1. cardume, enxame, multidão, manada.
Sendo todos coletivos, o elemento diferenciado mais provável seria multidão, por ser o único
coletivo de seres humanos. Porém, várias respostas seriam aceitáveis como: cardume por ser
aquático, enxame porque voa, manada por serem animais grandes.
2. E: papai, mamãe, sapato, irmão.
S: Papai porque os outros a gente tem e papai não tem. (resposta dada por criança com pai
desconhecido).
É importante a análise da recorrência de respostas incompatíveis com a justificativa ou a
ausência de justificativa como base para qualquer conclusão a respeito da atividade classificatória
de S.
I - Objetivos da prova
- Avaliar o desempenho de S em uma atividade metalinguística.
- Verificar como S analisa a linguagem na configuração de sua própria experiência, isto é, a que
aspectos ou atributos dessa experiência tende a dar maior relevância.
II - Critérios de elaboração
- Os vocábulos apresentados são substantivos, já que outras classes gramaticais são menos passíveis
de definição.
- A seleção dos vocábulos teve como critério sua caracterização em: [±humano], [±artefato],
[±animado] e [±concreto], tendo em vista a eliciação de respostas que permitissem avaliar como S
lida com traços semânticos de tipos diversos.
- Não houve divisão por faixa etária uma vez que o interesse é verificar, em termos quantitativos e
qualitativos, o desempenho de S com doze vocábulos conhecidos e comumente utilizados na
linguagem informal, independente da idade cronológica e, na medida do possível, do nível sócio-
cultural de S.
- Os vocábulos foram divididos em dois grupos (de 1º a 6º e de 7º a 12º) sendo que, no segundo
grupo, os traços semânticos do primeiro grupo se repetem, porém em vocábulos que tendem a levar
S a definições mais precisas (dados levantados na pesquisa prévia).
IV - Avaliação
1. Registro
- Das respostas dadas e das eventuais estratégias utilizadas.
2. Organização do material registrado
- Pelo número de atributos usados (Ex.: categoria, função, forma, cor, etc.).
- Pelo tipo de atributo: essenciais e não essenciais. Exs.: passarinho o animal que voa =
essencial; passarinho - animal que voa, canta, pode ser de várias cores, etc. em que os dois
últimos são traços não essenciais).
- Pela recorrência de traços, isto é, pela repetição de um traço não essencial em várias definições
(Ex.: lua - fica no céu, copo - fica no armário, nenê - fica no berço, em que o atributo de lugar é
muito freqüente).
- Pelo grau de dependência do contexto (Ex.: xícara - é para lavar pincel).
- Por tipo de desvio: uso do radical do nome dado com variação de grau, gênero ou número,
respostas erradas, etc. (Ex.: copo - é copinho).
- Pela natureza do desvio: desconhecimento do vocábulo ou falha na discriminação auditiva
(Ex.: lua - é onde passa carro), etc.
- Pela consistência do desvio: se o desvio ocorre sistemática ou assistematicamente, se há
consistência no tipo de desvio.
- Por tipo de estratégia de resposta: solicitação de repetição, uso de gestos para responder (Ex.:
E - O que é nuvem? S - [aponta para o céu]), uso de vocábulo de significado genérico ou não
específico, como introdutor da resposta (Ex.: negócio, coisa, etc.).
3. Interpretação
A interpretação visa a detectar e avaliar como S analisa a linguagem, a que atributos dá
relevância, como ordena estes atributos, a que nível de generalização ou especialização atua. Há
uma grande variedade de respostas que podem ser possíveis devendo a análise ser baseada no
material organizado. Assim, por exemplo:
S¹: "Bola é um objeto esférico, geralmente usado para jogar, porém com diversas outras
utilidades."
S²: "Bola é uma coisa redonda que serve para brincar."
Nestes dois exemplos, observa-se o uso dos mesmos atributos (classe: objeto e coisa; forma:
esférica e redonda; função: jogar e brincar, que são essenciais para definição de bola). No primeiro
exemplo, entretanto, além de um léxico mais elaborado, há um grau maior de precisão (esférico),
com diferenças estilísticas de linguagem. O segundo tipo de definição pode surgir em qualquer
faixa etária ou nível sócio-cultural de S.
Como sugestão para a interpretação dos dados, o levantamento dos atributos pode seguir o
seguinte critério:
- categoria superior: bicho, animal, instrumento, coisa, objeto, homem, etc.
- função: voa, anda, roda, que serve para... , etc.
- lugar: no mar, na cozinha, etc.
- sinônimo: nenê é bebê.
- associação: nenê - chora; praia - barco, maiô, etc.
- elementos constituintes: praia - é areia e água.
- conteúdo: copo é água.
- forma: redondo, cilíndrico, etc.
- material: copo - é de vidro, plástico, etc.
- cor: verde, etc.
- tamanho: grande, pequeno, médio, etc.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a atuação de S frente a situações passíveis de reversibilidade, apresentadas através de
estruturas linguísticas.
II - Critérios de elaboração
- Foram representadas em figuras situações que podem se tornar reversíveis.
- Para cada figura foram elaborados grupos de sentenças que eliciam a operação de
reversibilidade a nível da linguagem.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das eventuais estratégias utilizadas para respostas.
8 As sentenças foram propostas da forma apresentada no exame, uma vez que quando apresentadas com constantes mudanças de perspectiva houve
dificuldade significativa nas respostas em todas as faixas etárias.
COMPLEMENTAÇÃO DE SENTENÇAS 9
I - Objetivos da prova
- Avaliar a capacidade de estabelecer relações sintático-semânticas entre sentenças a partir de
uma sentença e um conectivo dados.
- Avaliar capacidade de estruturação no nível morfossintático, a partir da sentença
complementar produzida e de suas relações com a sentença dada.
II - Critérios de elaboração
- Foram organizadas cinco séries de sentenças com conjunções coordenativas e subordinativas
que introduzem relações de espaço, tempo, causa, conseqüência, etc., para cinco faixas etárias
(3 a 4 anos, 5 a 7 anos, 8 a 10 anos, 11 a 14 anos e 15 anos em diante).
- As séries se compõem de vinte sentenças, com exceção das séries destinadas à faixa de 3 a 4 e
de 5 a 7 anos, em que a criança parece dispor de um menor número de conjunções.
- Algumas conjunções são apresentadas em duas sentenças de cada série.
- Conjunções utilizadas nas primeiras faixas etárias estão presentes também no material
destinado a outras faixas. Isto se deve por um lado ao fato de que as relações por elas
estabelecidas variam de complexidade no decorrer do desenvolvimento da linguagem. Ex.: A
conjunção "e", na criança pequena, é usada basicamente para narrar (temporal).
IV . Avaliação
1. Registro
- Das respostas corretas e incorretas.
- Da maior ou menor facilidade de compreensão da tarefa.
9 Dentre as várias tarefas propostas esta é a única prova cujo objetivo específico é a avaliação da área sintática, uma vez que esta deve ser analisada
em todas as outras tarefas. exceção feita à Prova de Memória Imediata e à Lista de Palavras.
- Da maior ou menor fluência de respostas.
- Das eventuais estratégias utilizadas para respostas.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar o desempenho de S ao nível morfossintático-semântico. A
análise das respostas deve conduzir à definição da área de maior dificuldade para S. A saber, na
medida em que completar uma sentença equivale a construir uma outra cujos elementos lexicais,
morfológicos e sintáticos são pré-determinados pela estrutura da sentença dada, pode-se também
avaliar os processos de anáfora (supressão e pronominalização), de concordância verbal (modo e
tempo) no nível da relação entre as duas sentenças.
Convém ressaltar que deve ser feita uma análise comparativa dos resultados desta prova com
outras que permitam a análise desta área.
Objetivo Geral
- Avaliar o desempenho de S na elaboração de discurso narrativo, isto é, em uma atividade
lingüística em que seu interlocutor, embora presente, não tem a mesma função concreta e
explícita de colaborador como na construção conjunta que é o diálogo.
II - Critérios de elaboração
Prova A
- É proposta uma figura - "A Mala e o Guarda-Chuva".
Prova B
- Foi composta uma história-base com oito figuras "O pescador".
- O número de figuras utilizadas varia em função da faixa etária de S: para 3 anos - figuras
números 3, 4 e 5; de 5 a 7 anos - figuras números 2, 3, 5 e 6; de 8 a 10 anos - figuras números 2,
3, 5, 6, 7 e 8; de 11 anos em diante - oito figuras.
- A retirada de cartelas da história-base possibilita a composição de histórias específicas para
cada faixa de idade, com diminuição do números de personagens e de eventos.
Prova C
- Foram elaboradas três narrativas com o mesmo conteúdo básico, para três faixas de idade (3 a
7 anos, 8 a 13 anos e 14 anos em diante).
10 As provas de Elaboração de História a partir de Estímulo Visual, Elaboração de História a partir de Estímulos Visuais em Seqüência e Reprodução
de História envolvem ações que se relacionam por vínculos temporais e causais, a obrigatoriedade de utilização de mecanismos de coesão e coerência
intersentenciais, além de ser exigido de S um material lingüístico mais extenso. Diante disso, optou-se por uma organização de material e
interpretação diversa da apresentada anteriormente.
- As narrativas diferenciam-se quanto ao léxico, número de elementos secundários e extensão
das sentenças e do discurso.
- As histórias foram redigidas levando-se em conta o falar e a prosódia utilizadas normalmente
ao se contar histórias.
- Foram elaboradas cinco perguntas para a observação da compreensão de S sobre o material
apresentado.
- Sugere-se que E não bloqueie a elaboração e sim procure estimulá-la. E poderá direcionar a
narrativa a partir da retomada de algum elemento utilizado por S. Por volta dos 6 anos, em geral,
esta eliciação deixa de ser necessária.
- Nas Provas A e B, caso S utilize outra forma de discurso que não a narrativa, após sua
realização, E poderá tentar favorecer o aparecimento de uma forma narrativa através de
perguntas como: - "0 que você acha que está acontecendo?", "Por quê?", etc.
- Na Prova B, E poderá solicitar a S que conte a história, ainda que a ordenação não tenha sido a
esperada.
- E poderá reorganizar as figuras caso a ordenação feita por S não possibilite o estabelecimento
de relações temporais e causais entre eventos. E deverá aceitar, porém, que a imaginação de S
crie relações temporais que, para ela, podem ser bizarras.
- Na Prova C as histórias deverão ser lidas com a entonação normalmente utilizada ao se contar
história, tendo-se em mente que a prosódia deve ser adequada à faixa etária de S.
- Sugere-se que E utilize perguntas para orientação quando não houver reelaboração espontânea.
Ex.: Eu contei a história de quem?, O que aconteceu? etc.
- Sugere-se que E se reporte à história de faixa etária anterior quando S apresentar dificuldades
no cumprimento da tarefa.
- As perguntas que visam à avaliação mais objetiva da compreensão deverão ser formuladas em
qualquer hipótese.
IV – Avaliação11
1. Registro
- Da transcrição da gravação.
- De todo comportamento não verbal de S (mímica corporal e facial).
- Da ordenação das figuras na Prova B.
Prova B
- Idem à Prova Noções Básicas (avaliação específica para tarefas de Ordenação de Figuras).
Provas A, B e C
Ao nível do discurso - macro-estrutura (relações intersentenciais da narrativa).
- Pela mímica corporal e facial como estratégia de identificação do referente (personagem,
objeto, etc.) como apontar, mostrar objeto semelhante, etc., de representação de ação e reação
do personagem ou do narrador, etc.
- Pela prosódia: ritmo e entonação.
Exs. de desvios: acentuada hesitação e/ou pausa, etc.
- Pela facilidade de iniciar a elaboração ou reelaboração.
Ao nível do vocábulo
- Pela utilização dos morfemas: nominal (gênero, número e grau), verbal (tempo, pessoa).
- Pela observação do léxico: nomes, adjetivos, verbos, conectivos, etc.
Exs.: falha na flexão verbal, nominal, etc.
3. Interpretação
Prova A
A interpretação visa a avaliar a narrativa de S a partir de estímulo visual, levando em conta o
que é partilhado ou conhecido por E e por S. Em função disso S, no papel de narrador, pode levar
em consideração esse conhecimento partilhado por seu interlocutor E (interlocutor empírico).
Prova B
A interpretação visa a avaliar a narrativa de S eliciada por estímulos visuais e a ordenação
destes a partir das relações estabelecidas entre eventos e estados (seqüência temporal e causal) e
entre entidades (animados e inanimados).
Prova C
A interpretação visa a avaliar a reelaboração de uma narrativa, isto é, do material lingüístico
previamente fornecido. Para esta avaliação é fundamentai que na análise de todos os dados se leve
em conta a relação obrigatória entre o texto de E e o texto de S. Esse tipo de análise é fundamental
na medida em que esta é a situação do exame que permite mais objetivamente a verificação de
como S opera sobre o discurso de seu interlocutor. Esta operação sobre o enunciado do interlocutor
é a operação básica da maioria das crianças e adultos, cuja atividade lingüística mais freqüente é o
diálogo oral. Ressalta-se ainda que se deve levar em conta até mesmo o diálogo de E com S sobre a
história, o que pode ir, inclusive, além do próprio texto.
O que se procura avaliar no desempenho de S na elaboração do discurso narrativo, isto é, em
uma atividade lingüística em que seu interlocutor, embora presente, não tem a mesma função
concreta e explícita de colaborador como ocorre no diálogo, é a utilização que S faz de recursos
morfossintáticos e semânticos para representar tanto situações e episódios, como os processos de
compreensão do interlocutor a quem a narrativa se destina. Assim, para a avaliação destas provas,
deve-se considerar que, para elaborar uma narrativa, S deve selecionar dentre os elementos da (s)
figura (s) ou do texto narrado (Prova C), aquele ou aqueles a partir dos quais a história será narrada,
ou melhor, que constituirá o foco narrativo. A organização e interpretação do material lingüístico
deve levar em conta:
- os critérios que S possa ter usado na seleção desses elementos: saliência perceptual, presença
em mais de uma figura, etc. Note-se que na representação visual, já existe um foco narrativo
que, em geral, coincide com o personagem principal, apresentado em primeiro plano. Daí a
necessidade de verificar se a narrativa de S assume esse foco narrativo visualmente
representado ou não;
- a manutenção do mesmo foco narrativo no decorrer da narrativa;
- a utilização de recursos lingüísticos que permitam mudar o foco, sem prejudicar a
inteligibilidade da narrativa;
- as relações que S estabelece entre os elementos centrais da narrativa e os demais elementos
representados na figura ou no texto;
- a manutenção dessas relações no decorrer das narrativa, da qual depende sua coerência;
- a compatibilidade entre essas relações e o que está visualmente representado ou o que foi
narrado;
- o desenvolvimento da narrativa em um sentido progressivo ou circular;
- os recursos lingüísticos utilizados para dar coesão ao discurso, os quais garantem a
identificação pelo interlocutor de um elemento já referido.
Ainda que o respeito à realização de S e à coerência do discurso seja o ponto de partida para a
interpretação, a análise micro-estrutural, isto é, de cada sentença, também é relevante. Salienta-se
ainda, a importância da análise comparativa entre as realizações das diversas provas na medida em
que os estímulos eliciadores da narrativa são diferentes 12.
12 A interpretação do discurso narrativo acima exposta bem como a análise através de reduções, acréscimos e transformações (RA T) que 5 opera
sobre os estímulos orais ou visuais recebidos. se baseou em uma abordagem proposta pela Ora. Cláudia Guimarães de Lemos.
Prova C
- Nas crianças de 3 a 7 anos observaram-se três tendências de realização:
1) reelaboração em forma resumida, mantendo o fato central e poucos elementos
secundários, coerência e preservação da coesão, ocorrendo porém, estruturas circulares;
2) reelaboração com manutenção do fato central e inserção de elementos secundários
relacionados à experiência pessoal e histórias conhecidas, mas com maior dificuldade na
manutenção da coerência e tendência a estruturas circulares ou,;
3) apreensão de um ou mais elementos secundários para a construção de uma nova história,
normalmente relacionada a histórias conhecidas e com coesão precária e tendência a
estruturas circulares. Do ponto de vista intra-sentencial, as sentenças foram simples e/ou
coordenadas na sua maioria do tipo agente-ação-objeto, com pausas e hesitações
esporádicas, dificuldade na concordância e flexão verbal.
- Nas crianças de 8 anos em diante a tendência foi a reelaboração em forma resumida, mantendo
fatos centrais e secundários relevantes, bem como a coesão, menor tendência a circularidade e,
portanto, maior progressão. Notam-se, do ponto de vista macro-estrutural, momentos de
subordinação e redução do número de dificuldades de concordância e flexão, embora persistam
hesitações que, como já foi citado, são esperadas e precedem construções complexas.
MANUAL DE APLICAÇÃO
DO EXAME DE
COMUNICAÇÃO ESCRITA
LEITURA ORAL
I - Objetivos da prova
- Avaliar o nível de decodificação de símbolos gráficos.
- Avaliar a interpretação prosódica que S dá aos sinais de pontuação.
- Avaliar a compreensão de mensagens escritas a partir de leitura oral.
II - Critérios de elaboração
- Foram selecionados textos com nível de complexidade grafêmica, morfossintática e semântica
compatíveis com os respectivos níveis escolares.
- Alguns dos textos foram adaptados e outros elaborados a fim de adequá-los aos níveis
escolares.
- Para a 1ª série, a leitura deve ser proposta em letra manuscrita e não manuscrita, a fim de se
detectar qual é o tipo de letra que facilita a decodificação de S.
- Para a 1ª e 2ª séries foram organizadas listas de vocábulos onde constam todos os grafemas da
língua e um texto.
IV - Avaliação13
1. Registro
- Da transcrição de todo o material gravado.
- Das estratégias utilizadas para leitura.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar a decodificação e compreensão da comunicação escrita, e
ainda o discurso narrativo de 5 eliciado pelo material de leitura. Também pode-se avaliar sua
capacidade de compreensão e síntese através do resumo da leitura que, tanto oral quanto escrita,
obedece os critérios apresentados para análise de narrativas.
A avaliação deve levar em conta o nível de escolaridade de S além de seu nível sócio-
cultural e faixa etária. Os dados analisados na comunicação oral têm importância relevante na
interpretação desta prova, dada a freqüente transferência de desvios para a comunicação escrita.
A análise da reprodução oral ou escrita da leitura torna-se mais significativa quando
conjugada à outras tarefas, em especial à Prova C de Histórias da Comunicação Oral, e deve-se
considerar também as estratégias utilizadas para a realização desta prova. Sugere-se que, para
crianças que apresentem paralexias, seja dada leitura de vocábulos para uma melhor verificação do
problema.
É importante ressaltar que, em Ss em etapa inicial da alfabetização, é imprescindível levar-
se em conta o método de alfabetização a que está sendo submetido.
Sugere-se a utilização das Provas Específicas de Percepção Visual e Auditiva quando forem
observados desvios vinculados a estas áreas.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a compreensão da comunicação escrita a partir de leitura silenciosa.
II - Critérios de elaboração
- Foram selecionados textos compatíveis com os diversos níveis de escolaridade.
- Foram elaboradas cinco questões para a verificação da compreensão, relacionadas ao texto,
sendo a quinta constituída por sentenças que exprimem eventos da história, os quais devem ser
ordenados.
- Na elaboração das questões foi evitada a repetição das sentenças do texto a fim de que as
respostas não pudessem ser retidas em bloco.
IV - Avaliação14
1. Registro
- Das alterações observadas.
- Das estratégias utilizadas para leitura e para as respostas.
15 A organização do material de emissão gráfica será apresentada na Prova de Ditado, no que diz respeito a disgrafias e Disortografias. Quanto aos
aspectos morfossintático e semântico, sua avaliação será apresentada na Prova de Redação.
- Pelo tipo e natureza de desvios: compreensão parcial ou não compreensão do texto e/ou
questões, que podem ser decorrentes de:
- má decodificação da leitura (passível de verificação na prova anterior);
- falhas quanto à retenção do conteúdo;
- falhas quanto à apreensão dos vínculos temporais e causais;
- falhas na apreensão do núcleo e/ou elementos secundários;
- falhas na compreensão de elementos lingüísticos (elementos interrogativos, preposições,
etc.).
- Pela consistência dos desvios: se ocorrem sistemática ou assistematicamente quanto ao tipo
e/ou natureza.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar a compreensão de material escrito, devendo-se levar em conta
a escolaridade de S e ainda as estratégias utilizadas para a realização da prova.
Os dados analisados serão avaliados quanto a seu tipo e natureza e esta interpretação poderá
ser revista à luz da análise comparativa com os resultados obtidos nas provas de comunicação oral,
em especial a de Reprodução de História e das outras provas escritas que envolvem compreensão.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a realização de S ao nível da combinação de sílabas.
II - Critérios de elaboração
- Foram selecionadas doze sílabas, constituídas pela seqüência consoante - vogal oral.
- As sílabas permitem a formação de um mínimo de dez vocábulos.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das alterações observadas.
- Das estratégias utilizadas.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar a capacidade de análise-síntese, importante para o
desenvolvimento da comunicação escrita. Pelos dados levantados verifica-se a maior ou menor
facilidade de evocação de vocábulos a partir de sílabas dadas, uma vez que a capacidade de
combinar sílabas é importante para que o processo de alfabetização se efetue adequadamente.
Convém ressaltar que, se S estiver em fase inicial de alfabetização, poderá não executar esta
prova.
I - Objetivos da prova
- Avaliar a capacidade de combinar vocábulos para a formação de sentenças, vinculada às
relações sintáticas e semânticas intersentenciais.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas cinco sentenças sendo três simples, uma coordenada e uma subordinada
causal.
- Na 1ª série foi dada uma pista do vocábulo inicial através do uso da maiúscula.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das alterações observadas.
- Das estratégias utilizadas para realização da tarefa.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar a capacidade de combinar vocábulos para a formação de
sentenças, o que implica no estabelecimento de relações sintático-semânticas. Evidentemente, esta
prova envolve tanto a área da compreensão quanto da emissão.
I - Objetivos da prova
- Avaliar a compreensão do conteúdo de sentenças através da sua complementação.
- Avaliar a capacidade de S na evocação de elementos que devem ser selecionados dentro de um
conjunto restrito.
- Avaliar a capacidade de estabelecer relações sintático-semânticas entre sentenças a partir de
uma estrutura parcialmente dada.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas dez sentenças para cada faixa escolar, exceção feita à 1ª série, onde são
apresentadas cinco sentenças.
- Os vocábulos que podem preencher as posições vazias pertencem às várias classes de palavras
e apresentam um grau de dificuldade estabelecida a partir do nível de escolaridade de S.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das respostas obtidas.
- Das estratégias utilizadas para a realização da tarefa.
I - Objetivos da prova
- Avaliar o desempenho de S ao nível de relações sintático-semânticas entre os elementos de
uma sentença.
- Avaliar o léxico acessível de S.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaborados cinco grupos de vocábulos sendo três com três palavras e dois com duas
palavras.
- Foram selecionados substantivos, adjetivos, verbos e elementos funcionais, organizados em
função dos níveis de escolaridade.
- A partir da 3ª série os verbos foram propostos no infinitivo com possibilidade de serem
flexionados.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das respostas de S.
- Das estratégias utilizadas para resposta.
I - Objetivos da prova
- Avaliar a compreensão de mensagens escritas.
- Avaliar a capacidade de estabelecer relações temporais e causais entre sentenças ou
parágrafos.
II - Critérios de elaboração
- Para 1ª série foram elaborados quatro grupos de sentenças, dois com três sentenças e dois com
quatro.
- Para as séries subseqüentes foram elaborados textos para ordenação dos parágrafos.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das próprias respostas.
- Das estratégias utilizadas para resposta.
3. Interpretação
A interpretação tem por objetivo avaliar a compreensão de S, bem como sua capacidade de
estabelecer vínculos temporais e causais entre parágrafos ou sentenças. Deve ser feita uma análise
comparativa com outras provas em que se avalia a compreensão.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a capacidade de análise e síntese de sentenças possíveis de serem agrupadas por
relações semânticas e contextuais.
II - Critérios de elaboração 18
- Foram elaborados cinco grupos de sentenças, sendo o primeiro grupo composto de duas
sentenças e os demais compostos por três sentenças cada um.
- As sentenças dos grupos são aparentemente desvinculadas, embora tenham sido elaboradas a
partir de um "tema-chave".
IV - Avaliação
1. Registro
- Das respostas de S.
- Das estratégias utilizadas para respostas.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar a compreensão e a capacidade de análise e síntese a nível do
texto escrito.
Assim sendo, através da análise, E poderá avaliar a capacidade de S de relacionar sentenças
por seus vínculos temporais e causais, bem como do uso de conectivos e outros mecanismos de
coesão. Aspectos de concordância verbal e nominal e a acessibilidade do léxico solicitado serão
também verificados. Chama-se a atenção para a conveniência de uma análise comparativa com
outras provas, especialmente com as Provas de Complementação de Sentenças (oral e escrita).
I - Objetivo da prova
- Avaliar a habilidade de S na transferência da recepção de símbolos gráficos para a emissão.
II - Critérios de elaboração
- Para a 1ª série foram selecionados vocábulos e sentenças que devem ser apresentados em letra
manuscrita.
- Para a 2ª série os vocábulos são apresentados em letra impressa; é também apresentado um
pequeno texto.
- Para as séries subseqüentes foram selecionados textos.
IV - Avaliação
1. Registro
- Da própria execução.
- Das estratégias utilizadas para realização da tarefa.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar o desempenho de S na recepção de símbolos gráficos, o que
envolve também atenção e coordenação viso-motora. As estratégias utilizadas e o nível de
decodificação estão vinculados ao grau de escolaridade de S ou eventuais dificuldades. Em etapa
inicial de aquisição da escrita, o uso de apoios é esperado.
A análise dos desvios a nível grafêmico deverá se apoiar nos processos a eles subjacentes,
sejam de natureza visual e/ou auditiva (ver Prova de Ditado).
Deverá ser feita uma análise comparativa com as outras provas escritas que envolvem
contextos diferentes.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a codificação gráfica.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas quatro séries de vocábulos para 1ª série, 2ª série, 3ª a 6ª séries e 7ª série a
colegial.
- A seleção de vocábulos teve por base a presença de grafemas cuja complexidade é
proporcional ao grau de escolaridade e, portanto, passíveis de eliciar eventuais dificuldades de
natureza visual e/ou auditiva. Esses grafem as foram selecionados e balanceados.
- Para todas as séries foram selecionados textos compatíveis com o grau de escolaridade.
IV . Avaliação
1. Registro
- Da própria execução da tarefa.
- Das eventuais estratégias utilizadas para execução da tarefa.
I - Objetivo da prova
- Avaliar o desempenho de S no discurso escrito, narrativo e dissertativo.
II - Critérios de elaboração
- Para eliciar a narrativa foram selecionados temas diferentes para cada série.
- Para eliciar a dissertação foi proposta a mesma situação para todas as séries.
IV - Avaliação
1. Registro
- Constituído pela própria prova.
- Das estratégias utilizadas para realização das tarefas.
Ao nível da sentença
- Pelo tipo de sentenças: simples, coordenadas e/ou subordinadas.
- Pela estruturação sintática ao nível da sentença.
- Pela concordância: nominal e verbal.
Ex.: concordância inadequada, etc.
Ao nível de vocábulo
- Pela utilização dos morfemas: nominal (gênero, número e grau), verbal (tempo e pessoa).
- Pela observação do léxico: nomes, adjetivos, verbos, conectivos.
Exs.: falha na flexão verbal, nominal, imprecisão e/ou redundância lexical, etc.
3. Interpretação
A interpretação de um discurso se fundamenta no princípio da existência de um interlocutor
a quem a mensagem está sendo dirigida. Este interlocutor, na comunicação escrita, é um
interlocutor representado, ao contrário do que ocorre na comunicação oral, onde há um interlocutor
empírico. A representação do interlocutor, ou seja, o delineamento do perfil do leitor é básico e, o
fato de este não estar presente no próprio ato de produção escrita, requer que o discurso escrito seja
mais explícito que o oral.
Em uma situação de exame, porém, este interlocutor representado aproxima-se do
interlocutor empírico da comunicação oral já que E será o leitor e o examinador e, a tendência; em
função dos contatos anteriores, é que S já tenha organizado um rol de pressupostos sobre E. Isto é
importante para a análise, pois tende a levar a uma organização do discurso escrito próximo a do
discurso oral. Assim, quanto mais E se afastar da postura de examinador, mais livre se sentirá S
para manifestar suas opiniões e argumentar a favor delas.
Quanto à distinção entre narração e dissertação, esta reside no fato de que a primeira implica
na elaboração de uma situação com vínculos temporais e causais e a segunda tem características
argumentativas sobre uma proposta, levando a uma conclusão que, obrigatoriamente, se vincula à
proposta inicial.
A interpretação da narrativa proposta deve levar em conta a relação entre o tema e o discurso
de S, assim como uma análise da progressão narrativa através de seus vínculos temporais e causais
entre eventos, efetuados através de mecanismo de coesão e da estrutura narrativa.
A interpretação de discurso dissertativo na progressão argumentativa, acima mencionada,
depende basicamente do encadeamento de opiniões ou juízos de suas justificativas que conduzem a
uma conclusão, que representa a posição final de S perante o problema colocado como tema. Nota-
se que, na dissertação a circularidade ou não progressão se caracteriza pelo uso de justificativas que,
ao invés de justificar, repetem com outras palavras o que foi expresso como juízo ou justificativa
anterior (Ex.: a televisão é prejudicial porque faz mal às crianças).
Quanto ao aspecto de disortografia, E deverá reportar-se à Prova de Ditado.
Como se vem recomendando, a comparação com os resultados obtidos em outras provas é
um dado fundamental para a interpretação desta.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas três listas, sendo a primeira relacionada à extensão vocabular, a segunda à
posição do fonema no vocábulo e a última à tonicidade dos vocábulos.
- A lista relacionada à extensão vocabular é composta por grupos de vinte vocábulos mono, di,
tri e polissilábicos (sendo quinze com quatro sílabas e cinco com cinco sílabas). A lista foi
balanceada quanto à seleção de vocábulos oxítonos, paroxítonos e proparoxítonos, com sílabas
tônicas abertas e fechadas e ainda, existiu a preocupação com a ocorrência de todos os fonemas.
- A lista relacionada à posição do fonema no vocábulo é composta por vocábulos trissílabos. Os
fonemas colocados em foco ocorrem em sílaba inicial, mediai e final de vocábulo, sendo estas
sílabas átonas. Houve o balanceamento também em termos de tonicidade do vocábulo (oxítonas,
paroxítonas e proparoxítonas).
- A lista relacionada à tonicidade dos vocábulos é composta por grupos de vocábulos di, tri e
polissilábicos, subdivididos em oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas.
- O balanceamento dos vocábulos sofreu restrições relativas às características da língua, como
por exemplo, a não ocorrência da vibrante simples em posição inicial de vocábulo.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das emissões de S.
3. Interpretação
A interpretação é feita da forma já apresentada na Prova de Lista de Palavras do Exame de
Comunicação Oral.
I - Objetivos gerais
- Avaliar a percepção auditiva de S.
- Avaliar a interferência de eventuais falhas de percepção na comunicação oral e/ou escrita de S.
- Relacionar os desvios encontrados nas áreas perceptuais possivelmente responsáveis pela
alteração na comunicação.
A - DISCRIMINAÇÃO AUDITIVA
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas três provas de discriminação de vocábulos, que são pares mínimos,
apresentadas como Prova a, Prova b e Prova c.
- A Prova a é constituída por séries de quatro pares dissílabos, sendo dois iguais e dois
diferentes, dispostos aleatoriamente. As séries se compõem por vocábulos que constituem pares
mínimos entre si que se distinguem tanto através de consoantes quanto de vogais. Os fonemas se
encontram em sílaba inicial tônica que é um contexto facilitador para a percepção e sua
distribuição é aleatória quanto à abertura e fechamento da sílaba.
- A Prova b é constituída por vinte séries de seis vocábulos cada, agrupados dois a dois, que
sempre têm dois pares diferentes e um igual. O critério de seleção dos pares seguiu os já
apresentados na Prova a.
- A distinção dos fonemas se apresenta apenas uma vez, com distribuição aleatória e se restringe
aos fonemas consonantais.
- A Prova c é constituída por vinte pares mínimos de vocábulos dissílabos ou trissílabos,
aleatoriamente distribuídos quanto à tonicidade da sílaba do fonema visado.
- A grafia dos vocábulos apresentados viola muitas vezes as normas de acentuação. Ex.: péla (v.
pelar) e pêla (preposição). Seu objetivo foi lembrar a E a necessidade de distinguir os vocábulos
na emissão.
III - Normas de aplicação
Instruções:
Prova a
- Solicitar a S que diga se as palavras apresentadas são iguais ou diferentes.
- E deve certificar-se de que S conhece o significado de igual e diferente.
Prova b
- Solicitar a S que diga qual é a palavra que se repete.
Prova c
- Solicitar a S que defina as palavras dadas, na ordem de apresentação.
- Sugere-se dar os exemplos na apresentação de cada prova, certificando-se da compreensão de
S.
- Apresentar os vocábulos sem entonação enfática, em ritmo e intensidade normal de voz.
- Sugere-se apresentar as séries verticalmente.
- Repetir a série uma vez, caso seja solicitado por S (o que será levado em conta na avaliação).
- Apresentar os vocábulos procurando não favorecer o uso de apoio visual
na emissão de E
- Sugere-se não interferir nas respostas de S.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das respostas de S.
- Das estratégias utilizadas para as respostas.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar a discriminação auditiva, buscando levantar a eventual
interferência desta área em desvios da comunicação oral e/ou escrita de S.
Convém ainda ressaltar a importância das estratégias utilizadas para respostas, na medida
que podem indicar uma inabilidade para discriminação dos fonemas, como por exemplo, o uso de
apoio articulatório e acústico-articulatório, mecanismo esse que dá outras pistas para a
discriminação. Contudo, são aceitáveis respostas não-verbais como o apontar para o referente do
vocábulo apresentado. Ex.: queixo (Prova c).
A análise comparativa do tipo e natureza dos desvios desta prova e dos desvios analisados
durante todo o exame, no que se refere aos aspectos fonêmico e fonológico, permite analisar a
consistência do desvio e, conseqüentemente, relacioná-los alterações em certas áreas.
I - Objetivos da prova
- Avaliar a extensão da memória auditiva para dígitos, vocábulos e sentenças.
- Complementar dados obtidos na Prova de Memória Auditiva Imediata do Exame de Triagem.
II - Critérios de elaboração
A. Séries de dígitos
- Foram organizados cinco grupos de dígitos, com quatro séries em cada grupo.
- Cada grupo contém duas séries com dígitos apresentados em ordem crescente e duas séries
sem ordem estabelecida.
B. Séries de vocábulos
- Os critérios de elaboração foram os mesmos que os da Prova de Triagem, porém as séries se
estenderam a seis vocábulos, com exceção de vocábulos polissilábicos, uma vez que os dados da
pesquisa prévia demonstraram não haver retenção de seis polissílabos em 90% do Ss.
C. Séries de sentenças
- Foram organizadas seis séries com cinco sentenças em cada série.
- As primeiras sentenças das séries são simples, as segundas são coordenadas,
as terceiras são subordinadas, as quartas envolvem seqüência temporal e as últimas são
constituídas por expressões justapostas,cujo nexo é mais semântico (tempo) ou contextual
(boletim metereológico) do que sintático, devendo ser este inferido, o que toma mais difícil a
retenção.
- Outros critérios seguem os mencionados na Prova de Triagem.
3. Interpretação
A interpretação é a mesma já exposta na Prova de Triagem.
Os dígitos são analisados como os vocábulos, uma vez que também são elementos (mono e
dissílabos) de uma mesma área semântica.
Para a interpretação de sentenças salienta-se que as últimas de cada série obtiveram, em
geral, respostas hesitantes, provavelmente devido a sua sintaxe peculiar, como mencionado
anteriormente.
Sentenças que envolvem seriação de elementos da mesma área semântica foram eliminadas
do exame, já que os resultados obtidos na pesquisa prévia indicaram que os sujeitos demonstravam
retenção menor desse tipo de sentença. Tanto as respostas obtidas nas últimas sentenças de cada
série quanto a retenção menor na seriação de elementos da mesma área semântica se devam.talvez à
ausência de nexo sintático explícito ou implícito, que atuaria como um fator de organização da
memória.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas três provas, sendo uma de análise, uma de síntese e, a terceira, de análise e
síntese vocabular.
- Para a prova de análise vocabular foram propostos dez vocábulos, sendo dois dissílabos, dois
trissílabos e seis polissílabos (dois de quatro, dois de cinco e dois de seis sílabas).
- Para a prova de síntese vocabular foram propostos dez vocábulos para complementação.
- Para prova de análise e síntese vocabular foram propostos dez vocábulos, sendo cinco
dissílabos e cinco trissílabos.
- Houve acentuação de algumas sílabas a fim de orientar a emissão de E.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das respostas de S.
- Das eventuais estratégias utilizadas para as respostas.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar a atuação de S na área de análise e síntese de vocábulos. A
Prova de Análise Vocabular permite verificar a percepção de S das "partes de um todo."
Na Prova de Síntese Vocabular verifica-se a capacidade de associar partes em um todo
significativo. A Prova de Análise e Síntese permite observar o desempenho de S na apreensão das
partes de um todo e na recomposição em um bloco.
Toda essa análise leva à verificação da atuação de S frente aos processos de evocação do
vocábulo, a partir de sons verbais. Esta atuação se vincula às áreas perceptuais de discriminação e
memória auditiva que podem interferir na produção de S caso estejam alteradas.
Ressalta-se que esses processos são importantes para que a alfabetização se desenvolva
adequadamente.
B. Síntese Vocabular
- As crianças de 3 anos não realizaram a tarefa.
- As crianças de 4 a 5 anos realizaram a prova mostrando, porém, instabilidade.
- A partir dos 6 anos as respostas foram adequadas.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a capacidade de S em perceber e reter uma seqüência rítmica dada.
II - Critérios de elaboração
- Foram organizadas dez séries de estímulos.
- As cinco primeiras séries envolvem intensidade com apenas um tipo de estímulo (som fraco) e
tempo breve ou longo entre os estímulos.
- As cinco últimas séries envolvem diferenças quanto ao tempo breve ou longo e intensidade
(forte e fraco) dos estímulos.
IV . Avaliação
1. Registro
- Das respostas de S.
- Das estratégias eventualmente utilizadas para resposta.
3. Interpretação
A interpretação leva a avaliar a atuação de S com estímulos auditivos não verbais em
seqüência, que permite secundariamente a análise de sua percepção de diferenças temporais e de
intensidade entre estímulos.
Ainda deve-se levar em conta,na análise, a interferência da discriminação e memória
auditivas nesta tarefa.
Objetivos gerais
- Avaliar a percepção visual de S a nível pré-gráfico e gráfico.
- Avaliar a interferência de possíveis falhas de percepção na comunicação oral e/ou escrita de S.
- Relacionar os desvios encontrados em áreas perceptuais possivelmente responsáveis pela
alteração.
I - NÍVEL PRÉ-GRÁFICO
A - DISCRIMINAÇÃO VISUAL
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas quatro provas.
- As tarefas são apresentadas em cartelas, sendo que cada estímulo tem um par correspondente.
- As tarefas envolvem doze cores, seis objetos, seis formas geométricas e doze figuras para
identificação da forma semelhante.
IV - Avaliação
20 Estas provas não envolvem obrigatoriamente recepção ou emissão oral para sua execução. No caso de S não compreender as ordens verbais, E
deverá buscar estratégias para que haja o entendimento das tarefas
.
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das eventuais estratégias utilizadas para resposta.
3. Interpretação
A interpretação do desempenho de S leva a avaliar a discriminação visual das áreas
propostas e, em decorrência, as áreas de dificuldade.
A discriminação desses elementos é de grande importância para que se desenvolva
adequadamente o processo de alfabetização, assim como a comunicação oral, no que se refere ao
léxico. Dificuldades nesta área poderiam justificar problemas na comunicação escrita, não se
eliminando, entretanto, uma possível necessidade de exame oftalmológico e/ou perceptivo-motor.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas duas provas: figura-fundo para objetos e para formas geométricas.
- Cada prova é subdividida com apresentação de três, quatro e cinco elementos superpostos para
serem discriminados.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das estratégias eventualmente utilizadas para resposta.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar a capacidade de seleção visual de um estímulo, na medida em
que se pode considerar que a figura é o centro de atenção de um campo perceptual. A figura-fundo
visual é de relevância significativa ao se considerar que o processo de leitura exige a constante
mudança de focos de atenção.
Assim, dificuldades nesta área acarretarão, provavelmente, dificuldades na
leitura e, em graus mais severos, poderão ser responsáveis por dificuldade na manutenção de
atenção ao ambiente.
Convém ressaltar que é recomendável uma análise comparativa dos resultados
desta prova com os obtidos na prova anterior e com os das provas escritas.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaborados quatro grupos de seqüência para cada prova com três, quatro, cinco e seis
séries em cada grupo.
- As séries de figuras que constam da prova estão dispostas em uma folha de forma a serem
isoladas durante a aplicação. A cada figura correspondem fichas que S usará para reproduzir a
série.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das eventuais estratégias utilizadas para respostas.
3. Interpretação
A interpretação visa a avaliar o nível de retenção visual de S, fator importante para o
adequado desenvolvimento da comunicação escrita. Alterações nessas tarefas podem justificar
dificuldades de alfabetização, bem como problemas quanto à retenção da forma visual de grafemas
e de vocábulos (ss, ç, sc, etc.). Convém ressaltar que a análise deve levar em conta os resultados
obtidos nas provas de discriminação e figura-fundo, na medida em que dificuldades nessas áreas
podem interferir no processo de retenção. É importante ainda considerar os mecanismos ou
estratégias utilizadas por S para a realização da prova, uma vez que estas podem levar a uma
interpretação que não corresponde ao objetivo da prova. Ex.: a série A B E F poderia ser retida em
bloco (abef) que corresponde à transformação da série em unidade, embora sem significado.
B. Séries de formas
- As crianças de 3 a 6 anos retiveram séries de três elementos.
- As crianças de 7 a 12 anos retiveram séries de quatro elementos.
- Os sujeitos de 13 anos em diante retiveram séries de cinco elementos.
21 Os níveis de atuação por faixa etária que serão fornecidos se baseiam nas tendências gerais das respostas obtidas na pesquisa prévia.
D - ANÁLISE-SÍNTESE VISUAL
II - Critérios de elaboração
- Foram elaboradas provas para análise e síntese de objetos e para análise e síntese de formas
geométricas.
- Em cada prova são propostas quatro figuras incompletas para serem encontradas no meio de
oito figuras.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das eventuais estratégias utilizadas para respostas.
3. Interpretação
A interpretação leva a avaliação do processo de análise e síntese, ou seja, da apreensão das
"partes de um todo", processo este importante para o desenvolvimento da comunicação escrita,
também associável a outras áreas da percepção visual. Esses resultados devem ser comparados com
os de outras provas de percepção visual, bem como de comunicação escrita, na medida em que
podem, eventualmente, explicar os desvios' encontrados nesta.
A - DISCRIMINAÇÃO VISUAL
II - Critérios de elaboração
-Foram elaboradas três provas.
- As tarefas são apresentadas em cartelas, sendo que cada estímulo tem um par correspondente.
- Para a Prova a, Discriminação de Grafemas e Algarismos, foram selecionados elementos que
têm diferenças espaciais e/ou semelhanças quanto à forma.
- Para a Prova b, Discriminação de Grupos de Dois Elementos, a seleção se orientou pelos
mesmos princípios da Prova a; o mesmo para Prova c, Discriminação de Vocábulos.
- O tipo de traçado dos grafemas e algarismos não são uniformes para que as diferenças e
semelhanças possam ser estabelecidas.
3. Interpretação
A interpretação busca avaliar a discriminação visual de S para estímulos gráficos.
Em crianças em fase de pré-alfabetização, ou em seu início, a análise desse material poderá
fornecer subsídios para levantar eventuais dificuldades que S pode ter durante o processo de
alfabetização. Em crianças já alfabetizadas, os desvios que forem registrados poderão orientar E
quanto à possível área em que a dificuldade se encontra. Ressalta-se o fato de que os desvios não
são vinculados necessariamente aos processos subjacentes à discriminação visual. Assim sendo, E
deverá ficar atento à sistematização dos dados e lembrar-se que esses desvios podem resultar da
interferência da área perceptual auditiva. Portanto, os desvios em grafemas como p e b somente
serão vinculados a uma dificuldade de natureza visual se, no exame de Triagem da comunicação
Oral e Escrita, os aspectos da percepção auditiva não indicarem falhas quanto ao traço distintivo de
sonoridade; e também se há recorrência de desvios que envolvam dificuldades de natureza visual.
Como foi citado anteriormente, a necessidade de um exame oftalmológico e/ou perceptivo-
motor pode ser levantada através da análise destas provas.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a capacidade de estabelecer um foco visual colocado entre vários estímulos
superpostos.
II - Critérios de elaboração
- Foi elaborada urna cartela com a apresentação de três, quatro e cinco grafemas superpostos,
para serem discriminados.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das estratégias eventualmente utilizadas para respostas.
3. Interpretação
- Reportar-se à Prova Figura-Fundo - Nível Pré-Gráfico.
II - Critérios de elaboração
- Foram elaborados quatro grupos de seqüência para a Prova Memória para Série de Grafemas.
Para a Prova Memória para Série de Vocábulos foram elaboradas seqüências com três, quatro,
cinco e seis palavras em cada grupo.
- As Provas para Memória de Séries de Grafemas e Séries de Vocábulos são apresentadas em
cartelas com fichas correspondentes para serem sequencializadas.
- Na Prova de Memória para Sentenças foram elaborados seis grupos, de cinco sentenças cada,
com variação quanto ao número de sílabas, sendo que as primeiras de cada série são simples; as
segundas, coordenadas; as terceiras, subordinadas; as quartas envolvem seqüência de tempo; e
as últimas são constituídas por expressões justapostas cujo nexo é mais semântico (tempo) ou
contextual (boletim meteorológico) do que sintático, devendo portanto ser inferido, o que torna
mais difícil a retenção.
- As sentenças foram selecionadas dentre as acessíveis às crianças da pesquisa prévia, do ponto
de vista lexical e sintático.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das eventuais estratégias utilizadas para respostas.
3. Interpretação
A interpretação desta prova segue os mesmos princípios já mencionados na Prova de
Memória Visual - Pré-Gráfico.
Quanto às sentenças, a análise leva a avaliar o nível de retenção de estruturas mais extensas.
A expectativa é de se obter, como resultado da realização de S, uma maior retenção em
termos de número de sílabas do que de vocábulos. Convém ressaltar que, mesmo que S retenha o
conteúdo semântico da sentença dada, para os objetivos desta prova, somente deverá ser
considerada correta a seleção da sentença igual ao modelo dado.
II - Critérios de elaboração
Prova a
- Os seis grafemas selecionados são apresentados com traçado interrompido para serem
pareados.
Prova b
- Essa prova é apresentada em duas partes: vocábulos divididos por sílabas e vocábulos
divididos por grafemas.
- Vocábulos divididos por sílabas: são apresentados doze vocábulos di, tri e polissílabos, sendo
quatro de cada.
- Vocábulos divididos por grafemas: são apresentados oito vocábulos, quatro dissílabos e quatro
trissílabos.
IV - Avaliação
1. Registro
- Das realizações de S.
- Das eventuais estratégias utilizadas para resposta.
3. Interpretação
A interpretação segue a orientação dada na Prova de Análise-Síntese - Pré-Gráfica. Ainda
convém observar a maior ou menor facilidade na realização da tarefa quando se trata de sílabas ou
de grafemas, sendo que estes últimos seriam o de maior dificuldade, na medida em que exige maior
habilidade de análise para obter a síntese. Para crianças em início de alfabetização esta prova
apresenta maior dificuldade e isso deverá ser levado em conta.
I - Objetivo da prova
- Avaliar a percepção visual de S em discriminação, figura-fundo e análise-síntese.
II - Critérios de elaboração
- Foram selecionados seis grupos de grafemas que possuem traços distintivos grafêmicos
semelhantes.
- Para cada grupo de grafemas foram selecionados dois vocábulos com similaridade gráfica
inicial.
- Para cada grupo de grafemas foram elaborados textos com uma macro-estrutura sintática
preservada, porém com anomalias semânticas.
- Os textos apresentam cinco ocorrências dos vocábulos selecionados, tendo sido, além disso,
elaborados ou compostos com vocábulos de estrutura gráfica semelhante.
IV - Avaliação
1. Registro
- Da realização de S.
- Das estratégias eventualmente utilizadas para resposta.