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Bourdieu CONCEITOS

O documento discute as ideias do sociólogo Pierre Bourdieu. Ele desenvolveu os conceitos de habitus e campo para entender como as estruturas sociais influenciam as ações e percepções dos indivíduos. O habitus refere-se às disposições adquiridas através da socialização que orientam como as pessoas agem. Os campos são espaços sociais onde ocorrem disputas e lutas de poder.

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Bourdieu CONCEITOS

O documento discute as ideias do sociólogo Pierre Bourdieu. Ele desenvolveu os conceitos de habitus e campo para entender como as estruturas sociais influenciam as ações e percepções dos indivíduos. O habitus refere-se às disposições adquiridas através da socialização que orientam como as pessoas agem. Os campos são espaços sociais onde ocorrem disputas e lutas de poder.

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Bourdieu

Nega, igualmente, o determinismo e a estabilidade das estruturas, mas mantém a noção


de que o sentido das ações mais pessoais e mais transparentes não pertence ao sujeito
que as perfaz, senão ao sistema completo de relações nas quais e pelas quais elas se
realizam (Bourdieu et al., 1990:32).

ele considera estruturas determinadas no espaço e no tempo (não-universais), que devem


ser desveladas com o auxílio de métodos empíricos.

Ele deve a Bachelard (1984) a idéia de que o pensamento opera como um movimento de
pinça, que descobre, integra e supera as limitações das teorias em uma composição
conceitual cada vez mais abrangente.

Absorve igualmente da fenomenologia o processo de construção do fato social como


objeto (Bourdieu et al., 1990, passim) e a idéia de que são os agentes sociais que
constroem a realidade social, embora sustente que o princípio desta constituição é
estrutural (Bourdieu, 2001:209).

Para ele, a dominação se exerce sempre mediante violência, seja ela bruta ou simbólica
(Dollé, 1998:32), seja mediante coação física, sobre os corpos, seja através da coação
espiritual, sobre as consciências (Bourdieu, 2001:203).

Ele pensa que a formação das idéias é tributária das suas condições de produção. Que os
atos e os pensamentos dos agentes se dão sob "constrangimentos estruturais". Por isso
insiste que, na pesquisa, se mantenha uma "vigilância epistemológica": o cuidado
permanente com as condições e os limites da validade de técnicas e conceitos. As atitudes
de repensar cada operação da pesquisa, mesmo a mais rotineira e óbvia, de proceder à
crítica dos princípios e à análise das hipóteses para determinar a sua origem lógica
(Bourdieu et al., 1990:14).

Ele procura se colocar para além dos modelos existentes e da rigidez de qualquer modelo
explicativo da vida social. Entende que não se pode compreender a ação social a partir do
testemunho dos indivíduos, dos sentimentos, das explicações ou reações pessoais do
sujeito. Que se deve procurar o que subjaz a esses fenômenos, a essas manifestações.
Bourdieu adota o estruturalismo como método, mais que como teoria explanatória
(Robbins, 2002:316)

Bourdieu faz das relações entre as condições da existência, a consciência, as práticas e


as ideologias a matriz determinante do indivíduo (Bourdieu, 1992b:188-190).

A prática social É a de um conjunto de relações históricas, produto e produtora de ações,


que é condicionada e é condicionante. Deriva da dupla imbricação entre as "estruturas
mentais" dos agentes sociais e as estruturas objetivas (o "mundo dos objetos")
constituídas pelos mesmos agentes. As primeiras instituem o mundo inteligível, que só é
inteligível porque pensado a partir das segundas. A reciprocidade da relação estabelece
um movimento perpétuo, um sistema generativo autocondicionado — o habitus — que
busca permanentemente se reequilibrar, que tende a se regenerar, a se reproduzir.

Bourdieu desenvolve um estruturalismo dinâmico, genético ou construtivista. Tal


estruturalismo é fundado em uma noção de estruturas sincrônicas e inconscientes, mas
históricas — como a do campo —, contextuais e geradoras — como a do  habitus — em
que a percepção individual ou do grupo, a sua forma de pensar e a sua conduta são
constituídas segundo as estruturas do que é perceptível, pensável e julgado razoável na
perspectiva do campo em que se inscrevem (Bourdieu, 1996:217 e segs.). Por exemplo,
diz ele que o trabalhador, seja ele um operário, um burocrata ou um pianista, não pode se
conduzir, improvisar ou criar livremente. Ele é sujeito da estrutura estruturada do campo,
dos seus códigos e preceitos. Mas, dentro de limites, de restrições inculcadas e aceitas, a
sua conduta, a improvisação e criação são livres: conformam a estrutura estruturante
do habitus.

Bourdieu retoma os preceitos de Durkheim de que os fatos sociais devem ser construídos
para que se tornem objeto de estudo e de que, antes de efetuar a análise dos arquivos, o
experimento, ou a observação direta, é necessário preparar um quadro de referências, de
modo a formular as questões adequadas e tornar as respostas inteligíveis. Um sistema de
regras que vão reger o princípio unificador e organizador da teoria (Singly, 2002:91). Na
construção do objeto é preciso separar as categorias que pré-constroem o mundo social e
que se fazem esquecer por sua evidência, o que significa levar a campo conceitos
sistêmicos, noções que pressupõem uma referência permanente ao sistema completo das
suas inter-relações, que subentendem uma referência à teoria.

Os conceitos primários formulados e aperfeiçoados por Bourdieu são o de / habitus/ e o de


/campo/. A estes se agregam outros, secundários, mas nem por isto menos importantes, e
que formam a rede de interações que orienta a sociologia relacional, a explicação, a partir
de uma análise, em geral fundada em estatísticas, das relações internas do objeto social.
A teoria do habitus e a teoria do campo são entrelaçadas. Uma é o meio e a conseqüência
da outra (Vandenberghe, 1999:61). Para seguir os passos do processo investigatório de
Bourdieu é essencial compreender estes conceitos tanto separadamente quanto na forma
como se articulam.

Para Bourdieu, o habitus é um sistema de disposições, modos de perceber, de sentir, de


fazer, de pensar, que nos levam a agir de determinada forma em uma circunstância dada.

As disposições não são nem mecânicas, nem determinísticas. São plásticas, flexíveis.
Podem ser fortes ou fracas. Refletem o exercício da faculdade de ser condicionável, como
capacidade natural de adquirir capacidades não-naturais, arbitrárias (Bourdieu, 2001:189).
São adquiridas pela interiorização das estruturas sociais. Portadoras da história individual
e coletiva, são de tal forma internalizadas que chegamos a ignorar que existem. São as
rotinas corporais e mentais inconscientes, que nos permitem agir sem pensar. O produto
de uma aprendizagem, de um processo do qual já não temos mais consciência e que se
expressa por uma atitude "natural" de nos conduzirmos em um determinado meio.
É adquirido mediante a interação social e, ao mesmo tempo, é o classificador e o
organizador desta interação. É condicionante e é condicionador das nossas ações.
Os habitus não designam simplesmente um condicionamento, designam,
simultaneamente, um princípio de ação. Eles são estruturas (disposições interiorizadas
duráveis) e são estruturantes (geradores de práticas e representações). Possuem
dinâmica autônoma, isto é, não supõem uma direção consciente nas duas transformações
(Bourdieu, 1980:88-89). Engendram e são engendrados pela lógica do campo social, de
modo que somos os vetores de uma estrutura estruturada que se transforma em uma
estrutura estruturante. Aprendemos os códigos da linguagem, da escrita, da música, da
ciência etc. Dominamos saberes e estilos para podermos dizer, escrever, compor,
inventar.

O habitus é infraconsciente. É como uma segunda natureza, parcialmente autônoma, já


que histórica e presa ao meio. Isto quer dizer que ele nos permite agir em um meio dado
sem cálculo ou controle consciente. O habitus não supõe a visada dos fins. É princípio de
um conhecimento sem consciência, de uma intencionalidade sem intenção (Bourdieu,
1987:22). É adquirido por aprendizagem explícita ou implícita, e funciona como um sistema
de esquemas geradores de estratégias que podem ser objetivamente conformes aos
interesses dos seus autores, sem terem sido concebidas com tal fim (Bourdieu, 1984:119).

Todo agente, indivíduo ou grupo, para subsistir socialmente, deve participar de um jogo
que lhe impõe sacrifícios. Neste jogo, alguns de nós nos cremos livres, outros
determinados. Mas, para Bourdieu, não somos nem uma coisa nem outra. Somos o
produto de estruturas profundas. Temos, inscritos em nós, os princípios geradores e
organizadores das nossas práticas e representações, das nossas ações e pensamentos.
Por este motivo Bourdieu não trabalha com o conceito de sujeito. Prefere o de agente. Os
indivíduos são agentes à medida que atuam e que sabem, que são dotados de um senso
prático, um sistema adquirido de preferências, de classificações, de percepção (Bourdieu,
1996:44). Os agentes sociais, indivíduos ou grupos, incorporam um habitus gerador
(disposições adquiridas pela experiência) que variam no tempo e no espaço (Bourdieu,
1987:19). Do berço ao túmulo absorvemos (reestruturamos) nossos habitus,
condicionando as aquisições mais novas pela mais antigas. Percebemos, pensamos e
agimos dentro da estreita liberdade, dada pela lógica do campo e da situação que nele
ocupamos.

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