DHEG – Pré-Eclâmpsia e Eclâmpsia
Charlene Guedes
Daniel Damiani
Paloma Beatriz Ratto
Definições
• DHEG é caracterizada pelo aparecimento , em
grávida normotensa, após a 20ª semana de
gestação, da tríade sintomática: hipertensão, edema e proteinúria.
• DHEG é incurável, apenas pela interrupção da gestação.
• Evoluções possíveis: eclâmpsia, HELLP e CIVD.
• Hipertensão gestacional: apenas ao quadro
hipertensivo, sem edema e proteinúria.
o 1/3 evolui para DHEG – Pré-Eclâmpsia.
Introdução
• DHEG acomete cerca de 5% das gestações (EUA).
• PA na gestação de no mínimo 140x90mmHg
ou incremento de 30mmHg (PAS) e 15mmHg (PAD).
• Elevada morbi-mortalidade.
o Feto: restrição do crecimento IU; prematuridade e óbito.
o Mãe: convulsões, insuficiência renal, edema pulmonar, AVE, óbito.
Classificação
DHEG:
Pré-Eclâmpsia Leve.
Pré-Eclâmpsia Moderada.
Eclâmpsia.
Hipertensão Crônica de qualquer etiologia.
Hipertensão Crônica + Pré-Eclâmpsia sobreposta: piora > 20ª sem.
Hipertensão Transitória: final da gestação.
Fisiopatologia
A. decídua normal.
B. Anormalidade vascular: trombose, necrose, aterose.
Aumento dos fatores antiangiogênicos placentários/ séricos: tirosino-quinase 1
fms-like (sFlt-1).
sFlt-1 evita a adesão placentária ao endotélio: PIGF-VEGF = disfunção endotelial.
sFlt-1 exógeno = proteinúria, HAS e endoteliose.
Fatores de Risco
10% das primeiras gestações.
20-25% das mulheres possuem HAS crônica.
Negras.
Extremos de idade: adolescentes (<18) e > 35a.
Doenças de base: DM, Nefropatias, história de
HAS ou pré-eclâmpsia, obesidade, hipo/hipercortisolismo, LES, enxaqueca,
uso de ISRS e trombofilias.
Gestações com período de tempo < 2 anos ou > 10 anos.
Aspectos Clínicos
Pré-Eclâmpsia:
> 20 semanas de gestação.
Rara no primeiro trimestre de gestação.
Distúrbios visuais, escotomas e fosfemas.
Cefaléia tipo enxaquecosa.
Desconforto epigástrico (congestão hepática).
Edema das extremidades.
Rápido ganho de peso (>1Kg/sem): reflexo do edema e nefropatia.
Oligúria.
Sinais de ICC.
PAD 90-99mmHg = Pré-Eclâmpsia leve.
PAD 100-109mmHg = Pré-Eclâmpsia moderada.
PAD > 110mmHg = Pré-Eclâmpsia grave.
Papiledema.
Dor e distensão da cápsula de Glisson.
Hiper-reflexia.
Clônus.
Piora súbita / aparecimento do edema em MMIIs.
Sinais sugestivos de outras causas de HAS:
Obesidade centrípeta: hipercortisolismo.
Pulsação epigástrica: estenose A. renal.
Sinais de hiper/hipotireoidismo e acromegalia.
Eclâmpsia:
Crise convulsiva, em geral tônico-clônica generalizada, sem lesão
neurológica prévia.
Pródromo:
Rebaixamento do GCS.
Cefaléia.
Epigastralgia.
Proteinúria: > 3g/dia.
Oligúria.
Laboratório
Urina 24h: proteinúria (1+ ou mais) ou
300mg/dia, microalbuminúria, hematúria.
Sódio, Potássio, Cálcio, Fosfato.
Hemograma + Plaquetas
Coagulograma: TP, TTPa, INR.
D-dímero.
Glicemia.
Uréia + Creatinina (+ clearance).
TSH.
Hb glicosilada.
AST e ALT.
Ácido úrico > 5mg/dL (disfunção tubular??)
DHEG ativa o sistema de coagulação aumentando a formação de D-Dímeros.
Imagens
USG abdome.
TC crânio.
RX Tórax.
RM: T2 hiperintenso (edema, infarto, hemorragia).
ECG / Ecocardiograma: cardiopatia hipertrófica (HAS crônica).
EEG.
Monitoramento fetal.
Edema Pulmonar – Pré-Eclâmpsia
Eclâmpsia – T2
Síndrome HELLP
H - Hemolytic anemia (esquizócitos);
EL - Elevated Liver enzymes;
LP - Low Platelet count.
0,5-1% das gestações.
10-20% dos casos de pré-eclâmpsia e eclâmpsia.
27-37ª semana de gestação (70%).
Sintomas:
Cefaléia.
Náuseas, vômitos.
Dor abdominal (hipocôndrio D).
Alteração visual.
Condutas:
34sem = PARTO IMEDIATO!
27-34sem = Estabilização + Betametasona: Parto em 48h!
< 27sem = Conservadora (> 48-72h): nunca em CIVD!!!
Corticóide: maturação pulmonar fetal, menor complicação
neurológica fetal; diminuição do edema materno, trombose e
disfunção endotelial.
Administração Materna Pós-Parto:
Altas doses de dexametasona 10mg 12/12h.
Redução da mortalidade materna.
Aumento mais rápido do número de plaquetas.
Corticóide deverá ser iniciado para partos que
acontecerão em 48h... Aguardar mais tempo = maior
mortalidade materno-fetal.
Tratamento – Síndrome HELLP
Exame clínico – monitorização materno-fetal.
Hemograma, plaquetas.
Coagulograma.
AST, DHL, Urina 1.
PA.
USG Cardiotoco / Doppler.
Fluidoterapia IV.
Antihipertensivos.
Sulfato de Magnésio profilático.
Parto normal ou cesárea em 24-48h.
Tratamento da DHEG
PAS > 160mmHg e ou
PAD > 110mmHg
Antihipertensivos:
Metildopa (Aldomet®) 250mg (máx. 3g/dia).
Pindolol (Visken®) 10-30mg/dia.
Hidralazina (Apresolina®) 10-20mg/dose/4-6h.
Nifedipina (Adalat®) 10-30mg.
Nitroprussiato de Sódio (Nipride®) 0,3mcg/Kg/min.
Anticonvulsivantes Profiláticos:
Sulfato de Magnésio 4-6g IV bolus + 2-3g/h mantendo 4-
8mg/dL.
Fenitoína (Hidantal®) 1000mg IV/1h + 500mg em 10h (máx.
1500mg/24h).
Tratamento da Eclâmpsia
Monitorar a paciente + Exames Laboratoriais.
Controle Pressórico.
Sulfato de Magnésio:
Zuspan
Ataque: 20mL de MgSO4 a 20% IV em 15 min.
Manutenção: SG 5% 1000mL + 4 ampolas MgSO4 a
50% em bomba de infusão a 50mL/h.
Pritchard (HCFMUSP)
Sem sinais iminentes de eclâmpsia:
Ataque: 10mL MgSO4 50% IM em cada
nádega.
Manutenção: 10mL de MgSO4 50% IM 4/4h
em nádegas alternadas.
Com sinais iminentes de eclâmpsia:
20mL MgSO4 IV lentamente (3min) +
esquema IM.